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E-book_Neurobiologia-TDAH

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Júlia

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NEUROBIOLOGIA
DO TDAH:
Avanços e Implicações Clínicas
e-book
índice
Introdução ........................................................................... 3
Bases neurobiológicas do TDAH .......................................... 6
Influência do desenvolvimento e da genética ....................... 7
Implicações clínicas e terapêuticas ................................... 10
Conclusão ....................................................................... 13
A Artmed ......................................................................... 14
Referências ..................................................................... 15
3
O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um dos transtornos do neurode-
senvolvimento mais comuns na faixa pediátrica. Estima-se uma prevalência mundial em torno 
de 7,2% entre as crianças. É caracterizado por sintomas persistentes envolvendo a tríade de 
desatenção, hiperatividade e impulsividade. Envolve disfunções em circuitos cortico-estriatais, 
alterações nos sistemas dopaminérgico e noradrenérgico, além de ter influências genéticas e 
ambientais. 
As características dessa condição impactam diretamente a função do paciente em diferentes 
ambientes, tanto acadêmico e profissional, quanto social. Pode se manifestar através de dificul-
dades escolares, prejuízo na produtividade do trabalho, baixa autoestima, prejuízo nas relações 
interpessoais, instabilidade emocional. Além disso, grande parte dos meninos e meninas com 
TDAH também atende aos critérios de diagnóstico para outro transtorno mental, como ansieda-
de, depressão, transtorno de oposição desafiador, transtornos de conduta, além de maior risco 
para o uso de substâncias. 
O TDAH é uma condição crônica; os sintomas são vistos desde a infância, sendo que a maioria 
das crianças continuará a ter impactos durante a adolescência e adultez. O pediatra ou outro 
profissional de saúde, como o médico da atenção primária, deve iniciar uma avaliação de TDAH 
para qualquer criança ou adolescente de quatro a 18 anos que apresente problemas acadêmicos 
ou comportamentais e sintomas de desatenção, hiperatividade ou impulsividade. 
Os critérios diagnósticos para o TDAH no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Men-
tais, 5ª edição (DSM-5) são divididos em dois grandes grupos: desatenção e hiperatividade/im-
pulsividade. Para que o diagnóstico seja feito, é necessário que o paciente apresente sintomas 
de pelo menos um desses grupos, com persistência por um período significativo, comprometen-
do o funcionamento social, acadêmico ou profissional. Veja os critérios: 
INTRODUÇÃO
4
A. Padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que 
interfere no funcionamento ou no desenvolvimento, manifestado por seis (ou 
mais) dos seguintes sintomas (por pelo menos 6 meses):
1. Desatenção: 
• Com frequência não presta atenção a detalhes ou comete erros por descuido 
em tarefas escolares, no trabalho ou em outras atividades. 
• Com frequência tem dificuldade em manter a atenção em tarefas ou ativida-
des lúdicas. 
• Frequentemente parece não ouvir quando lhe falam diretamente. 
• Com frequência não segue instruções e não termina tarefas escolares, afa-
zeres ou deveres no local de trabalho (não por oposição, mas devido à falta de 
atenção aos detalhes). 
• Com frequência tem dificuldades para organizar tarefas e atividades. 
• Evita, não gosta ou reluta em se engajar em tarefas que exijam esforço men-
tal contínuo (como tarefas escolares ou trabalhos). 
• Perde com frequência coisas necessárias para tarefas e atividades (por 
exemplo, brinquedos, deveres de casa, chaves, documentos, óculos etc.). 
• Com frequência é facilmente distraído por estímulos externos. 
• Com frequência esquece-se de realizar atividades diárias. prejuízos associa-
dos ao uso da internet e sua diferenciação de uma alta demanda para seu uso, 
causada pelo ambiente social ou laboral do indivíduo. 
2. Hiperatividade e Impulsividade: 
• Com frequência agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira. 
• Com frequência levanta-se em situações em que se espera que a pessoa 
permaneça sentada. 
5
• Com frequência corre ou sobe em lugares inadequados (em adolescentes ou 
adultos, pode se limitar a sentimentos de inquietação). 
• É incapaz de brincar ou se envolver tranquilamente em atividades de lazer. 
• Está frequentemente “a mil” ou “agindo como se estivesse com um motor”. 
• Fala excessivamente. 
• Responde antes que a pergunta tenha sido completada. 
• Dificuldade em esperar a sua vez. 
• Interrompe ou se intromete nas conversas ou nos jogos dos outros. 
B. Os sintomas de desatenção ou hiperatividade/impulsividade estão presentes 
em duas ou mais configurações (por exemplo, na escola, no trabalho, em casa, 
com amigos ou em outras atividades). 
C. Há evidências claras de que os sintomas interferem ou reduzem a qualidade 
do funcionamento social, acadêmico ou profissional. 
D. Os sintomas não ocorrem exclusivamente durante o curso de um transtorno 
psicótico, esquizofrenia ou outro transtorno psicótico, e não podem ser explica-
dos por outro transtorno mental (como transtornos de humor, ansiedade, disso-
ciativo, de personalidade ou uso de substâncias). 
E. Os sintomas devem ter sido presentes por pelo menos 6 meses e estarem 
causando prejuízo em mais de um ambiente (como escola e casa). 
Conquistar um diagnóstico correto e entender sua base neurobiológica são indispensáveis para 
reduzir estigmas e direcionar intervenções eficazes (como terapia comportamental e farmaco-
lógica), diferenciando o transtorno de outras condições com sintomas semelhantes. O acompa-
nhamento com profissionais capacitados é fundamental, garantindo uma abordagem precoce, 
precisa e integral deste paciente, almejando qualidade de vida associada a melhores desempe-
nhos no âmbito social e profissional. 
6
Os neurotransmissores possuem função chave no funcionamento do sistema nervoso. Os prin-
cipais neurotransmissores envolvidos no TDAH são a dopamina e a noradrenalina, presentes em 
níveis reduzidos da normalidade nesses pacientes. A dopamina está associada à motivação, ao 
reforço positivo e ao controle dos impulsos, impactando a memória de trabalho e o planejamento 
de tarefas. Já a noradrenalina atua na modulação da excitação e na regulação da atenção seleti-
va, além de desempenhar um papel crítico na regulação da impulsividade, ajudando no controle 
da resposta a distrações. Os psicoestimulantes utilizados no tratamento do TDAH aumentam 
a disponibilidade de dopamina e noradrenalina nas sinapses, melhorando o funcionamento do 
córtex pré-frontal e promovendo maior controle cognitivo e comportamental. 
As principais áreas cerebrais envolvidas no TDAH são: Córtex Pré-Frontal, Gânglios da Base e 
Córtex Cingulado Anterior. O Córtex Pré-Frontal atua na regulação da atenção, do planejamento e 
do controle dos impulsos. Os Gânglios da Base estão envolvidos com o processamento da mo-
tivação e da resposta a recompensas. O Córtex Cingulado Anterior está relacionado à detecção 
de erros e ao controle da atenção seletiva. Indivíduos com TDAH apresentam menor ativação 
dessas áreas cerebrais, comprometendo a regulação da atenção e da impulsividade. 
BASES NEUROBIOLÓGICAS DO TDAH 
7
As áreas cerebrais dos pacientes com TDAH podem ter modificações estruturais vistas em exa-
mes de imagem. Algumas técnicas, como a ressonância magnética funcional (fMRI), revelam pa-
drões atípicos de ativação em circuitos fronto-estriatais durante tarefas que demandam atenção 
e controle de impulsos. Além disso, pode-se visualizar redução do volume do córtex pré-frontal 
e dos gânglios da base em alguns casos. É importante destacar que não existe evidência sufi-
ciente para relacionar a sintomatologia do paciente com TDAH e alterações em neuroimagem. 
Somado a isso, não há um achado específico que isoladamente auxilie no diagnóstico de TDAH.
A maturação cerebral dos pacientes com TDAH pode ter uma diferenciaçãoem comparação 
com a população geral, principalmente relacionado ao desenvolvimento do córtex pré-frontal, 
responsável por funções executivas como planejamento, atenção e controle de impulsos. Essas 
funções abarcam subdomínios específicos do comportamento como volição, habilidades para 
explorar, selecionar, monitorar e direcionar a atenção, inibir estímulos concorrentes, prever e pla-
nejar meios de resolver problemas complexos, antecipar consequências, apresentar flexibilidade 
na alteração de estratégias em função das contingências, e monitorar o comportamento compa-
rando-o com o planejamento inicial. Há estudos que apontam modificação no desenvolvimento 
cortical em crianças com TDAH, com atraso da maturação do córtex pré-frontal em até três anos. 
Sabe-se que há uma heterogeneidade em relação à clínica de TDAH, com diferentes padrões de 
comportamento entre os pacientes com a condição. A tríade de desatenção, hiperatividade e 
impulsividade ocorre em alguma extensão em todas as crianças. A persistência, a intensidade, a 
inadequação do desenvolvimento e as complicações funcionais dos sintomas comportamentais 
serão diferentes entre os pacientes. Essa distinção faz com que alguns pacientes se enquadrem 
em padrões desatentos, hiperativos e/ou impulsivos. Essa variação está diretamente relaciona-
da com o ritmo de maturação cerebral variável entre os indivíduos. 
O TDAH é considerado um transtorno multifatorial, ou seja, é resultante da interação entre predis-
posições genéticas e influências ambientais. Ocorre em famílias, assim como outros transtornos 
psiquiátricos e de desenvolvimento. Parentes de primeiro grau daqueles com TDAH têm duas a 
oito vezes mais risco de apresentar a condição. Somado a isso, há estudos de diferentes países 
com gêmeos que fornecem estimativas de herdabilidade de aproximadamente 75 por cento. É 
importante salientar que os riscos familiares e genéticos aumentam a probabilidade de TDAH, 
mas não determinam a presença do transtorno. O TDAH não é explicado por nenhum fator de 
risco isolado. 
Além dos fatores genéticos, os fatores ambientais também podem desempenhar um papel se-
cundário. 
INFLUÊNCIA DO DESENVOLVIMENTO E DA GENÉTICA 
8
Ainda está limitado o nível de evidência para a associação entre dietas inadequadas e o risco 
para o TDAH. Baseada em estudos observacionais principalmente por análise dos cuidadores, 
conclui-se que pode haver um prejuízo na atenção em pacientes que consomem dietas que con-
tenham aditivos alimentares (corantes artificiais, sabores artificiais, conservantes), excesso de 
açúcar ou ingestão reduzida de ácidos graxos essenciais e minerais como o ferro. As sensibilida-
des alimentares, como são o caso de alergias ou intolerâncias, não têm associação direta com o 
transtorno, embora possa haver prejuízos do ponto de vista comportamental dos pacientes que 
sofrem com essas reações na sua dieta. Todavia, ao contrário, há evidências mais robustas que 
reforçam que padrões alimentares saudáveis (por exemplo, à base de vegetais com pouco con-
sumo de aditivos alimentares, açúcares refinados, gordura saturada e alimentos processados/
ultraprocessados) estavam associados à diminuição do risco de TDAH. 
A utilização de aditivos alimentares, como conservantes, corantes, aromatizantes, espessantes 
e acidulantes, é regulamentada por órgãos de saúde e segurança alimentar, que avaliam sua 
segurança e estabelecem limites máximos de uso para garantir que não representem riscos à 
saúde dos consumidores. Entretanto, sabe-se que a ingestão excessiva de certos aditivos pode 
ter efeitos prejudiciais à higidez. 
Não há um consenso que apoie uma relação entre aditivos alimentares e TDAH em algumas 
crianças. O uso de aditivos alimentares pode ter um efeito deletério pequeno nas crianças, mas 
não limitado exclusivamente a aquelas com TDAH. É um problema de saúde pública geral, não 
diretamente dos pacientes com essa condição. Sabe-se que crianças que abusam de aditivos 
alimentares podem ter prejuízo agregado na sala de aula se a maioria das crianças na classe 
sofrer um pequeno decréscimo comportamental, principalmente hiperativo, com efeitos aditivos 
ou sinérgicos. 
1. Controle da dieta 
1.1 Aditivos alimentares 
9
Estudos indicam que crianças nascidas prematura-
mente (antes de 37 semanas de gestação) ou com 
peso inferior a 2.500g apresentam maior probabili-
dade de desenvolver dificuldades cognitivas, com-
portamentais e atencionais ao longo da infância. Os 
mecanismos subjacentes a essa relação envolvem 
vulnerabilidades neurológicas decorrentes da imatu-
ridade do cérebro no período perinatal, hipóxia, infla-
mação e possíveis lesões na substância branca.
A ingestão de alimentos ricos em açúcar tem efeito adverso no comportamento. A sensibilidade 
ao açúcar refinado e hipoglicemia reativa funcional (que desencadeia a liberação de hormônios 
do estresse, como a adrenalina) após a ingestão de açúcar podem desencadear esse tipo de 
reação. A hipoglicemia reativa funcional, também chamada de hipoglicemia pós-prandial, é uma 
condição caracterizada pela diminuição dos níveis de glicose no sangue que ocorre entre duas e 
cinco horas após a ingestão de uma refeição rica em carboidratos. Essa queda de glicose pode 
levar ao aparecimento de sintomas típicos de hipoglicemia, como irritabilidade e dificuldade de 
concentração. 
Não há uma correlação direta entre deficiência de ferro e o TDAH. Entretanto, é interessante 
acompanhar os níveis de ferro e ferritina do paciente. A síntese da dopamina inicia-se a partir 
do aminoácido tirosina, que é convertida em L-DOPA pela enzima tirosina hidroxilase. Posterior-
mente, a L-DOPA é descarboxilada para formar dopamina. O ferro atua como cofator essencial 
da tirosina hidroxilase, sendo fundamental para a produção adequada de dopamina. Portanto, 
níveis insuficientes de ferro e ferritina podem comprometer a síntese desse neurotransmissor e 
exacerbar os sintomas em distúrbios cognitivos e de aprendizagem. 
A qualidade do sono tem interferência direta em consequências comportamentais. O sono é um 
estado de consciência fundamental para consolidação da memória e plasticidade neuronal. A 
privação de sono está relacionada a consequências como déficit de consolidação da memória, 
limitação para fixação de conteúdos, redução de desempenho cognitivo, regulação emocional. 
Estudos apontam que entre 25% e 50% das pessoas com TDAH apresentam problemas de sono, 
incluindo insônia e narcolepsia. Assim, é essencial que o profissional de saúde aborde a questão 
do sono durante as consultas, visando minimizar os sintomas associados a distúrbios do sono. 
1.2 Açúcar refinado 
1.3 Suplementação de ferro 
2. Qualidade do sono 
3. Prematuridade e baixo peso ao nascer
10
Compreender os achados neurobiológicos do TDAH é fundamental para direcionar estratégias 
terapêuticas eficazes. Ainda existem muitas limitações ao nível do sistema que dificultam abor-
dagens mais profundas para os pacientes que sofrem dessa condição. Em geral, as recomen-
dações exigem que os pacientes e suas famílias estejam mais próximos, de forma coordenada, 
desenvolvendo uma comunicação bidirecional de cuidados entre os pacientes e contatos, se-
jam eles seus cuidadores, as escolas e/ou outras partes interessadas da comunidade. Há duas 
modalidades de tratamento, divididas em intervenções terapêuticas (principalmente técnicas 
cognitivas comportamentais) e em tratamento medicamentoso. As recomendações podem ser 
separadas por faixa etária, conforme discutido abaixo: 
Quando a glicose materna não é adequadamente controlada durante a gestação, pode haver in-
flamação crônica, estresse oxidativo e disfunção vascular na placenta, levando a um suprimento 
inadequado de oxigênio e nutrientes ao cérebro em desenvolvimento. Além disso, a hiperglice-
mia materna pode afetar a maturação da substância branca e dos circuitos neurais relacionados 
à atenção e ao controle inibitório. 
Em suma, os sintomas do TDAH são influenciados diretamentepela maturação cerebral de regi-
ões-chave, como do Córtex Pré-Frontal, Córtex Cingulado Anterior e Gânglios da Base. A intera-
ção complexa entre fatores genéticos e ambientais está diretamente relacionada com a manifes-
tação e a evolução do TDAH ao longo da vida.
4. Exposição pré-natal a diabetes gestacional 
5. Exposição pré-natal a tabaco e/ou álcool 
IMPLICAÇÕES CLÍNICAS E TERAPÊUTICAS 
11
• Idade pré-escolar (quatro a seis anos): treinamento dos cuidadores em gerenciamento de 
comportamento e/ou intervenções comportamentais em sala de aula. O metilfenidato pode 
ser uma opção caso haja prejuízos moderados a graves no funcionamento da criança. O médi-
co deve pesar os riscos para iniciar a intervenção antes dos seis anos de idade contra o dano 
de atrasar o tratamento. 
• Idade escolar (seis a 12 anos): indicado associar medicamentos aprovados pela Food and 
Drug Administration (FDA) para TDAH, juntamente com treinamento dos cuidadores em geren-
ciamento de comportamento e/ou intervenções comportamentais em sala de aula. 
• Adolescentes (entre 12 e 18 anos): orientado prescrever medicamentos aprovados pela FDA 
para TDAH com o consentimento do adolescente. Intervenções educacionais e suportes ins-
trucionais individualizados são necessários, tanto com a família quanto com a escola. 
O treinamento em gerenciamento de comportamento é uma intervenção baseada em evidências 
que visa capacitar os cuidadores de crianças com TDAH a aplicar estratégias eficazes de modifica-
ção comportamental. Essa abordagem é fundamentada nos princípios da terapia cognitivo-compor-
tamental e tem como objetivo melhorar o comportamento da criança e a dinâmica social. São elas: 
• Educação sobre o que é o TDAH: fornecer aos pais uma compreensão aprofundada do trans-
torno, suas manifestações e impactos no comportamento e desenvolvimento da criança. Pode 
ajudar pais e funcionários da escola a aprender como prevenir e responder efetivamente a com-
portamentos inadequados, como interromper, agredir, não concluir tarefas e não atender a solici-
tações. 
• Estratégias de reforço positivo: ensinar os pais a identificar e reforçar comportamentos de-
sejáveis por meio de elogios, recompensas e atenção positiva, incentivando a repetição desses 
comportamentos. 
• Estabelecimento de regras e rotinas: auxiliar os pais na criação de um ambiente estruturado 
com regras claras e rotinas contínuas, o que pode reduzir a ocorrência de comportamentos ina-
dequados. 
• Técnicas de disciplina consistente: orientar sobre a aplicação de consequências apropriadas e 
consistentes para comportamentos impróprios, como o uso de time-out ou a retirada de privilé-
gios, de maneira não punitiva. 
• Desenvolvimento de habilidades de comunicação: promover uma comunicação eficaz entre 
pais e filhos, fortalecendo o vínculo e facilitando a resolução de conflitos. 
Tradicionalmente, o treinamento é realizado de forma presencial, em sessões individuais ou em 
grupo, conduzidas por profissionais capacitados. Com os avanços tecnológicos, sabe-se que abor-
dagens de forma online têm se mostrado igualmente eficazes. 
1. Intervenções psicossociais 
12
O tratamento farmacológico do TDAH baseia-se em medicamentos que modulam os sistemas 
dopaminérgico e noradrenérgico, visando melhorar a neurotransmissão nessas vias. Os princi-
pais fármacos incluem: 
• Estimulantes: como o metilfenidato e as anfetaminas, que aumentam a disponibilidade de 
dopamina e noradrenalina nas sinapses, melhorando a atenção e reduzindo a impulsividade. 
• Não estimulantes: como a atomoxetina, que inibe a recaptação de noradrenalina, e a guan-
facina, um agonista alfa-2 adrenérgico, ambos contribuindo para a regulação da atenção e 
comportamento. 
O médico prescritor deve titular as doses de medicamentos para TDAH para atingir o máximo be-
nefício com efeitos colaterais toleráveis. Além disso, o profissional deve estar atento a comorbi-
dades associadas, como depressão e ansiedade, que também requerem suporte e tratamento. O 
sucesso do tratamento está associado com a preferência entre o paciente e o cuidador, devendo 
este item ser considerado pelo prescritor. 
Os avanços na compreensão neurobiológica do TDAH têm direcionado tratamentos mais espe-
cíficos e eficazes. O cuidado ideal ocorre quando ambas as terapias são usadas, mas a decisão 
sobre as terapias depende muito da aceitabilidade e viabilidade da família. Uma abordagem mul-
timodal, que combine farmacoterapia com intervenções baseadas em neurociência, é recomen-
dada para atender às necessidades individuais dos pacientes. 
2. Farmacoterapia 
13
O TDAH é uma condição neuropsiquiátrica prevalente, com estimativas variando em torno de 7% 
da população mundial, afetando principalmente crianças e adolescentes. Estudos indicam uma 
prevalência mais elevada em meninos do que em meninas, sendo que a sintomatologia pode se 
modificar com a idade, com muitos casos persistindo na vida adulta. O diagnóstico é clínico e 
envolve a identificação de sintomas de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que cau-
sam prejuízos no funcionamento social, acadêmico ou profissional, com base nos critérios esta-
belecidos pelo DSM-5. A avaliação diagnóstica deve ser realizada por um profissional de saúde 
qualificado, considerando a história clínica do paciente, a observação direta dos sintomas e a 
exclusão de outras condições com sintomas semelhantes. É necessário que os sintomas este-
jam presentes em mais de um ambiente (por exemplo, em casa e na escola), persistam por pelo 
menos seis meses, estejam presentes antes dos 12 anos, prejudiquem a função em atividades 
acadêmicas, sociais ou ocupacionais e não sejam causados por outros transtornos mentais. 
O tratamento do TDAH envolve uma abordagem multimodal, combinando intervenções farmaco-
lógicas e não farmacológicas. O tratamento medicamentoso frequentemente inclui estimulan-
tes, como o metilfenidato, que demonstram eficácia em melhorar os sintomas de desatenção 
e hiperatividade. Em alguns casos, medicamentos não estimulantes, como a atomoxetina, são 
utilizados. Além disso, terapias comportamentais, treinamento de pais e intervenções educacio-
nais têm mostrado resultados positivos no manejo dos sintomas desses pacientes. A pesquisa 
voltada para a compreensão dos aspectos epigenéticos e ambientais também se destaca como 
uma via promissora para desenvolver abordagens preventivas e terapêuticas inovadoras, com 
aplicações clínicas que podem transformar a forma como o TDAH é diagnosticado e tratado. 
O prognóstico do TDAH varia, mas muitos pacientes apresentam melhoria com a intervenção 
precoce, embora os sintomas possam persistir na vida adulta, com desafios relacionados à or-
ganização, controle de impulsos e dificuldades em ambientes de trabalho ou acadêmicos. O 
acompanhamento contínuo e a adaptação do tratamento conforme as necessidades individuais 
são cruciais para a otimização do prognóstico a longo prazo. 
CONCLUSÃO
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REFERÊNCIAS
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Guideline-for-the-Diagnosis. Acesso em: 26 mar. 2025. 
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