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INTRODUÇÃO
Os aspectos populacionais compreendem estudos que englobam diversas frentes, como a religião, local de moradia, faixa etária, atividade econômica, etnia, gênero etc.
Além desses, outros índices também são muito favoráveis para que possamos compreender a complexidade dos agrupamentos humanos no espaço.
É necessário entender como as diferentes populações se organizam e fazer uma série de análises acerca da relação homem e espaço. As organizações populacionais revelam como as diferentes sociedades se apropriam do espaço geográfico a fim de atingir suas subsistências.
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a população mundial aumentou de 3,6 bilhões de pessoas, em 1970, para 7 bilhões, em 2011. Apesar do aumento populacional, a taxa de crescimento e a estrutura etária sofreram importantes alterações, mesmo em países em desenvolvimento. Atualmente, verifica-se uma tendência mundial para a redução das taxas de natalidade (embora estas ainda sejam elevadas em muitos países) e da mortalidade, o que tem como resultado o envelhecimento populacional, ou seja, maior número de idosos.
Destacam-se alguns elementos que influenciam essa atual realidade, entre eles a urbanização que acelera o ritmo de vida das populações, atrelado a inserção da mulher no mercado de trabalho, gera a diminuição da natalidade. Todavia, esse mesmo elemento não se aplica na diminuição da mortalidade, tendo em vista que os centros urbanos não oferecem a toda a população acesso a bens de consumo e serviços que possam garantir a longevidade. A melhoria nas condições de saneamento básico, maior nível de escolaridade, acesso aos serviços médicos e desenvolvimento cultural contribuíram para a redução das taxas de natalidade e mortalidade no mundo, apesar das diferenças entre os países. Segundo dados da OMS, as populações estão envelhecendo mais rápido nos países desenvolvidos, mas há uma transição menos acelerada em países em desenvolvimento.
Nos dias atuais, os diferentes países apresentam dinâmicas populacionais muito distintas. Por exemplo, em países de economia desenvolvida podemos perceber um quadro de crescimento demográfico menor e até a redução da população em alguns momentos (número de mortes supera o de nascimentos). Já em economias consideradas subdesenvolvidas existe uma forte tendência à elevação das taxas de natalidade e de mortalidade. Essas disparidades que acontecem com as populações no espaço geográfico são resultados da dinâmica populacional e econômica dos diferentes países.
PRINCIPAIS CONCEITOS DEMOGRÁFICOS
• População absoluta – Corresponde ao total do número de habitantes de um lugar. Quando esse número é muito grande, podemos identificar essa localidade como populosa. Por exemplo, China, Bangladesh, Índia e Brasil podem ser encaixados nesse exemplo. 
• População relativa – É a relação entre o número de habitantes e determinada área (habitantes por km²). Para se chegar a essa informação, divide-se o número total de habitantes de uma localidade pela área. O Brasil, por exemplo, apesar de apresentar
uma população total elevada, possui baixa densidade demográfica.
• Crescimento vegetativo – É o índice que aponta o crescimento ou a redução da população mundial. Para que ele seja identificado é necessário entender a relação entre a taxas de natalidade e de mortalidade de uma localidade. CV = Taxa de natalidade – Taxa de mortalidade
• Taxa de natalidade – É o indicador do número de nascimentos ocorridos em determinada região. Pode ser identificado por meio do cálculo que leva em consideração o número de nascimentos ocorridos em um ano e o total de habitantes de um local.
Para se calcular essa taxa multiplica-se por 1000 o número de nascimentos ocorridos em um ano e divide-se esse resultado pelo número da população absoluta.
• Taxa de Mortalidade – É o indicador do número de mortes ocorridas em uma determinada região. Pode ser identificado através do cálculo que leva em consideração o número de óbitos ocorridos em um ano e o total de habitantes de um local. Para se calcular essa taxa multiplica-se por 1 000 o número de óbitos ocorridos em um ano e se divide esse resultado pelo número da população absoluta.
• Crescimento demográfico – Resultado do somatório do crescimento vegetativo e da taxa de migração (diferença entre a entrada e a saída de pessoas da área analisada). Sendo assim, considerando essas duas taxas, o crescimento pode ser positivo ou negativo.
• Taxa de fecundidade – Número de crianças nascidas vivas, por mulher, em cada ano de sua idade reprodutiva (entre 15 e 49 anos).
• Expectativa de vida – Número de anos que se espera que uma pessoa viva, considerando os recursos de uma nação.
• Superpovoamento – Desequilíbrio que acontece em relação ao número de habitantes de uma região ou localidade e o espaço no qual a população está instalada.
Deve considerar também as condições de vida da população analisada.
TEORIAS POPULACIONAIS
A dinâmica populacional, suas relações entre o número de habitantes, a disponibilidade de recursos e o desenvolvimento econômico tem sido alvo de reflexão há séculos. Com base em estudos e observações, foram desenvolvidos alguns modelos, conhecidos como teorias demográficas, para explicar e intervir nesses fenômenos.
TEORIA MALTHUSIANA
Em 1798, o economista inglês Thomas Malthus (1766-1834), pastor anglicano, publicou uma teoria demográfica na obra Ensaios sobre os princípios da população. Segundo Malthus, o aumento populacional e as condições de vida decorrentes da Revolução Industrial geraram uma série de problemas sociais e econômicos, como miséria e desemprego. Assim, o teórico defendeu a necessidade de conter o aumento populacional.
De acordo com essa teoria, o aumento populacional ocorria em projeção geométrica (PG), mas a produção de alimentos crescia em progressão aritmética (PA). Assim, a população mundial deveria dobrar, em média, a cada 25 anos, mas a produção de alimentos não conseguiria acompanhar esse crescimento, pois haveria falta de terras disponíveis. O resultado seria o aumento da fome, da desnutrição e das doenças, reduzindo o número de habitantes até que fosse novamente atingido um equilíbrio. Epidemias e guerras, responsáveis por elevar as taxas de mortalidade, eram consideradas por Malthus mecanismos reguladores naturais do crescimento populacional.
A proposta de Malthus para retardar o crescimento populacional envolveu abstinência sexual, procriação apenas se a família possuísse terras para seu sustento e casamentos tardios, aspectos que fizeram parte das “Sujeições morais”, associadas à formação religiosa de Malthus.
Diante dessa análise, é importante perceber que as considerações feitas por Malthus se encontravam em meio a uma realidade econômica, produtiva e social de plena transformação, daí o surgimento posterior de diversas críticas à sua teoria.
As considerações de Malthus estavam associadas à realidade da Inglaterra do século XVIII, quando ainda não havia a modernização agrícola e o ritmo de crescimento da população era bastante elevado. Contudo, diversas inovações ligadas ao setor agropecuário aumentaram a produtividade e possibilitaram a produção em áreas encaradas anteriormente improdutivas. Malthus também não considerou a existência de reservas de alimentos em oceanos e mares e outras regiões com potencial produtivo.
Isso fez com que a produção de alimentos também crescesse em progressão aritmética. Atualmente, acredita-se que, na verdade, a crise mundial de alimentos ocorre muito mais por conta de uma má distribuição, e não por insuficiência na quantidade produzida. Além disso, o comportamento da sociedade foi se alterando, com maior planejamento familiar. As previsões de duplicação populacional a cada 25 anos não se confirmaram.
No século XIX, o pastor protestante Francis Place (1771-1854) foi considerado o primeiro teórico neomalthusiano, ao desenvolver ideias com base nos trabalhos de Malthus. Segundo ele, o crescimento demográfico era incompatível com a melhor qualidade de vida. Diversos sucessores aprimoraram essa teoria,que ganhou mais força no século XX, após as duas Guerras Mundiais. Nesse período, os países subdesenvolvidos vivenciaram uma explosão demográfica, pois, embora as taxas de mortalidade tenham se reduzido em virtude dos avanços na medicina, a natalidade continuava elevada. Os neomalthusianos procuraram explicar as causas do subdesenvolvimento desses países e sugerir formas de sanar essas divergências socioeconômicas em relação aos países desenvolvidos.
Assim como os malthusianos, os neomalthusianos possuíam orientação antinatalista. Segundo esses teóricos, o principal problema do subdesenvolvimento seria a explosão demográfica e seus impactos socioeconômicos.
Para seus adeptos, ao observarmos o crescimento populacional dos países, é possível verificar que aqueles que apresentam elevadas taxas de natalidade têm os piores índices de desenvolvimento. Compostos por populações jovens, esses países necessitariam de grandes gastos em saúde e educação, sem que haja um retorno em termos produtivos, pois se trata de um grupo economicamente inativo.
Os elevados gastos limitariam o investimento estatal em outros setores, como a agropecuária e a indústria, impedindo o crescimento econômico. Portanto, os problemas sociais seriam reduzidos se houvesse uma população menor, diminuindo os gastos do Estado e aumentando a renda per capita.
Os neomalthusianos defenderam a criação de rígidos programas de controle de natalidade, como o uso de anticonceptivos, técnicas de esterilização e até práticas de aborto. Em alguns países, como Portugal, isso resultou em oposição por parte da Igreja Católica. Nesse caso, o Estado também manifestou preocupações com as possíveis quedas de natalidade, tendo em vista a preservação do capital financeiro.
Historicamente, sabe-se que a má distribuição de recursos está mais associada com a pobreza e a miséria do que com o crescimento populacional: países que investiram mais em políticas demográficas do que econômicas não tiveram redução da pobreza e da desigualdade. O crescimento populacional não pode ser considerado uma causa, mas sim uma consequência desse processo.
TEORIA REFORMISTA OU MARXISTA
Na segunda metade do século XX, teóricos dos países subdesenvolvidos elaboraram uma teoria denominada “Reformista”, que se opunha aos princípios neomalthusianos.
De acordo com essa teoria, o crescimento populacional não seria a causa, mas uma das consequências do subdesenvolvimento. Essa estaria associada à má distribuição de renda e à exploração dos países subdesenvolvidos pelos países desenvolvidos. Os reformistas também consideram que a escassez produtiva, apontada por Malthus, tenha sido superada pela revolução tecnológica.
A teoria Reformista ou Marxista é considerada uma resposta aos princípios e propostas dos neomalthusianos.
A carência de investimentos na área social e na infraestrutura dos países subdesenvolvidos resultou em pobreza de grande parte das populações. Com acesso reduzido à educação, informação e saúde, as taxas de natalidade elevam-se. Segundo essa teoria, à medida que essas condições de vida melhoram, a natalidade decai. Isso foi verificado, em diversos países que reduziram suas taxas de natalidade sem grandes intervenções do Estado.
Seus adeptos, propõem a criação de reformas sociais, melhor distribuição de renda e de alimentos, investimentos em saúde, infraestrutura e, principalmente, em educação, que resultariam em um planejamento familiar espontâneo e na redução do crescimento populacional.
TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA
A Teoria da Transição Demográfica começou a ser idealizada no final da década de 1920, sofrendo diversas reformulações. Tem sido utilizada como forma de explicar o crescimento populacional mundial e o teórico equilíbrio entre as taxas de natalidade e de mortalidade a partir de determinado estágio. Conforme essa teoria, o equilíbrio do crescimento populacional associa-se a três etapas:
Primeira fase (pré-industrial): elevadas taxas de natalidade e de mortalidade, resultando em reduzidos índices de crescimento vegetativo e no equilíbrio demográfico. Um exemplo são as áreas rurais, nas quais as taxas de natalidade se mantinham elevadas, mas as condições de saneamento básico, a ocorrência de epidemias e o pouco acesso aos serviços de saúde elevavam a mortalidade.
Segunda fase (transicional): com os avanços da medicina e da infraestrutura de saneamento, a mortalidade tende a decair. Contudo, as taxas de natalidade não se reduzem no mesmo ritmo, o que resulta em crescimento populacional. Situação semelhante ocorre em diversos países da África subsaariana. Após esse processo, a mortalidade tende a estacionar em patamares reduzidos, em virtude do processo de urbanização e da elevação dos custos de criação dos filhos, por exemplo. Nesse momento, as taxas de natalidade (TN) decaem mais rapidamente que as de mortalidade (TM). É o caso de diversos países em desenvolvimento, como o Brasil.
Terceira fase (evoluída): nesta etapa, completa-se a transição demográfica, com retomada do equilíbrio gerado por baixas taxas de natalidade e de mortalidade. Os países desenvolvidos encontram-se nessa fase, apresentando taxas de crescimento que são inferiores a 1% e podem ser até negativas.
Quarta fase: A quarta fase da transição demográfica já atinge alguns países desenvolvidos atualmente. Ela se constitui pelo aumento do número de óbitos e pela redução de número de nascimentos (queda da natalidade). Isso leva determinada sociedade a um quadro de crescimento vegetativo negativo ou de implosão demográfica. Exemplos de países que se encontram nessa fase são, Japão, Rússia, Alemanha e Itália.
PIRÂMIDE ETÁRIA
A estrutura etária da população fornece informações em relação à concentração em três grandes faixas: 0-19 (população jovem, base da pirâmide); 20-59 (população adulta, corpo da pirâmide) e acima de 60 (população idosa, ápice da pirâmide). A composição etária de uma população reflete a dinâmica de períodos anteriores e também permite fazer projeções futuras. O número de pessoas de determinada idade está associado, por exemplo, aos nascimentos ocorridos anteriormente (taxas de natalidade) e aos índices de mortalidade.
A estrutura etária é representada por uma pirâmide que se caracteriza por um gráfico de barras horizontais.
O eixo horizontal informa a população absoluta e o eixo vertical os grupos etários divididos por sexo, em ordem crescente considerando a base da pirâmide. A observação desse gráfico permite dizer: se a população é considerada jovem ou envelhecida, o que possibilita a interpretação de dados em relação ao nível de desenvolvimento humano e econômico. Quanto mais alta a pirâmide, maior a expectativa de vida da população.
TIPOS DE PIRÂMIDES ETÁRIAS
Pirâmides jovens: estão associadas a elevadas taxas de natalidade (grande número de crianças e jovens) e pequena quantidade de idosos (elevada mortalidade).
Países subdesenvolvidos e com menores índices de qualidade de vida apresentam pirâmides com essas características, já que possuem elevado crescimento vegetativo (acima de 1% ao ano) e expectativa de vida baixa, em razão das condições precárias e da escassez de serviços de saúde. A presença de grande número de crianças e jovens reduz a população economicamente ativa e exige elevados investimentos governamentais em educação e saúde. O elevado crescimento populacional, porém, deve ser considerado uma consequência e não a causa dos baixos níveis de desenvolvimento.
Pirâmides envelhecidas: características de países com melhores níveis de desenvolvimento que completaram a transição demográfica. Nesses países, ocorrem mínimas taxas de fecundidade, por causa do maior grau de urbanização, do acesso a métodos contraceptivos e do planejamento familiar, por exemplo. Além disso, a melhor qualidade de vida e o acesso aos serviços de saúde reduzem as taxas de mortalidade, elevando o número de idosos. Países com essas características são considerados envelhecidos e podem enfrentar problemas como falta de mão de obra e gastos com o sistema previdenciário. Para suprir a carência de trabalhadores,alguns países desenvolvidos promoveram incentivos à imigração (imigração de substituição), o que tem resultado em casos de xenofobia (aversão a estrangeiros). Esses países já completaram a transição demográfica e, muitas vezes, apresentam crescimento negativo, como já ocorreu no Japão.
Pirâmides adultas: caracteriza-se pelo aumento do número de adultos e idosos, pois as taxas de natalidade estão em declínio e a expectativa de vida aumentando. Constitui a terceira das quatro etapas de transição demográfica, na qual se encontram o Brasil e outros países da América Latina
PIRÂMIDE ETÁRIA BRASILEIRA
Atualmente, o Brasil já não é mais considerado um país subdesenvolvido, a melhor identificação para o país é o termo emergente. Esse termo é usado na referência a países que possuem potencial de crescimento econômico amplo, e, portanto, refletem isso em sua população, por meio, por exemplo, dos índices de urbanização. Nosso país encontra-se no início da terceira fase da transição demográfica.
As características da Pirâmide Etária Brasileira são típicas de um país em franca transição demográfica. A taxa de natalidade está caindo num ritmo mais acentuado do que a taxa de mortalidade. Isso resulta numa expansão demográfica média anual de 1,17% na última década.
Graças ao elevado grau de desenvolvimento econômico, o índice de crescimento vegetativo era de 2,5% em 1960 e passou para 1,32%. Com isso, aumentaram os investimentos nas áreas da saúde e educação, fazendo crescer a expectativa de vida da população.
Acresce que o planejamento familiar e a inclusão da mulher no mercado de trabalho estão levando o Brasil de um país jovem para uma nação adulta.
Na década de 1950, a média de idade brasileira era de 18 anos, quando o Brasil possuía em torno de 4,6% de idosos, 43,1% de adultos e 52,3% de jovens. Em 1980, faixas de idade inferiores ainda eram maiores que as superiores.
Em 2005 há uma ligeira alteração neste quadro. A faixa etária dos jovens cai para 46,5% do total, enquanto a de adultos sobe para 46,4% e a dos idosos sobe para 7,1%.
Estima-se assim que o Brasil terá uma pirâmide etária semelhante a da França em no máximo 40 anos. Influência de fatores externos na pirâmide etária A estrutura das pirâmides etárias também pode ser afetada por fatores externos, como a ocorrência de
guerras e epidemias. Um exemplo é a pirâmide populacional da União Europeia na década de 1970, que mostra um recuo na faixa de 50 a 54 anos, o que corresponde às perdas populacionais durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
O velho mundo que agora atrai migrantes e refugia- dos da África, do Oriente Médio e da Ásia foi durante um período que se estendeu da metade do século 18 até os anos 1960 o ponto de partida e não o fim da jornada para milhões de pessoas. Historiadores estimam que entre 50 e 60 milhões de europeus deixaram seus países em direção a lugares tão distantes como Brasil, Estados Unidos, Sibéria e Austrália somente entre 1815 e 1930. Esse elevado número é justificado pelos acontecimentos históricos da época: 1ª e 2ª Guerra Mundial, crises econômicas, perseguição política, religiosa e racial. Atrelado a isso, há o grande número de mortos nas guerras que a Europa vivenciou, estima-se que na 2ª Guerra Mundial houve a perda de 70 milhões de vidas. Esses dados justificam, por exemplo, a queda populacional de séries históricas como o demonstrado nos anos 1970. Além disso, explica o elevado crescimento populacional de países como o Brasil, onde Imigrantes contribuíram com 19% do aumento populacional do Brasil entre 1840 e 1940, segundo o IBGE.
OS SETORES DA ECONOMIA
As estruturas populacionais também podem ser estudadas considerando-se a distribuição por setores da eco nomia e a população economicamente ativa (PEA). Este conceito envolve o conjunto de pessoas que exercem atividade remunerada, não remunerada e os desempregados, ou seja, todos os que são considerados aptos ao trabalho.
A análise dessas informações permite compreender a economia de determinado local. Países que possuem a maior parte de sua população ativa ocupada no setor primário apresentam reduzidos graus de produtividade e modernização. A transição de uma economia de base agroexportadora para a urbana e industrial faz com que a maior parte da população seja deslocada para os setores secundários e terciários.
Idade
OS SETORES DA ECONOMIA
Setor primário: atividades de extração e/ou produção de matérias-primas em produtos que podem ou não ser destinados à industrialização. Exemplos: agricultura, pecuária, extrativismo vegetal, caça, pesca e mineração.
Setor secundário: responsável pela transformação das matérias-primas em produtos manufaturados de consumo ou máquinas industriais. Exemplos: indústria automobilística, alimentícia, aeroespacial, química, siderúrgicas, telecomunicações, indústrias de energia (petróleo, energia elétrica, gás) e construção civil.
Setor terciário: corresponde ao comércio de produtos e à oferta de serviços aos consumidores ou às empresas. Reúne profissionais com baixa e alta qualificação, como diaristas, serventes de pedreiro, médicos, advogados e professores. Envolve transporte, distribuição e venda de produtos, além de turismo e entretenimento. É importante lembrar que essa divisão nem sempre é bem definida, pois algumas atividades podem atingir diferentes setores econômicos. É o caso da agroindústria moderna e do setor hoteleiro (que oferece o turismo ecológico).
É muito importante não confundir os setores da economia (apresentados acima) com os principais setores sociais, que são, por exemplo, os indicados abaixo:
• Primeiro Setor – É aquele representado pelo Estado, ou seja, pelo poder público.
• Segundo Setor – Representa a iniciativa privada.
• Terceiro Setor - Representado pelas organizações não
governamentais (ONGs) que têm atuação nos mais diversos setores sociais.
Atualmente, verifica-se que, em diversos países desenvolvidos e em desenvolvimento, há maior concentração populacional no setor terciário. Alguns dos fatores que contribuem
para isso são:
CARACTERÍSTICAS DA POPULAÇÃO ECONOMICAMENTE ATIVA BRASILEIRA O “INCHAÇO” DO SETOR TERCIÁRIO
No Brasil e em outros países em desenvolvimento, Em 1940, o setor primário da economia reunia, aproximadamente, 70% da população economicamente ativa do país, pois a economia ainda era essencialmente agroexportadora. Nos anos seguintes, com a intensificação do parque industrial brasileiro, dentro do modelo de substituição de importações, a produção interna de bens de consumo duráveis e bens de capital aumentou. Na década de 1970, o desenvolvimento industrial vivenciou um grande impulso, constituindo o chamado “Milagre Brasileiro”. No entanto, com a maior automatização industrial, o aumento da migração da zona rural para os centros urbanos e a elevação da demanda de serviços, a PEA do setor secundário reduziu-se. O setor terciário tornou-se cada vez mais representativo: se na década de 1940 era constituído por apenas 19,8% da PEA, em 2009 atingiu 61%.
O “INCHAÇO” DO SETOR TERCIÁRIO
No Brasil e em outros países em desenvolvimento, verifica-se o fenômeno conhecido como hipertrofia (inchaço) do setor terciário. Com a mecanização agrícola, contingentes populacionais foram gradualmente deslocando-se para a área urbana. O desenvolvimento tecnológico no setor secundário e a ocorrência de crises econômicas dificultaram a absorção dessa mão de obra (em sua maioria pouco qualificada), que foi deslocada para atividades informais (subempregos) do setor terciário sem regulação trabalhista. Esses são representados por camelôs e guardadores de carros, dentre outras ocupações. A informalidade do setor terciário também está muitas vezes associada a atividades ilegais, como contrabando, os jogos e o narcotráfico.
ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO (IDH)
A medição do nível de desenvolvimento de uma sociedade se dá por meio do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), um conjunto de fatores que expressa como as diferentes características de uma sociedade se apresentam e se relacionam. Existem três vertentes específicaspara o cálculo e a leitura do IDH, são elas:
• longevidade de uma população: expressada pela expectativa de vida;
• nível de escolaridade e grau de conhecimento: média de anos de estudo dos adultos, expectativa de anos de escolaridade para crianças e padrões de taxas de matrículas por idade;
• renda ou PIB per capita: que reflete o poder de compra entre os países.
O índice situa-se entre os valores de 0 e 1, organizados da seguinte forma:
•0,499 ou abaixo: países com baixo desenvolvimento humano;
• 0,500 a 0,799: países com médio desenvolvimento;
•acima de 0,800: países com alto desenvolvimento humano.
Conforme dados de 2012 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Brasil ocupa a 85a posição no ranking mundial, com IDH de 0,730. Em 1990, o IDH do país era de 0,590. A classificação é baseada em dados oficiais, que são muitas vezes criticados por causa dos critérios utilizados. Em 2013, o Brasil posicionou-se contrário à classificação no ranking, afirmando que foram utilizadas informações desatualizadas na elaboração da classificação.
O IDH também é variável entre as unidades da Federação, sendo o Distrito Federal, São Paulo, Santa Catarina e o Rio de Janeiro as unidades que apresentam a média dos melhores indicadores.

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