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FISIOLOGIA DA CONTRAÇÃO MUSCULAR INTRODUÇÃO Cerca de 40% do corpo é composto por músculo esquelético e 10% por músculo liso e mio�brila com �lamentos parcialmente cardíaco. Alguns dos princípios básicos da contração se aplicam a todos esses diferentes tipos de músculos. Anatomia do músculo esquelético Estrutura De�nição Mio�brila Estruturas alongadas e �nas dentro da �bra muscular, compostas por �lamentos de actina e miosina que interagem para produzir a contração muscular. Núcleo Estruturas de controle presentes na periferia da �bra muscular esquelética, que é multinucleada, responsáveis pela atividade metabólica e regenerativa. Sarcolema Membrana plasmática da �bra muscular, responsável pela transmissão do potencial de ação que leva à contração. Endomísio Tecido conjuntivo frouxo que envolve cada �bra muscular individualmente, permitindo o suporte estrutural e a passagem de vasos capilares e nervos. Fascículo Conjunto de �bras musculares agrupadas e envoltas por uma camada de tecido conjuntivo (perimísio). Perimísio Tecido conjuntivo que envolve cada fascículo muscular, sustentando vasos sanguíneos e nervos maiores, além de contribuir para a resistência e elasticidade. Epimísio Camada de tecido conjuntivo que envolve todo o músculo, conectando-o a tendões e estruturas adjacentes. Vaso sanguíneo Estruturas responsáveis pelo fornecimento de oxigênio e nutrientes às �bras musculares, além da remoção de resíduos metabólicos. Tendão Estrutura �brosa composta principalmente por colágeno que conecta o músculo ao osso, transmitindo a força gerada pela contração muscular para produzir i Osso Estrutura do sistema esquelético à qual os músculos se �xam por meio dos tendões, funcionando como alavanca para os movimentos corporais. 1. Faixa I (ou banda I) A faixa I é a região clara da mio�brila, composta exclusivamente por �lamentos �nos de actina. Ela aparece mais clara ao microscópio óptico porque não contém miosina. Essas faixas são anisotrópicas à luz polarizada, daí o nome “I” (do alemão Isotrop). Cada faixa I é dividida ao meio por um disco Z, que a conecta a outra faixa I da mio�brila vizinha. 2. Faixa A (ou banda A) A faixa A é a região escura da mio�brila e corresponde à presença dos �lamentos espessos de miosina. Nela também ocorre a sobreposição dos �lamentos de actina e miosina, o que aumenta a densidade óptica. Ela permanece do mesmo tamanho durante a contração muscular, ao contrário da faixa I que encurta. 3. Disco Z (ou linha Z) O disco Z é uma estrutura proteica que delimita as extremidades do sarcômero, a menor unidade funcional da contração muscular. Ele liga os �lamentos de actina transversalmente entre mio�brilas adjacentes. Serve como âncora para os �lamentos �nos de actina e mantém o alinhamento das mio�brilas. Durante a contração, os discos Z se aproximam, encurtando o sarcômero. MECANISMO GERAL DA CONTRAÇÃO MUSCULAR O início e a execução da contração muscular ocorrem nas seguintes etapas: 1. Os potenciais de ação cursam pelo nervo motor até suas terminações nas �bras musculares; 2. Em cada terminação, o nervo secreta pequena quantidade da substância neurotransmissora acetilcolina; 3. A acetilcolina age em área local da membrana da �bra muscular para abrir múltiplos canais de cátion, “regulados pela acetilcolina”, por meio de moléculas de proteína que �utuam na membrana; 4. A abertura dos canais regulados pela acetilcolina permite a difusão de grande quantidade de íons sódio para o lado interno da membrana das �bras musculares. Essa ação causa despolarização local que, por sua vez, produz a abertura de canais de sódio, dependentes da voltagem, que desencadeia o potencial de ação na membrana; 5. O potencial de ação se propaga por toda a membrana da �bra muscular, do mesmo modo como o potencial de ação cursa pela membrana das �bras nervosas; 6. O potencial de ação despolariza a membrana muscular, e grande parte da eletricidade do potencial de ação �ui pelo centro da �bra muscular. Fazendo com que o retículo sarcoplasmático libere grande quantidade de íons cálcio armazenados nesse retículo; 7. Os íons cálcio ativam as forças atrativas entre os �lamentos de miosina e actina, fazendo com que deslizem ao lado um do outro, que é o processo contrátil; 8. Após fração de segundo, os íons cálcio são bombeados de volta para o retículo sarcoplasmático pela bomba de Ca++ da membrana, onde permanecem armazenados até que novo potencial de ação muscular se inicie; A remoção dos íons cálcio das mio�brilas faz com que a contração muscular cesse. Inibição e Ativação do Filamento de Actina: Actina pura (com magnésio e ATP) se liga facilmente à miosina. Presença do complexo troponina-tropomiosina inibe a ligação da miosina à actina. O complexo cobre �sicamente os sítios ativos da actina, impedindo a contração no músculo em repouso. Para ocorrer a contração, é necessário inibir o efeito bloqueador da troponina-tropomiosina. Papel dos Íons Cálcio: Os íons cálcio se ligam à troponina C, promovendo uma mudança conformacional. Essa mudança desloca a tropomiosina para o fundo do sulco da actina. Isso descobre os sítios ativos da actina, permitindo a ligação com a miosina. Assim, a presença de cálcio “ativa” o �lamento de actina e permite a contração. Interação Ativa com a Miosina – Teoria do “Ir para Diante” (Walk- Along): Após ativação pela ligação do cálcio, a actina atrai as pontes cruzadas da miosina. Essa interação provoca a contração muscular. A teoria mais aceita é a do “walk-along” (ou teoria da catraca), onde: As cabeças de miosina se ligam, puxam e se desprendem da actina repetidamente, Produzindo o deslizamento dos �lamentos e a encurtamento do sarcômero. ATP como Fonte de Energia para a Contração - Eventos Químicos na Movimentação das Cabeças de Miosina: Quando um músculo se contrai, é realizado trabalho com necessidade de energia. Grandes quantidades de ATP são degradadas, formando ADP durante o processo da contração; quanto maior a quantidade de trabalho realizada pelo músculo, maior a quantidade de ATP degradada, o que é referido como efeito Fenn. Acredita-se que esse efeito ocorra na seguinte sequência: 1. Antes do início da contração, as pontes cruzadas das cabeças se ligam ao ATP. A atividade da ATPase das cabeças de miosina imediatamente cliva o ATP, mas deixa o ADP e o íon fosfato como produtos dessa clivagem ainda ligados à cabeça. Nessa etapa, a conformação da cabeça é tal que se estende perpendicularmente em direção ao �lamento de actina, só que ainda não está ligada à actina. 2. Quando o complexo troponina-tropomiosina se liga aos íons cálcio, os locais ativos no �lamento de actina são descobertos, e as cabeças de miosina então se ligam a eles, como mostra a Figura 6-8. 3. A ligação entre a ponte cruzada da cabeça e o local ativo no �lamento de actina causa alteração conformacional da cabeça, fazendo com que se incline em direção ao braço da ponte cruzada. Essa alteração gera um movimento de força para puxar o �lamento de actina. A energia que ativa o movimento de força é a energia já armazenada, como uma mola "engatilhada", pela alteração conformacional que ocorreu na cabeça quando as moléculas de ATP foram clivadas. 4. Uma vez em que a cabeça da ponte cruzada esteja inclinada, isso permite a liberação do ADP e do íon fosfato que estavam ligados à cabeça. No local onde foi liberado o ADP, nova molécula de ATP se liga. A ligação desse novo ATP causa o desligamento da cabeça pela actina. 5. Após a cabeça ter sido desligada da actina, a nova molécula de ATP é clivada para que seja iniciado novo ciclo, levando a novo movimento de força. Ou seja, a energia volta a "engatilhar" a cabeça em sua posição perpendicular, pronta para começar o novo ciclo do movimento de força. 6. Quando a cabeça engatilhada (com a energia armazenada derivadada clivagem do ATP) se liga a um novo local ativo no �lamento de actina, ela descarrega e de novo fornece outro movimento de força. Desse modo, o processo ocorre sucessivamente até que os �lamentos de actina puxem a membrana Z contra as extremidades dos �lamentos de miosina, ou até que a carga sobre os músculos �que demasiadamente forte para que ocorra mais tração. Ativar o mecanismo de ir para diante (walk-along), pelo qual as pontes cruzadas puxam os �lamentos de actina; Bombeamento dos íons cálcio do sarcoplasma para o retículo sarcoplasmático quando cessa a contração; Bombeamento dos íons sódio e potássio, através da membrana da �bra muscular, para manter o ambiente iônico apropriado para a propagação do potencial de ação das �bras musculares. FIBRAS RÁPIDAS versus FIBRAS LENTAS Fibras Lentas (Tipo 1, Músculo Vermelho). As características das �bras lentas são as seguintes: • As �bras são menores que as �bras rápidas; • As �bras lentas são também inervadas por �bras nervosas menores; • Comparadas às �bras rápidas, as �bras lentas têm um sistema de vascularização mais extenso e mais capilares, para suprir quantidades extras de oxigênio; • As �bras lentas têm números muito elevados de mitocôndrias, também para dar suporte aos altos níveis de metabolismo oxidativo; • As �bras lentas contêm grande quantidade de mioglobina, proteína que contém ferro, semelhante à hemoglobina nas hemácias. A mioglobina se combina com o oxigênio e o armazena até que ele seja necessário. A mioglobina dá ao músculo lento sua aparência avermelhada e o nome de músculo vermelho. Fibras Rápidas (Tipo 2, Músculo Branco). As características das �bras rápidas são: • As �bras rápidas são grandes para obter uma grande força de contração; • Existe um retículo sarcoplasmático muito extenso, para a rápida liberação dos íons cálcio com o objetivo de desencadear a contração; • Estão presentes grandes quantidades de enzimas glicolíticas, para a rápida liberação de energia pelo processo glicolítico; • As �bras rápidas têm um suprimento de sangue menos extenso que as �bras lentas, porque o metabolismo oxidativo tem importância secundária; • As �bras rápidas têm menor número de mitocôndrias que as �bras lentas, também porque o metabolismo oxidativo é secundário. Ao dé�cit de mioglobina vermelha no músculo rápido damos o nome de músculo branco. IMPORTANTE‼