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1 Capa Peelings Químicos Superficiais Tratamento de Hipercromias Tratamento Relacionado à Acne Tratamento Relacionado ao Envelhecimento 2 Conteúdo Overview – Legislação ......................................................................................................................... 3 Um pouco mais sobre os diferentes tipos de peelings ....................................................................... 5 Fatores que Influenciam na Profundidade e Consequente Resposta dos Peelings: ....................... 8 A Absorção dos Agentes Esfoliantes Varia de Acordo com: ........................................................... 9 Mudanças Histológicas Após o Peeling .......................................................................................... 9 Manejo dos Efeitos Adversos e Prevenção de Complicações ....................................................... 10 Recomendações ao Paciente11 ..................................................................................................... 12 Contraindicações Relativas (não absolutas)11 .............................................................................. 13 Incentive a Aplicação Correta do Filtro Solar ............................................................................... 14 Peeling Superficial ........................................................................................................................ 15 Peeling Químico na Pele Étnica .................................................................................................... 16 Profundidade da Esfoliação .............................................................................................................. 19 Peelings Permitidos aos Profissionais ............................................................................................... 20 Pré-Peeling ........................................................................................................................................ 21 Pré-Tratamento Imediato ............................................................................................................. 22 Tratamento Peeling .......................................................................................................................... 23 Cuidados Pós-Peeling ........................................................................................................................ 24 Recomendações/Indicações para os Peeling Químicos ................................................................ 26 Tratamento de Hipercromias ............................................................................................................ 26 Melasma ....................................................................................................................................... 27 Hiperpigmentação Pós-inflamatória ............................................................................................. 28 Lentigo, Lentinges Senis ou Solares .............................................................................................. 29 Efélides (sardas) ............................................................................................................................ 29 Melanose Periocular (olheiras) ..................................................................................................... 29 Tratamentos Relacionados à Acne .................................................................................................... 31 Tratamentos Relacionados ao Envelhecimento ................................................................................ 32 PROTOCOLO GERAL .......................................................................................................................... 34 Pré-Peeling ................................................................................................................................... 34 Dia do Peeling ............................................................................................................................... 36 Pós-Peeling ................................................................................................................................... 40 Literatura Consultada ....................................................................................................................... 43 3 Overview – Legislação Em 3 de abril de 2018 a Lei nº 13.646 regulamentou a profissão do Esteticista. A lei reconhece a profissão e divide em dois grupos: o Técnico em Estética e Esteticista e Cosmetólogo. Pode parecer apenas mais uma lei, entretanto é uma grande vitória para uma classe profissional ter suas atribuições, deveres e direitos bem esclarecidos. A Lei define que: Técnico em Estética O técnico em estética precisa ter ou curso técnico com concentração em Estética oferecido no Brasil, ou curso no exterior com revalidação do diploma. Também pode exercer a atividade o profissional que possui prévia formação técnica em estética, ou que comprove o exercício da profissão há pelo menos três anos. Entre as atividades do técnico em estética estão: procedimentos estéticos faciais, corporais e capilares; solicitação de parecer de outro profissional que complemente a avaliação estética; e observância da prescrição médica apresentada pelo cliente ou solicitação posterior de exame médico ou fisioterápico para avaliação da situação. Esteticista e Cosmetólogo A profissão de esteticista, com nível superior, compreenderá as atividades de esteticista e cosmetólogo. O requisito é o curso de nível superior no país em Estética e Cosmética, ou equivalente, ou o diploma de graduação no exterior revalidado no Brasil. As atividades do esteticista são: responsabilidade técnica pelos centros de estética; direção, coordenação, supervisão e ensino de cursos na área; auditoria, consultoria e assessoria sobre cosméticos e equipamentos; elaboração de informes, pareceres técnico-científicos, estudos, trabalhos e pesquisas mercadológicas ou experimentais; elaboração do programa de atendimento ao cliente; e observância da prescrição médica apresentada pelo cliente ou solicitação posterior de exame médico ou fisioterápico para avaliar a situação. 4 Alguns anos antes, em 2012, o Conselho Federal de Biomedicina também ajudou a esclarecer melhor as atribuições entre biomédicos, técnicos e tecnólogos em Biomedicina esteta com a publicação da normativa nº 01/2012, em que que dispõem do rol de atividades para fins de inscrição e fiscalização dos profissionais biomédicos, técnicos, tecnólogos biomédicos especializados nas áreas de estética. Outra classe profissional que pode atuar na área estética são os fisioterapeutas com especialização adequada. O Fisioterapeuta Dermato Funcional não pode prescrever medicamentos de acordo com a RDC nº10 de 1978, entretanto a legislação de regência contempla e autoriza a adoção de diversos procedimentos, como também o uso de variados equipamentos, isolada ou concomitante, de agente fisioterapêutico, decorrente das diversas técnicas e métodos utilizados na Fisioterapia Especialidade Dermato Funcional. Em especial o uso da Cosmetologia por fisioterapeuta segue a Resolução da ANVISA RDC nº 79 de 2000, que define cosmético e a RDC nº211 de 2005 que classifica os cosméticos em Grau 1 e Grau 2. Sendo que ao profissional fisioterapeuta é permitido o uso de cosméticos de grau 1 e grau 2. Os peelings químicos estão compreendidos como cosméticos de grau 2. O que deve ser avaliado em relação à aplicação dos peelings químicos para saber se uma classe profissional pode ou não aplicar, é o nível de profundidade que o peeling vai penetrar na pele. Essas e muitas outras informações serão abordadas no decorrer do formulário. 5 Um pouco mais sobre os diferentestipos de peelings A terapêutica estética vem despertando interesse há muito tempo e o uso de ácidos também teve sua importância neste contexto. Essa terapêutica vem se constituindo um importante recurso para o tratamento das diversas disfunções estéticas como por exemplo: estrias, revitalização facial, rugas superficiais, acne, diminuição da oleosidade, manchas hipercrômicas superficiais e suavização das cicatrizes1. O formulário foi desenvolvido para todos os profissionais que atuam na área estética (peelings superficiais), sem invadir os procedimentos que são exclusivos da área médica, biomédica ou farmacêutica, que são os peelings médios e profundos. Na verdade, existe um papel importante dos profissionais esteticistas no preparo da pele para realização de outros procedimentos como o peeling médio e profundo, que antes era realizado exclusivamente pelo médico dermatologista e agora também pode ser realizado pelo biomédico e farmacêuticos devidamente habilitados na área estética. Desde a antiguidade o ser humano percebeu que após abrasões ou esfoliações, a pele possui a surpreendente capacidade de renovar-se a partir de suas camadas mais profundas, mantendo a pele sã e com aspecto jovial. A origem dos peelings químicos data de muitos anos, sendo primeiramente documentados em 1941, quando Eller e Wolf empregaram a escarificação e peeling cutâneo no tratamento de cicatrizes. Mackee e Kerp utilizaram técnica semelhante em 1903. Em 1960- 1961, Ayres, Baker e Gordon introduziam o que se chama da era moderna dos peelings químicos2. 6 A epiderme é constituída de células epiteliais, dispostas em camadas, que, considerando o sentido de dentro para fora, recebem os seguintes nomes: germinativa ou basal, espinhosa, granulosa, lúcido e córnea. É na camada germinativa onde se originam as células que vão pouco a pouco ganhando a superfície, durante este trajeto vão sofrendo modificações graduais em sua forma e composição química, até perderem o núcleo à nível da camada córnea e se descamarem naturalmente. Este deslocamento de células é constante e o ciclo completo ocorre em torno de duas semanas em pessoas jovens e cerca de trinta e cinco dias para aquelas pessoas de em torno de cinquenta anos de idade. A derme é subdividida em duas camadas, a papilar e a reticular. Na derme encontramos uma grande quantidade de vasos (arteriais, venosos e linfáticos), nervos e terminações nervosas. A hipoderme é ricamente constituída de tecido gorduroso3–5. A esfoliação pode agir por mecanismos de ação distintos, podendo ser classificados em: • Esfoliantes químicos; • Esfoliantes físicos; • Esfoliantes enzimáticos. Os peelings físicos ou mecânicos variam desde receitas caseiras como cristais de açúcar, lixas, cremes abrasivos com microesferas de material plástico aos aparelhos de microdermoabrasão por fluxo de cristais ou as lixas de ponta de diamante. O peeling mecânico pode ser utilizado antes do peeling químico para reforçar os efeitos e resultados6. O peeling de cristal é indicado para cicatrizes, estrias e pele flácida, tornando a pele mais brilhosa, sedosa e com mais vigor. Também pode ser utilizado nas pernas, coxas, costas, brações e mãos6. 7 O peeling de diamante é realizado com microdermoabrasor em peles mais espessas. Também estimula a renovação da pele através do aumento da produção de colágeno. Utilizado em casos de acne, queloides, cicatrizes de cirurgias6. Os peelings químicos utilizam substância(s) química(s) isolada ou combinada no intuito de se obter o agente mais adequado a cada caso para graus variados de esfoliação7. Os peelings biológicos ou enzimáticos - as enzimas são proteínas formadas por cadeias de aminoácidos unidos pelas ligações peptídicas. Aceleram a velocidade das reações e atuam como catalisadores biológicos. Proteases promovem a renovação celular, as óxidos- redutases combatem os radicais livres e protegem a pele do envelhecimento, as amilases responsáveis por romper as ligações dos polissacarídeos provenientes de metabólitos de micro-organismos patogênicos tornando as sujidades mais fáceis de remoção, as lipases reduzem os nódulos de gordura, as fosfatase alcalina aumentam o metabolismo celular e reduzem pequenas rugas, a hialuronidase promove a reabsorção do excesso de líquido e reduz a celulite, a lisozima tem ação bactericida e as enzimas de reparo do DNA que reparam o DNA das ações da radiação ultra0violeta6. Para aqueles que são responsáveis por formular produtos destinados ao peeling facial é constante a busca por métodos que ofereçam maior segurança na sua utilização e que atinjam resultados cada vez melhores com o menor desconforto para o paciente. O peeling, mesmo quando este é limitado à ação na epiderme, é capaz de estimular a regeneração através de rotas que envolvem a derme por mecanismos de ação ainda não completamente elucidados. A profundidade da destruição depende da substância utilizada e da sua concentração. O uso dos agentes de peelings é reportado desde a antiguidade, mas as técnicas com bases científicas e padronizadas somente surgiram nas últimas décadas8. A classificação relacionada à profundidade do peeling depende de muitas variáveis e qualquer classificação dos agentes esfoliantes é apenas relativa9. Os diferentes tipos de peelings químicos disponíveis estão divididos em três grupos, de acordo com a profundidade cutânea de sua ação: • Peeling muito superficial: apenas o estrato córneo; 8 • Peeling superficial: da camada córnea até a derme papilar; • Peeling médio: da derme papilar até a derme reticular superior; • Peeling profundo: com ação na derme reticular média e profunda8. Fatores que Influenciam na Profundidade e Consequente Resposta dos Peelings: Quanto ao agente utilizado: • Agente esfoliante8; • Concentração8; • pH da solução8; • Tempo de aplicação8; • Quantidade de camadas aplicadas;10 • Técnica de aplicação10; • Procedência dos agentes químicos10. Quanto à integridade da pele: • Até que ponto a pele foi limpa e desengordurada antes do procedimento; • Até que ponto a pele foi preparada nas semanas que antecedem o peeling; • O tipo de pele do paciente (fina ou espessa); • A localização anatômica da descamação (face ou áreas não faciais). Por exemplo, o ATA é utilizado tanto para peelings superficiais, médios ou profundos, dependendo da sua concentração. Além disso, a combinação de substâncias que atuam como peelings superficiais podem resultar em efeito sinérgico e resultar em um peeling de média profundidade (como por exemplo, a solução de Jessner combinada ao ATA 35%8. Outro exemplo, a aplicação de ATA 25% com um cotonete na face de um homem de pele espessa e oleosa que não foi preparada antes do peeling resulta em uma descamação intradérmica superficial. Em contrapartida, quando se esfrega uma compressa de gaze embebida com ATA 25% repetidamente na face de uma mulher de pele fina que aplicou ácido retinoico durante duas semanas antes do peeling, a descamação resultante será muito maior e mais profunda, resultando em um peeling de média profundidade10. A pele do homem muitas vezes é mais oleosa, o que dificulta a penetração dos ativos7. Quanto mais profundos, mais aparentes serão os resultados, porém aumentarão também os riscos (hipo ou hiperpigmentação, cicatrizes) e o desconforto no período após o procedimento. Os critérios utilizados para indicação de cada tipo de peeling compreendem idade, fototipo, área a tratar, grau de fotoenvelhecimento, objetivos a alcançar e 9 habilitação e habilidade do profissional aplicador, além dos fatores inerentes a cada paciente em particular7,8. O profissional deve possuir conhecimento adequado dos diferentes agentes para esfoliação química, quais tipos de peelings está apto a aplicar, o processo de regeneração da pele, da técnica, bem como das complicações. A Absorção dos Agentes EsfoliantesVaria de Acordo com: > Características da pele: espessura da epiderme, densidade de folículos, grau de fotoagressão, sexo (a pele masculina é mais oleosa, dificultando a penetração), fototipo (quanto mais baixo, maior a penetração), integridade da barreira epidérmica, preparo prévio, limpeza precedente à aplicação do agente esfoliante, procedimentos anteriores recentes e uso de isotretinoína oral; > Agente químico: características físico-químicas, volume, concentração, veículo, tempo de exposição; > Modo de aplicação: uso de cotonetes, pincel, dedos enluvados ou gaze, oclusão ou não da área tratada, pressão e fricção durante a aplicação, número de camadas e frequência do procedimento7. Mudanças Histológicas Após o Peeling As mudanças histológicas observadas evidentemente dependem da profundidade do peeling. Entretanto, todos os tipos de peeling causam inflamação e induzem ao fenômeno de cicatrização para reparar as zonas lesionadas pelo agente cáustico8. Os peelings superficiais envolvem a epiderme e algumas partes da derme. A epiderme torna-se mais fina e a regeneração é causada pela multiplicação das células epidérmicas. As novas camadas da epiderme são produzidas. Na derme, o processo de inflamação causa a neocolagênese. A estimulação da epiderme induz a produção das citocinas que, como resultado, estimulam a ativação dos fibroblastos, os quais produzem colágeno tipo I e tipo IV, assim como as fibras de elastina8. 10 A descamação superficial das camadas mais externas ativa um mecanismo biológico que estimula a renovação e o crescimento celular resultando na aparência externa mais saudável e bonita, pelas alterações profundas na arquitetura celular tais como. • Hiperplasia dos queratócitos; • Aumento da espessura da epiderme; • Diminuição da quantidade de melanina depositada; • Aumento na produção de fibras colágenas, na irrigação sanguínea e na compactação do estrato córneo. Além dos fatores acima relacionados a dermoabrasão aumenta a permeabilidade cutânea, o que favorece a penetração de princípios ativos coadjuvantes no tratamento pós peeling necessários a repitelização completa. Manejo dos Efeitos Adversos e Prevenção de Complicações Todos os peelings devem ser realizados com cuidado, para minimizar os potenciais efeitos adversos; o nível de experiência do aplicador do produto é de vital importância para garantir o sucesso do tratamento. De uma maneira geral, a profundidade do peeling está relacionada aos efeitos adversos e à razão de risco/benefício, aumentando à medida que a profundidade do peeling aumenta8. Os peelings superficiais raramente causam complicações, e quando acontecem são geralmente de baixa severidade, com hiperpigmentação leve transitória, vermelhidão durante a primeira noite e pequenos sinais de descamação. Os peelings médios provocam notável vermelhidão por vários dias, seguidos por descamação que pode ser significativa. Há alto risco de hiperpigmentação e formação de lentigens solares após o tratamento. Ainda, a fotoproteção é recomendada por várias semanas8. Apresentações clínicas esperadas e usuais8,11 • Irritação; • Eritema; • Edema; • Vesículas; • Erosões e/ou úlceras; 11 • Descamação e/ou crostas; • Eritema persistente e/ou prurido; • Piora transitória da acne; • Dilatação capilar; • Miliária; • Anormalidades de pigmentação: • Hiperpigmentação; • Hipopigmentação; • Aumento da pigmentação nas áreas ao redor do peeling, entre outras. 12 Complicações raras no pós-peeling superficial11 Formação de cicatrizes: • Hipertróficas; • Atróficas; • Queloides; Infecções: • Bacterianas; • Virais (por exemplo, herpes simples); • Fúngicas; Reações alérgicas, entre outras. Recomendações ao Paciente11 Continue a lavar o rosto duas vezes ao dia, com o sabonete apropriado e tome cuidado para não utilizar água muito quente, pois o rosto irá ficar mais irritado; Mantenha o rosto hidratado, utilizando o hidratante suave e hipoalergênico recomendado em sua última consulta; Não use nenhum creme ou pomada, incluindo cremes despigmentantes, até que você retorne ao meu consultório e eu possa avaliar as condições da sua pele. Não se exponha ao sol após o procedimento de peeling (nem os famosos 5 minutinhos). Após o peeling utilize filtro solar diariamente; Não tente beliscar, tirar cravos e espinhas ou esfregar a sua pele para remover mais rapidamente as escamas 13 Contraindicações Relativas (não absolutas)11 Há vários fatores que limitam a utilização dos peelings, os quais são relativos e não absolutos. A melhor forma de minimizar complicações relacionadas com o peeling seria evitá-lo nos seguintes pacientes de risco7: • Filosofia do paciente à exposição solar. Pacientes que não querem ou não podem deixar de se expor ao sol; • Gravidez e amamentação; • Status imunocomprometido e/ou sob tratamento médico; • Histórico de cicatrizes queloidianas; • Histórico de infecções fúngicas, bacterianas ou virais; • Histórico de cirurgias e/ou terapia com radiação; • História de hiperpigmentação pós-inflamatória; • Pacientes que não obedecem às instruções; • História de pele extremamente sensível que fica irritada com facilidade, com o uso da maioria dos produtos cosméticos; • Pacientes portadores do vírus HIV; • Pacientes com grande recidiva de Herpes simplex12; • Indivíduos com pele Tipo IV a VI (Escala de Fitzpatrick); • Pacientes em uso de isotretinoína ou que fizeram o uso da mesma em intervalo menor que um ano13; • Pacientes com doença cardíaca, hepática ou renal severa. É bom ressaltar que pacientes que não cooperam com o tratamento fazem parte do grupo contraindicado, assim como a restrição quanto ao uso da isotretinoína oral é muito importante, devendo haver pelo menos um intervalo de seis meses entre a última administração do fármaco e a aplicação do procedimento de peeling14. É responsabilidade do profissional a escolha da modalidade correta de peeling para tratar as condições da pele do paciente (fotoenvelhecimento, cicatrizes, discromias, etc.). É de responsabilidade do profissional ter sólido conhecimento de todas estas ferramentas para que seja fornecido para cada paciente o tratamento correto, garantindo as condições necessárias para o sucesso e garantia do tratamento. 14 Incentive a Aplicação Correta do Filtro Solar O padrão atual do FDA para a aplicação de filtros solares é de 2mg/cm2 e estudos ainda sugerem que o uso atual é de apenas 25-50%, proporcionando resultados inferiores na fotoproteção: ou seja, as pessoas aplicam cerca de ½ ou ¼ da quantidade mínima necessária para atender aos padrões de FPS e PPD rotulados15. O principal problema com a eficácia dos filtros solares é a relação não-linear entre a graduação do FPS e a quantidade aplicada na pele15. A aplicação do filtro solar tem se mostrado ser de apenas 0,5mg/cm2, o que pode ser traduzido a um FPS de 8 ou 15, quando se aplica um produto com FPS 30. Para cobrir um corpo médio de um adulto de 1,73m, um total de 35ml de filtro solar é necessário15. Como o estrato córneo é removido pelo peeling superficial, que é uma das mais poderosas barreiras de proteção contra a radiação UV, é plausível que a pele se torne mais sensível durante e após o peeling químico. Além disso, para alcançar o objetivo da remoção das rugas (ou seu atenuamento) através do remodelamento dérmico, um processo inflamatório é acompanhado e o repetitivo dano tecidual, associado à inflamação crônica deste tecido pode induzir à carcinogênese. Por isso, a segurança da execução de peelings repetidos, especialmente sobre a formação de tumores, necessita ser avaliado15. 15 Peeling Superficial O peeling superficial atua sobre a epiderme. Os melhores resultados são obtidos com aplicações seriadas, realizadas em intervalos curtos. A descamação subsequente costuma ser fina e clara, nãoalterando a rotina diária do paciente7,8. Melhora a textura da pele, é coadjuvante no tratamento da acne, clareia manchas e atenua rugas finas, além de estimular a renovação do colágeno7,8. Utiliza-se substâncias como os alfa-hidróxiácidos (AHAs), beta-hidroxiácidos (BHAs ou LHAs), ácido tricloroacético (ATA), resorcinol, ácido azelaico e solução de Jessner. Estes peelings possuem como alvo os corneossomos, por aumentar a quebra e reduzir a coesividade celular, causando a descamação. Os peelings superficiais (como os de AHAs, LHAs), também aumentam a atividade de enzimas epidérmicas, levando à epidermólise e esfoliação2,8,16. Como sua ação é geralmente epidérmica e apresenta pouco risco de complicações ao paciente, este peeling pode ser utilizado em todos os tipos de pele e em qualquer área do corpo2. As moléculas dos lipo-hidroxiácidos (LHAs) atuam sobre a interface entre os corneossomos/corneócitos para desconectá-los individualmente, sugerindo que os LHAs atuem pelas glicoproteínas transmembranas. Esta ação ocorre pela interface compacta/disjuncta e não afeta as fibras de queratina e a membrana dos corneócitos. Os LHAs ainda estimulam a renovação das células epidérmicas e a matriz extracelular. Em contraste aos muitos outros agentes de peelings químicos, os LHAs têm pH que é similar ao da pele normal (5.5) e não necessitam de neutralização8. O ácido glicólico é extremamente hidrofílico e tem um pH baixo, que varia de acordo com a concentração do ácido (por exemplo, soluções sem agentes tampão com 80% de concentração têm pH 0,5, com concentração de 10% tem pH de 1,7)8. Alguns dos peelings necessitam ser neutralizados para interromper a acidificação da pele; aplicando o ácido sobre a pele satura-se a capacidade das células de resistirem à acidificação e o excesso do ácido pode ser neutralizado para prevenir a queimadura da pele. A neutralização pode ser realizada com soluções básicas, como sais de amônio, bicarbonato de sódio ou hidróxido de sódio8. O ácido glicólico pode ser considerado o principal agente indutor deste tipo de peeling pelo fato de sua molécula ser de tamanho pequeno, ter maior poder de penetração em relação aos outros AHAs. Além da concentração utilizada, é importante considerar o valor 16 de pH da formulação, podendo variar de 2-4, e quanto menor o seu valor (mais ácido) maior a ação esfoliante do peeling e seu poder irritante na pele (o valor de pH 3,5 é o ideal para uma boa esfoliação)2. Peeling Químico na Pele Étnica Os especialistas enfrentam desafios específicos quando utilizam peelings na pele étnica. Embora a pele negra tenha a vantagem da fotoproteção adicional, ocorrem frequentemente respostas imprevisíveis dos melanócitos à injúria que pode causar mudanças pigmentares pós-inflamatórias desfigurantes, que é o principal potencial negativo dos peelings neste grupo de pacientes15. Diferentes etnias podem responder de forma diferente aos peelings químicos e isto depende do fenótipo cutâneo. O levantamento histórico das particularidades do paciente é essencial. Observa-se que em pacientes latino-americanos e hispânicos há muitas variações no fenótipo da pele e pigmentação e são mais propensos à formação de hiperpigmentação pós-inflamatória e melasma. Neste grupo de pacientes os peelings são considerados tratamento de segunda-escolha, quando as outras terapias tópicas de uso diário falharam16. De uma maneira geral, os peelings superficiais são bem tolerados em todos os tipos de pele, peelings de média profundidade podem ser utilizados pela pele étnica e os peelings profundos são geralmente contraindicados ou desaconselhados neste grupo em virtude do alto risco de discromias e formação de cicatrizes15. 17 Entre os agentes indutores de peeling, os mais indicados para o público étnico, conforme Salam et al. (2013)17 são: • Ácido salicílico – nas concentrações entre 3-5% funciona como agente queratolítico, enquanto em soluções etanólicas contendo 20-30% de ácido salicílico tem função de peeling e é considerado o tipo mais seguro de peeling para a pele étnica; • Ácido glicólico – nas concentrações entre 10-70% é popular e efetivo nos tipos de pele mais escuras, lembrando que deve ser neutralizado com solução salina ou bicarbonato de sódio, pois caso contrário a epidermólise irá continuar; • Ácido tricloroacético – também pode ser utilizado pela pele étnica uma vez que os estudos confirmam a ausência de complicações significativas e que a taxa de satisfação do paciente varia de 55% para o melasma até 86% para o tratamento da ceratose seborreica; • Solução de Jessner – combina efeitos benéficos sinérgicos dos seus componentes. Sua utilização é mais indicada em combinação com outros peelings e não é recomendada que a utilize exclusivamente para o tratamento de desordens pigmentares, acne ou cicatrizes, dando-se preferência ao uso combinado; • Ácido lático – pode ser utilizado com segurança em pacientes étnicos, em concentrações que podem alcançar 92% e com pH mínimo de 2,0, sendo eficaz tanto para o melasma quanto para a acne; Classificação da pele segundo Fitzpatrick17 http://www.spectrumsciencebeauty.com.au/spectrum_1200.php Tipo I Nunca queima, nunca bronzeia. Tipo II Geralmente queima, bronzeia menos que a média. Tipo III Algumas vezes queima levemente, bronzeia como a maioria. Tipo IV Raramente queima, bronzeia mais que a média. Tipo V Raramente queima, bronzeia intensamente. Tipo VI Nunca queima, intensamente pigmentada. 18 Nos pacientes étnicos, os cuidados pré e pós peeling são igualmente importantes. O pré- tratamento geralmente inicia-se 2-4 semanas antes do peeling e é descontinuado três dias antes. Os pacientes devem ser instruídos a não utilizar clareadores, ceras, esfoliantes, massagem, uso de depiladores ou não agendar nenhum evento importante uma semana antes do peeling17. O pré-peeling com hidroquinona 2-5% é efetivo para reduzir a hiperpigmentação pós- inflamatória, sendo este superior à tretinoína nestes pacientes17. Os pacientes devem ser advertidos quanto ao risco do ressecamento da pele, irritação e eritema. A fotoproteção também pode reduzir o risco de hiperpigmentação pós- inflamatória. A educação do paciente é essencial para reduzir o risco de complicações17. Principais indicações dos peelings químicos na pele étnica18 • Discromias; • Hiperpigmentação pós-inflamatória; • Acne; • Melasma; • Cicatrizes; • Pseudofoliculite da barba. 19 Profundidade da Esfoliação De acordo com Yokomizo, et al., os valores que classificam os peelings quanto à sua profundidade variam em até: • 0,06mm para peelings muito superficiais – removem apenas o estrato córneo; • 0,45mm para os peelings superficiais; • 0,6mm para os peelings médios; • 8mm para os peelings profundos7. Há outras classificações descritas por outros estudos19 e como as da imagem abaixo: 20 Peelings Permitidos aos Profissionais • Esteticista e Cosmetólogo • Técnico em Estética • Fisioterapeuta Dermato Funcional • Técnico e Tecnólogo em Biomedicina Esteta • Além disso, Biomédicos, Farmacêuticos e Médicos Dermatologistas, também podem utilizar esses peelings, além dos médios e profundos. Peeling de cristais Peeling de diamante Peeling ultrassônico ESFOLIAÇÃO - Ácido glicólico 30% (1-2min)22 - Ácido salicílico 30% (1 ou mais camadas) - ATA 10-20%22 - Solução de Jessner / Jessner modificado (1-2 camadas)22 EPIDÉRMICO - Ácido glicólico 40-70% (2-20min)22 - Ácido salicílico 35% - ATA 10-35%22 - Solução de Jessner / Jessner modificado (1-3 camadas 4- 10min)22 - Ácido tioglicólico 10 a 20% (10-30 min) - Ácido lático 80-90%9 - Ácido mandélico 5-40%9 - Resorcina 10-50% (30 a 60min)9 - Ácido pirúvico 40-50% (2-3min)9 - Ácido azelaico 30% DERME PAPILAR - Ácido glicólico 70% (3- 30min) - Ácido glicólico 70% + ATA35% - ATA 40 a 50%22 - Ácido pirúvico - Pasta de resorcina - Solução de Jessner + ATA 35% - Entre outros Peelings combinados DERME RETICULAR - Fenol - Fenol modificado - Solução de Baker - ATA 50%22 21 Pré-Peeling Ao indicar um peeling, o profissional deve analisar o perfil psicológico do paciente, sua atividade profissional e tempo disponível para afastamento. Deve também oferecer informação detalhada através de material educativo, indicar o preparo prévio e esclarecer sobre o período de descamação e os benefícios esperados10,19. A anamnese deve incluir histórico médico, grau de exposição ao sol, ocupação profissional, antecedentes de herpes simples, tratamento com isotretinoína nos últimos seis meses, tendência para queloides e hiperpigmentação pós-inflamatória, medicamentos em uso, comprometimento imunológico e tabagismo, o qual pode alterar a evolução dos procedimentos profundos, mas não é relevante nos superficiais10. No exame dermatológico é preciso observar: • Fototipo; • Grau de fotoenvelhecimento; • Atividade sebácea (pele oleosa ou seca); • Presença de hiperpigmentação pós-inflamatória; • Presença ou história queloide, infecção ou inflamação preexistente. O preparo prévio deve ser iniciado pelo menos duas semanas antes do procedimento (ou até 4 a 6 semanas interrompendo 4 a 7 dias antes da aplicação do peeling19), já que reduz o tempo de cicatrização, permite penetração mais uniforme do agente e diminui o risco de hiperpigmentação pós-inflamatória. Os peelings muito superficiais dispensam preparo8. O pré-peeling é realizado com substâncias que condicionam a pele. Utilizam-se fórmulas contendo: ácido retinoico (0,025-0,1%) e/ou ácido glicólico (5-10%), associados ou não a despigmentantes, como hidroquinona (2,5-5%), ácido kójico (1-2%) ou ácido fítico, em veículos apropriados para cada tipo de pele. Os cuidados com o sol são fundamentais, mesmo antes da aplicação. Filtros solares com FPS alto e veículo hidratante são indicados durante todo o processo de recuperação da pele8. Pacientes com antecedentes de herpes simples devem fazer terapia antiviral profilática (aciclovir 200mg – 4/4 horas ou valaciclovir 500mg – 12/12 horas, durante cinco dias). É obrigatório obter o termo de consentimento informado do paciente e fazer a documentação fotográfica8. 22 As seguintes observações são importantes para a segurança na aplicação de peelings2: • Evitar aplicar em pele irritada, eritematosa ou inflamada; • Ter sempre à mão substância neutralizante do agente químico em uso; • Usar escala sensitiva de 1 a 10; • Estar sempre atento aos sinais visuais, como eritema e branqueamento (frosting), que ajudam a identificar o grau de penetração das substâncias e a profundidade que está sendo alcançada7. Benefícios da preparação da pele (priming): • Previne diversos efeitos adversos: entre os quais o desenvolvimento de herpes, infecções micóticas e bacterianas. Também auxilia na redução do risco de resultados inadequados10; • Aumenta a penetração do ingrediente ativo: através do uso prévio de AHAs ou tretinoína ocorre redução da espessura do estrato córneo, a barreira natural da pele e desta forma torna-se mais fácil a penetração dos produtos aplicados para que penetrem na camada basal da epiderme e mais profundamente na derme10; • Possibilita a penetração equilibrada do peeling: como a pele não tem a mesma espessura em todas as partes do corpo isto provoca diferença no nível de penetração e a correta preparação da pele uniformiza a espessura do estrato córneo e permite que o ingrediente ativo penetre de forma mais equilibrada. Áreas de hiperqueratoses são exemplos perfeitos desta diferença de penetração10; • Reduz o risco de alterações pigmentares: uma vez que reduz o conteúdo de melanina na epiderme e dispersa os grânulos já formados10; • Acelera o processo de cicatrização: o uso da tretinoína, principalmente, acelera o processo de reepitelização e permite que a pele se regenere da maneira mais rápida possível com o objetivo de manter a homeostase em todo o organismo10. Pré-Tratamento Imediato Consiste no passo de higienização imediatamente antes da aplicação do peeling, e é uma importante etapa do procedimento, uma vez que é de crucial importância para a penetração homogênea do peeling e para que se obtenha um resultado uniforme. Esta técnica de aplicação é bastante simples8. 23 A pele é primeiramente, sistemática e vigorosamente higienizada para remover as gorduras e óleos e assim eliminar os debris do estrato córneo – alguns autores sugerem a acetona para este procedimento. A pele então é enxaguada e seca, etapa na qual o agente de peeling é aplicado. O peeling poderá ser neutralizado com bicarbonato de sódio ou água, se necessário8. O profissional irá desinfetar a pele com álcool e desengordurar com álcool, acetona ou éter19. Estes produtos permitem que as soluções de peeling, as quais são geralmente hidrofílicas, penetrem nos óleos protetores da pele. Eles podem quebrar algumas proteínas e fosfolipídeos nas membranas celulares, as quais potencializam a ação dos ácidos aplicados em seguida20. Os AHAs necessitam preparação muito cuidadosa antes de serem aplicados. A pele deve ser limpa com água e sabão e completamente enxaguada, desengordurada e desinfetada. O ácido fítico, por exemplo, necessita que a pele seja higienizada de forma suave, com espuma de limpeza que contenha apenas surfactantes, pois só assim os ácidos não penetrarão na pele muito rapidamente, promovendo saturação da capacidade de tamponamento natural de pele, sendo impossível a neutralização no tempo de ação necessário deste ácido20. Tratamento Peeling Os pacientes devem ser advertidos que o tratamento pode ser doloroso e antes de iniciar o procedimento, orienta-se que o cliente preencha o termo de consentimento (anexo I) e que todas as dúvidas dos clientes sejam sanadas. Nos peelings superficiais uma simples sensação de calor é sentida8. 24 O tratamento é a etapa na qual o agente de peeling é aplicado utilizando, por exemplo, compressas, algodão, um aplicador ou pincel. O tempo de contato depende do agente esfoliante utilizado e da profundidade desejada. O peeling pode ser neutralizado com bicarbonato de sódio ou água, se necessário8. Cada sessão é finalizada com a aplicação do creme cicatrizante e hidratante, quando possível8. Em outros casos, a anatomia facial pode ser dividida em cinco unidades estéticas: 1. Testa 2. Bochechas 3. Queixo 4. Parte superior lábios 5. Nariz Cada unidade deve ser tratada por completo em sua demarcação para evitar uma linha de marcação excessiva entre a área tratada e a área não tratada8. Cuidados Pós-Peeling Para prevenir a hiperpigmentação pós-inflamatória a melanogênese epidérmica necessita ser inativada pelo uso diário de fotoprotetores8. Nos pacientes de fototipos escuros, 25 tratamentos adicionais com formulações despigmentantes à base de hidroquinona (ou outro agente eficaz) deve ser realizada8. Após o peeling superficial, apenas a hidratação é requerida. O período pós-procedimento para acelerar a cicatrização é necessário e deve se basear no uso de hidratantes8. O processo de cicatrização, baseado em hidratantes e bandagens, deve ser diária e rotineiramente observado e seguido8. A fotoproteção é recomendada por várias semanas, assim como a profilaxia da herpes, nos pacientes pré-dispostos8. Principais aconselhamentos e recomendações para o período pós-peeling são: • Evitar a exposição solar; • Seleção adequada dos produtos skin care; • Acompanhamento da condição da pele após o peeling químico; • Peelings mais profundos necessitam significativo tempo para a recuperação e cicatrização da pele e ocasionalmente requerem atenção médica21. Peeling Pós-peeling tardio (home care) 4 a10 dias após Pré-peeling (home care) Início do tratamento Pós-peeling imediato (home care) 0 a 3 dias após 26 Recomendações/Indicações para os Peeling Químicos O peeling químico causa alterações na pele por três mecanismos: • Estimulação do crescimento epidérmico mediante a remoção do estrato córneo. Mesmo descamações muito leves que não causam necrose da epiderme podem induzi-la a espessar-se; • Destruição de camadas específicas de pele lesada. Ao destruir as camadas e substituí-las por tecido mais “normalizado”, obtém-se um melhor resultado estético. Isto é especialmente verdadeiro no tratamento de anormalidades de pigmentação e de ceratoses actínicas. • Indução no tecido de uma reação inflamatória mais profunda que a necrose produzida pelo agente esfoliante. A ativação de mediadores da inflamação (por um mecanismo pouco compreendido) pode induzir a produção de colágeno e glicosaminoglicanos na derme10. Desta forma os peelings podem atuar sobre diversos mecanismos e serem benéficos para diversas desordens cutâneas, conforme são apresentadas as informações nas páginas seguintes. Tratamento de Hipercromias Hipercromias, como tratar, como evitar e quais tecnologias usar? Faz parte da rotina do profissional que trabalha com estética receber diversos pacientes com esse problema. 27 O primeiro passo para um tratamento eficaz é apostar em uma boa anamnese. Mas e depois? Com tantas tecnologias, protocolos e novos procedimentos, às vezes, fica difícil definir qual tratamento optar para cada cliente. Este formulário, desenvolvido pela Pharmaceutical Consultoria, visa abordar protocolos e indicações dos peelings muito superficiais e superficiais que podem ser utilizados no tratamento das hipercromias entre outras indicações. É importante ressaltar que entre as hipercromias existem muitas classificações de hiperpigmentações que devem ser estudas e avaliadas criteriosamente para melhor avaliação do caso do paciente. Neste material são citadas algumas dessas hipercromias, levando em consideração as principais indicações para peelings. A intenção é auxiliar na escolha dos melhores protocolos para a pele do paciente ficar linda! Melasma Uma das hipercromias mais frequentes é o melasma. É uma hipermelanose adquirida que envolve principalmente a face, variando do castanho-claro ao escuro com bordas irregulares. Acomete indivíduos de todas as raças ambos os sexos, sendo contudo, mais frequente em mulheres (homens representam apenas 10% dos casos)22. São inúmeros fatores etiológicos implicados no aparecimento do melasma, entre eles estão a predisposição genética, contraceptivos orais, gravidez, cosméticos, drogas como difenil-hidantoína e mesantoína e disfunções hepáticas e endócrinas. Além de altos níveis de estrogênio e progesterona22. Ao avaliar-se um paciente com melasma, deve-se levar em conta principalmente a sua história familiar, seu grau de exposição solar e o uso de hormônios. A ablação controlada da epiderme é um método efetivo para acelerar a remoção da melanina depositada nessa camada. Esse processo, no entanto, deve ser criteriosamente indicado e executado, pois a margem de segurança é extingua. Deve-se promover a retirada de corneócitos e queratinócitos, com o mínimo de irritação dos melanócitos tipo- específicos, já que isso estimularia a melanogênese e consequentemente rebote (hiperpigmentação pós peeling). As esfoliações químicas superficiais são as mais indicadas e a escolha do agente esfoliante dependerá do tipo de melasma a ser tratado e da experiência de quem executa o procedimento22. No caso do melasma existem outras opções de tratamento que podem estar combinados ao peeling. É essencial realizar a fotoproteção da pele com produtos de FPS acima de 30 28 com filtro UVA, além da aplicação de despigmentante tópicos como inibidores da tirosinase, antioxidantes, inibidores da melanogênese e esfoliantes23. Outros procedimentos como laser e crioterapia também podem ser abordados concomitantemente ao peeling22. Entre os agentes esfoliantes mais indicados estão a tretinoína (Portaria ANVISA nº344, venda sob prescrição médica), AHAs como ácido glicólico 50-70%, ácido salicílico 25%22 e resorcinol que devem ser feitos cada 2 semanas. Também podem ser utilizados e/ou associados os peelings mecânicos22. O tratamento do melasma é bastante difícil. Os melhores resultados são obtidos quando se utiliza uma combinação de estratégias para ação sinérgica dos tratamentos na redução da formação da melanina22. Hiperpigmentação Pós-inflamatória Qualquer processo inflamatório, agudo ou crônico, pode resultar em hiper ou hipopigmentação da pele. Na hiperpigmentação altera-se o grau de produção de melanina para uma produção aumentada que quando na epiderme, resulta em coloração marrom- claro ao escuro (dependendo da quantidade de pigmento). Quando presente na derme, nos melanófagos, confere cor cinza azulada à pele. A hiperpigmentação pode surgir após traumas repetidos na pele como, fricção e escoriações em dermatoses pruriginosas, dermatites de contato, principalmente quando há fototoxicidade com uso de perfumes e colônias contendo psoralenos, manuseio de futuras cítricas e figo. Pode ocorrer ainda como sequela da acne, furúnculo e ectima. Em todas elas, a hipercromia será transitória se houver tratamento adequado. Também é possível observar hiperpigmentação como complicações dos peelings superficial e médio nos indivíduos fototipos IV a VI. Alguns fatores favorecem essas complicações como saber se o paciente estava bronzeado ou não na ocasião do peeling, uso de anticoncepcionais, medicamentos fotossensibilizantes, gravidez nos seis meses subsequentes ao procedimento e não ter feito o preparo prévio adequado da pele (pré- peeling). Produtos como hidroquinona, ácido azelaico, ácido ascórbico e ácido kójico são indicações de despigmentastes utilizados nos casos de hiperpigmentação pós-inflamatória23. 29 Além disso, o peeling químico superficial de ácido salicílico demonstrou ser seguro e eficaz para o tratamento de hiperpigmentação pós-inflamatória. O estudo foi realizado com 5 pacientes com Fitzpatrick tipos de pele V e VI pré-tratadas com creme de hidroquinona 4%, 2 semanas antes do peeling. Em seguida uma série de sessões de 20-30% de ácido salicílico intervaladas de 2 semanas resultaram em 51-75% de melhora em um paciente e 75% melhora em quatro pacientes, sem relatos de efeitos adversos. Lentigo, Lentinges Senis ou Solares Apresenta-se em regiões da face e dorso das mãos, consideradas versões planas da ceratose seborreica22. O lentigo solar é uma área macular de pigmentação marrom que aparece depois de uma aguda ou crônica exposição solar. O termo lentigo solar é preferido ao lentigo senil, que às vezes é usado para descrever lentigo maligno precoce. O peeling químico superficial é um agente promissor para a lentigo solar do tipo macular pequeno22. O ATA é utilizado para as lentigos solares com máculas maiores, uma vez que há maior possibilidade de hiperpigmentação pós-inflamatória causada por peelings mais profundos11. Efélides (sardas) Os peelings químicos são efetivos para esta desordem. Há possibilidade de recorrência mesmo após o peeling, uma vez que as efélides são desordens pigmentares que possuem forte base genética, e pioram com a exposição solar11. Melanose Periocular (olheiras) Mais conhecidas como olheiras, são definidas como bilaterais, redondas e homogêneas máculas pigmentadas24. A hipercromia periorbital, a olheira, é caracterizada principalmente pela alteração da coloração na região dos olhos que ocorre devido a diversos fatores, dentre eles, o aumento localizado de melanina e ou do ferro, além de alterações vasculares24. O peeling de ácido mercapto acético (ácido tioglicólico), topicamente utilizado na abordagem de hipercromias hemossideróticas, é utilizado em concentraçõesde 5% a 12%. 30 Sua afinidade com o ferro é semelhante à da apoferritina, tendo a capacidade de quelar o ferro da hemossiderina, por apresentar o grupo tiólico7. Após o desengorduramento da região periocular com álcool 70º, com o auxílio de cotonetes ou embalagem massageadora, aplica-se o ácido tioglicólico a 10% em gel na pálpebra inferior7. Deixar agir de 5 a 10min e neutralizar com água. 31 Tratamentos Relacionados à Acne O ácido glicólico e o ácido salicílico (veiculados em PEG) têm apresentado efetividade nos estudos controlados de meia face para o tratamento da acne vulgar. Em particular, os comedões apresentam boa resposta a estes tratamentos11. O ácido salicílico em etanol é utilizado em diversos países, entretanto esta formulação é considerada irritante à pele, e observa-se descamação de longa duração. Por outro lado, estudos indicam que este tipo de reação irritativa não acontece com o ácido salicílico veiculado em PEG. Com respeito às cicatrizes de acne, há poucas evidências que comprovem a efetividade destes dois agentes11. O primeiro efeito do peeling sobre a acne é a redução dos comedões com concomitante redução das lesões inflamatórias. Os peelings podem permitir que os agentes tópicos para a acne penetrem mais eficientemente na pele e ainda podem melhorar a hiperpigmentação pós-inflamatória, podendo inclusive ser benéficos em pacientes com pele étnica25. Além do ácido glicólico e salicílico, a solução de Jessner, ácido pirúvico 40-70%, ácido tricloroacético 25-30% em loção ou gel e pasta de resorcina 40% são recomendados nos casos de acne25. Os peelings também são indicados para os pacientes que apresentam poros dilatados ou que apresentam processo de hiperpigmentação oriundo da acne14. Protocolo indicado22: • Acne comedogênica: ácido glicólico, solução de Jessner, ácido de salicílico, ácido pirúvico, pasta de resorcina; • Acne moderada e inflamatória: ácido salicílico, ácido pirúvico, ácido glicólico, pasta de resorcina; • Acne cística: ácido pirúvico. Frequência de aplicação: • Ácido glicólico: 3 a 6 sessões a cada 1 a 2 semanas; • Solução Jessner: 3 sessões a cada 2 semanas; • Ácido salicílico ou pirúvico: 3 a 8 sessões a cada 2 a 4 semanas. 32 Tratamentos Relacionados ao Envelhecimento Com o objetivo de melhorar a aparência da textura da pele facial e as rugas finas superficiais, os peelings químicos superficiais, que remodelam a epiderme, são considerados terapias efetivas11. Os peelings são altamente indicados nos casos de fotodano, que englobam muitas das manifestações apresentadas anteriormente e que estão associadas à exposição UV. O fotoenvelhecimento inclui o espessamento da derme com quebra da rede de fibras elásticas e a epiderme mais fina. Frequentemente isto resulta em pigmentação irregular, rugas, perda da elasticidade, desenvolvimento de lentigens solares e ceratoses actínicas, além de deixar a pele mais áspera e grosseira25. Os benefícios dos agentes de peeling superficiais são relatados para fotodano leve a moderado. Segundo o trabalho pioneiro de Van Scott e Yu26 sobre os efeitos dos AHAs, esses agentes foram popularizados como agentes de peeling para fotodanos e de acordo com Moy et al.27, em um mini modelo de suíno mostrou que a aplicação de ácido glicólico 50 e 70% de ácido glicólico foi comparável ao ATA 50% em relação a estimulação da produção de colágeno22. Em resumo, vários estudos documentam a eficácia de inúmeros agentes esfoliantes utilizados em combinação de produtos tópicos como retinoides, antioxidantes, agentes de clareamento22. O tratamento do fotoenvelhecimento requer uma abordagem multifacetas que aborda a proteção solar, suplementação com produtos antioxidantes, além de hábitos saudáveis e produtos cosméticos antissinais22. Mesmo apesar da evolução de novas tecnologias como os lasers, o peeling químico continua a ser uma opção eficaz para esse foco de tratamento22. 33 INDICAÇÕES AGENTE DE PEELING M elasm a Hiperpigm entação pós - inflam atória Lentigo Efélides ou Sardas O lheiras Acne Pústula /inflam atória Acne Com edogênica Acne M icro cíticas O leosidade Cicatrizes em geral Cicatrizes de acne Ceratores Ac tínicas Rugas Finas Fotoenvelhecim ento INTERVALO ENTRE SESSÕES pH NEUTRALIZAR Ácido azelaico • • • • • 15 e 20 dias 2,5 Ácido glicólico • • • • • • • • 15 e 20 dias 3,0 – 3,52,20 Ácido lático • • 15 e 20 dias 3,08,20 Ácido mandélico • • • • • 15 e 20 dias 1,5 - 2,02 Ácido pirúvico • • • • • • • 15 e 20 dias pka 2,52 Ácido salicílico • • • • • • • • • 15 dias28 3,52 Ácido tioglicólico • 15 dias 2,0 Ácido tricloroacético • • • • • • 4 a 6 semanas29 pka 0,5330 Pasta de resorcina • • • • 15 e 20 dias 2,5 Solução de Jessner/ Jessner modificado • • • • 15 dias28 2,8 34 PROTOCOLO GERAL Pré-Peeling Pode ser iniciado uma a duas semanas antes da primeira sessão de peeling7. Higienização diária LEITE DE LIMPEZA PROFUNDA COM BERRIES Natuplex frutas vermelhas 1% Óleo de framboesa 0,5% Leite de limpeza facial qsp 60ml Lavar a face com movimentos leves e circulares. Enxaguar em seguida. SABONETE ÁCIDO Biosalix Extract 2% Sabonete vegetal qsp 60g Lavar a face com movimentos leves e circulares. Enxaguar em seguida. PADS DE ÁCIDO LÁTICO Pads de ácido lático 10% (teor) 30 unidades Aplicar o Pad sobre a pele afetada, uma a duas vezes por semana, friccionando para liberação do ativo. SABONETE CREMOSO E ESFOLIANTE Coconut Exfolianting Powder 1% Exfolianting Volcanic From Tahiti 5% Leite de limpeza facial qsp 60ml Lavar a face com movimentos circulares, com leve pressão. Enxaguar em seguida. 35 Despigmentação pré-peeling Pode ser aplicado topicamente AHAs, BHAs, vitamina C, vitamina E, entre outros. SUGESTÃO EMULSÃO Ácido salicílico 2% Ácido azelaico 5% Green tea 5% Ácido glicólico 10% Base hydrafresh qsp 30g Aplicar na face à noite, após a higienização. Pela manhã, lavar o rosto para remoção do produto e aplicar proteção solar. SUGESTÃO CREME Ácido lático 10% Ácido kójico 2% Hidroquinona 4% Ácido salicílico 2% Creme base qsp 30g Aplicar na face à noite, após a higienização. Pela manhã, lavar o rosto para remoção do produto e aplicar proteção solar. SUGESTÃO GEL Ácido lático 3% Hidroquinona 4% Alpha arbutin 1,5% Gel de Aristoflex 3% qsp 50g Aplicar na face à noite, após a higienização. Pela manhã, lavar o rosto para remoção do produto e aplicar proteção solar. SUGESTÃO EMULSÃO Ácido tranexâmico 3% Synovea HR 2% Melawhite 3% Base hydrafresh qsp 30g Aplicar na face de manhã e à noite, após a higienização. Utilizar o fotoprotetor. 36 Dia do Peeling O intervalo entre cada sessão de peelings sugerida na tabela acima e o total de sessões necessárias é apenas sugestão com base em relatos de protocolos citados em estudos. Entretanto, a individualidade de cada paciente deve ser levada em consideração e esses intervalos podem ser alterados. Como por exemplo, existem estudos que realizam um total de 4 sessões entre microagulhamento e peeling de ATA 20%, com intervalos de até 6 semanas entre cada procedimento31. 1º Passo – Higienização profunda SABONETE DE LIMPEZA COM ÁCIDO GLICÓLICO Ácido glicólico 15% Óleo essencial 1% Lauril éter sulfato de sódio 20% Gel de Natrosol 4% qsp 100ml Aplicar no paciente, esfregando sobre a pele com auxílio de algodão ou gaze. Remover o excesso com algodão ou gaze embebida em água. SOLUÇÃO TRIÁCIDA Ácido glicólico 3% Ácido salicílico 1% Ácido cítrico 2% Plantarem 1200 5% Etanol qsp 100ml Aplicar no paciente, esfregando sobrea pele com auxílio de algodão ou gaze. WIPE DE ÁCIDO SALICÍLICO Ácido salicílico 0,25% Gel ou solução qsp 100ml Aplicar no paciente, esfregando sobre a pele com auxílio de algodão ou gaze. 37 2º Passo – Peeling ÁCIDO AZELAICO Ácido azelaico 30% Gel de Natrosol qsp 30ml Deixar agir por 4-8 minutos. Realizar neutralização após este período. ÁCIDO GLICÓLICO Ácido glicólico 30-70% Gel de Natrosol qsp 30ml Deixar agir por 4-8 minutos. Realizar neutralização após este período. ÁCIDO LÁTICO Ácido lático 100% Aplicar rapidamente com uma gaze, utilizando leve pressão. Deixar agir por 5-10 minutos. Realizar neutralização após este período. ÁCIDO LÁTICO + DMAE DMAE 5% Ácido lático qsp 100% Aplicar rapidamente com uma gaze, utilizando leve pressão. Deixar agir por 5-10 minutos. Realizar neutralização após este período. ÁCIDO MANDÉLICO Ácido mandélico 40% Álcool isopropílico qsp 30ml Aplicar até 5 camadas sobre a pele limpa e seca. Caso desejar ação mais prolongada e controlada, utilizar como veículo gel base. Realizar neutralização após este período. ÁCIDO PIRÚVICO Ácido pirúvico 40% Álcool qsp 20ml Aplicar com auxílio de um pincel, de 2 a 3 camadas até aparecimento do eritema. Aplique a solução em pequenas áreas (testa, uma bochecha de cada vez, queixo, nariz e lábio superior) e neutralizar cada área com bicarbonato de sódio antes de avançar para a próxima. Utiliza um ventilador durante a aplicação para evitar a inalação de vapores. 38 ÁCIDO SALICÍLICO Ácido salicílico 30% Álcool qsp 20ml Aplicar na face do paciente após a higienização. Observar a formação de frost. Reaplicar outra camada se necessário. Remover com água ou soro fisiológico. Pode ser utilizado 5% de propilenoglicol. ÁCIDO TRICLOROACÉTICO2,8 Ácido tricloroacético 10 - 25% Água purificada qsp 20ml Aplicar sobre a face após a higienização. Observar a formação de frost. Reaplicar outra camada se necessário. Remover com água ou soro fisiológico. ÁCIDO TIOGLICÓLICO Ácido tioglicólico 10 - 20% Gel fluido qsp 15ml Com o auxílio de cotonetes ou embalagem massageadora, aplicar o gel na pálpebra inferior. Deixar agir de 5 a 10min e neutralizar com água. PASTA DE RESORCINA Pasta de resorcina 30-50% A pasta deve ser aplicada com auxílio de uma espátula. Aplique uma espessa camada iniciando pela testa, continue nas bochechas e em seguida, nariz e queixo até 1cm abaixo da margem mandibular. O peeling deve permanecer na pele de 1-2 horas. Retirar a pasta com auxílio de uma espátula e o resíduo com gaze embebida em água. O paciente deverá permanecer deitado por cerca de meia hora após o peeling. A parte de trás da mesa deverá ser levantada para elevar o paciente gradualmente a partir de uma posição deitada para uma posição sentada, e paciente deverá continuar se hidratando. SOLUÇÃO DE JESSNER8 Ácido salicílico 14% Ácido lático 14% Resorcina 14% Etanol qsp 30ml Aplicar com auxílio de pincel ou compressas. Inicie a aplicação pelas bochechas passando pelas áreas laterais, seguindo para a área do queixo e testa. Observar a formação de frost. Reaplicar outra camada se necessário. Remover com água ou soro fisiológico. Pode-se aplicar até 4 camadas. 39 SOLUÇÃO DE JESSNER MODIFICADO2,8 Ácido salicílico 17% Ácido lático 17% Ácido cítrico 8% Etanol qsp 30ml Aplicar com auxílio de pincel ou compressas. Inicie a aplicação pelas bochechas passando pelas áreas laterais, seguindo para a área do queixo e testa. Observar a formação de frost. Reaplicar outra camada se necessário. Remover com água ou soro fisiológico. Pode-se aplicar até 4 camadas. 3º Passo – Neutralização (se necessário) Para alguns agentes esfoliantes é necessário neutralizar a ação do ácido. Para isso pode-se utilizar uma solução de bicarbonato de sódio. SOLUÇÃO NEUTRALIZANTE Bicarbonato de sódio 10% Água purificada qsp 100ml Aplicar com compressas de algodão ou gaze para neutralizar. O paciente pode relatar desconforto durante a aplicação do produto, o que é passageiro e normal (é comum aumentar a ardência durante a neutralização, justificada pela reação ácido-base). 4º Passo – Pós-Peeling Imediato (se necessário) SPRAY ANTI-INFLAMATÓRIO Desonida 0,05% Spray de glicerina qsp 60ml Borrifar no local imediatamente após o peeling. 40 Pós-Peeling Entre as sessões ou até 15 dias após o peeling orienta-se utilizar alguns produtos para cuidados da pele até visualizar a cicatrização da pele7,11. O pós-peeling possui o propósito de estabilizar e melhorar o processo de esfoliação ou preparar a pele para o próximo procedimento de peeling. Em resumo: No pós-peeling imediato (dia 0 até dia 3) utilizar hidratantes, corticoides tópicos se necessário e filtro solar. No pós-peeling tardio (dia 4 até dia 10) utilizar hidratantes e fotoproteção. Para manutenção escolher um despigmentante, que muitas vezes poderá ser a mesma fórmula utilizada no pré-peeling. 1º Passo – Higienização diária ESPUMA CALMANTE Extrato de calêndula 2% Aveia coloidal 2% Espuma qsp 50g Realizar compressas várias vezes ao dia no local. 2ª Passo – Despigmentante, Hidratante e/ou Regenerador DESPIGMENTANTE Hidroquinona 2% Ácido glicólico 4% Lactokine Fluid 5% Creme base qsp 30g Aplicar após a limpeza, manhã e à noite. 41 HIDRATANTE Aloe Vera ext. glicólico 5% Ceramidas 2% Óleo de argan 3% LumineCense 1% Gel qsp 30g Aplicar após a limpeza, manhã e à noite. 3º Passo – Fotoproteção FILTRO SOLAR INVISÍVEL FPS40 Filtro solar invisível com extrato de algas vermelhas, óleo de olíbano e extrato de semente de Limnanthes alba - 50g Aplicar quantidade suficiente após a hidratação. Reaplicar durante o dia. FILTRO SOLAR 100% FÍSICO FPS30 Filtro solar 100% físico contendo óxido de zinco e dióxido de titânio – 50g Aplicar quantidade suficiente após a hidratação. Reaplicar durante o dia. 42 Anexo I - Modelo de termo de consentimento para o paciente22: Termo de Consentimento para Peelings Eu, _____(nome paciente)___________________, por este meio solicito e autorizo que meu (minha)__(área)______tratado(a) com ____(nome do peeling)________________________. ________ peeling é frequentemente utilizado para tratamento de fotoenvelhecimento, hiperpigmentação, diferenças de textura da pele, acne e cicatrizes, entre outras indicações como: __________________________________________________________________. Este agente de peeling causa a descamação da camada mais superficial da pele, o estrato córneo. O procedimento envolve primeiramente o pré-peeling (Home Care) com produtos escolhidos de acordo com a avaliação do profissional. No consultório, a preparação da pele feita com ______________________________ para limpeza e desengorduramento e a aplicação do agente esfoliante pré-definido. O processo pode causar vermelhidão, ressecamento e irritação na região tratada que duram em torno de 1 a 2 semanas. Eu entendo que existe um pequeno risco do desenvolvimento de escurecimento permanente ou perda indesejável de pigmento no local tratado. Existe uma rara chance do desenvolvimento de cicatriz. Também existe um pequeno risco de desenvolvimento de infecção bacteriana ou de uma manifestação de infecção pré-existente de Herpes e que pode agravar-se após o procedimento do peeling. Os benefícios e os efeitos colaterais foram explicados a mim em detalhes e todos meus questionamentos foram bem esclarecidos. Eu estou com saúde estável. Eu não estou fazendo uso de isotretinoína nos últimos 12 meses. Eu não tenho alergia ao agente esfoliante _________________________________ Eu não estou grávida Os resultados não são garantidos Assinatura do paciente Data: Nome do paciente: 43 Literatura Consultada 1. Dremato-funcional,P. E. M. Dr. Rodrigo Jahara –. 1–52 (2000). 2. 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