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Diabetes mellitus e suas manifestações clínicas, tratamento Clínico, farmacológico e dietoterápico Diabetes Mellitus Grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia e associadas a complicações, disfunções e insuficiência de vários órgãos, especialmente olhos, rins, nervos, cérebro, coração e vasos sangüíneos. Pode resultar defeitos de secreção e/ou ação da insulina envolvendo processos patogênicos específicos, por exemplo, destruição das células beta do pâncreas (produtoras de insulina), resistência à ação da insulina, distúrbios da secreção da insulina, entre outros. Diabetes A prevalência de diabetes no Brasil é de 10,2% da população, de acordo com a pesquisa Vigitel Brasil 2023. Esse índice representa um aumento em relação a 2021, quando era de 9,1% O diabetes apresenta alta morbi-mortalidade, com perda importante na qualidade de vida. É uma das principais causas de mortalidade, insuficiência renal, amputação de membros inferiores, cegueira e doença cardiovascular. Etiologia do Diabetes DIABETES TIPO 1 → que compreende cerca de 10% do total de casos DIABETES TIPO 2 → anteriormente conhecido como diabetes do adulto, que compreende cerca de 90% do total de casos. DIABETES GESTACIONAL → que, em geral, é um estágio pré-clínico de diabetes, detectado no rastreamento pré-natal. Diabetes Melittus tipo 1 O TERMO TIPO 1 INDICA destruição da célula beta pancreáticas. A destruição das células beta é geralmente causada por processo auto-imune, que pode se detectado por auti-anticorpos circulantes como anti-descarboxilase do ácido glutâmico (anti- GAD), anti-ilhotas e anti-insulina, e, algumas vezes, está associado a outras doenças auto- imunes como a tireoidite de Hashimoto, a doença de Addison (glândulas suprarrenais) e a miastenia gravis (franqueza muscular). Diabetes Melittus tipo 1 Rápida e progressiva→ em crianças e adolescentes (pico de incidência entre 10 e 14 anos). Lentamente e progressiva → em adultos, (LADA, latent autoimmune diabetes in adults→ Doença Auto-imune Latente Em Adultos. LADA → embora assemelhando-se clinicamente ao diabetes tipo 1 auto-imune, muitas vezes é erroneamente classificado como tipo 2 pelo seu aparecimento tardio. Estima-se que 5-10% dos pacientes inicialmente considerados como tendo diabetes tipo 2 podem, de fato, ter LADA. Diabetes Melittus tipo 2 O termo tipo 2 é usado para designar uma deficiência relativa de insulina. Resistência à ação da insulina e o defeito na secreção de insulina manifesta- se pela incapacidade de compensar essa resistência. Ocorre quando o corpo não aproveita adequadamente a insulina produzida. A causa do diabetes tipo 2 está diretamente relacionado ao: Sobrepeso Sedentarismo Triglicerídeos elevados Hipertensão; e Hábitos alimentares inadequados. No diabetes Mellitus tipo 2 → Destruição das células beta pancreáticas é progressiva https://portal.wemeds.com.br/fisiologia-do-pancreas-endocrino/ Principais sintomas de diabetes Sintomas clássicos de diabetes são: poliúria, polidipsia, polifagia e perda involuntária de peso (os “4 Ps”). Outros sintomas que levantam a suspeita clínica são: fadiga, fraqueza, letargia, prurido cutâneo e vulvar, balanopostite (inflamação na glande e do prepúcio) e infecções de repetição, feridas de difícil cicatrização, formigamento nas mãos e pés. Algumas vezes o diagnóstico é feito a partir de complicações crônicas como neuropatia, retinopatia ou doença cardiovascular aterosclerótica. Diabetes • O diagnóstico, tratamento e prevenção do diabetes são fundamentais, especialmente em adultos com sobrepeso e fatores de risco. • Triagens e exames regulares são essenciais para monitorar a saúde e identificar precocemente o diabetes tipo 2. Exames para diagnóstico e monitoramento É importante que todos os adultos acima do peso (IMC > 25) com um ou mais fatores de risco para diabetes tipo 2 → façam um teste. Para indivíduos apenas com os fatores de risco, esse teste deve ser iniciado aos 45 anos. Se o resultado for normal, este deve ser refeito em intervalos a cada 3 anos. Para pacientes pré-diabéticos ou diabéticos, os exames que devem ser feitos são hemoglobina glicada, glicemia de jejum ou teste de tolerância à glicose. A triagem também deve ser realizada, tanto em adultos, quanto em crianças e jovens que possuem risco elevado para diabetes melito 2, começando aos 10 anos de idade ou na puberdade, com intervalo de 3 em 3 anos. Fatores de risco adicional para diabetes. Diabetes Diagnóstico de diabetes melito e Homeostase da Glicose Prejudicada (Pré-diabetes). Diabetes Diabetes • A mudança de estilo de vida é crucial no tratamento, além de escolhas alimentares adequadas e atividade física. • Atividades aeróbicas moderadas ou são recomendadas, de intensidade moderada, por, no mínimo, 30 min por dia, 5 dias por semana, ou alta por um mínimo de 20 min por dia, 3 dias por semana. • Exercícios de fortalecimento muscular em 2 ou mais dias por semana e a perda de peso são indicados para melhorar também a sensibilidade à insulina. Tratamento de pré-diabetes Diabetes Tratamento de pré-diabetes Pré- diabetes O uso de fármacos como metformina, tiazolidinedionas, inibidores de α-glicosidade (é uma enzima cuja função é fracionar a sacarose, o amido e a maltose) pode ser prescrito para reduzir as chances do aparecimento do diabetes. Diabetes Tratamento de diabetes • Controle da glicemia é crucial para prevenir complicações em pacientes com diabetes tipo 1 ou tipo 2. • A Terapia Nutricional desempenha papel fundamental na busca por esse controle. Diabetes Tratamento de diabetes Metas da Terapia Nutricional para diabetes incluem: Diminuir o risco de Diabetes e doença cardiovascular: 1. escolha alimentar saudável; 2. prática adequada de atividade física para perda e/ou manutenção do peso. 1.Alcançar e manter ao máximo os níveis adequados de glicemia, lipídeos, lipoproteínas e pressão arterial. 2.Reduzir as complicações crônicas do diabetes por meio da ingestão de nutrientes e estilo de vida. 3.Ter um programa alimentar especializado com base científica respeitando a comensalidade Metas da Terapia Nutricional para diabetes melito (pessoas em risco para diabetes ou pré-diabetes). Metas da Terapia Nutricional para diabéticos. Diabetes Objetivos da Terapia Nutricional para os pacientes com DM Alcançar e manter as concentrações de glicose sanguíneas, os níveis de pressão arterial e o perfil de lipídeos e de lipoproteínas séricas dentro da normalidade. Prevenir ou retardar o desenvolvimento das complicações crônicas do diabetes por modificação da ingestão de nutrientes e do estilo de vida. Atender às necessidades nutricionais individuais, considerando as preferências pessoais e culturais. A conduta nutricional deve ser definida com base em avaliação e diagnóstico nutricional, para posterior programação das intervenções nutricionais. Diabetes Objetivos da Terapia Nutricional para os pacientes com DM Recomendações de ingestão diária de macro e micronutrientes para indivíduos com diabetes: Macronutrientes Ingestão diária recomendada Carboidratos Carboidratos totais: 45 a 60%. Não inferior a 130 g/dia Sacarose 5% Frutose Não se recomenda sua adição aos alimentos Fibra alimentar Mínimo de 14g/1000 kcal. DM TIPO 2: 30 a 50 g/dia Gordura total 20 a 35% do VET Ácidos graxos saturadosrecomenda que a ingestão de sacarose não ultrapasse 5% do VET diário. Carboidratos totais: 45 a 60%. Índice glicêmico e Carga glicêmica A Carga Glicêmica pode ser utilizada para avaliar a qualidade dos alimentos que vão compor a dieta de um paciente com diabetes e o IG pode ser benéfico ao analisar a composição de refeições e como essas podem auxiliar a resposta glicêmica do organismo. O Índice Glicêmico considera somente a qualidade em uma quantidade fixa de carboidratos, enquanto a Carga Glicêmica (CG) considera tanto a quantidade de carboidrato como a sua qualidade (COZZOLINO; COMINETTI, 2013). O índice glicêmico é a taxa relacionada à velocidade com que o alimento causa aumento nos níveis de glicose sanguíneos. Alimentos de baixo índice glicêmico (IG) liberaram glicose mais lentamente e alimentos com alto índice glicêmico liberam glicose mais rapidamente. Carboidratos Classificação da CG: Baixo CG valores iguais ou menores que 10% Média CG valores entre 11 e 19% Alta CG valores maiores ou iguais a 20%. LEGUMES Batata cozida 78 ± 4 Batata, purê instantâneo 87 ± 3 Batata frita 63 ± 5 Cenouras cozidas 39 ± 4 Batata-doce, cozida 63 ± 6 COMIDA Índice glicêmico (glicose = 100) CG = (IG x g de carboidrato disponível na porção) /100 BATATA INGLESA COZIDA 100g de batata inglesa tem 12g de cho CG = (78 x 12) / 100 CG = 9,36 BATATA INGLESA FRITA 100g de batata inglesa tem 12g de cho CG = (63 x 12) / 100 CG = 7,56 Classificação do IG Baixo IG: até 55; Moderado IG: de 56 a 69 Alto IG: 70 ou mais. Fibras As fibras consumidas atuam no controle do diabetes. As fibras solúveis → controle da glicemia e atuam no metabolismo dos lipídios, Fibras insolúveis→ agem na saciedade da fome e no controle de peso. As fibras são encontradas nos vegetais, especialmente, em folhas, talos, sementes e bagaços. O consumo de três ou mais porções de cereais integrais é indicado para o alcance da recomendação. A recomendação da ingestão de fibras é de 20-35g ao dia. Sociedade Brasileira de Diabetes. Lipídeos A recomendação da quantidade total de lipídios para diabéticos ainda é inconclusiva, devendo a meta ser individualizada; A qualidade do tipo de ácido graxo parece ser mais importante do que a quantidade. A adoção de uma dieta mediterrânea tem sido estudada com o propósito de avaliar o seu impacto na redução do LDL-c. Lípídeos: 20 a 35% do VET Dentre as gorduras poli-insaturadas, o ômega 3 e ômega 6 merecem destaque. Ambos são obtidos por meio dos alimentos e têm papel importante no controle de processos metabólicos, entre eles a inflamação, comum em pessoas com diabetes. Proteínas Não há evidências de que a ingestão proteica usual para a maioria dos indivíduos (1 a 1,5 g por kg de peso corporal/dia), representando 15 a 20% da ingestão total de energia, precise ser modificada para aqueles com diabetes e função renal preservada. A prescrição de proteína deve ser individualizada, considerando-se o diagnóstico nutricional e o controle glicêmico. Além disso, essa ingestão em gramas por kg/dia deve ser mantida ou aumentada com dietas de baixo consumo energético. Micronutrientes A deficiência de vitaminas e minerais é frequente em indivíduos com diabetes. PRINCIPAIS CAUSAS: são perdas na urina, diminuição da capacidade intestinal de absorção e baixa ingestão dietética. Consumo mínimo de 2 a 4 porções de frutas, sendo pelo menos 1 rica em vitamina C (frutas cítricas), e de 3 a 5 porções de hortaliças cruas e cozidas. O uso prolongado de metformina → a deficiência de vitamina B12→suplementação com doses terapêuticas. Deficiência de vitamina D → um pior controle glicêmico. Os efeitos positivos da vitamina D seriam a sensibilidade à insulina e a sua secreção, bem como a diminuição do estado inflamatório Micronutrientes Minerais: As deficiências são mais evidentes no metabolismo do Zinco e Magnésio. Podem estar relacionadas com aumento da concentração de HbA1c, progressão do Diabetes e complicações. Suplementação de Zinco: traz benefícios ao controle glicêmico de indivíduos com DM1 e DM2. Zn: parece regular a função das ilhotas de pancreáticas e promover a homeostase glicêmica. Magnésio: depleção crônica de Mg em DM1 – associação com polineuropatia. A suplementação de Magnésio reduz frações lipídicas aterogênicas. Mg em Diabetes tipo 2 auxilia no aumento de HDL-col Os níveis de vitamina B12 deverão ser avaliados anualmente após 4 anos de início da metformina, e repostos, se necessário, em função do risco de deficiência de B12 associado ao uso dessa medicação Diabetes Edulcorantes • A FDA aprovou o consumo de diversos edulcorantes, como acessulfame-K, aspartame, sacarina sódica, estévia e sucralose. • Considerados seguros para o público em geral, incluindo pessoas com diabetes e gestantes, quando respeitada a ingestão diária aceitável (IDA). • No Brasil, a ANVISA aprovou alguns edulcorantes: Sorbitol, manitol, isomaltitol, maltitol, sacarina, ciclamato, aspartame, estévia, acessulfame-K, sucralose, neotame, taumatina, lactitol, xilitol e eritritol. Diabetes Consultas de acompanhamento • Acompanhamento nutricional é crucial para o sucesso da terapia em pacientes com diabetes. • Uso de registros alimentares e consultas motivadoras são estratégias eficazes. • Modificar hábitos alimentares requer suporte contínuo para motivar os pacientes. Diabetes Recomendações O paciente com diabetes precisa estar com seus valores bioquímicos dentro da faixa adequada ou mais próxima possível. Recomendações para controle glicêmico de adultos com diabetes (DM). Controle glicêmico Critérios A1C 50 mg/dL Triglicerídeostem seu pico de ação em 1 a 2 horas e duração de ação de 3 a 4 horas. Sendo assim, deve ser usada em menos de 15 minutos antes da refeição, ou mesmo durante a refeição. As insulinas utilizadas para o papel de basal são as lentas e ultralentas. Seu principal objetivo é a manutenção da glicemia estável no período entre as refeições. A insulina NPH é a única representante das insulinas lentas. Ela começa a agir em 1 a 2 horas, tem seu pico de ação em 5 a 7 horas e duração de ação de 13 a 18 horas. As insulinas ultralentas são representadas pela Insulina Detemir - com início de ação em 1 a 2 horas, discreto pico de ação em 2 horas e duração de ação de 12 a 24 horas. Os pacientes com Diabetes tipo 1 Como não produzem insulina alguma, devem usar os dois tipos de insulinas sempre - a chamada insulinização plena. Quando se alimentam, devem usar insulinas rápidas ou ultrarápidias, respeitando seus horários de aplicação. Para a insulina basal, devem utilizar a lenta ou ultralenta, mesmo que em jejum, para manter os níveis adequados de sua glicemia. Pacientes com Diabetes tipo 2 A insulinização plena só é realizada em estágios mais avançados da evolução da doença, quando ocorre o que se chama de "falência do pâncreas Em estágios mais precoces, a utilização pode ser necessária quando os níveis da glicemia estão muito elevados, ou em situações em que as medicações orais são contraindicadas, como durante cirurgias ou doenças graves. Uso da insulina em Diabetes tipo 1 e tipo 2. Complicações do diabetes Complicações agudas • Hipoglicemia. • Hiperglicemia. • Cetoacidose Diabética. Complicações crônicas macrovasculares • Doença Arterial Coronariana. • Doença Vascular Periférica. • Doenças Cerebrovasculares. • Não Vasculares. Complicações microvasculares • Retinopatia diabética. • Nefropatia diabética. • Neuropatia diabética.