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2.6 Créditos não exigíveis na RJ e F As obrigações vencidas e vincendas do devedor, em regra, são atraídas para o juízo universal, porém o legislador excluiu algumas, que considerou inexigíveis. Conforme previsão expressa do art. 5º da lei, alguns créditos não podem ser exigidos, tanto na RJ como na F. São eles: As obrigações a título gratuito (unilaterais) – exemplos são a doação, cessão gratuita, promessa de recompensa, comodato, mútuo sem juros, depósito não remunerado, mandato não remunerado, garantias pessoais ou reais, etc. 1 As despesas processuais que os credores tiverem para entrar no processo de RJ ou F, salvo custas judiciais de ações ganhas contra a empresa devedora (na F são classificadas como créditos extraconcursais). A norma evita a oneração da devedora. Atenção: não são exigíveis é diferente de excluídos. 2 Art. 5o Não são exigíveis do devedor, na recuperação judicial ou na falência: I – as obrigações a título gratuito; II – as despesas que os credores fizerem para tomar parte na recuperação judicial ou na falência, salvo as custas judiciais decorrentes de litígio com o devedor. 3 2.7 Suspensão da Prescrição, Ações e Atos de Constrição Art. 6º A decretação da falência ou o deferimento do processamento da recuperação judicial implica: (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) I - suspensão do curso da prescrição das obrigações do devedor sujeitas ao regime desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) II - suspensão das execuções ajuizadas contra o devedor, inclusive daquelas dos credores particulares do sócio solidário, relativas a créditos ou obrigações sujeitos à recuperação judicial ou à falência; (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) III - proibição de qualquer forma de retenção, arresto, penhora, sequestro, busca e apreensão e constrição judicial ou extrajudicial sobre os bens do devedor, oriunda de demandas judiciais ou extrajudiciais cujos créditos ou obrigações sujeitem-se à recuperação judicial ou à falência. (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) 4 § 1º Terá prosseguimento no juízo no qual estiver se processando a ação que demandar quantia ilíquida. § 2º É permitido pleitear, perante o administrador judicial, habilitação, exclusão ou modificação de créditos derivados da relação de trabalho, mas as ações de natureza trabalhista, inclusive as impugnações a que se refere o art. 8º desta Lei, serão processadas perante a justiça especializada até a apuração do respectivo crédito, que será inscrito no quadro-geral de credores pelo valor determinado em sentença. § 3º O juiz competente para as ações referidas nos §§ 1º e 2º deste artigo poderá determinar a reserva da importância que estimar devida na recuperação judicial ou na falência, e, uma vez reconhecido líquido o direito, será o crédito incluído na classe própria. 5 § 4º Na recuperação judicial, as suspensões e a proibição de que tratam os incisos I, II e III do caput deste artigo perdurarão pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado do deferimento do processamento da recuperação, prorrogável por igual período, uma única vez, em caráter excepcional, desde que o devedor não haja concorrido com a superação do lapso temporal. (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 4º-A. O decurso do prazo previsto no § 4º deste artigo sem a deliberação a respeito do plano de recuperação judicial proposto pelo devedor faculta aos credores a propositura de plano alternativo, na forma dos §§ 4º, 5º, 6º e 7º do art. 56 desta Lei, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) I - as suspensões e a proibição de que tratam os incisos I, II e III do caput deste artigo não serão aplicáveis caso os credores não apresentem plano alternativo no prazo de 30 (trinta) dias, contado do final do prazo referido no § 4º deste artigo ou no § 4º do art. 56 desta Lei; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) II - as suspensões e a proibição de que tratam os incisos I, II e III do caput deste artigo perdurarão por 180 (cento e oitenta) dias contados do final do prazo referido no § 4º deste artigo, ou da realização da assembleia-geral de credores referida no § 4º do art. 56 desta Lei, caso os credores apresentem plano alternativo no prazo referido no inciso I deste parágrafo ou no prazo referido no § 4º do art. 56 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 6 § 5º O disposto no § 2º deste artigo aplica-se à recuperação judicial durante o período de suspensão de que trata o § 4º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 6º Independentemente da verificação periódica perante os cartórios de distribuição, as ações que venham a ser propostas contra o devedor deverão ser comunicadas ao juízo da falência ou da recuperação judicial: I – pelo juiz competente, quando do recebimento da petição inicial; II – pelo devedor, imediatamente após a citação. § 7º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 7 § 7º-A. O disposto nos incisos I, II e III do caput deste artigo não se aplica aos créditos referidos nos §§ 3º e 4º do art. 49 desta Lei, admitida, todavia, a competência do juízo da recuperação judicial para determinar a suspensão dos atos de constrição que recaiam sobre bens de capital essenciais à manutenção da atividade empresarial durante o prazo de suspensão a que se refere o § 4º deste artigo, a qual será implementada mediante a cooperação jurisdicional, na forma do art. 69 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), observado o disposto no art. 805 do referido Código. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 7º-B. O disposto nos incisos I, II e III do caput deste artigo não se aplica às execuções fiscais, admitida, todavia, a competência do juízo da recuperação judicial para determinar a substituição dos atos de constrição que recaiam sobre bens de capital essenciais à manutenção da atividade empresarial até o encerramento da recuperação judicial, a qual será implementada mediante a cooperação jurisdicional, na forma do art. 69 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), observado o disposto no art. 805 do referido Código. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 8 § 8º A distribuição do pedido de falência ou de recuperação judicial ou a homologação de recuperação extrajudicial previne a jurisdição para qualquer outro pedido de falência, de recuperação judicial ou de homologação de recuperação extrajudicial relativo ao mesmo devedor. (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 9º O processamento da recuperação judicial ou a decretação da falência não autoriza o administrador judicial a recusar a eficácia da convenção de arbitragem, não impedindo ou suspendendo a instauração de procedimento arbitral. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 10. (VETADO). (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 11. O disposto no § 7º-B deste artigo aplica-se, no que couber, às execuções fiscais e às execuções de ofício que se enquadrem respectivamente nos incisos VII e VIII do caput do art. 114 da Constituição Federal, vedados a expedição de certidão de crédito e o arquivamento das execuções para efeito de habilitação na recuperação judicial ou na falência. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 12. Observado o disposto no art. 300 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), o juiz poderá antecipar total ou parcialmente os efeitos do deferimento do processamento da recuperação judicial. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 9 Art. 6º-A. É vedado ao devedor, até a aprovação do plano de recuperação judicial, distribuir lucros ou dividendos a sócios e acionistas, sujeitando-se o infrator ao disposto no art. 168 desta Lei. (Incluído pela Leinº 14.112, de 2020) Art. 6º-B. (VETADO). (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) Art. 6º-C. É vedada atribuição de responsabilidade a terceiros em decorrência do mero inadimplemento de obrigações do devedor falido ou em recuperação judicial, ressalvadas as garantias reais e fidejussórias, bem como as demais hipóteses reguladas por esta Lei. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 10 A reforma legislativa alterou o art. 6º, adequando o prazo de suspensão das ações e prescrição, prevendo a possibilidade e requisitos da apresentação de PRJ pelos credores. O artigo ainda trata dos efeitos do deferimento do processamento da RJ e da decretação da F. 11 Suspensão da Prescrição: O decreto da falência e a decisão que defere o processamento da RJ suspendem o curso da prescrição das obrigações do devedor (art. 189, CC). Suspende e não se interrompe – cessada a causa da suspensão, o prazo reinicia-se, computando o período antes decorrido. Na F, a suspensão é até o trânsito em julgado da sentença de encerramento. Na RJ esse prazo é de 180 dias contados do deferimento do processamento da RJ (§4º), renovável uma única vez, desde que o D não tenha concorrido com a superação do lapso temporal. 12 A prescrição é suspensa em razão da suspensão das execuções ajuizadas prevista no inciso II. A suspensão não atinge os prazos decadenciais (art. 207, CC). Também não se suspendem as ações em que o devedor figure no polo ativo, como credor. 13 Suspensão das execuções (Stay period): Paralelamente à suspensão do curso da prescrição, suspendem-se igualmente as execuções contra o devedor, tanto na F como na RJ. Justificativa: caráter concursal, uma vez que os credores são chamados a participar do processo e devem ser tratados de forma equânime. Atinge as execuções em que estão no polo passivo a empresa devedora e também os sócios de responsabilidade ilimitada das sociedades devedoras (sócios solidários), seja na RJ ou F. As ações que demandam quantia ilíquida continuam normalmente - §1º. 14 O §10 foi vetado pela Presidência. Determinava que as execuções trabalhistas também deveriam ser suspensas em relação aos responsáveis subsidiários e sócios solidários até a homologação da RJ ou convolação da RJ em F. A intenção era impedir a execução paralela contra os codevedores (sócios ou empresas do mesmo grupo econômico). Na prática as execuções trabalhistas NÃO SÃO SUSPENSAS em razão da instauração do IDPJ – incidente de desconsideração da personalidade jurídica. A justificativa do veto foi que “o dispositivo contraria o interesse público por causar insegurança jurídica”. 15 Fábio Ulhoa pontua que em algumas execuções individuais contra o falido devem ser consideradas pelo juiz: Quando já houver na execução hasta pública designada – em razão da celeridade e economia o leilão deve ocorrer e depois o produto entregue à massa falida. Mamede não concorda, pois pode colocar em risco o concurso de credores. Quando já houve a realização da hasta pública – entende que poderá haver levantamento do crédito pelo credor (se for insuficiente o valor, habilitará seu crédito; se exceder, devolverá o valor excedente). Mamede entende em sentido diverso (art.108, §3º). Diz que o produto da hasta deve ser direcionado à massa falida, exceto quando já houver sido expedido alvará autorizando o levantamento dos valores nos autos da execução. 16 Proibição de constrição sobre os bens da devedora – inciso III e §6º Houve proibição expressa que os credores exerçam qualquer forma de retenção, arresto, penhora ou constrição judicial ou extrajudicial em face do D ou dos sócios solidários. Objetivo: preservar o patrimônio da devedora para a RJ ou F. O juízo universal é o único competente para decidir sobre os ativos do D, sobre a sujeição ou não dos créditos ou credores e realizar a avaliação sobre a essencialidade do bem. Atos ordenados por juízos absolutamente incompetentes são nulos, podendo a nulidade ser reconhecida a qualquer tempo. 17 No plano processual, cabe ao juízo incompetente consultar o juízo universal, mediante a expedição de ofício ou intimação ao autor para realização de consulta junto ao juízo universal, sobre a essencialidade do bem, antes do julgamento do pedido. Em diversos casos, o juízo incompetente se declara competente e é necessário instaurar conflito positivo de competência. O STJ tem diversos precedentes fixando o juízo da RJ como o único competente para decidir acerca da penhora e restrição de bens da empresa. 18 EXCEÇÕES À REGRA DA SUSPENSÃO DAS AÇÕES - §§1º a 3º A regra NÃO é absoluta. Prosseguem as ações ou execuções que não são suspensas: ações de conhecimento que demandarem quantias ilíquidas, ações trabalhistas e as fiscais. Prosseguem no juízo de origem, mas não se admite, no período de stay, atos que atinjam o patrimônio da devedora. Apura-se o valor do crédito e inscreve-se o crédito no QGC. 19 Os créditos trabalhistas serão apurados em ações e impugnações processadas perante a Justiça do Trabalho e serão inscritos no QGC pelo valor determinado em sentença. O processamento é bifronte: apuração na Justiça do Trabalho, mas o crédito sujeita-se aos efeitos concursais. O Enunciado nº 73, da II Jornada de Direito Comercial observa que o crédito trabalhista, para fins de habilitação seja calculado até a data do pedido de RJ ou da decretação da F. Desse modo, estará sendo respeitada a par conditio creditorum, que impõe sejam os créditos considerados a uma data comum a todos. 20 Embora prossigam, sem serem afetadas pelo processamento da RJ, as impugnações e reclamações trabalhistas, até a apuração do crédito, não se pode executar o crédito durante o prazo de suspensão. Importâncias reservadas (§3º) Em casos dos créditos trabalhistas ou por quantia ilíquida, poderá o juiz da causa determinar a reserva da importância que estimar devida. Quando o crédito tornar-se líquido e certo, será incluído na classe própria. Reservada a importância, fica depositada até o julgamento definitivo do crédito. Será determinada pelo Juízo no qual a ação se processa. 21 PRAZO DAS SUSPENSÕES NA RJ - §§4º, 4ºA e 5º Na RJ o prazo de suspensão das ações e prescrição é de 180 dias, prorrogável por igual período – stay period. O objetivo é impedir execuções singulares ao mesmo tempo da execução coletiva e possibilitar estabilidade ao devedor para formular e negociar o PRJ. O decurso do prazo sem a deliberação do PRJ, faculta aos credores a propositura de plano alternativo, conforme artigos 56, 6º, §4ºA. 22 Se os credores deixarem de apresentar PRJ alternativo dentro do prazo de 30 dias, contados do decurso do prazo de 180 dias após o deferimento do processamento da RJ, ou de 30 dias após a rejeição do PRJ apresentado pelo devedor, as suspensões e proibição de que tratam os incisos I, II e III do caput, não serão aplicáveis, ou seja, não haverá suspensão da prescrição e execuções (§4ºA, I). Se os credores apresentarem proposta de PRJ, as suspensões e proibição de que tratam os incisos I, II e III do caput, serão renovadas por mais 180 dias, contados do decurso do prazo previsto no §4º ou da realização da AGC. Nesse caso, excepcionalmente, o prazo do stay period poderá durar até 570 dias (360 dias, mais 30 dias para apresentação do PRJ Alternativo, mais 180 dias previstos no §4ºA, II. 23 NÃO PROSSEGUIMENTO DAS EXECUÇÕES TRABALHISTAS - §5º O §5º foi alterado, excluindo a parte que previa a possibilidade das execuções trabalhistas terem continuidade, ainda que o crédito estivesse inscrito no QGC. Hoje, após o processamento da RJ as execuções trabalhistas devem ser obstadas, uma vez que serão novadas pela aprovação do PRJ ou quando houver rejeição do plano, deverão ser habilitadas na F. 24 SUSPENSÃO DOS CREDORES PROPRIETÁRIOS - §7º A A suspensão do curso da prescrição, das execuções ajuizadas e da proibição de constrição dos bens do devedor não se aplica aos credores proprietários (proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis, arrendadormercantil, proprietário ou promitente vendedor de imóvel cujos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade, contrato de compra e venda com reserva de domínio e da importância entregue ao devedor decorrente de contrato de adiantamento de câmbio) – arts. 49, §3º e 86, II. Pela lei anterior, a jurisprudência orientou que as ações poderiam prosseguir, mas os bens essenciais não poderiam ser retirados da empresa durante o stay period. 25 A nova lei reconheceu a teoria da essencialidade de bens na RJ, garantindo que não se retire da empresa, durante o prazo do stay period, os bens que de fato são indispensáveis à atividade empresarial. Essa essencialidade deve ser demonstrada pela devedora para usufruir do benefício. Caso não o faça, o credor receberá autorização para a retirada do bem. O magistrado é quem decidirá sobre a essencialidade dos bens ou valores bloqueados, auxiliado pelo AJ, caso a caso. Melhor interpretação no caso pelo magistrado é equilibrar o direito dos credores proprietários com a preservação da empresa e a tutela da sua função social. 26 COMUNICAÇÃO AO JUÍZO CONCURSAL (§6º): Determina a lei que sejam comunicadas ao juízo da F ou da RJ as ações movidas contra o devedor. A comunicação deverá ser feita pelo juízo da causa, quando do recebimento da petição inicial e também pelo devedor, imediatamente após a citação. Há interesse na informação que afeta todos os credores. 27 EXECUÇÕES FISCAIS (§7º B e §11): A suspensão do curso da prescrição, das execuções ajuizadas e da proibição de constrição dos bens do devedor não se aplica às execuções fiscais. Todavia, se houver constrição de bens, não poderá ser realizada sobre bens essenciais. Garante-se a execução fiscal sem inviabilizar a RJ da devedora. 28 Tanto no §7ºA, quanto 7ºB há menção ao Princípio da cooperação judicial (art. 69, CPC), ou seja, os órgãos do Poder Judiciário, devem, sempre que solicitados, cooperar em relação a diversos atos do processo. Em relação às penalidades administrativas impostas pela fiscalização do trabalho (§11) e à execução das Contribuições Sociais e seus acréscimos (art. 195, CF), serão tratadas do mesmo modo que as execuções fiscais. Importante ressaltar que o fisco não poderá, nesses casos, expedir certidão de crédito para habilitar na RJ ou F, nem arquivar as execuções. 29 PREVENÇÃO DO JUÍZO (§8º): A prevenção do juízo é critério para determinar a competência territorial para exame da causa, fixando que deverá ser daquele a quem for distribuída a petição inicial, inclusive no caso de pedido de F, onde seja, no prazo de contestação, protocolada RJ. A distribuição do primeiro pedido previne a jurisdição, incluindo turmas e câmaras recursais, até mesmo o STJ e STF. 30 CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM (§9º): A RJ ou F não impede ou suspende a instauração de procedimento arbitral. O procedimento arbitral deve prosseguir normalmente. O crédito apurado, porém, se submete ao juízo universal. 31 TUTELA DE URGÊNCIA (§12): Uma vez presentes os requisitos do art. 300 do CPC, poderá ser deferida tutela de urgência para antecipar, total ou parcialmente, os efeitos do deferimento do processamento da RJ (antecipar stay period e suspender ações e medidas de constrição). Possibilitando a suspensão antes mesmo de deferir o processamento da RJ, a lei protege a devedora e assegura ao juízo a tranquilidade de não processar RJ de empresa que esteja irregular. 32 CONTRATOS E OPERAÇÕES DAS COOPERATIVAS (§13): O parágrafo 13 foi VETADO. Dizia que as cooperativas médicas operadoras de plano de saúde poderiam se utilizar da RJ, abrindo expressa exceção ao art. 2º. Embora existam decisões acolhendo pedidos de RJ de cooperativas médicas, esse entendimento não está pacificado pelos Tribunais. O veto foi justificado por ferir o princípio da isonomia em relação às demais modalidades societárias e afastar a possibilidade de utilizar os instrumentos regulatórios para tentar recuperar as anormalidades econômicas das operadoras de plano de saúde. 33 2.8 Distribuição de lucros e dividendos A empresa devedora não poderá distribuir lucros ou dividendos a sócios e acionistas até a aprovação do PRJ, sob pena de responder por crime de fraude aos credores, previsto no art. 168 da lei. Depois do PRJ aprovado, não há mais o impedimento. Note que os sócios e acionistas sujeitam-se aos riscos do negócio, incluindo o não recebimento de lucros e dividendos. ATENÇÃO: não confundir lucros e dividendos com pró-labore e as remunerações decorrentes do trabalho do sócio na empresa. Nesses casos não há restrição. 34 2.9 Impedimento de responsabilização de terceiros (art. 6ºC) O artigo proíbe que se atribua responsabilidade a terceiros em razão do inadimplemento das obrigações sujeitas à RJ ou F, ressalvando as garantias reais e fidejussórias e outras previstas na lei. O objetivo é dar segurança jurídica ao processo de RJ e F, impedindo que terceiros, não garantidores, respondam pela dívida. Tenta-se dificultar a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica da devedora, privilegiando a execução das garantias legais (coobrigados, fiadores e obrigados de regresso). 35 2.9 Habilitação e Verificação dos Créditos 36 Decretada falência ou deferida Recuperação Judicial Publicação de Edital, contendo relação dos credores e nomeação do AJ (art. 52, §1º, I e 99, § único AJ envia correspondência aos credores avisando da habilitação de créditos (art. 22, I, a) DISCIPLINA LEGAL: arts. 7º ao 20 da Lei 11.101/2005. PROCEDIMENTO - FASES: FASE ADMINISTRATIVA Administrador Judicial e seus auxiliares FASE CONTENCIOSA (EVENTUAL) Juiz 37 a) Relação de Credores Documento unilateral, elaborado pelo DEVEDOR, não definitivo; Na RJ: elaborado na petição inicial (art. 51); Na autofalência: elaborado na petição inicial (art. 105, II); Falência requerida por terceiros: determinada sua apresentação na sentença. 38 Deve ser apresentada no prazo máximo de 5 dias, sob pena de desobediência (art. 99, III); Lista deve ser publicada para que credores tenham conhecimento (através do edital e de envio de correspondência pelo administrador judicial (art. 22, I, a). 39 b) Habilitações ou Divergências Prazo para habilitação de créditos ou apresentação de divergências por parte dos credores : 15 dias corridos (art. 7, §1º). Responsabilidade: do AJ (art. 7º, caput). Motivo da habilitação: requerer inclusão na lista de credores. Protocolar é prudente; Dirigem-se ao administrador judicial – não possuem natureza de ação, mas de requerimento administrativo. 40 Art. 7o A verificação dos créditos será realizada pelo administrador judicial, com base nos livros contábeis e documentos comerciais e fiscais do devedor e nos documentos que lhe forem apresentados pelos credores, podendo contar com o auxílio de profissionais ou empresas especializadas. § 1o Publicado o edital previsto no art. 52, § 1o, ou no parágrafo único do art. 99 desta Lei, os credores terão o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar ao administrador judicial suas habilitações ou suas divergências quanto aos créditos relacionados. § 2o O administrador judicial, com base nas informações e documentos colhidos na forma do caput e do § 1o deste artigo, fará publicar edital contendo a relação de credores no prazo de 45 (quarenta e cinco) dias, contado do fim do prazo do § 1o deste artigo, devendo indicar o local, o horário e o prazo comum em que as pessoas indicadas no art. 8o desta Lei terão acesso aos documentos que fundamentaram a elaboração dessa relação. 41 Art. 7º-A. Na falência, após realizadas as intimações e publicado o edital, conforme previsto, respectivamente, no inciso XIII do caput e no § 1º do art. 99 desta Lei, o juiz instaurará, de ofício, para cada Fazenda Pública credora, incidente de classificação de crédito público e determinará a sua intimação eletrônica para que, no prazo de 30 (trinta) dias, apresente diretamente ao administrador judicial ou em juízo, a depender do momento processual,a relação completa de seus créditos inscritos em dívida ativa, acompanhada dos cálculos, da classificação e das informações sobre a situação atual. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 1º Para efeito do disposto no caput deste artigo, considera-se Fazenda Pública credora aquela que conste da relação do edital previsto no § 1º do art. 99 desta Lei, ou que, após a intimação prevista no inciso XIII do caput do art. 99 desta Lei, alegue nos autos, no prazo de 15 (quinze) dias, possuir crédito contra o falido. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 2º Os créditos não definitivamente constituídos, não inscritos em dívida ativa ou com exigibilidade suspensa poderão ser informados em momento posterior. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 42 § 3º Encerrado o prazo de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) I - o falido, os demais credores e o administrador judicial disporão do prazo de 15 (quinze) dias para manifestar objeções, limitadamente, sobre os cálculos e a classificação para os fins desta Lei; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) II - a Fazenda Pública, ultrapassado o prazo de que trata o inciso I deste parágrafo, será intimada para prestar, no prazo de 10 (dez) dias, eventuais esclarecimentos a respeito das manifestações previstas no referido inciso; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) III - os créditos serão objeto de reserva integral até o julgamento definitivo quando rejeitados os argumentos apresentados de acordo com o inciso II deste parágrafo; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) IV - os créditos incontroversos, desde que exigíveis, serão imediatamente incluídos no quadro-geral de credores, observada a sua classificação; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 43 V - o juiz, anteriormente à homologação do quadro-geral de credores, concederá prazo comum de 10 (dez) dias para que o administrador judicial e a Fazenda Pública titular de crédito objeto de reserva manifestem-se sobre a situação atual desses créditos e, ao final do referido prazo, decidirá acerca da necessidade de mantê-la. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 4º Com relação à aplicação do disposto neste artigo, serão observadas as seguintes disposições: (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) I - a decisão sobre os cálculos e a classificação dos créditos para os fins do disposto nesta Lei, bem como sobre a arrecadação dos bens, a realização do ativo e o pagamento aos credores, competirá ao juízo falimentar; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) II - a decisão sobre a existência, a exigibilidade e o valor do crédito, observado o disposto no inciso II do caput do art. 9º desta Lei e as demais regras do processo de falência, bem como sobre o eventual prosseguimento da cobrança contra os corresponsáveis, competirá ao juízo da execução fiscal; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 44 III - a ressalva prevista no art. 76 desta Lei, ainda que o crédito reconhecido não esteja em cobrança judicial mediante execução fiscal, aplicar-se-á, no que couber, ao disposto no inciso II deste parágrafo; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) IV - o administrador judicial e o juízo falimentar deverão respeitar a presunção de certeza e liquidez de que trata o art. 3º da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, sem prejuízo do disposto nos incisos II e III deste parágrafo; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) V - as execuções fiscais permanecerão suspensas até o encerramento da falência, sem prejuízo da possibilidade de prosseguimento contra os corresponsáveis; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) VI - a restituição em dinheiro e a compensação serão preservadas, nos termos dos arts. 86 e 122 desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) VII - o disposto no art. 10 desta Lei será aplicado, no que couber, aos créditos retardatários. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 45 § 5º Na hipótese de não apresentação da relação referida no caput deste artigo no prazo nele estipulado, o incidente será arquivado e a Fazenda Pública credora poderá requerer o desarquivamento, observado, no que couber, o disposto no art. 10 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 6º As disposições deste artigo aplicam-se, no que couber, às execuções fiscais e às execuções de ofício que se enquadrem no disposto nos incisos VII e VIII do caput do art. 114 da Constituição Federal. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 7º O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, aos créditos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 8º Não haverá condenação em honorários de sucumbência no incidente de que trata este artigo. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 46 Conteúdo de uma Habilitação de Crédito (art. 9º): nome, endereço do credor; valor atualizado, origem e classificação do crédito; documentos comprobatórios; garantia, se houver (indicação e especificação. Se o administrador concordar com a habilitação ou a divergência, irá incluí-la na nova lista de credores que será feita por ele; caso contrário, não a incluirá, caso em que cabe Impugnação (fase judicial). 47 Art. 9º .A habilitação de crédito realizada pelo credor nos termos do art. 7o, § 1o, desta Lei deverá conter: I – o nome, o endereço do credor e o endereço em que receberá comunicação de qualquer ato do processo; II – o valor do crédito, atualizado até a data da decretação da falência ou do pedido de recuperação judicial, sua origem e classificação; III – os documentos comprobatórios do crédito e a indicação das demais provas a serem produzidas; IV – a indicação da garantia prestada pelo devedor, se houver, e o respectivo instrumento; V – a especificação do objeto da garantia que estiver na posse do credor. Parágrafo único. Os títulos e documentos que legitimam os créditos deverão ser exibidos no original ou por cópias autenticadas se estiverem juntados em outro processo. 48 c) Relação de credores do AJ Findo o prazo das habilitações/ divergências de crédito (15 dias do 1º edital), terá o administrador judicial o prazo de 45 dias para apresentar a nova relação de credores (art. 7º, §2º), através da publicação de NOVO EDITAL. Publicado o 2º Edital contendo a Relação de Credores, caso haja discordância da parte prejudicada poderá haver Impugnação perante o juiz. 49 d) Impugnações da Relação de Credores Serão apresentadas caso haja omissão (habilitação negada) ou discordância quanto à legitimidade, importância ou classificação do crédito (art. 8º). Autuadas em separado. Procedimento estabelecido nos arts. 13 a 15. 50 Art. 8o . No prazo de 10 (dez) dias, contado da publicação da relação referida no art. 7o, § 2o, desta Lei, o Comitê, qualquer credor, o devedor ou seus sócios ou o Ministério Público podem apresentar ao juiz impugnação contra a relação de credores, apontando a ausência de qualquer crédito ou manifestando-se contra a legitimidade, importância ou classificação de crédito relacionado. Parágrafo único. Autuada em separado, a impugnação será processada nos termos dos arts. 13 a 15 desta Lei. 51 e) PROCEDIMENTO DA IMPUGNAÇÃO: Apresentar petição judicial (impugnação) no prazo de 10 dias (art. 8º) da publicação do 2º Edital contendo a relação de credores. Legitimidade: Comitê de Credores, qualquer credor, o devedor, sócios ou o Ministério Público (art. 8º). Será autuada em separado e dirigida ao juízo; assinada por advogado e deve conter os documentos necessários, além das provas a serem produzidas (art. 13). 52 CONTESTAÇÃO: credores (tiveram crédito impugnado) tem o prazo de 5 dias para contestar (art. 11). MANIFESTAÇÃO DEVEDOR/ COMITÊ: prazode 5 dias para manifestação do devedor e do Comitê (prazo comum) sobre a impugnação apresentada pelos credores (art. 12). PARECER: prazo de 5 dias para emissão de parecer do administrador judicial (art. 12, parágrafo único) e apresentação de laudo de peritos auxiliares, se houver necessidade. 53 DECISÃO PELO JUIZ: a impugnação será conclusa ao juiz (sem prazo) que deverá tomar os procedimentos descritos no art. 15, ou seja: decidirá sobre a inclusão ou não dos créditos impugnados para que haja consolidação do QGC, inclusive designando audiência se necessário (art. 15) e mandará incluir os créditos não impugnados. Cada impugnação corre em autos apartados. Várias impugnações sobre o mesmo crédito podem fluir nos mesmos autos. Inexistindo (art. 14) ou após decisão sobre as impugnações (art. 15), o rol de credores será remetido ao status de QUADRO GERAL DE CREDORES. 54 Art. 11. Os credores cujos créditos forem impugnados serão intimados para contestar a impugnação, no prazo de 5 (cinco) dias, juntando os documentos que tiverem e indicando outras provas que reputem necessárias. Art. 12. Transcorrido o prazo do art. 11 desta Lei, o devedor e o Comitê, se houver, serão intimados pelo juiz para se manifestar sobre ela no prazo comum de 5 (cinco) dias. Parágrafo único. Findo o prazo a que se refere o caput deste artigo, o administrador judicial será intimado pelo juiz para emitir parecer no prazo de 5 (cinco) dias, devendo juntar à sua manifestação o laudo elaborado pelo profissional ou empresa especializada, se for o caso, e todas as informações existentes nos livros fiscais e demais documentos do devedor acerca do crédito, constante ou não da relação de credores, objeto da impugnação. 55 Art. 13. A impugnação será dirigida ao juiz por meio de petição, instruída com os documentos que tiver o impugnante, o qual indicará as provas consideradas necessárias. Parágrafo único. Cada impugnação será autuada em separado, com os documentos a ela relativos, mas terão uma só autuação as diversas impugnações versando sobre o mesmo crédito. Art. 14. Caso não haja impugnações, o juiz homologará, como quadro-geral de credores, a relação dos credores de que trata o § 2º do art. 7º, ressalvado o disposto no art. 7º-A desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 56 Art. 15. Transcorridos os prazos previstos nos arts. 11 e 12 desta Lei, os autos de impugnação serão conclusos ao juiz, que: I – determinará a inclusão no quadro-geral de credores das habilitações de créditos não impugnadas, no valor constante da relação referida no § 2o do art. 7o desta Lei; II – julgará as impugnações que entender suficientemente esclarecidas pelas alegações e provas apresentadas pelas partes, mencionando, de cada crédito, o valor e a classificação; III – fixará, em cada uma das restantes impugnações, os aspectos controvertidos e decidirá as questões processuais pendentes; IV – determinará as provas a serem produzidas, designando audiência de instrução e julgamento, se necessário. 57 Art. 16. Para fins de rateio na falência, deverá ser formado quadro-geral de credores, composto pelos créditos não impugnados constantes do edital de que trata o § 2º do art. 7º desta Lei, pelo julgamento de todas as impugnações apresentadas no prazo previsto no art. 8º desta Lei e pelo julgamento realizado até então das habilitações de crédito recebidas como retardatárias. (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 1º As habilitações retardatárias não julgadas acarretarão a reserva do valor controvertido, mas não impedirão o pagamento da parte incontroversa. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 2º Ainda que o quadro-geral de credores não esteja formado, o rateio de pagamentos na falência poderá ser realizado desde que a classe de credores a ser satisfeita já tenha tido todas as impugnações judiciais apresentadas no prazo previsto no art. 8º desta Lei, ressalvada a reserva dos créditos controvertidos em função das habilitações retardatárias de créditos distribuídas até então e ainda não julgadas. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 58 Art. 17. Da decisão judicial sobre a impugnação caberá agravo. Parágrafo único. Recebido o agravo, o relator poderá conceder efeito suspensivo à decisão que reconhece o crédito ou determinar a inscrição ou modificação do seu valor ou classificação no quadro-geral de credores, para fins de exercício de direito de voto em assembleia-geral. 59 O juiz poderá determinar a RESERVA DE VALORES (art. 16), enquanto pendente o julgamento da impugnação. Pode ser interposto AGRAVO contra a decisão judicial sobre a impugnação (art. 17), que poderá ter efeito suspensivo. A responsabilidade pela consolidação do QUADRO-GERAL DE CREDORES é do administrador judicial (art. 18). O Juízo homologará o QGC, mencionando a importância e a classificação de cada crédito (assinatura do juiz e do administrador – art. 18, § único). Será publicado no órgão oficial, no prazo de 5 dias, contados da sentença que houver julgado as impugnações. 60 Art. 18. O administrador judicial será responsável pela consolidação do quadro-geral de credores, a ser homologado pelo juiz, com base na relação dos credores a que se refere o art. 7o, § 2o, desta Lei e nas decisões proferidas nas impugnações oferecidas. Parágrafo único. O quadro-geral, assinado pelo juiz e pelo administrador judicial, mencionará a importância e a classificação de cada crédito na data do requerimento da recuperação judicial ou da decretação da falência, será juntado aos autos e publicado no órgão oficial, no prazo de 5 (cinco) dias, contado da data da sentença que houver julgado as impugnações. 61 Publicado o quadro geral de credores, este só pode ser MODIFICADO em caso de: falsidade, dolo, simulação, fraude, erro essencial; ou juntada de novos documentos ignorados; ou da inclusão de credores retardatários no QGC (art. 19). O procedimento será ordinário, mas perante o Juízo falimentar – nome da ação: AÇÃO REVISIONAL DE CRÉDITO. 62 A ação revisional de crédito será cabível quando o prazo impugnatório fluiu “in albis”, e são conhecidas ilicitudes que precisam barrar o pagamento do crédito viciado. Pode ser utilizada a TUTELA ANTECIPADA ou o julgamento antecipado da lide (arts. 300 e ss NCPC) – a lei não prevê rito especial. 63 64 Antes da Homologação do QGC Depois da Homologação do QGC Processada como Impugnação (art. 10, §5º) Ação de Retificação do QGC (Art. 10, §6º) Procedimento dos arts. 13 a 15 Procedimento Ordinário, CPC Art. 19. O administrador judicial, o Comitê, qualquer credor ou o representante do Ministério Público poderá, até o encerramento da recuperação judicial ou da falência, observado, no que couber, o procedimento ordinário previsto no Código de Processo Civil, pedir a exclusão, outra classificação ou a retificação de qualquer crédito, nos casos de descoberta de falsidade, dolo, simulação, fraude, erro essencial ou, ainda, documentos ignorados na época do julgamento do crédito ou da inclusão no quadro-geral de credores. § 1o A ação prevista neste artigo será proposta exclusivamente perante o juízo da recuperação judicial ou da falência ou, nas hipóteses previstas no art. 6o, §§ 1o e 2o, desta Lei, perante o juízo que tenha originariamente reconhecido o crédito. § 2o Proposta a ação de que trata este artigo, o pagamento ao titular do crédito por ela atingido somente poderá ser realizado mediante a prestação de caução no mesmo valor do crédito questionado. 65 f) Credores Retardatários Não apresentado o crédito no prazo legal (15 dias), poderá ser apresentado perante o juiz, mas será considerado retardatário (art. 10). O momento da apresentação é importante: ANTES ou DEPOIS da homologação do QGC, pois o tratamento será diferenciado. Credores sofrerão restrições: art. 10, § 1º a 4º. 66 Art. 10. Não observado o prazo estipulado no art. 7o, § 1o, desta Lei, as habilitações de crédito serão recebidascomo retardatárias. § 1o Na recuperação judicial, os titulares de créditos retardatários, excetuados os titulares de créditos derivados da relação de trabalho, não terão direito a voto nas deliberações da assembleia-geral de credores. § 2o Aplica-se o disposto no § 1o deste artigo ao processo de falência, salvo se, na data da realização da assembleia-geral, já houver sido homologado o quadro-geral de credores contendo o crédito retardatário. § 3o Na falência, os créditos retardatários perderão o direito a rateios eventualmente realizados e ficarão sujeitos ao pagamento de custas, não se computando os acessórios compreendidos entre o término do prazo e a data do pedido de habilitação. § 4o Na hipótese prevista no § 3o deste artigo, o credor poderá requerer a reserva de valor para satisfação de seu crédito. 67 Art. 10. [...] § 5o As habilitações de crédito retardatárias, se apresentadas antes da homologação do quadro-geral de credores, serão recebidas como impugnação e processadas na forma dos arts. 13 a 15 desta Lei. § 6o Após a homologação do quadro-geral de credores, aqueles que não habilitaram seu crédito poderão, observado, no que couber, o procedimento ordinário previsto no Código de Processo Civil, requerer ao juízo da falência ou da recuperação judicial a retificação do quadro-geral para inclusão do respectivo crédito. § 7º O quadro-geral de credores será formado com o julgamento das impugnações tempestivas e com as habilitações e as impugnações retardatárias decididas até o momento da sua formação. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 68 Art. 10. [...] § 8º As habilitações e as impugnações retardatárias acarretarão a reserva do valor para a satisfação do crédito discutido. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 9º A recuperação judicial poderá ser encerrada ainda que não tenha havido a consolidação definitiva do quadro-geral de credores, hipótese em que as ações incidentais de habilitação e de impugnação retardatárias serão redistribuídas ao juízo da recuperação judicial como ações autônomas e observarão o rito comum. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) § 10. O credor deverá apresentar pedido de habilitação ou de reserva de crédito em, no máximo, 3 (três) anos, contados da data de publicação da sentença que decretar a falência, sob pena de decadência. (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) 69