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Fundamentos do ar-condicionado História, desenvolvimento, definições e aplicações do ar-condicionado e da refrigeração industrial, o que é psicrometria e como usar a carta psicrométrica. Prof. Fábio Tofoli 1. Itens iniciais Propósito A psicrometria é o estudo do ar atmosférico e seu conhecimento é fundamental para entendermos as propriedades do ar e quais processos podem ser efetuados. O estudo dos fundamentos do ar-condicionado e da refrigeração é importante para que o engenheiro tenha condições para a elaboração de projetos de climatização e refrigeração mais eficientes. Objetivos Empregar os conceitos e as equações de termodinâmica no estudo de refrigeração e ar-condicionado. Recordar a história e o desenvolvimento do ar-condicionado. Reconhecer as definições e aplicações do ar-condicionado e da refrigeração industrial. Aplicar os conceitos de psicrometria em cartas psicrométricas de forma gráfica e por software. Introdução Olá! Antes de iniciarmos, assista ao vídeo e compreenda os aspectos mais importantes no estudo da refrigeração e climatização. Veremos os conceitos da termodinâmica, a história da refrigeração, as propriedades do ar atmosférico e muito mais! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. • • • • 1. Termodinâmica aplicada à refrigeração Conceitos de termodinâmica aplicados ao estudo da refrigeração industrial e ar-condicionado Assista ao vídeo e conheça os principais conceitos de termodinâmica que serão abordados neste módulo, no contexto da refrigeração industrial e ar-condicionado. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Propriedades termodinâmicas Confira no vídeo exemplos práticos de propriedades termodinâmicas e estado termodinâmico. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Propriedades termodinâmicas e estado termodinâmico Uma propriedade termodinâmica é uma característica ou atributo do sistema termodinâmico ou da substância que observamos. Essa característica é avaliada quantitativamente e depende do estado termodinâmico, definido como o conjunto de propriedades que descrevem as condições de um sistema. Para entendermos o estado de uma substância, devemos conhecer ao menos duas propriedades dessa substância. Exemplo Sabemos que a água a uma pressão de 1 atm e 20°C está no estado líquido (líquido comprimido). Entretanto, se elevarmos a temperatura para 120°C e mantivermos a mesma pressão, a água estará no estado de vapor (vapor superaquecido). As propriedades mais relevantes para nosso estudo são: pressão, temperatura, massa específica, volume específico, calor específico, energia interna e entalpia. Vamos conhecê-las! Pressão É definida como sendo uma força normal atuando em uma unidade de área. A imagem a seguir apresenta uma decomposição da força F em força normal e força tangencial , atuando sobre uma superfície de área . Relação entre pressão e força. No Sistema Internacional (SI), a força é dada em Newton (N), a área em metros quadrados (m2), portanto, a pressão é medida em N/m2 ou, mais comum em Pascal (Pa), sendo que 1 Pa = 1 N/m2. Quando medimos a pressão de determinado ponto, essa medição é feita em relação a uma referência que, normalmente, é a pressão atmosférica do local. Chamamos essa aferição de pressão manométrica e a maioria dos dispositivos de medição funcionam dessa forma, ou seja, tem sua calibração (seu zero) a partir da pressão atmosférica. Entretanto, se o nosso interesse é na medição da pressão a partir do zero absoluto (a pressão atmosférica é medida a partir do zero absoluto), verificamos a pressão absoluta do local. Deduzimos, então, que: A pressão manométrica de um fluido em repouso pode ser determinada pela lei de Stevin como: Em que: massa específica [kg/m3] aceleração da gravidade [m/s2] peso específico do fluido [N/m3] altura da coluna de fluido [m] Conheça algumas conversões importantes: 1 atm = 760 mmHg = 101,325 kPa = 1,01325 bar = 760 Torr = 14,696 lbf/in2 (psi) • • • • Escala de pressão e seus dispositivos de medição. Veja alguns desses instrumentos de medição: Exemplos de manômetros. Barômetro de Torricelli. Temperatura É uma grandeza física que indica o grau de agitação das moléculas que compõe a substância, ou seja, quanto maior o grau de agitação, maior será a temperatura do corpo. No sistema internacional, a unidade absoluta de medição da temperatura é o Kelvin (K) enquanto a escala efetiva, que tem como referência de escala a água no seu ponto triplo e no seu ponto de vaporização, é medida em graus Celsius (°C). No sistema inglês, a unidade de temperatura absoluta é o grau Rankine (°R) e a escala efetiva é o Fahrenheit (°F). A relação entre as escalas de temperatura é a seguinte: Veja agora uma comparação entre as escalas: Comparação entre escalas de temperatura. Massa específica e volume específico A massa específica é definida como a relação da massa de determinada substância por seu volume unitário. No sistema internacional (SI), a massa é dada em kg, o volume em m3, portanto, a massa específica em kg/m3. Comentário Neste conteúdo, utilizaremos o símbolo para volume para podermos diferenciá-lo de velocidade (v). O volume específico é definido como a relação do volume da substância por unidade de massa da mesma substância. Assim, verificamos que o volume específico é o inverso da massa específica. Sua unidade no SI é m3/kg. Exemplos práticos Exemplo 1 Um ambiente se encontra na temperatura de 20°C. Qual será a leitura dessa temperatura nas escalas Kelvin, Fahrenheit e Rankine? Solução: vimos as equações de conversão e vamos aplicá-las para obter os novos valores. De graus Celsius para Kelvin: De graus Celsius para Fahrenheit: De graus Fahrenheit para Rankine: Exemplo 2 Um manômetro instalado em determinado ponto de uma tubulação por onde escoa água indica a pressão de 50 kPa. Essa tubulação está instalada em um local onde a pressão atmosférica é de 92 kPa, determine a pressão absoluta nesse ponto. Solução: o manômetro indica a pressão manométrica do local e a pressão absoluta é a soma dessa pressão e da pressão atmosférica do local. Substância pura Fases e propriedades de uma substância pura e diagramas de fase Conheça no vídeo as fases e as propriedades de uma substância pura e o que são diagramas de fase. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Uma substância pura é aquela que mantém suas características (composição química) inalteradas após uma mudança de fase e, durante a mudança, mantém a temperatura constante, desde que submetida a mesma pressão durante o processo. A água é um bom exemplo de substância pura: Se a água estiver como um bloco de gelo, no estado líquido ou como vapor-d'água, a sua composição química continuará sendo . Além disso, sabemos que se colocarmos água para ferver em uma panela ao nível do mar, onde a pressão atmosférica é de 101,3 KPa, essa água ferverá a 100°C e durante a etapa de fervura a temperatura continuará inalterada até que toda a água no líquido passe para o estado de vapor. Em uma substância pura, para cada pressão existe uma temperatura na qual a substância muda de fase e vice-versa. Quando estamos verificando qual a temperatura de mudança de fase para determinada pressão, ela é chamada de temperatura de saturação e quando estamos verificando qual a pressão necessária para a mudança de fase para determinada temperatura, esta é chamada de pressão de saturação. Temperatura Pressão de saturação -10 0,26 -5 0,4 0 0,61 5 0,87 10 1,23 15 1,71 20 2,34 25 3,17 30 4,25 40 7,39 Temperatura Pressão de saturação 50 12,35 100 101,4 150 476,2 200 1.555 250 3.976 300 8.588 Tabela: Pressão de saturação da água em função da temperatura. Çengel; Boles, 2013, p. 116. Fases de uma substância pura Imagine um reservatório com água para ser aquecida. Sobre essa água vamos colocar um pistão sem atrito com as paredes do reservatório, de modo a manter a pressão constanteem 1 atm (101,3 kPa) durante o aquecimento. Fases da substância. Vamos conhecer as fases da substância: Líquido comprimido A água encontra-se a 20°C e não há nenhum início de vaporização (estado 1). Líquido saturado A água continua a ser aquecida até chegar à temperatura de 100°C (estado 2). Nesse ponto, a água começa a vaporizar, entretanto, essa vaporização só será iniciada se o calor continuar a ser adicionado à substância pois, caso contrário, não haverá vaporização. Misturada saturada Durante a vaporização, haverá duas fases convivendo dentro do reservatório, a de líquido saturado e a de vapor saturado (estado 3). A porcentagem de massa de vapor presente na mistura é conhecida como título (x). Vapor saturado Continuando a adicionar calor ao sistema, a quantidade de vapor aumentará enquanto a quantidade de líquido diminuirá até chegar a uma situação na qual não haverá nenhuma porcentagem de líquido e a temperatura continuará a mesma (estado 4). Vapor superaquecido Se a fonte de calor for interrompida, haverá condensação, ou seja, uma mistura de líquido e vapor. Mas se continuarmos adicionado calor, o vapor existente será aquecido, saindo do ponto de saturação (estado 5). Diagramas de fase A análise realizada para uma pressão pode ser feita para diversas pressões, veja: Diagrama temperatura x volume específico para diversas pressões da água. A imagem indica uma posição conhecida como ponto crítico. Nesse ponto, não há mais a região de mistura saturada e a substância sai diretamente da condição de líquido para vapor. A pressão é conhecida como pressão crítica e a temperatura como temperatura crítica e acima desse ponto temos pressões supercríticas. Esses diagramas nos fornecem todas as propriedades da substância para determinada posição e podem ser fornecidos de várias formas. 01 D 447 01 D 46 3Gráfico: Diagrama de fase − . 01 D 443 01 D 46 3Gráfico: Diagrama de fase − . Em refrigeração, costumamos usar o diagrama pressão por entalpia para demonstrar as propriedades dos fluidos utilizados. Gráfico: Diagrama \(P-(h\) para o fluido refrigerante HFC-134a. Note que nas imagens dos diagramas de fase e , todas as propriedades do fluido são colocadas no diagrama. Assim, sabendo duas propriedades como a pressão e a temperatura, você é capaz de encontrar as demais propriedades para esse ponto. Propriedades da substância pura As propriedades de interesse da substância pura e que são apresentadas nos diagramas são: pressão, temperatura, volume específico, energia interna, entalpia e entropia. Todas as propriedades são informadas por unidade de massa, portanto, são todas específicas. Outra forma de encontrar essas propriedades é pelas tabelas termodinâmicas existentes nos livros de termodinâmica. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Tabela: Propriedades do refrigerante HFC-134a.Çengel; Boles, 2013, p. 926, Tabela A-11. Hoje em dia, é possível conseguir esses dados por meio de softwares como o CoolPack ou o CATT ou por aplicativos para smartphones, o que facilita bastante essa atividade. Interface do programa CATT. Trabalho e calor Trabalho, calor e exemplos práticos Confira no vídeo exemplos práticos de trabalho e calor. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Trabalho É a energia resultante da interação entre o sistema e a vizinhança. A letra W é usada para sua designação e o Joule (J) é sua unidade no sistema SI (assim como toda forma de energia no SI). Em mecânica, é o produto da força pela distância. No entanto, a equação apresentada não é capaz de nos ajudar a determinar o trabalho realizado por um fluido ou sob um fluido. Para esse caso, vamos analisar esta imagem: Trabalho efetuado pelo movimento de fronteira de um fluido. Nessa imagem, podemos observar que ao adicionarmos calor na superfície inferior do reservatório, o fluido dentro do reservatório expande, de modo a elevar o êmbolo em uma altura dL. Como vimos: Contudo, podemos observar que essa força aplicada pelo êmbolo pode ser obtida pelo produto da pressão que o êmbolo exerce sobre o fluido por sua área. Assim, podemos reescrever a equação como: Sendo o produto da área pela distância igual ao volume, o trabalho exercido por um fluido no movimento de fronteira é igual a: Desde que a pressão seja constante. Calor É a transferência de energia devida única e exclusivamente à diferença de temperatura. Ou seja, o calor será transferido sempre do corpo de maior temperatura para o de menor temperatura. Essa transferência de calor poderá ocorrer por um dos mecanismos existentes, que são a condução, convecção e a radiação térmica. Vamos entendê-los. Condução Ao colocarmos a extremidade de uma barra de metal em contato com o fogo, após algum tempo percebemos que a temperatura da barra na outra extremidade também se eleva mesmo esse lado não tendo contato com o fogo. Isso acontece por causa da maior agitação das moléculas na extremidade mais quente que, pelo atrito, elevará a temperatura das moléculas adjacentes até a outra extremidade. A equação que descreve esse fenômeno é a lei de Fourier. Em que: é a condutividade térmica . é a área da parede pelo qual o calor flui (m2). é a diferença de temperatura pela parede (K). é a espessura da parede (m). Convecção É a transferência de calor que você sente quando está em um automóvel em movimento e coloca a mão para fora. Essa transferência ocorre por causa da diferença de temperatura de um corpo e um fluido em movimento, estando os dois em contato. A equação que descreve esse fenômeno é a lei do resfriamento de Newton. • • • • é o coeficiente de transferência de calor convectivo . é a temperatura da superfície. é a temperatura do fluido em escoamento (K). Radiação É a transferência de calor que sentimos ao ficarmos próximos de uma fogueira, por exemplo. Isso acontece por causa da radiação eletromagnética, e qualquer corpo com temperatura acima do zero absoluto tem a capacidade de emiti-la. Uma diferença importante entre a radiação e os outros modos de transferência de calor é que na radiação não há a necessidade de um meio para sua propagação, aliás, no vácuo ela tem melhores resultados. A lei que descreve esse fenômeno é a lei de Stefan-Boltzmann. Em que: é a emissividade. é a constante de Stefan–Boltzmann . é a temperatura da superfície. é a temperatura das vizinhanças obrigatoriamente na escala absoluta (K). Exemplo prático Um quilograma de água a 20°C está contida em um cilindro com 150 mm de diâmetro no estado 1. Energia é adicionada até que a temperatura chegue a 180°C no vapor no estado 2. Se o pistão, sem atrito, tem uma massa de 200 kg, encontre o trabalho feito pelo vapor no pistão. Trabalho efetuado pelo movimento de fronteira de um fluido. Solução: primeiro, precisamos encontrar qual a pressão realizada pelo êmbolo sobre o fluido. A aceleração da gravidade é de 9,8 m/s2: • • • • • • • O próximo passo é encontrar o volume específico para a condição inicial e final, nas tabelas termodinâmicas. Na condição inicial, a pressão é de 110,92 kPa e a temperatura é de 20°C, o que indica que a água está na condição de líquido comprimido e seu volume específico de 0,00100 m3/kg. Na condição final, a pressão permanece a mesma, porém, a temperatura foi para 180°C. Verificando novamente nas tabelas termodinâmicas, concluímos que agora o que temos é vapor superaquecido com volume específico de 1,87255 m3/kg. Portanto: Calor específico, energia interna e entalpia Energia interna, entalpia, calor específico e exemplos práticos Confira no vídeo os conceitos de energia interna de substâncias específicas. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Energia interna (U) É definida como a soma de todas as energias acumuladas pela substância por causa de seus movimentos e suas forças de interação moleculares. Essa energia está intrinsecamente ligada à temperatura da substância, uma vez queo grau de agitação das moléculas define a temperatura da substância. Assim, uma substância com grau de agitação nulo entre suas moléculas estará na temperatura zero absoluto e terá energia interna igual a zero. A sua unidade no SI é o Joule (J) ou quilojoule (kJ). Entretanto, normalmente utilizamos a energia interna específica (u) que é a energia interna por unidade de massa (kJ/kg). Entalpia (H) É a energia interna da substância mais o trabalho realizado para o escoamento do fluido. Da mesma forma que a energia interna ou qualquer outra forma de energia, no SI sua unidade será o Joule (J), com seus prefixos, e poderá ser apresentada por unidade de massa (kJ/kg) como sendo a entalpia específica (h). Calor específico É definido como a quantidade de energia necessária para elevar em uma unidade de temperatura, uma massa unitária de determinada substância. No SI, sua unidade é dada em kJ/kg·K. Em que: No sistema SI, é o calor dado em Joule (J) ou quilojoule (kJ) é a massa da substância Essa quantidade de energia pode ser adicionada à substância por dois processos distintos: A pressão constante Calor específico a pressão constante - A volume constante Calor específico a volume constante - Vejamos uma imagem que apresenta esses processos: Calores específicos a volume e a pressão constantes \(C_v\) e \(C_p\) para o gás hélio. • • Sendo um processo de aquecimento de um gás com massa m e variação de temperatura ∆T realizado a pressão constante (isobárico), o calor adicionado é dado por: Essa adição de calor é igual a uma variação de entalpia. Para o mesmo gás com as mesmas condições, porém, em um processo de aquecimento a volume constante (isocórico), o calor adicionado é dado por: Essa adição de calor é igual a uma variação de energia interna. Exemplos práticos Exemplo 1 Um quilograma de ar a 20°C é aquecido até a temperatura de 100°C. Sabendo que e, , determine a quantidade de calor necessário para esse aquecimento se o processo for isobárico e se o processo for isocórico. Solução: aplicando as equações estudadas, para cada caso, temos que: Para processo isobárico Para processo isocórico Note que não foi necessário realizar a conversão de grau Celsius para Kelvin, pois a diferença de temperatura nas duas unidades é a mesma. Exemplo 2 Sendo a energia interna e o volume específico da água a 20°C na condição de líquido saturado iguais a 83,94 kJ/kg e 0,001002 m3/kg e sabendo que a pressão de saturação é de 2,339 kPa, determine a entalpia específica. Solução: como vimos, a entalpia é definida como: Portanto, temos que: Primeira e segunda leis da termodinâmica Confira no vídeo as duas primeiras leis da termodinâmica e sua importância no estudo da refrigeração e climatização. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Primeira lei da termodinâmica É também conhecida como lei de conservação de energia ou equação da energia. Essa lei permite entendermos quais as formas de energia envolvidas em um processo e fazermos a “contabilidade” das energias envolvidas, ou seja, fazermos um balanço de energia do sistema. Em termos gerais: Ou de forma mais termodinâmica: Essa lei pode ser aplicada a um sistema fechado ou a um volume de controle. Um sistema fechado ou simplesmente sistema, tem massa fixa e definida não podendo haver fluxo de massa através da sua fronteira, porém, pode variar seu volume ou qualquer outra propriedade devido às interações com o meio. Exemplo de sistema: gás dentro de um conjunto cilindro-pistão. Apesar da sua importância para outros sistemas termodinâmicos, vamos destacar a primeira lei da termodinâmica aplicada ao volume de controle. Em um volume de controle há um fluxo de massa constante atravessando a superfície de controle. Exemplo de volume de controle: motor de automóvel. Na imagem, nosso interesse está no motor de combustão interna, portanto, a fronteira é entre ele e o meio (superfície de controle). Com isso, podemos observar que durante o funcionamento do motor, há uma constante entrada de ar e combustível e saída de gases de exaustão. Esse tipo de abordagem é o mesmo para todos os equipamentos de refrigeração e ar-condicionado, pois o ar-condicionado, durante seu funcionamento, está constantemente tratando o ar do ambiente. A primeira lei da termodinâmica para um volume de controle pode ser escrita como: Em termos matemáticos: Como em nossos estudos, o regime será considerado permanente (sem influência do tempo): Reagrupando: Em que, é a vazão mássica (no SI em kg/s) dada por: Com massa específica e = área de seção transversal. Segunda lei da termodinâmica Essa lei trata da direção dos processos e nos permite determinar qual o máximo desempenho térmico dos ciclos termodinâmicos para as mais variadas aplicações. Esses processos podem ser reversíveis ou irreversíveis. Um exemplo de processo reversível é o de compressão de um gás a uma velocidade muito baixa de modo a não gerar perturbações no gás que possam elevar sua temperatura e, com isso, trocar calor com o meio. Chamamos esse exemplo de processo quase-estático. Enunciados da segunda lei da termodinâmica Enunciado de Kelvin–Planck (máquinas térmicas) “É impossível construir um dispositivo que opere num ciclo termodinâmico e eu não produza outros efeitos além do levantamento de um peso e a troca de calor com um único reservatório térmico”. Enunciado de Kelvin-Planck. Enunciado de Clausius (refrigeradores) “É impossível construir um dispositivo que opere, segundo um ciclo, e que não produza outros efeitos, além da transferência de calor entre um corpo frio para um corpo quente”. Processos irreversíveis Estão ligados aos processos reais que ocorrem na natureza e às perdas por causa do atrito, da troca de calor com o meio, entre outros, ou seja, são as irreversibilidades do sistema. Processos reversíveis São aqueles que quando executados podem ser revertidos à sua condição inicial, sem perdas para o meio. É uma idealização para facilitar as análises dos ciclos termodinâmicos ideais. Enunciado de Clausius. O primeiro enunciado tem interesse nas máquinas térmicas e para nosso estudo não entraremos em mais detalhes. O enunciado de Clausius afirma que é impossível transferir calor de uma fonte fria para uma fonte quente naturalmente sem a adição de trabalho e isso implica que deveremos gastar energia para podermos realizar processos de resfriamento e climatização. Exigência de adição de trabalho para fluir calor da região de baixa temperatura para a de alta temperatura. O desempenho de um ciclo de refrigeração é dado pela razão entre a saída de calor da fonte fria e o trabalho necessário para o seu funcionamento. Em que, COPR é o coeficiente de desempenho ou de performance do ciclo de refrigeração, ou seja, quanto menor o custo com trabalho para o funcionamento do ciclo, maior o seu desempenho. Temos ainda que: Substituindo na equação anterior: Se o interesse é no ciclo reverso de refrigeração, chamamos este de bomba de calor e seu desempenho é calculado como: Ou, da mesma forma que para o ciclo de refrigeração: Adiante aprofundaremos o assunto sobre os componentes pertencentes ao ciclo de refrigeração e à aplicação das equações anteriores. Verificando o aprendizado Questão 1 Um refrigerador consome 7 kW de potência pelo compressor enquanto sua potência térmica de resfriamento é de 20 kW e o calor transferido para o ambiente é de 27 kW. Para essas condições, o coeficiente de performance deste refrigerador é de A 0,35. B 0,25. C 2,86. D 3,85. E 0,74. A alternativa C está correta. O coeficiente de performance para o refrigerador (COPR) é definido como a remoção de calor na região de baixa temperatura pelo trabalho necessário para o funcionamento do ciclo. Assim: Questão 2 Dois quilogramas de água estão em um reservatório a uma temperatura de 300°C e pressão de 125 kPa. Assim, é possível afirmar que a água está na condição de (consulte uma tabela termodinâmica ou software para resolveresta questão) A líquido comprimido. B líquido saturado. C região de mistura saturada. D vapor saturado. E vapor superaquecido. A alternativa E está correta. Consultando uma tabela termodinâmica, de qualquer livro de termodinâmica, é possível verificar que a temperatura de saturação para a pressão dada é de 120,23°C. Dessa forma, a temperatura em que se encontra a água dentro do reservatório é maior que a temperatura de saturação, o que indica que todo o líquido foi vaporizado e aquecido, portanto, na condição de vapor superaquecido. 2. História e desenvolvimento do ar-condicionado A história do condicionamento de ar e como o ocorreu seu desenvolvimento Assista ao vídeo e recorde os marcos históricos que proporcionaram o desenvolvimento da refrigeração e do ar-condicionado, desde o século XVII até os dias de hoje. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Histórico da refrigeração Confira no vídeo um breve histórico da refrigeração e os aspectos mais importantes da evolução dessa tecnologia. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A refrigeração como conhecemos hoje em dia só foi possível por causa dos estudos iniciais de Francis Bacon, em 1626. Ele fez pesquisas com galinhas recém-abatidas e enterradas na neve e descobriu que o frio era um aliado na conservação dos alimentos. Mais tarde isso seria mais bem estudado e atualmente sabemos que microrganismos presentes nos alimentos têm sua agitação desacelerada no frio, o que aumenta o tempo de conservação. Esse conhecimento fez com que fossem desenvolvidos grandes armazéns de gelo, retirados das geleiras, para a conservação de alimentos. Era um processo muito complexo e pouco eficiente. Em 1775, William Cullen conseguiu produzir pela primeira vez gelo de forma artificial, utilizando uma bomba de vácuo para retirar o vapor de éter presente em um recipiente. Assim, ao diminuir a pressão do reservatório, diminuía a temperatura do éter e, pela transferência de calor entre a superfície do reservatório e a água formava-se uma camada de gelo. Experimento de Willian Cullen para produção de gelo artificial. O primeiro equipamento patenteado para a produção de gelo foi desenvolvido em 1834, por Jacob Perkins. O refrigerador doméstico como conhecemos nos dias de hoje só apareceu no início da década de 1920. Ele tinha um peso líquido de 170 kg e foi vendido por 468 dólares, segundo a American Society of Heating, Refrigeration and Air Conditioning (ASHRAE, 2012). Naquela época, Thomas Midgley, pesquisador da Frigidaire (fabricante dos primeiros refrigeradores), desenvolveu vários refrigerantes sintéticos, chamados clorofluorcarbonos ou CFCs, e a mais conhecida dessas substâncias foi patenteada sob a marca Freon. Somente a partir do início do século XX, a climatização se tornou possível nos moldes de hoje. Em 1987, o Protocolo de Montreal proibiu o uso e desenvolvimento dos CFCs, pois foi comprovado que eles afetam a camada de ozônio, contribuindo para o aquecimento global. Os fluidos refrigerantes conhecidos como HCFC (hidroclorofluorcarbono), criados no início da década de 1980, são utilizados no lugar dos CFCs por terem menor poder de destruição da camada de ozônio e baixo poder de aquecimento global. Com o Protocolo de Kyoto, esse fluido refrigerante tem uso restrito até 2030. Outro fluido refrigerante criado para substituir os CFCs foram os HFC (hidrofluorcarbono), porém, estudos comprovaram que esse fluido afeta também o aquecimento global e pelo Protocolo de Kyoto ficou definido que seu uso deve ser controlado. Para substituir os HFCs foram criados novos fluidos refrigerantes chamados de HFO (hidrofluorlefina) que não agridem a camada de ozônio e não influenciam o aquecimento global. História do ar-condicionado Assista ao vídeo e faça uma visita ao passado, para entender como surgiu o ar-condicionado e quem foram os principais personagens dessa história. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Em 1902, o então jovem engenheiro Willis Carrier foi chamado para resolver um problema de umidade que borrava os papéis e fazia com que houvesse muitas perdas em uma indústria gráfica em Nova York. Surgia, naquele momento, o primeiro equipamento de ar-condicionado. Primeiro equipamento de ar-condicionado. Em 1909, foi instalado no Brasil o primeiro sistema de ar-condicionado, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 1911, Carrier desenvolveu a fórmula psicrométrica racional, trabalho que trouxe a base de cálculos para projetos de ar-condicionado. Curiosidade A primeira aplicação residencial do ar-condicionado foi em uma mansão de Mineápolis, em 1914. Em 1931, foi criado o ar-condicionado de janela pelos inventores H. H. Schultz e J. Q. Sherman. Entretanto, o produto era muito caro e as vendas não foram boas. Em 1947, o engenheiro Henry Galson desenvolveu um ar-condicionado compacto de baixo custo. Naquele ano, 43 mil unidades desse equipamento foram vendidas nos Estados Unidos. Em 1961, foi instalado o maior sistema de ar-condicionado no Brasil, com 2.400 TRs com unidades resfriadoras de água gelada, equipadas com compressores centrífugos. Em 1982, a Daikin desenvolveu a vazão de refrigerante variável (VRV), sendo o primeiro sistema de ar- condicionado multisplit do mundo para edifícios comerciais (DAIKIN). Em 1981, a Toshiba lançou um equipamento de ar-condicionado residencial, utilizando a tecnologia inverter. Essa tecnologia, atualmente presente em quase todos novos aparelhos, reduz o consumo de energia devido ao uso mais racional do compressor, evitando picos de energia por carga de partida do compressor. Nesse sistema, o compressor não desliga quando atinge a temperatura desejada, mas sim, permanece em carga parcial, o que reduz o consumo. Comparativo entre tecnologia inverter e convencional. Tendências no uso do ar-condicionado Atualmente, o grande desafio dos fabricantes de ar-condicionado está relacionado com equipamentos mais eficazes, utilizando fluidos refrigerantes que não agridam a camada de ozônio. O conceito de eficiência energética e suas estratégias para obter o melhor valor é o que move os grandes avanços do setor. O condicionamento de ar é imprescindível para o conforto térmico em edifícios comerciais e o uso de sistemas de ar-condicionado mais eficientes é fundamental para que essas imóveis consigam suas certificações de eficiência energética, tais como a certificação PBE-Edifica. Essa certificação é um programa de etiquetagem do Inmetro por meio do Procel, que classifica as edificações de A (mais eficiente) até E (menos eficiente). Verificando o aprendizado Questão 1 A refrigeração na conservação de alimentos tem um papel fundamental para o nosso estilo de vida, atualmente. Após os estudos realizados por Francis Bacon, conhecemos melhor o mecanismo de degradação dos alimentos e sabemos que o frio age nos alimentos da seguinte forma: A A refrigeração acelera a agitação dos microrganismos presentes nos alimentos, retardando o processo de apodrecimento. B A refrigeração elimina os microrganismos presentes nos alimentos, tornando-os mais resistentes ao tempo. C A refrigeração forma uma camada de proteção, evitando que microrganismos ataquem o alimento e o tornem impróprio para consumo. D A refrigeração retarda o processo de apodrecimento causado pelas enzimas presentes nos alimentos. E A refrigeração aumenta a resistência dos alimentos a vírus e bactérias. A alternativa D está correta. A refrigeração não é capaz de eliminar os microrganismos presentes nos alimentos, entretanto, ela é capaz de diminuir a agitação das enzimas e dos microrganismos, o que faz com que o tempo de armazenamento aumente. Questão 2 Desde a descoberta dos danos causados pelos fluidos refrigerantes na camada de ozônio houve grandes esforços para a elaboração de fluidos que mantivessem a capacidade de refrigeração dos equipamentos tanto de refrigeração quanto de ar-condicionado. Atualmente, há uma família de fluidos refrigerantesque não contém cloro em sua composição, diminuindo os riscos de aquecimento global. Esse fluido é o A CFC. B HFO. C HCFC. D HCFO. E HCF. A alternativa B está correta. O fluido refrigerante HFO (hidrofluorlefina) é um fluido livre de cloro em sua composição, sendo um fluido livre de efeitos para o aquecimento global. 3. O ar-condicionado e a refrigeração industrial Definições e aplicações do ar-condicionado e da refrigeração industrial Assista ao vídeo e conheça as definições estabelecidas pela ABNT para instalações de ar-condicionado e refrigeração industrial. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Definições Condicionamento de ar, sistemas de ar-condicionado e unidade de tratamento de ar Confira no vídeo como funciona o ar-condicionado, quais são os sistemas existentes e para que serve a unidade de tratamento de ar. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. É importante você conhecer os termos e as definições estabelecidas pela ABNT NBR 16401-1: 2008, em seu item 3, para as instalações de ar-condicionado. Vamos lá! Condicionamento de ar (sistema de ar-condicionado) “Processo que objetiva controlar simultaneamente a temperatura, a umidade, a movimentação, a renovação e a qualidade de ar de um ambiente. Em certas aplicações controla também o nível de pressão interna do ambiente em relação aos ambientes vizinhos” (ABNT, 2008). Por essa definição, observamos que um projeto de ar-condicionado deve levar em consideração outros aspectos além de somente resfriar ou aquecer um ambiente. Esses aspectos devem ser observados com muito cuidado durante um projeto de climatização, a fim de evitar problemas de saúde aos ocupantes de um ambiente ou evitar problemas com equipamentos eletrônicos. Sistema de ar-condicionado com central de água gelada “Sistema central em que uma ou mais unidades de tratamento de ar, cada uma operada e controlada independentemente das demais, são supridas com água gelada (ou outro fluido térmico) produzidas numa central frigorífera constituída por um ou mais grupos resfriadores de água e distribuída por bombas, em circuito fechado” (ABNT, 2008). Nesse sistema, dependendo das características do resfriador de água, podemos ou não ter uma torre de resfriamento. Os resfriadores de líquido são conhecidos como chiller e existem dois tipos de equipamentos. Confira! Chiller com condensação a água É aquele que necessita de uma torre de resfriamento, ou seja, o fluido refrigerante é condensado por meio da troca de calor com água fria. Sistema central de água gelada com torre de resfriamento: chiller com condensação a água. Chiller com condensação a ar É o que não possui uma torre de resfriamento, ou seja, o fluido refrigerante é condensado por meio da troca de calor com o ar. Sistema central de água gelada sem torre de resfriamento: chiller com condensação a ar. Sistema de ar-condicionado com central multisplit VRV (vazão de refrigerante variável) “Sistema central em que um conjunto de unidades de tratamento de ar de expansão direta, geralmente instaladas dentro do ambiente a que servem – designadas unidades internas –, cada uma operada e controlada independente das demais é suprido em fluido refrigerante líquido em vazão variável por uma unidade condensadora central instalada externamente – designada unidade externa” (ABNT, 2008). Esse sistema é o que atualmente tem tido a maior utilização em novos projetos de média carga por causa da sua boa relação custo-benefício. Nele, é possível atender as demandas de maior ou menor resfriamento ou aquecimento de ambientes individualmente, ao variar a vazão do fluido refrigerante. Aqui cabe apresentar dois termos importantes: Sistema de ar-condicionado unitário “Sistema constituído por um ou mais condicionadores autônomos de qualquer tipo e capacidade, servindo a um recinto isolado ou a um grupo de recintos, constituindo uma fração autônoma da edificação” (ABNT, 2008). Exemplo de sistema unitário: Esplitão. Unidade de tratamento de ar “Unidade montada em fábrica, em gabinete ou composta no local em arcabouço de alvenaria, comportando todos ou parte dos elementos necessários à realização do processo de condicionamento do ar, ou seja, ventiladores, filtros de ar, serpentinas de resfriamento e desumidificação de expansão direta ou de água gelada, e dispositivos de aquecimento e umidificação que podem ser supridos por fonte de calor proveniente de uma central calorífera ou gerada localmente” (ABNT, 2008). São conhecidos no mercado como unidade de tratamento de ar (UTA) e podem ser fornecidos em diversos tamanhos, dependendo da aplicação. Expansão direta Quando o resfriamento do ar é realizado diretamente através do contato do ar com a serpentina na qual está circulando um fluido refrigerante. Exemplo: Ar-condicionado de janela. Expansão indireta Quando o resfriamento do ar é realizado por um sistema secundário no qual passa pela serpentina normalmente água gelada que é resfriado pelo um fluido refrigerante do chiller. Exemplo: Sistema com central de água gelada. Esquema de uma unidade de tratamento de ar. Aplicações do ar-condicionado Confira no vídeo os diferentes tipos de ar-condicionado: residencial, veicular, para datacenter, para sala limpa e para edifícios comerciais. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Desde sua criação até os dias atuais, o ar-condicionado vem ganhando muitas aplicações no mercado. No início, esse tipo de equipamento tinha sua utilização quase exclusivamente para aplicações industriais e de grandes espaços, mas com o desenvolvimento de componentes menores e mais eficientes, foi possível atender a aplicações residenciais e outras de menor porte. Hoje em dia, é um equipamento muito importante para o bem-estar das pessoas em ambientes tropicais como o nosso. Confira algumas aplicações com suas características básicas. Ar-condicionado residencial Essa é a aplicação que mais cresceu desde a criação do primeiro equipamento por Willis Carrier e em algumas regiões do Brasil é quase item obrigatório em residências. São equipamentos de baixa capacidade, que podem ser instalados na parede ou em uma abertura parede. Existem ainda os equipamentos portáteis de climatização. Além da baixa capacidade térmica, outra característica é o fato de não haver um controle efetivo da distribuição e da temperatura do ar, ficando esta escolha a critério do usuário. Ar-condicionado veicular Você é capaz de se imaginar dentro de um veículo parado no trânsito de uma grande cidade em um dia de verão sem ar-condicionado? A aplicação de condicionado veicular é atualmente item obrigatório nos veículos. Além de trazer conforto térmico para os ocupantes do veículo, é também um elemento que melhora o rendimento do motorista e hoje em dia está presente em todos os caminhões e em quase a totalidade dos tratores colheitadeiras. As características de controle e distribuição do ar são similares à aplicação residencial. Ar-condicionado para datacenter É uma aplicação recente em relação às demais aplicações do ar-condicionado. Em um datacenter, o funcionamento das máquinas gera calor, o que aumenta a temperatura do ambiente e pode causar diversos danos tanto aos equipamentos (queima ou desligamento repentino) quanto ao processamento dos dados, pois a elevação da temperatura provoca uma diminuição da velocidade de processamento, portanto, prejuízo. Assim, é necessário um sistema de ar-condicionado que mantenha o ambiente dentro de condições de temperatura e umidade conforme recomendados por normas específicas. Os equipamentos utilizados nessa aplicação são conhecidos como sistemas de ar-condicionado de precisão. Ar-condicionado para sala limpa Em ambientes de laboratório, onde não é permitida a presença de bactérias ou outro agente químico ou biológico, por risco de contaminação, é necessário ter um sistema de ar-condicionado que controle a filtragem do ar, a temperatura e a umidade com mais rigor. Esse mesmo tipode sistema é utilizado em locais de montagem de circuitos eletrônicos. Ar-condicionado para edifícios comerciais Essa é uma aplicação e conforto que tem como finalidade manter o ambiente de trabalho saudável, evitando problemas respiratórios por falta de recirculação do ar e umidade fora de faixa adequada. Ainda, um ambiente com condições de conforto térmico aceitáveis é um ambiente mais produtivo. Aplicações da refrigeração industrial Assista ao vídeo e compreenda as características e as principais aplicações da refrigeração industrial. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. As aplicações da refrigeração industrial estão, na maioria, voltadas para a conservação de alimentos, bebidas e produtos farmacêuticos ou químicos, seja em seu armazenamento ou sua distribuição. Exemplo Na conservação de alimentos, podemos encontrar a refrigeração presente nos supermercados nas gôndolas refrigeradas para verduras, carnes e laticínios bem como nos caminhões com baú refrigerado. Em cada caso, a temperatura de conservação é diferente, o que nos indica que as estratégias para conseguir essas temperaturas também são diferentes. Segundo Stoecker e Jones (1985, p. 7), o ciclo de um alimento congelado consiste das etapas de congelamento, comercialização e armazenamento doméstico, ou seja, a refrigeração é parte fundamental para esse mercado. Na produção de bebidas, como a cerveja, a refrigeração tem papel fundamental na fermentação, pois a bebida deve estar em uma temperatura controlada (entre 8 e 12°C) para se obter a qualidade desejada. Outras aplicações especiais importantes na refrigeração industrial são a produção de gelo, uso em bebedouros, pistas de patinação e remoção de sal da água do mar. Verificando o aprendizado Questão 1 Pensando em um equipamento de ar-condicionado residencial tipo split ou ar-condicionado de janela e observando o conceito dado pela NBR 16401-1: 2008, é possível afirmar que A esses equipamentos não podem ser considerados sistemas de ar-condicionado, pois não atendem as características necessárias para tal. B esses equipamentos podem ser enquadrados na definição da norma, pois atendem todos os requisitos para serem considerados um sistema de ar-condicionado. C esses equipamentos atendem parcialmente os requisitos, e podem ser considerados um sistema de ar- condicionado. D esses equipamentos atendem parcialmente os requisitos da norma, e por isso, não podem ser enquadrados como sistema de ar-condicionado. E esses equipamentos apenas não se enquadram nos requisitos da norma em relação à renovação do ar, portanto, são considerados como um sistema de ar-condicionado. A alternativa A está correta. Apesar de esses equipamentos resfriarem (e aquecerem, em alguns casos), eles não conseguem realizar a renovação do ar do ambiente, nem mesmo renovar o ar ou controlar sua umidade. São, em geral, equipamentos fabricados para atenderem espaços residenciais em que os critérios da norma, normalmente, não são necessários. Questão 2 O uso cada vez maior da tecnologia tem levado as empresas a construírem instalações cada vez maiores e mais eficientes para o processamento dos dados. Uma pequena falha nesse processamento pode gerar prejuízos gigantescos para as empresas e, por isso, o uso de um sistema de ar-condicionado é justificado pois A resfriando os equipamentos, a velocidade de processamento é melhorada e se diminui o risco de queima de equipamento. B resfriando os equipamentos, a velocidade de processamento é melhorada, entretanto, há um risco acentuado de queima de equipamentos, por causa da baixa temperatura. C o ar-condicionado serve como um bom condutor de dados de informação. D o uso de sistema de ar-condicionado em datacenter é opcional, pois não existem evidências de melhora ou piora da eficiência dessas instalações. E o uso de sistemas de ar-condicionado é importante em datacenter, porém, seu uso não tem relação com a segurança dos equipamentos e processamento de dados. A alternativa A está correta. A redução de temperatura em instalações de datacenter, reduz o risco de queima dos equipamentos por superaquecimento (caso não houvesse ar-condicionado, a temperatura do ambiente poderia chegar facilmente aos 50°C, por causa dos equipamentos). Ainda, o processamento dos dados tem relação direta com a temperatura, pois, em temperaturas menores (entre 22°C e 25°C), o processamento é mais rápido que em altas temperaturas, visto o equipamento trabalha em sua eficiência ótima. 4. Cartas psicrométricas Psicrometria em cartas psicrométricas de forma gráfica e por software Assista ao vídeo e saiba o que é psicrometria e quais são as propriedades psicrométricas. Além disso, fique por dentro dos diagramas e processos psicrométricos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Considerações sobre psicrometria Ar atmosférico, mistura de gases e exemplo prático Confira no vídeo os conceitos mais relevantes sobre ar atmosférico e mistura de gases, além de um exemplo prático para consolidar o aprendizado das propriedades psicrométricas. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Psicrometria é uma ciência que tem por objetivo o estudo das mudanças das propriedades do ar atmosférico e do processo na mudança de temperatura e do conteúdo de vapor de água presente nesse ar. Antes de conhecermos o uso de carta psicrométrica ou qualquer software para os cálculos das propriedades do ar, entenderemos a composição do ar atmosférico, suas características mais importantes e quais são as propriedades psicrométricas. Ar atmosférico O ar atmosférico ao nível da troposfera, é considerado uma mistura de gases com maior porção presente no nitrogênio e no oxigênio. Para essa mistura de gases, chamamos de ar seco. Gás Volume [%] Massa molecular [kg/kmol] Nitrogênio 78,08 28,013 Oxigênio 20,95 31,998 Argônio 0,93 39,943 Dióxido de carbono 0,03 20,183 Outros gases 0,01 -- Tabela: Composição dos gases do ar seco. Fábio Tofoli. No ar que respiramos existe a presença de certa quantidade de umidade devido ao vapor de água. A essa mistura de ar seco e vapor de água chamamos de ar atmosférico. Apesar dessa quantidade de vapor ser extremamente pequena em relação à quantidade de ar seco, ela é fundamental para nossa saúde: Em baixos níveis de umidade há falta de lubrificação das vias respiratórias, o que pode acarretar sangramento. Em excesso de umidade pode causar problemas com o bolor. Nas aplicações de ar-condicionado, a faixa de temperatura de trabalho está entre -10°C e 50°C (pensando nos extremos de aplicação). Para essa faixa de aplicação, tanto o ar seco quanto o vapor de água podem ser formulados como gases ideais. Assim, vale a equação para os dois gases: Em que: é a pressão atmosférica local. é o volume do gás. é a massa do gás. é a constante do gás. é a temperatura absoluta do gás. A equação ainda pode ser apresentada das seguintes formas: Em que é a massa específica e é o volume específico do gás. Tabela: Propriedade do ar seco e do vapor de água como gases ideais. Borgnakke; Sonntag, 2018, p. 664. Em que é a massa específica e é o volume específico do gás. Mistura de gases A lei de Dalton diz que a pressão total de uma mistura de gases é a soma das pressões parciais de cada um dos componentes. A pressão parcial é a pressão que cada componente exerceria se, à mesma temperatura, ocupasse sozinho todo o volume da mistura. Para mistura de ar seco e vapor de água temos que: • • • • • • • Ou seja, a pressão total em uma localidade (pressão atmosférica local) é igual à soma da pressão parcial do ar seco e da pressão parcial de vapor para as condições do ambiente em estudo. Exemplo prático No nível do mar, a uma temperatura de 25°C e sabendo que a umidade do ar se encontra a 50% da sua saturação, determine quais são as pressões parciais de vapor de água e de ar seco. Ainda, supondo que um ambiente tenha 10 m de comprimento, 5 m de largurae 4 m de altura, determine a massa de ar seco e a massa de vapor de água neste ambiente, além da relação entre a massa de vapor e a massa de ar seco. Consultando uma tabela termodinâmica para água saturada e verificando a pressão de saturação: Como a pressão parcial de vapor é 50% da pressão de saturação, A pressão atmosférica no nível do mar é de 101,325 kPa. Portanto: Observe que caso aumente ou diminua a porcentagem da pressão parcial de vapor em relação à pressão de saturação, a pressão parcial de ar seco também será modificada, porém, a pressão atmosférica será a mesma. Sendo tanto o vapor de água quanto o ar seco gases perfeitos, temos que: Na tabela de propriedade do ar seco e do vapor de água como gases ideais encontramos os valores das constantes tanto para o ar seco quanto o vapor de água: Rvapor de água = 0,4615 kJ/kg K Rar seco = 0,287 kJ/kg K O volume do ambiente, que será o mesmo ocupado pelo ar e pelo vapor de água, é: Pela definição de que a temperatura é a mesma para os dois gases temos: Para a massa de ar seco: Para a massa de vapor: A relação entre as massas é de: E Fica evidente que a parcela de ar seco é muito maior que a de vapor de água, porém, como dito, apesar de pequena, ela é muito importante para nós. Propriedades psicrométricas Confira no vídeo as definições de umidade absoluta e relativa do ar, entalpia, volume específico e as temperaturas de bulbo seco, de ponto de orvalho, de saturação adiabática e de bulbo úmido. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Apesar de você, em sua vida profissional, ter acesso a carta psicrométrica, softwares e aplicativos de celular que calculam essas propriedades, é importante entender como elas são encontradas algebricamente e o seu significado. Assim, fará mais sentido e você poderá questionar os valores apresentados. Umidade absoluta É a massa de vapor de água por massa unitária do ar seco, também conhecida como umidade específica. No exemplo anterior, foi a relação entre massas que encontramos. Como tanto o vapor quanto o ar seco são considerados gases ideais, rearranjando a equação para as massas de vapor e ar seco: Por definição, a temperatura e o volume são iguais para as duas parcelas: Inserindo o valor das constantes do ar seco e do vapor de água na equação: Temos que: Aplicando a lei de Dalton na pressão parcial de ar seco, a equação fica: Umidade relativa ( ou UR) É o índice de massa de vapor de água no ar pela massa de vapor de água necessária para que o ar esteja totalmente saturado na mesma temperatura. Rearranjando para as massas de vapor e massa de vapor saturado : Na análise, temos a mesma temperatura, para o mesmo volume e o gás é o mesmo, portanto, a constante é a mesma, podemos simplificar a equação: O que nos indica a umidade relativa é o quão perto ou longe a pressão parcial do vapor está de sua pressão de saturação para a temperatura conhecida. Se a pressão parcial do vapor é igual a pressão de saturação, dizemos que o ar é ar saturado e a umidade relativa é de 100%. Vejamos a condição da umidade do ar em relação à pressão para uma mesma temperatura: Veja o gráfico de aumento da pressão parcial até a saturação: Gráfico: Aumento da pressão parcial de vapor \(\left(p_v\right)\) até a saturação \ (\left(p_s\right)\). Relacionando as equações de umidade absoluta e umidade relativa: Entalpia da mistura (h) É a soma das entalpias de cada componente (ar seco e vapor de água) na condição na qual cada componente se encontra na mistura. Dividindo os termos pela massa de ar, temos que: Sendo: Volume específico Definido como o volume da mistura (m3) por unidade de massa de ar seco. Como os volumes ocupados pelos componentes da mistura são iguais, pode ser definido também como sendo o volume de ar seco por unidade de massa de ar seco. Temperatura de bulbo seco (Tbu) É a temperatura do ar medida com um termômetro comum. Temperatura de ponto de orvalho (Tpo) Temperatura na qual o vapor de água presente no ar atmosférico quando resfriado em processo à pressão constante começa a condensar. Gráfico: Resfriamento à pressão constante do ar chegando até a temperatura de ponto de orvalho. Temperatura de saturação adiabática Condição de equilíbrio termodinâmico por meio do processo de saturação adiabática. Por isso, é uma propriedade termodinâmica do ar. Imagine um aparato perfeitamente isolado por onde o ar entra na condição inicial de temperatura, umidade relativa e umidade absoluta. Esse ar flui pelo aparato e, por não estar saturado, tem condições de absorver vapor de água proveniente do reservatório, veja: Aparato para medição da temperatura de saturação adiabática. O reservatório é mantido sempre com a mesma massa de água por meio de uma entrada de água e o aparato tem comprimento suficiente para que o ar saia saturado. Como a temperatura da água é menor que a temperatura do ar, uma parcela do calor latente de vaporização da água para que ela evapore vem do ar. Assim, a temperatura do ar na saída será menor que na entrada. Essa temperatura leva o nome de temperatura de saturação adiabática. Aplicando um balanço de energia no volume de controle: Legenda Dividindo os termos pela vazão mássica de ar e reagrupando para a umidade absoluta na entrada: Sendo que: Em que: é a entalpia de líquido vapor na saída. é a entalpia de vapor saturado na entrada. é a entalpia de líquido saturado na saída. • • • Gráfico: Processo de saturação adiabática: não é o mesmo valor da temperatura de ponto de orvalho. Temperatura de bulbo úmido (Tbu) O aparato mostrado antes é inviável para uso prático, por isso, precisamos de um novo aparelho para tentar encontrar a temperatura de saturação adiabática. Assim, foi elaborado o psicrômetro, por onde é possível verificar ao mesmo tempo a temperatura de bulbo seco e uma nova temperatura, conhecida como temperatura de bulbo úmido. Para isso, usamos um termômetro comum embebido em uma mecha com água. Ao girarmos o equipamento, o ar passa rapidamente pela mecha, absorvendo umidade sem trocar calor com o meio, a sua temperatura cai e é verificada no termômetro. Psicrômetro. Carta psicrométrica - forma gráfica e por software Obtenção das propriedades psicrométricas por diagrama e por software Confira no vídeo os meios para obter as propriedades psicrométricas a partir da pressão atmosférica. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Como você observou, para cada pressão atmosférica vão existir diversos valores de propriedades psicrométricas e o cálculo de cada propriedade depende de algumas informações adicionais, portanto, para um projeto de ar-condicionado seria inviável calcular todos estes valores a cada processo executado com o ar. Para isso, foi elaborado um diagrama com o objetivo de simplificar o processo e tornar mais rápida a aquisição das propriedades. O diagrama é a carta psicrométrica que permite encontrar todas as outras propriedades do ar para a condição, sabendo-se inicialmente a pressão do local e duas outras propriedades. Além disso, a carta psicrométrica permite obter o traçado dos diversos processos psicrométricos e facilita sua análise. Esquema de carta psicrométrica. Na próxima imagem, após a tabela, é apresentado um esquema da carta psicrométrica indicando as suas propriedades. A seguir, você vai encontrar uma carta psicrométrica completa com todas as informações. Na carta elaborada pela ASHRAE, você pode notar duas informações importantes: A indicação da pressão atmosférica local, ou seja, os valores encontrados na carta são para a pressão atmosférica de 101,325 kPa. A indicação do número do gráfico (n° 1). A ASHRAE tem sete cartas e cada uma delas é para uma pressão e variação de temperatura de bulbo seco diferente, cobrindo uma ampla faixa de utilização. CARTA ALTITUDE [m] PRESSÃO [kPa] FAIXA DE TEMPERATURA 1 0 101,325 0°C a 50°C 2 0 101,325 -40°C a 10°C 3 0 101,325 10°C a 120°C 4 0 101,325100°C a 200°C 5 750 92,66 0°C a 50°C 6 1500 84,54 0°C a 50°C 7 2250 77,04 0°C a 50°C Tabela: Cartas psicrométricas ASHRAE. Fábio Tofoli. Outras cartas podem ser facilmente encontradas emitidas por universidades ou empresas da área de ar- condicionado e refrigeração. • • Carta psicrométrica. Exemplo Considere uma sala que contenha ar a 1 atm, esteja a 35°C e tenha 40% de umidade relativa. Para essa condição, determine: Umidade absoluta Entalpia Temperatura de bulbo úmido Volume específico do ar Solução Para resolver a questão, vamos utilizar a carta ao nível do mar. Cruzando a informação de Tbs e UR, encontraremos as propriedades solicitadas. Valores das propriedades para as condições iniciais. Note que nessa carta, a umidade absoluta está declarada como . Isso é necessário para evitar números muito baixos no diagrama. Com relação ao volume específico, ele é encontrado realizando uma regra de 3 no intervalo entre os volumes específicos 0,85 e 0,90 m3/kgar seco. • • • • O uso da carta psicrométrica aumenta a rapidez de resposta com relação às propriedades a serem encontradas, pois, caso ela não estivesse disponível, seria necessário realizar todos os cálculos mencionados para encontrar as mesmas propriedades, o que tornaria os projetos mais demorados. Por meio dos cálculos, os valores são mais precisos, porém, nos projetos de ar-condicionado, esse pequeno erro de medição é facilmente corrigido com os fatores de segurança empregados. Outra forma de obter essas propriedades (até com mais precisão) é por meio do uso de aplicativos para smartphones ou softwares, que podem ser adquiridos gratuitamente em plataformas de busca ou com alguma empresa ou instituição de ensino. Um exemplo é o aplicativo PsychroApp, que você pode baixar gratuitamente. Nele, você pode configurar as informações de entrada (input) que deseja utilizar, como temperatura de bulbo seco (°C db) e umidade relativa (%RH) e informações de saída (output), por exemplo, temperatura de bulbo úmido (° wb), temperatura de ponto de orvalho (°C dp), umidade absoluta (g/kg), entalpia (kJ/kg). Configuração das propriedades de entrada e saída. Vamos inserir os mesmos dados de entrada do problema anterior e verificar os dados de saída: Entrada dos dados conhecidos. Saída de dados pelo aplicativo. Podemos observar que os resultados são os mesmos que encontramos utilizando a carta psicrométrica. Processos psicrométricos Processos para alteração das propriedades do ar Confira no vídeo quais são os processos de resfriamento e aquecimento sensível, resfriamento com desumidificação, evaporativo e como ocorre a mistura de duas correntes de ar. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Em ar-condicionado, estamos interessados em alterar as propriedades do ar para atender as características de conforto ou processo do ambiente a ser climatizado. Confira os processos possíveis de serem realizados. Processos psicrométricos. Sendo: O – A: umidificação simples O – B: aquecimento e umidificação O – C: aquecimento sensível O – D: desumidificação química O – E: desumidificação simples O – F: resfriamento com desumidificação O – G: resfriamento sensível O – H: Resfriamento evaporativo Resfriamento e aquecimento sensível Refere-se à taxa de transferência de calor que provoca somente uma variação da temperatura de bulbo seco. Aquecimento e resfriamento sensível. Nesse processo, o fluxo de ar atravessa a serpentina de aquecimento ou resfriamento e troca somente calor sensível, ou seja, não há condensação (no caso de resfriamento) do vapor de água presente no ar. Note que a umidade absoluta entre entrada e saída é a mesma. Aplicando a segunda lei da termodinâmica entre a entrada (1) e a saída (2) da instalação temos: • • • • • • • • As parcelas de energia cinética e potencial podem ser desprezadas, não há trabalho sendo executado pelo volume de controle analisado das vazões de entrada e pela conservação de massa, as vazões de entrada são iguais as da saída, portanto: O que nos mostra que a quantidade de calor adicionado ou retirado pelo equipamento para aquecer ou resfriar o ar é igual a diferença de entalpia do ar entre estes pontos vezes a vazão mássica de ar. Resfriamento com desumidificação Neste processo, há uma redução da temperatura de bulbo seco e da umidade absoluta, portanto, uma condensação de parte do vapor de água presente no ar. O equipamento que realiza esse processo é a serpentina de resfriamento e desumidificação Aquecimento e resfriamento sensível. Note que nesse caso, na passagem do fluxo de ar pela serpentina, além de haver uma redução da temperatura (caminhando em Tbs da direita para a esquerda), há também uma diferença de umidade absoluta, na qual , o que indica haver perda de parcela do vapor que ingressou no volume de controle. Isso ocorre, pois o ar, ao entrar em contato com a serpentina fria, cede calor a ela até atingir sua temperatura de ponto de orvalho, quando inicia a condensação. Se o ar atravessar uma serpentina grande o suficiente, a sua UR = 100%, porém, o que ocorre é uma saída com valor de umidade abaixo da saturação. Pela equação da continuidade, temos que: Igualando para vazão de água: Como a vazão de ar na entrada é igual a saída: Que é a equação para sabermos a quantidade de condensado que sai do processo. Para sabermos qual o fluxo de calor retirado no processo, vamos efetuar um balanço de energia no volume de controle. Utilizando as mesmas simplificações que no processo anterior, temos: Dividindo os termos pelo fluxo de ar, temos que: Em que é a entalpia de líquido saturado na temperatura de condensação, ou seja, na temperatura de saída do ar. Resfriamento evaporativo O ar muito quente e com baixa umidade relativa precisa ser resfriado enquanto há um aumento de conteúdo de vapor. Nesse caso, adiciona-se a umidade enquanto o ar se move do estado 1 para o estado 2. Como não há transferência de calor para o meio, . Resfriamento evaporativo. Mistura de duas correntes de ar Neste processo, tem-se dois fluxos de ar vindos de dutos separados, que serão unidos em determinado ponto. Mistura de duas correntes de ar. Pela equação da continuidade temos que para o ar seco: Realizando o mesmo para o vapor de água: Ainda, pelo balanço de energia: Combinando as três equações e desconsiderando a vazão mássica na saída, temos: Verificando o aprendizado Questão 1 1. Uma instalação de ar-condicionado provida com uma caixa de mistura, recebe duas correntes de ar, sendo uma a 25°C e 50% de UR (fluxo de ar 1) com uma vazão de 3 kg/s e a outra a 32°C e 60% de UR (fluxo de ar 2) com uma vazão de 1 kg/s. Utilizando uma carta psicrométrica para o nível do mar e as equações adequadas, a temperatura do ar, após a mistura, será de aproximadamente A 30°C. B 28,5°C. C 27,5°C. D 26,5°C. E 25,5°C. A alternativa D está correta. Plotando os dados iniciais na carta psicrométrica, encontramos as seguintes entalpias para os dois fluxos de ar. Aplicando a equação para mistura de ar: Reagrupando para a entalpia de saída (h3): Portanto: Inserindo na equação as informações conhecidas: Com esse valor encontrado, voltamos à carta psicrométrica e traçamos uma isoentálpica até a linha de mistura das duas massas de ar. Esse ponto é a condição de mistura, ou seja, nesse ponto, temos todas as informações da mistura para as condições de entrada dadas. Assim, pelo ponto de mistura, traçamos uma linha vertical até encontrar a linha de Tbs e temos que a temperatura da mistura será de 26,7°C. Plotando os dados iniciais na carta psicrométrica, encontramos as seguintes entalpias para os dois fluxos de ar. Em vez das entalpias, poderíamos usar as umidades absolutas, pois, como vimos na dedução da equação, a relação entre as vazões mássicas de ar é também igual à razão entre as umidades absolutas. Questão 2 Um mercado localizado na cidade de Campinas, SP (patm = 93,63 kPa), utiliza um sistema de resfriamento evaporativopara diminuir a temperatura do ar a ser insuflado no ambiente, bem como para promover uma umidificação desse ar para melhor conforto dos clientes e funcionários. O ar externo tem as seguintes condições: Tbs = 33,2°C e a Tbu = 21,9°C. Tendo como meta uma temperatura do ar interno de 25°C, a umidade relativa desse ar será igual a (utilizar software ou aplicativo) A 70%. B 76,5%. C 75,4%. D 77%. E 61,8%. A alternativa B está correta. Utilizando o aplicativo PsycroApp, vamos inserir os dados de entrada, que são a pressão local, a temperatura de bulbo seco e a temperatura de bulbo úmido. Com os dados de saída do programa, temos que a umidade do ar externo está em 41,77\% e a entalpia do externo está em . Como esse processo é isoentálpico, vamos usar o aplicativo novamente, e inserir os dados de saída, que serão a temperatura de bulbo seco do projeto e a entalpia do ar externo . Assim, temos que a umidade relativa do ar a ser insuflado no ambiente será de 76,55%. 5. Conclusão Considerações finais O ar-condicionado e a refrigeração são ciências que têm como base um bom entendimento da termodinâmica, portanto, você deve conhecer bem seus conceitos básicos para um bom desempenho profissional. Neste conteúdo vimos algumas características do ar-condicionado e da refrigeração e pudemos entender o quão importante são as duas aplicações para nossa vida cotidiana. Podcast Para encerrar, ouça a importância dos conhecimentos de termodinâmica na refrigeração e ar- condicionado, o impacto da refrigeração no cotidiano e as tendências do mercado de ar-condicionado. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Assista ao documentário Zero absoluto: a conquista do frio, produzido pela BBC, e entenda a refrigeração ao longo do tempo, por meio de eventos históricos e curiosos. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, NBR 16401-1: 2008 – Instalações de ar-condicionado – sistemas centrais e unitários – Parte 1: Projeto das instalações. Brasília, DF, 2008. AMERICAN SOCIETY OF HEATING, REFRIGERATION AND AIR CONDITIONING. ASHRAE HANDBOOK. 2012 SI Edition. BORGNAKKE, C.; SONNTAG, R. E. Fundamentos da termodinâmica. São Paulo: Blücher, 2018. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente, Ar-condicionado: manual sobre sistemas de água gelada Volume 1: conceitos sobre chillers e sistemas de água gelada. Brasília: MMA, 2017. ÇENGEL, Y. A.; BOLES, M. A. Termodinâmica. Porto Alegre: Grupo A, 2013. CREDER, H. Instalações de ar-condicionado. 6.° ed. Rio de Janeiro: LTC, 2004. DAIKIN. Volume variável do refrigerante. Consultado na internet em: 10 jan. 2023. IENO, G.; NEGRO, L. Termodinâmica. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2004. KROSS, K. A.; POTTER, M. C. Termodinâmica para Engenheiros. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2016. MORAN, M. J. et al. Princípios de Termodinâmica para Engenharia. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2018. SIMÕES-MOREIRA, J. R.; NETO, A. H. Fundamentos e aplicações da psicrometria. 2. ed. São Paulo: Blücher, 2019. STOECKER, W. F.; JONES, J. W. Refrigeração e ar-condicionado. São Paulo: McGraw-Hill, 1985. S. DEPARMENT OF ENERGY. History of air conditioning. Consultado na internet em: 10 jan. 2023. VAN WYLEN, J.; SONNTAG, R. E.; BORGNAKKE, C. Fundamentos da termodinâmica clássica. São Paulo: Blücher, 1995, W., MITCHELL, J.; E., BRAUN, J. Princípios de Aquecimento, Ventilação e Condicionamento de Ar em Edificações. Rio de Janeiro: LTC, 2018. Fundamentos do ar-condicionado 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução Conteúdo interativo 1. Termodinâmica aplicada à refrigeração Conceitos de termodinâmica aplicados ao estudo da refrigeração industrial e ar-condicionado Conteúdo interativo Propriedades termodinâmicas Conteúdo interativo Propriedades termodinâmicas e estado termodinâmico Exemplo Pressão Temperatura Massa específica e volume específico Comentário Exemplos práticos Exemplo 1 Exemplo 2 Substância pura Fases e propriedades de uma substância pura e diagramas de fase Conteúdo interativo Fases de uma substância pura Líquido comprimido Líquido saturado Misturada saturada Vapor saturado Vapor superaquecido Diagramas de fase Propriedades da substância pura Conteúdo interativo Trabalho e calor Trabalho, calor e exemplos práticos Conteúdo interativo Trabalho Calor Condução Convecção Radiação Exemplo prático Calor específico, energia interna e entalpia Energia interna, entalpia, calor específico e exemplos práticos Conteúdo interativo Energia interna (U) Entalpia (H) Calor específico A pressão constante A volume constante Exemplos práticos Exemplo 1 Exemplo 2 Primeira e segunda leis da termodinâmica Conteúdo interativo Primeira lei da termodinâmica Segunda lei da termodinâmica Enunciados da segunda lei da termodinâmica Enunciado de Kelvin–Planck (máquinas térmicas) Enunciado de Clausius (refrigeradores) Verificando o aprendizado 2. História e desenvolvimento do ar-condicionado A história do condicionamento de ar e como o ocorreu seu desenvolvimento Conteúdo interativo Histórico da refrigeração Conteúdo interativo História do ar-condicionado Conteúdo interativo Curiosidade Tendências no uso do ar-condicionado Verificando o aprendizado 3. O ar-condicionado e a refrigeração industrial Definições e aplicações do ar-condicionado e da refrigeração industrial Conteúdo interativo Definições Condicionamento de ar, sistemas de ar-condicionado e unidade de tratamento de ar Conteúdo interativo Condicionamento de ar (sistema de ar-condicionado) Sistema de ar-condicionado com central de água gelada Chiller com condensação a água Chiller com condensação a ar Sistema de ar-condicionado com central multisplit VRV (vazão de refrigerante variável) Sistema de ar-condicionado unitário Unidade de tratamento de ar Aplicações do ar-condicionado Conteúdo interativo Ar-condicionado residencial Ar-condicionado veicular Ar-condicionado para datacenter Ar-condicionado para sala limpa Ar-condicionado para edifícios comerciais Aplicações da refrigeração industrial Conteúdo interativo Exemplo Verificando o aprendizado 4. Cartas psicrométricas Psicrometria em cartas psicrométricas de forma gráfica e por software Conteúdo interativo Considerações sobre psicrometria Ar atmosférico, mistura de gases e exemplo prático Conteúdo interativo Ar atmosférico Mistura de gases Exemplo prático Propriedades psicrométricas Conteúdo interativo Umidade absoluta Umidade relativa ( ou UR) Entalpia da mistura (h) Volume específico Temperatura de bulbo seco (Tbu) Temperatura de ponto de orvalho (Tpo) Temperatura de saturação adiabática Temperatura de bulbo úmido (Tbu) Carta psicrométrica - forma gráfica e por software Obtenção das propriedades psicrométricas por diagrama e por software Conteúdo interativo Exemplo Solução Processos psicrométricos Processos para alteração das propriedades do ar Conteúdo interativo Resfriamento e aquecimento sensível Resfriamento com desumidificação Resfriamento evaporativo Mistura de duas correntes de ar Verificando o aprendizado 5. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referências