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ECOLOGIA DE SISTEMAS AULA 5 Prof.a Tânia Zaleski 2 CONVERSA INICIAL Todos os organismos necessitam de energia para se manterem vivos, crescerem, se reproduzirem e, no caso de muitas espécies, para se movimentarem. A principal energia para a terra é o Sol, que é bombardeada pela energia equivalente a 100 milhões de bombas atômicas, semelhante a que explodiu em Hiroshima. Esta energia aproveitada, em partes, pelas plantas, por meio do processo de fotossíntese, é a base de todos os processos biológicos e estabelece a taxa global de transformações dentro do ecossistema. A quantidade de energia que flui de um nível trófico pode ser aproveitada nos sistemas seguintes, com maior ou menor eficiência. Assim como a energia, os nutrientes seguem uma rota no ecossistema, a qual se relaciona com o processo de reciclagem e reaproveitamento da matéria orgânica. Neste ciclo, os organismos decompositores desempenham um importante papel, pois são os responsáveis pela degradação da matéria orgânica e favorecem a fixação de compostos químicos, principalmente no solo, conhecido como ciclos biogeoquímicos. A forma como a energia é recebida, aproveitada e transformada, por meio dos níveis tróficos, e o caminho dos elementos químicos entre ambiente e organismos é o tema de nossa aula. TEMA 1: ENERGIA Os componentes biótico e abiótico representam a estrutura básica dos ecossistemas e estão intimamente relacionados. Os componentes abióticos são considerados os componentes sem vida, tais como a radiação solar, a temperatura, a luz, a umidade, o vento, a água, o ar e o solo. A radiação solar assume um importante papel nestes ecossistemas, pois fornece a energia necessária para a realização da fotossíntese pelos autótrofos, liberando o oxigênio para a atmosfera. Dentre os componentes bióticos, existem vários níveis de organização e complexidade, mas podem ser divididos em dois grupos principais, os autótrofos e os heterótrofos, conforme a tabela 1. 3 TABELA 1 - CARACTERÍSTICAS DOS COMPONENTES BIÓTICOS DOS ECOSSISTEMAS Autótrofos Heterótrofos Fonte de energia Produtores. Capacidade de sintetizar o próprio alimento a partir de nutrientes e energia. Alimentam-se de matéria orgânica para produzir energia Representantes Plantas e bactérias fotossintetizantes e bactérias quimiossintetizantes Consumidores, saprófitas e decompositores A quantidade de energia produzida pelos organismos autotróficos pode ser determinada por meio da produtividade primária, definida como o rendimento da conversão da energia solar em substâncias orgânicas. Além disso, é subdividida em: produção primária bruta (PPB), mensura a atividade fotossintética total; produção primária líquida (PPL), considera somente a matéria orgânica produzida, eliminando o que foi perdido no processo de respiração. É importante lembrar que os organismos autotróficos realizam a fotossíntese e a respiração, sendo que, no primeiro processo, produzem glicose (energia) gás carbônico. A PPL é uma ferramenta utilizada para indicar a “higidez” de um ecossistema, tendo grande importância para estudos e identificação do equilíbrio ecológico. A PPL é expressa pela massa produzida em uma dada superfície, em um determinado tempo. Nas regiões de mar aberto, a produtividade está em torno de mais de 125 g de biomassa por metro quadrado por ano, inferior às regiões costeiras que está em torno de 2.000 g de biomassa por metro quadrado, por ano. A produtividade primária pode ser influenciada por diferentes fatores, afetando a produtividade dos ecossistemas que serão avaliadas a seguir. TEMA 2: FATORES LIMITANTES DA PRODUTIVIDADE PRIMÁRIA A produtividade primária depende das variações na luz e na temperatura. Para organismos fotossintetizantes, que crescem em plena luz, os níveis de luminosidade, geralmente, excedem o ponto de saturação dos pigmentos fotossintetizadores. Nestes ambientes, a taxa fotossintética não se restringe pela 4 disponibilidade de luz. Já em ambientes sombreados ou ambiente aquáticos, com grande profundidade, a taxa fotossintética é limitada pela luminosidade. A eficiência fotossintética proporciona um índice útil para comparar a produtividade em ambientes naturais. Em ambientes que não são limitados pela água e nutrientes, a eficiência fotossintética varia entre 1 e 2 %. Os 98-99% restantes da energia luminosa são assimilados durante a fotossíntese e depois utilizados no processo de respiração. Entre 25 e 75% da energia é refletida, tendo em vista de que os pigmentos fotossintetizantes absorvem somente um espectro específico da energia luminosa. A disponibilidade de água é um limitante da produtividade primária, em ambientes terrestres. A água é perdida nos estômatos, responsáveis pelas trocas gasosas. Assim, quando a água no solo se aproxima do ponto de afinamento, as plantas fecham os estômatos, evitando a perda de água e, consequentemente, impedem as trocas gasosas, interrompendo a fotossíntese. Os nutrientes, por sua vez, limitam a produção primária, tanto nos ambientes terrestres quanto nos ambientes aquáticos. A produtividade pode ser incrementada pela adição de diversos nutrientes, em especial nitrogênio e fósforo. A produtividade varia, grandemente, com a latitude, pois em menores latitudes temos uma combinação favorável de intensidade solar, temperatura elevada, abundância de chuvas e nutrientes, resultando nos ambientes mais produtivos da Terra. Em contrapartida, em ambientes de maiores latitudes, como os polos, as baixas temperaturas, associadas com os longos períodos de baixa produtividade, reduzem a produtividade. Nos ambientes aquáticos, as condições limitantes da produtividade diferem. Em oceanos abertos e profundos, os restos orgânicos depositam-se nas profundezas, tornando-se escassos nas regiões superficiais que são iluminadas. Estuários, recifes de coral, zonas de ressurgência, onde os nutrientes são abundantes e recirculam, os ecossistemas tendem a ser mais produtivos. TEMA 3: PRODUTIVIDADE SECUNDÁRIA A produtividade secundária refere-se à quantidade de matéria orgânica incorporada pelos consumidores primários ou herbívoros em um determinado 5 período de tempo, sendo dependente da produtividade primária. A produção forma a base das cadeias alimentares ecológicas e é a fonte de energia química dos sistemas. A abundância e a atividade biológica dos organismos, nos níveis tróficos superiores, dependem da transferência de energia para níveis mais altos da cadeia alimentar. A quantidade que atinge o topo depende de quão eficiente a energia é assimilada e, posteriormente, convertida em crescimento e reprodução. Mais detalhes deste processo veremos no próximo tópico. O que é importante destacarmos, neste momento, é que muito das estruturas que constituem as plantas lenhosas são difíceis de serem ingeridas, sendo eliminadas praticamente intactas pelos consumidores. Estes nutrientes só conseguem ser aproveitados pelos detritívoros, numa cadeia trófica a parte, constituída, primeiramente, por animais relativamente grandes que se alimentam da vegetação folhosa, frutos e sementes. A segunda, quando animais relativamente pequenos e os micro-organismos consomem detritos da serapilheira e do solo. Esta cadeia alimentar, apesar da energia mover-se mais lentamente do que a energia assimilada pelos herbívoros, é extremamente importante por ser capaz de devolver os nutrientes para a base das cadeias alimentares. TEMA 4: EFICIÊNCIA DA TRANSFERÊNCIA O valor energético das plantas, para os herbívoros, depende de quanta matéria indigerível elas possuem, tais como celulose, lignina, entre outros. A eficiência de assimilação é dada pela razão da energia assimilada pela energia ingerida, expressa em percentual. A percentagemde energia assimilada pelos herbívoros varia de 15%, nos milípides decompositores de madeira, até 80% nos consumidores de sementes. Já os alimentos de origem animal são mais facilmente digeríveis tendo uma assimilação entre 60 a 90%. Numa regra geral, entre os níveis tróficos, somente de 5 a 20% da energia assimilada passa para os níveis tróficos. A quantidade de energia, que atinge cada nível trófico, depende da produção primária líquida na base da cadeia alimentar e das eficiências de transferência de energia em cada nível trófico. Da energia luminosa assimilada pela fotossíntese, as plantas utilizam entre 15 e 70% para se manterem, a qual depende do ambiente e do padrão crescimento. Plantas ocorrentes em regiões mais quentes tem taxas mais altas de respiração 6 do que plantas de regiões mais frias. A energia respirada acaba sendo perdida na forma de calor e não está disponível para outros níveis tróficos. Como os herbívoros e carnívoros são mais ativos do que os produtores, gastam mais da energia assimilada para manterem suas funções vitais. Desta forma, apenas 5 a 20% da energia do nível trófico abaixo dele é transferida. Você irá identificar, em muitos livros e sites ecológicos, a regra generalizada de 10% de transferência do nível de energia, a fim de facilitar o entendimento e cálculos de transferência energética. Uma consequência desta regra, nos demonstra que somente 1% da energia total assimilada pelos produtores primários termina como produção no terceiro nível trófico. Assim, pouquíssima energia está disponível para sustentar consumidores nos níveis tróficos mais altos, explicando a forma de pirâmide ao se representar a transferência de energia nos sistemas. Estas observações sugerem como os humanos podem aumentar seus suprimentos alimentares, substituindo sua alimentação por uma predominantemente a base de produtos vegetais. TEMA 5: CICLAGEM DE NUTRIENTES Diferentemente da energia que é perdida em forma de calor, os elementos químicos são completamente retidos na biosfera e continuamente são reciclados entre os componentes físicos e biológicos dos ecossistemas. Os organismos utilizam compostos inorgânicos para sintetizar compostos orgânicos, os quais podem ser reciclados diversas vezes antes de serem perdidos para o sedimento, lençóis freáticos ou atmosfera. Os organismos fazem parte dos ciclos dos nutrientes nos ecossistemas, composto por transformações químicas dos elementos ocorrentes também no ar, no solo, na água. Algumas destas reações são extremamente importantes para os organismos, pois os convertem em formas de elementos que podem ser assimilados pelos organismos. A circulação dos elementos pode ser comparada com a movimentação entre os compartimentos, sendo que os grandes compartimentos são os organismos vivos, os detritos orgânicos e as formas inorgânicas acessíveis. Já as formas orgânicas e inorgânicas inacessíveis, geralmente, estão aprisionadas nos sedimentos. 7 Dentre as transformações de energia mais importantes estão as reações associadas a oxidação e redução do carbono, oxigênio, nitrogênio e enxofre. Um átomo é oxidado quando fornece elétrons e reduzido quando recebe elétrons. Após ser oxidado, um átomo libera energia junto com os elétrons eliminados; e, ao ser reduzido, ganha energia junto com os elétrons que recebe. Com cada transformação química, os elementos são mudados de uma forma para a outra. A velocidade que os elementos ciclam, dentro dos ecossistemas, podem ser rápidas ou mais lentas. O ciclo hidrológico equilibra a quantidade de água na forma líquida e na forma de vapor, entre os ambientes. O ciclo do carbono, composto por três processos: fotossíntese e respiração, trocas de dióxido de carbono entre atmosfera e oceanos e precipitação dos sedimentos de carbono nos oceanos. O nitrogênio, em sua grande parte, é reciclado pelos compartimentos biológicos. O fósforo, nutriente que limita a produtividade primária, é assimilado na forma de íons de fosfato. Muitas das transformações de elementos são executadas por micro-organismos especializados. NA PRÁTICA Neste exemplo demonstramos um experimento que promoveu a remoção de um predador de topo de cadeia e as consequências na estrutura da comunidade, reduzindo a riqueza. Esta redução foi promovida pelo aumento da predação ocasionada pela maior abundância e de um predador intermediário. SÍNTESE Nesta aula, abordamos a energia e transmissão por meio dos níveis tróficos na biosfera. A variação na produtividade primária é dependente, primeiramente, da energia luminosa e da disponibilidade de água, fatores variáveis com a latitude. A eficiência no aproveitamento energético é dependente da capacidade de assimilar a energia ingerida e reduz à medida que aumentam os níveis tróficos, tendo em vista de que grande parte desta energia é perdida em forma de calor e na manutenção das funções vitais dos consumidores. Os decompositores apresentam um papel importante nas cadeias tróficas fazendo com que os nutrientes retornem aos sistemas. E, por fim, abordamos a 8 importância dos ciclos biogeoquímicos na ciclagem dos nutrientes, transformando elementos inacessíveis em formas orgânicas acessíveis aos seres vivos. REFERÊNCIAS BEGON, M.; TOWSNEND, C. R.; HARPER, J. L. Ecologia: de indivíduos a ecossistemas. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. ODUM, E.P. & BARRETT, G. W. Fundamentos de Ecologia. 5. ed. São Paulo: Thomson. Learning, 2007. RICKLEFS, R.E. A economia da natureza. 5. ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2003. 503p.