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Aula 04 - Diabetes mellitus (1)

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Diabetes mellitus e suas 
manifestações clínicas, tratamento 
Clínico, farmacológico e dietoterápico
Diabetes Mellitus
Grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia e associadas a 
complicações, disfunções e insuficiência de vários órgãos, especialmente olhos, rins, 
nervos, cérebro, coração e vasos sangüíneos.
Pode resultar defeitos de secreção e/ou ação da insulina envolvendo processos 
patogênicos específicos, por exemplo, destruição das células beta do pâncreas (produtoras 
de insulina), resistência à ação da insulina, distúrbios da secreção da insulina, entre outros.
Diabetes
A prevalência de diabetes no Brasil é de 10,2% da população, de 
acordo com a pesquisa Vigitel Brasil 2023. Esse índice representa 
um aumento em relação a 2021, quando era de 9,1%
O diabetes apresenta alta morbi-mortalidade, com perda 
importante na qualidade de vida. 
É uma das principais causas de mortalidade, 
insuficiência renal, amputação de membros inferiores, 
cegueira e doença cardiovascular.
Etiologia do Diabetes
DIABETES TIPO 1 → que compreende cerca de 10% do total de casos
DIABETES TIPO 2 → anteriormente conhecido como diabetes do adulto, que compreende cerca de 90% 
do total de casos. 
DIABETES GESTACIONAL → que, em geral, é um estágio pré-clínico de diabetes, detectado no 
rastreamento pré-natal.
Diabetes Melittus tipo 1
O TERMO TIPO 1 INDICA destruição da célula 
beta pancreáticas.
A destruição das células beta é geralmente
causada por processo auto-imune, que pode se
detectado por auti-anticorpos circulantes como
anti-descarboxilase do ácido glutâmico (anti-
GAD), anti-ilhotas e anti-insulina, e, algumas
vezes, está associado a outras doenças auto-
imunes como a tireoidite de Hashimoto, a
doença de Addison (glândulas suprarrenais) e a
miastenia gravis (franqueza muscular).
Diabetes Melittus tipo 1
Rápida e progressiva→ em crianças e adolescentes (pico de 
incidência entre 10 e 14 anos). 
Lentamente e progressiva → em adultos, (LADA, latent
autoimmune diabetes in adults→ Doença Auto-imune
Latente Em Adultos.
LADA → embora assemelhando-se clinicamente ao diabetes 
tipo 1 auto-imune, muitas vezes é erroneamente classificado 
como tipo 2 pelo seu aparecimento tardio.
Estima-se que 5-10% dos pacientes inicialmente considerados 
como tendo diabetes tipo 2 podem, de fato, ter LADA. 
Diabetes Melittus tipo 2
O termo tipo 2 é usado para designar uma deficiência relativa de insulina. 
Resistência à ação da insulina e o defeito na secreção de insulina manifesta-
se pela incapacidade de compensar essa resistência. 
Ocorre quando o corpo não aproveita adequadamente a insulina produzida. 
A causa do diabetes tipo 2 está diretamente relacionado ao:
Sobrepeso
Sedentarismo
Triglicerídeos elevados
Hipertensão; e
Hábitos alimentares inadequados.
No diabetes Mellitus tipo 2 → Destruição das 
células beta pancreáticas é progressiva 
https://portal.wemeds.com.br/fisiologia-do-pancreas-endocrino/
Principais sintomas de diabetes
Sintomas clássicos de diabetes são: poliúria, polidipsia, 
polifagia e perda involuntária de peso (os “4 Ps”). 
Outros sintomas que levantam a suspeita clínica são: 
fadiga, fraqueza, letargia, prurido cutâneo e vulvar, 
balanopostite (inflamação na glande e do prepúcio) e 
infecções de repetição, feridas de difícil cicatrização, 
formigamento nas mãos e pés.
Algumas vezes o diagnóstico é feito a partir de 
complicações crônicas como neuropatia, retinopatia ou 
doença cardiovascular aterosclerótica. 
Diabetes
• O diagnóstico, tratamento e prevenção do diabetes são 
fundamentais, especialmente em adultos com sobrepeso 
e fatores de risco.
• Triagens e exames regulares são essenciais para 
monitorar a saúde e identificar precocemente o diabetes 
tipo 2.
Exames para diagnóstico e monitoramento
É importante que todos os adultos acima do peso (IMC > 25) com um ou mais fatores de risco 
para diabetes tipo 2 → façam um teste.
Para indivíduos apenas com os fatores de risco, esse teste deve ser iniciado aos 45 anos.
Se o resultado for normal, este deve ser refeito em intervalos a cada 3 anos. 
Para pacientes pré-diabéticos ou diabéticos, os exames que devem ser feitos são 
hemoglobina glicada, glicemia de jejum ou teste de tolerância à glicose. 
A triagem também deve ser realizada, tanto em adultos, quanto em crianças e jovens que possuem risco 
elevado para diabetes melito 2, começando aos 10 anos de idade ou na puberdade, com intervalo de 3 
em 3 anos.
Fatores de risco adicional para diabetes.
Diabetes
Diagnóstico de diabetes melito e Homeostase da Glicose Prejudicada (Pré-diabetes).
Diabetes
Diabetes
• A mudança de estilo de vida é crucial no tratamento, além 
de escolhas alimentares adequadas e atividade física.
• Atividades aeróbicas moderadas ou são recomendadas, de 
intensidade moderada, por, no mínimo, 30 min por dia, 5 
dias por semana, ou alta por um mínimo de 20 min por 
dia, 3 dias por semana.
• Exercícios de fortalecimento muscular em 2 ou mais dias 
por semana e a perda de peso são indicados para 
melhorar também a sensibilidade à insulina.
Tratamento de pré-diabetes
Diabetes
Tratamento de pré-diabetes
Pré- diabetes
O uso de fármacos como metformina, tiazolidinedionas, inibidores de α-glicosidade
(é uma enzima cuja função é fracionar a sacarose, o amido e a maltose) pode ser 
prescrito para reduzir as chances do aparecimento do diabetes.
Diabetes
Tratamento de diabetes
• Controle da glicemia é crucial para prevenir complicações em 
pacientes com diabetes tipo 1 ou tipo 2.
• A Terapia Nutricional desempenha papel fundamental na busca 
por esse controle.
Diabetes
Tratamento de diabetes
Metas da Terapia Nutricional para diabetes incluem:
Diminuir o risco de Diabetes e doença 
cardiovascular:
1. escolha alimentar saudável;
2. prática adequada de atividade física 
para perda e/ou manutenção do peso.
1.Alcançar e manter ao máximo os níveis 
adequados de glicemia, lipídeos, lipoproteínas e 
pressão arterial.
2.Reduzir as complicações crônicas do diabetes 
por meio da ingestão de nutrientes e estilo de 
vida.
3.Ter um programa alimentar especializado com 
base científica respeitando a comensalidade
Metas da Terapia Nutricional para diabetes melito
(pessoas em risco para diabetes ou pré-diabetes).
Metas da Terapia Nutricional para diabéticos.
Diabetes
Objetivos da Terapia Nutricional para os pacientes com DM
Alcançar e manter as 
concentrações de glicose 
sanguíneas, os níveis de 
pressão arterial e o perfil 
de lipídeos e de 
lipoproteínas séricas 
dentro da normalidade.
Prevenir ou retardar o 
desenvolvimento das 
complicações crônicas do 
diabetes por modificação 
da ingestão de nutrientes e 
do estilo de vida.
Atender às necessidades 
nutricionais individuais, 
considerando as 
preferências pessoais e 
culturais.
A conduta nutricional deve ser definida com base em avaliação e diagnóstico
nutricional, para posterior programação das intervenções nutricionais.
Diabetes
Objetivos da Terapia Nutricional para os pacientes com DM
Recomendações de ingestão diária 
de macro e micronutrientes para 
indivíduos com diabetes:
Macronutrientes Ingestão diária recomendada
Carboidratos Carboidratos totais: 45 a 60%. 
Não inferior a 130 g/dia
Sacarose 5%
Frutose Não se recomenda sua adição aos alimentos
Fibra alimentar Mínimo de 14g/1000 kcal.
DM TIPO 2: 30 a 50 g/dia
Gordura total 20 a 35% do VET
Ácidos graxos saturadosrecomenda que 
a ingestão de sacarose não ultrapasse 5% do VET diário.
Carboidratos totais: 45 a 60%. 
Índice glicêmico e Carga glicêmica
A Carga Glicêmica pode ser utilizada para avaliar a qualidade dos alimentos que vão compor a dieta de um 
paciente com diabetes e o IG pode ser benéfico ao analisar a composição de refeições e como essas podem 
auxiliar a resposta glicêmica do organismo.
O Índice Glicêmico considera somente a qualidade em uma quantidade fixa de carboidratos, enquanto a 
Carga Glicêmica (CG) considera tanto a quantidade de carboidrato como a sua qualidade
(COZZOLINO; COMINETTI, 2013).
O índice glicêmico é a taxa relacionada à velocidade com que o alimento causa aumento nos níveis de glicose
sanguíneos. Alimentos de baixo índice glicêmico (IG) liberaram glicose mais lentamente e alimentos com 
alto índice glicêmico liberam glicose mais rapidamente.
Carboidratos
Classificação da CG:
Baixo CG valores iguais ou menores que 10%
Média CG valores entre 11 e 19% 
Alta CG valores maiores ou iguais a 20%.
LEGUMES
Batata cozida 78 ± 4
Batata, purê instantâneo 87 ± 3
Batata frita 63 ± 5
Cenouras cozidas 39 ± 4
Batata-doce, cozida 63 ± 6
COMIDA
Índice glicêmico (glicose = 
100)
CG = (IG x g de carboidrato disponível na porção) /100
BATATA INGLESA COZIDA
100g de batata inglesa 
tem 12g de cho
CG = (78 x 12) / 100
CG = 9,36
BATATA INGLESA FRITA
100g de batata inglesa 
tem 12g de cho
CG = (63 x 12) / 100
CG = 7,56
Classificação do IG
Baixo IG: até 55;
Moderado IG: de 56 a 69
Alto IG: 70 ou mais.
Fibras
As fibras consumidas atuam no controle do diabetes. 
As fibras solúveis → controle da glicemia e atuam no metabolismo dos lipídios, 
Fibras insolúveis→ agem na saciedade da fome e no controle de peso. 
As fibras são encontradas nos vegetais, especialmente, em folhas, talos, sementes e 
bagaços. 
O consumo de três ou mais porções de cereais integrais é indicado para o alcance da 
recomendação.
A recomendação da ingestão de fibras é de 20-35g ao dia. Sociedade Brasileira de Diabetes.
Lipídeos 
A recomendação da quantidade total de lipídios para diabéticos ainda é inconclusiva, devendo a 
meta ser individualizada; 
A qualidade do tipo de ácido graxo parece ser mais importante do que a quantidade.
A adoção de uma dieta mediterrânea tem sido estudada com o propósito de avaliar o seu 
impacto na redução do LDL-c.
Lípídeos: 20 a 35% do VET
Dentre as gorduras poli-insaturadas, o ômega 3 e ômega 6 merecem destaque. Ambos são obtidos por meio 
dos alimentos e têm papel importante no controle de processos metabólicos, entre eles a inflamação, comum 
em pessoas com diabetes. 
Proteínas
Não há evidências de que a ingestão proteica usual para a maioria dos indivíduos (1 a 1,5 g 
por kg de peso corporal/dia), representando 15 a 20% da ingestão total de energia, precise 
ser modificada para aqueles com diabetes e função renal preservada. 
A prescrição de proteína deve ser individualizada, considerando-se o diagnóstico nutricional 
e o controle glicêmico. 
Além disso, essa ingestão em gramas por kg/dia deve ser mantida ou aumentada com dietas 
de baixo consumo energético.
Micronutrientes
A deficiência de vitaminas e minerais é frequente em indivíduos com diabetes. 
PRINCIPAIS CAUSAS: são perdas na urina, diminuição da capacidade intestinal de absorção e baixa ingestão
dietética. 
Consumo mínimo de 2 a 4 porções de frutas, sendo pelo menos 1 rica em vitamina C (frutas cítricas), e de 3 a 
5 porções de hortaliças cruas e cozidas.
O uso prolongado de metformina → a deficiência de vitamina B12→suplementação com doses 
terapêuticas. 
Deficiência de vitamina D → um pior controle glicêmico. 
Os efeitos positivos da vitamina D seriam a sensibilidade à insulina e a sua secreção, bem como a 
diminuição do estado inflamatório
Micronutrientes
Minerais: As deficiências são mais evidentes no metabolismo do Zinco e Magnésio. Podem estar 
relacionadas com aumento da concentração de HbA1c, progressão do Diabetes e complicações.
Suplementação de Zinco: traz benefícios ao controle glicêmico de indivíduos com DM1 e DM2. Zn: 
parece regular a função das ilhotas de pancreáticas e promover a homeostase glicêmica.
Magnésio: depleção crônica de Mg em DM1 – associação com polineuropatia. A suplementação de 
Magnésio reduz frações lipídicas aterogênicas. Mg em Diabetes tipo 2 auxilia no aumento de HDL-col
Os níveis de vitamina B12 deverão ser avaliados anualmente após 4 anos de início da metformina, e 
repostos, se necessário, em função do risco de deficiência de B12 associado ao uso dessa medicação
Diabetes
Edulcorantes
• A FDA aprovou o consumo de diversos edulcorantes, 
como acessulfame-K, aspartame, sacarina sódica, 
estévia e sucralose.
• Considerados seguros para o público em geral, 
incluindo pessoas com diabetes e gestantes, quando 
respeitada a ingestão diária aceitável (IDA).
• No Brasil, a ANVISA aprovou alguns edulcorantes:
Sorbitol, manitol, isomaltitol, maltitol, sacarina, ciclamato, 
aspartame, estévia, acessulfame-K, sucralose, neotame, 
taumatina, lactitol, xilitol e eritritol.
Diabetes
Consultas de acompanhamento
• Acompanhamento nutricional é crucial para o 
sucesso da terapia em pacientes com diabetes.
• Uso de registros alimentares e consultas 
motivadoras são estratégias eficazes.
• Modificar hábitos alimentares requer suporte 
contínuo para motivar os pacientes.
Diabetes
Recomendações
O paciente com diabetes precisa estar com seus valores bioquímicos dentro da faixa adequada ou mais 
próxima possível.
Recomendações para controle glicêmico de adultos com diabetes (DM).
Controle glicêmico Critérios
A1C 50 mg/dL
Triglicerídeostem seu pico de 
ação em 1 a 2 horas e duração de ação de 3 a 4 horas.
Sendo assim, deve ser usada em menos de 15 minutos 
antes da refeição, ou mesmo durante a refeição.
As insulinas utilizadas para o papel de basal são as 
lentas e ultralentas. 
Seu principal objetivo é a manutenção da glicemia 
estável no período entre as refeições.
A insulina NPH é a única representante das insulinas 
lentas. 
Ela começa a agir em 1 a 2 horas, tem seu pico de ação 
em 5 a 7 horas e duração de ação de 13 a 18 horas. 
As insulinas ultralentas são representadas pela Insulina 
Detemir - com início de ação em 1 a 2 horas, discreto 
pico de ação em 2 horas e duração de ação de 12 a 24 
horas.
Os pacientes com Diabetes tipo 1
Como não produzem insulina alguma, devem 
usar os dois tipos de insulinas sempre - a 
chamada insulinização plena. 
Quando se alimentam, devem usar insulinas 
rápidas ou ultrarápidias, respeitando seus 
horários de aplicação. 
Para a insulina basal, devem utilizar a lenta ou 
ultralenta, mesmo que em jejum, para 
manter os níveis adequados de sua glicemia. 
Pacientes com Diabetes tipo 2
A insulinização plena só é realizada em 
estágios mais avançados da evolução da 
doença, quando ocorre o que se chama de 
"falência do pâncreas
Em estágios mais precoces, a utilização 
pode ser necessária quando os níveis da 
glicemia estão muito elevados, ou em 
situações em que as medicações orais são 
contraindicadas, como durante cirurgias ou 
doenças graves.
Uso da insulina em Diabetes tipo 1 e tipo 2.
Complicações do diabetes
Complicações agudas
• Hipoglicemia.
• Hiperglicemia.
• Cetoacidose 
Diabética.
Complicações crônicas 
macrovasculares
• Doença Arterial 
Coronariana. 
• Doença Vascular 
Periférica.
• Doenças 
Cerebrovasculares.
• Não Vasculares.
Complicações 
microvasculares
• Retinopatia diabética.
• Nefropatia diabética.
• Neuropatia diabética.

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