Prévia do material em texto
Fundamentos da Contabilidade Conceito: A Contabilidade é a ciência que estuda e controla o patrimônio das entidades, registrando informações sobre sua composição e variações. Ela também orienta, controla e registra fatos relacionados à administração econômica. Objetivo e Finalidade: O principal objetivo da Contabilidade é o Patrimônio. Ela surgiu da necessidade de controlar bens, direitos, obrigações e lucros. Sua finalidade é assegurar esse controle e fornecer informações úteis para: · Avaliar resultados econômicos, · Planejamento e tomada de decisões, · Atender investidores, financiadores e o governo (para cálculo de tributos e análise econômica). Campo de Aplicação: A Contabilidade aplica-se onde houver patrimônio, seja em empresas com ou sem fins lucrativos, instituições públicas ou pessoas físicas. Ela adota nomes diferentes conforme o setor de atuação: · Comercial: Empresas de compra e venda. · Pública: Órgãos públicos. · Bancária: Instituições financeiras. · Industrial: Empresas de produção (também chamada de Contabilidade de Custos). · Agropecuária: Atividades agrícolas e pecuárias. Técnicas Contábeis: 1. Escrituração Contábil: Registro cronológico dos fatos que afetam o patrimônio, em livros próprios. 2. Demonstrações Contábeis: Divulgação resumida das informações patrimoniais e financeiras por meio de documentos como: · Balanço Patrimonial, · Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), · Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos, · Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, · Notas Explicativas. 3. Auditoria Contábil: Revisão dos registros contábeis para verificar a veracidade das informações. Pode ser feita por: · Auditores Internos (funcionários), · Auditores Externos (independentes). 4. Análise de Balanços: Interpretação das demonstrações contábeis para avaliar o desempenho e a situação econômico-financeira da empresa, traduzindo os dados para uma linguagem clara aos usuários. Princípios Fundamentais de Contabilidade A Resolução CFC nº 750/93 define os Princípios Fundamentais de Contabilidade (PFC), que são obrigatórios para garantir a legitimidade das normas contábeis no Brasil. CAPÍTULO I – DOS PRINCÍPIOS E DE SUA OBSERVÂNCIA O Art. 1º estabelece que os Princípios Fundamentais da Contabilidade (PFC) são obrigatórios no exercício da profissão contábil. O cumprimento desses princípios garante a legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC). Além disso, destaca-se que, ao aplicá-los, deve-se priorizar a essência das transações em detrimento da forma, ou seja, o conteúdo econômico tem mais relevância do que a aparência formal. CAPÍTULO II – DA CONCEITUAÇÃO, DA AMPLITUDE E DA ENUMERAÇÃO O Art. 2º define os PFC como a base das doutrinas e teorias da Contabilidade, reconhecidas pela comunidade científica e profissional brasileira. A Contabilidade é vista como uma ciência social que tem como objeto o Patrimônio das Entidades. O Art. 3º lista os sete Princípios Fundamentais da Contabilidade: 1. Entidade – separa o patrimônio da entidade do de seus sócios ou proprietários; 2. Continuidade – pressupõe que a entidade continuará operando no futuro; 3. Oportunidade – determina o registro imediato dos fatos contábeis; 4. Registro pelo Valor Original – os registros devem refletir os valores originais das transações; 5. Atualização Monetária – ajusta os valores conforme variações do poder aquisitivo da moeda; 6. Competência – reconhece receitas e despesas no período a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento; 7. Prudência – adota o menor valor para ativos e o maior para passivos, em situações de incerteza. 1. Princípio da Entidade · O patrimônio da entidade é independente do patrimônio dos seus sócios ou proprietários. · A contabilidade deve sempre tratar a entidade como distinta das pessoas que a compõem. 2. Princípio da Continuidade · Considera que a entidade tem duração ilimitada, a menos que haja prova em contrário. · A continuidade influencia o valor dos ativos, passivos e resultados, sendo fundamental para a correta aplicação da competência. 3. Princípio da Oportunidade · Os fatos contábeis devem ser registrados imediatamente e de forma completa, tanto qualitativa quanto quantitativamente. · Registros devem refletir as variações patrimoniais com tempestividade e precisão, mesmo se baseados em estimativas confiáveis. 4. Princípio do Registro pelo Valor Original · Os componentes patrimoniais devem ser registrados pelo valor original da transação na data em que ocorreram. · Alterações só são admitidas se forem agregações ou decomposições dentro da própria entidade. · Este princípio é compatível com a atualização monetária. 5. Princípio da Atualização Monetária · Corrige os valores contábeis para refletir as mudanças no poder aquisitivo da moeda. · Não altera o valor original, apenas ajusta sua expressão formal para manter a precisão do patrimônio. 6. Princípio da Competência · As receitas e despesas devem ser reconhecidas no período em que ocorrem, independente de pagamento ou recebimento. · Busca refletir o resultado real das operações no período correto. · Estabelece que receitas e despesas correlacionadas devem ser reconhecidas simultaneamente. 7. Princípio da Prudência · Determina adoção do menor valor para ativos e maior valor para passivos, sempre que existirem dúvidas ou estimativas. · Prioriza a segurança nas informações contábeis, evitando superestimação de resultados. · Aplicável principalmente quando há incertezas sobre o valor das mutações patrimoniais. 💡 Importante: A inobservância desses princípios configura infração ética e legal para o profissional de contabilidade. Formas de Sociedade 1. Firma Individual · Empresa de um único proprietário. · O dono responde com todo seu patrimônio pessoal pelas dívidas da empresa. 2. Sociedades Mercantis · Empresas com dois ou mais sócios, formam uma sociedade com fins comerciais. 3. Sociedade em Nome Coletivo · Sócios respondem de forma ilimitada e solidariamente pelas obrigações da empresa. 4. Sociedade de Capital e Indústria · Formada por 2 tipos de sócios: · Sócios de capital: contribuem com bens e têm responsabilidade ilimitada. · Sócios de indústria: contribuem com trabalho, sem responder pelas dívidas. 5. Sociedade em Conta de Participação · Sociedade de fato, sem formalização. · Sócio ostensivo (comerciante) responde ilimitada e solidariamente. · Sócios ocultos não aparecem publicamente. 6. Sociedade por Quotas de Responsabilidade Limitada · Dois ou mais sócios. · Responsabilidade limitada ao valor das quotas que cada um investiu no capital social. 7. Sociedade em Comandita Simples · Sócios comanditados: responsabilidade ilimitada. · Sócios comanditários: responsabilidade limitada ao valor das quotas. 8. Sociedade em Comandita por Ações · Semelhante à comandita simples, mas o capital é dividido em ações. · Comanditados: responsabilidade ilimitada. · Comanditários: responsabilidade limitada ao valor das ações subscritas. 9. Sociedade por Ações (Sociedade Anônima) · Também chamada de companhia. · Capital dividido em ações. · Responsabilidade dos acionistas limitada ao valor das ações que subscreveram. · Sempre considerada comercial, independentemente do ramo. O Patrimônio 🏦 Conceito de Patrimônio Patrimônio é o conjunto de bens, direitos e obrigações de uma entidade, avaliados em moeda. 🔎 Componentes do Patrimônio (ativo – passivo = patrimônio liquido) 📌 ATIVO (Aplicações) Representa os bens e direitos que a empresa possui, ou seja, o lado positivo do patrimônio. · Bens: Itens que satisfazem necessidades e têm valor econômico. · Bens Materiais: possuem corpo físico. · Móveis: podem ser transportados. Ex.: carros, mesas. · Imóveis: não podem ser movidos. Ex.: terrenos, edifícios. · Bens Imateriais: não têm corpo físico. Ex.: patentes, marcas, fundo de comércio. · Direitos: Valores a receber de terceiros. · Ex.: Duplicatas a Receber, Aluguéis a Receber. 📌 PASSIVO (Origens) Representa as obrigações que a empresa tem com terceiros, ou seja, suas dívidas.· Chamados de Obrigações Exigíveis. · Ex.: Duplicatas a Pagar, Salários a Pagar, Impostos a Pagar. 📌 PATRIMÔNIO LÍQUIDO (Recursos Próprios) É a diferença entre Ativo e Passivo (A - P). Representa o que é realmente da empresa, livre de dívidas. · Composto por: · Capital Social: valor investido pelos proprietários. · Reservas: parte do lucro guardada para fins específicos. Lucros ou Prejuízos Acumulados: resultado da operação da empresa, quando houver lucro pode ser distribuído ou reinvestido; quanto ao prejuízo pode ser compensado no futuro. 🧾 Aspectos do Patrimônio 📌 Aspecto Qualitativo · Analisa os elementos do patrimônio pela natureza dos itens. · Exemplo: · Ativo: · Bens: Caixa, Veículos, Móveis · Direitos: Duplicatas a Receber, Notas Promissórias a Receber · Passivo: · Obrigações: Duplicatas a Pagar, Salários a Pagar · Patrimônio Líquido: Capital Social 📌 Aspecto Quantitativo · Apresenta os valores monetários dos itens do patrimônio. · Exemplo (em R$): · Ativo Total: R$ 40.000 · Passivo + PL: R$ 40.000 · Isso mostra o equilíbrio da Equação Patrimonial: Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido 💰 Capital x Patrimônio 📌 Capital Representa os recursos aplicados na empresa. Pode ser: · Próprio: dos sócios/acionistas. · De Terceiros: empréstimos, fornecedores etc. 📌 Tipos de Capital · Capital Nominal: valor acordado no contrato. · Capital Subscrito: valor que os sócios se comprometem a investir. · Capital Realizado: valor que já foi efetivamente investido. · Capital a realizar: parte ainda não entregue. · Capital Autorizado: limite máximo de capital permitido pelo estatuto (somente em S.A.). 📘 Importante · Ativo = Bens + Direitos · Passivo = Obrigações · Patrimônio Líquido = Ativo - Passivo · A Equação Patrimonial garante que: Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido 📊 Equação Fundamental do Patrimônio A fórmula básica é: A – P.ex.= PL Onde: · A = ativo (bens + direitos) · P.ex. = Passivo Exigível (obrigações) · PL = Patrimônio Líquido (Situação Líquida) 🟩 1. Situação Líquida Positiva (Superavitária) Quando Ativo > Passivo · A empresa possui mais bens e direitos do que dívidas. · O Patrimônio Líquido é positivo. · Exemplo: · Ativo: R$ 300 · Passivo: R$ 180 · PL = 300 - 180 = R$ 120 🟥 2. Situação Líquida Negativa (Deficitária) Quando Ativoe serviços. Ex: Vendas de mercadorias, prestação de serviços, juros ativos. ➡️ Resultado: A diferença entre receitas e despesas define o lucro, prejuízo ou resultado nulo. 📗 Outras Contas 🔹 Contas Retificadoras Reduzem os saldos de outras contas, servindo como “ajustes”: · Do Ativo: Provisão para devedores duvidosos, depreciação acumulada, amortização. · Do Passivo: Custos de receitas antecipadas. · Do PL: Prejuízos acumulados, ações em tesouraria. 🔹 Contas de Compensação Registram fatos extrapatrimoniais, ou seja, que não afetam diretamente o patrimônio, mas são importantes para controle: · Sempre lançadas em pares (débito e crédito iguais). · Ex: · Contratos de seguro; · Contratos de obras ou vendas; · Remessa de títulos para cobrança bancária. Plano de Contas O Plano de Contas é uma relação ordenada das contas utilizadas pela empresa, classificadas conforme a natureza das operações: Ativo, Passivo, Patrimônio Líquido, Receitas e Despesas. Ele pode ser ajustado ao longo do tempo para atender às necessidades da empresa. 📂 Estrutura Básica 1. Contas Patrimoniais · 1. Ativo · 1.1 Circulante: Caixa, bancos, estoques, direitos a curto prazo. · 1.2 Realizável a Longo Prazo: Créditos e valores a receber após um ano. · 1.3 Permanente: · Investimentos: bens para renda ou valorização. · Imobilizado: bens de uso da empresa. · Diferido (ou Deferido): gastos com implantação e desenvolvimento. · 2. Passivo · 2.1 Circulante: obrigações com vencimento em até um ano. · 2.2 Exigível a Longo Prazo: dívidas com vencimento superior a um ano. · 2.3 Resultado de Exercícios Futuros: receitas recebidas antecipadamente. · 2.4 Patrimônio Líquido: capital social, reservas e resultados acumulados. 2. Contas de Resultado · 3. Receitas · 3.1 operacionais: vendas, prestação de serviços, receitas financeiras. · 3.2. Não operacionais: lucros em vendas de ativos permanentes. · 4. Custos e Despesas · 4.1 operacionais: · Custos das vendas e serviços. · Despesas administrativas, com vendas e deduções. · 4.2. Não operacionais: perdas com venda de ativos, etc. · 4.3 Auxiliares: contas transitórias para apuração de resultado. Escrituração Conceito e Métodos A escrituração é a técnica de registrar nos livros contábeis (como Diário, Razão, Caixa) todos os fatos administrativos que ocorrem na empresa. É o ponto de partida do controle contábil. ✍️ Tipos de Escrituração · Escrituração Contábil · Registra todos os fatos contábeis da empresa (patrimoniais, econômicos e financeiros). · Vai além dos aspectos fiscais. · É feita por meio dos lançamentos contábeis em livros obrigatórios ou facultativos. · Escrituração Fiscal · Foca nos documentos fiscais e na apuração de impostos (municipais, estaduais e federais). · Realizada por meio de livros fiscais, exigidos por lei conforme o tipo de tributo. Sistema de Partidas Dobradas · Método universal criado por Luca Pacioli (séc. XV). · Regra principal: todo débito tem um crédito correspondente de igual valor. 🧾 Lançamentos Contábeis · Meio de registrar os fatos administrativos nos livros contábeis (principalmente no Livro Diário). · Devem ser baseados em documentos válidos (nota fiscal, recibo, etc.). · Elementos essenciais do lançamento: 1. Local e data 2. Conta debitada 3. Conta creditada 4. Histórico 5. Valor 🔁 Rotina para Lançamento 1. Verificar local e data. 2. Verificar documento fiscal. 3. Identificar os elementos patrimoniais envolvidos. 4. Determinar as contas no plano de contas. 5. Elaborar o histórico da operação. 6. Definir qual conta será debitada e qual será creditada. 🧮 Fórmulas de Lançamento 1. Simples (1 débito e 1 crédito) Ex.: Compra a prazo → Débito: móveis / Crédito: duplicatas a pagar. 2. Com 1 débito e +1 crédito Ex.: Compra com parte à vista e parte a prazo. 3. Com +1 débito e 1 crédito Ex.: Recebimento com parte em dinheiro e parte a prazo. 4. Com +1 débito e +1 crédito Ex.: Compra de itens diferentes com pagamento misto (dinheiro + duplicata). 🧾 Processos de Escrituração · Manual: uso de livros físicos e borradores (em extinção). · Maquinizado: uso de máquinas de escrever, fichas e gelatina. · Eletrônico: com uso de computadores e softwares contábeis (mais ágil e informativo). 📚 Livros Contábeis Obrigatórios: · Livro Diário: registra todas as operações, exige formalidades legais: · Extrínsecas: encadernação, folhas numeradas, autenticação. · Intrínsecas: escrita clara, cronológica, sem rasuras. · Livro Razão: exigido por lei (Lei nº 8.383/91), detalha movimentações por conta. Facultativos: · Livro Caixa, Contas Correntes, Controle Bancário, etc. 📖 Livros Fiscais Federais: · Registro de Entradas/Saídas (Modelos 1 e 2), Apuração do IPI, LALUR, etc. Estaduais: · Controle de Estoque, Inventário (Modelo 7), Apuração do ICMS (Modelo 9), etc. Municipais: · Registro de Serviços Prestados, Impressos Fiscais, Entrada e Saída de Hóspedes, etc. Livros Societários / Livros Sociais Além dos livros contábeis e fiscais, as Sociedades por Ações (S/A) são obrigadas, por lei, a manter livros específicos para registrar a vida societária da empresa. 📌 Principais livros sociais obrigatórios: 1. Livro de Registro de Ações Nominativas · Controla a titularidade e a transferência das ações. 2. Livro de Transferência de Ações Nominativas · Registra a movimentação (compra/venda) das ações. 3. Livro de Atas das Assembleias Gerais · Registra todas as decisões tomadas nas assembleias de acionistas. 4. Livro de Presença dos Acionistas · Registra quem compareceu às assembleias. 5. Livro de Atas das Reuniões da Diretoria · Contém as deliberações dos diretores da companhia. 6. Livro de Atas da Administração · Abrange registros de decisões tomadas pelos administradores. 7. Livro de Atas e Pareceres do Conselho Fiscal · Registra os pareceres e deliberações do conselho fiscal, quando instalado. 🧾 Base Legal · Art. 100 da Lei nº 6.404/76 (Lei das S.A.), com alterações da Lei nº 9.457/97. Erros de Escrituração e suas Correções 📌 Regra Geral · Rasuras são proibidas nos livros contábeis. · Erros devem ser corrigidos por novo lançamento contábil, conforme determina a NBC 2.4 (CFC nº 596/85). 🛠️ Formas de Correção: 1. Estorno · Lançamento inverso para anular totalmente o erro. 2. Transferência · Transfere valor de uma conta lançada erradamente para a correta. 3. Complementação · Ajusta o valor registrado, aumentando ou reduzindo o lançamento original. 4. Registro fora de época · Deve conter, no histórico, a data real da ocorrência e o motivo do atraso. Todos os lançamentos de correção devem conter: · Motivo da correção · Data da ocorrência · Referência ao lançamento original 🧾 Tipos de Erros e Como Corrigir: Erro Correção Valor a maior Estorno parcial (anula-se o valor excedente) Valor a menor Lançamento complementar (registra-se a diferença faltante) Inversão de contas Estorno e novo lançamento com o valor em dobro Conta errada Estorno na conta errada e novo lançamento na conta certa Omissão de lançamento Faz-se o lançamento normalmente, com a data do fato e motivo no histórico Lançamento em duplicidade Estorno do segundo lançamento Erro de redação no histórico Corrige-se com “digo” ou estorno e novo lançamento, se não corrigido a tempo Rasuras, linhas ou páginas em branco Inutiliza-se com ressalva, assinatura e data 📋 Balancete de Verificação É um relatório contábil que relaciona todas as contas do Razão (ou razonetes), apresentando: · Movimentos de débito e crédito · Saldos finais das contas ✅ Objetivo: Verificar a exatidão aritmética dos lançamentos contábeis, garantindo o equilíbrio entre débitos e créditos. 📊 Formatos mais comuns: · 2 colunas: só saldos · 4 colunas: movimento (débito/crédito) e saldos (devedor/credor) · 6 ou 8 colunas: adicionam saldos anteriores e atuais 📆 Periodicidade: Pode ser elaborado diária, semanal ou mensalmente. ⚠️ Limitações: Não detecta: · Inversão de contas · Troca de contas · Omissão de lançamentos Esses erros são identificados por conciliações contábeis. 💡 Fórmulas Importantes: · CMV (Custo das Mercadorias Vendidas):CMV = EI + Compras – EF · Lucro Bruto ou Resultado com Mercadorias (RCM ou LB): LB = Vendas – CMV 🏪 Inventário: · Inventário Permanente: controla estoques em tempo real com fichas · Inventário Periódico: apura-se o estoque final por contagem física 🧾 Operações Típicas e Exemplos de Lançamentos 🏛️ Capital Social · Subscrição: css CopiarEditar Capital a Integralizar a Capital Social · Integralização: css CopiarEditar Caixa a Capital a Integralizar 🏦 Depósito Bancário css CopiarEditar Bancos Conta Corrente a Caixa 📉 Desconto de Duplicatas · Na entrega: css CopiarEditar Diversos a Duplicatas Descontadas Bancos Conta Corrente Despesas Bancárias · No pagamento: css CopiarEditar Duplicatas Descontadas a Duplicatas a Receber · Na devolução (não pagamento): css CopiarEditar Duplicatas Descontadas a Bancos Conta Corrente 🧮 Sistemas de Controle de Estoques Conta Única (Mista): · Usa só a conta “Mercadorias” · Menos eficiente, não separa compras, vendas e estoque 🟢 Conta Desdobrada: · Compras, Vendas e Estoques registrados separadamente · Mais detalhado e eficiente Classificação das Contas · Mercadorias: Ativo Circulante. Controla entradas e saídas. ➝ Debitada nas compras, creditada nas vendas (valor de custo). · Receita de Vendas: Conta de resultado. ➝ Creditada com o valor bruto das vendas. · Custo das Mercadorias Vendidas (CMV): Conta de resultado. ➝ Debitada com os custos das mercadorias vendidas. Avaliação de Estoques (Inventário Permanente) · PEPS (Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair): ➝ Estoque final avaliado pelas últimas compras. CMV menor, lucro maior. · Custo Médio Ponderado: ➝ Recalcula-se o custo médio após cada compra. · UEPS (Último a Entrar, Primeiro a Sair): ➝ Estoques com valores antigos. CMV maior, lucro menor (não permitido para fins fiscais no Brasil). Exemplo de Operações Compra e venda de mercadorias nos dias 04, 05 e 06/01/95. ➝ Apresentados lançamentos contábeis (diário, razonetes) e valores para os três métodos (PEPS, CMP e UEPS). Conclusões: · PEPS: EF = 21.000, CMV = 13.000, LB = 35.000 · CMP: EF = 18.307,72, CMV = 15.692,28, LB = 32.307,72 · UEPS: EF = 16.000, CMV = 18.000, LB = 30.000 Depreciação · Redução de valor de bens tangíveis por uso, tempo ou obsolescência. · Exemplos de taxas: · Veículos: 20% ao ano (5 anos) · Móveis/Equipamentos: 10% ao ano (10 anos) · Contabilização: css CopiarEditar Despesa de depreciação a Depreciação acumulada Amortização · Aplicada a bens intangíveis. ➝ Exemplo: marcas, patentes, softwares. Exaustão · Refere-se a recursos naturais (minerais e florestais). ➝ Segue os mesmos princípios da depreciação. Provisão para Devedores Duvidosos · Estimada sobre contas a receber: 1,5% (Lei 8541/92). · Contabilização: css CopiarEditar Despesa com devedores duvidosos a Provisão para devedores duvidosos Operações com ICMS · Compras: ICMS a recuperar (ativo circulante). · Vendas: · ICMS a recolher (passivo). · ICMS incidente (dedução da receita). Encerramento do Exercício Etapas: 1. Balancete de verificação; 2. Apuração do lucro bruto; 3. Cálculos e contabilizações: depreciação, amortização, provisão; 4. Apuração do resultado (lucro/prejuízo); 5. Contribuição social e imposto de renda; 6. Distribuição dos lucros; 7. Elaboração das demonstrações contábeis. Apuração do Resultado do Exercício (RE) · Transferência das receitas e despesas para a conta Resultado do Exercício. · Resultado: · Lucro: saldo credor. · Prejuízo: saldo devedor. · O saldo é transferido para o Patrimônio Líquido. Balanço patrimonial E uma demonstração contábil que visa apresentar a situação financeira de uma empresa em um dado momento. Ele é composto por três grandes categorias: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido. Importância e Finalidade: · Atendimento à Legislação: A Lei das Sociedades Anônimas (Lei nº 6.404/76) e outras legislações exigem a elaboração do balanço. · Análise da Situação Financeira: Ele fornece informações essenciais para a gestão interna da empresa, além de ser utilizado por investidores, fornecedores e credores para avaliar a saúde financeira da empresa. · Planejamento Administrativo: Auxilia os administradores a avaliar o desempenho da gestão e planejar ações futuras. Forma de Apresentação: · Seções sobrepostas ou seções bilaterais, sendo que ambas apresentam o Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido de maneira sintética, podendo variar a forma de organização. Leis e Regulamentações: · A Lei nº 6.404/76 estabelece que as demonstrações financeiras devem ser elaboradas anualmente e publicadas, com a indicação dos valores correspondentes ao exercício anterior. As empresas também devem seguir critérios de avaliação contábil e apresentar informações de maneira clara e objetiva. Classificação do Balanço: 1. Ativo: Dividido em circulante, realizável a longo prazo, e permanente (investimentos, imobilizado, diferido). 2. Passivo: Classificado em circulante, exigível a longo prazo, resultados de exercícios futuros. 3. Patrimônio Líquido: Contém o capital social, reservas de lucros ou prejuízos acumulados, entre outros. Avaliação: · Ativo: Avaliado pelo custo de aquisição ou valor de mercado, ajustado para perdas ou correções. · Passivo: As obrigações são atualizadas até a data do balanço, considerando encargos e impostos devidos. O Balanço Patrimonial é uma ferramenta crucial para a análise financeira e tomada de decisões estratégicas. Notas Explicativas são informações adicionais que complementam as demonstrações financeiras, esclarecendo os critérios contábeis adotados pela empresa, a composição dos saldos de contas específicas, métodos de depreciação e avaliação patrimonial, entre outras informações. De acordo com a Lei nº 6.404/76 (Art. 176, §§ 4° e 5°), as notas explicativas devem incluir: · Critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, como estoques, depreciação e provisões. · Investimentos em outras sociedades, quando relevantes. · Aumento de valor de ativos devido a novas avaliações. · Ônus reais, garantias a terceiros e responsabilidades contingentes. · Informações sobre obrigações a longo prazo, como taxas de juros, vencimentos e garantias. · Detalhes sobre o capital social, incluindo número, espécie e classes de ações. · Opções de compra de ações concedidas e exercidas. · Ajustes de exercícios anteriores. · Eventos subsequentes que possam afetar a situação financeira ou resultados futuros da empresa. As Notas Explicativas são essenciais para fornecer uma visão clara e detalhada da situação financeira e dos resultados da empresa. O Balanço Patrimonial é estruturado de forma a organizar o Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido, com as seguintes categorias: 1. ATIVO · Circulante: Refere-se a bens e direitos de curto prazo, como: · Caixa, banco e aplicações financeiras. · Duplicatas a receber (menos provisões e descontos). · Estoques (mercadorias, matéria-prima, produtos em processo e acabados). · Despesas antecipadas. · Realizável a Longo Prazo: Direitos realizáveis após o próximo exercício, como: · Duplicatas a receber e títulos a receber a longo prazo. · Empréstimos a sócios e depósitos compulsórios. · Permanente: Bens e direitos que não se destinam à venda, divididos em: · Investimentos: Participações em outras empresas, imóveis de renda, obras de arte. · Imobilizado: Bens utilizados nas operações da empresa (imóveis, veículos, equipamentos), menos a depreciação acumulada. · Diferido: Despesas pré-operacionais, benfeitorias em imóveis de terceiros, com amortização acumulada. 2. PASSIVO · Circulante: Obrigações de curto prazo, como: · Impostos a recolher, adiantamento de clientes, credores diversos. · Exigível a Longo Prazo: Obrigações que vencerão após o curto prazo, como: · Duplicatas a pagar e financiamentos a longo prazo. · Resultados de Exercícios Futuros: Receita antecipada e lucros a apropriar. 3. PATRIMÔNIO LÍQUIDO · Capital Social: Montante integralizado pelos sócios. · Reservas de Capital: Incluem reservas de correção monetária do capital, ágio em subscrição de ações, entre outros A Demonstração do Resultado do Exercício(DRE) mostra se a empresa teve lucro ou prejuízo em um determinado período, comparando receitas e despesas. Segundo a Lei nº 6.404/76, a DRE deve apresentar: 1. Receita bruta de vendas e serviços, com deduções, abatimentos e impostos; 2. Receita líquida, custo das mercadorias vendidas e lucro bruto; 3. Despesas com vendas, financeiras (deduzidas das receitas), administrativas e outras operacionais; 4. Lucro ou prejuízo operacional, receitas e despesas não operacionais e correção monetária; 5. Resultado antes do imposto de renda e a provisão para o imposto; 6. Participações de debêntures, empregados, administradores, beneficiários e contribuições para fundos de assistência ou previdência; 7. Lucro ou prejuízo líquido do exercício e valor por ação. Além disso, devem ser considerados: · Receitas e rendimentos do período, mesmo que não recebidos em dinheiro; · Custos, despesas e perdas correspondentes; · Reavaliação de ativos só entra como lucro para distribuição após ser realizada. DRE – Modelo e Estrutura A DRE é um relatório contábil que evidencia se a empresa teve lucro ou prejuízo em um período, detalhando receitas, deduções, custos e despesas. Principais Etapas da DRE: 1. Receita Operacional Bruta: Total das vendas ou serviços realizados. 2. Deduções da Receita: Devoluções, descontos incondicionais e impostos (ICMS, PIS, IPI, ISS). 3. Receita Líquida: Resultado da receita bruta menos as deduções. 4. Custos Operacionais: Custo dos produtos vendidos ou serviços prestados. 5. Lucro Bruto: Receita líquida menos os custos. 6. Despesas Operacionais: · Despesas com vendas · Despesas administrativas · Despesas financeiras (deduzidas das receitas financeiras) 7. Outras Receitas Operacionais: Ganhos extras da atividade principal. 8. Lucro Operacional: Lucro bruto menos despesas operacionais mais outras receitas. 9. Receitas/Despesas Não-Operacionais: Relacionadas a atividades fora do objetivo principal da empresa (ex: venda de ativos). 10. Correção Monetária: Ajustes inflacionários. 11. Resultado antes da CSLL e IRPJ 12. Provisão para Contribuição Social 13. Resultado antes do Imposto de Renda 14. Provisão para o Imposto de Renda 15. Resultado após IR e CSLL 16. Participações: Distribuição de lucros para debêntures, funcionários, administradores, etc. 17. Lucro Líquido do Exercício 18. Lucro por Ação Conceitos Importantes · Receita Bruta: Total vendido, incluindo impostos e sem deduções. · Deduções: Ajustes (não são despesas), como devoluções e descontos. · Lucro Bruto: Receita líquida menos custo do produto ou serviço vendido. · Despesas Operacionais: · Vendas: Propaganda, comissões, distribuição. · Administrativas: Gastos de gestão e estrutura. · Financeiras: Juros pagos, taxas bancárias. · Lucro Operacional: Lucro bruto menos despesas operacionais. · Lucro Antes/Depois do IR e CSLL: Refletem o resultado antes e depois dos tributos. · Lucro Real: Lucro contábil ajustado conforme a legislação fiscal. · Apuração de IRPJ e CSLL: Baseada no Lucro Real, com alíquotas variáveis (ex: IRPJ 30%). Transferência para Lucros ou Prejuízos Acumulados Após apurar o Lucro Líquido do Exercício (no exemplo: R$ 280.000), o valor é transferido para a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados, encerrando a conta Resultado do Exercício. Lançamento Contábil: ruby CopiarEditar Débito: Resultado do Exercício – R$ 280.000 Crédito: Lucros ou Prejuízos Acumulados – R$ 280.000 Efeitos nos razonetes: · A conta Resultado do Exercício é zerada (saldo transferido). · A conta Lucros ou Prejuízos Acumulados passa a apresentar o lucro líquido disponível. Finalidade dessa transferência: O valor transferido poderá: · Ser destinado à formação de reservas (ex: reserva legal, reserva estatutária), · Ser distribuído aos sócios/acionistas como dividendos, · Permanecer na própria conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados para decisões futuras. Esse processo é uma etapa final da apuração do resultado do exercício contábil, e prepara o lucro para sua destinação econômica e financeira conforme a legislação e políticas da empresa. Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) A DLPA tem por objetivo apresentar o lucro ou prejuízo do exercício, sua destinação e as movimentações que alteraram o saldo da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados. Forma de Apresentação (Lei nº 6.404/76, Art. 186) A demonstração deve indicar: 1. Saldo inicial do período, incluindo: · Ajustes de exercícios anteriores (mudança de critério contábil ou correção de erro). · Correção monetária do saldo. 2. Reversões de reservas e lucro líquido do exercício. 3. Destinação do lucro, como: · Transferências para reservas (legal, estatutária, para contingência, etc.); · Distribuição de dividendos; · Incorporação ao capital social; · Saldo final acumulado. A DLPA pode ser apresentada de forma separada ou integrada à Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Modelo Simplificado de DLPA 1. Saldo no início do período 2. Ajustes de exercícios anteriores 3. Correção monetária do saldo inicial 4. Saldo ajustado 5. Lucro ou prejuízo do exercício 6. Imposto Retido na Fonte 7. Reversões de reservas 8. Saldo à disposição 9. Destinação (reservas, dividendos) 10. Saldo ao fim do exercício Distribuição de Lucros (Art. 202 da Lei nº 6.404/76) · Dividendos obrigatórios devem ser pagos aos acionistas anualmente. · Se o estatuto for omisso, o dividendo será de 50% do lucro líquido ajustado, deduzindo: · Reserva legal; · Reservas de contingência; · Lucros a realizar. O estatuto pode definir: · Percentuais diferentes; · Bases de cálculo distintas (lucro, capital social); · Critérios específicos, desde que claros e que não prejudiquem os acionistas minoritários. Origem dos Dividendos (Art. 201 da Lei nº 6.404/76) Dividendos só podem ser pagos com base em: · Lucro líquido do exercício; · Lucros acumulados; · Reservas de lucros; · Reserva de capital (apenas para ações preferenciais específicas). Distribuições fora dessas fontes são irregulares e os administradores responsáveis devem devolver os valores. Reversão de Reservas Algumas reservas de lucros podem ser revertidas (ou seja, retornadas ao lucro) e destinadas a dividendos ou outros fins, desde que deixem de existir as razões que justificaram sua criação. 🛡️ Reserva Legal · Finalidade: Proteger os credores e assegurar a integridade do capital social. · Destinação permitida: Compensar prejuízos ou aumentar o capital social. · Obrigatoriedade: 5% do lucro líquido anual até atingir 20% do capital social. · Exceção: Pode ser suspensa se, somada às reservas de capital, ultrapassar 30% do capital social. 🌩️ Reserva para Contingência · Finalidade: Cobrir prejuízos futuros prováveis, como geadas, secas ou perdas cíclicas. · Reversão: Deve ocorrer quando: · A perda estimada ocorrer; · A justificativa deixar de existir; · For necessário compensar lucros menores no futuro. 📜 Reservas Estatutárias · Criadas por estatuto com: · Finalidade definida; · Critério claro de cálculo; · Limite máximo. · Não podem restringir o pagamento de dividendos obrigatórios. ⏳ Reserva de Lucros a Realizar · Serve para postergar dividendos de lucros ainda não recebidos financeiramente. · Reversão ocorre conforme a realização financeira dos valores. · Exemplos de lucros a realizar: · Correção monetária; · Lucro em coligadas/controladas; · Vendas a prazo com recebimento após o exercício seguinte. 📈 Reserva de Lucros para Expansão (Retenção de Lucros) · Finalidade: Futuros investimentos, com base em orçamento de capital. · Requisitos: · Proposta e aprovação em assembleia; · Não pode prejudicar dividendos obrigatórios. · Reversão: Pode ser distribuída se não for usada conforme o previsto. 📌 Limites e Restrições Legais · Art. 198: Nenhuma reserva pode comprometer o pagamento do dividendo obrigatório. · Art. 199: O total das reservas de lucros (exceto contingência e a realizar) não pode ultrapassar o capital social. O excesso deve ser: · Incorporado ao capital; · Ou distribuído como dividendos. 💼 Lucros Acumulados · Parte do lucro líquido sem destinação imediatapermanece na conta Lucros ou Prejuízos Acumulados, até decisão futura da assembleia, dos sócios ou do titular da empresa. 📜 Revogação da Resolução nº 750/1993: Contexto e Considerações A Resolução nº 750/1993, que tratava dos Princípios de Contabilidade, foi revogada com a publicação da NBC TSP Estrutura Conceitual (NBC TSP EC) em outubro de 2016, como parte do processo de convergência das normas contábeis do setor público aos padrões internacionais (IPSAS). 🧩 Motivos da Revogação · Unificação conceitual: Evitar divergências teóricas entre normas e estruturas conceituais. · Os princípios contábeis não foram extintos, mas realocados em estruturas conceituais específicas: · Setor privado: NBC TG – Estrutura Conceitual (Res. 1.374/2011) · Setor público: NBC TSP EC 🕰️ Contexto Histórico · 2008: Início da convergência das normas contábeis brasileiras aos padrões internacionais (IFRS para setor privado; IPSAS para setor público). · NBC T 1 (2008): Primeira estrutura conceitual publicada, gerando debates sobre a necessidade de revogar a Res. 750/1993. · 2010: A Res. nº 1.282 alterou a Res. nº 750 para ajustar princípios ao novo contexto. · 2011: NBC T 1 foi substituída pela NBC TG Estrutura Conceitual. · 2015: Criação de comissão no CFC para avançar na convergência das normas do setor público. · 2016: Publicação da NBC TSP EC, revogando formalmente a Resolução nº 750/1993 e a Res. nº 1.111/2007 (interpretação dos princípios para o setor público). 📘 Considerações Finais · A revogação foi necessária para evitar conflitos conceituais entre normas antigas e as novas estruturas baseadas nos padrões internacionais. · Os Princípios de Contabilidade permanecem válidos, mas agora estão incorporados nas estruturas conceituais específicas de cada setor (público e privado). Plano de Contas de Acordo com a Lei 11.638/07 A Lei 11.638/2007 promoveu importantes alterações na contabilidade brasileira, especialmente para adequação às normas internacionais. As principais mudanças incluem: · Substituição da DOAR pela Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) como obrigação para todas as sociedades anônimas. Para as de capital aberto, também passou a ser exigida a Demonstração do Valor Adicionado (DVA). · Criação de novos grupos de contas: · No Ativo Permanente, foi criado o grupo Intangível, abrangendo bens sem existência física, como marcas, patentes e fundo de comércio. · No Patrimônio Líquido, foi criada a conta Ajustes de Avaliação Patrimonial, substituindo a reserva de reavaliação e exigindo a avaliação de ativos e passivos a valor de mercado. · Reestruturação do Patrimônio Líquido, que passou a conter: · Capital Social · Reservas de Capital · Ajustes de Avaliação Patrimonial · Reservas de Lucros · Ações em Tesouraria · Prejuízos Acumulados · Avaliação de coligadas: investimentos com influência significativa ou com 20% ou mais de participação devem ser avaliados pelo método da equivalência patrimonial (Art. 248). · Empresas de grande porte (ativo total > R$ 240 milhões ou receita bruta anual > R$ 300 milhões) passaram a ter a obrigação de elaborar as mesmas demonstrações contábeis das S.A.s de capital aberto. · Criação da Reserva de Incentivos Fiscais: permite destinação de lucros decorrentes de incentivos governamentais sem compor os dividendos obrigatórios, alterando a prática anterior de contabilizar esses valores como reservas de capital. · Reestruturação do Plano de Contas, com detalhamento por grupos: 7. Ativo (Circulante e Não Circulante), com subgrupos como Disponível, Valores a Receber, Estoques, Intangível, Imobilizado etc. 7. Passivo (Circulante e Não Circulante), incluindo obrigações trabalhistas, fiscais e empréstimos. 7. Patrimônio Líquido, agora com subdivisões que seguem a nova estrutura legal. 7. Receitas e Despesas, classificadas em operacionais, financeiras, outras e com subdivisões detalhadas por tipo de atividade. Essas mudanças visam modernizar e internacionalizar a contabilidade brasileira, promovendo maior transparência e comparabilidade nas demonstrações financeiras. Resolução CFC nº 1.282/2010: A Resolução CFC nº 1.282, de 28 de maio de 2010, atualiza e consolida trechos da Resolução CFC nº 750/93, adaptando os Princípios Fundamentais de Contabilidade ao processo de convergência às normas internacionais. Dentre as principais mudanças: · Nova denominação: Os "Princípios Fundamentais de Contabilidade" passam a se chamar "Princípios de Contabilidade". · Harmonização: Há adequação dos princípios à NBC T 1 (estrutura conceitual internacional), mantendo a essência da Resolução nº 750/93, valorizada por seu conteúdo doutrinário. · Revisões nos princípios: · Continuidade: A entidade é considerada em funcionamento no futuro ao se avaliar seu patrimônio. · Oportunidade: A informação deve ser íntegra e tempestiva, equilibrando relevância e confiabilidade. · Registro pelo Valor Original: Registros devem ser feitos com base no valor original das transações, usando diferentes bases de mensuração (custo histórico, valor justo, valor presente, etc.). · Competência: Os efeitos econômicos devem ser registrados no período de ocorrência, independentemente do pagamento ou recebimento. · Prudência: Julgamentos devem ser cautelosos, evitando superavaliações de ativos e receitas ou subavaliações de passivos e despesas. · Revogações: Foram revogados dispositivos da Resolução CFC nº 750/93 e outras resoluções correlatas (CFC nº 774/94 e CFC nº 900/01). · Vigência: A resolução entrou em vigor na data de sua publicação, 02/06/2010. Os Princípios de Contabilidade (Júlio César Zanluca, 27.06.2016): Os Princípios de Contabilidade representam a base teórica e prática da ciência contábil, reconhecidos no meio científico e profissional. Desde 02/06/2010, com a Resolução CFC nº 1.282/2010, a denominação passou de “Princípios Fundamentais de Contabilidade” para “Princípios de Contabilidade”. Esses princípios são obrigatórios e essenciais para garantir a legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade. São eles: 1. Princípio da Entidade Reconhece a separação entre o patrimônio da entidade e o de seus sócios ou proprietários, estabelecendo a autonomia patrimonial. 2. Princípio da Continuidade Pressupõe que a entidade continuará em funcionamento, influenciando a forma de mensurar e apresentar os elementos patrimoniais. 3. Princípio da Oportunidade Refere-se à necessidade de gerar informações íntegras e tempestivas, equilibrando relevância e confiabilidade. 4. Princípio do Registro pelo Valor Original Exige que os componentes patrimoniais sejam registrados pelo valor das transações originais. Prevê, ainda, possíveis variações de valor por: · Custo corrente · Valor realizável · Valor presente · Valor justo · Atualização monetária 5. Princípio da Competência Determina o reconhecimento de receitas e despesas no período a que se referem, independentemente de pagamentos ou recebimentos, com confrontação simultânea entre receitas e despesas. 6. Princípio da Prudência Exige precaução ao realizar estimativas, adotando o menor valor para ativos e o maior para passivos diante de incertezas, para não superestimar resultados. Observação: O Princípio da Atualização Monetária foi revogado pela Resolução CFC nº 1.282/2010. A observância desses princípios é obrigatória no exercício da contabilidade, sendo base para a aplicação correta das normas técnicas e éticas da profissão.