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Prof. Thiago Leite, Prof. Matthaus Marçal Pavanini Cardoso
12 Responsabilidade Criminal-Ambiental
Curso Interativo de Direito Ambiental para
Carreiras Jurídicas
Documento última vez atualizado em 28/06/2024 às 06:33.
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 1/79
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Índice
12.1) Lei n° 9.605/98 e sua relação com a CF/88, CP, CPP e Lei n° 9.099/95
12.2) O Princípio da Insigni�cância e os Crimes Ambientais
12.3) A Responsabilidade da Pessoa Física e da Jurídica em Crimes Ambientais
12.4) Penas Previstas na Lei de Crimes Ambientais
12.5) Atenuantes e Agravantes nos Crimes Ambientais
12.6) Suspensão Condicional da Pena
12.7) Apreensão do Produto e do Instrumento de Infração Administrativa ou do Crime
12.8) Ação e Processo Penal
12.9) Lista de Questões
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 2/79
Lei n° 9.605/98 e sua relação com a CF/88, CP, CPP e Lei n° 9.099/95
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Constituição Federal e a Lei 9.605/98 
A responsabilidade penal de qualquer pessoa que pratica condutas atentatórias ao meio 
ambiente foi prevista na Constituição Federal de 1988 no art. 225, §3º. A Carta Política 
constitucionalizou a obrigatoriedade de o Estado efetivar a persecução penal dos delitos contra 
o meio ambiente inclusive com possibilidade de aplicação de sanções às pessoas jurídicas, 
passando a ter, a tutela penal dos diversos bens ambientais, alicerce constitucional. Vejamos o 
normativo. 
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum 
do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o 
dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. 
§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os 
infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente 
da obrigação de reparar os danos causados. 
É importante destacar que a Constituição Federal não elencou os crimes ambientais em 
espécie, mas apenas autorizou que normas infraconstitucionais tipificassem as condutas 
atentatórias aos diversos bens ambientais (flora, fauna, administração ambiental e patrimônio 
cultural). Nessa linha, a CF/88 não descreveu condutas típicas que resulte em sanção penal por 
condutas ilícitas ao meio ambiente, mas apenas autorizou a sua prescrição.  
Coube ao legislador ordinário editar as normas ambientais que descrevem as condutas típicas, 
tendo em vista que só há crime se expressamente previsto em lei, em obediência ao princípio 
da legalidade restrita prevista no art. 1º, do Código Penal. 
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal. 
Nesse sentido, além de outras normas esparsas, foi editada a Lei 9.605/98 que além de trazer 
normas expressas de natureza estritamente penal, revelou também regras atinentes à 
responsabilidade administrativa, sendo verdadeira norma que tutela o meio ambiente não 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
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apenas na esfera penal como também extrapenal, tendo nitidamente natureza mista, haja vista 
tratar tanto da responsabilidade civil como da administrativa. 
Não podemos olvidar que existem outras leis que ventilam crimes ambientais, como, a título de 
exemplo, o crime de liberar ou descartar OGM no meio ambiente, em desacordo com as 
normas estabelecidas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio e pelos 
órgãos e entidades de registro e fiscalização, previsto no art. 27, da Lei 11.105/2005. 
Art. 27. Liberar ou descartar OGM no meio ambiente, em desacordo com as normas 
estabelecidas pela CTNBio e pelos órgãos e entidades de registro e fiscalização:  
Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.  
§ 2º Agrava-se a pena:  
I – de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço), se resultar dano à propriedade alheia;  
II – de 1/3 (um terço) até a metade, se resultar dano ao meio ambiente;  
III – da metade até 2/3 (dois terços), se resultar lesão corporal de natureza grave em outrem;  
IV – de 2/3 (dois terços) até o dobro, se resultar a morte de outrem.  
Mas, essencialmente, os crimes ambientais estão previstos na Lei 9.605/98 sendo o principal 
normativo penal que reúne as diversas descrições típicas infracionais ao meio ambiente, 
formando um verdadeiro “Código Penal” do Direito Ambiental, com regras próprias para a 
aplicação das sanções, bem como na mensuração da dosimetria da pena e da extinção da 
punibilidade. 
O Código Penal, Código de Processo Penal e a Lei 9.605/98 
A Lei 9.605/98 é considerada especial em relação ao Código Penal (norma geral) devendo 
sempre ser aplicada em detrimento do Código Penal quando suas normas forem conflitantes 
em face do princípio da especialidade. Isso porque a lei especial prevalece sobre a lei geral. 
Por outro lado, não se pode esquecer que a Lei 9.605/98 não trouxe todos os institutos 
necessários para escorreita persecução penal e punição do infrator, tendo o julgador que se 
embebedar nas normas basilares do Código Penal e do Código de Processo Penal. 
É nesse sentido que a Lei 9.605/98 previu, no art. 79, a possibilidade de se aplicar 
subsidiariamente as regras do Código Penal e do Código de Processo Penal para os crimes 
contra o meio ambiente.  
Art. 79. Aplicam-se subsidiariamente a esta Lei as disposições do Código Penal e do Código de 
Processo Penal. 
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12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 4/79
Cumpre assinalar que a própria Lei 9.605/98 determina a aplicação de determinadas normas 
do Código Penal e do Código de Processo Penal para caracterização de alguns institutos, 
objetivando não ter que descrevê-los novamente no corpo da Lei, como ocorre para fixação da 
multa penal previsto no art. 18 da Lei de Crimes Ambientais. 
Art. 18. A multa será calculada segundo os critérios do Código Penal; se revelar-se ineficaz, 
ainda que aplicada no valor máximo, poderá ser aumentada até três vezes, tendo em vista o 
valor da vantagem econômica auferida. 
Mas isso não implica dizer que haverá a necessidade de previsão expressa para aplicação de 
um instituto jurídico previsto nos referidos Códigos, tendo em vista que o autorizativo do art. 79 
é suficiente para aplicação de qualquer regra dos normativos, desde que não exista outra 
conflitante na norma de crimes ambientais. 
A Lei 9.099/95 e a Lei 9.605/98 
Outro tema relevante para nossos concursos e melhor entendimento desta temática é 
vislumbrarmos a possibilidade de aplicação da Lei 9.099/95 (Lei do Juizado Especial Criminal) 
aos crimes ambientais. Essa norma disciplinou o processamento dos crimes de menor potencial 
ofensivo entendido estes como as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena 
máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa. Vejamos o art. 61, da Lei 
9.099/95: 
Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, 
as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) 
anos, cumulada ou não com multa.  
Para que não restem dúvidas quanto à possibilidade de aplicação da Lei dos Juizados Especiais 
Criminais às infrações ambientais, a Lei 9.605/98, em seu art. 27, autorizou a aplicação de 
institutos despenalizadores previstos naquele normativo, como a possibilidade de o Ministério 
Público propor a transação penal, acrescentando apenas mais um requisito material para 
concessão da benesse (prévia composição do dano ambiental).  
Art. 27. Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de aplicação imediata 
de pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro 
de 1995, somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano 
ambiental, de que trata o art. 74 da mesma lei,Crimes Ambientais. Eis os normativos: 
CP 
 (não previsto expressamente) 
pena superior a um ano, é facultado ao 
condenado cumprir a pena substitutiva em 
menor tempo, nunca inferior à metade da 
pena privativa de liberdade fixada. 
pena superior a um ano, é facultado ao 
condenado cumprir a pena substitutiva em 
menor tempo, nunca inferior à metade da 
pena privativa de liberdade fixada.  
(não previsto expressamente) 
Art. 45. Na aplicação da substituição prevista no artigo anterior, proceder-se-á na forma deste e 
dos arts. 46, 47 e 48.  
§ 1o A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus 
dependentes ou a entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada 
pelo juiz, não inferior a 1 (um) salário mínimo nem superior a 360 (trezentos e sessenta) 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
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salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual condenação em ação 
de reparação civil, se coincidentes os beneficiários.  
  § 2o No caso do parágrafo anterior, se houver aceitação do beneficiário, a prestação 
pecuniária pode consistir em prestação de outra natureza 
Lei 9.605/98 
Art. 12. A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima ou à entidade 
pública ou privada com fim social, de importância, fixada pelo juiz, não inferior a um salário 
mínimo nem superior a trezentos e sessenta salários mínimos. O valor pago será deduzido do 
montante de eventual reparação civil a que for condenado o infrator. 
A finalidade da fixação da pena substitutiva de prestação pecuniária é a reparação do dano 
causado pelo condenado tendo como destinatários a vítima, seus dependentes ou entidade 
pública ou privada com destinação social. Mas, não esqueça, a prestação pecuniária tem 
natureza de sanção penal, na modalidade de pena, embora tenha repercussão na esfera civil no 
que tange a responsabilidade civil por danos acarretados.  
É possível que o valor pago, que mediará entre 1 SM ≤ prestação pecuniária ≤ 360 SM, seja 
deduzido do montante a ser pago a título de indenização civil. Quanto ao ponto, embora a Lei 
de Crimes Ambientais não exija a hipótese de “coincidência dos beneficiários”, essa regra deve 
ser aplicada sob pena de enriquecimento sem causa, pois o beneficiário receberá em dobro 
aquela quantia. Nesse sentido, se o juiz atribuir o benefício da prestação pecuniária a alguma 
entidade, no lugar da vítima ou seus herdeiros, não haverá dedução do valor na futura ação 
indenizatória, porquanto não coincidentes os beneficiários.  
Outro ponto é que, embora não previsto expressamente no art. 12 da Lei de Crimes Ambientais, 
é perfeitamente possível que a prestação pecuniária seja destinada aos dependentes da 
vítima, por força da norma extensiva do art. 72, da Lei 9.605/98 (caráter subsidiário do CP e do 
CPP) c/c o § 1º do art. 45 do CP. 
Por fim, como alerta Fernando Capez, é fundamental a identificação da diferença entre 
prestação pecuniária e multa. Esta é sanção cujo valor destina-se ao Fundo Penitenciário, 
revertendo em favor da coletividade. Por outro lado, a prestação pecuniária, é endereçada à 
vítima. A multa não pode ser convertida em pena privativa de liberdade, sendo considerada, 
para fins de execução, dívida de valor (CP, art. 51). A prestação pecuniária, ao contrário, admite 
conversão (CP, art. 44, § 4º). 
Prestação Pecuniária  
Regras do CP  Regras da Lei de Crimes Ambientais 
Conceito: a prestação pecuniária consiste no 
pagamento em dinheiro à vítima, a seus 
Conceito: a prestação pecuniária consiste 
no pagamento em dinheiro à vítima ou à 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
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Interdição Temporária de Direitos   
A sanção de interdição temporária de direitos é uma pena alternativa à privativa de liberdade 
que foi prevista tanto no Código Penal, em seu art. 47, quanto na Lei de Crimes Ambientais, em 
seu         art. 10. Essas normas ventilam regras de proibições para o condenado que vão desde 
a vedação ao exercício do cargo ou mandato eletivo à proibição de contratar com o poder 
público. Vejamos as regras dos normativos: 
CP 
dependentes ou a entidade pública ou privada 
com destinação social,  
entidade pública ou privada com fim 
social.  
(não previu expressamente os 
dependentes) 
Valor: importância fixada pelo juiz, não inferior 
a 1 (um) salário mínimo nem superior a 360 
(trezentos e sessenta) salários mínimos. 
Valor: importância, fixada pelo juiz, não 
inferior a um salário mínimo nem superior 
a trezentos e sessenta salários mínimos.  
Dedução: o valor pago será deduzido do 
montante de eventual condenação em ação de 
reparação civil, se coincidentes os 
beneficiários. 
Dedução: o valor pago será deduzido do 
montante de eventual reparação civil a 
que for condenado o infrator. 
(não previu expressamente a 
coincidência do beneficiário) 
Prestação diversa: se houver aceitação do 
beneficiário, a prestação pecuniária pode 
consistir em prestação de outra natureza. 
(não há norma correlata) 
(doutrina entende perfeitamente 
aplicável aos crimes ambientais) 
Art. 47 - As penas de interdição temporária de direitos são:  
I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato 
eletivo;  
II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação 
especial, de licença ou autorização do poder público; 
III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo.  
IV – proibição de frequentar determinados lugares.  
V - proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame públicos. 
Lei n° 9.605/98 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 34/79
Art. 10. As penas de interdição temporária de direito são a proibição de o condenado 
contratar com o Poder Público, de receber incentivos fiscais ou quaisquer outros benefícios, 
bem como de participar de licitações, pelo prazo de cinco anos, no caso de crimes dolosos, e 
de três anos, no de crimes culposos. 
Embora os dois diplomas normativos tratem da mesma pena restritiva de direito, e, portanto, de 
mesma ordem ontológica, a Lei de Crimes Ambientais deu um viés mais específico para os 
crimes ambientais criando proibições não previstas na regra geral (CP). Assim, o CP prevê 
cinco modalidades de vedações ao exercício de determinados direitos, não encontrando 
correspondência na Lei de Crimes Ambientais. 
Nessa linha, a Lei 9.605/98 regulamentou três modalidades de interdição temporária de 
direito consubstanciadas na proibição de (1) contratar com o Poder Público; (2) receber 
incentivos fiscais ou quaisquer outros benefícios; bem como (3) participar de licitações.  
Oportuno ressaltar que contratar e participar de licitações são coisas distintas. Se o 
condenado tiver a pena privativa de liberdade substituída pela interdição temporária de direito 
de não participar de licitações, poderá ainda contratar com o Poder Público, seja por meio de 
dispensa ou de inexigibilidade de licitação; melhor dizendo, a proibição é para não participar de 
licitações                      (embora resulte também, ao final, em um contrato), não vedando qualquer 
outro meio, permitido em lei, de contratação com o Poder Público. A licitação é apenas uma 
das formas de garantia a isonomia para contratar com o Poder Público. 
Por uma questão de melhor individualizar a pena e atender ao princípio da proporcionalidade, 
entendeu o legislador ordinário fixar prazos diferenciados para as três modalidades de 
proibições. Para os crimes ambientais dolosos o tempo de interdição temporária do direito de 
contratar/receber/participar será de 5 anos e para os culposos, de 3 anos. Assim, será 
possível ocorrer situações bem interessantes quando da substituição: pode ser que a pena 
privativa de liberdade a ser convertida (1 ano, por exemplo) tenha que ser cumprida em 3 anos 
ou 5 anos (a depender se o crime foi doloso ouculposo), não podendo ser observada a regra 
do art. 7º, parágrafo único, que as penas restritivas de direitos terão a mesma duração da 
pena privativa de liberdade substituída. Não será o tempo da pena privativa de liberdade, por 
falta de compatibilidade entre a pena originária e a substitutiva.  
Por fim, as demais penas de interdição temporária de direitos previstas no art. 47 do CP, não 
podem ser aplicada em substituição à pena privativa de liberdade para os crimes ambientais, 
por ser a Lei 9.605/98 lei especial em relação a regra geral do CP, cabendo ao magistrado 
aplicador da medida substitutiva atentar as regras do diploma penal ambiental. 
Vejamos um comparativo das penas de interdição temporária de direitos previstas nos dois 
diplomas. 
Interdição Temporária de Direito   
Regras do CP  Regras da Lei de Crimes 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
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Ambientais 
são proibições ao exercício de determinados direitos 
pelo condenado. 
são proibições ao exercício de 
determinados direitos pelo 
condenado. 
proibição do exercício de cargo, função ou atividade 
pública, bem como de mandato eletivo. 
(não há norma correlata) 
(não se aplica) 
proibição do exercício de profissão, atividade ou 
ofício que dependam de habilitação especial, de 
licença ou autorização do poder público. 
(não há norma correlata) 
(não se aplica) 
suspensão de autorização ou de habilitação para 
dirigir veículo.  
 
(não há norma correlata) 
(não se aplica) 
proibição de frequentar determinados lugares.  
 
(não há norma correlata) 
(não se aplica) 
proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou 
exame públicos. 
 
(não há norma correlata) 
(não se aplica) 
(não há norma correlata) 
(não se aplica) 
proibição de o condenado contratar 
com o Poder Público. 
(não há norma correlata) 
(não se aplica) 
proibição de o condenado receber 
incentivos fiscais ou quaisquer 
outros benefícios. 
(não há norma correlata) 
(não se aplica) 
proibição de o condenado 
participar de licitações. 
 
Prazo:  
fixado pelo Juiz (como regra) 
Prazo:    
                            03 anos = crime 
ambiental culposo  
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 36/79
Suspensão Parcial ou Total de Atividades   
Essa pena substitutiva está prevista apenas na Lei de Crimes Ambientais não encontrando 
correspondente no Código Penal. Consiste na suspensão de atividades que estejam sendo 
desenvolvidas em desacordo com as normas regulamentares e que estejam, ou possam 
resultar, de alguma forma, danos ao meio ambiente. Foi prevista no art. 11, da Lei 9.605/98, 
vejamos: 
                            05 anos = crime 
ambiental doloso 
Art. 11. A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às 
prescrições legais.
Essa pena alternativa deve ser aplicada sempre que o desenvolvimento da atividade danosa ao 
meio ambiente tiver sido efetivado sem licença válida ou em desacordo com a obtida. O 
objetivo é interromper ou mesmo evitar que a atividade, sem a regular liberação do poder 
concedente, venha a provocar ou agravar os impactos negativos ao meio ambiente. 
Cumpre lembrar que essa pena alternativa deve ser aplicada a pessoa física que desenvolva 
atividade que esteja em desacordo com as prescrições legais. A mesma medida substitutiva foi 
prevista para a pessoa jurídica, mas com fundamento legal no art. 22, I, da Lei de Crimes 
Ambientais. 
Recolhimento Domiciliar   
Sanção autônoma e substitutiva da pena privativa de liberdade prevista no art. 13, da Lei 
9.605/98. Não tem correspondente no Código Penal, mas apresenta praticamente a mesma 
natureza ontológica da pena restritiva de direito de limitação de fim de semana prevista no art. 
43, VI, do CP.   
O recolhimento domiciliar baseia-se na autodisciplina e no senso de responsabilidade do 
condenado tendo que desenvolver suas funções laborais e estudantis de forma regular tendo 
que se recolher nos dias e horários de folga em residência habitual.  
Vejamos o normativo da norma ambiental incriminadora: 
Art. 13. O recolhimento domiciliar baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade 
do condenado, que deverá, sem vigilância, trabalhar, frequentar curso ou exercer atividade 
autorizada, permanecendo recolhido nos dias e horários de folga em residência ou em 
qualquer local destinado à sua moradia habitual, conforme estabelecido na sentença 
condenatória. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 37/79
Devemos tomar cuidado também para não confundir a medida substitutiva autônoma prevista 
na Lei de Crimes Ambientais, de cunho definitivo, com a medida cautelar de recolhimento 
domiciliar prevista no inciso V do artigo 319 do Código de Processo Penal, que é fundada 
também no senso de responsabilidade e autodisciplina do imputado, atuando como medida 
cautelar alternativa à prisão preventiva, devendo ser deferida quando presentes os requisitos e 
os fundamentos das medidas cautelares. 
Penas Aplicáveis à Pessoa Jurídica 
Tendo em vista que as pessoas jurídicas podem cometer crimes ao meio ambiente, a Lei 
9.605/98 previu as penas que podem ser fixadas a elas, considerando a impossibilidade de 
aplicação da pena privativa de liberdade. São três penas autônomas previstas no art. 21. 
Vejamos: 
Art. 21. As penas aplicáveis isolada, cumulativa ou alternativamente às pessoas jurídicas, de 
acordo com o disposto no art. 3º, são: 
I - multa;  
II - restritivas de direitos; 
III - prestação de serviços à comunidade. 
Embora tenha a Lei de Crimes Ambientais previsto penas autônomas, doutrina majoritária 
entende que a prestação de serviços à comunidade é uma das espécies da pena restritiva de 
direitos. 
A pena de multa, conforme assentado no art.18, da Lei 9.605/98, será calculada segundo os 
critérios do Código Penal. Observa-se, portanto, não haver qualquer regra específica quanto à 
aplicação da referida sanção aos crimes ambientais. Por outro lado, o mesmo normativo, 
autoriza caso a pena de multa revele-se ineficaz, ainda que aplicada no valor máximo, o seu 
aumento até três vezes, tendo em vista o valor da vantagem econômica auferida pelo infrator. 
Cumpre lembrar que essas penas podem ser aplicadas de forma isolada (punição única), como 
no tipo penal do art. 40, da Lei de Crimes Ambientais, que tem como figura típica a conduta de 
causar dano direto ou indireto às Unidades de Conservação, apresentando como preceito 
secundário a pena privativa de liberdade de reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos. 
Podem também ser aplicadas de forma cumulativa (associadas com outra), como no tipo penal 
do art. 29, que tem como descrição típica a figura de matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar 
espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença 
ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida, cuja pena será de 
detenção de seis meses a um ano, e multa. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 38/79
Ressalte-se ainda a possibilidade de aplicação alternativamente das referidas penas (aplica-se 
uma ou outra), como ocorre no crime do crime culposo do parágrafo único do art. 49, da Lei 
9.605/98, que tem como núcleo do tipo destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer 
modo ou meio, plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade privada 
alheia, cuja pena é de detenção, de um a seis meses, ou multa. 
A pena de multa é aplicada nos termos do art. 49 do Código Penal, e consiste no pagamento 
ao fundo penitenciário da quantia fixada na sentença e calculada em dias-multa, sendo, no 
mínimo, de 10 (dez) e, no máximo, de 360 (trezentos e sessenta) dias-multa, com valor de dia-
multa fixado pelo juiz que não pode ser inferior a um trigésimo do maior salário mínimo mensal 
vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 (cinco) vezes esse salário. Verifica-se,portanto, que 
o legislador não trouxe qualquer regra específica para aplicação da pena de multa para as 
pessoas jurídicas. 
Quanto à fixação da pena de multa, o sistema é bifásico. Deve o julgador, na primeira fase, 
levar em conta as circunstâncias judiciais do art.59, do CP, para fixar entre 10 a 360 dias-multa, 
assim como as previstas no art. 6o, da Lei de crimes ambientais. Na segunda, cabe ao 
magistrado fixar o valor do dia-multa que não poderá ser inferior a um trigésimo (1/30) do 
maior salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 vezes esse salário, 
valor este que deverá ser atualizado, quando da execução, pelos índices de correção 
monetária, devendo o juiz, na fixação do dia-multa, atender, principalmente, à situação 
econômica da pessoa jurídica infratora. 
A pena de prestação de serviços à comunidade que deve ser aplicada a pessoa jurídica 
consistirá em custeio de programas e de projetos ambientais; execução de obras de 
recuperação de áreas degradadas; manutenção de espaços públicos; ou contribuições a 
entidades ambientais ou culturais públicas, nos termos do art. 23, da Lei 9.605/98. Essas 
obrigações podem ser cumulativas ou não, mas importante frisar que consistem em obrigações 
de fazer consubstanciadas na prestação de serviços ambientais de conservação, melhoria e 
recuperação da qualidade do meio ambiente, bem como em obrigações de dar, visando o 
custeio de programas e projetos de proteção ao meio ambiente. 
Por outro lado, as penas restritivas de direitos que podem ser aplicadas às pessoas jurídicas 
foram elencadas no art. 22, da Lei de crimes ambientais, vejamos:  
Art. 22. As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são: 
I - suspensão parcial ou total de atividades; 
II - interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade; 
III - proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios, subvenções 
ou doações. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 39/79
Questão 2018 | 62126993
A Lei n.º 9.605/98 prevê sanções penais e administrativas derivadas de condutas e
atividades lesivas ao meio ambiente e prevê aplicação, de forma autônoma, de penas
restritivas de direitos. É INCORRETO informar que se trata de uma pena restritiva de
direito prevista nesta lei apenas
A) Prestação de serviços à comunidade.
B) Interdição temporária de direitos.
C) Suspensão parcial ou total de atividades.
D) Prestação pecuniária.
E) Desapropriação.
A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às 
disposições legais ou regulamentares, relativas à proteção do meio ambiente. Ao seu turno, a 
interdição temporária será aplicada quando o estabelecimento, obra ou atividade estiver 
funcionando sem a devida autorização, ou em desacordo com a concedida, ou com violação de 
disposição legal ou regulamentar. A interdição ocorre em face do funcionamento irregular da 
atividade ou empreendimento. Por fim, a proibição de contratar com o Poder Público e dele 
obter subsídios, subvenções ou doações não poderá exceder o prazo de dez anos. 
Cumpre destacar o posicionamento de Romeu Thomé quanto ao tema, entendendo que as 
penas restritivas de direito aplicáveis às pessoas jurídicas por crimes ambientais, não são 
substitutivas da pena de prisão como previsto no Código Penal, por questões de ordem lógica, 
não podendo ter as referidas penas duração idêntica à da privativa de liberdade por seres 
sanções autônomas. 
Outra sanção penal que pode ser aplicada à pessoa jurídica é a liquidação forçada resultando 
na perda de bens e valores prevista no art. 24 da Lei 9.605/98. Nesse sentido, estabeleceu o 
normativo que a pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente, com o fim de 
permitir, facilitar ou ocultar a prática de crime definido na Lei de Crimes Ambientais terá 
decretada sua liquidação forçada, seu patrimônio será considerado instrumento do crime e 
como tal perdido em favor do Fundo Penitenciário Nacional. É conhecida na doutrina como a 
“pena de morte da pessoa jurídica”. 
Como destaca Fernando Capez, caberá também ação civil pública proposta pelo Ministério 
Público, visando à dissolução judicial e ao cancelamento do registro e dos atos constitutivos da 
pessoa jurídica em questão, se a sua recusa em cooperar implicar ofensa à lei, à moralidade, à 
segurança e à ordem pública e social, nos termos do art. 115, da Lei de Registros Públicos. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 40/79
Solução
Gabarito: E) Desapropriação.
Alternativa E
As penas restritivas de direito em matéria ambiental estão previstas no art. 8º da Lei
Federal n. 9.605/1998, nos seguintes termos:
Art. 8º. As penas restritivas de direito são:
I - prestação de serviços à comunidade;
II - interdição temporária de direitos;
III - suspensão parcial ou total de atividades;
IV - prestação pecuniária;
V - recolhimento domiciliar.
As alternativas “A”, “B”, “C” e “D” encontram previsão, respectivamente, nos incisos I, II,
III e IV do mencionado dispositivo.
Dessa forma, observa-se que a desapropriação não se trata de uma pena restritiva de
direito, não sendo mencionada em nenhum momento na lei de crimes ambientais – até
porque o instituto da desapropriação não constitui sanção penal ou administrativa, mas
instrumento do Poder Público.
Atenuantes e Agravantes nos Crimes Ambientais
Circunstâncias Atenuantes 
A Lei 9.605/98 definiu de forma expressa as circunstâncias atenuantes e agravantes 
específicas para os crimes ambientais que devem ser aplicadas na segunda fase da dosimetria 
da pena. Isso não exclui a aplicação das circunstâncias genéricas previstas no art. 65 e 66 do 
Código Penal, embora tenha entendimento minoritário em sentido oposto. 
São circunstâncias específicas que sempre atenuam a pena de crimes cometidos contra o 
meio ambiente, previstas no art. 14 da Lei de Crimes Ambientais: 
a) baixo grau de instrução ou escolaridade do agente; 
b) arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou limitação 
significativa da degradação ambiental causada; 
c) comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental; 
d) colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 41/79
Como dito, a análise dessas circunstâncias ocorre na segunda fase de fixação da pena, 
juntamente com as genéricas, constantes dos arts. 65 e 66 do Código Penal, por força do art. 
79, da Lei 9.605/98, não podendo reduzi-la abaixo do mínimo legal, nos termos da Súmula 231, 
do STJ. 
Súmula 231 do STJ: A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da 
pena abaixo do mínimo legal. 
Vejamos as circunstâncias atenuantes genéricas previstas no referido diploma normativo: 
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena:  
I - ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do fato, ou maior de 70 (setenta) anos, na 
data da sentença;  
II - o desconhecimento da lei; 
III - ter o agente: 
a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral; 
b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou 
minorar-lhe as consequências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano; 
c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de 
autoridade superior, ou sob a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da 
vítima; 
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime; 
e) cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o provocou. 
Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou 
posterior ao crime, embora não prevista expressamente em lei. 
O baixo grau de instrução ou escolaridade do agente é uma atenuante específica dos crimes 
ambientais que tem o objetivo de diminuir a pena aplicada tendoem vista que a baixa 
escolaridade pode atenuar a noção sobre a potencial consciência da ilicitude, mas sem o 
condão de excluir o crime, mas somente de atenuar a pena. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 42/79
Outra atenuante é o arrependimento do infrator que exige para sua caracterização um 
comportamento do agente no sentido de mitigar voluntariamente os danos causados ao meio 
ambiente seja pela reparação integral do dano, seja pela limitação significativa da degradação 
causada. Essa atenuante, segundo Gabriel Habib, assemelha-se ao arrependimento posterior 
previsto no art. 16, bem como à atenuante genérica do art. 65, III, b, ambos do Código Penal.
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou 
restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a 
pena será reduzida de um a dois terços. 
Como não há qualquer referência expressa na Lei 9.605/98 quanto ao momento do 
arrependimento, é perfeitamente possível seu reconhecimento na sentença mesmo que tenha 
ocorrido após o recebimento da denúncia. 
A comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental é outra 
atenuante específica que deve ser analisada na segunda fase de dosimetria da pena, bastando 
que o agente comunique de forma voluntária o perigo iminente de uma situação que em tese 
foi gerada por ele ou que tenha algum liame específico com sua atividade tendente a acarretar 
danos ao meio ambiente. Busca-se com a norma beneficiar o infrator por ter informado aos 
órgãos ambientais competentes de uma possível ocorrência de dano ou de seu agravamento, 
não ficando a concessão da benesse condicionada a inocorrência da degradação ambiental.  
Outra atenuante é a colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle 
ambiental. Exige-se do infrator um comportamento positivo, isto é, o exercício de uma conduta 
que de qualquer modo contribua para com a fiscalização ambiental mitigando os efeitos 
resultantes da conduta perpetrada pelo agente. Basta que haja voluntariamente no sentido de 
colaborar com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental, não exigindo a 
norma atenuante que o ato tenha como resultado a mitigação do dano provocado. Parte da 
doutrina entende que se trata de uma espécie de “delação premiada” nos crimes ambientais, 
cabendo a incidência da atenuante ou mesmo uma espécie de “confissão” prevista no art. 65, 
III, “d”, do Código Penal. 
Circunstâncias Agravantes 
As circunstâncias agravantes nos crimes ambientais estão previstas no art. 15, da Lei de 
Crimes Ambientais, são elas: 
Art. 15. São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o 
crime: 
I - reincidência nos crimes de natureza ambiental; 
II - ter o agente cometido a infração: 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 43/79
a) para obter vantagem pecuniária; 
b) coagindo outrem para a execução material da infração; 
c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente; 
d) concorrendo para danos à propriedade alheia; 
e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder Público, a 
regime especial de uso; 
f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos; 
g) em período de defeso à fauna; 
h) em domingos ou feriados; 
i) à noite; 
j) em épocas de seca ou inundações; 
l) no interior do espaço territorial especialmente protegido; 
m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais; 
n) mediante fraude ou abuso de confiança; 
o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental; 
p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou 
beneficiada por incentivos fiscais; 
q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios oficiais das autoridades competentes; 
r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções.  
Não podemos esquecer que só serão aplicadas na segunda fase de dosimetria da pena, se e 
somente se, não constituírem elementares do tipo penal ou mesmo causa de aumento ou 
qualificadora do crime ambiental. É o caso do crime previsto no art. 52, da Lei de Crimes 
Ambientais, que tem como conduta típica penetrar em unidades de conservação conduzindo 
substâncias ou instrumentos próprios para caça ou para exploração de produtos ou subprodutos 
florestais, sem licença da autoridade competente, cuja pena é de detenção, de seis meses a 
um ano, e multa.  
Quanto ao tipo penal ventilado, o art. 53 fixa as causas de aumento de pena de um sexto a um 
terço se o referido crime for cometido em época de seca ou inundação, correspondente 
também a circunstância atenuante do art. 15, II, j, da Lei de Crimes Ambientais. Nessa linha, 
deve-se aplicar apenas a causa de aumento, desconsiderando-se a agravante prevista no 
referido normativo, sob pena de ocorrência de bis in idem. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 44/79
Cumpre destacar ainda que essas circunstâncias específicas do art. 15 podem ser aplicadas 
conjuntamente com as agravantes dos arts. 61 e 62 do Código Penal. Porém, não se deve 
olvidar que a exasperação da pena nunca pode elevá-la acima do máximo previsto para os 
crimes ambientais. Vejamos as agravantes genéricas do Código Penal: 
Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam 
o crime: 
I - a reincidência;  
II - ter o agente cometido o crime:  
a) por motivo fútil ou torpe; 
b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro 
crime; 
c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso que dificultou ou 
tornou impossível a defesa do ofendido; 
d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de 
que podia resultar perigo comum; 
e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge; 
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de 
hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica;  
g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão; 
h) contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida;  
i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade; 
j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública, ou de 
desgraça particular do ofendido; 
l) em estado de embriaguez preordenada. 
Art. 62 - A pena será ainda agravada em relação ao agente que:  
I - promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos demais agentes;  
II - coage ou induz outrem à execução material do crime;  
III - instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade ou não-punível em 
virtude de condição ou qualidade pessoal;  
IV - executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou promessa de recompensa. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 45/79
A primeira circunstância agravante prevista no art. 15 é a reincidência nos crimes de natureza 
ambiental, não necessariamente pelo mesmo crime ambiental. Trata-se de reincidência 
específica que só pode ser aplicada aos crimes de natureza ambiental. Melhor dizendo, caso 
seja cometido outro crime, que não de natureza ambiental, caberá aplicar a agravante do art. 
61, I, do Código Penal. O fato é que não se pode deixar de punir o agente pelo fato de incidir na 
reincidência seja a genérica do Código Penal, seja a específica da Lei de Crimes Ambientais, 
sob pena de acabar gerando uma benesse de não incidência do instituto por não ser uma 
reincidência específica. 
O art. 63, do Código Penal, trouxe a definição de reincidência que se corporifica quando o 
agente comete novo crime, depois de transitar em julgado a sentença que, no País ouno 
estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. Complementando esse dispositivo, temos a 
definição de reincidência trazida pelo art. 7º, da Lei de Contravenções Penais, que se 
corporifica quando o agente pratica uma contravenção depois de passar em julgado a sentença 
que o tenha condenado, no Brasil ou no estrangeiro, por qualquer crime, ou, no Brasil, por 
motivo de contravenção. 
Nesse sentido, e de forma a facilitar nosso entendimento sobre o reconhecimento da 
reincidência, didática é a tabela apresentada por Rogério Sanches sobre o tema: 
Reincidência em Crimes e Contravenções 
Se a pessoa é condenada 
definitivamente por 
E depois da condenação 
definitiva prática novo(a) 
Qual será a 
consequência? 
CRIME (no Brasil ou exterior)  CRIME  REINCIDÊNCIA 
CRIME (no Brasil ou exterior)  CONTRAVENÇÃO (no Brasil)  REINCIDÊNCIA 
CONTRAVENÇÃO (no Brasil)  CONTRAVENÇÃO (no Brasil)  REINCIDÊNCIA 
CONTRAVENÇÃO (no Brasil)  CRIME  NÃO HÁ reincidência. 
Foi uma falha da lei. 
Mas gera maus 
antecedentes. 
CONTRAVENÇÃO (no 
estrangeiro) 
CRIME ou CONTRAVENÇÃO  NÃO HÁ reincidência. 
Contravenção no 
estrangeiro não influi aqui. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 46/79
Cumpre lembrar que os efeitos da reincidência não são perenes, tendo uma temporalidade 
definida no art. 64, I, do Código Penal. O prazo máximo de incidência da reincidência é de 5 
anos, contados da data do cumprimento ou da extinção da pena. Exaurido o referido prazo, 
também denominado de período depurador pela doutrina penalista, ocorre a caducidade da 
condenação anterior para fins de reincidência, aplicando-se perfeitamente a referida norma 
genérica aos crimes ambientais. Vejamos o normativo: 
Art. 64. Para efeito de reincidência: 
I - não prevalece a condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou extinção da pena 
e a infração posterior tiver decorrido período de tempo superior a 5 (cinco) anos, computado o 
período de prova da suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer revogação; 
O inciso II, do art. 15, da Lei de Crimes Ambientais apresenta as demais circunstâncias que 
agravam a pena. Destacamos abaixo um esquema com comentário geral das principais 
circunstâncias agravantes: 
Circunstância 
Agravante (Art. 15, da 
Lei 9.605/98) 
Comentários Pontuais 
a) para obter 
vantagem pecuniária; 
- Não exige, necessariamente, que tenha recebido efetivamente a 
vantagem pecuniária, basta a intenção clara de tal objetivo. 
b) coagindo outrem 
para a execução 
material da infração; 
- A coação pode ser física ou moral.   
c) afetando ou 
expondo a perigo, de 
maneira grave, a 
saúde pública ou o 
meio ambiente; 
- Deve-se atentar para a previsão do art. 6º, da Lei de Crimes 
Ambientais, em que para imposição da penalidade a autoridade 
julgadora deverá levar em conta a gravidade do fato, tendo em 
vista suas consequências para a saúde pública e para o meio 
ambiente; 
- Esse fato, se já avaliado pelo magistrado na fixação da pena base 
na primeira fase, não poderá ser aplicada a agravante do art. 15, II, 
c, da Lei de Crimes Ambientais, sob pena de incidência do bis in 
idem.  
d) concorrendo para 
danos à propriedade 
alheia; 
- Sem comentários relevantes. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 47/79
e) atingindo áreas de 
unidades de 
conservação ou áreas 
sujeitas, por ato do 
Poder Público, a 
regime especial de 
uso; 
- Essa agravante é espécie daquela prevista na alínea “l”, fato que 
torna seu texto despiciendo; 
- Essas áreas são denominadas, de um modo geral, de Espaços 
Territoriais Especialmente Protegidos – ETEPs, constituindo 
unidades de conservação, área de preservação permanente, área 
de reserva legal, áreas de uso restrito, área de uso especial, terras 
indígenas entre outras; 
- Devemos tomar cuidado porque muitos dos tipos penais previstos 
na Lei 9.605/98 contém proteção específica para esses ETEPs, 
fato que afasta a incidência dessa circunstância agravante 
específica. É o caso do art. 40 que ventila o crime de causar dano 
direto ou indireto às unidades de conservação com pena de 1 ano a 
5 anos de reclusão, já sendo mensurado no preceito secundário a 
proteção do bem jurídico unidade de conservação, fato que afasta 
a incidência da circunstância agravante do art. 15, II, e, da Lei 
9.605/98. 
f) atingindo áreas 
urbanas ou quaisquer 
assentamentos 
humanos; 
- Não se aplica a referida agravante se for elementar do tipo, como 
ocorre no crime previsto no art.54, §2º, II,  que ventila a conduta 
típica de  causar poluição atmosférica que provoque a retirada, 
ainda que momentânea, dos habitantes das áreas afetadas, ou que 
cause danos diretos à saúde da população, cuja pena é de 
reclusão, de um a cinco anos. 
- Cabe ao julgador não aplicar  a referida agravante, por já ter o 
tipo penal mensurado como elementar, causa de aumento ou 
qualificadora do crime ambiental, sob pena de ocorrência do bis in 
idem.  
g) em período de 
defeso à fauna; 
- Não se aplica a referida agravante se for elementar do tipo, como 
ocorre no crime previsto no art. 34, que apresenta a figura típica 
do crime de pescar em período no qual a pesca seja proibida ou 
em lugares interditados por órgão competente; 
- Cabe ao julgador na segunda fase de dosimetria da pena não 
aplicar a referida agravante, por já ter o tipo penal mensurado 
como elementar, causa de aumento ou qualificadora do crime 
ambiental, sob pena de ocorrência do bis in idem. 
h) em domingos ou 
feriados; 
- Só não se aplica aos crimes contra a flora previstos 
nos                  arts. 38 ao 52. Isso porque o art. 53 traz como 
causa de aumento de um sexto a um terço se os referidos crimes 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 48/79
forem cometidos durante a noite, em domingo ou feriado. Busca-
se evitar a ocorrência do bis in idem. 
i) à noite;  - Não se aplica aos crimes contra a flora previstos nos arts. 38 ao 
52. Isso porque o art. 53 traz como causa de aumento de um sexto 
a um terço se os referidos crimes forem cometidos durante a 
noite, em domingo ou feriado. Isso para evitar a ocorrência do bis 
in idem. 
- Também não se aplica ao crime do art. 29, que tem como figura 
típica a conduta de matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar 
espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a 
devida permissão, licença ou autorização da autoridade 
competente, ou em desacordo com a obtida, cuja pena é de seis 
meses a um ano, e multa. Isso porque há uma causa de aumento 
de pena, prevista no §4º, III, que determina que a pena será 
aumentada de metade se o crime for cometido durante a noite. 
j) em épocas de seca 
ou inundações; 
- Só não se aplica aos crimes contra a flora previstos nos               
arts. 38 ao 52. Isso porque o art. 53 traz como causa de aumento 
de um sexto a um terço se os referidos crimes forem cometidos 
em época de seca ou inundação. Isso para evitar a ocorrência do 
bis in idem. 
l) no interior do espaço 
territorial 
especialmente 
protegido; 
- Ver comentário da alínea “e”. 
m) com o emprego de 
métodos cruéis para 
abate ou captura de 
animais; 
- Só se aplica aos crimes contra a fauna (arts. 29 a 35); 
- Aplica-se a agravante, ainda que se configure o crime 
do               art. 32, que tem como figura típica a conduta de 
praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais 
silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. Isso 
porque para a prática do delito existem várias formas, dentre elas, 
a utilização de métodos cruéis para o abate e a captura de animais. 
n) mediante fraude ou 
abuso de confiança; 
- Sem comentários relevantes. 
o) mediante abuso do 
direito de licença, 
permissão ou 
autorização ambiental; 
- Essa agravante aparece como elementar de alguns crimes 
previstos na Lei de Crimes Ambientais, fato que não autoriza a 
incidência dessa penalidade; 
12. ResponsabilidadeCriminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 49/79
Questão 2019 | 1042464204
Nos termos da Lei nº 9.605/98, é circunstância que agrava a pena, quando não constitui
ou quali�ca o crime ambiental, ter o agente cometido a infração
A) possuindo baixo grau de instrução ou escolaridade.
B) para obter vantagem pecuniária.
C)
e, após arrependimento, manifestar-se pela espontânea reparação do dano, ou limitação
signi�cativa da degradação ambiental causado.
D) aos sábados, domingos ou feriados.
- Podemos destacar o crime do art. 29, que tem como figura típica 
a conduta de matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes 
da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida 
permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou 
em desacordo com a obtida, ou mesmo a conduta do art. 63, que 
ventila o delito de alterar o aspecto ou estrutura de edificação ou 
local especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão 
judicial, em razão de seu valor paisagístico, ecológico, turístico, 
artístico, histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográfico ou 
monumental, sem autorização da autoridade competente ou em 
desacordo com a concedida. 
p) no interesse de 
pessoa jurídica 
mantida, total ou 
parcialmente, por 
verbas públicas ou 
beneficiada por 
incentivos fiscais; 
- Sem comentários relevantes. 
q) atingindo espécies 
ameaçadas, listadas 
em relatórios oficiais 
das autoridades 
competentes; 
- Não se aplica aos crimes contra a flora como um todo, pois o art. 
53, previu a causa de aumento de pena de um sexto a um terço se 
o crime for cometido contra espécies raras ou ameaçadas de 
extinção, ainda que a ameaça ocorra somente no local da infração. 
r) facilitada por 
funcionário público no 
exercício de suas 
funções. 
- Sem comentários relevantes. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 50/79
E)
no interesse de pessoa jurídica somente mantida parcialmente, por verbas públicas ou
bene�ciada por incentivos �scais.
Solução
Gabarito: B) para obter vantagem pecuniária.
A questão exige conhecimento do artigo 15 da Lei de crimes ambientais (9.605/98).
Vejamos o texto legal: 
Art. 15. São circunstâncias que AGRAVAM a pena, quando não constituem ou
quali�cam o crime:
I - reincidência nos crimes de natureza ambiental;
II - ter o agente cometido a infração:
a) para obter vantagem pecuniária;
b) coagindo outrem para a execução material da infração;
c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente;
d) concorrendo para danos à propriedade alheia;
e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder Público,
a regime especial de uso;
f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos;
g) em período de defeso à fauna;
h) em domingos ou feriados;
i) à noite;
j) em épocas de seca ou inundações;
l) no interior do espaço territorial especialmente protegido;
m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais;
n) mediante fraude ou abuso de con�ança;
o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental;
p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou
bene�ciada por incentivos �scais;
q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios o�ciais das autoridades
competentes;
r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções.
Observações: 
- Não existe previsão para agravamento da pena se o crime ocorrer aos sábados.
- Também não há previsão de agravamento SOMENTE quando a pessoa jurídica é
mantida parcialmente por verbas públicas ou bene�ciada por incentivos �scais (pode ser
total ou parcial).
- Possuir baixo grau de instrução ou escolaridade é uma das circunstâncias que atenuam
a pena.
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 51/79
A letra A está incorreta. ERRADA
Possuir baixo grau de instrução ou escolaridade é uma das circunstâncias que ATENUAM   a
pena. Vejamos o texto legal: 
Art. 14. São circunstâncias que ATENUAM  a pena:
I - baixo grau de instrução ou escolaridade do agente;
II - arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou
limitação signi�cativa da degradação ambiental causada;
III - comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental;
IV - colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental.
Como a questão pergunta as circunstâncias que agravam a pena, a questão está
incorreta.
A letra B está correta. CORRETA
Ter o agente cometido a infração para obter vantagem pecuniária é uma circunstância
agravante. Vejamos o texto legal:
Art. 15. São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou quali�cam o
crime:
I - reincidência nos crimes de natureza ambiental;
II - ter o agente cometido a infração:
a) para obter vantagem pecuniária;
b) coagindo outrem para a execução material da infração;
c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente;
d) concorrendo para danos à propriedade alheia;
e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder Público, a
regime especial de uso;
f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos;
g) em período de defeso à fauna;
h) em domingos ou feriados;
i) à noite;
j) em épocas de seca ou inundações;
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 52/79
l) no interior do espaço territorial especialmente protegido;
m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais;
n) mediante fraude ou abuso de con�ança;
o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental;
p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou
bene�ciada por incentivos �scais;
q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios o�ciais das autoridades
competentes;
r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções.
A letra C está incorreta. ERRADA
Manifestar-se pela espontânea reparação do dano, ou limitação signi�cativa da degradação
ambiental causado é circunstância que ATENUA a pena. Vejamos o texto legal: 
Art. 14. São circunstâncias que ATENUAM  a pena:
I - baixo grau de instrução ou escolaridade do agente;
II - arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou
limitação signi�cativa da degradação ambiental causada;
III - comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental;
IV - colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental.
Como a questão pergunta as circunstâncias que agravam a pena, a questão está incorreta.
A letra D está incorreta. ERRADA
Não há previsão expressa no texto legal a agravante do crime ter sido cometido aos
sábados. Vejamos o texto legal:
Art. 15. São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou quali�cam o
crime:
I - reincidência nos crimes de natureza ambiental;
II - ter o agente cometido a infração:
a) para obter vantagem pecuniária;
b) coagindo outrem para a execução material da infração;
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 53/79
c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente;
d) concorrendo para danos à propriedade alheia;
e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder Público, a
regime especial de uso;
f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos;
g) em período de defeso à fauna;
h) em domingos ou feriados;
i) à noite;
j) em épocas de seca ou inundações;
l) no interior do espaço territorial especialmente protegido;
m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais;
n) mediante fraude ou abuso de con�ança;
o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental;
p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou
bene�ciadapor incentivos �scais;
q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios o�ciais das autoridades
competentes;
r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções.
Logo, como não existe esta possibilidade a questão está ERRADA.
A letra E está incorreta. ERRADA 
O erro da questão está em a�rmar que somente há agravante quando mantida
parcialmente verbas públicas ou bene�ciada por incentivos �scais. O correto seria
parcialmente ou totalmente. Vejamos o texto legal:
Art. 15. São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou quali�cam o
crime:
I - reincidência nos crimes de natureza ambiental;
II - ter o agente cometido a infração:
a) para obter vantagem pecuniária;
b) coagindo outrem para a execução material da infração;
c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente;
d) concorrendo para danos à propriedade alheia;
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 54/79
e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder Público, a
regime especial de uso;
f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos;
g) em período de defeso à fauna;
h) em domingos ou feriados;
i) à noite;
j) em épocas de seca ou inundações;
l) no interior do espaço territorial especialmente protegido;
m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais;
n) mediante fraude ou abuso de con�ança;
o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental;
p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou
bene�ciada por incentivos �scais;
q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios o�ciais das autoridades
competentes;
r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções.
Suspensão Condicional da Pena
A suspensão condicional da pena, também denominada de sursis, é uma suspensão da 
execução da pena privativa de liberdade fixada na sentença, tendo como contrapartida o 
dever de o réu se submeter a um período de prova em que deverá cumprir determinadas 
condições impostas na avença. 
Reza o art. 16 da Lei 9.605/98 que a suspensão condicional da pena, diferentemente do Código 
Penal, terá duração de até três anos. Vejamos o normativo: 
Art. 16. Nos crimes previstos nesta Lei, a suspensão condicional da pena pode ser aplicada nos 
casos de condenação a pena privativa de liberdade não superior a três anos.
As demais regras, notadamente quanto aos requisitos gerais que devem ser aplicados ao 
instituto, estão previstas no Código Penal e devem ser aplicadas aos crimes ambientais por 
força da norma extensiva do art. 79, da Lei 9605/98. Essas regras estão previstas nos arts. 77 a 
82 do Diploma Criminal. Vejamos: 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 55/79
Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser 
suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que:   
I - o condenado não seja reincidente em crime doloso;     
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os 
motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício;       
III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código.      
§ 1º - A condenação anterior a pena de multa não impede a concessão do benefício.        
§ 2° A execução da pena privativa de liberdade, não superior a quatro anos, poderá ser 
suspensa, por quatro a seis anos, desde que o condenado seja maior de setenta anos de idade, 
ou razões de saúde justifiquem a suspensão.   
Art. 78 - Durante o prazo da suspensão, o condenado ficará sujeito à observação e ao 
cumprimento das condições estabelecidas pelo juiz.  
§ 1º - No primeiro ano do prazo, deverá o condenado prestar serviços à comunidade (art. 46) ou 
submeter-se à limitação de fim de semana (art. 48).  
§ 2° Se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as 
circunstâncias do art. 59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá 
substituir a exigência do parágrafo anterior pelas seguintes condições, aplicadas 
cumulativamente:  
a) proibição de freqüentar determinados lugares; 
b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz;  
c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas 
atividades.   
Art. 79 - A sentença poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, 
desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do condenado.   
Art. 80 - A suspensão não se estende às penas restritivas de direitos nem à multa.   
Revogação obrigatória 
Art. 81 - A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário:  
I - é condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso;  
II - frustra, embora solvente, a execução de pena de multa ou não efetua, sem motivo 
justificado, a reparação do dano;  
III - descumpre a condição do § 1º do art. 78 deste Código.  
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12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 56/79
Revogação facultativa 
§ 1º - A suspensão poderá ser revogada se o condenado descumpre qualquer outra condição 
imposta ou é irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou por contravenção, a pena 
privativa de liberdade ou restritiva de direitos.   
Prorrogação do período de prova 
§ 2º - Se o beneficiário está sendo processado por outro crime ou contravenção, considera-se 
prorrogado o prazo da suspensão até o julgamento definitivo.   
§ 3º - Quando facultativa a revogação, o juiz pode, ao invés de decretá-la, prorrogar o período 
de prova até o máximo, se este não foi o fixado.  
Cumprimento das condições 
Art. 82 - Expirado o prazo sem que tenha havido revogação, considera-se extinta a pena 
privativa de liberdade.    
A suspensão condicional da pena privativa de liberdade é um direito público subjetivo do réu, 
estando presentes todos os requisitos previstos na norma incriminadora, devendo ser aplicada 
pelo juiz na sentença ficando suspensa a execução da pena imposta, durante um certo prazo, e 
mediante determinadas condições especiais. Os requisitos objetivos e subjetivos para a 
concessão da benesse são: 
Requisitos Gerais 
Pena aplicada  - Tem que ser privativa de liberdade; 
- Não pode ser concedida para penas restritivas de direito; 
- Não pode ser concedido para penas de multa. 
Art. 80 - A suspensão não se estende às penas restritivas de direitos 
nem à multa.    
- Não pode ser superior a três anos. 
Art. 16. Nos crimes previstos nesta Lei, a suspensão condicional da 
pena pode ser aplicada nos casos de condenação a pena privativa de 
liberdade não superior a três anos. 
- Não pode ser substituída por pena restritiva de direito. 
- Só se admite a concessão do sursis quando incabível a substituição da 
pena privativa de liberdade por uma das penas restritivas de direito. Tem 
caráter subsidiário em relação a pena privativa de liberdade. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 57/79
 
 
 
Durante o período de prova (período de cumprimento das condições impostas na sentença), o 
condenado ficará sujeito à observação e ao cumprimento das condições estabelecidas pelo 
Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 
(dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde 
que:    
III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 
deste Código.      
Reincidência 
dolosa 
- Condenado não reincidente em crime doloso. 
Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 
(dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde 
que:    
I - o condenado não seja reincidente em crime doloso;     
Circunstâncias 
Judiciais 
- Que as circunstâncias judiciais previstas nos arts. 59 do CP e 6º, I a III, 
da Lei               n. 9.605/98 sejam favoráveis ao agente. 
Art.77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 
(dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde 
que:    
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e 
personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias 
autorizem a concessão do benefício;      
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 58/79
juiz                                (art. 78, do CP). Nos termos do § 2°, do art. 78, do CP, se o condenado houver 
reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do art. 59 do Código 
Penal lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá substituir a exigência do § 1° pelas 
seguintes condições, aplicadas cumulativamente:  
a) proibição de frequentar determinados lugares;  
b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz;   
c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas 
atividades.   
Ressalta-se a necessidade de o condenado reparar o dano para ter direitos às condições 
mais favoráveis, que, para os crimes ambientais, esse requisito se torna ainda mais 
peremptório por força do art. 17 da Lei de Crimes Ambientais. Vejamos o normativo:  
Art. 17. A verificação da reparação a que se refere o § 2º do art. 78 do Código Penal será feita 
mediante laudo de reparação do dano ambiental, e as condições a serem impostas pelo juiz 
deverão relacionar-se com a proteção ao meio ambiente. 
Nesse sentido, observamos que a comprovação da reparação do dano ambiental deverá ser 
efetivada pelo laudo de reparação ambiental elaborado pelo órgão ambiental competente na 
área do dano. No caso de impossibilidade de reparação, deverá o laudo indicar tal situação. 
Ademais disso, o normativo do art. 17 exige que o juiz imponha condições que deverão estar 
relacionadas com a proteção do meio ambiente.  
Frise-se que a reparação do dano é condição obrigatória (salvo impossibilidade de fazê-lo), 
caso não haja seu cumprimento, deve ser revogado o sursis concedido retomando a 
necessidade de cumprimento da pena privativa de liberdade. 
A perícia de constatação do dano ambiental, sempre que possível, fixará o montante do 
prejuízo causado para efeitos de prestação de fiança e cálculo de multa. A perícia produzida 
no inquérito civil ou no juízo cível poderá ser aproveitada no processo penal, instaurando-se o 
contraditório, caracterizando o fenômeno processual da prova emprestada. 
Quanto à sentença penal condenatória, nos termos do art. 20, da Lei de Crimes Ambientais, 
sempre que possível, fixará o valor mínimo para reparação dos danos causados pela 
infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido ou pelo meio ambiente, sendo que a 
execução da sentença, após seu trânsito em julgado, poderá efetuar-se pelo valor fixado, sem 
prejuízo da liquidação para apuração do dano efetivamente sofrido. 
Cumpre assinalar, por fim, que na impossibilidade de fixação da extensão do dano na sentença 
penal na medida exata da degradação causada, será efetivada a liquidação no juízo civil para 
complementação do que não quantificado no juízo criminal. 
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12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 59/79
Apreensão do Produto e do Instrumento de Infração Administrativa ou
do Crime
Questão 2018 | 1410419032
Nos termos do art. 25, da Lei de Crimes Ambientais, verificada a infração, serão apreendidos 
seus produtos e instrumentos, lavrando-se os respectivos autos. A Lei 9.605/98, com redação 
dada pela Lei 13.052/2014, dando destinação específica para cada tipo de produto apreendido. 
Nesse sentido, no caso de apreensão de animais, eles serão prioritariamente libertados em seu 
habitat ou, sendo tal medida inviável ou não recomendável por questões sanitárias, entregues a 
jardins zoológicos, fundações ou entidades assemelhadas, para guarda e cuidados sob a 
responsabilidade de técnicos habilitados, devendo o órgão ambiental autuante zelar para que 
eles sejam mantidos em condições adequadas de acondicionamento e transporte que garantam 
o seu bem-estar físico.         
Havendo apreensão de produtos perecíveis ou madeiras, serão estes avaliados e doados a 
instituições científicas, hospitalares, penais e outras com fins beneficentes. Tratando-se de 
produtos e subprodutos da fauna não perecíveis serão destruídos ou doados a instituições 
científicas, culturais ou educacionais.        
Os instrumentos utilizados na prática da infração, como motosserra, veículos, petrechos, armas 
de fogo, serão vendidos, garantida a sua descaracterização por meio da reciclagem.      
Cumpre advertir que a medida de apreensão dos bens utilizados para a prática de ilícito 
ambiental não precisa aguardar a condenação do réu, conforme regra geral prevista no art. 91 
do Código Penal, como efeito secundário da condenação. A norma do art. 25, da Lei de Crimes 
Ambientais, determina que os produtos e instrumentos do ilícito serão apreendidos tão logo 
verificada a infração com destinação específica fixada nos parágrafos do referido normativo. 
Acrescente a isso a particularidade de confisco de instrumento do crime mesmo para objetos 
considerados lícitos, desde que utilizados frequentemente para a prática de ilícitos ao meio 
ambiente, regra mais ampliativa que aquela prevista no art. 91, II, “a” do Código Penal, que 
admite o confisco apenas de objetos ilícitos. Assim, independente da natureza do objeto 
utilizado na prática do crime, lícito ou ilícito, poderá ser determinado seu confisco em crimes 
ambientais,   
Corroborando esse entendimento, o parágrafo único do art. 102, do Decreto 6.514/2008, 
incluído pelo Decreto 9.760/2019, determina que a apreensão de produtos, subprodutos, 
instrumentos, petrechos e veículos de qualquer natureza independe de sua fabricação ou 
utilização exclusiva para a prática de atividades ilícitas. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 60/79
A Lei de Crimes Ambientais, Lei Federal nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que
regulamenta as sansões penais e administrativas de condutas e atividades lesivas ao
meio, determina que:
A)
s produtos e subprodutos da fauna não perecíveis serão destruídos ou doados a
instituições cientí�cas, culturais ou educacionais.
B)
 o abate de animal constitui crime, quando realizado por ser o animal nocivo, assim
caracterizado pelo órgão competente.
C)
o agente ter cometido a infração à noite é circunstância que atenua a pena, quando o
fato não constitui ou quali�ca o crime.
D)
a responsabilidade das pessoas jurídicas exclui a das pessoas físicas, autoras, coautoras
ou partícipes do mesmo fato.
Solução
Gabarito: A)
s produtos e subprodutos da fauna não perecíveis serão destruídos ou doados
a instituições cientí�cas, culturais ou educacionais.
A questão exigiu conhecimento da Lei 9615/98, que dispõe sobre as sanções penais e
administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras
providências.
Importante transcrever as disposições gerais contidas na lei, senão vejamos:
Art. 2º Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei,
incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o
diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o
preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de
outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la.
Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente
conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de
seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou
benefício da sua entidade.
Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas
físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo fato.
Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempreque sua personalidade for
obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.
A letra A está correta. CORRETA.
A questão exigiu conhecimento do art. 25, §4º, da Lei 9615/98.
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 61/79
Consoante dispõe o art. 25, §4º, da Lei 9615/98:
Art. 25. Veri�cada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos, lavrando-se
os respectivos autos.
§ 4° Os produtos e subprodutos da fauna não perecíveis serão destruídos ou doados a
instituições cientí�cas, culturais ou educacionais.
A letra B está incorreta. ERRADA.
A questão exigiu conhecimento do art. 37, da Lei 9615/98.
Consoante dispõe o art. 37, da Lei 9615/98:
Art. 37. Não é crime o abate de animal, quando realizado:
I - em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família;
II - para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou destruidora de
animais, desde que legal e expressamente autorizado pela autoridade competente;
IV - por ser nocivo o animal, desde que assim caracterizado pelo órgão competente.
A letra C está incorreta.
ERRADA.
A questão exigiu conhecimento do art. 15, da Lei 9615/98.
Consoante dispõe o art. 15, da Lei 9615/98:
Art. 15. São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou quali�cam o
crime:
I - reincidência nos crimes de natureza ambiental;
II - ter o agente cometido a infração:
a) para obter vantagem pecuniária;
b) coagindo outrem para a execução material da infração;
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 62/79
c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente;
d) concorrendo para danos à propriedade alheia;
e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder
Público, a regime especial de uso;
f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos;
g) em período de defeso à fauna;
h) em domingos ou feriados;
i) à noite;
j) em épocas de seca ou inundações;
l) no interior do espaço territorial especialmente protegido;
m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais;
n) mediante fraude ou abuso de con�ança;
o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental;
p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou
bene�ciada por incentivos �scais;
q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios o�ciais das autoridades
competentes;
r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções.
Desse modo, o agente ter cometido a infração à noite é circunstância agravante da pena,
quando o fato não constitui ou quali�ca o crime.
A letra D está incorreta.
ERRADA.
A questão exigiu conhecimento do art. 3º, parágrafo único, da Lei 9615/98.
Consoante dispõe o art. 3º, parágrafo único, da Lei 9615/98:
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 63/79
Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente
conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de
seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício
da sua entidade.
Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas
físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo fato.
Ação e Processo Penal
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Competência para Julgamento da Ação Penal   
A competência para processar e julgar os crimes ambientais não veio prevista expressamente 
na Constituição Federal de 1988. Melhor dizendo, em relação a matéria “crimes contra o meio 
ambiente” o constituinte, como regra, não fixou um juízo competente para conhecer dessa 
temática. Assim, a competência para processamento e julgamento dos crimes perpetrados 
contra o meio ambiente segue a regra dos demais crimes, cabendo à justiça estadual comum 
essa atribuição, em face de sua competência residual. 
Será competente a justiça federal comum para o processamento dos crimes contra o meio 
ambiente somente se ficar configurada algumas das hipóteses previstas no art. 109, da CF/88, 
que possam ter alguma relação com o direito ambiental, mais precisamente nos incisos, IV, V, 
VI, VII, VIII, IX e XI. 
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: 
IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou 
interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as 
contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral; 
V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução 
no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; 
VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o 
sistema financeiro e a ordem econômico-financeira; 
VII - os habeas corpus, em matéria criminal de sua competência ou quando o 
constrangimento provier de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra 
jurisdição; 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 64/79
VIII - os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade federal, 
excetuados os casos de competência dos tribunais federais; 
IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da 
Justiça Militar; 
XI - a disputa sobre direitos indígenas. 
A competência da Justiça Federal, portanto, aplica-se aos crimes ambientais que também se 
enquadrem nas hipóteses previstas na Constituição, a saber: (a) a conduta atentar contra bens, 
serviços ou interesses diretos e específicos da União ou de suas entidades autárquicas; (b) os 
delitos, previstos tanto no direito interno quanto em tratado ou convenção internacional, 
tiverem iniciada a execução no país, mas o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no 
estrangeiro - ou na hipótese inversa; (c) tiverem sido cometidos a bordo de navios ou 
aeronaves; (d) houver grave violação de direitos humanos; ou ainda (e) guardarem conexão ou 
continência com outro crime de competência federal; ressalvada a competência da Justiça 
Militar e da Justiça Eleitoral, conforme previsão expressa da Constituição. 
Exemplo interessante seria o seguinte: A Lei 9.605/98 prevê expressamente, em seu art. 40, o 
crime de causar dano direto ou indireto às unidades de conservação independentemente de 
sua localização. Se o crime for cometido em unidade de conservação estadual, a competência 
para processamento e julgamento será da Justiça Estadual Comum. Por outro lado, se o dano 
for causado à unidade de conservação Federal, caberá a Justiça Federal Comum processar e 
julgar a referida demanda, nos termos do art. 109, IV, da CF/88. 
Nessa linha, não incidindo nenhum dos casos do art. 109 da Constituição Federal, o 
processamento e julgamento dos crimes ambientais compete a Justiça Estadual Comum como 
regra. Vejamos a Jurisprudência sobre o tema: 
AGRAVO REGIMENTAL NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. PARCELAMENTO IRREGULAR 
DE SOLO URBANO E DANO AMBIENTAL EM UNIDADE DE CONSERVAÇÃO INSTITUÍDA 
POR DECRETO FEDERAL. LEI FEDERAL POSTERIOR DELEGANDO A ADMINISTRAÇÃO E 
FISCALIZAÇÃO DA ÁREA PARA O DISTRITO FEDERAL. AUSÊNCIA DE INTERESSE DIRETO 
DA UNIÃO EVIDENCIADO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS 
TERRITÓRIOS. INSURGÊNCIA DESPROVIDA. 
1. A jurisprudência deste Sodalício é assente no sentido da competência da Justiça Federal 
para o julgamento de crimes ambientais ocorridos em área abrangida por unidade de 
conservação instituída por meio de ato normativo federal, já que, nesse caso, fica 
evidenciado o interesse da União na manutenção e na preservação da região, conforme a 
dicção do art. 109, inciso IV, da Constituição Federal. 
2. Na hipótese, embora os delitos tenham supostamente ocorrido em unidade de conservação 
criada por decreto presidencial,a Lei Federal n. 9.262/1992 transferiu ao Distrito Federal a 
administração e a fiscalização da Área de Proteção Ambiental da Bacia dos Rios São 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 65/79
Bartolomeu e Descoberto, o que denota a ausência de interesse direto da União na 
preservação do local, de modo que deve ser mantida a competência da Justiça do Distrito 
Federal e dos Territórios. 
3. "No caso, embora o local do dano ambiental esteja inserido na Área de Proteção Ambiental 
da Bacia do Rio São Bartolomeu, criada pelo Decreto Federal n. 88.940/1993, não há falar em 
interesse da União no crime ambiental sob apuração, já que lei federal subsequente 
delegou a fiscalização e administração da APA para o Distrito Federal (art. 1º da Lei n. 
9.262/1996)" (CC 158.747/DF, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, TERCEIRA SEÇÃO, 
julgado em 13/06/2018, DJe 19/06/2018). 
4. Agravo regimental desprovido. 
(AgInt no CC 163.409/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 
28/08/2019, DJe 06/09/2019) 
AGRAVO REGIMENTAL NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. CRIME AMBIENTAL. PESCA 
COM USO DE MOLINETE EM LOCAL PROIBIDO EM RIO QUE BANHA MAIS DE UM ESTADO 
DA FEDERAÇÃO. AUSÊNCIA DE OFENSA A BENS, SERVIÇOS OU INTERESSES DA UNIÃO. 
PREJUÍZO LOCAL. COMPETÊNCIA DO JUÍZO ESTADUAL. 
I - Os crimes ambientais, embora praticados em face de bem comum e de grande relevância, 
que atinge direitos intergeracionais, não atraem, por si só, a competência da União para 
processamento e julgamento. 
II - No caso em análise, em razão da ausência de apreensão de pescado, bem como pelos 
materiais apreendidos, que não teriam potencial de ferir os interesses da União, limitando-se 
ao interesse do local da apreensão, não se vislumbra qualquer interesse da União a ponto 
de o feito ser decidido pela Justiça Federal. 
Agravo Regimental desprovido. 
(AgRg no CC 168.657/MG, Rel. Ministro LEOPOLDO DE ARRUDA RAPOSO 
(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/PE), TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 27/11/2019, 
DJe 03/12/2019) 
Cumpre assinalar ainda que compete a Justiça Federal processar e julgar os crimes ambientais 
de caráter transnacional que envolva animais silvestres, ameaçados de extinção e espécimes 
exóticas ou protegidas por Tratados e Convenções Internacionais, por força da previsão 
normativa do              art. 109, V, da CF/88. 
Segue abaixo um quadro resumo dos principais crimes ambientais e a competência para 
processamento e julgamento: 
Crimes  Competência  Comentários Gerais 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 66/79
Crimes contra a 
fauna 
Justiça Estadual 
(Regra) 
 
Súmula 91 do STJ: Compete à Justiça Federal 
processar e julgar os crimes praticados contra 
a fauna. Foi cancelada. 
Será da Justiça Federal se atingir interesses da 
União, como no caso de crimes cometidos 
contra a fauna em unidades de conservação 
federal. 
Crimes ambientais 
verificados em auto 
de infração lavrado 
por uma autarquia 
federal 
(IBAMA ou ICMBio) 
Justiça Federal 
(Regra) 
 
Há necessidade 
de se verificar as 
hipóteses do       
art. 109 da CF/88. 
 
 
- Deve-se perquirir no caso concreto se a 
lavratura do auto de infração atingiu interesse 
da União (art. 109 da CF/88). 
- A atribuição das autarquias ambientais de 
fiscalizar a preservação do meio ambiente 
também não atrai, por si só, a competência da 
Justiça Federal, para processamento e 
julgamento de ação penal referente a delitos 
ambientais, em face da competência 
constitucional material comum de todos os 
entes federados em fiscalizar as atividades que 
possam causar danos ao meio ambiente. 
Crimes ambientais 
praticados em rio 
interestadual 
Justiça Federal 
(Regra) 
(Exige reflexos 
em âmbito 
regional ou 
nacional) 
 
- Os rios interestaduais são bens da União (art. 
20, III, da CF/88). Isso atrai, como regra, a 
competência da Justiça Federal em matéria 
criminal (art. 109, IV, da CF/88). 
- Mas a competência será da Justiça Estadual 
se não houver a possibilidade da ocorrência de 
reflexos atentatórios ao meio ambiente em 
âmbito regional ou nacional.  
Crimes ambientais 
praticados em 
terreno de marinha e 
mar territorial. 
Justiça Federal  - Os terrenos de marinha e o mar territorial 
são bens da União por força do art. 20, VI e VII, 
da CF/88. Há interesse direto e específico da 
União. 
- Mesmo que ainda não tenha havido 
demarcação oficial do terreno de marinha, o 
crime estará adstrito à Justiça Federal.  
 
Crimes cometidos 
dentro ou no entorno 
Justiça Federal  - Há interesse direto e específico da União. 
Cabe ao ICMBio a fiscalização e gestão das 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 67/79
de unidade de 
conservação federal. 
unidades de conservação federal. 
 
Crime de extração 
ilegal de recursos 
minerais 
Justiça Federal  - Os recursos minerais são bens de 
propriedade da União (art. 20, IX, da CF/88) 
fato que atrai o art. 109, IV, da CF/88. 
- A extração ilegal de recursos minerais é 
considerada um crime ambiental previsto no 
art. 55 da Lei nº 9.605/98 e não um crime 
contra o patrimônio da União. 
- Não importa o local da extração irregular. 
Pode ser inclusive em propriedade privada. 
 
Crime praticado 
contra áreas 
ambientais 
classificadas como 
patrimônio nacional 
Justiça Estadual  - São patrimônio nacional: a Floresta 
Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra 
do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona 
Costeira (art. 225, §4º, da CF/88). 
- O termo “patrimônio nacional” não significa 
que aqueles biomas foram reconhecidos como 
patrimônio da União de forma a atrair a 
competência da Justiça Federal. 
- Não há de se confundir patrimônio nacional 
com bem da União. 
 
Crimes contra 
animais silvestres, em 
extinção, exóticos ou 
protegidos por 
compromissos 
internacionais. 
Justiça Federal  - O STF decidiu que compete à Justiça 
Federal processar e julgar o crime ambiental 
de caráter transnacional que envolva animais 
silvestres, ameaçados de extinção e espécimes 
exóticas ou protegidas por compromissos 
internacionais assumidos pelo Brasil. 
- São dois requisitos para atrai a competência 
da Justiça Federal:  
- Bem Jurídico lesado: animais silvestres, em 
extinção, exóticos ou protegidos por tratados 
internacionais; 
- Caráter transnacional (art. 109, V, da CF/88). 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 68/79
Ação Penal nos Crimes Ambientais 
A ação penal é o direito de exigir do Estado a aplicação do Direito Penal objetivo em face do 
indivíduo envolvido em um fato tipificado em lei como infração penal. 
O instituto da Ação Penal foi disciplinado nos arts. 100 a 106 do Código Penal trazendo as 
principais características do instituto jurídico.  
A ação penal pode ser classificada, quanto ao seu aspecto subjetivo, em ação penal pública e 
ação penal privada. Vejamos o art. 100, do Código Penal. 
Art. 100 - A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do 
ofendido.   
Essa classificação remonta à atribuição da titularidade da ação penal. Se pública, cabe ao 
Ministério Público seu manejo; se privada, cabe ao ofendido ou seu representante legal sua 
propositura. São as regras estatuídas nos §§ 1º e 2º, do art. 100, do Código Penal: 
§ 1º - A ação pública é promovida pelo Ministério Público, dependendo, quando a lei o exige, 
de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça.   
§ 2º - A ação de iniciativa privada é promovida mediante queixa do ofendido ou de quem tenha 
qualidade para representá-lo.
Cumpre lembrar as duas espécies de ação penal pública. Estas são denominadas de ação penal 
pública incondicionada, utilizada como regra, não necessitando ter expressa determinação na 
norma penal incriminadora, e a ação penal pública condicionada a representação do ofendido 
ou requisição do Ministro da Justiça. 
No plano ambiental, nos termossalvo em caso de comprovada impossibilidade. 
Nesta obra, apresentaremos estudo específico sobre a aplicação da Lei 9.099/95 aos crimes 
ambientais. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 5/79
O Princípio da Insigni�cância e os Crimes Ambientais
O princípio da insignificância também denominado de princípio da bagatela deve ser 
aplicado pelo intérprete todas as vezes que a conduta perpetrada pelo agente não chegar 
a provocar ofensa relevante ao bem jurídico tutelado pela norma penal. Melhor dizendo, a 
conduta não é capaz de lesar ou no mínimo colocar em perigo o bem jurídico tutelado pela 
norma penal. 
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
O princípio da insignificância, no campo da interpretação, pode ser visto como um instrumento 
de interpretação restritiva do tipo penal. 
Assim, a finalidade do princípio é servir de vetor interpretativo objetivando diminuir o alcance 
da norma penal tendo por escopo restringir a qualificação de condutas que se traduzem em 
ínfima lesão ao bem jurídico nele albergado. 
Quanto à natureza jurídica, o princípio da bagatela é causa de exclusão da tipicidade (material) 
levando, por conseguinte, a exclusão do próprio crime.  
Explicando melhor: a maioria da doutrina considera que o crime é formado por três elementos, 
fato típico, ilicitude e culpabilidade (teoria tripartite) e que o fato típico tem como estrutura 
básica a conduta, resultado, nexo causal e tipicidade formal e material. 
A tipicidade, enquanto elemento do fato típico, pode ser formal ou material. A tipicidade formal 
está atrelada a associação entre o fato criminoso e a descrição típica prevista na norma penal 
incriminadora. Ao seu turno, a tipicidade material refere-se a lesão ou perigo de lesão ao bem 
jurídico tutelado. Nesse sentido, a incidência do princípio da insignificância exclui a tipicidade 
material e consequentemente exclui o próprio crime por ausência de fato típico. 
Crime – teoria tripartite 
Fato Típico  Conduta 
Resultado 
Nexo causal 
Tipicidade formal e material 
Ilicitude  Contrariedade entre a conduta e o ordenamento jurídico. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 6/79
O Supremo Tribunal Federal já fixou os critérios que devem ser atendidos no caso concreto 
para aplicação do princípio da insignificância devendo a análise ser feita em conexão com os 
postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Estado em matéria penal 
ambiental. Assim, são quatro vetores interpretativos para a aferição da magnitude da conduta 
perpetrada pelo agente de forma a afastar a tipicidade material da conduta: 
Mínima ofensividade da conduta do agente; 
Nenhuma periculosidade social da ação; 
Reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento; 
Inexpressividade da lesão jurídica provocada. 
Vejamos um julgado do STF como referência quanto à necessidade de existência dos requisitos 
objetivos para configuração da atipicidade material: 
Culpabilidade  Imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta 
diversa. 
Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PENAL E PROCESSUAL PENAL. 
CRIME DE FURTO NA MODALIDADE TENTADA. ARTIGO 155 C/C ARTIGO 14, II, DO 
CÓDIGO PENAL. REITERAÇÃO DELITIVA. INSUSCETIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO 
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. REVOLVIMENTO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. 
INADMISSIBILIDADE NA VIA ELEITA. INEXISTÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. 
AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.  
1. O princípio da insignificância incide quando presentes, cumulativamente, as seguintes 
condições objetivas: (a) mínima ofensividade da conduta do agente, (b) nenhuma 
periculosidade social da ação, (c) grau reduzido de reprovabilidade do comportamento, e 
(d) inexpressividade da lesão jurídica provocada.  
2. O princípio da bagatela é afastado quando comprovada a contumácia na prática delitiva.  
3. In casu, o recorrente foi condenado, pelo juízo natural, à pena de 08 (oito) meses de 
reclusão, em regime inicial semiaberto, pela prática do crime previsto no artigo 155 c/c artigo 
14, II, do Código Penal.  
4. O habeas corpus é ação inadequada para a valoração e exame minucioso do acervo fático 
probatório engendrado nos autos.  
5. O habeas corpus não pode ser manejado como sucedâneo de recurso ou revisão criminal.  
(HC 171536 AgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 23/08/2019, 
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-191 DIVULG 02-09-2019 PUBLIC 03-09-2019)  
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 7/79
A Responsabilidade da Pessoa Física e da Jurídica em Crimes
Ambientais
Mas devemos atentar para o fato de não ser a regra geral, tendo em vista que alguns crimes 
ambientais tutelam bens jurídicos específicos que não admitem a aplicação da norma 
limitadora, por faltar um dos critérios objetivos fixados pela Suprema Corte, como no caso dos 
crimes ambientais contra a Administração Ambiental (arts. 66 a 69-A, da Lei 9.605/98), 
considerando que o bem jurídico tutelado é a moralidade administrativa ambiental.  
Ementa: PENAL. HABEAS CORPUS. PACIENTE CONDENADO PELO CRIME PREVISTO NO 
ART. 34 DA LEI 9.605/1998 (LEI DE CRIMES AMBIENTAIS). PRINCÍPIO DA 
INSIGNIFICÂNCIA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. REPROVABILIDADE DA CONDUTA DO 
AGENTE. REITERAÇÃO DELITIVA. ORDEM DENEGADA.  
I - Nos termos da jurisprudência deste Tribunal, a aplicação do princípio da insignificância, de 
modo a tornar a ação atípica exige a satisfação de certos requisitos, de forma 
concomitante: a conduta minimamente ofensiva, a ausência de periculosidade social da 
ação, o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a lesão jurídica 
inexpressiva. 
  II – A quantidade de peixes apreendida em poder do paciente no momento em que foi 
detido, fruto da pesca realizada em local proibido e por meio da utilização de aparelhos, 
petrechos, técnicas e métodos não permitidos, como no caso dos autos, lesou o meio 
ambiente, colocando em risco o direito constitucional ao meio ambiente ecologicamente 
equilibrado, o que impede o reconhecimento da atipicidade da conduta.  
III - Ademais, os autos dão conta da existência de registros criminais pretéritos, bem como 
de relatos de que o paciente foi surpreendido por diversas vezes pescando ou tentando 
pescar em área proibida, a demonstrar a reiteração delitiva do paciente.  
IV - Os fatos narrados demonstram a necessidade da tutela penal em função da maior 
reprovabilidade da conduta do agente. Impossibilidade da aplicação do princípio da 
insignificância. Precedentes.  
V – Ordem denegada. 
 
(HC 135404, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em 
07/02/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-169 DIVULG 01-08-2017 PUBLIC 02-08-2017)  
Responsabilidade Criminal da Pessoa Física “administrador” da Pessoa Jurídica. Crimes 
Societários 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 8/79
Será imputado um crime ambiental a todo aquele que de qualquer forma, concorre para a 
prática dos crimes ambientais previstos na Lei 9.605/98 na medida da sua culpabilidade, 
respondendo também o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o 
auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta 
criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la. 
Essa previsão da responsabilização veio expressa no art.2º, da Lei de Crimes Ambientais, 
Vejamos: 
Art. 2º Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei, 
incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o 
administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou 
mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de 
impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la. 
Aqui temos duas normas que já tem previsão expressa no Código Penal. A primeirado art. 26, da Lei de Crimes Ambientais, a ação penal é 
pública incondicionada para todos os crimes definidos no referido diploma normativo. Nesse 
sentido, como não poderia deixar de ser diferente, em face do interesse público subjacente na 
defesa do meio ambiente e da coletividade, a titularidade da propositura da ação penal é 
atribuída ao Ministério Público, seja ele federal ou estadual, no âmbito de suas atribuições, sem 
necessidade de se perquirir sobre qualquer condição de procedibilidade para o início da 
persecução penal. 
Não se pode olvidar também a possibilidade de propositura da ação penal privada subsidiária 
da pública, no caso de inércia do titular da ação, sendo perfeitamente aplicável aos crimes 
ambientais. Essa regra está prevista expressamente no art. 100, § 3º, do Código Penal, onde se 
define que a ação de iniciativa privada pode ser intentada nos crimes de ação pública, se o 
Ministério Público não oferece denúncia no prazo legal. Essa possibilidade tem foro 
constitucional, nos termos do art. 5º, LIX, da CF/88, que considera direito fundamental da 
pessoa humana a possibilidade de manejo da ação privada nos crimes de ação pública, se esta 
não for intentada no prazo legal. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 69/79
Terá o ofendido ou seu representante legal o prazo de 6 meses, contados de o termo final do 
prazo para órgão ministerial oferecer a denúncia, para o oferecimento da queixa subsidiária. 
Advirto que o Ministério Público, nos termos do art. 29, do Código de Processo Penal, poderá 
aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do 
processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de 
negligência do querelante, retomar a ação como parte principal. 
Não devemos esquecer que só é admitida o manejo da ação substitutiva se efetivamente e 
concretamente ficar comprovada a inércia do Ministério Público, isto é, quando este já estiver 
de posse de todos os elementos de prova necessários ao início da persecução penal, 
permanece inerte no que tange ao seu dever institucional fundamental previsto no art. 109, I, da 
CF/88. 
Transação Penal em Crimes Ambientais  
A Transação Penal é um instituo despenalizador previsto no art. 98, I, da Constituição Federal 
que permite sua aplicação para as infrações penais de menor potencial ofensivo. Esse 
normativo foi regulado pelo art. 76, caput, da Lei 9.099/95. Vejamos: 
Constituição Federal 
Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão: 
I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a 
conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações 
penais de menor potencial ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, 
permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a transação e o julgamento de recursos por turmas 
de juízes de primeiro grau; 
Lei 9.099/95 
Art. 76. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, 
não sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de 
pena restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na proposta. 
A transação penal é uma nítida mitigação ao princípio da obrigatoriedade da ação penal nos 
crimes de ação penal pública, tendo em vista que evita a instauração da persecução penal. A 
natureza jurídica da transação penal é de um “acordo” que será elaborado entre o titular da 
ação penal e o infrator com objetivo de se chegar a uma composição, tendo como pano de 
fundo evitar que contra este seja instaurada uma ação penal. 
A proposta de transação penal a ser oferecida pelo titular da ação penal exige para sua 
configuração o reconhecimento de requisitos objetivos e subjetivos específicos previsto no 
§2º, do art. 76, da Lei 9.099/95. Nesse sentido, temos como requisitos objetivos não ter sido o 
autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena privativa de liberdade, por sentença 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 70/79
definitiva, bem como não ter sido beneficiado anteriormente pela aplicação de pena restritiva 
de direitos ou multa, no prazo de cinco anos. Como requisito subjetivo há os antecedentes, a 
conduta social e a personalidade do agente, como também os motivos e as circunstâncias, não 
indicarem ser necessária e suficiente a adoção da medida. 
A transação penal incide nas infrações penais de menor potencial ofensivo, sendo 
considerados, nos termos do art. 61, da Lei 9.099/95, as contravenções penais (todas) e os 
crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com 
multa. 
Preenchido os requisitos para propositura da transação penal, é direito público subjetivo do 
infrator o oferecimento da benesse, cabendo ao titular da ação penal oferecer a transação 
penal. Em caso de o Ministério Público entender que não é caso de transação penal (por falta 
de algum requisito) e o juiz discordar, caberá a aplicação, por analogia, do art. 28, do Código de 
Processo Penal, encaminhando o processo ao Procurador Geral do Ministério Público para 
análise. 
Há divergência na doutrina no caso de a ação penal ser privada, entendo a maioria que não 
se trata de direito público subjetivo do infrator a propositura da transação pelo querelante, 
pois seria uma mácula ao direito de ação do particular previsto na CF/88. 
A transação penal foi prevista expressamente no art. 27, da Lei 9.605/98, estatuindo que nos 
crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de aplicação imediata de pena 
restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei nº 9.099/95, somente poderá ser 
formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, de que trata o art. 
74 da mesma lei, salvo em caso de comprovada impossibilidade. 
O referido normativo, previu a possibilidade de aplicação do instituto despenalizador aos crimes 
ambientais e, ao mesmo tempo, exigiu, como requisito específico para concessão da benesse, 
a necessidade de o infrator ter realizado a composição do dano ambiental, ressalvado a 
impossibilidade de fazê-lo. Nesse sentido, a norma não exige que o dano ambiental seja 
reparado antes mesmo do oferecimento da transação, mas que haja entre as partes a prévia 
composição do dano, podendo, em muitos casos, ocorrer pela assinatura de um Termo de 
Ajustamento de Conduta – TAC, que tem natureza de título executivo extrajudicial, nos 
termos do §6º, do art. 5º, da Lei 7.347/85. Assim, diferentemente da Lei 9.099/95, a 
composição civil (compromisso formal de reparar) é requisito obrigatório para a transação 
penal nos crimes ambientais, nos termos do art. 21. 
Se o infrator aceitar a proposta de transação penal regularmente homologada pelo juiz e 
descumprir o acordo, não cumprindo as cláusulas avençadas, aplica-se o enunciado da Súmula 
Vinculante n. 35, em que a homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 
9.099/1995 não faz coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a 
situação anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da persecução penal 
mediante oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito policial. Assim, o Ministério 
Público poderá executar o acordo efetivado obrigando o infrator ao cumprimento dos termos 
ajustados (TAC). 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 71/79
Não se pode olvidar que acolhendo a proposta do Ministério Público aceita pelo autor da 
infração, o Juiz aplicará a pena restritiva de direitos ou multa, que não importará em 
reincidência, sendo registrada apenas para impedir novamente o mesmo benefício no prazo de 
cinco anos, não podendo constar de certidão de antecedentes criminais, e não terá efeitos 
civis, cabendo aos interessados propor ação cabível no juízo cível para fins de fixação do 
quantum. 
Por fim, destacamosque apenas os crimes ambientais de menor potencial ofensivo podem ser 
objeto de transação penal, não podendo a pena máxima em abstrato ser superior a dois anos. 
Somente alguns crimes previstos na Lei 9.605/98 serão objeto de transação. A título de 
exemplo, é o caso do crime de causar poluição na modalidade culposa prevista no §1º, do art. 
54, da Lei 9.605/98, que tem como preceito secundário pena de detenção de se seis meses a 
um ano e multa. Por outro lado, a benesse não poderá ser concedida no caso do crime de 
pescar em período no qual a pesca seja proibida, previsto no art. 34, do mesmo diploma, 
apresentando pena de detenção de um ano a três anos, ultrapassando a pena máxima de 2 
(dois) anos fixada no art. 61 da Lei 9.099/95. 
Suspensão Condicional do Processo em Crimes Ambientais  
A suspensão condicional do processo (sursis processual) é mais um dos institutos 
despenalizadores previstos na Lei 9.099/95. O art. 89 previu que para os crimes em que a 
pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o 
Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois 
a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido 
condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão 
condicional da pena, prevista no art. 77 do Código Penal. 
Para concessão da benesse, o legislador não levou em consideração o quantum da pena 
máxima em abstrato fixado no preceito secundário da norma penal incriminadora com na 
transação penal, mas sim seu mínimo legal que deve ser igual ou inferior a 1 ano. Assim, a 
suspensão condicional do processo poderá abarcar tanto os crimes de menor potencial 
ofensivo, como crimes de médio potencial ofensivo, podendo a pena máxima em abstrato 
ultrapassar o limite de dois anos previsto no art. 61 da Lei 9.099/95.  
Não se pode olvidar que para os crimes em que se reconhece a forma tentada a pena poderá 
ser reduzida de um terço a dois terço, nos termos do art. 14, II, do Código Penal, podendo ser 
aplicada a redução máxima (2/3) para fins de análise para a concessão da benesse. Assim, 
matematicamente falando, os crimes que tenham pena mínima de até 3 anos, se forem 
praticados na forma tentada, admitirão a suspensão condicional do processo considerando que 
dois terços de três anos correspondem a 1 ano, requisito objetivo para concessão do benefício 
ao acusado. É o caso do crime ambiental, previsto no art. 41, da Lei de Crimes Ambientais, que 
previu a conduta típica de provocar incêndio em mata ou floresta, cuja pena é de reclusão de 
dois a quatro anos, e multa. Sendo caracteriza a tentativa, o mínimo culminado passa a ter uma 
redução de 2/3 de 02 anos (o que equivale a 1/3 de 02 anos), resultando em 8 meses, sendo 
perfeitamente possível a concessão da benesse se preenchidos os demais requisitos. 
Nos termos do art. 89, § 1º, da Lei 9.099/95, aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na 
presença do juiz, este, recebendo a denúncia, poderá suspender o processo, submetendo o 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 72/79
acusado a período de prova, sob condições específicas, quais sejam: reparação do dano, salvo 
impossibilidade de fazê-lo; proibição de frequentar determinados lugares; proibição de ausentar-
se da comarca onde reside, sem autorização do Juiz, comparecimento pessoal e obrigatório a 
juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades. Essas condições não são 
taxativas, podendo o magistrado fixar outras a que fica subordinada a suspensão, desde que 
adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado, nos termos do §2º, do referido normativo. 
O período de prova é de 2 a 4 anos a ser fixado na audiência admonitória, e, após cumprida 
as condições nela imposta, e expirando o prazo sem revogação da benesse, o juiz declarará 
extinta a punibilidade. Não há sentença condenatória ou absolutória no processo. 
O art. 89, em seus §§ 3º e 4º, previu a possibilidade de revogação obrigatória da suspensão 
condicional do processo, durante o período de prova, se o beneficiário vier a ser processado 
por outro crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano. Há também a 
hipótese de revogação facultativa da suspensão condicional do processo, quanto, dentro do 
período de suspensão, o acusado vier a ser processado por contravenção, ou descumprir 
qualquer outra condição imposta. 
Por fim, cumpre assinalar que a suspensão condicional do processo não gera maus 
antecedentes ou mesmo serve como fato indicativo de reincidência, tendo em vista que o 
processo fica suspenso durante o período de prova aguardando o cumprimento das obrigações, 
para fins de extinção da punibilidade, não correndo a prescrição durante o prazo de suspensão 
do processo. 
No âmbito do Direito Ambiental, a Lei 9.605/98 previu expressamente a possibilidade de 
aplicação da suspensão condicional do processo aos crimes ambientais. Nessa linha, o art. 
28, determina que as disposições do art. 89 da Lei nº 9.099/95, aplicam-se aos crimes de 
menor potencial ofensivo definidos na Lei 9.605/98, com modificações específicas previstas 
nos seus incisos. Vejamos o normativo: 
Art. 28. As disposições do art. 89 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, aplicam-se aos 
crimes de menor potencial ofensivo definidos nesta Lei, com as seguintes modificações: 
I - a declaração de extinção de punibilidade, de que trata o § 5° do artigo referido no caput, 
dependerá de laudo de constatação de reparação do dano ambiental, ressalvada a 
impossibilidade prevista no inciso I do § 1° do mesmo artigo; 
II - na hipótese de o laudo de constatação comprovar não ter sido completa a reparação, o 
prazo de suspensão do processo será prorrogado, até o período máximo previsto no artigo 
referido no caput, acrescido de mais um ano, com suspensão do prazo da prescrição; 
III - no período de prorrogação, não se aplicarão as condições dos incisos II, III e IV do § 1° do 
artigo mencionado no caput; 
IV - findo o prazo de prorrogação, proceder-se-á à lavratura de novo laudo de constatação de 
reparação do dano ambiental, podendo, conforme seu resultado, ser novamente prorrogado o 
período de suspensão, até o máximo previsto no inciso II deste artigo, observado o disposto no 
inciso III; 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 73/79
V - esgotado o prazo máximo de prorrogação, a declaração de extinção de punibilidade 
dependerá de laudo de constatação que comprove ter o acusado tomado as providências 
necessárias à reparação integral do dano.
Cumpre assinalar que apesar de o dispositivo afirmar que a suspensão aplica-se aos crimes de 
menor potencial ofensivo previsto na Lei de Crimes Ambientais, também deve a norma ser 
interpretada no sentido de alcançar os crimes que, embora tenham pena  máxima em abstrato 
superior  a dois anos, apresentam pena mínima de até um ano, ou, em sendo maior, possa ser 
beneficiado por alguns dos institutos que funcionem como causa de diminuição de pena ao 
mínimo estabelecido pela norma despenalizador, como ocorre no caso de reconhecimento de 
alguns crimes tentados. Assim, aplica-se também o instituto da suspensão às infrações penais 
que não sejam de menor potencial ofensivo. 
A declaração de extinção da punibilidade prevista no §5º, do art. 89, da Lei 9.099/95, só será 
reconhecida no âmbito dos crimes ambientais se comprovado por meio de laudo de 
constatação a efetiva reparação do dano ambiental, ressalvada a impossibilidade de fazê-lo. 
Assim, o laudo de constatação da reparação do dano ambiental, com o fim do período de 
prova, é condição obrigatória para a declaração da extinção da punibilidade, sob pena de 
prorrogação do prazo de suspensão, caso a reparação não tenha sido efetivada em sua 
totalidade. 
Se o laudo de constatação comprovar não ter sido completa a reparação, o prazo de 
suspensão do processo será prorrogado, até o períodomáximo de 4 anos, acrescido de mais 
um ano, com suspensão do prazo da prescrição, não se aplicando as demais condições fixadas 
na normal geral do § 1°, da Lei 9.099/95, referente à proibição de frequentar determinados 
lugares; proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz; bem como 
comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas 
atividades, nos termos do art. 28, II e III, da Lei Ambiental, que só devem ser aplicadas 
durante o período normal de comprimento da suspensão, vedadas durante a prorrogação. 
Decorrido o prazo de prorrogação, proceder-se-á à lavratura de novo laudo de constatação de 
reparação do dano ambiental, podendo, conforme seu resultado, ser novamente prorrogado o 
período de suspensão, até o período máximo de 04 anos, acrescido de mais um ano, com 
suspensão do prazo da prescrição. 
Cumpre destacar alguns posicionamentos jurisprudenciais sobre a aplicação do instituto da 
suspensão condicional do processo que também são aplicáveis aos crimes ambientais. Nesse 
sentido, ressaltamos a possibilidade de revogação da suspensão condicional do processo, 
ainda que expirado o período da suspensão do curso do processo, desde que comprovado que 
houve o descumprimento das condições impostas ou que o beneficiado passou a ser 
processado por outro crime no curso do prazo da suspensão, sendo entendimento do STJ 
assentado no HC 143887/PE. 
Destaque-se também a Súmula 337 do STJ que ventila ser cabível a suspensão condicional 
do processo na desclassificação do crime e na procedência parcial da pretensão punitiva, ou 
mesmo a Súmula 243 do STJ, que fixou a tese de que o benefício da suspensão do processo 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 74/79
Questão 2017 | 62108997
Sobre os crimes ambientais previstos na Lei n° 9.605/1998, é correto a�rmar:
A)
Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de transação penal
sempre poderá ser formulada independentemente da prévia composição do dano
ambiental.
B)
Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de transação penal
somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano
ambiental, salvo em caso de comprovada impossibilidade.
C)
A declaração de extinção de punibilidade pelo cumprimento das condições estabelecidas
na proposta de suspensão condicional do processo independe, sempre, de constatação
de reparação do dano ambiental.
D)
Na hipótese de o laudo de constatação comprovar não ter sido completa a reparação do
dano ambiental, e esgotado o prazo de período de provas previsto na proposta de
suspensão condicional do processo, o citado bene�cio não poderá ser prorrogado, por
ausência de previsão legal, com a consequente declaração de extinção da punibilidade
do agente.
E) Todos os crimes ambientais são de menor potencial ofensivo.
Solução
Gabarito: B)
Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de transação
penal somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia
composição do dano ambiental, salvo em caso de comprovada
impossibilidade.
Trata-se de questão que exige o conhecimento do candidato sobre os crimes ambientais
previstos na Lei n° 9.605/1998. 
Mais especi�camente para a resolução da questão é exigido o conhecimento dos arts. 27
e 28 da Lei nº 9.605/1998 e art. 61 da Lei nº 9.099/1995. 
Boa sorte e bons estudos!
não é aplicável em relação às infrações penais cometidas em concurso material, concurso 
formal ou continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela 
incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 75/79
A letra A está incorreta. ERRADA 
A alternativa está em dissonância com o art. 27 da Lei nº 9.605/1998.
Vejamos a redação do dispositivo legal: 
Art. 27. Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de aplicação
imediata de pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei nº 9.099, de 26 de
setembro de 1995, somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia
composição do dano ambiental, de que trata o art. 74 da mesma lei, salvo em caso de
comprovada impossibilidade.
Portanto, nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de transação penal
somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano
ambiental. 
A letra B está correta. CERTA 
A alternativa está em consonância com o art. 27 da Lei nº 9.605/1998.
Vejamos a redação do dispositivo legal: 
Art. 27. Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de aplicação
imediata de pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei nº 9.099, de 26 de
setembro de 1995, somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia
composição do dano ambiental, de que trata o art. 74 da mesma lei, salvo em caso de
comprovada impossibilidade.
Portanto, nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de transação penal
somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano
ambiental, salvo em caso de comprovada impossibilidade.
A letra C está incorreta. ERRADA 
A alternativa está em dissonância com o art. 28, inciso I, da Lei nº 9.605/1998.
Vejamos a redação do dispositivo legal: 
Art. 28. As disposições do art. 89 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, aplicam-se
aos crimes de menor potencial ofensivo de�nidos nesta Lei, com as seguintes modi�cações:
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 76/79
I - a declaração de extinção de punibilidade, de que trata o § 5° do artigo referido no caput,
dependerá de laudo de constatação de reparação do dano ambiental, ressalvada a
impossibilidade prevista no inciso I do § 1° do mesmo artigo;
Portanto, a declaração de extinção de punibilidade pelo cumprimento das condições
estabelecidas na proposta de suspensão condicional do processo DEPENDE de laudo
constatação de reparação do dano ambiental.
A letra D está incorreta. ERRADA 
A alternativa está em dissonância com o art. 28, inciso II, da Lei nº 9.605/1998.
Vejamos a redação do dispositivo legal: 
Art. 28. As disposições do art. 89 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, aplicam-se
aos crimes de menor potencial ofensivo de�nidos nesta Lei, com as seguintes modi�cações:
II - na hipótese de o laudo de constatação comprovar não ter sido completa a reparação, o
prazo de suspensão do processo será prorrogado, até o período máximo previsto no artigo
referido no caput, acrescido de mais um ano, com suspensão do prazo da prescrição;
Portanto, na hipótese de o laudo de constatação comprovar não ter sido completa a
reparação do dano ambiental, o prazo de suspensão do processo será prorrogado, até o
período máximo previsto no art. 89 da Lei nº 9.099/1995, acrescido de mais um ano, com
suspensão do prazo da prescrição.
A letra E está incorreta. ERRADA 
De acordo com o art. 61 da Lei nº 9.099/1995, os crimes de menor potencial ofensivo são
aqueles em que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não
com multa.
Vejamos a redação do dispositivo legal:
Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta
Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2
(dois) anos, cumulada ou não com multa. (Redação dada pela Lei nº 11.313, de 2006)
Considerando que na Lei nº 9.605/1998 existem crimes com penas máximas superiores a 2
anos, não se pode a�rmar que todos os crimes ambientais são de menor potencial ofensivo.
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 77/79
Por exemplo, temos o crime de provocar incêndio em mata ou �oresta (art. 41 da Lei nº
9.605/1998). Vejamos: 
Art. 41. Provocar incêndio em mata ou �oresta:
Pena - reclusão, de dois a quatro anos, e multa.
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1f1ece373a40
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 79/79parte 
do                        art. 2º, da Lei de Crimes Ambientais traz norma referente ao concurso de pessoas 
já sedimentada no art. 29, do CP. 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, 
na medida de sua culpabilidade.  
§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um 
terço.  
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a 
pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o 
resultado mais grave 
A parte final do art. 2º, da Lei de Crimes Ambientais, ao seu turno, ventila a figura prevista para 
os crimes omissivos impróprios. Nesse caso, só tem importância a omissão para o Direito Penal 
se presente o dever jurídico de agir, configurando a teoria normativa para caracterização do 
crime omissivo impróprio. Mas não se pode olvidar que não basta apenas o dever jurídico de 
agir, mas também a possibilidade real e efetiva de um indivíduo, no caso concreto, evitar o 
resultado. Assim, é fundamental ter o dever e a possibilidade de agir. O art. 13, §2º, do CP 
previu as hipóteses do dever de agir. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 9/79
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe 
deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. 
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o 
resultado. O dever de agir incumbe a quem:(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; 
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;  
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.  
A norma da parte final do art. 2º, da Lei 9.605/98, traz a regra prevista no art. 13, §2º, “a”, do 
CP. É a norma aplicável aos crimes societários (crimes coletivos). Melhor dizendo, será 
responsabilizado penalmente todo aquele que tem uma obrigação legal para com a empresa e 
permanece inerte (omissão) para evitar o resultado, quando possível fazê-lo. É o caso do diretor, 
administrador, membro de conselho e de órgão técnico, auditor, gerente, preposto ou 
mandatário de pessoa jurídica. Há uma relação de obrigação deles para com a pessoa jurídica, 
devendo em relação a esta ter o dever de cuidado, proteção ou vigilância. 
Cumpre assinalar que doutrina majoritária entende que para aplicação da parte final do art. 2º, 
da Lei de Crimes Ambientais, faz-se necessário o preenchimento de certos requisitos, não 
previsto no normativo, sob pena de incidência da teoria da responsabilidade penal objetiva, não 
aplicável ao Direito Penal brasileiro. Isso porque, a mera posição ocupada pelo agente 
(administrador, diretor) da pessoa jurídica não é suficiente para imputação da responsabilidade 
penal. Nesse sentido, entendem que nos crimes societários é fundamental que a ação penal, no 
momento de recebimento da denúncia, apresente um liame entre o agir dos administradores e 
a suposta prática delituosa, sem que seja necessário individualizar pormenorizadamente as 
atuações de cada um deles, o que estabelece a plausibilidade da imputação e possibilita o 
exercício da ampla defesa, cumprindo o contido no artigo 41 do Código Penal. É a denominada 
denúncia geral.  
Assim, não se faz necessária a descrição minuciosa e pormenorizada da conduta de cada 
acusado, sendo suficiente que, demonstrado o vínculo dos indiciados com a sociedade 
comercial, narre as condutas delituosas de forma a possibilitar o exercício da ampla defesa 
de cada um.  
O que a doutrina e os tribunais superiores têm rechaçado é a denúncia genérica em que os 
indivíduos são denunciados pela simples posição que ocupam na empresa (cargo), não 
sendo evidenciado qual foi o envolvimento deles para com o delito perpetrado. Assim, a 
denúncia geral é permitida; a genérica, vedada. 
Vejamos julgados do STF e do STJ sobre o tema: 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 10/79
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIME CONTRA A RELAÇÃO DE CONSUMO. 
TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. INÉPCIA DA DENÚNCIA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO 
DO NEXO CAUSAL ENTRE A CONDUTA E AS AÇÕES DOS RECORRENTES. 
RESPONSABILIDADE PENAL OBJETIVA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. 
RECURSO PROVIDO. 1. Nos chamados crimes societários, ou de autoria coletiva, admite-se a 
chamada denúncia geral, na qual não se verticaliza a conduta de cada um dos imputados. No 
entanto, não se pode a narrativa deixar de lançar luz sobre elementos indiciários que 
demonstrem o nexo causal entre a posição ocupada pelo agente na sociedade empresária e a 
prática delitiva a ele atribuída, permitindo o exercício da garantia constitucional da ampla 
defesa. 2. Neste caso, a inicial acusatória apenas informa que o produto impróprio foi 
comercializado no estabelecimento do qual os recorrentes são sócios proprietários, sem fazer 
qualquer conexão entre eles e a exposição da mercadoria imprópria, destacando somente a 
existência do liame contratual entre a empresa e os réus. 3. Recurso ordinário provido para 
determinar o trancamento da Ação Penal n. 101208-53.2017.22.0501, que tramita perante o 
Juízo da 1ª Vara Criminal de Porto Velho/RO, sem prejuízo do oferecimento de nova denúncia, 
com estrita observância dos ditames previstos no art. 41 do Código de Processo Penal. 
(RHC 119.014/RO, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado 
em 05/12/2019, DJe 17/12/2019) 
Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. CRIME SOCIETÁRIO. INÉPCIA DA 
DENÚNCIA. INOCORRÊNCIA. DESNECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO PORMENORIZADA 
DAS CONDUTAS DE CADA INDICIADO. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS AUTORIZADORES DO 
EXCEPCIONAL TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. INVIABILIDADE NA ESPÉCIE DA 
ANÁLISE DA ALEGADA ATIPICIDADE: NECESSIDADE DE INCURSÃO NOS FATOS E PROVAS 
DA CAUSA. AUSÊNCIA DE MANIFESTA VIOLÊNCIA OU COAÇÃO ILEGAL AO DIREITO DE 
LOCOMOÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I - As razões do 
agravo regimental não se mostram aptas a infirmar os fundamentos que lastrearam a decisão 
agravada. II - “Este Supremo Tribunal Federal sufraga o entendimento no sentido de que nos 
crimes societários, é prescindível que conste da denúncia a descrição minuciosa de cada 
acusado, mostrando-se consentâneo com os postulados do contraditório e da ampla defesa 
que se exponha o vínculo dos acusados com a sociedade comercial e que se narre as 
condutas delituosas de forma a possibilitar o exercício do direito de defesa” (HC 149.328-
AgR/SP, Rel. Min. Luiz Fux). III - O trancamento da ação penal, em habeas corpus, constitui 
medida excepcional que só deve ser aplicada nos casos (i) de manifesta atipicidade da 
conduta; 
 
(HC 168446 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em 
24/05/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-176 DIVULG 13-08-2019 PUBLIC 14-08-2019)  
Responsabilidade Criminal da Pessoa Jurídica 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 11/79
A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu art. 225, §3º, a possibilidade de 
responsabilização da pessoa jurídica por crimes ambientais. O art. 3º, da Lei 9.605/98, 
dando concretude ao referido dispositivo, disciplinou a regra constitucional delineando a 
responsabilidade penal da pessoa jurídica. 
Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente 
conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu 
representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da 
sua entidade. 
Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, 
autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo fato. 
Da análise do normativo, é perfeitamente possível inferir os requisitos para que seja imputada a 
pessoa jurídica umcrime contra o meio ambiente: (1) a infração seja cometida por decisão de 
seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado; e (2) a infração deve ser 
cometida no interesse ou benefício da entidade. Não se configurando quaisquer um desses 
requisitos, não será imputada a pessoa jurídica a conduta criminosa, sendo um fato atípico. 
Exemplo disso, ocorre quando um administrador de uma determinada sociedade pratica atos 
atentatórios ao meio ambiente em nome desta objetivando satisfação de interesses pessoais, 
sem ter relação com a atividade por ela desempenhada, não gerando qualquer benefício para a 
entidade que representa.  
Em face das previsões normativas, surgiram correntes doutrinárias tentando explicar a 
possibilidade de responsabilização da pessoa jurídica. São 4 correntes. Vejamos um resumo 
delas: 
Responsabilização criminal da pessoa jurídica 
1ª 
Corrente 
- Não é possível a responsabilização da pessoa jurídica por crimes ambientais; 
- A Constituição Federal não previu a responsabilidade penal da pessoa jurídica; 
- A interpretação que deve ser dada ao §3º, do art. 225, da CF/88 é no sentido 
de que a responsabilidade penal e administrativa será atribuída a pessoa física e à 
pessoa jurídica somente a administrativa; 
- É corrente minoritária. 
 
2ª 
Corrente 
- Não é possível a responsabilização da pessoa jurídica por crimes ambientais; 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 12/79
Um tema importante que devemos ter certa atenção para os concursos é a necessidade ou não 
de aplicação da teoria da dupla imputação aos crimes relacionados ao meio ambiente. Para 
essa teoria (4ª corrente), só haveria a responsabilidade penal da pessoa jurídica ocorrendo a 
responsabilização concomitante da pessoa física a ela vinculada, teoria que nasceu da 
concepção de que a pessoa jurídica não pratica atos volitivos, sendo mera ficção jurídica, 
cabendo a seus agentes a prática dos atos em nome da entidade. 
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ era firme no sentido de que a 
responsabilização da pessoa jurídica só poderia ocorrer se fosse imputada simultaneamente a 
- Baseia-se na teoria da ficção jurídica das entidades. As pessoas jurídicas são 
simples abstrações desprovidas de vontades. Não poderiam cometer crimes. Não 
poderiam praticar voluntariamente determinadas condutas lesivas ao meio 
ambiente; 
- É corrente majoritária na doutrina. 
 
3ª 
Corrente 
- É possível a responsabilização da pessoa jurídica por crimes ambientais; 
- Interpretação do §3º, art. 225, da CF/88. A pessoa jurídica poderá ser 
responsabilizada criminalmente por crimes ambientais ainda que não seja 
responsabilizada concomitantemente a pessoa física. Previsão expressa da Carta 
Política; 
- O §3º, art. 225, da CF/88 não exige a responsabilização da pessoa física como 
condição para a pessoa jurídica; 
- Hoje é a posição do STF e do STJ; defendida também por Vladimir Passos de 
Freitas. 
 
4ª 
Corrente 
- É possível a responsabilização da pessoa jurídica por crimes ambientais; 
- Há necessidade de que a imputação ocorra de forma simultânea com a da 
pessoa física; 
- Aplicação da teoria da dupla imputação; 
- O STJ entendia que seria possível a responsabilidade da pessoa jurídica se 
houvesse a imputação concomitante da pessoa física em crimes contra o meio 
ambiente; 
- A denúncia tinha que ser oferecida em face da pessoa jurídica e da pessoa 
física. 
 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 13/79
pessoa física o ato infracional, conforme ventilado na 4ª corrente. Assim, o STJ adotava a teoria 
da dupla imputação em crimes ambientais. Essa mudança de entendimento ocorreu em 2015, 
no julgamento do RMS 39.173-BA de relatoria do Ministro Reynaldo Soares Fonseca, que seguiu 
o entendimento da decisão proferida na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, no 
julgamento do RE 548.181/PR, de relatoria da  Ministra Rosa Weber, que ventilou a tese de que 
o art. 225, § 3º, da Constituição Federal não condiciona a responsabilização penal da pessoa 
jurídica por crimes ambientais à simultânea persecução penal da pessoa física em tese 
responsável no âmbito da empresa. Eis os julgados do STF e do STJ:
EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO PENAL. CRIME AMBIENTAL. 
RESPONSABILIDADE PENAL DA PESSOA JURÍDICA. CONDICIONAMENTO DA AÇÃO 
PENAL À IDENTIFICAÇÃO E À PERSECUÇÃO CONCOMITANTE DA PESSOA FÍSICA QUE 
NÃO ENCONTRA AMPARO NA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. 1. O art. 225, § 3º, da 
Constituição Federal não condiciona a responsabilização penal da pessoa jurídica por 
crimes ambientais à simultânea persecução penal da pessoa física em tese responsável no 
âmbito da empresa. A norma constitucional não impõe a necessária dupla imputação. 2. As 
organizações corporativas complexas da atualidade se caracterizam pela descentralização e 
distribuição de atribuições e responsabilidades, sendo inerentes, a esta realidade, as 
dificuldades para imputar o fato ilícito a uma pessoa concreta. 3. Condicionar a aplicação do 
art. 225, §3º, da Carta Política a uma concreta imputação também a pessoa física implica 
indevida restrição da norma constitucional, expressa a intenção do constituinte originário não 
apenas de ampliar o alcance das sanções penais, mas também de evitar a impunidade pelos 
crimes ambientais frente às imensas dificuldades de individualização dos responsáveis 
internamente às corporações, além de reforçar a tutela do bem jurídico ambiental. 4. A 
identificação dos setores e agentes internos da empresa determinantes da produção do fato 
ilícito tem relevância e deve ser buscada no caso concreto como forma de esclarecer se esses 
indivíduos ou órgãos atuaram ou deliberaram no exercício regular de suas atribuições internas 
à sociedade, e ainda para verificar se a atuação se deu no interesse ou em benefício da 
entidade coletiva. Tal esclarecimento, relevante para fins de imputar determinado delito à 
pessoa jurídica, não se confunde, todavia, com subordinar a responsabilização da pessoa 
jurídica à responsabilização conjunta e cumulativa das pessoas físicas envolvidas. Em não raras 
oportunidades, as responsabilidades internas pelo fato estarão diluídas ou parcializadas de tal 
modo que não permitirão a imputação de responsabilidade penal individual. 5. Recurso 
Extraordinário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. 
(RE 548181, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 06/08/2013, 
ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-213 DIVULG 29-10-2014 PUBLIC 30-10-2014)  
PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. 
RESPONSABILIDADE PENAL DA PESSOA JURÍDICA POR CRIME AMBIENTAL: 
DESNECESSIDADE DE DUPLA IMPUTAÇÃO CONCOMITANTE À PESSOA FÍSICA E À 
PESSOA JURÍDICA. 
1. Conforme orientação da 1ª Turma do STF, "O art. 225, § 3º, da Constituição Federal não 
condiciona a responsabilização penal da pessoa jurídica por crimes ambientais à simultânea 
persecução penal da pessoa física em tese responsável no âmbito da empresa. A norma 
constitucional não impõe a necessária dupla imputação." (RE 548181, Relatora Min. ROSA 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 14/79
WEBER, Primeira Turma, julgado em 6/8/2013, acórdão eletrônico DJe-213, divulg. 
29/10/2014, public. 30/10/2014). 
2. Tem-se, assim, que é possível a responsabilização penal da pessoa jurídica por delitos 
ambientais independentemente da responsabilização concomitante da pessoa física que 
agia em seu nome. Precedentes desta Corte. 
3. A personalidade fictícia atribuída à pessoa jurídica não pode servir de artifício para a 
prática de condutas espúrias por parte das pessoas naturais responsáveis pela sua 
condução. 
4. Recurso ordinário a que se nega provimento. 
(RMS 39.173/BA, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado 
em 06/08/2015, DJe 13/08/2015)
Resumidamente, não se aplica ao direito brasileiro a teoria da dupla imputação paraos 
crimes ambientais praticados pela pessoa jurídica, não se exigindo a imputação 
concomitante da pessoa física responsável legalmente pela entidade. 
Desconsideração da Personalidade da Pessoa Jurídica   
A Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica (disregard doctrine) é instituto jurídico 
de direito civil aplicável para a responsabilização civil, visando não apenas o ressarcimento dos 
prejuízos causados, como também a própria sobrevivência da entidade para honrar seus 
compromissos. Não é uma norma de direito penal. Foi prevista no art. 4º, da Lei de Crimes 
Ambientais. 
Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for 
obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente. 
A busca pelo ressarcimento dos prejuízos causados à qualidade ambiental não tem natureza 
penal, mas sim natureza civil, considerando que no âmbito penal a responsabilidade tem 
natureza pessoal, não podendo ser transferida a outra pessoa em face do princípio da 
intranscendência da pena previsto no art. 5º, XLV, da CF/88. 
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o 
dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos 
sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido. 
A desconsideração da personalidade jurídica pode ser definida como a retirada episódica, 
momentânea e excepcional da autonomia patrimonial da pessoa jurídica, a fim de estender os 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 15/79
efeitos de suas obrigações à pessoa de seus titulares, sócios ou administradores, com o fim de 
coibir o desvio da função da pessoa jurídica, perpetrado por eles. 
Importante lembrarmos as teorias utilizadas no direito civil para aplicação do instituto da 
desconsideração da personalidade jurídica na busca pelo ressarcimento aos danos causados ao 
meio ambiente. Doutrina majoritária ventilam as teses sobre a teoria menor e a teoria maior da 
desconsideração. 
A Teoria Maior da desconsideração foi prevista no art. 50 do Código Civil (bem como no art. 
28, caput, do Código de Defesa do Consumidor) ventilando a tese de que para que ocorra o 
afastamento da personalidade jurídica e afetação direta do patrimônio dos sócios é necessário 
que esteja devidamente comprovado a ocorrência de atos fraudulentos que foram cometidos 
comprovadamente com o intuito de prejudicar credores. 
CC. Art. 50.  Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de 
finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do 
Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos 
de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de 
administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo 
abuso. (Redação dada pela Lei nº 13.874, de 2019) 
CDC. Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em 
detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato 
ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será 
efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da 
pessoa jurídica provocados por má administração. 
A regra no Direito brasileiro é a aplicação da teoria maior para configuração do instituto, 
melhor dizendo, há necessidade que estejam presentes alguns requisitos de ordem objetiva e 
subjetiva. Este refere-se ao desvio de finalidade ou confusão patrimonial; aquele consiste na 
insuficiência patrimonial do devedor. Isso implica dizer que a simples insolvência do devedor 
não é elemento suficiente para incidência da desconsideração da personalidade, havendo 
necessidade de se comprovar, pelo menos, um dos elementos subjetivos previsto no art. 50, do 
Código Civil. Assim, deve estar comprovado, no caso concreto, a conduta culposa do sócio ou 
mesmo a sua intenção fraudulenta ou abusiva de se apropriar dos bens e direitos da entidade 
para fins diversos daqueles previstos em lei. 
A Teoria Menor foi prevista no Código de Defesa do Consumidor – CDC, em seu art. 28, §5º, 
ventilando a tese de que é dispensável a prova da fraude ou da confusão patrimonial. Basta, em 
tese, a existência do requisito objetivo consubstanciado no estado de insolvência ou mesmo 
que a personalidade jurídica da entidade represente um obstáculo ao ressarcimento de 
prejuízos causados aos consumidores. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 16/79
Questão 1995 | 62108978
Sobre a responsabilidade penal das pessoas jurídicas e a correlata aplicação da pena
pela prática de crimes ambientais, é CORRETO a�rmar que
A)
as penas aplicáveis isolada, cumulada ou altemativamente às pessoas jurídicas
condenadas
pela prática de crimes ambientais são multa, restritivas de direitos e prestação de
serviços à
comunidade.
B)
a responsabilidade penal das pessoas jurídicas pela prática de crimes ambientais exclui a
das pessoas físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato.
C)
a pena restritiva de direito de proibição de contratar com o Poder Público e dele obter
subsídios, subvenções ou doações possui prazo indeterminado de duração.
D)
a responsabilidade penal das pessoas físicas mandatárias sempre exclui a
responsabilidade
penal da respectiva pessoa jurídica.
E)
não há previsão legal de decretação de liquidação forçada de pessoa jurídica
responsabilizada pela prática de crime ambiental.
CDC. Art. 28. § 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua 
personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos 
consumidores. 
A Teoria Menor se aplica também ao Direito Ambiental objetivando o ressarcimento dos danos 
acarretados ao meio ambiente. Nesse sentido, a legislação ambiental, prevê no art. 4º, 
da                                                    Lei 9.605/98, que se a personalidade jurídica for obstáculo ao 
ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente aplicar-se-á a teoria da 
disregard doctrine, com base em sua vertente restritiva. 
Assim, podemos concluir que a Teoria Menor da desconsideração foi acolhida em nosso 
ordenamento jurídico excepcionalmente no direito do consumidor e no direito ambiental, 
sendo configurada com a mera prova de insolvência da pessoa jurídica para o pagamento de 
suas obrigações, independentemente da existência de desvio de finalidade ou de confusão 
patrimonial.
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 17/79
Solução
Gabarito: A)
as penas aplicáveis isolada, cumulada ou altemativamente às pessoas jurídicas
condenadas
pela prática de crimes ambientais são multa, restritivas de direitos e
prestação de serviços à
comunidade.
Trata-se de questão que versa sobre a aplicação de penas a pessoas jurídicas por
infrações ambientais.
Nessa linha, requer-se do candidato o conhecimento sobre os art. 21, da Lei 9605/98.
Boa sorte!
A letra A está correta. CERTA
Sobre a responsabilidade penal das pessoas jurídicas há previsão expressa no art. 225, §3º,
da CFRB/88, a qual fora disciplinada pela Lei 9605/98.
Nessa linha, sobre as penas da pessoa jurídica o próprio art. 21, da Lei 9605/98, assim prevê
as penas de multa, restritivas de direitos e prestação de serviços à comunidade. Ademais, o
art. 22, da Lei 9605/98 prevê penas restritivas de direito.
Sobre os artigos:
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à
coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.
§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores,
pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas,independentemente da
obrigação de reparar os danos causados.
Art. 21. As penas aplicáveis isolada, cumulativa ou alternativamente às pessoas jurídicas, de
acordo com o disposto no art. 3º, são:
I - multa;
II - restritivas de direitos;
III - prestação de serviços à comunidade.
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 18/79
Art. 22. As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são:
I - suspensão parcial ou total de atividades;
II - interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade;
III - proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios,
subvenções ou doações.
Perceba que a responsabilidade penal da pessoa jurídica é admitida pelos Tribunais
Superiores:
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS DE
INADMISSIBILIDADE IMPUGNADOS. AGRAVO PROVIDO. CRIME AMBIENTAL.
PESSOA JURÍDICA. PENA DE MULTA E RESTRITIVA DE DIREITOS. PRESCRIÇÃO.
ART. 109 DO CP. ALEGADA OCORRÊNCIA DE CONDENAÇÃO APENAS COM BASE EM
PROVAS INQUISITORIAIS. IMPROCEDÊNCIA. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO. SÚMULA 7/STJ.
DOSIMETRIA. PENA-BASE EXASPERADA FUNDAMENTADAMENTE. PENA DE MULTA.
FIXAÇÃO PROPORCIONAL COM BASE NA CONDIÇÃO FINANCEIRA DA RÉ.
AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO PARA CONHECER DO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL E NEGAR-LHE PROVIMENTO.
1. Devidamente impugnados os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial,
deve ser reconsiderada a decisão que não conheceu do agravo.
2. De acordo com a jurisprudência desta Corte, na hipótese de aplicação de pena de multa
e restritiva de direitos à pessoa jurídica, em virtude da omissão da Lei 9.605/1998, adotam-
se, subsidiariamente, as disposições do Código Penal, nos termos do seu art. 109 e do art. 79
da Lei 9.605/1998.
3. Concluindo o Tribunal de origem, soberano na análise probatória, pela autoria e
materialidade delitiva, a alteração do julgado, para �ns de absolvição, demandaria
revolvimento de provas, o que não se admite a teor da Súmula 7/STJ.
4. Em regra, não se presta o recurso especial à revisão da dosimetria da pena estabelecida
pelas instâncias ordinárias.
Admite-se, contudo, o reexame quando con�gurada manifesta violação dos critérios dos arts.
59 e 68 do CP, sob o aspecto da legalidade, nas hipóteses de falta ou evidente de�ciência
de fundamentação ou ainda de erro de técnica, não veri�cados no caso.
5. A circunstância judicial da culpabilidade foi considerada desfavorável por se tratar de um
conglomerado de empresas, atuantes em vários segmentos relacionados à atividade
pesqueira, em que se esperava uma especial responsabilidade social na prevenção de
crimes ambientais, denotando maior reprovabilidade da conduta, apta à exasperação da
pena-base.
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 19/79
6. Mostra-se legítima a valoração negativa das circunstâncias do crime, diante do transporte
superior a 12 toneladas de peixes ameaçados de extinção.
7. Não se veri�ca ilegalidade na pena de multa, �xada à luz do princípio da
proporcionalidade, considerando-se a boa condição �nanceira da ré, sendo imprópria, de
todo modo, a revisão do entendimento na via do especial, a teor da Súmula 7/STJ.
8. Agravo regimental provido para conhecer do agravo em recurso especial e negar-lhe
provimento.
(AgRg no AREsp 1616383/RJ, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em
19/05/2020, DJe 26/05/2020)
A letra B está incorreta.
ERRADA
Em verdade a responsabilidade das pessoas jurídicas com as físicas é individualizada na
prática de delito sobre o mesmo fato, RMS 56073 / ES. 
Não há mais que se falar em dupla imputação. Nesse sentido:
PROCESSO PENAL. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CRIME AMBIENTAL.
ART. 56, CAPUT, DA LEI N. 9.605/1998. RESPONSABILIDADE PENAL DA PESSOA
JURÍDICA. DUPLA IMPUTAÇÃO. PESSOA FÍSICA E PESSOA JURÍDICA.DESNECESSIDADE.
TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXCEPCIONALIDADE.REQUISITOS DO ART. 41 DO
CPP NÃO PREENCHIDOS. DENÚNCIA INEPTA. LIAME ENTRE O FATO DELITUOSO E A
EMPRESA DENUNCIADA. NÃO DEMOSTRAÇÃO.
RECURSO PROVIDO.1. Após o julgamento do RE 548.181 pela Suprema Corte, a
jurisprudência desta Corte consolidou-se no sentido de que é possível a responsabilização
penal da pessoa jurídica por crimes ambientais independentemente da responsabilização
concomitante da pessoa física que a represente.2. Este Superior Tribunal de Justiça
paci�cou o entendimento segundo o qual, em razão da excepcionalidade do trancamento da
ação penal, tal medida somente se veri�ca possível quando �carem demonstrados - de plano
e sem necessidade de dilação probatória - a total ausência de indícios de autoria e prova da
materialidade delitiva, a atipicidade da conduta ou a existência de alguma causa de extinção
da punibilidade. 3. É certa, ainda, a possibilidade de trancamento da persecução penal nos
casos em que a denúncia for inepta, não atendendo o que dispõe o art. 41 do Código de
Processo Penal, o que não impede a propositura de nova ação desde que suprida a
irregularidade. Precedentes.
4. Para o oferecimento da denúncia, exige-se apenas a descrição da conduta delitiva e a
existência de elementos probatórios mínimos que corroborem a acusação. Provas
conclusivas acerca da materialidade e da autoria do crime são necessárias apenas para a
formação de um eventual juízo condenatório. 5. Embora não se admita a instauração de
processos temerários e levianos ou despidos de qualquer sustentáculo probatório, nessa fase
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 20/79
processual, deve ser privilegiado o princípio do in dubio pro societate. De igual modo, não
se pode admitir que o Julgador, em juízo de admissibilidade da acusação, termine por
cercear o jus accusationis do Estado, salvo se manifestamente demonstrada a carência de
justa causa para o exercício da ação penal.
6. A alegação de inépcia da denúncia deve ser analisada de acordo com os requisitos
exigidos pelos arts. 41 do CPP e 5º, LV, da CF/1988. Portanto, a peça acusatória deve conter
a exposição do fato delituoso em toda a sua essência e com todas as suas circunstâncias, de
maneira a individualizar o quanto possível a conduta imputada, bem como sua tipi�cação,
com vistas a viabilizar a persecução penal e o exercício da ampla defesa e do contraditório
pelo réu.
7. No caso em exame, a peça acusatória exibe a tipi�cação legal da conduta praticada, traz
a quali�cação da recorrente e expõe os atos supostamente criminosos, com as suas
circunstâncias. Contudo, ao contrário do a�rmado no acórdão recorrido, não se veri�ca na
denúncia o liame entre o fato narrado e a conduta da recorrente, seja por meio de sua
diretoria ou de algum dos seus funcionários, não restando demonstrado que o caminhão que
estava transportando irregularmente produto perigoso à saúde e ao meio ambiente (GLP
1075) é de sua propriedade ou, ao menos, a existência de vínculo empregatício ou contratual
entre o motorista do caminhão e a empresa.
8. Hipótese em que, conquanto tenha a denúncia narrado que Cia.
Ultragáz S/A estava transportando irregularmente produto perigoso à saúde, o Parquet
olvidou-se de descrever o vínculo existente entre o transportador e a empresa, daí porque
não se encontra caracterizada a autoria da prática delituosa.
9. Recurso provido para determinar a anulação da Ação Penal n.
0013958-42.2015.8.08.0030, em trâmite no Juízo da 3ª Vara Criminal da Comarca de
Linhares/ES, sem prejuízo de eventual oferecimento de nova inicial acusatória em razão
desse mesmo delito, desde que observados os requisitos do art. 41 do Código de Processo
Penal.
(RMS 56.073/ES, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 25/09/2018,
DJe 03/10/2018)
A letra C está incorreta.
ERRADA
A respectiva pena possui prazo de duração de até 10 anos, nos termos do art. 22, §3º, da Lei
9605/98.
Nesse sentido:
Art. 22. As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são:
I - suspensão parcial ou total de atividades;
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 21/79
II- interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade;
III - proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios,
subvenções ou doações.
§ 1º A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às
disposições legais ou regulamentares, relativas à proteção do meio ambiente.
§ 2º A interdição será aplicada quando o estabelecimento, obra ou atividade estiver
funcionando sem a devida autorização, ou em desacordo com a concedida, ou com violação
de disposição legal ou regulamentar.
§ 3º A proibição de contratar com o Poder Público e dele obter subsídios, subvenções ou
doações não poderá exceder o prazo de dez anos.
A letra D está incorreta.
ERRADA
Não há mais que se falar em exclusão, sendo certo que as penalidades e a sujeição ao
processo penal são individualizadas, conforme RMS 56073 / ES.
Não há mais que se falar em dupla imputação. Nesse sentido:
PROCESSO PENAL. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CRIME AMBIENTAL.
ART. 56, CAPUT, DA LEI N. 9.605/1998. RESPONSABILIDADE PENAL DA PESSOA
JURÍDICA. DUPLA IMPUTAÇÃO. PESSOA FÍSICA E PESSOA JURÍDICA.DESNECESSIDADE.
TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXCEPCIONALIDADE.REQUISITOS DO ART. 41 DO
CPP NÃO PREENCHIDOS. DENÚNCIA INEPTA. LIAME ENTRE O FATO DELITUOSO E A
EMPRESA DENUNCIADA. NÃO DEMOSTRAÇÃO.
RECURSO PROVIDO.1. Após o julgamento do RE 548.181 pela Suprema Corte, a
jurisprudência desta Corte consolidou-se no sentido de que é possível a responsabilização
penal da pessoa jurídica por crimes ambientais independentemente da responsabilização
concomitante da pessoa física que a represente.2. Este Superior Tribunal de Justiça
paci�cou o entendimento segundo o qual, em razão da excepcionalidade do trancamento da
ação penal, tal medida somente se veri�ca possível quando �carem demonstrados - de plano
e sem necessidade de dilação probatória - a total ausência de indícios de autoria e prova da
materialidade delitiva, a atipicidade da conduta ou a existência de alguma causa de extinção
da punibilidade. 3. É certa, ainda, a possibilidade de trancamento da persecução penal nos
casos em que a denúncia for inepta, não atendendo o que dispõe o art. 41 do Código de
Processo Penal, o que não impede a propositura de nova ação desde que suprida a
irregularidade. Precedentes.
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 22/79
4. Para o oferecimento da denúncia, exige-se apenas a descrição da conduta delitiva e a
existência de elementos probatórios mínimos que corroborem a acusação. Provas
conclusivas acerca da materialidade e da autoria do crime são necessárias apenas para a
formação de um eventual juízo condenatório. 5. Embora não se admita a instauração de
processos temerários e levianos ou despidos de qualquer sustentáculo probatório, nessa fase
processual, deve ser privilegiado o princípio do in dubio pro societate. De igual modo, não
se pode admitir que o Julgador, em juízo de admissibilidade da acusação, termine por
cercear o jus accusationis do Estado, salvo se manifestamente demonstrada a carência de
justa causa para o exercício da ação penal.
6. A alegação de inépcia da denúncia deve ser analisada de acordo com os requisitos
exigidos pelos arts. 41 do CPP e 5º, LV, da CF/1988. Portanto, a peça acusatória deve conter
a exposição do fato delituoso em toda a sua essência e com todas as suas circunstâncias, de
maneira a individualizar o quanto possível a conduta imputada, bem como sua tipi�cação,
com vistas a viabilizar a persecução penal e o exercício da ampla defesa e do contraditório
pelo réu.
7. No caso em exame, a peça acusatória exibe a tipi�cação legal da conduta praticada, traz
a quali�cação da recorrente e expõe os atos supostamente criminosos, com as suas
circunstâncias. Contudo, ao contrário do a�rmado no acórdão recorrido, não se veri�ca na
denúncia o liame entre o fato narrado e a conduta da recorrente, seja por meio de sua
diretoria ou de algum dos seus funcionários, não restando demonstrado que o caminhão que
estava transportando irregularmente produto perigoso à saúde e ao meio ambiente (GLP
1075) é de sua propriedade ou, ao menos, a existência de vínculo empregatício ou contratual
entre o motorista do caminhão e a empresa.
8. Hipótese em que, conquanto tenha a denúncia narrado que Cia.
Ultragáz S/A estava transportando irregularmente produto perigoso à saúde, o Parquet
olvidou-se de descrever o vínculo existente entre o transportador e a empresa, daí porque
não se encontra caracterizada a autoria da prática delituosa.
9. Recurso provido para determinar a anulação da Ação Penal n.
0013958-42.2015.8.08.0030, em trâmite no Juízo da 3ª Vara Criminal da Comarca de
Linhares/ES, sem prejuízo de eventual oferecimento de nova inicial acusatória em razão
desse mesmo delito, desde que observados os requisitos do art. 41 do Código de Processo
Penal.
(RMS 56.073/ES, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 25/09/2018,
DJe 03/10/2018)
A letra E está incorreta.
ERRADA
Pelo contrário, há previsão expressa de liquidação forçada nos termos do art. 24, da Lei
9605/98.
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 23/79
Nesse sentido:
Art. 24. A pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente, com o �m de
permitir, facilitar ou ocultar a prática de crime de�nido nesta Lei terá decretada sua
liquidação forçada, seu patrimônio será considerado instrumento do crime e como tal
perdido em favor do Fundo Penitenciário Nacional.
Penas Previstas na Lei de Crimes Ambientais
 Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Aplicação da Pena Privativa de Liberdade nos Crimes Ambientais  
O Código Penal adotou o sistema trifásico de aplicação da pena privativa de liberdade para os 
crimes em geral, cabendo a todas as normas extravagantes seguir os regramentos previstos no 
art. 59 do referido diploma. O objetivo é dar concretude e atender ao princípio constitucional 
da individualização da pena previsto no art. 5º, XLVI, da CF/88.  
Nesse sistema, na 1ª fase de dosimetria da pena, o Juiz fixa a pena-base considerando as 
circunstâncias judiciais previstas no art. 59, do CP. A pena-base deverá ser fixada entre os 
limites legais previsto em cada crime não podendo ficar abaixo do mínimo ou acima do 
máximo. 
Na 2ª fase, o julgador aplica as circunstâncias atenuantes e agravantes previstas nos arts. 61 
a 66 do CP, devendo atentar o julgador para os limites legais fixados no crime. 
Por fim, na 3ª fase, o magistrado verifica a existência de causas de aumento ou de diminuição 
de pena, podendo a pena ser elevada acima do máximo ou mesmo serem reduzidas abaixo do 
mínimo abstratamente previsto para o crime. 
Após a fixação da pena definitiva, o juiz estabelecerá o regime inicial de cumprimento da 
pena, nos termos do art. 59, III, analisando se cabe ou não a possibilidade de substituição 
por restritivas de direitos ou outra espécie de pena, conforme previsto no art. 59, IV, do CP. Eis 
as regras do art. 59, do CP: 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 24/79
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à 
personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como 
ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para 
reprovação e prevenção do crime:  
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas; 
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos; 
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade; 
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se 
cabível.  
Dentro desse cenário normativo geral do CP, a Lei de Crimes Ambientais, em seu art. 6º, 
prevê para aplicação da pena-base (1ª fase da dosimetria) a imposição de gradação da 
penalidade que deve ser observado pela autoridade julgadora. Vejamos o normativo:
Art. 6º Para imposição e gradação da penalidade, a autoridade competente observará:I - a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas consequências para a 
saúde pública e para o meio ambiente; 
II - os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação de interesse ambiental; 
III - a situação econômica do infrator, no caso de multa. 
Os critérios fixados nos incisos do art. 6º, são cogentes e especiais, devendo ser analisados na 
dosimetria da pena-base conjuntamente com aqueles previstos no art. 59, caput, do CP. A 
norma atende ao princípio da individualização da pena, pois busca alargar as circunstâncias 
judiciais do CP ao fato criminoso em face da tutela de um bem jurídico específico (meio 
ambiente). 
Nesse sentido, cabe ao Magistrado, além de atentar às circunstâncias já fixadas no art. 59, do 
CP (culpabilidade, antecedentes, conduta social, personalidade do agente, motivos, 
circunstâncias e consequências do crime, comportamento da vítima), levar em consideração a 
gravidade do fato para a saúde pública e o meio ambiente, e, na análise dos antecedentes, 
considerar o cumprimento da legislação de interesse ambiental, devendo levar em conta, no 
caso de aplicação da pena de multa, a situação econômica do infrator. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 25/79
Romeu Thomé destaca que na análise dos antecedentes ambientais do infrator, cabe ao 
Magistrado verificar se o réu tem bons ou maus antecedentes tendo como base o 
cumprimento das normas ambientais de uma maneira geral, não necessariamente na área 
criminal. Assim, destaca o autor que uma autuação administrativa (lavratura de auto de 
infração por infração administrativa) configura, por si só, maus antecedentes ambientais por 
descumprimento à legislação ambiental. 
Normas Gerais sobre as Penas Restritivas de Direito no CP e na Lei de Crimes Ambientais   
As penas restritivas de direito são penas alternativas às penas privativas de liberdade servindo 
como medida essencial para a consecução das finalidades principais do Direito Penal para 
crimes de menor potencialidade lesiva.  
Embora denominadas pela doutrina de penas alternativas, não deixam de ser uma sanção 
penal, autônomas, sendo apenas substitutivas da privativa de liberdade, não estando previstas 
no preceito secundário do tipo penal como regra.  
Conforme já assentado pelo STF, as penas restritivas de direitos são, em essência, uma 
alternativa aos efeitos certamente traumáticos, estigmatizantes e onerosos do cárcere. Não 
Circunstâncias Judicias do 
art. 59 do CP 
Circunstâncias Judiciais específicas do art. 6º, da Lei de 
Crimes Ambientais 
culpabilidade  ----------------- 
antecedentes  antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação 
de interesse ambiental. 
 
conduta social  ------------------ 
personalidade do agente  ------------------ 
motivos  gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas 
consequências para a saúde pública e para o meio ambiente. 
 
circunstâncias e 
consequências do crime 
comportamento da vítima  ------------------ 
------------------  situação econômica do infrator, no caso de multa. 
 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 26/79
é à toa que todas elas são comumente chamadas de penas alternativas, pois essa é mesmo a 
sua natureza:               constituir-se num substitutivo ao encarceramento e suas sequelas.  
O Código Penal prevê, em seu art. 44, as regras para substituição da pena privativa de 
liberdade por restritivas de direito. Vejamos o normativo: 
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de 
liberdade, quando:  
I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for 
cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se 
o crime for culposo; 
II – o réu não for reincidente em crime doloso;  
III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, 
bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente.  
A Lei de Crimes Ambientais, em seu art. 7º, estabeleceu as regras para substituição da pena 
privativa de liberdade em restritiva de direitos na mesma linha do art. 44, do CP, mas com 
algumas diferenças que devem ser observadas pelo julgador. 
Art. 7º As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade 
quando: 
I - tratar-se de crime culposo ou for aplicada a pena privativa de liberdade inferior a quatro 
anos; 
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem 
como os motivos e as circunstâncias do crime indicarem que a substituição seja suficiente para 
efeitos de reprovação e prevenção do crime. 
Parágrafo único. As penas restritivas de direitos a que se refere este artigo terão a mesma 
duração da pena privativa de liberdade substituída. 
Vejamos um comparativo das duas normas: 
Comparativo das Penas Restritivas de Direito 
Código Penal – Art. 44  Lei 9.605/98 – Art. 7º 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 27/79
Do quadro apresentado, é perfeitamente possível inferir algumas diferenças existentes entre o 
instituto da substituição da pena privativa de liberdade prevista no CP e aquela disciplinada na 
Lei de Crimes Ambientais. Nessa linha, não podemos esquecer que a Lei 9.605/98 é especial 
em relação ao Código Penal, devendo aquela prevalecer sobre este. 
Assim, cabe ao legislador não aplicar as regras do art. 44, naquilo que confrontar com a Lei 
de Crimes Ambientais, e aplicar integralmente as normas esculpidas no art. 7º, da Lei 
9.605/98. Exemplo disso é o previsto quanto ao máximo da pena aplicada para benesse ser 
concebida (art. 44, I do CP e                        art. 7º, I, da Lei 9.605/98). O Código Penal previu que 
cabe a substituição se a pena for igual ou inferior a quatro anos.  
Isso implica dizer que, sendo fixada em 4 anos a pena do condenado, ainda assim, caberá a 
substituição presente os demais requisitos para concessão da benesse. Por outro lado, se o 
crime for atentatório ao meio ambiente, não caberá a substituição, pois o art. 7º, I, da Lei de 
Crimes Ambientais exige que a concessão só ocorra para crimes que não atinjam o máximo de 
4 anos, devendo ser sempre inferior a esse montante. 
Outro ponto divergente é a previsão na regra geral do CP que se o crime for cometido com 
violência ou grave ameaça à pessoa, não caberá a substituição. Essa regra não poderá ser 
aplicada no caso de crimes ambientais por falta de previsão legal. Nesse sentido, alerta 
Art. 44. As penas restritivas de direitos 
são autônomas e substituem as privativas 
de liberdade, quando:  
Art. 7º As penas restritivas de direitos são 
autônomas e substituem as privativas de 
liberdade quando: 
 
I – aplicada pena privativa de liberdade 
não superior a quatro anos e o crime não 
for cometido com violência ou grave 
ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a 
pena aplicada, se o crime for culposo; 
 
I - tratar-se de crime culposo ou for aplicada a 
pena privativa de liberdade inferior a quatro 
anos; 
 
II – o réu não for reincidente em crime 
doloso;  
 
--------------- 
III – a culpabilidade, os antecedentes, a 
conduta social e a personalidade do 
condenado, bem como os motivos e as 
circunstâncias indicarem que essa 
substituição seja suficiente.  
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta 
social e a personalidade do condenado, bem 
como os motivos e as circunstâncias do crime 
indicarem que a substituição seja suficiente 
para efeitos de reprovação e prevenção do 
crime. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 28/79
Fernando Capez que, ao contrário do art. 44 do CP, cabe a substituição nos crimes 
ambientais ainda que o crime tenha sido cometido com violência ou grave ameaça à pessoa. 
Adentrando especificamente no art. 7º, da Lei de Crimes Ambientais, a substituiçãosó pode ser 
aplicada pelo julgador se preenchido cumulativamente as regras presentes nos seus dois 
incisos.  
O inciso I traz o requisito objetivo de menos de 4 anos, devendo ser aplicado apenas para os 
crimes dolosos, considerando que os culposos não exigem tal requisito, basta o agente ter 
praticado a conduta com negligência, imprudência ou imperícia nos crimes ambientais que 
prevejam tal tipo de crime. 
O inciso II prevê os requisitos subjetivos que devem ser analisados cumulativamente pelo 
julgador no momento da substituição. Na análise desses requisitos o Juiz deve verificar se a 
substituição é suficiente para fins de reprovação e prevenção do crime, devendo para isso 
analisar a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, 
bem como os motivos e as circunstâncias do crime. 
Por fim, o parágrafo único do art. 7º, trouxe a regra geral já prevista no CP, as penas restritivas 
de direitos devem ter a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída, desde que 
sejam compatíveis. Caso não haja compatibilidade, poderá ser feita em tempo menor. Exemplo 
disso é a pena restritiva de direito denominada prestação pecuniária em que se efetivando o 
pagamento ocorrerá o exaurimento do tempo da pena. 
As Penas Restritivas de Direito em Espécie 
O Código Penal apresentou as espécies de penas restritivas de direitos para a pessoa física em 
seu art. 43 trazendo cinco modalidades e algumas subespécies. A Lei de Crimes Ambientais, 
ao seu turno, também elencou as substitutivas em seu art. 8º com algumas diferenças em 
relação à regra geral do CP. Vejamos um quadro comparativo com as referidas penas.  
Comparativo entre as penas restritivas de direito em espécie 
Código Penal – art. 43  Lei de Crimes Ambientais – art. 
8º 
prestação pecuniária   prestação pecuniária 
prestação de serviço à comunidade ou a entidades 
públicas 
prestação de serviços à 
comunidade 
interdição temporária de direitos  interdição temporária de direitos 
perda de bens e valores  ------------------- 
limitação de fim de semana  ------------------- 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 29/79
De início, recomendamos a leitura mais detida de cada uma das penas restritivas de direito 
verificando aquelas que estão previstas expressamente na Lei de Crimes Ambientais, como a 
suspensão de atividades e o recolhimento domiciliar, e as ventiladas unicamente na regra geral 
do Código Penal, a exemplo da perda de bens e valores e da limitação de fim de semana. 
Faremos a análise objetiva de cada uma das penas restritivas de direitos previstas 
expressamente na Lei de Crimes Ambientais, destacando as diferenças que existem em relação 
à norma geral do CP, caso existentes. 
Alertamos, mais uma vez, que a Lei de Crimes Ambientais é especial em relação ao CP, razão 
pela qual a pena privativa de liberdade só pode ser substituída pelas penas restritivas de direitos 
previstas expressamente no art. 8º daquela norma, não se aplicando as normas do art. 43 do 
diploma geral. 
Ademais disso, as penas previstas no art. 8º, da Lei 9.605/98, são aplicadas exclusivamente à 
pessoa física. As substitutivas para a pessoa jurídica, estão elencadas nos arts. 21 e 22 do 
mesmo diploma normativo. 
Prestação de Serviços à Comunidade  
A prestação de serviços à comunidade consiste na atribuição de tarefas gratuitas ao 
condenado junto a parques públicos e unidades de conservação, bem como no caso de dano 
da coisa particular, pública ou tombada, na restauração desta, se possível, nos termos do art. 9º, 
da Lei 9.605/98. Diferentemente do CP, que prevê que o local da prestação do serviço à 
comunidade dar-se-á em entidades assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos e outros 
estabelecimentos congêneres, em programas comunitários ou estatais. 
-------------------  suspensão parcial ou total de 
atividades 
-------------------  recolhimento domiciliar 
Art. 9º A prestação de serviços à comunidade consiste na atribuição ao condenado de 
tarefas gratuitas junto a parques e jardins públicos e unidades de conservação, e, no caso 
de dano da coisa particular, pública ou tombada, na restauração desta, se possível. 
Mas isso não implica dizer que o magistrado fixará sempre a prestação do serviço para parques 
ou mesmo unidades de conservação, até porque esses espaços territoriais especialmente 
protegidos não são de fácil acesso a todos. Assim, será perfeitamente possível ao julgador fixar 
outro local para cumprimento da pena alternativa, desde que vinculado a serviços que 
favoreçam o meio ambiente e, consequentemente, a coletividade. 
Cumpre destacar que devem sempre ser aplicadas as regras presentes na Lei de Crimes 
Ambientais em relação as demais regras do CP no que tange a fixação das penas 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 30/79
substitutivas aqui ventiladas. Por outro lado, havendo correspondente entre o CP e a Lei 
Ambiental quanto às penas, deve esta se embebedar nas demais regras das normas gerais 
daquela, por força do art. 79 da Lei 9.605/98, caso não exista norma específica quanto ao 
disciplinamento da pena substitutiva. 
Nesse sentido, é perfeitamente possível a aplicação das regras do art. 46, caput e §3º, do CP, 
cabendo a substituição às condenações superiores a seis meses de privação da liberdade, 
bem como a necessidade de as tarefas serem atribuídas conforme as aptidões do condenado, 
devendo ser cumpridas à razão de uma hora de tarefa por dia de condenação, fixadas de 
modo a não prejudicar a jornada normal de trabalho. 
Cabe ainda a aplicação do art. 43, § 4o, que ventila a regra que quando a pena substituída for 
superior a 01 (um) ano, é facultado ao condenado cumpri-la em menor tempo, mas nunca 
inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada.  
Vejamos o quadro comparativo: 
Prestação de Serviços à Comunidade 
Regras do CP  Regras da Lei de Crimes Ambientais 
atribuição de tarefas gratuitas ao condenado  atribuição de tarefas gratuitas ao condenado 
em entidades assistenciais, hospitais, 
escolas, orfanatos e outros estabelecimentos 
congêneres, em programas comunitários ou 
estatais. 
em parques e jardins públicos e unidades 
de conservação 
ou 
fazer restauração da coisa particular, 
pública ou tombada, no caso de dano, se 
possível. 
é aplicável às condenações superiores a seis 
meses de privação da liberdade. 
é aplicável às condenações superiores a 
seis meses de privação da liberdade. 
(não previsto expressamente) 
tarefas atribuídas conforme as aptidões do 
condenado. 
tarefas atribuídas conforme as aptidões do 
condenado.  
(não previsto expressamente) 
cumpridas à razão de uma hora de tarefa 
por dia de condenação, fixadas de modo a 
não prejudicar a jornada normal de trabalho. 
cumpridas à razão de uma hora de tarefa 
por dia de condenação, fixadas de modo a 
não prejudicar a jornada normal de trabalho. 
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental
12. Responsabilidade Criminal-Ambiental 31/79
Por fim, é perfeitamente possível na substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de 
direitos em crimes ambientais a aplicação da regra do § 2º, do art. 44, do CP, podendo a 
substituição ser feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos, na condenação igual 
ou inferior a um ano, havendo a possibilidade ainda de ser substituída por uma pena restritiva 
de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos, se superior a um ano. 
 
Prestação Pecuniária 
A Prestação Pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus dependentes ou a 
entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz, não inferior 
a um salário mínimo nem superior a 360 salários, sendo que o valor pago será deduzido do 
montante de eventual condenação em ação de reparação civil, se coincidentes os 
beneficiários. 
A prestação pecuniária é prevista no § 1º, do art. 45, do CP, bem como no art. 12, da Lei de

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