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IRRIGAÇÃO E DRENAGEM Professor Mestre Gustavo Soares Wenneck REITOR Prof. Ms. Gilmar de Oliveira DIRETOR DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Ms. Daniel de Lima DIRETORA DE ENSINO EAD Prof. Dra. Geani Andrea Linde Colauto DIRETOR FINANCEIRO EAD Prof. Eduardo Luiz Campano Santini DIRETOR ADMINISTRATIVO Guilherme Esquivel SECRETÁRIO ACADÊMICO Tiago Pereira da Silva COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Prof. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Prof. Ms. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Ms. Jeferson de Souza Sá COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE GESTÃO E CIÊNCIAS SOCIAIS Prof. Dra. Ariane Maria Machado de Oliveira COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE T.I E ENGENHARIAS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE SAÚDE E LICENCIATURAS Prof. Dra. Katiúscia Kelli Montanari Coelho COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Caroline da Silva Marques Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Geovane Vinícius da Broi Maciel Jéssica Eugênio Azevedo Kauê Berto PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO André Dudatt Carlos Firmino de Oliveira Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO Carlos Eduardo da Silva DE VÍDEO Carlos Henrique Moraes dos Anjos Yan Allef FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP W476i Wenneck, Gustavo Soares Irrigação e drenagem / Gustavo Soares Wenneck. Paranavaí: EduFatecie, 2022. 102 p. 1. Irrigação agrícola . 2. Drenagem. 3. Agricultura. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD:23.ed. 791.43 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9 /1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas dos bancos de imagens Shutterstock. 2022 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2022. Os autores. Copyright C Edição 2022 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. https://www.shutterstock.com/pt/ AUTOR Professor Mestre Gustavo Soares Wenneck Engenheiro Agrônomo formado na Universidade Estadual de Maringá-UEM (2018), com período de estudos na Universidad Nacional de Lomas de Zamora (Argentina). Mestre em Agronomia no Programa de Pós-graduação em Agronomia (PGA) na Universi- dade Estadual de Maringá-UEM (2021), com área de concentração em Produção Vegetal. Doutorando em Agronomia na Universidade Estadual de Maringá-UEM. Membro do Núcleo de Estudos em Pós-Colheita de Produtos Agrícolas (NEPPA), atuando com pesquisas na Produção e Qualidade Pós-colheita de Produtos Agrícolas; e do Centro Técnico de Irrigação (CTI), atuando com pesquisas em manejo da água e solo, irrigação e horticultura. ● Técnico em agropecuária (Centro Estadual de Educação Profissional Agrícola de Campo Mourão). ● Engenheiro Agrônomo (Universidade Estadual de Maringá) ● Mestre em agronomia (Universidade Estadual de Maringá) Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8826708434425982 3 http://lattes.cnpq.br/8826708434425982 4 APRESENTAÇÃO DO MATERIAL A ciência e engenharia da irrigação e drenagem abrange conhecimentos associados ao ambiente, ao solo e às culturas. O manejo da água na agricultura apresenta relevância e expansão a nível mundial, considerando a necessidade de incremento da produção de ali- mentos. Dessa forma, torna-se fundamental a análise detalhada das etapas e do processo envolvido, visando garantir a eficiência dos sistemas. No desenvolvimento da apostila será abordado aspectos relevantes para o manejo da água, seja em sistemas de irrigação ou de drenagem, sendo o conteúdo apresentado em quatro unidades. Na unidade I, (“Dinâmica da água no sistema solo, planta e atmosfera”) será aborda- do sobre o ciclo hidrológico da água no ambiente, a dinâmica da água no solo, os proces- sos de evaporação, transpiração e evapotranspiração, além do balanço hídrico local ou de cultivos. Na sequência na unidade II, (“Engenharia aplicada a irrigação e drenagem”) serão abordados temas relacionados a hidroestática e hidrodinâmica, as etapas envolvidas no dimensionamento de sistemas de irrigação, e a determinação da eficiência e uniformidade dos sistemas durante o funcionamento. Já na unidade III, (“Sistemas de irrigação”) serão apresentadas as características dos principais sistemas de irrigação utilizados, sendo a irrigação por inundação, irrigação por sulco, irrigação por aspersão, irrigação com pivô-central e irrigação localizada. Também será apresentado informações relevantes sobre a fertirrigação. Para finalizar o conteúdo, na unidade IV (“Manejo da água e drenagem”) será abordado aspectos relacionados ao manejo da irrigação, a qualidade da água e utilização do recurso. Além disso, será apresentado as características dos sistemas de drenagem. A sequência dos conteúdos a serem abordados permitirá a formação do conhecimento de forma sistêmica, analisando cada fator envolvido no processo e as características para adoção adequada e utilização eficiente das técnicas. Bom estudo! SUMÁRIO 5 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Ciclo da água; • Dinâmica da água no solo; • Evapotranspiração; • Balanço hídrico. Objetivos da Aprendizagem ●Conceituar e contextualizar a dinâmica da água no sistema; ●Compreender os processos envolvidos no movimento da água no solo, planta e atmosfera; ●Estabelecer a importância da água para agricultura. 1UNIDADEUNIDADE DINÂMICA DA ÁGUA NO DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO,SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERAPLANTA E ATMOSFERA Professor Mestre Gustavo Soares Wenneck INTRODUÇÃO Na irrigação e drenagem, a água é o principal componente manejado, sendo recurso fundamental para o desenvolvimento vegetal. Embora esse componente apresenta-se sobre a superfície de grande parte do planeta, a proporção disponível para consumo humano e utilização na agricultura é inferior a 1% do total existente, exigindo assim certos critérios para sua utilização. Nessa unidade serão abordados e descritos alguns conceitos relacionados aos processos do ciclo da água no planeta, como: movimento de água no solo, evapotranspiração e balanço hídrico. Será elucidado como a produção agrícola participaa superfície irrigada é de, aproximadamente, 16 milhões de hectares, distribuída principalmente no México, Argentina, Brasil, Chile e Peru. Apesar de corresponder a uma pequena parcela do total cultivado, a área irrigada mundial contribui com 42% da produção total. No Brasil, em particular, a área irrigada corresponde a 18% da área cultivada, mas contribui com 42% da produção total (CHRISTOFIDIS, 2002). Fonte: COELHO, E.F; COELHO FILHO, M. A; OLIVEIRA, S. L. Agricultura irrigada: eficiência de irrigação e de uso de água. Bahia Agrícola, v.7, n.1, 2005. Disponível em: https://ufrb.edu.br/neas/images/Artigos_NEAS/2005_3.pdf. Acesso em: 25 mai 2022. ARTIGO 4: DIMENSIONAMENTO DA LATERAL DE IRRIGAÇÃO DO PIVÔ-CENTRAL O sistema de irrigação com pivô central apresenta especificidades, por apresentar como característica principal a linha lateral móvel e de elevado comprimento. Associado a esta condição, ainda se complementa que a tubulação é constituída de mesmo material e não apresenta variação de diâmetro. Dessa forma, o material apresenta a sequência de etapas e equações envolvidas no dimensionamento de sistema de pivô central, que apresenta distinção ao método de dimensionamento de sistemas convencionais. Fonte: SILVA, E.M.; AZEVEDO, J.A. Dimensionamento da lateral de irrigação do pivô-central. Planaltina: Embrapa-CPAC, 1998. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/554798/1/doc71.pdf Acesso: 26 mai 2022. https://ufrb.edu.br/neas/images/Artigos_NEAS/2005_3.pdf https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/554798/1/doc71.pdf MATERIAL COMPLEMENTAR 51UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM LIVRO Título: Manual de Irrigação Autores: Salassier Bernardo, Everardo Chartuni Mantovani, Demetrius David da Silva e Antônio Alves Soares. Editora: UFV. Sinopse: Manual de Irrigação tem sido, nos últimos 20 anos, a grande referência bibliográfica na área de agricultura irrigada brasileira. Nesta nova edição, atualizada e ampliada, procurou- -se manter a linha completa de conhecimentos nas áreas de Engenharia e Manejo de Irrigação, ampliando-se os conceitos relacionados a água para irrigação, medição e condução da água, caracterização e dimensionamento dos diversos sistemas de irrigação: por superfície, por aspersão e localizada, manejo de irrigação e drenagem, com o propósito de atender à deman- da atual. FILME/VÍDEO Título: O deserto verde Ano: 2017. Sinopse: Em diversos pontos do globo, desertos começam a se transformar em áreas agrícolas, com plantações em larga esca- la. Projetos nesse sentido estão sendo desenvolvidos em países da Ásia, África e Oriente Médio, onde o verde das plantações predomina na paisagem que um dia foi de areia e pedra. Esta edição do Matéria de Capa dedica-se a iniciativas que visam melhorar o meio ambiente, recuperando áreas degradadas e ampliando a oferta de alimentos. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=P_Vi_ptCYgo https://www.youtube.com/watch?v=P_Vi_ptCYgo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos ● Irrigação por inundação; ● Irrigação por sulco; ● Irrigação por aspersão; ● Irrigação com pivô; ● Irrigação localizada; ● Fertirrigação. Objetivos da Aprendizagem ● Conceituar e contextualizar as características dos sistemas de irrigação; ● Compreender os fatores envolvidos e forma de uso; ● Estabelecer a importância da análise técnica para definir os sistemas com maior eficiência para cada condição de cultivo. 3UNIDADEUNIDADE SISTEMAS DE IRRIGAÇÃOSISTEMAS DE IRRIGAÇÃO Professor Mestre Gustavo Soares Wenneck INTRODUÇÃO Para a compreensão de um processo complexo é importante conhecer todos os componentes envolvidos, permitindo obter maior rendimento e eficiência. A irrigação segue tendência semelhante, como abordado nas unidades anteriores diversas variáveis estão envolvidas na técnica, sendo responsabilidade do profissional definir as estratégias mais adequadas para cada condição. O termo irrigação refere-se a técnica de forma ampla, de fornecimento de água em quantidade, intensidade e período adequado para potencializar a produção vegetal. Nesta unidade será abordado as principais modalidades de sistemas de irrigação utilizados na agricultura. Cada sistema apresenta características específicas de adoção, que não podem ser generalizadas para todas culturas e áreas de cultivo. No início da unidade será contextualizado a irrigação por inundação e sulco, técnicas antigas porém fundamentais para cultivo de algumas espécies. Uma abordagem ampla será realizada para os sistemas de aspersão, que podem apresentar variações na mesma modalidade. Também será abordado especial os sistemas de irrigação localizada, que apresentam alta eficiência e tem apresentado expansão de adoção inclusive com cultivos extensivos anuais. Ainda será contextualizado sobre a adoção da fertirrigação, cuja utilização permitirá melhorar a eficiência de utilização de fertilizantes e melhorar a nutrição das plantas. 53UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO Na irrigação por inundação a área de cultivo apresenta a superfície totalmente coberta por uma lâmina de água, sendo mantida de forma temporária ou durante todo ciclo da cultura. No Brasil, a utilização de irrigação por inundação é adotada principalmente para o cultivo de arroz (Oryza sativa), em que água além de manter a disponibilidade hídrica ideal, atua de forma complementar no manejo de plantas daninhas e controle de pragas. A irrigação por inundação requer características específicas do solo, de forma que a lâmina de água apresenta baixa taxa de infiltração e que a topografia permite estabilidade da água. O emprego dessa técnica é restrito a poucas culturas, pois na condição de inundação há ausência de aeração no solo, exigindo que as plantas apresentem características morfológicas que possibilitem respiração. Na Figura 1 é exemplificado o sistema de irrigação no cultivo de arroz. FIGURA 1. CULTIVO DE ARROZ IRRIGADO POR INUNDAÇÃO TÓPICO 1 IRRIGAÇÃO POR INUNDAÇÃO 54UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO 55UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO Em relação a eficiência, a irrigação por inundação apresenta baixos índices, pois a lâmina de água sobre a superfície apresenta exposição direta à atmosfera, ocasionando elevadas taxas de evaporação. 2 IRRIGAÇÃO POR SULCO TÓPICO 56UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO Na irrigação por sulco o transporte de água, da fonte a área irrigada, ocorre por meio de canais, por ação da gravidade. Os canais podem ser divididos em principais, de derivação e de irrigação, com função semelhante às tubulações. Os canais principais e de derivação tem função de direcionar e distribuir a água a área irrigada, apresentando baixas taxas de infiltração. Os canais da área irrigada tem que apresentar taxa de infiltração que permita que a água se acumule e atinja toda área do canal, mas que possibilite a infiltração para elevação da umidade do solo. Ao cessar o fornecimento de água nos canais e em funçãoda infiltração da água no solo, com movimentação no sentido vertical e horizontal, ocorre o secamento dos canais no decorrer do tempo, como demonstrado na Figura 2. Embora a lâmina de água não atinja totalmente a zona radicular da planta de interesse, há movimentação de água de forma ascendente por capilaridade. FIGURA 2. CULTIVO DE BATATA COM IRRIGAÇÃO POR SULCO 57UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO Nesse sistema, a irrigação da área de cultivo ocorre de forma intermitente. O fornecimento de água diretamente sobre a superfície do solo, evita o desenvolvimento de doenças pela ocorrência de período de molhamento da parte aérea. Embora a eficiência seja mais elevada que a irrigação por inundação, pela presença da lâmina de água em seção transversal restrita e com baixa persistência temporal, a técnica apresenta impacto ambiental pela movimentação de partículas de solo da superfície. Para minimização dos impactos sobre o solo, o dimensionamento deve considerar a vazão da água, a declividade dos canais e a erodibilidade do solo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58 TÓPICO 3 IRRIGAÇÃO POR ASPERSÃO UNIDADE 3 PRINCIPAIS CONCEPÇÕES DO DESIGN GRÁFICO E DO DESIGN DIGITAL A irrigação por aspersão é uma técnica de irrigação mais empregada, devido às possibilidades que o sistema proporciona. A água é geralmente aplicada acima do dossel da cultura e atinge toda área de projeção, simulando uma precipitação pluviométrica. Frizzone et al. (2018, p.13) descreve da seguinte forma o sistema: A irrigação por aspersão usa tubulações pressurizadas para distribuir a água no campo. A aplicação de água no solo resulta da subdivisão de um jato d’água lançado sob pressão no ar atmosférico, através de simples orifícios ou de bocais de aspersores. Os aspersores são um tipo de emissor que são distribuídos de tal maneira a proporcionar aplicação uniforme de água em toda a área irrigada. Em consequência, a aspersão demanda considerável quantidade de energia para a pressurização e distribuição da água na área irrigada. O aumento da pressão dos aspersores representa aumento do con- sumo de energia. Os sistemas de irrigação por aspersão apresentam especificidades do projeto, mas podem apresentar a configuração de funcionamento adaptado, quando necessário e de acordo com os limites técnicos dos componentes empregados. Como apresentado na unidade, há possibilidade do sistema apresentar componentes fixos ou móveis. Mantovani, Bernardo e Palaretti (2012), classificam os sistemas de irrigação por aspersão como: Portátil: toda a tubulação é móvel, assim como a motobomba. Semiportátil: a linha principal é fixa e as laterais são móveis. 59UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO Fixo: semelhante ao semiportátil, em que a rede de tubulação é fixa (enter- rada ou não). Malha: sistema fixo (enterrado), com um aspersor por malha. Canhão hidráulico: sistema semiportátil, com aspersores de grande alcan- ce. Mangueira: sistema semifixo, em que os aspersores são instalados em tripés e conectados com mangueira à linha lateral. (MANTOVANI, BERNARDO E PALARETTI, 2012, p.111-112) A adoção do sistema mais adequado tem relação direta com as características da cultura irrigada, topografia do terreno, disponibilidade de mão-de-obra, disponibilidade de água em qualidade e quantidade, operações com implementos agrícolas, tempo de uso do sistema e investimento necessário para implantação e funcionamento. Sistemas como canhão hidráulico permitem que com um único emissor seja realizada a irrigação em extensa área de cultivo. Entretanto, demanda elevada pressão para funcionamento do sistema, sendo requerido motor com maior potência. A adoção de maior pressão na saída do emissor também impacta diretamente no tamanho das gotas, sendo a relação inversamente proporcional. Essa característica é observada em diferentes sistemas de irrigação por aspersão. Na Figura 3 é apresentado um canhão hidráulico utilizado para irrigação de batata, em que há deriva das gotículas de água em função do vento, provocando desvio da água da área de interesse e reduzindo a eficiência do sistema. FIGURA 3. IRRIGAÇÃO DE BATATA COM CANHÃO HIDRÁULICO, PROVÍNCIA DE BUENOS AIRES, ARGENTINA Fonte: O Autor (2022). 60UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO Alguns sistemas podem não apresentar características que se adequam perfeitamente ao descrito na classificação, como o sistema estacionário semifixo com deslocamento linear. Nesse sistema, os aspersores são fixos na linha lateral e está se movimenta de forma linear na área irrigada (Figura 4). Para esse sistema, a vazão ou lâmina aplicada é controlada pela velocidade de deslocamento da linha lateral. FIGURA 4. IRRIGAÇÃO DE BATATA COM SISTEMA ESTACIONÁRIO SEMIFIXO COM DESLOCAMENTO LINEAR, PROVÍNCIA DE BUENOS AIRES, ARGENTINA Fonte: O Autor (2022). Sistema de deslocamento linear e canhões hidráulicos necessitam que o terreno apresente baixa variação de nível (declive/aclive), principalmente no percurso de desloca- mento do sistema de movimentação (roda). Essa condição limita a utilização em algumas áreas de cultivo. Sistemas de irrigação por aspersão de forma convencional (Figura 5), apresentam emissores distribuídos em malha ou em linha, permitindo a sobreposição das lâminas. Dessa forma, há elevação na uniformidade de distribuição da água sobre a área de cultivo. 61UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO FIGURA 5. IRRIGAÇÃO POR ASPERSÃO Conforme Dalri e Palaretti (2022) os aspersores podem ser classificados quanto a: I) Pressão de serviço: baixa (500 kPa); II) Velocidade de giro: rápido ou lento; III) Mecanismo de funcionamento: impacto, reação ou turbina; IV) Características de funcionamento: raio de alcance, vazão, diâmetro e número de bocais. Sistemas de irrigação por aspersão tendem apresentar eficiência de aplicação superior a 80%, sendo influenciado principalmente pela velocidade do vento, pois os emis- sores necessitam de uma altura mínima para que o jato de água seja lançado e forme o ângulo de aplicação adequado. 4 IRRIGAÇÃO COM PIVÔ TÓPICO 62UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO Na irrigação com pivô central há uma linha fixa contendo os emissores, similar ao sistema estacionário semi fixo, porém que se movimenta de forma circular ao ponto central. Essa condição ocasiona que as áreas de cultivo em vista área apresentam característica de círculos, como na Figura 6. FIGURA 6. IRRIGAÇÃO COM PIVÔ CENTRAL 63UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO Frizzone et al. (2018) caracteriza o pivô-central como: Pivô central é uma máquina de irrigação automatizada, consistindo de uma linha de emissores, denominada linha lateral, que gira em torno do ponto pivô (ponto central do equipamento) suportada por uma ou mais torres autoprope- lidas. A água é suprida ao ponto pivô e posteriormente escoa pela tubulação aérea, abastecendo os emissores. A unidade irriga uma área com formato circular. (FRIZZONE, 2018, p.59) A irrigação com pivô central é também realizada por aspersão, com algumas diferenças quanto aos sistemas convencionais. A linha lateral de um pivô central pode apresentar comprimento variando de metros, podendo atingir quilômetros. A tubulação geralmente é metálica. Nessa condição, o sistema necessita de elevada pressão para que a água seja fornecida em volume adequado no emissor mais distante do ponto inicial. Sendo um sistema móvel, o sistema permite a irrigação grandes extensões de área. A lâmina aplicada é ajustada em função da velocidade de deslocamento da linha lateral. A eficiência do pivô central é mais elevada que a irrigação por aspersão convencio- nal, pois o jato de água é direcionado diretamenteà superfície do solo, enquanto nos outros sistemas o jato é direcionado na vertical ascendente, visando atingir maior projeção. Dessa forma, o impacto do vento sobre o percurso da água do emissor ao solo é reduzido. Em relação aos emissores, outra condição de possibilitar maior eficiência é a pos- sibilidade de ajuste da altura do emissor, reduzindo a distância entre emissor e superfície irrigada. Essa condição permite que a altura do emissor seja ajustada de acordo com o desenvolvimento da cultura. Conforme apresentado na Unidade II (Engenharia aplicada à irrigação), o compri- mento da linha lateral é uma das variáveis que contribui para perda de carga no sistema. Dessa forma, os emissores utilizados no pivô central necessitem de regulador de pressão, para reduzir o impacto da variação de pressão na tubulação sobre a vazão dos emissores. Conforme Silva e Folegatti (2022), em sistema de pivô central: A distribuição de água é feita por meio de aspersores (spray ou difusores) acoplados sobre a tubulação e convenientemente espaçados de forma a permitir adequada uniformidade na distribuição da água e aplicar a vazão necessária. Quanto à pressão de serviço, o pivô pode operar em baixa, média e alta pressão, isto é, pressões da ordem de 2 a 6 kgf cm-2 (20 a 60 mca). Em função da pressão de serviço, do número de torres e do tamanho dos aspersores, a vazão de um pivô pode atingir valores de até 550 m3 h-1. (SILVA e FOLEGATTI, 2022, p.5) 64UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO Os sistemas de irrigação com pivô central apresentam elevada tecnologia empregada, nos componentes e no funcionamento. Na maioria das condições, o sistema atua de forma autônoma, com controles eletrônicos e configuração realizada no painel do pivô ou até de forma remota. Isso permite redução da mão-de-obra para o funcionamento do sistema, porém exige elevado investimento para implantação e conhecimento técnico para o manejo. TÓPICO 5 IRRIGAÇÃO LOCALIZADA 65UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO A irrigação localizada, ou microirrigação, tem como característica principal o fornecimento de água em zonas ou faixas de interesse, reduzindo o volume necessário e limitando a área de molhamento. Conforme Frizzone et al. (2012, p.13): A microirrigação caracteriza-se por aplicar água: (I) com baixa vazão; (II) por tempo relativamente grande; (III) com alta frequência; (IV) próximo ou dentro da zona radicular; (V) via sistema de baixa pressão; (VI) acima ou abaixo do nível do solo, bem como utilizar a água como veículo de fertilizantes e outros produtos químicos. Essas características mantêm alto grau de umidade num pequeno volume de solo, onde está contido o sistema radicular das plantas. A irrigação localizada apresenta maior eficiência de utilização de água, sendo a aplicação realizada na zona de interesse e apresentando baixa influência da velocidade do vento, como em outros sistemas de irrigação. Pela condição de operação com baixa pressão e vazão requer motobombas com menor potência, impactando de forma positiva sobre o consumo de energia e custo de operação do sistema. Na irrigação localizada os principais emissores utilizados são gotejadores e microaspersores. Conforme Freitas et al. (2018, p.187-188): O sistema de microaspersão é indicado para culturas que apresentem alto ín- dice de enraizamento em que as raízes atinjam um raio acima de 0,5 metros e cujo espaçamento entre plantas seja maior que 0,5 metros. Esse sistema proporciona maior área irrigada na região de concentração das raízes indepen- dentemente do tipo de solo. [...] A irrigação por gotejamento tem como principal característica baixa vazão e alta frequência de irrigação. Esse sistema requer manejo diferenciado quanto ao tipo de solo: em solos argilosos, o diâmetro do bulbo é maior que em solos arenosos, porém menor profundidade, contudo para ambos os solos, deve-se calcular a velocidade de infiltração básica (VIB), para estabelecer uma vazão (L h-1) adequada para cada tipo de solo. 66UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO Assim como no sistema de aspersão, os microaspersores apresentam variação em relação ao raio de alcance, vazão, intensidade de aplicação e número de bocais. Esse sistema é geralmente empregado na irrigação de frutas, hortaliças e gramados. Na Figura 7 é demonstrado o funcionamento de um microaspersor. FIGURA 7. MICROASPERSOR EM FUNCIONAMENTO. Fonte: Agência USP. Sistema de microaspersão com microtubos. Site USP Portal Biossistemas. Disponível em: https://sites.usp.br/adonaijr/2011/01/12/sistema-de-microaspersao-com-microtubos/ Acesso em: 08 jun 2022. Os emissores por gotejamento podem ser embutidos na mangueira de irrigação, sendo adquiridos com configuração de espaçamento entre emissores pré-definidos ou externos, cuja configuração de espaçamento e a fixação na mangueira é realizada de acordo com as necessidades do projeto. Na Figura 8 é demonstrado sistema de irrigação por gotejamento, com gotejador embutido na mangueira. FIGURA 8. IRRIGAÇÃO LOCALIZADA NO TOMATE COM GOTEJADOR EMBUTIDO NA MANGUEIRA. Fonte: O Autor (2022). 67UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO Na Figura 9 é apresentado um gotejador autocompensante, externo ao tubo (ou mangueira). Modelos autocompensantes apresentam como característica principal a uniformidade na vazão, de forma que seja contínua em intervalo de pressão determinado pelo fabricante. FIGURA 9. IRRIGAÇÃO NA CULTURA DA ALFACE COM GOTEJADOR AUTOCOMPENSANTE. Fonte: O Autor (2022). Como característica de baixa vazão, os emissores utilizados na irrigação localizada tendem a apresentar orifícios de pequeno diâmetro. Nessa condição, torna-se importante o cuidado com a qualidade da água utilizada, principalmente em relação à presença de partículas sólidas que têm potencial de obstruir os orifícios e impedir a saída de água. Para o controle da presença de partículas sólidas nas tubulações, são utilizados filtros em diversos pontos do sistema, que podem ser do tipo de separadores ciclones, filtros de areia, filtros de tela e discos. A necessidade de componentes é baseada nas características dos contaminantes presentes na água, conforme Tabela 1. 68UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO TABELA 1. SELEÇÃO DE SISTEMA DE FILTRAÇÃO NA MICROIRRIGAÇÃO Fonte: Adaptado de Frizzone et al. (2012). A qualidade física da água garante uniformidade do sistema e prolonga a vida útil dos emissores. Com a adoção de gotejados externos (Figura 9), no caso de entupimento pode se realizar a substituição do mesmo sem comprometer o restante da linha, o que não acontece para emissores embutidos no tubo. Na irrigação por gotejamento, normalmente não há contato da água com a parte aérea, favorecendo a integridade fitossanitária da parte aérea. A irrigação por gotejamento era empregada principalmente para o cultivo de horta- liças, frutas (ou plantas perenes) e flores em cultivos a campo ou em ambiente protegido. Entretanto, nos últimos anos é crescente a utilização desse sistema no manejo de grandes culturas, como cana-de-açúcar, soja e milho, em função da elevada eficiência. Em complemento ao emprego dessa modalidade, a técnica está sendo aperfeiçoa- da para a irrigação de forma subterrânea, em que a tubulação é enterrada sendo a água fornecida diretamente na zona radicular. Dessa forma, é evitado danos nos componentes em função da operação de máquinas e implementos. Mais informações sobre a técnica são apresentadas no material complementar da unidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . TÓPICO 6 FERTIRRIGAÇÃO 69UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO A fertirrigação é uma técnica complementar a irrigação, onde além do manejo hídrico há a disponibilização de nutrientes para a cultura. São utilizadas fontes líquidas ou de altasolubilidade, permitindo elevar a eficiência de utilização do fertilizante e possibilitando o parcelamento da aplicação sem a necessidade frequente de máquinas na área de cultivo. Conforme Batista et al. (2018, p.160): As quantidades dos nutrientes a serem aplicadas devem obedecer às exi- gências nutricionais e hídricas da cultura, sendo preparadas as soluções que garantam o fornecimento dos nutrientes nas quantidades necessárias para atender a demanda determinada pelo estádio fenológico em que a cultura se encontra. As características dos fertilizantes utilizados são de elevada relevância, principalmente em relação a pureza, solubilidade e incompatibilidade de mistura (Figura 10), pois a presença de materiais sólidos, como resíduos ou partículas não diluídas pode provocar o entupimento dos emissores. 70UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO FIGURA 10. REAÇÃO A MISTURA DE FERTILIZANTES Fonte: PINTO, J. M; BRITO, R. A. L; SILVA, D. J. Aplicação de fertilizantes e produtos químicos via água por irrigação. Irriga Web, [S.l.: s.n.]. Disponível em: https://docplayer.com.br/74285785-Modulo-7-aplica- cao-de-fertilizantes-e-produtos-quimicos-via-agua-de-irrigacao.html Acesso em: 01 jun. 2022. Além das próprias fontes utilizadas, características da água como dureza, composição química e temperatura, podem influenciar na dinâmica dos nutrientes em solução e precipitação de partículas sólidas. Na Figura 11 é apresentado características de disponibilidade de nutrientes e solubilidade dos principais fertilizantes adotados na fertirrigação. FIGURA 11. SOLUBILIDADE DE FERTILIZANTES Fonte: Burt et al., (1995) adaptado por: Basso et al., Cultivo da Videira. Irrigação e fertirrigação. Embrapa Semiárido. Disponível em: http://www.cpatsa.embrapa.br:8080/sistema_producao/spuva/irrigacao. html Acesso em: 28 mai 2022. 71UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO Além de fontes sintéticas de nutrientes, podem ser utilizadas fontes orgânicas ou águas residuais de processos industriais ou agropecuários. A diferença entre as fontes está relacionada principalmente à concentração dos nutrientes, que em fontes sintéticas são maiores. A utilização de água residuais de processos de industrialização, como processamento de cana-de-açúcar ou mandioca, resíduos líquidos contendo dejetos de animais, como obtido em confinamento de bovinos, tem uma dupla funcionalidade ao evitar contaminação ambiental e ser fonte de nutrientes para agricultura. Nos últimos anos diversos estudos são empregados para análise do uso de águas residuais na agricultura. Com tendência de elevação na utilização da técnica em função da elevação do custo e disponibilidade de fertilizantes sintéticos. Cuidados no uso das águas residuais estão relacionados às características da cultura fertirrigada, geralmente é evitado a aplicação em hortícolas folhosas ou componentes vegetais de consumo direto. Outro ponto de atenção está relacionado à contaminação biológica, principalmente de resíduos de dejetos. Assim como na irrigação, a adoção da fertirrigação deve apresentar critérios, sendo que sua adoção tem impacto direto sobre as características do solo. A utilização de forma exagerada pode ocasionar problemas de salinização do solo ou toxidez de elementos, reduzindo o potencial produtivo da área ou até mesmo exigindo ações complexas para recuperação do solo. 72UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO “A irrigação inteligente, sistema que leva água direto na raiz da planta, garante incremento de produtividade, economia de água e energia elétrica. Por meio de tubos gotejadores que levam água, nutrientes e químicos diretamente na raiz da planta, o sistema auxilia no desenvolvimento pleno de cada um dos cultivos. Quando aplicada na área de absorção, o aumento de produtividade chega a 100% e a economia de água pode chegar a 60%, colaborando para que o produtor não comete eventuais desperdícios”. (Cristiano Jannuzzi) Fonte: JANNUZZI, C. Irrigação inteligente economiza água e não desperdiça. Revista Cultivar. Disponível em: https://revistacultivar.com.br/artigos/irrigacao-inteligente-economiza-agua-e-nao-desperdica. Acesso em: 28 mai 2022. “Melhorando a qualidade, automaticamente você estará melhorando a produtividade.” (W. Edwards Deming) CONSIDERAÇÕES FINAIS 73UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO No decorrer da unidade, foi abordado as principais características e especificidades de cada tipo de sistema de irrigação. De maneira geral, o simples fato de irrigar uma cultura, gera benefícios ao ocasionar que perdas potenciais por estresse hídrico sejam evitadas. Entretanto, a irrigação envolve também critérios econômicos e impacto ambiental para definir a viabilidade do sistema. O conhecimento sobre as características de cada sistema, permite ter suporte para definir se há falhas nos sistemas em funcionamento, e qual sistema se adequa de forma mais adequada às condições em que o sistema será implantado. O conteúdo apresentado nessa unidade permite complementar aspectos abordados na etapa do dimensionamento, como as variáveis e componentes envolvidos no sistema de irrigação. LEITURA COMPLEMENTAR 74UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO ARTIGO 1: REÚSO DE ÁGUA NA AGRICULTURA No Brasil, dentre os principais fatores que contribuíram para o aumentasse o interesse pela irrigação com efluentes, se encontram: a escassez de água, o avanço técni- co-científico, a legislação ambiental mais rigorosa e atuante, o maior controle da poluição ambiental, a diminuição dos custos de tratamento com solo devido à atuação, disposição e fornecimento de nutrientes, e matéria orgânica às plantas, reduzindo os custos com fertilizantes químicos comerciais. Com isso, é possível concluir que o reuso de água é importante instrumento de gestão racional dos recursos hídricos, no que diz respeito ao reuso de água para fins agrícolas. Fonte: BARROS, H. M. M.; VERIATO, M. K. L.; SOUZA, L. P.; CHICÓ, L. R.; BARO- SI, K. X. L. Reúso de água na agricultura. Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimen- to Sustentável, v.10, n.5, p.11-16, 2015. Disponível em: http://dx.doi.org/10.18378/rvads. v10i5.3868. Acesso em: 28 mai 2022. ARTIGO 2: PRODUÇÃO DE TOMATE EM FUNÇÃO DE NÍVEIS DE AERAÇÃO APÓS IRRIGAÇÃO POR GOTEJAMENTO SUBSUPERFICIAL Após uma chuva ou irrigação, os poros do solo podem apresentar baixo teor de oxigênio (hipóxia). A aeração dos solos após a irrigação tem sido utilizada para superar problemas associados com a hipóxia. Objetivou-se investigar o efeito de quatro níveis de aeração (0; 0,5; 1,0; e 1,5 vezes o volume padrão) aplicados após a irrigação, por meio de sistema de gotejamento subsuperficial, em duas profundidades no solo (0,15 m e 0,30 m). O delineamento experimental foi em blocos casualizados, em esquema fatorial 4x2, com seis repetições. As características produtivas avaliadas foram: massa total de frutos por planta, massa média de fruto e número de frutos por planta. As variáveis de crescimento foram: matéria seca de raiz e de caule. A eficiência de utilização da água também foi calculada. Os resultados indicaram que o maior nível de aeração, na profundidade de 0,30 m, aumentou o rendimento em 41,2%, em comparação às plantas que receberam apenas irrigação, na mesma profundidade. A eficiência de utilização de água foi influenciada pela aeração do solo após a irrigação apenas na profundidade de 0,30 m. http://dx.doi.org/10.18378/rvads.v10i5.3868 http://dx.doi.org/10.18378/rvads.v10i5.3868 75UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO Comentário: No artigo de pesquisa os autores demonstram que a utilização do sistema de irrigação subterrâneo pode atuar, além do fornecimento de água, com a aeração do solo, ocasionando incrementos produtivos no tomate. A técnica pode potencializar o rendimento de outras culturas. Fonte: RODRIGUES DO NASCIMENTO, J. M.; REZENDE, R.; DE CASTRO SE- RON, C.; CÂNDIDO DE SOUZA, ÁlvaroH.; BARION ALVES ANDREAN, A. F. Produção de tomate em função de níveis de aeração após irrigação por gotejamento subsuperficial. Pesquisa Agropecuária Tropical, Goiânia, v. 50, p. e58071, 2019. Disponível em: https:// www.revistas.ufg.br/pat/article/view/58071 Acesso em: 28 maio. 2022. https://www.revistas.ufg.br/pat/article/view/58071 https://www.revistas.ufg.br/pat/article/view/58071 MATERIAL COMPLEMENTAR 76UNIDADE 3 SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO LIVRO Título: Irrigação por aspersão. Sistema Pivô Central Autor: José Antonio Frizzone, Roberto Rezende, Antonio Pires de Camargo, Alberto Colombo. Editora: EDUEM. Sinopse: Este livro “Irrigação por aspersão: sistema pivô central” é oriundo das experiências adquiridas pelos seus autores no ensino e na prática acadêmica profissional da técnica da irrigação. Destina-se não apenas aos estudantes que iniciam no aprendizado dos sistemas de irrigação, mas a todos os profissionais que desejam ou precisam adquirir conhecimentos sobre irrigação por aspersão. FILME/VÍDEO Título: As Técnicas de Irrigação mais Usadas no Brasil Ano: 2019. Sinopse: Atualmente, a quantidade de pequenos e médios produtores rurais interessados nas técnicas de irrigação e o de- sejo de obter o melhor sistema aumentou consideravelmente. Entretanto, não há uma única técnica ideal de cultivo [...]. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=AxAD2G- Cmll8 FILME/VÍDEO Título: IRRIGAÇÃO SUBTERRÂNEA Ano: 2021 Sinopse: O repórter Ranndys Soares foi ao Pará e mostra agora como essa prática inovadora, que reúne um conjunto de tecno- logias, é chamada irrigação inteligente. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=KvvKgFzED- po https://www.youtube.com/watch?v=AxAD2GCmll8 https://www.youtube.com/watch?v=AxAD2GCmll8 https://www.youtube.com/watch?v=KvvKgFzEDpo https://www.youtube.com/watch?v=KvvKgFzEDpo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos ● Manejo da irrigação; ● Qualidade da água e utilização do recurso; ● Drenagem. Objetivos da Aprendizagem ● Conceituar e contextualizar os princípios do manejo da irrigação; ● Compreender o impacto da qualidade da água na irrigação; ● Estabelecer a importância do manejo criterioso, visando melhor eficiência; ● Conceituar e contextualizar os princípios da drenagem. 4UNIDADEUNIDADE MANEJO DA ÁGUA MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM E DRENAGEM Professor Mestre Gustavo Soares Wenneck INTRODUÇÃO Nas unidades anteriores, foi abordado sobre aspectos relacionados à dinâmica da água e sistemas de irrigação, principalmente no que se refere às modalidades e dimensionamentos. Entretanto, assim como é importante dimensionar com base em critérios técnicos, também é fundamental o manejo adequado do recurso, visando garantir a eficiência do sistema. O manejo da água envolve definir de forma precisa quanto e quando realizar a reposição hídrica. Assim como adotado para definir o sistema mais adequado, selecionar o método envolve o conhecimento de parâmetros tecnológicos, econômicos, da cultura e da área de cultivo. Na Unidade, serão abordados três tópicos de elevada importância para a disciplina: o manejo da irrigação, a qualidade da água e utilização do recurso, e a drenagem. A compreensão de conteúdos abordados em unidades anteriores será importante para a construção do conhecimento. Sendo os sistemas de cultivo irrigado e de drenagem complexos, por envolver diversas variáveis e estar relacionados a fatores bióticos e abióticos, o conhecimento adquirido no decorrer da unidade permitirá a compreensão global do sistema de produção. Ainda, todo conhecimento técnico e visão sistêmica permitirá a utilização adequada das tecnologias e manejo, contribuindo de forma semelhante com a agricultura, meio ambiente, economia e sociedade. 78UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM A irrigação tem potencial de ocasionar incrementos produtivos, tornando a lavoura mais produtiva em relação a áreas de sequeiro. Entretanto, a utilização da técnica, em frequência, é variável com o objetivo na implantação, podemos dividir o emprego da irrigação em três condições: ● IRRIGAÇÃO DE SALVAÇÃO: condição em que a irrigação é utilizada apenas em condições severas de estresse hídrico, evitando assim a perda total da produção. ● IRRIGAÇÃO EM PERÍODO CRÍTICO: condição em que a irrigação é utilizada somente em períodos específicos durante o cultivo, principalmente se há a ocorrência de déficit hídrico. Os períodos de adoção são etapas críticas do desenvolvimento da cultura, como emergência, florescimento e enchimento de frutos. ● IRRIGAÇÃO DE CULTIVO: adotada para reposição total ou parcial da necessidade da cultura, durante todo ou em maior parte do ciclo. Baseada nas condições de armazenamento de água no solo, evapotranspiração da cultura e condições climáticas. Na irrigação é empregado com elevada frequência o termo “lâmina” que se refere ao volume de água (L) por unidade de área (m²), sendo expresso em “mm”. Como apresentado nas unidades anteriores, a determinação da lâmina a ser aplicada pode ser realizada pelo método padrão da FAO (equação de Penman-Monteith), com tanque classe A, por meio do balanço de cultivo e baseado no armazenamento de água no solo. No monitoramento do armazenamento de água no solo ou da umidade atual do solo, é analisado, além do intervalo de água disponível (diferença entre capacidade de campo e ponto de murcha permanente), o volume que será utilizado antes da próxima reposição. 1 MANEJO DA IRRIGAÇÃO 79UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM TÓPICO 80UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM Para determinação da umidade do solo de forma direta é utilizado o método gravi- métrico com a determinação de massa antes e após a amostra ser submetida à secagem em estufa de circulação forçada de ar (105°C durante 24 horas). Porém, em condições de campo, torna-se inviável o emprego da determinação pelos recursos necessários, neces- sidade de mão-de-obra capacitada e tempo para obtenção dos resultados. Dessa forma, para fins de manejo se utilizam técnicas para determinação indireta da umidade do solo, ou da disponibilidade de água, como tensiômetros e sensores. Conforme Freitas et al. (2018, p.170), o tensiômetro pode ser descrito como: O tensiômetro, geralmente, é construído de tubo de PVC rígido de diâmetro ½”, onde, em uma das extremidades, é acoplada uma cápsula de cerâmica porosa e, na outra extremidade, apresenta rosca em que será instalado um tampão e rolha que permita vedação da parte superior do tubo [...] Após fina- lizada a construção, o tensiômetro será levado para o campo para instalação no solo onde está sendo cultivada a cultura em que será efetuado o controle da irrigação. O tensiômetro determina a umidade do solo de forma indireta em função do potencial matricial, principalmente. A cápsula de cerâmica atua como intermediário da água presente dentro do tubo de PVC e no solo. Quando o solo tende a secar, há perda de água do tensiômetro para o solo, ocasionando diferença de pressão em seu interior, sendo medida por meio de vacuômetro.Na Figura 1 são apresentados dois tensiômetros utilizados no cultivo do tomate. FIGURA 1. TENSIÔMETROS UTILIZADOS PARA O MANEJO DA IRRIGAÇÃO NA CULTURA DO TOMATE Fonte: O Autor (2022). 81UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM Os valores expressos no vacuômetro são negativos, por representar a pressão matricial do solo, e expressos em kPa. Com valores próximos a zero (0) o solo encontra-se próximo a saturação, e a medida que a umidade é reduzida os valores tendem a se tornar mais elevados (em módulo pois são negativos), entretanto o equipamento tem limite de utilização próximo a 80 kPa, em função da porosidade da cápsula. A partir de 80 kPa os valores passam a não ser representativos, inclusive com valor igual a zero quando o equipamento perde a vedação. Os tensiômetros são instalados na profundidade do sistema radicular da cultura ou da zona de interesse para irrigação. Na Figura 1, a cápsula do tensiômetro da esquerda está a 15 cm de profundidade, enquanto o da direita a 5 cm de profundidade. A instalação em diferentes profundidades permite a análise do movimento da água no perfil de interesse do solo, evitando por exemplo a perda por percolação. Sendo instalados em pontos fixos, é recomendado a utilização de tensiômetros em diversos pontos da área de cultivo. Com a utilização dos tensiômetros a irrigação é iniciada no limite crítico para cultura e cessada próximo a saturação. Morouelli (2008) apresenta os limites críticos para algumas espécies de hortaliças, conforme Figura 2. 82UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM FIGURA 2. SUGESTÃO DE TENSÃO-LIMITE DE ÁGUA NO SOLO PARA DIFERENTES HORTALIÇAS, CONFORME O SISTEMA DE IRRIGAÇÃO UTILIZADO Fonte: MOROUELLI, W. A. Tensiômetros para o Controle de Irrigação em Hortaliças. Circular Técnica 57. Brasília, DF: Embrapa Hortaliças, p. 4, 2008. Conforme apresentado na Unidade I a tensão matricial na faixa até 80 kPa encontra-se próximo a capacidade de campo, dessa forma ao utilizar tensiômetro para o manejo da irrigação, a reposição hídrica possibilitará reposição com elevada frequência e mantendo elevada a disponibilidade de água no solo. Dessa forma, justifica-se o emprego principalmente em hortaliças e plantas sensíveis ao déficit hídrico. Morouelli (2008, p.5) também caracteriza as faixas de tensão matricial quanto a disponibilidade de água e ar no solo como: • 0-10 kPa – Solo próximo à saturação. Leituras contínuas nessa faixa indi- cam irrigações em excesso, perda de água por drenagem profunda e defi- ciência de aeração para as raízes. 83UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM • 10-20 kPa – Solo com excelente condição de umidade e boa aeração. Faixa de tensão indicada para hortaliças altamente sensíveis ao déficit de água, solos arenosos e/ou irrigação por gotejamento. • 20-40 kPa – Solo com boa condição de umidade e excelente aeração. Faixa de tensão indicada para hortaliças sensíveis ao déficit de água. • 40-70 kPa – Solo com limitada condição de umidade e excelente aeração. Faixa de tensão indicada para hortaliças com tolerância moderada ao déficit de água. • > 70 kPa – Solo com baixa disponibilidade de água e excelente aeração. Fora do limite de funcionamento de tensiômetro. Condição indicada apenas para hortaliças altamente tolerantes ao déficit de água e/ou estádios defini- dos de desenvolvimento de culturas específicas. Os sensores são outra forma empregada para o monitoramento da umidade do solo, refletindo o conteúdo de água em função das propriedades dielétricas do solo. O método da reflectometria no domínio do tempo (TDR) é empregado à anos na irrigação para determinação da umidade do solo, com resultados consistentes e representativos. Conforme Freitas et al. (2018, p.174): A técnica TDR determina a constante dielétrica do solo através da medida do tempo de propagação da onda eletromagnética no solo. O funcionamento da TDR para a determinação da umidade baseia-se na medida da velocidade de propagação de ondas eletromagnéticas em uma guia de onda metálica (sonda) inserida no solo. Para que os valores das propriedades dielétricas reflitam de forma precisa a condição de umidade do solo, é realizado uma calibração experimental, sendo determinado a constante dielétrica para diferentes condições de umidade do solo, e comparado ao valor de referência obtido pelo método gravimétrico (estufa de circulação de ar). A correlação experimental deve abranger o maior intervalo de umidade e maior variação de condições possíveis para obtenção de equação representativa. Devido a essas condições, as características das curvas calibradas podem ser diferentes para cada tipo de solo. Embora os sensores realizem a leitura da constante dielétrica, é apresentado valores da umidade estimada do solo para o operador do sistema. Os sensores podem ser utilizados tanto para o monitoramento temporal do conteúdo de água no solo, quanto para a movimentação da água no perfil. Os investimentos em tecnologia de sensores para irrigação foram elevados, sendo atualmente disponíveis no mercado opções que permitem a obtenção de dados de forma remota e a interligação com sistemas de suporte ao manejo de irrigação de forma automatizada. 84UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM Técnicas para determinação da taxa de evapotranspiração ainda podem empregar a lisimetria, em que é determinado o volume real evapotranspirado em uma área conhecida e extrapolado para a área cultivada, o método é geralmente adotado em pesquisas. A lisimetria pode ser dividida entre lisimetria de pesagem, onde a diferença de água é determinada pela variação de massa, e de lençol freático de nível constante, em que a taxa é determinada pelo volume de reposição (mm). A lisimetria requer condições semelhantes ao cultivo, e com necessidade de repetição de unidades para redução de erros. O método exige conhecimento técnico para construção e operação do lisímetro. O manejo da irrigação envolve a determinação do volume de água real necessário, o momento da reposição, e o método para reposição hídrica, sendo aspectos complexos e que devem ser baseados em critérios técnicos. Aspectos sobre o manejo da irrigação necessitam de pesquisas contínuas a fim de elevar o potencial da técnica. Estudos recentes demonstram a utilização de lâminas em déficit ou excesso, como forma de obter maiores índices produtivos. Na irrigação em excesso, o volume de água real aplicado é superior a evapotranspiração da cultura. Embora esse manejo possa ser responsivo em algumas culturas, sua adoção não é recomendado do ponto de vista ambiental e de eficiência do sistema. O manejo da irrigação com déficit controlado é analisado em diversos estudos, sendo observado que ao submeter a planta em déficit hídrico leve ou moderado, a redução produtiva é baixa ou nula, elevando assim a eficiência da água, ou seja, volume de água demandado para produção de certa quantidade de produto. Embora a técnica seja vantajosa para reduzir custos sem alterar significativamente o rendimento, demanda de elevado conhecimento técnico sobre o manejo e a cultura, necessitando em alguns casos de análise para condições locais e com o material (cultivar, híbrido ou espécie) adotado na produção. Manejos complementares ao déficit hídrico controlado também são abordados em diversas pesquisas, sendo principalmente associados à utilização de elementos benéficos não essenciais, como silício e selênio, aplicação de hormônios vegetais, aminoácidos, extratos e condicionadores de solo. TÓPICO 2 QUALIDADE DA ÁGUA E UTILIZAÇÃO DO RECURSO 85UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM A qualidade da água envolve parâmetros físicos, químicos e biológicos, sen- do aspecto fundamental na determinação da viabilidade do recurso para fins de irrigação, especialmente no cultivo de alimentos destinados ao consumo in natura. Ao planejar um sistema, deve-seanalisar a fonte da água que será utilizada, e suas características. As principais fontes adotadas são águas superficiais, águas subterrâneas e água de reuso. As águas superficiais são provenientes de rios, lagos ou de represamento. Analisando o ciclo hidrológico, essas fontes são abastecidas principalmente por chuvas e percolação do solo na microbacia. Dessa forma, aspectos relacionados ao percurso que a água percorre podem ocasionar alterações em suas propriedades, como por exemplo a condução de contaminantes durante o escorrimento superficial. A qualidade das águas superficiais pode ser influenciada ainda pela conta- minação por indústria e/ou residências ao realizar o despejo de água residuária em locais anteriores ao ponto de captação para a irrigação. No caso de água represada ou oriunda de lagos, a condição de estabilização pode ainda ocasionar atividades biológicas e agregação de partículas sólidas. As características das águas subterrâneas são influenciadas por aspectos da rocha e do solo no local da fonte. O meio em que a fonte está inserida influencia diretamente, pelo processo de reabastecimento do lençol freático. Analisar o entorno é importante, principalmente em condições em que a retirada de água é intensa. 86UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM A água de reuso apresenta características mais distintas, podendo apresentar origem doméstica, industrial ou urbana. A água de origem doméstica está relacionada ao uso diário, contendo resíduos sólidos (orgânicos e inorgânicos), carga microbiana e resíduos químicos, sendo necessário o tratamento antes da utilização na agricultura. A água de reuso de origem industrial está relacionada a etapas de processa- mento e industrialização. De maneira geral, tendem a apresentar padronização quanto às propriedades, podendo também conter resíduos sólidos (orgânicos e inorgânicos), resíduos químicos e biológicos. A possibilidade de reuso está relacionada à natureza do processo, exigindo em diversos casos a necessidade de tratamento. Indústrias de processamento de alimentos, como de mandioca e cana-de- açúcar, apresentam ao final do processo água residuária que, após processo de decantação em lagoas, pode ser utilizada na agricultura, apresentando características químicas de interesse. Os parâmetros físico-químicos da água são analisados em laboratórios de saneamento, sendo feita a determinação de elementos, dureza, pH, condutividade elétrica, cor aparente, aspecto, odor e turbidez. Para parâmetros microbiológicos, geralmente é analisada a presença de bactérias (E. coli e coliformes totais), sendo relevante para cultivos de consumo in natura que a água apresenta contato direto com a parte vegetal comercializável. O conteúdo de elementos químicos presentes na água pode influenciar diretamente na condutividade elétrica e ocasionar toxidez, como boro, sódio e cloro. Em condições de elevada condutividade elétrica, a planta é submetida a pressão osmótica, que influencia em seu potencial hídrico. O nível de tolerância da condutividade elétrica em solução é variável com a espécie, sendo apresentados níveis de referência para culturas de interesse na Tabela 1. 87UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM TABELA 1. SENSIBILIDADE DE CULTURAS DE INTERESSE AGRONÔMICO À SALINIDADE Fonte: Adaptado de Dias et al. (p.9-10, 2016). A salinidade é determinada em função da condutividade elétrica, que indica os íons em solução. A condutividade elétrica é um fator relevante quando se adotada a fertirrigação, sendo a água enriquecida por íons. O manejo inadequado da fertirrigação, principalmente em regiões áridas ou semiáridas, pode tornar o solo salino a ponto de inviabilizar o cultivo. Essa situação ocorre em função da concentração da zona úmida, que após suscetíveis cultivos tende a apresentar elevada concentração de sais na camada agricultável. Para recuperação dos solos é necessário elevado investimento financeiro, conhecimento técnico e tempo. Conforme apresentado na Unidade III, a qualidade da água impacta também a durabilidade e eficiência do sistema de irrigação, principalmente quando se trata de localizada em que os orifícios dos emissores apresentam diâmetro reduzido, estando vulneráveis ao entupimento. Almeida (2010, p.81) apresenta parâmetros físicos, químicos e biológicos da água para utilização em irrigação localizada (Figura 3). Cultura Condutividade elétrica limite (dS m-1) Classe de tolerância Alface 1,3 Moderadamente sensível Amendoim 3,2 Moderadamente sensível Cevada 8,0 Tolerante Feijão 1,0 Sensível Batata 1,7 Moderadamente sensível Milho 1,7 Moderadamente sensível Soja 5,0 Moderadamente tolerante Tomate 2,5 Moderadamente sensível 88UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM FIGURA 3. RESTRIÇÃO DE USO DA ÁGUA PARA IRRIGAÇÃO LOCALIZADA EM FUNÇÃO DAS PROPRIEDADES FÍSICAS, QUÍMICAS E BIOLÓGICAS Fonte: ALMEIDA, O. A. Qualidade da água de irrigação. Cruz das Almas: Embrapa Mandioca e Fruticultura, p. 81, 2010. A utilização do recurso deve considerar o impacto ocasionado para o meio ambiente. Embora seja possível elevar a eficiência de manejo, realizado a aplicação de nutrientes e produtos visando a proteção do cultivo, através da irrigação, o percurso e destino da água pode ocasionar danos ao ambiente, principalmente em condições de gestão inadequada do sistema. Os danos podem ser refletidos no solo ou em cursos d’água próximos à área de cultivo. Áreas irrigadas cujas fontes são águas superficiais, e que a demanda é capaz de alterar a vazão do curso, necessitam de autorizações ambientais para utilização. A autorização é denominada “outorga”, e segue a legislação em âmbito municipal, estadual e nacional, sendo analisado o impacto local e no decorrer do curso d’água. A outorga apresenta prazo e volume de água, que pode ser utilizado, de forma estabelecida. A utilização do recurso em desacordo com a outorga ou ausência de danos ambientais pelo manejo inadequado da técnica podem gerar multas e processos administrativos. Ainda em relação ao manejo, em algumas regiões o período de irrigação pode ser concentrado em horários específicos do dia em função de incentivos governamentais para redução do custo da energia elétrica. Programas de irrigação noturna, que normalmente ocorrem entre 21:30 às 6:00, podem apresentar redução na tarifa superior a 60%, impactando na viabilidade econômica de cultivos irrigados. 3 DRENAGEM TÓPICO 89UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM A drenagem é uma técnica de manejo, adotada tanto na construção civil, quanto na agricultura, visando o rebaixamento do lençol freático ou a remoção da água em camadas do solo de interesse. Lima (2010, p.1) define a drenagem como: A drenagem é um processo de remoção do excesso de água dos solos de modo que lhes dê condições de aeração, estruturação e resistência. Sempre que a drenagem natural não for satisfatória, pode-se fazer, em complementação, drenagem artificial. Seu objetivo é retirar o excesso de água aplicada na irrigação ou proveniente das chuvas, isto é, controlar a elevação do lençol freático, bem como possibilitar a lixiviação dos sais trazidos nas águas de irrigação, evitando a salinização. Na agricultura os principais benefícios da drenagem estão relacionados a possibilidade de cultivo em áreas com problemas de alagamento, seja por características do solo, topografia do terreno e profundidade do lençol freático como ilustrado na Figura 4. 90UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM FIGURA 4. REPRESENTAÇÃO DE SOLOS SEM SISTEMA DE DRENAGEM E COM DRENAGEM Fonte: SILVEIRA, R. N. C. M. Drenagem e controle da salinidade na irrigação. Fortaleza: INOVAGRI/ IFCE, p. 12, 2016. Como apresentado nas unidades anteriores, ao realizar o manejo da água um dos pontos que requer atenção é a aeração do solo. O primeiro fator está relacionadoa presença de ar na zona radicular para atividade microbiana e respiração das raízes, e o segundo relacionado ao tráfego de máquinas agrícolas na área de cultivo, que em condição de elevada umidade tende a ocasionar compactação do solo. Na drenagem, conceitos anteriormente apresentados na disciplina são fundamentais para análise da importância, como porosidade (macro e microporos, relação, distribuição e continuidade), condutividade hidráulica (associado ao volume e velocidade de infiltração da água no solo) e salinidade. A salinidade quando presente na área de cultivo, de forma natural ou por consequência do manejo, limita a produção vegetal. Para o controle da salinidade a drenagem pode ser aplicada, promovendo lixiviação controlada no solo. Entretanto exige aplicação em alta intensidade e além dos íons que promovem a salinidade há a lixiviação de outros elementos, reduzindo a fertilidade e exigindo manejo nutricional após o processo. 91UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM A drenagem pode ser realizada por meio de drenos abertos, geralmente visíveis na área de cultivo e com formato trapezoidal, e por drenos fechados, geralmente tubulares. Conforme Lima (2010, p.17): A largura do fundo do dreno é em geral de 30 cm, e a inclinação do talude varia de 0,5 a 1,0 desde solos bastante coesos até solos soltos (arenosos). A profundidade varia de 1,2 a 1,5 metros [...] É importante ressaltar que veloci- dades inferiores a 0,3 m/s proporcionam sedimentação de materiais sólidos e com isto o assoreamento dos drenos. Já as velocidades superiores a 0,9 m/s podem causar erosão dos drenos. Na Figura 5, é possível observar a característica do dreno aberto. Embora apresente maior facilidade de construção, pode limitar o tráfego de máquinas e equipamentos na área de cultivo, sendo necessárias construções complementares para evitar danos na estrutura. FIGURA 5. SISTEMA DE DRENAGEM (DRENO ABERTO) EM ÁREA DE CULTIVO DE SOJA E MILHO Na drenagem fechada (ou tubular) são inseridos no solo tubulações permeáveis que permitem a entrada e condução da água. No entorno da tubulação, são inseridos materiais que permitem a drenagem da água, porém sem a condução de sólidos e ainda reduzindo o fluxo. Com a utilização da drenagem fechada, a superfície do solo não apresenta restrições, podendo inclusive ser realizado o tráfego de máquinas e cultivo. Entretanto, para a manutenção e verificação de falhas no sistema há maior demanda de energia, tempo e recursos financeiros. 92UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM Na construção do dreno aspectos técnicos e operacionais devem ser considerados, tais como: ● Máquinas e equipamentos disponíveis para formação dos drenos; ● Custos operacionais; ● Recarga do dreno com água originando de fontes diferentes da área de cultivo; ● Disposição dos drenos na área; ● Diferença de nível entre o dreno e o ponto de descarga. O monitoramento do nível da água no solo (ou zona saturada) pode ser realizado por meio de pontos de observação construídos da área de cultivo, principalmente quando a drenagem é realizada para rebaixamento do lençol freático. A estrutura do ponto de observação é apresentada na Figura 6. FIGURA 6. ILUSTRAÇÃO DA ESTRUTURA PARA OBSERVAÇÃO DO NÍVEL DO LENÇOL FREÁTICO Fonte: CRUCIANE (1989), adaptado por: SILVEIRA, R. N. C. M. Drenagem e controle da salinidade na irrigação. Fortaleza: INOVAGRI/IFCE, p.11, 2016. O dimensionamento dos drenos pode ser realizado considerando o regime constan- te ou variável. No regime constante o fluxo de água ocorre de forma permanente, mantendo o nível do lençol freático. 93UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM Para o dimensionamento do espaçamento entre drenos em regime constante é adotada a equação de Hoogoudt, em que pressupõe que o volume de água que atinge a superfície do solo é igual ao drenado, sendo aplicado principalmente para condições de precipitação pluviométrica de longa duração temporal e baixa intensidade. Para o dimensionamento do espaçamento entre drenos considerando o regime variável, em que o volume de água drenado é inferior a entrada de água, é adotada a equação de Glover-Dumm. Nessa condição, no projeto é definido o tempo limite para o rebaixamento do lençol freático após cessar a entrada de água. Embora o dimensionamento de sistemas de drenagem envolve variáveis e equações complexas, exigindo conhecimento técnico avançado, há softwares disponíveis para o dimensionamento e simulação dos drenos. Um exemplo de software utilizado para o dimensionamento de terraços e drenagem superficial é apresentado na Leitura Complementar desta Unidade. A água drenada da área de cultivo é direcionada para canais coletores, e após destinada a cursos d’água ou represadas. Como abordado no tópico anterior (Qualidade da água e utilização do recurso), critérios devem ser adotados para evitar danos ambientais ao retornar a água drenagem para o ciclo hidrológico. 94UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM Tornou-se mais evidente nas últimas décadas que a técnica da irrigação é fundamental para suprir a demanda mundial de alimentos. Mais de 40% da produção total da agricultura provém de áreas irrigadas, embora estas representem menos de 20% da área total de colheita do planeta [...]. Aumentos contínuos da população, mudanças nas preferências e urbanização, aumentam ainda mais as demandas de água, tanto para a produção de alimentos quanto para outras utilizações. Estas questões, que aparentam ser mutuamente excludentes, forçarão os irrigantes a se tornarem mais eficientes na utilização da água. (Frizzone et al., p.12, 2012) Fonte: FRIZZONE, J. A.; FREITAS, P. S. L.; REZENDE, R.; FARIA, M. A. Microirrigação. Goteja- mento e microaspersão. Maringá: EDUEM, 2012. “Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre”. (Paulo Freire) CONSIDERAÇÕES FINAIS 95UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM Como abordado no decorrer da Unidade, manejar a água de forma adequada, seja para entrada (irrigação) ou saída (drenagem) da área de produção, é fundamental para eficiência produtiva e econômica. Entretanto, a utilização das técnicas não é baseada apenas na instalação das estruturas, mas do conhecimento prévio e aprofundado dos fatores envolvidos. A produção agrícola não ocorre por meio de safras isoladas, em que o manejo da água é de acordo com a espécie cultivada. A área de produção faz parte de um sistema complexo, em que os critérios adotados nas etapas de dimensionamento e manejo são importantes para se obter eficiência econômica, com incremento de rendimento e elevação na eficiência de utilização de recursos, mas principalmente ambiental. No contexto ambiental, os sistemas de irrigação e drenagem devem funcionar sem ocasionar danos ou impactos negativos em nível local ou regional. LEITURA COMPLEMENTAR 96UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM SOFTWARE: TERRAÇO 4.1. Este software foi desenvolvido na Universidade Federal de Viçosa, numa cooperação dos Departamentos de Engenharia Agrícola e Engenharia Civil. Foi estruturado na forma de módulos que permitem ao usuário: obter a Equação de Chuvas Intensas em diversas localidades brasileiras e dimensionar Sistemas de Conservação de Solos (do tipo terraceamento) e Drenagem de Superfície. Fonte: Grupo de Pesquisa em Recursos Hídricos. Terraço 4.1. Disponível em: http://arqui- vo.ufv.br/ctq/terraco/Menu2.html. Acesso em: 20 jun 2022. LEITURA 1: CONSERVAÇÃO, USO RACIONAL E SUSTENTÁVEL DA ÁGUA No atual quadro de escassez hídrica em que vivemos, está claro que a irrigação se torna essencial para garantir a produtividade e rentabilidade dos produtores rurais, por isso, utilizar algumas técnicas de manejo da irrigação que possibilitam reduzir o uso da água e diminuir os gastos de energia sem afetar a produção da cultura é de fundamentalimportância para uma safra bem sucedida. Você verá o que é importante para responder as três principais perguntas que garantem o sucesso da agricultura irrigada: como, quando e quanto irrigar? Fonte: CAMARGO, D. C. Manejo da Irrigação: como, quando e quanto irrigar? Fortaleza: INOVAGRI/IFCE, 2016, 26p. Disponível em: https://capacitacao.ana.gov.br/conhecerh/bitstream/ ana/2129/4/Manejo_da_Irrigacao-4h.pdf. Acesso em: 20 jun 2022. http://arquivo.ufv.br/ctq/terraco/Menu2.html http://arquivo.ufv.br/ctq/terraco/Menu2.html https://capacitacao.ana.gov.br/conhecerh/bitstream/ana/2129/4/Manejo_da_Irrigacao-4h.pdf https://capacitacao.ana.gov.br/conhecerh/bitstream/ana/2129/4/Manejo_da_Irrigacao-4h.pdf MATERIAL COMPLEMENTAR 97UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM LIVRO Título: Hidráulica, Irrigação e Drenagem Autores: Laís de Carvalho Vicente, Carine Rusin, Carolina Rossi de Oliveira, Alessandra dos Santos Moura, Danielle Otte Carrara Castan Sarto, Francelize Chiarotti, Luiz Ricardo Sobenko, Ronei Tiago Stein. Editora: SAGAH. Sinopse: A recente evolução das tecnologias digitais e a consolidação da internet modificaram tanto as relações na sociedade quanto às noções de espaço e tempo. Se antes levávamos dias ou até semanas para saber de acontecimentos e eventos distantes, hoje temos a informação de maneira quase instantânea. Essa realidade possibilita a ampliação do conhecimento. No entanto, é necessário pensar cada vez mais em formas de aproximar os estudantes de conteúdos relevantes e de qualidade. Assim, para atender às necessidades tanto dos alunos de graduação quanto das instituições de ensino, desenvolvemos livros que buscam essa aproximação por meio de uma linguagem dialógica e de uma abordagem didática e funcional, e que apresentam os principais conceitos dos temas propostos em cada capítulo de maneira simples e concisa. FILME/VÍDEO Título: A Lei da Água - Filme Completo Ano: 2016. Sinopse: A Lei da Água (Novo Código Florestal) esclarece as mudanças promovidas pelo novo Código Florestal e a polêmica sobre a sua elaboração e implantação. O documentário mostra como a lei impacta diretamente a floresta e, assim, a água, o ar, a fertilidade do solo, a produção de alimentos e a vida de cada cidadão. Produzida ao longo de 16 meses, a obra baseia- se em pesquisa e 37 entrevistas com ambientalistas, ruralistas, cientistas e agricultores. Retrata ainda casos concretos de degradação ambiental e técnicas agrícolas sustentáveis que podem conciliar os interesses de conservação e produção da sociedade. Link do vídeo: https://youtu.be/jgq_SXU1qzc https://youtu.be/jgq_SXU1qzc 98UNIDADE 4 MANEJO DA ÁGUA E DRENAGEM FILME/VÍDEO Título: Israel: quase 50% da produção agrícola é abastecida com água de reuso Lei da Água - Filme Completo Ano: 2018. Sinopse: Na primeira reportagem da série “Conexão Israel” você acompanha os pontos que unem e separam as duas potências do agronegócio mundial, a começar pelo uso da água. Enquanto o Brasil é um dos países com maior disponibilidade de água por habitante no planeta, Israel tem clima desértico. No país do Oriente Médio, quase metade da produção agrícola é abastecida com água de reuso de esgoto. Link do vídeo: https://youtu.be/Dd38LpTQQd0 99 ALLEN, R. G.; PEREIRA, L. S.; RAES, D.; SMITH, M. Crop evapotranspiration guidelines for computing crop water requirements. Rome: FAO, 1998. ALMEIDA, O. A. Qualidade da água de irrigação. Cruz das Almas: Embrapa Mandioca e Fruticultura, 2010. BATISTA, M. A.; INOUE, T. T.; ESPER NETO, M.; MUNIZ, A. S. Princípios de fertilidade do solo, adubação e nutrição mineral. In: BRANDÃO FILHO, J. U.; FREITAS, P. S. L.; BE- RIAN, L. O. S.; GOTO, R (Org). Hortaliças-fruto. Maringá: EDUEM, 2018. CUNHA, P. C. R; NASCIMENTO, J. L; SILVEIRA, P. M; ALVES JUNIOR, J. Eficiência de métodos para o cálculo de coeficientes do tanque classe A na estimativa da evapotrans- piração de referência. Pesquisa Agropecuária Tropical, Goiânia, v. 43, n. 2, p. 114-122, 2013. DARLI, A. B.; PALARETTI, L. F. Escolha correta do aspersor para irrigação. 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INMET - Instituto Nacional de Meteorologia. Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuá- ria (SISDAGRO). Disponível em: http://sisdagro.inmet.gov.br/sisdagro/app/index Acesso em: 21 mai. 2022. LIMA, L. A. Drenagem de Terras Agrícolas. Lavras: UFLA, 2010. Disponível em:http://www. leb.esalq.usp.br/leb/disciplinas/Fernando/leb1440/Aula%2010/Apostila_Drenagem_UFLA_ Luis%20Lima.pdf. Acesso em: 20 jun 2022. LOPES, A. R. et al. Balanço hídrico climatológico e classificação climática para o municí- pio de Paranavaí, Paraná. Revista Brasileira de Engenharia de Biossistemas, Tupã, v. 15, n. 3, p. 367-380, 2021. MANTOVAN, E. C.; BERNARDO, S.; PALARETTI, L. F. Irrigação, Princípios e métodos. 3 ed. Viçosa: Editora UFV, 2012. MANTOVANI, E. C.; BERNARDO, S.; PALARETTI, L. F. Irrigação princípios e métodos. 3ed. Viçosa: Editora UFV, 2012. MARTINS, C. A. S.; REIS, E. F. Uniformidade de distribuição de água por aspersão con- vencional na superfície do solo. 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W.; MATHER, J. R. The water balance. Centerton: Drexel Institute of Tech- nology. Climatology, v. 8, n. 1, 1955. 102 O manejo da água na agricultura, seja pela irrigação e pela drenagem, é uma necessidade crescente, considerando a necessidade de incremento da produção de alimentos a nível mundial e o impacto ocasionado pela expansão de novas áreas para uso agrícola. O manejo da água torna-se fundamental para a utilização de áreas com limitações ou para o incremento do potencial produtivo em áreas cuja reposição hídrica é o fator limitante. No decorrer da apostila, a sequência de conteúdos adotada teve como objetivo construir o conhecimento desde o ciclo natural da água até as etapas de dimensionamento e manejo do recurso. Dessa forma, é possível analisar cada fator envolvido no sistema de produção e a forma adequada de gestão para obtenção dos resultados esperados. Como abordado em todas as unidades, a adoção de critérios técnicos e a análisedetalhada dos componentes do sistemas é fundamental para se atingir os objetivos, pela irrigação ou drenagem. Os critérios são necessários para garantir a eficiência, seja em nível produtivo, econômico, social e ambiental. Também foi retomado em diversos pontos a necessidade de avaliar o impacto ambiental que o manejo da irrigação ou da drenagem pode ocasionar, pois a produção agrícola deve apresentar sinergia com a conservação do solo e do meio ambiente. A complexidade do conteúdo não está relacionada apenas às equações necessárias para o dimensionamento e pela quantidade de componentes envolvidos, mas principalmente pela especificidade de cada condição de cultivo pode apresentar, requerendo análise detalhada para implantação e manejo do sistema mais adequado e eficiente. Dessa forma, o conhecimento sobre a irrigação e drenagem é contínuo, sendo necessário constantes atualizações e estudos para o sucesso na atuação profissional. CONCLUSÃO GERAL ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE Praça Brasil , 250 - Centro CEP 87702 - 320 Paranavaí - PR - Brasil TELEFONE (44) 3045 - 9898 Shutterstock Site UniFatecie 3: Botão 11: Botão 10: Botão 9: Botão 8:do ciclo da água no planeta, e detalhados aspectos sobre quais forças promovem o movimento da água no sentido solo- planta-atmosfera. Além disso, serão apresentadas informações sobre o armazenamento de água no solo, a quantificação da proporção disponível para as plantas e como as características do solo interferem na capacidade de retenção e disponibilidade da água. O conteúdo abordado na unidade será fundamental para compreensão de conceitos necessários para o dimensionamento dos sistemas e manejo técnico eficiente. 7UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA A água é recurso fundamental para vida, e no setor agrícola indispensável para produção vegetal. Embora presente em grande abundância no planeta, cobrindo grande extensão da área superficial, a maior parte está presente nos oceanos, sendo indisponível para consumo ou utilização direta. Do montante de água doce (2,5% conforme ROCHA et al., 2011), a maior parte encontra-se concentrada em geleiras e calotas polares. O volume acessível, proveniente de águas superficiais (rios, lagos e reservatórios) e subterrâneas, que embora represente menos de 1% da água no planeta é capaz de suprir a demanda de consumo humano, produção animal e vegetal, produção de energia e uso industrial. A água na forma livre pode ser encontrada nas fases sólida (geleiras e calotas polares), líquida (aquíferos, lagos, oceanos, reservatórios e rios) e gasosa (vapor d’água), cuja as características do seu estado físico permitem compreender sua dinâmica no siste- ma, sendo representado na Figura 1. Ainda, pode ser encontrada na constituição dos seres vivos (animais e plantas). 1 CICLO DA ÁGUA TÓPICO 8UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA 9UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA FIGURA 1. CICLO DA ÁGUA NO CONTEXTO AGRÍCOLA Fonte: Adaptado de: Brasil. Ministério da Integração Nacional. Secretaria Nacional de Irrigação. Manual externo de procedimentos: transferências obrigatórias - Lei n.°11.578, de 26 de novembro de 2007: da apresentação dos documentos para a formalização do termo de compromisso / Ministério da Integração Nacional. Secretaria Nacional de Irrigação. – Brasília: MI, 2013. Disponível em: https://antigo.mdr.gov.br/ images/stories/ArquivosSENIR/ArquivosPDF/Manual-de-Procedimentos-Tranferncia-Obrigatria_Manual-Ex- terno.pdf Acesso em: 20 mai. 2022. O movimento da água ocorre em sistema fechado, em que não há diferenças no volume total de água no planeta, sendo as diferenças relacionadas ao estado físico, à localização e à qualidade. Entretanto, a movimentação da água ocorre de forma contínua no tempo, sendo através de precipitação, infiltração no solo, deflúvio e evapotranspiração. A ação antrópica tem potencial de alterar o fluxo natural da água, através de represamento, desvios de cursos d’água, alteração da vegetação de cobertura e impermeabilização da superfície, além da própria demanda para consumo direto, utilização da indústria e na agricultura. A agricultura demanda elevada quantidade de água, visto que é componente de constituição das células, atua no movimento de absorção de nutrientes e é fundamental para processo fotossintético e assimilação de carbono diretamente relacionado à formação de biomassa. Em cultivo sequeiro, a entrada de água no sistema produtivo ocorre apenas por meio de precipitações pluviométricas, entretanto por condições de escassez em deter- minadas regiões ou pela ausência de regularidade (em período e volume) se faz necessária a utilização da irrigação para potencializar o rendimento das culturas. Na irrigação, a água é normalmente proveniente de reservatórios, cursos d’água e águas subterrâneas. 10UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA Embora a agricultura seja considerada como setor com maior consumo de água, essa retorna ao ciclo hidrológico sem perda de quantidade e qualidade se manejada de forma adequada e com critérios técnicos. No contexto agrícola, consideramos que o sistema em questão envolve o solo, a planta e a atmosfera. O movimento da água ocorre em função da diferença de potencial total no sistema, que engloba o potencial matricial (ψm), osmótico (ψos), pressão (ψp), gravitacional (ψg) e do ar (ψatm). De forma geral, os principais componentes potenciais envolvidos são gravitacionais, matricial e do ar, sendo que o potencial osmótico está asso- ciado aos sais minerais presentes no solo, e o potencial de pressão presente em situações nas quais há atuação de uma carga de pressão superior às condições normais. A atuação de cada componente potencial e suas influências nas etapas do ciclo hidrológico serão abordadas nos próximos tópicos. TÓPICO 2 DINÂMICA DA ÁGUA DO SOLO 11UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA O solo é constituído por fração sólida, líquida e gasosa, sendo componente importante na irrigação, pois além de atuar na sustentação das plantas permite o armazenamento de água e nutrientes. Ao abordar o movimento da água no solo, é necessário caracterizar aspectos físicos que influenciam no processo, tais como granulometria, densidade e porosidade. A granulometria é um parâmetro relacionado principalmente com a formação do solo, como rocha de origem, processo de intemperização e condições edafoclimáticas, em que as proporções de areia, argila e silte se mantém sem alteração por longos períodos. Entretanto, pela diferença de diâmetro das partículas (areia (de partículas e erosão. Em condição próxima à saturação, a água encontra-se pouco retida no solo, porém à medida que ocorre a drenagem, por ação do potencial gravitacional e de pressão, para regiões profundas reduzindo o conteúdo de água na superfície e elevando sua retenção nas partículas do solo por ação do potencial matricial. O potencial matricial é uma importante variável para caracterização da curva de retenção de água no solo, em que no intervalo entre a capacidade de campo (CC) e o ponto de murcha permanente (PMP) encontra-se a água disponível para as plantas. A curva de retenção de água no solo é determinada de forma experimental, em que amostras de solo são submetidas a diferentes níveis de tensão e se determina a umidade para a condição. A diferença entre o conteúdo de água na capacidade de campo (CC) e o ponto de murcha permanente (PMP) é denominada capacidade de água disponível (CAD). Na Figura 3 é apresentado um esquema de curva característica de retenção de água no solo. FIGURA 3. CURVA CARACTERÍSTICA DE RETENÇÃO DE ÁGUA NO SOLO Fonte: BORMA, L. S; RENNÓ, C. D. Infiltração e Movimento da água no solo. INPE, 2017. Disponí- vel em: http://www.dpi.inpe.br/~camilo/prochidr/pdf/02infiltracao_aguanosolo_2.pdf Acesso em: 20 mai. 2022. 14UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA Conforme Reichardt e Timm (2012) considera-se a capacidade de campo (CC) no intervalo entre -10 e -33 kPa, e o ponto de marcha permanente (PMP) próximo à -1.500 kPa. Diferenças na curva de retenção de água no solo podem ocorrer em função da textura, como exemplificado na Figura 4. FIGURA 4. CURVA DE RETENÇÃO DE ÁGUA NO SOLO COM DIFERENTES TEXTURAS Fonte: BERGAMASCHI, H; DALMAGO, G. A; SANTI, A; CUNHA, G. R. A “Seca” no enfoque agro- nômico. Universidade do Rio Grande do Sul. Editora Ideograf. nº 1, pp. 80 - 100, 2011. Disponível em: https:// www.researchgate.net/publication/236144629_A_SECA_no_Enfoque_Agronomico/figures Acesso em: 20 mai. 2022. Solos argilosos tendem a apresentar maior capacidade de retenção de água pela maior proporção de microporos. Entretanto, assim como os demais tipos de solo, à medida que ele vai secando a água torna-se mais fortemente ligada às partículas e torna-se mais difícil de ser removida, sendo que a partir do ponto de murcha permanente (PMP), a planta não é capaz de absorver. Embora o ponto de murcha permanente (PMP) seja o limite crítico para absorção de água pelas plantas, em áreas irrigadas geralmente a reposição é realizada antes de atingir esse nível, permitindo que a água esteja facilmente disponível para as plantas e evitando redução na transpiração e acúmulo de biomassa. A distribuição da água no solo ocorre tanto na vertical quanto na horizontal, forman- do o bulbo úmido que é visualizado principalmente em áreas com irrigação localizada. As características do solo também influenciam na formação do bulbo úmido, como exemplifi- cado na Figura 5, em que o bulbo úmido é indicado com as setas. 15UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA FIGURA 5. REPRESENTAÇÃO DO BULBO ÚMIDO EM SOLO ARGILOSO, FRANCO E ARENOSO Fonte: ÁREA de Hidráulica e Irrigação. Blog Irrigação. Unesp, 2016. Disponível em: https://irrigacao. blogspot.com/2016/07/resumo-aula-13-irrigacao-localizada.html Acesso em: 20 mai. 2022. Solos argilosos tendem a formar bulbo úmido distribuído principalmente na horizon- tal, enquanto solos arenosos a distribuição ocorre principalmente na vertical em função da distribuição de poros (macro e micro) nos solos. A formação do bulbo úmido pode induzir ou limitar o desenvolvimento radicular em zonas de molhamento. Além do movimento de drenagem, no sentido vertical e/ou horizontal, a água pode se movimentar para a planta, em processo de absorção com entrada na zona radicular conforme será discutido no próximo tópico. Ainda, o movimento pode ocorrer para atmosfera em que a água se move da forma líquida para gasosa, sendo mediado pelo gradiente formado pelo potencial atmosférico, esse processo ocorre principalmente na zona superficial do solo sendo denominado de evaporação. Práticas agrícolas como a presença de cobertura sobre a superfície do solo podem reduzir a evaporação, preservando assim a umidade do solo, entretanto a taxa nunca será nula, pois contribui com a taxa de evapotranspiração. Ao analisar a dinâmica da água no solo, observa-se a existência de vários fatores envolvidos no processo, como diferenças potenciais no sistema e características físicas e granulométricas do solo, cuja compreensão torna-se relevante para o planejamento e manejo da irrigação. 3 EVAPOTRANSPIRAÇÃO 16UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA A evapotranspiração (Figura 6) é a soma da evaporação (solo) e a transpira- ção (planta), e refere-se a um determinado volume de água por área por dia, sendo uma importante variável para o dimensionamento e manejo da irrigação. FIGURA 6. REPRESENTAÇÃO DA EVAPOTRANSPIRAÇÃO Fonte: EVAPOTRANSPIRAÇÃO global está aumentando e a oxigenação de lagos diminuindo devido ao aquecimento global antropogênico. Saber Atualizado News, 2021. Disponível em: https://www. saberatualizadonews.com/2021/06/evapotranspiracao-global-esta.html Acesso em: 20 mai. 2022. A evaporação da água do solo foi abordada no tópico anterior, entretanto antes de analisar o aspecto global da evapotranspiração deve-se considerar o processo de transpiração realizado pelas plantas. Assim como abordado anteriormente, a água se movimenta no sistema através de diferença potencial, na planta o processo é semelhante. TÓPICO 17UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA Intuitivamente a raiz é comparada como uma “bomba”, recalcando água do solo para parte aérea, porém não é ela que exerce força para o fluxo, mas sim o gradiente potencial na folha. A água se movimenta de forma contínua do solo para raiz, da raiz para o caule, do caule para as folhas e das folhas para a atmosfera. Nesse fluxo, não pode existir falhas visto que afetaria imediatamente o metabolismo da planta. O ar da atmosfera apresenta grande capacidade de absorção de água na forma de vapor, sendo essa capacidade variável com a temperatura é associada à umidade relativa. O potencial exercido pelo ar sobre as plantas e solo para absorção de água é inversamente proporcional a sua umidade relativa, ou seja, em condição de baixa umidade relativa, o ar exerce maior potencial para absorção de água. Conforme apresentado na Tabela 1. Na superfície das folhas é formado um gradiente potencial (folha-ar) em que há movimento da água na forma de vapor da planta para a atmosfera. Essa troca é mediada pelo gradiente que é responsável pelo fluxo ascendente da água do solo para as folhas. Porém, como a disponibilidade de água no solo não é constante, na presença da condição de déficit hídrico no solo há a sinalização hormonal que provoca o fechamento estomático e alterações da morfologia visando reduzir a área superficial das folhas e assim preservar a integridade hídrica da planta. O processo de transpiração está relacionado a diferentes processos metabólicos como: atividade fotossintética, assimilação de carbono e fluxo de nutrientes, presença de déficit hídrico e fechamento estomático, o que reduz parcialmente a atividade metabólica e desenvolvimento da planta. A evapotranspiração refere-se à soma da evaporação e da transpiração ao considerar que há a interação entre os componentes solo-planta, na disponibilidade de água e na interação com a atmosfera. No contexto agrícola, principalmente da irrigação, a evapotranspiração está relacionada a dois termos: a evapotranspiração de referência (ETo) e a evapotranspiração da cultura (ETc). A evapotranspiração de referência (ETo) refere-se a demanda hídrica em uma região para uma cultura de porte baixo, normalmente grama,sem limitação de água no solo, em que a demanda é influenciada apenas pelas condições climáticas (temperatura, umidade relativa, velocidade do vento, radiação e horas de sol). A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU) determinou a equação de Penman-Monteith como mais adequada para determinação da ETo, sendo apresentada a seguir: 18UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA ● ETo: evapotranspiração de referência (mm d-1). ● Δ: declividade da curva de pressão de vapor (kPa °C-1). ● Rn: saldo diário de radiação (MJ m-2 d-1). ● G: fluxo diário de calor no solo (MJ m-2 d-1). ● γ: constante psicométrica (kPa °C-1). ● Tmed: temperatura média diária do ar (°C). ● u2: velocidade média diária do vento a 2 m de altura (m s-1). ● es: pressão de saturação do vapor d’água média diária (kPa). ● ea: pressão de vapor d’água média diária (kPa). Para determinação adequada da ETo, são necessários dados locais, provenientes de estações meteorológicas. Outros métodos podem ser empregados, entretanto deve-se considerar as características e a precisão do mesmo. Por exemplo, o tanque classe A (Figura 7) é um método simples e de baixo custo que consiste na determinação da evapotranspiração direta da água. FIGURA 7. TANQUE CLASSE Fonte: MANEJO da água de irrigação - tanque classe A. Jornal Agrícola, 2011. Disponível em: https://jornalagricola.wordpress.com/2011/08/06/manejo-da-agua-de-irrigacao/tanque-classe-a/ Acesso em: 20 mai. 2022. 19UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA Na utilização do tanque classe A, para determinação da ETo deve-se realizar um ajuste em função das características do meio em que encontra-se instalado. ● ETo= EVTCA x Kp Em que, ● ETo = evapotranspiração de referência (mm d-1). ● EVTCA = evaporação do tanque classe A (mm d-1). ● Kp = coeficiente de correção (adimensional). Os valores de coeficiente do tanque, tanque propostos por Doorenbos & Pruitt (1977) e apresentados por Cunha et al. (2013) encontram-se na Figura 8. FIGURA 8. COEFICIENTE DO TANQUE CLASSE A DE ACORDO COM CONDIÇÕES LOCAIS Fonte: CUNHA et al. (2013, p. 36). Para determinar a evapotranspiração da cultura (ETc) é considerado a ETo e o coeficiente da cultura (Kc), sendo variável com o estádio de desenvolvimento da cultura. ● ETc = ETo x Kc ● Em que, ● ETc = evapotranspiração da cultura (mm d-1). ● ETo= evapotranspiração de referência (mm d-1). ● Kc= coeficiente da cultura (adimensional). 20UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA No desenvolvimento inicial da cultura os valores de Kc tendem a ser menores que 1, em que o componente evaporação contribui com maior intensidade na taxa de evapotranspiração. No decorrer do desenvolvimento da planta, com maior demanda hídrica o Kc tende a ser elevado com máximo na fase reprodutiva. Ao final do ciclo o Kc tende a reduzir considerando a fase de maturação. A representação da variação do Kc no ciclo é apresentada na Figura 9. FIGURA 9. COEFICIENTE DA CULTURA (KC) NO DECORRER DO CICLO Fonte: JUNIOR TOLENTINO, J. B. Irrigação Pressurizada. Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências Rurais - CCR, 2022. Disponível em: https://irrigacao.tolentino.pro.br/ intro.html Acesso em: 20 mai. 2022. Os valores de Kc para as diferentes culturas são apresentados no Boletim 56 da FAO (Allen et al., 1998). Entretanto, estudos locais vêm sendo desenvolvidos para ade- quação dos valores de Kc para condições locais e analisando as respostas de diferentes variedades, cultivares ou híbridos de mesma espécie. 21UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA TABELA 1. COEFICIENTE DA CULTURA (KC) PARA DIFERENTES ESPÉCIES DE INTERESSE AGRÍCOLA Fonte: Adaptado do Boletim 56 da FAO (Allen et al., 1998, p. 63). A determinação da ETc, considerando o estádio fenológico do cultivo, permite a irrigação de forma precisa, evitando a reposição hídrica com déficit ou excesso, e tornando mais eficiente a utilização dos recursos (água, energia e mão-de-obra). A maior demanda das culturas ocorre na etapa intermediária, que corresponde ao desenvolvimento de órgãos reprodutivos (frutos, flores e inflorescência). O dimensionamento de sistemas de irrigação considera a situação com maior demanda, em que o sistema tenha capacidade de operar fornecendo o volume adequado de água. Em sistemas de cultivo protegido, em que a irrigação é a única entrada de água no sistema, a determinação adequada da ETc é fundamental para o manejo hídrico adequado. Em cultivos a campo, a irrigação atua de forma complementar, fornecendo água em períodos onde a entrada de água pela chuva não ocorre ou não apresenta intensidade suficiente para demanda. Nessa condição, além de determinar a demanda da cultura é necessário realizar o balanço de água no solo, como será discutido no tópico seguinte. Cultura Estádio Inicial Intermediário Final Brócolis, couve-flor, repolho e cenoura 0,7 1,05 0,95 Tomate e pimentão 0,6 1,05-1,15 0,7-0,9 Melancia 0,4 1,00 0,75 Feijão 0,4 1,15 0,35 Trigo 0,7 1,15 0,25-0,4 Cana-de-açúcar 0,4 1,25 0,75 4 BALANÇO HÍDRICO 22UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA O balanço hídrico (BH) permite a análise do conteúdo de água no solo por meio do balanço de entradas e saídas de água no sistema. É uma ferramenta de gestão da água que considera fatores climáticos, características do solo e da cultura. No balanço hídrico são consideradas entradas de água no sistema a chuva (P), o orvalho (O), irrigação (I), o escorrimento superficial (Ri), o escorrimento sub-superficial (DLi) e a ascensão capilar (AC). As saídas de água ocorrem através da evapotranspiração (ET), escorrimento superficial (Ro), escorrimento sub-superficial (DLo) e drenagem profunda (Dp). Dessa forma a variação do armazenamento de água no solo (ΔARM) é determinada conforme equação a seguir. Entretanto, alguns parâmetros são anulados na equação em função da baixa contribuição devido às condições locais, como o orvalho (O), a ascensão capilar (AC) e os fluxos horizontais (Ri, DLi, RO e DLo). Dessa forma, as principais entradas ocorrem por meio da chuva (P) e da irrigação (I) e as principais saídas por meio da evapotranspiração (ET) e da drenagem profunda (DP). Em cultivos irrigados, a saída de água por drenagem profunda (Dp) após a irrigação indica falha no manejo, sendo que para determinar a lâmina (volume de água aplicado por unidade de área (mm)), é considerado a zona radicular da cultura, conforme será abordado nas próximas unidades. TÓPICO 23UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA Para análise do balanço hídrico são necessários dados climáticos locais, obtidos por meio de estações meteorológicas (convencionais ou automáticas), sendo para alguns municípios disponibilizados pelo INMET (Instituto Nacional de Meteorologia). Os balanços hídricos são geralmente calculados pelo método Thornthwaite e Mather (1955) para dados mensais. Para a adequada determinação devem ser considerados dados com intervalo mínimo de dez anos. O balanço hídrico mensal permite analisar períodos (mensais) de déficit ou excedente de água para determinada região. Um exemplo de balanço hídrico é apresentado na Figura 10 no qual Lopes et al. (2021) determinaram o balanço hídrico mensal para o município de Paranavaí-PR considerando o intervalo de dados climatológicos de 1975 a 2018. FIGURA 10. BALANÇO HÍDRICO CLIMATOLÓGICO PELO MÉTODO DE THORNTHWAITE E MATHER (1955), PARA O MUNICÍPIO DE PARANAVAÍ, PARANÁ, NO PERÍODO DE 1975 A 2018 Fonte: Lopes et al. (2021, p. 62). Conforme a Figura 10, no município de Paranavaí-PR o mês de agosto apresenta déficit hídrico com saída de água maior que a entrada, indicando o mês com maior possibilidade de demandade água via irrigação. Embora o balanço hídrico mensal permita analisar o contexto no decorrer do ano, ao se utilizar de dados mensais pode-se obter equívocos de interpretação, pois os dados de precipitação mensal não consideram a distribuição e intensidade de chuvas durante o mês, mas apenas o valor acumulado. Dessa forma, o balanço hídrico pode ser realizado também de forma decendial ou semanal, exigindo, porém, maior volume de dados. 24UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA 24UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA O balanço hídrico pode ser realizado também para acompanhamento da safra, considerando dados específicos do período analisado ou da safra em andamento. Nessa condição pode ser calculado o balanço hídrico diário, permitindo que os dados auxiliem no manejo agrícola, principalmente na determinação da necessidade de irrigação. O INMET possui uma ferramenta online denominada Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (SISDAGRO) que auxilia o monitoramento diário do balanço hídrico e permite estimar perdas de produtividades associadas ao déficit hídrico. Para realização do balanço hídrico, considera dados para regiões com estação meteorológica do INMET, dados da cultura e do solo, sendo possível inclusive simular condições de cultivo sequeiro e cultivo irrigado. “A agricultura irrigada é uma das principais estratégias brasileiras para garantir o aumento da produção de alimentos com sustentabilidade: (I) social com a geração de inú- meros empregos diretos e indiretos, (II) ambiental com a área adicional irrigável de cerca de 15 Mha, no período de 30 anos, não necessitar o desmatamento de novas áreas (“desma- tamento zero”), e (III) econômica devido ao aumento da produção e, consequentemente, da renda no campo, na agroindústria e na área de serviços”. Fonte: PAOLINELLI, A.; DOURADO NETO, D.; MANTOVANI, E. C. Diferentes abordagens sobre agricultura irrigada no Brasil: história, política pública, economia e recurso hídrico. Piracicaba: ESALQ -USP, 2021. “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas”. (Mário Quintana) CONSIDERAÇÕES FINAIS 25UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA Como apresentado na unidade, a dinâmica da água no sistema agrícola, que envolve solo, planta e atmosfera, apresenta diversos fatores que afetam o processo e interagem entre si. A assimilação dos conceitos iniciais, dos componentes do sistema e do processo de movimento da água no contexto agrícola é fundamental para formação de uma base sólida, facilitando a compreensão de conceitos que serão abordados nas próximas unidades. Antes de dimensionar e manejar sistemas de irrigação e drenagem é fundamental conhecer os parâmetros envolvidos, evitando falhas no manejo que resultem em aspectos negativos para produtividade da cultura, integridade do solo e viabilidade econômica. O manejo da água na agricultura é um processo dinâmico e complexo, que neces- sita de critérios para tornar a utilização dos recursos naturais mais eficiente e precisa. LEITURA COMPLEMENTAR 26UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA ARTIGO 1: MODELAGEM DA DINÂMICA DA ÁGUA EM SISTEMAS DE PREPARO DE UM LATOSSOLO VERMELHO A dinâmica da água no solo é um dos principais fatores que determinam o potencial produtivo das culturas agrícolas, sendo que uma importante ferramenta para modelagem do fluxo de água no solo é o modelo agro-hidrológico Soil Water Atmosphere Plant (SWAP). Nesse sentido, objetivou-se utilizar o modelo SWAP na simulação da dinâmica da água em um Latossolo Vermelho Distroférrico com sistemas de preparo do solo de longo prazo. O fluxo de água no solo foi simulado diariamente na camada de 0-50 cm em três sistemas de preparo do solo (plantio direto, preparo reduzido com escarificação anual e preparo con- vencional). Foram utilizados dados agrometeorológicos do período de 01/2001 a 11/2013 para o fluxo de água no solo. A fração da água disponível foi influenciada pelo sistema de preparo do solo. Fonte: MORAES, M. T; DEBIASI, H; FRANCHINI, J. C. Modelagem da dinâmica da água em sistemas de preparo de um latossolo vermelho. Revista Scientia Agraria, vol. 19, nº 1, pp. 142- 152. Curitiba, 2018. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/agraria/article/ view/52216/35116 Acesso em: 20 mai. 2022. ARTIGO 2: EVAPOTRANSPIRAÇÃO E COEFICIENTE DE CULTURA DA CENOURA IRRIGADA NO AGRESTE ALAGOANO O consumo hídrico de uma cultura é uma das principais informações necessárias para o manejo adequado da irrigação e um plano eficiente de uso da água. O objetivo deste trabalho foi encontrar o coeficiente de consumo de água para cultura da cenoura, compa- rando métodos de evapotranspiração de referência para a região agreste de Alagoas. O experimento foi realizado no Campus Arapiraca da Universidade Federal de Alagoas, loca- lizado na mesorregião Agreste do Estado. Foram utilizados cinco lisímetros de drenagem, com uma área de superfície de 0,07 m2, em que a determinação da evapotranspiração da cultura foi realizada diariamente, por meio de coletas de água dos drenos, obtidas direta- mente dos lisímetros de drenagem. O coeficiente de cultivo foi calculado pela relação entre evapotranspiração da cultura e a de referência. https://revistas.ufpr.br/agraria/article/view/52216/35116 Acesso em: 20 mai. 2022. https://revistas.ufpr.br/agraria/article/view/52216/35116 Acesso em: 20 mai. 2022. 27UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA Fonte: SILVA, J. C; SANTOS, D. P; OLIVEIRA, W. J. et al. Evapotranspiração e coeficiente de cultura da cenoura irrigada no agreste alagoano. Revista Ceres, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0034-737X201865040001 Acesso em: 20 mai. 2022. ARTIGO 3: ESTIMATIVA DA DEMANDA HÍDRICA DA SOJA UTILIZANDO MODELO DE BALANÇO HÍDRICO DO SOLO E DADOS DA PREVISÃO DO TEMPO A estimativa da demanda hídrica dos cultivos em tempo real e futuro pode contribuir para a maior eficiência do uso da água na agricultura irrigada. O presente estudo teve como objetivo estimar o requerimento hídrico da soja, utilizando o modelo de balanço hídrico CROPWAT com dados da previsão do tempo para o cálculo da evapotranspiração de refe- rência (ETo). Para isso, o estudo foi conduzido em duas etapas: coleta de dados de solo, da previsão meteorológica e da cultura em três anos agrícolas: 2017/18, 2018/19 e 2019; modelagem das condições observadas a campo pelo modelo CROPWAT. A modelagem foi eficiente (d=0,99) para a estimativa da capacidade de água disponível no solo, apre- sentando baixo erro (RMSE = 2,18 mm) em comparação aos valores medidos a campo, resultando na recomendação da lâmina de irrigação igual à aplicada na cultura, sendo está de 132, 135 e 60 mm, respectivamente, para os anos agrícolas 2017/18, 2018/19 e 2019. A utilização do modelo de balanço hídrico do solo CROPWAT com dados da previsão do tem- po para o cálculo da evapotranspiração de referência pode ser utilizada como ferramenta para a estimativa do requerimento hídrico da soja na região edafoclimática de Cachoeira do Sul-RS. Fonte: OLIVEIRA, Z. B; KNIES, A. E; BOTTEGA, E. L.; MORAES DA SILVA, C. Es- timativa da demanda hídrica da soja utilizando modelo de Balanço Hídrico do solo e dados da previsão do tempo. Revista Irriga, [S. l.], v. 25, n. 3, p. 492–507, 2020. Disponível em: https://revistas.fca.unesp.br/index.php/irriga/article/view/3973 Acesso em: 25 mai. 2022. https://doi.org/10.1590/0034-737X201865040001 https://revistas.fca.unesp.br/index.php/irriga/article/view/3973 MATERIAL COMPLEMENTAR 28UNIDADE 1 DINÂMICA DA ÁGUA NO SISTEMA SOLO, PLANTA E ATMOSFERA LIVRO Título: Solo, Planta e Atmosfera. Conceitos, processos e aplica- ções Autor: Klaus Reichardt e Luís Carlos Timm. Editora:Manole. Sinopse: Em sua terceira edição revisada, atualizada e amplia- da, este livro parte de uma base introdutória muito simples, facilmente acessível e sem requerer muitos conceitos prévios sobre solos, plantas e atmosfera, chegando, de uma forma didática, a um tratamento avançado do assunto. [...] vários assuntos científicos são levados até a fronteira da pesquisa agronômica. Com um conteúdo compreensível e equilibrado, este livro inclui índice temático sobre os principais conceitos e processos, além de extensa lista de referências bibliográficas, o que faz dele também uma obra de consulta. FILME/VÍDEO Título: Água: Essência da vida Ano: 2017. Sinopse: Entre todas as substâncias complexas que encontra- mos no universo, a água é aparentemente uma das mais sim- ples e ainda assim a mais fundamental para o funcionamento do nosso planeta. Link do vídeo: https://youtu.be/Cst5qxzCBfc . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos ● Hidrostática e hidrodinâmica; ● Dimensionamento de sistema de irrigação; ● Eficiência e uniformidade. Objetivos da Aprendizagem ● Compreender conceitos de hidrostática e hidrodinâmica; ● Entender os fatores envolvidos no dimensionamento de sistemas de irrigação; ● Estabelecer a importância da eficiência de aplicação de água e uniformidade do sistema. 2UNIDADEUNIDADE ENGENHARIA APLICADA ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM Professor Mestre Gustavo Soares Wenneck INTRODUÇÃO A engenharia envolve conhecimentos de diversas áreas, visando promover benefícios para os processos de produção. O dimensionamento de sistemas é uma etapa crítica, que na irrigação envolve conhecimentos das ciências exatas e agrárias. Nesta unidade, serão analisados as etapas envolvidas no dimensionamento, sendo considerado as característica do fluxo na tubulação, os componentes do sistema, a demanda de água na área de cultivo, a determinação de perdas de carga em todos trechos do sistema, a seleção de componentes como tubos, peças especiais e motobomba e o layout do projeto. A princípio o conteúdo pode gerar certa preocupação com a quantidade de equações e cálculos envolvidos, porém esses são necessários para o dimensionamento criterioso e com segurança, garantindo que as características da operação sejam similares às condições requeridas e projetadas. Durante o estudo, análise de forma crítica e detalhada cada etapa, pois será funda- mental para compreender os processos envolvidos na irrigação. Compreender a dinâmica de funcionamento do sistema permite não apenas dimensionar de forma precisa, como realizar adequações em sistemas em funcionamento. Bom estudo! 30UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM A hidrostática e hidrodinâmica são ramos da engenharia e da física que analisam o comportamento dos fluidos no sistema, que na irrigação é a água. Embora características associadas a pureza e temperatura influenciam nas propriedades físicas da água, comu- mente se adota que sua densidade é igual a 1 e sua massa específica é igual 1.000 kg m-3. Como já estudado na disciplina de hidráulica, as propriedades do fluido influenciam nas características do seu movimento. Na irrigação, o transporte de fluídos (água) ocorre em tubulações, e ao considerar que a água não pode ser comprimida em condições normais, diferenças nos diâmetros dos tubos e na vazão alteram o fluxo, principalmente em relação a velocidade. Conforme a equação da continuidade, na presença de variação da área da seção transversal ocorre alteração na velocidade do fluido. O escoamento da água na tubulação pode apresentar caráter laminar ou turbulen- to. Para melhor eficiência do sistema, os projetos visam manter o escoamento em regime laminar, sendo que em regime turbulento há elevadas perdas de carga. Para manter o regime laminar, a água é conduzida a velocidades iguais ou inferiores a 2 m s-1, sendo um parâmetro crítico, principalmente na determinação do diâmetro da tubulação. O fluxo pode ser classificado como laminar, transição ou turbulento conforme o número de Reynolds, considerando característica do líquido e do tubo. 1 HIDROSTÁTICA E HIDRODINÂMICA 31UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM TÓPICO 32UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM FIGURA 1. CARACTERÍSTICA DO MOVIMENTO DO FLUIDO EM FLUXO LAMINAR E TURBULENTO A pressão é outra variável relevante para condução de fluidos em tubulações, sendo atribuída em caráter dimensional a uma força exercida em determinada área, cuja variação ao longo de uma linha de irrigação, embora existente, deve ser minimizada. A pressão pode ser medida em qualquer ponto do sistema, por meio de manômetros, podendo ser expressa em kgf cm-3, metros de coluna d' água (mca), bar ou atm, em que 1 kgf cm-2 equivale a 10 mca, a 0,98 bar, e 0,9678 atm. Além disso, no movimento da água nas tubulações há influência da Lei de Stevin e do princípio de Pascal. As perdas de carga verificadas ao longo da tubulação podem ser divididas em perdas de carga localizada ou contínua. Na perda de carga localizada há perturbação do fluxo associado a presença de conexões, derivações ou presença de peças especiais que alteram a continuidade da tubulação em um ponto específico. Na perda de carga contínua, a perturbação ocorre em função do atrito gerado entre a água com a parede interna da tubulação, ocorrendo ao longo de todo percurso. FLUXO TURBULENTO FLUXO LAMINAR 33UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM Para o cálculo da perda de carga contínua é normalmente utilizado o método de Hazen-Williams, conforme a seguinte equação: Em que, hf = perda de carga (mca). Q = vazão (m3 s-1). L= comprimento do tubo (m). D= diâmetro do tubo (m). C = coeficiente do tubo. O coeficiente do tubo (C) varia de 70 a 140 de acordo com as características do material de fabricação do tubo. Para tubo de aço galvanizado C = 130, para tubo de cobre e latão C=130, para tubo de PVC até 75 mm de diâmetro C= 125, para tubo de PVC até 100 mm de diâmetro C= 135, e para tubo de PVC maior que 100 mm de diâmetro C=140. Para determinação da perda de carga localizada se adota o método do comprimen- to equivalente, onde é acrescentado um valor virtual de tubulação que equivale a perda de carga gerada pela peça especial, sendo os valores padronizados conforme Figura 2. FIGURA 2: COMPRIMENTOS EQUIVALENTES GERADOS POR PERDAS LOCALIZADAS DE PEÇAS ESPECIAIS AO LONGO DA TUBULAÇÃO Fonte: PROPRIEDADES dos Sistemas Hidráulicos. Projetap – Engenharia de Projetos, online. https://projetap.com.br/confraria/propriedades-dos-sistemas-hidraulicos/ Acesso em: 20 mai. 2022. 34UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM As peças especiais são utilizadas conforme necessidades do projeto, como curvas e cotovelos que permitem mudanças na direção da tubulação, bifurcação em “T” e ampliação ou redução no diâmetro da tubulação. Entretanto algumas peças são fundamentais, como registros de gaveta na entrada e saída da motobomba, ea válvula de retenção. O registro na entrada da motobomba é utilizado principalmente onde o reservatório está em nível acima da motobomba, em que a própria gravidade é capaz de induzir a entrada de água no sistema, mesmo que a pressão gerada não permita a emissão nos emissores. O registro da saída permite, além do controle de fluxo, o controle da pressão na saída da motobomba. As válvulas de retenção são importantes para evitar que a água presente na tubulação, retorne a motobomba ao cessar seu funcionamento, forçando movimento contrário no rotor e eixo, que compromete à conservação e funcionamento do sistema. Para o cálculo da perda de carga total, considera-se a soma da perda de carga contínua e localizada. A equação de Hazen-Williams é utilizada para análise da perda de carga e dimensionamento dos componentes que compõem o sistema de irrigação, como será abordado no decorrer do próximo tópico. TÓPICO 2 DIMENSIONAMENTO DE SISTEMA DE IRRIGAÇÃO 35UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM O dimensionamento do sistema de irrigação envolve a determinação do volume de água necessário, a dimensão das linhas de condução de água (principal e laterais) e da motobomba. Para determinação do volume de água necessário, dados físico-hídricos do solo como umidade na capacidade de campo (CC) e no ponto de murcha permanente (PMP), e densidade do solo (Da) são necessários. Além de parâmetros relacionados à cultura, como profundidade do sistema radicular (Z) e o fator de disponibilidade (f). O fator de disponibilidade (f) está relacionado à proporção de água disponível que será utilizada. Se considerar que à medida que o solo seca a tensão matricial se torna maior, indicando maior dificuldade para remoção do solo (como apresentado na Unidade I), o fator é variável com as características da cultura. Valores recomendados por Mantovani, Bernardo e Palaretti (2012) são apresentados na Tabela 1. 36UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM TABELA 1. VALORES RECOMENDADOS PARA O FATOR DE DISPONIBILIDADE (F) Fonte: Adaptado de: Mantovani, Bernardo e Palaretti (2012, p. 20). Dessa forma, o volume de água necessária ou lâmina líquida de irrigação (LLI) é calculado conforme equação a seguir: Em que, LLI= lâmina líquida de irrigação (mm). CC = umidade na capacidade de campo (% massa). PMP= umidade no ponto de murcha permanente (% massa). Da = densidade do solo (g cm-3). Z= profundidade do sistema radicular (cm). f= fator de disponibilidade (conforme Tabela 1). Ao se determinar o volume líquido de água deve-se realizar um ajuste no volume em função do sistema de irrigação adotado, sendo relacionado a sua eficiência de aplicação. Conforme Mantovani, Bernardo e Palaretti (2012), a eficiência média para sistemas de irrigação por sulco é de 50 a 70%, para irrigação por aspersão de 80 a 90%, para pivô central de 85 a 95% e para irrigação localizada de 90 a 95%. Para a correção considera-se a equação a seguir: Em que, LBI= lâmina bruta de irrigação (mm). LLI=lâmina líquida de irrigação (mm). Ea = eficiência de aplicação do sistema (decimal). Sendo definido o volume de água necessário para reposição, deve-se calcular o intervalo entre irrigações, com base na evapotranspiração da cultura. Para fins de dimensionamento considera-se o valor de ETc máximo durante o ciclo, de acordo com Cultivo Fator de disponibilidade (f) Hortaliças 0,2 a 0,4 Frutas e forrageiras 0,3 a 0,5 Culturas anuais 0,4 a 0,6 37UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM o local de cultivo. Para definir o intervalo entre irrigações é dividida a LLI pela ETc máximo, sendo o valor expresso em dias. Esse parâmetro é denominado Turno de Rega (TR). O tempo necessário de irrigação será determinado de acordo com a intensi- dade de aplicação (Ia) do sistema, sempre observando que: Essa premissa é necessária para que o volume de água aplicado não seja superior à taxa de infiltração de água no solo. Caso a IA seja maior que a VIB ocorre acúmulo de água na superfície, com potencial de provocar erosão em nível laminar ou em sulco. Ao serem definidos parâmetros relacionados a lâmina, que representa o volume de água em litros por metro quadrado e é expressa em mm, se dimensiona características do projeto de irrigação de acordo com a área total de cultivo. O primeiro aspecto está relacionado ao layout do sistema que deve considerar: I) A distribuição do sistema em relação ao reservatório; II) A topografia do terreno; III) A menor distância para se transportar a água. Na definição do layout do sistema considera-se as seções de irrigação e a distri- buição das linhas (principal, de derivação e laterais). A linha principal é a que transporta a água a partir da motobomba a área de cultivo, apresenta o maior volume de água. Da linha principal podem existir linhas de derivação, que fazem o intermédio entre linha principal e linha lateral, ou diretamente às linhas laterais que possuem os emissores para aplicação da água. Na Figura 3 é apresentado um sistema de irrigação por aspersão, com linhas late- rais derivando diretamente da linha principal. Intensidade de aplicação (Ia)como apresentado na Figura 5. 40UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM FIGURA 5. CARACTERÍSTICAS OPERACIONAIS DO ASPERSOR AGROPOLO N-30 Fonte: AGROPOLO: Este irriga o Brasil. Nnrepresenta, 2010. Disponível em: http://nnrepresenta. com.br/catalogos/catlogo-agropolo.pdf Acesso em: 20 mai. 2022. Ao definir o diâmetro da tubulação das linhas laterais deve-se considerar a variação da pressão ao longo da linha. Por critério, a variação não pode ser superior a 20%, conside- rando a perda de carga e variações (+ ou -) por desnível ao longo da linha lateral. Logo, a perda de carga admissível na linha lateral é: hf= 0,2xPS ± Dn Em que, hf = perda de carga (mca). PS=pressão de serviço (mca). Dn= desnível na linha lateral (m). O valor do desnível pode ser positivo (+) se houver aclive do início ao final da linha lateral, e negativo (-) se houver declive. Caso não exista diferença de nível na linha Dn=0. Sendo definido a perda de carga admissível (hf) é determinado a perda de carga fictícia (hf’) pelo fator de múltiplas saídas, associado ao número de aspersores na linha lateral e calculado conforme a seguinte equação: em que F é calculado pela equação: 41UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM Cujo, F= fator de múltiplas saídas. M= 1,85 (expoente da vazão na equação de Hazen-Williams). n = número de aspersores. Sendo calculado hf’ é determinado o diâmetro da tubulação da linha lateral confor- me equação a seguir: Em que, D= diâmetro da linha lateral (m). Q = vazão total da linha lateral (m3 s-1). C= coeficiente de rugosidade do tubo. L= comprimento da linha lateral (m). hf’= perda de carga fictícia (mca). Sendo calculado o diâmetro é verificar a disponibilidade de tubo comercial de mes- mo diâmetro, caso não seja adotado o próximo superior. A adoção de tubo de diâmetro comercial maior que o diâmetro calculado é adotado apenas para o trecho de recalque da água, a partir da motobomba até o emissor. Para seção de sucção (do reservatório à motobomba) é adotado diâmetro comercial inferior ao calculado. A próxima etapa do dimensionamento é determinar a pressão necessária no início da linha da linha lateral, sendo observado aspectos como altura e pressão de serviço dos aspersores, desnível da linha e perda de carga conforme equação: Em que, PinLL= pressão no início da linha lateral (mca). PS= pressão de serviço dos aspersores (mca). hf= perda de carga na linha (mca). Dn = desnível no decorrer da linha (m). 42UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM Sendo definido a pressão no início da linha lateral (PinLL), é calculado então a perda de carga no trecho da motobomba ao início da linha lateral conforme equação de Hazen-Williams. Ao calcular a perda de carga na linha principal, deve-se considerar a vazão e o trecho conforme layout do projeto. Se o sistema é móvel, a perda de carga deve ser determinada para configuração com maior demanda (distância de tubos e vazão). Para definir características da motobomba é considerado as perdas de carga, pres- são e variação de nível desde a sucção (entrada de água no sistema) ao último aspersor (ou saída de água). Para seleção de motobombas é considerado a vazão e altura manométrica requerida, calculada conforme equação: Em que, Hm = altura manométrica (mca). PinLL= pressão no início da linha lateral (mca). hfLP = perda de carga na linha principal (mca). ΔZLP = variação de nível na linha principal (m). hfLR = perda de carga na linha de recalque (mca). ΔZLR = variação de nível na linha de recalque (m). hfLS = perda de carga na linha de sucção (mca). ΔZLS = variação de nível na linha de sucção (m). hfL= perda de carga localizada (mca). Conforme Mantovani, Bernardo e Palaretti (2012), considera-se como perda de carga localizada (hfL) de 3 a 5% das perdas de carga do sistema, como fator de segurança do projeto. Ainda, para definir as características da motobomba é calculado a potência pela equação: Em que, Pot= potência (cv). Q = vazão do sistema (L s-1). Hm = altura monométrica (mca). Eb= eficiência da bomba (%). Em = eficiência do motor (%). 43UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM Tendo definido a altura manométrica e vazão do sistema, e a potência da bomba é realizada a seleção do conjunto motobomba, sendo analisado o catálogo de fabricantes conforme Figura 6. FIGURA 6. CARACTERÍSTICAS DE MOTOBOMBAS CENTRÍFUGAS MONOESTÁGIO MODELO BC-92 - ROTOR FECHADO Fonte: TABELA de seleção de bombas e motobombas. Schneider MotoBombas, 2019. Dispo- nível em: https://schneidermotobombas.blob.core.windows.net/media/264019/schneider_tabela_sele- cao_01-2019_rev08.pdf Acesso em: 20 mai. 2022. As motobombas utilizadas em sistemas de irrigação geralmente são centrífugas de monoestágio ou multiestágio. As motobombas de monoestágio apresentam como ca- racterística de funcionamento fornecer elevada vazão com baixa pressão, enquanto as motobombas de multiestágio fornecem alta pressão e baixa vazão. A irrigação é normalmente realizada utilizando um reservatório de onde é realizada a sucção da água pela motobomba. Para o fornecimento de água para o reservatório é utilizado outra motobomba, sendo utilizado motobomba submersa com multiestágios quan- do a origem da água é de poço. No caso da irrigação ser realizada com água oriunda de fontes superficiais, como rios e lagos, o sistema pode ser único com sucção de água pela motobomba diretamente da fonte. Na motobomba, o rotor é um componente que pode apresentar variação podendo ser fechado, semiaberto e aberto (Figura 7). 44UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM FIGURA 7. CARACTERÍSTICAS DE ROTOR FECHADO, SEMIABERTO E ABERTO Fonte: SERRANO, R. O. P. Metodologia para avaliação de desgaste abrasivo em pás de rotor de bombas centrífugas de estação elevatória. Universidade Federal de Minas Gerais. Programa de Pós- -Graduação em Engenharia Mecânica – Belo Horizonte, 2017. Disponível em: https://www.researchgate. net/publication/327970805_METODOLOGIA_PARA_AVALIACAO_DE_DESGASTE_ABRASIVO_EM_PAS_ DE_ROTOR_DE_BOMBAS_CENTRIFUGAS_DE_ESTACAO_ELEVATORIA_RODRIGO_OTAVIO_PEREA_ SERRANO Acesso em: 20 mai. 2022. A variação ocorre em função das características do líquido movimentado. Para água limpa é adotado rotor fechado. Em alguns cenários de manejo pode ser realizado a irrigação com água proveniente de processos industriais, como vinhaça, que pode conter resíduos sólidos que comprometem o funcionamento do motor. Nesse caso, é utilizado rotor semiaberto ou aberto, dependendo das características da água. Para o dimensionamento é considerado cenário com maior demanda, represen- tando períodos críticos para utilização da irrigação, em que o sistema deve ser capaz de satisfazer as condições requeridas. Os projetos são realizados a partir de condições locais, nesse cenário há necessidade de se verificar todos os fatores envolvidos e condições de funcionamento do sistema. 3 EFICIÊNCIA E UNIFORMIDADE TÓPICO 45UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM A eficiência do sistema de irrigação está baseada na capacidade de aplicar a água na lavoura em volume, intensidade e uniformidade conforme o projeto, permitindo que os recursos empregados sejam convertidos em biomassa e/ou grãos. De forma direta, está relacionado ao volume de água aplicado e retido no solo em relação ao volume projetado. A uniformidade está relacionada ao volume de água que cada unidade área recebe durante a irrigação. A uniformidade está diretamente relacionada aos emissores e ao projeto. Os emissores (aspersores e gotejadores) devem apresentar similar vazão durante o funcionamento do sistema, pois apresentam mesmas características (mesmo modelo) e pressão de serviço similar, com variação apenas em função das perdas de carga, mas já consideradas no projeto. Ao realizar a análise do sistema alguns pontos sãofundamentais: I) Espaçamento dos emissores- devem estar de acordo com as especificações do projeto, sendo observado as características técnicas e recomendações do fabricante. II) A pressão e vazão – em diferentes trechos do sistema de irrigação, devem apresentar similaridade com o projeto. A pressão pode ser mensurada com manômetro em diferentes pontos do sistema. III) Aplicação real da água - o volume aplicado tem que atingir a zona radicular, onde há o armazenamento temporal e reposição conforme fator de disponibilidade adotado no projeto. Solo com baixa variação da umidade nos períodos antes e após a irrigação ou com excesso de água, com acúmulo superficial e escoamento são características de falhas na irrigação. 46UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM IV) Condições climáticas - Podem influenciar na relação entre o volume na saída do emissor e a quantidade que atinge o solo. Das condições climáticas que podem influenciar no funcionamento do sistema, a velocidade do vento é a que apresenta maior impacto nos parâmetros de eficiência. V) Estado de conservação dos componentes – no decorrer do tempo ocorre des- gaste esperado dos componentes, que pode influenciar diretamente na lâmina aplicada. Conforme Frizzone et al. (2018), a uniformidade e eficiência do sistema de irrigação pode ser mensurada através de coletas realizadas na área irrigada e determinadas por meio do coeficiente de Christiansen (CUC), coeficiente de Wlicon-Swailes ou coeficiente estatístico (CUE) e coeficiente de distribuição (CUD), baseados principalmente no desvio- -padrão das lâminas coletadas, conforme equações apresentadas na Figura 8. FIGURA 8. EQUAÇÕES PARA DETERMINAÇÃO DO CHRISTIANSEN (1), ESTATÍSTICO (2) E COEFICIENTE DE DISTRIBUIÇÃO (8) Fonte: Martins e Reis, 2008. Em que, CUC - coeficiente de uniformidade de Christiansen (%); Xi- volume de água coletado (mm); Xméd – volume médio das coletas (mm); n – número de pontos coletados; CUE - coeficiente de uniformidade estatístico (%); Sd - desvio-padrão dos valores (mm); CUD - coeficiente de uniformidade de distribuição (%); X25 - média dos dados pertencentes ao menor quartil (mm). De acordo com Frizzone et al. (2018), considera-se como mínimo aceitável valores de 85% para CUC, 75% para CUE e 80% para CUD. 47UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM A determinação dos coeficientes de uniformidade e eficiência são importantes para análise e adequação dos componentes e do manejo da irrigação, permitindo a utilização de forma consciente e adequada da água na agricultura. “A eficiência média de irrigação a nível nacional está estimada em 60%, significando que, para cada milímetro (10.000 litros) de água necessário às plantas por hectare, são necessários 16.667 litros, dos quais as plantas transpiram 97%, portanto, um retorno de mais de 9.700 litros para a atmosfera, na forma de vapor ou de água pura. [...] A elevação dessa eficiência em apenas 5% representaria um volume de 1.282 litros por milímetro demandado pela cultura por hectare irrigado que deixaria de ser retirado da fonte d’água. Por conseguinte, a redução da retirada de água das fontes para a agricultura irrigada só pode ser viabilizada com o aumento da eficiência do uso da água na irrigação”. Fonte: Coelho, E.F; Coelho Filho, M. A; Oliveira, S. L. Agricultura irrigada: eficiência de irrigação e de uso de água. Bahia Agrícola, v.7, n.1, 2005. Disponível em: https://ufrb.edu.br/neas/images/Artigos_NEAS/2005_3.pdf Acesso em: 25 mai 2022. Irrigar é diferente de aplicar água. Na irrigação há muito conhecimento envolvido, desde o dimensionamento do sistema ao manejo hídrico durante o cultivo, sempre visando a eficiência produtiva e econômica. Quando não se aplica critérios ao processo, há apenas aplicação de água, sem a certeza do retorno esperado. Fonte: O autor (2022). https://ufrb.edu.br/neas/images/Artigos_NEAS/2005_3.pdf CONSIDERAÇÕES FINAIS 48UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM No decorrer da unidade foi desenvolvida uma análise crítica sobre as etapas envolvidas em projetos de irrigação, sempre visando a eficiência dos sistemas e utilização consciente dos recursos, principalmente da água. A determinação de critérios no dimensionamento garante uma segurança na elaboração de projetos, onde a teoria e a prática devem apresentar similaridade de resultados. Para isso, são considerados os fatores envolvidos com o máximo de detalhes. Embora os sistemas de irrigação apresentam especificidades quanto às condições locais e quanto a modalidade adotada, como será apresentado na próxima unidade, a dinâmica de funcionamento e os fatores envolvidos apresentam similaridade. Dessa forma, os conhecimentos adquiridos no decorrer da unidade serão importantes para todos processos que envolvam sistema de irrigação ou que tratem da utilização eficiente de recursos. LEITURA COMPLEMENTAR 49UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM ARTIGO 1: SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO POR ASPERSÃO O dimensionamento de sistemas de irrigação por aspersão engloba a análise de características da área irrigada e dos componentes do sistema. Parâmetros definidos de forma adequada permitem projetar um sistema capaz de apresentar máximo desempenho à campo, cuja os indicadores no funcionamento sejam semelhantes aos projetados. Um dos fatores relevantes na irrigação está no fornecimento de energia, que pode ser realizado de forma mecanizada ou por conjunto motobomba. O artigo aborda diversos aspectos rela- cionados ao solo, ao sistema e ao ambiente de manejo. Fonte: BISCARO, G. A. Sistemas de irrigação por aspersão. Dourados: Editora da UFGD, 2009. Disponível em: https://repositorio.ufgd.edu.br/jspui/bitstream/prefix/2434/1/sistemas-de-irrigacao-por-aspersao.pdf. Acesso em: 26 mai 2022. ARTIGO 2: DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO POR GOTEJAMENTO A redução de custos na produção agrícola vem sendo considerada um dos fatores mais importantes para que este ramo se torne viável e lucrativo, pois cada vez mais se busca maior produção em menor área cultivada. A irrigação é uma ferramenta considerada indispensável para produção de alimentos, e se não empregada de forma correta resulta em desperdícios dos recursos naturais disponíveis e consumo desnecessário de energia. Portanto faz-se de suma importância o dimensionamento correto, para tornar viável e mais eficiente. O sistema de irrigação por gotejamento apresenta uma série de vantagens à agri- cultura, à natureza e à humanidade, trazendo um uso mais consciente de água, reduzindo as aplicações de agrotóxicos resultando em um alimento mais saudável e mais barato. Fonte: CASTELANI, F.; MOREIRA, R. N. Dimensionamento de sistemas de irrigação por gotejamento. Disponível em: https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:_az4DZXqG_kJ:https://periodicos.uniarp.edu. br/index.php/ignis/article/download/1810/926/6696+&cd=17&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br Acesso em: 26 mai 2022. https://repositorio.ufgd.edu.br/jspui/bitstream/prefix/2434/1/sistemas-de-irrigacao-por-aspersao.pdf https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:_az4DZXqG_kJ:https://periodicos.uniarp.edu.br/index.php/ignis/article/download/1810/926/6696+&cd=17&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:_az4DZXqG_kJ:https://periodicos.uniarp.edu.br/index.php/ignis/article/download/1810/926/6696+&cd=17&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br 50UNIDADE 2 ENGENHARIA APLICADA A IRRIGAÇÃO E DRENAGEM ARTIGO 3: AGRICULTURA IRRIGADA: EFICIÊNCIA DE IRRIGAÇÃO E DE USO DE ÁGUA A agricultura irrigada ocupava em torno de 18% (275 milhões de hectares) da área total cultivada no planeta (1,5 bilhão de hectares), consumindo cerca de 70% do total de água de qualidade usada, valor superior à quantidade consumida pelo setor industrial (21%) e pelo consumo doméstico (9%) (SANTOS, 1998). Na América Latina,