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Prof. Thiago Leite, Prof. Matthaus Marçal Pavanini Cardoso 12 Responsabilidade Criminal-Ambiental Curso Interativo de Direito Ambiental para Carreiras Jurídicas Documento última vez atualizado em 28/06/2024 às 06:33. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 1/79 3 6 8 24 41 55 60 64 78 Índice 12.1) Lei n° 9.605/98 e sua relação com a CF/88, CP, CPP e Lei n° 9.099/95 12.2) O Princípio da Insigni�cância e os Crimes Ambientais 12.3) A Responsabilidade da Pessoa Física e da Jurídica em Crimes Ambientais 12.4) Penas Previstas na Lei de Crimes Ambientais 12.5) Atenuantes e Agravantes nos Crimes Ambientais 12.6) Suspensão Condicional da Pena 12.7) Apreensão do Produto e do Instrumento de Infração Administrativa ou do Crime 12.8) Ação e Processo Penal 12.9) Lista de Questões 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 2/79 Lei n° 9.605/98 e sua relação com a CF/88, CP, CPP e Lei n° 9.099/95 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. Constituição Federal e a Lei 9.605/98 A responsabilidade penal de qualquer pessoa que pratica condutas atentatórias ao meio ambiente foi prevista na Constituição Federal de 1988 no art. 225, §3º. A Carta Política constitucionalizou a obrigatoriedade de o Estado efetivar a persecução penal dos delitos contra o meio ambiente inclusive com possibilidade de aplicação de sanções às pessoas jurídicas, passando a ter, a tutela penal dos diversos bens ambientais, alicerce constitucional. Vejamos o normativo. Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. § 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. É importante destacar que a Constituição Federal não elencou os crimes ambientais em espécie, mas apenas autorizou que normas infraconstitucionais tipificassem as condutas atentatórias aos diversos bens ambientais (flora, fauna, administração ambiental e patrimônio cultural). Nessa linha, a CF/88 não descreveu condutas típicas que resulte em sanção penal por condutas ilícitas ao meio ambiente, mas apenas autorizou a sua prescrição. Coube ao legislador ordinário editar as normas ambientais que descrevem as condutas típicas, tendo em vista que só há crime se expressamente previsto em lei, em obediência ao princípio da legalidade restrita prevista no art. 1º, do Código Penal. Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal. Nesse sentido, além de outras normas esparsas, foi editada a Lei 9.605/98 que além de trazer normas expressas de natureza estritamente penal, revelou também regras atinentes à responsabilidade administrativa, sendo verdadeira norma que tutela o meio ambiente não 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 3/79 apenas na esfera penal como também extrapenal, tendo nitidamente natureza mista, haja vista tratar tanto da responsabilidade civil como da administrativa. Não podemos olvidar que existem outras leis que ventilam crimes ambientais, como, a título de exemplo, o crime de liberar ou descartar OGM no meio ambiente, em desacordo com as normas estabelecidas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio e pelos órgãos e entidades de registro e fiscalização, previsto no art. 27, da Lei 11.105/2005. Art. 27. Liberar ou descartar OGM no meio ambiente, em desacordo com as normas estabelecidas pela CTNBio e pelos órgãos e entidades de registro e fiscalização: Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. § 2º Agrava-se a pena: I – de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço), se resultar dano à propriedade alheia; II – de 1/3 (um terço) até a metade, se resultar dano ao meio ambiente; III – da metade até 2/3 (dois terços), se resultar lesão corporal de natureza grave em outrem; IV – de 2/3 (dois terços) até o dobro, se resultar a morte de outrem. Mas, essencialmente, os crimes ambientais estão previstos na Lei 9.605/98 sendo o principal normativo penal que reúne as diversas descrições típicas infracionais ao meio ambiente, formando um verdadeiro “Código Penal” do Direito Ambiental, com regras próprias para a aplicação das sanções, bem como na mensuração da dosimetria da pena e da extinção da punibilidade. O Código Penal, Código de Processo Penal e a Lei 9.605/98 A Lei 9.605/98 é considerada especial em relação ao Código Penal (norma geral) devendo sempre ser aplicada em detrimento do Código Penal quando suas normas forem conflitantes em face do princípio da especialidade. Isso porque a lei especial prevalece sobre a lei geral. Por outro lado, não se pode esquecer que a Lei 9.605/98 não trouxe todos os institutos necessários para escorreita persecução penal e punição do infrator, tendo o julgador que se embebedar nas normas basilares do Código Penal e do Código de Processo Penal. É nesse sentido que a Lei 9.605/98 previu, no art. 79, a possibilidade de se aplicar subsidiariamente as regras do Código Penal e do Código de Processo Penal para os crimes contra o meio ambiente. Art. 79. Aplicam-se subsidiariamente a esta Lei as disposições do Código Penal e do Código de Processo Penal. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 4/79 Cumpre assinalar que a própria Lei 9.605/98 determina a aplicação de determinadas normas do Código Penal e do Código de Processo Penal para caracterização de alguns institutos, objetivando não ter que descrevê-los novamente no corpo da Lei, como ocorre para fixação da multa penal previsto no art. 18 da Lei de Crimes Ambientais. Art. 18. A multa será calculada segundo os critérios do Código Penal; se revelar-se ineficaz, ainda que aplicada no valor máximo, poderá ser aumentada até três vezes, tendo em vista o valor da vantagem econômica auferida. Mas isso não implica dizer que haverá a necessidade de previsão expressa para aplicação de um instituto jurídico previsto nos referidos Códigos, tendo em vista que o autorizativo do art. 79 é suficiente para aplicação de qualquer regra dos normativos, desde que não exista outra conflitante na norma de crimes ambientais. A Lei 9.099/95 e a Lei 9.605/98 Outro tema relevante para nossos concursos e melhor entendimento desta temática é vislumbrarmos a possibilidade de aplicação da Lei 9.099/95 (Lei do Juizado Especial Criminal) aos crimes ambientais. Essa norma disciplinou o processamento dos crimes de menor potencial ofensivo entendido estes como as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa. Vejamos o art. 61, da Lei 9.099/95: Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa. Para que não restem dúvidas quanto à possibilidade de aplicação da Lei dos Juizados Especiais Criminais às infrações ambientais, a Lei 9.605/98, em seu art. 27, autorizou a aplicação de institutos despenalizadores previstos naquele normativo, como a possibilidade de o Ministério Público propor a transação penal, acrescentando apenas mais um requisito material para concessão da benesse (prévia composição do dano ambiental). Art. 27. Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, de que trata o art. 74 da mesma lei,Crimes Ambientais. Eis os normativos: CP (não previsto expressamente) pena superior a um ano, é facultado ao condenado cumprir a pena substitutiva em menor tempo, nunca inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada. pena superior a um ano, é facultado ao condenado cumprir a pena substitutiva em menor tempo, nunca inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada. (não previsto expressamente) Art. 45. Na aplicação da substituição prevista no artigo anterior, proceder-se-á na forma deste e dos arts. 46, 47 e 48. § 1o A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus dependentes ou a entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz, não inferior a 1 (um) salário mínimo nem superior a 360 (trezentos e sessenta) 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 32/79 salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual condenação em ação de reparação civil, se coincidentes os beneficiários. § 2o No caso do parágrafo anterior, se houver aceitação do beneficiário, a prestação pecuniária pode consistir em prestação de outra natureza Lei 9.605/98 Art. 12. A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima ou à entidade pública ou privada com fim social, de importância, fixada pelo juiz, não inferior a um salário mínimo nem superior a trezentos e sessenta salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual reparação civil a que for condenado o infrator. A finalidade da fixação da pena substitutiva de prestação pecuniária é a reparação do dano causado pelo condenado tendo como destinatários a vítima, seus dependentes ou entidade pública ou privada com destinação social. Mas, não esqueça, a prestação pecuniária tem natureza de sanção penal, na modalidade de pena, embora tenha repercussão na esfera civil no que tange a responsabilidade civil por danos acarretados. É possível que o valor pago, que mediará entre 1 SM ≤ prestação pecuniária ≤ 360 SM, seja deduzido do montante a ser pago a título de indenização civil. Quanto ao ponto, embora a Lei de Crimes Ambientais não exija a hipótese de “coincidência dos beneficiários”, essa regra deve ser aplicada sob pena de enriquecimento sem causa, pois o beneficiário receberá em dobro aquela quantia. Nesse sentido, se o juiz atribuir o benefício da prestação pecuniária a alguma entidade, no lugar da vítima ou seus herdeiros, não haverá dedução do valor na futura ação indenizatória, porquanto não coincidentes os beneficiários. Outro ponto é que, embora não previsto expressamente no art. 12 da Lei de Crimes Ambientais, é perfeitamente possível que a prestação pecuniária seja destinada aos dependentes da vítima, por força da norma extensiva do art. 72, da Lei 9.605/98 (caráter subsidiário do CP e do CPP) c/c o § 1º do art. 45 do CP. Por fim, como alerta Fernando Capez, é fundamental a identificação da diferença entre prestação pecuniária e multa. Esta é sanção cujo valor destina-se ao Fundo Penitenciário, revertendo em favor da coletividade. Por outro lado, a prestação pecuniária, é endereçada à vítima. A multa não pode ser convertida em pena privativa de liberdade, sendo considerada, para fins de execução, dívida de valor (CP, art. 51). A prestação pecuniária, ao contrário, admite conversão (CP, art. 44, § 4º). Prestação Pecuniária Regras do CP Regras da Lei de Crimes Ambientais Conceito: a prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus Conceito: a prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima ou à 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 33/79 Interdição Temporária de Direitos A sanção de interdição temporária de direitos é uma pena alternativa à privativa de liberdade que foi prevista tanto no Código Penal, em seu art. 47, quanto na Lei de Crimes Ambientais, em seu art. 10. Essas normas ventilam regras de proibições para o condenado que vão desde a vedação ao exercício do cargo ou mandato eletivo à proibição de contratar com o poder público. Vejamos as regras dos normativos: CP dependentes ou a entidade pública ou privada com destinação social, entidade pública ou privada com fim social. (não previu expressamente os dependentes) Valor: importância fixada pelo juiz, não inferior a 1 (um) salário mínimo nem superior a 360 (trezentos e sessenta) salários mínimos. Valor: importância, fixada pelo juiz, não inferior a um salário mínimo nem superior a trezentos e sessenta salários mínimos. Dedução: o valor pago será deduzido do montante de eventual condenação em ação de reparação civil, se coincidentes os beneficiários. Dedução: o valor pago será deduzido do montante de eventual reparação civil a que for condenado o infrator. (não previu expressamente a coincidência do beneficiário) Prestação diversa: se houver aceitação do beneficiário, a prestação pecuniária pode consistir em prestação de outra natureza. (não há norma correlata) (doutrina entende perfeitamente aplicável aos crimes ambientais) Art. 47 - As penas de interdição temporária de direitos são: I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo; II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do poder público; III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo. IV – proibição de frequentar determinados lugares. V - proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame públicos. Lei n° 9.605/98 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 34/79 Art. 10. As penas de interdição temporária de direito são a proibição de o condenado contratar com o Poder Público, de receber incentivos fiscais ou quaisquer outros benefícios, bem como de participar de licitações, pelo prazo de cinco anos, no caso de crimes dolosos, e de três anos, no de crimes culposos. Embora os dois diplomas normativos tratem da mesma pena restritiva de direito, e, portanto, de mesma ordem ontológica, a Lei de Crimes Ambientais deu um viés mais específico para os crimes ambientais criando proibições não previstas na regra geral (CP). Assim, o CP prevê cinco modalidades de vedações ao exercício de determinados direitos, não encontrando correspondência na Lei de Crimes Ambientais. Nessa linha, a Lei 9.605/98 regulamentou três modalidades de interdição temporária de direito consubstanciadas na proibição de (1) contratar com o Poder Público; (2) receber incentivos fiscais ou quaisquer outros benefícios; bem como (3) participar de licitações. Oportuno ressaltar que contratar e participar de licitações são coisas distintas. Se o condenado tiver a pena privativa de liberdade substituída pela interdição temporária de direito de não participar de licitações, poderá ainda contratar com o Poder Público, seja por meio de dispensa ou de inexigibilidade de licitação; melhor dizendo, a proibição é para não participar de licitações (embora resulte também, ao final, em um contrato), não vedando qualquer outro meio, permitido em lei, de contratação com o Poder Público. A licitação é apenas uma das formas de garantia a isonomia para contratar com o Poder Público. Por uma questão de melhor individualizar a pena e atender ao princípio da proporcionalidade, entendeu o legislador ordinário fixar prazos diferenciados para as três modalidades de proibições. Para os crimes ambientais dolosos o tempo de interdição temporária do direito de contratar/receber/participar será de 5 anos e para os culposos, de 3 anos. Assim, será possível ocorrer situações bem interessantes quando da substituição: pode ser que a pena privativa de liberdade a ser convertida (1 ano, por exemplo) tenha que ser cumprida em 3 anos ou 5 anos (a depender se o crime foi doloso ouculposo), não podendo ser observada a regra do art. 7º, parágrafo único, que as penas restritivas de direitos terão a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída. Não será o tempo da pena privativa de liberdade, por falta de compatibilidade entre a pena originária e a substitutiva. Por fim, as demais penas de interdição temporária de direitos previstas no art. 47 do CP, não podem ser aplicada em substituição à pena privativa de liberdade para os crimes ambientais, por ser a Lei 9.605/98 lei especial em relação a regra geral do CP, cabendo ao magistrado aplicador da medida substitutiva atentar as regras do diploma penal ambiental. Vejamos um comparativo das penas de interdição temporária de direitos previstas nos dois diplomas. Interdição Temporária de Direito Regras do CP Regras da Lei de Crimes 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 35/79 Ambientais são proibições ao exercício de determinados direitos pelo condenado. são proibições ao exercício de determinados direitos pelo condenado. proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo. (não há norma correlata) (não se aplica) proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do poder público. (não há norma correlata) (não se aplica) suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo. (não há norma correlata) (não se aplica) proibição de frequentar determinados lugares. (não há norma correlata) (não se aplica) proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame públicos. (não há norma correlata) (não se aplica) (não há norma correlata) (não se aplica) proibição de o condenado contratar com o Poder Público. (não há norma correlata) (não se aplica) proibição de o condenado receber incentivos fiscais ou quaisquer outros benefícios. (não há norma correlata) (não se aplica) proibição de o condenado participar de licitações. Prazo: fixado pelo Juiz (como regra) Prazo: 03 anos = crime ambiental culposo 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 36/79 Suspensão Parcial ou Total de Atividades Essa pena substitutiva está prevista apenas na Lei de Crimes Ambientais não encontrando correspondente no Código Penal. Consiste na suspensão de atividades que estejam sendo desenvolvidas em desacordo com as normas regulamentares e que estejam, ou possam resultar, de alguma forma, danos ao meio ambiente. Foi prevista no art. 11, da Lei 9.605/98, vejamos: 05 anos = crime ambiental doloso Art. 11. A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às prescrições legais. Essa pena alternativa deve ser aplicada sempre que o desenvolvimento da atividade danosa ao meio ambiente tiver sido efetivado sem licença válida ou em desacordo com a obtida. O objetivo é interromper ou mesmo evitar que a atividade, sem a regular liberação do poder concedente, venha a provocar ou agravar os impactos negativos ao meio ambiente. Cumpre lembrar que essa pena alternativa deve ser aplicada a pessoa física que desenvolva atividade que esteja em desacordo com as prescrições legais. A mesma medida substitutiva foi prevista para a pessoa jurídica, mas com fundamento legal no art. 22, I, da Lei de Crimes Ambientais. Recolhimento Domiciliar Sanção autônoma e substitutiva da pena privativa de liberdade prevista no art. 13, da Lei 9.605/98. Não tem correspondente no Código Penal, mas apresenta praticamente a mesma natureza ontológica da pena restritiva de direito de limitação de fim de semana prevista no art. 43, VI, do CP. O recolhimento domiciliar baseia-se na autodisciplina e no senso de responsabilidade do condenado tendo que desenvolver suas funções laborais e estudantis de forma regular tendo que se recolher nos dias e horários de folga em residência habitual. Vejamos o normativo da norma ambiental incriminadora: Art. 13. O recolhimento domiciliar baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado, que deverá, sem vigilância, trabalhar, frequentar curso ou exercer atividade autorizada, permanecendo recolhido nos dias e horários de folga em residência ou em qualquer local destinado à sua moradia habitual, conforme estabelecido na sentença condenatória. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 37/79 Devemos tomar cuidado também para não confundir a medida substitutiva autônoma prevista na Lei de Crimes Ambientais, de cunho definitivo, com a medida cautelar de recolhimento domiciliar prevista no inciso V do artigo 319 do Código de Processo Penal, que é fundada também no senso de responsabilidade e autodisciplina do imputado, atuando como medida cautelar alternativa à prisão preventiva, devendo ser deferida quando presentes os requisitos e os fundamentos das medidas cautelares. Penas Aplicáveis à Pessoa Jurídica Tendo em vista que as pessoas jurídicas podem cometer crimes ao meio ambiente, a Lei 9.605/98 previu as penas que podem ser fixadas a elas, considerando a impossibilidade de aplicação da pena privativa de liberdade. São três penas autônomas previstas no art. 21. Vejamos: Art. 21. As penas aplicáveis isolada, cumulativa ou alternativamente às pessoas jurídicas, de acordo com o disposto no art. 3º, são: I - multa; II - restritivas de direitos; III - prestação de serviços à comunidade. Embora tenha a Lei de Crimes Ambientais previsto penas autônomas, doutrina majoritária entende que a prestação de serviços à comunidade é uma das espécies da pena restritiva de direitos. A pena de multa, conforme assentado no art.18, da Lei 9.605/98, será calculada segundo os critérios do Código Penal. Observa-se, portanto, não haver qualquer regra específica quanto à aplicação da referida sanção aos crimes ambientais. Por outro lado, o mesmo normativo, autoriza caso a pena de multa revele-se ineficaz, ainda que aplicada no valor máximo, o seu aumento até três vezes, tendo em vista o valor da vantagem econômica auferida pelo infrator. Cumpre lembrar que essas penas podem ser aplicadas de forma isolada (punição única), como no tipo penal do art. 40, da Lei de Crimes Ambientais, que tem como figura típica a conduta de causar dano direto ou indireto às Unidades de Conservação, apresentando como preceito secundário a pena privativa de liberdade de reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos. Podem também ser aplicadas de forma cumulativa (associadas com outra), como no tipo penal do art. 29, que tem como descrição típica a figura de matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida, cuja pena será de detenção de seis meses a um ano, e multa. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 38/79 Ressalte-se ainda a possibilidade de aplicação alternativamente das referidas penas (aplica-se uma ou outra), como ocorre no crime do crime culposo do parágrafo único do art. 49, da Lei 9.605/98, que tem como núcleo do tipo destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade privada alheia, cuja pena é de detenção, de um a seis meses, ou multa. A pena de multa é aplicada nos termos do art. 49 do Código Penal, e consiste no pagamento ao fundo penitenciário da quantia fixada na sentença e calculada em dias-multa, sendo, no mínimo, de 10 (dez) e, no máximo, de 360 (trezentos e sessenta) dias-multa, com valor de dia- multa fixado pelo juiz que não pode ser inferior a um trigésimo do maior salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 (cinco) vezes esse salário. Verifica-se,portanto, que o legislador não trouxe qualquer regra específica para aplicação da pena de multa para as pessoas jurídicas. Quanto à fixação da pena de multa, o sistema é bifásico. Deve o julgador, na primeira fase, levar em conta as circunstâncias judiciais do art.59, do CP, para fixar entre 10 a 360 dias-multa, assim como as previstas no art. 6o, da Lei de crimes ambientais. Na segunda, cabe ao magistrado fixar o valor do dia-multa que não poderá ser inferior a um trigésimo (1/30) do maior salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 vezes esse salário, valor este que deverá ser atualizado, quando da execução, pelos índices de correção monetária, devendo o juiz, na fixação do dia-multa, atender, principalmente, à situação econômica da pessoa jurídica infratora. A pena de prestação de serviços à comunidade que deve ser aplicada a pessoa jurídica consistirá em custeio de programas e de projetos ambientais; execução de obras de recuperação de áreas degradadas; manutenção de espaços públicos; ou contribuições a entidades ambientais ou culturais públicas, nos termos do art. 23, da Lei 9.605/98. Essas obrigações podem ser cumulativas ou não, mas importante frisar que consistem em obrigações de fazer consubstanciadas na prestação de serviços ambientais de conservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente, bem como em obrigações de dar, visando o custeio de programas e projetos de proteção ao meio ambiente. Por outro lado, as penas restritivas de direitos que podem ser aplicadas às pessoas jurídicas foram elencadas no art. 22, da Lei de crimes ambientais, vejamos: Art. 22. As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são: I - suspensão parcial ou total de atividades; II - interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade; III - proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios, subvenções ou doações. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 39/79 Questão 2018 | 62126993 A Lei n.º 9.605/98 prevê sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente e prevê aplicação, de forma autônoma, de penas restritivas de direitos. É INCORRETO informar que se trata de uma pena restritiva de direito prevista nesta lei apenas A) Prestação de serviços à comunidade. B) Interdição temporária de direitos. C) Suspensão parcial ou total de atividades. D) Prestação pecuniária. E) Desapropriação. A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às disposições legais ou regulamentares, relativas à proteção do meio ambiente. Ao seu turno, a interdição temporária será aplicada quando o estabelecimento, obra ou atividade estiver funcionando sem a devida autorização, ou em desacordo com a concedida, ou com violação de disposição legal ou regulamentar. A interdição ocorre em face do funcionamento irregular da atividade ou empreendimento. Por fim, a proibição de contratar com o Poder Público e dele obter subsídios, subvenções ou doações não poderá exceder o prazo de dez anos. Cumpre destacar o posicionamento de Romeu Thomé quanto ao tema, entendendo que as penas restritivas de direito aplicáveis às pessoas jurídicas por crimes ambientais, não são substitutivas da pena de prisão como previsto no Código Penal, por questões de ordem lógica, não podendo ter as referidas penas duração idêntica à da privativa de liberdade por seres sanções autônomas. Outra sanção penal que pode ser aplicada à pessoa jurídica é a liquidação forçada resultando na perda de bens e valores prevista no art. 24 da Lei 9.605/98. Nesse sentido, estabeleceu o normativo que a pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente, com o fim de permitir, facilitar ou ocultar a prática de crime definido na Lei de Crimes Ambientais terá decretada sua liquidação forçada, seu patrimônio será considerado instrumento do crime e como tal perdido em favor do Fundo Penitenciário Nacional. É conhecida na doutrina como a “pena de morte da pessoa jurídica”. Como destaca Fernando Capez, caberá também ação civil pública proposta pelo Ministério Público, visando à dissolução judicial e ao cancelamento do registro e dos atos constitutivos da pessoa jurídica em questão, se a sua recusa em cooperar implicar ofensa à lei, à moralidade, à segurança e à ordem pública e social, nos termos do art. 115, da Lei de Registros Públicos. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 40/79 Solução Gabarito: E) Desapropriação. Alternativa E As penas restritivas de direito em matéria ambiental estão previstas no art. 8º da Lei Federal n. 9.605/1998, nos seguintes termos: Art. 8º. As penas restritivas de direito são: I - prestação de serviços à comunidade; II - interdição temporária de direitos; III - suspensão parcial ou total de atividades; IV - prestação pecuniária; V - recolhimento domiciliar. As alternativas “A”, “B”, “C” e “D” encontram previsão, respectivamente, nos incisos I, II, III e IV do mencionado dispositivo. Dessa forma, observa-se que a desapropriação não se trata de uma pena restritiva de direito, não sendo mencionada em nenhum momento na lei de crimes ambientais – até porque o instituto da desapropriação não constitui sanção penal ou administrativa, mas instrumento do Poder Público. Atenuantes e Agravantes nos Crimes Ambientais Circunstâncias Atenuantes A Lei 9.605/98 definiu de forma expressa as circunstâncias atenuantes e agravantes específicas para os crimes ambientais que devem ser aplicadas na segunda fase da dosimetria da pena. Isso não exclui a aplicação das circunstâncias genéricas previstas no art. 65 e 66 do Código Penal, embora tenha entendimento minoritário em sentido oposto. São circunstâncias específicas que sempre atenuam a pena de crimes cometidos contra o meio ambiente, previstas no art. 14 da Lei de Crimes Ambientais: a) baixo grau de instrução ou escolaridade do agente; b) arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou limitação significativa da degradação ambiental causada; c) comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental; d) colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 41/79 Como dito, a análise dessas circunstâncias ocorre na segunda fase de fixação da pena, juntamente com as genéricas, constantes dos arts. 65 e 66 do Código Penal, por força do art. 79, da Lei 9.605/98, não podendo reduzi-la abaixo do mínimo legal, nos termos da Súmula 231, do STJ. Súmula 231 do STJ: A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal. Vejamos as circunstâncias atenuantes genéricas previstas no referido diploma normativo: Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: I - ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do fato, ou maior de 70 (setenta) anos, na data da sentença; II - o desconhecimento da lei; III - ter o agente: a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral; b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as consequências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano; c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de autoridade superior, ou sob a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima; d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime; e) cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o provocou. Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime, embora não prevista expressamente em lei. O baixo grau de instrução ou escolaridade do agente é uma atenuante específica dos crimes ambientais que tem o objetivo de diminuir a pena aplicada tendoem vista que a baixa escolaridade pode atenuar a noção sobre a potencial consciência da ilicitude, mas sem o condão de excluir o crime, mas somente de atenuar a pena. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 42/79 Outra atenuante é o arrependimento do infrator que exige para sua caracterização um comportamento do agente no sentido de mitigar voluntariamente os danos causados ao meio ambiente seja pela reparação integral do dano, seja pela limitação significativa da degradação causada. Essa atenuante, segundo Gabriel Habib, assemelha-se ao arrependimento posterior previsto no art. 16, bem como à atenuante genérica do art. 65, III, b, ambos do Código Penal. Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços. Como não há qualquer referência expressa na Lei 9.605/98 quanto ao momento do arrependimento, é perfeitamente possível seu reconhecimento na sentença mesmo que tenha ocorrido após o recebimento da denúncia. A comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental é outra atenuante específica que deve ser analisada na segunda fase de dosimetria da pena, bastando que o agente comunique de forma voluntária o perigo iminente de uma situação que em tese foi gerada por ele ou que tenha algum liame específico com sua atividade tendente a acarretar danos ao meio ambiente. Busca-se com a norma beneficiar o infrator por ter informado aos órgãos ambientais competentes de uma possível ocorrência de dano ou de seu agravamento, não ficando a concessão da benesse condicionada a inocorrência da degradação ambiental. Outra atenuante é a colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental. Exige-se do infrator um comportamento positivo, isto é, o exercício de uma conduta que de qualquer modo contribua para com a fiscalização ambiental mitigando os efeitos resultantes da conduta perpetrada pelo agente. Basta que haja voluntariamente no sentido de colaborar com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental, não exigindo a norma atenuante que o ato tenha como resultado a mitigação do dano provocado. Parte da doutrina entende que se trata de uma espécie de “delação premiada” nos crimes ambientais, cabendo a incidência da atenuante ou mesmo uma espécie de “confissão” prevista no art. 65, III, “d”, do Código Penal. Circunstâncias Agravantes As circunstâncias agravantes nos crimes ambientais estão previstas no art. 15, da Lei de Crimes Ambientais, são elas: Art. 15. São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime: I - reincidência nos crimes de natureza ambiental; II - ter o agente cometido a infração: 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 43/79 a) para obter vantagem pecuniária; b) coagindo outrem para a execução material da infração; c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente; d) concorrendo para danos à propriedade alheia; e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder Público, a regime especial de uso; f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos; g) em período de defeso à fauna; h) em domingos ou feriados; i) à noite; j) em épocas de seca ou inundações; l) no interior do espaço territorial especialmente protegido; m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais; n) mediante fraude ou abuso de confiança; o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental; p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou beneficiada por incentivos fiscais; q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios oficiais das autoridades competentes; r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções. Não podemos esquecer que só serão aplicadas na segunda fase de dosimetria da pena, se e somente se, não constituírem elementares do tipo penal ou mesmo causa de aumento ou qualificadora do crime ambiental. É o caso do crime previsto no art. 52, da Lei de Crimes Ambientais, que tem como conduta típica penetrar em unidades de conservação conduzindo substâncias ou instrumentos próprios para caça ou para exploração de produtos ou subprodutos florestais, sem licença da autoridade competente, cuja pena é de detenção, de seis meses a um ano, e multa. Quanto ao tipo penal ventilado, o art. 53 fixa as causas de aumento de pena de um sexto a um terço se o referido crime for cometido em época de seca ou inundação, correspondente também a circunstância atenuante do art. 15, II, j, da Lei de Crimes Ambientais. Nessa linha, deve-se aplicar apenas a causa de aumento, desconsiderando-se a agravante prevista no referido normativo, sob pena de ocorrência de bis in idem. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 44/79 Cumpre destacar ainda que essas circunstâncias específicas do art. 15 podem ser aplicadas conjuntamente com as agravantes dos arts. 61 e 62 do Código Penal. Porém, não se deve olvidar que a exasperação da pena nunca pode elevá-la acima do máximo previsto para os crimes ambientais. Vejamos as agravantes genéricas do Código Penal: Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime: I - a reincidência; II - ter o agente cometido o crime: a) por motivo fútil ou torpe; b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime; c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido; d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que podia resultar perigo comum; e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge; f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica; g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão; h) contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida; i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade; j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública, ou de desgraça particular do ofendido; l) em estado de embriaguez preordenada. Art. 62 - A pena será ainda agravada em relação ao agente que: I - promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos demais agentes; II - coage ou induz outrem à execução material do crime; III - instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade ou não-punível em virtude de condição ou qualidade pessoal; IV - executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou promessa de recompensa. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 45/79 A primeira circunstância agravante prevista no art. 15 é a reincidência nos crimes de natureza ambiental, não necessariamente pelo mesmo crime ambiental. Trata-se de reincidência específica que só pode ser aplicada aos crimes de natureza ambiental. Melhor dizendo, caso seja cometido outro crime, que não de natureza ambiental, caberá aplicar a agravante do art. 61, I, do Código Penal. O fato é que não se pode deixar de punir o agente pelo fato de incidir na reincidência seja a genérica do Código Penal, seja a específica da Lei de Crimes Ambientais, sob pena de acabar gerando uma benesse de não incidência do instituto por não ser uma reincidência específica. O art. 63, do Código Penal, trouxe a definição de reincidência que se corporifica quando o agente comete novo crime, depois de transitar em julgado a sentença que, no País ouno estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. Complementando esse dispositivo, temos a definição de reincidência trazida pelo art. 7º, da Lei de Contravenções Penais, que se corporifica quando o agente pratica uma contravenção depois de passar em julgado a sentença que o tenha condenado, no Brasil ou no estrangeiro, por qualquer crime, ou, no Brasil, por motivo de contravenção. Nesse sentido, e de forma a facilitar nosso entendimento sobre o reconhecimento da reincidência, didática é a tabela apresentada por Rogério Sanches sobre o tema: Reincidência em Crimes e Contravenções Se a pessoa é condenada definitivamente por E depois da condenação definitiva prática novo(a) Qual será a consequência? CRIME (no Brasil ou exterior) CRIME REINCIDÊNCIA CRIME (no Brasil ou exterior) CONTRAVENÇÃO (no Brasil) REINCIDÊNCIA CONTRAVENÇÃO (no Brasil) CONTRAVENÇÃO (no Brasil) REINCIDÊNCIA CONTRAVENÇÃO (no Brasil) CRIME NÃO HÁ reincidência. Foi uma falha da lei. Mas gera maus antecedentes. CONTRAVENÇÃO (no estrangeiro) CRIME ou CONTRAVENÇÃO NÃO HÁ reincidência. Contravenção no estrangeiro não influi aqui. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 46/79 Cumpre lembrar que os efeitos da reincidência não são perenes, tendo uma temporalidade definida no art. 64, I, do Código Penal. O prazo máximo de incidência da reincidência é de 5 anos, contados da data do cumprimento ou da extinção da pena. Exaurido o referido prazo, também denominado de período depurador pela doutrina penalista, ocorre a caducidade da condenação anterior para fins de reincidência, aplicando-se perfeitamente a referida norma genérica aos crimes ambientais. Vejamos o normativo: Art. 64. Para efeito de reincidência: I - não prevalece a condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou extinção da pena e a infração posterior tiver decorrido período de tempo superior a 5 (cinco) anos, computado o período de prova da suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer revogação; O inciso II, do art. 15, da Lei de Crimes Ambientais apresenta as demais circunstâncias que agravam a pena. Destacamos abaixo um esquema com comentário geral das principais circunstâncias agravantes: Circunstância Agravante (Art. 15, da Lei 9.605/98) Comentários Pontuais a) para obter vantagem pecuniária; - Não exige, necessariamente, que tenha recebido efetivamente a vantagem pecuniária, basta a intenção clara de tal objetivo. b) coagindo outrem para a execução material da infração; - A coação pode ser física ou moral. c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente; - Deve-se atentar para a previsão do art. 6º, da Lei de Crimes Ambientais, em que para imposição da penalidade a autoridade julgadora deverá levar em conta a gravidade do fato, tendo em vista suas consequências para a saúde pública e para o meio ambiente; - Esse fato, se já avaliado pelo magistrado na fixação da pena base na primeira fase, não poderá ser aplicada a agravante do art. 15, II, c, da Lei de Crimes Ambientais, sob pena de incidência do bis in idem. d) concorrendo para danos à propriedade alheia; - Sem comentários relevantes. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 47/79 e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder Público, a regime especial de uso; - Essa agravante é espécie daquela prevista na alínea “l”, fato que torna seu texto despiciendo; - Essas áreas são denominadas, de um modo geral, de Espaços Territoriais Especialmente Protegidos – ETEPs, constituindo unidades de conservação, área de preservação permanente, área de reserva legal, áreas de uso restrito, área de uso especial, terras indígenas entre outras; - Devemos tomar cuidado porque muitos dos tipos penais previstos na Lei 9.605/98 contém proteção específica para esses ETEPs, fato que afasta a incidência dessa circunstância agravante específica. É o caso do art. 40 que ventila o crime de causar dano direto ou indireto às unidades de conservação com pena de 1 ano a 5 anos de reclusão, já sendo mensurado no preceito secundário a proteção do bem jurídico unidade de conservação, fato que afasta a incidência da circunstância agravante do art. 15, II, e, da Lei 9.605/98. f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos; - Não se aplica a referida agravante se for elementar do tipo, como ocorre no crime previsto no art.54, §2º, II, que ventila a conduta típica de causar poluição atmosférica que provoque a retirada, ainda que momentânea, dos habitantes das áreas afetadas, ou que cause danos diretos à saúde da população, cuja pena é de reclusão, de um a cinco anos. - Cabe ao julgador não aplicar a referida agravante, por já ter o tipo penal mensurado como elementar, causa de aumento ou qualificadora do crime ambiental, sob pena de ocorrência do bis in idem. g) em período de defeso à fauna; - Não se aplica a referida agravante se for elementar do tipo, como ocorre no crime previsto no art. 34, que apresenta a figura típica do crime de pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão competente; - Cabe ao julgador na segunda fase de dosimetria da pena não aplicar a referida agravante, por já ter o tipo penal mensurado como elementar, causa de aumento ou qualificadora do crime ambiental, sob pena de ocorrência do bis in idem. h) em domingos ou feriados; - Só não se aplica aos crimes contra a flora previstos nos arts. 38 ao 52. Isso porque o art. 53 traz como causa de aumento de um sexto a um terço se os referidos crimes 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 48/79 forem cometidos durante a noite, em domingo ou feriado. Busca- se evitar a ocorrência do bis in idem. i) à noite; - Não se aplica aos crimes contra a flora previstos nos arts. 38 ao 52. Isso porque o art. 53 traz como causa de aumento de um sexto a um terço se os referidos crimes forem cometidos durante a noite, em domingo ou feriado. Isso para evitar a ocorrência do bis in idem. - Também não se aplica ao crime do art. 29, que tem como figura típica a conduta de matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida, cuja pena é de seis meses a um ano, e multa. Isso porque há uma causa de aumento de pena, prevista no §4º, III, que determina que a pena será aumentada de metade se o crime for cometido durante a noite. j) em épocas de seca ou inundações; - Só não se aplica aos crimes contra a flora previstos nos arts. 38 ao 52. Isso porque o art. 53 traz como causa de aumento de um sexto a um terço se os referidos crimes forem cometidos em época de seca ou inundação. Isso para evitar a ocorrência do bis in idem. l) no interior do espaço territorial especialmente protegido; - Ver comentário da alínea “e”. m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais; - Só se aplica aos crimes contra a fauna (arts. 29 a 35); - Aplica-se a agravante, ainda que se configure o crime do art. 32, que tem como figura típica a conduta de praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. Isso porque para a prática do delito existem várias formas, dentre elas, a utilização de métodos cruéis para o abate e a captura de animais. n) mediante fraude ou abuso de confiança; - Sem comentários relevantes. o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental; - Essa agravante aparece como elementar de alguns crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais, fato que não autoriza a incidência dessa penalidade; 12. ResponsabilidadeCriminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 49/79 Questão 2019 | 1042464204 Nos termos da Lei nº 9.605/98, é circunstância que agrava a pena, quando não constitui ou quali�ca o crime ambiental, ter o agente cometido a infração A) possuindo baixo grau de instrução ou escolaridade. B) para obter vantagem pecuniária. C) e, após arrependimento, manifestar-se pela espontânea reparação do dano, ou limitação signi�cativa da degradação ambiental causado. D) aos sábados, domingos ou feriados. - Podemos destacar o crime do art. 29, que tem como figura típica a conduta de matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida, ou mesmo a conduta do art. 63, que ventila o delito de alterar o aspecto ou estrutura de edificação ou local especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial, em razão de seu valor paisagístico, ecológico, turístico, artístico, histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográfico ou monumental, sem autorização da autoridade competente ou em desacordo com a concedida. p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou beneficiada por incentivos fiscais; - Sem comentários relevantes. q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios oficiais das autoridades competentes; - Não se aplica aos crimes contra a flora como um todo, pois o art. 53, previu a causa de aumento de pena de um sexto a um terço se o crime for cometido contra espécies raras ou ameaçadas de extinção, ainda que a ameaça ocorra somente no local da infração. r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções. - Sem comentários relevantes. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 50/79 E) no interesse de pessoa jurídica somente mantida parcialmente, por verbas públicas ou bene�ciada por incentivos �scais. Solução Gabarito: B) para obter vantagem pecuniária. A questão exige conhecimento do artigo 15 da Lei de crimes ambientais (9.605/98). Vejamos o texto legal: Art. 15. São circunstâncias que AGRAVAM a pena, quando não constituem ou quali�cam o crime: I - reincidência nos crimes de natureza ambiental; II - ter o agente cometido a infração: a) para obter vantagem pecuniária; b) coagindo outrem para a execução material da infração; c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente; d) concorrendo para danos à propriedade alheia; e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder Público, a regime especial de uso; f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos; g) em período de defeso à fauna; h) em domingos ou feriados; i) à noite; j) em épocas de seca ou inundações; l) no interior do espaço territorial especialmente protegido; m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais; n) mediante fraude ou abuso de con�ança; o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental; p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou bene�ciada por incentivos �scais; q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios o�ciais das autoridades competentes; r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções. Observações: - Não existe previsão para agravamento da pena se o crime ocorrer aos sábados. - Também não há previsão de agravamento SOMENTE quando a pessoa jurídica é mantida parcialmente por verbas públicas ou bene�ciada por incentivos �scais (pode ser total ou parcial). - Possuir baixo grau de instrução ou escolaridade é uma das circunstâncias que atenuam a pena. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 51/79 A letra A está incorreta. ERRADA Possuir baixo grau de instrução ou escolaridade é uma das circunstâncias que ATENUAM a pena. Vejamos o texto legal: Art. 14. São circunstâncias que ATENUAM a pena: I - baixo grau de instrução ou escolaridade do agente; II - arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou limitação signi�cativa da degradação ambiental causada; III - comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental; IV - colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental. Como a questão pergunta as circunstâncias que agravam a pena, a questão está incorreta. A letra B está correta. CORRETA Ter o agente cometido a infração para obter vantagem pecuniária é uma circunstância agravante. Vejamos o texto legal: Art. 15. São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou quali�cam o crime: I - reincidência nos crimes de natureza ambiental; II - ter o agente cometido a infração: a) para obter vantagem pecuniária; b) coagindo outrem para a execução material da infração; c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente; d) concorrendo para danos à propriedade alheia; e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder Público, a regime especial de uso; f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos; g) em período de defeso à fauna; h) em domingos ou feriados; i) à noite; j) em épocas de seca ou inundações; 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 52/79 l) no interior do espaço territorial especialmente protegido; m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais; n) mediante fraude ou abuso de con�ança; o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental; p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou bene�ciada por incentivos �scais; q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios o�ciais das autoridades competentes; r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções. A letra C está incorreta. ERRADA Manifestar-se pela espontânea reparação do dano, ou limitação signi�cativa da degradação ambiental causado é circunstância que ATENUA a pena. Vejamos o texto legal: Art. 14. São circunstâncias que ATENUAM a pena: I - baixo grau de instrução ou escolaridade do agente; II - arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou limitação signi�cativa da degradação ambiental causada; III - comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental; IV - colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental. Como a questão pergunta as circunstâncias que agravam a pena, a questão está incorreta. A letra D está incorreta. ERRADA Não há previsão expressa no texto legal a agravante do crime ter sido cometido aos sábados. Vejamos o texto legal: Art. 15. São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou quali�cam o crime: I - reincidência nos crimes de natureza ambiental; II - ter o agente cometido a infração: a) para obter vantagem pecuniária; b) coagindo outrem para a execução material da infração; 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 53/79 c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente; d) concorrendo para danos à propriedade alheia; e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder Público, a regime especial de uso; f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos; g) em período de defeso à fauna; h) em domingos ou feriados; i) à noite; j) em épocas de seca ou inundações; l) no interior do espaço territorial especialmente protegido; m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais; n) mediante fraude ou abuso de con�ança; o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental; p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou bene�ciadapor incentivos �scais; q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios o�ciais das autoridades competentes; r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções. Logo, como não existe esta possibilidade a questão está ERRADA. A letra E está incorreta. ERRADA O erro da questão está em a�rmar que somente há agravante quando mantida parcialmente verbas públicas ou bene�ciada por incentivos �scais. O correto seria parcialmente ou totalmente. Vejamos o texto legal: Art. 15. São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou quali�cam o crime: I - reincidência nos crimes de natureza ambiental; II - ter o agente cometido a infração: a) para obter vantagem pecuniária; b) coagindo outrem para a execução material da infração; c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente; d) concorrendo para danos à propriedade alheia; 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 54/79 e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder Público, a regime especial de uso; f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos; g) em período de defeso à fauna; h) em domingos ou feriados; i) à noite; j) em épocas de seca ou inundações; l) no interior do espaço territorial especialmente protegido; m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais; n) mediante fraude ou abuso de con�ança; o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental; p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou bene�ciada por incentivos �scais; q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios o�ciais das autoridades competentes; r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções. Suspensão Condicional da Pena A suspensão condicional da pena, também denominada de sursis, é uma suspensão da execução da pena privativa de liberdade fixada na sentença, tendo como contrapartida o dever de o réu se submeter a um período de prova em que deverá cumprir determinadas condições impostas na avença. Reza o art. 16 da Lei 9.605/98 que a suspensão condicional da pena, diferentemente do Código Penal, terá duração de até três anos. Vejamos o normativo: Art. 16. Nos crimes previstos nesta Lei, a suspensão condicional da pena pode ser aplicada nos casos de condenação a pena privativa de liberdade não superior a três anos. As demais regras, notadamente quanto aos requisitos gerais que devem ser aplicados ao instituto, estão previstas no Código Penal e devem ser aplicadas aos crimes ambientais por força da norma extensiva do art. 79, da Lei 9605/98. Essas regras estão previstas nos arts. 77 a 82 do Diploma Criminal. Vejamos: 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 55/79 Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que: I - o condenado não seja reincidente em crime doloso; II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício; III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código. § 1º - A condenação anterior a pena de multa não impede a concessão do benefício. § 2° A execução da pena privativa de liberdade, não superior a quatro anos, poderá ser suspensa, por quatro a seis anos, desde que o condenado seja maior de setenta anos de idade, ou razões de saúde justifiquem a suspensão. Art. 78 - Durante o prazo da suspensão, o condenado ficará sujeito à observação e ao cumprimento das condições estabelecidas pelo juiz. § 1º - No primeiro ano do prazo, deverá o condenado prestar serviços à comunidade (art. 46) ou submeter-se à limitação de fim de semana (art. 48). § 2° Se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do art. 59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá substituir a exigência do parágrafo anterior pelas seguintes condições, aplicadas cumulativamente: a) proibição de freqüentar determinados lugares; b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz; c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades. Art. 79 - A sentença poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do condenado. Art. 80 - A suspensão não se estende às penas restritivas de direitos nem à multa. Revogação obrigatória Art. 81 - A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário: I - é condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso; II - frustra, embora solvente, a execução de pena de multa ou não efetua, sem motivo justificado, a reparação do dano; III - descumpre a condição do § 1º do art. 78 deste Código. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 56/79 Revogação facultativa § 1º - A suspensão poderá ser revogada se o condenado descumpre qualquer outra condição imposta ou é irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou por contravenção, a pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos. Prorrogação do período de prova § 2º - Se o beneficiário está sendo processado por outro crime ou contravenção, considera-se prorrogado o prazo da suspensão até o julgamento definitivo. § 3º - Quando facultativa a revogação, o juiz pode, ao invés de decretá-la, prorrogar o período de prova até o máximo, se este não foi o fixado. Cumprimento das condições Art. 82 - Expirado o prazo sem que tenha havido revogação, considera-se extinta a pena privativa de liberdade. A suspensão condicional da pena privativa de liberdade é um direito público subjetivo do réu, estando presentes todos os requisitos previstos na norma incriminadora, devendo ser aplicada pelo juiz na sentença ficando suspensa a execução da pena imposta, durante um certo prazo, e mediante determinadas condições especiais. Os requisitos objetivos e subjetivos para a concessão da benesse são: Requisitos Gerais Pena aplicada - Tem que ser privativa de liberdade; - Não pode ser concedida para penas restritivas de direito; - Não pode ser concedido para penas de multa. Art. 80 - A suspensão não se estende às penas restritivas de direitos nem à multa. - Não pode ser superior a três anos. Art. 16. Nos crimes previstos nesta Lei, a suspensão condicional da pena pode ser aplicada nos casos de condenação a pena privativa de liberdade não superior a três anos. - Não pode ser substituída por pena restritiva de direito. - Só se admite a concessão do sursis quando incabível a substituição da pena privativa de liberdade por uma das penas restritivas de direito. Tem caráter subsidiário em relação a pena privativa de liberdade. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 57/79 Durante o período de prova (período de cumprimento das condições impostas na sentença), o condenado ficará sujeito à observação e ao cumprimento das condições estabelecidas pelo Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que: III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código. Reincidência dolosa - Condenado não reincidente em crime doloso. Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que: I - o condenado não seja reincidente em crime doloso; Circunstâncias Judiciais - Que as circunstâncias judiciais previstas nos arts. 59 do CP e 6º, I a III, da Lei n. 9.605/98 sejam favoráveis ao agente. Art.77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que: II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício; 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 58/79 juiz (art. 78, do CP). Nos termos do § 2°, do art. 78, do CP, se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do art. 59 do Código Penal lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá substituir a exigência do § 1° pelas seguintes condições, aplicadas cumulativamente: a) proibição de frequentar determinados lugares; b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz; c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades. Ressalta-se a necessidade de o condenado reparar o dano para ter direitos às condições mais favoráveis, que, para os crimes ambientais, esse requisito se torna ainda mais peremptório por força do art. 17 da Lei de Crimes Ambientais. Vejamos o normativo: Art. 17. A verificação da reparação a que se refere o § 2º do art. 78 do Código Penal será feita mediante laudo de reparação do dano ambiental, e as condições a serem impostas pelo juiz deverão relacionar-se com a proteção ao meio ambiente. Nesse sentido, observamos que a comprovação da reparação do dano ambiental deverá ser efetivada pelo laudo de reparação ambiental elaborado pelo órgão ambiental competente na área do dano. No caso de impossibilidade de reparação, deverá o laudo indicar tal situação. Ademais disso, o normativo do art. 17 exige que o juiz imponha condições que deverão estar relacionadas com a proteção do meio ambiente. Frise-se que a reparação do dano é condição obrigatória (salvo impossibilidade de fazê-lo), caso não haja seu cumprimento, deve ser revogado o sursis concedido retomando a necessidade de cumprimento da pena privativa de liberdade. A perícia de constatação do dano ambiental, sempre que possível, fixará o montante do prejuízo causado para efeitos de prestação de fiança e cálculo de multa. A perícia produzida no inquérito civil ou no juízo cível poderá ser aproveitada no processo penal, instaurando-se o contraditório, caracterizando o fenômeno processual da prova emprestada. Quanto à sentença penal condenatória, nos termos do art. 20, da Lei de Crimes Ambientais, sempre que possível, fixará o valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido ou pelo meio ambiente, sendo que a execução da sentença, após seu trânsito em julgado, poderá efetuar-se pelo valor fixado, sem prejuízo da liquidação para apuração do dano efetivamente sofrido. Cumpre assinalar, por fim, que na impossibilidade de fixação da extensão do dano na sentença penal na medida exata da degradação causada, será efetivada a liquidação no juízo civil para complementação do que não quantificado no juízo criminal. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 59/79 Apreensão do Produto e do Instrumento de Infração Administrativa ou do Crime Questão 2018 | 1410419032 Nos termos do art. 25, da Lei de Crimes Ambientais, verificada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos, lavrando-se os respectivos autos. A Lei 9.605/98, com redação dada pela Lei 13.052/2014, dando destinação específica para cada tipo de produto apreendido. Nesse sentido, no caso de apreensão de animais, eles serão prioritariamente libertados em seu habitat ou, sendo tal medida inviável ou não recomendável por questões sanitárias, entregues a jardins zoológicos, fundações ou entidades assemelhadas, para guarda e cuidados sob a responsabilidade de técnicos habilitados, devendo o órgão ambiental autuante zelar para que eles sejam mantidos em condições adequadas de acondicionamento e transporte que garantam o seu bem-estar físico. Havendo apreensão de produtos perecíveis ou madeiras, serão estes avaliados e doados a instituições científicas, hospitalares, penais e outras com fins beneficentes. Tratando-se de produtos e subprodutos da fauna não perecíveis serão destruídos ou doados a instituições científicas, culturais ou educacionais. Os instrumentos utilizados na prática da infração, como motosserra, veículos, petrechos, armas de fogo, serão vendidos, garantida a sua descaracterização por meio da reciclagem. Cumpre advertir que a medida de apreensão dos bens utilizados para a prática de ilícito ambiental não precisa aguardar a condenação do réu, conforme regra geral prevista no art. 91 do Código Penal, como efeito secundário da condenação. A norma do art. 25, da Lei de Crimes Ambientais, determina que os produtos e instrumentos do ilícito serão apreendidos tão logo verificada a infração com destinação específica fixada nos parágrafos do referido normativo. Acrescente a isso a particularidade de confisco de instrumento do crime mesmo para objetos considerados lícitos, desde que utilizados frequentemente para a prática de ilícitos ao meio ambiente, regra mais ampliativa que aquela prevista no art. 91, II, “a” do Código Penal, que admite o confisco apenas de objetos ilícitos. Assim, independente da natureza do objeto utilizado na prática do crime, lícito ou ilícito, poderá ser determinado seu confisco em crimes ambientais, Corroborando esse entendimento, o parágrafo único do art. 102, do Decreto 6.514/2008, incluído pelo Decreto 9.760/2019, determina que a apreensão de produtos, subprodutos, instrumentos, petrechos e veículos de qualquer natureza independe de sua fabricação ou utilização exclusiva para a prática de atividades ilícitas. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 60/79 A Lei de Crimes Ambientais, Lei Federal nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que regulamenta as sansões penais e administrativas de condutas e atividades lesivas ao meio, determina que: A) s produtos e subprodutos da fauna não perecíveis serão destruídos ou doados a instituições cientí�cas, culturais ou educacionais. B) o abate de animal constitui crime, quando realizado por ser o animal nocivo, assim caracterizado pelo órgão competente. C) o agente ter cometido a infração à noite é circunstância que atenua a pena, quando o fato não constitui ou quali�ca o crime. D) a responsabilidade das pessoas jurídicas exclui a das pessoas físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato. Solução Gabarito: A) s produtos e subprodutos da fauna não perecíveis serão destruídos ou doados a instituições cientí�cas, culturais ou educacionais. A questão exigiu conhecimento da Lei 9615/98, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Importante transcrever as disposições gerais contidas na lei, senão vejamos: Art. 2º Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la. Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade. Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo fato. Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempreque sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. A letra A está correta. CORRETA. A questão exigiu conhecimento do art. 25, §4º, da Lei 9615/98. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 61/79 Consoante dispõe o art. 25, §4º, da Lei 9615/98: Art. 25. Veri�cada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos, lavrando-se os respectivos autos. § 4° Os produtos e subprodutos da fauna não perecíveis serão destruídos ou doados a instituições cientí�cas, culturais ou educacionais. A letra B está incorreta. ERRADA. A questão exigiu conhecimento do art. 37, da Lei 9615/98. Consoante dispõe o art. 37, da Lei 9615/98: Art. 37. Não é crime o abate de animal, quando realizado: I - em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família; II - para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou destruidora de animais, desde que legal e expressamente autorizado pela autoridade competente; IV - por ser nocivo o animal, desde que assim caracterizado pelo órgão competente. A letra C está incorreta. ERRADA. A questão exigiu conhecimento do art. 15, da Lei 9615/98. Consoante dispõe o art. 15, da Lei 9615/98: Art. 15. São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou quali�cam o crime: I - reincidência nos crimes de natureza ambiental; II - ter o agente cometido a infração: a) para obter vantagem pecuniária; b) coagindo outrem para a execução material da infração; 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 62/79 c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente; d) concorrendo para danos à propriedade alheia; e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder Público, a regime especial de uso; f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos; g) em período de defeso à fauna; h) em domingos ou feriados; i) à noite; j) em épocas de seca ou inundações; l) no interior do espaço territorial especialmente protegido; m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais; n) mediante fraude ou abuso de con�ança; o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental; p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou bene�ciada por incentivos �scais; q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios o�ciais das autoridades competentes; r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções. Desse modo, o agente ter cometido a infração à noite é circunstância agravante da pena, quando o fato não constitui ou quali�ca o crime. A letra D está incorreta. ERRADA. A questão exigiu conhecimento do art. 3º, parágrafo único, da Lei 9615/98. Consoante dispõe o art. 3º, parágrafo único, da Lei 9615/98: 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 63/79 Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade. Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo fato. Ação e Processo Penal Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. Competência para Julgamento da Ação Penal A competência para processar e julgar os crimes ambientais não veio prevista expressamente na Constituição Federal de 1988. Melhor dizendo, em relação a matéria “crimes contra o meio ambiente” o constituinte, como regra, não fixou um juízo competente para conhecer dessa temática. Assim, a competência para processamento e julgamento dos crimes perpetrados contra o meio ambiente segue a regra dos demais crimes, cabendo à justiça estadual comum essa atribuição, em face de sua competência residual. Será competente a justiça federal comum para o processamento dos crimes contra o meio ambiente somente se ficar configurada algumas das hipóteses previstas no art. 109, da CF/88, que possam ter alguma relação com o direito ambiental, mais precisamente nos incisos, IV, V, VI, VII, VIII, IX e XI. Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral; V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira; VII - os habeas corpus, em matéria criminal de sua competência ou quando o constrangimento provier de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição; 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 64/79 VIII - os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de competência dos tribunais federais; IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar; XI - a disputa sobre direitos indígenas. A competência da Justiça Federal, portanto, aplica-se aos crimes ambientais que também se enquadrem nas hipóteses previstas na Constituição, a saber: (a) a conduta atentar contra bens, serviços ou interesses diretos e específicos da União ou de suas entidades autárquicas; (b) os delitos, previstos tanto no direito interno quanto em tratado ou convenção internacional, tiverem iniciada a execução no país, mas o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro - ou na hipótese inversa; (c) tiverem sido cometidos a bordo de navios ou aeronaves; (d) houver grave violação de direitos humanos; ou ainda (e) guardarem conexão ou continência com outro crime de competência federal; ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral, conforme previsão expressa da Constituição. Exemplo interessante seria o seguinte: A Lei 9.605/98 prevê expressamente, em seu art. 40, o crime de causar dano direto ou indireto às unidades de conservação independentemente de sua localização. Se o crime for cometido em unidade de conservação estadual, a competência para processamento e julgamento será da Justiça Estadual Comum. Por outro lado, se o dano for causado à unidade de conservação Federal, caberá a Justiça Federal Comum processar e julgar a referida demanda, nos termos do art. 109, IV, da CF/88. Nessa linha, não incidindo nenhum dos casos do art. 109 da Constituição Federal, o processamento e julgamento dos crimes ambientais compete a Justiça Estadual Comum como regra. Vejamos a Jurisprudência sobre o tema: AGRAVO REGIMENTAL NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. PARCELAMENTO IRREGULAR DE SOLO URBANO E DANO AMBIENTAL EM UNIDADE DE CONSERVAÇÃO INSTITUÍDA POR DECRETO FEDERAL. LEI FEDERAL POSTERIOR DELEGANDO A ADMINISTRAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DA ÁREA PARA O DISTRITO FEDERAL. AUSÊNCIA DE INTERESSE DIRETO DA UNIÃO EVIDENCIADO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS. INSURGÊNCIA DESPROVIDA. 1. A jurisprudência deste Sodalício é assente no sentido da competência da Justiça Federal para o julgamento de crimes ambientais ocorridos em área abrangida por unidade de conservação instituída por meio de ato normativo federal, já que, nesse caso, fica evidenciado o interesse da União na manutenção e na preservação da região, conforme a dicção do art. 109, inciso IV, da Constituição Federal. 2. Na hipótese, embora os delitos tenham supostamente ocorrido em unidade de conservação criada por decreto presidencial,a Lei Federal n. 9.262/1992 transferiu ao Distrito Federal a administração e a fiscalização da Área de Proteção Ambiental da Bacia dos Rios São 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 65/79 Bartolomeu e Descoberto, o que denota a ausência de interesse direto da União na preservação do local, de modo que deve ser mantida a competência da Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. 3. "No caso, embora o local do dano ambiental esteja inserido na Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio São Bartolomeu, criada pelo Decreto Federal n. 88.940/1993, não há falar em interesse da União no crime ambiental sob apuração, já que lei federal subsequente delegou a fiscalização e administração da APA para o Distrito Federal (art. 1º da Lei n. 9.262/1996)" (CC 158.747/DF, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/06/2018, DJe 19/06/2018). 4. Agravo regimental desprovido. (AgInt no CC 163.409/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 28/08/2019, DJe 06/09/2019) AGRAVO REGIMENTAL NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. CRIME AMBIENTAL. PESCA COM USO DE MOLINETE EM LOCAL PROIBIDO EM RIO QUE BANHA MAIS DE UM ESTADO DA FEDERAÇÃO. AUSÊNCIA DE OFENSA A BENS, SERVIÇOS OU INTERESSES DA UNIÃO. PREJUÍZO LOCAL. COMPETÊNCIA DO JUÍZO ESTADUAL. I - Os crimes ambientais, embora praticados em face de bem comum e de grande relevância, que atinge direitos intergeracionais, não atraem, por si só, a competência da União para processamento e julgamento. II - No caso em análise, em razão da ausência de apreensão de pescado, bem como pelos materiais apreendidos, que não teriam potencial de ferir os interesses da União, limitando-se ao interesse do local da apreensão, não se vislumbra qualquer interesse da União a ponto de o feito ser decidido pela Justiça Federal. Agravo Regimental desprovido. (AgRg no CC 168.657/MG, Rel. Ministro LEOPOLDO DE ARRUDA RAPOSO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/PE), TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 27/11/2019, DJe 03/12/2019) Cumpre assinalar ainda que compete a Justiça Federal processar e julgar os crimes ambientais de caráter transnacional que envolva animais silvestres, ameaçados de extinção e espécimes exóticas ou protegidas por Tratados e Convenções Internacionais, por força da previsão normativa do art. 109, V, da CF/88. Segue abaixo um quadro resumo dos principais crimes ambientais e a competência para processamento e julgamento: Crimes Competência Comentários Gerais 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 66/79 Crimes contra a fauna Justiça Estadual (Regra) Súmula 91 do STJ: Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes praticados contra a fauna. Foi cancelada. Será da Justiça Federal se atingir interesses da União, como no caso de crimes cometidos contra a fauna em unidades de conservação federal. Crimes ambientais verificados em auto de infração lavrado por uma autarquia federal (IBAMA ou ICMBio) Justiça Federal (Regra) Há necessidade de se verificar as hipóteses do art. 109 da CF/88. - Deve-se perquirir no caso concreto se a lavratura do auto de infração atingiu interesse da União (art. 109 da CF/88). - A atribuição das autarquias ambientais de fiscalizar a preservação do meio ambiente também não atrai, por si só, a competência da Justiça Federal, para processamento e julgamento de ação penal referente a delitos ambientais, em face da competência constitucional material comum de todos os entes federados em fiscalizar as atividades que possam causar danos ao meio ambiente. Crimes ambientais praticados em rio interestadual Justiça Federal (Regra) (Exige reflexos em âmbito regional ou nacional) - Os rios interestaduais são bens da União (art. 20, III, da CF/88). Isso atrai, como regra, a competência da Justiça Federal em matéria criminal (art. 109, IV, da CF/88). - Mas a competência será da Justiça Estadual se não houver a possibilidade da ocorrência de reflexos atentatórios ao meio ambiente em âmbito regional ou nacional. Crimes ambientais praticados em terreno de marinha e mar territorial. Justiça Federal - Os terrenos de marinha e o mar territorial são bens da União por força do art. 20, VI e VII, da CF/88. Há interesse direto e específico da União. - Mesmo que ainda não tenha havido demarcação oficial do terreno de marinha, o crime estará adstrito à Justiça Federal. Crimes cometidos dentro ou no entorno Justiça Federal - Há interesse direto e específico da União. Cabe ao ICMBio a fiscalização e gestão das 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 67/79 de unidade de conservação federal. unidades de conservação federal. Crime de extração ilegal de recursos minerais Justiça Federal - Os recursos minerais são bens de propriedade da União (art. 20, IX, da CF/88) fato que atrai o art. 109, IV, da CF/88. - A extração ilegal de recursos minerais é considerada um crime ambiental previsto no art. 55 da Lei nº 9.605/98 e não um crime contra o patrimônio da União. - Não importa o local da extração irregular. Pode ser inclusive em propriedade privada. Crime praticado contra áreas ambientais classificadas como patrimônio nacional Justiça Estadual - São patrimônio nacional: a Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira (art. 225, §4º, da CF/88). - O termo “patrimônio nacional” não significa que aqueles biomas foram reconhecidos como patrimônio da União de forma a atrair a competência da Justiça Federal. - Não há de se confundir patrimônio nacional com bem da União. Crimes contra animais silvestres, em extinção, exóticos ou protegidos por compromissos internacionais. Justiça Federal - O STF decidiu que compete à Justiça Federal processar e julgar o crime ambiental de caráter transnacional que envolva animais silvestres, ameaçados de extinção e espécimes exóticas ou protegidas por compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. - São dois requisitos para atrai a competência da Justiça Federal: - Bem Jurídico lesado: animais silvestres, em extinção, exóticos ou protegidos por tratados internacionais; - Caráter transnacional (art. 109, V, da CF/88). 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 68/79 Ação Penal nos Crimes Ambientais A ação penal é o direito de exigir do Estado a aplicação do Direito Penal objetivo em face do indivíduo envolvido em um fato tipificado em lei como infração penal. O instituto da Ação Penal foi disciplinado nos arts. 100 a 106 do Código Penal trazendo as principais características do instituto jurídico. A ação penal pode ser classificada, quanto ao seu aspecto subjetivo, em ação penal pública e ação penal privada. Vejamos o art. 100, do Código Penal. Art. 100 - A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do ofendido. Essa classificação remonta à atribuição da titularidade da ação penal. Se pública, cabe ao Ministério Público seu manejo; se privada, cabe ao ofendido ou seu representante legal sua propositura. São as regras estatuídas nos §§ 1º e 2º, do art. 100, do Código Penal: § 1º - A ação pública é promovida pelo Ministério Público, dependendo, quando a lei o exige, de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça. § 2º - A ação de iniciativa privada é promovida mediante queixa do ofendido ou de quem tenha qualidade para representá-lo. Cumpre lembrar as duas espécies de ação penal pública. Estas são denominadas de ação penal pública incondicionada, utilizada como regra, não necessitando ter expressa determinação na norma penal incriminadora, e a ação penal pública condicionada a representação do ofendido ou requisição do Ministro da Justiça. No plano ambiental, nos termossalvo em caso de comprovada impossibilidade. Nesta obra, apresentaremos estudo específico sobre a aplicação da Lei 9.099/95 aos crimes ambientais. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 5/79 O Princípio da Insigni�cância e os Crimes Ambientais O princípio da insignificância também denominado de princípio da bagatela deve ser aplicado pelo intérprete todas as vezes que a conduta perpetrada pelo agente não chegar a provocar ofensa relevante ao bem jurídico tutelado pela norma penal. Melhor dizendo, a conduta não é capaz de lesar ou no mínimo colocar em perigo o bem jurídico tutelado pela norma penal. Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. O princípio da insignificância, no campo da interpretação, pode ser visto como um instrumento de interpretação restritiva do tipo penal. Assim, a finalidade do princípio é servir de vetor interpretativo objetivando diminuir o alcance da norma penal tendo por escopo restringir a qualificação de condutas que se traduzem em ínfima lesão ao bem jurídico nele albergado. Quanto à natureza jurídica, o princípio da bagatela é causa de exclusão da tipicidade (material) levando, por conseguinte, a exclusão do próprio crime. Explicando melhor: a maioria da doutrina considera que o crime é formado por três elementos, fato típico, ilicitude e culpabilidade (teoria tripartite) e que o fato típico tem como estrutura básica a conduta, resultado, nexo causal e tipicidade formal e material. A tipicidade, enquanto elemento do fato típico, pode ser formal ou material. A tipicidade formal está atrelada a associação entre o fato criminoso e a descrição típica prevista na norma penal incriminadora. Ao seu turno, a tipicidade material refere-se a lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. Nesse sentido, a incidência do princípio da insignificância exclui a tipicidade material e consequentemente exclui o próprio crime por ausência de fato típico. Crime – teoria tripartite Fato Típico Conduta Resultado Nexo causal Tipicidade formal e material Ilicitude Contrariedade entre a conduta e o ordenamento jurídico. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 6/79 O Supremo Tribunal Federal já fixou os critérios que devem ser atendidos no caso concreto para aplicação do princípio da insignificância devendo a análise ser feita em conexão com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Estado em matéria penal ambiental. Assim, são quatro vetores interpretativos para a aferição da magnitude da conduta perpetrada pelo agente de forma a afastar a tipicidade material da conduta: Mínima ofensividade da conduta do agente; Nenhuma periculosidade social da ação; Reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento; Inexpressividade da lesão jurídica provocada. Vejamos um julgado do STF como referência quanto à necessidade de existência dos requisitos objetivos para configuração da atipicidade material: Culpabilidade Imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa. Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PENAL E PROCESSUAL PENAL. CRIME DE FURTO NA MODALIDADE TENTADA. ARTIGO 155 C/C ARTIGO 14, II, DO CÓDIGO PENAL. REITERAÇÃO DELITIVA. INSUSCETIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. REVOLVIMENTO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. INADMISSIBILIDADE NA VIA ELEITA. INEXISTÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O princípio da insignificância incide quando presentes, cumulativamente, as seguintes condições objetivas: (a) mínima ofensividade da conduta do agente, (b) nenhuma periculosidade social da ação, (c) grau reduzido de reprovabilidade do comportamento, e (d) inexpressividade da lesão jurídica provocada. 2. O princípio da bagatela é afastado quando comprovada a contumácia na prática delitiva. 3. In casu, o recorrente foi condenado, pelo juízo natural, à pena de 08 (oito) meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, pela prática do crime previsto no artigo 155 c/c artigo 14, II, do Código Penal. 4. O habeas corpus é ação inadequada para a valoração e exame minucioso do acervo fático probatório engendrado nos autos. 5. O habeas corpus não pode ser manejado como sucedâneo de recurso ou revisão criminal. (HC 171536 AgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 23/08/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-191 DIVULG 02-09-2019 PUBLIC 03-09-2019) 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 7/79 A Responsabilidade da Pessoa Física e da Jurídica em Crimes Ambientais Mas devemos atentar para o fato de não ser a regra geral, tendo em vista que alguns crimes ambientais tutelam bens jurídicos específicos que não admitem a aplicação da norma limitadora, por faltar um dos critérios objetivos fixados pela Suprema Corte, como no caso dos crimes ambientais contra a Administração Ambiental (arts. 66 a 69-A, da Lei 9.605/98), considerando que o bem jurídico tutelado é a moralidade administrativa ambiental. Ementa: PENAL. HABEAS CORPUS. PACIENTE CONDENADO PELO CRIME PREVISTO NO ART. 34 DA LEI 9.605/1998 (LEI DE CRIMES AMBIENTAIS). PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. REPROVABILIDADE DA CONDUTA DO AGENTE. REITERAÇÃO DELITIVA. ORDEM DENEGADA. I - Nos termos da jurisprudência deste Tribunal, a aplicação do princípio da insignificância, de modo a tornar a ação atípica exige a satisfação de certos requisitos, de forma concomitante: a conduta minimamente ofensiva, a ausência de periculosidade social da ação, o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a lesão jurídica inexpressiva. II – A quantidade de peixes apreendida em poder do paciente no momento em que foi detido, fruto da pesca realizada em local proibido e por meio da utilização de aparelhos, petrechos, técnicas e métodos não permitidos, como no caso dos autos, lesou o meio ambiente, colocando em risco o direito constitucional ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, o que impede o reconhecimento da atipicidade da conduta. III - Ademais, os autos dão conta da existência de registros criminais pretéritos, bem como de relatos de que o paciente foi surpreendido por diversas vezes pescando ou tentando pescar em área proibida, a demonstrar a reiteração delitiva do paciente. IV - Os fatos narrados demonstram a necessidade da tutela penal em função da maior reprovabilidade da conduta do agente. Impossibilidade da aplicação do princípio da insignificância. Precedentes. V – Ordem denegada. (HC 135404, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em 07/02/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-169 DIVULG 01-08-2017 PUBLIC 02-08-2017) Responsabilidade Criminal da Pessoa Física “administrador” da Pessoa Jurídica. Crimes Societários 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 8/79 Será imputado um crime ambiental a todo aquele que de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes ambientais previstos na Lei 9.605/98 na medida da sua culpabilidade, respondendo também o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la. Essa previsão da responsabilização veio expressa no art.2º, da Lei de Crimes Ambientais, Vejamos: Art. 2º Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la. Aqui temos duas normas que já tem previsão expressa no Código Penal. A primeirado art. 26, da Lei de Crimes Ambientais, a ação penal é pública incondicionada para todos os crimes definidos no referido diploma normativo. Nesse sentido, como não poderia deixar de ser diferente, em face do interesse público subjacente na defesa do meio ambiente e da coletividade, a titularidade da propositura da ação penal é atribuída ao Ministério Público, seja ele federal ou estadual, no âmbito de suas atribuições, sem necessidade de se perquirir sobre qualquer condição de procedibilidade para o início da persecução penal. Não se pode olvidar também a possibilidade de propositura da ação penal privada subsidiária da pública, no caso de inércia do titular da ação, sendo perfeitamente aplicável aos crimes ambientais. Essa regra está prevista expressamente no art. 100, § 3º, do Código Penal, onde se define que a ação de iniciativa privada pode ser intentada nos crimes de ação pública, se o Ministério Público não oferece denúncia no prazo legal. Essa possibilidade tem foro constitucional, nos termos do art. 5º, LIX, da CF/88, que considera direito fundamental da pessoa humana a possibilidade de manejo da ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 69/79 Terá o ofendido ou seu representante legal o prazo de 6 meses, contados de o termo final do prazo para órgão ministerial oferecer a denúncia, para o oferecimento da queixa subsidiária. Advirto que o Ministério Público, nos termos do art. 29, do Código de Processo Penal, poderá aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal. Não devemos esquecer que só é admitida o manejo da ação substitutiva se efetivamente e concretamente ficar comprovada a inércia do Ministério Público, isto é, quando este já estiver de posse de todos os elementos de prova necessários ao início da persecução penal, permanece inerte no que tange ao seu dever institucional fundamental previsto no art. 109, I, da CF/88. Transação Penal em Crimes Ambientais A Transação Penal é um instituo despenalizador previsto no art. 98, I, da Constituição Federal que permite sua aplicação para as infrações penais de menor potencial ofensivo. Esse normativo foi regulado pelo art. 76, caput, da Lei 9.099/95. Vejamos: Constituição Federal Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão: I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau; Lei 9.099/95 Art. 76. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na proposta. A transação penal é uma nítida mitigação ao princípio da obrigatoriedade da ação penal nos crimes de ação penal pública, tendo em vista que evita a instauração da persecução penal. A natureza jurídica da transação penal é de um “acordo” que será elaborado entre o titular da ação penal e o infrator com objetivo de se chegar a uma composição, tendo como pano de fundo evitar que contra este seja instaurada uma ação penal. A proposta de transação penal a ser oferecida pelo titular da ação penal exige para sua configuração o reconhecimento de requisitos objetivos e subjetivos específicos previsto no §2º, do art. 76, da Lei 9.099/95. Nesse sentido, temos como requisitos objetivos não ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena privativa de liberdade, por sentença 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 70/79 definitiva, bem como não ter sido beneficiado anteriormente pela aplicação de pena restritiva de direitos ou multa, no prazo de cinco anos. Como requisito subjetivo há os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, como também os motivos e as circunstâncias, não indicarem ser necessária e suficiente a adoção da medida. A transação penal incide nas infrações penais de menor potencial ofensivo, sendo considerados, nos termos do art. 61, da Lei 9.099/95, as contravenções penais (todas) e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa. Preenchido os requisitos para propositura da transação penal, é direito público subjetivo do infrator o oferecimento da benesse, cabendo ao titular da ação penal oferecer a transação penal. Em caso de o Ministério Público entender que não é caso de transação penal (por falta de algum requisito) e o juiz discordar, caberá a aplicação, por analogia, do art. 28, do Código de Processo Penal, encaminhando o processo ao Procurador Geral do Ministério Público para análise. Há divergência na doutrina no caso de a ação penal ser privada, entendo a maioria que não se trata de direito público subjetivo do infrator a propositura da transação pelo querelante, pois seria uma mácula ao direito de ação do particular previsto na CF/88. A transação penal foi prevista expressamente no art. 27, da Lei 9.605/98, estatuindo que nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei nº 9.099/95, somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, de que trata o art. 74 da mesma lei, salvo em caso de comprovada impossibilidade. O referido normativo, previu a possibilidade de aplicação do instituto despenalizador aos crimes ambientais e, ao mesmo tempo, exigiu, como requisito específico para concessão da benesse, a necessidade de o infrator ter realizado a composição do dano ambiental, ressalvado a impossibilidade de fazê-lo. Nesse sentido, a norma não exige que o dano ambiental seja reparado antes mesmo do oferecimento da transação, mas que haja entre as partes a prévia composição do dano, podendo, em muitos casos, ocorrer pela assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta – TAC, que tem natureza de título executivo extrajudicial, nos termos do §6º, do art. 5º, da Lei 7.347/85. Assim, diferentemente da Lei 9.099/95, a composição civil (compromisso formal de reparar) é requisito obrigatório para a transação penal nos crimes ambientais, nos termos do art. 21. Se o infrator aceitar a proposta de transação penal regularmente homologada pelo juiz e descumprir o acordo, não cumprindo as cláusulas avençadas, aplica-se o enunciado da Súmula Vinculante n. 35, em que a homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 9.099/1995 não faz coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito policial. Assim, o Ministério Público poderá executar o acordo efetivado obrigando o infrator ao cumprimento dos termos ajustados (TAC). 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 71/79 Não se pode olvidar que acolhendo a proposta do Ministério Público aceita pelo autor da infração, o Juiz aplicará a pena restritiva de direitos ou multa, que não importará em reincidência, sendo registrada apenas para impedir novamente o mesmo benefício no prazo de cinco anos, não podendo constar de certidão de antecedentes criminais, e não terá efeitos civis, cabendo aos interessados propor ação cabível no juízo cível para fins de fixação do quantum. Por fim, destacamosque apenas os crimes ambientais de menor potencial ofensivo podem ser objeto de transação penal, não podendo a pena máxima em abstrato ser superior a dois anos. Somente alguns crimes previstos na Lei 9.605/98 serão objeto de transação. A título de exemplo, é o caso do crime de causar poluição na modalidade culposa prevista no §1º, do art. 54, da Lei 9.605/98, que tem como preceito secundário pena de detenção de se seis meses a um ano e multa. Por outro lado, a benesse não poderá ser concedida no caso do crime de pescar em período no qual a pesca seja proibida, previsto no art. 34, do mesmo diploma, apresentando pena de detenção de um ano a três anos, ultrapassando a pena máxima de 2 (dois) anos fixada no art. 61 da Lei 9.099/95. Suspensão Condicional do Processo em Crimes Ambientais A suspensão condicional do processo (sursis processual) é mais um dos institutos despenalizadores previstos na Lei 9.099/95. O art. 89 previu que para os crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena, prevista no art. 77 do Código Penal. Para concessão da benesse, o legislador não levou em consideração o quantum da pena máxima em abstrato fixado no preceito secundário da norma penal incriminadora com na transação penal, mas sim seu mínimo legal que deve ser igual ou inferior a 1 ano. Assim, a suspensão condicional do processo poderá abarcar tanto os crimes de menor potencial ofensivo, como crimes de médio potencial ofensivo, podendo a pena máxima em abstrato ultrapassar o limite de dois anos previsto no art. 61 da Lei 9.099/95. Não se pode olvidar que para os crimes em que se reconhece a forma tentada a pena poderá ser reduzida de um terço a dois terço, nos termos do art. 14, II, do Código Penal, podendo ser aplicada a redução máxima (2/3) para fins de análise para a concessão da benesse. Assim, matematicamente falando, os crimes que tenham pena mínima de até 3 anos, se forem praticados na forma tentada, admitirão a suspensão condicional do processo considerando que dois terços de três anos correspondem a 1 ano, requisito objetivo para concessão do benefício ao acusado. É o caso do crime ambiental, previsto no art. 41, da Lei de Crimes Ambientais, que previu a conduta típica de provocar incêndio em mata ou floresta, cuja pena é de reclusão de dois a quatro anos, e multa. Sendo caracteriza a tentativa, o mínimo culminado passa a ter uma redução de 2/3 de 02 anos (o que equivale a 1/3 de 02 anos), resultando em 8 meses, sendo perfeitamente possível a concessão da benesse se preenchidos os demais requisitos. Nos termos do art. 89, § 1º, da Lei 9.099/95, aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do juiz, este, recebendo a denúncia, poderá suspender o processo, submetendo o 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 72/79 acusado a período de prova, sob condições específicas, quais sejam: reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo; proibição de frequentar determinados lugares; proibição de ausentar- se da comarca onde reside, sem autorização do Juiz, comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades. Essas condições não são taxativas, podendo o magistrado fixar outras a que fica subordinada a suspensão, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado, nos termos do §2º, do referido normativo. O período de prova é de 2 a 4 anos a ser fixado na audiência admonitória, e, após cumprida as condições nela imposta, e expirando o prazo sem revogação da benesse, o juiz declarará extinta a punibilidade. Não há sentença condenatória ou absolutória no processo. O art. 89, em seus §§ 3º e 4º, previu a possibilidade de revogação obrigatória da suspensão condicional do processo, durante o período de prova, se o beneficiário vier a ser processado por outro crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano. Há também a hipótese de revogação facultativa da suspensão condicional do processo, quanto, dentro do período de suspensão, o acusado vier a ser processado por contravenção, ou descumprir qualquer outra condição imposta. Por fim, cumpre assinalar que a suspensão condicional do processo não gera maus antecedentes ou mesmo serve como fato indicativo de reincidência, tendo em vista que o processo fica suspenso durante o período de prova aguardando o cumprimento das obrigações, para fins de extinção da punibilidade, não correndo a prescrição durante o prazo de suspensão do processo. No âmbito do Direito Ambiental, a Lei 9.605/98 previu expressamente a possibilidade de aplicação da suspensão condicional do processo aos crimes ambientais. Nessa linha, o art. 28, determina que as disposições do art. 89 da Lei nº 9.099/95, aplicam-se aos crimes de menor potencial ofensivo definidos na Lei 9.605/98, com modificações específicas previstas nos seus incisos. Vejamos o normativo: Art. 28. As disposições do art. 89 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, aplicam-se aos crimes de menor potencial ofensivo definidos nesta Lei, com as seguintes modificações: I - a declaração de extinção de punibilidade, de que trata o § 5° do artigo referido no caput, dependerá de laudo de constatação de reparação do dano ambiental, ressalvada a impossibilidade prevista no inciso I do § 1° do mesmo artigo; II - na hipótese de o laudo de constatação comprovar não ter sido completa a reparação, o prazo de suspensão do processo será prorrogado, até o período máximo previsto no artigo referido no caput, acrescido de mais um ano, com suspensão do prazo da prescrição; III - no período de prorrogação, não se aplicarão as condições dos incisos II, III e IV do § 1° do artigo mencionado no caput; IV - findo o prazo de prorrogação, proceder-se-á à lavratura de novo laudo de constatação de reparação do dano ambiental, podendo, conforme seu resultado, ser novamente prorrogado o período de suspensão, até o máximo previsto no inciso II deste artigo, observado o disposto no inciso III; 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 73/79 V - esgotado o prazo máximo de prorrogação, a declaração de extinção de punibilidade dependerá de laudo de constatação que comprove ter o acusado tomado as providências necessárias à reparação integral do dano. Cumpre assinalar que apesar de o dispositivo afirmar que a suspensão aplica-se aos crimes de menor potencial ofensivo previsto na Lei de Crimes Ambientais, também deve a norma ser interpretada no sentido de alcançar os crimes que, embora tenham pena máxima em abstrato superior a dois anos, apresentam pena mínima de até um ano, ou, em sendo maior, possa ser beneficiado por alguns dos institutos que funcionem como causa de diminuição de pena ao mínimo estabelecido pela norma despenalizador, como ocorre no caso de reconhecimento de alguns crimes tentados. Assim, aplica-se também o instituto da suspensão às infrações penais que não sejam de menor potencial ofensivo. A declaração de extinção da punibilidade prevista no §5º, do art. 89, da Lei 9.099/95, só será reconhecida no âmbito dos crimes ambientais se comprovado por meio de laudo de constatação a efetiva reparação do dano ambiental, ressalvada a impossibilidade de fazê-lo. Assim, o laudo de constatação da reparação do dano ambiental, com o fim do período de prova, é condição obrigatória para a declaração da extinção da punibilidade, sob pena de prorrogação do prazo de suspensão, caso a reparação não tenha sido efetivada em sua totalidade. Se o laudo de constatação comprovar não ter sido completa a reparação, o prazo de suspensão do processo será prorrogado, até o períodomáximo de 4 anos, acrescido de mais um ano, com suspensão do prazo da prescrição, não se aplicando as demais condições fixadas na normal geral do § 1°, da Lei 9.099/95, referente à proibição de frequentar determinados lugares; proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz; bem como comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades, nos termos do art. 28, II e III, da Lei Ambiental, que só devem ser aplicadas durante o período normal de comprimento da suspensão, vedadas durante a prorrogação. Decorrido o prazo de prorrogação, proceder-se-á à lavratura de novo laudo de constatação de reparação do dano ambiental, podendo, conforme seu resultado, ser novamente prorrogado o período de suspensão, até o período máximo de 04 anos, acrescido de mais um ano, com suspensão do prazo da prescrição. Cumpre destacar alguns posicionamentos jurisprudenciais sobre a aplicação do instituto da suspensão condicional do processo que também são aplicáveis aos crimes ambientais. Nesse sentido, ressaltamos a possibilidade de revogação da suspensão condicional do processo, ainda que expirado o período da suspensão do curso do processo, desde que comprovado que houve o descumprimento das condições impostas ou que o beneficiado passou a ser processado por outro crime no curso do prazo da suspensão, sendo entendimento do STJ assentado no HC 143887/PE. Destaque-se também a Súmula 337 do STJ que ventila ser cabível a suspensão condicional do processo na desclassificação do crime e na procedência parcial da pretensão punitiva, ou mesmo a Súmula 243 do STJ, que fixou a tese de que o benefício da suspensão do processo 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 74/79 Questão 2017 | 62108997 Sobre os crimes ambientais previstos na Lei n° 9.605/1998, é correto a�rmar: A) Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de transação penal sempre poderá ser formulada independentemente da prévia composição do dano ambiental. B) Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de transação penal somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, salvo em caso de comprovada impossibilidade. C) A declaração de extinção de punibilidade pelo cumprimento das condições estabelecidas na proposta de suspensão condicional do processo independe, sempre, de constatação de reparação do dano ambiental. D) Na hipótese de o laudo de constatação comprovar não ter sido completa a reparação do dano ambiental, e esgotado o prazo de período de provas previsto na proposta de suspensão condicional do processo, o citado bene�cio não poderá ser prorrogado, por ausência de previsão legal, com a consequente declaração de extinção da punibilidade do agente. E) Todos os crimes ambientais são de menor potencial ofensivo. Solução Gabarito: B) Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de transação penal somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, salvo em caso de comprovada impossibilidade. Trata-se de questão que exige o conhecimento do candidato sobre os crimes ambientais previstos na Lei n° 9.605/1998. Mais especi�camente para a resolução da questão é exigido o conhecimento dos arts. 27 e 28 da Lei nº 9.605/1998 e art. 61 da Lei nº 9.099/1995. Boa sorte e bons estudos! não é aplicável em relação às infrações penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 75/79 A letra A está incorreta. ERRADA A alternativa está em dissonância com o art. 27 da Lei nº 9.605/1998. Vejamos a redação do dispositivo legal: Art. 27. Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, de que trata o art. 74 da mesma lei, salvo em caso de comprovada impossibilidade. Portanto, nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de transação penal somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental. A letra B está correta. CERTA A alternativa está em consonância com o art. 27 da Lei nº 9.605/1998. Vejamos a redação do dispositivo legal: Art. 27. Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, de que trata o art. 74 da mesma lei, salvo em caso de comprovada impossibilidade. Portanto, nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de transação penal somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, salvo em caso de comprovada impossibilidade. A letra C está incorreta. ERRADA A alternativa está em dissonância com o art. 28, inciso I, da Lei nº 9.605/1998. Vejamos a redação do dispositivo legal: Art. 28. As disposições do art. 89 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, aplicam-se aos crimes de menor potencial ofensivo de�nidos nesta Lei, com as seguintes modi�cações: 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 76/79 I - a declaração de extinção de punibilidade, de que trata o § 5° do artigo referido no caput, dependerá de laudo de constatação de reparação do dano ambiental, ressalvada a impossibilidade prevista no inciso I do § 1° do mesmo artigo; Portanto, a declaração de extinção de punibilidade pelo cumprimento das condições estabelecidas na proposta de suspensão condicional do processo DEPENDE de laudo constatação de reparação do dano ambiental. A letra D está incorreta. ERRADA A alternativa está em dissonância com o art. 28, inciso II, da Lei nº 9.605/1998. Vejamos a redação do dispositivo legal: Art. 28. As disposições do art. 89 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, aplicam-se aos crimes de menor potencial ofensivo de�nidos nesta Lei, com as seguintes modi�cações: II - na hipótese de o laudo de constatação comprovar não ter sido completa a reparação, o prazo de suspensão do processo será prorrogado, até o período máximo previsto no artigo referido no caput, acrescido de mais um ano, com suspensão do prazo da prescrição; Portanto, na hipótese de o laudo de constatação comprovar não ter sido completa a reparação do dano ambiental, o prazo de suspensão do processo será prorrogado, até o período máximo previsto no art. 89 da Lei nº 9.099/1995, acrescido de mais um ano, com suspensão do prazo da prescrição. A letra E está incorreta. ERRADA De acordo com o art. 61 da Lei nº 9.099/1995, os crimes de menor potencial ofensivo são aqueles em que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa. Vejamos a redação do dispositivo legal: Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa. (Redação dada pela Lei nº 11.313, de 2006) Considerando que na Lei nº 9.605/1998 existem crimes com penas máximas superiores a 2 anos, não se pode a�rmar que todos os crimes ambientais são de menor potencial ofensivo. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 77/79 Por exemplo, temos o crime de provocar incêndio em mata ou �oresta (art. 41 da Lei nº 9.605/1998). Vejamos: Art. 41. Provocar incêndio em mata ou �oresta: Pena - reclusão, de dois a quatro anos, e multa. Lista de Questões Referências e links destecapítulo 1 2 3 4 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/531eb17c-b381-43c8-ace3- 548a3b1320ad https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/b66b8e46-0879-42f2-8f5f- 9cbf0c0482b5 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/cc3e4349-cc18-4dab-b366- c2ebf34e00cb https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/074ed265-d1bd-4f42-bf48- c7e318c0b2c2 [1] [2] [3] [4] [5] [6] 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 78/79 https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/531eb17c-b381-43c8-ace3-548a3b1320ad https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/531eb17c-b381-43c8-ace3-548a3b1320ad https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/531eb17c-b381-43c8-ace3-548a3b1320ad https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/531eb17c-b381-43c8-ace3-548a3b1320ad https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/531eb17c-b381-43c8-ace3-548a3b1320ad https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/531eb17c-b381-43c8-ace3-548a3b1320ad https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/531eb17c-b381-43c8-ace3-548a3b1320ad https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/531eb17c-b381-43c8-ace3-548a3b1320ad https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/531eb17c-b381-43c8-ace3-548a3b1320ad https://cj.estrategia.com/cadernos-e-simulados/cadernos/531eb17c-b381-43c8-ace3-548a3b1320ad 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Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 79/79parte do art. 2º, da Lei de Crimes Ambientais traz norma referente ao concurso de pessoas já sedimentada no art. 29, do CP. Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade. § 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço. § 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave A parte final do art. 2º, da Lei de Crimes Ambientais, ao seu turno, ventila a figura prevista para os crimes omissivos impróprios. Nesse caso, só tem importância a omissão para o Direito Penal se presente o dever jurídico de agir, configurando a teoria normativa para caracterização do crime omissivo impróprio. Mas não se pode olvidar que não basta apenas o dever jurídico de agir, mas também a possibilidade real e efetiva de um indivíduo, no caso concreto, evitar o resultado. Assim, é fundamental ter o dever e a possibilidade de agir. O art. 13, §2º, do CP previu as hipóteses do dever de agir. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 9/79 Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. § 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. A norma da parte final do art. 2º, da Lei 9.605/98, traz a regra prevista no art. 13, §2º, “a”, do CP. É a norma aplicável aos crimes societários (crimes coletivos). Melhor dizendo, será responsabilizado penalmente todo aquele que tem uma obrigação legal para com a empresa e permanece inerte (omissão) para evitar o resultado, quando possível fazê-lo. É o caso do diretor, administrador, membro de conselho e de órgão técnico, auditor, gerente, preposto ou mandatário de pessoa jurídica. Há uma relação de obrigação deles para com a pessoa jurídica, devendo em relação a esta ter o dever de cuidado, proteção ou vigilância. Cumpre assinalar que doutrina majoritária entende que para aplicação da parte final do art. 2º, da Lei de Crimes Ambientais, faz-se necessário o preenchimento de certos requisitos, não previsto no normativo, sob pena de incidência da teoria da responsabilidade penal objetiva, não aplicável ao Direito Penal brasileiro. Isso porque, a mera posição ocupada pelo agente (administrador, diretor) da pessoa jurídica não é suficiente para imputação da responsabilidade penal. Nesse sentido, entendem que nos crimes societários é fundamental que a ação penal, no momento de recebimento da denúncia, apresente um liame entre o agir dos administradores e a suposta prática delituosa, sem que seja necessário individualizar pormenorizadamente as atuações de cada um deles, o que estabelece a plausibilidade da imputação e possibilita o exercício da ampla defesa, cumprindo o contido no artigo 41 do Código Penal. É a denominada denúncia geral. Assim, não se faz necessária a descrição minuciosa e pormenorizada da conduta de cada acusado, sendo suficiente que, demonstrado o vínculo dos indiciados com a sociedade comercial, narre as condutas delituosas de forma a possibilitar o exercício da ampla defesa de cada um. O que a doutrina e os tribunais superiores têm rechaçado é a denúncia genérica em que os indivíduos são denunciados pela simples posição que ocupam na empresa (cargo), não sendo evidenciado qual foi o envolvimento deles para com o delito perpetrado. Assim, a denúncia geral é permitida; a genérica, vedada. Vejamos julgados do STF e do STJ sobre o tema: 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 10/79 RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIME CONTRA A RELAÇÃO DE CONSUMO. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. INÉPCIA DA DENÚNCIA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DO NEXO CAUSAL ENTRE A CONDUTA E AS AÇÕES DOS RECORRENTES. RESPONSABILIDADE PENAL OBJETIVA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. RECURSO PROVIDO. 1. Nos chamados crimes societários, ou de autoria coletiva, admite-se a chamada denúncia geral, na qual não se verticaliza a conduta de cada um dos imputados. No entanto, não se pode a narrativa deixar de lançar luz sobre elementos indiciários que demonstrem o nexo causal entre a posição ocupada pelo agente na sociedade empresária e a prática delitiva a ele atribuída, permitindo o exercício da garantia constitucional da ampla defesa. 2. Neste caso, a inicial acusatória apenas informa que o produto impróprio foi comercializado no estabelecimento do qual os recorrentes são sócios proprietários, sem fazer qualquer conexão entre eles e a exposição da mercadoria imprópria, destacando somente a existência do liame contratual entre a empresa e os réus. 3. Recurso ordinário provido para determinar o trancamento da Ação Penal n. 101208-53.2017.22.0501, que tramita perante o Juízo da 1ª Vara Criminal de Porto Velho/RO, sem prejuízo do oferecimento de nova denúncia, com estrita observância dos ditames previstos no art. 41 do Código de Processo Penal. (RHC 119.014/RO, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 05/12/2019, DJe 17/12/2019) Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. CRIME SOCIETÁRIO. INÉPCIA DA DENÚNCIA. INOCORRÊNCIA. DESNECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO PORMENORIZADA DAS CONDUTAS DE CADA INDICIADO. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS AUTORIZADORES DO EXCEPCIONAL TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. INVIABILIDADE NA ESPÉCIE DA ANÁLISE DA ALEGADA ATIPICIDADE: NECESSIDADE DE INCURSÃO NOS FATOS E PROVAS DA CAUSA. AUSÊNCIA DE MANIFESTA VIOLÊNCIA OU COAÇÃO ILEGAL AO DIREITO DE LOCOMOÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I - As razões do agravo regimental não se mostram aptas a infirmar os fundamentos que lastrearam a decisão agravada. II - “Este Supremo Tribunal Federal sufraga o entendimento no sentido de que nos crimes societários, é prescindível que conste da denúncia a descrição minuciosa de cada acusado, mostrando-se consentâneo com os postulados do contraditório e da ampla defesa que se exponha o vínculo dos acusados com a sociedade comercial e que se narre as condutas delituosas de forma a possibilitar o exercício do direito de defesa” (HC 149.328- AgR/SP, Rel. Min. Luiz Fux). III - O trancamento da ação penal, em habeas corpus, constitui medida excepcional que só deve ser aplicada nos casos (i) de manifesta atipicidade da conduta; (HC 168446 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em 24/05/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-176 DIVULG 13-08-2019 PUBLIC 14-08-2019) Responsabilidade Criminal da Pessoa Jurídica 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 11/79 A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu art. 225, §3º, a possibilidade de responsabilização da pessoa jurídica por crimes ambientais. O art. 3º, da Lei 9.605/98, dando concretude ao referido dispositivo, disciplinou a regra constitucional delineando a responsabilidade penal da pessoa jurídica. Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade. Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo fato. Da análise do normativo, é perfeitamente possível inferir os requisitos para que seja imputada a pessoa jurídica umcrime contra o meio ambiente: (1) a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado; e (2) a infração deve ser cometida no interesse ou benefício da entidade. Não se configurando quaisquer um desses requisitos, não será imputada a pessoa jurídica a conduta criminosa, sendo um fato atípico. Exemplo disso, ocorre quando um administrador de uma determinada sociedade pratica atos atentatórios ao meio ambiente em nome desta objetivando satisfação de interesses pessoais, sem ter relação com a atividade por ela desempenhada, não gerando qualquer benefício para a entidade que representa. Em face das previsões normativas, surgiram correntes doutrinárias tentando explicar a possibilidade de responsabilização da pessoa jurídica. São 4 correntes. Vejamos um resumo delas: Responsabilização criminal da pessoa jurídica 1ª Corrente - Não é possível a responsabilização da pessoa jurídica por crimes ambientais; - A Constituição Federal não previu a responsabilidade penal da pessoa jurídica; - A interpretação que deve ser dada ao §3º, do art. 225, da CF/88 é no sentido de que a responsabilidade penal e administrativa será atribuída a pessoa física e à pessoa jurídica somente a administrativa; - É corrente minoritária. 2ª Corrente - Não é possível a responsabilização da pessoa jurídica por crimes ambientais; 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12/79 Um tema importante que devemos ter certa atenção para os concursos é a necessidade ou não de aplicação da teoria da dupla imputação aos crimes relacionados ao meio ambiente. Para essa teoria (4ª corrente), só haveria a responsabilidade penal da pessoa jurídica ocorrendo a responsabilização concomitante da pessoa física a ela vinculada, teoria que nasceu da concepção de que a pessoa jurídica não pratica atos volitivos, sendo mera ficção jurídica, cabendo a seus agentes a prática dos atos em nome da entidade. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ era firme no sentido de que a responsabilização da pessoa jurídica só poderia ocorrer se fosse imputada simultaneamente a - Baseia-se na teoria da ficção jurídica das entidades. As pessoas jurídicas são simples abstrações desprovidas de vontades. Não poderiam cometer crimes. Não poderiam praticar voluntariamente determinadas condutas lesivas ao meio ambiente; - É corrente majoritária na doutrina. 3ª Corrente - É possível a responsabilização da pessoa jurídica por crimes ambientais; - Interpretação do §3º, art. 225, da CF/88. A pessoa jurídica poderá ser responsabilizada criminalmente por crimes ambientais ainda que não seja responsabilizada concomitantemente a pessoa física. Previsão expressa da Carta Política; - O §3º, art. 225, da CF/88 não exige a responsabilização da pessoa física como condição para a pessoa jurídica; - Hoje é a posição do STF e do STJ; defendida também por Vladimir Passos de Freitas. 4ª Corrente - É possível a responsabilização da pessoa jurídica por crimes ambientais; - Há necessidade de que a imputação ocorra de forma simultânea com a da pessoa física; - Aplicação da teoria da dupla imputação; - O STJ entendia que seria possível a responsabilidade da pessoa jurídica se houvesse a imputação concomitante da pessoa física em crimes contra o meio ambiente; - A denúncia tinha que ser oferecida em face da pessoa jurídica e da pessoa física. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 13/79 pessoa física o ato infracional, conforme ventilado na 4ª corrente. Assim, o STJ adotava a teoria da dupla imputação em crimes ambientais. Essa mudança de entendimento ocorreu em 2015, no julgamento do RMS 39.173-BA de relatoria do Ministro Reynaldo Soares Fonseca, que seguiu o entendimento da decisão proferida na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 548.181/PR, de relatoria da Ministra Rosa Weber, que ventilou a tese de que o art. 225, § 3º, da Constituição Federal não condiciona a responsabilização penal da pessoa jurídica por crimes ambientais à simultânea persecução penal da pessoa física em tese responsável no âmbito da empresa. Eis os julgados do STF e do STJ: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO PENAL. CRIME AMBIENTAL. RESPONSABILIDADE PENAL DA PESSOA JURÍDICA. CONDICIONAMENTO DA AÇÃO PENAL À IDENTIFICAÇÃO E À PERSECUÇÃO CONCOMITANTE DA PESSOA FÍSICA QUE NÃO ENCONTRA AMPARO NA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. 1. O art. 225, § 3º, da Constituição Federal não condiciona a responsabilização penal da pessoa jurídica por crimes ambientais à simultânea persecução penal da pessoa física em tese responsável no âmbito da empresa. A norma constitucional não impõe a necessária dupla imputação. 2. As organizações corporativas complexas da atualidade se caracterizam pela descentralização e distribuição de atribuições e responsabilidades, sendo inerentes, a esta realidade, as dificuldades para imputar o fato ilícito a uma pessoa concreta. 3. Condicionar a aplicação do art. 225, §3º, da Carta Política a uma concreta imputação também a pessoa física implica indevida restrição da norma constitucional, expressa a intenção do constituinte originário não apenas de ampliar o alcance das sanções penais, mas também de evitar a impunidade pelos crimes ambientais frente às imensas dificuldades de individualização dos responsáveis internamente às corporações, além de reforçar a tutela do bem jurídico ambiental. 4. A identificação dos setores e agentes internos da empresa determinantes da produção do fato ilícito tem relevância e deve ser buscada no caso concreto como forma de esclarecer se esses indivíduos ou órgãos atuaram ou deliberaram no exercício regular de suas atribuições internas à sociedade, e ainda para verificar se a atuação se deu no interesse ou em benefício da entidade coletiva. Tal esclarecimento, relevante para fins de imputar determinado delito à pessoa jurídica, não se confunde, todavia, com subordinar a responsabilização da pessoa jurídica à responsabilização conjunta e cumulativa das pessoas físicas envolvidas. Em não raras oportunidades, as responsabilidades internas pelo fato estarão diluídas ou parcializadas de tal modo que não permitirão a imputação de responsabilidade penal individual. 5. Recurso Extraordinário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. (RE 548181, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 06/08/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-213 DIVULG 29-10-2014 PUBLIC 30-10-2014) PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. RESPONSABILIDADE PENAL DA PESSOA JURÍDICA POR CRIME AMBIENTAL: DESNECESSIDADE DE DUPLA IMPUTAÇÃO CONCOMITANTE À PESSOA FÍSICA E À PESSOA JURÍDICA. 1. Conforme orientação da 1ª Turma do STF, "O art. 225, § 3º, da Constituição Federal não condiciona a responsabilização penal da pessoa jurídica por crimes ambientais à simultânea persecução penal da pessoa física em tese responsável no âmbito da empresa. A norma constitucional não impõe a necessária dupla imputação." (RE 548181, Relatora Min. ROSA 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 14/79 WEBER, Primeira Turma, julgado em 6/8/2013, acórdão eletrônico DJe-213, divulg. 29/10/2014, public. 30/10/2014). 2. Tem-se, assim, que é possível a responsabilização penal da pessoa jurídica por delitos ambientais independentemente da responsabilização concomitante da pessoa física que agia em seu nome. Precedentes desta Corte. 3. A personalidade fictícia atribuída à pessoa jurídica não pode servir de artifício para a prática de condutas espúrias por parte das pessoas naturais responsáveis pela sua condução. 4. Recurso ordinário a que se nega provimento. (RMS 39.173/BA, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 06/08/2015, DJe 13/08/2015) Resumidamente, não se aplica ao direito brasileiro a teoria da dupla imputação paraos crimes ambientais praticados pela pessoa jurídica, não se exigindo a imputação concomitante da pessoa física responsável legalmente pela entidade. Desconsideração da Personalidade da Pessoa Jurídica A Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica (disregard doctrine) é instituto jurídico de direito civil aplicável para a responsabilização civil, visando não apenas o ressarcimento dos prejuízos causados, como também a própria sobrevivência da entidade para honrar seus compromissos. Não é uma norma de direito penal. Foi prevista no art. 4º, da Lei de Crimes Ambientais. Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. A busca pelo ressarcimento dos prejuízos causados à qualidade ambiental não tem natureza penal, mas sim natureza civil, considerando que no âmbito penal a responsabilidade tem natureza pessoal, não podendo ser transferida a outra pessoa em face do princípio da intranscendência da pena previsto no art. 5º, XLV, da CF/88. XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido. A desconsideração da personalidade jurídica pode ser definida como a retirada episódica, momentânea e excepcional da autonomia patrimonial da pessoa jurídica, a fim de estender os 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 15/79 efeitos de suas obrigações à pessoa de seus titulares, sócios ou administradores, com o fim de coibir o desvio da função da pessoa jurídica, perpetrado por eles. Importante lembrarmos as teorias utilizadas no direito civil para aplicação do instituto da desconsideração da personalidade jurídica na busca pelo ressarcimento aos danos causados ao meio ambiente. Doutrina majoritária ventilam as teses sobre a teoria menor e a teoria maior da desconsideração. A Teoria Maior da desconsideração foi prevista no art. 50 do Código Civil (bem como no art. 28, caput, do Código de Defesa do Consumidor) ventilando a tese de que para que ocorra o afastamento da personalidade jurídica e afetação direta do patrimônio dos sócios é necessário que esteja devidamente comprovado a ocorrência de atos fraudulentos que foram cometidos comprovadamente com o intuito de prejudicar credores. CC. Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei nº 13.874, de 2019) CDC. Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. A regra no Direito brasileiro é a aplicação da teoria maior para configuração do instituto, melhor dizendo, há necessidade que estejam presentes alguns requisitos de ordem objetiva e subjetiva. Este refere-se ao desvio de finalidade ou confusão patrimonial; aquele consiste na insuficiência patrimonial do devedor. Isso implica dizer que a simples insolvência do devedor não é elemento suficiente para incidência da desconsideração da personalidade, havendo necessidade de se comprovar, pelo menos, um dos elementos subjetivos previsto no art. 50, do Código Civil. Assim, deve estar comprovado, no caso concreto, a conduta culposa do sócio ou mesmo a sua intenção fraudulenta ou abusiva de se apropriar dos bens e direitos da entidade para fins diversos daqueles previstos em lei. A Teoria Menor foi prevista no Código de Defesa do Consumidor – CDC, em seu art. 28, §5º, ventilando a tese de que é dispensável a prova da fraude ou da confusão patrimonial. Basta, em tese, a existência do requisito objetivo consubstanciado no estado de insolvência ou mesmo que a personalidade jurídica da entidade represente um obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 16/79 Questão 1995 | 62108978 Sobre a responsabilidade penal das pessoas jurídicas e a correlata aplicação da pena pela prática de crimes ambientais, é CORRETO a�rmar que A) as penas aplicáveis isolada, cumulada ou altemativamente às pessoas jurídicas condenadas pela prática de crimes ambientais são multa, restritivas de direitos e prestação de serviços à comunidade. B) a responsabilidade penal das pessoas jurídicas pela prática de crimes ambientais exclui a das pessoas físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato. C) a pena restritiva de direito de proibição de contratar com o Poder Público e dele obter subsídios, subvenções ou doações possui prazo indeterminado de duração. D) a responsabilidade penal das pessoas físicas mandatárias sempre exclui a responsabilidade penal da respectiva pessoa jurídica. E) não há previsão legal de decretação de liquidação forçada de pessoa jurídica responsabilizada pela prática de crime ambiental. CDC. Art. 28. § 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. A Teoria Menor se aplica também ao Direito Ambiental objetivando o ressarcimento dos danos acarretados ao meio ambiente. Nesse sentido, a legislação ambiental, prevê no art. 4º, da Lei 9.605/98, que se a personalidade jurídica for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente aplicar-se-á a teoria da disregard doctrine, com base em sua vertente restritiva. Assim, podemos concluir que a Teoria Menor da desconsideração foi acolhida em nosso ordenamento jurídico excepcionalmente no direito do consumidor e no direito ambiental, sendo configurada com a mera prova de insolvência da pessoa jurídica para o pagamento de suas obrigações, independentemente da existência de desvio de finalidade ou de confusão patrimonial. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 17/79 Solução Gabarito: A) as penas aplicáveis isolada, cumulada ou altemativamente às pessoas jurídicas condenadas pela prática de crimes ambientais são multa, restritivas de direitos e prestação de serviços à comunidade. Trata-se de questão que versa sobre a aplicação de penas a pessoas jurídicas por infrações ambientais. Nessa linha, requer-se do candidato o conhecimento sobre os art. 21, da Lei 9605/98. Boa sorte! A letra A está correta. CERTA Sobre a responsabilidade penal das pessoas jurídicas há previsão expressa no art. 225, §3º, da CFRB/88, a qual fora disciplinada pela Lei 9605/98. Nessa linha, sobre as penas da pessoa jurídica o próprio art. 21, da Lei 9605/98, assim prevê as penas de multa, restritivas de direitos e prestação de serviços à comunidade. Ademais, o art. 22, da Lei 9605/98 prevê penas restritivas de direito. Sobre os artigos: Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações. § 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas,independentemente da obrigação de reparar os danos causados. Art. 21. As penas aplicáveis isolada, cumulativa ou alternativamente às pessoas jurídicas, de acordo com o disposto no art. 3º, são: I - multa; II - restritivas de direitos; III - prestação de serviços à comunidade. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 18/79 Art. 22. As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são: I - suspensão parcial ou total de atividades; II - interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade; III - proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios, subvenções ou doações. Perceba que a responsabilidade penal da pessoa jurídica é admitida pelos Tribunais Superiores: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS DE INADMISSIBILIDADE IMPUGNADOS. AGRAVO PROVIDO. CRIME AMBIENTAL. PESSOA JURÍDICA. PENA DE MULTA E RESTRITIVA DE DIREITOS. PRESCRIÇÃO. ART. 109 DO CP. ALEGADA OCORRÊNCIA DE CONDENAÇÃO APENAS COM BASE EM PROVAS INQUISITORIAIS. IMPROCEDÊNCIA. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO. SÚMULA 7/STJ. DOSIMETRIA. PENA-BASE EXASPERADA FUNDAMENTADAMENTE. PENA DE MULTA. FIXAÇÃO PROPORCIONAL COM BASE NA CONDIÇÃO FINANCEIRA DA RÉ. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO PARA CONHECER DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL E NEGAR-LHE PROVIMENTO. 1. Devidamente impugnados os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial, deve ser reconsiderada a decisão que não conheceu do agravo. 2. De acordo com a jurisprudência desta Corte, na hipótese de aplicação de pena de multa e restritiva de direitos à pessoa jurídica, em virtude da omissão da Lei 9.605/1998, adotam- se, subsidiariamente, as disposições do Código Penal, nos termos do seu art. 109 e do art. 79 da Lei 9.605/1998. 3. Concluindo o Tribunal de origem, soberano na análise probatória, pela autoria e materialidade delitiva, a alteração do julgado, para �ns de absolvição, demandaria revolvimento de provas, o que não se admite a teor da Súmula 7/STJ. 4. Em regra, não se presta o recurso especial à revisão da dosimetria da pena estabelecida pelas instâncias ordinárias. Admite-se, contudo, o reexame quando con�gurada manifesta violação dos critérios dos arts. 59 e 68 do CP, sob o aspecto da legalidade, nas hipóteses de falta ou evidente de�ciência de fundamentação ou ainda de erro de técnica, não veri�cados no caso. 5. A circunstância judicial da culpabilidade foi considerada desfavorável por se tratar de um conglomerado de empresas, atuantes em vários segmentos relacionados à atividade pesqueira, em que se esperava uma especial responsabilidade social na prevenção de crimes ambientais, denotando maior reprovabilidade da conduta, apta à exasperação da pena-base. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 19/79 6. Mostra-se legítima a valoração negativa das circunstâncias do crime, diante do transporte superior a 12 toneladas de peixes ameaçados de extinção. 7. Não se veri�ca ilegalidade na pena de multa, �xada à luz do princípio da proporcionalidade, considerando-se a boa condição �nanceira da ré, sendo imprópria, de todo modo, a revisão do entendimento na via do especial, a teor da Súmula 7/STJ. 8. Agravo regimental provido para conhecer do agravo em recurso especial e negar-lhe provimento. (AgRg no AREsp 1616383/RJ, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 19/05/2020, DJe 26/05/2020) A letra B está incorreta. ERRADA Em verdade a responsabilidade das pessoas jurídicas com as físicas é individualizada na prática de delito sobre o mesmo fato, RMS 56073 / ES. Não há mais que se falar em dupla imputação. Nesse sentido: PROCESSO PENAL. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CRIME AMBIENTAL. ART. 56, CAPUT, DA LEI N. 9.605/1998. RESPONSABILIDADE PENAL DA PESSOA JURÍDICA. DUPLA IMPUTAÇÃO. PESSOA FÍSICA E PESSOA JURÍDICA.DESNECESSIDADE. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXCEPCIONALIDADE.REQUISITOS DO ART. 41 DO CPP NÃO PREENCHIDOS. DENÚNCIA INEPTA. LIAME ENTRE O FATO DELITUOSO E A EMPRESA DENUNCIADA. NÃO DEMOSTRAÇÃO. RECURSO PROVIDO.1. Após o julgamento do RE 548.181 pela Suprema Corte, a jurisprudência desta Corte consolidou-se no sentido de que é possível a responsabilização penal da pessoa jurídica por crimes ambientais independentemente da responsabilização concomitante da pessoa física que a represente.2. Este Superior Tribunal de Justiça paci�cou o entendimento segundo o qual, em razão da excepcionalidade do trancamento da ação penal, tal medida somente se veri�ca possível quando �carem demonstrados - de plano e sem necessidade de dilação probatória - a total ausência de indícios de autoria e prova da materialidade delitiva, a atipicidade da conduta ou a existência de alguma causa de extinção da punibilidade. 3. É certa, ainda, a possibilidade de trancamento da persecução penal nos casos em que a denúncia for inepta, não atendendo o que dispõe o art. 41 do Código de Processo Penal, o que não impede a propositura de nova ação desde que suprida a irregularidade. Precedentes. 4. Para o oferecimento da denúncia, exige-se apenas a descrição da conduta delitiva e a existência de elementos probatórios mínimos que corroborem a acusação. Provas conclusivas acerca da materialidade e da autoria do crime são necessárias apenas para a formação de um eventual juízo condenatório. 5. Embora não se admita a instauração de processos temerários e levianos ou despidos de qualquer sustentáculo probatório, nessa fase 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 20/79 processual, deve ser privilegiado o princípio do in dubio pro societate. De igual modo, não se pode admitir que o Julgador, em juízo de admissibilidade da acusação, termine por cercear o jus accusationis do Estado, salvo se manifestamente demonstrada a carência de justa causa para o exercício da ação penal. 6. A alegação de inépcia da denúncia deve ser analisada de acordo com os requisitos exigidos pelos arts. 41 do CPP e 5º, LV, da CF/1988. Portanto, a peça acusatória deve conter a exposição do fato delituoso em toda a sua essência e com todas as suas circunstâncias, de maneira a individualizar o quanto possível a conduta imputada, bem como sua tipi�cação, com vistas a viabilizar a persecução penal e o exercício da ampla defesa e do contraditório pelo réu. 7. No caso em exame, a peça acusatória exibe a tipi�cação legal da conduta praticada, traz a quali�cação da recorrente e expõe os atos supostamente criminosos, com as suas circunstâncias. Contudo, ao contrário do a�rmado no acórdão recorrido, não se veri�ca na denúncia o liame entre o fato narrado e a conduta da recorrente, seja por meio de sua diretoria ou de algum dos seus funcionários, não restando demonstrado que o caminhão que estava transportando irregularmente produto perigoso à saúde e ao meio ambiente (GLP 1075) é de sua propriedade ou, ao menos, a existência de vínculo empregatício ou contratual entre o motorista do caminhão e a empresa. 8. Hipótese em que, conquanto tenha a denúncia narrado que Cia. Ultragáz S/A estava transportando irregularmente produto perigoso à saúde, o Parquet olvidou-se de descrever o vínculo existente entre o transportador e a empresa, daí porque não se encontra caracterizada a autoria da prática delituosa. 9. Recurso provido para determinar a anulação da Ação Penal n. 0013958-42.2015.8.08.0030, em trâmite no Juízo da 3ª Vara Criminal da Comarca de Linhares/ES, sem prejuízo de eventual oferecimento de nova inicial acusatória em razão desse mesmo delito, desde que observados os requisitos do art. 41 do Código de Processo Penal. (RMS 56.073/ES, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 25/09/2018, DJe 03/10/2018) A letra C está incorreta. ERRADA A respectiva pena possui prazo de duração de até 10 anos, nos termos do art. 22, §3º, da Lei 9605/98. Nesse sentido: Art. 22. As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são: I - suspensão parcial ou total de atividades; 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 21/79 II- interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade; III - proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios, subvenções ou doações. § 1º A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às disposições legais ou regulamentares, relativas à proteção do meio ambiente. § 2º A interdição será aplicada quando o estabelecimento, obra ou atividade estiver funcionando sem a devida autorização, ou em desacordo com a concedida, ou com violação de disposição legal ou regulamentar. § 3º A proibição de contratar com o Poder Público e dele obter subsídios, subvenções ou doações não poderá exceder o prazo de dez anos. A letra D está incorreta. ERRADA Não há mais que se falar em exclusão, sendo certo que as penalidades e a sujeição ao processo penal são individualizadas, conforme RMS 56073 / ES. Não há mais que se falar em dupla imputação. Nesse sentido: PROCESSO PENAL. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CRIME AMBIENTAL. ART. 56, CAPUT, DA LEI N. 9.605/1998. RESPONSABILIDADE PENAL DA PESSOA JURÍDICA. DUPLA IMPUTAÇÃO. PESSOA FÍSICA E PESSOA JURÍDICA.DESNECESSIDADE. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXCEPCIONALIDADE.REQUISITOS DO ART. 41 DO CPP NÃO PREENCHIDOS. DENÚNCIA INEPTA. LIAME ENTRE O FATO DELITUOSO E A EMPRESA DENUNCIADA. NÃO DEMOSTRAÇÃO. RECURSO PROVIDO.1. Após o julgamento do RE 548.181 pela Suprema Corte, a jurisprudência desta Corte consolidou-se no sentido de que é possível a responsabilização penal da pessoa jurídica por crimes ambientais independentemente da responsabilização concomitante da pessoa física que a represente.2. Este Superior Tribunal de Justiça paci�cou o entendimento segundo o qual, em razão da excepcionalidade do trancamento da ação penal, tal medida somente se veri�ca possível quando �carem demonstrados - de plano e sem necessidade de dilação probatória - a total ausência de indícios de autoria e prova da materialidade delitiva, a atipicidade da conduta ou a existência de alguma causa de extinção da punibilidade. 3. É certa, ainda, a possibilidade de trancamento da persecução penal nos casos em que a denúncia for inepta, não atendendo o que dispõe o art. 41 do Código de Processo Penal, o que não impede a propositura de nova ação desde que suprida a irregularidade. Precedentes. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 22/79 4. Para o oferecimento da denúncia, exige-se apenas a descrição da conduta delitiva e a existência de elementos probatórios mínimos que corroborem a acusação. Provas conclusivas acerca da materialidade e da autoria do crime são necessárias apenas para a formação de um eventual juízo condenatório. 5. Embora não se admita a instauração de processos temerários e levianos ou despidos de qualquer sustentáculo probatório, nessa fase processual, deve ser privilegiado o princípio do in dubio pro societate. De igual modo, não se pode admitir que o Julgador, em juízo de admissibilidade da acusação, termine por cercear o jus accusationis do Estado, salvo se manifestamente demonstrada a carência de justa causa para o exercício da ação penal. 6. A alegação de inépcia da denúncia deve ser analisada de acordo com os requisitos exigidos pelos arts. 41 do CPP e 5º, LV, da CF/1988. Portanto, a peça acusatória deve conter a exposição do fato delituoso em toda a sua essência e com todas as suas circunstâncias, de maneira a individualizar o quanto possível a conduta imputada, bem como sua tipi�cação, com vistas a viabilizar a persecução penal e o exercício da ampla defesa e do contraditório pelo réu. 7. No caso em exame, a peça acusatória exibe a tipi�cação legal da conduta praticada, traz a quali�cação da recorrente e expõe os atos supostamente criminosos, com as suas circunstâncias. Contudo, ao contrário do a�rmado no acórdão recorrido, não se veri�ca na denúncia o liame entre o fato narrado e a conduta da recorrente, seja por meio de sua diretoria ou de algum dos seus funcionários, não restando demonstrado que o caminhão que estava transportando irregularmente produto perigoso à saúde e ao meio ambiente (GLP 1075) é de sua propriedade ou, ao menos, a existência de vínculo empregatício ou contratual entre o motorista do caminhão e a empresa. 8. Hipótese em que, conquanto tenha a denúncia narrado que Cia. Ultragáz S/A estava transportando irregularmente produto perigoso à saúde, o Parquet olvidou-se de descrever o vínculo existente entre o transportador e a empresa, daí porque não se encontra caracterizada a autoria da prática delituosa. 9. Recurso provido para determinar a anulação da Ação Penal n. 0013958-42.2015.8.08.0030, em trâmite no Juízo da 3ª Vara Criminal da Comarca de Linhares/ES, sem prejuízo de eventual oferecimento de nova inicial acusatória em razão desse mesmo delito, desde que observados os requisitos do art. 41 do Código de Processo Penal. (RMS 56.073/ES, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 25/09/2018, DJe 03/10/2018) A letra E está incorreta. ERRADA Pelo contrário, há previsão expressa de liquidação forçada nos termos do art. 24, da Lei 9605/98. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 23/79 Nesse sentido: Art. 24. A pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente, com o �m de permitir, facilitar ou ocultar a prática de crime de�nido nesta Lei terá decretada sua liquidação forçada, seu patrimônio será considerado instrumento do crime e como tal perdido em favor do Fundo Penitenciário Nacional. Penas Previstas na Lei de Crimes Ambientais Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI. Aplicação da Pena Privativa de Liberdade nos Crimes Ambientais O Código Penal adotou o sistema trifásico de aplicação da pena privativa de liberdade para os crimes em geral, cabendo a todas as normas extravagantes seguir os regramentos previstos no art. 59 do referido diploma. O objetivo é dar concretude e atender ao princípio constitucional da individualização da pena previsto no art. 5º, XLVI, da CF/88. Nesse sistema, na 1ª fase de dosimetria da pena, o Juiz fixa a pena-base considerando as circunstâncias judiciais previstas no art. 59, do CP. A pena-base deverá ser fixada entre os limites legais previsto em cada crime não podendo ficar abaixo do mínimo ou acima do máximo. Na 2ª fase, o julgador aplica as circunstâncias atenuantes e agravantes previstas nos arts. 61 a 66 do CP, devendo atentar o julgador para os limites legais fixados no crime. Por fim, na 3ª fase, o magistrado verifica a existência de causas de aumento ou de diminuição de pena, podendo a pena ser elevada acima do máximo ou mesmo serem reduzidas abaixo do mínimo abstratamente previsto para o crime. Após a fixação da pena definitiva, o juiz estabelecerá o regime inicial de cumprimento da pena, nos termos do art. 59, III, analisando se cabe ou não a possibilidade de substituição por restritivas de direitos ou outra espécie de pena, conforme previsto no art. 59, IV, do CP. Eis as regras do art. 59, do CP: 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 24/79 Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime: I - as penas aplicáveis dentre as cominadas; II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos; III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade; IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível. Dentro desse cenário normativo geral do CP, a Lei de Crimes Ambientais, em seu art. 6º, prevê para aplicação da pena-base (1ª fase da dosimetria) a imposição de gradação da penalidade que deve ser observado pela autoridade julgadora. Vejamos o normativo: Art. 6º Para imposição e gradação da penalidade, a autoridade competente observará:I - a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas consequências para a saúde pública e para o meio ambiente; II - os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação de interesse ambiental; III - a situação econômica do infrator, no caso de multa. Os critérios fixados nos incisos do art. 6º, são cogentes e especiais, devendo ser analisados na dosimetria da pena-base conjuntamente com aqueles previstos no art. 59, caput, do CP. A norma atende ao princípio da individualização da pena, pois busca alargar as circunstâncias judiciais do CP ao fato criminoso em face da tutela de um bem jurídico específico (meio ambiente). Nesse sentido, cabe ao Magistrado, além de atentar às circunstâncias já fixadas no art. 59, do CP (culpabilidade, antecedentes, conduta social, personalidade do agente, motivos, circunstâncias e consequências do crime, comportamento da vítima), levar em consideração a gravidade do fato para a saúde pública e o meio ambiente, e, na análise dos antecedentes, considerar o cumprimento da legislação de interesse ambiental, devendo levar em conta, no caso de aplicação da pena de multa, a situação econômica do infrator. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 25/79 Romeu Thomé destaca que na análise dos antecedentes ambientais do infrator, cabe ao Magistrado verificar se o réu tem bons ou maus antecedentes tendo como base o cumprimento das normas ambientais de uma maneira geral, não necessariamente na área criminal. Assim, destaca o autor que uma autuação administrativa (lavratura de auto de infração por infração administrativa) configura, por si só, maus antecedentes ambientais por descumprimento à legislação ambiental. Normas Gerais sobre as Penas Restritivas de Direito no CP e na Lei de Crimes Ambientais As penas restritivas de direito são penas alternativas às penas privativas de liberdade servindo como medida essencial para a consecução das finalidades principais do Direito Penal para crimes de menor potencialidade lesiva. Embora denominadas pela doutrina de penas alternativas, não deixam de ser uma sanção penal, autônomas, sendo apenas substitutivas da privativa de liberdade, não estando previstas no preceito secundário do tipo penal como regra. Conforme já assentado pelo STF, as penas restritivas de direitos são, em essência, uma alternativa aos efeitos certamente traumáticos, estigmatizantes e onerosos do cárcere. Não Circunstâncias Judicias do art. 59 do CP Circunstâncias Judiciais específicas do art. 6º, da Lei de Crimes Ambientais culpabilidade ----------------- antecedentes antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação de interesse ambiental. conduta social ------------------ personalidade do agente ------------------ motivos gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas consequências para a saúde pública e para o meio ambiente. circunstâncias e consequências do crime comportamento da vítima ------------------ ------------------ situação econômica do infrator, no caso de multa. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 26/79 é à toa que todas elas são comumente chamadas de penas alternativas, pois essa é mesmo a sua natureza: constituir-se num substitutivo ao encarceramento e suas sequelas. O Código Penal prevê, em seu art. 44, as regras para substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direito. Vejamos o normativo: Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; II – o réu não for reincidente em crime doloso; III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. A Lei de Crimes Ambientais, em seu art. 7º, estabeleceu as regras para substituição da pena privativa de liberdade em restritiva de direitos na mesma linha do art. 44, do CP, mas com algumas diferenças que devem ser observadas pelo julgador. Art. 7º As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade quando: I - tratar-se de crime culposo ou for aplicada a pena privativa de liberdade inferior a quatro anos; II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias do crime indicarem que a substituição seja suficiente para efeitos de reprovação e prevenção do crime. Parágrafo único. As penas restritivas de direitos a que se refere este artigo terão a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída. Vejamos um comparativo das duas normas: Comparativo das Penas Restritivas de Direito Código Penal – Art. 44 Lei 9.605/98 – Art. 7º 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 27/79 Do quadro apresentado, é perfeitamente possível inferir algumas diferenças existentes entre o instituto da substituição da pena privativa de liberdade prevista no CP e aquela disciplinada na Lei de Crimes Ambientais. Nessa linha, não podemos esquecer que a Lei 9.605/98 é especial em relação ao Código Penal, devendo aquela prevalecer sobre este. Assim, cabe ao legislador não aplicar as regras do art. 44, naquilo que confrontar com a Lei de Crimes Ambientais, e aplicar integralmente as normas esculpidas no art. 7º, da Lei 9.605/98. Exemplo disso é o previsto quanto ao máximo da pena aplicada para benesse ser concebida (art. 44, I do CP e art. 7º, I, da Lei 9.605/98). O Código Penal previu que cabe a substituição se a pena for igual ou inferior a quatro anos. Isso implica dizer que, sendo fixada em 4 anos a pena do condenado, ainda assim, caberá a substituição presente os demais requisitos para concessão da benesse. Por outro lado, se o crime for atentatório ao meio ambiente, não caberá a substituição, pois o art. 7º, I, da Lei de Crimes Ambientais exige que a concessão só ocorra para crimes que não atinjam o máximo de 4 anos, devendo ser sempre inferior a esse montante. Outro ponto divergente é a previsão na regra geral do CP que se o crime for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, não caberá a substituição. Essa regra não poderá ser aplicada no caso de crimes ambientais por falta de previsão legal. Nesse sentido, alerta Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: Art. 7º As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade quando: I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; I - tratar-se de crime culposo ou for aplicada a pena privativa de liberdade inferior a quatro anos; II – o réu não for reincidente em crime doloso; --------------- III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias do crime indicarem que a substituição seja suficiente para efeitos de reprovação e prevenção do crime. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 28/79 Fernando Capez que, ao contrário do art. 44 do CP, cabe a substituição nos crimes ambientais ainda que o crime tenha sido cometido com violência ou grave ameaça à pessoa. Adentrando especificamente no art. 7º, da Lei de Crimes Ambientais, a substituiçãosó pode ser aplicada pelo julgador se preenchido cumulativamente as regras presentes nos seus dois incisos. O inciso I traz o requisito objetivo de menos de 4 anos, devendo ser aplicado apenas para os crimes dolosos, considerando que os culposos não exigem tal requisito, basta o agente ter praticado a conduta com negligência, imprudência ou imperícia nos crimes ambientais que prevejam tal tipo de crime. O inciso II prevê os requisitos subjetivos que devem ser analisados cumulativamente pelo julgador no momento da substituição. Na análise desses requisitos o Juiz deve verificar se a substituição é suficiente para fins de reprovação e prevenção do crime, devendo para isso analisar a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias do crime. Por fim, o parágrafo único do art. 7º, trouxe a regra geral já prevista no CP, as penas restritivas de direitos devem ter a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída, desde que sejam compatíveis. Caso não haja compatibilidade, poderá ser feita em tempo menor. Exemplo disso é a pena restritiva de direito denominada prestação pecuniária em que se efetivando o pagamento ocorrerá o exaurimento do tempo da pena. As Penas Restritivas de Direito em Espécie O Código Penal apresentou as espécies de penas restritivas de direitos para a pessoa física em seu art. 43 trazendo cinco modalidades e algumas subespécies. A Lei de Crimes Ambientais, ao seu turno, também elencou as substitutivas em seu art. 8º com algumas diferenças em relação à regra geral do CP. Vejamos um quadro comparativo com as referidas penas. Comparativo entre as penas restritivas de direito em espécie Código Penal – art. 43 Lei de Crimes Ambientais – art. 8º prestação pecuniária prestação pecuniária prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas prestação de serviços à comunidade interdição temporária de direitos interdição temporária de direitos perda de bens e valores ------------------- limitação de fim de semana ------------------- 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 29/79 De início, recomendamos a leitura mais detida de cada uma das penas restritivas de direito verificando aquelas que estão previstas expressamente na Lei de Crimes Ambientais, como a suspensão de atividades e o recolhimento domiciliar, e as ventiladas unicamente na regra geral do Código Penal, a exemplo da perda de bens e valores e da limitação de fim de semana. Faremos a análise objetiva de cada uma das penas restritivas de direitos previstas expressamente na Lei de Crimes Ambientais, destacando as diferenças que existem em relação à norma geral do CP, caso existentes. Alertamos, mais uma vez, que a Lei de Crimes Ambientais é especial em relação ao CP, razão pela qual a pena privativa de liberdade só pode ser substituída pelas penas restritivas de direitos previstas expressamente no art. 8º daquela norma, não se aplicando as normas do art. 43 do diploma geral. Ademais disso, as penas previstas no art. 8º, da Lei 9.605/98, são aplicadas exclusivamente à pessoa física. As substitutivas para a pessoa jurídica, estão elencadas nos arts. 21 e 22 do mesmo diploma normativo. Prestação de Serviços à Comunidade A prestação de serviços à comunidade consiste na atribuição de tarefas gratuitas ao condenado junto a parques públicos e unidades de conservação, bem como no caso de dano da coisa particular, pública ou tombada, na restauração desta, se possível, nos termos do art. 9º, da Lei 9.605/98. Diferentemente do CP, que prevê que o local da prestação do serviço à comunidade dar-se-á em entidades assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos e outros estabelecimentos congêneres, em programas comunitários ou estatais. ------------------- suspensão parcial ou total de atividades ------------------- recolhimento domiciliar Art. 9º A prestação de serviços à comunidade consiste na atribuição ao condenado de tarefas gratuitas junto a parques e jardins públicos e unidades de conservação, e, no caso de dano da coisa particular, pública ou tombada, na restauração desta, se possível. Mas isso não implica dizer que o magistrado fixará sempre a prestação do serviço para parques ou mesmo unidades de conservação, até porque esses espaços territoriais especialmente protegidos não são de fácil acesso a todos. Assim, será perfeitamente possível ao julgador fixar outro local para cumprimento da pena alternativa, desde que vinculado a serviços que favoreçam o meio ambiente e, consequentemente, a coletividade. Cumpre destacar que devem sempre ser aplicadas as regras presentes na Lei de Crimes Ambientais em relação as demais regras do CP no que tange a fixação das penas 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 30/79 substitutivas aqui ventiladas. Por outro lado, havendo correspondente entre o CP e a Lei Ambiental quanto às penas, deve esta se embebedar nas demais regras das normas gerais daquela, por força do art. 79 da Lei 9.605/98, caso não exista norma específica quanto ao disciplinamento da pena substitutiva. Nesse sentido, é perfeitamente possível a aplicação das regras do art. 46, caput e §3º, do CP, cabendo a substituição às condenações superiores a seis meses de privação da liberdade, bem como a necessidade de as tarefas serem atribuídas conforme as aptidões do condenado, devendo ser cumpridas à razão de uma hora de tarefa por dia de condenação, fixadas de modo a não prejudicar a jornada normal de trabalho. Cabe ainda a aplicação do art. 43, § 4o, que ventila a regra que quando a pena substituída for superior a 01 (um) ano, é facultado ao condenado cumpri-la em menor tempo, mas nunca inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada. Vejamos o quadro comparativo: Prestação de Serviços à Comunidade Regras do CP Regras da Lei de Crimes Ambientais atribuição de tarefas gratuitas ao condenado atribuição de tarefas gratuitas ao condenado em entidades assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos e outros estabelecimentos congêneres, em programas comunitários ou estatais. em parques e jardins públicos e unidades de conservação ou fazer restauração da coisa particular, pública ou tombada, no caso de dano, se possível. é aplicável às condenações superiores a seis meses de privação da liberdade. é aplicável às condenações superiores a seis meses de privação da liberdade. (não previsto expressamente) tarefas atribuídas conforme as aptidões do condenado. tarefas atribuídas conforme as aptidões do condenado. (não previsto expressamente) cumpridas à razão de uma hora de tarefa por dia de condenação, fixadas de modo a não prejudicar a jornada normal de trabalho. cumpridas à razão de uma hora de tarefa por dia de condenação, fixadas de modo a não prejudicar a jornada normal de trabalho. 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 31/79 Por fim, é perfeitamente possível na substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos em crimes ambientais a aplicação da regra do § 2º, do art. 44, do CP, podendo a substituição ser feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos, na condenação igual ou inferior a um ano, havendo a possibilidade ainda de ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos, se superior a um ano. Prestação Pecuniária A Prestação Pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus dependentes ou a entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz, não inferior a um salário mínimo nem superior a 360 salários, sendo que o valor pago será deduzido do montante de eventual condenação em ação de reparação civil, se coincidentes os beneficiários. A prestação pecuniária é prevista no § 1º, do art. 45, do CP, bem como no art. 12, da Lei de