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45 
 
REVET - Revista Científica de Medicina Veterinária - FACIPLAC Brasília - DF, v.2, n. 1, Dez 2015 
 
AGENTES CAUSADORES DE MASTITE E RESISTÊNCIA BACTERIANA 
 
 
 
 
MARCOS REI MAGELA DE OLIVEIRA¹ 
MARGARETI MEDEIROS² 
 
¹ - Graduando em Medicina Veterinária nas FACIPLAC, Gama – DF 
² - Professora MSc. de Medicina Veterinária das FACIPLAC, Gama –DF 
 
 
 
 
RESUMO 
 
A mastite bovina é uma doença multifatorial, caracterizada por um processo inflamatório da 
glândula mamária. O uso indiscriminado de antibióticos, associado aos mecanismos de 
resistência e a falta de exames de sensibilidade contribuem para que esta enfermidade seja de 
difícil controle causando grandes prejuízos aos produtores de leite em todo Brasil. Mesmo 
tendo vários patógenos capazes de causar a doença, os Staphylococcus spp. estão entre os 
patógenos que mais causam problemas nos rebanhos, com taxas de isolamento que variam de 
8,3% e 49,23%. Por este motivo, realizar testes de sensibilidade e encontrar o melhor 
medicamento para cada caso é de fundamental importância, pois, para cada rebanho o 
tratamento deve ser específico a fim de evitar que se desenvolvam cepas multirresistentes. 
Esta revisão tem por objetivo analisar quais são os agentes que mais acometem os animais e 
qual é o perfil de resistência das drogas utilizadas frente a estes microrganismos. 
Palavras-chave: Mastite Bovina. Resistência Bacteriana. Mecanismos de Resistência. 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
A palavra mastite, deriva do grego “mastos”, quer dizer glândula mamária, e o sufixo 
“ite” corresponde a inflamação, que se caracteriza por uma inflamação da glândula mamária 
(COSTA, 1998). A mastite bovina é um dos principais problemas na bovinocultura de leite, 
causando prejuízo financeiro aos produtores rurais que praticam essa atividade. Trata-se de 
uma doença multifatorial, caracterizada por um processo inflamatório da glândula mamária, 
podendo ser causada por vários tipos de patógenos, tendo a influência do meio ambiente e os 
fatores inerentes a cada animal (COSER et al., 2012). A mastite está relacionada a três 
fatores: animal, patógeno, ambiente. As bactérias correspondem a 80% das causas da doença. 
As principiais perdas estão relacionadas à redução da produção leiteira, diminuição do valor 
dos animais, por morte de animais, despesas com medicamentos, gastos com mão de obra. 
Além disto, os prejuízos aos laticínios em consequência das alterações físico-químicas dos 
componentes do leite pode ainda ser considerados uma ameaça aos consumidores em função 
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de resíduos de antimicrobianos que podem ser encontrados no leite, além de patógenos e 
toxinas (COSTA et al., 2013). 
As mastites na maioria das vezes são causadas por microrganismos (bactérias, fungos, 
leveduras), e por agressões físicas e químicas. São mais de 200 espécies que podem causar 
esta doença, todavia menos de 20 foram estudas em detalhes. Cerca de 80% dos casos de 
mastite em vacas estão relacionadas a bactérias, sendo as mais frequentes: S. aureus, 
Streptococcus agalactiae, Streptococcus dysgalactiae, Streptococcus uberis, Escherichia coli, 
Corinecbaterium bovis, Mycoplasma, e também coliformes, levedura, fungos e algas 
(CARMO et al.,2013). O S. aureus se destaca como um dos patógenos mais frequentes nos 
casos de infecções intra-mamárias de bovinos em todo mundo. No Brasil, S. aureus é um dos 
principais agentes causadores de mastite bovina, com taxas de isolamento nos rebanhos que 
variam entre 8,3% e 49,23% (LANGONI et al., 1991; BRITO et al., 1999; COSTA et al., 
2013 ). 
Segundo Smith (1994), existem duas formas diferentes de apresentação da doença: 
clínica e subclínica. A mastite clínica é caracterizada por alterações visíveis no leite, com 
evidências de processo inflamatório da glândula mamária e com sinais da inflamação (dor, 
rubor, calor, edema). O leite pode estar com presença de grumos e o soro com secreção de 
fibrina. Este tipo de mastite pode determinar grandes perdas por descarte do leite, despesas 
com medicamentos, perda da função da glândula e até por morte do animal. 
Na mastite subclínica a glândula mamária está acometida e tem um elevado número de 
leucócitos (células somáticas). Neste tipo de mastite o leite está macroscopicamente normal, e 
o úbere sem sinais visíveis de inflamação. A forma de detectar este tipo de enfermidade é por 
meio do teste do CMT (California Mastitis Test), CCS (Contagem de Células Somáticas), ou 
por exames laboratoriais como cultura bacteriana (SMITH, 1994; COSER, et al., 2012). 
A mastite subclínica causa maior prejuízo ao produtor por ser silenciosa e não 
despertar a atenção do proprietário de que os animais estão doentes. Quando algum patógeno 
invade e coloniza a glândula mamária, o sistema imunológico do animal, responde enviando 
para o local de infecção células de defesa. Essas células, somadas às células de descamação 
epitelial são conhecidas como células somáticas do leite. Aumento de CCS é a principal 
característica da doença subclínica (COSER et al., 2012). 
A análise de CCS é uma importante ferramenta para avaliação de mastite subclínica. 
Além do aumento do número de células, esta doença também causa alterações nos principais 
componentes do produto final: proteínas, gordura e lactose (MULLER, 2002). 
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Segundo Smith (1994), essa doença pode ser subdividida em duas grandes categorias, 
de acordo com a origem do agente infeccioso: contagiosa e ambiental. Mastite contagiosa é 
aquela em que a glândula mamária infectada é fonte de contaminação para outra saudável, 
podendo ser transmitida pelo equipamento de ordenha mecânica, mãos do ordenhador e 
bezerro ao mamar. Alguns patógenos se enquadram neste tipo de contaminação, como o 
Streptococcus agalactiae, Staphylococcus aureus e Mycoplasma spp. Os patógenos 
contagiosos são adaptados a sobreviverem no hospedeiro e podem estar na glândula mamária 
dos animais doentes ou saudáveis. Por este motivo, causam na maioria das vezes mastite 
subclínica, que tendem a se tornar crônicas (COSER et al., 2012). 
A mastite ambiental acontece quando os microrganismos não são adaptados ao animal e 
atuam como microrganismo oportunista da glândula mamária, e normalmente desenvolvem a 
doença clínica. Geralmente este tipo de mastite é causado por bactérias cosmopolitas, 
encontradas nas fezes, cama, água, fômites contaminados, solo, equipamentos de ordenha 
(SMITH, 1994; COSER et al., 2012). Os principais causadores desse grupo são bactérias: 
Escherichia coli, Klebsiella, Enterobacter, Streptococcus uberis e Streptococcus 
dysgalactiae. Em razão da maioria das mastites serem causadas por bactérias ao longo dos 
tempos, o uso indiscriminado de antibióticos tem causado inúmeros problemas para o 
produtor (COSER et al., 2012). 
Uma das maiores dificuldades para produção é a resistência bacteriana, e os mecanismos 
de resistência aos antibióticos tem sido descrito para muitos produtos que são usados na rotina 
da clinica veterinária (CARMO et al., 2013). 
 
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 
A descoberta dos antibióticos foi de grande importância para uso terapêutico na 
medicina humana e veterinária. Eles são usados como forma de reduzir a morbidade e 
mortalidade por enfermidades infecciosas, sendo utilizada como primeira opção no tratamento 
de diversas doenças infecciosas. Na atualidade, uma grande variedade de medicamentos com 
princípios ativos diferentes são utilizados (MOTA et al., 2005). 
Segundo Santos et al. (2006), a resistência bacteriana está associada ao uso indiscriminado de 
antibióticos e aos mecanismos de transferência ou alteração de genes, (mutação, conjugação, 
transdução e transformação) entre os microrganismos. 
Segundo Tortora et al. (2012),mutação é uma alteração na sequência de bases do 
DNA, que pode causar mudança no produto que venha ser codificado por aquele gene, 
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podendo ter ou não alterações na atividade daquele produto. Na transformação, os genes são 
passados de uma bactéria a outra por meio do DNA. No ambiente, determinadas bactérias 
podem liberar seu DNA após sua morte ou lise, outras bactérias encontrando este material 
genético pode incorporar seus cromossomos por recombinação. Já a conjugação é o 
mecanismo que o material genético mediado por um tipo de plasmídeo, por uma fração 
circular do DNA se replica sem depender do cromossomo celular. Estes plasmídeos são 
transmitidos de uma célula para outra por contato direto durante o processo de conjugação. 
Comumente, essas células são de tipos opostos de acasalamento, as células doadoras 
transportam o plasmídeo e as receptoras não. Este processo acontece quando o plasmídeo é 
replicado no momento da passagem de um filamento simples de DNA do plasmídeo doador 
para o receptor, onde um filamento complementar é sintetizado. 
Outro tipo de transferência é a transdução, neste caso o DNA de uma bactéria é 
transferido para outra a partir de uma célula doadora para uma receptora por meio de um vírus 
que infecta as bactérias, conhecido como bacteriófago. 
A resistência às drogas antimicrobianas é causada pela mutação espontânea e 
recombinação gênica, que desenvolvem variedades genéticas onde a seleção natural acontece 
dando vantagens aos mais resistentes. Os microrganismos resistentes são aqueles que não são 
inibidos pelas concentrações normais da droga que chegam ao sangue ou tecidos, ou aqueles 
que apresentam mecanismos de resistência específicos (MOTA et al., 2005). 
 A resistência bacteriana tem diversas maneiras de transferência, podendo acontecer 
entre organismos da mesma população ou diferentes, como da microbiota animal para 
humana ou ao contrário. Na maioria das vezes, as atividades essenciais das bactérias são 
codificadas por um só cromossomo, e as não essenciais, como a de defesa contra 
medicamentos é feita por transferência de genes, por elementos móveis (plasmídios, 
transposons e integrons) levando à recombinação. Originalmente a resistência às drogas pode 
ser genética ou não. Na origem não genética, o microrganismo adquire resistência a 
determinado medicamento, mas não transmite para sua prole (MOTA et al., 2005). 
A resistência associada ao cromossomo acontece por mutação espontânea, podendo 
ser a troca de um nucleotídeo por outro, não tornando o microrganismo inviável. Logo após a 
mutação, a bactéria pode adquirir resistência cromossômica por modificações na síntese de 
proteínas vinculadas à permeabilidade da sua membrana, alterando a entrada e o acúmulo do 
medicamento no interior da célula, atrapalhando o encontro droga-alvo (MOTA et al., 2005). 
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 A mutação cromossômica é o principal mecanismo de um microrganismo sensível se 
tornar resistente. Outra maneira de resistência pode ser transferida de um microrganismo 
resistente para um sensível por contato. Esta forma é mencionada como transferível, 
transmissível, ou infectável. Podem ser transferível por organismos da mesma espécie ou 
diferentes. Este tipo de transferência é atingida através de informações genéticas extras 
cromossomais chamados plasmídios. Um deles, denominado plasmídio R (R = resistência) 
contém um conjunto de genes que geram a resistência contra antibióticos (fator R) e genes 
FTR (fator de transferência de resistência) que controlam a replicação autônoma do plasmídeo 
e são responsáveis pela transferência de resistência a outros microrganismos (MOTA et al., 
2005). 
Segundo Santos et al. (2006), as amostras de estafilococos na sua maioria estão sendo 
resistentes a várias drogas, sendo esses beta-lactâmicos, aminoglicosídeos, clorafenicol, 
quinolonas, macrolídeos, mupirocina dentre outros. Ainda cita a resistência dos 
Staphylococcus sp a oxalina que está ligada ao do gene mecA, responsável pela resistência 
aos patógenos também para outros medicamentos. 
Santos et al. (2006), em seu trabalho realizado em 100 vacas leiteiras da região de 
Uberlândia-MG, com histórico de mastite recorrente. Foi realizado o cultivo das amostras e 
(60%) foram confirmadas como Staphylococcus spp. Das 50 amostras, 30 foram identificadas 
como Staphylococcus spp, sendo que 20 foram consideradas coagulase positiva, estas 
atribuídas a mastite subclínica. A verificação desse gênero como o mais presente em mastites 
subclínicas concorda com os resultados de Brito et al. (2001); Brito et al. (2002) e Rabello 
(2003). Foram consideradas como coagulase negativa as 10 amostras restantes, destas, 4 
foram de mastite subclínica e 6 de mastite clínica. 
Nos casos de mastite clínica estudados foram isolados Staphylococcus coagulase 
negativa, o mesmo resultado foi encontrado por Cunha et al. (2006), que asseguram que os 
Staphylococcus coagulase negativo são os maiores causadores de mastites clínica. Um dos 
antibióticos mais usados na clínica veterinária são as penicilinas. Entretanto, nos resultados 
obtidos pelo antibiograma, este medicamento obteve baixa eficiência para Staphylococcus spp 
com 90% (27/30) das amostras confirmando resistência a esta droga. A ampicilina, um beta-
lactâmico de segunda geração também evidenciou o mesmo desempenho da penicilina. Este 
fato também é preocupante para outros fármacos, com indicadores de resistência de 26,6% 
(8/30) para a eritromicina; 16,6% (5/30) a rifampicina, 6,6% (2/30) a tetraciclina, 
cloranfenicol e oxacilina e 3,3% (1/30) para ciprofloxacina, clindamicina e cefalotina. Uma 
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das cepas de coagulase positiva foi multirresistente a sete antibacterianos e uma coagulase 
negativa a cinco. 
Andrade (2012) desenvolveu um trabalho sobre a distribuição dos tipos específicos de 
Staphylococcus aureus em vacas com mastites subclínicas no Distrito Federal e Entorno. 
Esses dados são importantes, pois, é estimado que para cada vaca com mastite clínica em uma 
propriedade existam 14 casos de mastite subclínica (LADEIRA, 2007). 
Foram obtidas amostras de 116 animais, sendo 40 derivadas de visita nas propriedades 
e 76 enviadas diretamente ao laboratório. As amostras vieram de dez diferentes núcleos rurais 
(cooperativas e pequenos produtores) do Distrito Federal e Entorno. As amostras foram 
testadas para as seguintes drogas: amoxicilina + ácido clavulânico, ampicilina, bacitracina, 
cefalexina, cefazolina, ceftiofur, enrofloxacina, espiramicina, gentamicina, lincomicina, 
neomicina, norfloxacina, oxacilina, penicilina, tetraciclina e tobramicina. Das 116 amostras 
coletadas foram isolados 334 microrganismos, destes 47 era Staphylococcus aureus. Para a 
realização do antibiograma além das 47 cepas isoladas neste trabalho, adicionou 28 amostras 
de S. aureus do banco de germoplasma do Laboratório de MicroMedVet. da UnB. Todas 
provenientes de mastites subclínicas de bovinos do Distrito Federal e Entorno, chegando a um 
total de 75 amostras. 
 
Figura 01: Taxas de resistência para Staphylococcus aureus, de amostras de leite. 
Fonte: ANDRADE, 2012. 
 
Os medicamentos que tiveram maior porcentagem de resistência para Staphylococcus 
aureus no presente estudo foram à penicilina (71,2%), ampicilina (52,9%) e enrofloxacina 
(39,9%), (Fig. 01). A resistência para penicilina neste estudo foi similar à encontrada por 
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Nader Filho et al. (1984), Cardoso et al. (2002), Andrade et al. (2000) em Minas Gerais que 
alcançaram um indicador de resistênciapróximo a 70%. 
Costa et al. (2013), analisou um total de 2.492 animais da região sul do estado de 
Minas Gerais, no Brasil, no período de 2004 a 2008. Foram usados no estudo 352 isolados 
caracterizados fenotípica e genotipicamente como Staphylococcus aureus. As amostras foram 
submetidas a testes de antibiograma. Os antibióticos testados foram: ampicilina, cefalotina, 
cefotaxima, cefoperazona, ceftiofur, cloranfenicol, enrofloxacino, florfenicol, gentamicina, 
lincomicina, neomicina, nitrofurantoína, novobiocina, polimixina B, penicilina G, oxacilina, 
sulfazotrim, tetraciclina e cefquinoma, associações de penicilina, nafcilina e 
dihidroestreptomicina e de neomicina, bacitracina e tetraciclina. 
 Os índices de resistência para enrofloxacino e florfenicol, com valores de 0,26 e 
0,40%, respectivamente foram considerados baixos, e para o grupo das cefalosporinas, com 
valores de 0, 0,28 e 0,40% para cefquinoma, cefalotina e ceftiofur, respectivamente. Dentre os 
aminoglicosídeos, encontraram números de resistência de 1,69% para gentamicina e 3,35% 
para neomicina. Apesar das diferentes amostras apresentarem uma sensibilidade muito 
próxima para a maioria dos antibióticos avaliados, observou-se variações nos perfis de 
resistência para alguns medicamentos que são utilizados no tratamento da mastite, tais como 
tetraciclina, lincomicina, cefoperazona e sulfazotrim. Alguns rebanhos foram observados até 
cinco padrões de resistência. Em referência à resistência aos antibióticos em amostras de S. 
aureus causadora da mastite bovina (DONATELE et al., 2002) descreveu grande variação 
quanto à eficácia dos diferentes medicamentos, conforme ressaltado no trabalho de Costa et 
al. (2013). São percebidos nestes trabalhos que existe um perfil de resistência para S. aureus à 
penicilina e ampicilina. 
Oliveira et al., (2011), realizou um trabalho com 237 vacas, de propriedades 
localizadas na bacia leiteira de Rondon do Pará. A ordenha nestas propriedades era de forma 
manual uma vez ao dia. O diagnóstico foi realizado por exame clínico da glândula mamária, 
testes da caneca de fundo escuro ou telada e para os tetos sem mastite clínica foram 
submetidos ao CMT. Foram avaliados 237 animais, 4,6% (11/237) apresentaram mastite 
clínica, 15,6% (37/237) mastite subclínica e 79,7% (189/237) estavam sadias. Foram testados 
935 quartos em produção, destes 6,6% (62/935) apresentaram mastite subclínica, 1,3% 
(12/935) mastite clínica e 92,1% (861/935) estavam saudáveis. As taxas das bactérias isoladas 
do leite com mastite clínica foram 25% (3/12 amostras) de Staphylococcus spp coagulase 
negativo, 16,7% (2/12) de Staphylococcus aureus, 8,3% (1/12) de Streptococcus spp e 8,3% 
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(1/12) de Corynebacterium spp. Para mastite subclínica foram isolados 32,3% (20/62) de 
Staphylococcus spp coagulase negativo, 17,7% (11/62) de Staphylococcus aureus, 1,6% 
(1/62) de Staphylococcus intermedius, 4,8% (3/62) de Streptococcus spp, 4,8% (3/62) de 
Corynebacterium spp e 1,6% (1/62) de Staphylococcus spp coagulase negativo/S. aureus, 
(Tabela 01). A maior incidência de Staphylococcus spp coagulase negativo como causador da 
mastite clínica e subclínica neste caso, deve estar relacionado à deficiência de higiene nos 
locais de ordenha e das mãos do ordenhador. No presente estudo, não houve crescimento 
microbiano em 41,7% (5/12) das amostras dos tetos com mastite clínica e 37,1% (23/62) com 
mastite subclínica. 
 
TABELA 01: Bactérias isoladas de casos de mastite em bovinos. 
 MASTITE CLÍNICA MASTITE SUBCLÍNICA 
Staphylococcus spp coagulase negativo 25% 32,3% 
Staphylococcus aureus 16,7% 17,7% 
Streptococcus spp 8,3% 4,8% 
Corynebacterium spp 8,3% 4,8% 
Staphylococcus intermedius ____ 1,6% 
Staphylococcus spp coagulase negativo / S. 
aureus 
____ 1,6% 
Fonte: OLIVEIRA et al., 2011. 
 
No teste de susceptibilidade, os 100% isolados de Staphylococcus spp coagulase 
negativo apresentaram resistência aos antibióticos que variaram de 4,3 a 47,8%. Dos isolados 
de Staphylococcus spp coagulase positivo (S. aureus e S. intermedius), a resistência aos 
medicamentos variou de 6,7 a 73,3%. As amostras que deram positivas para Streptococcus 
spp foram 100% sensíveis ao sulfazotrim e gentamicina; e 50% sensíveis aos demais 
antimicrobianos. Das amostras de Corynebacterium spp, 100% foram resistentes à ampicilina, 
penicilina, oxacilina e sulfazotrim (OLIVEIRA et al., 2011). 
 Esta prevalência deve estar relacionada à baixa quantidade produzida por estes 
animais, com média de 3,7 L/animal/dia, pois segundo Costa et al. (2013), em animais de 
elevada produção, existe uma maior incidência de mastite, em função de maior exigência 
nutricional, ficando assim mais susceptível às doenças. 
Segundo Brandão et al. (2008), a presença do bezerro colabora para uma menor 
incidência da mastite subclínica, pois a ejeção do leite é mais eficiente em consequência de 
maior liberação de oxitocina. Com esse tipo de manejo a redução se dá por maior 
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esgotamento da glândula mamária e à ação antimicrobiana da saliva do bezerro (COSTA, et 
al., 2013). O número de mastite clínica (1,3%) neste estudo estão próximo aos deparados por 
Ribeiro et al. (2003), que detectaram 1,5% e Ribeiro et al. (2006) que observaram 1,22% de 
quartos afetados, ambos trabalhos concretizados em rebanhos leiteiros na região sul do estado 
do Rio Grande do Sul. Segundo Fonseca & Santos (2000) o nível aceito internacionalmente 
para mastite clínica é em torno de 1%, valor próximo ao deparado neste trabalho. 
Chagas et al. (2012), realizaram um estudo em uma propriedade rural produtora de leite tipo 
B no município de Indianópolis, estado de Minas Gerais, no período de 2009 a 2010, em um 
total de seis coletas de leite. Foram avaliadas 85 vacas em lactação, que foram submetidas ao 
teste CMT. 
Do total de 85 vacas avaliadas, foram obtidas 1.608 amostras de leite. Dessas, 937 
(58,3%) apresentaram resultados negativos e 671 (41,7%) positivos. Na primeira coleta foi 
observado que trinta vacas, (53,0%) apresentavam mastite subclínica e nove, (16,0%) mastite 
clínica. Ocorreu aumento de vacas com mastite subclínica, especialmente, entre janeiro a abril 
de 2010. Este fato pode ser explicado pela existência de patógenos contagiosos e ambientais 
presentes no rebanho e também por falha na higienização dos utensílios usados para fazer a 
ordenha pelos funcionários, que foi observado nos dias da primeira coleta das amostras, além 
da terapia da vaca seca que não era adotada de forma eficaz. De modo geral, a mastite 
subclínica permaneceu com maior presença durante todas as coletas frente à mastite clínica. 
Os resultados obtidos foram parecidos aos descritos por Freitas et al. (2005), que analisaram 
246 animais, totalizando 984 quartos mamários. Desses, 10 (1,0%) apresentaram mastite 
clínica, 562 (57,1%) mastite subclínica e 412 (41,9%) deram negativos. 
No estudo realizado por Chagas et al. (2012) o agente com maior prevalência foi 
Staphylococcus aureus (45,0%), seguido de Staphylococcus epidermidis (10,0%). Os 
estafilococos coagulase negativa totalizaram 15,0% das estirpes e os estafilococos coagulase 
positiva, 10,0%. O que explica a prevalência de Staphylococcus aureus, como grande 
causador da mastite bovina, deve está relacionada aos mecanismos de resistência, presença do 
biofilme, menor susceptibilidade aos antibióticos, ao pequeno número de cura durante a 
lactação e à presença desses microrganismos no ambiente, nos animais e no homem, 
considerando que esses patógenos não são classificados como ambientais. 
Das 118 estirpes de estafilococos isoladas, evidenciou sensibilidade a maioria das 
drogas testadas. Contudo, foi observado um perfil de resistência de Staphylococcussp de 
61,8% à penicilina, 15,2% à oxalina e 9,3% à tetraciclina, (Fig. 02). Números parecidos, 
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quanto à resistência dos Staphylococcus spp coagulase positivo à penicilina e à tetraciclina, 
foram obtidos por Freitas et al. (2005) com 80,0% à penicilina e 26,0% à tetraciclina e por 
Martins et al. (2009) com 86,6% à penicilina e 39,0% à tetraciclina. No entanto, a resistência 
aos antibióticos pelos Streptococcus sp, foram na média de 76,4% à clindamicina, 58,8% à 
eritromicina e 58,8% à tetraciclina. Resultados parecidos foram encontrados por Moreira, 
Silva e Mesquita (1997), com 45,1% das cepas resistentes à tetraciclina, e por Ferreira et al., 
(2010), que notaram 40,0% das cepas de Streptococcus sp resistentes à eritromicina. 
 
 
Figura 02: Perfil de resistência para Staphylococcus sp. em amostras de leite. 
Fonte: CHAGAS et al., 2012. 
 
Medeiros et al. (2009) realizou um trabalho testando sensibilidade in vitro de 
linhagens de Staphylococcus spp. Foram avaliadas 291 amostras de Staphylococcus spp 
isoladas de leite bovino de 15 propriedades de exploração leiteira situadas em dois municípios 
da Região Metropolitana do Recife (A), oito do Agreste (B) e três da Zona da Mata (C) do 
Estado de Pernambuco. As amostras foram obtidas de animais de várias raças, idades e em 
diferentes estágios de lactação, criados em sistema intensivo e semi-intensivo. A ordenha era 
mecânico e/ou manual. 
Dos 291 isolados, 170 (58,4%) foram considerados como estafilococos coagulase 
negativa, 37 (12,7%) como estafilococos coagulase positiva e 84 (28,9%) como 
Staphylococcus aureus. Foram utilizados para testes de antibiograma as drogas ampicilina, 
amoxicilina, cloxacilina, cefquinoma e cephalonium que são do grupo de medicamentos 
betalactâmicos, sendo os dois últimos considerados como cefalosporinas de quarta geração e 
que seu uso é recente na terapêutica de mastites bovinas. A droga com menor taxa de 
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sensibilidade nas três regiões analisadas foi a ampicilina com 43,5% de sensibilidade para as 
amostras da região A, 27,2% para a região B e 28,2% na região C. Estes efeitos podem ser 
esperados, pois a ampicilina é uma penicilina de amplo espectro (SPINOSA, 1996), sendo 
bastante utilizada também para outras doenças bacterianas de bovinos. Do total de 291 
amostras isoladas de Staphylococcus spp, 181 foram multirresistentes. Destaca-se assim a 
importância dos estafilococos coagulase positiva e principalmente dos estafilococos coagulase 
negativa devido às altas taxas de multirresistências. 
Nader Filho et al. (2007), realizaram um trabalho onde foram estudadas 72 cepas de S. 
aureus recolhidas de leite de vacas com sinais de mastite ou que deram resultados positivos 
no teste de CMT, em 10 propriedades rurais do Estado de São Paulo. No teste de 
suscetibilidade “in vitro” foram usados os seguintes medicamentos: penicilina, gentamicina, 
ampicilina, vancomicina, novobiocina, oxacilina, estreptomicina e eritromicina. Constataram 
que das 72 cepas testadas ofereceram resistência simultânea ao menos dois antimicrobianos e 
quimioterápicos. A análise mostra que a gentamicina foi droga que ofereceu maior ação 
(98,6%) “in vitro” sobre os S. aureus, este resultado se aproxima dos encontrados por Oliveira 
et al. (2002) e Andrade et al. (2000), cujos valores ficaram de 100% e 89,4%, 
respectivamente. Apesar das diferenças nas taxas de sensibilidade a esta droga, espera que 
estes resultados possam comprovar a afirmativa de Langoni et al. (2000), conforme a qual a 
gentamicina permanece sendo um princípio ativo eficiente no tratamento das mastites bovinas 
causadas por bactérias. A apreciação mostra, ainda, que a penicilina foi o fármaco que 
proporcionou menor ação (2,8%) sobre os S. aureus, sendo este resultado inferior aos 
conseguidos por Costa et al. (1996), Freitas et al. (2005) e Andrade et al. (2000) cujas 
estimações ficaram em 6,8%, 20% e 23,7%, respectivamente. Acredita-se que estes achados 
possam ser relacionado à provável habilidade de produção da beta-lactamase das cepas de S. 
aureus isoladas, ao repetido uso destes princípios ativos nas propriedades objeto desta 
pesquisa (FREITAS et al., 2005) e ao uso impróprio destes (ANDRADE et al., 2000). Na 
maioria das vezes, a escolha do fármaco anti-mastítico tem se baseado somente no quadro 
clínico da doença (NADER FILHO et al., 2007). 
Carmo et al. (2013), em um trabalho realizado em Apodi/RN, observou que para a 
classe farmacêutica da penicilina, eritromicina e cefalexina, o perfil de resistência foram 
86,7; 53,3 e 40%, respectivamente. Os fármacos mais ativos foram a norfloxacina com 100% 
de eficácia, micacina com 93.3% e a tetraciclina 80%, estreptomicina 73.4%. Resultados 
semelhantes foram encontrados por Brito et al. (2001) na Zona da Mata do Estado de Minas 
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Gerais e por Freitas et al. (2005) no Estado de Pernambuco, observaram que a norfloxacina 
proporcionaram 100 e 96% de efeito para cepas de Stapylococcus spp isoladas de animais 
com mastite, respectivamente. A boa eficiência da norfloxacina nesta região onde ocorreu o 
estudo, provavelmente está ligada ao pouco uso desta droga nestes animais, pois este fármaco 
não era usado para o tratamento da doença. 
O uso de terapia de vacas secas bem como o tratamento de casos clínicos estabelecem 
boas maneiras para controle e prevenção da mastite bovina (SANTOS e FONSECA, 2007). 
Apesar disso, o sucesso dessas medidas depende de alguns aspectos importantes, como 
escolha do medicamento adequado, da distribuição dos ativos dentro da glândula mamária, do 
estado fisiológico do animal, da precocidade com que a terapêutica de tratamento é 
estabelecida e de qual microrganismo está envolvido (COSTA, et al., 2013). 
Desta maneira, é muito importante identificar os patógenos envolvidos e usar os 
medicamentos que tenham melhor efeito, visto que microrganismos de uma mesma espécie, 
dentro do mesmo rebanho, podem ter sensibilidades distintas (COSTA, et al., 2013). A 
resistência aos antibióticos é um dos fatores de importância no estabelecimento e na dispersão 
de clones bacterianos em um rebanho. Trata-se de um feito bastante dinâmico, no qual tem 
associação com mudanças de manejo, bem como o uso sistemático de medicamentos e o uso 
de ordenhadeira mecânica, estes são avaliados como importantes fatores que podem fazer 
seleção de patógenos causadores de mastite (COSTA, et al., 2013). 
 
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 A mastite é uma doença de difícil controle, que envolve diversos fatores como 
resistência antimicrobiana, relação animal, patógeno e ambiente, bem como as dificuldades 
encontradas pelos produtores de instituir um tratamento eficiente e mudanças de manejo que 
dêem bons resultados como forma de prevenção. 
 Os mecanismos de resistência, uso indiscriminado de medicamentos e falhas no 
manejo são um dos maiores entraves para o sucesso no combate desta enfermidade. Porém, 
medidas como terapia de vaca seca, o uso de CMT como método de triagem a cada 15 dias, 
tratamento de animais doentes, cultura e antibiograma e boa higiene, são importantes 
ferramentas para ter bons resultados no combate a essa enfermidade. 
 
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