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Ricardo Mollo, MBA Decisões Financeiras Empresariais Aula 2 Objetivo da aula • Identificar riscos financeiros e discutir quais os seus mitigantes • Analisar como o gestor financeiro das companhias decide sobre dilemas de administração de caixa, riscos financeiros, crédito de clientes e necessidade de capital de giro. • CFM 1.2.3.1 - Diferenciar e avaliar as diversas formas de captação de recursos financeiros de via dívida no curto prazo. Aula 2 • Quais riscos financeiros as empresas correm? • Como mitigá-los? • Como administrar capital de giro? • Quais estruturas financeiras utilizar? Planejamento Financeiro ü Para que a empresa possa traduzir em números o seu planejamento financeiro, ou seja, fazer uma projeção de resultados e da criação de valor ela deve levar em consideração: o fluxo de caixa livre, as estratégias financeira e operacional, investigando o impacto das suas decisões no valor e objetivos traçados. Planejamento Financeiro - Objetivos ü Fazer um sistema de projeções dos relatórios financeiros, analisando os efeitos do plano operacional e dos lucros projetados, usando diversos índices. O sistema pode ser usado para ao longo do tempo monitorar os resultados e tomar decisões rápidas de ajuste. ü Determinar os fundos necessários para suportar o plano. Determinar o instrumento de captação de recursos. Planejamento Financeiro ü Fazer a projeção de fluxos disponíveis para re- investimento. ü Desenvolver procedimentos para ajustar o plano básico se este não conseguir se materializar. ü Estabelecer um sistema de compensação gerencial baseado em performance. Projeção de Vendas ü Começa-se fazendo uma revisão das vendas durante os últimos anos, vendo suas variações, ciclos, picos de alta e de baixa. ü Faz-se um gráfico para ajudar a visualizar o perfil das vendas ü No gráfico estabelece-se uma reta de tendência baseada numa regressão linear ü Para fazer a projeção podemos usar métodos quantitativos, qualitativos e subjetivos. Projeção de Vendas Outras formas de projetar vendas ü Regressão Linear - encontrar alta correlação com a variável ü Regressão Múltipla ü Séries Temporais ü Estatística - diversos métodos , ex - exponenciais, lineares, quadráticos, etc. Projeção de Vendas Projeção de Vendas ü Usa-se para qualquer um dos métodos o julgamento dos administradores para ajustar os resultados à realidade. ü Deve-se levar em consideração os cenários econômicos, a concorrência, a capacidade de produção e entrega, a demanda pelo produto, as verbas de Marketing e a estratégia de expansão da empresa, inclusive a expansão externa. ü Deve-se fazer o forecast, projeção de vendas por produto, por unidade produtiva e por região. Projeção de Vendas ü Deve-se ter muito cuidado com o orçamento de vendas pois se estimarmos vendas muito altas pode-se investir demais em equipamentos, edificações e estoques, e se projetarmos vendas de menos pode-se ficar sem produto o que acarretaria perda de market share. ü Estas decisões influenciam diretamente o resultado da empresa e se a empresa tem ROE muito sensível à mudanças em vendas deve-se agir com mais critério ainda. Projeção de Demonstrações Financeiras ü A partir do orçamento de vendas faz-se uma projeção das demonstrações financeiras como uma porcentagem das vendas, ou seja, pega- se o último resultado, encontra-se uma porcentagem em relação às vendas e multiplicando-se pela projeção de vendas dos próximos exercícios. ü Algumas empresas fazem o seu orçamento, linha por linha, o que fica mais detalhado e mais coerente. Projeção de Demonstrações Financeiras ü Os administradores devem tentar sempre que possível fazer estas projeções linha a linha, sem ter que fixar índices, porém isto é um trabalho difícil, principalmente quando se fala em orçar diversos anos. ü Vendas maiores requerem mais recursos para financiar clientes, parte destes recursos vem de fornecedores e outros não. A diferença deve ser captada ou gerada pela operação. Projeção de Demonstrações Financeiras ü As demonstrações vão mostrar em índices qual será a performance exigida aos administradores da empresa para que estes gerem o valor necessário para a empresa atingir suas metas. P a r a i s t o o s a d m i n i s t r a d o r e s s e r ã o recompensados pelo resultado. ü Em resumo - as projeções possibilitam uma visão clara dos fluxos de caixa e do seu impacto no valor da empresa - este é o chamado value based management. Administração do capital de giro ü Grande parte do tempo do CFO é investido em administração de caixa e KG para se determinar quanto deve ser o carregamento de ativos, qual tipo de ativo e como deve ser financiado. ü Outros fatores a serem administrados são: como controlar o KG e como otimizar sua utilização. ü O objetivo deve ser de se utilizar o mínimo de KG possível na empresa, optando pelo financiamento mais barato e casando os prazos de pagamentos e recebimentos. Outro objetivo deve ser o de diminuir o prazo de conversão de ativos em caixa. Administração do capital de giro ü Companhias devem planejar a geração e utilização de capital de giro, bem como o seu financiamento. ü Todo novo projeto de expansão ou projeção de incremento de vendas requerem investimentos anteriores de capital de giro. ü Uma forma de diminuir a necessidade de capital de giro é buscar aumentar prazos de fornecedores, diminuir prazos de contas a receber, diminuir estoques e aumentar a produtividade. Administração do capital de giro ü Estratégias de redução de capital de giro: ü Reduzir prazos de estocagem com planejamento e produtividade ü Obter máximo de descontos com fornecedores ü Comparar taxas bancárias com descontos de fornecedores ü Obter prazos alongados de pagamento sem inclusão de custos financeiros ü Repassar custos de financiamento bancário para clientes ü Não deixar recursos em conta corrente, especialmente em contas vinculadas. Administração do capital de giro ü Manter um controle forte de estoques também ajuda a reduzir capital de giro, bem como administrar com rigor o recebimento de clientes, especialmente os atrasados. ü Controle rígido sobre o “duration” da carteira de recebíveis, nível de inadimplência e nível de estoque ajudam a empresa a manter seu capital de giro no nível esperado pelo orçamento. ü É importante expurgar recebíveis e estoque “podres”, ou seja, aqueles que tem baixo potencial de conversão em caixa. Financiamentos de capital de giro ü Quando as companhias não geram o KG que precisam para expandir suas vendas, precisam de capitalização ou financiamentos. ü Seguem alguns exemplos de produtos de financiamento: Ø CCB e NPs Ø Conta garantida ou crédito rotativo Ø Desconto ou securitização de recebíveis – duplicatas, cheques, cartões de crédito, mensalidades, aluguéis, etc.; CDCI Ø FDIC, vendor, compror, financiamento de tributos Ø ACC, ACE, finimp e forfaiting Ø Crédito rural, CPR, NPR, CRA Financiamentos de capital de giro ü Outras formas de f inanciamento são os empréstimos de acionistas, de companhias controladas, adiantamento de clientes, atraso a fornecedores, atraso ao governo e atraso a funcionários. ü Evidentemente que atrasos trazem risco às empresas e eventualmente multas, juros de mora e sansões administrativas, cíveis e até criminais. Ciclo financeiro das empresas Quantos dias a empresa precisa de KG? Dias de KG = 10 + 5 + 15 + 30 – 25 = 35 dias NCG - Necessidade de Capital de Giro ü Vendas aumentam a necessidade de capital de giro. ü NCG = Incremento de Receitas* ( PMR + PME – PMF)/365 ü PMR = Prazo médio de recebimento = Contas a receber / Receita Líquida *365 ü PME = Prazo médio de estocagem = Estoque / Custo dos produtos vendidos * 365 ü PMF = Prazomédio de fornecedores = Fornecedores + outros passivos de CP / Custo dos produtos vendidos * 365 NCG - Necessidade de Capital de Giro ü Exemplo 1 ü Prazo médio de recebimento - 60 dias ü Prazo médio de fornecedores – 30 dias ü Prazo médio de estoques – 15 dias ü Receitas em 2013 – R$ 150 milhões ü Receitas projetadas para 2014 – R$ 180 milhões ü Qual o capital de giro extra necessário para o incremento de Receitas em 2014 ? ü NCG= Δ Receitas * [( PMR + PME – PMF)/365] ü NCG=(180MM – 150MM) *[(60+15-30)/365] = 3,7MM NCG - Necessidade de Capital de Giro ü Exemplo 2 - A empresa X apresentou os seguintes números no final do ano de 2013: ü Receitas Líquidas – 5 milhões ü Estoque – 500 mil ü Fornecedores – 1 milhão ü Contas a receber – 2 milhões ü CPV – 4 milhões ü Considerando que a empresa está orçando suas Receitas Líquidas em 6 milhões em 2014, qual a sua necessidade de capital de giro para o ano de 2013? NCG - Necessidade de Capital de Giro ü NCG = Incremento de Receitas* ( PMR + PME – PMF)/ 365 ü NCG = (6 mi – 5 mi ) * ( 146 + 46 – 92) / 365 = 273.972,60 ü PMR = Prazo médio de recebimento = Contas a receber / Receita Líquida *365 ü PMR = 2000000 / 5000000 * 365 = 146 dias ü PME = Prazo médio de estocagem = Estoque / Custo dos produtos vendidos * 365 ü PME = 500000/4000000 *365= 46 dias ü PMF = Prazo médio de fornecedores = Fornecedores / Custo dos produtos vendidos * 365 ü PMF = 1000000/4000000*365 = 92 dias Administração de caixa ü Quanto de caixa a empresa deve manter? A rigor, para otimizar o valor do KG, este caixa deveria ser minimizado, porém, empresas optam por manter caixa de segurança e caixa para aproveitamento de oportunidades de compra de companhias, repagamento de dívidas, compras de matéria prima com descontos ou mesmo financiamento de clientes. ü Reservas de caixa servem também como uma forma de dar segurança aos financiadores que a empresa terá recursos para seus futuros pagamentos. Administração de caixa ü Caixa também pode ser utilizado como garantia de operações, ou mesmo em operações de hedge, porém não dever iam ser ut i l izados para especulação financeira. ü A desvantagem de se manter caixa está na arbitragem negativa que isto gera em função de a remuneração das aplicações ser menor que o custo dos financiamentos. ü O ideal para a administração do caixa deveria ser sincronizar os recebimentos e pagamentos e deixar o mínimo de caixa disponível. Administração de caixa ü Quanto mais liquidez as aplicações tiverem, melhor para a segurança da companhia, porém as taxas tendem a ser mais baixas. É prudente fazer um bom planejamento de caixa para saber até quando as aplicações podem ficar retidas, o que em tese deve otimizar sua remuneração. (dilema de liquidez X rentabilidade) ü Algumas empresas ao invés de manter caixa, mantém linhas de crédito disponíveis garantidas (stand by). Para isto pagam uma comissão que geralmente é menor que a arbitragem negativa. ü Uma forma de ter melhor retorno sobre o caixa extra é financiar clientes ou pagar antecipado fornecedores com descontos. Administração de caixa ü Manter relacionamento bancário com diversos bancos também ajuda na gestão e planejamento de caixa, bem como na busca por financiamentos mais baratos e com prazos mais alongados. ü Planejamento fiscal é outra atividade legal utilizada pelas companhias para otimizar os desembolsos para pagamentos dos tributos, onde a empresa encontra formas dentro da lei para diminuir seus gastos tributários. Ex – captação de recursos com linhas de financiamento incentivadas, produção de produtos em estados com benefícios de ICMS, prestação de serviço em cidades com ISS reduzido, compensação tributária, etc. Administração de caixa ü A gestão rígida de estoques diminui a alocação de recursos, diminuindo inclusive gastos com estocagem, perdas inflacionárias, perdas por deterioração, custos extras por urgência etc. ü É necessário cuidar para não ter estoques excedentes, consignados, em desuso, perecíveis, etc. ü Quanto mais “just in time” for a gestão do estoque, menor será a alocação de capital de giro, assim, é importante a integração entre a área financeira e a de supply chain. ü Em alguns setores, grande parte do resultado da companhia vem de especulação de estoque: Ex. Agribusiness Indicadores de Liquidez ü Liquidez Corrente ⇒ AC / PC ü Liquidez Seca ⇒ (AC – Est.) / PC ü Liquidez Geral ⇒ (AC - RLP) / (PC-ELP) ü Liquidez Imediata ⇒ Disponibilidades / PC ü Capital Circulante Líquido (CCL) ⇒ AC - PC Administração de riscos financeiros ü Descasamentos, indexação, exposição cambial, exposição a commodities, risco de crédito, risco de investimentos, riscos patrimoniais, etc. ü Utilização de hedges, seguros, políticas de crédito e políticas de investimentos. ü A empresa corre risco nos seus investimentos, seja em relação a riscos de mercado, como risco de inadimplência, caso um investimento tenha risco de crédito ou de perda de principal. Assim, é necessária a criação de uma polít ica de investimentos que a rigor, deveria preservar o capital da companhia. Administração de crédito ü Companhias geralmente trabalham com limites de crédito para seus clientes e restringem novas vendas a clientes em atraso. ü Geralmente são criadas políticas de crédito e cobrança que variam de companhia a companhia e levam em consideração características dos clientes, do setor e da carteira. ü A análise de crédito pode ser julgamental ou estatística, qualitativa ou quantitativa, devendo gerar um rating e um limite de crédito para cada segmento de clientes. Administração de crédito ü É necessário rigor no controle dos limites, das informações e das garantias. ü É importante lembrar que clientes externos tem além de risco de crédito, riscos documentais, políticos e soberanos. ü Desta forma, a política de vendas externas a crédito deve ser mais rigorosa bem como o controle de documentos e garantias. ü É prudente usar indicadores de inadimplência para controlar os recebimentos considerando prazos diferentes de atrasos (30, 60, 90 ou mais de 90 dias). Administração de crédito ü Mais do que o controle de recebíveis é necessário se tomar medidas de cobrança ou renegociação de dívidas. ü Uma das preocupações do fluxo de recebíveis externos é relacionado a recebimento de países com potencial risco de lavagem de dinheiro ou mesmo de fontes não reconhecidas, como de paraísos fiscais. Sistemas de gestão ü As empresas geralmente usam sistemas integrados (ERP) de auxiliam na gestão de caixa levando em consideração o contas a pagar, contas a receber, estoques, produção, impostos, apl icações financeiras, financiamentos, etc. ü Estes sistemas provem uma série de informações, índices e estatísticas que auxiliam o financeiro a planejar como gerir o caixa para garantir a necessidade de recursos, a custo mais baixo possível e com o menor nível de risco. Case Lumbermeister