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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SERGIPE CAMPUS SÃO CRISTÓVÃO CURSO SUPERIOR TECNÓLOGO EM AGROECOLOGIA EDYJHON NASCIMENTO DOS SANTOS PROJETO S.O.S. ABELHAS: RESGATE DE ABELHAS AFRICANIZADAS NO ESTADO DE SERGIPE NO PERÍODO DE SETEMBRO DE 2021 A MARÇO DE 2022 São Cristóvão – SE 2023 EDYJHON NASCIMENTO DOS SANTOS PROJETO S.O.S. ABELHAS: RESGATE DE ABELHAS AFRICANIZADAS NO ESTADO DE SERGIPE NO PERÍODO DE SETEMBRO DE 2021 A MARÇO DE 2022 Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Instituto Federal de Sergipe como pré-requisito para a obtenção do Grau de Graduado em Tecnólogo em Agroecologia. Orientador: Prof. Dr. Wilams Gomes dos Santos. São Cristóvão – SE 2023 IFS - Campus São Cristóvão Biblioteca João Ribeiro Santos, Edyjhon Nascimento dos S237p Projeto S.O.S. abelhas: resgate de abelhas africanizadas no Estado De Sergipe no período de setembro de 2021 a março de 2022. - São Cristóvão-SE, 2023. 27 f.; il. Monografia (Graduação) – Tecnologia em Agrocologia. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe – IFS, 2023. Orientador: Professor Dr. Williams Gomes dos Santos. 1. Apis melífera. 2. Migração. 3. Caixa isca. 4. Capitura ativa. I. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe – IFS. II. Título. CDU: 638.1 EDYJHON NASCIMENTO DOS SANTOS PROJETO S.O.S. ABELHAS: RESGATE DE ABELHAS AFRICANIZADAS NO ESTADO DE SERGIPE NO PERÍODO DE SETEMBRO DE 2021 A MARÇO DE 2022 Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Instituto Federal de Sergipe como pré-requisito para obtenção do Grau de Graduado em tecnólogo em Agroecologia. Aprovado em:24 /01/2023 BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. Wilams Gomes dos Santos (Orientador) Instituto Federal de Sergipe – Campus São Cristóvão Prof. Masc. João Bosco Silva Rocha (Examinador) Instituto Federal de Sergipe – Campus São Cristóvão Profa. Dra. Denise Ribeiro de Freitas (Examinadora) Universidade Federal de Sergipe (Campus Sertão) São Cristóvão – SE 2023 Dedico este trabalho ao meu orientador, sem o qual não teria conseguido concluir esta difícil tarefa. E a todos aqueles que esta pesquisa possa contribuir de alguma forma. AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar, а Deus pela minha vida, e por me ajudar a ultrapassar todos obstáculos e dificuldades encontrada ao longo do curso. Agradeço ao Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe (CBMSE) pela suma importância na condução e execução deste trabalho. Agradeço ao Comandante Geral do CBMSE, Coronel QOABM Fábio Pinto Cardoso, ao 2° Tenente QOABM José Luiz dos Santos Filho, pelo imenso apoio, sem medir esforços para nos ajudar. Gratidão a todos envolvidos no projeto S.O.S. Abelhas e as seguintes instituições: Federação Sergipana de Apicultura (FAPISE), Associação Sergipana dos Apicultores (ASA) e Instituto Federal de Sergipe (IFS). Agradeço a minha família que me incentivaram nos momentos difíceis e compreenderam a minha ausência enquanto eu me dedicava à realização deste trabalho, meus pais Cátia dos Anjos Nascimento e Edvaldo Alves dos Santos e a meus avós. A minhas irmãs Anne Victória e Aline Valeria, pelo apoio incondicional. Agradeço também a Mirely Rosendo. Agradeço aos amigos que tive a oportunidade e prazer de conhecer na graduação, Matheus Menezes, Lucas Jerfferson, Jackson Freitas, Ely Dioney, Gabriel, Paulo, Evenlly Katiucia, Álvaro Muniz. Minha eterna gratidão aos professores (as), Dalmora, Thiago, Anderson Vasco, Liamara Perin, Jessica, Maria Engracinda e João Bosco, pelos ensinamentos que me permitiram um melhor desempenho no meu processo de formação profissional ao longo do curso. Agradeço ao, Professor Dr. Wilams Gomes dos Santos, por ter sido meu orientador e ter desempenhado tal função com dedicação, pelo companheirismo, amizade, paciência, por cada puxão de orelha, conselhos. A você minha eterna gratidão. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Capturas de enxames de abelhas africanizadas na Região Metropolitana de Aracaju (Aracaju; Barra dos Coqueiros; Nª Senhora do Socorro; São Cristóvão) e demais cidades de outras regiões como, Aquidabã, Campo do Brito, Divina Pastora, Estância, Itabaiana, Itaporanga, Lagarto, Laranjeiras, Malhador, Rosário do Catete e Salgado................................17 Figura 2 -Temperaturas médias, umidade médias e precipitações e mensais da cidade de Aracaju no período de janeiro de 2021 a março de 2022..........................................................................19 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Caixas iscas povoadas e capturas ativas no período de setembro de 2021 a março de 2022.............................................................................................................................. .............15 Tabela 2 - Quantidade de Caixas Iscas regatadas e capturas ativas de abelhas africanizadas nos municípios participantes do Projeto SOS Abelhas Sergipe no período de setembro de 2021 a março de 2022...........................................................................................................................16 Tabela 3 - Dados de Ocorrência de Controle de Insetos atendido pelo Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe......................................................................................................................18 SUMÁRIO RESUMO ABSTRACT 1. INTRODUÇÃO.....................................................................................................11 2. MATERIAL E MÉTODOS...................................................................................13 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO...........................................................................15 4. CONCLUSÃO.......................................................................................................21 5. REFERÊNCIAS....................................................................................................22 6. ANEXO A.............................................................................................................24 7. ANEXO B.............................................................................................................25 8. ANEXO C.............................................................................................................26 9. ANEXO D.............................................................................................................27 RESUMO O objetivo deste trabalho foi resgatar enxames de abelhas africanizadas, por meio da distribuição de caixas iscas em áreas de grande incidência de ocorrências de enxames migratórios, e a realização de capturas ativas, no Estado de Sergipe no período de setembro de 2021 a março de 2022. Como medida preventiva de acidentes com abelhas em áreas urbanas, foram distribuídas 350 caixas iscas de papelão de 35 litros,com abertura frontal de 10 cm que servia de alvado (entrada e saída das abelhas). Em cada caixa isca foram acrescentados dois a cinco caixilhos com três centímetros de cera alveolada. As caixas iscas foram borrifadas com atrativo à base de própolis, capim santo (Cymbopogoncitratus) e álcool etílico hidratado 46º, foram fechadas na parte superior com fita adesiva impermeável e identificada com adesivos do Projeto S.O.S. Abelhas Sergipe. Em seguida foram distribuídas em 16 municípios do estado de Sergipe; Aquidabã, Aracaju, Barra dos Coqueiros, Campo do Brito, Divina Pastora, Estância, Itabaiana, Itaporanga, Lagarto, Laranjeiras, Malhador, Nossa Senhora do Socorro, Rosário do Catete, Salgado, São Cristóvão e São Francisco, em locais selecionados pelo Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe (CBMSE), de acordo com a estatística das ocorrências registradas de migração de abelhas africanizadas e acidentes com esses insetos. As caixas iscas foram vistoriadas semanalmente e quando povoadas por enxames, foram resgatadas pelos apicultores e levadas para os apiários, com o apoio do CBMSE. Sempre após o resgate os apicultores faziam o registro no Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (CIOSP). As capturas ativas foram realizadas em resposta às demandas registradas pelo CIOSP, com o envolvimento do Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe e dos apicultores voluntários para a remoção dos enxames. No período de setembro de 2021 a março de 2022 foram resgatados 262 enxames de abelhas africanizadas, sendo 197 resgates através das caixas iscas e 65 por captura ativa. O mês de dezembro registrou o maior número de resgates, com 68, seguido por março com 52, janeiro com 44, e fevereiro com 32. Os demais meses apresentaram uma similaridade nos números totais de resgates, variando de 21 a 23. Esses resultados enfatizam a necessidade de desenvolver políticas de manejo e conservação que levem em consideração os padrões sazonais de atividades das abelhas africanizadas. Isso é fundamental não apenas para garantir a segurança pública, mas também para proteger esses polinizadores essenciais. Palavras-chave: Apis melífera. Migração. Caixa isca. Captura Ativa. ABSTRACT The aim of this study was to rescue swarms of Africanized bees through the distribution of bait hives in areas with high incidence of migratory swarms, and by conducting active captures, in the state of Sergipe from September 2021 to March 2022. As a preventive measure against bee accidents in urban areas, 350 cardboard bait hives of 35 liters each were distributed, featuring a 10 cm frontal opening serving as an entrance and exit for the bees. Each bait hive contained two to five frames with three centimeters of wax foundation. The bait hives were sprayed with an attractant mixture of propolis, lemongrass (Cymbopogon citratus), and 46º hydrated ethyl alcohol, sealed on the top with waterproof tape, and identified with stickers from the SOS Bees Sergipe Project. They were distributed across 16 municipalities in Sergipe: Aquidabã, Aracaju, Barra dos Coqueiros, Campo do Brito, Divina Pastora, Estância, Itabaiana, Itaporanga, Lagarto, Laranjeiras, Malhador, Nossa Senhora do Socorro, Rosário do Catete, Salgado, São Cristóvão, and São Francisco, selected based on statistics of Africanized bee migration and related accidents recorded by the Sergipe Military Fire Department (CBMSE). The bait hives were inspected weekly, and when populated by swarms, they were rescued by beekeepers and taken to apiaries with support from CBMSE. Beekeepers always registered the rescues with the Integrated Center for Public Security Operations (CIOSP). Active captures were conducted in response to demands reported by CIOSP, involving the Sergipe Military Fire Department and volunteer beekeepers for swarm removal. During the period from September 2021 to March 2022, a total of 262 Africanized bee swarms were rescued, with 197 rescues through bait hives and 65 through active captures. December had the highest number of rescues with 68, followed by March with 52, January with 44, and February with 32. The remaining months showed a similar total number of rescues, ranging from 21 to 23. These results underscore the need to develop management and conservation policies that take into account the seasonal patterns of Africanized bee activities. This is crucial not only for ensuring public safety but also for protecting these essential pollinators. Keywords: Apis mellifera. Migration. Bait Hive. Active Capture. 11 1. INTRODUÇÃO Abelhas são insetos pertences à ordem dos Hymenoptera e família dos apidae, sendo conhecidas cerca de 20 mil espécies diferentes. Entre elas as do gênero Apis e espécie mellifera são as mais utilizadas para serviços de polinização, produção de mel, geleia real, cera, própolis e pólen (RAMOS e CARVALHO, 2007). As abelhas Apis melífera originaram-se no continente africano e, em seguida, em pelo menos dois eventos diferentes e anteriores á chegada do Homo sapiens, migraram para a Ásia e Europa diferenciando-se em pelo menos 26 subespécies fisiologicamente, comportamentalmente e morfologicamente distintas (PARKER et al., 2010). A Apis mellifera é encontrada em todas as partes do mundo, com exceção das regiões polares, enfrentando condições ecológicas bastante diversificadas que incluem savanas, florestas de clima tropical, desertos, regiões litorâneas e montanhosas (ARRUDA et al., 2007). A abelha africanizada é muito bem adaptada às condições tropicais, e apresenta basicamente dois modelos de dispersão (enxameação) que têm favorecido a sua sobrevivência e a expansão no continente americano. A enxameação reprodutiva acorre quando as condições de fluxo de alimento são ótimas, as abelhas africanizadas trabalham incessantemente, expandem sua população que, em alguns casos, chega a 120 mil abelhas e podem produzir uma divisão natural da colônia pelo processo de enxameação (SOARES, 2012). Ainda segundo Soares (2012) neste processo ocorre a formação de uma nova rainha e a metade das abelhas da colônia sai com a rainha velha à procura de um local adequado de nidificação para estabelecer a sua nova moradia. A enxameação por abandono ocorre quando o fluxo de alimento diminui, para não morrerem de fome as abelhas abandonam a colmeia e vão em busca de um outro local que apresente condições favoráveis de sobrevivência. As colônias de abelhas exigem uma alta demanda de alimento ao longo do ano e vêm sofrendo com o aumento da degradação ambiental e redução das áreas de matas nativas disponíveis, que consequentemente diminuem as plantas produtoras de pólen e néctar, além das disponibilidades de locais de nidificação ( SILVA & BARRETO, 2016). As migrações são consequências previsíveis de esgotamento de recursos ou falta destes, a queda generalizada no pólen e néctar disponíveis são geralmente associados com altas temperaturas, extrema aridez, ou, inversamente, as chuvas prolongadas ou épocas frias, além de mudanças nas condições microclimáticas do ninho e o aumento de pragas, são muitas vezes coincidentes com os efeitos do esgotamento de recursos (PEREIRA et al., 2014). 12 A enxameação e o abandono das colmeias naturais pelas abelhas africanizadas e a consequente falta de áreas verdes devido às alterações antrópicas no meio ambiente, tais como, desmatamentos para a expansão da agropecuária e crescimento das cidades, têm gerado um grande número de enxames nas áreas urbanas. Além disso, a presença das abelhas em áreas urbanas tem fortalecido a concepção desses insetos como elementos indesejáveis, geradores de riscos e, portanto, passíveis de eliminação por parte da população e do poder público. De modo que, o papel essencial das abelhas na produção de alimentos, enquanto polinizadores essenciais, tem se tornado aparentemente mascarado neste contexto, destacando a necessidade de medidas corretas de remoção dos enxames, preservando as abelhas (SANTOS, 2020). A coexistência entre abelha Apis mellifera e a população humana nas áreas urbanas compartilhando o mesmo espaço ao mesmo tempo, tem sidodesarmoniosa devido ao comportamento defensivo mais intenso e com consequências desagradáveis (NEIVA 2015). Em 2018 foi criado o Projeto S.O.S. Abelhas Sergipe, uma iniciativa do Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe em parceria com a Associação Sergipana dos Apicultores (ASA), Federação Apícola de Sergipe (FAPISE), Instituto Federal de Sergipe (IFS – Campus São Cristóvão) e com a Universidade Federal de Sergipe (UFS), com o objetivo de reduzir os riscos de acidentes com abelhas africanizadas. A principal ação do projeto é preventiva e visa a distribuição de caixas iscas em locais estratégicos e também capturas de colônias na Região Metropolitana de Aracaju e em outras cidades, com o repasse dos enxames para os Apicultores do Estado de Sergipe. Neste contexto, a quarta edição do Projeto S.O.S. Abelhas Sergipe, correspondente a este trabalho, teve como objetivo resgatar enxames de abelhas africanizadas através de caixas iscas e capturas ativas, além de identificar os locais de maior ocorrência de enxames migratórios na Região Metropolitana de Aracaju e em outras cidades do Estado de Sergipe, no período de setembro de 2021 a março de 2022. 13 2. MATERIAL E MÉTODOS O trabalho foi realizado no Estado de Sergipe, nos seguintes municípios: Aracaju, São Cristóvão, Nossa Senhora do Socorro, Barra dos Coqueiros, Itaporanga, Laranjeiras Lagarto, Itabaiana, Salgado, Aquidabã, São Francisco, Malhador, Campo do Brito, Estância e Divina Pastora, durante período de setembro de 2021 a março de 2022. O Estado de Sergipe tem uma área territorial de 21.910,35 km² e faz limite ao norte pelo Estado de Alagoas, ao sul e oeste pelo Estado da Bahia e, a leste, pelo oceano Atlântico. Sergipe apresenta temperatura média anual variando de 22,7°C a 26,5°C e umidade relativa média anual entre 65% e 80%. Estado de Sergipe apresenta irregularidade espacial e temporal da distribuição pluviométrica, sendo decrescente do litoral para o semiárido. O período chuvoso no Estado é entre os meses de abril e agosto, sendo o máximo concentrado entre os meses de maio e junho (COSTA et al., 2004). Segundo a Secretaria de Meio Ambiente e dos recursos Hídricos do Estado de Sergipe (SEMARH-SE, 2022), o Estado é dividido em três grandes regiões: Zona da mata, onde historicamente chove mais, com média anual aproximada de 1350 mm. Agreste, região intermediária com média anual de 1000 mm e o Sertão, que abrange uma pequena área do estado onde as chuvas concentram-se em quatro meses do ano com média de 750 mm anuais. Foram distribuídas 350 caixas iscas de papelão com volume de 35 litros com abertura frontal de 10 cm que servia de alvado, em cada caixa isca foram acrescentados dois a cinco caixilhos, conforme a disponibilidade de material. Foi colocado três centímetros de lâmina de cera alveolada em cada caixilho. As caixas iscas foram borrifadas com atrativo á base de própolis, capim santo (Cymbopogon citratus) e álcool etílico hidratado 46º. Todas as caixas foram fechadas na parte superior com fita adesiva impermeável, identificada com adesivos do Projeto S.O.S. Abelhas Sergipe e instaladas em locais predeterminados pelo Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe (CBMSE). As distribuições das caixas iscas foram realizadas pelo CBMSE e pelos voluntários da Associação Sergipana dos Apicultores (ASA). As caixas foram distribuídas nas seguintes localidades: Uma vez por semana, os apicultores realizavam vistorias nas áreas de distribuição das caixas iscas com a finalidade de monitorar o povoamento das mesmas. Confirmado o povoamento, cada caixa isca era transportada para o apiário do apicultor responsável pela área, e o mesmo fazia o registro do recolhimento no Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (CIOSP). Com relação às capturas ativas, as demandas geradas pela população eram 14 registradas ao CIOSP, que direcionava as ocorrências ao Corpo de Bombeiro Militar de Sergipe. O CBMSE confirmava a localização do enxame, grau de risco e a logística e, então acionava os apicultores voluntários para realizarem a captura, e posterior remoção para os apiários. 15 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO No período de setembro de 2021 a marco de 2022 o Projeto SOS Abelhas Sergipe regatou um total de 262 enxames de abelhas africanizadas, sendo 197 deles resgatados em caixas iscas e 65 por capturas ativas. Observou-se que a maior incidência de resgates foi no mês de dezembro com o total de 68 resgates, seguido pelos meses de março, janeiro e fevereiro, com respectivos valores 52, 44 e 32 enxames regatados. Os demais meses apresentaram similaridade entre os números totais de regates (Tabela 1). Tabela 1 - Caixas iscas povoadas e capturas ativas no período de setembro de 2021 a março de 2022. Tipo de captura Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Total Caixas iscas 16 9 3 57 40 28 44 197 Captura ativa 7 13 18 11 4 4 8 65 Total 23 22 21 68 44 32 52 262 As maiores quantidades de regates de abelhas africanizadas foram no período de verão, que compreenderam os meses de dezembro de 2021 a março de 2022, com maior ênfase para o povoamento de caixas iscas. Resultados similares foram verificados nas três primeiras edições do Projeto SOS Abelhas Sergipe, quando Nascimento (2018), Santos (2021) e Barboza (2021) constataram que dezembro e janeiro foram os meses com maiores incidências de resgates de abelhas africanizadas. Segundo Oliveira (2007), no verão ocorre um aumento da temperatura e maior disponibilidade de alimento, favorecendo o aumento de indivíduos nas colmeias, assim como o número de enxames. No verão as abelhas coletam e armazenam mais alimentos para servir de estoque nos períodos de outono e inverno. Vieira et al., (2019) monitoraram enxames de abelhas africanizadas na região metropolitana de Salvador- BA, e também registraram um alto índice de enxames migratórios no período do verão, o que resultou no aumento populacional das abelhas acarretando na enxameação reprodutiva, e ou pelo aumento das temperaturas médias, o qual traz como consequência o aumento da temperatura dentro das colmeias levando as abelhas abandonarem os ninhos. 16 Nesta quarta edição do Projeto S.O.S. Abelhas Sergipe que teve início com as instalações das primeiras caixas iscas setembro de 2021, com as últimas remoções e capturas em março de 2022. Participaram 16 municípios do Estado e foi resgatado um total de 262 enxames, sendo 197 enxames através de caixas iscas e 65 enxames regatados através de capturas ativas (Tabela 2 e Figura 1). Das 350 caixas iscas instaladas 197 foram povoadas, o que correspondeu a 56,29% de ocupação por abelhas africanizadas. Aracaju foi o município que obteve o maior número de resgates, sendo 68 por caixas iscas e nove por captura ativa, totalizando 77 enxames resgatados. Incluindo a capital do Estado, a Região Metropolitana de Aracaju obteve um total de 137 resgates, correspondente a 52,29% dos resgates desta quarta edição do Projeto SOS Abelhas Sergipe. Nesta região, o município de Nossa Senhora do Socorro obteve 27 resgates, São Cristóvão com 21 e o município de Barra dos Coqueiros com um total de 12 enxames regatados (Tabela 2). Tabela 2 – Quantidade de Caixas Iscas regatadas e capturas ativas de abelhas africanizadas nos municípios participantes do Projeto SOS Abelhas Sergipe no período de setembro de 2021 a março de 2022. Município Caixas iscas Captura ativa Total Aquidabã 01 00 01 Aracaju 68 09 77 Barra dos Coqueiros 12 00 12 Campo do Brito 06 01 07 Divina Pastora 00 06 06 Estância 00 01 01 Itabaiana 01 03 04 Itaporanga 01 00 01 Lagarto 27 36 63 Laranjeiras 18 00 18 Malhador 00 02 02 Nossa Senhora do Socorro 24 03 27 Rosário do Catete 12 00 12 Salgado 06 02 08 São Cristóvão 20 0121 São Francisco 01 01 02 Total 197 65 262 No ano de 2018, início do Projeto SOS Abelhas, o Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (CIOSP) do Estado de Sergipe, registrou 1.686 ocorrências com insetos, o que correspondeu a 23,90% do total de ocorrências geradas em todo o Estado. No ano de 2019 foi um total de 2.271 ocorrências, correspondente a 31,86% do total das ocorrências. Os anos seguintes, 2020 com 2210 ocorrências, 2021 com 1877 e o ano de 2022 com 2005 ocorrências, os percentuais em relação ao número de ocorrência total foi respectivamente 30,53%; 24,70% 17 e 17,12%, apresentando um decréscimo das ocorrências com insetos em relação aos anos anteriores (Tabela 3). Figura 1 - Capturas de enxames de abelhas africanizadas na Região Metropolitana de Aracaju (Aracaju; Barra dos Coqueiros; Nª Senhora do Socorro; São Cristóvão) e demais cidades de outras regiões como, Aquidabã, Campo do Brito, Divina Pastora, Estância, Itabaiana, Itaporanga, Lagarto, Laranjeiras, Malhador, Rosário do Catete e Salgado. O maior índice de atendimento ocorreu na Região Metropolitana de Aracaju que segundo Barboza (2021), possui uma área territorial de 860106 km², que é caracterizada pela presença de manguezais e fragmentos de matas que funciona como locais naturais de nidificação e dispersão de enxames. As épocas de intensa dispersões de enxame provoca uma grande demanda de deslocamento de guarnições do CBMSE para a remoção abelhas, concorrendo com outras ocorrências, como salvamentos em acidentes, incêndios, entre outros. 1 77 12 7 6 14 1 63 18 2 27 12 8 21 2 Aquidabã Aracaju Barra dos Coqueiros Campo do Brito Divina Pastora Estância Itabaiana Itaporanga Lagarto Laranjeiras Malhador Nossa Senhora do Socorro Rosário do Catete Salgado São Cristóvão São Francisco 18 Tabela 3 – Dados de Ocorrência de Controle de Insetos atendido pelo Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe. Ano Total de ocorrência por ano Número ocorrências com insetos Percentual de ocorrência com insetos (%) 2018 7054 1686 23,90 2019 7127 2271 31,86 2020 7235 2210 30,54 2021 7599 1877 24,70 2022 11711 2005 17,12 Segundo Nascimento (2018), o período de enxameação na Região Metropolitana de Aracaju coincide com o período de menor precipitação e maior temperatura ambiente, além do aumento da disponibilidade de alimento (néctar e pólen) no período. Os enxames que já estavam nidificados se fortaleceram, pois com a entrada de alimento na colmeia a rainha responde com aumento da postura, aumentando o número de operárias. Este evento promoveu a multiplicação e a dispersão das colônias, consequentemente maior número de enxames viajantes (enxameação). Na Região Metropolitana de Aracaju o período chuvoso vai de abril a agosto, com concentração nos meses de maio, junho e julho. Devido à escassez de alimento neste período, os apicultores alimentam artificialmente suas colônias com a finalidade de evitar o abandono das colmeias pelas abelhas (NASCIMENTO 2018). Como a Região Metropolitana de Aracaju se destacou em número de resgates, é importante entender os efeitos das condições climáticas, como a temperatura e a pluviosidade. O pico de resgates na região ocorreu entre os meses de dezembro a março do ano seguinte, período em que as temperaturas médias ambiente estavam mais altas e a pluviosidade mais baixa (Figura 2). Nota-se no gráfico (figura 2), o início da queda da pluviosidade de 342,4 mm no mês de julho para 41,8 mm no mês de outubro, período que corresponde ao final do inverno e o primeiro mês da primavera, respectivamente. Observou-se também neste período, o aumento da temperatura média ambiente que era de 23°C em agosto para 26° C no mês de setembro e a diminuição da umidade relativa do ar. Este período é caracterizado pelo início das floradas e aumento gradual do aporte de alimentos, fortalecendo as colmeias para posterior 19 desencadeamento da enxameação reprodutiva, além do início da migração de enxames das regiões de menor aporte de alimento para o litoral e região de transição entre litoral e semiárido de Sergipe. Figura 2- Temperaturas médias, umidade médias e precipitações e mensais da cidade de Aracaju no período de janeiro de 2021 a março de 2022. As temperaturas ambientes médias permaneceram entre 27ºC e 28°C do mês de outubro até o mês de março, fechando o verão. A pluviosidade aumentou para 125,1 mm em novembro, chegando a 131,1 em dezembro e voltando cair em janeiro, chegando ao menor valor do período de verão que foi de 1,3 mm em março. As épocas do ano em que as temperaturas são altas, as abelhas africanizadas ficam mais ativas para o forrageamento e essas condições são favoráveis ao processo de reprodução e dispersão dos enxames (MELLO et al.2003). Situação diferente é encontrada no semiárido do Nordeste brasileiro, que mostra uma correlação negativa entre o pico de enxameação e a temperatura ambiente, ou seja, temperaturas mais baixas, combinada com alta pluviosidade, tem como consequência o desencadeamento do processo de enxameação reprodutiva das abelhas africanizadas. Já as migrações ou abandonos de colmeias naturais ou artificiais são consequências da escassez de floradas, que são reflexos das altas temperaturas e baixíssima pluviosidade, o 27 27 27 27 25 24 23 23 26 27 28 27 28 28 28 15.9 10 63.2 181.1 220.8 133.3 342.4 133.5 74.1 41.8 125.1 131.1 16.4 2.2 1.3 81 80 80 86 89 88 91 87 74 73 75 94 91 87 91 0 50 100 150 200 250 300 350 400 TEMPERATURA MÉDIA (C°) PLUVIOSIDADE (mm) UMIDADE (%) 20 mesmo acontecendo nos períodos de muitas chuvas e épocas prolongadas de baixas temperaturas. 21 4. CONCLUSÃO Diante os dados apresentados, é evidente a tendência dos enxames em buscar locais construídos ou adaptados pelo ser humano para sua nidificação. A instalação estratégica de caixas-iscas para captura de enxames surge como uma alternativa eficaz na redução dos riscos de acidentes envolvendo esses insetos. Portanto, a adoção preventiva dessa prática, posicionando-as em locais estratégicos e potencialmente suscetíveis a acidentes, se revela como uma medida crucial. Esta quarta edição do projeto "S.O.S. Abelhas Sergipe" realizado entre setembro de 2021 a março de 2022, resultou no resgate de 262 enxames, sendo 197 via caixas iscas e 65 por capturas ativas. 22 5. REFERÊNCIAS ARRUDA, V. M., ALVES JR, V. V., MORAES, M., CHAUD NETTO, J. & SUÁREZ, Y. R. Análise morfológica da glândula de veneno de Apis mellifera L. (Hymenoptera: Apidae) em populações de Mato Grosso do Sul. Neotropical Entomology, 36(2):203-209, 2007. COSTA, A. G.; SOUSA, I. F.; SANTOS, L. M. V.; COSTA, O. A. 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ANEXO D – Captura de Caixas iscas na Embrapa Tabuleiros Costeiros Aracaju Sergipe, com o auxílio do Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe. 413b6139c1a796c13ebd92cc689b0c289dd8da167a81dc80d8cebe6ea2927b06.pdf fa02d4ef330939035b243ca78f6045a804c699c0ad14d531a8f9aa81d079efef.pdf Microsoft Word - FICHA CATALOGRAFICA 3aac2b8dacc6b2a1831e2d5376646eb126a40030e3a41a54e9227c5212877a08.pdf 413b6139c1a796c13ebd92cc689b0c289dd8da167a81dc80d8cebe6ea2927b06.pdf