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Brazilian Journal of Health Review 
ISSN: 2595-6825 
1 
 
 
Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 5, p. 01-21, sep/oct., 2024 
 
Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ): abordagens diagnósticas, 
tratamento e perspectivas futuras 
 
Developmental Dysplasia of the Hip (DDH): diagnostic approaches, 
treatment and future perspectives 
 
Displasia del Desarrollo de la Cadera (DDQ): enfoques diagnósticos, 
tratamiento y perspectivas de futuro 
 
DOI:10.34119/bjhrv7n5-053 
 
Submitted: Aug 02nd, 2024 
Approved: Aug 22th, 2024 
 
Anna Luiza Batista Quintela 
Graduada em Medicina 
Instituição: Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG) 
Endereço: Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil 
E-mail: anna.quintela8@gmail.com 
 
Eduardo Porto Machado Linhares 
Graduado em Medicina 
Instituição: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC - MINAS) 
Endereço: Betim, Minas Gerais, Brasil 
E-mail: eduardolinhares2@gmail.com 
 
Jessica Ferreira Franco 
Graduada em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) 
Instituiçāo: Unidade Básica de Saúde Fluvial (UBSF) Tapuirama 
Endereço: Uberlândia, Minas Gerais, Brasil 
E-mail: jessicaffrancoo@gmail.com 
 
Lívia Coutinho de Souza Biagio 
Graduada em Medicina 
Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 
Endereço: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil 
E-mail: livia.csb@gmail.com 
 
Malthus Barbosa Marzola 
Graduando em Medicina 
Instituição: Universidade de Fortaleza (UNIFOR) 
Endereço: Fortaleza, Ceará, Brasil 
E-mail: malthus.marzola@hotmail.com 
 
Marcos Vinícius Saldanha Leal 
Graduado em Medicina pela Universidade de Itaúna (UIT) 
Instituição: Hospital Municipal Regina Vilela Oliveira 
Endereço: Pains, Minas Gerais, Brasil 
E-mail: salldanhaleal@gmail.com 
mailto:jessicaffrancoo@gmail.com
mailto:livia.csb@gmail.com
mailto:malthus.marzola@hotmail.com
https://maps.google.com/maps/place/data=!4m2!3m1!1s0x94b463932d276061:0x515627a38ca1a46c?entry=s&sa=X&ved=1t:8290&hl=pt-br&ictx=111
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Brazilian Journal of Health Review 
ISSN: 2595-6825 
2 
 
 
Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 5, p. 01-21, sep/oct., 2024 
 
Márcia Fernandes Carvalho 
Graduanda em Medicina 
Instituição: Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora (SUPREMA) 
Endereço: Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil 
E-mail: marciacarvahofer@gmail.com 
 
Natália de Carvalho Martins 
Graduada em Medicina pela Universidade Estácio de Sá (UNESA) 
Instituição: Hospital Pasteur 
Endereço: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil 
E-mail: nataliamartins.med@hotmail.com 
 
Priscila Lacerda Oliveira Celestino 
Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) 
Instituição: Complexo Estadual de Saúde da Penha 
Endereço: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil 
E-mail: priscila.lacerda@edu.unirio.br 
 
Taissa Ellen Ferrari Santos 
Graduada em Medicina pela Universidad Privada Abierta Latino Americana (UPAL) 
Instituição: Unidade Basica de Saude Adauto Ribeiro 
Endereço: Reserva do Cabaçal, Mato Grosso, Brasil 
E-mail: taissaferrari3@gmail.com 
 
RESUMO 
A Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) é uma condição ortopédica que afeta a 
articulação do quadril em neonatos e crianças pequenas, caracterizada pela instabilidade ou 
desalinhamento da cabeça femoral em relação ao acetábulo. A detecção precoce da DDQ é 
essencial para o sucesso do tratamento e para a prevenção de complicações futuras, como a 
osteoartrite precoce. As abordagens diagnósticas incluem exames clínicos detalhados, como o 
teste de Ortolani e o teste de Barlow, complementados por métodos de imagem, principalmente 
a ultrassonografia, que se destaca pela capacidade de avaliar a morfologia do quadril de forma 
não invasiva e eficaz em recém-nascidos. O tratamento da DDQ varia conforme a idade da 
criança e a gravidade da displasia. Em neonatos e lactentes, a terapia inicial geralmente envolve 
o uso de órteses, como o suspensório de Pavlik, que auxilia na estabilização da articulação do 
quadril e na promoção do desenvolvimento adequado do acetábulo. Para casos mais avançados 
ou que não respondem ao tratamento conservador, a intervenção cirúrgica pode ser necessária. 
As opções cirúrgicas incluem a redução fechada ou aberta, e em casos mais graves, a osteotomia 
pélvica ou femoral para realinhar a articulação e melhorar a congruência articular. As 
perspectivas futuras para o manejo da DDQ incluem avanços na personalização do tratamento, 
com o uso de técnicas de imagem tridimensionais e a aplicação de medicina regenerativa para 
melhorar os resultados a longo prazo. Além disso, programas de prevenção e educação parental 
estão se consolidando como elementos essenciais para reduzir a incidência de DDQ. A 
conscientização sobre práticas de cuidados neonatais e a importância do diagnóstico precoce 
desempenham papéis cruciais na diminuição das complicações associadas à DDQ. Esses 
avanços sugerem um futuro promissor no combate à DDQ, focado tanto na prevenção quanto 
no tratamento mais eficaz e menos invasivo. 
 
Palavras-chave: displasia do desenvolvimento do quadril, diagnóstico, epidemiologia, 
etiologia, tratamento. 
mailto:nataliamartins.med@hotmail.com
Brazilian Journal of Health Review 
ISSN: 2595-6825 
3 
 
 
Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 5, p. 01-21, sep/oct., 2024 
 
ABSTRACT 
Developmental dysplasia of the hip (DDH) is an orthopedic condition affecting the hip joint in 
neonates and young children, characterized by instability or misalignment of the femoral head 
in relation to the acetabulum. Early detection of DDH is essential for successful treatment and 
prevention of future complications, such as early osteoarthritis. Diagnostic approaches include 
detailed clinical examinations, such as the Ortolani test and the Barlow test, complemented by 
imaging methods, especially ultrasonography, which stands out for its ability to assess hip 
morphology noninvasively and effectively in newborns. Treatment of DDH varies according to 
the age of the child and the severity of the dysplasia. In neonates and infants, initial therapy 
usually involves the use of orthoses, such as the Pavlik harness, which helps to stabilize the hip 
joint and promote adequate development of the acetabulum. For more advanced cases or those 
that do not respond to conservative treatment, surgical intervention may be necessary. Surgical 
options include closed or open reduction, and in more severe cases, pelvic or femoral osteotomy 
to realign the joint and improve joint congruence. Future prospects for the management of DDH 
include advances in personalized treatment, with the use of three-dimensional imaging 
techniques and the application of regenerative medicine to improve long-term outcomes. In 
addition, prevention and parental education programs are emerging as essential elements in 
reducing the incidence of DDH. Awareness of neonatal care practices and the importance of 
early diagnosis play crucial roles in decreasing complications associated with DDH. These 
advances suggest a promising future in the fight against DDH, focused on both prevention and 
more effective and less invasive treatment. 
 
Keywords: developmental dysplasia of the hip, diagnosis, epidemiology, etiology, treatment. 
 
RESUMEN 
La displasia del desarrollo de la cadera (DDQ) es una enfermedad ortopédica que afecta a la 
articulación de la cadera en neonatos y niños pequeños, caracterizada por la inestabilidad o 
desalineación de la cabeza femoral en relación con el acetábulo. La detección precoz de la DDQ 
es esencial para el éxito del tratamiento y la prevención de futuras complicaciones, como la 
artrosis precoz. Los enfoques diagnósticos incluyen exámenes clínicos detallados,como el test 
de Ortolani y el test de Barlow, complementados con métodos de imagen, especialmente la 
ecografía, que destaca por su capacidad para evaluar la morfología de la cadera de forma no 
invasiva y eficaz en recién nacidos. El tratamiento de la DDQ varía según la edad del niño y la 
gravedad de la displasia. En neonatos y lactantes, la terapia inicial suele consistir en el uso de 
órtesis, como la férula de Pavlik, que ayuda a estabilizar la articulación de la cadera y favorece 
el correcto desarrollo del acetábulo. En los casos más avanzados o que no responden al 
tratamiento conservador, puede ser necesaria la intervención quirúrgica. Las opciones 
quirúrgicas incluyen la reducción cerrada o abierta y, en los casos más graves, la osteotomía 
pélvica o femoral para realinear la articulación y mejorar la congruencia articular. Las 
perspectivas de futuro para el tratamiento de la DDQ incluyen avances en la personalización 
del tratamiento, con el uso de técnicas de imagen tridimensionales y la aplicación de la medicina 
regenerativa para mejorar los resultados a largo plazo. Además, los programas de prevención y 
educación de los padres se están consolidando como elementos esenciales para reducir la 
incidencia de la DDQ. La concienciación sobre las prácticas de atención neonatal y la 
importancia del diagnóstico precoz desempeñan un papel crucial en la reducción de las 
complicaciones asociadas a la DDQ. Estos avances sugieren un futuro prometedor en la lucha 
contra la DDQ, centrada tanto en la prevención como en un tratamiento más eficaz y menos 
invasivo. 
 
Brazilian Journal of Health Review 
ISSN: 2595-6825 
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Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 7, n. 5, p. 01-21, sep/oct., 2024 
 
Palabras clave: displasia del desarrollo de la cadera, diagnóstico, epidemiología, etiología, 
tratamiento. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ), anteriormente conhecida como 
luxação congênita do quadril, é a doença congênita mais comum do sistema musculoesquelético 
em recém-nascidos, abrangendo um espectro de condições que variam desde um quadril estável 
com um acetábulo levemente displásico até a luxação completa do quadril. Caracteriza-se por 
uma série de anomalias anatômicas, incluindo a formação incompleta do acetábulo, frouxidão 
da cápsula articular, deformidade secundária do fêmur proximal e, em casos mais graves, 
luxação irredutível do quadril. Os fatores de risco clássicos incluem apresentação pélvica, 
oligoidrâmnio, sexo feminino, grande peso ao nascer e primiparidade, além de influências 
genéticas e ambientais que desempenham um papel crucial na patogênese da DDQ. A condição 
pode frequentemente afetar vários membros de uma mesma família ao longo de gerações. A 
incidência global varia entre 0,4% e 1%, com prevalência maior em populações asiáticas, 
caucasianas, mediterrâneas e americanas (HAN; LI, 2022). 
A detecção e o tratamento precoce são fundamentais para melhorar o prognóstico e a 
qualidade de vida das crianças afetadas pela DDQ. Se não tratada adequadamente, a condição 
pode levar a sérios comprometimentos no desenvolvimento normal do quadril, resultando em 
dificuldades de crescimento e mobilidade. O exame físico de triagem para a DDQ, incluindo as 
manobras de Barlow (para detectar subluxações ou luxações) e Ortolani (para verificar a 
possibilidade de redução), é recomendado ao nascimento e deve ser repetido periodicamente 
até os seis meses de idade. O ultrassom é o método preferido para confirmar suspeitas clínicas 
em lactentes com até seis meses, enquanto as radiografias são recomendadas após a ossificação 
da cabeça femoral. Graças às práticas de triagem, a apresentação de casos além dos seis meses 
de idade é menos comum, embora ainda possa ocorrer em casos mais leves (KHALED 
BAKARMAN et al., 2023). 
O tratamento da DDQ inicia-se com o uso do arnês de Pavlik, ou de um suporte rígido 
de abdução em crianças mais velhas. Em casos onde o tratamento conservador falha ou em 
pacientes que apresentam a condição em idade mais avançada, a redução fechada ou aberta, 
seguida de imobilização com gesso em espiga, torna-se necessária. Mesmo após a redução bem-
sucedida do quadril, a displasia acetabular pode persistir, necessitando de tratamentos 
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adicionais em fases posteriores, muitas vezes envolvendo cirurgias mais extensas, como a 
osteotomia pélvica. Esta intervenção, embora necessária em casos de displasia persistente, está 
associada a maiores desafios e a um prognóstico funcional menos favorável. A displasia não 
tratada pode resultar em dor severa e osteoartrite precoce, potencialmente exigindo uma 
artroplastia total do quadril. O sucesso do tratamento é significativamente influenciado pela 
idade do paciente no momento do diagnóstico e pela gravidade da displasia, o que reforça a 
importância da triagem neonatal para a detecção precoce e o manejo adequado da DDQ, 
melhorando assim o prognóstico a longo prazo (GARCIA et al., 2022). 
 
2 OBJETIVO 
 
O objetivo deste artigo é reunir informações, mediante análise de estudos recentes, 
acerca dos aspectos inerentes à displasia do desenvolvimento do quadril, sobretudo a etiologia, 
fatores de risco, diagnóstico, tratamento, aspectos genéticos, prognóstico, seguimento a longo 
prazo, perspectivas futuras e inovações no tratamento. 
 
3 METODOLOGIA 
 
Realizou-se pesquisa de artigos científicos indexados nas bases de dados Latindex e 
MEDLINE/PubMed entre os anos de 2019 e 2024. Os descritores utilizados, segundo o “MeSH 
Terms”, foram: developmental dysplasia of the hip, etiology, diagnosis e management. Foram 
encontrados 150 artigos, segundo os critérios de inclusão: artigos publicados nos últimos 5 
anos, textos completos, gratuitos e tipo de estudo. Papers pagos e com data de publicação em 
período superior aos últimos 5 anos foram excluídos da análise, selecionando-se 17 artigos 
pertinentes à discussão. 
 
4 ETIOLOGIA E FATORES DE RISCO 
 
A DDQ é uma condição ortopédica que, se não for identificada e tratada adequadamente, 
pode resultar em complicações significativas como instabilidade articular e osteoartrite precoce. 
A etiologia da DDQ é multifatorial, envolvendo uma combinação de fatores genéticos, 
ambientais e biomecânicos. Em termos genéticos, a predisposição para a displasia é 
amplamente reconhecida, com estudos demonstrando que variantes genéticas específicas estão 
diretamente relacionadas ao desenvolvimento anômalo da articulação do quadril. Esse 
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conhecimento tem levado à consideração da triagem genética como uma possível ferramenta 
preventiva, especialmente em famílias com histórico de DDQ. Tal abordagem pode 
potencialmente reduzir a incidência da condição, ao permitir intervenções preventivas desde os 
primeiros meses de vida (IOANNIS GKIATAS et al., 2019; ZAMBORSKY et al., 2019). 
Adicionalmente, fatores ambientais, como a posição fetal durante a gestação, também 
desempenham um papel crucial no desenvolvimento da DDQ. Bebês que permanecem em 
posição pélvica ou com outras anomalias de posição intra uterina apresentam maior risco de 
desenvolver a condição devido à pressão exercida sobre as articulações do quadril. Esta pressão 
excessiva pode levar à instabilidade e deformidade articular, fatores que contribuem para a 
displasia. Portanto, a detecção precoce dessas posições anômalas através de exames 
ultrassonográficos pode ser uma estratégia eficaz para prevenir a progressão da DDQ. O 
rastreamento ultrassonográfico é, portanto, uma ferramenta indispensável para a identificação 
precoce de DDQ, especialmente em recém-nascidos com fatoresde risco conhecidos, como a 
posição pélvica ao nascimento (HAN; LI, 2022; WOJCIECH KRYSTA et al., 2024). 
Os hormônios maternos também têm sido implicados na etiologia da DDQ, com 
destaque para a relaxina, que facilita o parto ao aumentar a elasticidade dos tecidos maternos, 
mas que também pode afetar o desenvolvimento das articulações do quadril fetal. Estudos 
sugerem que altos níveis de relaxina podem estar associados a um aumento na incidência de 
DDQ, uma vez que o hormônio pode comprometer a estabilidade das articulações em 
desenvolvimento. Essa correlação hormonal sublinha a importância de uma monitorização 
cuidadosa durante a gestação, particularmente em mulheres com histórico de DDQ ou outros 
fatores de risco. Assim, o entendimento dos mecanismos hormonais envolvidos pode abrir 
novas vias para intervenções preventivas, que visam reduzir a incidência da DDQ em 
populações vulneráveis (HARSANYI et al., 2020; KHALED BAKARMAN et al., 2023). 
Por fim, as estratégias de prevenção e intervenção precoce são fundamentais no manejo 
da DDQ, especialmente quando se considera a complexa interação entre fatores genéticos, 
ambientais e hormonais. A triagem neonatal para DDQ, especialmente em recém-nascidos com 
fatores de risco identificados, tem se mostrado eficaz na detecção precoce e na prevenção de 
complicações a longo prazo. Estudos recentes enfatizam que a correção precoce dos fatores de 
risco, como a posição fetal inadequada e a exposição a níveis hormonais elevados, pode reduzir 
a necessidade de intervenções cirúrgicas futuras e melhorar os resultados clínicos. Dessa forma, 
a implementação de programas de rastreamento que integrem esses diversos fatores é essencial 
para garantir um tratamento eficaz e uma melhor qualidade de vida para os pacientes com DDQ 
(BERGEN et al., 2022; GARCIA et al., 2022). 
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5 DIAGNÓSTICO E ESTRATÉGIAS DE TRIAGEM 
 
Todos os recém-nascidos (RN), especialmente aqueles com fatores de risco para DDQ, 
devem ser avaliados clinicamente de forma criteriosa. As manobras de Barlow e o teste de 
Ortolani são essenciais no rastreio e cada quadril deve ser avaliado separadamente. No exame 
físico, essas manobras são realizadas para identificar sinais de instabilidade. Na manobra de 
Barlow, o paciente deve estar em decúbito dorsal, com a pelve estabilizada e o joelho em 
abdução. Uma força cuidadosa é aplicada longitudinalmente ao longo do fêmur para identificar 
qualquer subluxação ou deslocamento através da sensação tátil. Em crianças mais velhas, a 
discrepância no comprimento das pernas, que pode ocorrer em casos de deslocamento 
unilateral, deve ser avaliada, além da possível assimetria na abdução, que também pode ser um 
indicativo de DDQ. No teste de Ortolani, que avalia a redução do quadril, o paciente é 
posicionado em decúbito dorsal com flexão dos quadris a 90 graus. O examinador posiciona os 
dedos indicador e médio na região lateral do trocanter maior, enquanto o polegar fica na região 
crural. A pelve do lado contralateral deve ser estabilizada, e o examinador aplica uma força 
ascendente na região do trocanter. A presença de um "clique" durante o teste é indicativa de um 
quadril deslocado, mas redutível. Outro teste importante é o de Galleazzi, em que a criança é 
colocada em posição supina com flexão dos quadris e joelhos; a altura desigual dos joelhos 
indica um resultado positivo. Em casos não diagnosticados precocemente, as crianças podem 
apresentar claudicação no lado afetado, resultando em sinal de Trendelenberg positivo e 
hiperlordose (BAKARMAN ET AL, 2023). 
Em neonatos, a cabeça do fêmur e o acetábulo são predominantemente compostos por 
cartilagem, o que torna a avaliação por radiografia menos eficaz. A ultrassonografia (USG) é o 
exame de escolha nos primeiros quatro meses de vida. Este exame é capaz de identificar 
sutilezas presentes nos subtipos de DDQ quando o exame físico é inconclusivo e proporciona 
imagens em 3D em tempo real das articulações nos RN, sem necessidade de sedação, contraste 
ou exposição à radiação. A USG permite uma visualização detalhada da cabeça femoral 
cartilaginosa e sua relação com o acetábulo (BAKARMAN ET AL, 2023). A ultrassonografia 
pode ser realizada de forma estática, examinando a anatomia da articulação, ou de forma 
dinâmica, avaliando a estabilidade da articulação do quadril através de manobras de estresse 
durante a obtenção de imagens (ALHADDAD ET AL, 2023). 
Graf desenvolveu uma técnica baseada em duas características morfológicas do quadril: 
o ângulo alfa, formado entre o ílio e a parede óssea do acetábulo, e o ângulo beta, formado entre 
o ílio e a cartilagem labral (BAKARMAN ET AL, 2023; VAQUERO-PICADO ET AL, 2019). 
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Quanto maior o ângulo alfa, mais estável é o quadril. Este é um método estático e morfológico. 
Em contraste, Terjesen et al propuseram um método baseado na avaliação dinâmica do quadril, 
enfatizando a importância da instabilidade do quadril e do percentual de cobertura da cabeça 
femoral. É recomendada a realização de um estudo de imagem antes dos seis meses de idade 
em todos os casos com fatores de alto risco, como apresentação pélvica, histórico familiar e 
instabilidade documentada. Entretanto, há controvérsias sobre quais fatores de risco justificam 
a triagem ultrassonográfica. A Sociedade Europeia de Radiologia Pediátrica considera a 
apresentação pélvica e a história familiar positiva como os únicos fatores de risco que indicam 
a necessidade de ultrassonografia do quadril quando o exame físico neonatal é normal 
(VAQUERO-PICADO ET AL, 2019). 
Entre 1980 e 2000, diversos métodos de USG foram introduzidos para avaliar o quadril 
de recém-nascidos. Em uma comparação entre os métodos de Graf, Harcke, Suzuki e Terjesen, 
o método de Graf se destacou como o mais preciso. Este método oferece uma avaliação direta 
do desenvolvimento do lábio acetabular e é capaz de identificar articulações do quadril que 
necessitam de tratamento com base em critérios objetivos. Estudos clínicos indicam que a 
principal vantagem do método de Graf é sua simplicidade, precisão e a padronização, 
oferecendo um sistema de classificação que guia diretamente o tratamento (HAN e LI, 2022). 
A avaliação radiográfica torna-se o principal método para avaliar o crescimento e 
desenvolvimento do quadril após quatro a seis meses de vida. A radiografia permite a avaliação 
da ossificação e do desenvolvimento adequados da cabeça femoral e do acetábulo, além de 
detectar necrose avascular (NAV) (VAQUERO-PICADO, 2019). Diversas linhas clássicas do 
raio-X da pelve ainda são utilizadas para guiar a avaliação da presença de DDQ. A linha de 
Shelton, que inicia no trocânter e se estende em direção ao colo do fêmur, conectando-se a uma 
linha na margem inferior do púbis, é regular em um quadril normal. Essa linha torna-se 
descontínua em casos de subluxação ou deslocamento do quadril afetado. O ângulo formado na 
interseção da linha de Hilgenreiner com a linha que atravessa o acetábulo é conhecido como 
índice acetabular (BAKARMAN ET AL, 2023; VAQUERO-PICADO, 2019). Conforme o 
crescimento do lactente, este ângulo diminui. Valores normais para recém-nascidos são em 
torno de 27,5 graus, 23,5 graus aos seis meses e 20 graus no segundo ano de vida. Em geral, 
um valor superior a 30 graus é considerado anormal, sendo um indicativo de displasia. No 
entanto, variações normais devem ser consideradas (BAKARMAN ET AL, 2023). A 
radiografia também pode ser utilizada para avaliar a ossificação e identificar necrose avascular 
(ALHADDAD ET AL, 2023). 
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O rastreio neonatal para displasia do quadril visa o diagnóstico precoce, permitindo o 
tratamento oportuno para oferecer os melhores resultados. Se não tratada, a DDQ pode resultar 
em complicações a longo prazo, como restrição de mobilidade, assimetria no comprimento dos 
membros inferiores, marcha alterada e osteoartrite, que pode levar a disfunções graves. Não 
existem diretrizes internacionais padronizadas para o rastreio, sendo que as principais 
abordagens incluem o rastreio universal com USG e o rastreio seletivo. A abordagem seletiva 
envolve crianças com alterações no exame físico e fatores de risco para displasia (KRYSTA 
ET AL, 2024). Embora alguns estudos sugiram que o rastreio universal com ultrassonografia 
possa reduzir o risco de displasia acetabular, não foi comprovado um impacto positivo na 
redução da necessidade de artroplastia total de quadril na idade adulta. A incidência de detecção 
e tratamento não operatório entre recém-nascidos submetidos ao rastreio universal foi maior do 
que entre aqueles que receberam rastreio seletivo. No entanto, a incidência de DDQ tardia e 
DDQ que requer manejo cirúrgico foi similar entre os diferentes tipos de rastreio (KUITUNEN 
ET AL, 2022). 
 
6 TRATAMENTO CONSERVADOR NA INFÂNCIA 
 
O tratamento conservador da DDQ na infância é uma abordagem crucial para a correção 
precoce dessa condição. As opções incluem o uso de dispositivos ortopédicos, sendo os mais 
comuns o “pau de espeto” e a contenção de Pavlik. O “pau de espeto” consiste em um aparelho 
de abdução que mantém os quadris em uma posição estável, promovendo o desenvolvimento 
adequado da articulação. Já a contenção de Pavlik, um dispositivo de abdução mais flexível, 
permite maior mobilidade, enquanto direciona a cabeça femoral para a posição correta dentro 
do acetábulo. Essas intervenções são recomendadas para crianças com DDQ diagnosticada nos 
primeiros meses de vida, pois quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores são as chances 
de sucesso sem a necessidade de intervenções cirúrgicas subsequentes (BERGEN et al., 2022; 
ALHADDAD et al., 2023). 
A seleção do tratamento conservador depende de diversos fatores, incluindo a idade da 
criança, a severidade da displasia e a resposta inicial ao tratamento. Crianças diagnosticadas 
com DDQ antes dos seis meses de idade têm uma maior probabilidade de sucesso com a 
contenção de Pavlik, enquanto aquelas diagnosticadas posteriormente podem exigir o uso de 
dispositivos mais rígidos, como o “pau de espeto”. Entretanto, é importante considerar que nem 
todas as crianças respondem igualmente ao tratamento conservador. Fatores como a presença 
de rigidez articular, a incapacidade de manter a redução do quadril e a falha em alcançar a 
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estabilidade da articulação após um período de uso do dispositivo ortopédico são desafios 
significativos que podem exigir a reconsideração da abordagem terapêutica (VAIDYA; 
ALARIC AROOJIS; MEHTA, 2021; GARCIA et al., 2022). 
A eficácia do tratamento conservador da DDQ está bem documentada, com estudos 
demonstrando taxas de sucesso superiores a 90% em casos tratados precocemente com 
contenção de Pavlik. No entanto, a efetividade pode variar dependendo da aderência ao 
tratamento e do monitoramento contínuo por parte dos profissionais de saúde. O uso incorreto 
ou a retirada precoce do dispositivo podem comprometer os resultados, levando a uma 
necessidade posterior de intervenção cirúrgica. Além disso, o uso prolongado de aparelhos 
ortopédicos pode estar associado a complicações, como necrose avascular da cabeça femoral, 
rigidez articular e atraso no desenvolvimento motor. Essas complicações, embora raras, 
ressaltam a importância de um acompanhamento rigoroso e de ajustes periódicos no tratamento 
(MERCHANT et al., 2021; HAN; LI, 2022). 
Por fim, o tratamento conservador na infância para DDQ é uma abordagem eficaz e 
amplamente utilizada, especialmente em crianças diagnosticadas precocemente. A seleção 
adequada do tipo de dispositivo ortopédico, aliado ao monitoramento constante, são 
fundamentais para o sucesso terapêutico. Embora os desafios existam, como a possível 
ineficácia do tratamento em casos específicos e o risco de complicações, a intervenção 
conservadora continua sendo a primeira linha de tratamento para a maioria dos casos de DDQ 
na infância. Portanto, a decisão sobre a melhor abordagem deve ser individualizada, levando 
em consideração as características específicas de cada paciente e a resposta ao tratamento inicial 
(CHAND et al., 2021; DHALIWiAL et al., 2023). 
 
7 TRATAMENTO CIRÚRGICO E INTERVENÇÕES 
 
O tratamento cirúrgico da DDQ é geralmente indicado quando o manejo conservador 
falha em alcançar a estabilização adequada do quadril. Em casos onde métodos como a redução 
fechada ou o uso de órteses não conseguem corrigir a displasia, a cirurgia se torna essencial 
para prevenir complicações futuras, como a artrose precoce. As técnicas cirúrgicas são 
escolhidas com base em fatores como a idade do paciente, o grau de displasia e a presença de 
luxação associada. A decisão de prosseguir com a cirurgia é complexa e envolve uma avaliação 
cuidadosa do potencial benefício em comparação aos riscos envolvidos (GARCIA et al., 2022; 
ALHADDAD et al., 2023; KHALED BAKARMAN et al., 2023). 
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Uma das principais abordagens cirúrgicas na DDQ é a redução aberta, que visa 
reposicionar a cabeça do fêmur dentro do acetábulo. Essa técnica é frequentemente utilizada 
em pacientes onde a redução fechada não é possível ou falhou. A redução aberta pode ser 
combinada com outras intervenções, como a capsuloplastia, que reforça a cápsula articular para 
manter a estabilidade do quadril. Outra técnica comumente empregada é a osteotomia, que 
envolve a remodelação óssea para melhorar o alinhamento e a congruência do quadril. As 
osteotomias podem ser realizadas tanto no fêmur quanto no acetábulo, dependendo das 
necessidades individuais de cada paciente (VAQUERO-PICADO et al., 2019; BERGEN et al., 
2022; DHALIWAL et al., 2023). 
Os resultados das intervenções cirúrgicas para DDQ variam de acordo com a técnica 
utilizada e a idade do paciente. A curto prazo, a cirurgia pode restaurar a função articular e 
permitir um desenvolvimento normal do quadril. No entanto, a longo prazo, os resultados 
podem ser influenciados por fatores como a qualidade da redução inicial e o grau de 
remodelação óssea pós-operatória. Embora muitas crianças que passam por cirurgia tenham um 
prognóstico favorável, há um risco de complicações como a necrose avascular da cabeça 
femoral, que pode comprometer os resultados a longo prazo. Estudos demonstram que, mesmo 
com a intervenção cirúrgica, um acompanhamento rigoroso é necessário para garantir o sucesso 
a longo prazo (WANG, 2019; CHAND et al., 2021; MERCHANT et al., 2021). 
A decisão de optar pela cirurgia em casos de DDQ deve considerar uma série de 
critérios, incluindo a idade da criança, o grau de displasia e a resposta ao tratamento 
conservador. A idade é um fator crítico, pois a capacidade de remodelação do quadril diminui 
com o tempo, tornando a intervenção precoce mais eficaz. Além disso, a severidade da 
displasia, determinada por exames de imagem, influencia diretamente a decisão de realizar a 
cirurgia. Em casos de displasia severa, a cirurgia pode ser a única opção para prevenir danos 
articulares irreversíveis. Portanto, a decisão cirúrgica deve ser individualizada, levando em 
conta os riscos e benefícios para cada paciente (HAN; LI, 2022; ILARI KUITUNEN et al., 
2022; WOJCIECH KRYSTA et al.,2024). 
 
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8 ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR NO MANEJO DA DDQ 
 
A DDQ é uma condição ortopédica complexa que exige uma abordagem 
multidisciplinar para otimizar os resultados do tratamento e garantir o bem-estar do paciente. 
A participação coordenada de ortopedistas, pediatras e fisioterapeutas é fundamental para o 
manejo eficaz da DDQ, desde o diagnóstico precoce até a reabilitação. A integração de 
diferentes especialidades permite um plano de tratamento mais abrangente, onde cada 
profissional contribui com sua expertise para o cuidado global do paciente. A atuação conjunta 
desses especialistas não apenas facilita a identificação precoce de problemas, mas também 
promove intervenções mais adequadas e direcionadas, resultando em melhores desfechos 
clínicos (GARCIA et al., 2022; ALHADDAD et al., 2023). 
A coordenação entre ortopedistas, pediatras e fisioterapeutas é essencial para melhorar 
os resultados no tratamento da DDQ, pois cada especialidade oferece uma perspectiva única e 
complementar. Ortopedistas, por exemplo, são responsáveis pela avaliação e tratamento 
cirúrgico ou conservador da displasia, enquanto os pediatras monitoram o desenvolvimento 
geral da criança e garantem que não haja complicações adicionais. Fisioterapeutas, por sua vez, 
desempenham um papel crucial na reabilitação, ajudando a restaurar a função e mobilidade do 
quadril através de exercícios específicos e terapias manuais. Essa colaboração multidisciplinar 
permite uma abordagem mais personalizada e adaptativa ao longo do tratamento, ajustando as 
intervenções conforme a evolução da condição e as necessidades do paciente (BERGEN et al., 
2022; DHALIWAL et al., 2023). 
Estudos de caso e modelos de cuidado multidisciplinar demonstram o impacto positivo 
dessa abordagem integrada no manejo da DDQ. Um exemplo é o modelo de clínicas 
especializadas que reúnem diversos profissionais em um único local, facilitando a comunicação 
e o alinhamento de estratégias terapêuticas. Em um estudo de caso publicado recentemente, foi 
observado que crianças tratadas em ambientes multidisciplinares apresentaram uma 
recuperação mais rápida e eficaz, com menor incidência de complicações e maior satisfação 
dos pais em relação ao tratamento recebido. Esses resultados reforçam a importância de um 
sistema de saúde que favoreça a cooperação entre diferentes especialidades (VAIDYA; 
ALARIC AROOJIS; MEHTA, 2021; HAN; LI, 2022). 
Além disso, o sucesso no manejo multidisciplinar da DDQ está associado à educação 
continuada e ao treinamento dos profissionais envolvidos. A formação de equipes bem treinadas 
e atualizadas nas mais recentes evidências científicas é crucial para garantir que todos os 
membros da equipe estejam alinhados nas melhores práticas de cuidado. Esse alinhamento é 
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essencial não apenas para o sucesso do tratamento, mas também para a prevenção de 
recorrências e complicações a longo prazo. Através de uma abordagem colaborativa e centrada 
no paciente, a equipe multidisciplinar pode oferecer um tratamento mais holístico e eficaz, 
abordando não apenas a correção física da displasia, mas também o impacto global da condição 
na qualidade de vida da criança (WANG, 2019; HARSANYI et al., 2020). 
 
9 ASPECTOS GENÉTICOS E ESTUDOS RECENTES 
 
A DDQ tem fatores genéticos e ambientais muito atrelados a sua ocorrência, como por 
exemplo, uma incidência de 12 vezes mais entre parentes de primeiro grau. É uma condição 
mais prevalente em asiáticos, caucasianos, mediterrâneos e americanos, sendo as mulheres as 
mais acometidas, em uma proporção de 4-10:1. Estudos recentes vêm demonstrando alguns 
genes que têm maior envolvimento com o aparecimento da DDQ, podendo citar WISP3, 
PAPPA2, HOXB9, HOXD9, GDF5, TGF Beta 1, CX3 CR1, UQCC, COL1A1, TbX4 e ASPN, 
sendo evidenciado que esses genes desempenham papel importante na formação da cartilagem 
e no desenvolvimento de condrócitos. (GKIATAS, et al., 2019). 
Diante disso, surgem vários estudos que demonstram a influência genética no curso da 
doença e como esse fator tem grande importância para determinar o diagnóstico e prevenção da 
doença. Genes já citados anteriormente demonstram que tem um papel importante na 
patogênese da DDQ. Atualmente o diagnóstico tradicional é feito por meio de ultrassonografias 
realizadas até meados dos três anos de vida, no entanto o diagnóstico por imagem adjunto a 
uma investigação genética poderá levar a diagnósticos precoces, que ajudariam o paciente tanto 
no seu tratamento físico da doença, quanto comprovadamente melhora do fator psicológico 
destes pacientes. Outro ponto importante para a prevenção da doença, é a identificação de genes 
que causam a DDQ, como vêm sendo estudado nos últimos tempos. Essa identificação em larga 
escala, acompanhada do aconselhamento genético, poderá reduzir os índices e consequências 
que esta doença causa. (ZAMBORSKY, et al., 2019). 
O caminho para termos melhores prognósticos da DDQ se faz fundamentalmente 
através da triagem, tanto física, quanto genética de pessoas suscetíveis a terem genes que 
possam ajudar no desenvolvimento da doença. Atualmente existe o Genome Wide Association 
Studies (GWAS), que são estudos observacionais no qual analisam conjuntos de variantes 
genéticas que estão associadas à incidência da DDQ. Outro método, que é a Análise de Ligação 
Ampla do Genoma (GWLA) utilizam de pedigrees para identificar loci associados ao 
aparecimento da doença. Outros métodos como detecção de variantes do número de cópias 
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globais, sequenciamento completo do exoma são auxiliares para detecção genética de genes 
que causam a doença. Além da melhora dos estudos genéticos, ainda se faz necessário a triagem 
com exame físico - exame do quadril neonatal, manobras de Barlow e Ortolani - e exames de 
imagem que auxiliem no diagnóstico. Essa tríade juntas podem mudar em grande parte o curso 
do desenvolvimento da DDQ e promover uma melhor qualidade de vida para os pacientes. 
(ZAMBORSKY, et al., 2019; HARSANYI, et al., 2020) 
 
10 PREVENÇÃO E EDUCAÇÃO PARENTAL 
 
A prevenção da DDQ é fundamental para reduzir a incidência e minimizar as 
complicações a longo prazo associadas a essa condição. As estratégias preventivas envolvem, 
primordialmente, a identificação precoce de fatores de risco e a implementação de práticas que 
favoreçam o desenvolvimento saudável do quadril em recém-nascidos e lactentes. Entre essas 
práticas, destaca-se a recomendação de evitar o uso excessivo de swaddling (embrulhar o bebê 
com as pernas estendidas), uma vez que essa técnica pode aumentar o risco de desenvolvimento 
de DDQ (VAIDYA; ALARIC AROOJIS; MEHTA, 2021). Além disso, posicionar o bebê 
corretamente ao carregá-lo em slings ou carregadores pode contribuir para a prevenção, já que 
uma postura inadequada pode prejudicar o alinhamento correto das articulações do quadril 
(GARCIA et al., 2022). 
A educação parental desempenha um papel crucial na prevenção da DDQ, 
especialmente em famílias com histórico da doença ou outros fatores de risco identificáveis. Os 
novos pais devem ser orientados sobre os sinais precoces da DDQ, como a limitação da abdução 
do quadril, assimetria nas pregas da pele e cliques perceptíveis na articulação do quadril 
(ALHADDAD et al., 2023). É fundamental que os profissionais de saúde promovam a 
conscientização sobre a importância de consultas pediátricas regulares, nas quais essas 
avaliações podem ser realizadas de maneira sistemática. Além disso, os pais devem sereducados sobre a importância do uso adequado de dispositivos ortopédicos, como o uso de 
suspensórios, que pode ser indicado quando há suspeita ou confirmação de DDQ (MERCHANT 
et al., 2021). 
Programas de conscientização pública têm sido uma ferramenta eficaz na disseminação 
de informações sobre a prevenção da DDQ. Esses programas buscam educar não apenas os 
pais, mas também a comunidade em geral e os profissionais de saúde sobre a importância do 
diagnóstico precoce e das práticas de manejo adequadas (TAO et al., 2023). As campanhas de 
conscientização, por exemplo, têm demonstrado ser eficazes na redução das taxas de DDQ em 
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populações onde foram amplamente implementadas, evidenciando a importância de uma 
abordagem educativa abrangente (HAN; LI, 2022). A disseminação dessas informações por 
meio de folhetos, workshops, e materiais digitais têm mostrado resultados positivos na 
prevenção da DDQ, especialmente em áreas com menos acesso a cuidados especializados 
(DHAILIWAL et al., 2023). 
Por fim, é essencial que a educação parental seja contínua e adaptada às necessidades 
individuais das famílias, levando em consideração o contexto cultural e social em que estão 
inseridas. A comunicação eficaz entre profissionais de saúde e pais é vital para garantir que as 
orientações sejam compreendidas e aplicadas de forma adequada (BERGEN et al., 2022). O 
envolvimento ativo dos pais no processo de prevenção da DDQ, por meio da aquisição de 
conhecimento e da adoção de práticas recomendadas, pode, de fato, fazer uma diferença 
significativa nos resultados de saúde das crianças, reduzindo a necessidade de intervenções 
cirúrgicas futuras e melhorando a qualidade de vida dos pacientes (WOJCIECH KRYSTA et 
al., 2024). 
 
11 PROGNÓSTICO E SEGUIMENTO A LONGO PRAZO 
 
O prognóstico para crianças tratadas para DDQ é geralmente positivo quando o 
diagnóstico e o tratamento são realizados de maneira precoce e adequada. A maioria das 
crianças que recebem tratamento imediato, como o uso do colete de Pavlik, apresenta uma 
recuperação satisfatória e um desenvolvimento normal da articulação do quadril. A eficácia do 
tratamento, contudo, pode ser influenciada por diversos fatores, incluindo a gravidade da 
displasia no momento do diagnóstico e a adesão rigorosa ao plano de tratamento. A 
identificação precoce e a intervenção correta são fundamentais para evitar complicações 
adicionais e promover o desenvolvimento saudável da articulação (VAIDYA et al., 2021; HAN; 
LI, 2022). 
No entanto, mesmo com um tratamento inicial bem-sucedido, o seguimento contínuo é 
crucial para monitorar e gerir possíveis complicações tardias. As complicações associadas à 
DDQ podem incluir a persistência de instabilidade do quadril, displasia residual ou a progressão 
para artrose precoce. Tais condições podem surgir ou se manifestar mais tarde na vida, 
requerendo intervenções adicionais ou ajustes no plano de tratamento. O seguimento regular, 
que pode incluir exames de imagem como radiografias e ultrassonografias, é essencial para a 
detecção precoce dessas complicações e para a implementação de estratégias corretivas 
apropriadas (GARCIA et al., 2022; DHALIWAL et al., 2023). 
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Além das complicações físicas, o impacto a longo prazo da DDQ sobre a qualidade de 
vida e o desenvolvimento motor das crianças pode ser significativo. Estudos indicam que, 
embora muitas crianças tratadas precocemente apresentem um desenvolvimento motor 
relativamente normal, podem ainda enfrentar desafios em termos de mobilidade e desempenho 
funcional. Problemas como dor crônica, limitações nas atividades físicas e dificuldades em 
esportes são algumas das preocupações reportadas. A qualidade de vida das crianças afetadas 
pode ser impactada negativamente, exigindo suporte contínuo e programas de reabilitação para 
melhorar a função e a participação nas atividades diárias (KHALED BAKARMAN et al., 2023; 
TAO et al., 2023). 
Portanto, a gestão da DDQ a longo prazo deve ser abordada de forma abrangente, 
integrando estratégias de reabilitação, acompanhamento contínuo e intervenções preventivas. 
Programas de reabilitação específicos e acompanhamento regular são fundamentais para 
otimizar os resultados funcionais e minimizar os impactos negativos da condição. A integração 
de cuidados multidisciplinares, que pode incluir ortopedistas, fisioterapeutas e outros 
especialistas, é crucial para assegurar que as crianças tratadas para DDQ possam alcançar uma 
vida ativa e saudável. A atenção constante à evolução da condição e a resposta rápida a qualquer 
sinal de complicação são essenciais para melhorar os desfechos a longo prazo e garantir uma 
melhor qualidade de vida para essas crianças (CHAND et al., 2021; WOJCIECH KRYSTA et 
al., 2024). 
 
12 PERSPECTIVAS FUTURAS E INOVAÇÕES NO TRATAMENTO 
 
Nos últimos anos, a evolução das técnicas cirúrgicas para o tratamento da DDQ trouxe 
uma série de novas possibilidades para pacientes que sofrem dessa condição. Com o objetivo 
de melhorar os resultados clínicos e reduzir as complicações associadas às intervenções 
cirúrgicas tradicionais, diversas técnicas inovadoras foram desenvolvidas, proporcionando 
abordagens mais personalizadas e menos invasivas (DHALIWAL et al., 2023; KHALED 
BAKARMAN et al., 2023). Essas novas abordagens têm o potencial de transformar a forma 
como a DDH é tratada, oferecendo alternativas que priorizam tanto a eficácia quanto a 
segurança dos procedimentos (VAQUERO-PICADO et al., 2019). 
Uma das técnicas cirúrgicas mais promissoras é a artroscopia, especialmente indicada 
para pacientes com displasia coxofemoral limítrofe. A artroscopia de restauração do selo labral 
envolve a ressecção mínima da borda acetabular e a plicatura capsular, sendo projetada para 
evitar a instabilidade iatrogênica que é comumente associada à artroscopia em quadris 
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displásicos (VAQUERO-PICADO et al., 2019). Essa abordagem permite o tratamento efetivo 
de determinadas condições do quadril, minimizando os riscos de instabilidade e, 
consequentemente, as chances de complicações pós-operatórias (KHALED BAKARMAN et 
al., 2023). Além disso, essa técnica destaca-se por sua capacidade de oferecer uma recuperação 
mais rápida e menos dolorosa para os pacientes (DHALIWAL et al., 2023). 
Outra técnica inovadora é a osteotomia periacetabular combinada (CU PAO), 
desenvolvida para tratar quadris displásicos limítrofes. Essa técnica consiste em realizar uma 
artroscopia de rotina alguns dias antes de uma PAO modificada (DHALIWAL et al., 2023). 
Esta combinação é particularmente recomendada para pacientes com instabilidade substancial 
do quadril, em que a artroscopia isolada pode não ser suficiente para estabilizar a articulação. 
A eficácia dessa abordagem combinada tem sido comprovada em diversos estudos, mostrando-
se uma alternativa viável para pacientes que necessitam de uma estabilização mais robusta do 
quadril (KHALED BAKARMAN et al., 2023). Tal técnica oferece a vantagem de reduzir a 
necessidade de intervenções futuras, proporcionando uma solução mais duradoura para a 
instabilidade do quadril (VAQUERO-PICADO et al., 2019). 
Para quadris menos displásicos, a osteotomia tripla BIPO foi desenvolvida, destacando-
se por melhorar a segurança e a reprodutibilidade cirúrgica, além de permitir suporte de peso 
pós-operatório irrestrito (DHALIWAL et al., 2023; KHALED BAKARMAN et al., 2023). Essa 
técnica representa um avanço significativo em termos de recuperação e mobilidadedos 
pacientes, permitindo uma reabilitação mais rápida e eficaz (VAQUERO-PICADO et al., 
2019). Além disso, a osteotomia de Salter, tradicionalmente utilizada em crianças, foi adaptada 
para uso em adultos. No entanto, sua aplicação é mais limitada em comparação com outras 
técnicas devido à sua menor capacidade de correção em casos de deformidades mais graves 
(DHALIWAL et al., 2023). As osteotomias periacetabulares modificadas (PAOs) surgiram 
como uma alternativa para melhorar a visualização durante a cirurgia e oferecer abordagens 
minimamente invasivas, diminuindo as complicações comuns associadas a procedimentos mais 
tradicionais (VAQUERO-PICADO et al., 2019). Essas modificações têm mostrado resultados 
positivos, especialmente em pacientes com deformidades menos graves do quadril, 
consolidando-se como uma opção valiosa no arsenal terapêutico (DHALIWAL et al., 2023; 
KHALED BAKARMAN et al., 2023). 
Além disso, a combinação de PAO e artroscopia tem se mostrado eficaz no tratamento 
de pacientes com displasia do quadril que também apresentam patologias intra-articulares, 
como rupturas labrais e deformidades de came. Técnicas combinadas, como o reparo labral 
artroscópico, osteocondroplastia de came, plicatura capsular e acetabuloplastia de prateleira, 
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têm se destacado, especialmente entre atletas, permitindo um retorno mais rápido às atividades 
esportivas (KHALED BAKARMAN et al., 2023). A recuperação mais rápida é um fator crucial 
para esses pacientes, que frequentemente desejam retornar ao esporte o mais breve possível 
(VAQUERO-PICADO et al., 2019). Para casos de displasia grave do quadril, as modificações 
na artroplastia total do quadril (THA) têm ganhado destaque. Técnicas modificadas de THA, 
que incluem estratégias como evitar osteotomias e reposicionar o copo acetabular, têm sido 
utilizadas para melhorar os resultados cirúrgicos e minimizar complicações (DHALIWAL et 
al., 2023). Essas abordagens inovadoras permitem um tratamento mais adequado para pacientes 
com quadris gravemente displásicos, proporcionando melhores resultados a longo prazo 
(KHALED BAKARMAN et al., 2023). 
Essas novas técnicas cirúrgicas representam avanços significativos no tratamento da 
DDH, oferecendo alternativas mais seguras e eficazes para uma variedade de casos, desde 
displasias limítrofes até as mais graves (VAQUERO-PICADO et al., 2019; KHALED 
BAKARMAN et al., 2023). A escolha da técnica ideal depende de uma avaliação cuidadosa da 
condição de cada paciente, considerando fatores como a gravidade da displasia e a presença de 
comorbidades, sempre visando os melhores resultados possíveis. Assim, a evolução contínua 
das abordagens cirúrgicas para DDH promete melhorar ainda mais os desfechos clínicos e a 
qualidade de vida dos pacientes afetados por essa condição (DHALIWAL et al., 2023). 
 
13 CONCLUSÃO 
 
A DDQ permanece como um desafio significativo na ortopedia pediátrica, exigindo uma 
abordagem multidisciplinar que abrange diagnóstico precoce, intervenção oportuna e educação 
contínua. A evolução das técnicas de imagem e a implementação de programas de triagem têm 
possibilitado a identificação precoce de casos, permitindo intervenções que podem evitar 
complicações graves a longo prazo. Nesse sentido, o exame clínico associado à ultrassonografia 
neonatal continua a ser a pedra angular no diagnóstico da DDQ, garantindo uma abordagem 
eficaz desde os primeiros dias de vida. O tratamento da DDQ é um campo em constante 
evolução, com uma variedade de opções que vão desde o manejo conservador até intervenções 
cirúrgicas mais complexas. A escolha do tratamento depende de múltiplos fatores, incluindo a 
idade da criança, a gravidade da displasia e a resposta inicial às terapias menos invasivas. É 
crucial que o manejo da DDQ seja individualizado, levando em consideração as necessidades 
específicas de cada paciente e os avanços na técnica cirúrgica, que têm proporcionado melhores 
resultados funcionais e estéticos, minimizando os riscos associados. Além disso, as perspectivas 
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futuras para o manejo da DDQ são promissoras, com o desenvolvimento contínuo de técnicas 
cirúrgicas e não cirúrgicas mais eficazes, além de avanços na compreensão genética e molecular 
da doença. As pesquisas em andamento sobre biomarcadores e terapias regenerativas oferecem 
esperança para diagnósticos mais precisos e tratamentos mais direcionados no futuro. A 
integração de novas tecnologias, como a impressão 3D para planejamento cirúrgico e o uso de 
inteligência artificial na análise de imagens, também tem o potencial de revolucionar o 
tratamento da DDQ, proporcionando intervenções mais personalizadas e eficazes. Por fim, a 
gestão da DDQ exige um esforço coordenado entre pediatras, ortopedistas, radiologistas e 
fisioterapeutas, além de um engajamento ativo dos pais. O sucesso no tratamento dessa 
condição depende não apenas das intervenções clínicas, mas também de uma abordagem 
preventiva robusta, ancorada na educação parental e em programas de conscientização eficazes. 
Ao garantir que todas as crianças em risco de DDQ recebam cuidados adequados desde o início, 
é possível melhorar significativamente seus prognósticos e, consequentemente, a qualidade de 
vida a longo prazo. 
 
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