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1 
 
A Eficácia da Terapia Cognitivo-Comportamental para a Promoção da Saúde 
Mental dos Idosos 
 
Teodora de Fátima Dias da Rocha1 
Maria Sanches2 
 
 
RESUMO 
 
A saúde mental é considerada um aspecto fundamental para o envelhecimento 
saudável e manutenção da qualidade de vida da pessoa idosa. Em vista disso, o 
estudo tem como objetivo compreender de que maneira a Terapia Cognitivo-
Comportamental pode contribuir para amenizar o impacto das doenças mentais em 
pessoas acima de 60 anos. Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, por meio 
de uma pesquisa bibliográfica, tendo por base de dados das bibliotecas eletrônicas: 
Periódicos Eletrônicos de Psicologia (PePSIC), BVS (Biblioteca Virtual em Saúde), 
PubMed (United States National Library of Medicine), Lilacs (Bases de dados de 
Literatura Latino-americana de Ciências da Saúde), SciELO (Scientific Electronic 
Library Online) e Google Acadêmico. A pesquisa limita-se por estudos elegíveis em 
português e inglês, textos completos e gratuitos, publicados nos últimos dez anos. A 
busca nas bases de dados resultou em vinte um artigo, considerando os critérios de 
inclusão e exclusão, visando alcançar o objetivo proposto pelo estudo, cujo o resultado 
obtido foi uma amostra final de sete artigos. Conclui-se que a Terapia Cognitivo-
Comportamental pode contribuir para amenizar o impacto das doenças mentais em 
pessoas idosas por auxiliar na construção de estratégias de enfrentamento mais 
adaptativas durante o processo de envelhecimento, tendo sua eficácia comprovada 
na literatura científica. 
 
Palavras-chave: Idosos. Saúde Mental. Terapia Cognitivo-Comportamental. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
O envelhecimento da população brasileira está relacionado ao fenômeno 
mundial. No Brasil, este fenômeno tende a evoluir no decorrer dos próximos anos, 
pois, segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 
2050, o país poderá se tornar a sexta maior população de idosos no mundo, com mais 
de 32 milhões de pessoas, representando 16% da população brasileira (IBGE, 2018). 
O envelhecimento é definido como um processo dinâmico e progressivo, que 
apresenta alterações físicas, cognitivas e mentais, que merecem a devida atenção. 
 
1 Acadêmica do curso de Psicologia da Instituição Faculdade Anhanguera. 
2 Orientador(a). Docente do curso de Psicologia da Instituição Faculdade Anhanguera. 
2 
 
Diante disso, a busca por respostas sobre as mudanças ocorridas neste período, 
tornou-se um desafio para a ciência, que busca retardar este processo, uma vez que, 
essas alterações podem determinar a progressão da perda da capacidade de 
adaptação do indivíduo ao meio em que se vive. 
Apesar do envelhecimento ser um processo natural do ser humano, ele pode 
ser percebido como um processo negativo para algumas pessoas, provocando 
elevados níveis de estresse, ansiedade e depressão, e que, consequentemente, 
podem comprometer a saúde mental, considerada um aspecto fundamental para o 
envelhecimento saudável e manutenção da qualidade de vida da pessoa idosa. 
Por sua vez, verifica-se que saúde mental está comumente relacionada às 
perdas, ao surgimento e/ou agravo de doenças, às disfunções cognitivas, debilitação 
física e ao distanciamento social. Tais situações exigem uma atenção especial à 
saúde de pessoas acima dos 60 anos, visto que, o desempenho físico e social desta 
população, depende da integridade de suas funções cognitivas. 
No entanto, verifica-se que diversos desafios trazidos pelo envelhecimento 
podem ser eventualmente atenuados com a devida assistência e o acompanhamento 
dos familiares, bem como, de uma equipe multiprofissional, dentre eles, o psicólogo. 
Assim, tendo em vista a busca por melhorias quanto à percepção de cada indivíduo 
diante do processo de envelhecimento, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) 
tem sido uma importante alternativa para esta população. 
Levando em consideração todas as mudanças biopsicossociais ocorridas na 
vida do indivíduo durante o processo de envelhecimento, formulou-se a seguinte 
questão norteadora da pesquisa: Quais os benefícios da Terapia Cognitiva 
Comportamental para a saúde mental dos idosos? 
Dispondo-se responder a prerrogativa, o presente estudo tem como objetivo 
principal busca compreender de que maneira a Terapia Cognitivo-Comportamental 
(TCC) pode contribuir para amenizar o impacto das doenças mentais em pessoas 
acima de 60 anos. Apresenta-se como objetivos específicos demonstrar o impacto das 
doenças mentais nos longevos; os benefícios da Terapia Cognitivo-Comportamental 
(TCC) no apoio aos idosos; e o manejo da TCC no apoio para melhoria da qualidade 
de vida do público em questão. 
3 
 
O interesse pelo tema surgiu a partir da percepção de que a Psicologia tem 
muito para contribuir a pessoa idosa, ao possibilitá-lo que o processo de 
envelhecimento seja compreendido e encarado de modo mais otimista, oferecendo 
melhores condições para que este seja um período saudável e positivo. Além disso, 
verifica-se a carência em pesquisas brasileiras quanto aos benefícios da Terapia 
Cognitivo-Comportamental no atendimento aos idosos, e por esta razão, desenvolver 
pesquisas acerca do manejo da TCC para este público-alvo, demonstra a sua extrema 
relevância, uma vez que, o profissional em psicologia poderá contribuir para a 
melhoria da qualidade de vida destes indivíduos, além de buscar a qualidade aos 
atendimentos oferecidos pelos profissionais desta área, bem como, compreender os 
benefícios da TCC no atendimento aos idosos. 
 
 
2 DESENVOLVIMENTO 
 
2.1 Metodologia 
 
O estudo aborda a temática em questão, através de uma revisão integrativa de 
literatura, por meio de uma pesquisa bibliográfica, tendo por base de dados das 
bibliotecas eletrônicas: Periódicos Eletrônicos de Psicologia (PePSIC), BVS 
(Biblioteca Virtual em Saúde), PubMed (United States National Library of Medicine), 
Lilacs (Bases de dados de Literatura Latino-americana de Ciências da Saúde), 
SciELO (Scientific Electronic Library Online) e Google Acadêmico. A pesquisa foi 
realizada tendo como fonte de pesquisa: revistas, artigos, teses, monografias e 
periódicos, limitando a pesquisa a estudos elegíveis em português e inglês, textos 
completos e gratuitos, publicados nos últimos 10 anos. A coleta de dados foi realizada 
através de combinações dos descritores de busca, tais como: ‘Terapia Cognitivo- 
Comportamental’, ‘saúde mental dos idosos’, ‘qualidade de vida dos idosos’, 
‘percepção do envelhecimento’. 
Os critérios de inclusão adotados para a seleção dos artigos foram estudos 
publicados nos últimos 10 anos, nos idiomas elegíveis, com textos completos e 
gratuitos, indexados em base de dados confiáveis. Além disso, a pesquisa terá como 
4 
 
preferência, a busca por obras produzidas por profissionais da área de Psicologia, 
publicadas nacionalmente, desde que abordem sobre a eficácia da Terapia Cognitivo-
Comportamental para a saúde mental dos idosos. 
 
 
2 DESENVOLVIMENTO 
 
 Embora envelhecer não seja sinônimo de doença, o processo de 
envelhecimento pode acarretar mudanças significativas nos aspectos físicos, 
psicológicos e sociais, tornando as pessoas idosas mais susceptível às Doenças 
Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) (ALMEIDA et al., 2021; BAPTISTA, 2020). 
Dentre as DCNT’s, se inserem as patologias de ordem neuropsicológicas e/ou 
transtornos mentais, que podem gerar ao indivíduo um maior grau de incapacidade e 
comprometimento em sua qualidade de vida (CORDEIRO et al., 2020) 
 Portanto, a possibilidade de um idoso se tornar portador de demências ou de 
patologias que as causam, cresce com o avanço da idade, pois, com o aumento da 
expectativa de vida da população, nota-se um elevado índice de idosos com 
transtornos mentais, muitas vezes, atribuídos aos eventos estressantes, tão comuns 
nesta etapa da vida (MARCELINOet al., 2020). 
 Estudos revelam que o estilo de vida tem forte influência na saúde mental além 
da interação entre comportamento, meio ambiente e perfil genético. Entretanto, 
observa-se que muitas pessoas levam um estilo de vida que promove sofrimento 
emocional, no qual, pode desencadear uma série de problemas, tais como: ansiedade, 
insônia, disfunção social, estresse mental, desequilíbrio nutricional, entre outros 
(PEIXOTO, 2021, p.02). Portanto, a adoção de práticas saudáveis ao longo da vida, 
podem estar associadas individualmente, na promoção de um melhor estado de saúde 
mental ao idoso (PEIXOTO, 2021). 
 Atualmente, o conceito sobre saúde mental não considera apenas as 
incapacidades, doenças ou as possíveis perdas que o envelhecimento ocasiona ao 
indivíduo, mas também, as potencialidades e capacidades que o indivíduo possui ao 
vivenciar esta etapa, visando preservar a sua qualidade de vida (CASEMIRO; 
FERREIRA, 2020). 
5 
 
 As doenças mentais representam um importante problema de saúde pública 
devido à sua alta prevalência, gerando maior procura pelos serviços de saúde, bem 
como, os graves efeitos sobre o bem-estar pessoal, familiar e profissional 
(MARCELINO et al., 2020). Apesar da questão da saúde mental, não se constituir em 
uma causa de morte importante, ainda sim, causa um grande sofrimento emocional e 
diminuição da qualidade de vida do idoso (COSTA et al., 2019). 
 Cabe ressaltar que o número de pessoas com transtornos mentais é grande 
entre os idosos, com destaque para a doença de Alzheimer, os transtornos psicóticos, 
a ansiedade, a depressão, a demência senil e a demência vascular (atrelada a 
hipertensão arterial e diabetes) (COSTA et al., 2019) 
 Tendo em vista que a depressão se tornou o transtorno psiquiátrico mais 
frequentemente identificado em idosos (GATO et al., 2018; COSTA et al., 2019; 
OLIVEIRA, 2019), constituindo-se em um problema de grande magnitude para a 
saúde pública, devido a sua alta morbidade e mortalidade (CASEMIRO; FERREIRA, 
2020; FERREIRA, ALMEIDA, 2020; MARTINS et al., 2021). 
 Segundo Gabriela Martins et al. (2021, p. 59) menciona que “a depressão está 
relacionada ao risco aumentado de mortalidade e suicídio, diminuição nas habilidades 
cognitivas, físicas, sociais e funcionais, assim como, uma maior autonegligência”. 
Consequentemente, pode contribuir para a baixa adesão aos tratamentos de saúde e 
o descaso pelo autocuidado (GATO et al., 2018). 
 Os sintomas depressivos trata-se de uma das principais causas de 
incapacidade, e vem se tornando cada vez mais frequente, chegando a afetar mais 
de 264 milhões de pessoas no mundo (MARTINS et al. 2021), o que o torna-se um 
agravante para o aumento dos índices de suicídio, que atingem seus picos, 
especialmente, entre idosos do gênero masculino (COSTA et al., 2019). 
 Dentre as causas da depressão, estão associadas à interação de fatores 
psicológicos, biológicos e sociais, sendo definida como: “[...] distúrbio mental 
caracterizado pela presença de tristeza persistente e falta de interesse ou prazer em 
atividades que eram consideradas pelo indivíduo como gratificantes anteriormente” 
(MARTINS et al., 2021, p. 59). 
 Muitas vezes, este transtorno está associado ao suporte social negativo ou 
insuficiente, o que reforça sobre a importância do convívio social, uma vez que 
6 
 
estudos empíricos comprovam que “idosos sem contato com amigos, vizinhos e 
familiares podem apresentar sintomas depressivos (GATO et al., 2018, p. 305). 
 De modo geral, observa-se que as preocupações manifestadas pelos idosos 
estão comumente relacionadas à percepção que cada indivíduo possui diante do 
processo de envelhecimento, tanto em relação às dores físicas e emocionais, ou até 
mesmo pelo medo de morrer sozinho (GATO et al., 2018). Por esta razão, “a saúde 
mental é considerada como um pilar importante nesse processo, pois, a saúde física 
e mental se retroalimentam, e o adoecimento de uma pode impactar na outra e vice e 
versa” (FILIPPIN; CASTRO, 2021, p. 78.433). 
Sobre este assunto, a literatura científica aponta que diversas estratégias de 
enfrentamento podem ser realizadas para a promoção da saúde mental em idosos, 
desde àquelas que reforçam os laços com seus familiares, resgate de lembranças do 
passado, e práticas religiosas (CARVALHO et al. 2021), bem como, àquelas que 
desenvolvem as interações grupais, especialmente, as que envolvam os grupos de 
convivência, impactando positivamente à saúde mental de idosos (CASEMIRO; 
FERREIRA, 2020). 
 No entanto, em alguns casos, o idoso requer da ajuda multiprofissional para 
que se possa tratar em todos os níveis de complexidade em prol da saúde física e 
mental desta população. Neste escopo, destaca-se a relevante atuação do psicólogo 
na busca de estratégias e intervenções que facilitem a adaptação do idoso ao 
processo de envelhecimento, tal qual, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). 
 A Terapia Cognitivo-Comportamental é uma forma de psicoterapia que foi 
desenvolvida por Aaron Beck no ano de 1960, por meio de pesquisas com pacientes 
deprimidos, apresentavam visões distorcidas de si mesmo, do mundo e do futuro. 
Beck verificou que estes pensamentos podiam alterar o humor, e consequentemente, 
os comportamentos destes indivíduos (MELO; FARIA; PARDINI, 2021). 
 Desde as pesquisas realizadas por Beck, a TCC ganhou diversas ramificações, 
buscando se adaptar aos diferentes públicos e faixas etárias, bem como, no 
tratamento da multiplicidade de transtornos mentais e questões psicológicas, 
inclusive, no atendimento às pessoas acima de 60 anos (NETTO, 2021), pois, diante 
do aumento do número de pessoas idosa e suas vulnerabilidades, passaram a ser um 
grupo de risco para a depressão (CASEMIRO; FERREIRA, 2020). 
7 
 
 Nessa perspectiva, dentre as alternativas psicoterapêuticas, a TCC tem se 
destacado como sendo a abordagem mais indicada e pesquisada para o tratamento 
da depressão em adultos (VELEDA et al., 2019; FERREIRA; ALMEIDA, 2020). Posto 
que “[...] esta abordagem tem sido mais favorável por se tratar de um modelo breve, 
passível de ser empiricamente testado, com diminuição dos sintomas evidenciados 
em curto prazo, além de apresentar menores índices de recaída” (VELEDA et al., 
2019, p. 325-326). 
 Portanto, a TCC possui um formato estruturado, de curta duração, voltada para 
o presente, direcionada para a solução de problemas atuais e modificação de 
pensamentos e comportamentos disfuncionais (MELO; FARIA; PARDINI, 2021; 
NETTO, 2021). Tendo em vista que a TCC se configura como uma abordagem eficaz 
para a psicoterapia em idosos, apresentando resultados positivos frente aos 
transtornos mentais, como por exemplo, a depressão e a ansiedade (NETTO, 2021). 
 Tal paradigma promove a possibilidade de novas perspectivas para esta etapa 
da vida, aprimorando a visão funcional do idoso, visando promover potencialização 
das capacidades, e na prevenção de transtornos mentais (MEDEIROS; HARTMANN 
JUNIOR, 2019). Neste escopo, a psicoterapia auxilia ao idoso ao prover melhoria 
quanto à percepção de cada indivíduo diante do processo de envelhecimento, criando 
possibilidades mais adaptativas para o idoso, visando solucionar problemas em seu 
cotidiano. 
 Cada vez mais, tem-se desenvolvido pesquisas acerca do manejo da Terapia 
Cognitivo-Comportamental (TCC) em conformidade com cada faixa etária, tendo em 
vista que, “em cada uma delas, o indivíduo e a cognição respondem ao ambiente, e 
se comportam de formas totalmente distintas, além do fato de também enfrentarem 
situações e apresentarem uma percepção social distintos” (COSTA et al., 2019, p. 
414). Como prova disso, estudos empíricos revelam que os idosos brasileiros não 
estão preocupados com a morte, e sim, com o sofrimento e dor diante deste 
acontecimento, o que acaba refletindo na percepção em relação à qualidade de vida 
(GATO et al., 2018). 
 Nesse sentido, VanessaNetto (2021) alerta sobre a necessidade para que a 
TCC se adeque ao tratamento do idoso, considerando às características e 
necessidades específicas ao envelhecimento, assim como, as adversidades 
8 
 
relacionadas aos transtornos mentais desta população, visto que, com a chegada do 
envelhecimento, o idoso passa por várias situações específicas e estressantes, das 
quais, o terapeuta cognitivo-comportamental deverá se habituar ao identificá-las na 
vida dos idosos, tais como: 
[...] vivencia do luto, descaso por parte dos familiares, abandono, preconceito 
social e familiar, aposentadoria, patologias crônicas, perda do cônjuge, perda 
de autonomia tanto financeira como física (dependência de terceiros e perda 
da funcionalidade), solidão, mudança de status, mudanças na aparência 
física, dificuldade em entender e se adequar as novas tecnologias, tentativas 
suicidas, pensamentos sobre morte, e muitas vezes, o processo de 
institucionalização (COSTA et al., 2019, p. 414). 
Deste modo, verifica-se os pensamentos distorcidos e os ‘erros cognitivos’, que 
podem ser comuns à população idosa diante situações específicas durante o 
desenvolvimento do envelhecimento. Cabe mencionar que os erros cognitivos são 
considerados como “[...] distorções disfuncionais observadas nos pensamentos 
automáticos sistemáticos que podem ser responsáveis por sofrimento pessoal” 
(MARTINS et al., 2021, p. 64). 
Fundamentalmente, a TCC tem como objetivo fornecer ao indivíduo uma nova 
perspectiva de pensar e de interpretar o contexto em que estão inseridos, por meio da 
reconstrução de suas crenças disfuncionais (MELO; FARIA; PARDINI, 2021). Desta 
forma, o psicoterapeuta poderá contribuir para a desconstrução dos pensamentos 
disfuncionais, na qual, conforme Emilly Costa et al. (2019, p. 414) explicam: 
A Terapia Cognitivo-Comportamental tem como proposta a ideia de que o 
pensamento disfuncional (que influencia no humor e no pensamento) é 
comum em todos os transtornos e quando as pessoas conseguem avaliar 
esses pensamentos de forma adaptativa e funcional, e em conjunto com o 
terapeuta desconstrui-los e desconstruir as crenças disfuncionais, elas obtêm 
melhora em seu estado emocional e no comportamento. 
Deste modo, o papel do psicoterapeuta é trabalhar na elaboração de 
estratégias de enfrentamento aos problemas individuais, de modo com que, o idoso, 
possa criar possibilidades mais adaptativas para lidar com as situações estressantes, 
principalmente, àquelas provocadas pela presença das DCNT (MARTINS et al., 2021; 
CARVALHO et al., 2021). 
Sendo assim, durante a sessão terapêutica, os erros cognitivos podem ser 
discutidos e trabalhados, quando o profissional solicitar ao idoso a identificação dos 
problemas, pensamentos e comportamentos decorrente da sua rotina diária, para que 
se possa oportunizar a melhor a situação, conforme cada caso, uma vez que, quando 
as pessoas aprendem a avaliar seus pensamentos de forma mais realista e 
9 
 
adaptativa, elas obtêm uma melhora em seu estado emocional e no comportamento 
(MARTINS et al., 2021). 
De modo geral, a atuação do psicólogo tem como especificidades, oferecer 
apoio aos pacientes, familiares e/ou cuidadores, auxiliando no enfrentamento do 
processo de perdas relativas ao envelhecimento e condições adversas à saúde, bem 
como, auxiliar na reorganização da dinâmica familiar diante das novas demandas de 
cuidado (BRAZ, 2020). 
Vale lembrar que o tratamento psicoterápico em idosos pode ser realizado de 
várias formas, abrangendo os atendimentos individuais e/ou em grupos, assim como, 
também a domicílio (COSTA et al., 2019). No entanto, recomenda-se que, para haja 
o desenvolvimento da qualidade de vida quanto ao enfrentamento de situações e 
patologias correlacionadas ao processo de envelhecimento, o psicólogo, com foco na 
TCC, precisa desenvolver maneiras de trabalho que melhor se adeque a cada 
indivíduo. 
 
 
2.3 Resultados e Discussão 
 
A busca nas bases de dados resultou em 21 artigos, considerando os critérios 
de inclusão e exclusão, visando alcançar o objetivo proposto pelo presente estudo. 
Os demais artigos foram excluídos por não responderem à pergunta norteadora, 
resultando em uma amostra final de sete artigos. 
As publicações que compuseram a amostra final da pesquisa abordam 
diferentes métodos, dos quais, descreve-se pontos em comum, importantes para 
discussão sobre a temática abordada no estudo, para que possa auxiliar na atuação 
do psicólogo quanto à promoção da saúde mental no atendimento ao idoso. 
Os artigos selecionados foram descritos e distribuídos de forma sistemática no 
quadro 1 a seguir: 
Quadro 1 - Sistematização dos artigos captados nas bases de dados acerca da 
eficácia da Terapia Cognitivo-Comportamental para a promoção da saúde mental em 
idosos, publicados entre 2016 a 2021. 
 
 
10 
 
Autor/Ano Título Método Objetivos Principais resultados 
 
(MARTINS et 
al., 2021) 
Psicoterapia 
online para 
idosos com 
sintomas 
depressivos em 
distanciamento 
físico. 
Relato de 
uma 
experiência 
Analisar e relatar uma 
experiência de um 
programa da 
psicoterapia breve 
online, envolvendo 
uma amostra de 
indivíduos 
sintomáticos. 
As modalidades de 
psicoterapia breve online 
constituem uma estratégia 
adequada para a 
abordagem de idosos em 
distanciamento físico com 
sintomas leves de 
depressão. 
(COSTA et 
al., 2020) 
Intervenção do 
psicólogo clínico 
com ênfase na 
TCC com idosos 
Revisão de 
literatura. 
Analisar os benefícios 
da Terapia Cognitivo 
Comportamental no 
atendimento aos 
idosos. 
O tratamento psicoterápico 
com idosos pode acontecer 
de várias formas, 
abrangendo os 
atendimentos individuais 
e/ou em grupos, e também 
a domicílio, quando não 
houver condições para 
locomoção até um 
consultório para a terapia. 
(BRAZ, 
2020) 
Atendimento 
Psicológico 
Domiciliar: 
particularidades 
e contribuições 
da TCC. 
Revisão 
integrativa de 
literatura 
Apontar as 
particularidades e 
possíveis 
contribuições da 
TCC no atendimento 
psicológico à 
pessoa idosa no 
contexto domiciliar. 
A metodologia da TCC traz 
resultados eficazes, se 
adaptada. Essa 
modalidade, porém, ainda 
apresenta muitos desafios 
práticos e éticos aos 
profissionais. 
 
(FERREIRA; 
ALMEIDA, 
2020) 
Passos iniciais 
da adaptação ao 
Brasil de 
Intervenção 
Cognitivo-
Comportamental 
para idosos 
depressivos. 
Adaptação 
transcultural 
de manuais 
que 
descrevem 
intervenções 
baseadas em 
evidências. 
Realizar os primeiros 
passos para 
adaptação ao Brasil 
do manual americano, 
que descreve 
intervenção cognitivo- 
comportamental 
baseada em 
evidências para tratar 
idosos depressivos. 
A versão final do manual 
contou com equivalência 
semântica, conceitual e 
cultural, sendo ainda 
necessário investigar a 
fidelidade, viabilidade, 
aceitabilidade, eficácia e 
efetividade do protocolo 
adaptado. 
(OLIVEIRA, 
2019) 
Eficácia da 
terapia cognitivo-
comportamental 
no tratamento da 
depressão. 
Revisão 
integrativa 
Analisar as produções 
científicas disponíveis 
na literatura entre os 
anos de 1995 e 2015 
sobre a eficácia da 
TCC nos transtornos 
depressivos. 
Foram encontradas 
evidências da eficácia 
dessa abordagem tanto 
nos casos de recidiva 
quanto na remissão e na 
redução dos sintomas 
depressivos. 
(VELEDA, et 
al., 2019) 
Efeito da terapia 
cognitivo-
comportamental 
um ano após 
tratamento para 
adultos com 
transtorno 
depressivo 
maior. 
Pesquisa 
experimental 
do tipo 
ensaio 
clínico 
randomizado 
Verificar a efetividade 
do tratamento 
psicoterápico 
individual a partir da 
TCC para os sintomas 
depressivos em um 
período de seis e 12 
meses pós-
intervenção. 
A TCC reduz 
significativamente os 
sintomas depressivos 
mantendo essa condição 
até 12 meses pós-
intervenção sem influência 
significativa de outras 
características. 
(SANTOS; 
SANTOS; 
MARTINS, 
2016) 
Ideaçãosuicida 
em pessoas 
idosas: 
Revisão de 
literatura. 
Analisar como a 
Terapia Cognitivo-
Comportamental pode 
contribuir para o 
As estratégias que 
compõem as intervenções 
terapêuticas fazem parte 
de um plano de segurança 
11 
 
contribuições da 
TCC. 
tratamento de 
pessoas idosas com 
ideação suicida. 
elaborado de forma 
colaborativa entre 
terapeuta e paciente, as 
quais buscam a 
modificação de crenças 
desadaptativas, um 
significado para a vida e o 
aumento da habilidade de 
resolutividade de 
problemas. 
Fonte: autoria própria (ROCHA, 2023). 
 
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) vem cada vez mais se destacando 
no tratamento de diversos transtornos mentais, tendo sua eficácia comprovada em 
diversos estudos. No entanto, verifica-se que o transtorno psiquiátrico mais abordado 
na literatura científica é a depressão. Em vista disso, ocorreu um aumento significativo 
nas últimas décadas, por estudos controlados e comparativos, comprovando a 
eficácia dos tratamentos psicológicos na redução dos sintomas depressivos. Dentre 
as alternativas psicoterapêuticas, a TCC encontra-se em posição de destaque, sendo 
a abordagem psicoterapêutica mais indicada e pesquisada para o tratamento da 
depressão em adultos (VELEDA et al., 2019; FERREIRA; ALMEIDA, 2020). 
Por sua vez, tendo em vista o potencial aumento na incidência de depressão 
em idosos em tempos de isolamento físico e social em decorrência da pandemia da 
COVID-19, Martins et al. (2021) analisaram uma experiência de um programa da 
psicoterapia breve e online, tendo por base as estratégias inspiradas em modelos da 
TCC, envolvendo uma amostra de indivíduos sintomáticos, apresentando resultados 
satisfatórios com pacientes com sintomas leves. 
Todavia, apesar das terapias cognitivas-comportamentais serem 
comprovadamente uma alternativa eficaz de tratamento para a depressão, verifica-se 
que, no Brasil, existem poucos estudos investigando a aplicação desta abordagem 
terapêutica voltada diretamente aos idosos, mesmo esta doença sendo considerado 
um grave problema de saúde pública no país (FERREIRA; ALMEIDA, 2020; BRAZ, 
2020). Observa-se que grande parte das pesquisas estão voltadas de forma 
generalizada aos adultos no tratamento à depressão, e não especificamente, ao 
público acima de 60 anos (MEDEIROS; HARTMANN JUNIOR, 2019). 
Apesar dos estudos realizados por Veleda et al. (2019) e Oliveira (2019) não 
abordarem como foco da pesquisa a população idosa, ambos os estudos encontrou 
12 
 
evidências da eficácia da TCC diante de casos de recidiva e remissão na redução dos 
sintomas depressivos, seja pela abordagem em grupo, individual ou no atendimento 
à domicílio. Contudo, os estudos reforçam sobre a necessidade de pesquisas com 
mais rigor e adequação metodológica, para confirmar e ampliar dos resultados 
encontrados. 
No que concerne à escassez na literatura científica sobre estudos voltados 
para a aplicabilidade da TCC para idosos, é justificada por Martins et al. (2021), pelo 
fato de uma pequena parcela desta população procurarem pelo tratamento 
psicoterápico para depressão, além de ainda existir uma carência de oferta de 
serviços especializados para conseguir atender a grande demanda em nosso país, 
visto que grande parte da população não tem acesso sequer aos tratamentos 
necessários. 
Inclusive, cabe mencionar que, até alguns anos atrás, não havia um protocolo 
de TCC para o tratamento da depressão em idosos brasileiros. Entretanto, Heloisa 
Ferreira e Lucas Almeida (2020), no intuito de reverter esta situação, realizaram os 
primeiros passos para adaptação do manual americano ao Brasil: ‘Treating Late-Life 
Depression – a Cognitive-Behavioral Therapy Approach’. Portanto, Ferreira e Almeida 
(2020) descreveram a intervenção cognitivo-comportamental baseada em evidências 
internacionais, para tratar, especificamente, idosos depressivos. 
 Diante deste contexto, verifica-se que diversas pesquisas brasileiras tiveram 
como escopo a literatura internacional, dos quais apontaram a TCC como uma das 
alternativas mais eficazes no tratamento da depressão em idosos (FERREIRA; 
ALMEIDA, 2020). Embora literatura internacional evidencie que, para que a 
abordagem terapêutica cognitiva-comportamental seja mais efetiva diante de casos 
de idosos depressivos graves, recomenda-se combiná-la ao tratamento farmacológico 
(FERREIRA; ALMEIDA, 2020; MARTINS et al., 2021). Em contrapartida, Veleda et al. 
(2019), revela que esta abordagem terapêutica é tão eficaz quanto se comparada ao 
tratamento exclusivo com medicação antidepressiva, ou ainda, ao tratamento com a 
combinação de ambos, resultando em uma melhora significativa, reforçando a eficácia 
do tratamento. 
Ainda sobre quadros depressivos graves, Cintia Santos, Lívia Santos e Maria 
Martins (2016) analisaram de que modo a TCC pode contribuir para o tratamento de 
13 
 
pessoas idosas com ideação suicida. Tendo como motivação para tal pesquisa, ao 
constatar a alta prevalência de idosos com o desejo de ceifar a sua própria vida. 
Portanto, torna-se imprescindível a busca por mais pesquisas sobre a etiologia 
depressão, por tratamentos mais eficazes, bem como, a identificação de situações de 
risco entre idosos (OLIVEIRA, 2019). Pois, ao identificar as principais distorções 
cognitivas desta população, pode-se caracterizar as estratégias de intervenção da 
TCC mais voltada para esse público (SANTOS; SANTOS, MARTINS, 2016). 
De modo geral, evidencia-se que o psicólogo que atua na abordagem 
terapêutica cognitivo-comportamental, pode contribuir muito no tratamento de idosos, 
independente da modalidade aplicada (BRAZ, 2020). Porém, a autora adverte que 
muitos são os desafios práticos e éticos empregados a estes profissionais no 
desempenho de sua função. 
 
 
3. CONCLUSÃO 
 
A Terapia Cognitivo-Comportamental pode contribuir para amenizar o impacto 
das doenças mentais em pessoas idosas, ao auxiliar na construção de estratégias de 
enfrentamento mais adaptativas durante o processo de envelhecimento, tendo sua 
eficácia comprovada na literatura científica. Ressalta-se quanto a necessidade de se 
investigar com mais rigor e adequação metodológica acerca da aplicação da 
abordagem terapêutica cognitiva-comportamental, com a finalidade de confirmar e 
ampliar os resultados encontrados neste estudo, para que se possa adequar às 
estratégias de intervenção mais voltada às pessoas idosas, e auxiliar a atuação do 
psicólogo na promoção à saúde mental deste público. 
 
 
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