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46 Café com Sustentabilidade - Riscos em Barragens de Rejeitos

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RISCOS EM 
BARRAGENS
DE REJEITOS
Abril 2016 | Ano 9 | Edição 46
32
Boa leitura!
Considerado o maior desastre ambiental da recente história brasileira, 
o rompimento da barragem de rejeitos de mineração em Mariana (MG) 
expôs os riscos do armazenamento desses resíduos. 
Com a visão de especialistas da academia e do mercado sobre o tema, 
o 46º Café com Sustentabilidade da FEBRABAN abordou os principais 
cuidados e medidas preventivas que mineradoras devem ter em relação 
às barragens de rejeitos, bem como os impactos ambientais e sociais 
que podem ocorrer em decorrência de um acidente. 
Com cerca de 40 participantes, o evento contribuiu para fornecer 
ferramentas para que os gestores possam identifi car questões 
sensíveis referentes ao manejo das barragens em suas análises 
de risco socioambiental. Além disso, traçou um panorama sobre 
a legislação brasileira a respeito do tema e lançou luz sobre 
as principais diretrizes internacionais que abordam a questão. 
Os participantes do 46º Café com Sustentabilidade saíram com 
a certeza de que, embora o tema seja bastante técnico, as informações 
compartilhadas ao longo do evento servirão para reforçar o entendimento 
de todos em relação às barragens de rejeitos.
Mário Sérgio Vasconcelos
ÍNDICE Apresentação
Apresentação
Introdução
Luis E. Sánchez
Riscos
Gestão
Marcos Eduardo Zabini
Leis
PNSB
Conclusões
Legislação
Questões relevantes em auditorias
3
4
12
14
15
16
18
20
22
24
25
54
Introdução
As barragens de rejeitos são, 
em todo o mundo, o principal 
meio de armazenar os resíduos do 
processo de mineração – estimativas 
apontam que existam cerca de 3.500 
barragens em todo o mundo. 
No Brasil, o rompimento de uma 
dessas barragens em Mariana (MG), 
em novembro de 2015, expôs os 
riscos do armazenamento de rejeitos 
e acendeu um sinal de alerta para 
toda a sociedade, incluindo bancos 
e agentes fi nanceiros, sobre como 
gerenciar esses riscos.
Esse foi o tema do 46º Café 
com Sustentabilidade da Federação 
Brasileira de Bancos (FEBRABAN), 
o primeiro de 2016, que trouxe 
especialistas para abordar 
os aspectos técnicos, operacionais 
e legais das barragens de rejeitos 
e fornecer subsídios para que 
os bancos e gestores de ativos 
saibam avaliar os potenciais 
riscos desses empreendimentos. 
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Na abertura do evento, o moderador Christopher Wells, superintendente de 
Risco Socioambiental do Santander, destacou as difi culdades que as instituições 
fi nanceiras encontram ao avaliar as questões técnicas referentes ao tema.
“Este ‘Café com Sustentabilidade’ não é sobre o acidente de Mariana. 
É sobre o mundo depois desse acidente”, ressaltou. 
“O objetivo é aprender com nossos dois 
palestrantes sobre o panorama das barragens 
de rejeitos e entender quais perguntas 
precisam ser feitas às empresas mineradoras 
para saber se elas têm boa gestão ou não
de suas barragens”, disse Wells.
Christopher Wells
Superintendente de Risco 
Socioambiental do Santander
Introdução | Café com Sustentabilidade
76
Didática, a palestra do professor 
e pesquisador Luis E. Sánchez, 
da Escola Politécnica da 
Universidade de São Paulo (Poli-
USP), trouxe esclarecimentos sobre 
a natureza dos rejeitos da mineração, 
os principais meios de armazenamento 
desses resíduos e como gerenciar os 
riscos das barragens. “No Brasil, até 
meados da década de 1980 os rejeitos 
da mineração eram lançados nos rios 
e mares sem tratamento. As barragens 
vieram como uma forma mais 
ambientalmente aceitável de reter 
os resíduos e reutilizar a água 
no processo de mineração”, explicou. 
Sánchez salientou que é pouco provável 
que, no curto prazo, as barragens 
deixem de ser utilizadas pelas 
mineradoras, mas os danos ambientais, 
sociais e de reputação causados pela 
ruptura da barragem da Samarco 
estão fazendo com que as empresas 
deem mais atenção a questões 
como segurança e novas tecnologias 
em seus empreendimentos.
“ No Brasil, até meados da década 
de 1980 os rejeitos da mineração 
eram lançados nos rios e mares 
sem tratamento. As barragens 
vieram como uma forma mais 
ambientalmente aceitável 
de reter os resíduos e reutilizar 
a água no processo de mineração.
Luis E. Sánchez
“
Introdução | Café com SustentabilidadeIntrodução | Café com Sustentabilidade
98
Ao longo do evento, fi cou demonstrado 
que existem alguns passos que podem 
auxiliar os gestores e analistas de risco 
socioambiental na tarefa de identifi car 
os principais riscos referentes à gestão 
de uma barragem de rejeitos. 
O palestrante Marcos Eduardo Zabini, 
engenheiro de minas e sócio-diretor 
da Mineral Engenharia e Meio 
Ambiente, abordou os aspectos legais 
e gerenciais das barragens de rejeitos 
e discorreu sobre esses passos. 
Um deles é verifi car se a barragem faz 
parte da Política Nacional de Segurança 
de Barragens (Lei Nº 12.334/10), que 
defi niu critérios para uma barragem 
ser considerada como de maior 
risco de causar danos. 
“As barragens com maiores riscos 
potenciais são aquelas em que a altura 
do maciço, do ponto mais baixo ao mais 
alto for maior ou igual a 15 metros; 
as que armazenam resíduos industriais 
perigosos (classe I), as que possuem 
capacidade de armazenar volumes 
superiores a 3 milhões de metros cúbicos 
e as que forem categorizadas como tendo 
dano potencial associado médio ou alto, 
em termos econômicos, ambientais, 
sociais ou de perda de vidas” 
explicou Zabini. 
A lista das barragens incluídas na PNSB 
está disponível no site do Departamento 
Nacional de Produção Mineral (DNPM), 
órgão responsável pela fi scalização das 
barragens de rejeitos de mineração. “ As barragens com maiores riscos 
potenciais são aquelas em que a altura 
do maciço, do ponto mais baixo ao mais 
alto for maior ou igual a 15 metros; 
as que armazenam resíduos industriais 
perigosos (classe I), as que possuem 
capacidade de armazenar volumes 
superiores a 3 milhões de metros cúbicos 
e as que forem categorizadas como 
tendo dano potencial associado 
médio ou alto, em termos econômicos, 
ambientais, sociais ou de perda de vidas.
Marcos Eduardo Zabini
“
Introdução | Café com SustentabilidadeIntrodução | Café com Sustentabilidade
1110
DESENVOLVIMENTO 
SUSTENTÁVEL
Ao fi nal, o evento proporcionou 
um debate sobre as difi culdades 
dos bancos em levantar informações 
sobre as barragens de rejeitos, 
as prováveis causas do rompimento 
da barragem em Mariana e como 
antecipar riscos referentes a esse 
tipo de empreendimento.
Lançado pela FEBRABAN em 2007, 
o Café com Sustentabilidade 
reúne representantes dos bancos 
associados, de organizações sociais 
e governamentais, federações, 
formadores de opinião e demais 
agentes da sociedade civil. 
A iniciativa busca uma refl exão 
crítica e qualifi cada sobre temas 
de interesse dos bancos,contribuindo 
para a convergência de objetivos do 
setor fi nanceiro e seu alinhamento 
ao desenvolvimento sustentável.
Introdução | Café com SustentabilidadeIntrodução | Café com Sustentabilidade
1312
Luis E. 
Sánchez
Professor e Pesquisador
Escola da Politécnica da Universidade 
de São Paulo (Poli-USP)
Na primeira palestra do evento, 
o professor titular de engenharia 
de minas e pesquisador Luis E. 
Sánchez, da Escola Politécnica 
da Universidade de São Paulo (Poli-
USP), discorreu sobre a natureza 
dos rejeitos da mineração, os meios 
de armazenamento desses resíduos, 
os principais eventos de ruptura 
de barragens no Brasil e no mundo 
e como gerenciar os riscos inerentes 
a esses empreendimentos, com base 
nas publicações que abordam 
o tema, lançadas por instituições 
como o Banco Mundial e o Programa 
das Nações Unidas para o Meio 
Ambiente (UNEP, na sigla em inglês).
Conceitualmente, os rejeitos de 
mineração são entendidos como 
os materiais de origem mineral que 
não despertam interesse econômico 
e, por isso, são separados do mineral 
útil e devem ser descartados de 
maneira segura. O rejeito usualmente 
se apresentana forma de polpa 
(mistura de sólidos e água), 
pois o benefi ciamento desses materiais 
é feito por meio de água. As barragens 
de rejeitos têm a função de reter esses 
rejeitos e ao mesmo tempo captar 
a água que já foi utilizada no processo 
e que poderá ser reutilizada. São 
estruturas de engenharia, algumas 
de grande porte, cuja natureza é estar 
permanentemente em construção até 
chegar ao fi m de sua vida útil, quando 
são desativadas. Diferentemente 
de barragens convencionais, que 
armazenam água para abastecimento 
ou geração de energia, ou mesmo 
resíduos industriais, as de rejeitos 
de mineração são construídas 
com os próprios rejeitos na maior 
parte dos casos. 
Mas nem sempre houve a preocupação 
em destinar um local específi co para 
armazenar os rejeitos. Em um passado 
não muito distante, salientou Sánchez, 
em muitos países os rejeitos eram 
simplesmente descartados como 
qualquer outro efl uente de processo 
industrial, nos rios, estuários, lagos e 
no mar. “No Brasil, até o início dos anos 
1980, os rejeitos eram lançados nos 
corpos d’água. As barragens vieram nos 
últimos 30 anos como uma forma mais 
adequada ambientalmente de reter os 
resíduos e reutilizar a água no processo 
de mineração”, afi rmou.
 Além das barragens, existem outras 
formas de armazenar os rejeitos 
da mineração, embora sejam menos 
utilizadas pelas companhias. Uma 
delas é a disposição nas próprias cavas 
de mineração a céu aberto, quando 
a mina chega ao fi m de sua produção, 
ou em minas subterrâneas. Os rejeitos 
grossos podem ainda ser dispostos 
em pilhas, mas nem todos permitem 
essa alternativa. Há ainda casos em 
que barragens são construídas com 
materiais convencionais, como terra 
ou argila compactada, em vez de 
utilizar os próprios rejeitos como 
materiais de construção. 
Luiz E. Sánches | Café com Sustentabilidade
1514
RISCOS
Com o rompimento da barragem 
da mineradora Samarco em Mariana 
(MG), em novembro de 2015, 
questionamentos sobre a segurança 
desses empreendimentos passaram 
a estampar as manchetes de jornais, 
revistas e portais de informação na 
internet. Não há um inventário 
confiável sobre o total de barragens 
existentes no mundo – estimativas 
apontam para cerca de 3.500. 
Com o objetivo de lançar luz sobre 
a questão – o quão frequentes são 
os acidentes com barragens – o 
professor apresentou dados de 
um estudo publicado em 2010 na 
revista Geotechnical News pelos 
pesquisadores Shahid Azam e Qiren 
Li. Nele, os autores listaram o número 
de rupturas de barragens ao longo dos 
últimos cem anos, e constataram que 
houve um aumento expressivo desses 
incidentes entre as décadas de 1960 
e 1980. De apenas dois episódios de 
ruptura na década iniciada em 1910, 
passou-se a 48 episódios na década 
de 1960, 56 eventos na década de 
1970 e 50 nos anos 1980. “Em parte, 
isso está associado à expansão 
da atividade de mineração, a novas 
minas que foram abertas, muitas 
delas de maior porte. Depois houve 
uma redução dos acidentes, mesmo 
com o aumento no número de minas”, 
comentou Sánchez.
De fato, na década iniciada 
em 2000, houve 20 episódios 
de ruptura de barragens. 
Porém, assinalou o professor, 
os acidentes que ocorreram 
nos últimos anos têm sido 
de grande porte e maior 
gravidade, muitos deles 
com um número alto 
de vítimas fatais. 
Ele apresentou alguns 
desses casos, como o da 
mina de ferro Taoshi, em 
Linfen, na China em 2008, 
que deixou 254 mortos; 
um rompimento em Stava, 
norte da Itália, em 1985 
que vitimou 269 pessoas; 
e o próprio desastre em 
Mariana, em 2015, com 
um total de 19 mortos.
 
Devido à forte tradição 
em mineração, o Estado 
de Minas Gerais também 
tem seu próprio histórico 
de episódios de rompimento 
País
China 
Itália
Brasil
Ano 
2008
1985
2015
Vítimas
254 
269
19
de barragens, listados pela 
Fundação Estadual do Meio 
Ambiente (FEAM): além do caso 
Samarco, alguns incidentes notáveis 
foram o rompimento da barragem 
da minha de ferro Fernandinho, 
em Itabirito em 1986, que deixou 
sete operários mortos; e os dois 
rompimentos da barragem de rejeitos 
de bauxita (minério de alumínio) 
da Rio Pomba Mineração, na Zona 
da Mata mineira, em 2006 e 2007; 
não deixaram vítimas fatais, mas 
trouxeram uma série de impactos 
socioambientais, atingindo áreas 
agrícolas, causando mortandade de 
peixes, problemas de abastecimento 
de água e evacuação de 2.000 
pessoas a jusante. 
GESTÃO
Embora os números sejam 
impressionantes, não se pode afirmar 
que as barragens de rejeitos de 
mineração são bombas-relógio prestes 
a explodir. “A princípio, uma barragem 
de rejeitos deve ter um projeto de 
engenharia adequado, execução bem 
conduzida e supervisão constante de 
suas operações. Não é um amontoado 
de terra como ocasionalmente se 
encontra”, disse Sánchez. Os episódios 
de rompimento, porém, acenderam 
uma luz amarela em organismos 
internacionais, que passaram a editar 
documentos sobre segurança de 
barragens de rejeitos. 
É o caso do Banco Mundial, que 
em 2001 publicou, entre suas políticas 
de salvaguarda, uma específica sobre 
o tema. Ela estabelece recomendações, 
que ainda são ainda válidas, com 
a necessidade de plano de construção 
e supervisão da barragem com 
mecanismos de controle de qualidade; 
plano de instrumentação (medidores 
para garantir estabilidade da barragem 
durante a construção e operação), plano 
de operação e manutenção e plano para 
emergências envolvendo a comunidade. 
A questão também está presente 
nos Padrões de Desempenho da 
International Finance Corporation 
(IFC), de 2012, em especial no padrão 
4, que diz respeito à saúde e segurança 
das comunidades. A norma prevê 
a contratação de peritos externos para 
assegurar a segurança das barragens 
quando houver riscos às comunidades. 
A preparação para emergências 
também está prevista em relatório 
técnico do Programa das Nações 
Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) 
dentro da iniciativa Apell (Awareness 
and Preparedness for Emergencies 
at Local Level) que foi desenvolvido 
para evacuação de áreas em caso 
de vazamento de produtos químicos 
e depois adaptado para prevenção 
de ocorrências na área de mineração 
em 2001. “Desde essa época havia 
uma tensão a respeito de barragens 
de rejeitos. Por isso essa questão entrou 
no radar das instituições financeiras 
há algum tempo”, concluiu Sánchez.
Luiz E. Sánches | Café com Sustentabilidade
1716
O engenheiro de minas Marcos Eduardo Zabini, sócio-diretor da Mineral 
Engenharia e Meio Ambiente, foi o segundo palestrante do 46º Café com 
Sustentabilidade e abordou os aspectos legais e de gestão das barragens de rejeitos. 
O ponto central de sua exposição foi a Política Nacional de Segurança 
de Barragens (PNSB), estabelecida com a Lei Nº 12.334/10 e as obrigações legais 
dela recorrentes.
 
A PNSB transformou em obrigações legais as boas práticas já estabelecidas 
pelo Banco Mundial e as recomendações do IFC e não está restrita às barragens 
de rejeitos de mineração, englobando também as barragens para armazenar água 
(usos múltiplos, como abastecimento de água e geração de energia elétrica), 
e barragens para armazenamento de resíduos industriais.
De acordo com a lei em vigor, o empreendedor (privado ou estatal) é o responsável 
pela segurança das barragens e para cada perfi l de uso de barragem, há um órgão 
responsável pela sua fi scalização. 
Marcos Eduardo 
Zabini
Engenheiro de minas e sócio-diretor
Mineral Engenharia e Meio Ambiente
No caso das barragens 
de rejeitos de mineração, 
esse órgão é o Departamento 
Nacional de Produção 
Mineral (DNPM); 
se for barragem de usos 
múltiplos, é a Agência 
Nacional de Águas (ANA) 
ou os órgãos estaduais 
de recursos hídricos; 
se for uma hidrelétrica,
é a Agência Nacional 
de Energia Elétrica; 
se for de resíduos 
industriais, é o órgão 
ambiental que licenciou 
aquele empreendimento 
(geralmente órgãos 
estaduais).
“De acordo 
com a lei em vigor, 
o empreendedor 
(privado ou 
estatal) é o 
responsávelpela 
segurança das 
barragens e para 
cada perfil de uso 
de barragem, 
há um órgão 
responsável pela 
sua fiscalização.”
1918
A Lei Nº 12.334/10 instituiu ainda 
o Cadastro Nacional de Informações 
sobre Segurança de Barragens 
(SNISB), que está atualmente em 
construção e deverá conter uma lista 
de todas as barragens existentes em 
território nacional. A lei defi niu ainda 
os quatro principais critérios para 
que uma barragem esteja inserida 
na PNSB. As barragens em que 
a altura do maciço, do ponto mais 
baixo ao mais alto for maior ou igual 
a 15 metros; as que armazenam 
resíduos industriais perigosos 
(classe I), as que possuem capacidade 
de armazenar volumes superiores 
a 3 milhões de metros cúbicos 
e as que forem categorizadas 
como tendo dano potencial associado 
médio ou alto, em termos econômicos, 
ambientais, sociais ou de perda de vidas. 
Com base nessas defi nições, o analista 
de risco deve seguir alguns passos 
para determinar o grau de risco que 
uma barragem poderá apresentar. 
“Quando se estiver fazendo uma 
avaliação socioambiental ou uma 
auditoria, a primeira pergunta a ser 
feita é: a barragem está incluída na 
PNSB? Ela está inserida em algum 
daqueles quatro critérios?”, 
sugeriu Zabini.
Posteriormente, 
as Portarias 416/12 
e 526/13, ambas do 
DNPM, trouxeram maior 
detalhamento sobre 
a obrigatoriedade 
da apresentação do 
Plano de Segurança de 
Barragens e do cadastro 
das barragens de 
rejeitos de mineração.
A Portaria 416 estabeleceu que 
o cadastro das barragens deve ser feito 
independentemente do porte e do risco, 
no momento em que empreendedor 
preencher o Relatório Anual de Lavra 
(RAL). O RAL é o documento que contém 
as informações técnicas e econômicas 
sobre a mineração, dados da operação 
da mina e planta de benefi ciamento, 
quanto movimentou em termos de 
materiais, quanto vendeu, para quem 
vendeu, quanto de imposto foi recolhido. 
Hoje o DNPM tem aproximadamente 
300 barragens cadastradas. 
Em seguida à Lei Nº 12.334/10, 
veio a Resolução 143/12 do Conselho 
Nacional de Recursos Hídricos 
(CNRH), que estabeleceu critérios 
gerais de classifi cação do dano 
potencial associado ás barragens 
em função do volume do reservatório, 
da existência de população a jusante, 
do impacto ambiental e socioeconômico. 
Para calcular o dano potencial 
associado à barragem, é preciso 
analisar esses critérios, cada um 
deles com uma pontuação e, 
a partir da somatória dessa pontuação, 
o dano potencial é classifi cado como 
baixo, médio ou alto. 
“Se a somatória for abaixo de sete, 
a barragem é considerada como 
de dano potencial associado baixo. 
Portanto, se tiver abaixo de 15 metros 
de altura, menos de 3 milhões 
de metros cúbicos de reservatório 
e não contiver resíduos perigosos, 
ela não está inserida dentro da PNSB”, 
exemplifi cou Zabini. Se a somatória 
totalizar entre sete e 13, possui 
dano potencial associado médio. 
E se pontuar acima de 13, seu 
dano potencial associado é alto. 
Nesses dois últimos casos, a barragem 
está inclusa na Política Nacional 
de Segurança de Barragens. 
Já a Portaria 526/13 
diz respeito aos planos de ação 
de emergência: quem é obrigado 
a apresentar e o conteúdo 
mínimo que ele deve abarcar. 
“Em função do cruzamento das 
informações sobre risco e dano 
se defi ne a periodicidade de 
revisões do Plano de Segurança 
de Barragens; e para barragens 
com dano potencial alto é 
exigida a apresentação do 
plano de ação de emergência”, 
explicou Zabini.
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Marcos Eduardo Zabini | Café com SustentabilidadeMarcos Eduardo Zabini | Café com Sustentabilidade
2120
Assim, a PNSB começou a ser 
implantada em 2012 e ainda 
está sendo desdobrada em 
regulamentações. Em decorrência 
dessa lei federal, que defi niu que os 
órgãos fi scalizadores são as entidades 
outorgantes, cada um dos Estados 
com seus órgãos ambientais acabou 
defi nindo legislações específi cas 
sobre barragens de resíduos 
industriais. Recentemente, em São 
Paulo, a Cetesb publicou a Decisão 
de Diretoria 279/15, que regulamenta 
a apresentação dos planos de 
segurança de barragens de resíduos 
industriais (exceto mineração), 
os critérios de inspeção de revisões, 
periodicidade das revisões e inspeções 
dos planos de barragens. 
Em função do cruzamento das 
informações sobre risco e dano, 
defi ne-se uma periodicidade de 
revisões do Plano de Segurança 
de Barragens; e para barragens 
com dano potencial alto também 
é exigida a apresentação do 
Plano de Ação de Emergência. 
Outro instrumento previsto pela PNSB 
é o Plano de Segurança de Barragens 
(PSB), documento a ser elaborado 
para cada barramento localizado 
em território nacional. O objetivo do 
Plano é auxiliar o empreendedor nas 
questões de segurança da barragem, 
e ele devem conter dados técnicos de 
construção, operação e manutenção 
do empreendimento.
É feita a classifi cação da barragem 
e são defi nidas áreas que tem 
de ser preservadas de ocupação; 
a estrutura organizacional da equipe 
de segurança (quem são as pessoas 
responsáveis pelas barragens); 
os manuais dos equipamentos 
e as licenças ambientais.
Deve conter os planos 
e procedimentos: como vai ser 
operada aquela barragem, como 
se faz o controle do preenchimento,
o planejamento da manutenção, 
o controle do alteamento, 
o monitoramento e inspeções 
quinzenais, visuais e rotina de inspeção 
do vertedouro, dreno, e cronograma 
de testes de equipamentos. 
São feitos registros e controles: 
todos os resultados de manutenção 
das estruturas e equipamentos, 
monitoramento e testes realizados.
Traz a revisão periódica de segurança, 
conforme a classe da barragem 
(determinado pelo cruzamento entre 
o fator de risco e o dano potencial 
associado), que pode ser feita a cada 
cinco anos se for Classes A e B; 
a cada sete anos para Classe C e a 
cada dez anos para Classes D e E.
Sobre o Plano de Ação de Emergência, 
que estabelece as diretrizes sobre 
o que deve ser feito em caso 
de incidentes ou acidentes 
de grande impacto.
PRIMEIRO VOLUME
SEGUNDO VOLUME
TERCEIRO VOLUME
QUARTO VOLUME
QUINTO VOLUME
Está dividido em cinco volumes principais: 
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Marcos Eduardo Zabini | Café com Sustentabilidade
2322
Conclusões
Depois de esclarecidos os aspectos 
técnicos e legais referentes ao tema 
barragens de rejeitos, ao fi nal 
da 46ª edição do Café com 
Sustentabilidade houve um debate 
sobre o tema com a participação 
da plateia. O tom das questões 
levantadas revelou as difi culdades 
que os profi ssionais da área 
de análise de risco socioambiental 
dos bancos enfrentam ao levantar 
essas informações, cujo acesso 
não é necessariamente fácil, 
mesmo com mecanismos como 
a Lei de Acesso à Informação. 
“Embora sejam documentos 
públicos, é muito difícil acessá-los. 
Tenho alunos que fazem análise de 
documentos de mineração em órgãos 
públicos ambientais e precisam 
sentar com os técnicos dos órgãos 
ambientais por dois ou três dias 
para analisa-los e fazer anotações”, 
disse Luis Sánchez. 
Para Marcos Zabini, a maior parte dos documentos não está acessível aos analistas. 
“São acessíveis ao empreendedor ou a quem ele delegar a possibilidade de acesso, 
como uma auditoria independente”, afi rmou. Isso posto, seria praticamente 
impossível prever um acidente com barragem de grande magnitude, como foi 
o rompimento da barragem de Mariana, com base na documentação enviada pela 
empresa ao DNPM – embora os documentos pudessem indicar falhas de manutenção 
ou segurança.
Foi consenso que, após os impactos do incidente de Mariana, a questão da segurança 
das barragens de rejeitos de mineração será um critério cada vez mais observado, 
até mesmo nas políticas de sustentabilidade das mineradoras e em seus Conselhos 
de Administração – onde, muitas vezes, se sentam pessoas com grande poder de 
decisão, mas conhecimentos técnicos limitados sobre a área. “Sóos especialistas ou 
pessoas que já tiveram envolvimento profi ssional têm conhecimentos aprofundados 
sobre barragens de rejeitos. Mas com o evento da Samarco, isso tende a ganhar 
importância maior em todas as empresas de mineração”, concluiu Sánchez
“Foi consenso que, após os impactos do 
incidente de Mariana, a questão da segurança 
das barragens de rejeitos de mineração será 
um critério cada vez mais observado...”
2524
Legislação sobre 
barragens e questões 
a serem observadas 
nas auditorias
Lei Federal 12.334/10 - estabelece 
a Política Nacional de Segurança de 
Barragens (PNSB), e o Sistema Nacional 
de Informações sobre Segurança 
de Barragens (SNISB).
Define quatro principais critérios 
para que uma barragem seja incluída 
na PNSB:
Questões relevantes em auditorias
Barragem incluída na Política Nacional de Segurança 
de Barragens? 
Em caso de dano potencial alto, apresentou Plano 
de Atendimento Emergencial? 
Tem realizado inspeções quinzenais? 
Realizou inspeções anuais?
Apresentar relatório e DEB (Declaração de Estabilidade da Barragem)
Atualizou os usos do solo/ocupação a jusante? 
Contratou peritos externos (IFC PD4 § 6)? 
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Portaria DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) 416/12 - cria o 
Cadastro Nacional de Barragens de Mineração e dispõe sobre o Plano de Segurança, 
Revisão Periódica de Segurança e Inspeções Regulares e Especiais de Segurança 
das Barragens de Mineração. Estabelece que o cadastro das barragens deve ser 
feito independentemente do porte e do risco, no momento em que empreendedor 
preencher o Relatório Anual de Lavra (RAL). 
Portaria DNPM 526/13 - estabelece a necessidade de haver planos de ação 
de emergência para barragens com dano potencial associado alto.
Resolução ANA (Agência Nacional de Água) 91/12 - estabelece a periodicidade de 
atualização, a qualificação do responsável técnico, o conteúdo mínimo e o nível de 
detalhamento do Plano de Segurança da Barragem e Revisão Periódica de Segurança 
da Barragem, conforme art.8, 10 e 19, da Lei 12.334/10, a Política Nacional 
de Segurança de Barragens – PNSB
Barragens em que a altura 
do maciço, do ponto mais baixo 
ao mais alto for maior 
ou igual a 15 metros; 
Que armazenam resíduos 
industriais perigosos (classe I);
Que possuem capacidade de 
armazenar volumes superiores 
a 3 milhões de metros cúbicos;
As que forem categorizadas 
como tendo dano potencial 
associado médio ou alto, em 
termos econômicos, ambientais, 
sociais ou de perda de vidas 
(vide Resolução 143/12 
do Conselho Nacional de 
Recursos Hídricos - CNRH).
1
-7
Dano potencial
associado baixo
+13
Dano potencial
associado alto
Entre 
7 e 13 
Dano potencial
associado médio
2
3
4
Resolução CNRH (Conselho 
Nacional dos Recursos 
Hídricos) 143/12 - estabelece
critérios gerais de 
classificação de barragens, 
dano potencial associado 
dano potencial associado 
às barragens em função 
do volume do reservatório, 
da existência de população 
a jusante, do impacto 
ambiental e do impacto 
socioeconômico. 
Cada critério tem uma 
pontuação associada e, 
a partir da somatória deles, 
o dano potencial é classificado 
como baixo, médio ou alto. 
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CRÉDITOS
Redação
Andrea Vialli
Jornalista | MTB 29.798
Coodenação
Mário Sérgio Vasconcelos
Diretor de Relações Institucionais
Projeto Gráfico
Agência Mantra
Fotos
Dayana Souza
Informações
sustentabilidade@febraban.org.br
FEBRABAN - FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE BANCOS
AV. BRIGADEIRO FARIA LIMA, 1485, 15° ANDAR | CEP 01452-921 | SÃO PAULO | SP
www.febraban.org.br

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