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UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP Curso: MEDICINA Maria Luíza Pires de Moura Sousa Brito - 80124000328 AEP – Módulo 8 – Atividades de Ensino Programado Resumo dos livros SANTANA DE PARNAÍBA - SP 2025 2 RESUMO – CAPÍTULO 11 – SNELL - NEUROANATOMIA CLÍNICA Os doze pares de nervos cranianos deixam o encéfalo e atravessam forames ou fissuras do crânio, destinando-se principalmente à cabeça e ao pescoço, com exceção do nervo vago (X) , que também inerva estruturas torácicas e abdominais. Cada nervo craniano pode ser classificado como sensitivo, motor ou misto, sendo que os nervos olfatório (I), óptico (II) e vestíbulo-coclear (VIII) são exclusivamente sensitivos; os nervos óculo-motor (III), troclear (IV), abducente (VI), acessório (XI) e hipoglosso (XII) são motores; e os nervos trigêmeo (V), facial (VII), glossofaríngeo (IX) e vago (X) são mistos. Os núcleos dos nervos cranianos estão localizados dentro do tronco encefálico e estão organizados em motores somáticos, motores viscerais gerais (parassimpáticos) e sensitivos gerais e especiais. As fibras córtico-nucleares, originadas no córtex motor (área 4 de Brodmann), descem através da cápsula interna e se dirigem aos núcleos motores cranianos, estabelecendo sinapses diretas ou intermediadas por interneurônios. O nervo olfatório (I) é formado pelos axônios das células receptoras da mucosa olfatória, que atravessam a lâmina cribiforme do osso etmóide e fazem sinapse no bulbo olfatório. A informação é transmitida pelo trato olfatório até o córtex olfatório primário e secundário, sem intermediação pelo tálamo, sendo o único nervo que não tem relação com o tálamo. O nervo óptico (II) origina-se das células ganglionares da retina. No quiasma óptico, as fibras da metade nasal da retina cruzam para o lado oposto, formando o trato óptico, que se dirige ao corpo geniculado lateral do tálamo. Dali, as fibras seguem pela radiação óptica até o córtex visual primário (área 17 de Brodmann). O nervo óculo-motor (III) tem origem no núcleo motor principal e no núcleo parassimpático de Edinger-Westphal, inervando músculos extrínsecos do olho, o músculo levantador da pálpebra superior e controlando a acomodação e a constrição 3 pupilar (midríase). O nervo troclear (IV), que emerge dorsalmente do tronco encefálico, inerva exclusivamente o músculo oblíquo superior do olho. Já o nervo trigêmeo (V) possui quatro núcleos: sensitivo principal, mesencefálico, espinal e motor, sendo o principal responsável pela sensibilidade da face e pela motricidade dos músculos da mastigação. O nervo abducente (VI) inerva o músculo reto lateral, promovendo o movimento lateral do globo ocular. O nervo facial (VII) contém fibras motoras, sensitivas e parassimpáticas, inervando os músculos da expressão facial, as glândulas lacrimais e salivares, além de conduzir fibras gustativas dos dois terços anteriores da língua. O nervo vestíbulo-coclear (VIII) é dividido em duas partes: vestibular, que conduz informações de equilíbrio do aparelho vestibular, e coclear, responsável pela audição, conduzindo impulsos da cóclea até o córtex auditivo (áreas 41 e 42). O nervo glossofaríngeo (IX) também é misto, inervando o músculo estilofaríngeo, participando da gustação do terço posterior da língua, da inervação parassimpática da glândula parótida e do controle do barorreflexo do seio carotídeo. O nervo vago (X) é extensamente distribuído, fornecendo motricidade à laringe, faringe e vísceras torácicas e abdominais. Sua porção motora origina-se do núcleo ambíguo, enquanto a parte parassimpática vem do núcleo dorsal do vago. O nervo acessório (XI) é composto por duas raízes: craniana e espinal. A raiz espinal se origina da medula cervical e inerva os músculos esternocleidomastoideo e trapézio, enquanto a raiz craniana se une ao vago para participar da inervação da faringe e da laringe. Por último, o nervo hipoglosso (XII) origina-se do núcleo hipoglosso no bulbo e é responsável pelos movimentos da língua, inervando todos os seus músculos intrínsecos e extrínsecos, exceto o palatoglosso. 4 RESUMO – CAPÍTULO 12 – MENESES – NEUROANATOMIA APLICADA Os nervos cranianos são estruturas que fazem a comunicação entre o sistema nervoso central e os órgãos periféricos. Embora o nervo olfatório e o nervo óptico estejam conectados ao telencéfalo e diencéfalo, todos os demais nervos têm origem no tronco encefálico. Eles surgem de núcleos específicos compostos por substância cinzenta, com organização que respeita padrões embriológicos de colunas motoras e sensitivas. No tronco encefálico, três colunas motoras (somática, branquial e visceral) e três colunas sensitivas (visceral, somática geral e somática especial) organizam-se em relação ao sulco limitante, estrutura embriológica importante. O nervo olfatório (I) é responsável pela sensibilidade olfatória. Seu trajeto envolve o bulbo e trato olfatórios, com projeção para o córtex olfatório primário. A perda de olfato (anosmia) pode ser precoce em doenças neurodegenerativas como Parkinson. Já o nervo óptico (II) é formado pelos axônios das células ganglionares da retina. Lesões no nervo óptico podem gerar perda de visão, e alterações específicas em vias ópticas ajudam a localizar patologias como tumores e acidentes vasculares. O nervo oculomotor (III) inerva a maioria dos músculos extrínsecos do olho e apresenta componentes somáticos e parassimpáticos. Lesões provocam oftalmoplegia, ptose e midríase. O nervo troclear (IV) inerva apenas o músculo oblíquo superior; sua lesão gera diplopia vertical, resultando na dificuldade de olhar para baixo. O nervo trigêmeo (V) apresenta raiz motora e sensitiva, atuando na mastigação e sensibilidade facial. É formado por três ramos (oftálmico, maxilar e mandibular). Neuropatias como a neuralgia do trigêmeo causam dor facial intensa, frequentemente associada à esclerose múltipla ou compressões vasculares. O nervo abducente (VI) inerva o músculo reto lateral do olho; sua lesão causa estrabismo convergente. O nervo 5 facial (VII) possui componentes motores, sensoriais e autonômicos, responsáveis pela expressão facial, gustação dos 2/3 anteriores da língua e secreção de glândulas lacrimais e salivares. A paralisia facial periférica (paralisia de Bell) é a lesão mais comum, enquanto a paralisia central poupa a fronte. O nervo vestibulococlear (VIII) possui duas divisões: o nervo vestibular, relacionado ao equilíbrio, e o nervo coclear, relacionado à audição. Disfunções vestibulares causam vertigem, nistagmo e desequilíbrio, enquanto lesões do nervo coclear resultam em surdez. As causas principais incluem doença de Ménière, infecções, tumores do ângulo pontocerebelar e traumatismos. O nervo glossofaríngeo (IX) tem papel sensitivo e motor na faringe e língua. Lesões isoladas são raras, mas podem resultar em perda do reflexo do vômito e disfagia. O nervo vago (X) é crucial para a função visceral torácica e abdominal, além da fonação e deglutição. Lesões produzem disfonia, disfagia, desvio da úvula e ausência do reflexo do vômito, com destaque para a síndrome de Wallenberg (infarto bulbar lateral). O nervo acessório (XI) tem raiz craniana e raiz espinal. A raiz espinal inerva o músculo esternocleidomastoideo e trapézio, enquanto a raiz craniana se associa ao vago. Lesões levam a fraqueza na elevação dos ombros e dificuldade de rotação cervical. O nervo hipoglosso (XII) é motor da língua. A paralisia de seu núcleo ou trajeto provoca atrofia e desvio da língua para o lado lesionado, sendo comum em infartos bulbares e doenças degenerativas. As aplicações clínicas abordadas no capítulo demonstram a importância da avaliação minuciosa dos nervos cranianosna prática neurológica. Lesões específicas permitem a identificação precisa de patologias, como tumores de base de crânio, esclerose múltipla, acidentes vasculares encefálicos e doenças infecciosas. Além disso, 6 a análise dos reflexos mediados pelos nervos cranianos (corneopalpebral, reflexo de vômito, reflexo de deglutição) é essencial para avaliação do estado neurológico em pacientes comatosos. A paralisia de múltiplos nervos cranianos podem indicar lesões graves de base de crânio, meningites ou doenças autoimunes. 7 REFERÊNCIAS SNELL, Richard S.; SPLITTGERBER, Ryan. Neuroanatomia clínica. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. MENESES, Murilo Santana. Neuroanatomia aplicada. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.