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Atividade Avaliativa de Direito Constitucional
Com base nas discussões das aulas, no material disponibilizado e outras fontes de consulta, responda as questões propostas a seguir.
Atividade em dupla. Ambos devem postar o arquivo com as respostas em seu próprio acesso no moodle.
Funções Típicas e Atípicas dos Poderes (5 questões)
1. Explique as funções típicas e atípicas dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, destacando como essas funções refletem o princípio da separação dos poderes.
As funções típicas são aquelas que correspondem à atuação principal e natural de cada Poder, conforme previsto na Constituição Federal de 1988. Já as funções atípicas são exercidas por um Poder que atua de forma excepcional, realizando atribuições que, em regra, pertencem a outro Poder.
· Poder Legislativo: tem como função típica a elaboração de leis (função legislativa). Exerce funções atípicas ao administrar internamente (função executiva) e ao julgar, como nos casos de julgamento do Presidente da República por crimes de responsabilidade (função jurisdicional).
· Poder Executivo: sua função típica é administrar, executando as leis (função executiva). Exerce função atípica ao editar medidas provisórias, que têm força de lei (função legislativa), e ao julgar processos administrativos (função jurisdicional).
· Poder Judiciário: exerce como função típica a jurisdição, ou seja, o julgamento de litígios com base no direito (função jurisdicional). Exerce função atípica ao administrar seus próprios órgãos (função executiva) e ao elaborar seus regimentos internos e propor leis sobre sua organização (função legislativa).
Essa separação de funções reflete o princípio da separação dos poderes (art. 2º da CF/88), o qual visa garantir a independência e a harmonia entre os Poderes da União.
2. Como as funções atípicas exercidas pelos poderes podem contribuir para o sistema de freios e contrapesos? Forneça exemplos práticos.
As funções atípicas são essenciais para o sistema de freios e contrapesos, pois permitem que um Poder controle ou limite excessos de outro, mantendo o equilíbrio institucional.
Exemplos:
· O Congresso Nacional pode sustar atos normativos do Poder Executivo que exorbitem o poder regulamentar (art. 49, V, CF/88).
· O Presidente da República pode vetar projetos de lei aprovados pelo Legislativo (art. 66, §1º, CF/88).
· O STF pode declarar inconstitucional uma lei aprovada pelo Congresso Nacional (controle de constitucionalidade).
Assim, as funções atípicas viabilizam a mútua fiscalização entre os Poderes, prevenindo abusos e promovendo a legalidade.
3. Analise a importância das funções atípicas dos poderes para a eficiência e o equilíbrio do Estado Democrático de Direito.
As funções atípicas possibilitam uma atuação mais dinâmica e eficaz dos Poderes, contribuindo para a adaptação às necessidades complexas do Estado moderno. Por exemplo, ao permitir que o Executivo edite medidas provisórias em casos de relevância e urgência, o ordenamento jurídico responde com celeridade a determinadas demandas.
Do ponto de vista do equilíbrio, essas funções asseguram que nenhum Poder atue de forma ilimitada, já que os demais podem exercer controle sobre suas ações. Portanto, são instrumentos constitucionais fundamentais para a manutenção do Estado Democrático de Direito, baseado na legalidade, na separação dos poderes e na proteção dos direitos fundamentais.
4. Como o Poder Legislativo pode exercer funções atípicas, e quais são as implicações dessas funções para a separação dos poderes?
O Poder Legislativo exerce funções atípicas ao julgar autoridades nos crimes de responsabilidade (ex: julgamento do Presidente da República pelo Senado Federal, art. 52, I e II, CF/88) e ao administrar seus próprios órgãos (por exemplo, nomear servidores e organizar suas comissões).
As implicações dessas funções são compatíveis com a separação dos poderes, pois não há invasão de competências, mas sim um mecanismo de controle recíproco. Essa atuação excepcional não descaracteriza a autonomia entre os Poderes, mas reforça o equilíbrio institucional.
5. Explique como o Poder Executivo pode exercer funções atípicas e forneça exemplos de como isso ocorre na prática.
O Poder Executivo exerce funções atípicas ao:
· Legislar: por meio de medidas provisórias (art. 62, CF/88) e decretos autônomos (art. 84, VI).
· Julgar: nos processos administrativos, como os realizados por órgãos da administração direta e indireta, decidindo litígios entre administrados e a Administração.
Exemplo prático: O Presidente da República edita uma medida provisória em caso de urgência, com força de lei, sujeita à posterior apreciação do Congresso Nacional. Outro exemplo é um ministro de Estado decidir um recurso administrativo, exercendo função jurisdicional atípica.
Poder Legislativo (8 questões)
6. Descreva a estrutura do Poder Legislativo brasileiro e a relevância do bicameralismo para a representação democrática.
O Poder Legislativo brasileiro, no âmbito federal, é exercido pelo Congresso Nacional, que é composto por duas Casas: a Câmara dos Deputados e o Senado Federal (art. 44 da Constituição Federal de 1988).
Essa estrutura adota o bicameralismo, em que:
· A Câmara dos Deputados representa o povo, sendo composta por representantes eleitos pelo sistema proporcional, considerando a população dos Estados (art. 45, CF/88).
· O Senado Federal representa os Estados e o Distrito Federal, com três senadores por unidade federativa, eleitos pelo sistema majoritário (art. 46, CF/88).
O bicameralismo é relevante para garantir a representação democrática equilibrada entre o princípio majoritário e o federalismo, evitando que Estados mais populosos concentrem todo o poder legislativo e assegurando a voz das unidades federativas menores.
7. Explique as competências privativas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, e a importância dessa divisão de competências para o equilíbrio federativo.
As competências privativas da Câmara e do Senado estão previstas na Constituição Federal:
· Câmara dos Deputados (art. 51, CF/88): autorizar a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República; elaborar seu regimento interno; e outras competências relacionadas à fiscalização e organização interna.
· Senado Federal (art. 52, CF/88): processar e julgar o Presidente da República nos crimes de responsabilidade, aprovar previamente a escolha de autoridades indicadas pelo Presidente da República (como ministros do STF), julgar membros do Poder Judiciário em casos de crime de responsabilidade, entre outros.
Essa divisão contribui para o equilíbrio federativo, pois permite uma repartição racional de funções entre as Casas, respeitando a natureza representativa de cada uma e fortalecendo os mecanismos de controle político.
8. Qual é o papel das Comissões no âmbito do Poder Legislativo? Como elas influenciam a tramitação e o conteúdo das proposições legislativas?
As Comissões legislativas são órgãos internos das Casas do Congresso Nacional, permanentes ou temporárias, destinadas a analisar, discutir e votar proposições legislativas (art. 58 da CF/88).
As Comissões têm funções importantes:
· Emitir pareceres técnicos sobre projetos de lei;
· Promover audiências públicas com a sociedade civil;
· Aprovar projetos terminativamente, quando a matéria assim permitir;
· Fiscalizar atos do Executivo (no caso da Comissão Mista de Orçamento, por exemplo).
Elas influenciam diretamente o conteúdo das proposições, muitas vezes promovendo emendas, rejeitando projetos ou aprovando-os antes mesmo de irem ao plenário.
9. Explique o que é uma sessão legislativa e o que é uma legislatura.
Legislatura é o período de quatro anos correspondente ao mandato dos deputados federais (art. 44, parágrafo único, CF/88). Cada legislatura é composta por quatro sessões legislativas.
Sessão legislativa é o período anual de funcionamento do Congresso Nacional, que se inicia em 2 de fevereiro e se encerra em 22 de dezembro de cada ano, com dois recessos (art. 57, CF/88).
10. Explique resumidamentea diferença entre o sistema proporcional e o sistema majoritário, indicando quais cargos do legislativo são eleitos por cada um deles.
Sistema proporcional: visa à representação proporcional das correntes políticas, distribuindo as vagas de acordo com os votos recebidos pelos partidos ou coligações. É utilizado para eleger deputados federais, estaduais e distritais, além de vereadores.
Sistema majoritário: elege o candidato mais votado, independentemente da votação dos partidos. É usado para eleger senadores, além de cargos do Executivo (presidente, governadores e prefeitos).
11. Explique o que é a imunidade material dos congressistas e o seu alcance.
A imunidade material está prevista no art. 53, caput, da CF/88 e consiste na inviolabilidade dos deputados e senadores por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos, no exercício do mandato.
Essa imunidade:
· É perpétua, ou seja, permanece mesmo após o término do mandato;
· Visa proteger a liberdade de expressão parlamentar e o livre exercício do mandato;
· Aplica-se apenas a manifestações relacionadas ao exercício da função parlamentar.
12. Quais são as principais imunidades formais dos parlamentares quanto à prisão.
Conforme o art. 53, §2º da CF/88:
· Deputados e senadores não podem ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável;
· Nessa hipótese, os autos devem ser enviados à respectiva Casa Legislativa em 24 horas, que decidirá, por maioria dos membros, sobre a prisão;
· Também possuem imunidade quanto à instauração de processo criminal, pois o Supremo Tribunal Federal (foro competente) deve comunicar à Casa respectiva, que pode suspender o andamento da ação penal (art. 53, §3º).
13. Explique o que é o Foro por prerrogativa de função e indique qual o foro previsto na Constituição para processar e julgar parlamentares pela prática de crimes durante o mandato.
O Foro por prerrogativa de função é um instrumento que determina que certas autoridades, em razão do cargo, sejam julgadas por tribunais superiores, e não por juízes de primeira instância.
Segundo o art. 53, §1º da CF/88, os deputados e senadores serão processados e julgados, originariamente, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos crimes comuns e nos de responsabilidade, desde que os fatos estejam relacionados ao exercício do mandato e tenham ocorrido durante o mandato.
Contudo, a jurisprudência do STF (AP 937 QO, 2018) restringiu essa prerrogativa: o foro se aplica apenas a crimes cometidos no exercício do mandato e em razão deste, não alcançando fatos alheios ao exercício da função.
Processo Legislativo (7 questões)
14. Descreva detalhadamente as etapas do processo legislativo ordinário, destacando a importância de cada etapa para a elaboração de uma lei.
O processo legislativo ordinário, previsto nos arts. 59 a 69 da CF/88, segue um rito formal para a elaboração das leis ordinárias e complementares, composto pelas seguintes etapas principais:
1. Iniciativa legislativa: é a apresentação do projeto de lei por quem tem competência para isso, conforme o art. 61 da CF/88. Pode ser exercida por parlamentares, Presidente da República, tribunais superiores, Procurador-Geral da República e, em alguns casos, por iniciativa popular.
2. Discussão e votação nas Casas do Congresso Nacional:
· O projeto é analisado pelas Comissões Permanentes e, quando necessário, vai ao plenário da Câmara dos Deputados para votação.
· Se aprovado, segue para o Senado Federal, onde também é discutido e votado. Se for modificado, retorna à Câmara para apreciação das alterações.
3. Sanção ou veto presidencial:
· Aprovado pelo Congresso, o projeto é enviado ao Presidente da República, que pode sancionar (concordar) ou vetar (discordar total ou parcialmente) no prazo de 15 dias úteis (art. 66, §1º).
· O veto pode ser jurídico (por inconstitucionalidade) ou político (por conveniência ou interesse público).
4. Promulgação e publicação:
· Se sancionada ou promulgada pelo Congresso em caso de veto rejeitado, a lei é publicada, passando a vigorar.
Essas etapas garantem deliberação democrática, controle de legalidade e participação dos Poderes, assegurando legitimidade à norma.
15. Explique o procedimento de elaboração e tramitação de uma Medida Provisória e como ele difere do processo legislativo ordinário.
A Medida Provisória (MP) é um ato normativo com força de lei, editado pelo Presidente da República em caso de relevância e urgência, nos termos do art. 62 da CF/88.
Procedimento:
· A MP entra em vigor imediatamente após sua publicação, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período, sob pena de perda de eficácia.
· Deve ser apreciada por uma Comissão Mista de deputados e senadores, que emite parecer sobre sua admissibilidade e conteúdo.
· Após isso, é submetida ao plenário da Câmara e do Senado para votação. Pode ser aprovada, modificada (convertida em projeto de lei de conversão) ou rejeitada.
Diferenças em relação ao processo ordinário:
· A MP tem vigência imediata, enquanto o projeto de lei exige aprovação prévia.
· A iniciativa é exclusiva do Presidente da República.
· O prazo de tramitação é mais restrito.
· Sua conversão em lei requer aprovação pelo Congresso, mas se perder eficácia, seus efeitos devem ser disciplinados por decreto legislativo.
16. Qual o papel do veto presidencial no processo legislativo? Como o Congresso Nacional pode agir diante de um veto, e quais são as consequências dessa ação?
O veto presidencial, previsto no art. 66, §1º da CF/88, é o instrumento pelo qual o Presidente da República se opõe, total ou parcialmente, ao projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional.
· Veto total: recusa ao projeto como um todo;
· Veto parcial: recusa a artigos, parágrafos, incisos ou alíneas.
Motivos:
· Inconstitucionalidade (veto jurídico);
· Interesse público (veto político).
Apreciação pelo Congresso Nacional:
· O veto é submetido à votação em sessão conjunta (Câmara e Senado), no prazo de 30 dias.
· Pode ser mantido ou derrubado por maioria absoluta de votos em ambas as Casas.
· Se derrubado, o projeto é promulgado pelo Presidente do Congresso Nacional.
Consequência: o veto atua como freio ao Legislativo, mas está sujeito ao controle do próprio Parlamento, preservando o equilíbrio entre os Poderes.
17. Analise o conceito de urgência constitucional e como essa prerrogativa pode ser utilizada pelo Presidente da República no processo legislativo. Quais são as possíveis vantagens e desvantagens desse mecanismo?
A urgência constitucional está prevista no art. 64, §1º e §2º da CF/88. Quando o Presidente da República envia projeto de lei com solicitação de urgência, a Câmara ou o Senado tem o prazo de 45 dias para apreciar a proposição.
Se esse prazo não for respeitado, o projeto entra em regime de urgência, sobrestando todas as demais deliberações legislativas até a sua votação.
Vantagens:
· Acelera a apreciação de matérias consideradas prioritárias pelo Executivo;
· Evita demora excessiva na tramitação de projetos relevantes.
Desvantagens:
· Pode comprometer o debate legislativo;
· Pode ser usado para pressionar o Congresso;
· Risco de banalização do instrumento, com prejuízo à deliberação democrática.
18. Como ocorre o processo legislativo de leis delegadas, e qual é a importância desse mecanismo para a atuação do Poder Executivo?
As leis delegadas são elaboradas pelo Presidente da República, mediante delegação do Congresso Nacional, por meio de resolução (art. 68 da CF/88).
Procedimento:
· O Congresso autoriza, por resolução, o Presidente a legislar sobre matérias específicas.
· A delegação deve fixar os limites da atuação, prazo e conteúdo permitido.
· O Presidente elabora a lei delegada, que não passa por votação legislativa, mas deve respeitar os limites da delegação.
Importância:
· Permite agilidade normativa em situações específicas;
· Auxilia o Executivo na regulamentação de temas complexos;
· Alivia a sobrecarga legislativa do Congresso.
Limitações:
· A delegação não pode incluir: atos de competência exclusiva do CongressoNacional, matérias reservadas à lei complementar e temas relativos à organização do Judiciário, MP e TCU.
19. Explique o procedimento legislativo para a aprovação de emendas constitucionais, destacando suas peculiaridades em relação ao processo legislativo ordinário.
O processo de emenda à Constituição está previsto no art. 60 da CF/88.
Peculiaridades:
· Iniciativa: pode ser de 1/3 dos membros da Câmara ou do Senado, do Presidente da República, ou de mais da metade das Assembleias Legislativas (com maioria relativa).
· Quórum de aprovação: é necessário 3/5 dos votos, em dois turnos, em cada Casa do Congresso Nacional.
· Vedação de emenda: durante intervenção federal, estado de defesa ou estado de sítio.
· Cláusulas pétreas: não podem ser objeto de emenda as matérias listadas no art. 60, §4º da CF/88 (como a forma federativa de Estado, o voto direto e secreto, a separação dos poderes e os direitos e garantias individuais).
Esse procedimento reforça a rigidez constitucional, garantindo estabilidade e proteção aos princípios fundamentais da Constituição.
20. Qual é a importância da sanção e da promulgação no processo legislativo? Explique como esses atos contribuem para a formação e a eficácia das leis.
· Sanção (art. 66, caput e §1º, CF/88): é o ato pelo qual o Presidente da República concorda com o projeto de lei aprovado pelo Congresso. Pode ser expressa (assinatura) ou tácita (decorrido o prazo de 15 dias úteis sem manifestação). É condição de validade da lei.
· Promulgação (art. 66, §7º): é a declaração formal de existência da lei, feita pelo Presidente da República ou, em caso de veto derrubado, pelo Presidente do Congresso Nacional.
Ambos os atos são essenciais:
· A sanção integra o processo de formação da norma jurídica;
· A promulgação atesta sua existência no ordenamento jurídico;
· A publicação, por sua vez, torna a lei eficaz e obrigatória, permitindo sua aplicação.
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