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RESUMÃO DE DIREITO DIGITAL *O presente material foi constituído de RECORTES de obras de autores consagrados, não se apresentando de forma alguma como produção intelectual do professor. *O objetivo é o auxílio no estudo do aluno para a disciplina, não visando substituir a leitura das obras em sua completude. * É expressamente proibido o compartilhamento do material. * A biblioteca do seu curso possui livros atualizados e de excelente qualidade sobre a matéria. Utilize-os. Bons estudos!!!! UNIDADE II – O MARCO CIVIL DA INTERNET PROCEDIMENTOS DE GUARDA DE REGISTROS DE CONEXÃO · Arts. 13º ao 23º: Da Guarda de Registros de Conexão Art. 13. Na provisão de conexão à internet, cabe ao administrador de sistema autônomo respectivo o dever de manter os registros de conexão, sob sigilo, em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo de 1 (um) ano, nos termos do regulamento. Análise do Caput: · Conforme o Art. 5º do Marco Civil: IV - administrador de sistema autônomo: a pessoa física ou jurídica que administra blocos de endereço IP específicos e o respectivo sistema autônomo de roteamento, devidamente cadastrada no ente nacional responsável pelo registro e distribuição de endereços IP geograficamente referentes ao País; V - conexão à internet: a habilitação de um terminal para envio e recebimento de pacotes de dados pela internet, mediante a atribuição ou autenticação de um endereço IP; VI - registro de conexão: o conjunto de informações referentes à data e hora de início e término de uma conexão à internet, sua duração e o endereço IP utilizado pelo terminal para o envio e recebimento de pacotes de dados; · O administrador de sistema autônomo, em geral, são os provedores de acesso à internet que atribuem os endereços IP aos usuários que contratam os seus serviços. Assim, possui informações cadastrais, registros de dispositivos informáticos, sistemas operacionais e geolocalizáveis de todos os usuários. · Os provedores de acesso à internet possuem informações sobre quais aplicações o usuário acessou, hora, a discriminação e a quantidade de dados trafegadas por esses endereços. · O registro dessas conexões determina quem acessou, quando acessou, de que máquina acessou e por quanto tempo ficou conectado à internet. Em caso de ilícitos, esses dados são importantíssimos para se determinar quem foi o autor das infrações e nesse sentido o Marco Civil exige a guarda por 1 ano destes dados. § 1º A responsabilidade pela manutenção dos registros de conexão não poderá ser transferida a terceiros. · Essa guarda deve ser feita em ambiente seguro e controlado, não podendo a responsabilidade pela manutenção dos registros de conexão ser transferida a terceiros (MCI, art. 13, caput e § 1º). § 2º A autoridade policial ou administrativa ou o Ministério Público poderá requerer cautelarmente que os registros de conexão sejam guardados por prazo superior ao previsto no caput. § 3º Na hipótese do § 2º , a autoridade requerente terá o prazo de 60 (sessenta) dias, contados a partir do requerimento, para ingressar com o pedido de autorização judicial de acesso aos registros previstos no caput. · Na provisão de conexão à internet, a autoridade policial (delegado) ou administrativa (fiscal) ou o Ministério Público poderá requerer cautelarmente que os registros de conexão sejam guardados por prazo superior a um ano, sendo que a autoridade requerente terá o prazo de sessenta dias, contados a partir do requerimento, para ingressar com o pedido de autorização judicial de acesso aos registros (MCI, art. 13, §§ 2º e 3º). § 4º O provedor responsável pela guarda dos registros deverá manter sigilo em relação ao requerimento previsto no § 2º, que perderá sua eficácia caso o pedido de autorização judicial seja indeferido ou não tenha sido protocolado no prazo previsto no § 3º. § 5º Em qualquer hipótese, a disponibilização ao requerente dos registros de que trata este artigo deverá ser precedida de autorização judicial, conforme disposto na Seção IV deste Capítulo. § 6º Na aplicação de sanções pelo descumprimento ao disposto neste artigo, serão considerados a natureza e a gravidade da infração, os danos dela resultantes, eventual vantagem auferida pelo infrator, as circunstâncias agravantes, os antecedentes do infrator e a reincidência. · O paragrafo permite se requerer a extensão do prazo de guarda destes dados por MAIS DE UM ANO, feito sem ordem judicial. · A guarda por prazo superior a um ano pode ser requerida pelo Ministério Público ou Delegado de Polícia, o qual deverá ingressar no prazo de sessenta dias com pedido de autorização judicial para poder ter acesso aos registros requeridos. · O responsável pela guarda dos registros deve manter de forma sigilosa o requerimento, que por sua vez perderá o efeito se for indeferido o pedido judicial ou se for protocolado fora do prazo de sessenta dias. De qualquer forma, o responsável pelos registros somente pode fornecê-los ao requerente (Ministério Público ou autoridade policial) após receber a autorização judicial. Subseção II Da Guarda de Registros de Acesso a Aplicações de Internet na Provisão de Conexão Art. 14. Na provisão de conexão, onerosa ou gratuita, é vedado guardar os registros de acesso a aplicações de internet. · Aplicações de internet é o conjunto de funcionalidades que podem ser acessadas por meio de um terminal conectado à internet. Tais funcionalidades podem ser sites institucionais, governamentais, empresariais, de e-commerce, blogs, redes sociais, etc. · Registros de acesso a aplicações de internet tratam-se do conjunto de informações referentes à data e hora de uso de uma determinada aplicação de internet a partir de um determinado endereço IP. · Essa proibição de guarda de registros de acesso a funcionalidade da internet é voltada aos que provisionam conexão. · Ou seja, pela dinâmica dos arts. 13 e 14 o provedor de conexão deve guardar os registros dos sites acessados pelos seus usuários (data, hora, endereço eletrônico), mas não pode guardar o teor do que foi acessado, ou seja, as aplicações de internet (conteúdos). · A vedação do art. 14 quanto aos provedores de conexão não poderem guardar os registros de acesso às aplicações de internet (conteúdos) pelo usuário está relacionada à prática, até então comum, desses provedores de aproveitarem a captação de dados relacionados às preferências dos internautas para realizarem anúncios dirigidos conforme seus gostos pessoais (marketing eletrônico). Subseção III Da Guarda de Registros de Acesso a Aplicações de Internet na Provisão de Aplicações Art. 15. O provedor de aplicações de internet constituído na forma de pessoa jurídica e que exerça essa atividade de forma organizada, profissionalmente e com fins econômicos deverá manter os respectivos registros de acesso a aplicações de internet, sob sigilo, em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo de 6 (seis) meses, nos termos do regulamento. § 1º Ordem judicial poderá obrigar, por tempo certo, os provedores de aplicações de internet que não estão sujeitos ao disposto no caput a guardarem registros de acesso a aplicações de internet, desde que se trate de registros relativos a fatos específicos em período determinado. · Os provedores de aplicações de internet (ou de conteúdo) que exerçam essa atividade de forma organizada, profissionalmente e com fins econômicos devem armazenar, em ambiente seguro e controlado, os registros (dos acessos às aplicações de internet) de seus usuários sob sigilo e pelo período de seis meses. · A imposição prevista no caput do art. 15 é dirigida apenas aos provedores de aplicações de internet constituídos como pessoa jurídica e que exerçam essa atividade empresarialmente, ou seja, de forma organizada, profissionalmente e com fins econômicos. Isso vale, por exemplo, para os sites de e-commerce. · Àqueles cujas atividades se enquadrem como de provedores de conteúdo (aplicações de internet), mas que não sejam pessoas jurídicas, nem organizações empresariais, a lei reservou um tratamento específico: a guarda dos registrosde acesso às aplicações de internet será feita se houver por determinação judicial e desde que os registros sejam por prazo determinado e digam respeito a fatos específicos (art. 15, caput e § 1º). · A entrega dos dados ao requerente depende de autorização do juiz (MCI, art. 15, §§ 2º e 3º). § 2º A autoridade policial ou administrativa ou o Ministério Público poderão requerer cautelarmente a qualquer provedor de aplicações de internet que os registros de acesso a aplicações de internet sejam guardados, inclusive por prazo superior ao previsto no caput, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. 13. § 3º Em qualquer hipótese, a disponibilização ao requerente dos registros de que trata este artigo deverá ser precedida de autorização judicial, conforme disposto na Seção IV deste Capítulo. § 4º Na aplicação de sanções pelo descumprimento ao disposto neste artigo, serão considerados a natureza e a gravidade da infração, os danos dela resultantes, eventual vantagem auferida pelo infrator, as circunstâncias agravantes, os antecedentes do infrator e a reincidência. · A autoridade policial ou administrativa ou o Ministério Público poderá requerer cautelarmente a qualquer provedor de aplicações de internet que os registros de acesso aos conteúdos sejam guardados, inclusive por prazo superior a seis meses. Entretanto, a entrega dos dados ao requerente depende de autorização do juiz (art. 15, §§ 2º e 3º). Art. 16. Na provisão de aplicações de internet, onerosa ou gratuita, é vedada a guarda: I - dos registros de acesso a outras aplicações de internet sem que o titular dos dados tenha consentido previamente, respeitado o disposto no art. 7º ; ou II - de dados pessoais que sejam excessivos em relação à finalidade para a qual foi dado consentimento pelo seu titular. · Este dispositivo prevê que na provisão de aplicações de internet (serviço de conteúdo), onerosa ou gratuita, é proibida a guarda dos registros de acesso a outras aplicações de internet sem que o titular dos dados tenha consentido previamente. · Também é vedada a guarda de dados pessoais que sejam excessivos em relação à finalidade para a qual foi dado consentimento pelo seu titular. Art. 17. Ressalvadas as hipóteses previstas nesta Lei, a opção por não guardar os registros de acesso a aplicações de internet não implica responsabilidade sobre danos decorrentes do uso desses serviços por terceiros. · O art. 17 do afirma que ninguém tem obrigação de guardar registros de acesso a aplicações de internet, não havendo nenhuma implicação em matéria de responsabilidade por essa opção (não guardar os registros) se um usuário do serviço causar dano a outrem. · Sendo os titulares de sites, blogs, redes sociais, etc. pessoas físicas ou entidades sem fins lucrativos, eles não se submetem ao dever geral de manter os respectivos registros de acesso a aplicações de internet, sob sigilo, em ambiente controlado e de segurança. Isto é, não precisam guardar os registros pelo prazo de seis meses. A guarda dos registros de acesso às aplicações de internet nestes casos se dará apenas se houver ordem judicial e desde que os registros sejam por prazo determinado e digam respeito a fatos específicos (art. 15, caput e § 1º). Seção III Da Responsabilidade por Danos Decorrentes de Conteúdo Gerado por Terceiros Art. 18. O provedor de conexão à internet não será responsabilizado civilmente por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros. · Provedor de CONEXÃO fornece um caminho lógico do aparelho do usuário (computador, celular, tablet etc.) e constitui-se da atribuição do endereço IP para navegar na internet, bem como da infraestrutura de telecomunicações necessárias para realizar o envio (upload) e a baixa (download) de dados na rede. · O Provedor de Conexão à internet não tem, nem poderia ter, condições de ter acesso sobre os conteúdos lançados por terceiros, pois apenas oferece o canal de comunicação para os usuários. · No que diz respeito à atividade dos provedores, via de regra, o Marco Civil não impõe responsabilidade objetiva aos provedores de conexão (acesso) ou de aplicações de internet (conteúdo). Vale lembrar que a responsabilidade objetiva é aquela em que não é preciso a demonstração da culpa do agente, apenas a ação/omissão, o dano e o nexo causal entre eles. · O Marco Civil da Internet expressa que provedor de conexão (acesso) não será responsabilizado civilmente por danos decorrentes de conteúdos produzidos por terceiros (MCI, art. 18). Ou seja, assim como a companhia telefônica não pode ser condenada pelo mau uso da linha de telefone para a prática de crime, o provedor de conexão não será penalizado pelo uso indevido do acesso de seu usuário que causar dano a outrem, como, por exemplo, no caso de envio de spam (mensagens não solicitadas) ou mensagens com vírus. (TEIXEIRA, 2020, p. 130). · A responsabilidade dos provedores de conexão e de aplicações de internet deve ser atribuída à luz da responsabilidade subjetiva. · O texto desse artigo fala somente em conteúdo gerado por terceiros, mas considerados também o princípio do art. 3º, VI, e os demais preceitos que regem a responsabilidade civil em geral, parece claro que o provedor de conexão não é responsável por quaisquer atos praticados pelos terceiros que usam os canais de comunicação por ele fornecidos. Art. 19. Com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura, o provedor de APLICAÇÕES de internet somente poderá ser responsabilizado civilmente por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros se, após ordem judicial específica, não tomar as providências para, no âmbito e nos limites técnicos do seu serviço e dentro do prazo assinalado, tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente, ressalvadas as disposições legais em contrário. · O provedor de APLICAÇÕES somente será responsabilizado se, notificado JUDICIALMENTE, não realizar as medidas necessárias determinadas dentro e nos limites do mandado judicial. · Dessa forma, fica muito claro que o Marco Civil não pretendeu estabelecer responsabilidade objetiva (teoria do risco) aos provedores pelo fato de terceiro, devendo eventuais responsabilidades ser apuradas à luz da responsabilidade subjetiva (teoria da culpa). § 1º A ordem judicial de que trata o caput deverá conter, sob pena de nulidade, identificação clara e específica do conteúdo apontado como infringente, que permita a localização inequívoca do material. § 2º A aplicação do disposto neste artigo para infrações a direitos de autor ou a direitos conexos depende de previsão legal específica, que deverá respeitar a liberdade de expressão e demais garantias previstas no art. 5º da Constituição Federal. · O Marco Civil não se ocupa dos direitos de autor e conexos, o que é reforçado pelo art. 31: Art. 31. Até a entrada em vigor da lei específica prevista no § 2º do art. 19, a responsabilidade do provedor de aplicações de internet por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros, quando se tratar de infração a direitos de autor ou a direitos conexos, continuará a ser disciplinada pela legislação autoral vigente aplicável na data da entrada em vigor desta Lei. § 3º As causas que versem sobre ressarcimento por danos decorrentes de conteúdos disponibilizados na internet relacionados à honra, à reputação ou a direitos de personalidade, bem como sobre a indisponibilização desses conteúdos por provedores de aplicações de internet, poderão ser apresentadas perante os juizados especiais. § 4º O juiz, inclusive no procedimento previsto no § 3º, poderá antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, existindo prova inequívoca do fato e considerado o interesse da coletividade na disponibilização do conteúdo na internet, desde que presentes os requisitos de verossimilhança da alegação do autor e de fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação. · Traz para os Juizados Especiais Cíveis a competência para julgar casos de internet. · Mas, independentemente de a ação tramitar no juizado especial, o juiz poderá determinara antecipação da tutela, total ou parcialmente, se houver prova inequívoca do fato e considerando o interesse da coletividade na disponibilização do conteúdo na internet, devendo ser observados os requisitos de verossimilhança da alegação do autor e de fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação. Art. 20. Sempre que tiver informações de contato do usuário diretamente responsável pelo conteúdo a que se refere o art. 19, caberá ao provedor de aplicações de internet comunicar-lhe os motivos e informações relativos à indisponibilização de conteúdo, com informações que permitam o contraditório e a ampla defesa em juízo, salvo expressa previsão legal ou expressa determinação judicial fundamentada em contrário. · Se o provedor de aplicações de internet tiver dados de contato do usuário diretamente responsável pelo conteúdo retirado por ordem judicial, caberá a este provedor comunicar-lhe as informações e os motivos relativos à indisponibilização do conteúdo, com elementos que permitam o contraditório e a ampla defesa em juízo, salvo expressa previsão legal ou expressa determinação judicial fundamentada em contrário. Se houver solicitação do usuário que disponibilizou o conteúdo tornado indisponível, o provedor substituirá o conteúdo bloqueado pela motivação ou pelo teor da ordem judicial que ocasionou a indisponibilização (MCI, art. 20). (TEIXEIRA, 2020, p. 131). Parágrafo único. Quando solicitado pelo usuário que disponibilizou o conteúdo tornado indisponível, o provedor de aplicações de internet que exerce essa atividade de forma organizada, profissionalmente e com fins econômicos substituirá o conteúdo tornado indisponível pela motivação ou pela ordem judicial que deu fundamento à indisponibilização. Art. 21. O provedor de aplicações de internet que disponibilize conteúdo gerado por terceiros será responsabilizado subsidiariamente pela violação da intimidade decorrente da divulgação, SEM autorização de seus participantes, de imagens, de vídeos ou de outros materiais contendo cenas de nudez ou de atos sexuais de caráter privado quando, após o recebimento de notificação pelo participante ou seu representante legal, deixar de promover, de forma diligente, no âmbito e nos limites técnicos do seu serviço, a indisponibilização desse conteúdo. Parágrafo único. A notificação prevista no caput deverá conter, sob pena de nulidade, elementos que permitam a identificação específica do material apontado como violador da intimidade do participante e a verificação da legitimidade para apresentação do pedido. · Há a instituição do notice and takedown (notificar e retirar) para matérias referentes a violação de intimidade sexual. · Diversa é a regra prevista no art. 21 em relação às anteriores. Tal dispositivo também se aplica ao “provedor de aplicações de internet que disponibilize conteúdo gerado por terceiros”, mas se refere a situação muitíssimo mais específica, isto é, quando o conteúdo controvertido se tratar “de imagens, de vídeos ou de outros materiais contendo cenas de nudez ou de atos sexuais de caráter privado”. · O provedor não é, tal como na regra do art. 19, originalmente responsável pela publicação desse material ou pelos danos daí decorrentes; sua responsabilidade também surgirá da posterior omissão específica de não retirá-lo, quando solicitado. · A diferença entre as duas regras situa-se na desnecessidade, neste caso, de ordem judicial, bastando notificação nesse sentido enviada pelo participante das cenas ou seu representante legal. Tal se justifica diante do caráter personalíssimo e profundamente íntimo das imagens e do imenso potencial danoso de sua exibição pública. · Recebida a notificação do PARTICIPANTE OU SEU REPRESENTANTE LEGAL, cabe, então, ao provedor, “promover, de forma diligente, no âmbito e nos limites técnicos do seu serviço, a indisponibilização desse conteúdo”, caso contrário será responsabilizado por essa sua omissão. · Como saber se houve ou não autorização para sua publicação? Diante da notificação para retirada de imagens de nudez ou sexo, deve ser presumida a boa-fé do solicitante em sua afirmação de que é partícipe das cenas e não autorizou sua publicação. · Do mesmo modo como previsto no art. 19, determina a Lei no art. 21 que a notificação para retirada contenha “elementos que permitam a identificação específica do material apontado como violador da intimidade do participante”, segundo previsão contida no parágrafo único deste dispositivo. Igualmente, não pode o provedor ser obrigado a cumprir pedido não suficientemente especificado. · O parágrafo único determina a quem se sentiu violado em sua intimidade a identificação específica do conteúdo e a prova de que é legítimo para requerer a retirada do conteúdo. Seção IV Da Requisição Judicial de Registros Art. 22. A parte interessada poderá, com o propósito de formar conjunto probatório em processo judicial cível ou penal, em caráter incidental ou autônomo, requerer ao juiz que ordene ao responsável pela guarda o fornecimento de registros de conexão ou de registros de acesso a aplicações de internet. Parágrafo único. Sem prejuízo dos demais requisitos legais, o requerimento deverá conter, sob pena de inadmissibilidade: I - fundados indícios da ocorrência do ilícito; II - justificativa motivada da utilidade dos registros solicitados para fins de investigação ou instrução probatória; e III - período ao qual se referem os registros. · O Marco Civil prevê a possibilidade de o interessado requerer judicialmente informações sobre os registros na internet com o fim de formar provas em processo judicial. · Essa requisição judicial pode ser feita no curso de um processo de forma incidental ou em processo autônomo, devendo ser requerido ao juiz que ordene ao titular do provedor, responsável pela guarda, o fornecimento de registros de conexão ou de registros de acesso a aplicações (conteúdos) de internet. · O caput do art. 22, ao tratar do assunto, menciona apenas essa possibilidade para efeitos de processo judicial cível ou penal. Entretanto, compreendemos que tal dispositivo pode ser aplicado de forma analógica aos processos de outra natureza. · Sempre respeitando outros requisitos previstos em lei, o requerimento judicial deverá conter: os fundados indícios da ocorrência do ilícito; a justificativa motivada da utilidade dos registros solicitados para fins de investigação ou instrução probatória; e o período ao qual se referem os registros. Conforme o parágrafo único do art. 22, o desrespeito a esses requisitos implicará a inadmissibilidade da requisição. (TEIXEIRA, 2020, p. 135). Art. 23. Cabe ao juiz tomar as providências necessárias à garantia do sigilo das informações recebidas e à preservação da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem do usuário, podendo determinar segredo de justiça, inclusive quanto aos pedidos de guarda de registro. · A regra geral do direito processual é que os atos processuais são públicos, bem é acessível ao público em geral o teor dos processos judiciais. Assim, o segredo de justiça é uma exceção para casos em se mantém sob sigilo processos judiciais ou investigações com o fim de preservar as partes ou não prejudicar o desfecho do que está sendo julgado ou investigado. · Contudo, para efeitos do Marco Civil, o juiz poderá determinar segredo de justiça, inclusive quanto aos pedidos de guarda de registro, com o fim de garantir o sigilo das informações recebidas e a preservação da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem do usuário. Fontes: CRISTINA, Ana. Marco Civil da Internet no Brasil. Rio de janeiro: Alta Books. 2014. HOFFMANN-RIEM, Wolfgang. Teoria Geral do Direito Digital. Rio de Janeiro: Forense, 2021. LEONARDI, Marcel. Fundamentos de Direito Digital. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2019. TEIXEIRA, Tarcisio. Direito Digital e Processo Eletrônico. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.