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Luiza Gurgel – Medicina Unifacisa 
 
1 
 
Ginecologia 
Semiologia ginecológica 
 
Introdução 
 
→ Estudo dos sinais e sintomas das modificações 
funcionais das doenças mamárias e do aparelho genital 
feminino 
 
→ A consulta ginecológica integra a rotina de todo 
médico ginecologista, bem como, na atualidade, do 
médico da atenção primária 
∘ A relação médico-paciente deverá ser harmoniosa, 
sempre respeitando a intimidade da paciente 
∘ Ser um ouvinte atencioso, observador, 
compreensivo, interessado e destituído de 
preconceitos, mantendo sempre a tranquilidade 
∘ Recomenda-se que a primeira consulta ginecológica 
seja realizada entre os 13 e os 15 anos de idade 
∘ O sigilo médico deve ser preservado (principalmente 
nas adolescentes que não desejam contar a 
mãe/responsável que já realizaram atividade sexual) 
 
 
Anamnese 
 
Identificação 
→ Conter informações como: nome completo, idade, 
estado civil, profissão, nível socioeconômico, endereço 
e local de origem 
 
Idade 
→ Dado imprescindível, pois permite situar a paciente 
em um momento da vida, seja na infância, 
adolescência, fase adulta ou senilidade. De acordo com 
a idade, atentar para os principais diagnósticos: 
∘ Infância-puberdade: vulvovaginite 
∘ Adolescência: distúrbios menstruais, gestação 
indesejada e infecções geniturinárias 
∘ Adulta: dor pélvica, infertilidade, vulvovaginites, 
alterações do ciclo gravídico-puerperal, enfermidades 
benignas ou malignas mamárias e variações do padrão 
de sangramento 
∘ Senilidade: distopias genitais, incontinências 
urinárias, doenças cardiovasculares, neoplasias e 
osteoporose 
 
 
 
Raça 
→ Leiomiomatose uterina: maior incidência na raça 
negra 
 
Profissão e procedência 
→ As profissionais do sexo e as mulheres com vida 
sexual mais ativa e liberal apresentam risco maior de 
DST 
∘ As pacientes que trabalham na área de saúde estão 
mais expostas à contaminação acidental com material 
biológico 
 
Nível sócio econômico e cultural 
→ HIV e as DST’s: doenças de maior incidência em 
populações de baixa renda 
 
Queixa principal e HDA 
→ A anamnese deve ser iniciada com a paciente 
abordando, com suas palavras, sua queixa principal 
∘ O ginecologista deve estar atento às relações de 
causa e efeito com outros eventos significativos 
apontados pela paciente e com repercussões da queixa 
no cotidiano (conduzir a consulta) 
∘ A queixa principal deve ser investigada, sendo 
importante determinar seu início, duração e principais 
características (sempre descrever as características 
semiológicas) 
∘ Na ginecologia três queixas mais comuns merecem 
atenção: os sangramentos genitais, a dor pélvica e os 
corrimentos 
 
História pessoal 
→ É de extrema importância, em razão da possível 
influência de tratamentos prévios no trato genital e no 
perfil reprodutivo da mulher. Nesse momento deve-se 
investigar: quais as patologias apresentadas durante a 
vida como: cirurgias prévias, situação vacinal, 
medicamentos em uso e alergias 
 
História familiar 
→ É importante em função do caráter hereditário e/ou 
comportamental de algumas doenças; devendo ser 
investigadas: doenças hipertensivas, dislipidemias, 
diabetes e osteoporose. Os cânceres ginecológicos e 
colorretal devem ser abordados 
 
História social e hábitos de vida 
→ Informações como: estilo de vida, prática de 
atividade física, vícios e uso de medicamentos 
 
 
Luiza Gurgel – Medicina Unifacisa 
 
2 
 
História gineco-obstétrica 
Informações como: 
⇨ Menarca: 
∘ Idade da menarca (espera-se entre 11 e 13 anos, 
porém desvios para menos (10 anos) ou para mais (16 
anos) podem ser normais. Se acontecer antes dos 10 
anos ou após os 16 anos esse fato deve ser investigado 
∘ Desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários 
(pelos e mamas) 
∘ Ingestão inadvertida de estrogênios – casos suspeitos 
de puberdade precoce (investigar níveis hormonais) 
∘ Características dos primeiros ciclos menstruais 
∘ História prévia de galactorreia (durante expressão 
mamilar) 
 
⇨ Ciclos menstruais 
∘ Duração 
∘ Característica do fluxo 
∘ Intervalo entre as menstruações e os sintomas 
associados 
∘ *DUM (data da última menstruação) – importante e 
deve ser anotada em destaque, principalmente em 
pacientes na menacme (dependendo pode indicar a 
data provável do parto) 
∘ Em idosas deve-se questionar sobre a data da 
menopausa 
 
⇨ Métodos contraceptivos 
∘ Início do uso 
∘ Escolha do método 
∘ Efeitos colaterais 
∘ Uso de forma correta 
∘ Proteção contra DST’s – recomendar o uso de 
preservativo 
 
⇨ Vida sexual 
∘ Aborda problemas íntimos da paciente e com isso, o 
médico deve manter uma postura neutra e serena ao 
lidar com possíveis desajustes conjugais 
∘ Ritmo da atividade sexual – frequente ou esporádico 
∘ Libido – presente ou ausente (vontade de praticar a 
atividade sexual) 
∘ Orgasmo – presente ou ausente 
∘ Presença de dispareunia (dor durante a atividade 
sexual) 
∘ Presença de sinusorragia (sangramento que ocorre 
durante ou após a relação sexual) 
∘ Práticas variadas – sexo anal e oral 
 
⇨ Antecedentes obstétricos 
∘ Número de gestações (G, P, A) 
∘ Duração de cada gravidez 
∘ Intercorrências no pré-natal 
∘ Vias de parto – normal ou cesariana 
∘ Uso de fórceps 
∘ Vitalidade e peso do RN – peso acima de 4kg pode 
indicar diabetes gestacional 
∘ Na presença de aborto: se foi seguido ou não e se 
houve curetagem 
∘ Evolução do puerpério 
∘ Amamentação 
∘ Se houve decesso fetal (parto com óbito fetal) – 
sempre anotar a causa da morte 
 
 
Exame físico ginecológico 
 
∘ Exame físico geral 
∘ Antecede o exame físico especial 
∘ Início durante o primeiro contato com a paciente 
 
Ectoscopia 
→ Permite avaliar achados importantes como: 
∘ Síndrome de Turner – baixa estatura, pescoço alado 
e hipertelorismo mamilar 
∘ Sinais de hiperandrogenismo – hirsutismo e acne 
∘ Desvios extremos de peso – obesidade ou 
desnutrição (pacientes obesas são mais predispostas a 
apresentar quadros de anovulação, assim como as 
muito magras podem apresentar quadros de 
amenorreia hipogonadotrófica) 
∘ Cloasmas/Melasma 
∘ Coloração das mucosas 
∘ Alterações na cor e textura da pele 
∘ Coloração das mucosas 
∘ Distribuição de pelos e presença de edemas, 
manchas, pápulas, equimoses, eritemas, exantemas, 
vesículas, pústulas, tubérculos, ulcerações e varizes 
∘ Lembrar que algumas DST’s possuem manifestações 
sistêmicas (por exemplo: sífilis) 
 
→ Peso, altura e IMC 
∘ IMC de 20 a 25: solicitar avaliação nutricional 
 
→ PA, temperatura e FC 
 
→ Palpação 
∘ Das cadeias ganglionares 
∘ Da tireoide – os desvios da função tireoidiana estão 
estreitamente ligados à função reprodutiva, podendo 
determinar casos de amenorréia e infertilidade, além 
de complicações na gestação (investigação de 
infertilidade: prova de função tireoidiana) 
 
Luiza Gurgel – Medicina Unifacisa 
 
3 
 
Exame das mamas 
→ Inspeção estática: 
∘ Com a paciente ereta ou sentada e com os membros 
superiores dispostos ao longo do tronco, observam-se 
as mamas para averiguar tamanho, regularidade, 
contornos, forma, simetria, abaulamentos, retrações, 
pigmentação areolar, morfologia da papila e circulação 
venosa 
 
→ Inspeção dinâmica 
∘ Solicitar que a paciente eleve os membros superiores, 
em seguida estender os membros para frente e inclinar 
o tronco de modo que as mamas fiquem pêndulas, 
perdendo o apoio da musculatura peitoral. Por fim, 
solicitar que a paciente apoie as mãos e pressione as 
asas do ilíaco bilateralmente (figura C ao lado) 
∘ Objetivo: realçar as possíveis retrações e 
abaulamentos e verificar o comportamento dos planos 
musculares, cutâneo e do gradil costal 
↳ Os abaulamentos podem ser decorrentes de 
processos benignos e malignos, enquanto as retrações 
quase sempre são decorrentes de processos malignos 
 
→ Avaliação linfonodal 
∘ Palpação dos linfonodos axilares, supra e 
infraclaviculares com a paciente sentada com os 
brações relaxados e ao longo do corpo e apoiados pelo 
examinador∘ O primeiro nódulo linfático a se envolver com a 
metástase do CA de mama está quase sempre 
localizado na parte posterior da porção média do 
músculo peitoral maior 
↳ Em paciente magra, um ou mais linfonodos móveis 
medindo mais do que 1cm de diâmetro, são facilmente 
observados, devendo ser avaliados o tamanho, a 
consistência e a mobilidade, assim como o 
agrupamento dos gânglios palpáveis 
 
→ Palpação da mama 
∘ Paciente em decúbito dorsal 
∘ Solicitar que eleve o membro superior ipsilateral 
acima da cabeça para tensionar os músculos peitorais 
e fornecer superfície mais plana para o exame 
Inicia-se com uma palpação superficial, com as polpas 
digitais em movimentos circulares no sentido horário. 
Em seguida, repetir com maior pressão 
∘ Gestantes, puérperas em lactação, portadoras de 
próteses e com história pregressa de CA de mama 
exigem exame mais minucioso 
 
 
 
 
Exame do abdômen 
→ A estreita relação entre os órgãos abdominais e a 
genitália interna feminina, a simultaneidade das 
manifestações clínicas e a necessidade de diagnóstico 
diferencial entre as doenças genitais e abdominais 
justificam a integração do exame abdominal como 
etapa do exame ginecológico 
∘ O abdome deve ser avaliado mediante inspeção, 
palpação, percussão e ausculta 
∘ A palpação deve ser realizada após esvaziamento 
vesical, devendo-se atentar para a presença de massas, 
pois determinadas anomalias ginecológicas podem ser 
suspeitadas nessa etapa (miomas e tumores de ovário) 
 
Exame ginecológico 
→ O exame satisfatório dos órgãos genitais depende 
da colaboração da paciente e do cuidado do médico em 
demonstrar segurança em seu contato com ela, 
devendo suas abordagens serem comunicadas 
previamente em linguagem acessível, deixando claro 
que a qualquer momento se houver dor ou 
desconforto a paciente pode solicitar para suspender o 
exame 
 
→ Exame da genitália externa 
∘ Observar a forma do períneo, disposição dos pelos e 
a conformação externa da vulva. Em seguida, afastar os 
grandes lábios para inspeção do introito vaginal 
(abertura até a vagina). Com o polegar e indicador 
prendem-se as bordas dos dois lábios, que deverão ser 
afastadas e puxadas ligeiramente para a frente. Dessa 
maneira, visualizam-se a face interna dos grandes 
lábios, vestíbulo, hímen (carúnculas himenais), 
pequenos lábios, clitóris, meato uretral, glândulas de 
Skene (ao redor da uretra) e a fúrcula vaginal 
∘ Palpar a região das glândulas de Bartholin e períneo 
(diversas lesões podem ser encontradas como: 
condilomas acuminados, cancros, vesículas ou 
ulcerações) 
∘ Para a melhor avaliação da integridade perineal pode 
ser realizada a manobra de Valsalva para melhor 
identificação de eventuais prolapsos genitais e 
incontinência urinária 
Luiza Gurgel – Medicina Unifacisa 
 
4 
 
→ Exame da genitália interna: 
∘ Exame especular (espéculo bivalvar) – afastam-se os 
pequenos lábios com os dedos da mão esquerda e com 
o espéculo na mão direita apoiado na fúrcula e no 
períneo, angulado a 75 graus para evitar traumas 
uretrais. Esse espéculo é introduzido, girando-o 
lentamente até o ângulo de 90 graus, direcionando a 
ponta do espéculo para o fundo do saco de Douglas 
↳ Observa a coloração das paredes vaginais, 
pregueamento, presença de edema, secreções, lesões, 
anormalidades estruturais e o aspecto do colo uterino. 
Avaliar o colo quanto: localização, forma, volume e 
formato do orifício externo, se puntiforme ou em 
fenda. Além da presença de muco, sangue ou outras 
secreções 
∘ Toque vaginal (bimanual; mão direita na vagina e a 
mão esquerda no abdômen) – identificação dos 
anexos, musculatura, mobilização do colo, elasticidade 
da parede vaginal; depende da colaboração da 
paciente e será dificultado em pacientes obesas 
↳ O toque mais recomendado é o abdominovaginal 
combinado (manobra de Shultze) 
 
Em conjunto com o exame especular podem ser 
realizados procedimentos diagnósticos, como: 
– Coleta de citologia oncótica cervical 
– Teste de Schiller 
– Coleta de conteúdo vaginal e cervical 
 
→ Exame ginecológico na infância 
∘ A vulva não estrogenizada e atrófica se apresenta 
eritematosa, podendo falsear os diagnósticos 
∘ Crianças de colo devem ser examinadas sempre com 
auxílio da mãe 
∘ Em casos de suspeita de corpo estranho, abuso sexual 
ou hemorragia pode ser necessário o exame sob 
anestesia 
 
→ Exame ginecológico na adolescência 
∘ As indicações para realização do exame refletem 
história de relação sexual, dor abdominal, corrimento 
vaginal, teste de gravidez, sangramento aumentado e 
anemia 
∘ Sigilo sempre preservado 
 
 
Sangramentos genitais 
 
→ Sinal de preocupação para a mulher e causa mais 
frequente de consulta ao ginecologista (em qualquer 
situação, principalmente na gestação) 
∘ Sangramento uterino anormal (SUA) – responsável 
por 20% das consultas ginecológicas, estimando-se que 
30% das mulheres apresentam quadros de 
sangramentos disfuncionais anualmente 
 
Investigação do sangramento: 
∘ Determinar sua relação com o ciclo menstrual, 
duração, intensidade, características macroscópicas 
(coágulos e produtos gestacionais; pensar em aborto 
quando o material não for sangue ou coágulo) 
∘ Trauma pélvico 
∘ Aparecimento durante ou após o coito 
∘ Avaliar se a paciente está em uso de anticoncepcional 
∘ Uso de terapia de reposição hormonal 
∘ Uso de anticoagulante 
∘ Uso de DIU 
∘ Se tem história de sangramentos agudos 
 
→ Menstruação 
∘ Sangramento cíclico que se repete a cada 25 a 35 dias, 
com duração de 2 a 7 dias e com perda sanguínea de 
20 a 80ml – não é a cada 30 dias obrigatoriamente; 
explicar a paciente em caso de dúvida 
∘ *Qualquer sangramento sem essas características é 
considerado anormal – SUA (Sangramento uterino 
anormal) 
 
→ Menorragia 
∘ Fluxo menstrual excessivo com perda de sangue 
>80ml, sem aumento do número de dias de 
sangramento, e também o sangramento uterino 
irregular fora do período menstrual 
∘ Sangramento de origem funcional (dentro ou fora do 
período menstrual) 
 
→ Metrorragia 
∘ Sangramentos secundários a patologias orgânicas 
(mioma, CA de endométrio) 
 
→ Polimenorréia 
∘ Ciclos com intervalos menores de 24 dias 
 
→ Oligomenorréia 
∘ Ciclos com intervalos maiores de 40 dias 
 
→ Amenorréia 
∘ Ausência de menstruação 
 
→ Sangramento uterino disfuncional – SUD 
∘ Sem causa orgânica demonstrável (genital ou 
extragenital), deve estar relacionado com alterações 
Luiza Gurgel – Medicina Unifacisa 
 
5 
 
hormonais e ocorrer tanto nos ciclos anovulatórios 
quanto nos ovulatórios 
∘ É comum que a mulher apresente muito 
sangramento perto da menopausa (climatério), pois os 
ciclos anovulatórios acarretam sangramento uterino 
disfuncional 
∘ O diagnóstico etiológico é estabelecido a partir da 
associação das informações fornecidas pela anamnese, 
exame físico e exames complementares 
 
Diagnóstico 
→ Sempre questionar sobre: 
∘ De onde vem o sangramento? – pode vir de uma 
laceração, lesão do colo uterino 
∘ Qual a idade da mulher? 
∘ A paciente é sexualmente ativa? Pode estar grávida? 
∘ Como é seu ciclo menstrual? Existem ciclos de 
ovulação? 
∘ Qual a natureza do sangramento anormal? – 
frequência, duração, volume, relação com o coito e 
quando ocorre 
∘ Existem sintomas associados? 
∘ A paciente está usando medicações ou tem doenças 
associadas? 
∘ Existe história pessoal ou familiar de desordem de 
sangramento? 
 
Com relação a idade 
→ Nas pré-púberes: 
∘ Investigar lesões vulvares, prolapso uretral, corpo 
estranho vaginal, traumatismos e tumores 
 
→ Nas adolescentes: 
∘ Relação com o ciclo menstrual deve ser determinada, 
visto que a maioria dos casos é de causa funcional 
(ciclos anovulatórios; podendo ter o ciclo irregular ou 
aumentado) 
∘ É comum a adolescente ter a menarca e depois passar 
certo tempo sem menstruar novamente, assim como, 
menstruar várias vezes no mesmo mês 
 
→ Na menacme: estabilização dos hormônios 
∘ Além dos distúrbios ovulatórios, incidemas 
hemorragias relacionadas com complicações da 
gravidez, sendo também frequentes os leiomiomas, 
pólipos cervicais e endometriais, infecções genitais 
(endometrite por clamídia, gonococo e tuberculose) e 
os sangramentos associados aos métodos 
contraceptivos (DIU favorece sangramentos) 
 
→ Na perimenopausa: 
∘ Predominam os tumores e a insuficiência ovariana 
→ Na pós-menopausa: 
∘ Sangramento preocupante, pois pode ser o primeiro 
sinal de neoplasia maligna do endométrio, porém a 
grande maioria é causada por atrofia endometrial, 
terapia de reposição hormonal ou trauma – sempre 
investigar CA de endométrio 
 
 A forma de apresentação do sangramento 
representa um importante auxílio no diagnóstico 
(sangramento pós-coito pode-se considerar a 
possibilidade de neoplasia do colo uterino; laceração 
devido relação sexual intensa) 
 
 
Dor pélvica 
 
→ Segunda maior queixa em ordem de frequência nas 
consultas ginecológicas e muitas vezes de difícil 
abordagem e diagnóstico 
∘ A dor pode ser a somatização de conflitos 
emocionais, pode originar-se de processos infecciosos, 
endometriose (causa de dor intensa) ou tumores. Em 
cerca de 1/3 não é identificada nenhuma patologia ou, 
quando presente, não há associação da intensidade da 
dor com a alteração encontrada 
∘ A DP pode ser aguda ou crônica 
 
DP crônica 
→ Dor abdominopélvica difusa, com duração mínima 
de 6 meses, de caráter cíclico, e com intensidade 
variável, mais forte o suficiente para interferir na rotina 
da paciente 
∘ Pode originar-se de processos crônicos de diversos 
sistemas, como: vísceras, peritônio, SNC e periférico. 
Além disso, pode estar associada a processos 
psicopapatológicos, como: depressão, história de 
violência sexual (paciente vítima de violência sexual é 
a que mais apresenta DP, sendo de origem 
psicosomática) e estresse 
∘ A DPC incide principalmente na menacme 
∘ Responsável por 10% das consultas de ginecologia, 
12% das histerectomias e 40% das laparoscopias 
ginecológicas 
 
Causas 
→ Trato reprodutivo 
∘ Endometriose 
∘ Aderências pélvicas – pós cirurgia ou processo 
inflamatório pélvico 
∘ Congestão pélvica (varizes na pelve) 
∘ Ovulação – variável e particular de cada mulher 
 
Luiza Gurgel – Medicina Unifacisa 
 
6 
 
→ Outros sintomas 
∘ Síndrome do cólon irritável 
∘ Cistite recorrente e intersticial 
∘ Síndrome miofascial abdominal 
∘ Porfiria e anemia falciforme 
 
→ Não orgânicas 
∘ Evidências de transtornos psiquiátricos 
∘ Violência sexual ou física 
∘ Vida sexual insatisfatória 
∘ Carência afetiva 
 
DP aguda 
→ Surge como aviso de um processo mórbido 
identificável, como: 
∘ Ruptura de gravidez tubária, apendicite, DIP, tumores 
pélvicos, degeneração de miomas, torção de pedículo 
vascular (tumores de ovário e leiomiomas pediculados) 
ou infiltração tumoral de carcinomas avançados 
∘ A dor associada a menstruação (dismenorreia 
funcional) possui caráter repetitivo e geralmente é no 
início pré-menstrual. Está localizada no baixo ventre 
com irradiação para a região lombosacra 
∘ *A duração da dor, sua associação com dispareunia 
resultam a orientação para suspeita de endometriose 
 
 
Corrimentos genitais 
 
→ Resíduos não hemorrágicos presentes na vagina. 
Por sua importância para a paciente e sua frequência 
como queixa de consultório deve ser bem 
caracterizado pelo ginecologista: 
∘ Cor 
∘ Consistência 
∘ Volume 
∘ Odor 
∘ Prurido 
∘ Dor 
∘ Se existem sintomas urinários e se o corrimento se 
relaciona com o ciclo menstrual ou infecções 
específicas. As infecções fúngicas podem estar 
associadas ao uso prévio de antimicrobianos e de 
contraceptivos orais, ao DM e aos estados de 
imunodeficiência 
 
→ Corrimentos claros, viscosos e inodoros 
exacerbados no meio do ciclo menstrual: geralmente 
são fisiológicos 
→ Corrimentos amarelados, purulentos e de odor 
fétido: sugerem processos infecciosos (odor de peixe 
podre pode indicar a vaginose bacteriana) 
→ Corrimentos sanguinolentos e intermitentes: 
podem estar associados a neoplasias do trato genital 
 
 
Cuidado preventivo 
 
Para muitas mulheres, os ginecologistas servem tanto 
como especialistas como clínicos gerais. Dessa forma, 
os ginecologistas têm a oportunidade de prevenir e 
tratar uma grande variedade de doenças ou 
encaminhar a outro especialista, se necessário 
 
→ Prevenção de infecções 
∘ Vacinação e rastreamento de DST (não realizar de 
rotina, apenas em pacientes com fatores de risco 
como: múltiplos parceiros, uso de drogas injetáveis e 
DST prévia) 
 
→ Contracepção 
 
→ Estilo de vida 
∘ Atividade física, nutrição, tabagismo e uso excessivo 
de substâncias 
 
→ Rastreamento para câncer – de colo uterino, 
endométrio, ovário, mama, colorretal e de pele 
∘ A coleta de material para exame citológico faz parte 
do rastreamento do CA de colo (a primeira realizada 
aos 21 anos e a última entre 65 anos e 70 anos de 
idade), sendo de fundamental importância que o 
esfregaço contenha células da ectocérvice, da 
endocérvice e da junção escamocolunar. A coleta deve 
ser realizada com espátula de Ayre, fazendo uma 
rotação de 360º graus em torno do orifício externo 
para se obter uma amostra de todo o colo. A seguir, 
deve-se introduzir a escova endocervical até 2cm para 
a obtenção de amostra das células endocervicais e da 
junção escamocolunar e também dar atenção especial 
à técnica da coleta, pois os altos índices de falso-
negativos da citologia são atribuídos a falhas nessa 
coleta 
– Se houver história familiar de CA de mama realizar 
mamografia entre 30-35 anos (repetindo anualmente), 
se não houver história familiar, iniciar aos 40 anos 
(repetindo a cada 2 anos) 
– CA de colorretal: de difícil investigação (colonoscopia; 
a partir de 50 anos a cada 10 anos) 
– CA de endométrio: não é realizado rastreio de rotina, 
porém o ginecologista deve orientar pacientes com 
fatores de risco e com os sintomas típicos (período da 
menopausa com sangramento, obesidade) 
Luiza Gurgel – Medicina Unifacisa 
 
7 
 
– CA de ovário: não é realizado rastreio de rotina, 
porém paciente com fator de risco (história familiar de 
CA de mama) deve-se rastrear; solicitar US transvaginal 
+ CA125 
 
∘ Teste de Schiller: realizado por meio da deposição da 
solução de lugol (iodo-iodetado) no colo uterino, que 
provoca coloração amarronzada nas células que 
contêm glicogênio. Na presença de alterações 
celulares, as células não se coram e o teste é 
considerado positivo 
 
→ Osteoporose 
∘ Acomete mais de 30% das mulheres brasileiras na 
menopausa (altas incidência de fraturas). Orientar 
ingesta de cálcio, vitamina D, prática de atividade física 
e solicitar densitometria óssea a partir dos 65 anos (se 
a paciente apresentar queixa, pode-se solicitar antes 
dessa idade; dor intensa nas articulações ou fratura 
sem motivo aparente) 
 
→ Obesidade 
 
→ Hipertensão crônica 
∘ Paciente pré-hipertensa: PA sistólica entre 120/139 e 
a diastólica entre 80/89 
 
→ DM 
∘ Recomenda-se o rastreio de DM a cada 3 anos a partir 
de 45 anos em pacientes com IMC >25. Além disso, 
pacientes com sobrepeso e história familiar de SOP 
(amenorreia e hirsutismo) é indicado 
 
→ Síndromes metabólicas 
 
→ Dislipidemia 
 
→ Doenças da tireoide 
∘ Diretamente relacionadas com alterações no ciclo 
menstrual, gravidez, peso, temperatura, pele, queda 
de cabelo, nível de energia e mobilidade 
gastrointestinal – solicitar TSH e T4 livre de rotina na 
consulta ginecológica 
 
→ Rastreamento na geriatria 
∘ Avaliar nutrição, estado funcional e função cognitiva 
 
→ Saúde mental 
∘ Depressão, violência doméstica, insônia e tabagismo 
 
 
 
Calendário vacinal da mulher 
 
→ O Ministério da Saúde, a Sociedade Brasileira de 
Imunizações e a FEBRASGO orientam sobre a 
importância da imunização desde o nascimento até a 
idade adulta. Entretanto o que vemos na prática diária 
é que as mulheres só se preocupam em tomar vacinas 
no período gestacional, quando deveriam já chegar no 
pré-natal imunizadasfaltando apenas as específicas da 
gestação 
 
→ Geralmente as crianças tem seu cartão vacinal 
completo, mas vacina para o HPV não tem atingido as 
metas, observa-se cada dia as meninas iniciando a vida 
sexual mais cedo e se expondo a esse vírus, logo, deve-
se incentivar a vacinação contra HPV nas meninas que 
ainda não iniciaram vida sexual. Existem dois tipos de 
vacina para HPV que deve ser aplicada entre 09 e 14 
anos: 
∘ HPV 16-18 
∘ HPV 06-11-16-18 (para ambos os sexos) 
 
→ Outras vacinas: 
∘ DT 
∘ Hepatite B 
∘ Rubéola 
∘ Varicela 
∘ Febre Amarela 
∘ Influenza