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Prévia do material em texto

Bioética e 
Responsabilidade Civil
Profª. Drª. Viviane Krominski
Reitor 
Prof. Ms. Gilmar de Oliveira
Diretor de Ensino
Prof. Ms. Daniel de Lima
Diretor Financeiro
Prof. Eduardo Luiz
Campano Santini
Diretor Administrativo
Prof. Ms. Renato Valença Correia
Secretário Acadêmico
Tiago Pereira da Silva
Coord. de Ensino, Pesquisa e
Extensão - CONPEX
Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza
Coordenação Adjunta de Ensino
Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman 
de Araújo
Coordenação Adjunta de Pesquisa
Prof. Dr. Flávio Ricardo Guilherme
Coordenação Adjunta de Extensão
Prof. Esp. Heider Jeferson Gonçalves
Coordenador NEAD - Núcleo de 
Educação à Distância
Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
Web Designer
Thiago Azenha
Revisão Textual
Kauê Berto
Projeto Gráfico, Design e
Diagramação
Carlos Eduardo Firmino de Oliveira
2021 by Editora Edufatecie
Copyright do Texto C 2021 Os autores
Copyright C Edição 2021 Editora Edufatecie
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correçao e confiabilidade são de responsabilidade 
exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permi-
tidoo download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem 
a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. 
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP 
 
K93b Krominski, Viviane 
 Bioética e responsabilidade civil / Viviane Krominski. 
 Paranavaí: EduFatecie, 2022. 
 84 p. : il. Color. 
 
 
 
1. Bioética. 2. Saúde pública. 3. Responsabilidade (Direito). 
 I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a 
 Distância. III. Título. 
 
 CDD : 23 ed. 174.2 
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 
 
 
UNIFATECIE Unidade 1 
Rua Getúlio Vargas, 333
Centro, Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
UNIFATECIE Unidade 2 
Rua Cândido Bertier 
Fortes, 2178, Centro, 
Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
UNIFATECIE Unidade 3 
Rodovia BR - 376, KM 
102, nº 1000 - Chácara 
Jaraguá , Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
www.unifatecie.edu.br/site
As imagens utilizadas neste
livro foram obtidas a partir 
do site Shutterstock.
AUTOR
Profa. Dra. Viviane Krominski Graça de Souza
● Pós-doutorado em Sustentabilidade pela Universidade Estadual de Maringá 
(UEM) – Em andamento;
● Doutora em Microbiologia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL);
● Mestre em Microbiologia pela Universidade Estadual de Londrina;
● Especialista em Biologia Aplicada à Saúde pela Universidade Estadual de Londrina; 
● Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Ponta Grossa 
(UEPG);
● Foi docente do departamento de Microbiologia da UEL;
● Foi docente/pesquisadora de 2010 até 2020 do Centro Universitário São Lucas 
em Porto Velho-RO.
Foi professora do departamento de microbiologia da UEL por 5 anos, ministrando 
a disciplina de Microbiologia para vários cursos: Enfermagem, Zootecnia, Biomedicina, 
Fisioterapia, Odontologia, Agronomia e Biologia. Foi também docente/pesquisadora de 
2010 até 2020 do Centro Universitário São Lucas em Porto Velho-RO, onde ministrou 
as disciplinas de Microbiologia e Imunologia para os cursos de Medicina, Enfermagem, 
Nutrição, Biologia, Biomedicina e Odontologia. Foi Editora-chefe da Revista Eletrônica 
Saber Científico do Centro Universitário São Lucas no período de 2015 a 2020. Atualmente 
realiza pós-doutorado em Sustentabilidade pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) 
e é docente na Faculdade de Tecnologia e Ciências do Norte do Paraná (UNIFATECIE).
CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/7780313263901907
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
Seja muito bem-vindo (a)!
Prezado estudante, a partir de agora, estaremos juntos para percorrer os assuntos 
desta disciplina; uma caminhada interessante e enriquecedora sobre o estudo da bioética! 
Proponho, junto com você, construir nosso conhecimento sobre os fundamentos da bioética, 
seus princípios e reflexões!
Na Unidade I, daremos início aos nossos objetivos, falando sobre o significado 
de bioética, sua importância e correlação com noções fundamentais de valor, moral e 
ética. Vamos ainda, acompanhar e refletir a evolução da bioética ao longo dos tempos 
e sua importância para a solução de conflitos contemporâneos, analisando o modelo 
principialista e seus fundamentos para as práticas na área das ciências da vida e da saúde. 
Na verdade, veremos a real aplicabilidade dos conceitos e fundamentos da bioética na 
resolução de conflitos e tomada de decisão.
Já na Unidade II, você saberá mais sobre saúde pública e bioética, refletindo sobre 
seus impactos e perspectivas. Vamos compreender a importância dos códigos de conduta 
e sua interrelação com a bioética e os conceitos de ética, moral e deontologia. Trataremos 
também da necessidade e importância das leis que reforçam os direitos do paciente e discutir 
sobre sua autonomia na tomada de decisão no que diz respeito ao seu corpo e sua vida. 
Vamos ainda, falar sobre a relação profissional-paciente e você verá a importância 
da bioética como norteadora dessas relações, uma vez que esse convício deve ser pautado 
em princípios e normas éticas.
Na sequência, na Unidade III, falaremos sobre a relação da bioética com pesquisa 
científica, analisando a importância dos princípios bioéticos para orientar as ações e 
experimentos nessa área, como conduta ética e moral, diante dos avanços tecnológicos 
atuais. Será que existe um limite para a ciência? Qual a importância dos comitês de ética 
em pesquisa? A bioética vai responder!
Por fim, na Unidade IV, fecharemos a disciplina com uma discussão sobre os 
avanços tecnológicos e o olhar da bioética voltado para o ser humano em todas as 
suas características e dimensões. Como a bioética pode atuar e impor seus conceitos 
e princípios, quando falamos em cuidados paliativos e dignidade humana? Quais os 
desafios da bioética na atualidade e suas novas abrangências? Pois é, discutiremos tudo 
isso aqui, e você terá as respostas!
Quero aqui revelar minha satisfação em ter você neste longo, mas enriquecedor e 
prazeroso aprendizado. É uma verdadeira jornada de conhecimento, que juntos, faremos 
do início ao fim desta trajetória.
Muito obrigada e um excelente estudo!
SUMÁRIO
UNIDADE I ...................................................................................................... 4
Noções e Fundamentos de Bioética
UNIDADE II ................................................................................................... 25
Saúde Pública e Bioética
UNIDADE III .................................................................................................. 42
Bioética e Pesquisa
UNIDADE IV .................................................................................................. 59
Bioética e os Dilemas Contemporâneos
4
Plano de Estudo:
● Introdução e noções fundamentais: valor, moral e ética;
● Histórico e reflexões;
● Estudo do modelo principialista;
● Panorama da bioética no cenário globalizado.
.
Objetivos da Aprendizagem:
● Conceituar noções fundamentais de valor, moral e ética
correlacionando com a bioética e sua importância;
● Refletir sobre a evolução da bioética ao longo dos tempos e sua 
importância para a solução de conflitos contemporâneos;
● Analisar o modelo principialista da bioética e seus princípios 
para as práticas na área das ciências da vida e da saúde;
● Aplicar os conceitos e reflexões da bioética no cenário globalizado. 
UNIDADE I
Noções e Fundamentos 
de Bioética
Profª. Drª. Viviane Krominski
5UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
INTRODUÇÃO
Olá! Você já encontrou dificuldade para decidir o que fazer em uma determinada 
situação? Ficou na dúvida de como se posicionar? Qual conduta adotar? Pois é, acredito 
que suaprofissional deve ser pautado na ética com responsabilidade, no 
conhecimento técnico, científico, ético e legal, na postura profissional e no compromisso 
com o grupo de trabalho e a sociedade. Além disso, verificou a necessidade e importância de 
conhecer e aplicar no dia-a-dia profissional que o paciente tem seus direitos assegurados, e 
eles dever ser valorizados e cumpridos. A adoção de leis de direitos dos pacientes pressupõe 
o reconhecimento da importância de tais direitos e da presença de um sistema de saúde no 
qual os direitos dos pacientes são protegidos. 
Finalmente, você foi capaz de compreender a importância da relação profissional-
paciente e suas implicações no âmbito da bioética. Abordamos o conceito de relação 
humana, humanização do cuidado em saúde, respeito ao paciente e verificamos, por fim, 
que todas essas relações, pautadas em princípios éticas, levam como consequência ao 
objetivo mais importante que é a promoção de saúde.
Com todos esses conhecimentos é só refletir sobre a aplicabilidade de todos eles 
no dia-a-dia e permitir que saiam do papel e permeiem nossas ações! Vamos lá!
41UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética 41UNIDADE II Saúde Pública e Bioética
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Segurança do Paciente. Como Garantir Qualidade nos 
Serviços de Saúde
Autor: Guilherme Armond.
Editora: DOC.
Sinopse: O objetivo principal desta obra é ampliar e nortear 
o conhecimento e aplicabilidade de diretrizes e estratégias 
direcionadas à segurança do paciente visando melhorias na 
qualificação da assistência à saúde. O objetivo específico é 
contextualizar incidentes notificáveis por lei que resultam dano ao 
paciente, bem como estratégias e metodologias para minimizar 
a ocorrência desses eventos. A proposta do conteúdo do livro é 
utilizar imagens, fotos, gráficos, tabelas, fatos e relatos de eventos 
adversos associados a erros na assistência ao paciente bem como 
experiências e desfechos.
FILME/VÍDEO 
Título: Tempo de despertar
Ano: 1990.
Sinopse: Bronx, 1969. Malcolm Sayer (Robin Williams) é um 
neurologista que conseguiu emprego em um hospital psiquiátrico. 
Lá ele encontra vários pacientes que aparentemente estão cata-
tônicos, mas Sayer sente que eles estão só “adormecidos” e que 
se forem medicados da maneira certa poderão ser despertados. 
Assim pesquisa bem o assunto e chega à conclusão de que a 
L-DOPA, uma nova droga que já estava sendo usada para pacien-
tes com o Mal de Parkinson, deve ser o medicamento ideal para 
estes casos. No entanto, ao levar o assunto para o diretor, ele 
autoriza que apenas um paciente seja submetido ao tratamento. 
Imediatamente Sayer escolhe Leonard Lowe (Robert De Niro), 
que há décadas estava “adormecido”. Gradualmente Lowe se 
recupera e isto encoraja Sayer em administrar L-DOPA nos outros 
pacientes, sob sua supervisão. Logo os pacientes mostram sinais 
de melhora e também se mostram ansiosos em recuperar o tempo 
perdido. Mas, infelizmente, Lowe começa a apresentar estranhos 
e perigosos efeitos colaterais.
42
Plano de Estudo:
● Bioética: prática profissional e pesquisa científica;
● Fundamentação da ética na pesquisa científica envolvendo seres humanos;
● Comitê de ética em pesquisa (CEP);
● Consentimento livre e esclarecido para a prática profissional e pesquisa científica.
Objetivos da Aprendizagem:
● Compreender a importância da bioética, seus fundamentos e princípios na prática profissional 
relacionada à realização de pesquisas científicas e as ações éticas necessárias com os 
diversos aspectos que vieram com o progresso científico e como estão impactando fortemente a 
sociedade, de forma a se refletir na conduta individual e coletiva;
● Analisar os fundamentos da bioética na pesquisa científica envolvendo seres humanos e a 
avaliação necessária dos projetos de pesquisa antes da sua fase de execução, 
afim de garantir integridade e dignidade aos participantes;
● Compreender a função e importância dos comitês de ética em pesquisa, bem como, suas atribuições 
como órgão responsável na análise dos aspectos metodológicos, da relevância e exequibilidade dos 
projetos de pesquisa, de forma a garantir o bem-estar dos indivíduos, a equidade e a justiça social;
● Analisar a importância e aplicabilidade do Termo de Consentimento 
Livre e Esclarecido (TCLE) como documento necessário para a 
validação de pesquisas envolvendo seres humanos.
UNIDADE III
Bioética e Pesquisa
Profª. Drª. Viviane Krominski
43UNIDADE III Bioética e Pesquisa
INTRODUÇÃO
Olá! Iniciamos mais uma unidade, falando sobre Bioética e Pesquisa Científica. O 
que tem a ver uma coisa com a outra? A resposta, você terá em detalhes na leitura e reflexão 
desta unidade, mas podemos exercitar um pouco antes. Veja se você consegue responder 
algumas questões a seguir, e vai imaginando como seriam as pesquisas envolvendo seres 
humanos, sem os princípios da bioética. Vamos lá:
Existe limite para a ciência? A ausência de limites à ciência, traria riscos à existência 
humana? Com os avanços biotecnológicos e de engenharia genética, haveria limites para a 
pesquisa com seres humanos? Como realizar uma pesquisa, respeitando o direito à vida e 
a dignidade dos participantes? Isso é importante?
Bom, você terá condições de responder e refletir todas essas questões, nos tópicos 
desta unidade, no qual falaremos sobre a importância da bioética, seus fundamentos e 
princípios na prática profissional relacionada à realização de pesquisas científicas e as 
ações éticas necessárias com os diversos aspectos que vieram com o progresso científico e 
como estão impactando fortemente a sociedade, de forma a se refletir na conduta individual 
e coletiva. Você vai verificar os fundamentos da bioética na pesquisa científica envolvendo 
seres humanos e a avaliação necessária dos projetos de pesquisa antes da sua fase de 
execução, afim de garantir integridade e dignidade aos participantes.
Na sequência, vai compreender a função e importância dos comitês de ética em 
pesquisa, bem como, suas atribuições como órgão responsável na análise dos aspectos 
metodológicos, da relevância e exequibilidade dos projetos de pesquisa, de forma a garantir 
o bem-estar dos indivíduos, a equidade e a justiça social. Finalmente, se dará conta, da 
importância e aplicabilidade do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) como 
documento necessário para a validação de pesquisas envolvendo seres humanos.
Bom, você percebeu que teremos um grande e valioso aprendizado pela frente! 
Aproveite e tenha um ótimo estudo!
44UNIDADE III Bioética e Pesquisa
1. BIOÉTICA: PRÁTICA PROFISSIONAL E PESQUISA CIENTÍFICA
Com os avanços da sociedade em relação à medicina, as tecnologias biomédicas 
e a novos tratamentos, surge a necessidade de se pensar sobre a ética médica, ética 
em saúde, pesquisa ou bioética (FRANÇA, 2017). Diversos aspectos que vieram com o 
progresso científico estão impactando fortemente a sociedade, de forma a se refletir na 
conduta individual e coletiva (CLOTET, 1993). 
Atualmente, a bioética é uma área que cuida de questões éticas que dizem respeito 
ao início e ao fim da vida humana, como métodos de fecundação, engenharia genética 
e formas de eutanásia, bem como temas referentes a transplante de órgãos e pesquisas 
com seres humanos. É importante ressaltar que a criação da bioética não trouxe novos 
princípios éticos, mas começou a aplicar conceitos já conhecidos do estudo da ética em 
novas situações que foram trazidas com as inovações no campo da saúde (FRANÇA, 
2017). No Brasil, os aspectos éticos, as diretrizes e as normas regulamentadoras de 
pesquisas envolvendo seres humanos são estabelecidos pela Resolução no 466, de 12 
de dezembro de 2012 (BRUM, 2017).
Inúmeros fatores influenciam o contexto da pesquisa em saúde, incluindo questões 
relacionadas aos profissionais da área da saúde, aspectos econômicos (como patrocínio 
de indústria farmacêutica), familiares e religiosos, além de aspectos legais e institucionais.Em determinadas situações, tais fatores podem resultar em conflitos de interesse, na 
tentativa de influenciar e até restringir as tomadas de decisões clínicas, o estabelecimento 
de objetivos de pesquisa ou mesmo a divulgação de resultados (BRUM, 2017). 
45UNIDADE III Bioética e Pesquisa
No entanto, a dimensão ética norteia decisões clínicas e objetivos de pesquisa, de 
forma a assegurar a justiça, a equidade e a dignidade das diversas relações, atividades e 
pesquisas no campo da saúde (BEAUCHAMP e CHILDRESS, 2009). 
O conceito pesquisa pode ser compreendido como toda atividade com o objetivo 
científico de demonstrar, construir ou desenvolver um conhecimento generalizável. No 
entanto, podemos encontrar definições de pesquisa atreladas aos objetos e/ou objetivos 
específicos de cada área do conhecimento. Na área da saúde humana, em geral, o principal 
objetivo das pesquisas é o desenvolvimento de melhorias relacionadas a proteção, promoção 
e manutenção da saúde individual ou coletiva. Além disso, as pesquisas em saúde estão 
relacionadas a uma gama de contextos que vão desde a busca por um tratamento até 
a análise da situação dos sistemas de saúde ou a descoberta de novas tecnologias. Os 
interesses econômicos, por sua vez, não devem se sobrepor a nenhum objetivo dessas 
pesquisas (BRUM, 2017).
46UNIDADE III Bioética e Pesquisa
2. FUNDAMENTAÇÃO DA ÉTICA NA PESQUISA CIENTÍFICA 
ENVOLVENDO SERES HUMANOS
A vida é o bem mais valioso para o ser humano no contexto de todas as suas relações 
(social, política e jurídica). Assim, a proteção da vida e da integridade física do ser humano, 
tornam-se os direitos considerados mais preciosos, e a bioética surge no âmbito da socie-
dade científica, como proposta de um espaço para se refletir sobre desenvolvimento e uso 
das tecnologias e seus impactos na natureza e na vida humana, preocupando-se com todo 
tipo de intervenção humana. Por outro lado, o avanço da medicina rumo à determinação de 
novos tratamentos clínicos e cirúrgicos e novos métodos de diagnóstico envolve a experi-
mentação em seres humanos, o que torna necessária a avaliação dos projetos de pesquisa 
antes da sua fase de execução, afim de garantir integridade e dignidade aos participantes 
(BALLESTRERI, 2017). A bioética oferece aos pesquisadores e à sociedade parâmetros 
para que eles possam julgar e se manifestar sobre os riscos e sobre a oportunidade do uso 
das tecnologias. No caso da pesquisa com seres humanos, a ênfase da bioética estará 
nos efeitos que o projeto desenhado pelo pesquisador terá sobre os participantes. A função 
prioritária da bioética em pesquisa é proteger o participante, um indivíduo que se submete 
voluntariamente a um risco. Os três princípios referentes à bioética são os da autonomia, 
da beneficência e da justiça. Entretanto, a incidência de um quarto princípio, o da não 
maleficência, é reconhecida por muitos pesquisadores (BALLESTRERI, 2017). 
47UNIDADE III Bioética e Pesquisa
REFLITA
Uma ciência que acolhe a reflexão ética, é uma ciência com consciência. A tomada 
de consciência da ciência conduz à noção de responsabilidade dos cientistas e 
pesquisadores, na sua atuação, perante a sociedade.
Fonte: Morin, 2005; Moller, 2009; Santos, 2003.
O princípio da autonomia se reporta à capacidade de auto escolha, que é a 
possibilidade de alguém tomar suas próprias decisões. As pessoas devem ser reconhecidas 
como entes capazes de tomar suas próprias decisões, devendo ser prévia e devidamente 
informadas a respeito dos procedimentos, seus riscos e suas consequências. O princípio 
da beneficência deve ser entendido como uma dupla obrigação: primeiramente, a de não 
causar danos; e, em segundo lugar, a de maximizar o número de possíveis benefícios e 
minimizar os prejuízos. Já o princípio da justiça pode ser resumido no dever da imparcialidade 
na distribuição dos riscos e dos benefícios inerentes à pesquisa, bem como no tratamento 
igualitário. O princípio da não maleficência é o mais controverso de todos e muitos autores 
o incluem no princípio da beneficência. Estes justificam essa posição por acharem que, 
ao evitar o dano intencional, o indivíduo já está, na realidade, visando ao bem do outro. A 
bioética não possui novos princípios básicos fundamentais. Ela trata da ética já conhecida e 
estudada ao longo da história da filosofia, porém aplicada a uma série de situações novas, 
que são causadas pelo progresso das ciências biomédicas (BALLESTRERI, 2017).
A pesquisa em seres humanos só é aceitável quando ela responde preliminarmente 
às conveniências do diagnóstico e da terapêutica do próprio experimentado, a fim de 
restabelecer sua saúde ou diminuir seu sofrimento. Qualquer pesquisa que não almeje a 
esses interesses é inaceitável. Se o ser humano tem pelo seu corpo um direito limitado, 
muito mais limitado é o direito do médico, cuja missão é preservar a vida até em que suas 
forças e a ciência permitirem. O médico deve ter, como norma irrecusável, um conjunto de 
princípios éticos e morais, inclinando-se mais para a vida, para a preservação da espécie e 
para a exaltação das liberdades fundamentais (SCHNAIDER, 2010).
Sem dúvida, a experimentação com seres humanos é uma das razões de grandes 
discussões na bioética, e se baseia, no dilema entre o respeito à dignidade humana e 
a necessidade de experimentação imposta pelo desenvolvimento tecnocientífico, que 
representa benefício para a humanidade.
48UNIDADE III Bioética e Pesquisa
No século XVI, Galileu defendeu que a verdade sobre os fenômenos naturais não 
deveria ser simplesmente aceita, mas, sim, deveria passar por experimentação sistemática 
e observação crítica. A partir daí, surgiu o método científico e desde então o número 
de pessoas que se dedica à pesquisa e à ciência vem aumentando consideravelmente 
(BALLESTRERI, 2017). 
Tornou necessário, então, serem criadas maneiras de formalizar e legalizar os 
procedimentos que poderiam ser utilizados e as atitudes que deveriam ser tomadas para 
que fosse viável e seguro lidar com seres humanos em pesquisas. Entre elas, estão os 
Comitês de Ética, a Declaração de Nuremberg, de 1947, a Declaração de Helsinque, 
publicada em 1964, a Resolução do Conselho Nacional de Saúde n. 196/96 e Resolução do 
Conselho Nacional de Saúde n. 466/12. O Código de Nuremberg foi o primeiro documento 
específico envolvendo ética na pesquisa com seres humanos, em 1947, e surgiu em função 
das pesquisas médicas abusivas que eram praticadas nos campos de concentração durante 
a Segunda Guerra Mundial (BALLESTRERI, 2017). 
Os médicos que praticavam experimentos negligentes eram levados a julgamento no 
Tribunal de Nuremberg, porém, os juízes não encontravam disposições éticas ou legais que 
pudessem servir de subsídios para condenar os médicos, então, a partir daí, foi elaborado 
um documento contendo 10 itens que passou a ser conhecido como o Código de Nuremberg. 
Entre os itens do código, podemos destacar o item I – “O consentimento voluntário do ser 
humano é absolutamente essencial para a inclusão na pesquisa” – e o item V – “Não deve 
ser conduzido nenhum experimento quando existirem razões para acreditar que pode ocorrer 
morte ou invalidez permanente, exceto, talvez, quando o próprio médico pesquisador se 
submeter ao experimento”. O código estabelece que somente um paciente falante e que tenha 
autonomia para decidir o que é melhor para si, participe, e que a ele sejam apresentados 
pontos referentes a como deve ser conduzida a experimentação, aos direitos do investigado, 
a quem conduzirá a investigação e à segurança do investigador (BALLESTRERI, 2017). 
Mesmo com a elaboração do código, as práticas abusivas continuaram, e por essa 
razão, surgiu a Declaração de Helsinque, elaborada pela Associação Médica Mundial, em 
1964, que, após passar por diversas revisões, a última em 2008, foi considerada um guia 
para os pesquisadores em todo o mundo. Essa declaração traz umconjunto de princípios 
éticos que orientam a pesquisa com seres humanos e é considerada o primeiro padrão 
internacional de pesquisa biomédica (BALLESTRERI, 2017).
49UNIDADE III Bioética e Pesquisa
O Brasil, até 1988, não dispunha de normas específicas. A orientação para as 
pesquisas envolvendo seres humanos se baseavam nos documentos internacionais. Assim, 
em 1987, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) iniciou uma análise sobre essa questão e no 
ano seguinte publicou a Resolução no 01/88, que abrangia vigilância sanitária, biossegurança 
e ética (BRASIL, 1988). Em 1996, essa resolução foi revista e então elaborada a Resolução 
n. 196/96, que então foi revogada pela Resolução 466/12, que estabelece as normas e 
diretrizes de pesquisa envolvendo seres humanos e aborda as questões que vão, desde o 
início do projeto de pesquisa até a operacionalização da pesquisa (BALLESTRERI, 2017). 
Pela resolução, todo projeto de pesquisa em seres humanos que possa conter 
riscos, entendidos como possibilidade de danos à dimensão física, psíquica, moral, 
intelectual, social, cultural ou espiritual do ser humano em qualquer fase da pesquisa e em 
qualquer área do conhecimento, deve ser aprovada antes do início de sua execução por um 
Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) (BALLESTRERI, 2017). 
50UNIDADE III Bioética e Pesquisa
3. COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA (CEP)
A análise dos princípios éticos de projetos de pesquisa em saúde deve considerar a 
garantia da beneficência, da justiça e do respeito ao indivíduo, englobando todas as pessoas 
que possam estar relacionadas à pesquisa (pesquisador, paciente, etc.). A avaliação ética 
de um projeto de pesquisa na área da saúde obrigatoriamente deve estar fundamentada na 
verificação da experiência e da qualificação dos pesquisadores, assim como na avaliação 
risco–benefício ao indivíduo ou à comunidade (BRUM, 2017). 
No Brasil, os Comitês de Ética em Pesquisa surgiram por meio da Resolução 
196/96; os aspectos éticos, as diretrizes e as normas regulamentadoras de pesquisas 
envolvendo seres humanos, por sua vez, foram estabelecidos pela Resolução no 466, 
de 12 de dezembro de 2012. Os Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs), institucionais e 
multidisciplinares na sua composição, têm a função de analisar as pesquisas em seres 
humanos nas diversas áreas de conhecimento, bem como fomentar discussões sobre 
bioética. De forma global, têm como atribuições a análise dos aspectos metodológicos, 
da relevância e exequibilidade do projeto de pesquisa, de forma a garantir o bem-estar 
dos indivíduos, a equidade e a justiça social. É importante que, além de profissionais da 
área, também haja representatividade da comunidade civil (por exemplo, associações 
representativas de determinadas patologias) (BRUM, 2017).
51UNIDADE III Bioética e Pesquisa
No campo da assistência à saúde humana, o aumento da complexidade relacionada 
aos aspectos éticos no cuidado clínico incrementou a necessidade de implementação de 
Comitês de Ética e de consultoria ética nas unidades de saúde, especialmente em hospitais 
de grande porte e que atendam a inúmeras especialidades médicas (BRUM, 2017). 
Nos hospitais, os Comitês de Ética são responsáveis pela organização de políticas 
e condutas éticas e, para tal, é imprescindível que os participantes estejam familiarizados 
com a bibliografia de bioética. Além disso, é preciso que haja representatividade dos 
diferentes profissionais da área da saúde, com organograma e atribuições especificadas, 
assim como representatividade da comunidade externa à organização de atenção à saúde. 
Devem ocorrer reuniões periódicas, mantendo o sigilo dos casos discutidos (BRUM, 2017).
Hospitais e empresas de atenção à saúde também têm recorrido, em algumas 
situações, a consultores em ética. A consultoria em ética deve ser prestada por profissionais 
com qualificação e experiência na área em questão, de forma que emitam pareceres adequados 
a cada caso. A qualificação necessária para consultoria em ética inclui conhecimentos de 
bioética, dos códigos de ética profissional e da legislação em saúde (BRUM, 2017).
As informações e decisões dos Comitês de Ética e dos consultores em ética são 
apenas orientadoras e, em geral, são relatadas ao médico responsável pelo acompanhamento 
do caso clínico. Elas têm por objetivo promover melhoria na atenção ao paciente e resolver 
questões éticas encontradas em casos individuais (BRUM, 2017).
O fato é que a bioética tem a preocupação ética com as aplicações dos novos 
conhecimentos científicos e tecnológicos, em especial quando dirigidos à saúde humana; 
e a tentativa de refletir sobre e estabelecer os princípios norteadores das pesquisas e 
realizações da ciência. Os novos conhecimentos científicos e biotecnológicos adquiridos 
vêm tornando possível o desenvolvimento de novos fármacos, tratamentos, aparelhos 
e procedimentos médicos, além de novas formas de reprodução humana e da pesquisa 
em engenharia genética que permite a manipulação do genoma com fins terapêuticos. E, 
de fato, tais conhecimentos nos permitem vislumbrar, senão já usufruir, de significativos 
benefícios à saúde de um incremento da qualidade e da expectativa de vida. Vivenciamos, 
assim, um cenário de veloz concretização de muitos anseios: o alívio da dor, a superação 
da infertilidade, a libertação das doenças, o prolongamento da vida (MOLLER, 2009). 
No entanto, os atuais avanços das ciências biomédicas suscitam uma série de 
questionamentos de ordem ética, política e jurídica, acerca do modo de fazer ciência e 
acerca dos usos dos resultados das pesquisas e das novas tecnologias à saúde humana e 
ao ecossistema.
52UNIDADE III Bioética e Pesquisa
Assim, a ciência e seus produtos saem do âmbito restrito de pesquisa, atuação e 
arbítrio do cientista (e dos laboratórios, indústrias farmacêuticas e institutos tecnológicos), 
para ganhar espaço nas reflexões, seja de estudiosos de áreas diversas, seja de um público 
leigo apto a imaginar ou perceber as conseqüências, vantagens e riscos, que o espantoso 
progredir da ciência pode trazer em múltiplas esferas de sua vida. Neste contexto, diante 
dos riscos comportados pelo uso arbitrário dos novos conhecimentos, e partindo-se de 
uma consideração da ciência como necessariamente indissociável do âmbito da ética, veio 
conformando-se uma particular noção de responsabilidade: a responsabilidade do cientista 
para com a sociedade, e a responsabilidade da sociedade de hoje para com a sociedade de 
amanhã (das gerações presentes para com as gerações futuras) (MOLLER, 2009).
Os CEPs (Figura 1) devem ser multidisciplinares, ou seja, não mais da metade 
dos membros deve pertencer à mesma categoria profissional e é obrigatório ter um 
representante da comunidade. Esses representantes não serão remunerados. Os CEPs 
vão atuar analisando os projetos e os acompanhando, de modo a garantir e resguardar 
a integridade e os direitos dos voluntários. Assim, o pesquisador, ao desenvolver uma 
pesquisa que envolve seres humanos, deverá enviar o protocolo de pesquisa ao CEP, 
contendo um conjunto de documentos com a finalidade de comprovar os procedimentos 
científicos e éticos empregados. O projeto de pesquisa deve ser submetido ao CEP da 
instituição em que a pesquisa será realizada. Caso a instituição não possua um CEP, 
o pesquisador deverá submeter o projeto à apreciação do CEP de outra instituição. Ao 
ser aprovado um projeto, o CEP passa a ser co-responsável pelos aspectos éticos da 
pesquisa. A Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) é quem controla a atuação 
dos CEPs e os projetos de pesquisa de interesse à saúde pública e coletiva. Essa comissão 
é vinculada ao governo (BALLESTRERI, 2017). 
53UNIDADE III Bioética e Pesquisa
FIGURA 1 - COMITÊS DE ÉTICA EM PESQUISA
 
FONTE: BRUM, 2017; VENTURA, 2015.
A pesquisa científica, representa uma realidade que interfere em toda a sociedade, 
tornando-se de responsabilidade coletiva,tendo em vista a salvaguarda da dignidade da 
pessoa humana (BENTO, 2011). 
54UNIDADE III Bioética e Pesquisa
4. CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO PARA A PRÁTICA 
PROFISSIONAL E PESQUISA CIENTÍFICA
Para a realização de uma pesquisa, além dos itens citados anteriormente, a 
resolução também exige o respeito à autonomia do ser humano, delegando o Termo de 
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) como documento que envolve os aspectos 
éticos básicos da pesquisa, que são (BALLESTRERI, 2017):
1. Esclarecer os indivíduos e proteger grupos vulneráveis e os legalmente 
incapazes (autonomia);
2. Ponderar entre riscos e benefícios (beneficência); 
3. Comprometer-se com o máximo de benefícios e o mínimo de danos e riscos, 
garantindo que danos previsíveis serão evitados (não maleficência);
4. Relevância social da pesquisa com vantagens significativas para os sujeitos da 
pesquisa e a minimização do ônus para os sujeitos vulneráveis (justiça).
55UNIDADE III Bioética e Pesquisa
SAIBA MAIS
O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) é um documento elaborado pelo 
pesquisador em linguagem acessível à compreensão dos sujeitos da pesquisa. O TCLE 
deve ser obtido após o sujeito da pesquisa ou seu responsável legal estar suficiente-
mente esclarecido de todos os possíveis benefícios, riscos e procedimentos que serão 
realizados, assim como fornecidas todas as informações pertinentes à pesquisa.
Fonte: Schnaider, 2010. 
O TCLE visa à aceitação de um tratamento específico ou à experimentação, sabendo 
da sua natureza, das suas consequências e dos seus riscos, ele assegura todos os direitos 
e a autonomia dos sujeitos da pesquisa, inclusive o direito a indenizações, ressarcimentos, 
medicamentos, etc. O participante, após receber explicação completa sobre a natureza da 
pesquisa, os seus objetivos, os métodos, os benefícios previstos e os potenciais riscos, 
tendo concordado com estes, deverá assinar e receber uma cópia do TCLE e tem o direito 
de desistir a qualquer momento (BALLESTRERI, 2017). 
O TCLE deve ser redigido em linguagem clara e acessível, conter a justificativa, 
os objetivos e os procedimentos que serão utilizados na pesquisa e garantir o sigilo e 
a privacidade dos sujeitos quanto aos dados que possam identificá-los. Ele deverá ser 
elaborado pelo pesquisador responsável e aprovado pelo CEP. A pesquisa envolvendo 
seres humanos deverá observar alguns aspectos, como (BALLESTRERI, 2017):
1. Ser adequada aos princípios científicos e estar fundamentada na ex-perimentação 
prévia realizada em laboratórios, animais ou em outros fatos científicos;
2. Ser realizada somente quando o conhecimento que se pretende obter não possa 
ser obtido por outro meio; 
3. Devem, os benefícios, sempre prevalecer aos riscos previstos; 
4. Contar com o consentimento livre e esclarecido do sujeito da pesquisa; 
5. Assegurar a confidencialidade, a privacidade e a proteção da imagem do pesquisado;
6. Respeitar sempre os valores culturais, sociais, morais, religiosos e éticos quando 
as pesquisas envolverem comunidades;
7. Comunicar às autoridades sanitárias os resultados da pesquisa sempre que 
necessário;
8. Assegurar a inexistência de conflito de interesses entre o pesquisador e os 
sujeitos da pesquisa ou patrocinador do projeto.
56UNIDADE III Bioética e Pesquisa
LEITURA COMPLEMENTAR
 
O artigo a seguir, fala sobre o TCLE e fatores que interferem na adesão:
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO 
(TCLE): FATORES QUE INTERFEREM NA ADESÃO.
Fonte: SOUZA, M. K. et al. Termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE): 
Fatores que interferem na adesão. São Paulo: [s.n.], 2013. Disponível em: https://www.
scielo.br/j/abcd/a/PZYGqFG7mwwDH9sBzZjZ4Vw/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 10 
out. 2021.
Considera-se que toda pesquisa envolvendo seres humanos tem riscos. Levando 
isso em conta, esse tipo de pesquisa será admissível quando o risco se justifique pela 
importância do benefício esperado e que o benefício seja maior, ou no mínimo igual, a 
alternativas já estabelecidas para prevenção, diagnóstico e tratamento. Além disso, o 
pesquisador responsável deverá suspender a pesquisa imediatamente ao perceber algum 
risco ou dano não previsto no termo de consentimento. A responsabilidade de assistência 
integral às complicações e aos danos decorrentes dos riscos é do pesquisador, do 
patrocinador e da instituição (BALLESTRERI, 2017). 
57UNIDADE III Bioética e Pesquisa
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao final de mais uma unidade! Quanto aprendizado, não é mesmo? Foi 
possível compreender que a bioética, seus fundamentos e princípios são fundamentais 
para nortear as decisões clínicas e pautar os objetivos de pesquisas envolvendo seres 
humanos, bem como em outras áreas. 
Com os avanços nas metodologias e técnicas de biologia molecular, a ética 
é princípio essencial para a realização de ações responsáveis na pesquisa, de forma a 
assegurar a justiça, equidade e a dignidade das diversas relações, atividades e a avaliação 
metodológica adequada de pesquisas no campo da saúde. 
Você foi capaz de entender a importância e como funcionam os CEPs, bem como, 
o significado e aplicabilidade do TCLE, ferramentas necessárias para impedir o uso arbi-
trário dos novos conhecimentos, garantindo a relevância e exequibilidade dos projetos de 
pesquisa, e assim, garantir a integridade e dignidade dos participantes, em todas as fases 
de execução da pesquisa. Resumindo, é fazer ciência e pesquisa baseados nos princípios 
éticos, com consciência, responsabilidade e respeito à vida!
58UNIDADE III Bioética e Pesquisa
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Introdução à bioética aplicada a pesquisas envolvendo 
seres humanos
Autor: Sebastião Rogério Gois Moreira.
Editora: CRV.
Sinopse: Os laços entre ética e pesquisa, nem sempre 
compreendidos em sua profundidade, são o foco desde trabalho. 
Este livro possibilita conhecer as regulamentações, os princípios 
éticos que orientam a realização da pesquisa com seres humanos, 
o papel e funcionamento dos Comitês de Ética, o que por si já 
o torna leitura fundamental para qualquer pesquisador ou futuro 
pesquisador. Mas o autor vai mais além: com a sensibilidade de 
quem trilha há muitos anos os caminhos da pesquisa acadêmica e 
atua como psicólogo no sistema público de saúde, traz à reflexão 
uma ética do cuidado, do compromisso.
FILME/VÍDEO
Título: Gattaca
Ano: 1997.
Sinopse: Aborda um futuro no qual os seres humanos são 
criados geneticamente em laboratórios, e as pessoas concebidas 
biologicamente são consideradas “inválidas”. Vincent Freeman 
(Ethan Hawke), um “inválido”, consegue um lugar de destaque 
em uma corporação, escondendo sua verdadeira origem. Mas um 
misterioso caso de assassinato pode expôr seu passado.
59
Plano de Estudo:
● A bioética e os dilemas atuais;
● Bioética: cuidados paliativos e a terminalidade da vida;
● Neuroética: novos campos da bioética;
● Bioética: desafios contemporâneos. 
Objetivos da Aprendizagem:
● Discutir os avanços da tecnologia com o olhar da bioética e voltado 
para o ser humano em todas as suas características;
● Compreender o significado e importância dos cuidados paliativos 
como exemplo de dignidade humana no processo de morrer;
● Reconhecer novas abrangências da bioética e assinalar
 alguns aspectos iniciais da neuroética;
● Explorar algumas interfaces da bioética com as neurociências;
● Discutir e refletir os desafios da bioética nos dias atuais.
UNIDADE IV
Bioética e os Dilemas 
Contemporâneos
Profª. Drª. Viviane Krominski
60UNIDADE IV Bioética e os Dilemas Contemporâneos
INTRODUÇÃO
Olá! Tudo bem? Como agir no âmbito da bioética, diante da evolução científica 
que nos encontramos e levando em consideração os avanços tecnológicos, a rapidez 
com que as informações são repassadas, sem esquecer dos conceitos e aspectos éticos? 
Bom, iniciamos esta unidade com exatamente a mesma questão! E assim, vamos no 
decorrer das reflexões, buscando respostase procurando entender que a bioética clínica 
surge nesse contexto dos avanços da tecnologia, mas com o olhar voltado para o ser 
humano em todas as suas características.
Vamos na sequência dos estudos, buscar compreender o significado e importância 
dos cuidados paliativos como exemplo de dignidade humana no processo de morrer, 
enxergando que pessoa em fase terminal está viva e tem necessidades especiais que 
podem ser descobertas e atendidas pelos profissionais de saúde. E assim deve ser!
Ainda nesta unidade, você vai reconhecer novas abrangências da bioética e 
assinalar alguns aspectos iniciais da neuroética, bem como, explorar algumas interfaces 
da bioética com as neurociências e suas implicações. Por último, vamos discutir e refletir 
os desafios da bioética nos dias atuais, destacando que “nem tudo o que é cientificamente 
possível é eticamente admissível”. É isso aí! Compreendeu?
Bons estudos!
61UNIDADE IV Bioética e os Dilemas Contemporâneos
1. A BIOÉTICA E OS DILEMAS ATUAIS
Como agir no âmbito da bioética, diante da evolução científica que nos encontramos 
e levando em consideração os avanços tecnológicos, a rapidez com que as informações são 
repassadas, sem esquecer dos conceitos e aspectos éticos? Por exemplo, a rapidez atual 
da comunicação faz com que entremos em contato diário com os avanços tecnológicos no 
tratamento dos pacientes e assim, cada vez mais, a formação profissional, vai deixando para 
traz a importância do relacionamento profissional e paciente, abandonando a sua caracterís-
tica fundamental que é a de cuidar do doente e não só da doença (GIMENES, 2020). 
A bioética clínica surge nesse contexto, como uma forma de entender e discutir 
os avanços da tecnologia com o olhar voltado para o ser humano em todas as suas 
características. Por exemplo, a inseminação artificial trouxe um grande alento aos casais 
que por diversas causas não podiam concretizar o seu desejo de ter filhos. No entanto, com 
essa questão, surgiu problemas éticos de difícil solução. Um dos problemas, refere-se à 
inseminação homóloga, na qual óvulos e espermatozoides são doados pelo próprio casal 
dando origem a embriões que podem ser implantados no útero da doadora; isso fez surgir 
a questão do destino dos embriões congelados nas clínicas de reprodução assistida e 
também o número de embriões a serem implantados em cada gestação. Outra questão que 
se tornou motivo de discussão foi a da cessão temporária de útero conhecida como “barriga 
de aluguel” e todas as implicações que existem em tal procedimento. 
62UNIDADE IV Bioética e os Dilemas Contemporâneos
Já na inseminação heteróloga, na qual os gametas não pertencem ao casal, o 
surgimento dos bancos de espermatozoides que possibilitam a escolha do doador através 
da análise de suas características físicas, acaba conduzindo inevitavelmente a questões 
como a eugenia e a real paternidade do concepto (GIMENES, 2020).
Por outro lado, a pesquisa científica com células tronco embrionárias humanas 
trouxe a expectativa do desenvolvimento da terapia gênica. No entanto, vem acompanhada 
de dilemas éticos e jurídicos relacionados a origem destas células retiradas de embriões 
humanos descartáveis nas clínicas de fertilização. Dar ao embrião humano o mesmo amparo 
jurídico que tem atualmente o nascituro é uma questão amplamente discutida em nosso 
meio. Outro item analisado pela bioética clínica é o aborto. Além das suas implicações 
legais, a discussão se torna mais ampla quando se coloca em pauta as teorias sobre a 
determinação do início da vida humana (GIMENES, 2020).
REFLITA
Quando ocorre o início da vida humana? Ela se daria após a junção dos gametas, após 
a nidação, após o desenvolvimento do sistema nervoso do embrião ou após o parto? A 
defesa de cada uma destas teorias está diretamente ligada ao conceito de aborto. Sob o 
ponto de vista legal, qual seriam as implicações da sua descriminalização em nosso país? 
Fonte: Gimenes, 2020.
Outra questão, é o desenvolvimento da genética a partir do sequenciamento completo 
do genoma humano, isso trouxe a reflexão sobre questões éticas e legais como o uso de 
testes genéticos preditivos de doenças após o nascimento, a terapia gênica em células 
somáticas ou germinativas com a possibilidade da transmissão de genes modificados para 
gerações futuras. A importância do aconselhamento genético por profissionais capacitados 
tem se tornado um ponto fundamental na atuação da bioética clínica. A identificação biológica 
ao nascer, através do estudo do genoma, traz a possibilidade da criação de bancos de 
dados que podem ser utilizados em diversas ocasiões futuras (GIMENES, 2020).
O transplante de órgãos traz à discussão os aspectos técnicos, legais e éticos que 
vão além do processo de captação. Surge a necessidade da definição do quadro de morte. 
63UNIDADE IV Bioética e os Dilemas Contemporâneos
O diagnóstico de morte encefálica passa a ser utilizado como condição fundamental 
para a eleição do doador e a sua confirmação por exames clínicos e complementares regidos 
por lei e resoluções do CFM. No que se refere à legislação existe todo um histórico que se 
inicia em 1963 na tentativa de disciplinar o transplante de órgãos no Brasil. Desde então, 
as normas foram modificadas culminando na Lei 9.434/1997 que estabelece os critérios 
técnicos para a doação de órgãos e tecidos entre vivos e “post mortem” (GIMENES, 2020).
Outra questão é o aumento de idosos na população mundial e especialmente em 
nosso país, que trouxe a necessidade da inclusão do tema sobre envelhecimento nos 
estudos sobre humanização. A bioética passa a ser o fórum mais adequado para a reflexão 
e discussão sobre o envelhecimento. Abordamos não só as condições fisiológicas e clínicas, 
mas também as dificuldades do cuidador e a interação do paciente idoso com a família e 
com a sociedade. Reconhecer a sua vulnerabilidade e preservar a sua autonomia deve ser 
uma meta a ser alcançada. Envelhecer deve ser encarado como uma conquista, nunca 
como um demérito. A terminalidade da vida é o momento no qual o ser humano se defronta 
com angústias e medos. A bioética clínica se propõe a discutir amplamente, a forma de 
enfrentar as diversas situações relacionadas a tal estado (GIMENES, 2020). 
A distanásia que pode ser definida como a manutenção de procedimentos fúteis 
que prolongam o sofrimento do paciente na fase final da vida deve ser o ponto de reflexão 
a ser levantado por todos os envolvidos. Médico, família e pacientes tem o direito e o dever 
de ter acesso e discutir todas as informações antes da tomada de decisões. A ortotanásia, 
definida como a morte justa sem prolongamento artificial ou desnecessário da vida do 
doente, caracteriza o processo de humanização. Proporciona a morte digna permitindo 
que o paciente enfrente o período final da sua existência sem dor, com tranquilidade e 
aceitação. Este procedimento necessita, na maioria dos casos, da aplicação dos cuidados 
paliativos onde a atuação adequada requer a formação de grupos multiprofissionais. O 
suicídio assistido, atualmente adotado em alguns estados americanos, trouxe a reflexão 
sobre a eutanásia e a validade de tal procedimento como ato médico eticamente aceitável. 
Cada um desses itens citados, estão sob o olhar da bioética e exigem aprofundadas 
discussões e reflexões (GIMENES, 2020).
64UNIDADE IV Bioética e os Dilemas Contemporâneos
Dentro deste contexto se insere a importância da relação médico paciente e 
o valor da comunicação, escuta e acolhimento como formas de humanização. Estes 
valores acabam sendo relegados a um segundo plano frente a velocidade da evolução 
biotecnológica. Existe, de fato, a necessidade da constante atualização diante de novos 
procedimentos e tratamentos o que faz com que a maioria dos profissionais da saúde 
deixem de enfocar a sua atuação nas características holísticas do paciente. A bioética não 
deve se ater apenas à tentativa deresolução de conflitos, mas, fundamentalmente, na 
capacidade de introduzir as informações necessárias para o desenvolvimento da reflexão 
sobre assuntos voltados a ética. Nesse contexto, a humanização deve ser encarada como 
um verdadeiro instrumento de trabalho, colocada em prática e essencial na formação de 
profissionais da saúde (GIMENES, 2020).
65UNIDADE IV Bioética e os Dilemas Contemporâneos
2. BIOÉTICA: CUIDADOS PALIATIVOS E A TERMINALIDADE DA VIDA
Apesar de todo o avanço tecnológico de que dispomos na atualidade, temos ainda 
um número expressivo de enfermidades para as quais não é possível a cura. Quando um 
doente e sua família recebem a informação de que a doença não tem mais cura, muitos 
questionamentos e dúvidas surgem em suas vidas. Essa realidade costuma causar muita 
angústia a essas pessoas e seus familiares (MORAES, 2009). Para agravar essa situação, o 
paciente fora de possibilidades de tratamento e cura é comumente rotulado como “terminal”. 
Isso traz a falsa percepção de que nada mais pode ser feito em seu favor. Porém, a pessoa 
em fase terminal está viva e tem necessidades especiais que podem ser descobertas e 
atendidas pelos profissionais de saúde (KÓVACS, 1992). 
Por exemplo, quando falamos em dignidade humana no processo de morrer, 
na morte e no luto dos familiares, espera-se dos profissionais de saúde práticas 
pautadas nos princípios bioéticos para que sejam garantidos os cuidados de fim de 
vida (BARCHIFONTAINE, 2010). Esses cuidados se sustentam na assistência ativa e 
integral, prestada a pacientes com doença grave, progressiva e irreversível que não 
respondem a tratamentos curativos, buscando controlar a dor e outros sintomas, tendo 
em vista a prevenção precoce e o alívio do sofrimento nas dimensões física, emocional, 
social e espiritual. Trata-se de perspectiva centrada no enfermo e na família, que rompe 
o paradigma da atenção biologicista (direcionada exclusivamente para a doença) por 
compreender que nada é mais humano do que ajudar a aliviar o sofrimento da pessoa em 
cuidados paliativos e seus familiares (MEDEIROS et al., 2020).
66UNIDADE IV Bioética e os Dilemas Contemporâneos
Nesse contexto, torna-se imprescindível a introdução de outras formas de atenção 
que propiciem a melhoria da qualidade de vida que resta, bem como o suporte necessário 
para o doente e sua família. Diante dessa realidade surge uma nova maneira de atuar perante 
esses pacientes sem perspectiva de cura. Esse conjunto de ações recebe a denominação 
de cuidados paliativos, definidos como os cuidados ativos e totais aos pacientes quando a 
doença não responde mais aos tratamentos curativos (FERREIRA et al., 2008).
A Organização Mundial da Saúde, define que cuidados paliativos consistem na 
atenção promovida por uma equipe multidisciplinar, que busca a melhoria da qualidade de vida 
do paciente e seus familiares, diante de uma doença terminal, por meio da prevenção e alívio 
do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais 
sintomas físicos, sociais, psicológicos e também, espirituais. Cabe, portanto, ressaltar que, 
dentro desse conceito, os cuidados paliativos baseiam-se em ciências referentes às diversas 
especialidades do conhecimento médico reafirmando a necessidade de saber específico, 
desde a prescrição de medicamentos, decisões à respeito de medidas não farmacológicas, 
observando a importância da forma de atuação que envolve a interação com o paciente, sua 
adequação psicológica e social, principalmente, quando se lida com a dor, tendo desvelo 
quanto ao aspecto espiritual, respeitando crenças e valores da pessoa (MELLO, 2020). 
67UNIDADE IV Bioética e os Dilemas Contemporâneos
LEITURA COMPLEMENTAR
Conflitos bioéticos nos cuidados de fim de vida
Esta revisão integrativa da literatura tem por objetivo identificar os principais 
conflitos entre paciente em cuidados de fim de vida, familiares e equipe de saúde sob a 
ótica da ética principialista. 
Fonte: MEDEIROS, M. O. S. F.; MEIRA, M. V.; FRAGA, F. M. R.; SOBRINHO, C. 
L. N.; ROSA, D. O. S.; SILVA, R. S. Conflitos bioéticos nos cuidados de fim de vida. Rev. 
Bioét. 28 (1). 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bioet/a/FGXnfknWjcgmnqVKJ-
TKP5mw/?lang=pt. Acesso em: 10 nov.2021.
68UNIDADE IV Bioética e os Dilemas Contemporâneos
Em uma visão ampla, considerando o indivíduo em sua integração biopsicossocial, 
agrega-se aos cuidados paliativos a questão da espiritualidade e a preocupação com a 
família, em relação a assistência prestada após a morte e durante o período de luto. É 
importante afirmar, que tais cuidados não se baseiam em protocolos e, sim, em princípios, 
não se falando mais em terminalidade, mas em doença que ameaça a vida (MELLO, 2020).
É diante desse panorama que o serviço de cuidados paliativos surge, propondo 
uma nova filosofia de cuidado por meio da qual o profissional de saúde deve respeitar a 
autonomia do paciente enfermo, fora de possibilidades de cura, quando ele não quiser 
mais uma vida de sofrimento (BIFULCO, 2005). A assistência aos pacientes com doença 
terminal e a suas famílias, deveria ser prestada dentro de uma concepção multiprofissional 
de cuidados totais, ativos e continuados. A equipe multiprofissional deveria empenhar-se 
em aumentar a qualidade de vida restante de pacientes (e familiares) que lutavam contra 
uma enfermidade mortal (BRASIL, 2002). 
A palavra pallium, de origem greco-romana, está relacionada ao casaco de lã 
que era usado pelos pastores para se protegerem do clima adverso, estando, portanto, 
relacionada com o cuidado e proteção, não com medidas extraordinárias para combater a 
morte (KOVÁCS, 1999). O movimento dos cuidados paliativos trouxe de volta, no século 
XX, novamente a possibilidade de humanização do processo de morrer, opondo-se à 
ideia de morte como uma doença a ser curada a qualquer custo. Nesta perspectiva a 
morte deve ser vista como uma parte de um processo da vida, e, no adoecimento os 
tratamentos devem visar à qualidade de vida e ao bem-estar, mesmo quando a cura não 
é mais possível (BIFULCO e IOCHIDA, 2009).
No contexto atual, paliativos são cuidados ativos totais prestados a pacientes e às 
suas famílias quando o doente já não se beneficiará de tratamento que cure sua doença. 
Nesse momento, o enfoque terapêutico é voltado para a qualidade de vida, o controle dos 
sintomas do doente e o alívio do sofrimento humano (BRASIL, 2002). O cuidado paliativo 
como um campo científico e não científico ao mesmo tempo, em que pessoas se organizam 
para lidar com suas próprias dificuldades e, também, das outras pessoas, acerca de uma 
etapa enigmática para a ciência, que é a morte (SILVA et al., 2010).
O cuidado paliativo implica, principalmente, a relação entre as pessoas que cuidam 
e as que são cuidadas, sendo as intervenções técnicas secundárias à relação que se 
estabelece entre equipe de cuidados e pacientes (SIMONI e SANTOS, 2003).
69UNIDADE IV Bioética e os Dilemas Contemporâneos
Para Remedi et al. (2009), nos cuidados paliativos a ação não é determinada apenas 
pela competência técnico-científica, apoiada no processo diagnóstico e terapêutico; a ação 
é também realizada por questões políticas, éticas, culturais, sociais e subjetivas. Dessa 
forma, o maior desafio enfrentado pela equipe multidisciplinar envolvida no processo, é 
encontrar no trabalho cotidiano, junto dos que recebem cuidados paliativos, um equilíbrio 
harmonioso entre a razão e a emoção.
O termo paliativo é adotado na modernidade para o cuidado no fim de vida. É 
um termo ligado à morte ritualizada nos hospitais, embora não esteja necessariamente 
associado ao fim de vida medicalizado (SIMONI e SANTOS, 2003). Os cuidados paliativos 
abordam de forma objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e de seus familiares 
diante de uma doença que ameaça a vida, por meio da prevenção, alívio de sofrimento, 
identificaçãoprecoce, avaliação, tratamento da dor e outros problemas físicos, psicológicos 
e espirituais (CLEMENTE e SANTOS, 2007).
A origem do termo cuidado paliativo situa-se, na verdade, em uma discussão 
da prática médica sobre o lidar com pacientes considerados terminais. Desta forma, 
o cuidado paliativo difere do curativo pela noção médica de paciente “terminal” ou “fora 
de possibilidades terapêuticas” (SIMONI e SANTOS, 2003). Os princípios dos cuidados 
paliativos incluem: não apressar ou postergar a morte e, sim, oferecer alívio da dor e de 
outros sintomas angustiantes, integrar aspectos psicológicos e espirituais do tratamento do 
paciente, apoiando a família durante a doença do paciente e após sua morte (SILVA, 2000).
Os alicerces dos cuidados paliativos abrangem três grandes áreas: honestidade e 
sinceridade em lidar com a morte e o morrer; comprometimento em avaliar todos os fatores 
necessários ao conforto do paciente enfermo e de seus familiares; o desejo de contemplar 
essas necessidades pelo envolvimento ativo com outros profissionais ca- pacitados para 
esse fim (MOHALLEN e RODRIGUES, 2007).
A Bioética, no contexto dos cuidados paliativos, se coloca no patamar da autonomia 
da pessoa enferma, proporcionando-lhe, de acordo com a sua situação, oportunidades 
de decisão e de opções que lhe tragam satisfação. Cabe ao profissional de saúde, que 
tem a oportunidade de estar e permanecer com o paciente e seus familiares por um 
período relativamente largo, a responsabilidade e o compromisso de lhe proporcionar a 
beneficência por meio do processo cuidativo em enfermagem, que deve estar ancorado 
pela dimensão humanística. É imprescindível estar comprometido com o outro; neste caso, 
é o compromisso do profissional com o paciente (SILVA et al., 2010). 
70UNIDADE IV Bioética e os Dilemas Contemporâneos
3. NEUROÉTICA: NOVOS CAMPOS DA BIOÉTICA
A neuroética é um campo novo, mas altamente influente, no espectro internacional. 
Emergiu na interface da bioética com as novas descobertas e estudos das neurociências, 
psiquiatria, neurologia (ZOBOLI e PENA, 2017). A neurociência penetra tópicos 
historicamente ligados à filosofia, indo ao núcleo do que significa ser humano: qual é a 
natureza da moralidade? O que explica a perda de autocontrole? Quando as crenças 
são justificadas? Como se deve buscar o conhecimento? (LEVY, 2008). Há trabalhos na 
neurociência, e na psicologia também, que parecem demonstrar que a emoção tem papel 
significativo no julgamento moral, talvez maior do que a maioria das pessoas, filósofos e 
científicos ousavam pensar (LEVY, 2008). Com isso, a neuroética é um saber interdisciplinar 
e se refere a duas questões éticas interrelacionadas: a ética das neurociências e o estudo 
das bases neurais do comportamento moral (ZOBOLI e PENA, 2017). 
Como ética da neurociência e de outras ciências voltadas ao estudo da mente 
humana, a neuroética busca refletir e responder questões sobre a aplicação do conhecimento 
neurocientífico. Faz a análise das implicações éticas do desenvolvimento do conhecimento, 
da pesquisa, da tecnologia e da prática clínica em neurologia, neurocirurgia, psiquiatria. Em 
certa medida, esse âmbito é mais habitual na bioética, uma vez que está se difundiu por 
meio de reflexões acerca das questões éticas envolvidas na aplicação de novas tecnologias 
biomédicas (LEVY, 2008). Ao estudar as bases neurais do comportamento moral das 
pessoas, a neuroética é a “neurociência da ética”. Ou seja, o estudo das bases neurais do 
comportamento ético, livre-arbítrio, consciência e comportamento moral, integrando dados 
científicos duros a conceitos humanísticos (RAMOS-ZUÑIGA, 2015).
71UNIDADE IV Bioética e os Dilemas Contemporâneos
SAIBA MAIS
Neurociência: ciências experimentais que tentam explicar o funcionamento do cérebro, 
valendo-se de métodos e técnicas de pesquisa próprios das ciências como observação, 
experimentação e hipóteses.
Epigenética: o conceito, surgido nos anos 1940 e reelaborado na década de 1990, 
identifica o modelo etiológico que compreende a vulnerabilidade às doenças como 
consequência da interação gene-ambiente. Nos estudos psiquiátricos, a genética e 
a variação ambiental não são fatores determinantes da doença, mas contribuições 
discretas e probabilísticas à formação psicopatológica.
Fonte: Zoboli e Pena, 2017.
O respeito pela autonomia, na bioética, tem pressuposto identidades pessoais 
relativamente estáveis ao longo do tempo, mas como ficará isso com as possibilidades 
abertas pelas novas tecnologias neurocientíficas de se fazerem modificações cognitivas que 
poderão implicar novas identidades para a pessoa? Ao ter boa parte de suas memórias 
reescritas, o que se dará com a autonomia da pessoa? Esse reescrever das memórias é 
violação da autonomia? O direito de as pessoas autonomamente direcionarem suas vidas 
incluirá o direito de se recriarem para enriquecer suas vidas? Quem decidirá quais bens 
possíveis com a neurociência são valiosos ou benéficos para a pessoa e a sociedade? 
Quem vai, e como vai aquilatar os danos de modificações cognitivas, se as pessoas podem, 
por exemplo, obter vantagens competitivas no local de trabalho? Será justo que alguns tipos 
de modificações sejam patrocinados por comunidades, empresas, militares e países para 
tornar as pessoas mais aptas e úteis para as tarefas de interesse dessas organizações ou 
estados? Será justo as pessoas se utilizarem de modificações que melhorem desempenho 
cerebral para manter-se empregado ou numa colocação de boa remuneração? Por que não 
melhorar as funções cerebrais se as melhorias físicas são buscadas pelas pessoas, e em 
certa medida até prescritas pelos profissionais de saúde, com exercícios, cirurgias plásticas? 
Essas modificações não atingirão a dignidade humana? (SHOOK e GIORDANO, 2014).
72UNIDADE IV Bioética e os Dilemas Contemporâneos
Esses questionamentos mostram que neuroética, a fim de guiar de maneira prudente 
e responsável essas dinâmicas considerando a dignidade humana em um cenário mundial 
moralmente plural, não pode se furtar a indagações relevantes para a humanidade, pois 
os avanços da neurociência e as neurotecnologias possibilitarão mudanças profundas na 
condição humana, se não no ser humano (SHOOK e GIORDANO, 2014).
Os avanços das neurociências abrem espaço para concretizar ainda mais um 
dos princípios éticos que norteiam a atividade científica e a prática da atenção à saúde: 
beneficiar. Aumentam as possibilidades de intervir de maneira mais efetiva sobre agravos 
como esquizofrenia, Alzheimer, demência senil, transtorno bipolar (CORTINA, 2011). Os 
avanços da neurociência se acompanham de significativos desafios éticos de natureza 
prática (monitorar e manipular a mente humana, quebrar sua privacidade, melhorar as 
funções motoras e psicológicas e entender as bases físicas da tomada de decisões) e 
filosófica (entendimento da relação cérebro--mente, pós-humanidade). É urgente, uma 
neuroética que almeje as diretrizes para o uso moralmente prudente das neurotecnologias 
(KIPPER, 2011). A neuroética precisa ser construção conjunta dos que se dedicam à 
bioética e às neurociências, considerando três chaves da ética moderna, como define 
Cortina (CORTINA, 2011): ética universal, política democrática e liberdade.
73UNIDADE IV Bioética e os Dilemas Contemporâneos
4. BIOÉTICA: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS 
O respeito à vida deve prevalecer em toda a sua dimensão, independendo do 
momento evolutivo do ser humano, abrangendo desde a fase pré-implantatória do embrião 
até a valorização da dignidade daquele que já morreu. Novas esperanças e conflitos nascem 
com o desabrochar da biotecnologia, pois “nem tudo o que é cientificamente possível é 
eticamente admissível”. Daí advém a importância do debate bioético, da regulamentação 
do biodireito daquilo que a biotecnologia constrói (MALUF, 2020).
A bioética relaciona-se intimamente com os movimentos sociaise com a evolução 
das ciências, da tecnologia e do pensamento que se transmutam com a evolução histórica 
dos tempos; ao biodireito coube a regulamentação dos temas explorados pela bioética 
introduzidos pela biotecnologia, que operam numa velocidade astronômica, alterando a 
feição do cotidiano. Assim, ao se fazer um balanço dessas grandes realizações e do 
legado que se está deixando para as futuras gerações, começa-se a pensar como estará 
o mundo no futuro; quais serão os valores dominantes; como estarão equacionadas 
as condições de vida e saúde da humanidade. E por fim, que desafios enfrentarão as 
gerações futuras? (PESSINI, 2002).Busca-se desta forma dar um novo sentido à existência 
e à experiência humana, destaca-se cada vez mais o encontro da felicidade e da realização 
pessoal, raiz máxima da condição humana. 
74UNIDADE IV Bioética e os Dilemas Contemporâneos
É fundamental o estabelecimento de limites éticos e operacionais bem definidos 
para que as pesquisas científicas possam progredir sem danificar o meio ambiente, sem 
ultrapassar as barreiras da dignidade, sem comprometer o futuro das espécies, suplantando 
assim os interesses individuais em prol do interesse da coletividade, evitando desta forma 
uma nova maneira de sujeição do homem pelo homem, agora do ponto de vista genético, 
quando falamos em eugenia, em mapeamento genético, na relativização dos papéis 
familiares (MALUF, 2020).
O respeito à vida humana tomou uma nova dimensão no mundo contemporâneo, 
tendo em vista vários aspectos, como a valorização da dignidade humana, o momento 
histórico vigente, a evolução dos costumes, o diálogo internacional, a descoberta de novas 
técnicas científicas, a tentativa da derrubada de mitos e preconceitos, fazendo com que o 
indivíduo possa, sentir-se em casa no mundo (MALUF, 2010).
75UNIDADE IV Bioética e os Dilemas Contemporâneos
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Estamos chegando ao final de nossa última unidade. Já sabemos o que é bioética 
e como ela se aplica no mundo globalizado e nos conflitos do dia-a-dia. Tivemos acesso às 
questões sobre a ética da responsabilidade pública e individual, seus impactos e perspectivas 
e a importância da bioética, seus fundamentos e princípios na prática profissional relacionada 
à realização de pesquisas científicas e o papel dos Comitês de Ética em Pesquisa como 
órgão responsável para avaliar a relevância e exequibilidade dos projetos de pesquisa, de 
forma a garantir o bem-estar dos indivíduos, a equidade e a justiça social.
Agora, ao longo desta unidade discutimos os desafios e o olhar da bioética diante 
dos avanços biotecnológicos, as novas abrangências da bioética, os cuidados paliativos 
no final da vida, mostrando sempre que a vida é nosso bem maior e o ser humano, o 
protagonista desse processo evolutivo, e que, portanto, o respeito à vida, deve ter uma nova 
dimensão no mundo contemporâneo, tendo em vista a valorização da dignidade humana, 
seu bem-estar e direito à autonomia nas decisões. É fundamental o estabelecimento e 
cumprimento de limites éticos num mundo globalizado e quase “sem limites científicos”. 
Assim, a bioética e seus princípios tornam-se essenciais para impor valores 
e reflexões diante de questões de ética e moral que assolam o cotidiano, valorizando e 
respeitando sob todos os aspectos, a dignidade e a vida humana!
76UNIDADE IV Bioética e os Dilemas Contemporâneos
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Bioética no século XXI: Anseios, receios e devaneios
Autor: Leocir (Leo) Pessini, Christian de Paul de Barchifontaine, 
William Saad Hossne.
Editora: Edições Loyola.
Sinopse: Estamos diante de um texto escrito por autores, 
amigos morais (segundo Engelhardt) que trabalham juntos as 
questões de Bioética há mais de duas décadas, um percurso 
iniciado em 1995, e que têm distintos backgrounds em termos de 
conhecimento, formação científica e trabalho profissional. Longe 
de antagonismos em virtude dessas diferenças, nutrimos ao longo 
desse tempo uma sintonia e um sincronismo em assuntos de 
interesse da Bioética, como a promoção, proteção e defesa dos 
valores éticos relacionados com a vida, no sentido mais amplo 
possível, e os cuidados humanizados na esfera do sistema de 
saúde e do exercício profissional das diferentes profissões da 
saúde. Este texto celebra 20 anos de reflexão, militância, amizade 
e caminhada nas sendas desafiadoras da Bioética contemporânea. 
Nossa condição humana e profissional representa, desse modo, a 
característica fundamental da Bioética: um saber de cunho inter, 
multi e transdisciplinar. 
FILME/VÍDEO
Título: Menina de ouro
Ano: 2004.
Sinopse: O filme Menina de ouro conta a história de Maggie 
Fitzgerald, interpretada por Hilary Swank, que enfrenta mais que 
apenas preconceitos na tentativa de construir uma carreira no 
boxe. A garota vai à academia de Frankie Dunn (Clint Eastwood), 
treinador experiente que agenciara grandes nomes do esporte, 
em busca do sonho, mas ele a rejeita por ser mulher e estar 
acima da idade ideal. Mesmo assim, Maggie utiliza o ginásio para 
treinar, diariamente, e recebe o apoio de Scrap (Morgan Freeman), 
zelador da academia e único amigo de Frankie. Vencido pela 
insistência, Frankie aceita treiná-la, mas, após tornar-se uma 
lutadora de grande potencial, Maggie sofre uma lesão que a deixa 
completamente paralisada. Neste momento, o filme toca em um 
assunto ainda delicado: a eutanásia. O destino da garota está nas 
mãos de Frankie: deixá-la viver, porém infeliz; ou autorizar a morte 
assistida e tirá-la do sofrimento de não poder lutar.
77
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saúde / organizadoras Taka Oguisso, Elma Lourdes Campos Pavone Zoboli. 2.ed.Barueri, 
SP: Manole. p. 107-122. 2017. 
85
CONCLUSÃO GERAL
Prezado (a) aluno (a),
Neste material, busquei trazer para você conceitos, características e definições sobre a 
bioética e sua aplicabilidade e reflexões diante dos conflitos que rotineiramente nos deparamos. 
Sobretudo, analisamos a evolução da bioética ao longo dos anos e como seus conceitos e 
princípios são fundamentais para as práticas na área das ciências da vida e também da saúde.
Destacamos também, a necessidade e importância dos códigos de conduta em 
diversas áreas, ou seja, os deveres, os princípios e regras inerentes a uma determinada 
profissão. Assim, todos os profissionais estão sujeitos à sua própria deontologia para 
regular o exercício da sua profissão de acordo com o código de ética da sua categoria. 
Os códigos deontológicos referem-se estritamente à moralidade de uma profissão e ao 
comportamento exigido por um profissional, e, que norteiam a conduta e reflexões acerca 
de um conflito. Nesse contexto, você viu também como é necessário a regulamentação 
de leis que respeitem os direitos do paciente e assegurem sua autonomia na tomada de 
decisão no que diz respeito ao seu corpo e sua vida. Tudo isso, tem ação direta na ética da 
relação profissional-paciente, respeitando os princípios bioéticos da autonomia (por meio 
do consentimento livre e esclarecido), beneficência, não maleficência e justiça, objetivando 
sempre o melhor cuidado dedicado ao paciente.
Vimos que a bioética é essencial na orientação de condutas individuais e coletivas 
dentro da ciência e pesquisa, como promotora de conceitos éticos e morais, para garantir a 
realização de ações responsáveis, de forma a assegurar a dignidade das diversas relações, 
atividades e a avaliação metodológica adequada de pesquisas no campo da saúde. Nesse 
contexto, falamos da função e importância dos comitês de ética em pesquisa, bem como, 
suas atribuições como órgão responsável na análise dos aspectos metodológicos, da 
relevância e exequibilidade dos projetos de pesquisa, de forma a garantir o bem-estar dos 
indivíduos, a equidade e a justiça social.
86
Compreendemos ainda, os desafios da bioética diante dos avanços tecnológicos e da 
rapidez com que as informações são divulgadas, pois devemos acompanhar estas evoluções 
sem nos esquecer dos conceitos e aspectos éticos e da importância do relacionamento 
profissional e paciente, pois não se deve abandonar a sua característica fundamental que é 
a de cuidar do doente e não só da doença. Assim, a bioética clínica surge nesse contexto, 
como uma forma de entender e discutir os avanços da tecnologia com o olhar voltado para o 
ser humano em todas as suas características, com valores e total dignidade. 
Finalizamos esta disciplina, destacando o significado e importância dos cuidados 
paliativos como exemplo de dignidade humana no processo de morrer; pois quando estamos 
falando de final da vida, morte e no luto dos familiares, espera-se dos profissionais de 
saúde práticas pautadas nos princípios bioéticos para que sejam garantidos os cuidados 
adequados, com total empatia e demonstrando um respeito incondicional à vida humana 
nesse momento tão delicado.
Agora é com você! Aplique e pratique todo conhecimento conquistado até aqui! 
Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigada!
+55 (44) 3045 9898
Rua Getúlio Vargas, 333 - Centro
CEP 87.702-200 - Paranavaí - PR
www.unifatecie.edu.brresposta foi sim e de forma geral, a maioria das pessoas já vivenciou uma questão 
como essa! É nesse contexto que a Bioética adquire espaço e suas fundamentações e 
reflexões se tornam fundamentais. 
Mas o que é bioética e como ela se aplica no mundo globalizado e nos conflitos do 
dia-a-dia? É sobre exatamente isso que abordaremos nesta unidade. Vamos nos familiarizar 
com conceitos e princípios da Bioética e como ela vem para fundamentar e solucionar 
conflitos que envolvam questões como valores, ética e moral. A Bioética tem o objetivo de 
amenizar os enfrentamentos de conflitos que surgirão na vida profissional e na sociedade 
de uma forma geral. Para isso, vamos mergulhar em um universo de conceitos, definições 
e princípios que serão fundamentais para o embasamento científico e a possibilidade de 
reflexões e argumentações sobre esse tema tão relevante no mundo atual!
SEJA BEM VINDO (A) E BOM ESTUDO! 
6UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
1. INTRODUÇÃO E NOÇÕES FUNDAMENTAIS: VALOR, MORAL E ÉTICA
“Será que minha conduta profissional está fundamentada em princípios éticos?” ou 
ainda: “Estou agindo da maneira mais adequada?”. Você já passou por uma situação parecida 
de ter que fazer essas perguntas diante de um acontecimento? Eu já. Como responder à 
estas questões ou melhor, como agir diante de situações que envolvem valores, ética, moral e 
conduta? Nesse contexto, a Bioética tem como objetivo facilitar o enfrentamento de questões 
éticas/bioéticas que surgirão na vida profissional. Sem esses conceitos básicos, dificilmente 
alguém consegue enfrentar um dilema, um conflito, e se posicionar diante dele de maneira 
ética. Assim, esses conceitos devem ser muito claros e fundamentados, pois a ideia não 
é impor regras de comportamento, pois as leis existem justamente para isso; a ideia é ter 
subsídios para que as pessoas possam pensar e saber se comportar nas diferentes relações 
e situações da vida profissional em que surgem conflitos éticos (JUNQUEIRA, 2020).
Para Cohen e Segre (2002) a ética ou a condição de vir a ser ético, leva as pessoas 
a pensarem que signifique apenas a competência para ouvir-se o que “o coração diz”. Na 
verdade, os autores acreditam que essa seja apenas uma característica de sensibilidade 
emocional, reservando-se o “ser ético” para os que tiverem a capacidade de percepção 
dos conflitos entre “o que o coração diz e o que a cabeça pensa”, podendo-se percorrer 
o caminho entre a emoção e a razão, posicionando-se na parte desse percurso que se 
considere mais adequada ou seja, colocando a ética em prática (COHEN e SEGRE, 2002).
7UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
Diante da Bioética das Relações, a pessoa não é moralmente inata, sua estrutura 
moral coincide com seu desenvolvimento. Reconhecendo que o ser humano nasce sem 
moralidade ou capacidade para funções sociais, ambas as características serão combinadas 
no processo de se tornar humano que cada indivíduo terá que passar. Portanto, como 
premissa, podemos considerar que cada indivíduo só se torna virtuoso quando consegue 
pensar a moralidade em seu aspecto social como ser humano. O pensamento ético torna-
se assim uma tarefa diária quando se está no mundo contemporâneo, pensando e agindo 
como um ser humano (LEUTÉRIO et al., 2020).
A Bioética está relacionada com a clareza de conceitos como valor, moral e ética; 
não dá para abordar questões bioéticas sem rever e reafirmar esses conceitos (LEUTÉRIO 
et al., 2020). Conceitos como valor, moral e ética vão sendo adquiridos e vivenciados de 
acordo com a experiência de vida de cada um e sua realidade (COHEN e SEGRE, 2002). 
Todos somos influenciados pelo ambiente em que vivemos, histórico, cultural ou social. 
Para construir uma mentalidade bioética completa, precisamos conhecer e compreender 
essas influências, afinal, não podemos excluí-las de nossa vida! (JUNQUEIRA, 2020).
O conceito de valor está associado ao conceito de preferência ou escolha - o que 
é valioso em um determinado momento em um determinado grupo. A ética é um sistema 
de valores que conduz a padrões considerados justos por uma determinada sociedade, 
grupo ou raça (COHEN e SEGRE, 2002). Alguns autores argumentam que a ética começa 
quando as pessoas entendem que certos comportamentos são obrigatórios ou inaceitáveis 
justamente por seus efeitos sobre os outros e, portanto, sobre a sobrevivência do próprio 
grupo. Nesse contexto, a ética implica análise e reflexão crítica sobre os valores. É uma 
ação, um movimento de dentro para fora; surge dos valores intrínsecos de cada indivíduo 
para ajudá-lo a definir o que é certo e errado, justo ou injusto, o bem ou o mal em uma ação 
humana (LEUTÉRIO et al., 2020). 
REFLITA
Para Clotet (1986), ser ético, implica principalmente, na busca do desenvolvimento 
pessoal, ou seja, permitir que as pessoas se realizem, com uma ética diretamente ligada 
à perfeição humana. O que você pensa sobre isso? 
Ou ainda, a ética é a ciência que estuda o comportamento humano e a moral é a 
qualidade desse comportamento, do ponto de vista do bem e do mal (WALKER, 2015). 
Conseguiu compreender essa relação do bem e do mal?
Fonte: Clotet, 1986; Walker, 2015.
8UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
Pode-se dizer que a ética é antes de tudo um processo de reflexão sobre 
decisões e atitudes anteriores diante do conflito de valores. A ética e a moralidade são 
preceitos fundamentais que regem as ações e decisões de um indivíduo ao longo da 
vida, mas, ao contrário da moralidade, a ética não estabelece regras. A moralidade é um 
padrão humano. Em seu sentido mais profundo, ética é como cada indivíduo vive em 
sociedade, como ele interpreta e reage à vida. Em vida, o homem constrói sua própria 
dimensão moral: definindo e fortalecendo seus valores, desenhando seu caráter (COHEN 
e SEGRE, 2002). Assim, Warren T. Reich, na Encyclopedia of Bioethics, define bioética 
como o estudo sistemático do comportamento humano, nas ciências da vida e na saúde, 
quando esse comportamento é visto à luz de valores e princípios morais. No entanto, 
essa definição é caracterizada por uma bioética aplicada, o que não significa uma nova 
ética ou sistema ético, mas um sistema reflexivo (LEUTÉRIO et al., 2020). 
O estudo e fundamentação em princípios bioéticos é importante para que se consiga 
responder às questões como as apresentadas acima e apresentar uma conduta baseada 
em princípios éticos e morais. Muitas são as situações que envolvem a bioética vivenciada 
no dia-a-dia de pessoas durante o exercício profissional. Um exemplo atual, refere-se às 
questões bioéticas postas para os países diante da pandemia mundial da Covid-19. Dentre 
estas, talvez o mais óbvio esteja relacionado ao gerenciamento de recursos escassos e, 
portanto, à necessidade de se estabelecer critérios para a seleção de pacientes a serem 
internados em terapia intensiva. O rápido aumento de pessoas infectadas que requerem 
hospitalização em países como Itália, Espanha e Estados Unidos, Brasil e muitos outros; 
impactou e alarmou, ao mostrar a nítida adoção de parâmetros, evidenciando a existência 
da “escolha de quem vive e de quem morre” (GONÇALVES e DIAS, 2020).
REFLITA
As diretrizes produzidas pela associação britânica British Medical Association, por 
exemplo, orientam que pacientes idosos ou outros com maior probabilidade de morrer, 
assim como os que precisem de cuidados intensivos por mais tempo, devem ser 
secundarizados na avaliação de viabilidade para a assistência à saúde. (GONÇALVES; 
DIAS, 2020). Diante de situações como esta, nem sempre as respostas estão claras: o 
que é certo ou errado? 
Fonte: Gonçalves e Dias, 2020.
9UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
Existe, portanto, a necessidade de debater questões que colocam em risco 
conceitos e as condutas éticas diante de situações inusitadas e de grandes proporções 
como a pandemia da COVID-19 e tantas outras questões que envolvem aética e a moral. O 
que fazer? Como agir? São questões que muitas vezes para obter as respostas corretas não 
se pode ou muito menos se consegue fazer sozinho, havendo a necessidade da criação de 
um comitê bioético multidisciplinar, e que possa assessorar as decisões estratégicas neste 
grave momento pandêmico em que não podemos permitir que a escolha por quem vive e 
quem morre incida, mais uma vez, sobre os segmentos historicamente mais invisíveis ou 
vulneráveis de nossa sociedade (GONÇALVES e DIAS, 2020). 
Bom, agora que você já sabe o que é bioética e foi capaz de compreender sua 
importância em diversos aspectos da sociedade, iremos avançar para o tópico II! Nele você 
terá uma visão geral sobre a história da Bioética e reflexões acerca de seus conceitos e 
fundamentos! Vamos estudar juntos?
10UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
2. HISTÓRICO E REFLEXÕES
O termo bioética foi utilizado pela primeira vez em 1970 pelo americano Van Rensselaer 
Potter (Figura 1), em texto publicado na revista Perspectives in Biology and medicine, e a 
seguir, em 1971, no livro Bioethics: Bridge to the future, com o objetivo de contribuir para o 
futuro da humanidade e promover a formação de um novo campo do conhecimento. Potter 
propôs a Bioética, destacando que, como alguns conflitos entre ciência e humanidade levam 
à insegurança, é preciso fazer uma ponte para o futuro, por meio da ética, para construir outro 
campo do conhecimento como elo entre dois saberes (LEUTÉRIO et al., 2020).
FIGURA 1 - VAN POTTER E INTRODUÇÃO DO TERMO BIOÉTICA
Fonte: Junqueira, 2021.
Leone e colaboradores (2001), no entanto, citaram a bioética na década de 1970 
como um fenômeno cultural nascido da necessidade, cada vez mais presente na sociedade 
contemporânea, de transições políticas e societárias de acordo com proposições éticas autênticas. 
11UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
Com a expansão do conceito, a bioética atingiu seu apogeu com ampla popularidade, 
diretamente relacionada ao desenvolvimento da mídia e ao poder das pessoas de intervir 
efetivamente nos processos humanos da natureza, principalmente no nascimento e na 
morte. Em 1975, na Universidade de Washington, Andre Hellegers institucionalizou o termo 
como uma área acadêmica do conhecimento, possibilitando o estudo, a disseminação e 
a aplicação desse conhecimento gerado, bem como um significativo movimento social e 
transdisciplinar nas universidades e na mídia (LEUTÉRIO et al., 2020).
Um aspecto bastante importante a ser considerado para que você consiga construir 
a reflexão bioética de maneira adequada é compreender qual a influência histórica exercida 
desde a época de Hipócrates (Figura 2). É necessário, portanto, retomar alguns conceitos 
históricos para entender a influência dessa época. No século IV a.C., a sociedade era formada 
por diversas castas, ou seja, camadas sociais bem definidas e separadas entre si que faziam 
com que ela fosse “piramidal”. Mas o que isso significa? Isso quer dizer que, na base da 
pirâmide, encontrava-se à maior parte das pessoas: os escravos e os prisioneiros de guerra, 
que nem mesmo eram considerados “pessoas”. Eles eram tratados como objetos e sem direito 
algum. Logo acima deles, numa camada intermediária e, portanto, em número um pouco menor, 
estavam os cidadãos. Os cidadãos eram os soldados, os artesãos, os agricultores, e estes 
tinham direitos e deveres. No ápice da pirâmide e, todavia, um número bastante reduzido de 
pessoas, estavam os governantes, os sacerdotes e os médicos (JUNQUEIRA, 2021).
 FIGURA 2 - HIPÓCRATES: “O PAI DA MEDICINA” 
Fonte: Junqueira, 2021.
A importância desse resgate histórico está em enfatizar que os médicos da época 
eram superiores aos demais, e essa diferença de posição também se manifesta em uma 
“degradação de dignidades”. Isso significa que os médicos (semideuses), mesmo que 
pretendam salvar os enfermos, são pessoas superiores, melhores que os outros (são mais 
valiosos que os outros). Ao longo da história, a estrutura da sociedade não é mais piramidal, 
mas essa postura “paternalista”, ou seja, na qual os profissionais da saúde são considerados 
“pais”, ou melhores que os seus pacientes ainda é comumente concebida até os dias de hoje. 
12UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
Os profissionais de saúde possuem conhecimentos técnicos superiores aos dos 
pacientes, mas não são mais dignos do que os seus pacientes, nem valem mais do que 
eles (como seres humanos). Quando os profissionais se consideram superiores (em 
dignidade) aos seus pacientes, também temos uma atitude patriarcal. Esses profissionais 
paternalistas são aqueles que não respeitam a autonomia do paciente, não permitindo que 
ele expresse seus desejos. Por outro lado, alguns pacientes nem mesmo percebem que 
podem questionar o especialista, pois partem do pressuposto de que “quem sabe, quem 
decide e quem escolhe é o médico” (JUNQUEIRA, 2021).
SAIBA MAIS
Você sabia que em 1929, foi estabelecido o primeiro Código de Ética no Brasil? Recebeu 
o nome de Código de Moral Médica. Esse código era a versão em português aprovado 
pelo VI Congresso Médico Latino-Americano que foi realizado na cidade de Havana, em 
Cuba, em 1922 e com objetivo de contribuir para a consolidação de uma rede científica 
latino-americana. Com ele, surgia a possibilidade de modificar efetivamente a história 
natural das doenças. Um novo tipo de profissionalismo surgia com médicos mais atentos 
aos pacientes (GRINBERG, 2015). Para saber mais acesse: https://portal.cfm.org.br/
images/stories/documentos/EticaMedica/codigomoralmedica1929.pdf.
Fonte: Grinberg, 2015.
O termo “bioética” surgiu nas últimas décadas, dos grandes avanços tecnológicos 
no campo da biologia, e das questões éticas decorrentes das descobertas e da aplicação 
das ciências biológicas, possuem grande poder de intervenção na vida e na natureza. A 
partir dos anos 80, com o advento da AIDS, a Bioética ganhou impulso definitivo, obrigando 
à profunda reflexão “bioética” em razão das consequências advindas para os indivíduos e 
a sociedade. O comportamento ético em atividades de saúde não se limita ao indivíduo, 
devendo ter também, um enfoque de responsabilidade social e ampliação dos direitos da 
cidadania, uma vez que sem cidadania não há saúde (KOERICH et al., 2005). 
13UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
A Bioética exige muito conhecimento e estudo em diversas áreas, conhecidas 
como interdisciplinares, em especial, aos conceitos da Biologia e do Direito, uma vez 
que ambos buscam proteger a vida humana, evitando assim, que a ciência evolua sem 
regramento ético e com a utilização de seres humanos por outros seres humanos em 
experimentações sem regras, valores ou preocupação com as consequências desses 
atos, como aconteceu, infelizmente, nos campos de concentração nazistas durante as 
duas grandes Guerras Mundiais (RODRIGUES, 2020).
No Brasil, a Bioética surgiu em meados dos anos 90 como uma nova área do 
conhecimento, com uma abordagem religiosa muito forte e aliada a conceitos morais, 
embora não seja a única abordagem apresentada pela bioética. A partir desse novo 
conhecimento, iniciou-se também uma necessidade maior de olhar para o ser humano 
de uma maneira mais autônoma e humanizada e assim, valorizar seus direitos, sua 
autonomia, garantindo e valorizando verdadeiramente, a dignidade da pessoa humana 
sob o olhar da Bioética (RODRIGUES, 2020). Ainda nessa perspectiva, Hans Jonas 
apresentou o conceito de ética da responsabilidade, ou seja, todos têm responsabilidade 
pela qualidade de vida do ser humano, aplicando o conceito de risco e a necessidade de 
avaliá-lo com responsabilidade (ZANCANARO, 2000). 
Por isso, as discussões e reflexões da Bioética não se limitam aos grandes dilemas 
éticos atuais como o projeto genoma humano, o aborto, a eutanásia ou os transgênicos. 
A Bioética faz uma leitura crítica, conceitual, reflexiva e de igualdade sobreoutras áreas 
e ações do homem, incluindo também os campos da experimentação com animais e com 
seres humanos, os direitos e deveres dos profissionais da saúde e todos os envolvidos, 
as práticas psiquiátricas, pediátricas e com indivíduos inconscientes e, inclusive, as 
intervenções humanas sobre o ambiente que influem no equilíbrio das espécies vivas e 
muito mais. A Bioética não está restrita às Ciências da Saúde e sim, desde que surgiu, 
abrange todas as áreas do conhecimento. A Bioética tem a ver com a vida e com um 
enfoque interdisciplinar ou, talvez até transdisciplinar (KOERICH et al., 2005).
No próximo tópico abordaremos o modelo principialista da Bioética e seus 
princípios. Já ouviu falar sobre ele? Convido você a mergulhar neste universo de 
conhecimento e reflexões! Bom estudo!
14UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
3. ESTUDO DO MODELO PRINCIPIALISTA
A Bioética é fundamentada em princípios que são por muitos estudiosos e 
pesquisadores denominados basilares ou princípios fundamentais da bioética. Esses 
princípios foram propostos no Relatório Belmont em 1978 e têm como objetivo fornecer 
orientação adicional para a pesquisa científica em seres humanos. Em 1979, essas 
diretrizes, inicialmente propostas apenas para pesquisas científicas, foram estendidas 
também à área médica, abrangendo não apenas os médicos, mas também todos os 
profissionais de saúde (RODRIGUES, 2020).
Esses princípios são modelos explicativos em bioética para que diferentes autores 
possam desenvolver suas propostas e estabelecer uma classificação desses diferentes 
modelos para permitir uma visão global de todas as diferentes perspectivas teóricas que 
fundamentam o pensamento bioético contemporâneo. O principialismo, o modelo que 
vamos discutir neste capítulo, estabelece códigos de conduta no campo das ciências da 
vida e da saúde, com base em seus fundamentos filosóficos (BEUCHAMP e CHILDRESS, 
2002; DINIZ, 2002).
O principialismo (Figura 3) foi gerado para alicerçar princípios éticos para as 
práticas na área das ciências da vida e da saúde em função dos abusos cometidos com 
seres humanos nesta área e da ausência de normas éticas que coibissem tais incorreções 
de conduta (Diniz, 2002) e se estabeleceu como modelo explicativo da bioética a partir da 
obra Princípios da Ética Biomédica de Beauchamp e Childress (2002). 
15UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
Este modelo presenta quatro princípios gerais para orientar eticamente a conduta no 
campo da biomedicina e são descritos a seguir (RODRIGUES, 2015; RODRIGUES, 2020):
1. Princípio da autonomia: diz respeito à relação médico-paciente e determina que 
seja vedado ao médico executar qualquer procedimento sem o esclarecimento 
e consentimento prévios do paciente ou responsável, em caso de incapacidade 
deste, exceto em situações de perigo iminente de morte. Esse princípio 
assegura ao paciente o direito ao autogoverno, a autodeterminação sobre a 
sua integridade biopsicossocial, à liberdade de escolha e requer que o indivíduo 
esteja em estado de consciência plena, caso contrário, as decisões devem ser 
tomadas por um tutor legal. É o princípio da autonomia da vontade do paciente 
e talvez seja este o princípio que provoque mais influência sobre a relação 
médico x paciente, justamente por ser o princípio que fundamenta o exercício 
da atividade médica. O indivíduo tem, em suas mãos, o poder de decisão 
sobre a sua vida. O paciente quando capaz e consciente de seus direitos e 
deveres é livre para decidir o que deseja ou não consentir autonomamente e 
assim gerenciar suas vontades. Evidente que estamos falando de situações em 
que há a possibilidade de uma escolha consciente, pensada e estruturada do 
paciente e não de casos, no qual o profissional da saúde não dispõe de tempo 
para avaliar se o paciente aceitaria ou não o procedimento indicado.
2. Princípio da beneficência: esse princípio estabelece que o médico deva ponderar 
entre riscos e benefícios para o paciente e se comprometer em promover o 
máximo de benefícios e o mínimo de malefícios. O Princípio da Beneficência 
é também conhecido como princípio hipocrático da beneficência e que 
resumidamente orienta o profissional a sempre fazer o bem ao seu paciente. O 
profissional deve potencializar os benefícios do tratamento e evitar ao máximo 
a ocorrência de danos ao paciente.
3. Princípio da não maleficência: estabelece que o médico deva evitar causar 
qualquer tipo de mal ao paciente, prevenindo e evitando riscos e danos; 
expressa puramente a obrigatoriedade do profissional da saúde de não causar 
dano a saúde de seu paciente. Ao médico, cabe a obrigação de empregar todos 
os seus conhecimentos, técnicas e recursos disponíveis no intuito de beneficiar 
o paciente e jamais exercer o contrário. 
16UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
O que diferencia a beneficência a não maleficência é exatamente a postura 
do profissional, em que de um lado ele deve agir em total conformidade com 
os interesses individuais do paciente, desde que, para isso, não necessite 
cometer nenhum ato ilícito e de outro lado, o dever de evitar um dano ao 
paciente (RODRIGUES, 2020).
4. Princípio da justiça: esse princípio estabelece que a sociedade deva promover 
com equidade a distribuição de bens e benefícios, assegurando a todos o 
acesso ao tratamento em condições equânimes. O princípio da justiça ou Ideário 
da Justiça, como é assim conhecido exatamente por ser dever do profissional 
da saúde oferecer a todo paciente um atendimento imparcial, equitativo e livre 
de julgamentos ou crenças pessoais. Neste princípio, a máxima constitucional 
deve ser sempre praticada: “Todos são iguais perante a lei”, artigo 5º, caput, 
da Constituição Federal do Brasil de 1988, e assim, devem ser igualmente 
respeitados quando necessitados de atendimento médico. Não cabe ao 
profissional de saúde agir com parcialidade, pelo contrário, a ele é exigido que 
aja com imparcialidade, equidade, livre de preconceitos, crenças religiosas, 
diferenciações sociais e/ou culturais.
FIGURA 3 - BASES DO MODELO PRINCIPIALISTA DA BIOÉTICA: QUAL PRINCÍPIO DEVO ES-
COLHER EM CASO DE CONFLITO ENTRE ELES? QUAL É O PRINCÍPIO MAIS IMPORTANTE?
 
Fonte: ETHOS UFMG. Modelos Explicativos em Bioética. 2016. Disponível em: https://ethosufmg.wor-
dpress.com/2016/05/05/modelos-explicativos-em-bioetica/. Acesso em: 10 nov. 2021.
17UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
O que todos esses princípios sugerem? Em qual se basear? A resposta é 
simples: todos eles são alicerces para a bioética. O importante é compreender que é 
responsabilidade dos profissionais da área da saúde e dos advogados especialistas na 
área médica e proteção à saúde lembrar sempre que não há hierarquia, ou a existência de 
um que seja melhor, entre os princípios apresentados, embora, não seja raro a existência 
de conflito envolvendo dois princípios ou mais com distintas interpretações e julgamentos. 
O adequado é compreender que quando situações divergentes surgirem, o ideal é fazer 
uma análise criteriosa do caso concreto com a presença das partes envolvidas (sempre 
que possível) ou de seus representantes, para que juntos construam uma solução que 
melhor atenda aos interesses dos envolvidos e com o menor prejuízo aos conflitantes. 
Dessa forma, é importante reforçar a valorosa importância dos Conselhos e Comitês de 
Bioética nos Hospitais, composta sempre por profissionais conhecedores e habilitados a 
facilitar resoluções de conflitos (RODRIGUES, 2020).
Você observou que dentro do modelo principialista não há hierarquia entre seus 
princípios e também não existe um que seja melhor, concorda? No próximo tópico vamos 
correlacionar tudo o que discutimos até agora para entender qual é o panorama da 
Bioética no cenário globalizado! Vem comigo!
18UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
4. PANORAMA DA BIOÉTICA NO CENÁRIO GLOBALIZADO
A ética é um aspecto importantena vida de todos, pois é o que nos permite analisar 
os valores morais, que mudam com o tempo. Com a globalização, muitos dos valores 
apresentados mudaram inevitavelmente de forma drástica devido à quebra de barreiras, 
nomeadamente devido ao melhor acesso à informação e à aproximação entre o global 
e o local. A globalização, portanto, está afetando também o trabalho dos profissionais de 
saúde, o que contribui para a promoção de uma ética capaz de refletir as situações de 
saúde de forma macroscópica. A conclusão disso é que mesmo um lugar longe dos centros 
urbanos e da tecnologia acredite que a única cura possível para uma criança doente sejam 
orações, não estará agindo de forma ética se, na cidade mais próxima, com hospital, essa 
doença já é facilmente tratada (FRANÇA et al., 2017).
Nesse contexto, a Bioética surgiu da percepção simbólica da existência do outro, 
do conflito que isto causa e da necessidade de nos relacionarmos com as diferenças, 
sabendo que podemos agir com autonomia e que a sociedade irá responsabilizar os 
nossos atos e isto é o correto e o que se espera de uma sociedade justa e ética. Por 
outro lado, o surgimento da Bioética, como consequência do progresso da ciência e do 
conceito de autonomia, conduziu a uma revolução social além dos limites da medicina. 
Por exemplo, a epidemia de SARS (Severe Acute Respiratory Syndrome) reflete, assim 
como outras doenças infecto-contagiosas como a AIDS (Acquired Immune Deficiency 
Syndrome), a fragilidade de todos os seres humanos diante de um mundo globalizado, 
mas vulnerável ao agente causador da doença. 
19UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
Isso traz à tona a necessidade de um trabalho educativo, deixando-se de lado 
questões políticas, sociais, culturais ou econômicas, uma vez que o risco é tanto individual 
quanto mundial. O que temos na atualidade com os grandes casos e conflitos envolvendo a 
bioética é a possibilidade de reflexão com qualidade e embasamento, embora a dualidade 
entre o bem e o mal, o certo e errado sempre permeiam estas situações como por exemplo, 
nas questões que falam sobre pesquisa com células-tronco embrionárias, a aceitação da 
eutanásia ou da ortotanásia, a quebra de patentes de medicamentos, as questões éticas 
sobre o aquecimento global, etc (COHEN, 2008).
REFLITA 
Koerich e colaboradores (2005) reforçam que a bioética é uma ferramenta que nos 
auxiliará nas reflexões diárias de nosso trabalho, sendo fundamental para que as 
gerações futuras tenham a vida com mais qualidade. Entretanto, como está o ensino da 
bioética no mundo? Como as escolas estão preparando os profissionais de saúde para 
os impasses éticos do dia-a-dia? As decisões são orientadas para que o mundo se torne 
mais humano? Como buscar equidade na assistência com respostas morais adequadas 
a realidade que se apresenta no nosso mundo do trabalho? O que você tem a dizer 
sobre estas questões?
Fonte: Koerich et al., 2005.
Analisando as normas éticas historicamente, desde seu surgimento até os dias 
atuais, é possível observar a relação entre ética e sociedade, em que os princípios morais 
variam com as diferentes sociedades ao longo do tempo. “O conceito de ética surgiu na 
Grécia com Sócrates, quando ele perguntava aos atenienses em ruas e praças o que eram 
diversos conceitos, tais como coragem, justiça e amizade, e as pessoas respondiam que 
eram virtudes. Diante disso, Sócrates então perguntava o que era uma virtude, e as pessoas 
respondiam que era agir conforme o bem. Por fim, Sócrates perguntava “O que é bem?”. 
Assim, a civilização grega arcaica manifestava o pensamento sobre a ética humana, seja 
em suas religiões, poesia ou organização política” (FRANÇA et al., 2017).
A Bioética se consolida na tentativa de possibilitar apreender e compreender o 
verdadeiro significado do novo, capacitando você e eu a uma possível adaptação a 
diferentes situações inusitadas. Ela nos permite expressar o pensamento ético, o que abre 
perspectivas de encontrar consensos de qual será o comportamento moral mais adequado 
frente a uma determinada questão (COHEN, 2008).
20UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
Devido a intensificação das mudanças extremas e diárias no mundo globalizado 
atual, os princípios éticos da nossa sociedade tiveram que se adaptar a essa nova 
realidade. Com a globalização, ocorreu o imediato fortalecimento das relações sociais a 
nível mundial e também o aumento de disparidades entre países ricos e pobres. Os países 
em desenvolvimento, possuem pouca mão de obra qualificada, o que é uma importante 
restrição no contexto em que existe uma maior pressão competitiva e uma necessidade 
do aumento de produtividade para se inserir no mercado global. Essas disparidades 
do mundo globalizado devem ser levadas em consideração diante de uma perspectiva 
ética, quando se põe em xeque questões sobre o que é moralmente correto diante de 
diferenças econômicas, políticas e culturais tão grandes em um mundo que deveria estar 
se unificando (FRANÇA et al., 2017). 
Outra questão extremamente relevante é observada em situações catastróficas, 
como desastres ambientais e atentados terroristas, que mostra mais uma vez a necessidade 
dos países se unirem, fortalecerem suas relações e se integrarem para superar tais 
acontecimentos e que, em um mundo globalizado, trazem a perspectiva de que eventos que 
ocorrem em um lugar podem gerar consequências para pessoas do outro lado do mundo. 
Dessa forma, é importante a consciência de uma ética coletiva e global que sirva para a 
convivência das pessoas ao redor do mundo em uma só comunidade (FRANÇA et al., 
2017). Isso pode ser exemplificado com uma situação a qual estamos vivenciando hoje com 
a pandemia da COVID-19, em que a ação de uma pessoa implica direta ou indiretamente 
na vida da outra pessoa. Quando por exemplo, alguém opta por não usar máscara pode, 
mesmo não sabendo se está doente, colocar em risco a vida de outras pessoas.
A saúde, no mundo globalizado, passou a ser vista como um aspecto macro, em que, 
mesmo que um problema de saúde atinja apenas uma região, ele pode vir a se espalhar para 
outros locais do planeta, como ocorreu com o vírus H1N1 e atualmente com a COVID-19. 
Além disso, mesmo no caso de um problema de saúde estar restrito a um local, muitas 
vezes a solução pode necessitar da ajuda de outros países, como ocorre com a migração 
de profissionais da saúde e na pesquisa científica, a qual pode também ser de interesse de 
outros locais. Com a globalização, vieram diversos fatores que podem alterar a saúde de um 
país devido às grandes diferenças socioeconômicas entre países (FRANÇA et al., 2017).
Várias questões bioéticas como a realização de pesquisas multicêntricas envolvendo 
seres humanos, patente de medicamentos, tráfico de órgãos e bioterrorismo, vem, cada 
vez mais, se tornando um fenômeno incontestável de proporções extraordinárias. Essas 
questões rompem fronteiras e causam impacto de forma disseminada nas diversas regiões 
do planeta promovendo a necessidade de se adotarem medidas de cunho normativo e 
operacional com a adoção de tratamento equânime em nível mundial. (OLIVEIRA, 2010).
21UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
A visão da saúde no mundo globalizado, por se tratar de um tema que afeta pessoas 
e comunidades, deve falar da ética na resolução dos problemas globais de saúde. A saúde, 
como um bem universal, significa que ninguém está excluído de sua posse ou consumo e que 
seu uso não deve impedir que outros o usufruam. Nenhum indivíduo, país ou região deve ser 
excluído e todos podem se beneficiar desse bem universal. Os principais valores embutidos 
na ética da saúde global são justiça social, equidade e solidariedade (FRANÇA et al., 2017). 
Para Franca e colaboradores (2017) a justiça é um aspecto fundamental da vida 
em sociedade e um valor que une a moral individual e coletiva. Um aspecto importante 
da justiça social no contextoda saúde global é a contribuição, alocação e distribuição de 
recursos entre os países, sejam eles humanos, técnicos ou econômicos. Portanto, existe 
também o princípio da equidade (Figura 4), ou seja, a equidade de acesso à saúde no 
mundo, que alguns autores defendem ser o principal objetivo da saúde global, enquanto 
outros argumentam que o objetivo é reduzir os problemas sociais e de saúde no mundo. De 
qualquer forma, ao assumir a equidade e a justiça social como valores centrais na ética da 
saúde global, faz-se necessário priorizar países ou regiões mais desfavorecidas no âmbito 
da saúde. Diferentemente da igualdade, a equidade enfoca nas diferenças, de forma a 
tratar desigualmente diferentes pessoas, conforme suas necessidades.
FIGURA 4 - IGUALDADE E EQUIDADE: VALORES DISTINTOS
Fonte: Oliveira, 2015.
Por fim, a solidariedade internacional desempenha um papel fundamental na ética 
da saúde global, por meio do apoio e da cooperação entre os países. Essa preocupação 
se baseia na reciprocidade e na necessidade humana como ser social, evidenciada pela 
ética da proximidade. Mesmo que a pessoa que você está ajudando não seja próxima 
o suficiente para tirar proveito dessa premissa, pertencer à humanidade faz com que as 
pessoas ao redor do mundo se sintam próximas e a globalização acaba aproximando as 
pessoas através dos canais de comunicação globais. No entanto, é importante sublinhar 
que as ações de solidariedade em saúde devem ser tratadas de forma horizontal, sem 
relação dominante e com respeito às culturas dos países envolvidos (FRANÇA et al., 2017).
22UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Bom, chegamos ao final desta unidade e nela apresentamos os principais 
conceitos, a história, fundamentações, princípios e aplicações da Bioética na atualidade! 
Você pôde refletir sobre conceitos como ética, moral e valores que estão estreitamente 
relacionados à Bioética contextualizando com o mundo globalizado! Ainda foi possível 
refletir sobre a evolução da bioética ao longo dos tempos e sua importância para a solução 
de conflitos contemporâneos. 
Na sequência desta unidade você estudou o modelo principialista da bioética e 
seus fundamentos para as práticas na área das ciências da vida e da saúde. Além disso, 
se deu conta de que não existe um princípio melhor que o outro, pois todos eles são 
alicerces para a Bioética.
Finalmente, você foi capaz de aplicar os conceitos e reflexões da bioética no cenário 
globalizado, envolvendo questões e conflitos extremamente relevantes e difíceis do ponto 
de vista da Bioética! Compreendeu a importância dos Conselhos e Comitês de Bioética 
nos Hospitais, para uma análise imparcial e crítica de situações em que a Bioética e/ou seu 
estudo se torna fundamental para entender a real necessidade dos envolvidos e sempre, 
minimizar os prejuízos em uma situação de conflito.
Agora, com os conhecimentos adquiridos até o momento, pense comigo…você 
agiria diferente em uma situação que presenciou ou participou? É para refletir!
23UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
LEITURA COMPLEMENTAR
Motta e colaboradores (2012) fizeram a seguinte pergunta: Bioética: afinal, o que 
é isto? Abordando sobre o que realmente é a Bioética, seu contexto histórico, surgimento 
no Brasil, conceitos, problemas atuais no campo da bioética e diversos outros pontos 
importantes! Faço um convite para você dedicar-se à leitura desse artigo e refletir: afinal, o 
que é a Bioética? Qual a sua aplicabilidade e importância? 
Fonte: MOTTA, L. C. S.; VIDAL, S. V.; SIQUEIRA-BATISTA, R. Bioética: afinal, o 
que é isto? Rev. Bras. Clin Med, São Paulo, 2012 set-out;10(5):431-9. Disponível em: http://
files.bvs.br/upload/S/1679-1010/2012/v10n5/a3138.pdf. Acesso em: 25 nov. 2021.
24UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Bioética e COVID-19
Autor: Luciana Dadalco.
Editora: Foco.
Sinopse: A primeira edição da obra “Bioética e Covid-19” foi um 
sucesso absoluto e a rapidez com que as questões bioéticas 
foram sendo alteradas nos últimos meses tornou imprescindível 
uma nova edição dessa obra, com novos artigos e atualização dos 
artigos anteriores. Hoje, a Bioética não está mais negligenciada 
na pandemia da Covid-19. Comitê Internacional de Bioética e a 
Comissão Mundial sobre Ética do Conhecimento e da Tecnologia, 
ambos da UNESCO já reconheceram o papel de destaque da 
bioética no contexto da Covid-19. 
FILME/VÍDEO 
Título: Patch Adams – O amor é contagioso
Ano: 1998.
Sinopse: Em 1969, após tentar se suicidar, Hunter Adams 
(Robin Williams) voluntariamente se interna em um sanatório. 
Ao ajudar outros internos, descobre que deseja ser médico, para 
poder ajudar as pessoas. Deste modo, sai da instituição e entra 
na faculdade de medicina. Seus métodos poucos convencionais 
causam inicialmente espanto, mas aos poucos vai conquistando 
todos, com exceção do reitor, que quer arrumar um motivo para 
expulsá-lo, apesar de ele ser o primeiro da turma.
25
Plano de Estudo:
● A Ética da Responsabilidade Pública e Individual;
● Códigos de Conduta;
● Direitos do Paciente;
● A relação profissional-paciente.
Objetivos da Aprendizagem:
● Analisar a importância e aplicações da ética da responsabilidade pública 
e individual, refletindo sobre seus impactos e perspectivas;
● Compreender a importância dos códigos de conduta e sua interrelação 
com a bioética e os conceitos de ética, moral e deontologia;
● Compreender a necessidade e importância das leis que reforçam os direitos do paciente e 
sua autonomia na tomada de decisão no que diz respeito ao seu corpo e sua vida;
● Analisar a relação profissional-paciente a partir do referencial da bioética.
UNIDADE II
Saúde Pública e Bioética
Profª. Drª. Viviane Krominski
26UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética 26UNIDADE II Saúde Pública e Bioética
INTRODUÇÃO
Olá, tudo bem? 
Nesta unidade você terá acesso às questões sobre a ética da responsabilidade pú-
blica e individual, e poderá refletir seus impactos e perspectivas. Além disso, iremos discutir, 
os códigos de conduta, compreendendo sua importância e inter-relação com a bioética e 
os conceitos de ética, moral e deontologia. Trataremos ainda, dos direitos do paciente, e 
nesse contexto, você irá perceber a necessidade das leis, para fazer valer esse direito e a 
autonomia do paciente na tomada de decisão no que diz respeito ao seu corpo e sua vida!
Ao final desta unidade, vamos falar da relação profissional-paciente e as questões 
envolvidas nesse processo a partir do referencial da bioética. Você vai compreender que 
essas relações devem ser pautadas pelas normas éticas e jurídicas e devem ter como base 
os princípios que permeiam essas relações.
Desejo a você um excelente estudo!
27UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética 27UNIDADE II Saúde Pública e Bioética
1. A ÉTICA DA RESPONSABILIDADE PÚBLICA E INDIVIDUAL
O que é a ética da responsabilidade? Hans Jonas foi um dos autores que mais 
abordou questões de ética da responsabilidade neste século. Segundo sua linha de ideias, 
no campo da ciência, por exemplo, a liberdade de criar e usar novos conhecimentos 
deve estar atrelada à responsabilidade individual e pública na aplicação das descobertas 
e seus desdobramentos (GARRAFA et al., 2009). De acordo com Hans Jonas, todos 
são responsáveis pela qualidade de vida das gerações futuras (KOERICH et al., 2005). 
Foi também ele quem abordou o conceito de risco e a necessidade de avaliá-lo com 
responsabilidade (ZANCANARO, 2000).
As questões éticas em praticamente todas as áreas da atividade humana já 
adquiriram uma conotação pública e não são mais uma questão de consciência individual 
que deve ser resolvida na esfera privada (GARRAFA et al., 2009). O “princípio universal 
de responsabilidade” não deve ser ignorado em qualquer discussão ética, ao contrário, 
sempre deverá pautar as mais inusitadas situações. Esse princípio deve permear todas 
as questões éticase está relacionado aos aspectos éticos da responsabilidade individual 
que cada um de nós assume; a ética da responsabilidade pública, que está relacionada 
ao papel e às obrigações dos Estados em relação à saúde e à vida das pessoas; e com a 
ética da responsabilidade planetária, nosso compromisso como cidadãos do mundo com o 
desafio de preservar o planeta (KOERICH, 2002).
28UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética
Essa visão ética ampliada de valorização da vida no planeta exige uma atitude 
consciente, solidária, responsável e virtuosa de todos os seres humanos e, sobretudo, 
daqueles que pretendem cuidar de outros seres humanos, nas instituições de saúde ou em 
seus lares. Poderíamos pensar em algumas situações do nosso dia a dia que nos levem 
a refletir sobre a atitude ética necessária aos profissionais de saúde, nos mais diversos 
contextos, questionando-nos: como ajo, penso e falo perante um cliente descontrolado 
e agressivo? Enfrentando um cliente alcoolizado que acaba de receber alta do hospital 
psiquiátrico? Ou alguém que usa drogas e/ou tem HIV? Diante de uma adolescente grávida? 
Diante do cliente que não colabora, não aceita o tratamento e pede alta? Na frente do cliente 
inconsciente, da criança ou alguém com demência? Diante da falta de estrutura de ação e 
planejamento de recursos na organização dos serviços de saúde? (KOERICH et al., 2005).
É importante, ainda nesse contexto, refletir, como medir, em uma escala de atribui-
ções cada vez mais complexas, mas com atribuições proporcionais, a ética da responsabi-
lidade individual (e o nível de comprometimento ...) de um simples administrador de centro 
de saúde que trata mal os usuários? Do maqueiro que faz “corpo mole” na entrada de emer-
gência? Do motorista que afirma “desvio de função” quando solicitado para ajudar a levar 
um acidentado até a ambulância? Do ajudante de lavanderia ou de cozinha que negligencia 
os requisitos essenciais de higiene e limpeza? Do médico que cuida ou atende de qualquer 
forma seus pacientes? Do político responsável por colocar “emendas” de seu interesse 
particular no orçamento público da saúde? Do burocrata que deliberada ou abnegadamente 
atrasa a entrega de fundos dramaticamente antecipados para locais de necessidade? Do 
ministro todo-poderoso que pensa ser o único dono da “chave do cofre”? Ou o Presidente 
da República, que na prática insiste que a saúde não deve ser prioridade na ação política 
de seu governo (GARRAFA, 1995) O que pensar ou como agir diante dessas situações?
No que se refere à ética da responsabilidade pública, um aspecto que não deve ser 
deixado de lado na reflexão sanitária é aquele que diz respeito à definição das prioridades 
nos investimentos do Estado, incluindo o estudo da destinação, alocação, distribuição e 
controle dos recursos financeiros dirigidos ao setor. Ao contrário dos países industrializados, 
no Brasil vivemos situações paradoxais que vão desde a presença persistente de 
doenças comuns nos países mais pobres do mundo (dengue, malária, doença de chagas, 
esquistossomose, febre amarela) até o registro significativo em nossas estatísticas de 
mortalidade dos problemas comuns aos países mais avançados (câncer, problemas 
cardiovasculares, acidentes de trânsito, etc.). Com o custo crescente do diagnóstico e a 
sofisticação tecnológica natural resultante do avanço científico, os recursos de saúde estão 
lentamente se tornando inadequados, mesmo nos países mais ricos.
29UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética 29UNIDADE II Saúde Pública e Bioética
 A discussão sobre “prioridades” começa a adquirir conotações éticas cada vez mais 
dramáticas. É responsabilidade do Estado e das instituições públicas encontrar soluções 
morais que abordem a escassez; soluções que não envolvam discriminação injusta ou a 
tirania das minorias (HARRIS, 1988).
São questões comuns relacionadas aos serviços de saúde, entre outras, que 
podem orientar um debate mais aprofundado do ponto de vista ético. Mostra que abordar 
os aspectos éticos na atenção à saúde não se limita à mera padronização nas leis ou na 
ética profissional, mas também se estende ao respeito às pessoas como cidadãos e como 
seres sociais, por isso se enfatiza que “a essência da Bioética é a liberdade, mas com 
compromisso e responsabilidade” (KOERICH et al., 2005).
Encerramos este tópico com a reflexão de Koerich e colaboradores (2005), que diz: 
a ética reconhece o valor de todos e considera o ser humano um dos fios que formam a grande 
teia da vida. Dessa forma, todos os fios são importantes, indissociáveis e co-produtores uns 
dos outros. Ao aderir ao comportamento ético, buscamos saúde e vida. Essa busca leva as 
pessoas a um processo de crescimento contínuo. Uma vez que nosso trabalho ocorre em 
um ambiente complexo (centro de saúde ou comunidade), todas as nossas ações (a forma 
como ouvimos, vemos, tocamos, falamos, nos comunicamos e realizamos procedimentos) 
são eticamente questionáveis. A forma como tratamos funcionários, clientes e familiares, 
pode influenciar o resultado do nosso trabalho. A relação recíproca não permite arrogância, 
onipotência e autoritarismo, mas permite liberdade de expressão de pensamentos, ideias e 
experiências e inclui o respeito pela compreensão moral e ética de todos os envolvidos. A 
ética da saúde está impregnada de “bom raciocínio” e “introspecção” (auto-exame), e “boas 
intenções” não são suficientes. O auto-exame nos permite descobrir que somos falíveis, 
frágeis, inadequados, necessitados e que precisamos de compreensão mútua. A bioética é 
um instrumento que nos guiará na reflexão cotidiana sobre o nosso trabalho e é essencial 
para as futuras gerações para uma melhor qualidade de vida. É o que se espera!
30UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética 30UNIDADE II Saúde Pública e Bioética
2. CÓDIGOS DE CONDUTA
A deontologia pode ser entendida como a ciência dos deveres, que inclui o 
estudo, a discussão, a elaboração e a necessidade constante de atualização do código 
de ética. Tem como objetivos essenciais, os fundamentos do dever, bem como os padrões 
morais e éticos (FRANÇA et al., 2017). A deontologia, neste contexto, também se refere 
aos princípios e regras de conduta inerentes a uma determinada profissão, ou seja, seus 
deveres. Assim, todos os profissionais estão sujeitos à sua própria deontologia para regular 
o exercício da sua profissão de acordo com o código de ética da sua categoria. O código 
de ética é o documento que reflete a deontologia de uma profissão e pode ser visto como 
a ética da intenção. Informa como as pessoas devem se comportar no campo profissional, 
com colegas, clientes e pacientes, parentes, professores, etc. Os códigos deontológicos 
referem-se estritamente à moralidade de uma profissão e ao comportamento exigido por 
um profissional, e, que norteiam a conduta e reflexões acerca de um conflito (Figura 1). 
É o próprio grupo profissional que estabelece os padrões e é responsável por listá-los e 
colocá-los em prática (FRANÇA et al., 2017).
31UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética 31UNIDADE II Saúde Pública e Bioética
FIGURA 1 - CONFLITOS ÉTICOS: COMO AGIR?
Fonte: HORA de falar sobre ética na tecnologia da informação. Scurra Tecnologia e Inteligência, 2019, 
online. Disponível em: https://www.scurra.com.br/blog/hora-de-falar-sobre-etica-na-tecnologia-da-
informacao/. Acesso em: 10 jan.2022.
O contexto de qualquer exercício profissional deve ser pautado por uma ética 
responsável, conhecimento técnico, científico, ético e jurídico, postura profissional e 
compromisso com o grupo de trabalho e a sociedade. Sabe-se que ao utilizar os serviços de 
um profissional, espera-se que ele não apenas domine os conhecimentos teóricos e práticos 
inerentes à sua profissão, mas também a correta aplicação dessa competência - conduta 
profissional ética. Na verdade, a sociedade está cada vez mais atenta aos seus direitos, exige 
muito da qualidadedo atendimento e se preocupa com os erros técnicos profissionais. Todas 
as profissões legalmente reconhecidas e regulamentadas possuem um código de ética. Este 
código expressa a obrigação de não prejudicar, de renunciar e defender a dignidade e o 
respeito. Nesse contexto, é preciso refletir profundamente sobre até onde podemos ir e 
quais podem ser os limites de nossa sede de conhecimento (FRANÇA et al., 2017). 
REFLITA
A ética não é um obstáculo para a ciência; pelo contrário, é um eixo norteador do 
conhecimento.
Fonte: França et al., 2017.
O que você acha de fazer um exercício agora? Pense comigo: já se decepcionou 
com o atendimento que recebeu em um determinado estabelecimento? Já se sentiu 
humilhado ou esperava um excelente atendimento, com qualidade, acolhimento e respeito 
e isso não aconteceu?
32UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética 32UNIDADE II Saúde Pública e Bioética
Pois é, não são raras as vezes que esse tipo de acontecimento permeiam as 
relações profissional-cliente e, sem dúvida alguma, são momentos de desgaste emocional 
e caracterizam uma conduta indesejável do profissional que nos atende. Quantas vezes 
vamos procurar um atendimento médico, por exemplo, já fragilizados com a causa/
doença e saímos ainda mais entristecidos e desgastados com a recepção e condução da 
consulta pelo profissional, do qual esperávamos atenção e empatia com nosso sofrimento 
e angústia? Por que isso acontece? Onde encontra-se a conduta ética desse profissional? 
Como devemos agir nestas situações? 
Nesse contexto, é importante saber que os termos ética (do grego éthos, modo de 
ser), moral (do latim costumes, costumes, normas de coexistência) e deontologia (do grego 
déon, dever) estão relacionados e ligados uns aos outros na bioética (MALUF, 2020). A ética 
é um conhecimento racional que trata de determinar o que é bom. A moralidade tem a ver 
com a escolha da ação em que uma dada situação deve ser empreendida. Então, podemos 
entender que a tomada de decisões e ações concretas são um problema prático e, portanto, 
moral. Examinar esta decisão e esta ação, a responsabilidade daí resultante e os graus de 
liberdade e determinismos associados, é um problema teórico e, portanto, ético. A ética é 
fundamentalmente investigativa e tem um caráter conceitual. A moralidade é praticamente 
inconcebível fora de qualquer contexto histórico, social, político e econômico. A Deontologia 
(Código de Ética Profissional) regula as ações dos trabalhadores no contexto da sua prática, 
torna-as boas e adequadas. A bioética engloba conhecimentos complexos que visam dar 
respostas em situações específicas, sempre em busca de uma certa autonomia. Tem um 
caráter pragmático (baseado nos quatro princípios) que se aplica às questões morais 
levantadas por decisões clínicas e avanços científicos e tecnológicos. Implica a capacidade 
de tomar decisões moral e legalmente aceitas em casos que envolvem valores conflitantes. 
Em síntese, concluímos que “o que se estuda na ética, se pratica na moral, é obrigatória na 
deontologia, é por fim, é problematizado na bioética” (MALUF, 2020).
Na bioética, ao contrário do que ocorre na ética, na moral e na deontologia, o 
bem é sempre pensado a partir de um determinado sujeito e nunca de forma abstrata ou 
coletivizada. A peculiaridade da situação do paciente deve sempre servir de base para 
questionar, à luz dos princípios da bioética, o grau de humanidade, legitimidade e legalidade 
inerente à conduta do profissional de saúde ou do pesquisador (GRACIA, 2010). 
33UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética 33UNIDADE II Saúde Pública e Bioética
Em síntese, podemos concluir que a Bioética é a disciplina que estuda os aspectos 
éticos das práticas médicas e biológicas, avaliando suas implicações para a sociedade e 
as relações entre os homens e entre eles e os demais seres vivos, indicando a linha de 
conduta a ser adotada, a fim de respeitar a dignidade humana (MALUF, 2020). 
Agora que você já compreendeu o que é um código de conduta, sua importância e 
sua aplicabilidade e inter-relação com a bioética, podemos avançar para o tópico II, onde 
falaremos dos direitos do paciente, como validar esses direitos e o dever de respeitá-los e 
colocá-los em prática! Vamos lá?
34UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética 34UNIDADE II Saúde Pública e Bioética
3. DIREITOS DO PACIENTE
O Brasil não está em sintonia com outros países na adoção de uma lei nacional 
sobre os direitos do paciente (ALBUQUERQUE, 2019). Antes da década de 1970, os direitos 
dos pacientes não eram exigidos (MALIK, 1997). O paciente não tinha direitos e voz, para 
fazer valer suas vontades. Este cenário, foi aos poucos se modificando e o paternalismo 
médico, em que o médico “pode tudo”, foi dando espaço para uma medicina centrada no 
paciente e no seu bem-estar.
A existência de leis sobre os direitos dos pacientes pressupõe o reconhecimento 
da importância desses direitos e a presença de um sistema de saúde em que os direitos 
dos pacientes sejam protegidos (JUN, 2019). Os direitos do paciente são o que as pessoas 
têm quando recebem tratamento médico simplesmente porque são seres humanos e 
devem obter todo respeito. Segundo Albuquerque (2016), os direitos dos pacientes são 
os seguintes: direito à vida; direito à privacidade; direito de não ser discriminado; direito à 
liberdade; direito à saúde; direito à informação e direito a não ser submetido a tratamentos 
desumanos e degradantes. Destes direitos derivam outros mais específicos; são eles: direito 
ao consentimento informado; direito a uma segunda opinião; direito de recusar tratamentos e 
procedimentos médicos; o direito de morrer com dignidade, sem dor e de escolher o lugar da 
morte; direito à informação sobre o estado de saúde; direito de acesso a prontuários médicos; 
direito à confidencialidade das informações pessoais; o direito a cuidados médicos seguros 
e de qualidade; direito de não ser discriminado; direito de reclamar; direito a indemnização e 
direito a participar no processo de tomada de decisão (EUROPEAN COMMISSION, 2016).
35UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética 35UNIDADE II Saúde Pública e Bioética
LEITURA COMPLEMENTAR
O direito-dever de sigilo na proteção ao paciente 
O artigo reflete sobre o dever de sigilo profissional em relação às informações que 
o paciente recebe durante o tratamento médico, quanto ao cumprimento de seus direitos 
e proteção. Embora a confidencialidade seja considerada um dos preceitos morais mais 
tradicionais em saúde, ainda é um dos princípios menos respeitados, fato particularmente 
preocupante em épocas de intensa exposição da intimidade como os tempos atuais. De outro 
lado, a garantia da confidencialidade, além de estimular o vínculo profissional-paciente, pode 
favorecer a adesão ao tratamento e a tomada de decisões mais autônomas, ao assegurar 
ao paciente a não exposição de circunstâncias de sua vida pessoal que possam ensejar 
julgamentos que ele deseja evitar, mesmo aos entes mais próximos. Nesse contexto, o 
sigilo atua como mecanismo de proteção do paciente no que diz respeito aos seus valores 
e experiências pessoais e sustenta a necessária confiança na relação médico-paciente.
Fonte: VILLAS-BÔAS, M. L. O direito-dever de sigilo na proteção ao 
paciente. Rev. Bioét. 23 (3). 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bioet/a/
kFY5sjrzNCZYd3qVc5BLXDt/?lang=pt. Acesso em: 10 out. 2021.
36UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética 36UNIDADE II Saúde Pública e Bioética
Os direitos do paciente, ao serem incorporados devidamente nas leis e diretrizes 
específicas, convergem para os movimentos da sociedade civil que visam ao engajamento 
do paciente no seu processo de cuidado e na tomada de decisão sobre questões que 
digam respeito ao seu corpo e à sua vida, bem como em decisões sobre a aquisição de 
recursos escassos em saúde e incorporação de novas tecnologias em saúde (EUROPEAN 
COMMISSION, 2016). Asleis de direitos dos pacientes fundamentam-se no cuidado 
pautado pela vontade e preferências do próprio paciente, separando-se do modelo 
paternalista e objetiva seu empoderamento com vistas ao exercício de seus direitos. Esse 
modelo de cuidado em saúde derivado das leis de direitos dos pacientes ultrapassa as 
concepções de compaixão, de dignidade e de respeito, pois tem como fundamentação a 
reafirmação da sua condição de cidadão que deve ter seus direitos assegurados (HEALTH 
AND SOCIAL CARE ALLIANCE SCOTLAND, 2019). 
Uma vez que o paciente tem seus direitos respeitados, consequentemente, ficam 
mais satisfeitos com os serviços de saúde. As leis sobre direitos dos pacientes fomentam o 
modelo do cuidado centrado no paciente, criando uma nova cultura nos serviços de saúde que 
se alicerça na parceria entre o paciente e o profissional, o que resulta em melhores condições 
de saúde para o paciente (HEALY, 2019). Dessa forma, as leis de direitos dos pacientes são 
compreendidas como uma ferramenta útil e central na mitigação da assimetria de poder e de 
conhecimento que permeia a relação profissional de saúde e paciente, estimulando assim, a 
parceria e conformidade ente os dois (EUROPEAN COMMISSION, 2016).
37UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética 37UNIDADE II Saúde Pública e Bioética
SAIBA MAIS
Você tem conhecimento de quantos e quais são, os direitos dos pacientes? “Você sabia 
que pode consultar seu prontuário médico no momento que desejar? Que tem direito a 
uma conta detalhada especificando todas as despesas do tratamento? Que o hospital 
é obrigado a informar a origem do sangue utilizado nas transfusões? Pois esses são 
alguns dos chamados Direitos do Paciente – uma série de 35 garantias que médicos e 
hospitais devem levar em conta para preservar a ética em sua conduta profissional e a 
saúde dos pacientes, claro. O problema é que, apesar de asseguradas por lei, essas 
normas são praticamente desconhecidas. Hospitais, clínicas e postos de saúde não têm 
obrigação de afixá-las em local de fácil visualização e os manuais onde elas constam 
são difíceis de encontrar”.
Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. Carta dos direitos dos usuários da saúde / Ministério da Saúde. – 1. ed. – 
Brasília: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: https://conselho.saude.gov.br/biblioteca/livros/Carta5.pdf
Bom, o importante até aqui é você entender que as leis de direitos do paciente são 
ferramentas essenciais para mudar a cultura de cuidados em saúde no Brasil e promover o 
bem maior do paciente, que é a sua vida e o seu bem-estar. Apesar dos avanços já alcançados 
até o momento, ainda temos um longo e árduo caminho pela frente, neste assunto. 
38UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética 38UNIDADE II Saúde Pública e Bioética
4. A RELAÇÃO PROFISSIONAL-PACIENTE
Nas relações entre as pessoas durante o exercício profissional, nos diversos 
ramos de atividade, é a qualidade do encontro que determina o seu sucesso, por 
exemplo, na formação de um bom médico, a relação médico-paciente é fundamental 
(PEREIRA e AZEVEDO, 2005). Nesse contexto, no modelo hipocrático, a relação médico-
paciente é um dos alicerces da medicina e, juntamente com o exame físico, permite obter 
informações importantes para o diagnóstico e tratamento de doenças (MENDONÇA e 
VON ATZINGEN, 2010). Por outro lado, a necessidade de relacionamento próximo com 
o paciente para um correto diagnóstico e terapia adequada, tem sido progressivamente 
substituída pela solicitação e execução de exames de diagnóstico cada vez mais 
sofisticados (NASCIMENTO JUNIOR e GUIMARÃES, 2003).
As relações profissional-paciente devem ser orientadas por padrões éticos e 
legais e pelos princípios básicos que permeiam essas relações. Essas normas éticas 
e legais também devem atingir diversos profissionais da saúde, incluindo dentistas, 
cientistas, farmacêuticos, nutricionistas, fisioterapeutas, veterinários, entre outros. É de 
vital importância respeitar os princípios bioéticos da autonomia (por meio do consentimento 
livre e esclarecido), beneficência, não maleficência e justiça, objetivando sempre o melhor 
cuidado dedicado ao paciente (DINIZ, 2017). 
39UNIDADE I Noções e Fundamentos de Bioética 39UNIDADE II Saúde Pública e Bioética
Na prática médica, por exemplo, os deveres inerente à profissão são: informação 
detalhada sobre o estado de saúde do paciente, bem como a explicação do tratamento a ser 
implementado diante do diagnóstico obtido; tratar o paciente com zelo e dedicação, utilizando 
todos os recursos disponíveis da sua profissão; respeitar as decisões pessoais dos pacientes 
em caso de recusa do tratamento oferecido; respeitar os limites contratuais estabelecidos e 
preservar o sigilo profissional tendo em vista a privacidade do paciente (DINIZ, 2017).
Quando um profissional da área de saúde tem diante de si uma pessoa que busca 
seus serviços, por qualquer que seja o motivo, está ocorrendo um encontro clínico, o qual 
pode receber diferentes denominações: relação profissional de saúde-paciente, relação 
médico-paciente, interação médico-cliente, interação profissional-usuário, dentre outras 
(RANGEL et al., 2011).
Os procedimentos terapêuticos e as características dos profissionais de saúde 
desejáveis para que ocorra uma satisfatória aliança de trabalho na relação com o paciente, 
são baseados principalmente em qualidades humanas, esperadas em qualquer relação e 
situação, e princípios bioéticos, essencialmente presentes nas ações em saúde (GOMES, 
2003; PORTO, 2003). Entre as qualidades humanas estão: empatia, continência, humildade, 
respeito às diferenças, curiosidade, capacidade de conotar positivamente, capacidade de 
comunicação, flexibilidade, criatividade, paciência, solidariedade, integridade e compaixão. 
Com relação aos princípios bioéticos, são almejados a ética e sigilo, autonomia do paciente, 
beneficência, não-maleficência, justiça, consentimento esclarecido, atenção ao paciente e 
responsabilidade (GOMES, 2003; PORTO, 2003).
As características pessoais dos pacientes e as variáveis psicossociais também 
influenciam no relacionamento com os profissionais de saúde. As diferenças nas variáveis 
psicossociais entre pacientes e profissionais de saúde influenciam, ainda que inconscientemente, 
atitudes, percepções e sobretudo a comunicação na interação profissional-paciente (DIAS, 
2011). Entre os fatores do contexto em que se desenvolve a relação profissional de saúde-
paciente, o próprio lugar do cuidado e a estrutura do sistema de saúde podem desgastar ou 
comprometer essa interação e prejudicar a harmonia (TAYLOR, 2000). Ressalta-se ainda, 
que o conhecimento do contexto sociocultural e do sistema de saúde em que profissionais e 
pacientes estão inseridos também pode influenciar na relação entre eles (ASSUNÇÃO, 2013).
É importante ressaltar, que falar de relação profissional de saúde-paciente é abordar 
o conceito de relação humana, de princípios, deveres e respeito mútuo (CANTO et al., 2011; 
GOMES, 2003) e que isso reflete, portanto, discutir sobre humanização do cuidado em 
saúde e ponderar a respeito do encontro entre seres humanos, em todas as suas etapas e 
circunstâncias, cuja prioridade é a promoção da saúde (GOMES, 2003). 
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Bom, chegamos ao final desta unidade e nela falamos sobre a ética da 
responsabilidade pública e individual, fazendo você refletir que a ética da responsabilidade 
e a bioética conduzem a responsabilidade para questões que nos deparamos no cotidiano 
e para as relações humanas, para que possamos atuar com sabedoria e apresentar valores 
em todas as suas dimensões. Você pôde perceber, que em qualquer discussão que envolva 
um tema ético não se pode abrir mão do “princípio universal da responsabilidade”. 
Na sequência, você estudou sobre a importância dos códigos de conduta e entendeu 
que qualquer exercício

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