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Prof. Thiago Leite, Prof. Matthaus Marçal Pavanini Cardoso 17 Produtos Perigosos e Meio Ambiente Curso Interativo de Direito Ambiental para Carreiras Jurídicas Documento última vez atualizado em 28/06/2024 às 06:32. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 1/51 3 5 18 24 29 51 Índice 17.1) Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17.2) Transporte de Produtos Perigosos 17.3) Agrotóxicos 17.4) Competência Legislativa e Administrativa sobre Agrotóxicos 17.5) Lei 7.802/1989 e seu regulamento 17.6) Lista de Questões 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 2/51 Produtos Perigosos e Meio Ambiente Aspectos Iniciais sobre Produtos Perigosos A Constituição Federal, em seu art. 225, §1º, V, para dar maior efetividade ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, exigiu que o Poder Público adote as medidas necessárias para controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente. Nesse cenário, existem diversas normas que disciplinam o dispositivo constitucional, como as referentes aos produtos perigosos, ao manejo de agrotóxicos e de substâncias de natureza radioativa. Essa competência administrativa fiscalizatória foi atribuída a todos os entes federativos, sendo ratificada e reforçada pela Lei Complementar 140/2011, que atribui à União (art. 7º), aos Estados/DF (art. 8º/art.10) e aos Municípios (art. 9º) o desenvolvimento de ações administrativas para controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente, na forma da lei. Produtos perigosos são aqueles que têm potencial de causar danos ou apresentar risco à saúde, segurança e meio ambiente, sejam eles encontrados na natureza ou produzidos por qualquer processo, nos termos da Resolução ANTT Nº 5.232/2016. Nesse sentido, todos os produtos que possam colocar, no mínimo, em risco a saúde e a segurança da população, bem como a integridade do meio ambiente, devem ser classificados como perigosos e terão tratamento diferenciado quanto ao transporte, armazenamento e fiscalização. Assim, são produtos perigosos quaisquer substâncias que, por serem explosivas, inflamáveis, oxidantes, venenosas, infecciosas, radioativas, corrosivas ou poluentes, que possam representar riscos aos trabalhadores, as instalações físicas e ao meio ambiente em geral. Em face do conceito ampliativo aqui ventilado, muitos são os produtos (substâncias) que se enquadram nesse conceito, como os combustíveis para veículos, explosivos, agrotóxicos e substâncias radioativas. Os produtos perigosos são classificados com fundamento no tipo de risco que representam, seguindo as Recomendações para o Transporte de Produtos Perigosos da ONU. Classificar e reconhecer o grau de lesividade desses produtos tem por objetivo adotar as providências necessárias para o manuseio e transporte deles, bem como as medidas mitigadoras que serão adotadas em caso de acidente, buscando-se sempre garantir com absoluta segurança a integridade das pessoas, animais, habitações e do meio ambiente. Nessa cadência, a classificação adotada no Brasil para os produtos perigosos, como dito, é feita com base no tipo de risco que apresentam e segue as normas das Recomendações para o Transporte de Produtos Perigosos das Nações Unidas. Para fins de transporte dos produtos perigosos em rodovias e ferrovias, a Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT editou a Resolução 5.232/2016 em que enquadrou substâncias (incluindo misturas e soluções) e artigos em uma das nove classes de acordo com o risco por eles apresentados. Algumas dessas classes são subdivididas em subclasses. Vejamos: 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 3/51 Classe Característica Subclasse Característica 1 Explosivos 1.1 Substâncias e artigos com risco de explosão em massa. 1.2 Substâncias e artigos com risco de projeção, mas sem risco de explosão em massa. 1.3 Substâncias e artigos com risco de fogo e com pequeno risco de explosão ou de projeção, ou ambos, mas sem risco de explosão em massa. 1.4 Substâncias e artigos que não apresentam risco significativo. 1.5 Substâncias muito insensíveis, com risco de explosão em massa. 1.6 Artigos extremamente insensíveis, sem risco de explosão em massa. 2 Gases 2.1 Gases inflamáveis. 2.2 Gases não-inflamáveis, não-tóxicos. 2.3 Gases tóxicos. 3 Líquidos Inflamáveis. 4 Sólidos inflamáveis; Matérias sujeitas à inflamação espontânea e matérias que, em contato com a água, libertam gases inflamáveis 4.1 Sólidos inflamáveis. 4.2 Substâncias sujeitas a combustão espontânea. 4.3 Substâncias que, em contato com a água, emitem gases inflamáveis. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 4/51 Transporte de Produtos Perigosos 5 Substâncias oxidantes; Peróxidos orgânicos 5.1 Substâncias oxidantes. 5.2 Peróxidos orgânicos. 6 Substâncias tóxicas e substâncias infectantes. 6.1 Substâncias tóxicas (venenosas). 6.2 Substâncias infectantes. 7 Materiais Radioativos. 8 Corrosivos. 9 Substâncias e artigos perigosos diversos, incluindo substâncias que apresentem risco para o meio ambiente. Cumpre advertir que a ordem numérica das classes e subclasses não corresponde ao grau de risco. Outro ponto de relevo tangencia o fato de muitas das substâncias alocadas às Classes 1 a 9 são consideradas perigosas para o meio ambiente, ainda que não seja necessária uma rotulagem adicional para sua identificação. Se algum resíduo perigoso não se enquadrar nos critérios estabelecidos pelo normativo, deve ser alocado à Classe 9 desde que esteja abrangido pela Convenção da Basiléia sobre o Controle de Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos e sua Disposição Adequada, de 1989, Suíça. Legislação de Regência O transporte de produtos perigosos segue uma legislação específica disciplinada na Lei 10.233/2001 que realizou a reestruturação dos transportes aquaviário e terrestre, e criou a Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários - ANTAQ e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT; bem como pelo Decreto 96.044/88 que trouxe o regulamento do Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos e pelo Decreto 98.973/90 que enumerou as regras para o Transporte Ferroviário desses produtos. Há ainda a regulamentação quanto ao transporte, manuseio e armazenamento de produtos perigosos em aeronaves civis feito pela Agência Nacional de Aviação Civil-ANAC. Essas regras, tendo em vista que o Brasil é signatário da Convenção de Chicago, adotam o estabelecido no Anexo 18 da OACI (Organização da Aviação Civil Internacional) e respectivas 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 5/51 Instruções Técnicas, Doc 9284 AN/905 (Instruções Técnicas para o Transporte Seguro de Artigos Perigosos por Via Aérea). Mais especificamente, temos o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil- RBAC nº 175 que disciplina o transporte de artigos perigosos em aeronaves civis. Cumpre advertir que existem regulamentações da ANTT e ANTAQ que pormenorizam as regras para o transporte de produtos perigosos, como as Resoluções ANTT 5.947/2021 e 5.848/2019, bem como a Resolução ANTAQ 7.954/2020 e a Norma da Autoridade Marítima (Norma n.º 02), que trata de transporte em águas interiores; a norma n.º 01, que regula o transporte em águas marítimas; e ainda a Norma n.º 29, que trata especificamente do transporte de cargas perigosas. A Lei 10.233/2001 disciplinou as competências da ANTT e da ANTAQ no que tange ao transporte de produtos perigosos. Vejamos os principais normativos: Art. 22. Constituem a esfera de atuação da ANTT: VII – o transporte de cargas especiais e perigosas em rodovias e ferrovias. Art.sentido, determinou o normativo que os critérios de avaliação serão estabelecidos em instruções normativas complementares dos órgãos competentes, considerando prioritariamente os seguintes parâmetros: toxicidade; presença de problemas toxicológicos especiais, tais como: neurotoxicidade, fetotoxicidade, ação hormonal e comportamental e ação reprodutiva; persistência no ambiente; bioacumulação; forma de apresentação; e método de aplicação. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 36/51 A norma também vedou o registro de agrotóxicos, seus componentes e afins que apresentarem algumas das características listadas no §6º, do art. 3º, da Lei 7.802/89. Como regra, se o produto provocar danos ao meio ambiente (ecossistemas, flora, fauna) ou a qualidade de vida das pessoas, em limites superiores aos permitidos, deve ter, como regra, o registro indeferido. Vejamos o normativo: Art. 3º (...) § 6º Fica proibido o registro de agrotóxicos, seus componentes e afins: a) para os quais o Brasil não disponha de métodos para desativação de seus componentes, de modo a impedir que os seus resíduos remanescentes provoquem riscos ao meio ambiente e à saúde pública; b) para os quais não haja antídoto ou tratamento eficaz no Brasil; c) que revelem características teratogênicas, carcinogênicas ou mutagênicas, de acordo com os resultados atualizados de experiências da comunidade científica; d) que provoquem distúrbios hormonais, danos ao aparelho reprodutor, de acordo com procedimentos e experiências atualizadas na comunidade científica; e) que se revelem mais perigosos para o homem do que os testes de laboratório, com animais, tenham podido demonstrar, segundo critérios técnicos e científicos atualizados; f) cujas características causem danos ao meio ambiente. Esquematizando temos: 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 37/51 A Lei de Agrotóxicos exige, em seu art. 4º, que as pessoas físicas e jurídicas que sejam prestadoras de serviços na aplicação de agrotóxicos, seus componentes e afins, ou que os produzam, importem, exportem ou comercializem, ficam obrigadas a promover os seus registros nos órgãos competentes, do Estado ou do Município, atendidas as diretrizes e exigências dos órgãos federais responsáveis que atuam nas áreas da saúde, do meio ambiente e da agricultura. A Lei considera que são prestadoras de serviços as pessoas físicas e jurídicas que executam trabalho de prevenção, destruição e controle de seres vivos, considerados nocivos, aplicando agrotóxicos, seus componentes e afins. É possível o cancelamento ou a impugnação do registro devendo ser formalizado por meio de solicitação em três vias dirigido ao órgão federal registrante, a qualquer tempo, devendo contar o laudo técnico que fundamenta a impugnação firmado por, no mínimo, dois profissionais habilitados, acompanhados dos estudos realizados em laboratório. Mas advirta-se que somente os legitimados previstos no art. 5º, da Lei de Agrotóxicos, poderão requerer o cancelamento ou a impugnação, em nome próprio, do registro de agrotóxicos e afins, arguindo prejuízos ao meio ambiente, à saúde humana e dos animais: entidades de classe, representativas de profissões ligadas ao setor; partidos políticos, com representação no Congresso Nacional; entidades legalmente constituídas para defesa dos interesses difusos relacionados à proteção do consumidor, do meio ambiente e dos recursos naturais. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 38/51 Acredito que a norma, embora de salutar importância e concretizadora do princípio da participação comunitária, não poderia restringir a legitimidade para impugnação do registro. Isso porque poderá sempre o órgão registrante agir de ofício ao identificar qualquer erro técnico na concessão do registro. Por outro lado, se organizações internacionais responsáveis pela saúde, alimentação ou meio ambiente, das quais o Brasil seja membro integrante ou signatário de acordos e convênios, alertarem para riscos ou desaconselharem o uso de agrotóxicos, seus componentes e afins, caberá à autoridade competente tomar imediatas providências, sob pena de responsabilidade, nos termos do §4º, do art. 3º, da Lei de Agrotóxicos. Para o processo de impugnação ou cancelamento do registro, a norma previu o prazo de tramitação de no máximo 90 (noventa) dias e que os resultados apurados sejam publicados no Diário Oficial da União. Para isso o Decreto 4.074/02 previu basicamente, em seus arts. 32 a 36, os seguintes procedimentos e prazos: Atores do Processo Prazo Ato a ser praticado Impugnante a qualquer tempo Apresenta requerimento com a fundamentação e prova técnica Órgão federal registrante 30 dias Notificar a empresa detentora do registro ou em fase de registro. Empresa 30 dias Apresentar defesa Órgão federal registrante sem prazo Encaminha para os demais órgãos federais emitirem parecer. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 39/51 Órgão federal registrante 30 dias Manifestação sobre o registro após o recebimento da defesa Comitê Técnico de Assessoramento para Agrotóxicos ----- Deve se manifestar sobre o pedido de cancelamento Órgão federal registrante ----- Comunicará ao requerente o deferimento ou não do pedido e publicará no DOU. Para efeito de registro e pedido de cancelamento ou impugnação de agrotóxicos e afins, todas as informações toxicológicas de contaminação ambiental e comportamento genético, bem como os efeitos no mecanismo hormonal, são de responsabilidade do estabelecimento registrante ou da entidade impugnante e devem proceder de laboratórios nacionais ou internacionais. Embalagens de Agrotóxicos e Afins A Lei 7.802/89, em seu art. 6º, e o Decreto 4.074/02, dos arts. 43 ao 60, estabeleceram as regras para a fabricação das embalagens de agrotóxicos e afins, bem como o fracionamento, a rotulagem e a destinação final de sobras e embalagens. O art. 6º, da Lei 7.802/89, estabeleceu os requisitos para a fabricação de embalagens em face da necessidade de proteger o meio ambiente e a saúde das pessoas, criando regras específicas que buscam evitar contaminações motivadas pela fragilidade das embalagens que contêm os agrotóxicos e afins. Vejamos o normativo: Art. 6º As embalagens dos agrotóxicos e afins deverão atender, entre outros, aos seguintes requisitos: I - devem ser projetadas e fabricadas de forma a impedir qualquer vazamento, evaporação, perda ou alteração de seu conteúdo e de modo a facilitar as operações de lavagem, classificação, reutilização e reciclagem; II - os materiais de que forem feitas devem ser insuscetíveis de ser atacados pelo conteúdo ou de formar com ele combinações nocivas ou perigosas; III - devem ser suficientemente resistentes em todas as suas partes, de forma a não sofrer enfraquecimento e a responder adequadamente às exigências de sua normal conservação; IV - devem ser providas de um lacre que seja irremediavelmente destruído ao ser aberto pela primeira vez. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 40/51 As regras apontadas pelo normativo podem ser visualizadas, resumidamente, em dois grandes requisitos, devendo as embalagens serem projetadas e fabricadas para evitar: a saída espontânea do conteúdo; que a embalagem não reaja quimicamente com o conteúdo. Em face dessa necessidade de cuidado com o acondicionamento e manipulação dos agrotóxicos e afins, a Lei criou regras próprias para o fracionamento e a reembalagem desses produtos químicos para fins de comercialização. Nesse sentido, o fracionamento e a reembalagem de agrotóxicos e afins com o objetivo de comercialização somente poderão ser realizados pela empresa produtora, ou por estabelecimento devidamente credenciado, sob responsabilidade daquela, em locais e condições previamente autorizados pelos órgãos competentes. Essa autorização deve ser expedidapelos órgãos estaduais/DF e municipais competentes. Ademais disso, os agrotóxicos e afins comercializados a partir do fracionamento ou da reembalagem deverão dispor de rótulos, bulas e embalagens aprovados pelos órgãos federais e que destaquem essa alteração. Em consonância com os arts. 30 e 33, da Lei nº 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que expressamente instituiu a responsabilidade compartilhada pelos 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 41/51 resíduos de produtos agrotóxicos, obrigando o consumidor a devolver as embalagens contendo resíduos, além das embalagens vazias, o §2º, do art. 6º, da Lei de Agrotóxicos, previu que os usuários de agrotóxicos, seus componentes e afins deverão efetuar a devolução das embalagens vazias dos produtos aos estabelecimentos comerciais em que foram adquiridos, de acordo com as instruções previstas nas respectivas bulas, no prazo de até um ano, contado da data de compra, ou prazo superior, se autorizado pelo órgão registrante, podendo a devolução ser intermediada por postos ou centros de recolhimento, desde que autorizados e fiscalizados pelo órgão competente, nos termos da Resolução CONAMA 465/2014. Nessa quadra, a destinação de embalagens vazias e de sobras de agrotóxicos e afins deverá atender às recomendações técnicas apresentadas na bula ou folheto complementar, adquiridos na compra do produto. Cumpre destacar que essa responsabilidade será assumida pela pessoa física ou jurídica responsável pela importação em caso de produto não ser fabricado no País, e, tratando-se de produto importado submetido a processamento industrial ou a novo acondicionamento, caberá ao órgão registrante definir quem será o responsável. Quanto as empresas produtoras e comercializadoras de agrotóxicos, seus componentes e afins, tem a responsabilidade de dar a destinação das embalagens vazias dos produtos por elas fabricados e comercializados, após a devolução pelos usuários, e dos produtos apreendidos pela ação fiscalizatória e dos impróprios para utilização ou em desuso, com vistas à sua reutilização, reciclagem ou inutilização, obedecidas as normas e instruções dos órgãos registrantes e sanitário-ambientais competentes. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 42/51 A Lei 9.974/2000, incluiu o §4º, no art. 6º, da Lei de Agrotóxicos, para criar o dever do tríplice lavagem antes da devolução. Assim, as embalagens rígidas que contiverem formulações miscíveis ou dispersíveis em água deverão ser submetidas pelo usuário à operação de tríplice lavagem, ou tecnologia equivalente, conforme normas técnicas oriundas dos órgãos competentes e orientação constante de seus rótulos e bulas. A Lei de Agrotóxico, em seu art. 7º, buscando dar maior concretude ao princípio da informação e às normas atinentes aos direitos dos consumidores elencadas na Lei 8.078/90, exige que os agrotóxicos apresentem rótulos próprios e bulas indicando uma série de características para: identificação do produto; instrução para utilização; informações relativas aos perigos potenciais; a recomendação para que o usuário leia o rótulo antes de utilizar o produto. Por fim, a embalagem e a rotulagem dos agrotóxicos e afins devem ser feitas de modo a impedir que sejam confundidas com produtos de higiene, farmacêuticos, alimentares, dietéticos, bebidas, cosméticos ou perfumes. Propaganda de Agrotóxicos e Afins A Constituição Federal de 1988, em seu art. 220 e 221, disciplinou a propaganda comercial de alguns produtos que podem ser nocivos a saúde das pessoas e do meio ambiente. Nesse sentido, exigiu, em seu art. 220, §3º, II, a edição de lei federal que estabeleça os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, como também da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente. No §4º, do art. 221, a CF/88 exige que a propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias esteja sujeita a restrições legais, e contenha, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios decorrentes de seu uso. No campo infraconstitucional, a propaganda dos agrotóxicos segue restrições específicas previstas no art. 8º, da Lei 7.802/89, bem como pela Lei 9.294/96 que dispõe sobre as restrições ao uso e a propaganda de diversos produtos, dentre eles, os agrotóxicos, denominado pela norma de defensivos agrícolas. Nesse sentido, a propaganda comercial de agrotóxicos, componentes e afins, em qualquer meio de comunicação, conterá, obrigatoriamente, clara advertência sobre os riscos do produto à saúde dos homens, animais e ao meio ambiente. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 43/51 Para isso, a propaganda deverá estimular os compradores e usuários a ler atentamente o rótulo e, se for o caso, o folheto, ou a pedir que alguém os leia para eles, se não souberem ler, bem como não conterá nenhuma representação visual de práticas potencialmente perigosas, tais como a manipulação ou aplicação sem equipamento protetor, o uso em proximidade de alimentos ou em presença de crianças. A propaganda não poderá conter: (1) afirmações ou imagens que possam induzir o usuário a erro quanto à natureza, composição, segurança e eficácia do produto, e sua adequação ao uso; comparações falsas ou equívocas com outros produtos; (2) indicações que contradigam as informações obrigatórias; (3) declarações de propriedade relativas à inocuidade, tais como "seguro", "não venenoso", "não tóxico"; com ou sem uma frase complementar, como: "quando utilizado segundo as instruções"; (4) assim como afirmações de que o produto é recomendado por qualquer órgão do Governo. O §2º, do art. 3º, da Lei 9.294/96, estabelece a regra de que a propaganda conterá, nos meios de comunicação e em função de suas características, advertência, sempre que possível falada e escrita, sobre os malefícios do fumo, bebidas alcoólicas, medicamentos, terapias e defensivos agrícolas, segundo frases estabelecidas pelo Ministério da Saúde, usadas sequencialmente, de forma simultânea ou rotativa. Ademais disso, em seu art. 8°, estabelece a regra de que a propaganda de defensivos agrícolas que contenham produtos de efeito tóxico, mediato ou imediato, para o ser humano, deverá restringir-se a programas e publicações dirigidas aos agricultores e pecuaristas, contendo completa explicação sobre a sua aplicação, precauções no emprego, consumo ou utilização, segundo o que dispuser o órgão competente do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, sem prejuízo das normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde ou outro órgão do Sistema Único de Saúde. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 44/51 Venda de Agrotóxicos e Afins Os agrotóxicos e afins só poderão ser comercializados diretamente ao usuário, mediante apresentação de receituário próprio emitido por profissional legalmente habilitado, nos termos do art. 13, da Lei de Agrotóxicos, ressalvadas as hipóteses previstas em regulamentação específica. A receita ou receituário consiste na prescrição e orientação técnica para utilização de agrotóxico ou afim, por profissional legalmente habilitado. Essa receita, nos termos do art. 65, do Decreto 4.074/89, deverá ser expedida em no mínimo duas vias, destinando-se a primeira ao usuário e a segunda ao estabelecimento comercial que a manterá à disposição dos órgãos fiscalizadores pelo prazo de dois anos, contados da data de sua emissão. Por fim, os órgãos responsáveis pelos setores de agricultura, saúde e meio ambiente poderão dispensar, a exigência do receituário para produtos agrotóxicos e afins considerados de baixa periculosidade, devendo constar no rótulo e na bula do produto, podendo neles ser acrescidas eventuais recomendaçõesjulgadas necessárias pelos órgãos daqueles setores. Responsabilidade civil, administrativa e criminal 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 45/51 Regra Geral de Responsabilidade Todos que participarem da produção, comercialização, utilização, transporte e destinação de embalagens vazias de agrotóxicos, seus componentes e afins, poderão ser responsabilizados na esfera penal, civil e administrativa se não cumprirem as regras previstas nos normativos sobre o tema. O art. 14, da Lei de Agrotóxicos, impõe a tríplice responsabilização: ao PROFISSIONAL, quando comprovada receita errada, displicente ou indevida; ao USUÁRIO ou ao PRESTADOR de SERVIÇOS, quando proceder em desacordo com o receituário ou as recomendações do fabricante e órgãos registrantes e sanitário-ambientais; ao COMERCIANTE, quando efetuar venda sem o respectivo receituário ou em desacordo com a receita ou recomendações do fabricante e órgãos registrantes e sanitário-ambientais ao REGISTRANTE que, por dolo ou por culpa, omitir informações ou fornecer informações incorretas; ao PRODUTOR, quando produzir mercadorias em desacordo com as especificações constantes do registro do produto, do rótulo, da bula, do folheto e da propaganda, ou não der destinação às embalagens vazias em conformidade com a legislação pertinente; ao EMPREGADOR, quando não fornecer e não fizer manutenção dos equipamentos adequados à proteção da saúde dos trabalhadores ou dos equipamentos na produção, distribuição e aplicação dos produtos. Responsabilidade Criminal A Lei de Agrotóxicos previu a responsabilidade criminal em dois delitos, um tipificado no art. 15 e outro no art. 16. Vejamos: Art. 15. Aquele que produzir, comercializar, transportar, aplicar, prestar serviço, der destinação a resíduos e embalagens vazias de agrotóxicos, seus componentes e afins, em descumprimento às exigências estabelecidas na legislação pertinente estará sujeito à pena de reclusão, de 02 a 04 anos, além de multa. (Redação dada pela Lei nº 9.974, de 2000). Art. 16. O empregador, profissional responsável ou o prestador de serviço, que deixar de promover as medidas necessárias de proteção à saúde e ao meio ambiente, estará sujeito à pena de reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, além de multa de 100 (cem) a 1.000 (mil) MVR. Em caso de culpa, será punido com pena de reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos, além de multa de 50 (cinquenta) a 500 (quinhentos) MVR. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 46/51 Importante destacar que no art. 56, da Lei de Crimes Ambientais, há um crime relacionado, dentre outras condutas, com a produção, comercialização, transporte e armazenamento de substâncias tóxicas perigosas ou nocivas à saúde ou ao meio ambiente, desde que as condutas estejam em desacordo com as normas regulamentares. Eis o normativo: Art. 56. Produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. § 1o Nas mesmas penas incorre quem: I - abandona os produtos ou substâncias referidos no caput ou os utiliza em desacordo com as normas ambientais ou de segurança; II - manipula, acondiciona, armazena, coleta, transporta, reutiliza, recicla ou dá destinação final a resíduos perigosos de forma diversa da estabelecida em lei ou regulamento. § 2º Se o produto ou a substância for nuclear ou radioativa, a pena é aumentada de um sexto a um terço. § 3º Se o crime é culposo: Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. O “produto ou substância tóxica” previsto na Lei de Crimes Ambientais é gênero dos quais são espécies os agrotóxicos componentes e afins. Nesse sentido, considerando a especialidade da Lei 7.802/89 em relação a Lei 9.605/98, as infrações penais perpetradas com base nas figuras típicas de “produzir”, “comercializar”, “transportar”, “aplicar”, “prestar serviço”, “der destinação” a resíduos e embalagens vazias de agrotóxicos, seus componentes e afins, em descumprimento às exigências estabelecidas na legislação pertinente, atrai o tipo penal do art. 15, da Lei 7.802/89. Não houve, portanto, a revogação tácita do crime do art. 15, da Lei de Agrotóxicos, pelo tipo penal do art. 56, da Lei de Crimes Ambientais. Por outro lado, a título de exemplo, a conduta de “armazenar”, “guardar”, “ter em depósito”, “importar”, “exportar”, dentre outras, mesmo sendo praticadas em relação aos agrotóxicos componentes e afins, em desobediência as normas regulamentares, não configura o crime do art. 15, da Lei de Agrotóxicos, em face do princípio da estrita legalidade que rege o Direito Penal, incidindo a forma genérica prevista no art. 56, da Lei de Crimes Ambientais. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 47/51 Assim, a Lei de Agrotóxicos é especial em relação à Lei de Crimes Ambientais no que tange à produção, comercialização, transporte, aplicação, prestação de serviço e destinação de agrotóxicos seus componentes e afins. Para outras condutas diferentes das listadas no art. 15, da Lei de Agrotóxicos, não incidirá essa figura típica, podendo configurar o delito do art. 56 da Lei 9.605/98. Este dispositivo é mais amplo, podendo ser aplicada as demais condutas. Eis Jurisprudência do STJ sobre o tema: PENAL. RECURSO ESPECIAL. ART. 15 DA LEI 7.802/89 E ART. 56 DA LEI 9.605/98. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO. REVALORAÇÃO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. FATOS EXPLICITAMENTE ADMITIDOS E DELINEADOS NO V. ACÓRDÃO PROFERIDO PELO EG. TRIBUNAL A QUO. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. CRITÉRIO DA ESPECIALIDADE. POSSIBILIDADE. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. (...) II - A Lei n. 7.802/89 é especial em relação à Lei 9.605/98 no que tange ao transporte de agrotóxico. Entretanto, aquela não veicula o verbo importar como um dos núcleos do tipo previsto no art. 15, diferentemente do que ocorre com a Lei dos Crimes Ambientais, em seu art. 56. Este dispositivo é mais amplo, contendo doze núcleos, dentre eles o de importar e o de transportar substâncias tóxicas. (...) (REsp 1378064/PR, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 27/06/2017, DJe 01/08/2017) Responsabilidade Administrativa As regras básicas quanto à responsabilidade administrativa foram disciplinadas de forma geral nos arts. 17 e 18, da Lei 7.802/89 e com um nível maior de detalhamento nos arts. 82 a 92, do Decreto 4.074/02. Considera-se infração administrativa toda ação ou omissão que viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente e da saúde humana decorrente de infração de disposições legais sobre agrotóxicos, componentes e afins. O art. 85 previu, de uma forma genérica, as infrações administrativas por condutas atentatórias ao meio ambiente e à saúde provocadas por agrotóxicos, componentes e afins. Vejamos o normativo: Art. 85. São infrações administrativas: 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 48/51 I - pesquisar, experimentar, produzir, prescrever, fracionar, embalar e rotular, armazenar, comercializar, transportar, fazer propaganda comercial, utilizar, manipular, importar, exportar, aplicar, prestar serviço, dar destinação a resíduos e embalagens vazias de agrotóxicos, seus componentes e afins em desacordo com o previsto na Lei no 7.802, de 1989, e legislação pertinente; II - rotular os agrotóxicos, seus componentes e afins, sem prévia autorização do órgão registrante ou em desacordo com a autorização concedida; III - omitir informações ou prestá-las de forma incorreta às autoridades registrantes e fiscalizadoras. O cometimento de uma dessas infrações acarretará, isolada ou cumulativamente, independentemente da medidacautelar de interdição de estabelecimento, a apreensão do produto ou alimentos contaminados e a aplicação, sem prejuízo das responsabilidades civil e penal, das seguintes sanções previstas no art. 17, da Lei de Agrotóxicos: advertência; multa de até 1000 (mil) vezes o Maior Valor de Referência - MVR, aplicável em dobro em caso de reincidência; condenação de produto; inutilização de produto; suspensão de autorização, registro ou licença; cancelamento de autorização, registro ou licença; interdição temporária ou definitiva de estabelecimento; destruição de vegetais, partes de vegetais e alimentos, com resíduos acima do permitido; destruição de vegetais, partes de vegetais e alimentos, nos quais tenha havido aplicação de agrotóxicos de uso não autorizado, a critério do órgão competente. Sanção Administrativa Características Advertência constatada inobservância das disposições estabelecidas no Decreto 4.074/89 e da legislação em vigor, sem prejuízo das demais sanções previstas no art. 17, da Lei de Agrotóxicos. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 49/51 Multa será aplicada sempre que o agente, após notificado, deixar de sanar, no prazo assinalado pelo órgão competente, as irregularidades praticadas; ou quando opuser embaraço à fiscalização dos órgãos competentes. de até 1000 (mil) vezes o Maior Valor de Referência - MVR, aplicável em dobro em caso de reincidência. Condenação de produto ------ Inutilização de produto nos casos de produto sem registro ou naqueles em que ficar constatada a impossibilidade de lhes ser dada outra destinação ou reaproveitamento Suspensão de autorização, registro ou licença nos casos em que sejam constatadas irregularidades reparáveis. Cancelamento de autorização, registro ou licença nos casos de impossibilidade de serem sanadas as irregularidades ou quando constatada fraude. Interdição temporária ou definitiva de estabelecimento constatada irregularidade ou quando se verificar, mediante inspeção técnica ou fiscalização, condições sanitárias ou ambientais inadequadas para o funcionamento do estabelecimento. Destruição de vegetais, partes de vegetais e alimentos, com resíduos acima do permitido sempre que apresentarem resíduos acima dos níveis permitidos ou quando tenha havido aplicação de agrotóxicos e afins de uso não autorizado. Destruição de vegetais, partes de vegetais e alimentos, nos quais tenha havido aplicação de agrotóxicos de uso a solicitação de adequação de informações ou documentos não for atendida no prazo de trinta dias, salvo justificativa técnica procedente. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 50/51 Lista de Questões Referências e links deste capítulo 1 2 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/38f6aac5-9e8f-42e0-9cc9- f7b8a9d2a22c/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/777eaea8-636c-4e59-80bf- 1f921c�5408/ não autorizado, a critério do órgão competente Quanto à aplicação das sanções administrativas, cabe aos agentes de inspeção e fiscalização dos órgãos da agricultura, da saúde e do meio ambiente, a lavratura do auto de infração devendo indicar as penalidades aplicáveis dentre as previstas no art. 17, da Lei de Agrotóxicos. Assim, o IBAMA a ANVISA e o MAPA, assim como os demais órgãos de fiscalização dos entes federativos, poderão atuar com seus agentes de fiscalização para defesa da saúde da população e do meio ambiente quanto ao uso e manuseio dos agrotóxicos. Em caso de dupla imputação pelo mesmo fato por diferentes entes federativos, a aplicação de multa pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios exclui a aplicação de igual penalidade por órgão federal competente, em decorrência do mesmo fato. Após a conclusão do processo administrativo, os agrotóxicos e afins, apreendidos como resultado da ação fiscalizadora, serão inutilizados ou poderão ter outro destino, a critério da autoridade competente. A destruição ou inutilização de agrotóxicos, seus componentes e afins nocivos à saúde humana ou animal ou ao meio ambiente serão determinadas pelo órgão competente e correrão às expensas do infrator. O processo administrativo sancionador observará as circunstâncias atenuantes e agravantes das penas, na forma prevista nos arts. 14 e 15, da Lei de Crimes Ambientais, bem como poderá ser aplicado, no que couber, as disposições da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Cumpre advertir, por fim, que os demais entes federativos poderão regulamentar as infrações referentes aos agrotóxicos em seu território, desde que não conflite com as normas federais estatuída na Lei 7.802/89 e no Decreto 4.074/02. [1] [2] 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 51/51 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/38f6aac5-9e8f-42e0-9cc9-f7b8a9d2a22c/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/38f6aac5-9e8f-42e0-9cc9-f7b8a9d2a22c/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/38f6aac5-9e8f-42e0-9cc9-f7b8a9d2a22c/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/38f6aac5-9e8f-42e0-9cc9-f7b8a9d2a22c/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/38f6aac5-9e8f-42e0-9cc9-f7b8a9d2a22c/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/38f6aac5-9e8f-42e0-9cc9-f7b8a9d2a22c/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/38f6aac5-9e8f-42e0-9cc9-f7b8a9d2a22c/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/38f6aac5-9e8f-42e0-9cc9-f7b8a9d2a22c/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/38f6aac5-9e8f-42e0-9cc9-f7b8a9d2a22c/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/38f6aac5-9e8f-42e0-9cc9-f7b8a9d2a22c/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/38f6aac5-9e8f-42e0-9cc9-f7b8a9d2a22c/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/777eaea8-636c-4e59-80bf-1f921cff5408/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/777eaea8-636c-4e59-80bf-1f921cff5408/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/777eaea8-636c-4e59-80bf-1f921cff5408/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/777eaea8-636c-4e59-80bf-1f921cff5408/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/777eaea8-636c-4e59-80bf-1f921cff5408/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/777eaea8-636c-4e59-80bf-1f921cff5408/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/777eaea8-636c-4e59-80bf-1f921cff5408/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/777eaea8-636c-4e59-80bf-1f921cff5408/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/777eaea8-636c-4e59-80bf-1f921cff5408/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/777eaea8-636c-4e59-80bf-1f921cff5408/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/777eaea8-636c-4e59-80bf-1f921cff5408/ https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/777eaea8-636c-4e59-80bf-1f921cff5408/23. Constituem a esfera de atuação da Antaq: IV – o transporte aquaviário de cargas especiais e perigosas. Art. 24. Cabe à ANTT, em sua esfera de atuação, como atribuições gerais: XIV – estabelecer padrões e normas técnicas complementares relativos às operações de transporte terrestre de cargas especiais e perigosas. Art. 27. Cabe à ANTAQ, em sua esfera de atuação: XIX – estabelecer padrões e normas técnicas relativos às operações de transporte aquaviário de cargas especiais e perigosas. As normas autorizam o estabelecimento das regras necessárias ao transporte seguro de produtos perigosos pela ANTT e ANTAQ em suas esferas de atribuições. O Decreto 96.044/1988 aprovou o Regulamento para o Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos, ressaltando que esse transporte, quando realizado pelas Forças Armadas, obedecerá à legislação específica. Vejamos o art.1º do Regulamento: 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 6/51 Art. 1º O transporte, por via pública, de produto que seja perigoso ou represente risco para a saúde de pessoas, para a segurança pública ou para o meio ambiente, fica submetido às regras e procedimentos estabelecidos neste Regulamento, sem prejuízo do disposto em legislação e disciplina peculiar a cada produto. § 1º Para os efeitos deste Regulamento é produto perigoso o relacionado em Portaria do Ministro dos Transportes. § 2º No transporte de produto explosivo e de substância radioativa serão observadas, também, as normas específicas do Ministério do Exército (Ministério da Defesa) e da Comissão Nacional de Energia Nuclear, respectivamente. O Decreto 98.973/90 aprovou, por sua vez, o Regulamento do Transporte Ferroviário de Produtos Perigosos. Vejamos o art. 1º do Regulamento: Art. 1º O transporte, por via férrea, de produtos, que, por suas características, sejam perigosos ou representem riscos para a vida e a saúde das pessoas, para a segurança pública, para o meio ambiente ou para a própria ferrovia, fica submetido às regras e aos procedimentos estabelecidos neste Regulamento, sem prejuízo do disposto na legislação peculiar a cada produto perigoso. 1º Para os efeitos deste regulamento são produtos perigosos os relacionados em portaria baixada pelo Ministério dos Transportes (Ministério da Infraestrutura). 2º No transporte de produtos explosivos e de substâncias radioativas serão observadas, também, as normas específicas do Ministério do Exército (Ministério da Defesa) e da Comissão Nacional de Energia Nuclear, respectivamente. O regulamento aprovado pelo Decreto 98.973/90 apresenta normas específicas quanto às condições de transporte, dos veículos e dos equipamentos de segurança. Apresenta também normas quanto à formação e circulação do trem, bem como ao despacho, acondicionamento, carregamento e descarregamento de produtos perigosos. A norma regulamentadora ainda ventila regras quanto às obrigações e responsabilidades de fabricante, importador, expedidor e destinatário; e a forma como se dará a fiscalização do cumprimento do referido regulamento. Em face do objetivo desta obra, analisaremos, superficialmente, as regras básicas previstas no Regulamento de Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos aprovadas pelo Decreto 96.044/1988, tendo em vista a pequena incidência de questões sobre o tema para sua prova. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 7/51 Regras Básicas para o Transporte de Produtos Perigosos O regulamento expedido pela ANTT, ou mesmo pela ANTAQ, não são os únicos a disciplinarem os transportes dos produtos perigosos. Isso porque alguns produtos têm normas próprias quanto ao manuseio e transporte, como, a título de exemplo, os materiais radioativos, explosivos e agrotóxicos. A norma do Decreto 96.044/88 estabelece as condições para o transporte de produtos perigosos detalhando as principais características que devem ter os veículos e o conjunto de equipamentos para emergências indicado por norma brasileira ou, na inexistência desta, o recomendado pelo fabricante do produto. Apresenta também regras para carga e seu acondicionamento devendo o produto perigoso fracionado ser acondicionado de forma a suportar os riscos de carregamento, transporte, 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 8/51 descarregamento e transbordo, sendo o expedidor responsável pela adequação do acondicionamento segundo especificações do fabricante. Cumpre destacar que é proibido o transporte, no mesmo veículo ou contêiner, de produto perigoso com outro tipo de mercadoria, ou com outro produto perigoso, salvo se houver compatibilidade entre os diferentes produtos transportados. Também é vedado o transporte de produtos perigosos, com risco de contaminação, juntamente com alimentos, medicamentos ou objetos destinados a uso humano ou animal ou, ainda, com embalagens de mercadorias destinadas ao mesmo fim, bem como o transporte de animais juntamente com qualquer produto perigoso. A norma também apresentou regras de itinerário que deve ser observada pelo veículo no transporte de produtos perigosos, devendo evitar o uso de vias em áreas densamente povoadas ou de proteção de mananciais, reservatórios de água ou reservas florestais e ecológicas, ou em que delas sejam próximas, devendo o itinerário ser programado de forma a evitar a presença de veículo transportando produto perigoso em vias de grande fluxo de trânsito, nos horários de maior intensidade de tráfego. O regulamento restringe ainda as paradas e estacionamentos do veículo que transporta produto perigoso que só poderá estacionar para descanso ou pernoite em áreas previamente determinadas pelas autoridades competentes e, na inexistência de tais áreas, deverá evitar o estacionamento em zonas residenciais, logradouros públicos ou locais de fácil acesso ao público, áreas densamente povoadas ou de grande concentração de pessoas ou veículos, somente poderá estacionar ou parar o veículo nos acostamentos das rodovias em caso de emergência. Das pessoas envolvidas na operação de transporte, temos como destaque o condutor e o transportador. O condutor de veículo utilizado no transporte de produto perigoso, além das qualificações e habilitações previstas na legislação de trânsito, deverá receber treinamento específico, segundo programa a ser aprovado pelo Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), por proposta do Ministério dos Transportes (Ministério da Infraestrutura). O condutor deve fazer curso obrigatório de especialização de Movimentação de Produtos Perigosos - MOPP. O curso tem a finalidade de aperfeiçoar, instruir, qualificar e atualizar condutores, habilitando-os à condução de veículos usados no transporte rodoviário, por via pública, de produtos que sejam perigosos. O condutor, durante a viagem, é o responsável pela guarda, conservação e bom uso dos equipamentos e acessórios do veículo inclusive os exigidos em função da natureza específica dos produtos transportados, não podendo participar das operações de carregamento, descarregamento e transbordo da carga, salvo se devidamente orientado e autorizado pelo expedidor ou pelo destinatário, e com a anuência do transportador. O transportador, antes de mobilizar o veículo, deverá inspecioná-lo, assegurando-se suas perfeitas condições de transporte para o qual é destinado e com especial atenção para o tanque, carroceria e demais dispositivos que possam afetar a segunda da carga transportada. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 9/51 As demais pessoas envolvidas nas operações de carregamento, descarregamento e transbordo de produto perigoso deverão usar traje e equipamento de proteção individual, conforme normas e instruções baixadas pelo Ministério do Trabalho. Quanto ao ponto, durante o transporte, o condutor do veículo usará o traje mínimo obrigatório, ficando desobrigado do uso de equipamentos de proteção individual. Existem produtosperigosos que devem ter um tratamento diferenciado durante o transporte. Se o produto oferecer riscos por demais elevado, será tratado como caso especial, devendo seu itinerário e sua execução serem planejados e programados previamente, com participação do expedidor, do contratante do transporte, do transportador, do destinatário, do fabricante ou importador do produto, das autoridades com jurisdição sobre as vias a serem utilizadas e do competente órgão do meio ambiente, podendo ser exigido acompanhamento técnico especializado. Esse acompanhamento disporá de viaturas próprias, tripuladas por pessoas devidamente treinadas e equipadas para ações de controle de emergência e será promovido, preferencialmente, pelo fabricante ou importador do produto, o qual, em qualquer hipótese, fornecerá orientação e consultoria técnica para o serviço. A norma regulamentar também definiu os procedimentos a serem adotados em caso de emergência, acidente ou avaria. Assim, em caso de acidente, avaria ou outro fato que obrigue a imobilização de veículo transportando produto perigoso, o condutor adotará as medidas indicadas na Ficha de Emergência e no Envelope para o Transporte correspondentes a cada produto transportado, dando ciência à autoridade de trânsito mais próxima, pelo meio disponível mais rápido, detalhando a ocorrência, o local, as classes e quantidades dos materiais transportados. Cabe ao fabricante, ao transportador, ao expedidor e ao destinatário do produto perigoso dar o apoio e prestar os esclarecimentos que lhes forem solicitados pelas autoridades públicas. Cumpre advertir que a autoridade que atender ao caso determinará ao expedidor ou ao fabricante do produto a presença de técnicos ou pessoal especializado, tendo em vista a natureza, extensão e características da emergência, devendo o contrato de transporte designar quem suportará as despesas decorrentes da assistência, e, em caso de silêncio, o ônus será suportado pelo transportador. Obrigações e Responsabilidades dos Envolvidos no Transporte de Produtos Perigosos Para melhor sistematizar a informação quanto às obrigações e responsabilidades apresentamos o esquema abaixo: Atores Deveres/Obrigações Responsabilidades 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 10/51 Fabricante e Importador de equipamentos para transporte de produtos perigosos. Fornecer ao INMETRO as informações relativas ao início da fabricação e destinação específica dos equipamentos. Responde penal e civilmente por sua qualidade e adequação ao fim a que se destina. Fabricante e Importador de produto perigoso. Deve fornecer ao expedidor: Informações relativas aos cuidados a serem tomados no transporte e manuseio do produto, assim como as necessárias ao preenchimento da Ficha de Emergência; Especificações para o acondicionamento do produto e, quando for o caso, a relação do conjunto de equipamentos. Responde penal e civilmente pela falta de informações e especificações dos produtos perigosos. Contratante do transporte Deverá exigir do transportador o uso de veículo e equipamento em boas condições operacionais e adequados para a carga a ser transportada. Responde penal e civilmente em suas omissões. Expedidor É responsável pelo acondicionamento do produto a ser transportado, de acordo com as especificações do fabricante. É responsável pelas operações de carga. Deve avaliar as condições de segurança. Adotará todas as precauções relativas à preservação dos produtos, especialmente quanto à compatibilidade entre si, no carregamento de produtos perigosos. Exigirá do transportador o emprego dos rótulos de risco e painéis de Responde penal e civilmente pelas condutas comissivas e omissivas em desacordo com as normas expedidas no regulamento referente a seus deveres. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 11/51 segurança correspondentes aos produtos a serem transportados. Entregará ao transportador os produtos perigosos fracionados devidamente rotulados, etiquetados e marcados, bem assim os rótulos de risco e os painéis de segurança para uso nos veículos, informando ao condutor as características dos produtos a serem transportados. Orientar e treinar o pessoal empregado nas atividades. Destinatário É responsável pelas operações de descarga. Orientar e treinar o pessoal empregado nas atividades. Responde penal e civilmente pelas condutas comissivas e omissivas nas operações de descarga de produtos perigosos. Transportador Dar adequada manutenção e utilização aos veículos e equipamentos; Fazer vistoriar as condições de funcionamento e segurança do veículo e equipamento, de acordo com a natureza da carga a ser transportada, na periodicidade regulamentar; Fazer acompanhar, para ressalva das responsabilidades pelo transporte, as operações executadas pelo expedidor ou destinatário de carga, descarga e transbordo, adotando as cautelas necessárias para prevenir riscos à saúde e integridade física de seus prepostos e ao meio ambiente; Transportar produtos a granel de acordo com o especificado no “Certificado de Capacitação para o O transportador é solidariamente responsável com o expedidor na hipótese de receber, para transporte, produtos cuja embalagem apresente sinais de violação, deterioração, mau estado de conservação ou de qualquer forma infrinja o preceituado no regulamento e demais normas ou instruções aplicáveis. Responde penal e civilmente pelas condutas comissivas e omissivas em desacordo com as normas expedidas no regulamento referente a seus deveres. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 12/51 Transporte de Produtos Perigosos a Granel " . Requerer o Certificado de Capacitação para o Transporte de Produtos Perigosos a Granel ", quando for o caso, e exigir do expedidor os documentos obrigatórios. Providenciar para que o veículo porte o conjunto de equipamentos necessários às situações de emergência, acidente ou avaria, assegurando-se do seu bom funcionamento; Instruir o pessoal envolvido na operação de transporte quanto à correta utilização dos equipamentos necessários às situações de emergência, acidente ou avaria, conforme as instruções do expedidor; Zelar pela adequada qualificação profissional do pessoal envolvido na operação de transporte, proporcionando-lhe treinamento específico, exames de saúde periódicos e condições de trabalho conforme preceitos de higiene, medicina e segurança do trabalho; Fornecer a seus prepostos os trajes e equipamentos de segurança no trabalho, de acordo com as normas expedidas pelo Ministério do Trabalho, zelando para que sejam utilizados nas operações de transporte, carga, descarga e transbordo; Providenciar a correta utilização, nos veículos e equipamentos, dos rótulos de risco e painéis de segurança adequados aos produtos transportados; 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 13/51 Realizar as operações de transbordo observando os procedimentos e utilizando os equipamentos recomendados pelo expedidor ou fabricante do produto; Fiscalização dos Transporte de Produtos Perigosos A fiscalização para a observância das normas para o transporte de produtos perigosos incumbe ao Ministério dos Transportes (Ministério da Infraestrutura), sem prejuízo da competência das autoridades com jurisdição sobre a via por onde transite o veículo transportador. A fiscalização compreenderá: a) exame dos documentos de porte obrigatório; b) adequação dos rótulos de risco e painéis de segurança, bem assim dos rótulos e etiquetas das embalagens, ao produto especificado no Documento Fiscal; e c) verificação da existência de vazamento no equipamento de transporte de carga a granel e, em se tratando de carga fracionada, sua arrumação e estado de conservação das embalagens. A autoridade com jurisdição sobrea via deverá reter imediatamente o veículo que transporta produtos perigosos em desacordo com as normas regulamentares só podendo ser liberado após o saneamento da infração observada. Poderá a autoridade, em sendo necessário, determinar: a remoção do veículo para local seguro, podendo autorizar o seu deslocamento para local onde possa ser corrigida a irregularidade; o descarregamento e a transferência dos produtos para outro veículo ou para local seguro; bem como a eliminação da periculosidade da carga ou a sua destruição, sob a orientação do fabricante ou do importador do produto e, quando possível, com a presença do representante da seguradora. Cumpre advertir que as providências executadas pela autoridade deverão ser adotadas em função do grau e natureza do risco, mediante avaliação técnica e, sempre que possível, acompanhamento do fabricante ou importador do produto, contratante, expedidor, transportador, representante da Defesa Civil e de órgão do meio ambiente. A Polícia Rodoviária Federal fiscaliza o transporte de produtos perigosos em toda sua circunscrição de atendimento, verificando os veículos transportadores desses produtos, que podem ser explosivos, gases, líquidos inflamáveis, sólidos inflamáveis, oxidantes, peróxidos orgânicos, tóxicos, infectantes, radioativos, corrosivos e substâncias que afetam o meio ambiente. Os objetivos da fiscalização são a preservação da vida e a proteção contra danos ao meio ambiente. Os demais órgãos estaduais de trânsito também participam da cadeia de fiscalização dos produtos perigosos em sua área de circunscrição. Essa competência quanto à fiscalização de produtos perigosos foi expressamente prevista no Código de Trânsito Brasileiro, em seu art. 20, III (Lei 9.503/1997), com nova redação dada pela Lei 14.071/2020. Vejamos o normativo: Art. 20. Compete à Polícia Rodoviária Federal, no âmbito das rodovias e estradas federais: 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 14/51 III- executar a fiscalização de trânsito, aplicar as penalidades de advertência por escrito e multa e as medidas administrativas cabíveis, com a notificação dos infratores e a arrecadação das multas aplicadas e dos valores provenientes de estadia e remoção de veículos, objetos e animais e de escolta de veículos de cargas superdimensionadas ou perigosas. O IBAMA também desempenha papel relevante na fiscalização de transporte de produtos perigosos. Isso porque a Autarquia é responsável pela emissão da Autorização Ambiental para Transporte de Produtos Perigosos sendo obrigatória para o exercício da atividade de transporte marítimo e de transporte interestadual, em qualquer modal, de produtos perigosos. Cumpre lembrar que se o transporte ocorrer em apenas uma unidade da Federação (dentro do Estado ou do Distrito Federal), estes deverão seguir as regras de licenciamento ou autorização ambiental para o transporte de produtos perigosos editadas pelo respectivo órgão estadual de meio ambiente, nos termos do art. 8º da Lei Complementar 140/2011. A Autorização Ambiental para Transporte de Produtos Perigosos será emitida para pessoas jurídicas e físicas que preencham os requisitos para emissão do Certificado de Regularidade Ambiental, em conformidade com as regras do Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais (CTF/APP). Ademais disso, as pessoas físicas e jurídicas que transportam produtos perigosos são obrigadas a estarem inscritas no Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras e Utilizadoras de Recursos Ambientais - CTF/APP, conforme previsto no Anexo I (Tabela de Atividades Potencialmente Poluidoras e Utilizadoras de Recursos Ambientais) da Instrução Normativa IBAMA n.º 6, de março de 2013. O CTF/APP é instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente previsto expressamente no art. 9, XII, e art. 17, da Lei 6.938/81. Vejamos: Art. 17. Fica instituído, sob a administração do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA: II - Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais (CTF/APP), para registro obrigatório de pessoas físicas ou jurídicas que se dedicam a atividades potencialmente poluidoras e/ou à extração, produção, transporte e comercialização de produtos potencialmente perigosos ao meio ambiente, assim como de produtos e subprodutos da fauna e flora. Portanto, o responsável pela empresa que exerce a atividade de transporte de produtos perigosos deve se registrar no CTF/APP. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 15/51 Outro órgão de fiscalização é a Polícia Federal, tendo em vista que no caso de produtos perigosos controlados por ela, é obrigatório também que a pessoa física ou jurídica detenha o Certificado de Licença de Funcionamento expedido pela autoridade policial. Dentre eles podemos destacar os produtos químicos que direta ou indiretamente possam ser destinados à elaboração ilícita de substâncias entorpecentes, psicotrópicas ou que determinem dependência física ou psíquica, regulamentada pela Lei 10.357/2001. O ácido acético (componente do vinagre), a título de exemplo, é uma substância controlada pela Polícia Federal, pois é capaz de ser empregado na preparação de drogas, sujeitos a controle e fiscalização. Compete a Polícia Federal, então, realizar o controle e a fiscalização da fabricação, produção, armazenamento, transformação, embalagem, compra, venda, comercialização, aquisição, posse, doação, empréstimo, permuta, remessa, transporte, distribuição, importação, exportação, reexportação, cessão, reaproveitamento, reciclagem, transferência e utilização de produtos químicos que possam ser utilizados como insumo na elaboração de drogas ilícitas. O Exército brasileiro também exerce a fiscalização de alguns produtos perigosos quando se tratar de explosivos controlados pela entidade militar, como, a título de exemplo, o Trinitrotolueno – TNT e o Nitrato de Amônio. Cabe ao Exército emitir o Certificado de Registro no caso de transporte de produtos por ele controlados devendo constar a relação dos produtos que podem ser transportados devendo portar a Guia de Tráfego e Plano de emergência junto ao Exército. As regras básicas foram delineadas na Portaria 137/COLOG/2019 que descreve os procedimentos administrativos para o exercício de atividades com explosivos e seus acessórios e produtos que contêm nitrato de amônio, especificando as formas de aquisição, transporte, armazenamento, segurança e detonação desses produtos. No caso dos materiais radioativos, o transporte deve obedecer ainda às normas e resoluções elaboradas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear-CNEN. Os produtos radioativos pertencem a Classe 7, conforme visto no início desta obra. A CNEN é uma autarquia federal, criada pela Lei nº 4.118/62, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, que tem como atribuições essenciais colaborar na formulação da Política Nacional de Energia Nuclear, bem como regulamentar, licenciar, autorizar, controlar e fiscalizar a utilização da energia nuclear para fins pacíficos. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 16/51 Questão 2022 | 4000812725 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17/51 (PRF/Curso de Formação/CEBRASPE – 2019) Durante uma �scalização do transporte rodoviário de produtos perigosos, um caminhão de transporte de carga não fracionada, vazio e não descontaminado, foi parado pelo policial rodoviário federal para uma �scalização de rotina. O caminhão com peso bruto total (PBT) acima de 3,5 t transportou gasolina tipo A do terminal de combustível para a base da empresa distribuidora de combustível e voltava para novo carregamento por uma rodovia federal. A partir dessa situação hipotética, julgue o próximo item. A PRF e a ANTT têma incumbência da �scalização do transporte rodoviário de produtos perigosos. Solução Gabarito: Certo. Item certo. Tanto a ANTT, por força do art. 22, VII, da Lei 10.233/2001, quanto a PRF, por força do art. 20, III, da Lei 9.503/97, podem exercer atividades de �scalização quanto ao transporte de produtos perigosos em rodovias. Agrotóxicos Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. O uso de agrotóxicos no mundo é bastante hodierno e teve seu marco histórico de destaque com a Revolução Verde que ocorreu entre 1940 e 1970, em que se observou um incremento significativo na produção mundial de alimentos em face das profundas mudanças no processo tradicional da produção agrícola pela adição de novas tecnologias, mecanização rural e principalmente pelo uso de agrotóxicos que possibilitaram um controle de insetos e demais formas de pragas que afetavam a produção de alimentos. Os primeiros agrotóxicos surgiram no período das duas Grandes Guerras sendo criados para matar/destruir pessoas, animais e as plantações. É caso do diclorodifeniltricloroetano (DDT) que foi utilizado durante e após a Segunda Guerra Mundial para o combate aos mosquitos que transmitiam a malária e a dengue, bem como para matar a proliferação de piolhos que afligia os combatentes. No pós-Guerra, a maioria dos agentes químicos utilizados foram canalizar para a agricultura em face das enormes quantidades armazenadas e produzidas durante o período das Guerras pelas grandes nações. No Vietnã, entre 1964 e 1975, foi utilizado o herbicida “agente laranja” (2,4-D) que era lançado pelos aviões sobre a mata para desfolhar permitindo localizar as tropas em deslocamento. Tendo sido lançado mais de 45,6 milhões de litros naquela região. Hodiernamente, o 2,4-D é o segundo agrotóxico mais utilizado no Brasil. Segundo o IBAMA, em 2017, foram despejados quase 60 milhões de kg deste ingrediente ativo nas lavouras brasileiras, ficando atrás apenas do glifosato, principal agrotóxico utilizado no País. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 18/51 No cenário mundial, a FAO (Órgão das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) e o Banco Mundial foram os maiores promotores da difusão do pacote tecnológico da Revolução Verde. No Brasil, uma série de políticas levada a cabo por diferentes governos cumpriu o papel de forçar a implementação da chamada “modernização da agricultura”, processo que resultou em altos custos sociais, ambientais e de saúde pública. Nesse cenário, muitas foram as isenções fiscais e tributárias concedidas, até os dias de hoje, ao uso desses produtos. Exemplo disso é o Convênio ICMS 100/97, em que foi concedida redução de 60% da alíquota de cobrança do ICMS a todos os agrotóxicos. Destaque-se também o Decreto 6.006/06 que isenta completamente da cobrança de IPI dos agrotóxicos fabricados a partir de uma lista de dezenas de ingredientes ativos. Há também outros benefícios como isenção do PIS/PASEP e da COFINS de determinados agrotóxicos (Lei 10.925/2004), bem como os incentivos fiscais concedidos pelos demais entes federativos. Segundo Fontenele, desde 2008 o Brasil é o principal consumidor de agrotóxicos do mundo, sendo que, hodiernamente, 80% dos agricultores brasileiros utilizam agrotóxicos para o combate as pragas e doenças objetivando o aumento da produtividade, o que corresponde a 20% de todos os agrotóxicos comercializado no mundo, existindo atualmente mais de 3000 agrotóxicos registrados no Brasil para uso agrícola. São inseticidas, fungicidas, herbicidas, nematicidas, acaricidas, rodenticidas, moluscidas, formicidas, reguladores e inibidores de crescimento. Definição e Classificação de Agrotóxicos Os agrotóxicos são substâncias químicas que foram descobertas ou sintetizadas artificialmente que tem por objetivo inibir o crescimento ou mesmo matar seres vivos como bactérias, fungos e vegetais considerados indesejáveis para o desenvolvimento de atividades associadas a produção de alimentos. A esmagadora maioria deles são produzidos em laboratório e não são encontrados livremente na natureza. Diversas outras nomenclaturas são utilizadas para o termo “agrotóxicos” como: defensivos agrícolas, pesticidas, praguicidas, remédios de planta, veneno e fitossanitários. Na verdade, as principais categorias de agrotóxicos quanto à natureza da praga combatida e ao grupo químico a que pertencem são representadas por: Classificação quanto à natureza da praga controlada Classificação quanto ao grupo químico Exemplos (produto/substâncias/agentes) INSETICIDAS (controle de insetos) Organoclorados Aldrin,* DDT,* BHC* Organofosforados Fenitrotion, Paration, Malation Carbamatos Carbofuran, Aldicarb, Carbaril FUNGICIDAS Ditiocarbamatos Mancozeb, Tiram, Metiram 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 19/51 (combate aos fungos) Organomercuriais Acetato de fenilmercúrio HERBICIDAS (combate às plantas invasoras) Fenoxiacéticos CMPP, 2,4-D, 2,4,5-T Carbamatos Profam, Cloroprofam, Bendiocarb Dipiridilos Diquat, Paraquat, Difenzoquat DESFOLIANTES (combate às folhas indesejadas) Dipiridilos Diquat, Paraquat Dinitrofenóis Dinoseb, DNOC FUMIGANTES (combate às bactérias do solo) Hidrocarbonetos Halogenados Brometo de metila, cloropicrina Geradores de Metilisocianato Dazomet, Metam RODENTICIDAS/RATICIDAS (combate aos roedores/ratos) Hidroxicumarinas Cumatetralil, Difenacum Indationas Fenil-metil-pirozolona, pindona MOLUSCOCIDAS (combate aos moluscos) Carbamatos (terrestres) Aminocarb, Metiocarb, Mexacarbato NEMATICIDAS (combate aos nematóideos) Hidrocarbonetos halogenados Dicloropropeno, DD Organofosforados Diclofention, Fensulfotion ACARICIDAS (combate aos ácaros) Organoclorados Dicofol, Tetradifon Dinitrofenóis Dinocap, Quinometionato A Lei 7.802/1989, em seu art. 2º, I, presentou o conceito legal de agrotóxicos sendo considerado: 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 20/51 os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos; substâncias e produtos, empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento. A Lei definiu os agrotóxicos como toda substância natural ou sintetizada capaz de provocar mudanças na estrutura funcional de espécies da fauna ou da flora consideradas nocivas para o desenvolvimento de outras espécies animais e vegetais. Esse conceito independe do ambiente de aplicação do produto, podendo receber essa denominação e consequentemente incidência das normas correlatas, mesmo que seja utilizado em ambiente urbano. O que importa é a função precípua para o qual foi criado: provocar a alteração da composição da flora e da fauna. Nesse conceito de agrotóxicos, podem ser incluídas também as substâncias químicas capazes de absorver ou adsorver água e outras substâncias, secando folhas após sua aplicação em plantas (dissecantes); as substâncias capazes de proporcionar a queda precoce de folhas após sua aplicação em plantas (desfolhantes), bem como os estimuladores e indicadores de crescimento de determinados vegetais e animais. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 21/51 Os agrotóxicos apresentam uma classificação quanto ao grau de toxidade. A Anvisa aprovou, em 23/07/2019, novo marco regulatório de classificação de agrotóxicos passando a adotar no Brasil o padrão internacional de Sistema de Classificação Globalmente Unificado (Globally Harmozed System of Classification and Labellingof Chemicals — GHS). A nomenclatura anteriormente utilizava 4 tipos de classificação são eles: extremamente tóxico; altamente tóxico; medianamente tóxico; e pouco tóxico, cada um correspondendo a uma cor que deveria ser apresentada no rótulo da embalagem do agrotóxico. Hodiernamente, os rótulos dos produtos deverão apresentar um dos 6 tipos de classificações. São elas: extremamente tóxico; altamente tóxico; moderadamente tóxico; pouco tóxico; improvável de causar dano agudo; e não classificado (por não ter toxidade). Vejamos o infográfico abaixo: Poluição por Agrotóxicos 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 22/51 Embora o surgimento dos agrotóxicos tenha facilitado a produção mundial de alimentos, muitos são os efeitos deletérios provocados ao meio ambiente e à saúde da população. Eles acarretam impactos diretos à saúde de agricultores e trabalhadores pelo manuseio dos produtos, como também aos consumidores dos alimentos em face dos resíduos de agrotóxicos devido à contaminação de vegetais e das frutas. Nesse sentido, toda a população está suscetível a exposições múltiplas aos agrotóxicos, por meio de consumo de alimentos e água contaminados. Segundo o Instituto Nacional de Câncer – INCA, gestantes, crianças e adolescentes também são considerados um grupo de risco devido às alterações metabólicas, imunológicas ou hormonais presentes nesse ciclo de vida. Os efeitos da exposição aos agrotóxicos podem ser agudos (de aparecimento rápido) ou crônicos (que aparecem após exposições repetidas a pequenas quantidades de agrotóxicos por um período prolongado). Os efeitos agudos podem ser: irritação na pele, ardência, desidratação, alergias; ardência do nariz e boca, tosse, coriza, dor no peito, dificuldade de respirar; irritação da boca e garganta, dor de estômago, náuseas, vômitos, diarreia. Outros sintomas inespecíficos também podem ocorrer, tais como: dor de cabeça, transpiração anormal, fraqueza, câimbras, tremores, irritabilidade. Ao seu turno, os efeitos crônicos são: dificuldades para dormir, esquecimento, aborto, impotência, depressão, problemas respiratórios graves, alteração do funcionamento do fígado e dos rins, anormalidade da produção de hormônios da tireoide, dos ovários e da próstata, incapacidade de gerar filhos, malformação e problemas no desenvolvimento intelectual e físico das crianças, câncer. Como visto, o contato com os agrotóxicos pode levar a uma série de problemas que afetam diretamente a qualidade de vida e a saúde das pessoas. Evidências científicas têm apontado que os agrotóxicos podem trazer a neurotoxicidade ocasionando, depressão, Parkinson e Alzheimer. A toxidade endócrina é outra causa adversa pela exposição aos agrotóxicos, acarretando desregulação hormonal que pode levar a infertilidade, obesidade e diabetes. Por outro lado, o tema mais polêmico na comunidade científica é a associação entre exposição a agrotóxicos e desenvolvimento de câncer. Porém, como destacado pelo INCA, estudos vêm mostrando o potencial de desenvolvimento de câncer relacionado a diversos agrotóxicos, em face da propriedade cumulativa que a grande maioria apresenta se alojando principalmente no tecido adiposo, justificando a recomendação de precaução para com o uso e contato. Dentre eles podemos destacar o câncer de próstata e o de mama. Quanto aos danos acarretados ao meio ambiente, os principais bens afetados são o solo, o ar e a água. A facilidade de contaminação é tão expressiva que quando aplicados em uma propriedade podem contaminar o solo diretamente e os lençóis freáticos tendo em vista a possibilidade de infiltração no solo. Ademais disso, podem também ser carreados pela água das chuvas e dos corpos d’água, aumentando ainda mais o poder de contaminação dos agrotóxicos. Isso sem considerar que os seus resíduos estão presentes nos alimentos produzidos, que poderá ter alcance mundial. O ar pode ser contaminado diretamente pela aplicação do agrotóxico ou mesmo pela sua volatização (passagem para o estado gasoso) sendo transferidos do solo ou mesmo das plantas para o ar passando por um processo de carreamento pelo vento para as mais distantes 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 23/51 Competência Legislativa e Administrativa sobre Agrotóxicos localidades podendo ser depositado novamente pela chuva em áreas que não eram o alvo de aplicação, não havendo fronteiras físicas que possam conter esse processo de contaminação do meio ambiente pelos agrotóxicos. Mas advirta-se que de acordo com as propriedades físico- químicas dos agrotóxicos, bem como a quantidade e a frequência de uso, métodos de aplicação, características bióticas e abióticas do ambiente e as condições meteorológicas determinarão qual será o destino dos agrotóxicos no ambiente. Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. A CF/88 exige do Poder Público o desenvolvimento de políticas públicas capazes de concretizar o direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Dentre as inúmeras obrigações a ele atribuídas, temos a incumbência de fiscalizar e controlar a produção e comercialização de materiais ou substâncias que possam causar dano ao meio ambiente ou mesmo a saúde humana. Vejamos o normativo do art. 225, §1º, V: At. 225 (...) § 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: V- controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; Esse dever constitucional de cuidado foi atribuído a todos os entes federativos, sendo competência comum material da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios controlar a produção e comercialização de agrotóxicos em face dos danos que podem acarretar a saúde da população e ao meio ambiente. Corroborando esse entendimento, VI, do art. 23, da CF/88, estabelece a competência comum desses Entes visando proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas. Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas. Dando concretude a essa obrigação material, a Lei Complementar 140/2011, elencou as regras para a cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas ações 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 24/51 administrativas decorrentes do exercício da competência comum relativas à proteção do meio ambiente e ao combate à poluição em qualquer de suas formas, e definiu que são ações administrativas dos Entes federativos controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente. LC 140/2011 Art. 7o São ações administrativas da União: XII - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente, na forma da lei. Art.8o São ações administrativas dos Estados: XII - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente, na forma da lei. Art. 9o São ações administrativas dos Municípios: XII - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente, na forma da lei. Art. 10. São ações administrativas do Distrito Federal as previstas nos arts. 8o e 9o. Quanto à competência legislativa, o art. 24, VI, estabelece a competência concorrente para União, Estados/DF legislarem sobre a conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição, o que autoriza a edição de normas específicas por eles objetivando dar efetividadeao dispositivo constitucional, aplicando-se perfeitamente ao controle da produção, manuseio e comercialização de agrotóxicos. Mas não podemos olvidar as regras essenciais previstas nos parágrafos 1º a 4º, do art. 24, para fins de harmonização das normas a serem expedidas pelos entes federativos, no exercício da competência legislativa concorrente. A Lei 7.802/1989 disciplinou, em parte, o dispositivo constitucional apresentando regras específicas sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins. Definiu a norma, em seu art. 9º, as atribuições da União a quem compete: legislar sobre a produção, registro, comércio interestadual, exportação, importação, transporte, classificação e controle tecnológico e toxicológico; controlar e fiscalizar os estabelecimentos de produção, importação e exportação; 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 25/51 analisar os produtos agrotóxicos, seus componentes e afins, nacionais e importados; controlar e fiscalizar a produção, a exportação e a importação. Compete aos Estados e ao Distrito Federal, nos termos dos arts. 23 e 24 da Constituição Federal, e do art. 10, da Lei 7.802/1989: legislar sobre o uso, a produção, o consumo, o comércio e o armazenamento dos agrotóxicos, seus componentes e afins, fiscalizar o uso, o consumo, o comércio, o armazenamento e o transporte interno. Cabe ao Município, nos termos do art. 30, II, da CF/88 e art. 11, da Lei 7.802/1989, legislar supletivamente sobre o uso e o armazenamento dos agrotóxicos, seus componentes e afins. Para a consecução desse dever, compete a União, através dos órgãos competentes, prestar o apoio necessário às ações de controle e fiscalização, à Unidade da Federação que não dispuser dos meios necessários. Trata-se de verdadeiro apoio financeiro, técnico e operacional objetivando o maior controle sobre o uso, armazenamento e comercialização de agrotóxicos. É competência administrativa comum dos entes federativos, nos termos do art. 12-A, da Lei 7.802/1989, a fiscalização da devolução e destinação adequada de embalagens vazias de agrotóxicos, seus componentes e afins, de produtos apreendidos pela ação fiscalizadora e daqueles impróprios para utilização ou em desuso; bem como do armazenamento, transporte, reciclagem, reutilização e inutilização de embalagens vazias e produtos apreendidos pela ação fiscalizatória e dos impróprios para utilização ou em desuso. Detalhando ainda mais as atribuições de cada ente federativo, o Decreto 4.074/02, em seu art. 71, definiu a competência dos diferentes órgãos integrantes das unidades federativas. Assim, a fiscalização dos agrotóxicos, seus componentes e afins é da competência: dos órgãos federais responsáveis pelos setores da agricultura, saúde e meio ambiente, dentro de suas respectivas áreas de competência, quando se tratar de: estabelecimentos de produção, importação e exportação; produção, importação e exportação; coleta de amostras para análise de controle ou de fiscalização; resíduos de agrotóxicos e afins em produtos agrícolas e de seus subprodutos; e quando se tratar do uso de agrotóxicos e afins em tratamentos quarentenários e fitossanitários realizados no trânsito internacional de vegetais e suas partes; 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 26/51 dos órgãos estaduais e do Distrito Federal responsáveis pelos setores de agricultura, saúde e meio ambiente, dentro de sua área de competência, ressalvadas aquelas específicas dos órgãos federais desses mesmos setores, quando se tratar de: uso e consumo dos produtos agrotóxicos, seus componentes e afins na sua jurisdição; estabelecimentos de comercialização, de armazenamento e de prestação de serviços; devolução e destinação adequada de embalagens de agrotóxicos, seus componentes e afins, de produtos apreendidos pela ação fiscalizadora e daqueles impróprios para utilização ou em desuso; transporte de agrotóxicos, seus componentes e afins, por qualquer via ou meio, em sua jurisdição; coleta de amostras para análise de fiscalização; armazenamento, transporte, reciclagem, reutilização e inutilização de embalagens vazias e dos produtos apreendidos pela ação fiscalizadora e daqueles impróprios para utilização ou em desuso; e resíduos de agrotóxicos e afins em produtos agrícolas e seus subprodutos. Essas competências podem ser delegadas pela União e pelos Estados, desde que não sejam expressamente proibidas por norma específica. O STF no julgamento da ADIN 3813, de relatoria do Min. Dias Toffoli, declarou inconstitucional formal a Lei 12.427/2006 do Rio Grande do Sul que cria restrições à comercialização, à estocagem e ao trânsito de produtos agrícolas importados no Estado, ainda que tenha por objetivo a proteção da saúde dos consumidores diante do possível uso indevido de agrotóxicos por outros países. A matéria é predominantemente de comércio exterior e interestadual, sendo, portanto, de competência privativa da União, nos termos do art. 22, VIII, da CF/88, cabendo ao referido ente a definição dos requisitos para ingresso de produtos estrangeiros no país. Por fim, importante lembrar que a Resolução CONAMA 465/2014 dispõe sobre os requisitos e critérios técnicos mínimos necessários para o licenciamento ambiental de estabelecimentos destinados ao recebimento de embalagens de agrotóxicos e afins, vazias ou contendo resíduos, considerando que postos e centrais de recebimento dessas embalagens são empreendimentos potencialmente poluidores; em face da necessidade de dar destinação final ambientalmente adequada aos agrotóxicos e afins. A referida norma exige além do licenciamento do posto ou central que receberá os agrotóxicos, que o veículo destinado à coleta regular de embalagens de agrotóxicos e afins, vazias ou contendo resíduos, para posterior entrega em posto, central ou local de destinação final ambientalmente adequada, esteja adequado à legislação específica para o transporte de cargas perigosas. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 27/51 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 28/51 Lei 7.802/1989 e seu regulamento A modernização da agricultura, dentro do cenário da “Revolução Verde” (1940 – 1970) se concretizou com a criação do Sistema Nacional de Crédito Rural -SNCR, em 1965, com consequente instalação, na década de 1970, do Parque Industrial de Agrotóxicos incentivado pelo Programa Nacional de Defensivos Agrícolas - PNDA, no âmbito do II Plano Nacional de Desenvolvimento. Nessa época, vigia o Decreto 24.114/34 que trazia o Regulamento de Defesa Sanitária Vegetal que facilitava o registro de substâncias já banidas pelas legislações em países mais desenvolvidos. Destaca Terra e Pelaez que, quando da criação do parque nacional produtor de agrotóxicos pela chegada de empresas líderes do mercado mundial, estas não enfrentaram, no Brasil, as mesmas restrições que já se verificava em outros países. Nesse cenário, o Brasil se tornou um dos principais destinos de produtos banidos em outros países, com diversos produtos proibidos na União Europeia e Estados Unidos. Em face da necessidade de uma regulamentação mais consentânea com as regras protetivas do meio ambiente e da busca pela melhoria na qualidade de vida das pessoas ventiladas na 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 29/51 incipiente Constituição Federal de 1988, foi editada a Lei nº 7.802/1989, em substituição ao Decreto 24.114/34, conhecida como Lei dos Agrotóxicos, tornando-se o novo marco regulatório do setor, refletindo um maior rigorno controle da produção, importação, uso, comercialização e armazenamento dos agrotóxicos no País. Destaca Pelaez que as exigências desse marco regulatório derivam de um processo histórico de crescentes incidentes de intoxicação aguda de trabalhadores, de mortandade de animais selvagens e de excesso de resíduos de agrotóxicos em alimentos. Ressalta ainda que a Lei dos Agrotóxicos trouxe significativos avanços no que tange ao rigor da regulamentação dessas substâncias químicas no Brasil, mas mostram que, na prática, a indústria dos agrotóxicos continuou a se impor e a influenciar as tomadas de decisão do país, fato corroborado pela aprovação dos Decretos nº 4.074/02 e nº 5.981/06. Inicialmente a Lei 7.802/89 foi regulamentada pelo Decreto nº 98.816/90 que trouxe um novo paradigma de controle dos agrotóxicos, notadamente quanto ao processo de registro. Mas apresentava ainda concentração excessiva no Poder Executivo federal, mais precisamente na Casa Civil, que tinha o poder decisório quanto à fixação dos parâmetros que deveriam ser cumpridos para as avaliações a serem concedidas, fato que permitiu as grandes empresas do setor pressionarem o Governo para diminuir o rigor do processo de registro fixado no Decreto. Assim, o atual Decreto nº 4.074/02 revogou o Decreto nº 98.816/90 se tornando a nova regulamentação da Lei dos Agrotóxicos, tentando adequar a legislação nacional MERCOSUL e facilitar o processo de registro de agrotóxicos em termos de tempo, custo e burocracia. A título de exemplo dessa flexibilização, o Decreto 4.074/02 legitimou o registro dos agrotóxicos por equivalência (genéricos) e a entrada de produtos de outros países com legislações menos restritiva, autorizando, em certa medida, uma maior dispersão dos agrotóxicos no meio ambiente. Nesse diapasão, reforçando ainda mais a flexibilização iniciada pelo Decreto 4.074/02, o Decreto 5.981/06 alterou o art. 10, daquele regulamento, simplificando o processo de obtenção do registro de equivalentes ao se criar três fases sucessivas em termos de grau de exigência e permitindo o registro em caso de aprovação em alguma das fases, como veremos ao longo desta obra. Por fim, lembre-se que a Lei 7.802/89 não se aplica aos Organismo Geneticamente Modificados e seus derivados, ressalvados os casos em que eles sejam desenvolvidos para servir de matéria-prima para a produção de agrotóxicos, nos termos do art. 39, da Lei 11.105/05. Conceitos Fundamentais relacionados aos Agrotóxicos Para fins de concurso, é fundamental conhecermos alguns conceitos fundamentais elencados na Lei 7.802/89 e no Decreto 4.074/02. Talvez o mais importante deles, seja o conceito de agrotóxicos e afins (equivalentes) previsto no art. 2º, da Lei 7.802/89, bem como no art. 1º, IV, do Decreto 4.074/02, já apresentado nesta obra. Vejamos novamente o normativo: Art. 2º Para os efeitos desta Lei, consideram-se: 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 30/51 I - agrotóxicos e afins: a) os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos; b) substâncias e produtos, empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento; II - componentes: os princípios ativos, os produtos técnicos, suas matérias-primas, os ingredientes inertes e aditivos usados na fabricação de agrotóxicos e afins. O agrotóxico é resultado de uma mistura de substâncias químicas que apresentam diversas funções para dar maior eficiência ao produto final, aí incluindo a principal substância que tem a função de agrotóxico (substância ativa), bem como as substâncias que objetivam dar maior durabilidade e penetrabilidade em plantas e animais (aditivos). A esse conjunto dessas substâncias atribui-se o nome de componentes. Nos termos do art. 2º, II, da Lei 7.802/89, os componentes são os princípios ativos, produtos técnicos, suas matérias-primas, ingredientes inertes e aditivos usados na fabricação de agrotóxicos e afins. O princípio ativo é o agente químico, físico ou biológico que confere eficácia aos agrotóxicos e afins. A seu turno, entende-se por matéria-prima toda substância, produto ou organismo utilizado na obtenção de um ingrediente ativo, ou de um produto que o contenha, por processo químico, físico ou biológico. Os aditivos são substâncias ou produtos adicionado a agrotóxicos, componentes e afins, para melhorar sua ação, função, durabilidade, estabilidade e detecção ou para facilitar o processo de produção. Outros conceitos foram previstos no art. 1º, do Decreto 4.074/02. Alguns estão relacionados aos processos de produção, comercialização, consumo, importação e exportação dos agrotóxicos e produtos afins, vejamos os principais: Embalagem - invólucro, recipiente ou qualquer forma de acondicionamento, removível ou não, destinado a conter, cobrir, empacotar, envasar, proteger ou manter os agrotóxicos, seus componentes e afins. Receita ou receituário: prescrição e orientação técnica para utilização de agrotóxico ou afim, por profissional legalmente habilitado. Registro de produto - ato privativo de órgão federal competente, que atribui o direito de produzir, comercializar, exportar, importar, manipular ou utilizar um agrotóxico, componente ou afim. Resíduo - substância ou mistura de substâncias remanescente ou existente em alimentos ou no meio ambiente decorrente do uso ou da presença de agrotóxicos e afins, inclusive, quaisquer 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 31/51 derivados específicos, tais como produtos de conversão e de degradação, metabólitos, produtos de reação e impurezas, consideradas toxicológica e ambientalmente importantes. Produto fitossanitário com uso aprovado para a agricultura orgânica - agrotóxico ou afim contendo exclusivamente substâncias permitidas, em regulamento próprio, para uso na agricultura orgânica. Comercialização - operação de compra, venda ou permuta dos agrotóxicos, seus componentes e afins. Produção - processo de natureza química, física ou biológica para obtenção de agrotóxicos, seus componentes e afins. Controle - verificação do cumprimento dos dispositivos legais e requisitos técnicos relativos a agrotóxicos, seus componentes e afins. Exportação - ato de saída de agrotóxicos, seus componentes e afins, do País para o exterior. Importação - ato de entrada de agrotóxicos, seus componentes e afins, no País. Pesquisa e experimentação - procedimentos técnico-científicos efetuados visando gerar informações e conhecimentos a respeito da aplicabilidade de agrotóxicos, seus componentes e afins, da sua eficiência e dos seus efeitos sobre a saúde humana e o meio ambiente. Registro de Agrotóxicos e Afins As regras para o registro de agrotóxico, afins e seus componentes foram disciplinadas pelos arts. 3º, 4º e 5º, da Lei 7.802/89, como também do art. 8º ao art. 30 do Decreto, 4.074/02. As normas criaram dois tipos de registro: o registro especial temporário, destinado à pesquisa e à experimentação para agrotóxicos, seus componentes e afins, bem como o registro propriamente dito, destinado ao efetivo uso dos referidos produtos. Da mesma forma como são tratados todos os produtos químicos que possa trazer riscos à qualidade de vida das pessoas e ao meio ambiente é exigido que tenham autorização dos órgãos competentes antes de sua produção, comercialização ou uso no País. Nesse sentido, o art. 3º, da Lei 7.802/89, exige o registro dos agrotóxicos, seus componentes e afins, nos órgãos federais competentes responsáveis pelos setores de saúde, do meio ambiente e da agricultura, para quesejam produzidos, exportados, importados, comercializados e utilizados, sob pena de cometimento do crime previsto no art. 15, da Lei de Agrotóxicos. São três órgãos reguladores federais que são responsáveis pela manifestação quanto à regularidade em relação ao meio ambiente, saúde e agricultura. O Ministério da Saúde - MS, por meio da Anvisa, avalia o risco que os agrotóxicos podem ter para a saúde das pessoas. Ao seu turno, o Ministério do Meio Ambiente - MMA, por meio do IBAMA, emite parecer quanto aos efeitos deletérios produzidos ao meio ambiente natural, notadamente quanto à fauna e à flora. Por fim, cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA analisar se o agrotóxico é eficaz para matar pragas e doenças na agricultura/pecuária. É responsável pela formalização do registro, mas só poderá ser efetivado se recebido aval favorável do MMA e do MS. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 32/51 Nesse processo de registro, o Decreto 4.074/02 previu expressamente as competências do MAPA, MS e MAPA, em seus arts. 5º, 6º e 7º, respectivamente. Vejamos: Ministério Função no Registro de ACA Avaliar a eficiência agronômica dos agrotóxicos e afins para uso nos setores de produção, armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas florestas plantadas e nas pastagens; e Conceder o registro, inclusive o RET, de agrotóxicos, produtos técnicos, pré-misturas e afins para uso nos setores de produção, armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas florestas plantadas e nas pastagens, atendidas as diretrizes e exigências dos Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente. Avaliar e classificar toxicologicamente os agrotóxicos, seus componentes, e afins; Avaliar os agrotóxicos e afins destinados ao uso em ambientes urbanos, industriais, domiciliares, públicos ou coletivos, ao tratamento de água e ao uso em campanhas de saúde pública, quanto à eficiência do produto; Realizar avaliação toxicológica preliminar dos agrotóxicos, produtos técnicos, pré-misturas e afins, destinados à pesquisa e à experimentação; Estabelecer intervalo de reentrada em ambiente tratado com agrotóxicos e afins; Conceder o registro, inclusive o RET, de agrotóxicos, produtos técnicos, pré-misturas e afins destinados ao uso em ambientes urbanos, industriais, domiciliares, públicos ou coletivos, ao tratamento de água e ao uso em campanhas de saúde pública atendidas as diretrizes e exigências dos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente; e Monitorar os resíduos de agrotóxicos e afins em produtos de origem animal. Avaliar os agrotóxicos e afins destinados ao uso em ambientes hídricos, na proteção de florestas nativas e de outros ecossistemas, quanto à eficiência do produto; 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 33/51 Realizar a avaliação ambiental, dos agrotóxicos, seus componentes e afins, estabelecendo suas classificações quanto ao potencial de periculosidade ambiental; Realizar a avaliação ambiental preliminar de agrotóxicos, produto técnico, pré-mistura e afins destinados à pesquisa e à experimentação; e Conceder o registro, inclusive o RET, de agrotóxicos, produtos técnicos e pré-misturas e afins destinados ao uso em ambientes hídricos, na proteção de florestas nativas e de outros ecossistemas, atendidas as diretrizes e exigências dos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Saúde. O art. 2º, do Decreto 4.074/02, previu também as competências gerais dos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Saúde e do Meio Ambiente, no âmbito de suas respectivas áreas de competências, referente ao tratamento dos agrotóxicos, componentes e afins. Vejamos cada uma delas: estabelecer as diretrizes e exigências relativas a dados e informações a serem apresentados pelo requerente para registro e reavaliação de registro dos agrotóxicos, seus componentes e afins; estabelecer diretrizes e exigências objetivando minimizar os riscos apresentados por agrotóxicos, seus componentes e afins; estabelecer o limite máximo de resíduos e o intervalo de segurança dos agrotóxicos e afins; estabelecer os parâmetros para rótulos e bulas de agrotóxicos e afins; estabelecer metodologias oficiais de amostragem e de análise para determinação de resíduos de agrotóxicos e afins em produtos de origem vegetal, animal, na água e no solo; promover a reavaliação de registro de agrotóxicos, seus componentes e afins quando surgirem indícios da ocorrência de riscos que desaconselhem o uso de produtos registrados ou quando o País for alertado nesse sentido, por organizações internacionais responsáveis pela saúde, alimentação ou meio ambiente, das quais o Brasil seja membro integrante ou signatário de acordos; avaliar pedidos de cancelamento ou de impugnação de registro de agrotóxicos, seus componentes e afins; autorizar o fracionamento e a reembalagem dos agrotóxicos e afins; 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 34/51 controlar, fiscalizar e inspecionar a produção, a importação e a exportação dos agrotóxicos, seus componentes e afins, bem como os respectivos estabelecimentos; controlar a qualidade dos agrotóxicos, seus componentes e afins frente às características do produto registrado; desenvolver ações de instrução, divulgação e esclarecimento sobre o uso correto e eficaz dos agrotóxicos e afins; prestar apoio às Unidades da Federação nas ações de controle e fiscalização dos agrotóxicos, seus componentes e afins; indicar e manter representantes no Comitê Técnico de Assessoramento para Agrotóxicos; manter o Sistema de Informações sobre Agrotóxicos – SIA e publicar no Diário Oficial da União o resumo dos pedidos e das concessões de registro. Para realização de pesquisas e experimentação com agrotóxicos, seus componentes e afins, o interessado deverá requerer o Registro Especial Temporário – RET. Serão objeto desse registro os produtos técnicos, pré-misturas, agrotóxicos e afins destinados à pesquisa e à experimentação, cabendo ao requerente apresentar, aos órgãos federais competentes, requerimento e respectivos relatórios, em duas vias, em conformidade com o Anexo III, do Decreto 4.074/02, bem como dados e informações exigidos em normas complementares. No RET, as avaliações toxicológica e ambiental preliminares serão fornecidas pelos órgãos competentes no prazo de 60 dias, contados a partir da data de recebimento da documentação, cabendo ao órgão federal registrante o prazo de 15 dias, contados a partir da data de recebimento do resultado das avaliações realizadas pelos demais órgãos, para conceder ou indeferir o RET. Por outro lado, nos termos do art. 25-A, inserido pelo Decreto 5.981/2006, permitiu que o registro especial temporário para produtos técnicos, pré-misturas, agrotóxicos e afins que possuam ingredientes ativos já registrados no Brasil será concedido automaticamente pelo órgão registrante, mediante inscrição em sistema informatizado integrado ao Sistema de Informações sobre Agrotóxicos - SIA. Por fim, os produtos destinados à pesquisa e experimentação no Brasil serão considerados de Classe Toxicológica e Ambiental mais restritiva, no que se refere aos cuidados de manipulação e aplicação. 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 17. Produtos Perigosos e Meio Ambiente 35/51 Existe uma regra de ouro para o registro do agrotóxico: o registro só é admitido em caso de o novo agrotóxico ter toxidade igual ou inferior aos existentes de sua categoria. Vejamos a regra do §5º, do art. 3º, da Lei 7.802/89. Art. 3º (...) § 5º O registro para novo produto agrotóxico, seus componentes e afins, será concedido se a sua ação tóxica sobre o ser humano e o meio ambiente for comprovadamente igual ou menor do que a daqueles já registrados, para o mesmo fim, segundo os parâmetros fixados na regulamentação desta Lei. Esses parâmetros foram fixados no art. 20, do Decreto 4.074/02. Nesse