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UNIDADE 1– DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 
 
1. ATO ADMINISTRATIVO 
 1.1 Fato administrativo e ato administrativo 
O ramo do Direito Administrativo está em constante transformação e atualização no âmbito do rol das 
normas jurídicas brasileiras. As práticas administrativas e os princípios que as regem são influenciados pelos 
valores acolhidos na sociedade em determinado momento. Estes influem no desenvolvimento da gestão 
pública, conduzindo-a para o atendimento da coletividade. 
O Direito Administrativo dos novos tempos prima pela eficiência, pela celeridade, por resultados. Contudo, 
essa busca deve ser guiada por um princípio indispensável, que é a legalidade. Cabe lembrar que esta não é 
mais tão restrita como outrora, pois passou a ter em seu bojo princípios e valores. 
Objetiva-se desenvolver uma gestão menos burocrática, mas de maneira que sua efetivação permaneça 
trazendo segurança jurídica aos envolvidos e à coletividade como um todo. 
A administração pública deve atender os cidadãos, à coletividade, ou seja, tem responsabilidades e 
obrigações. Em contrapartida, há deveres da outra parte. Esse diálogo entre administração e coletividade é 
intermediado pela via da produção e do desenvolvimento dos atos administrativos. Importa enfatizar que a 
administração pública não pratica apenas atos administrativos, mas também vários outros, como os atos 
políticos. No entanto, os administrativos são o foco de nossa disciplina. 
A supremacia do interesse público faz com que este sobreponha-se a qualquer outro. É justamente por essa 
circunstância que os atos administrativos são munidos de certas prerrogativas, ou seja, têm características 
próprias para que possam exercer suas atribuições. 
Para assegurar-se a liberdade, sujeita-se a Administração Pública à observância da lei; é a aplicação ao 
direito público, do princípio da legalidade. Para assegurar-se a autoridade da Administração Pública, 
necessária à consecução de seus fins, são-lhe outorgados prerrogativas e privilégios que lhe permitem 
assegurar a supremacia do interesse público sobre o particular. [...] Ao mesmo tempo, que as 
prerrogativas colocam a Administração Pública em posição de supremacia perante o particular, sempre 
como objetivo de atingir o benefício da coletividade, as restrições a que está sujeita limita sua 
atividade a determinados fins e princípios que, se não observados, implicam desvio de poder e 
consequente nulidade dos atos da Administração (DI PIETRO, 2009a, p. 61). 
A prática dos atos administrativos é predominantemente do Poder Executivo, mas é possível que sejam 
exercidos por outros Poderes em certas circunstâncias. 
A legalidade orienta os atos administrativos, impedindo que resultem em arbitrariedades. É necessário 
sempre seu controle, para que atenda aos interesses coletivos sem que haja lesão. Quando não atendem ao 
interesse social ou ainda nos casos em que contrariam o princípio da legalidade, podem ser revistos. 
O administrador privado conduz seu empreendimento com dominus, agindo com os poderes inerentes 
à propriedade em toda a sua extensão. Assim, tudo o que não é proibido, é permitido ao gestor privado. 
Diga-se, ainda, que o administrador privado pode inclusive conduzir ruinosamente seu 
empreendimento sem que muito possa ser feito por terceiros[...] O gestor público não age como 
“dono”, que pode fazer o que lhe pareça mais cômodo. Diz-se, então, que ao Administrador Público só 
é dado fazer aquilo que a lei autorize, de forma prévia e expressa. Daí decorre o importante axioma da 
indisponibilidade, pela Administração, dos interesses públicos (MIRANDA, 2005, p. 173). 
O ato administrativo submete-se ao controle tanto da administração que o pratica quanto do Poder 
Judiciário. Nesse diapasão, é possível afirmar sobre ele: 
Ato administrativo é toda manifestação unilateral de vontade da administração pública que, agindo 
nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar 
direitos, ou impor obrigações aos administrados ou a si própria (MEIRELLES et al.,2006,p.149). 
Bandeira de Mello (2008, p.117) entende que há certa dificuldade em definir o conceito de ato 
administrativo na esfera legal e apresenta a justificativa para sua delimitação: 
 
Não há definição legal de ato administrativo. Sendo assim, não é de estranhar que os autores divirjam ao 
conceituá-lo. [...] 
O que particulariza o ato administrativo e justifica que se formule um conceito que o isole entre os 
demais atos jurídicos é a circunstância de que ele tem peculiaridades(a) no que concerne às condições de 
sua válida produção e (b) no que atina à eficácia que lhe é própria (MELLO, 2008, p. 117). 
Figura – Ato Administrativo – divisões 
 
De acordo com a teoria de Bandeira de Mello (2011, p. 173), os atos administrativos seriam assim 
considerados como a declaração do Estado (ou de quem lhe faça às vezes – como, por exemplo, um 
concessionário de serviço público), no exercício de prerrogativas públicas, manifestada mediante providências 
jurídicas complementares da lei a título de lhe dar cumprimento, sujeitas a controle de legitimidade por órgão 
judicial. 
Os atos administrativos são importantes para que se alcance a denominada boa administração, pois permitem 
um diálogo entre a administração e a coletividade. 
Dentro do conceito de boa governança, na boa administração, estariam enquadradas as seguintes 
características: imparcialidade, eficiência, transparência, probidade e principalmente a qualidade de ser 
dialógica. 
Figura – Princípios da Boa Governança Pública 
Fonte:elaborada pela autora (2022). 
 
A Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, também denominada Carta de Nice, descreveu a 
existência de vários direitos fundamentais. Entre eles, é oportuno citar o denominado direito a uma boa 
administração, previsto no seu art. 41: 
Artigo 41. 
Direito a uma boa administração 
1. Todas as pessoas têm direito a que os seus assuntos sejam tratados pelas instituições e órgãos da 
União de forma imparcial, equitativa e num prazo razoável. 
2. Este direito compreende, nomeadamente: 
- o direito de qualquer pessoa a ser ouvida antes de a seu respeito ser tomada qualquer medida 
individual que a afecte desfavoravelmente, 
- o direito de qualquer pessoa a ter acesso aos processos que se lhe refiram, no respeito dos legítimos 
interesses da confidencialidade e do segredo profissional e comercial, 
- a obrigação, por parte da administração, de fundamentar as suas decisões. 
3. Todas as pessoas têm direito à reparação, por parte da Comunidade, dos danos causados por suas 
instituições ou pelos seus agentes no exercício das respectivas funções, de acordo com os princípios 
gerais comuns às legislações dos Estados-Membros. 
4. Todas as pessoas têm a possibilidade de se dirigir às instituições da União numa das línguas oficiais 
dos Tratados, devendo obter uma resposta na mesma língua (UNIÃO EUROPEIA, 2000). 
Os fatos administrativos são denominados como aquelas atividades materiais que se desdobram em fato 
administrativo em sentido estrito e em fato da administração, sendo que o primeiro instituto produz efeito 
jurídico, já o segundo não. Os atos da administração englobam tanto os atos administrativos como outros atos, 
por exemplo, os políticos. José Cretella Júnior (1995,p.53) define o ato administrativo como 
[...] a manifestação de vontade do Estado, por seus representantes, no exercício regular de suas funções, 
ou por qualquer pessoa que detenha, nas mãos, fração de poder reconhecido pelo Estado, que tem por 
finalidade imediata criar, reconhecer, modificar, resguardar ou extinguir situações jurídicas subjetivas, 
em matéria administrativa. 
 
1.2 Ato jurídico e ato administrativo 
O denominado ato jurídico está contido em uma categoria maior, denominada fato jurídico. Neste, há o 
elemento da vontade como elemento principal. Vicente Ráo (1979, p.29) descreve assim os atosdos administrados e as prerrogativas da 
Administração” (DI PIETRO, 2010, p. 60). 
Ronald Dworkin (2002) estabelece certa diferenciação entre as regras e os princípios, enfatizando a questão da 
dimensão que possui cada um, assim como a importância ou peso de um frente ao outro: 
Os princípios possuem uma dimensão que as regras não têm – a dimensão do peso ou importância. Quando os 
princípios se intercruzam [...], aquele que vai resolver o conflito tem de levar em conta a força relativa de cada 
um. Esta não pode ser, por certo, uma mensuração exata e o julgamento que determina que um princípio ou 
uma política particular é mais importante que outra frequentemente será objeto de controvérsia. Não obstante, 
essa dimensão é uma parte integrante do conceito de um princípio, de modo que faz sentido perguntar que 
peso ele tem ou quão importante ele é (DWORKIN,2002. p.42-43). 
Iremos iniciar o estudo dos princípios a partir da igualdade, que se encontra inscrito expressamente no art. 5º 
da Constituição Federal, contudo, já passou por grande evolução. 
Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos 
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e 
propriedade, nos termos seguintes [...]. 
Com a evolução desse princípio, a igualdade deixa de possuir um viés meramente formal, adquirindo uma 
dimensão mais ampla, em que pretende alcançá-la de forma material, equalizando desigualdades 
desproporcionais. Segundo Bandeira de Mello (2004, p.73-74), o princípio da igualdade [...] 
firma a tese de que não se pode desenvolver qualquer espécie de favoritismo ou desvalia em proveito ou 
detrimento de alguém. Há de agir como obediência ao princípio da impessoalidade. [...] 
 
O princípio da isonomia da Administração não necessita, para seu fundamento, da invocação cânones da 
ordem moral. Juridicamente se estriba na convincente razão de que os bens manipulados pelos órgãos 
administrativos e os benefíciosqueosserviçospúblicospodempropiciarsãobensdetodacomunidade, embora por 
ela geridos, e benefícios a que todos igualmente fazem jus, uma vez que os Poderes Públicos, no Estado de 
Direito, são simples órgãos representantes de todos os cidadãos. 
O princípio da legalidade é um dos mais relevantes na esfera administrativa. É descrito no art. 5º, II, e salienta 
que a lei determinará o que não se pode fazer e, na sua omissão, a conduta estaria permitida. Contudo, esse 
entendimento aplica-se ao indivíduo, ao particular. Diferente é o que se impõe à administração pública, que só 
pode fazer aquilo que estiver expressamente determinado na lei. 
Ao particular é dado fazer tudo quanto não estiver proibido; ao administrador somente o que estiver permitido 
pela lei (em sentido amplo). Não há Liberdade Desmedida ou que não esteja expressamente concedida. Toda a 
atuação administrativa vincula- se a tal princípio, sendo ilegal o ato praticado sem lei anterior que o preveja 
[...]. Do princípio da legalidade decorre a proibição de, sem lei ou ato normativo que permita, a Administração 
virá, por mera manifestação unilateral de vontade, declarar, conceder, restringir direitos ou impor obrigações 
(ROSA,2003,p.11). 
Bandeira de Mello (2004, p. 90-91) também acentua a importância do princípio da legalidade como basilar no 
regime jurídico administrativo e para o próprio Estado de Direito: 
Este é o princípio capital para a configuração do regime jurídico-administrativo. Justifica- se, pois, que seja 
tratado – como será – com alguma extensão e detença. Com efeito, enquanto princípio da supremacia do 
interesse público sobre o interesse privado é da essência de qualquer Estado, de qualquer sociedade 
juridicamente organizada com fins políticos, o da legalidade é específico do Estado de Direito, é justamente 
aquele que o qualifica e que lhe dá identidade própria. Por isso mesmo é o princípio basilar do regime jurídico 
administrativo, já que o Direito Administrativo “pelo menos aquilo que como tal se concebe” nasce como 
Estado de Direito: é uma consequência dele. É o fruto da submissão do Estado à Lei. É, em suma: a 
consagração da ideia de que Administração Pública só pode ser exercida na conformidade da Lei e que de 
conseguinte, a atividade administrativa é a atividade sub-legal, infralegal, consistente na expedição de 
comandos complementares à Lei. 
O princípio da finalidade deve ser o orientador da atuação do administrador público, pois este sempre deve se 
ater ao interesse público. No desenvolvimento de sua competência, o administrador depara-se com uma 
finalidade geral e uma específica, devendo coordená-las de modo a realizar sua função atendendo ao interesse 
coletivo, evitando que os atos produzidos sejam anulados. 
O princípio da finalidade impõe que o administrador, ao manejar as competências postas a seu encargo, atue 
com rigorosa obediência à finalidade de cada qual. Cumpre-lhe cingir- senão apenas finalidade própria de 
todas leis, que é o interesse público, mas também à finalidade específica abrigada na lei a que esteja dando 
execução. Assim, há desvio de poder e em consequência nulidade do ato, por violação da finalidade legal, 
tanto nos casos em que a atuação administrativa é estranha a qualquer finalidade pública, quanto naqueles em 
que o fim perseguido, se bem de interesse público, não é o fim preciso que a lei assinalava paratalato 
(MELLO, 2005, p. 57). 
O princípio da motivação não se confunde com o motivo, mas ambos se relacionam, conforme verificado por 
Maria Sylvia Zanella Di Pietro (2011, p. 121): 
[...] Motivo é o pressuposto de fato e de direito que serve de fundamento ao ato administrativo e que a 
motivação é a exposição dos motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato 
realmente existiram. 
[...] No ato de punição do funcionário, o motivo é a infração que ele praticou, no tombamento, é o valor 
cultural do bem, na licença para construir, o conjunto de requisitos comprovados pelo proprietário; na 
exoneração do funcionário estável é o pedido por ele formulado. 
A necessidade de motivação ou não ainda gera alguns debates entre estudiosos. Há doutrinadores que afirmam 
que só seria imprescindível nos atos considerados vinculados; já outros entendem que só se aplicaria aos atos 
discricionários, devido à existência de subjetividade. A seguir, vemos a posição de Celso Antonio Bandeira de 
Mello (2002, p. 102) nesse sentido: 
Em algumas hipóteses de atos vinculados, isto é, naqueles que há aplicação quase automática da lei, por não 
 
existir campo para interferência de juízos subjetivos do administrador, a simples menção do fato e da regra de 
Direito aplicada pode ser suficiente, por estar implícita a motivação. Todavia, em que existe 
discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de atirada apreciação e 
sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível a motivação detalhada. 
Entretanto, a posição que predomina coaduna-se como pensamento apresentado por Diógenes Gasparini 
(2005, p. 23), de que a motivação é necessária para todo e qualquer ato: 
A motivação é necessária para todo e qualquer ato administrativo, pois a falta de motivação ou indicação de 
motivos falsos ou incoerentes torna o ato nulo devido [à] Lei n.º 9.784/99, [que] em seu art.50, prevê a 
necessidade de motivação dos atos administrativos sem fazer distinção entre atos vinculados e os 
discricionários, embora mencione nos vários incisos desse dispositivo quando a motivação é exigida. 
Os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade são fundamentais para a existência e a realização 
efetiva do princípio do devido processo legal, já que o integram. 
As decisões jurídicas hão de ser, ainda, substancialmente de vidas. Não basta a sua regularidade formal; é 
necessário que uma decisão seja substancialmente razoável ecorreta. Daí, fala-se em um princípio do devido 
processo legal substantivo, aplicável a todos os tipos de processo, também. É desta garantia que surgem os 
princípios da proporcionalidade e da razoabilidade (DIDIER, 2008,p.33). 
O princípio da proporcionalidade relaciona fim como meio, devendo haver equilíbrio entre ambos. Para se 
alcançar certa finalidade, não cabe a utilização de todo e qualquer meio: 
O princípio ordena que a relação entre o fim que se pretende alcançar e o meio utilizado deve ser 
proporcional, racional, não excessiva, não arbitrária. Isso Significa que entre meio e fim deve haver uma 
relação adequada, necessária e racional ou proporcional (STEINMETZ, 2001, p. 149). 
O princípio da proporcionalidade radicao seu conteúdo na noção segundo a qual deve a sanção disciplinar 
guardar adequação à falta cometida. Tal princípio, mesmo que não esteja literalmente previsto no nosso 
ordenamento jurídico, encontra-se nele integrado por força de compreensão lógica (COSTA, 2010, p.64). 
José dos Santos Carvalho Filho(2006) acentua que haveria uma divisão no âmbito do princípio da 
proporcionalidade. Este deveria ser analisado sob um prisma tridimensional, conforme afirma: 
adequação, significando que o meio empregado na atuação deve ser compatível com o fim colimado; b) 
exigibilidade, porque a conduta deve ter-se por necessária, não havendo outro meio menos gravoso ou oneroso 
para alcançar o fim público, ou seja,omeioescolhidoéoquecausaomenorprejuízopossívelparaosindivíduos; 
c) proporcionalidade em sentido estrito, quando as vantagens a serem conquistadas superam as desvantagens 
(CARVALHO, 2006, p. 31). 
Já o princípio da razoabilidade é um conceito amplo que traz a ideia de moderação, cautela, visando a uma 
atuação legítima e justificada administração pública: 
Pelo princípio da razoabilidade, o que se pretende é considerar se determinada decisão, atribuída ao Poder 
Público, de integrar discricionariamente uma norma, contribuirá efetivamente para um satisfatório 
atendimento dos interesses públicos.A razoabilidade, agindo como um limite à discrição na avaliação dos 
motivos, exige que sejam eles adequados, compatíveis e proporcionais, de modo a que o ato atenda a sua 
finalidade pública específica; agindo também como um limite à discrição na escolha do objeto, exige que ele 
se conforme fielmente à finalidade e contribua eficientemente para que ela seja atingida (GASPARINI, 2001, 
p. 22). 
O princípio da moralidade no âmbito administrativo significa que aqueles que atuam na função pública devem 
respeitar os preceitos legais e os éticos e morais. A boa-fé e a probidade vem orientar a administração pública. 
A importância desse princípio precede mesmo a Constituição Federal: 
Poder-se-á dizer que apenas agora a Constituição Federal consagrou a moralidade como princípio da 
administração pública (art. 37 da CF). Isso não é verdade. Os princípios podem estar ou não explicitados em 
normas. Normalmente, sequer constam de texto regrado. Defluem no todo do ordenamento jurídico. 
Encontram-se ínsitos, implícitos no sistema, permeando as diversas normas regedoras de determinada matéria. 
O só fato de um princípio não figurar no texto constitucional, não significa que nunca teve relevância de 
princípio. A circunstância de, no texto constitucional anterior, não figurar o princípio da moralidade não 
 
significa que o administrador poderia agir de forma imoral ou mesmo amoral (PEREZ, 1983, p. 15). 
Há certa divergência entre doutrinadores acerca da diferença entre imoralidade administrativa e a improbidade 
administrativa. Há dois entendimentos, um que as considera distintas, mas relacionadas, e outro que a se 
ntende como a mesma circunstância. 
Quando o administrador público age contrariando as regras de probidade administrativa, também a moralidade 
administrativa restou prejudicada, desrespeitada, ainda que de forma indireta. Isso ocorre porque o dever da 
boa administração está ligado ao atendimento à finalidade pública, mas sem flexibilização das normas às quais 
está submetida a Administração Pública, sob pena de atropelar o ordenamento jurídico. Isto significa que, por 
mais que esteja bem-intencionado o administrador, ele não poderá afastar os preceitos do regime jurídico 
vigente sob o argumento de que os mesmos impedem ou inviabilizam o interesse público (FRANÇA, 2001, p. 
185). 
Sobre os princípios da ampla defesa do contraditório, pode-se afirmar serem fundamentais e imprescindíveis 
para legitimar e validar os processos de forma geral. Permitem que haja equilíbrio e isonomia nas relações 
processuais. 
É uma garantia político-constitucional do indivíduo. É um meio técnico de que a lei se vale para a condução 
do processo e garantir os fins da justiça. As partes interessadas é que devem fornecer a matéria de fato válida, 
a definir a instrução (ROSAS,1997,p.48). 
Além da previsão constitucional desses princípios, outras disposições surgem para enfatizá-los, como é o caso 
da Súmula Vinculante nº 14, que ressalta aspectos inerentes à ampla defesa: 
É Direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo ao elementos de prova que, já 
documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, 
digam respeito ao exercício do direito de defesa. 
É interessante salientar que os princípios da ampla defesa e do contraditório possuem uma dimensão mais 
ampla que descrevem alguns estudiosos e permitem a obtenção de decisões mais justas. 
O princípio da ampla defesa na teoria neo-institucionalista do processo é que vai permitir defesas não só em 
face de defeitos procedimentais ou contra o mérito, mas numa concepção expansiva da negação ou afirmação 
de constitucionalidade dos atos e conteúdos jurídicos das pretensões e de sua procedimentalidade formal. 
Ampla defesa é nessa concepção o direito processualmente garantido a um espaço procedimental cognitivo à 
construção de fundamentos obtidos dos argumentos jurídicos advindos das liberdades isonômicas exercidas 
em contraditório na preparação das decisões(LEAL,2002,p.171). 
O Contraditório permite que haja uma harmonização do sistema normativo. É decorrente do direito de defesa, 
mas não se subsume a uma mera ciência de atos processuais, e envolve participação efetiva no processo, de 
modo a contribuir para a elaboração da decisão. 
Se interpretarmos o contraditório como o reconhecimento de iguais possibilidades de participação no 
procedimento, por sua vez o direito de ampla argumentação há que ser a todos os envolvidos reconhecido 
como o direito de trazer à discussão institucionalizada, que é o processo, toda e qualquer questão que 
entendam ser relevantes também, e mais uma vez, para reconstrução do caso e do Direito afim de que seja 
construída a decisão do caso (CHAMON JÚNIOR, 2005, p. 87). 
O princípio da segurança jurídica relaciona-se ao da boa-fé, sendo ambos exigidos na atuação da 
administração. É uma garantia do indivíduo em face do Estado de Direito, impedindo desconstruções 
jurídicas, ainda que haja desconformidade com as disposições legais, visando preservar a confiança do 
administrado. 
A regra do art. 54 da Lei n° 9.784/99, por traduzir, no plano da legislação ordinária, o princípio constitucional 
da segurança jurídica, entendida como proteção à confiança, tem como pressuposto a boa-fé dos destinatários. 
A decadência do direito da Administração à anulação não se consuma se houver má fé dos destinatários. Não 
está em questão a má-fé da Administração Pública ou da Autoridade Administrativa. Assim, mesmo existente 
esta, se os destinatários do ato administrativo estavam de boa-fé e houve o transcurso do prazo quinquenal 
sem que o Poder Público houvesse providenciado na anulação do ato administrativo ilegal, configuram-se 
todos os requisitos para a incidência e aplicação do art. 54, perecendo, pela decadência, o direitoàanulação 
(COUTO E SILVA, 2005, p.48). 
 
O princípioda supremacia do interesse público possui uma origem muito mais longínqua e diferente do que se 
imaginava, pois não surgiu do Direito Administrativo: 
Embora possa parecer que o princípio da supremacia do interesse público sobre o privado tenha sido criado no 
âmbito do direito administrativo, na verdade ele antecede em muitos séculos o nascimento desse ramo do 
direito, que somente começou a se formar como ramo autônomo em fins do século XVIII, com a formação do 
Estado de Direito. Com efeito, a ideia da existência de interesses gerais diversos dos interesses individuais 
encontra suas origens na antiguidade greco-romana (DI PIETRO, 2009b, p. 36). 
Dentro da definição do princípio da supremacia do interesse público, cabe asseverar que são diferenciadas as 
relações entre administração e particulares. 
A Administração Pública não está no mesmo plano que o particular as relações que mantém com este. Está em 
situação de verticalidade, em situação de superioridade, sustentando interesse coletivo, que tem 
predominância sobre interesse individual. O Estado não poderia desincumbir-se de suas tarefas se estivesse no 
mesmo plano que os particulares, os quais possuem autonomia de vontade e interesses individuais nem 
sempre coincidentes com o interesse da sociedade. Para propiciar o atingimento dos fins do Estado é que se 
reconhece à Administração Pública a supremacia de seus interesses, que preponderam sobre os interesses 
individuais.[...] O interesse da Administração prevalece sobre o particular porque é titularizado por toda 
sociedade (VIEIRA, 2011, p. 34). 
O princípio da eficiência exige que a administração pública, no desenvolvimento de suas atribuições, atue com 
celeridade e rendimento. Dessa maneira, até os processos têm exigência de uma duração razoável que não 
ultrapasse o tempo justo. 
Figura – Princípio da eficiência pública 
 
Fonte:elaborada pela autora(2022). 
Alguns entendem a eficiência como dever da administração escolher o meio que implique menos dispêndios 
financeiros. Dentre as várias alternativas, cumpre escolher a opção mais barata. Essa interpretação remete-nos 
a dois modos de consideração do custo administrativo: a um modo absoluto, no sentido de que a opção menos 
custosa deve ser adotada, indiferente se outras alternativas, apesar de mais custosas, apresentam outras 
vantagens; a um modo relativo, no sentido de que aopçãomenoscustosadeveseradotadasomenteseasvantagens 
proporcionadas por outras opções não superarem o benefício financeiro. O modo relativo é aquele que melhor 
se compatibiliza com o ordenamento jurídico brasileiro. Isso significa dizer que não se pode entender, de 
chofre, como melhor a compra de equipamentos eletrônicos só porque são mais baratos relativamente a 
outros,sem consideração, por exemplo, da sua durabilidade, dos serviços de assistência técnica que eles 
exigem, da sua obsolescência, da sua praticidade. O equipamento mais barato pode ser, até mesmo, o menos 
adequado para realizar a finalidade de modo satisfatório (ÁVILA,2003,p.127). 
 
 
 
4.4.2 Processo Administrativo Disciplinar 
Figura–Processo Disciplinar–responsabilidades 
Fonte:elaborada pela autora(2022). 
 
O Processo administrativo disciplinar é previsto na Lei nº 8.112/1990, a qual disciplina o regime jurídico dos 
servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais. 
No âmbito da compreensão do processo administrativo disciplinar, é relevante analisar quais são as proibições 
aos servidores. Estas se encontram dispostas no art. 117 da Lei nº 8.112/1990: 
Art.117. Ao Servidor é Proibido: 
1. ausentar-se do serviço durante expediente, sem prévia autorização do chefe imediato; 
2. retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da repartição; 
3. recusar fé a documentos públicos;opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo 
ou execução de serviço; 
4. promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;cometer a pessoa estranha à 
repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho deatribuição que seja de sua 
responsabilidade ou de seu subordinado; 
5. coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou sindical, ou a 
partido político;manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, 
companheiro ou parente até segundo grau civil; 
6. valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função 
pública;participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não 
personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário; 
7. atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar de 
benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou 
companheiro; 
8. receber propina,comissão, presente ou vantagem qualquer espécie,em razão de suas atribuições; 
9. aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro; 
10. praticar usura sob qualquer de suas formas;proceder de forma desidiosa; 
11. utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares;cometer a 
outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de emergência e 
transitórias; 
12. exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis como exercício do cargo ou função e com o 
horário de trabalho; 
13. recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado. 
No âmbito das responsabilidades, o servidor responde em até três esferas – civil, penal e administrativa – pela 
irregularidade no desempenho da função. A responsabilidade decorre tanto de ato comissiv oquanto de 
omissivo, desde que haja dano à administração ou a particulares. 
 
As penalidades disciplinares que podem decorrer da irregularidade da atuação dos servidores seriam: 
• advertência; 
• suspensão; 
• demissão; 
• cassação de aposentadoria ou disponibilidade; 
• destituição de cargo em comissão; e 
• destituição de função comissionada. 
DIREITO ADMINISTRATIVO. Aplicação de PENA DISCIPLINAR EM PROCESSO ADMINISTRATIVO 
REGULAR. IRREGULARIDADES APONTADAS NA SINDICÂNCIA SEM OFENSA AO PRINCÍPIO 
DA AMPLA DEFESA. O PROCESSO SINDICÂNCIA NÃO TEM FORMA E NEM FIGURA DE JUÍZO, 
NÃO OBEDECE A PROCEDIMENTO ESPECÍFICO, NEM AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO.AO 
INDICIADO NÃO CABE ALEGAR DEFEITOS OU IRREGULARIDADES NA SINDICÂNCIA (OU 
VÍCIOS DE INTIMAÇÃO), PORQUANTO A SUA DEFESA SERÁ SEMPRE FEITA, DE FORMA 
EXAUSTIVA E EFICIENTE, NA FASE DO INQUÉRITO ADMINISTRATIVO,COMO OCORREU, NA 
HIPÓTESE OS EFEITOS DE INTIMAÇÃO, NA FASE DA SINDICÂNCIA, NÃO SE PODEM REFLETIR 
PARA EFEITO DE ANULAÇÃO DE PUNIÇÃO IRROGADA, AO SINDICADO, COM BASE EM 
PROCESSO ADMINISTRATIVO REGULAR, MEDIANTE O ASSEGURAMENTO DA MAIS AMPLA 
DEFESA. O DEVER DO FUNCIONÁRIO DE COMUNICAR IRREGULARIDADES, PORVENTURA 
EXISTENTES, NO SERVIÇO PÚBLICO DE QUE É AGENTE, NÃO EXCLUI AQUELE PERTINENTE 
AO RESPEITO,À DIGNIDADE, À HONRA E AO DECORO DEVIDOS, PELO SERVIDOR, AOS 
SUPERIORES HIERÁRQUICOS. NÃO SE ANULA PENA DE ADVERTÊNCIA, QUANDO APLICADA 
COM BASE NA LEI PROCEDIMENTO ADEQUADO. RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 
DECISÃO POR MAIORIA DE VOTOS‟ (RMS 281/SP–STJ– 1ª Turma – Relator Min.Demócrito Reinaldo – 
Publicado no DJ em 17.05.1993) „PROCESSO CIVIL – ADMINISTRATIVO – RECURSO MANDADO DE 
SEGURANÇA – SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL – IMPOSSIBILIDADE DE DILAÇÃO 
PROBATÓRIA – SINDICÂNCIA– PROCEDIMENTO SUMÁRIO – PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS –
AMPLA DEFESA– CONTRADITÓRIO –DEVIDO PROCESSO LEGAL – INCABIMENTO. 1– Aprova, na 
via mandamental, deve vir pré-constituída, não podendo ocorrer a chamada dilação probatória, já que o direito 
que se visa proteger deve ser líquido certo e, de plano demonstrado. 2– A sindicância é um procedimento 
preliminar sumário, instaurada com o fim único investigação de irregularidades funcionais,que precede ao 
processo administrativo disciplinar, não se confundindo com este. Sendo, desse modo, prescindível, nesta 
fase, a observância dos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo 
legal. 3– Precedentes (ROMS nºs 2.530/Pi e 10.574/ES). 4– Recurso Conhecido, porém, 
desprovido.”(RMS12680/MS,STJ, 5ªTurma, rel.min. Jorge Scartezzini, publicado no DJem 5/8/2002). 
Quem seriam os legitimados para aplicar essas penalidades? Depende de que estas sejam: 
 Demissão e cassação de aposentadoria ou disponibilidade de servidor – presidente da República, 
presidentes das Casas do Poder Legislativo e dos Tribunais Federais e procurador-geral da 
República. 
 Suspensão superior a 30 dias – autoridades administrativas de hierarquia imediatamente inferior às 
anteriores. 
 Advertência ou de suspensão de até 30 dias – chefe da repartição e outras autoridades 
regulamentares. 
 Destituição de cargo em comissão – autoridade nomeante. 
 Quanto à prescrição, cabe ressaltar que também depende da penalidade a ser aplicada, conforme a 
infração praticada: 
 Cinco anos: demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em 
comissão. 
 Dois anos: suspensão. 
 180 dias: advertência. 
 
Verificada a irregularidade no exercício da função pública, deve ocorrer a devida apuração, iniciada por 
meio de sindicância ou processo disciplinar. 
Sindicância jamais condena alguém a coisa alguma. Trata-se de um procedimento 
 
facultativo,inquisitório, prévio a qualquer procedimento para pretensão punitiva, que por tudo isso 
nunca pode ensejar penalização a quem que seja. Ninguém pode ser condenado num inquérito policial, 
como ninguém pode ser condenado numa sindicância administrativa, nem mesmo à pena de advertência, 
muito menos à de suspensão. É seguro e pacífico que tantas penalidades quantas a União aplicar em 
função do inc.II deste art.145 serão revogadas, com execração para a desavisada autoridade que as 
aplicar, em mandado de segurança (RIGOLIN, 2015, p.247). 
As denúncias serão apuradas, e, se não for verificada infração disciplinar ou fato que gere responsabilização 
penal, haverá o arquivamento. 
A garantia do devido processo legal não só assegura ao funcionário a feitura do procedimento 
disciplinar previsto na lei (sindicância e processo ordinário sumário), como exige, por via de 
consequência, a existência de elementos prévios que legitimem tal iniciativa. Não fosse a exigência 
desse pré-requisito, os procedimentos disciplinares – estribando-se em meros caprichos do 
administrador e podendo ser instaurados sem mais nem menos, isto é, semaexistênciade indícios ou 
outros adminículos legais idôneos – a vida funcional do servidor público seria um constante transtorno 
recheado por uma insegurança jurídica. Daí porque o aspecto mais democrático e importante do devido 
processo legal é a exigência desse imprescindível requisito de iniciação processual (fumus boni iuris), 
sem o qual ficaria o servidor público à mercê das trepidações emocionais dos seus superiores 
hierárquicos, os quais poderiam, assim, infelicitar, importunar e desassossegar os seus subalternos como 
bem lhe aprouvesse, já que não estariam vinculados a esse pressuposto legal (COSTA, 2002, p. 202-
203). 
Dessa forma, do procedimento de sindicância, pode resultar o arquivamento do processo, a aplicação de 
penalidade diretamente (advertência ou suspensão de menos de 30 dias) ou a instauração de processo 
disciplinar. 
Não é possível instaurar-se um processo administrativo disciplinar genérico para que, no seu curso se apure 
se, eventualmente, alguém cometeu falta funcional. Não é dado à Administração Pública nem ao Ministério 
Público, simplesmente molestar gratuitamente e imotivadamente qualquer cidadão por alguma suposta 
eventual infração da qual ele, talvez, tenha participado. Vale também aqui o princípio da proporcionalidade 
inerente ao poder de polícia, segundo o qual só é legítimo o constrangimento absolutamente necessário, e na 
medida do necessário (DALLARI, 2001, p. 38). 
As sindicâncias têm prazo específico para ocorrerem – não podem exceder 30 dias, havendo a possibilidade de 
prorrogação por mesmo período. É importante lembrar que, se o ato praticado pelo servidor ensejar penas 
mais gravosas, será necessária a instauração de processo disciplinar. Essas penas incluem suspensão por mais 
de 30 dias, demissão e cassação de aposentadoria ou disponibilidade. 
Na apuração da irregularidade, pode haver necessidade de afastamento preventivo do servidor do cargo para 
que ele não obste o desenvolvimento do processo administrativo disciplinar. Esse afastamento deve ser pelo 
prazo máximo de 60 dias, e o servidor continuará percebendo remuneração. 
O processo administrativo disciplinar desenvolve-se por intermédio de uma comissão, que é integrada por três 
servidores. Estes devem ser de carreira(estáveis), sendo que o presidente deve ocupar cargo igual ou superior 
ao do servidor indiciado. 
É vedada a participação, nessa comissão, de parentes até terceiro grau ou cônjuge/companheiro. As audiências 
são reservadas, e a comissão deve orientar-se pela imparcialidade. O processo administrativo tem duração de 
60 dias, sendo possível prorrogação por igual período, caso necessário. 
Como todo processo administrativo, o de natureza disciplinar também se desenvolve por meio de fases, que 
são: 
 instauração (ato designa comissão); 
 inquérito administrativo (instrução, defesa e relatório); e 
 julgamento. 
No inquérito administrativo, é assegurado o devido processo legal (ampla defesa e contraditório). Nos 
casos em que a sindicância se converta em processo administrativo, passará a integrar este (peça de 
informação). 
 
FIQUE LIGADO(A) 
Uma das principais novidades da Nova Lei de Licitações é um capítulo específico a 
respeito de infrações e sanções administrativas. Enquanto a antiga Lei nº 8.666/93 
tratava de sanções apenas no art. 87, a Nova Lei nº 14.133/2021 contempla o assunto 
em nove (artigos 155 a 163).[…] Na Nova Lei, a amplitude das sanções restritivas de 
licitar e contratos - assim como os prazos aplicáveis - são normatizados. O âmbito de 
aplicação das sanções de impedimento e inidoneidade são destacados nos 4º e 5º 
parágrafos do art. 156. 
 
As diligências, as investigações e os depoimentos são inerentes à fase do inquérito, podendo- se recorrer a 
peritos para esclarecimentos. Se a conclusão for que houve ilícito penal, haverá encaminhamento dos autos ao 
Ministério Público, ainda que instaurado o processo também no âmbito administrativo. 
De acordo com a Súmula nº 591STJ: “É permitida a prova emprestada no processo administrativo disciplinar, 
desde que devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa.” 
Tipificada a infração, o investigado será citado para em 10 dias apresentar sua defesa escrita. Não fazendo 
isso, será considerado revel. Após a avaliação da defesa apresentada, um relatório será elaborado pela 
comissão citando as principais peças e provas. Ele pode concluir pela inocência ou pela responsabilidade, com 
o respectivo dispositivo legal transgredido. 
STJ, MS10.906/DF2005/0129.244-1, rel. Min. Nilson Naves 
Irregularidade do processo disciplinar. Mérito administrativo. Ocorrência de erro invencível. 
Possibilidade de intervenção do Judiciário. 1. No que diz respeito ao controle jurisdicional do processo 
administrativo disciplinar, a jurisprudência do Superior Tribunal é firme no sentido de que compete ao 
Poder Judiciário apreciar, à luz dos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo 
legal, a regularidade do procedimento sem, contudo, adentrar o mérito administrativo. Havendo, 
porém, erro invencível justifica-se a intervenção do Judiciário. 2. Na Hipótese, cabia à administração 
proceder às diligências necessárias para a descoberta da verdade quanto à participação do impetrantena 
gerência da empresa, e não simplesmente colocar o ônus da prova sobre o servidor, que, por meio de sua 
curadora, tentou demonstrar a inatividade da empresa desde a fundação. Agindo assim, a administração 
esquivou-se das suas funções, lançando ao servidor a incumbência de comprovar a ausência de 
circunstância irregular. Ao final, não ficou nada provado no processo administrativo. A não intervenção 
se afigura estranho comportamento. Quero, por isso, entender comigo mesmo que, em certas situações e 
determinados assuntos, é lícita a intervenção judicial (é lícito ao juiz conhecer da provocação). 3. 
Segurança concedida em parte para se anular a demissão do impetrante, determinando-se,em 
consequência, a sua reintegração no cargo. 
Assim, haverá o julgamento pela autoridade competente em 20 dias, e a regra é de que seja acatada a 
conclusão da comissão, exceto quando as provas forem divergentes. 
De acordo com a Súmula nº 592 STJ: “O excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo 
disciplinar só causa nulidade se houver demonstração de prejuízo à defesa.” 
Poderá haver a revisão do processo disciplinar de ofício ou ainda a pedido, independentemente do prazo, 
desde que haja novos fatos que possam gerar a inocência ou a percepção de que a penalidade não é adequada. 
O requerente da revisão é que terá o ônus da prova. 
Com base nessas normas gerais, é possível extrair a conclusão de que se a Administração Pública, 
representada pela comissão responsável pela condução de um processo disciplinar, tem conhecimento da 
existência prévia de uma prova constante de outro processo em trâmite perante o poder público, o dispêndio 
de recursos para produzir novamente material deve ser evitado,em nome da eficiência e da economicidade 
ENAP, 2017, p.14). 
A Terceira Seção, no MS 13.933/DF, enfatiza o prazo prescricional da pretensão punitiva: 
A leitura do art. 143 da Lei n.º 8.112/90 reforça a ideia de que somente com a ciência da autoridade 
competente para instauração do procedimento administrativo disciplinar começa o prazo prescricional para o 
 
exercício da pretensão punitiva da Administração. O ato de apuração de irregularidade não pode ser praticado 
por qualquer agente público, ao contrário, só pode ser iniciado por uma determinada autoridade, assim 
considerada aquela que está legalmente investida de poder e que, no caso em tela, é a autoridade competente 
para instaurar respectivo procedimento administrativo disciplinar. (STJ, Mandado de Segurança 
nº14391DF2009/XXXXX-0, rel. min. Napoleão Nunes Maia Filho, Data de Julgamento: 24/8/2011, S3 – 
Terceira Seção, data publicação: DJe 10/2/2012. 
A jurisprudência a seguir trata da punitividade, da discricionariedade e dos elementos (motivo e finalidade) do 
ato administrativo: 
CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. DELEGADO DE 
POLÍCIA. REMOÇÃO EX OFFICIO. ATO ADMINISTRATIVO EM QUALQUER REFERÊNCIA 
AOS MOTIVOS QUE LHE DERAM ENSEJO. ILEGALIDADE. INOBSERVÂNCIA DO ART. 
50,I, DA LEI 9.784/99. MOTIVAÇÃO APRESENTADA SOMENTE NAS INFORMAÇÕES EM 
QUE NÃO HÁ CONGRUÊNCIA ENTRE O MOTIVO E A FINALIDADE DO ATO, ALÉM DE 
EVIDENCIAR ELEVADO GRAU DE SUBJETIVISMO À REVELIA DE CONCRETA 
DEMONSTRAÇÃO DE QUE A TRANSFERÊNCIA ATENDE A ALGUMA DAS HIPÓTESES 
PREVISTAS NO ART. 26, II, DALEI ESTADUAL 4.122/99. ATO ADMINISTRATIVO QUE, 
APESAR DE DISCRICIONÁRIO, SUJEITA-SE AO CONTROLE DE JURIDICIDADE. 
PRECEDENTES. 
[...] 
6. O ato administrativo discricionário sujeita-se à sindicabilidade jurisdicional de sua 
jurisdicidade. Não invade o mérito administrativo - que diz com razões de conveniência e 
oportunidade - a verificação judicial dos aspectos de legalidade do ato praticado. Precedentes. 
7. Recurso Ordinário provido. (RMS 37.327/SE, rel. min. Herman Benjamin, 2ª T, julgado em 
20/8/2013, DJe 12/9/2013). 
 
CURIOSIDADE 
Em 2013, houve a edição de uma lei muito relevante a respeito da responsabilização 
por atos praticados contra a administração pública. A Lei nº 12.846/2013 determina 
quais as responsabilidades administrativas ou civis caso sejam praticados atos em 
confronto com a administração pública, seja ela nacional ou internacional. Ela ficou 
conhecida como Lei Anticorrupção. A sanção prevista é a multa (variável, podendo 
chegar a 20%) sobre o faturamento bruto das empresas responsáveis por atos ilícitos 
contra o erário. 
Há muitas críticas em relação à aplicação da referida norma, devendo sua utilização 
ser orientada pela ética e moralidade, além de haver a devida motivação. 
 
RECAPITULANDO 
Nesta unidade abordamos o conceito e os desdobramentos do processo administrativo, o qual tem respaldo no 
art. 5º, LV, da Constituição Federal. Já a Lei nº 9.784/1999 acaba por regular e direcionar o processo 
administrativo no âmbito da administração pública federal, podendo ser aplicado à administração pública 
direta ou indireta. Importante ressaltar que a referida lei foi promulgada com o intuito de atender ao interesse 
coletivo, porém também pode ser aplicada em casos de exercício da função administrativa de forma atípica 
por outros Poderes. 
Também foi estudado que, além do contido na Lei nº 9.784/1999 para o desenvolvimento dos processos 
administrativos, alguns princípios da esfera administrativa também devem ser seguidos, como motivação, 
finalidade, legalidade, ou seja, são fundamentais para toda a administração pública. Assim, foram 
apresentados os princípios fundamentais e imprescindíveis que devem ser seguidos na Administração Pública 
e no processo administrativo, elencando de forma explicativa cada um dos princípios. 
Foram abordadas as espécies existentes do processo administrativo, podendo ser de defesa ou de participação, 
 
sendo diferenciados pela sua finalidade. 
O estudante também teve oportunidade de aprender as fases do processo administrativo e os princípios 
sujeitos a cada procedimento do processo administrativo, pois caso não sejam estes respeitados,a invalidação 
processo pode ser latente. 
Por fim, tivemos oportunidade de estudar o processo administrativo disciplinar, previsto pela Lei nº 
8.112/1990, que pode ser aplicado ao servidor público nas esferas civil, penal ou administrativa. O processo 
administrativo pode decorrer de ato comissivo ou omissivo, gerando ao servidor penalidades disciplinares 
específicas, que também foram abordadas nesta unidade. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
No presente material, buscamos explicar os atos administrativos com um viés científico, demonstrando a 
importância deles no âmbito do exercício da função pública. 
A diferenciação entre os artefatos jurídicos administrativos foi demonstrada conforme a doutrina e a 
jurisprudência nacionais. Explicou-se, ainda, que os atos administrativos buscam ser uma ferramenta de 
atuação da administração pública nas suas relações, promovendo um diálogo mais justo com os administrados. 
Os atos administrativos têm elementos fundamentais que são responsáveis pela sua estrutura. Cada um tem 
uma função específica na formação do ato. A competência, o objeto, a forma, a finalidade e o motivo foram 
definidos neste estudo. 
As características ou atributos dos atos administrativos são de grande importância, já que são os fatores 
diferenciadores em relação aos atos particulares. Além das prerrogativas de que gozam os primeiros, a questão 
do direito administrativo também foi esclarecida, sendo elemento integrante dos atos administrativos 
discricionários. 
Tratou-se ainda da formação dos atos administrativos e dos aspectos relacionados à sua existência,validade e 
eficiência. Os efeitos que podem produzir também foram descritos. 
Além disso, restou demonstrada a existência de uma série de atos administrativos e a classificação de cada 
um. Grande parte deles foi descrita e definida, de modo a facilitar o entendimento das diferenças existentes. 
Os processos administrativos foram analisados sob inúmeros prismas, como pelos requisitos e objetivos. 
Outrosaspectos observados foram as espécies existentes. O processo administrativo foi descrito em seu tudo, 
assim como suas frases, minuciosamente. O estudo dos princípios também é um aspecto relevante que foi 
delineado. O processo administrativo disciplinar ainda foi um dos focos do estudo desta aula.
 
GLOSSÁRIO 
 
Arbitrariedade 
Procedimento determinado pela vontade livre do agente, contrário à ordem jurídica. Abuso de autoridade. 
 
Common Law 
É um sistema jurídico utilizado em países de língua inglesa. Possui como principal característica ser baseado 
em precedentes criados a partir de casos jurídicos – e não em códigos. Por isso, o papel dos juízes e dos 
advogados é importante para o desenvolvimento desse sistema. 
 
Convalidação 
A convalidação, também denominada de sanatória, refere-se à correção da existência de um eventual vício em 
um ato administrativo. Só pode ocorrer caso não cause danos ou prejuízos a terceiros ou à própria 
administração. Possui efeitos retroativos. 
 
Ex Nunc 
Expressão em latim que indica os efeitos provenientes de um ato ou de uma decisão; significa que a decisão 
não retroage para alcançar atos já passados, valendo somente a partir então. 
 
Ex Tunc 
Expressão em latim que indica os efeitos provenientes de um ato ou de uma decisão; significa que os efeitos 
da decisão retroagem à data da decisão, alcançando o passado. 
 
Imprescritibilidade 
Caráter daquilo que não pode prescrever; qualidade daquilo cujo prazo de prescrição não tem efeito; 
característico que é imprescritível: a imprescritibilidade de crimes como o racismo. 
 
Probidade 
É a retidão das ações administrativas. Agir de forma reta e honesta não somente de acordo com as normas, 
como também de acordo com a ética (código de ética do servidor), dentro dos princípios de moralidade. 
 
Súmula 
Trata-se de pronunciamentos proferidos pelos Tribunais do nosso país, baseados em decisões reiteradas, que 
delimitam o entendimento e interpretação das leis sobre determinada matéria dada pelos nossos magistrados. 
É a “união” de várias decisões do mesmo Tribunal, com idêntica interpretação sobre o mesmo tema. Pode ser 
conceituada também como um resumo da decisão.jurídicos: 
O ato jurídico desde logo se distingue dos demais fatos voluntários lícitos pela maior relevância da 
vontade, isto é, da vontade que visa a alcançar, direta e imediatamente, os efeitos práticos protegidos 
pela norma e recebe desta o poder de auto-regulamentar os interesses próprios do agente [...]. Consiste, 
pois, o ato jurídico na declaração dispositiva e preceptiva da vontade autônoma do agente, dirigida 
direta e imediatamente à consecução dos resultados práticos, individuais e sociais, produzidos pelos 
efeitos que o ordenamento lhe confere. 
Inúmeros eventos desenvolvem-se no dia a dia da vida das pessoas, mas só serão considerados fatos jurídicos 
aqueles que tiverem importância na esfera do Direito, ou seja, quando há norma que a eles se destine ou que 
se dirija para algum fim. De acordo com Pontes de Miranda (1983,p.77): 
Fato jurídico é, pois, o fato ou complexo de fatos sobre o qual incidiu a regra jurídica; portanto, o fato 
de que dimana, agora, ou mais tarde, talvez condicionalmente, ou talvez não dimana, eficácia jurídica. 
Não importa se é singular, ou complexo, desde que, conceptualmente, tenha unidade. A oferta é fato 
jurídico: produz efeitos jurídicos. A aceitação também os produz, porque é fato jurídico. O contrato que 
delas surge é fato jurídico, com suporte de dois fatos jurídicos: a regra jurídica incide sobre dois 
suportes fáticos, em correlação, dando ensejo, assim, à bilateralidade. 
 
Figura – Classificação do fato jurídico 
Fonte:elaborada pela autora(2022). 
Faz-se mister apresentar o aspecto diferenciador entre atos da administração e atos administrativos. O 
conteúdo dos primeiros é mais abrangente que o dos últimos, englobando-os. Assim, podem ser considerados 
atos da administração: 
1. Os atos de direito privado, como doação, permuta, compra e venda, locação; 
2. Os atos materiais da administração, que não contêm manifestação de vontade, mas que envolvem 
apenas execução, como a demolição de uma casa, a apreensão de mercadoria, a realização de um 
serviço; 
3. Os chamados atos de conhecimento, opinião, juízo ou valor, que também não expressam uma 
vontade e que, portanto, também não podem produzir efeitos jurídicos; é o caso dos atestados, 
certidões, pareceres, votos; 
4. Os atos políticos, que estão sujeitos a regime jurídico-constitucional; 
5. Os contratos; 
6. Os atos normativos da administração, abrangendo decretos, portarias, resoluções, regimentos, de 
efeitos gerais e abstratos; 
7. Os atos administrativos propriamente ditos (DI PIETRO,2014, p.199). 
Os denominados atos administrativos serão mais bem definidos e delineados no tópico a seguir. 
 
1.3 Conceito 
Adentramos a seara específica dos atos administrativos questionando acerca de quando e como teriam surgido. 
A origem dos atos administrativos é incerta, sendo mencionados em uma norma francesa que tratava da não 
intervenção dos tribunais no Poder Legislativo (Lei nº 16/24-8, de 1790). Essa lei teria, juntamente com outra 
norma (Lei nº 3-9, de 1795), iniciado e desenvolvido a ideia do denominado contencioso administrativo; a 
partir disso, inúmeros atos da administração passaram a não mais se submeter ao âmbito judicial. 
No que concerne à origem dos atos administrativos, Maria Sylvia Zanella Di Pietro(2014,p.27) afirma: 
A noção de ato administrativo só começou a ter sentido a partir do momento em que se tornou nítida a 
separação de funções, subordinando-se cada uma delas a regime jurídico próprio. [...] só existe nos 
países em que se reconhece a existência de um regime jurídico-administrativo, a que se sujeita a 
Administração Pública, diverso do regime de direito privado. Onde não se adota esse regime, como nos 
sistemas da common law, a noção de ato administrativo, tal como a conhecemos, não é aceita. 
Compreendendo melhor os atos administrativos, é imprescindível entender seu conceito. Mello (2011,p.173) 
designa-os como declaração de vontade do Estado (ou de quem lhe faça às vezes – como por exemplo, um 
concessionário de serviço público), no exercício de prerrogativas públicas, manifestada mediante providências 
jurídicas complementares da lei a título de lhe dar cumprimento, e sujeitas a controle de legitimidade por 
órgão jurisdicional. 
Importa ressaltar que os atos administrativos produzem efeitos jurídicos e se encontram na esfera do Direito 
Público. A vontade estatal materializa-se por meio deles. 
 
RECAPITULANDO 
Foi possível conceituar que o Direito Administrativo está em constante mudança ante a sociedade dominante 
em cada momento da história, o que acaba influenciando no desenvolvimento da gestão de cada época da 
Administração. Assim, ante os conceitos mais modernos da Administração Pública, com menos burocracia e 
maior atendimento à coletividade, foi possível diferenciar o fato administrativo e o ato administrativo. 
O ato administrativo acaba sendo submetido ao controle da administração e não há definição legal para ele, 
embora seja conceituado amplamente por doutrinadores. O ato administrativo é pautado na boa administração, 
a qual prega a imparcialidade, eficiência e a transparência, entre outros princípios. 
Foi também conceituado o que vem a ser um fato administrativo, que são as atividades materiais da 
administração, podendo ser divididas em fato administrativo em sentido estrito. 
Por fim, identificamos as principais diferenças entre ato jurídico e ato administrativo, sendo que estes 
produzem efeitos jurídicos e são manifestados no Direito Público. 
 
 
UNIDADE 2 - ASPECTOS GERAIS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 
 
2. ELEMENTOS E ASPECTOS DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 
 2.1 do ato administrativo: competência, objeto, forma, motivo, finalidade 
Os atos administrativos têm elementos fundamentais que integram a sua estrutura. São eles a competência, o 
objeto, a forma, o motivo e a finalidade. 
Segundo Marcello Caetano (1997), há diversos requisitos que os atos administrativos devem cumprir para que 
se verifique sua validade no plano jurídico. 
Para um ato administrativo ser válido é necessária a verificação de vários requisitos. Em primeiro lugar, 
a conduta há de ser proveniente de um órgão da administração competente para a adotar. Depois é 
indispensável que, havendo exigências legais quanto ao processo de formação e de manifestação de 
vontade, sejam observadas as formalidades e forma prescritas. O ato visa a produzir efeitos jurídicos 
num caso concreto: tal é o seu objeto. Ora para que os efeitos jurídicos se produzam validamente é 
preciso que sejam respeitadas certas normas quanto à individualização do caso concreto e quanto aos 
requisitos objetivos e subjetivos que são pressupostos da lei. Enfim, o ato administrativo tem de ter um 
fim de interesse público. Este fim reveste a maior importância no caso de serem exercidos poderes 
discricionários (CAETANO, 1997, p. 466). 
A competência é um requisito de grande importância para a existência do ato administrativo. São poderes 
específicos atribuídos a um determinado agente público para exercício de certas atividades. 
A competência caracteriza-se por alguns aspectos, como a irrenunciabilidade (não se pode renunciar a ela, 
apenas delegar ou avocar, que são coisas diferentes), a inderrogabilidade (casos de competência exclusiva), a 
improrrogabilidade (só se pode realizar atos quando houver previsão de poder para tal) e a imprescritibilidade. 
No que tange aos aspectos marcantes do elemento competência, cabe aduzir: 
1) A competência se refere, na verdade, ao sujeito, a quem é atribuída a competência para a prática do ato 
– no direito brasileiro, quem tem capacidade para a prática de atos administrativos são as pessoas 
públicas políticas (União, Estados, Municípios e Distrito Federal), sendo suas funções distribuídas entre 
órgãos administrativos e, respectivamente entre seus agentes (pessoas físicas) – essa competência é 
distribuída na Constituição e nas Leis; 2) decorre sempre da lei, não podendoconvalidação, ou quando a situação 
gerada não estiver protegida por normas ou princípios que lhe garantam a existência (e o da segurança 
jurídica reclama, em determinados casos, esta providência) (CÂMARA, 2008, p. 142). 
 
Esse instituto ainda é objeto de uma polêmica. Questiona-se se a convalidação constitui um dever ou uma 
faculdade. Sobre isso, argumenta Di Pietro (2007, p. 232): 
Vale dizer que a convalidação aparece como faculdade da administração, portanto, como ato 
discricionário, somente possível quando os atos inválidos não acarretem lesão ao interesse público nem 
prejuízo a terceiros; em caso contrário, tem-se que entender que a administração está obrigada a anular o 
ato, ao invés de convalidá-lo. 
No que se refere à convalidação, faz-se oportuno citar a jurisprudência a seguir: 
 Se não se nega à Administração a faculdade de anular seus próprios atos, não se há de fazer disso, o 
reino do arbítrio. (STF – RE 108.182/Min. Oscar Corrêa). 
 A regra enunciada no verbete nº 473 da Súmula do STF deve ser entendida com algum temperamento: 
no atual estágio do direito brasileiro, a Administração pode declarar a nulidade de seus próprios atos, 
desde que, além de ilegais, eles tenham causado lesão ao Estado, sejam insuscetíveis de convalidação e 
não tenham servido de fundamento a ato posterior praticado em outro plano de competência. (STJ–
RMS 407/Humberto) (REsp nº 300116, rel. min. Humberto Gomes, 1ª Turma, DJ 25/2/2002, p. 222). 
 
 
2.2 Características: imperatividade, presunção de legitimidade, auto executoriedade 
 
O atributo da imperatividade do ato administrativo significa que este se dirige aos destinatários 
independentemente de sua vontade ou anuência. É uma imposição da administração aos particulares. Isso 
decorre do denominado poder extroverso, o qual gera deveres a particulares de forma unilateral. Há cogência a 
fim de atender ao interesse público. Cabe ressaltar que uma exceção seriam os atos enunciativos. José dos 
Santos Carvalho Filho (2012, p. 120) aduz: 
Imperatividade, ou coercibilidade, significa que os atos administrativos são cogentes, obrigando a todos 
quantos se encontrem em seu círculo de incidência (ainda que o objetivo a ser por ele alcançado contrarie 
interesses privados), na verdade, o único Alvo da Administração Pública é o interesse público. 
Figura–Atributos Do Ato Administrativo–imperatividade 
Fonte:elaborada pela autora(2022). 
 
A presunção de legitimidade relaciona-se ao fato de que a administração pública, representando o Estado, tem 
posição diferenciada do particular. A legitimidade é presumida em prol do alcance do interesse público. 
Compreende-se inicialmente que os atos administrativos nascem sem vícios, de acordo com normas legais, e 
prontos para produzir efeitos. 
 
 
 
Figura – Atributo do ato administrativo – presunção de legitimidade 
Fonte: elaborada pela autora (2022). 
 
Historicamente, a legitimidade precedeu a legalidade e, por vezes, a legitimidade foi ilegal e a 
legalidade foi ilegítima, numa evolução secular, ora paralela, ora divergente e ora convergente, 
conforme as épocas e as sociedades, até que se fez sentir uma novíssima necessidade social: a de 
conciliá-las, pela submissão de todos os processos político sao Direito. Com a consciência desse 
fundamental interesse foi possível estruturar-se uma organização política submetida simultaneamente à 
lei – o Estado de Direito –e ao interesse social prevalecente – o Estado Democrático – fundidos no 
conceito constitucionalizado do Estado Democrático de Direito (MOREIRA NETO, 1998, p. 13). 
Auto executoriedade significa que o ato se executa por si só, não precisa de autorização para que isso ocorra. 
Não é necessária a interferência do Poder Judiciário, apesar de estar sujeito a controle judicial a posteriori 
quando o particular for afetado de forma negativa e imprópria. 
 
Figura – Atributo do ato administrativo – auto executoriedade 
 
A exigibilidade integra o conceito da auto executoriedade, já que, quando um comportamento ou dever é 
exigido, há coerção, por meio de aplicação de penalidade, em caso de não cumprimento. Essa característica 
denomina-se coerção indireta e exigibilidade de coerção direta. Cretella Júnior (1999, p. 553) analisa: 
A segurança das pessoas e das coisas é elemento básico das condições universais, fato absolutamente 
indispensável para o natural desenvolvimento da personalidade humana. Proclamada inviolável pelo 
direito, não fica, porém, livre de forças exteriores, pessoais e impessoais, que ameaçam a todo instante a 
paz física e espiritual dos indivíduos. Tais ameaças que se originem em perigo contra o qual a 
personalidade oferece, primeiro, a própria força particular, em seguida, a força organizada do meio 
social, pelo motivo muito simples de que a ameaça dirigida a uma pessoa constitui ameaça indireta a 
toda a coletividade, precisam ser coibidas. 
 
 
2.3 Mérito administrativo 
A administração pública emite atos administrativos a fim de realizar a sua função típica executiva. Eles são 
vinculados de acordo com as normas legais, ou seja, ocorrendo as hipóteses previstas, as normas são 
aplicadas, desenvolvendo-se o processo de subsunção. É uma adequação objetiva, sem subjetividade. 
Fernanda Marinela (2011, p. 121) esclarece: 
Na determinação dos elementos do ato administrativo, é relevante a análise quanto à liberdade para sua 
definição, identificando se tal elemento é vinculado ou discricionário. Para as hipóteses em que o 
elemento é vinculado, o administrador não tem liberdade. Terá que preencher o ato, segundo os ditames 
da lei, sem análise de conveniência e oportunidade. De outro lado, quando o elemento for discricionário, 
o administrador pode realizar um juízo de valor, avaliando a conveniência e a oportunidade do interesse 
público para a prática do ato. A vinculação ou a discricionariedade dos elementos do ato administrativo 
dependem do tipo de ato. 
Quando há espaço para discricionariedade, esta é expressa pelo contexto, sendo possível decidir pela melhor 
solução diante do caso concreto, mas isso também não pode exceder as disposições legais. A seguir, vemos 
um caso que envolve um juízo de valor (discricionariedade): 
O mérito administrativo é apontado quando há que se decidir sobre a conveniência e a oportunidade do ato 
administrativo. A decisão no ato discricionário é de livre escolha do administrador, não sendo alvo de 
anulação judicial, pois é legítima. Contudo, Marinela (2011, p. 134) destaca: 
Possibilidade de controle pelo Poder Judiciário. No que tange ao controle dos atos administrativos pelo 
Poder Judiciário, este é possível em qualquer tipo de ato, porém, no tocante à sua legalidade. Vale 
lembrar que tal análise deve ser feita em sentido amplo, abrangendo a análise das regras legais e normas 
constitucionais, incluindo todos os seus princípios. De outro lado, não se admite a análise da 
conveniência e oportunidade dos atos administrativos, ou seja, não se pode reapreciar o mérito dos atos 
discricionários. Nesse diapasão, encontram-se inúmeras orientações doutrinárias e jurisprudenciais. No 
atual cenário do ordenamento jurídico, reconhece- se a possibilidade de análise pelo Judiciário dos atos 
administrativos que não obedeçam à lei, bem como daqueles que ofendam princípios constitucionais, 
tais como: a moralidade, a eficiência, a razoabilidade, a proporcionalidade, além de outros. Dessa forma, 
o Poder Judiciário poderá, por vias tortas, atingir a conveniência e a oportunidade do ato administrativo 
discricionário, mas tão somente quando essa for incompatível com o ordenamento vigente, portanto, 
quando for ilegal. 
 
RECAPITULANDO 
Nesta unidade delimitamos os elementos fundamentais e a estrutura dos atos administrativos, afim de que 
possam ser validados no plano jurídico. 
Entre os requisitos do ato jurídico, explanamos sobre: 
 A competência, por ser um requisito de gran de importância, poissão poderes específicos 
 Atribuídos ao agente público; 
 O objeto, que é usado para descrever circunstância existente ou como forma de manifestação de 
vontade do Estado por meio de sua administração; 
 A forma do ato administrativo, que é como eles e apresenta dentro do meio jurídico; e 
 O motivo, que pode ser relacionado à questão de fato ou de direito, e não pode ser confundido com 
motivação. 
Também foi discutida a finalidade do ato administrativo, elemento fundamental que deve estar atrelado ao 
interesse público. Momento também em que foi ressaltado que o ato administrativo pode ser alvo de 
anulação, caso sejam encontrados defeitos ou vícios insanáveis, podendo ainda esbarrar no instituto da 
convalidação, definido pelo art. 55 da Lei nº 9.784/1999 – Lei do Processo Administrativo (LPA). 
Por fim, estudamos as características do ato administrativo, entre elas a da imperatividade, da presunção de 
legitimidade e da autoexecutoriedade, e ainda abordamos o mérito administrativo, que deve ser apontado 
quando há que se decidir sobre a conveniência e a oportunidade do ato administrativo. 
 
UNIDADE 3 – FORMAÇÃO, EFEITOS E ESPÉCIES DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 
3. ASPECTOSGERAIS 
 3.1 Formação e efeitos 
Os atos administrativos precisam existir para ter validade e eficácia. Não há possibilidadede um ato 
inexistente produzir efeitos: esse é um requisito fundamental e primeiro. O ato tem que existir para que depois 
se analise sua validade e eficácia, pois antes isso seria inútil. Não cabe convalidação ou tentativa de torná-lo 
regular. O objeto é requisito para a existência do ato. Oswaldo Aranha Bandeira de Mello (1979, p. 599) 
esclarece: 
O ato administrativo, como ato jurídico, se diz perfeito quando esgotadas as operações necessárias para 
a sua existência jurídica. Portanto, depois de efetuadas todas as atividades constitutivas para 
determinação e declaração da vontade. Destarte, antes de completamente formado, de realizados todos 
os elementos da sua perfeição, inexiste sob o plano jurídico, não obstante efetuados os atos preparatórios 
e parte dos atos constitutivos. Só com a consecução do último momento da declaração de vontade se 
perfaz o ciclo da sua formação, e se tem por finalizado. 
Há certa divergência no que tange à análise do ato administrativo inexistente. Alguns estudiosos afirmam que, 
muito embora não exista como tal, pode existir materialmente como outra categoria. A validade é considerada 
quando o ato se encontra em conformidade com as disposições legais e tem todos os elementos necessários 
para sua formação e caracterização como ato administrativo. São pressupostos de validade o sujeito 
competente, a forma, a validade e o motivo. 
Em outros termos, a validez se apresenta como a conformidade entre o ato emitido e o ordenamento 
jurídico, é dizer, a coincidência entre a estrutura do ato e as normas jurídicas que precisam a conformação de 
dita estrutura. A eficácia, ao contrário, não é a conformidade entre ato e lei, senão a aptidão de um ato para 
produzir efeitos, isto é, a capacidade para realizar no mundo exterior os cometimentos que lhe são próprios 
SAIBA MAIS 
Os atos nulos são aqueles que não gozam da aptidão para a produção de efeitos jurídicos. [São, portanto, 
inválidos], significando que a decisão será também ineficaz. Porém, se o ato for anulável, produz efeitos até ao 
momento da sua anulação. No momento da sua anulação, há efeitos retroativos, afastando todos os efeitos 
produzidos desde o início. (JUAREZ, 1961, p.21). 
A eficácia do ato administrativo diz respeito à produção de seus efeitos. Significa que se encontra apto a 
produzir os efeitos para os quais foi criado. Em relação às etapas de formação e produção destes, é importante 
apresentar o pensamento de Bortoli (2003,p.152): 
A vigência de um ato administrativo é identificada como período de sua permanência no ordenamento 
jurídico, a sua dimensão temporal. O juízo de validade é utilizado para verificar se o ato administrativo 
atende às exigências legais formais contidas no ordenamento jurídico, considerando-se sua adequação 
aos comandos normativos previstos nas normas de patamar superior. A eficácia do ato administrativo 
vai ser observada a partir do momento que ele possa produzir os efeitos para os quais foi editado. 
Um ato administrativo pode ser revogado ou invalidado. Os efeitos produzidos são distintos. A revogação 
pode ser total ou parcial (ab-rogação ou derrogação), é feita de ofício e ocorre devido a um juízo de valor 
sobre a conveniência e a oportunidade do ato. Aqui, é importante compreender que os efeitos do ato de 
revogar são ex nunc, ou seja, não afeta nações completadas no passado, apenas as atuais, presentes. A 
revogação aplica-se aos atos discricionários em que há espaço de escolha da administração. 
Já a invalidação é apropriada quando o ato está desrespeitando ou é contrário às normas legais, gerando a 
extinção, com efeitos extunc, ou seja, impedem a continuidade dos efeitos e afastam aqueles já produzidos. 
 
 3.2 Espécies: decretos, resoluções, deliberações, instruções, circulares, portarias, 
ordens de serviço, provimentos, avisos, alvarás, ofícios, pareceres, certidões, atestados, 
declarações e despachos 
 
Os atos administrativos desdobram-se em diversas espécies, como atos normativos, ordinários, negociais e 
 
enunciativos. Os normativos podem ter como destinatários tanto a administração quanto os administrados. 
Enfatizam as normas existentes, sendo mandamentos dotados de impessoalidade. 
Os atos normativos dividem-se em decretos, regimentos, regulamentos, instruções normativas, resoluções e 
deliberações. Conforme Paulo e Alexandrino (2007, p. 583), os decretos 
costumam ser definidos como regras jurídicas gerais, abstratas e impessoais, editadas em função de uma 
lei, concernentes à atuação da Administração, possibilitando a fiel execução da lei a que se referem. A 
Constituição de 1988 expressamente prevê a edição de regulamentos de execução em seu art. 84, IV. 
Segundo esse dispositivo, compete privativamente ao Presidente da República expedir decretos e 
regulamentos para a fiel execução das leis. É interessante notar que o parágrafo único desse art. 84 
enumera as competências passíveis de delegação pelo Presidente da República, não incluindo entre elas 
a expedição dos decretos ou regulamentos de execução. 
Regimentos são atos de direcionamento interno voltados para a ordenação dos órgãos por meio do 
atendimento a normas internas. Já os regulamentos são formas de complementar os decretos. Via de regra, 
estes estabelecem comandos gerais, e os regulamentos são utilizados para explicar e especificar a norma ainda 
mais, apresentando detalhes dela. 
A instrução normativa é um ato normativo dotado de maior especificidade, trazendo detalhes que devem ser 
condizentes com a lei e a Carta Maior. Auxilia no trabalho administrativo, pois traz parâmetros descritos por 
um superior hierárquico que devem ser seguidos no exercício da função e complementam outro ato. 
A Instrução Normativa pode ser definida como um ato puramente administrativo, uma norma 
complementar administrativa, tão somente. Esta tende a completar o que está em uma Portaria de um 
superior hierárquico, num Decreto Presidencial ou em uma Portaria Interministerial. Desta forma, a 
Instrução Normativa jamais poderá inovar o ordenamento jurídico. Assim, a Instrução Normativa nunca 
poderá passar colidir com Leis ou decretos, pois estes devem guardar consonância com as Leis 
(OLIVEIRA, 2016, p.2). 
A resolução diferencia-se pelo emissor. Quem a edita são autoridades superiores, como ministros, com 
exceção do chefe do Executivo, que só pode emitir decretos. Esse ato visa esclarecer circunstâncias da própria 
área. Já as deliberações apresentam duplo viés: podem ser normativas, quando gerais, ou decisórias, aplicadas 
à esfera individual. 
Outra espécie de atos administrativos são os ordinários. Sãodestinados aos servidores e aos funcionários da 
administração para fins de organização e disciplina. Orientam os servidores nas suas atribuições e são 
emitidos por um superior ao subordinado, obedecida a competência daquele. Nessa categoria, estariam 
enquadradas instruções, circulares, avisos, portarias, ordens de serviços, provimentos, ofícios e despachos. 
As instruções são comandos de chefes a seus subordinados na execução das suas atribuições, para 
uniformização e celeridade do serviço. Já as circulares são ordens dirigidas a um grupo de servidores no 
desenvolvimento de um serviço específico. 
Os avisos originam-se de uma autoridade como um ministro do Estado e tratam de circunstâncias próprias do 
ministério. Servem ainda para disseminar conhecimento acerca de determinado fato da atuação administrativa. 
As portarias são atos emanados de chefes aos seus subordinados que podem conter imposições gerais ou 
específicas. Trata-se de ato interno, não atingindo o particular. Por meio delas, iniciam-se sindicâncias e 
processos administrativos, e servem para a designação de servidores. 
As ordens de serviços são comandos diferenciados técnicos ou ainda de aspecto administrativo, que se 
dirigem aos executores de serviços públicos ou obras e dizem respeito à realização das atribuições deles. 
Os provimentos visam impedir que haja omissões ou desrespeito a normas legais. São emitidos por tribunais e 
corregedorias a fim de normatizar os serviços. Os ofícios são um meio de diálogo, de comunicação dentro da 
própria administração e entre esta e os particulares. Os despachos são decisões adotadas em processos ou 
requerimentos de um dos três Poderes. 
Os atos enunciativos são outra espécie de ato administrativo. Como o próprio nome diz, enunciam, atestam ou 
declaram determinada situação, relacionada ao particular ou à própria administração. 
Pareceres são originados de órgãos técnicos que expressam sua opinião acerca de determinado assunto. Podem 
 
ser vinculativos ou facultativos. Certidões são cópias das informações contidas e registradas em um livro, 
declarando-as. Atestados são atos em que se retratam certas situações que, via de regra, são temporárias. 
 
SAIBA MAIS 
Os atos enunciativos podem ser representados pelo seguinte mnemônico: CAPA= Certidões, 
Atestados, Pareceres, Apostilas. São os atos pelos quais a Administração declara um fato 
preexistente, profere uma opinião ou emite um juízo devalor, sem que, por si só, produza 
consequências jurídicas. Por meio deles, a Administração Pública se limita a certificar ou atestar um 
fato (grifo nosso). 
Há ainda os denominados atos negociais, em que há certa integração ou concordância entre administração e 
particulares, afim de realizar negócio jurídico ou deferir direito. Classificam-se em licença, autorização, 
permissão, aprovação, admissão, homologação, dispensa, renúncia e visto. 
 
RECAPITULANDO 
Nesta unidade esclarecemos ao estudante, de forma específica, a formação, os efeitos e as espécies dos atos 
administrativos, bem como explanamos que, para que o ato administrativo exista, é necessário que tenha 
validade e eficácia, contudo, primeiro necessita existir, para que depois sejam analisados seus requisitos. 
Também abordamos que, entre os doutrinadores que lecionam sobre o tema aqui debatido, há certa 
divergência quanto à análise do ato administrativo inexistente, ou seja, para alguns, ainda que ele não exista, 
pode existir materialmente e em outra categoria, e não como ato administrativo em si. 
Também foi mostrado o fato de que o ato administrativo deve necessariamente estar em conformidade com as 
legislações vigentes e pertinentes, a fim de que seja considerado válido, e então será averiguada sua eficácia, 
se poderá produzir os efeitos almejados. 
Também foi estudado que o ato administrativo pode sim ser revogado ou até mesmo invalidado, contudo, os 
efeitos são distintos em cada um dos casos. 
Por fim, foram abordados os desdobramentos dos atos administrativos, podendo eles ser de várias espécies, 
como normativos e ordinários, entre outros. 
 
UNIDADE 4 – O PROCESSO ADMINISTRATIVO E ALGUNS ASPECTOS IMPORTANTES 
4. PROCESSO ADMINISTRATIVO 
 4.1 Conceito de processo administrativo 
O processo administrativo tem previsão e parâmetros estabelecidos no texto constitucional, no art. 5º, LV: 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e 
aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à 
segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
[...] LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são 
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. 
De acordo com o entendimento doutrinário, o processo administrativo pode ser descrito em sentido amplo na 
esfera da administração pública da seguinte forma: 
Processo administrativo, em sentido prático, amplo, é o conjunto de medidas jurídicas e materiais 
praticadas com certa ordem cronológica, necessárias ao registro dos atos da Administração Pública, ao 
controle do comportamento dos administrados e de seus servidores, a compatibilizar, no exercício do 
poder de polícia, os interesses público e privado, a punir seus servidores e terceiros, a resolver 
controvérsias administrativas e a outorgar direitos a terceiros (GASPARINI, 2005, p. 857). 
A Lei nº 9.784/1999 disciplina o processo administrativo na esfera da administração pública federal. As 
diretrizes básicas a serem seguidas no desenvolvimento desse processo encontram-se na referida norma, que 
 
se aplica tanto à administração pública direta quanto à indireta. A principal finalidade da edição dessa lei é 
atender ao interesse coletivo dos administrados. 
Essa norma aplica-se também à hipótese em que haja o exercício da função administrativa de forma atípica 
por outros Poderes (Judiciário e Legislativo). 
Além das disposições expressas na Lei nº 9.784/1999, que devem ser observadas no desenvolvimento do 
processo administrativo, existem princípios a serem obedecidos, como legalidade, finalidade, motivação, 
razoabilidade, proporcionalidade e moralidade, entre outros. 
O art. 1º, § 2º, da Lei nº 9.784/1999 define as expressões “órgão”, “entidade” e “autoridade”, que serão 
importantes para o entendimento da norma: 
I. – órgão – a unidade de atuação integrante da estrutura da Administração direta e da estrutura da 
Administração indireta; 
II. – entidade – a unidade de atuação dotada de personalidade jurídica; 
III. – autoridade – o servidor ou agente público dotado de poder de decisão. 
 
 4.2 Requisitos e objetivos do processo administrativo 
Há requisitos fundamentais e imprescindíveis que devem ser seguidos no curso do processo administrativo. É 
importante citar os princípios em que este deve se basear, que são razoabilidade, proporcionalidade, aliados 
aos da legalidade, contraditório, ampla defesa e finalidade. 
O processo administrativo deve coadunar-se com as disposições legais e com os ditames do Direito vigente. 
[...] O poder discricionário deve ser exercido de maneira razoável. A pessoa dotada desse poder deve 
direcionar-se ao domínio da lei. Ela deve prestar atenção aos problemas que realmente precisa 
considerar, devendo excluir da sua avaliação problemas reputados irrelevantes. Se não forem obedecidas 
tais normas, as suas ações serão qualificadas como desarrazoadas e ilustrarão algo tão absurdo que 
nenhuma pessoa sensata poderia sonhar que tais ações fariam parte dos poderes da autoridade (COUTO, 
2012, p. 26). 
Outro aspecto a ser obedecido é a finalidade, que deve ser o interesse coletivo, público, não o meramente 
individual. No que tange à competência, somente pode ocorrer renúncia quando expressa diretamente em lei. 
Os agentes públicos não podem ter posição de destaque. Os interesses deles nunca podem sobressair em 
relaçãoao interesse geral, coletivo, sendo afastada qualquer possibilidade de promoção pessoal. 
Nos procedimentos administrativos, qualquer que seja o objeto, observar-se-ão, entre outros requisitos de 
validade, a igualdade entre os administrados e o devido processo legal, especialmente quanto à exigência da 
publicidade, do contraditório, da ampla defesa e do despacho ou decisão motivados (MEDAUAR, 993, p.29). 
Na condução dos processos administrativos, a ética é um parâmetro a ser seguido. A boa-fé e a probidade 
devem ser a base deles. 
A publicidade é a regra nesses processos, mas há hipóteses em que se impede a divulgação pública. São 
aquelas em que é cabível o sigilo com respaldo constitucional. 
A proporcionalidade deve ser aplicada no referido processo, sendo aparente quando se impõem de forma 
equilibrada tanto as obrigações quanto as sanções. Os fins e os meios devem estar em conformidade e não 
desproporcionais. 
Na tomada de decisão, devem ser expostos todos os pressupostos, tanto os de fato como os de direito. Não se 
pode ainda dispensar as formalidades previstas para o processo, já que são primordiais para a defesa dos 
direitos dos administrados. Cabe ressaltar que não podem impedir o entendimento destes, que devem ter 
certeza e segurança no procedimento a que estão se submetendo. 
Outras garantias devem estar disponíveis aos administrados, como as possibilidades de produzir provas e 
expor as alegações e os fatos que compreenderem necessários e relevantes ao processo. Há ainda a 
oportunidade de interpor recursos quando houver sanções aplicadas. 
Outro fato interessante a ser destacado como característica do processo administrativo é a vedação de 
 
cobrança de despesas processuais, salvo quando houver disposição em contrário expressa em lei. 
O processo administrativo pode se desenvolver tanto com a participação dos interessados (administrados) 
como por impulso oficial. 
A norma administrativa também se sujeita a interpretações, devendo ser sempre voltada para o benefício 
público e o melhor interesse coletivo. Dessa forma, nos casos em que houver novo entendimento (nova 
interpretação) acerca de uma situação anterior, veda-se a aplicação de forma retroativa. 
Esses critérios são alguns a serem observados, contudo, o rol não é exaustivo, podendo haver outros. 
O objetivo do processo administrativo é garantir um diálogo entre a administração e seus administrados, 
demonstrando a atuação administrativa com transparência, de modo a atender ao interesse geral destes. 
Em relação aos objetivos do processo administrativo, Medauar (1993, p.66-67) relaciona-o com a realização 
da justiça: 
O processo administrativo oferece possibilidade de atuação administrativa com justiça. Encontra-se 
mesmo a afirmação de que “o núcleo de todas as teorias clássicas do procedimento é a relação com a 
verdade ou com a verdadeira justiça como objetivo” [...]. 
O processo administrativo direciona-se à realização da justiça não só pelo contraditório e ampla defesa 
vistos do ângulo do indivíduo, mas também por propiciar o sopesamento dos vários interessesque 
envolvem uma situação. 
Ainda sobre o assunto, a autora enfatiza que a intenção que se esperava proporcionar com essa espécie de 
processo foi surpreendentemente ampliada, superando as expectativas de forma positiva: 
Se num primeiro momento da atenção doutrinária o processo administrativo significava meio de 
observância dos requisitos de validade do ato administrativo e garantia de respeito aos direitos dos 
indivíduos, seus objetivos foram se ampliando à medida que alteravam as funções do Estado e da 
Administração, as relações entre Estado e sociedade e as próprias concepções do Direito 
Administrativo[...]. 
Extrapolou-se o perfil do processo administrativo ligado somente à dimensão do ato administrativo em 
si, para chegar até a legitimação do poder; saiu-se da perspectiva interna para perspectivas sociais e 
políticas da processualidade administrativa [...]. 
As várias finalidades se apresentam cumulativas, sem se excluírem. Além do mais, formam um conjunto 
entrelaçado, com vínculos recíprocos, embora expostos de modo separado, por exigência de 
sistematização científica (MEDAUAR, 1993, p.62). 
 
4.3 Espécies de processo administrativo 
Os processos administrativos dividem-se em processos de defesa e de participação, com base na sua 
finalidade. Nas hipóteses dos primeiros, objetiva-se fazer cumprir os direitos individuais dos administrados 
por meio de instrumentos e meios precisos. 
No caso dos processos de participação, no cenário político brasileiro, cabe ressaltar que a participação popular 
é “uma característica essencial do Estado de direito democrático, porque ela aproxima mais o particular da 
Administração, diminuindo ainda mais as barreiras entre o Estado e a sociedade” (DI PIETRO, 1993, p.32). 
O processo de participação permite que o administrado esteja inteirado e presente ativamente na condução da 
função administrativa. Como exemplos, podem ser citadas as audiências ou consultas públicas, consideradas 
um instituto de participação administrativa aberta a indivíduos e a grupos sociais determinados, visando à 
legitimidade da ação administrativa, formalmente disciplinada em lei, pela qual se exerce o direito de expor 
tendências, preferências e opções que possam conduzir o Poder Público a uma decisão de maior aceitação 
consensual (MOREIRA, 1992, p.129). 
As modalidades dos processos administrativos são as chamadas de gestão, expediente, restritivo de direitos, de 
outorga, controle e sancionatório. 
Os processos de expediente são mais simples, informais, ligados à rotina burocrática do órgão e não 
modificam direitos.Um exemplo seria aquele em que se requer a emissão da certidão. 
 
Os processos de gestão são mais complexos, já que são atos preparatórios para a consecução de um fim, para a 
tomada de decisão pela administração na sua gestão típica. Um exemplo seriam os atos prévios para a 
realização de concurso público. 
Os processos de outorga são aqueles em que há modificação de uma situação do administrado, quando a 
administração defere direito a este. Desenvolve-se com um rito peculiar que não envolve o contraditório por 
parte do requerente. Um exemplo seriam as concessões e as permissões de serviços públicos. 
Os processos administrativos restritivos de direitos são impositivos de obrigações, exigindo a realização ou 
não de certos atos. Os direitos, nesse caso, sofrem restrições. 
Alguns autores entendem que os processos administrativos sancionatórios se desdobram em processos de 
punição e administrativo disciplinar. No primeiro caso, há violação da lei por servidor, contratado ou 
administrado, e a punição é aplicada a partir da denúncia ou representação. Já no caso dos processos 
administrativos disciplinares, as sanções são aplicadas a servidores da administração. 
O processo administrativo disciplinar é o meio de apuração e punição de faltas graves dos servidores públicos 
e demais pessoas sujeitas ao regime funcional de determinados estabelecimentos da Administração. Tal 
processo baseia-se na supremacia especial que o Estado mantém sobre todos aqueles que se vincula a seus 
serviços ou atividades, definitivas ou transitoriamente, submetendo-se à sua disciplina. É um processo 
punitivo, mas com tais peculiaridades e tanta frequência na prática administrativa que merece destaque dentre 
seus congêneres, mesmo porque os estatutos dos servidores geralmente regulamentam a sua tramitação para 
cada órgão ou entidade estatal interessada. O processo administrativo disciplinar é sempre necessário para a 
imposição de pena de demissão, ao funcionário estável, tendo a jurisprudência entendido que também o é para 
o efetivo, ainda em estágio probatório. Para os demais servidores o ato demissório dependerá das exigências 
constantes do estatuto ou das normas especiais pertinentes, podendo a apuração de falta ser feita por meios 
sumários,desde que as segurada a defesa (MEIRELLES, 1994, p.96). 
Já nos processos administrativos de controle, são avaliados condutas e atos de forma fiscalizatória por 
controladorias internas, para análise de possíveis ilícitos. A partir deles, é possível desenvolver um processo 
disciplinar. 
 
4.4 Fases do processo administrativo 
O processo administrativo é um instrumento do Poder Público para que este realize as atribuições previstas na 
Constituição Federal, podendo ser iniciado pelo servidor, pela administração ou por administrado. 
Uma situação em particular exige a formalização do processo administrativo de maneira obrigatória: quando 
importe a atuação da administração em uma restrição ao particular. 
A primeira fase do processo administrativo federal é a instauração. Isso pode ser feito pelo interessado ou 
ainda de ofício. Distingue-se do processo administrativo de caráter meramente disciplinar justamente por essa 
característica, já que este precisa de uma autoridade competente para o início. 
O requerimento inicial, via de regra,é realizado por escrito ou, de forma excepcional, verbal ou gestual, desde 
que descrito expressamente. Deve conter os seguintes requisitos: 
 Direcionamento à autoridade competente; 
 Identificação do requerente ou de seu representante; 
 Indicação do domicílio do interessado, afim de que seja comunicado do trâmite; 
 Exposição dos fatos, razões jurídicas e, a seguir, o pedido almejado; e 
 Ao fim, a assinatura e a data. 
A administração pública não pode se recusar a receber os requerimentos que darão início ao processo 
administrativo. Apenas pode fazê-lo quando houver falhas no requerimento, que devem ser apontadas para 
que se providencie o suprimento. 
A administração pública deve buscar meios e instrumentos para facilitar o acesso e o desenvolvimento desses 
requerimentos por meio da disponibilização de formulários ou documentos de certo padrão. 
Se houver vários interessados em propor o mesmo requerimento com base nos mesmos fundamentos, ele pode 
ser elaborado em um único documento. O direito de petição é constitucionalmente protegido, portanto 
 
independente de quem deu início ao processo. Desenvolve-se por meio de impulso oficial devido ao princípio 
da oficialidade. 
Quanto à legitimidade, de acordo com o art. 9º da Lei nº9.784/1999, os interessados legitimados no processo 
administrativo seriam: 
 pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou no 
exercício do direito de representação; 
 aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela 
decisão a ser adotada; 
 as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos; 
 as pessoas ou as associações legalmente constituídas quanto a direitos ou interesses difusos. 
Tratando da competência, esta é irrenunciável, contudo, quando autorizado em lei, pode ser delegada ou 
avocada. Faz-se mister ressaltar que não podem se sujeitar a delegação atos decaráter normativo, decisões 
oriundas de processo administrativo e quando a matéria for de competência exclusiva. Tanto a delegação 
quanto seu encerramento devem gozar de publicidade. Além disso, o ato que a concede deverá ser específico 
quanto a poderes e limites. 
A avocação, concedida a órgão inferior hierarquicamente, também deve respeitar certos requisitos, como ser 
devidamente justificada, excepcional e temporária. 
Verificada a correta competência, há circunstâncias que também devem ser avaliadas, que são os casos de 
impedimento e suspeição. Servidores da administração são impedidos de participar nos seguintes casos: 
 Aqueles que tenham interesse direto ou indireto na matéria objeto do processo; 
 Aqueles que de alguma forma tenham participado do processo ou ainda familiares próximos até o 
terceiro grau. A participação pode ocorrer de várias formas, como representante auxiliar da justiça e 
como perito, entre outras; 
 Quando houver alguma forma de disputa, seja na esfera judicial ou administrativa, com o 
sujeito/requerente do processo ou com seu cônjuge. 
A suspeição refere-se aos relacionamentos da autoridade como interessado, como quando há amizade íntima 
ou inimizade conhecida. Essa circunstância é estendida também aos cônjuges e familiares até o terceiro grau. 
A compreensão das normas acerca da forma, do tempo e do lugar dos atos processuais também é relevante. 
Em relação à forma, serão produzidos de acordo com o que a lei exigir, não havendo forma própria se não 
estiver expressa. Ela deverá ser escrita, com a exposição de data, local e assinatura da autoridade. A exigência 
de reconhecimento de firma só incide se não houver certeza da autenticidade. 
Em relação ao tempo, os atos processuais são realizados nos dias úteis, de acordo com o horário de 
funcionamento do órgão a que se dirigem. Na hipótese de um ato já ter sido iniciado e de sua interrupção ou 
não finalização poder acarretar dano ao interessado e ao próprio feito, poderá ser concluído ainda que passado 
o horário normal. O prazo geral para a prática de atos no processo administrativo será de cinco dias úteis, 
quando não houver uma disposição legal estabelecendo outro diferente ou em situações de força maior. 
O local da realização será o da sede do órgão a que o ato foi direcionado no requerimento. Caso algum ato 
deva ser realizado em local distinto, deverá ser dada ciência ao interessado. 
A comunicação dos atos também é relevante nos processos administrativos. Para a ciência da decisão ou de 
qualquer outro ato ou diligência, é imprescindível a intimação do interessado. 
No art.26, §1º, da Lei nº 9.784/1999, estão os elementos fundamentais que devem estar contidos na intimação: 
 Identificação do intimado e nome do órgão ou entidade administrativa; 
 Finalidade da intimação; 
 data, hora e local em que deve comparecer; 
 se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazer-se representar; 
 informação da continuidade do processo independentemente do seu comparecimento; 
 indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes. 
As intimações podem ser realizadas por ciência no próprio processo, via correio com aviso de recebimento ou 
por telegrama. Outros meios úteis à concretização do ato também são permitidos. Cabe ressaltar que a ciência 
deve obedecer a uma antecedência mínima de três dias. Não sendo localizado o interessado, ocorrerá a 
 
intimação por publicação oficial. Intimação que não respeite preceitos legais será considerada nula. Não 
atender a uma intimação não importa necessariamente renunciar a um direito, tampouco que se esteja 
concordando que os fatos sejam verdadeiros. 
A intimação é importante para o interessado no processo administrativo, pois é o meio adequado de cientificá-
lo de sanções, deveres ou restrições que podem ser modificativos do direito do requerente. 
As normas relativas à instrução no processo administrativo encontram-se dispostas nos arts. 29 a 47 da Lei nº 
9.784/1999. Essa fase é fundamental para a correta tomada de decisão pela administração, já que todos os 
fatos e provas são verificados. 
A instrução desenvolve-se de ofício (princípio da oficialidade). As provas devem ser produzidas pela 
administração, contudo, também pode ser por meio da comprovação dos interessados. 
Os princípios do contraditório e da ampla defesa são substancialmente desenvolvidos nessa etapa do processo. 
Há a discussão dos elementos fáticos e jurídicos que formaram o convencimento da autoridade julgadora. 
Nessa fase, são juntados documentos, realizadas diligências e oitivas. Depois, abre-se espaço para as razões 
finais, objetivando encontrar a verdade processual. 
É interessante salientar que, se a matéria discutida for de interesse geral e não apenas individual, deverá haver 
abertura para consulta pública antes da decisão, desde que não cause prejuízo ao interessado. Poderá ainda 
haver audiências públicaspara debates e participação de outros administrados. 
Na busca da verdade processual, não se admite a prova ilícita. 
Verifica-se uma ampliação das formas de intervenção no processo administrativo devido à repercussão social 
de determinadas decisões, sendo a manifestação e a participação dos cidadãos importantes no ambiente 
democrático. Reuniões conjuntas entre entidades são possíveis quando for favorável e relevante para a tomada 
de decisão no processo. 
Ainda sobre a fase probatória, a Lei nº 9.784/1999 traz alguns artigos sobre o tema: 
Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao 
órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 
Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na 
própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente 
para a instrução proverá, de ofício, a obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. 
Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e 
pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do 
processo. 
§ 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. 
§ 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos 
interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. 
Quando as provas não puderem ser produzidas pela própria administração pública, haverá intimação daquele 
que deve fazê-lo ou do interessado para apresentá-las no prazo e na forma estabelecidos, podendo a 
administração suprir ou superar a omissão, exarando decisão. 
Situação a que se deve ter atenção é quando é requerido algum documento ou uma atuação probatória de 
relevância pela administração pública no prazo demarcado. Se o interessado não a apresentar, a consequência 
será o arquivamento do processo. No caso da necessidade de emissão de parecer por algum órgão, este terá o 
prazo de 15 dias para a elaboração. Maior prazo pode ser deferido, sujeito à apresentação de justificativa. 
Encerrada a fase instrutória, estabelece-se o prazo de 10 dias para que o interessado se manifeste. 
A administração pode adotar medidas acautelatórias se compreender que há risco na situação. 
Nem sempre o órgão que realiza a instrução é o mesmo que emite a decisão. Se forem diferentes, o primeiro 
deve aquele enviar relatório contendo as fases e os pedidos, bem como apresentar sugestão de decisão, que 
deve ser fundamentada. Assim, a autoridade competente poderá emitir devidamente sua decisão. 
A fase decisória é considerada imprescindível e um dever para administração, não podendo estas e abster de 
proferir uma solução aos requerimentos ou às reclamações que lhe são dirigidos. 
 
A decisão tem prazo para ser proferida, que é estabelecido em 30 dias. Não pode haver omissão ou 
adiamentos desnecessários ou imotivados nesse dever. Uma prorrogação é possível por igual período, 
contudo, deve ser esse pedido devidamente fundamentado. 
No art. 50 da Lei nº 9.784/1999, estabelece-se a imprescindibilidade de motivação de determinados atos 
administrativos em decorrência do princípio da publicidade. De acordo com o artigo, devem ser citados os 
fundamentos de fato e de direito dos atos que: 
 neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; 
 imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; 
 decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; 
 dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; 
 decidam recursos administrativos; 
 decorram de reexame de ofício; 
 deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas 
e relatórios oficiais; 
 importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. 
A motivação deve ser dotada de clareza,de modo a ser compreendida por todos de forma geral. Pode embasar-
se em citar pareceres ou informações para enfatizar sua posição. Em caso de omissão, pode ser aplicada multa 
diária ao ente público ou ao agente público. 
Cabe ressaltar que pode haver desistência do requerido pelo interessado de maneira total ou parcial. Também 
pode haver, além disso, renúncia de direitos. Contudo, em caso de pluralidade de interessados, esta só 
alcançará aquele que a solicitar e não os outros. Mesmo que o interessado opte por desistência ou renúncia, o 
processo poderá prosseguir se a administração pública entender que há interesse público predominante no 
processo. 
Nesse diapasão, torna-se necessário também esclarecer os institutos da anulação, da revogação e da 
convalidação. A anulação é um instituto que se desenvolve quando se observa vício de legalidade e a 
administração se propõe a anular seu ato. Já a revogação relaciona-se com a conveniência ou a oportunidade 
do ato. Importa acrescer que há atos que apresentam defeitos que não causam prejuízo ou dano nem à 
administração, nem ao interesse público ou aos interessados. Assim, são considerados sanáveis, ou seja, são 
convalidados (convalidação). 
Voltando às fases do processo administrativo, cabe ressaltar que, das decisões proferidas,cabe interposição de 
recurso em relação ao mérito também à legalidade, decorrência do direito de petição e da ampla defesa. 
1. os titulares de direitos e interesses forem parte no processo; 
2. aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida; 
3. as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos; 
4. os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou interesses difusos. 
A primeira forma de recurso seria um pedido de reconsideração, o qual é dirigido à própria autoridade que 
emitiu a decisão. Se não for concedida, esta enviará o recurso a uma autoridade superior. O recurso de decisão 
administrativa perpassa por no máximo três instâncias prescinde de caução, salvo disposição em contrário. 
Noquetangeàlegitimidadeparaainterposiçãoderecursoadministrativo, o art.58 da Lei nº 9.784/1999 apresenta o 
rol de sujeitos legitimados a ingressar com ele. A partir da ciência da decisão, o prazo para interpor o recurso é 
de dez dias. Excepcionalmente, pode haver prorrogação, caso haja justificativa. A regra é que o recurso não 
tenha efeito suspensivo, a menos que haja risco de prejuízo de difícil reparação com a aplicação da decisão 
pela autoridade. 
A partir da Interposição, caberá à administração conhecer o recurso. Em Seguida, deve proceder às 
intimações, e será estabelecido um prazo de cinco dias para as manifestações. As únicas hipóteses em que o 
recurso não será conhecido são: 
• quando for interposto ultrapassado o prazo estabelecido; 
• se for interposto equivocadamente a outro órgão que não seja competente; 
• se for interposto por quem não seja interessado legitimado; e 
• quando não houver mais esferas às quais se possa recorrer, estando todas esgotadas. 
 
 
Princípios Sujeitos Ao Procedimento 
Além da Constituição Federal,inúmeras normas regem os processos administrativos. São também 
sustentáculos desse sistema princípios que colaboram para alcançar o fim público. O desrespeito a estes pode 
gerar invalidação do processo. 
Maria Sylvia Zanella Di Pietro (2014, p.66) enfatiza a relação existente entre o Direito Administrativo e os 
princípios: “Está informado por determinados princípios, alguns deles próprios também de outros ramos do 
direito público e outros deles específicos enquadrados como setoriais.” 
Figura–Princípios 
Fonte:elaborada pela autora(2022). 
A autora assevera a importância dos princípios dentro de um ramo como o Direito Administrativo, que não é 
codificado como outros: “Sempre representaram papel relevante [...], permitindo à Administração Pública e ao 
Judiciário estabelecer o necessário equilíbrio entre os direitosaspectos observados foram as espécies existentes. O processo administrativo foi descrito em seu tudo, 
assim como suas frases, minuciosamente. O estudo dos princípios também é um aspecto relevante que foi 
delineado. O processo administrativo disciplinar ainda foi um dos focos do estudo desta aula.
 
GLOSSÁRIO 
 
Arbitrariedade 
Procedimento determinado pela vontade livre do agente, contrário à ordem jurídica. Abuso de autoridade. 
 
Common Law 
É um sistema jurídico utilizado em países de língua inglesa. Possui como principal característica ser baseado 
em precedentes criados a partir de casos jurídicos – e não em códigos. Por isso, o papel dos juízes e dos 
advogados é importante para o desenvolvimento desse sistema. 
 
Convalidação 
A convalidação, também denominada de sanatória, refere-se à correção da existência de um eventual vício em 
um ato administrativo. Só pode ocorrer caso não cause danos ou prejuízos a terceiros ou à própria 
administração. Possui efeitos retroativos. 
 
Ex Nunc 
Expressão em latim que indica os efeitos provenientes de um ato ou de uma decisão; significa que a decisão 
não retroage para alcançar atos já passados, valendo somente a partir então. 
 
Ex Tunc 
Expressão em latim que indica os efeitos provenientes de um ato ou de uma decisão; significa que os efeitos 
da decisão retroagem à data da decisão, alcançando o passado. 
 
Imprescritibilidade 
Caráter daquilo que não pode prescrever; qualidade daquilo cujo prazo de prescrição não tem efeito; 
característico que é imprescritível: a imprescritibilidade de crimes como o racismo. 
 
Probidade 
É a retidão das ações administrativas. Agir de forma reta e honesta não somente de acordo com as normas, 
como também de acordo com a ética (código de ética do servidor), dentro dos princípios de moralidade. 
 
Súmula 
Trata-se de pronunciamentos proferidos pelos Tribunais do nosso país, baseados em decisões reiteradas, que 
delimitam o entendimento e interpretação das leis sobre determinada matéria dada pelos nossos magistrados. 
É a “união” de várias decisões do mesmo Tribunal, com idêntica interpretação sobre o mesmo tema. Pode ser 
conceituada também como um resumo da decisão.

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