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1 A Eficácia da Terapia Cognitivo-Comportamental para a Promoção da Saúde Mental dos Idosos Teodora de Fátima Dias da Rocha1 Maria Sanches2 RESUMO A saúde mental é considerada um aspecto fundamental para o envelhecimento saudável e manutenção da qualidade de vida da pessoa idosa. Em vista disso, o estudo tem como objetivo compreender de que maneira a Terapia Cognitivo- Comportamental pode contribuir para amenizar o impacto das doenças mentais em pessoas acima de 60 anos. Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, por meio de uma pesquisa bibliográfica, tendo por base de dados das bibliotecas eletrônicas: Periódicos Eletrônicos de Psicologia (PePSIC), BVS (Biblioteca Virtual em Saúde), PubMed (United States National Library of Medicine), Lilacs (Bases de dados de Literatura Latino-americana de Ciências da Saúde), SciELO (Scientific Electronic Library Online) e Google Acadêmico. A pesquisa limita-se por estudos elegíveis em português e inglês, textos completos e gratuitos, publicados nos últimos dez anos. A busca nas bases de dados resultou em vinte um artigo, considerando os critérios de inclusão e exclusão, visando alcançar o objetivo proposto pelo estudo, cujo o resultado obtido foi uma amostra final de sete artigos. Conclui-se que a Terapia Cognitivo- Comportamental pode contribuir para amenizar o impacto das doenças mentais em pessoas idosas por auxiliar na construção de estratégias de enfrentamento mais adaptativas durante o processo de envelhecimento, tendo sua eficácia comprovada na literatura científica. Palavras-chave: Idosos. Saúde Mental. Terapia Cognitivo-Comportamental. 1 INTRODUÇÃO O envelhecimento da população brasileira está relacionado ao fenômeno mundial. No Brasil, este fenômeno tende a evoluir no decorrer dos próximos anos, pois, segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2050, o país poderá se tornar a sexta maior população de idosos no mundo, com mais de 32 milhões de pessoas, representando 16% da população brasileira (IBGE, 2018). O envelhecimento é definido como um processo dinâmico e progressivo, que apresenta alterações físicas, cognitivas e mentais, que merecem a devida atenção. 1 Acadêmica do curso de Psicologia da Instituição Faculdade Anhanguera. 2 Orientador(a). Docente do curso de Psicologia da Instituição Faculdade Anhanguera. 2 Diante disso, a busca por respostas sobre as mudanças ocorridas neste período, tornou-se um desafio para a ciência, que busca retardar este processo, uma vez que, essas alterações podem determinar a progressão da perda da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio em que se vive. Apesar do envelhecimento ser um processo natural do ser humano, ele pode ser percebido como um processo negativo para algumas pessoas, provocando elevados níveis de estresse, ansiedade e depressão, e que, consequentemente, podem comprometer a saúde mental, considerada um aspecto fundamental para o envelhecimento saudável e manutenção da qualidade de vida da pessoa idosa. Por sua vez, verifica-se que saúde mental está comumente relacionada às perdas, ao surgimento e/ou agravo de doenças, às disfunções cognitivas, debilitação física e ao distanciamento social. Tais situações exigem uma atenção especial à saúde de pessoas acima dos 60 anos, visto que, o desempenho físico e social desta população, depende da integridade de suas funções cognitivas. No entanto, verifica-se que diversos desafios trazidos pelo envelhecimento podem ser eventualmente atenuados com a devida assistência e o acompanhamento dos familiares, bem como, de uma equipe multiprofissional, dentre eles, o psicólogo. Assim, tendo em vista a busca por melhorias quanto à percepção de cada indivíduo diante do processo de envelhecimento, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem sido uma importante alternativa para esta população. Levando em consideração todas as mudanças biopsicossociais ocorridas na vida do indivíduo durante o processo de envelhecimento, formulou-se a seguinte questão norteadora da pesquisa: Quais os benefícios da Terapia Cognitiva Comportamental para a saúde mental dos idosos? Dispondo-se responder a prerrogativa, o presente estudo tem como objetivo principal busca compreender de que maneira a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pode contribuir para amenizar o impacto das doenças mentais em pessoas acima de 60 anos. Apresenta-se como objetivos específicos demonstrar o impacto das doenças mentais nos longevos; os benefícios da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) no apoio aos idosos; e o manejo da TCC no apoio para melhoria da qualidade de vida do público em questão. 3 O interesse pelo tema surgiu a partir da percepção de que a Psicologia tem muito para contribuir a pessoa idosa, ao possibilitá-lo que o processo de envelhecimento seja compreendido e encarado de modo mais otimista, oferecendo melhores condições para que este seja um período saudável e positivo. Além disso, verifica-se a carência em pesquisas brasileiras quanto aos benefícios da Terapia Cognitivo-Comportamental no atendimento aos idosos, e por esta razão, desenvolver pesquisas acerca do manejo da TCC para este público-alvo, demonstra a sua extrema relevância, uma vez que, o profissional em psicologia poderá contribuir para a melhoria da qualidade de vida destes indivíduos, além de buscar a qualidade aos atendimentos oferecidos pelos profissionais desta área, bem como, compreender os benefícios da TCC no atendimento aos idosos. 2 DESENVOLVIMENTO 2.1 Metodologia O estudo aborda a temática em questão, através de uma revisão integrativa de literatura, por meio de uma pesquisa bibliográfica, tendo por base de dados das bibliotecas eletrônicas: Periódicos Eletrônicos de Psicologia (PePSIC), BVS (Biblioteca Virtual em Saúde), PubMed (United States National Library of Medicine), Lilacs (Bases de dados de Literatura Latino-americana de Ciências da Saúde), SciELO (Scientific Electronic Library Online) e Google Acadêmico. A pesquisa foi realizada tendo como fonte de pesquisa: revistas, artigos, teses, monografias e periódicos, limitando a pesquisa a estudos elegíveis em português e inglês, textos completos e gratuitos, publicados nos últimos 10 anos. A coleta de dados foi realizada através de combinações dos descritores de busca, tais como: ‘Terapia Cognitivo- Comportamental’, ‘saúde mental dos idosos’, ‘qualidade de vida dos idosos’, ‘percepção do envelhecimento’. Os critérios de inclusão adotados para a seleção dos artigos foram estudos publicados nos últimos 10 anos, nos idiomas elegíveis, com textos completos e gratuitos, indexados em base de dados confiáveis. Além disso, a pesquisa terá como 4 preferência, a busca por obras produzidas por profissionais da área de Psicologia, publicadas nacionalmente, desde que abordem sobre a eficácia da Terapia Cognitivo- Comportamental para a saúde mental dos idosos. 2 DESENVOLVIMENTO Embora envelhecer não seja sinônimo de doença, o processo de envelhecimento pode acarretar mudanças significativas nos aspectos físicos, psicológicos e sociais, tornando as pessoas idosas mais susceptível às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) (ALMEIDA et al., 2021; BAPTISTA, 2020). Dentre as DCNT’s, se inserem as patologias de ordem neuropsicológicas e/ou transtornos mentais, que podem gerar ao indivíduo um maior grau de incapacidade e comprometimento em sua qualidade de vida (CORDEIRO et al., 2020) Portanto, a possibilidade de um idoso se tornar portador de demências ou de patologias que as causam, cresce com o avanço da idade, pois, com o aumento da expectativa de vida da população, nota-se um elevado índice de idosos com transtornos mentais, muitas vezes, atribuídos aos eventos estressantes, tão comuns nesta etapa da vida (MARCELINOet al., 2020). Estudos revelam que o estilo de vida tem forte influência na saúde mental além da interação entre comportamento, meio ambiente e perfil genético. Entretanto, observa-se que muitas pessoas levam um estilo de vida que promove sofrimento emocional, no qual, pode desencadear uma série de problemas, tais como: ansiedade, insônia, disfunção social, estresse mental, desequilíbrio nutricional, entre outros (PEIXOTO, 2021, p.02). Portanto, a adoção de práticas saudáveis ao longo da vida, podem estar associadas individualmente, na promoção de um melhor estado de saúde mental ao idoso (PEIXOTO, 2021). Atualmente, o conceito sobre saúde mental não considera apenas as incapacidades, doenças ou as possíveis perdas que o envelhecimento ocasiona ao indivíduo, mas também, as potencialidades e capacidades que o indivíduo possui ao vivenciar esta etapa, visando preservar a sua qualidade de vida (CASEMIRO; FERREIRA, 2020). 5 As doenças mentais representam um importante problema de saúde pública devido à sua alta prevalência, gerando maior procura pelos serviços de saúde, bem como, os graves efeitos sobre o bem-estar pessoal, familiar e profissional (MARCELINO et al., 2020). Apesar da questão da saúde mental, não se constituir em uma causa de morte importante, ainda sim, causa um grande sofrimento emocional e diminuição da qualidade de vida do idoso (COSTA et al., 2019). Cabe ressaltar que o número de pessoas com transtornos mentais é grande entre os idosos, com destaque para a doença de Alzheimer, os transtornos psicóticos, a ansiedade, a depressão, a demência senil e a demência vascular (atrelada a hipertensão arterial e diabetes) (COSTA et al., 2019) Tendo em vista que a depressão se tornou o transtorno psiquiátrico mais frequentemente identificado em idosos (GATO et al., 2018; COSTA et al., 2019; OLIVEIRA, 2019), constituindo-se em um problema de grande magnitude para a saúde pública, devido a sua alta morbidade e mortalidade (CASEMIRO; FERREIRA, 2020; FERREIRA, ALMEIDA, 2020; MARTINS et al., 2021). Segundo Gabriela Martins et al. (2021, p. 59) menciona que “a depressão está relacionada ao risco aumentado de mortalidade e suicídio, diminuição nas habilidades cognitivas, físicas, sociais e funcionais, assim como, uma maior autonegligência”. Consequentemente, pode contribuir para a baixa adesão aos tratamentos de saúde e o descaso pelo autocuidado (GATO et al., 2018). Os sintomas depressivos trata-se de uma das principais causas de incapacidade, e vem se tornando cada vez mais frequente, chegando a afetar mais de 264 milhões de pessoas no mundo (MARTINS et al. 2021), o que o torna-se um agravante para o aumento dos índices de suicídio, que atingem seus picos, especialmente, entre idosos do gênero masculino (COSTA et al., 2019). Dentre as causas da depressão, estão associadas à interação de fatores psicológicos, biológicos e sociais, sendo definida como: “[...] distúrbio mental caracterizado pela presença de tristeza persistente e falta de interesse ou prazer em atividades que eram consideradas pelo indivíduo como gratificantes anteriormente” (MARTINS et al., 2021, p. 59). Muitas vezes, este transtorno está associado ao suporte social negativo ou insuficiente, o que reforça sobre a importância do convívio social, uma vez que 6 estudos empíricos comprovam que “idosos sem contato com amigos, vizinhos e familiares podem apresentar sintomas depressivos (GATO et al., 2018, p. 305). De modo geral, observa-se que as preocupações manifestadas pelos idosos estão comumente relacionadas à percepção que cada indivíduo possui diante do processo de envelhecimento, tanto em relação às dores físicas e emocionais, ou até mesmo pelo medo de morrer sozinho (GATO et al., 2018). Por esta razão, “a saúde mental é considerada como um pilar importante nesse processo, pois, a saúde física e mental se retroalimentam, e o adoecimento de uma pode impactar na outra e vice e versa” (FILIPPIN; CASTRO, 2021, p. 78.433). Sobre este assunto, a literatura científica aponta que diversas estratégias de enfrentamento podem ser realizadas para a promoção da saúde mental em idosos, desde àquelas que reforçam os laços com seus familiares, resgate de lembranças do passado, e práticas religiosas (CARVALHO et al. 2021), bem como, àquelas que desenvolvem as interações grupais, especialmente, as que envolvam os grupos de convivência, impactando positivamente à saúde mental de idosos (CASEMIRO; FERREIRA, 2020). No entanto, em alguns casos, o idoso requer da ajuda multiprofissional para que se possa tratar em todos os níveis de complexidade em prol da saúde física e mental desta população. Neste escopo, destaca-se a relevante atuação do psicólogo na busca de estratégias e intervenções que facilitem a adaptação do idoso ao processo de envelhecimento, tal qual, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). A Terapia Cognitivo-Comportamental é uma forma de psicoterapia que foi desenvolvida por Aaron Beck no ano de 1960, por meio de pesquisas com pacientes deprimidos, apresentavam visões distorcidas de si mesmo, do mundo e do futuro. Beck verificou que estes pensamentos podiam alterar o humor, e consequentemente, os comportamentos destes indivíduos (MELO; FARIA; PARDINI, 2021). Desde as pesquisas realizadas por Beck, a TCC ganhou diversas ramificações, buscando se adaptar aos diferentes públicos e faixas etárias, bem como, no tratamento da multiplicidade de transtornos mentais e questões psicológicas, inclusive, no atendimento às pessoas acima de 60 anos (NETTO, 2021), pois, diante do aumento do número de pessoas idosa e suas vulnerabilidades, passaram a ser um grupo de risco para a depressão (CASEMIRO; FERREIRA, 2020). 7 Nessa perspectiva, dentre as alternativas psicoterapêuticas, a TCC tem se destacado como sendo a abordagem mais indicada e pesquisada para o tratamento da depressão em adultos (VELEDA et al., 2019; FERREIRA; ALMEIDA, 2020). Posto que “[...] esta abordagem tem sido mais favorável por se tratar de um modelo breve, passível de ser empiricamente testado, com diminuição dos sintomas evidenciados em curto prazo, além de apresentar menores índices de recaída” (VELEDA et al., 2019, p. 325-326). Portanto, a TCC possui um formato estruturado, de curta duração, voltada para o presente, direcionada para a solução de problemas atuais e modificação de pensamentos e comportamentos disfuncionais (MELO; FARIA; PARDINI, 2021; NETTO, 2021). Tendo em vista que a TCC se configura como uma abordagem eficaz para a psicoterapia em idosos, apresentando resultados positivos frente aos transtornos mentais, como por exemplo, a depressão e a ansiedade (NETTO, 2021). Tal paradigma promove a possibilidade de novas perspectivas para esta etapa da vida, aprimorando a visão funcional do idoso, visando promover potencialização das capacidades, e na prevenção de transtornos mentais (MEDEIROS; HARTMANN JUNIOR, 2019). Neste escopo, a psicoterapia auxilia ao idoso ao prover melhoria quanto à percepção de cada indivíduo diante do processo de envelhecimento, criando possibilidades mais adaptativas para o idoso, visando solucionar problemas em seu cotidiano. Cada vez mais, tem-se desenvolvido pesquisas acerca do manejo da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) em conformidade com cada faixa etária, tendo em vista que, “em cada uma delas, o indivíduo e a cognição respondem ao ambiente, e se comportam de formas totalmente distintas, além do fato de também enfrentarem situações e apresentarem uma percepção social distintos” (COSTA et al., 2019, p. 414). Como prova disso, estudos empíricos revelam que os idosos brasileiros não estão preocupados com a morte, e sim, com o sofrimento e dor diante deste acontecimento, o que acaba refletindo na percepção em relação à qualidade de vida (GATO et al., 2018). Nesse sentido, VanessaNetto (2021) alerta sobre a necessidade para que a TCC se adeque ao tratamento do idoso, considerando às características e necessidades específicas ao envelhecimento, assim como, as adversidades 8 relacionadas aos transtornos mentais desta população, visto que, com a chegada do envelhecimento, o idoso passa por várias situações específicas e estressantes, das quais, o terapeuta cognitivo-comportamental deverá se habituar ao identificá-las na vida dos idosos, tais como: [...] vivencia do luto, descaso por parte dos familiares, abandono, preconceito social e familiar, aposentadoria, patologias crônicas, perda do cônjuge, perda de autonomia tanto financeira como física (dependência de terceiros e perda da funcionalidade), solidão, mudança de status, mudanças na aparência física, dificuldade em entender e se adequar as novas tecnologias, tentativas suicidas, pensamentos sobre morte, e muitas vezes, o processo de institucionalização (COSTA et al., 2019, p. 414). Deste modo, verifica-se os pensamentos distorcidos e os ‘erros cognitivos’, que podem ser comuns à população idosa diante situações específicas durante o desenvolvimento do envelhecimento. Cabe mencionar que os erros cognitivos são considerados como “[...] distorções disfuncionais observadas nos pensamentos automáticos sistemáticos que podem ser responsáveis por sofrimento pessoal” (MARTINS et al., 2021, p. 64). Fundamentalmente, a TCC tem como objetivo fornecer ao indivíduo uma nova perspectiva de pensar e de interpretar o contexto em que estão inseridos, por meio da reconstrução de suas crenças disfuncionais (MELO; FARIA; PARDINI, 2021). Desta forma, o psicoterapeuta poderá contribuir para a desconstrução dos pensamentos disfuncionais, na qual, conforme Emilly Costa et al. (2019, p. 414) explicam: A Terapia Cognitivo-Comportamental tem como proposta a ideia de que o pensamento disfuncional (que influencia no humor e no pensamento) é comum em todos os transtornos e quando as pessoas conseguem avaliar esses pensamentos de forma adaptativa e funcional, e em conjunto com o terapeuta desconstrui-los e desconstruir as crenças disfuncionais, elas obtêm melhora em seu estado emocional e no comportamento. Deste modo, o papel do psicoterapeuta é trabalhar na elaboração de estratégias de enfrentamento aos problemas individuais, de modo com que, o idoso, possa criar possibilidades mais adaptativas para lidar com as situações estressantes, principalmente, àquelas provocadas pela presença das DCNT (MARTINS et al., 2021; CARVALHO et al., 2021). Sendo assim, durante a sessão terapêutica, os erros cognitivos podem ser discutidos e trabalhados, quando o profissional solicitar ao idoso a identificação dos problemas, pensamentos e comportamentos decorrente da sua rotina diária, para que se possa oportunizar a melhor a situação, conforme cada caso, uma vez que, quando as pessoas aprendem a avaliar seus pensamentos de forma mais realista e 9 adaptativa, elas obtêm uma melhora em seu estado emocional e no comportamento (MARTINS et al., 2021). De modo geral, a atuação do psicólogo tem como especificidades, oferecer apoio aos pacientes, familiares e/ou cuidadores, auxiliando no enfrentamento do processo de perdas relativas ao envelhecimento e condições adversas à saúde, bem como, auxiliar na reorganização da dinâmica familiar diante das novas demandas de cuidado (BRAZ, 2020). Vale lembrar que o tratamento psicoterápico em idosos pode ser realizado de várias formas, abrangendo os atendimentos individuais e/ou em grupos, assim como, também a domicílio (COSTA et al., 2019). No entanto, recomenda-se que, para haja o desenvolvimento da qualidade de vida quanto ao enfrentamento de situações e patologias correlacionadas ao processo de envelhecimento, o psicólogo, com foco na TCC, precisa desenvolver maneiras de trabalho que melhor se adeque a cada indivíduo. 2.3 Resultados e Discussão A busca nas bases de dados resultou em 21 artigos, considerando os critérios de inclusão e exclusão, visando alcançar o objetivo proposto pelo presente estudo. Os demais artigos foram excluídos por não responderem à pergunta norteadora, resultando em uma amostra final de sete artigos. As publicações que compuseram a amostra final da pesquisa abordam diferentes métodos, dos quais, descreve-se pontos em comum, importantes para discussão sobre a temática abordada no estudo, para que possa auxiliar na atuação do psicólogo quanto à promoção da saúde mental no atendimento ao idoso. Os artigos selecionados foram descritos e distribuídos de forma sistemática no quadro 1 a seguir: Quadro 1 - Sistematização dos artigos captados nas bases de dados acerca da eficácia da Terapia Cognitivo-Comportamental para a promoção da saúde mental em idosos, publicados entre 2016 a 2021. 10 Autor/Ano Título Método Objetivos Principais resultados (MARTINS et al., 2021) Psicoterapia online para idosos com sintomas depressivos em distanciamento físico. Relato de uma experiência Analisar e relatar uma experiência de um programa da psicoterapia breve online, envolvendo uma amostra de indivíduos sintomáticos. As modalidades de psicoterapia breve online constituem uma estratégia adequada para a abordagem de idosos em distanciamento físico com sintomas leves de depressão. (COSTA et al., 2020) Intervenção do psicólogo clínico com ênfase na TCC com idosos Revisão de literatura. Analisar os benefícios da Terapia Cognitivo Comportamental no atendimento aos idosos. O tratamento psicoterápico com idosos pode acontecer de várias formas, abrangendo os atendimentos individuais e/ou em grupos, e também a domicílio, quando não houver condições para locomoção até um consultório para a terapia. (BRAZ, 2020) Atendimento Psicológico Domiciliar: particularidades e contribuições da TCC. Revisão integrativa de literatura Apontar as particularidades e possíveis contribuições da TCC no atendimento psicológico à pessoa idosa no contexto domiciliar. A metodologia da TCC traz resultados eficazes, se adaptada. Essa modalidade, porém, ainda apresenta muitos desafios práticos e éticos aos profissionais. (FERREIRA; ALMEIDA, 2020) Passos iniciais da adaptação ao Brasil de Intervenção Cognitivo- Comportamental para idosos depressivos. Adaptação transcultural de manuais que descrevem intervenções baseadas em evidências. Realizar os primeiros passos para adaptação ao Brasil do manual americano, que descreve intervenção cognitivo- comportamental baseada em evidências para tratar idosos depressivos. A versão final do manual contou com equivalência semântica, conceitual e cultural, sendo ainda necessário investigar a fidelidade, viabilidade, aceitabilidade, eficácia e efetividade do protocolo adaptado. (OLIVEIRA, 2019) Eficácia da terapia cognitivo- comportamental no tratamento da depressão. Revisão integrativa Analisar as produções científicas disponíveis na literatura entre os anos de 1995 e 2015 sobre a eficácia da TCC nos transtornos depressivos. Foram encontradas evidências da eficácia dessa abordagem tanto nos casos de recidiva quanto na remissão e na redução dos sintomas depressivos. (VELEDA, et al., 2019) Efeito da terapia cognitivo- comportamental um ano após tratamento para adultos com transtorno depressivo maior. Pesquisa experimental do tipo ensaio clínico randomizado Verificar a efetividade do tratamento psicoterápico individual a partir da TCC para os sintomas depressivos em um período de seis e 12 meses pós- intervenção. A TCC reduz significativamente os sintomas depressivos mantendo essa condição até 12 meses pós- intervenção sem influência significativa de outras características. (SANTOS; SANTOS; MARTINS, 2016) Ideaçãosuicida em pessoas idosas: Revisão de literatura. Analisar como a Terapia Cognitivo- Comportamental pode contribuir para o As estratégias que compõem as intervenções terapêuticas fazem parte de um plano de segurança 11 contribuições da TCC. tratamento de pessoas idosas com ideação suicida. elaborado de forma colaborativa entre terapeuta e paciente, as quais buscam a modificação de crenças desadaptativas, um significado para a vida e o aumento da habilidade de resolutividade de problemas. Fonte: autoria própria (ROCHA, 2023). A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) vem cada vez mais se destacando no tratamento de diversos transtornos mentais, tendo sua eficácia comprovada em diversos estudos. No entanto, verifica-se que o transtorno psiquiátrico mais abordado na literatura científica é a depressão. Em vista disso, ocorreu um aumento significativo nas últimas décadas, por estudos controlados e comparativos, comprovando a eficácia dos tratamentos psicológicos na redução dos sintomas depressivos. Dentre as alternativas psicoterapêuticas, a TCC encontra-se em posição de destaque, sendo a abordagem psicoterapêutica mais indicada e pesquisada para o tratamento da depressão em adultos (VELEDA et al., 2019; FERREIRA; ALMEIDA, 2020). Por sua vez, tendo em vista o potencial aumento na incidência de depressão em idosos em tempos de isolamento físico e social em decorrência da pandemia da COVID-19, Martins et al. (2021) analisaram uma experiência de um programa da psicoterapia breve e online, tendo por base as estratégias inspiradas em modelos da TCC, envolvendo uma amostra de indivíduos sintomáticos, apresentando resultados satisfatórios com pacientes com sintomas leves. Todavia, apesar das terapias cognitivas-comportamentais serem comprovadamente uma alternativa eficaz de tratamento para a depressão, verifica-se que, no Brasil, existem poucos estudos investigando a aplicação desta abordagem terapêutica voltada diretamente aos idosos, mesmo esta doença sendo considerado um grave problema de saúde pública no país (FERREIRA; ALMEIDA, 2020; BRAZ, 2020). Observa-se que grande parte das pesquisas estão voltadas de forma generalizada aos adultos no tratamento à depressão, e não especificamente, ao público acima de 60 anos (MEDEIROS; HARTMANN JUNIOR, 2019). Apesar dos estudos realizados por Veleda et al. (2019) e Oliveira (2019) não abordarem como foco da pesquisa a população idosa, ambos os estudos encontrou 12 evidências da eficácia da TCC diante de casos de recidiva e remissão na redução dos sintomas depressivos, seja pela abordagem em grupo, individual ou no atendimento à domicílio. Contudo, os estudos reforçam sobre a necessidade de pesquisas com mais rigor e adequação metodológica, para confirmar e ampliar dos resultados encontrados. No que concerne à escassez na literatura científica sobre estudos voltados para a aplicabilidade da TCC para idosos, é justificada por Martins et al. (2021), pelo fato de uma pequena parcela desta população procurarem pelo tratamento psicoterápico para depressão, além de ainda existir uma carência de oferta de serviços especializados para conseguir atender a grande demanda em nosso país, visto que grande parte da população não tem acesso sequer aos tratamentos necessários. Inclusive, cabe mencionar que, até alguns anos atrás, não havia um protocolo de TCC para o tratamento da depressão em idosos brasileiros. Entretanto, Heloisa Ferreira e Lucas Almeida (2020), no intuito de reverter esta situação, realizaram os primeiros passos para adaptação do manual americano ao Brasil: ‘Treating Late-Life Depression – a Cognitive-Behavioral Therapy Approach’. Portanto, Ferreira e Almeida (2020) descreveram a intervenção cognitivo-comportamental baseada em evidências internacionais, para tratar, especificamente, idosos depressivos. Diante deste contexto, verifica-se que diversas pesquisas brasileiras tiveram como escopo a literatura internacional, dos quais apontaram a TCC como uma das alternativas mais eficazes no tratamento da depressão em idosos (FERREIRA; ALMEIDA, 2020). Embora literatura internacional evidencie que, para que a abordagem terapêutica cognitiva-comportamental seja mais efetiva diante de casos de idosos depressivos graves, recomenda-se combiná-la ao tratamento farmacológico (FERREIRA; ALMEIDA, 2020; MARTINS et al., 2021). Em contrapartida, Veleda et al. (2019), revela que esta abordagem terapêutica é tão eficaz quanto se comparada ao tratamento exclusivo com medicação antidepressiva, ou ainda, ao tratamento com a combinação de ambos, resultando em uma melhora significativa, reforçando a eficácia do tratamento. Ainda sobre quadros depressivos graves, Cintia Santos, Lívia Santos e Maria Martins (2016) analisaram de que modo a TCC pode contribuir para o tratamento de 13 pessoas idosas com ideação suicida. Tendo como motivação para tal pesquisa, ao constatar a alta prevalência de idosos com o desejo de ceifar a sua própria vida. Portanto, torna-se imprescindível a busca por mais pesquisas sobre a etiologia depressão, por tratamentos mais eficazes, bem como, a identificação de situações de risco entre idosos (OLIVEIRA, 2019). Pois, ao identificar as principais distorções cognitivas desta população, pode-se caracterizar as estratégias de intervenção da TCC mais voltada para esse público (SANTOS; SANTOS, MARTINS, 2016). De modo geral, evidencia-se que o psicólogo que atua na abordagem terapêutica cognitivo-comportamental, pode contribuir muito no tratamento de idosos, independente da modalidade aplicada (BRAZ, 2020). Porém, a autora adverte que muitos são os desafios práticos e éticos empregados a estes profissionais no desempenho de sua função. 3. CONCLUSÃO A Terapia Cognitivo-Comportamental pode contribuir para amenizar o impacto das doenças mentais em pessoas idosas, ao auxiliar na construção de estratégias de enfrentamento mais adaptativas durante o processo de envelhecimento, tendo sua eficácia comprovada na literatura científica. Ressalta-se quanto a necessidade de se investigar com mais rigor e adequação metodológica acerca da aplicação da abordagem terapêutica cognitiva-comportamental, com a finalidade de confirmar e ampliar os resultados encontrados neste estudo, para que se possa adequar às estratégias de intervenção mais voltada às pessoas idosas, e auxiliar a atuação do psicólogo na promoção à saúde mental deste público. REFERÊNCIAS ALMEIDA, José Rogécio de Sousa et al. Perfil funcional de saúde física e psicológica do idoso residente na comunidade: Revisão integrativa. Research, Society and Development, v. 10, n. 8, e38010817509, 2021. DOI: http://dx.doi.org/10.33448/rsd- v10i8.17509 http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v10i8.17509 http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v10i8.17509 14 BAPTISTA, Rogério Rodolfo. Saúde mental do trabalhador e do idoso. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2020. [Recurso eletrônico]. 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