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LEGISLAÇÃO URBANA E 
PRÁTICA PROFISSIONAL
LEGISLAÇÃO URBANA E 
PRÁTICA PROFISSIONAL
Legislação Urbana e Prática Pro� ssional
Wesley da Silva Medeiros
Marina Silva Paravidino de Abreu
Wesley da Silva Medeiros
Marina Silva Paravidino de Abreu
GRUPO SER EDUCACIONAL
gente criando o futuro
Esta disciplina é uma das âncoras à atividade pro� ssional do arquiteto, do urbanis-
ta e planejador urbano, principalmente atividades com projetos, e da construção 
civil. Em qualquer atividade prática, o pro� ssional deverá ter o conhecimento desta 
disciplina para dialogar com seus clientes, principalmente atuando com projetos de 
arquitetura. No dia a dia, boa parte dos arquitetos não entende de legislação: o con-
texto histórico, seus princípios e diretrizes, seus objetivos normativos, o processo 
de aprovação de um projeto e sua � scalização e, por � m, os trâmites gerais entre o 
projeto e a liberação da prefeitura para usar a edi� cação projetada, mas esta questão 
é mais séria aos arquitetos, considerando que muitos negam dar ao cliente o Registro 
de Responsabilidade Técnica (RRT). No geral, as prefeituras pedem este documento 
emitido e autenticado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) para começar 
os trâmites legais de um projeto dentro das leis da prefeitura. Sendo assim, os pro� s-
sionais esquecem que qualquer ação com projetos está submetida à Lei 12.378/2010, 
que criou o CAU no Brasil e, portanto, ao Código de Ética e Disciplina publicado em 
2017. Aproveitem a disciplina para conhecerem o que são legislações e seus efeitos 
sob a atividade pro� ssional no mercado de arquitetura. 
© Ser Educacional 2020
Rua Treze de Maio, nº 254, Santo Amaro 
Recife-PE – CEP 50100-160
*Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência.
Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. 
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio 
ou forma sem autorização. 
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artigo 184 do Código Penal.
Imagens de ícones/capa: © Shutterstock
Presidente do Conselho de Administração 
Diretor-presidente
Diretoria Executiva de Ensino
Diretoria Executiva de Serviços Corporativos
Diretoria de Ensino a Distância
Autoria
Projeto Gráfico e Capa
Janguiê Diniz
Jânyo Diniz 
Adriano Azevedo
Joaldo Diniz
Enzo Moreira
Wesley da Silva Medeiros
Marina Silva Paravidino de Abreu
DP Content
DADOS DO FORNECEDOR
Análise de Qualidade, Edição de Texto, Design Instrucional, 
Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico e Revisão.
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Boxes
ASSISTA
Indicação de filmes, vídeos ou similares que trazem informações comple-
mentares ou aprofundadas sobre o conteúdo estudado.
CITANDO
Dados essenciais e pertinentes sobre a vida de uma determinada pessoa 
relevante para o estudo do conteúdo abordado.
CONTEXTUALIZANDO
Dados que retratam onde e quando aconteceu determinado fato;
demonstra-se a situação histórica do assunto.
CURIOSIDADE
Informação que revela algo desconhecido e interessante sobre o assunto 
tratado.
DICA
Um detalhe específico da informação, um breve conselho, um alerta, uma 
informação privilegiada sobre o conteúdo trabalhado.
EXEMPLIFICANDO
Informação que retrata de forma objetiva determinado assunto.
EXPLICANDO
Explicação, elucidação sobre uma palavra ou expressão específica da 
área de conhecimento trabalhada.
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Unidade 1 - Constituição Federal e suas determinações para a cidade e o homem social
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 13
Urbanização brasileira ........................................................................................................ 14
O Movimento Nacional da Reforma Urbana ............................................................... 15
Conceito da Constituição Federal de 1988 ...................................................................... 17
Contexto da Constituição de 1988 ................................................................................. 18
Política e legislação urbana .............................................................................................. 19
Os instrumentos do Estatuto da Cidade ........................................................................... 21
Instrumentos de regularização fundiária ........................................................................ 30
Instrumentos de democratização da gestão urbana ..................................................... 31
Sintetizando ........................................................................................................................... 34
Referências bibliográficas ................................................................................................. 36
Sumário
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Sumário
Unidade 2 - Plano Diretor e Lei de Uso e Ocupação do Solo
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 39
Plano Diretor ......................................................................................................................... 40
O Plano Diretor deverá atender quais municípios? ................................................... 42
Plano Diretor participativo ............................................................................................. 44
Plano Diretor versus demais leis municipais .............................................................. 47
Lei de Uso e Ocupação do Solo ......................................................................................... 51
Entendendo a Lei de Uso e Ocupação do Solo .......................................................... 52
Instrumentos urbanísticos no uso e ocupação do solo ............................................ 55
Como a Lei de Uso e Ocupação do Solo pode beneficiar a cidade? ...................... 60
Sintetizando ........................................................................................................................... 62
Referências bibliográficas ................................................................................................. 63
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Sumário
Unidade 3 - Legislações ambientais específicas e noções de sustentabilidade urbana
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 66
Legislações ambientais específicas ................................................................................ 67
Lei nº 6.938/1981: dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente ................. 69
Lei nº 9.605/1998: Lei dos Crimes Ambientais ............................................................. 70
Lei nº 12.305/2010: institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos ....................... 74
Noções de sustentabilidade urbana ................................................................................. 77
Entendendo a sustentabilidade e a cidade ................................................................ 79
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e da sustentabilidade urbana ................. 81
Cidades sustentáveis ...................................................................................................... 85
Sintetizando ........................................................................................................................... 88
Referências bibliográficas ................................................................................................. 89
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Sumário
Unidade 4 -Código de Obras e normas da ABNT referentes ao edifício
Objetivos da unidade ...........................................................................................................Essa 
leitura tem como objetivo verificar em qual o perfil a cidade se enquadra, de 
maneira a evidenciar os problemas existentes e sua potencialidade pela contri-
buição da sociedade participante.
Devido à utilização de mapas temáticos – como, por exemplo, de clima, so-
los, hidrografia etc. –, poderá ser traçado o perfil da cidade. A partir da interpre-
tação dos mapas, alguns aspectos são diagnosticados:
• Os perigos para habitação urbana como deslizamentos, erosão, enchentes etc.;
• Locais reservados para a preservação cultural;
• Questões históricas de determinado lugar;
• A inserção regional do município;
• Dados de mobilidade e circulação de pedestres, ciclistas e do trânsito no geral.
Já os mapas específicos de caracterização da população permitirão identifi-
car os seguintes pontos:
• A população absoluta e também relativa de cada bairro;
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• A população dividida por faixa etária e escolaridade;
• A população separada conforme o nível de renda;
• A população por setor de crescimento e migração.
Os mapas de uso do solo contribuirão para identifi car as diversas formas 
de ocupação: se regular ou não; vazios urbanos; área rural, etc., para que dessa 
forma possa ser identifi cado os diferentes níveis e padrões existentes na cidade.
Já os mapas da infraestrutura urbana servirão para validar as seguintes 
informações:
• Nível do atendimento dos serviços;
• Existência de esgotamento sanitário, água, luz, telefone, drenagem etc.;
• Educação, esportes, saúde etc.;
A partir da leitura técnica em conjunto com as informações trazidas pela 
população participante, os eixos do plano poderão ser defi nidos, assim como 
todos os assuntos que serão trabalhados, quais instrumentos serão utilizados 
e os objetivos a serem alcançados.
Plano Diretor versus demais leis municipais
É muito importante que o profi ssional de arquitetura que for atuar na ela-
boração dos projetos se atente para o que rege as normas e leis do município. 
Serão apresentados, neste tópico, o Plano Diretor, a Lei Orgânica, o Código de 
Obras, o zoneamento, o uso e ocupação do solo e a Lei de Parcelamento do 
Solo Urbano para um melhor entendimento.
Plano Diretor
O Plano Diretor foi estabelecido pela Constituição Federal (BRASIL, 1988) e ga-
nhou cada vez mais maior representatividade e importância com o Estatuto da Ci-
dade, podendo ser considerado como a base para as leis de planejamento urbano 
municipal. Como já apresentado, o Plano Diretor é um dos principais instrumen-
tos de planejamento urbano, tendo como fi nalidade trabalhar todos os espaços 
físicos, sociais e políticos, proporcionando uma melhor qualidade de vida para a 
população e infraestrutura de qualidade, minimizando os problemas existentes.
Lei Orgânica
A Lei Orgânica é considerada a maior lei do município e dita o funciona-
mento de uma ordem específi ca. Vale ressaltar que cada município pode apon-
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tar as suas leis orgânicas, porém, estas não devem ir contra as leis estaduais, 
federais e a Constituição Federal.
A aprovação da lei deverá ser feita pela Câmara Municipal em um período de 
dois turnos, estando presentes dois terços dos membros. Durante a execução, é 
preciso bastante cuidado, pois, caso surja a necessidade de alteração por algum mo-
tivo em específico após a aprovação, pode não ser tão simples uma nova validação.
EXEMPLIFICANDO
Para saber mais como é estruturada uma Lei Orgânica, 
acesse o link da lei do município de Campos dos Goyta-
cazes, no estado do Rio de Janeiro, que dispõe sobre a 
revisão e consolidação da sua Lei Orgânica. 
Código de Obras
O Código de Obras aborda os conceitos que irão garantir a segurança, dis-
ponibilizar um conforto ambiental, conservação de energia, condições básicas 
de limpeza e acessibilidade. Antes de iniciar qualquer projeto, deve ser consul-
tado o conjunto de instruções relativas a obras do município, a fim de saber 
o que poderá ser construído em determinada localidade. O Código de Obras, 
portanto, é um aglomerado de leis que possibilita à administração municipal 
controlar todo o espaço já existente e o seu entorno.
As construções que não seguirem o estipulado por esse Código não obterão 
a Carta de Habite-se, ou seja, não estarão regulares. Caso sejam construções 
novas e não estejam totalmente dentro estabelecido pelo Código de Obras, es-
tas receberão uma notificação indicando um prazo determinado pelo fiscal da 
prefeitura para sanar as pendências levantadas. Porém, se forem construções 
antigas, alvos de notificação, elas deverão se adequar o melhor possível para que 
seja possível obter todas as aprovações dos órgãos municipais compententes.
Lei de Zoneamento, Uso e Ocupação do Solo e Lei de Parcelamento do 
solo urbano
Zoneamento consiste em um instrumento do planejamento urbano que se ca-
racteriza pela busca da regularização do uso e ocupação do solo do espaço urba-
no. Geralmente é identificado por meio de um mapa que indica as zonas e a qual 
eixo elas pertencem. Tal mapa deve ser específico de cada município (Figura 1).
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Figura 1. Mapa de zoneamento urbano da cidade de Campos dos Goytacazes, RJ. Fonte: MORAES, 2010.
Cursos d’água 
Zona Centro Histórica – ZCH 
Zona de Comércio Principal – ZPC 
Zona Residencial 1 – ZR1
Zona Residencial 2 – ZR2
Zona Residencial 3 – ZR3
Zona Residencial 4 – ZR4
Zona de Expansão Urbana – ZEU 
Setor Especial Institucional – SEI 
Setor Especial de Preservação – SEP 
Setor Especial Recreativo – SER 
Macro Eixo de atividades 
produtivas – MEAP 
Eixo de Comércio e Serviços 1 – ECS1 
Eixo de Comércio e Serviços 2 – ECS2 
Eixo de Comércio e Serviços 3 – ECS3 
Linha do perímetro urbano 
Linha do perímetro urbano 
Rodovia federal 
Rodovia federal projetada 
Rodovia estadual 
Ferrovia 
Ferrovia desativada
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As leis de zoneamento costumam limitar-se ao tipo de estrutura a ser 
construída no local. Deverá ser observada, primeiramente, a zona do terreno 
e averiguar se ela permite a construção do que se pretende fazer, sendo co-
mércio, indústria, residência, prédios, entre outros. A Lei de Zoneamento, Uso 
e Ocupação do Solo é, portanto, a lei que define o uso do solo de cada região. 
Dessa maneira, é possível controlar questões relativas à especulação dos imó-
veis, sendo um importante instrumento para a preservação do meio ambiente.
ASSISTA
Para saber mais acerca da importância das leis de zone-
amento e sua imprescindibilidade para o crescimento da 
cidade, assista ao vídeo Reportagem Especial: entenda a 
Lei de Zoneamento, que aborda o conceito e os objetivos 
da lei no município de São Paulo. 
Ela também auxilia a proporcionar melhor qualidade de vida para todos da 
cidade, possibilitando a estipulação de que uma usina não poderá ser implan-
tada em determinada área, por exemplo. Assim sendo, a Lei de Uso e Ocupação 
do Solo deverá estar devidamente alinhada com o Plano Diretor, de forma a 
acompanhar as suas alterações.
Já a Lei de Parcelamento do Solo Urbano é uma lei federal importante para 
o ordenamento do espaço urbano. Ela se resume às questões de urbanização e 
divisões de glebas dentro de algum território municipal, podendo definir como 
loteamento ou como desmembramento. Apenas será permitido o parcela-
mento urbano do solo para fins urbanos que sejam em zonas urbanas, ou que 
se adequem como expansão urbana.
EXPLICANDO
Desmembramento consiste na subdivisão de gleba, que é uma porção 
de terra na qual ainda não há nenhuma construção e não é habitada. A 
partir desta subdivisão, ela é repartida em lotes que serão destinados 
para alguma edificação, de modo a aproveitar osistema viário existen-
te para que não seja imposta a exigência de ter que criar novas vias 
públicas ou, ainda, ter que modificar ou ampliar o que já existe. Dessa 
forma, com essas divisões, o lote passará a possuir seu número de 
matrícula e escritura.
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Lei de Uso e Ocupação do Solo
As cidades brasileiras têm passado por grandes desafi os, e o maior de-
les são as questões de expansão urbana de forma desordenada. Devido ao 
crescimento de toda a população, surgiram inúmeras construções em locais 
inapropriados, criando espaços com muitas aglomerações e trazendo danos 
para o meio ambiente e para a qualidade de vida desses moradores, tendo 
em vista que, muitas vezes, não existe rede de água e esgoto e demais ser-
viços públicos. 
A Lei de Uso e Ocupação do Solo caracteriza-se por ser uma lei que organi-
za todo o espaço urbano. Ela surgiu devido às transformações das cidades ao 
longo dos anos e também da necessidade de se expandirem, disponibilizando 
mais empregos, uma melhor infraestrutura e ampliação dos meios de loco-
moção. O objetivo é que todos esses pontos pudessem ser feitos da melhor 
maneira. Assim, tornou-se possível indicar os tamanhos mínimos para os terre-
nos, a área máxima que uma edifi cação pode ocupar, percentual de área verde 
necessária conforme a dimensão do terreno, os recuos obrigatórios para uma 
boa ventilação, entre outros.
Por isso, o Estatuto da Cidade, no intuito de diminuir a especulação imobi-
liária, oferece um conjunto de instrumentos que são utilizados pelo poder pú-
blico para propriciar um melhor desenvolvimento urbano, cumprindo, dessa 
forma, com a função social da cidade e também da propriedade.
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Entendendo a Lei de Uso e Ocupação do Solo
A Lei de Uso e Ocupação do Solo surgiu após a revolução industrial por mo-
tivos da migração da população do meio rural para o urbano, buscando uma 
melhor oferta de trabalho.
Seu principal objetivo foi reordenar a cidade de forma planejada e orga-
nizada. Para isso, foi necessário desenvolver um planejamento que pudesse 
atender a essas demandas relacionadas à habitação, mobilidade, distinção das 
zonas tanto comercial como residencial, trazendo, assim, uma maior qualidade 
de vida para todos daquele local.
Não edifi cados 
Área superior a 500 m² 
cujo coefi ciente
de aproveitamento
utilizado é igual a zero 
Subutilizado
Área superior a 500 m² cujo 
coefi ciente de aproveitamento 
é inferior ao mínimo da área
Não utilizado
Edifcíos e outros imóveis que 
tenha no mínimo 60% de 
sua área construída desocu-
pada há mais de um ano 
Função social da propriedade
Se o proprietário não cumprir os prazos e obrigações, a Prefeitura pode cobrar o IPTU
Progressivo e, após cinco anos de cobrança, desapropriar a área pagando com
títulos da Dívida Pública
Imóveis sucescetíveis 
Instrumentos legais e prazos
Parcelamento, edifi cações
e utilização compulsórios: 
Donos dos imóveis notifi cados têm
um ano para apresentar projeto de 
edifi cação ou loteamento. Obras 
devem começar em até dois anos e 
terminar em até cinco anos.
IPTU progressivo: 
Prefeitura aplica o IPTU se o 
imóvel não cumpre função social. 
Alíquota do imposto aumenta ano 
a ano, até limite de 15%. Se em 
cinco anos dono do imóvel não 
ocupá-lo, a Prefeitura pode fazer a 
desapropriação.
Consórcio imobiliário: 
Acordo entre a Prefeitura e o dono 
do imóvel notifi cado transfere 
para a administração pública o 
terreno, onde é executada uma 
construção. Em troca, o proprietá-
rio recebe parte das benfeitorias, 
como apartamentos.
Figura 2. Função social da propriedade. Fonte: PEREIRA, 2016.
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CLASSIFICAÇÃO DO USO DO SOLO
Os tipos de uso do solo devem ser 
classificados, na Lei de Parcelamento, Uso 
e Ocupação do solo (Zoneamento), em:
RESIDENCIAL e NÃO RESIDENCIAL, 
que por sua vez, se divide em:
COMECIAL
SERVIÇOS
INDUSTRIAL
INSTITUCIONAL
QUADRO 1. CLASSIFICAÇÃO DO USO DO SOLO. 
Fonte: Prefeitura da cidade de São Paulo. Acesso em: 29/09/2020.
O responsável por essa lei é a equipe técnica que a elabora e faz a cole-
ta dos dados para que estes possam ser revistos e analisados, viabilizando a 
preparação das propostas de melhorias e intervenção. É importante que os 
habitantes locais opinem como deverá ocorrer o crescimento, pois são eles 
que contribuem para o progresso e crescimento da cidade.
Essa lei tem um grande potencial de contribuição para a preservação do 
meio ambiente, como as matas e os rios, contribuindo para o desenvolvimento 
econômico, melhorando a estrutura comercial e viabilizando que todos que 
queiram possam ter seu próprio comércio e obter a sua renda. Além disso, 
contribui para uma cidade sustentável que respeite não somente as questões 
financeiras, mas que envolva todos os apectos sociais de moradia e mobilidade 
urbana. O solo deverá ser classificado em: residencial, que trabalha com as 
questões de moradia de apenas uma pessoa ou de um grupo; e não residencial, 
que está relacionado à atividade comercias, de serviços, ligadas à indústria e 
também institucionais (Quadro 1).
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A Lei de Uso do Solo e Ocupação do Solo visa orientar, de forma ordenada, o 
crescimento da cidade englobando as áreas dentro do perímetro urbano atual 
como áreas de expansão urbana (Figura 3). Elas se localizam dentro do períme-
tro urbano, independentemente se vazias ou loteadas.
Figura 3. Exemplo de área urbana e área em expansão. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 06/10/2020. 
A Lei de Uso e Ocupação do Solo visa coibir práticas especulativas, porém, 
devendo ser bem elaborada para que não prejudique o desenvolvimento ur-
bano do município e deixe de atender a vocação econômica que o município 
elegeu para si. Toda a relação de interesses que a cidade tiver deve ser muito 
bem avaliada, e o poder público deve arcar com a obrigação de coordenar os 
usos permitidos, os proibidos, os permissíveis e os tolerados.
Tudo isso precisa ser definido por meio do estudo de cada área. Ademais, 
a população terá o direito de participar da elaboração da lei por meio do voto. 
Porém, a equipe técnica deve fornecer possibilidades diante das potencialida-
des de cada área, sendo a escolha da própria sociedade.
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Figura 4. Parcelamento, edificação e utilização compulsórios Fonte: Prefeitura da cidade de São Paulo. Acesso 
em: 29/09/2020. 
Imóvel não edifi cado
Imóvel com área
superior a 500 m²
com coefi ciencia de 
aproveitamento
utilizado igual a zero
Necessário
Parcelar 
Necessário
Parcelar 
Parcelado 
e/ou
e/ou
Necessário 
edifi car 
Necessário 
edifi car 
Edifi cado
Necessário 
utilizar 
Necessário 
utilizar 
Necessário 
utilizar 
Imóvel subutilizado
Imóvel com área
superior a 500 m²
cujo coefi ciente de
aproveitamento
utilizado é inferior ao
mínimo defi nido
Imóvel não utilizado
Edifícios e outros
imóveis que tenham no
mínimo 60% de sua área
construída desocupada
há mais de um ano
Tipologias de
imóveis ociosos: 
O que o proprietário deve fazer para
cumprir a função social da propriedade: 
Apresentar 
projeto 
Iniciar
obras 
Concluir 
obras
1
ano
Em até: 
Em até: 
Em até: 
2
anos
5
anos
A Prefeitura notifi cará os
proprietários de imóveis
ociosos, que terão os seguintes 
prazos para cumprir a função 
social da propriedade: 
Para induzir o uso
dos imóveis ociosos 
Parcelamento, edifi cação e utilização compulsórios (PEUC)
Instrumentos urbanísticos no uso e ocupação do solo
Os instrumentos urbanísticos do uso e ocupação do solo são:
• Parcelamento, edifi cação ou utilizaçãocompulsórios; IPTU progressivo 
no tempo; desapropriação com pagamento em títulos; consórcio imobiliário;
• Outorga onerosa do direito de construir; direito de superfície;
• Transferência do direito de construir;
• Operações urbanas consorciadas;
• Direito de preempção.
Ao aplicar esses instrumentos, a cidade estará contribuindo para uma me-
lhor ordenação e utilização adequada dos imóveis. As áreas prioritárias de 
ocupação poderão ser ocupadas apenas se as construções estiverem inseridas 
de maneira apropriada, e caso não esteja ocorrendo, o poder público poderá 
diagnosticar como edifi cação de parcelamento compulsório.
O município é quem defi ne os parâmetros para avaliar as propriedades e 
seus usos. Na edifi cação compulsória deve ser estipulado um prazo para que o 
dono da propriedade possa apresentar um projeto que se insira no âmbito do 
aproveitamento do terreno (Figura 4).
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A média é de um ano para dar entrada com o projeto e são concedidos 
dois anos depois da aprovação para concluir toda a obra. Se os prazos ainda 
assim não forem atendidos, o município poderá aplicar o IPTU progressivo no 
tempo, podendo ser aplicado por um período de cinco anos. O imposto pode 
dobrar a cada ano até o limite de 15% do valor venal do imóvel. Caso o imóvel 
fique subutilizado, o município terá o direito de desapropriar por um preço-
-base a partir do cálculo do IPTU que se utilizará de títulos da dívida pública 
para fins de pagamento.
As áreas que possuem carência nas questões de infraestrutura, ou imóveis 
não utilizados, poderão atuar por uma iniciativa privada e juntamente com o 
poder público, o chamado consórcio imobiliário. Se o proprietário do imóvel 
não tiver condições financeiras para construir, é possível recorrer ao poder pú-
blico da sua cidade, requerendo o auxílio desse mecanismo. Assim, o imóvel 
será construído pelo poder público, que repassará as unidades edificadas, que 
são equivalentes ao valor da propriedade, ao dono do terreno. 
Todos esses instrumentos objetivam o cumprimento da função social da 
propriedade, de forma a evitar que existam terrenos vazios ou ociosos, e até 
mesmo que sejam construídos em locais inapropriados.
A outorga onerosa do direito de construir, assim como o direito de superfí-
cie, pretende a separação da propriedade dos terrenos da área urbana. Após a 
realização, haverá maior viabilidade de o poder público trabalhar com os mer-
cados imobiliários.
É importante ressaltar que, considerando esses instrumentos, o dono do 
terreno não poderá ocupar da maneira como achar conveniente (Quadro 2).
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QUADRO 2. FÓRMULA PARA CÁLCULO DE OUTORGA ONEROSA
Fonte: Prefeitura da cidade de São Paulo. Acesso em: 29/09/2020
FÓRMULA PARA CÁLCULO DE OUTORGA ONEROSA
A contrapartida financeira (C) à outorga onerosa de potencial adicional é 
definida a partir de uma fórmula. Entenda cada um dos fatores da nova fórmula:
C = (At / Ac) x V x Fs x Fp
A divisão da Área de terreno (At) em 
m², pela Área construída computável 
total pretendida no empreendimento 
(Ac), em m², permite que o cálculo 
da contrapartida financeira possua 
um fator de proporcionalidade à área 
construída. 
Estimula o aproveitamento máximo 
do terreno: quanto mais se constrói, 
mais barato se torna o custo do m² 
de outorga onerosa.
C = (At / Ac) x V x Fs x Fp
O Valor do m² do terreno (V) refere-se 
ao valor dado pelo Cadastro de Valor de 
Terrenos para fins de Outorga Onerosa, 
divulgado pela Secretaria Municipal de 
Desenvolvimento Urbano. 
O valor do m² do terreno para 
fins de outorga onerosa é, 
em média, aproximadamente 
80% do valor de mercado.
Área do terreno Área construída 
computável total do 
empreendimento
C = (At / Ac) x V x Fs x Fp
O Fator de Planejamento (Fp) é uma variável 
utilizada para dar pesos diferenciados de 
acordo com os objetivos estratégicos das 
Macroáreas. Tem como objetivo incentivar 
o equilíbrio na distribuição de moradia e 
emprego na cidade.
Usos residenciais Usos não residenciais
1.2
1.3
0.5
0
N/ANão aplicável (N/A)
1.0
0.7
0.6
0.3
C = (At / Ac) x V x Fs x Fp
O Fator de Interesse Social (Fs) é 
uma variável utilizada para dar 
pesos diferenciados de acordo com 
as tipologias construtivas e os usos 
das edificações. 
Uso residencial
Habitação de Interesse 
Social – HIS Fs = 0,0
Fs = 0,4
Fs = 0,6
Fs = 0,8
Fs = 0,9
Fs = 1,0
Fs = 0,0
Fs = 0,3
Fs = 0,7
Fs = 1,0
Habitação de Mercado 
Popular – HIMP até 50 m²
Habitação de Mercado Popular 
– HIMP de 51 m² até 70 m²
Habitação – com 
área até 50 m²
Habitação – com área 
de 51 m² a 70 m²
Habitação – com área 
maior que 70 m²
Entidades mantenedoras 
sem fins lucrativos
Outras entidades 
mantenedoras
Outras atividades
Uso não residencial
Uso institucional
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Figura 5. Tranferência do direito de construir. Fonte: SABOYA, 2008.
a existência, por exemplo, de um imóvel tombado pelo patrimônio histórico e o 
dono da propriedade não tem o direito de fazer nenhuma modificação, devendo 
preservar as características originais em sua totalidade. A transferência do direi-
to de construir estabele uma permissão que é ofertada ao dono do imóvel para 
que ele possa vender todo o potencial construtivo para outrem (Figura 5).
As operações urbanas consorciadas consistem em apontamentos interven-
cionais, que são realizados sob o direcionamento dos responsáveis do poder 
público, estando presentes empresas particulares e prestadoras dos serviços, 
com o intuito de melhorar o ambiente urbano e valorizar o meio ambiente. Seu 
principal objetivo é a realização das intervenções em maiores dimensões, em 
que estejam presentes o poder público e o privado.
Por meio desse instrumento, o poder público seleciona uma área e, então, 
pode elaborar um plano de ocupação, devendo constar diretrizes de imple-
mentação de infraestrutura, distribuição de usos, as densidades possíveis para 
determinada área, assim como itens relacionados à acessibilidade. Pode-se en-
tender que é um plano com tratamento local podendo ser trabalhados elemen-
tos que são difícieis de tratar nos demais planos.
Transferência do direito de construir
Área 1 Área 2
A definição daquilo que pode ou não ser construído é garantido pelo direito 
de superifície, que define também os limites de construções tanto nos espaços 
aéreos quanto subterrâneos. Nos casos em que o poder público quer preservar 
os imóveis, se aplica o instrumento de transferência do direito de construir. É 
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As operações urbanas apresentam grandes características para a qualifi-
cação espacial das cidades, de forma a garantir o trabalho arquitetônico dos 
espaços. Apenas o Plano Diretor e o zoneamento não são suficientes para esse 
trabalho, que exige um certo nível de detalhamento.
O direito de preempção é a preferência na compra dos imóveis, que é pas-
sada para o poder público no momento da venda, e todas as áreas onde inci-
dem esse direito deverão ser predefinidas por parte da legislação municipal 
para fins de regularização fundiária, realização de alguns programas sociais 
projetos que possuam interesse social, desenvolvimento de espaços públicos 
para lazer com área verde, entre outros.
Esse instrumento busca propiciar uma maior facilitação na aquisição de imó-
veis ao poder público, nas áreas que tenham interesse, de forma que seja pos-
sível concretizar os projetos. No caso de existir terceiros que se interessem em 
comprar o imovel, o dono deverá comunicar a intenção de alienar onerosamente 
o imóvel ao órgão responsável da prefeitura no período de 30 dias, contando a 
partir do momento de firmado o contrato preliminar.Terminado o prazo para a 
manisfetação junto à prefeitura, será facultado ao dono do imóvel alienar onero-
samente o imóvel ao interessado conforme o contrato preestabeleceu, lembran-
do que a prefeitura pode exercer seu direito de preferência (Quadro 3).
QUADRO 3. DIREITO DE PREEMPÇÃO
Fonte: Prefeitura da cidade de São Paulo. Acesso em: 29/09/2020. 
A Prefeitura terá preferência de aquisição dos imóveis 
marcados como sujeitos ao direito de preempção, para 
possuir área necessária para cumprir os objetivos e im-
plantar as ações prioritárias do Plano Diretor. 
Preferência
para adquirir
Prefeitura Imóveis sujeitos ao
direito de preempção
Direito de preempção
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DIAGRAMA 3. CAMINHOS DA LEI DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
PARA UM TRANSPORTE DE QUALIDADE
Orientar os eixos de 
comércio
 e serviços 
nos bairro
s
Estabelecer as 
relações funcionais 
entre as vias
Articula o sistema de 
transporte às áreas com 
a oferta de Habitação 
de Interesse Social
Equilibrar os fl u
xos 
de veículos se
gundo 
a capacidade da via
Otimizar 
o uso e 
ocupação 
das zonas
Estimular 
o uso do 
transporte 
público
Qualidade do 
transporte
Esquemas representando os caminhos da 
LUOS para um transporte de qualidade
Fonte: Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. Acesso em: 29/09/2020.
Como a Lei de Uso e Ocupação do Solo pode
beneficiar a cidade?
A Lei de Uso e Ocupação do Solo pode garantir muitos benefícios e um deles 
é a melhoria do transporte municipal. Essa lei orienta as demais legislações 
para desenvolverem condições que disponibilizam um melhor deslocamento 
na cidade (Diagrama 3). O sistema viário tem se tornado um grande aglomera-
do composto por vias e outros equipamentos que possibilitam o trânsito dos 
veículos e dos pedestres. 
Os sistemas de transportes buscam estruturar a cidade, assim como todo o 
seu funcionamento, podendo proporcionar uma melhor circulação de veículos, 
pedestres, ciclistas, portanto, indispensável para a economia do município.
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Vejamos os pontos mais importantes da Lei de Uso e Ocupação do Solo:
• Atualização e padronização de termos e conceitos, de forma a facilitar a 
aplicação da lei;
• Escolha das melhores estratégias para manter a paisagem natural;
• Definição dos princípios e criação de novos para o uso nas macrozonas;
• Manter uma padronização de todo o zoneamento e dos conceitos das di-
retrizes dos terrenos;
• Definição de centros de comércio e serviços, que são vistos como impor-
tantes, partindo de critérios de facilidade de acesso de transportes que ve-
nham a gerar mais empregos e também arrecadação de impostos;
• Poderá definir novos grupamentos e estabeler medidas para uso das cal-
çadas públicas.
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Sintetizando
O desenvolvimento do Plano Diretor deve ter a participação de toda a so-
ciedade. A Secretaria de Planejamento e de Obras do município detém a res-
ponsabilidade de coordenar a elaboração do Plano Diretor, mas não exime a 
participação dos demais órgãos do município. 
A realização da leitura técnica é imprescindível, pois através dela é possível 
realizar os apontamentos mais importantes acerca das necessidades da cida-
de, tais como questões de crescimento, problemas e soluções. Já a leitura co-
munitária contribui para que o perfil da cidade não seja contemplado apenas 
pelos problemas, mas também dispondo de suas potencialidades.
Por fim, aprendemos que os instrumentos da política urbana são essenciais 
para que a comunidade alcance uma ocupação ordenada e promova o melhor 
uso do solo. Todos os instrumentos indicam a ocupação de áreas ideais para 
determinada edificação, evitando as áreas que não apresentam a infraestrutu-
ra adequada.
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Referências bibliográficas
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- Cartilha. Lei de Uso e Ocupação do Solo – LUOS. Secretaria Municipal de 
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Acesso em: 29 set. 2020.
PREFEITURA DA CIDADE DE SÃO JOSÉ. Versão preliminar do Plano Diretor. 
São José, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 28 set. 2020. 
PREFEITURA DA CIDADE DE SÃO PAULO. Lei n. 16.050, de 31 de julho de 2014. 
Aprova a Política de Desenvolvimento Urbano e o Plano Diretor Estratégico do 
município de São Paulo e revoga a Lei n. 13.430/2002. Diário Oficial do Estado 
de São Paulo, Porder Executivo, São Paulo, SP, ano 59, n. 140, p. 1-352, 1 ago. 
2014. Disponível em: . Acesso em: 29 set. 2020.
PREFEITURA DA CIDADE DE SÃO PAULO. Texto da Lei ilustrado. São Paulo, 
[s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 29 set. 2020.
PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES. Lei Orgânica. Dis-
põe sobre a revisão e consolidação da lei orgânica do município de campos dos 
goytacazes/rj. Diário Oficial do Município, Campos dos Goytacazes, RJ, Poder 
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Executivo, 26 ago. 2014. Disponível em: . Acesso em: 06 out. 2020.
PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE JUIZ DE FORA. Plano Diretor – O que é o Plano 
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REZENDE, D. A.; ULTRAMARI, C. Plano Diretor e planejamento estratégico mu-
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SABOYA, R. Transferência do Direito de Construir. Urbanidades. [s.l.], 29 jun. 
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LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 64
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LEGISLAÇÕES 
AMBIENTAIS 
ESPECÍFICAS 
E NOÇÕES DE 
SUSTENTABILIDADE 
URBANA
3
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Entender sobre a legislação ambiental e sua função;
 Verificar a importância da legislação ambiental;
 Apresentar de que forma a legislaçãoambiental contribui para a prevenção 
dos problemas ambientais;
 Compreender questões sobre sustentabilidade urbana.
 Legislações ambientais espe-
cíficas
 Lei nº 6.938/1981: dispõe sobre a 
Política Nacional do Meio Ambiente
 Lei nº 9.605/1998: Lei dos Crimes 
Ambientais 
 Lei nº 12.305/2010: institui a Polí-
tica Nacional de Resíduos Sólidos
 Noções de sustentabilidade 
urbana
 Entendendo a sustentabilidade 
e a cidade 
 Objetivos de Desenvolvimento 
Sustentável e da sustentabilidade 
urbana
 Cidades sustentáveis
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Legislações ambientais específicas
Os diversos problemas que acometem o meio ambiente – em sua maioria 
– são ocasionados por fatores naturais ou pela ação do homem. Os proble-
mas causados a partir de fatores naturais, muitas das vezes, não podem ser 
medidos para saber quando acontecerão, bem como são mais difíceis de con-
trolá-los; contudo, quando são ocasionados pela ação humana, graças a toda 
tecnologia existente, é possível que estes sejam evitados. Nesta unidade de 
aprendizagem, você aprenderá sobre a importância da legislação ambiental e 
de que forma poderá utilizar essas leis para o combate desses problemas, além 
de ter uma noção das questões da sustentabilidade urbana.
Figura 1. Queimadas nas fl orestas. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 12/11/2020. 
A legislação ambiental brasileira – sendo uma das mais avançadas e com-
pletas do mundo – foi criada para fi ns de proteção ao meio ambiente e para 
minimizar as consequências das ações feitas, e devem cumprir essas leis tanto 
pessoas físicas como jurídicas.
Todas as leis ambientais abordam como precisa ser feita cada ação, estabe-
lecendo normas; por isso, esses itens devem ser estudados e bem entendidos. 
Para vencer os problemas ambientais, é preciso que os indivíduos criem mais 
responsabilidades sobre seus atos para não degradar o meio ambiente e com-
prometer a população.
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A Constituição Federal – art. 225 – (BRASIL, 2008) diz que todos possuem direi-
to a viver em um ambiente que seja ecologicamente equilibrado e onde possam 
ter qualidade de vida, cabendo ao Poder Público e à coletividade o dever de pre-
servar para as gerações atuais e futuras; além disso, descreve que, para assegurar 
a efetividade desse direito, compete ao Poder Público:
[...] I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e 
prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II – pre-
servar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País 
e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de 
material genético; III – definir, em todas as unidades da Federação, 
espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente 
protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente 
através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a inte-
gridade dos atributos que justifiquem sua proteção; IV – exigir, na 
forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente 
causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo 
prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; V – con-
trolar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, mé-
todos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade 
de vida e o meio ambiente; VI – promover a educação ambiental em 
todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preser-
vação do meio ambiente; VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, 
na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função eco-
lógica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais 
a crueldade (BRASIL, 2008, p. 13). 
Ainda de acordo com a Constituição Federal, a pessoa que usar dos recursos 
minerais terá que recuperar o meio ambiente degradado, conforme a imposição 
técnica que for solicitada pelo órgão público responsável. As atitudes que forem 
consideradas invasivas ao meio ambiente estarão sujeitas a punições adminis-
trativas. 
A floresta amazônica e as demais áreas verdes de grande importância – como a 
Mata Atlântica, Serra do Mar, Pantanal Mato-Grossense e Zona Costeira – são con-
sideradas grandes patrimônios nacionais e, para fazer a utilização destas, deve-se 
seguir os parâmetros da lei que assegura sobre a preservação do meio ambiente.
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Lei nº 6.938/1981: dispõe sobre a Política Nacional do 
Meio Ambiente
Essa lei vem constituir o Sistema Nacional do Meio Ambiente e também 
institui o cadastro de defesa ambiental. A Política Nacional do Meio Ambiente 
objetiva a preservação e a recuperação da qualidade do ambiente, de modo 
a proporcionar melhores condições para a vida social e econômica do País, 
além de garantir segurança e proteção à vida humana, seguindo os seguintes 
princípios: 
I – Ações do governo para manter o equilíbrio ecológico;
II – Racionalizar o uso do solo, subsolo, água e ar;
III – Planejar e fi scalizar a forma como está sendo feito o uso dos recursos 
ambientais;
IV – Proteger todos os ecossistemas;
V – Controle de atividades poluidoras;
VI – Incentivo a pesquisas que levem ao uso consciente dos recusos am-
bientais;
VII – Monitorar de toda qualidade ambiental;
VIII – Recuperar ambientes que sofreram danos ambientais;
IX – Proteção das áreas que mais estão sofrendo por degradações ambien-
tais;
X – Incluir a educação ambiental em todos os níveis do ensino para que a 
comunidade acadêmica possa agir de forma participativa na defesa do meio 
ambiente.
É importante que você entenda o que signifi ca meio ambiente para conse-
guir compreender os demais parâmetros que regem essa lei. Meio ambiente 
vem a ser um conjunto de diretrizes, leis e interações, sendo de ordens física, 
química e biológica, que direcionam a vida em todas as suas formas.
A Política Nacional do Meio Ambiente tem em vista compatibilizar o de-
senvovlimento econômico e social em questões que envolvem a preservação 
do meio ambiente e também o equilíbrio ecológico; estabelecer medidas da 
qualidade ambiental para o uso dos recursos ambientais; propagação de tec-
nologias de uso ambiental; e a formação de indivíduos conscientes da neces-
sidade de preservação etc.
LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 69
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Dentre os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, estão:
I – Criação de padrões para ter qualidade ambiental; o zoneamento ambiental; 
II – Questões que envolvem a avaliação de impactos ambientais; licenciamento 
e revisão de atividades que possam poluir;
III – Incentivos à tecnologia voltados para a melhoria da qualidade ambiental; 
IV – Criação de espaços que sejam protegidos pelo Poder Público Federal, Es-
tadual ou Municipal, como a Área de Proteção Ambiental (APA), Área de Relevante 
Interesse Ecológico (ARIE) e Reservas Extrativistas (RESEX);
V – Sistema Nacional de Informação sobre Meio Ambiente (Sinima); 
VI – Realização do cadastro técnico federal para atividades e instrumentos de 
defesa ambiental; 
VII – Penalidades pelo não cumprimento das diretrizes necessárias para que 
seja feita a preservação ou acerto do que foi degradado; 
VIII – Utilização do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente 
(RQMA); 
IX – Manter a garantia de prestação de dados a res-
peito do meio ambiente; 
X – Realização do cadastro técnico federal de ativi-
dades com grande potencial poluidor.
Lei nº 9.605/1998: Lei dos Crimes Ambientais 
A Lei nº 9.605/1998 dispõe sobre questões penais a partir de ações que possam 
agredir o meio ambiente. Consideram-se crimes contra a fauna as seguintes ações:
[...] Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da 
fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida per-
missão, licença ou autorizaçãoda autoridade competente, ou em 
desacordo com a obtida: pena – detenção de seis meses a um ano, 
e multa (BRASIL, 2008, p. 240).
Consideram-se crimes contra a fl ora as seguintes ações:
[...] Destruir ou danifi car fl oresta considerada de preservação per-
manente, mesmo que em formação, ou utilizá-la com infringência 
das normas de proteção: pena – detenção, de um a três anos, ou 
multa, ou ambas as penas cumulativamente (BRASIL, 2008, p. 242).
OBJETOS DE 
APRENDIZAGEM
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LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 70
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Muitas empresas que geram emissões atmosféricas não deveriam funcio-
nar da forma como estão, porque encontram-se degradando (aos poucos) o meio 
ambiente. Dados da legislação federal, por exemplo, informam que existe uma 
quantidade específica de componentes que pode ser liberada para a atmosfera. 
Sendo assim, se as empresas emitirem dentro do estabelecido, não será conside-
rado crime ambiental.
Figura 2. Indústrias com grande potencial poluidor lançando toneladas de poluentes. Fonte: Shutterstock. 
Acesso em: 12/10/2020. 
São denominados crimes ambientais todas as formas de agressão ao meio 
ambiente, como: fauna, flora, recursos naturais, assim como o patrimônio cultural; 
e até ações que vão contra as normas ambientais estabelecidas, mesmo que não 
venham a degradar o meio ambiente.
EXPLICANDO
A emissão atmosférica ocorre a partir do aumento do gás carbônico que oca-
siona o efeito estufa, contribuindo negativamente para que haja o aquecimen-
to global, por meio das partículas em suspensão pelo ar que são provenientes 
de fontes diversas, como restos orgânicos de queimadas, fuligem de combus-
tíveis fósseis, grãos de pólen etc. Também contribuem para a poluição atmos-
férica gases como os de monóxido de carbono, dióxido de enxofre, ozônio e 
metano. É comprovado que se houver grande quantidade de poluentes, estes 
podem provocar fortes alterações na composição química, sendo a causa de 
muitos problemas respiratórios nos ambientes urbanos.
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Fontes de poluição atmosférica
Os motores a explosão dos veículos automotores são uma das fontes mais co-
muns de poluição atmosférica que liberam para o ambiente os gases CO2, CO e a 
fuligem.
Figura 3. Motores a explosão. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 12/10/2020. 
Muitas pessoas que sofreram asfixia, por exemplo, pode ter sido por conta 
da inalação de monóxido de carbono, que passou pelo sistema respiratório 
e, depois, pela corrente sanguínea, impedindo o transporte de oxigênio pelas 
células do corpo.
Outro poluente proibido – na maioria dos países – liberado pela queima de 
combustíveis fósseis é o chumbo, que é produzido com a queima da gasolina 
aditivada.
As indústrias siderúrgicas e as queimadas das florestas são grandes fon-
tes de poluição. Quando as indústrias utilizam o carvão mineral como fonte 
geradora de energia elas acabam liberando sérios produtos tóxicos para toda 
a atmosfera, como o dióxido de enxofre e o dióxido de nitrogênio, o que pode 
afetar e agravar problemas no sistema respiratório, levando a casos de bron-
quite e asma. Ressalte-se que todos esses gases afetam o meio ambiente de 
alguma forma.
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Formas de reduzir a poluição do ambiente
Nos dias de hoje, a maior parte das indústrias já dispõe de instalações de 
filtragem e de tratamento dos gases e também de vapores expelidos. Além 
disso, é realizado o controle a partir das tecnologias, de forma a garantir a 
qualidade do ar.
Um programa para prevenir a poluição industrial é direcionado a vários 
tipos de resíduos e caracteriza uma revisão bem ampla das ações em uma 
empresa, com o intuito de reduzir os resíduos que são produzidos (KIPERS-
TOK e colaboradores, 2002).
Quando a empresa se propõe a implementar um programa de prevenção 
da poluição, esta deverá se preocupar com a eficácia do programa, necessi-
tando satisfazer alguns itens (Quadro 1). 
Comprometimento com a proteção do funcionário;
Contribuir para a redução dos custos operacionais;
Ajudar a empresa a melhorar sua imagem;
Contribuir para a redução de riscos de responsabilidade criminosa;
Comprometimento e zelo pela saúde pública;
Comprometimento com o meio ambiente.
QUADRO 1. PONTOS QUE DEVERÃO CONSTAR NO PROGRAMA DE 
PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO
A prevenção da poluição tem como principal objetivo a não geração de 
poluentes e está ligada ao uso de matérias-primas durante todo o processo 
produtivo. Essa definição está relacionada ao termo produção limpa, que va-
loriza a utilização de técnicas que pretendam o menor consumo dos recursos 
naturais, assim como a diminuição dos resíduos e dos impactos ambientais. 
Essa produção limpa também está conectada àquilo que envolve os va-
lores e os comportamentos de agentes econômicos e sociais. As empresas 
que aderirem a produção limpa se mostrarão mais transparentes e possuirão 
maior abertura das informações, realizando a publicação de relatórios que 
buscam favorecer e contribuir para a melhoria dos níveis ambientais.
LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 73
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Lei nº 12.305/2010: institui a Política Nacional de 
Resíduos Sólidos
A lei nº 12.305, de 2010, institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos e 
aborda sobre os princípios, objetivos e instrumentos, bem como as questões 
que tratam da gestão integrada e do gerenciamento dos resíduos sólidos. A lei 
explana, também, sobre o que é de responsabilidade de quem está gerando os 
resíduos e dita acerca dos instrumentos econômicos aplicáveis.
Fazem parte da Política Nacional de Resíduos Sólidos os seguintes prin-
cípios: 
I – a prevenção e a precaução;
II – o poluidor pagador e o protetor-recebedor;
III – a visão sistêmica, na gestão dos resíduos sólidos, que conside-
re as variáveis ambiental, social, cultural, econômica, tecnológica 
Energia poluente
Fontes fi nitas
Energia limpa
Fontes renováveis
Figura 4. Produção de eletricidade limpa e poluente. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 14/10/2020. 
ASSISTA
Conceitos e defi nições de uma produção limpa dentro de 
uma indústria; para saber mais acerca do assunto, o vídeo 
Aula 1 - Produção Limpa - Conceitos e Defi nições traz infor-
mes para que a população possa conhecer a importância de 
se trabalhar com essa visão, buscando a redução do uso de 
recursos naturais, redução da geração de resíduos, além de 
ajudar a diminuir a poluição do ar, da água e do solo. 
OBJETOS DE 
APRENDIZAGEM
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SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 74 26/11/2020 14:06:16
e de saúde pública;
IV – o desenvolvimento sustentável;
V – a ecoeficiência, mediante a compatibilização entre o forne-
cimento, a preços competitivos, de bens e serviços qualificados 
que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de 
vida e a redução do impacto ambiental e do consumo de recur-
sos naturais a um nível, no mínimo, equivalente à capacidade de 
sustentação estimada do planeta;
VI – a cooperação entre as diferentes esferas do poder público, o 
setor empresarial e demais segmentos da sociedade;
VII – a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos 
produtos;
VIII – o reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável 
como um bem econômico e de valor social, gerador de trabalho 
e renda e promotor de cidadania;
IX – o respeito às diversidades locais e regionais;
X – o direito da sociedade à informação e ao controle social;
XI – a razoabilidade e a proporcionalidade(BRASIL, 2010, n.p.).
A Política Nacional de Resíduos Sólidos possui tais objetivos: proteger a saú-
de pública e a qualidade do ambiente; não gerar, reduzir, reutilizar, reciclar e 
fazer o tratamento dos resíduos sólidos; estimular ideias sus-tentáveis para produção e consumo; adesão de tecnologias 
limpas, a fim de minimizar os impactos do ambiente; direcio-
nar para que a indústria realize a reciclagem etc.
Os instrumentos dessa política podem ser classificados em: 
I – planos de resíduos sólidos;
II – os inventários e o sistema declaratório anual de resíduos só-
lidos;
III – a coleta seletiva, os sistemas de logística reversa e outras 
ferramentas relacionadas à implementação da responsabilidade 
compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;
IV – o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas 
ou de outras formas de associação de catadores de materiais 
reutilizáveis e recicláveis;
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V – o monitoramento e a fiscalização ambiental, sanitária e agro-
pecuária;
VI – a cooperação técnica e financeira entre os setores público 
e privado para o desenvolvimento de pesquisas de novos pro-
dutos, métodos, processos e tecnologias de gestão, reciclagem, 
reutilização, tratamento de resíduos e deposição final ambien-
talmente adequada de rejeitos(BRASIL, 2010, n.p.). 
Existem muitos outros instrumentos, mas foram relacionados alguns para 
fins de estudo.
Importância da criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos
A partir da Constituição Federal de 1988, o município passou a ter mais 
autonomia para lidar com assuntos de interesse local. O Ministério do Meio 
Ambiente, em 2004, elaborou uma proposta para o desenvolvimento de dire-
trizes que fossem direcionadas aos resíduos sólidos em todo o País, de forma a 
instituir uma Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Mesmo sabendo que há normas que trabalham sobre a questão dos resí-
duos sólidos, por meio das resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente 
(CONAMA), por exemplo, ainda está decadente no País um instrumento que 
fosse legal e contivesse as diretrizes aplicáveis aos resíduos sólidos, de forma a 
guiar os municípios para a gestão correta desses resíduos.
Figura 5. Resíduos sólidos gerados pela população. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 12/11/2020. 
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Noções de sustentabilidade urbana
A noção de sustentabilidade urbana remete ao espaço urbano. O desen-
volvimento sustentável desencadeou vários aspectos da governança urbana, 
desde a gestão de riscos e incertezas, até o aumento da “resiliência” e adapta-
bilidade das estruturas urbanas. O desenvolvimento urbano sustentável sig-
nifi caria a sua distribuição em duas áreas: de um lado, aquela que privilegia 
a representação técnica das cidades ao articular o conceito de desenvolvi-
mento sustentável como forma de gestão dos fl uxos de energia e materiais 
relacionados ao desenvolvimento urbano; por outro lado, aquela que defi ne 
o caráter insustentável das cidades causado pelo declínio da produtividade 
dos investimentos urbanos.
CURIOSIDADE
O Ministério do Meio Ambiente lançou em setembro de 2020 o sistema 
digital para parques urbanos; a inserção do aplicativo foi um grande marco 
para a criação do programa Cidades+Verdes. Esse programa é direcionado 
à gestão, ampliação, manutenção e também para recuperar as áreas verdes 
nas cidades. No dia em que foi lançado, esse programa já efetuou algo bem 
concreto: o Cadastro Ambiental Urbano (CAU). Tal cadastro é totalmente 
digital e o CAU vem a ser um aplicativo que possui uma fi cha bem detalhada 
de cada área verde que está cadastrada, e são os usuários que avaliarão.
Em suma, essa nova Lei nº 12.305/2010 colabora com a organização e a for-
ma pela qual nosso País trata o lixo. Tal lei solicita que as empresas, sendo pú-
blicas ou privadas, busquem manter transparência em relação à manipulação 
dos resíduos, a fi m de garantir um controle preciso do que está indo para o 
ambiente. É importante que o percentual que for para o ambiente esteja den-
tro do que é permitido de modo a não agredir os indivíduos e o meio ambiente. 
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28
ícones 
Ecologia
Proteção
ambiental
Pense
verde
Transporte
ecológico 
Reuse,
reduza e recicle 
Efeito
estufa 
Conservação
da natureza
Veículo
elétrico 
Coleta
seletiva
Água
doce
Natureza
pura
Zero
emissões 
Sacolas
reutilizáveis 
Estilo de vida 
saudável 
Ecologia
Tecnologia 
ambiental 
Energia
renovável 
Terra
Ecossistema
Cidade
verde 
Energia
solar 
Mudanças 
climáticas 
Proteção 
ambiental
Casa de baixo
impacto ambiental
Energia
eólica 
Aquecimento
global 
Desenvolvimento
sustentável 
Ecologia
industrial
Biocombústivel 
Poluição 
Figura 6. 28 formas de ser sustentável. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 12/11/2020. 
A sustentabilidade urbana atua com a ideia de que as cidades precisam 
ser trabalhadas por meio de um sistema integrado. Por exemplo: o trans-
porte deve ser compreendido junto à política de uso da terra, levando em 
consideração os dados ambientais. Em algumas partes do mundo, esse con-
ceito foi aplicado com grande efeito; não se aplica para o Brasil. Pensando no 
elemento econômico, muitas cidades brasileiras estão acabando com parte 
do meio ambiente; a cada dia, o ambiente é poluído e árvores são cortadas, 
bem como o défi cit de infraestrutura municipal no País aumenta progressi-
vamente. A população inerte é a que sofre, porque as políticas de integração 
não alcançaram sua efi cácia necessária.
Uma grande difi culdade encontrada nos dias 
de hoje, em relação à sustentabilidade urba-
na, é fazer com que as pessoas entendam 
que esse é um ponto extremamente impor-
tante, ou seja, é preciso que as instituições 
de ensino criem estratégias para inserir esse 
tema durante as aulas a fi m de desenvolver indi-
víduos críticos e que percebam o signifi cado e a importância 
de preservar o meio ambiente.
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Entendendo a sustentabilidade e a cidade 
Hoje já existe uma literatura bastante ampla que busca transmitir a defi ni-
ção de sustentabilidade, contudo, ressalte-se que sustentabilidade e desen-
volvimento sustentável são coisas diferentes e não devem ser tratadas como 
uma única coisa, nem que estão relacionadas apenas a questões de ambiente. 
Os problemas do planeta afetam todas as classes sociais, abrangendo desde a 
poluição do ar, aquecimento global, ecossistemas desestruturados etc.
O desenvolvimento urbano sustentável vem de reformulações políticas e 
com a ajuda de várias pessoas envolvidas na produção do espaço urbano que 
procuram legitimar suas perspectivas demonstrando o cumprimento dos ob-
jetivos de sustentabilidade de acordo com os princípios da Agenda 21, decor-
rentes da Conferência das Nações Unidas sobre o desenvolvimento e o meio 
ambiente. Ao mesmo tempo, quando vemos que o processo está caminhando 
sobre as políticas urbanas, também estamos assistindo à crescente participa-
ção do discurso da comunidade no tratamento de questões urbanas, seja por 
iniciativa de indivíduos sociais da cidade que inserem a temática referente ao 
meio ambiente, enfatizando a alta concentração populacional nas metrópoles, 
seja pela trajetória crescente de urbanização do portfólio ambiental.
Figura 7. Cidade verde e sustentável por meio da Agenda 21. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 27/10/2020. 
A elaboração da Agenda 21 para o País surgiu da necessidade da constru-
ção de instrumentos de planejamento a fi m de conseguir chegar ao desenvol-
vimento sustentável. A Agenda 21 possui vários desafi os que se inserem nas 
questões do planejamento, sendo direcionado à ação de forma compartilhada 
e buscando propostas que objetivam a elaboração de um entendimento de 
futuro entre os diferentes indivíduos envolvidos.
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De início, precisaser criado um grupo de trabalho, em que deverão ter re-
presentantes tanto da sociedade como do governo; no caso de município, po-
derão fazer parte instituição de ensino, ONG etc. Após o grupo formado, este 
terá certas atribuições como a mobilização e a disseminação do que rege a 
Agenda 21, além da elaboração de uma estrutura para consulta à população 
dos problemas existentes e suas soluções cabíveis, podendo também, a inser-
ção de ações sustentáveis que seriam urgentes.
Os objetivos da Agenda 21 só serão alcançados se houver uma intensa par-
ticipação da comunidade durante o processo de discussão dos temas. Precisa 
haver sensibilização, capacitação e institucionalização dos processos inclusos 
na Agenda 21. Cada um terá o seu papel, e o comprometimento individual é 
fundamental para o sucesso.
A cidade sustentável se refere àquela que busca minimizar o consumo de 
energia fóssil, pois o seu uso está relacionado a problemas ambientais e tam-
bém de outros tipos de recursos, buscando explorar bastante o que existe no 
local de forma a satisfazer os itens de conservação e de contribuir para a redu-
ção dos rejeitos. 
Analisando a cidade como um “sistema termodinâmico”, sendo este aber-
to, é possível identificar no urbano o locus exclusivo da produção. Partindo da 
interpretação da cidade como o lugar por excelência da perda da capacidade 
de converter energia em trabalho, ficaria a cargo do planejamento urbano 
reduzir a perda energética e também de retardar o caminho que é irreversível 
(ACSELRAD, 1999).
Figura 8. Exemplo de combustível fóssil: carvão mineral. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 26/10/2020. 
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Essa representação das cidades indica para o surgimento de alguns mode-
los técnicos da cidade, fundada na racionalidade econômica. 
Para reduzir o impacto das práticas urbanas, portanto, é ne-
cessário adotar tecnologias que economizem espaço, ma-
téria e energia e que objetivem a reciclagem de materiais. 
Tal ideia é para atingir o alcance do uso racional da economia.
EXPLICANDO
A Agenda 21 pode ser explicada como sendo um instrumento do plane-
jamento a fi m de propagar a construção de cidades sustentáveis, nos 
diferentes espaços geográfi cos, de forma a conciliar as questões que 
envolvem a proteção ao meio ambiente, justiça social e também efi ciência 
econômica. O eixo central da Agenda é a sustentabilidade e envolver a 
sociedade civil e o governo de maneira participativa para tratar dos pro-
blemas ambientais, sociais e econômicos de determinado lugar.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e da 
sustentabilidade urbana
Existem 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) surgidos em 
uma Conferência das Nações Unidas, tendo como tema o desenvolvimento sus-
tentável, ocorrida no ano de 2012 no Rio de Janeiro. O desígnio da conferência 
foi criar vários objetivos que atendessem aos grandes problemas ambientais, 
políticos e econômicos. Na Figura 9, é possível observar tais objetivos elencados. 
Objetivos de 
Desenvolvimento 
Sustentável
Erradicação da 
pobreza
Energia limpa e 
acessível 
Ação contra a 
mudança global do 
clima
Água limpa e 
saneamento
Consumo e 
produção 
responsáveis
Fome zero e 
agricultura 
sustentável
Trabalho decente e 
crescimento 
econômico
Vida na água
Saúde e 
bem-estar
Inovação 
infraestrutura
Vida terrestre 
Educação de 
qualidade
Redução das 
desigualdades
Paz, justiça e 
instituições efi cazes
Igualdade de 
gênero
Cidades e 
comunidades 
sustentáveis
Parcerias e meios 
de implementação
Figura 9. 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Fonte: Shutterstock. Acesso em: 27/10/2020. 
OBJETOS DE 
APRENDIZAGEM
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Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável buscam proporcionar quali-
dade de vida melhor para todos os habitantes, agindo de forma sustentável em 
suas ações – e todos esses atos serão refletidos nas gerações presentes e futu-
ras. Ressalte-se que, para o cumprimento desses objetivos, faz-se necessária a 
parceria dos governos, empresas privadas, sociedade, a ponto de garantir que 
– juntos – transformaremos o planeta.
A noção de sustentabilidade urbana remete a valores que estão associados 
aos discursos e aos argumentos que precisam ser compreendidos na íntegra. 
Toda discussão acerca da sustentabilidade urbana vem sendo trabalhada ao re-
dor do mundo. A criação das cidades aconteceu por volta de 6000 a.C.; ao longo 
dos anos, com o crescimento da produção agrícola e com o desenvolvimento 
de novas ferramentas, o comércio das cidades começou a crescer, aumentando 
cada vez mais o número de pessoas na área urbana.
Assim, a sustentabilidade passa a ser inserida no equilíbrio do que rege a 
Triple Bottom Line. A junção desses itens proporciona ao campo científico a de-
finição do que realmente precisa ser averiguado para atingir o equilíbrio do tripé 
(SOUZA, 2016).
Pessoas Planeta Lucro
Figura 10. Triple Bottom Line. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 27/10/2020. 
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Para exemplificar o conceito de Triple Bottom Line, seguem as definições:
• People (pessoas): os colaboradores de uma empresa são as pessoas mais 
importantes da empresa. É fundamental que os donos de corporações zelem 
por seus funcionários, cuidando e oferencendo infraestruturas adequadas para 
o melhor desempenho. Uma empresa sustentável tem como pilar principal “o 
tratamento que sua equipe recebe” e isso envolve respeito ao funcionário e 
atendimento das normas trabalhistas;
• Planet (planeta): está relacionada aos danos que os serviços de determina-
das empresas transferem ao meio ambiente e direciona para as medidas que 
deverão ser providenciadas para evitar tais danos ao meio ambiente;
• Profit (lucro): quando a empresa atua pensando nas melhores medidas a 
serem tomadas para seus colaboradores e para o planeta, no fim do mês, ela 
terá resultados positivos. No início, os gestores tinham dificuldades para enten-
der como que um gasto poderia aumentar o lucro da empresa. A questão é: 
quando a empresa investe de forma sustentável, abarcando todos esses valores, 
em consequência, ela aumentará a sua produtividade e resultados.
Sabe-se que trabalhar com índices e indicadores facilitará a ope-
racionalização dos projetos relacionados à sustentabilidade. No 
entanto, para que exista um aperfeiçoamento das 
técnicas e tecnologias para aplicação da sustenta-
bilidade, é preciso haver pesquisas tanto teóri-
cas como práticas, por meio de investigações 
dos dados, de forma a corroborar para novos 
caminhos para a ciência no que tange à susten-
tabilidade urbana.
ASSISTA
Sustentabilidade e princípios do desenvolvimento sustentá-
vel. Para saber mais sobre o assunto, assista ao vídeo Aula 
de geografia: desenvolvimento sustentável, princípios do 
desenvolvimento sustentável, do canal “Quadro Livre”: o 
conteúdo aborda o conceito de desenvolvimento sustentável 
e de onde veio essa palavra, mostrando que é extremamente 
importante melhorarmos as nossas atitudes e ações em prol 
das gerações futuras, que – talvez – não terão as mesmas 
condições que as nossas.
LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 83
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Agenda 2030
A Agenda 2030 foi aprovada em 2015 na Cúpula das Nações Unidas em busca 
do desenvolvimento sustentável. Essa Agenda foi assinada por 193 países – e o 
Brasil está incluso, no qual estabeleceu 17 objetivos e mais 169 metas que facili-
tarão o enfrentamento da fome e da pobreza.
Antes mesmo da aprovação dessa Agenda pela ONU, várias organizações na-
cionais estavam agindo proativamente para que o desenvolvimento sustentável 
fosse uma premissa de modo que o Poder Público pudesse atuar, bem comoa 
sociedade. 
Após a oficialização dos 17 objetivos, as organizações começaram a traba-
lhar com o intuito de estimular o Poder 
Público para o cumprimento da Agenda 
2030. A grande demanda das organiza-
ções era a de criar uma Comissão Na-
cional para os objetivos de desenvolvi-
mento sustentável. O Governo Federal, 
no ano de 2016, atendeu ao pedido e, 
assim, a Comissão foi criada.
Hoje, essa Comissão conta com a 
participação dos representantes do go-
verno e da sociedade. Suas atribuições estão elencadas da seguinte forma: com 
o objetivo de internalizar, de difundir os objetivos propostos e de trabalhar com 
total transparência durante todos os atos.
Algumas das organizações que fazem parte da Comissão são: o Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Instituto de Pesquisa Econômica 
Aplicada (Ipea). O IBGE já identificou alguns indicadores de acompanhamento da 
Agenda, a partir da coleta de dados nacionais. O Ipea também já contribuiu com 
a produção do relatório “Agenda 2030 - ODS – Metas Nacionais dos objetivos de 
desenvolvimento sustentável”, que objetiva fazer a adequação das metas globais 
à expectativa da realidade do nosso País. 
Um dos conteúdos produzidos pelo Ipea são os Cadernos ODS, que trazem 
análises das linhas de base por meio dos indicadores de monitoramento das me-
tas e apresentam uma avaliação dos desafios do País para implementação da 
Agenda 2030.
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Tanto no nosso País como no mundo, o grande desafi o da Agenda 2030 é 
desmistifi car seus objetivos para a realidade dos municípios. Assim sendo, o 
Programa Cidades Sustentáveis buscou auxiliar nessa etapa de forma que fez a 
correlação dos eixos e indicadores aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Susten-
tável e as 169 metas da Agenda da ONU. 
Esse trabalho facilitou para que os indicadores ajudassem a territorializar to-
das as formulações da Agenda 2030, sobretudo, nas metas mais específi cas. O 
Programa Cidades Sustentáveis tem participado de forma ativa nesse processo 
de difusão e de avaliação da Agenda 2030 em todo o País. Criam-se meios para 
tentar municipalizar os ODS com as suas metas, contribuindo – mediante papel 
importante – para a implementação da Agenda 2030 nas localidades.
Cidades sustentáveis
As cidades são grandes centros urbanos para produção e consumo, em que 
formam espaços que abrangem uma grande diversidade de fatores interdepen-
dentes que se comunicam para cumprir e atender às necessidades da popula-
ção, contudo, não é frequente conseguir absorver a desordem do crescimento 
urbano, visto que são vários os problemas de uma cidade que interferirão, de 
alguma forma, na qualidade de vida dos indivíduos (MARTINS; CÂNDIDO, 2013).
Para que uma cidade se torne sustentável, é preciso que haja uma modifi -
cação na estrutura das políticas públicas para intervenção nas áreas urbanas, 
tendo como princípio elaborar medidas a fi m de corroborar com o planejamento 
do desenvolvimento regional em direção à sustentabilidade. A Agenda 21 pos-
sui grande contribuição com a promoção das cidades sustentáveis, colaborando 
para que exista o ordenamento do território; promova o desenvolvimento da 
cidade; trabalhe no sentido de fortalecer o planejamento territorial; contribua 
para a gestão e democracia da cidade e desenvolva instrumentos econômicos 
para fi ns de ordenamento dos recursos naturais.
Conforme visto no tópico anterior, é importante a escolha dos indicadores 
para balancear a execução das estratégias e projetos, de maneira que todos 
possam contribuir com a realidade do local da melhor maneira, atendendo aos 
critérios preestabelecidos, a fi m de agregar ao desenvolvimento das cidades sus-
tentáveis e tendo todo o controle das demandas que foram colocadas em ação.
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Figura 11. Ecologia e vida verde na cidade, conceito de ambiente urbano. Um edifício em Sydney, Austrália. Fonte: 
Shutterstock. Acesso em: 12/11/2020. 
Os indicadores urbanos caracterizam-se por ser instrumentos para facilitar o 
processo de leitura dos dados das cidades. É possível ser feita a análise dessas 
leituras e verificar possíveis condições futuras que a cidade poderia ter. “Este en-
tendimento dos processos inerentes à dinâmica urbana são balizadores para o 
desenvolvimento de políticas embasadas na realidade e nos objetivos próprios de 
cada local e para a alocação justificada de recursos públicos” (GHENO, 2009, p. 62).
Na pesquisa de Gheno, foi verificado que existem lacunas em muitos dos 
indicadores que têm o objetivo de avaliar o espaço urbano. Constatou-se que 
a maioria dos sistemas de indicadores informa detalhadamente elementos dos 
aspectos sociais e econômicos, mas não faz referência à forma urbana que está 
vinculada. Na maioria das vezes, quando se mencionava o espaço, este era apre-
sentado apenas abordando a sua descrição para georreferenciar os indicadores 
levantados. 
Apesar dessa lacuna, os indicadores hoje representam importantes sistemas 
que podem ser utilizados para monitorar as condições do meio urbano, visto que 
indicam tendências e focam nos pontos que precisam ser melhorados, sendo 
também um instrumento que agrega ao processo de planejamento, criando me-
tas e a seleção de qual ação é prioridade para uma cidade sustentável.
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Objetivos de uma cidade sustentável
O grande objetivo da cidade sustentável é acabar de vez com a degradação 
do meio ambiente, garantindo a existência dos recursos naturais para gerações 
futuras. Verifica-se, a partir daí, a importância da existência de políticas públicas 
que agem pensando no futuro.
Como temos a maior parte da população nas áreas urbanas, é exatamente na 
cidade que temos os maiores problemas de poluição e também do mau uso dos 
recursos naturais. Assim, os centros urbanos precisam se modificar e pensar nas 
próximas gerações, de forma que seja garantido um mundo melhor para todos.
Características para que seja considerada uma cidade sustentável
Para que uma cidade seja estimada sustentável, esta deverá:
1. Direcionar de forma correta os resíduos sólidos, assim como realizar o rea-
proveitamento destes;
2. Disponibilizar de água com qualidade e com racionalidade sem esgotar os 
mananciais;
3. Realizar o reaproveitamento das águas das chuvas;
4. Buscar sempre a utilização de fontes de energia renováveis;
5. Disponibilizar para a população transporte público de qualidade para que 
seja a primeira opção em vez de veículos particulares que aumentam o índice de 
poluição atmosférica;
6. Proporcionar meios para que haja a cultura e o lazer para a população.
A grande preocupação dos pesquisadores e gestores hoje é que ainda não 
temos nenhuma cidade no mundo que seja totalmente sustentável. Isso, de fato, 
é crítico, mas sabemos que algumas buscam inserir mecanismos para mudar sua 
estrutura e torna-se aos poucos sustentáveis, trazendo ideias e metas de susten-
tabilidade para a realidade atual.
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Sintetizando
Compreender as principais leis ambientais e suas finalidades, assim como 
a importância que cada uma tem para o desenvolvimento sustentável da ci-
dade, é papel de todo cidadão. Tais leis contribuem para um melhor ordena-
mento e planejamento urbano. 
Entender sobre a Agenda 21 faz com que você traga parte da responsa-
bilidade para você e comece a atuar de forma participativa e consciente, sa-
bendo que aquilo que fazemos hoje terá consequência no futuro; por isso, 
devemos cuidar bem do ambiente onde vivemos.
As cidades estão crescendo cada vez mais; e se medidas não forem toma-
das, os habitantes poderão sofrer em um futuro próximo.Quantas doenças 
respiratórias novas estão aparecendo e não sabemos o porquê do seu surgi-
mento. Tudo isso é graças ao grande caos que as cidades estão vivendo, em 
que muito se sabe, mas pouco se faz para cuidar do meio ambiente. 
É nossa tarefa, portanto, contribuir para uma cidade sustentável. Cada um 
deve cumprir o seu dever, agindo de forma participativa nas ações do gover-
no local do seu município.
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LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 90
SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 90 26/11/2020 14:08:16
CÓDIGO DE OBRAS 
E NORMAS DA 
ABNT REFERENTES 
AO EDIFÍCIO
4
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Apresentar a definição do Código de Obras, evidenciando conceito, usos e 
composição;
 Abordar normas da ABNT referentes ao edifício, como a NBR 15575, 
sobre desempenho das edificações, e a NBR 9050, sobre acessibilidade nas 
edificações.
 Código de Obras
 Conceituação de Código de 
Obras
 Disposições gerais do Código 
de Obras
 Dados levantados em 
pesquisas científicas utilizando o 
Código de Obras
 Normas da ABNT referentes ao 
edifício
 Principais normas para 
construção civil
 NBR 15575 e suas características
 NBR 9050 e suas características
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Código de Obras
Ao iniciar um projeto, se tem a necessidade de consultar o Código de Obras 
do município, para saber o que pode ou não ser construído em determinada 
área. O Código de Obras é considerado um instrumento facilitador para que 
a gestão municipal atue no controle e fi scalização do espaço já edifi cado ou 
que entre para construção, avaliando, também, todo ambiente ao seu redor, 
podendo garantir toda segurança necessária e boas condições de higiene das 
edifi cações. Esse instrumento é muito importante para as prefeituras, pois 
busca garantir uma melhor qualidade de vida para toda a população. Nele, são 
apresentadas diretrizes integradas a outros instrumentos urbanísticos.
É importante entender a diferença de Plano Diretor e Código de Obras, 
uma vez que os dois são leis. O Plano Diretor é mais geral, abarca a Lei de 
Zoneamento e trata das questões do desenvolvimento urbano e sustentável 
da cidade. Já no Código de Obras, são defi nidos parâmetros e conceitos bási-
cos de conforto ambiental, segurança, conservação de energia, salubridade e 
acessibilidade, com o intuito de proporcionar uma vida melhor para todos os 
indivíduos das áreas urbanas e rural. Ele é muito importante para que todos os 
edifícios escolares, hospitalares e outras instituições garantam acessibilidade 
universal, boa iluminação, ventilação e insolação nos cômodos.
Figura 1. Prédio comercial com rampa para acessibilidade. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 16/11/2020.
LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 93
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Cada município possui o seu Código de Obras, baseado nas demandas lo-
cais. O Código de Obras varia de lugar para lugar e possui as normas da ABNT 
para todos os tipos de construção. Nele, consta como funciona todo o proce-
dimento para aprovação dos projetos, as licenças necessárias, o método para 
fi scalizar a execução das obras e possíveis penalidades em caso de descumpri-
mento da lei.
Imaginando na prática, o Código de Obras envolve os cuidados com a legis-
lação urbana do município e com as normas vigentes no que tange à constru-
ção civil, devendo ser estudado e compreendido junto com o Plano Diretor, que 
apresenta importantes dados como a taxa de ocupação permitida e coefi ciente 
de aproveitamento máximo, itens essenciais para a melhor execução do projeto.
Conceituação de Código de Obras
Para fi ns de entendimento do Código de Obras, no artigo primeiro do Có-
digo de Obras da cidade de92
Código de Obras.................................................................................................................... 93
Conceituação de Código de Obras ............................................................................... 94
Disposições gerais do Código de Obras ...................................................................... 96
Dados levantados em pesquisas científicas utilizando o Código de Obras ........ 101
Normas da ABNT referentes ao edifício ........................................................................ 105
Principais normas para construção civil ................................................................... 106
NBR 15575 e suas características .............................................................................. 108
NBR 9050 e suas características ................................................................................ 111
Sintetizando ......................................................................................................................... 113
Referências bibliográficas ............................................................................................... 114
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Esta disciplina é uma das âncoras à atividade profi ssional do arquiteto, do 
urbanista e planejador urbano, principalmente atividades com projetos, e da 
construção civil. Em qualquer atividade prática, o profi ssional deverá ter o co-
nhecimento desta disciplina para dialogar com seus clientes, principalmente 
atuando com projetos de arquitetura. No dia a dia, boa parte dos arquitetos 
não entende de legislação: o contexto histórico, seus princípios e diretrizes, 
seus objetivos normativos, o processo de aprovação de um projeto e sua fi sca-
lização e, por fi m, os trâmites gerais entre o projeto e a liberação da prefeitura 
para usar a edifi cação projetada, mas esta questão é mais séria aos arquitetos, 
considerando que muitos negam dar ao cliente o Registro de Responsabilida-
de Técnica (RRT). No geral, as prefeituras pedem este documento emitido e 
autenticado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) para começar 
os trâmites legais de um projeto dentro das leis da prefeitura. Sendo assim, 
os profi ssionais esquecem que qualquer ação com projetos está submetida à 
Lei n. 12.378/2010, que criou o CAU no Brasil e, portanto, ao Código de Ética e 
Disciplina publicado em 2017. Aproveitem a disciplina para conhecerem o que 
são legislações e seus efeitos sob a atividade profi ssional no mercado de ar-
quitetura. 
LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 9
Apresentação
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Dedico este livro aos estudantes de arquitetura e urbanismo em formação, 
que têm em suas mãos temas indispensáveis ao desenvolvimento social e 
econômico de nossas cidades.
O professor Wesley da Silva Medeiros 
é Mestre pelo PPGAU-IAU-USP (2017) e 
bacharel em Arquitetura e Urbanismo 
pela PUCPR (2014). Atua com pesquisas 
relacionadas ao Urbanismo e Planeja-
mento Urbano, Projetos de Arquitetura 
Social e Ensino de Arquitetura e Urbanis-
mo no Brasil. Possui escritório atuando 
com projetos residenciais, comerciais, 
serviços institucionais e consultorias 
urbanas. Na vida acadêmica, dedica-se 
ao ensino de projeto, urbanismo, plane-
jamento urbano, desenho urbano, siste-
mas estruturais e conforto ambiental. 
Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/1313694320739542
LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 10
O autor
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Dedico este trabalho a Deus, pelo dom da vida e da aprendizagem, aos 
meus pais, ao meu marido, à minha irmã e ao meu irmão, que sempre 
me incentivaram e deram total apoio, assim como aos meus alunos, que 
sempre foram motivadores diante dos novos desafi os.
A professora Marina Silva Paravidi-
no de Abreu é especialista em Gestão 
de Projetos (2020) pela Universidade 
Estácio de Sá (UNESA) e graduada em 
Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo 
(2014) pelo Centro Educacional Nossa 
Senhora Auxiliadora (CENSA). É pes-
quisadora e tem duas linhas de pes-
quisa envolvendo a pernamência na 
educação e as cidades inteligentes. 
Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/7043935599375670
A autora
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CONSTITUIÇÃO 
FEDERAL E SUAS 
DETERMINAÇÕES 
PARA A CIDADE E O 
HOMEM SOCIAL
1
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Compreender o contexto histórico anterior à promulgação da Constituição 
Federal de 1988 (CF 88); 
 Conhecer o papel dos arquitetos e urbanistas no Movimento Nacional de 
Luta pela Reforma Urbana na elaboração da CF 88; 
 Compreender os princípios conceituais da CF 88 a partir dos artigos 6, 21, 
182 e 183 e suas relações com a cidadania, as cidades e a prática profissional 
do arquiteto urbanista; 
 Conhecer o Estatuto da Cidade e seus instrumentos de desenvolvimento 
urbano. 
 Urbanização brasileira
 O Movimento Nacional da 
Reforma Urbana
 Conceito da Constituição Federal 
de 1988
 Contexto da Constituição de 
1988
 Política e legislação urbana
 Os instrumentos do Estatuto 
da Cidade
 Instrumentos de regularização 
fundiária
 Instrumentos de democratização 
da gestão urbana
LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 13
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Urbanização brasileira
Todo percurso desta unidade passa pelos problemas urbanos e seus des-
dobramentos na desfi guração dos cidadãos, dos direitos e da cidadania – por-
tanto, da cidade. Os problemas são diversos e ampliados à medida que a in-
dustrialização atraiu e atrai pessoas aos centros urbanos, como as metrópoles. 
Isso ocorre sem que haja um planejamento municipal, metropolitano e es-
tadual para implementar políticas urbanas. Por isso, o crescimento da popula-
ção urbana não representa desenvolvimento e progresso; ao contrário, implica 
em mais problemas sociais, urbanos e econômicos, levando o Estado e gover-
nos a se distanciarem das políticas urbanas e sociais. 
O Gráfi co 1 mostra a taxa de urbanização no decorrer da história, ou seja, 
o crescimento de pessoas em centros urbanos. Foi assim que os problemas ur-
banos foram se confi gurando entre décadas de urbanização sem planejamento 
urbano e políticas sociais, antes e após a CF 88. Os dados revelam a dinâmica 
do crescimento populacional, sobretudo em centros urbanos em processo de 
industrialização a partir do início nos anos 40. 
GRÁFICO 1. TAXA DE POPULAÇÃO URBANA E RURAL BRASILEIRA ENTRE 1940 E 2010
TAXA DE URBANIZAÇÃO BRASILEIRA
1940 1950 1960 1970 1980 1991 2000 2007 2010
69%
31%
64%
36%
55%
45%
44%
56%
32%
68%
24%
76%
19%
81%
17%
83%
16%
84%
População urbana População rural
Fonte: DINIZ, 2017.
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A questão, portanto, é entender o seguinte: quanto maior a população ur-
bana, mais problemas se constituem, principalmente pela ausência de terra e 
moradia. Mesmo assim, entre 1988 e 2010, não estava claro aos governantes o 
lugar da CF 88 no desenvolvimento urbano, social e econômico, muito menos 
no que diz respeito aos direitos sociais, à seguridade, à proteção, igualdade, 
liberdade e justiça social. Neste quadro, o urbanismo e o planejamento urbano 
vão se tornando fundamentais na administração pública. E os arquitetos, ur-
banistas e planejadores urbanos, após a aprovação do Estatuto da Cidade em 
2001, foram os profi ssionais encarregados de elaborar as políticas e legislações 
municipais, ou seja, regulamentar a nível local artigos da CF e do Estatuto da 
Cidade enquanto compromisso com os interesses do povo. 
EXPLICANDO
A partir de 2010, municípios brasileiros passam a precisar de Planos 
Diretores, Planos deCampos dos Goytacazes (RJ), por exemplo, foram 
apresentadas algumas defi nições trabalhadas no decorrer do documento. Al-
gumas delas são apresentadas a seguir, para situar o novo vocabulário:
DICA
No Código de Obras em sua grande maioria, são apresentados quais os 
profi ssionais estão legalmente habilitados para projetar e executar obras 
dentro do Município e que estes deverão ter seus registros nos órgãos es-
pecífi cos, tanto no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, como 
no Conselho de Arquitetura e Urbanismo dos seus respectivos estados, 
assim como deverão estar matriculados no Município onde assinarão 
como responsáveis pelo projeto e/ou da obra.
• Acréscimo: é entendido como aumento da área da edi-
fi cação tanto no alinhamento horizontal, como vertical, 
sem que haja demolição;
• Afastamento: é medido pela distância existente entre duas 
construções de um mesmo lote, ou entre uma construção e 
suas divisas frontal, lateral e de fundos. O afastamento se en-
quadra como privativo do proprietário do terreno, podendo ser 
frontal, lateral e de fundo;
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• Alicerce: É a base maciça da construção. O alicerce é capaz de suportar 
toda a edifi cação e deve ser feito de material que suporte todas as partes 
da edifi cação;
• Alinhamento: é uma linha paralela entre o alinhamento do lote com o 
logradouro público;
• Altura da edifi cação: deve ser medida a partir do nível do passeio público 
até a parte mais alta da edifi cação;
• Alvará de licença para construção: é um documento que é emitido pelo 
município, informando que determinada construção pode ser iniciada;
• Alvenaria: no Brasil, a maior parte das construções são feitas de alvena-
ria, que utiliza blocos de concreto, tijolos ou pedras, rejuntados ou não com 
argamassa; 
• Área edifi cável: é o espaço do lote onde é permitido construir conforme 
a legislação vigente;
• Área total da construção: essa área deve ser apresentada no quadro de 
áreas que está na prancha para aprovação na prefeitura. A área total da 
construção vem a ser o somatório das áreas de todos os pavimentos;
• Área útil da construção: é o somatório de todas as áreas utilizáveis de 
uma construção, onde devem ser excluídas as paredes.
QUADRO 1. CONDIÇÕES PARA MATRÍCULA NO MUNICÍPIO
Requerimento do interessado;
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
sendo o CREA ou o CAU BR;
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Requerimento do interessado;
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Requerimento do interessado;
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Requerimento do interessado;
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
sendo o CREA ou o CAU BR;
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Requerimento do interessado;
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
sendo o CREA ou o CAU BR;
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Requerimento do interessado;
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
sendo o CREA ou o CAU BR;
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Requerimento do interessado;
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
sendo o CREA ou o CAU BR;
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Requerimento do interessado;
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
sendo o CREA ou o CAU BR;
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Requerimento do interessado;
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
sendo o CREA ou o CAU BR;
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Requerimento do interessado;
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
sendo o CREA ou o CAU BR;
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
sendo o CREA ou o CAU BR;
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeituraem aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
sendo o CREA ou o CAU BR;
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, 
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município;
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na 
prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que 
foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.
No Quadro 1, estão as condições específi cas para a matrícula no muni-
cípio. Fica a cargo do departamento de tributação do município cancelar a 
matrícula dos indivíduos que não pagarem os tributos referentes à atividade 
profi ssional em seu respectivo exercício, podendo aplicar multas a estes cida-
dãos inadimplentes.
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Ao analisar a evolução do licenciamento edilício e fazendo uma retrospec-
tiva no tempo, não há como não citar os incêndios ocorridos no Edifício An-
draus, na tarde do dia 24 de fevereiro de 1972, e no Edifício Joelma, na manhã 
de 1º de fevereiro de 1974, ambos na cidade de São Paulo e num período com 
poucas normas técnicas, sem a Lei de Segurança nº 8.050/74 e nem o Código 
de Obras e Edifi cações, Lei 8.266/75.
Figura 2. À esquerda, o Edifício Andraus e, à direita, o Edifício Joelma, depois dos incêndios. Fonte: NASCIMENTO, 2008; 
NASCIMENTO, 2012.
Contudo, convém lembrar que só depois que aconteceram duas tragédias 
semelhantes num curto espaço de tempo é que houve alguma ação das autori-
dades. Com o aumento da Normatização Técnica Brasileira – ABNT e da implan-
tação do Código de Obras, os problemas diminuíram de forma considerável. 
Como cada município deve elaborar o seu Código de Obras, cada documento 
tem um número de Lei específi co, mudando de lugar para lugar.
Disposições gerais do Código de Obras
Uma construção é iniciada somente após a aprovação do projeto na prefei-
tura do município e após a liberação da licença para construir, tendo a respon-
LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 96
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sabilidade do profi ssional cadastrado e legalmente habilitado para a função, 
como informado no Código de Obras de Campos dos Goytacazes.
Ao construir em propriedade rural para fi m residencial, tendo área inferior 
a 200 m², desconsidera-se a exigência acima referenciada. Caso seja necessária 
a realização de as built, eles devem ser feitos e entregues na prefeitura como 
novos projetos, salientando que todos os projetos devem condizer com as leis 
de zoneamento, uso do solo e parcelamento do solo.
Após a aprovação do projeto e a obra iniciada, havendo necessidade de rea-
lizar alguma modifi cação no projeto, ela deve ser comunicada junto à prefeitu-
ra, para fi ns de registro e verifi cação da conformidade com as normas. Apenas 
profi ssionais habilitados elaboram e executam projetos para o município. A 
responsabilidade dos projetos, cálculos e demais itens a serem apresentados, 
cabe aos seus respectivos autores. No Quadro 2, constam algumas das infor-
mações contidas no Código de Obras e que são relevantes durante todo o pro-
cesso para início da obra.
QUADRO 2. INFORMAÇÕES SOBRE RESPONSABILIDADES NO CÓDIGO DE OBRAS
Elementos Descrição
Assinatura O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
Placas
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
município.
Substituição de 
Profi ssional
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
funções do outro responsável técnico.
Responsabilidade Técnica
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidadetécnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
AssinaturaAssinaturaAssinatura
PlacasPlacas
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
Placas
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
Substituição de 
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
Substituição de 
Profi ssional
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
Substituição de 
Profi ssional
Responsabilidade Técnica
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
Substituição de 
Profi ssional
Responsabilidade Técnica
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
Substituição de 
Profi ssional
Responsabilidade Técnica
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
Responsabilidade Técnica
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
Responsabilidade Técnica
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
Responsabilidade Técnica
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
Responsabilidade Técnica
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
Responsabilidade Técnica
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
município.
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
funções do outro responsável técnico.
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
município.
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
funções do outro responsável técnico.
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
município.
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
funções do outro responsável técnico.
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
funções do outro responsável técnico.
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura,informando o término da responsabilidade de um e começo das 
funções do outro responsável técnico.
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra 
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
funções do outro responsável técnico.
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. 
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
funções do outro responsável técnico.
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
funções do outro responsável técnico.
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos 
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
funções do outro responsável técnico.
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o 
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
funções do outro responsável técnico.
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
funções do outro responsável técnico.
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de-
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, 
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
informando o término da responsabilidade de um e começo das 
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que 
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da 
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de 
cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m².
As reformas menores, também estão dispensadas de toda exigência, sen-
do que devem se enquadrar nas categorias descritas no Quadro 3.
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QUADRO 3. CATEGORIAS PARA DISPENSA DE EXIGÊNCIAS
Categoria Descrição
I As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
II A reforma não pode exigir estrutura especial.
III Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
IV A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
I
II
III
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
IV
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
A reforma não pode exigir estrutura especial.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
A reforma não pode exigir estrutura especial.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construçõescom mais de 5 anos de conclusão.
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
A reforma não pode exigir estrutura especial.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
A reforma não pode exigir estrutura especial.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
A reforma não pode exigir estrutura especial.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
A reforma não pode exigir estrutura especial.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
A reforma não pode exigir estrutura especial.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
A reforma não pode exigir estrutura especial.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
A reforma não pode exigir estrutura especial.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
A reforma não pode exigir estrutura especial.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
A reforma não pode exigir estrutura especial.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
A reforma não pode exigir estrutura especial.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
A reforma não pode exigir estrutura especial.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
A reforma não pode exigir estrutura especial.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m².
A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.
CONTEXTUALIZANDO
As exigências são de suma importância por tornarem viáveis as constru-
ções caso elas não tenham sido planejadas conforme as normas vigentes. 
Os profi ssionais devem ter a consciência que, a partir do momento que se 
entendem as leis e passam a se seguir todas elas, os problemas diminuem 
e os profi ssionais contribuem para que se tenha uma melhor construção 
dentro dos parâmetros criados para o município.
Figura 3. Exemplo de reformas pequenas. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 16/11/2020.
Projetos e Licenças
Para qualquer edifi cação, reforma ou ampliação do prédio, é necessária a apre-
sentação do projeto, indicando os elementos a serem retirados ou inseridos. Ele 
deve ser assinado pelo proprietário e pelos responsáveis pela obra, devendo cons-
tar no novo processo para reaprovação do projeto os elementos vistos no Quadro 4.
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QUADRO 4. ELEMENTOS NO PROCESSO DE REAPROVAÇÃO DO PROJETO
Categoria Descrição
I Planta de situação e localização.
II Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
III Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
IV Cortes longitudinais e transversais.
V Detalhes.
VI Planta de cobertura.
I
II
III
IV
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
VI
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Planta de situação e localização.
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Planta de situação e localização.
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Planta de situação e localização.
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Planta de situação e localização.
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Planta de situação e localização.
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Cortes longitudinais e transversais.
Planta de situação e localização.
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Cortes longitudinais e transversais.
Planta de situação e localização.
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Cortes longitudinais e transversais.
Planta de situação e localização.
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Cortes longitudinais e transversais.
Planta de situação e localização.
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Cortes longitudinais e transversais.
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Cortes longitudinais e transversais.
Detalhes.
Planta de cobertura.
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Cortes longitudinais e transversais.
Detalhes.
Planta de cobertura.
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Cortes longitudinais e transversais.
Detalhes.
Planta decobertura.
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Cortes longitudinais e transversais.
Planta de cobertura.
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Cortes longitudinais e transversais.
Planta de cobertura.
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Planta de cobertura.
Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.
Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.
Fonte: PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPOS DOS GOYTACAZES, 1998.
Em circunstâncias nas quais o projeto é mais complexo, é exigida a apre-
sentação dos cálculos de resistência e estabilidade, caso seja necessário para 
o entendimento do projeto. Ao fazer um projeto de reforma ou até mesmo de 
acréscimo, é preciso se atentar para indicar no projeto as partes a serem demo-
lidas, construídas ou preservadas de acordo com as convenções, que podem 
se entender como usuais nas mais diversas cidades. Porém, é preciso atenção 
para as especifi cações corretas de cada município. As listadas no Quadro 5 são 
um exemplo de como deve ser feita a representação na cidade de Campos dos 
Goytacazes (RJ).
QUADRO 5. MODELO PARA REPRESENTAÇÃO EM PROJETOS DE REFORMA OU AMPLIAÇÃO 
Categoria Descrição das convenções para projeto
I Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem
II Amarelo para as partes demolidas
III Vermelho para as partes acrescidas ou novas
II
III
Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecemCor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecemCor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecemCor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecemCor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecemCor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecemCor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem
Amarelo para as partes demolidas
Vermelho para as partes acrescidas ou novas
Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem
Amarelo para as partes demolidas
Vermelho para as partes acrescidas ou novas
Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem
Amarelo para as partes demolidas
Vermelho para as partes acrescidas ou novas
Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem
Amarelo para as partes demolidas
Vermelho para as partes acrescidas ou novas
Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem
Amarelo para as partes demolidas
Vermelho para as partes acrescidas ou novas
Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem
Amarelo para as partes demolidas
Vermelho para as partes acrescidas ou novas
Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem
Amarelo para as partes demolidas
Vermelho para as partes acrescidas ou novas
Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem
Amarelo para as partes demolidas
Vermelho para as partes acrescidas ou novas
Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem
Amarelo para as partes demolidas
Vermelho para as partes acrescidas ou novas
Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem
Amarelo para as partes demolidas
Vermelho para as partes acrescidas ou novas
Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem
Vermelho para as partes acrescidas ou novas
Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem
Vermelho para as partes acrescidas ou novas
Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem
Vermelho para as partes acrescidas ou novas
Fonte: PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPOS DOS GOYTACAZES, 1998.
Procedimentos para aprovação dos projetos
Para aprovar um projeto, o requerente apresenta, na Secretaria de Obras, 
o requerimento e 4 cópias do projeto de arquitetura, compreendendo planta 
baixa dos pavimentos, planta de cobertura, cortes longitudinal e transversal, 
fachadas, planta de situação e localização, sabendo que o projeto está dentro 
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da norma de acessibilidade a NBR 9050, conforme explicita-
do no Código de Obras e Edificações de São João da Barra 
(RJ). O requerimento e as plantas entregues têm a assinatura 
do proprietário e dos responsáveis pela obra. É importante se 
atentar para os itens que devem compor a planta de situação:
1. A dimensão e as áreas do lote ou a projeção;
2. Os acessos ao lote;
3. Os lotes vizinhos, identificados;
4. A orientação do lote até a esquina mais próxima;
5. A projeção da edificação dentro do lote e suas cotas para entendimento 
de como está a edificação dentro do lote.
A escolha das escalas para cada planta fica a critério do autor, porém, para 
fins de uma melhor apresentação e facilitação da leitura, conforme o tipo de 
planta, se recomenda utilizar as escalas listadas a seguir:
1. Plantas de localização – escala de 1:1.000;
2. Plantas de situação – escala de 1:500 ou 1:250 ou 1:200;
3. Plantas baixas – escala de 1:50 ou 1:75;
4. Fachadas – escala de 1:75 ou 1:50;
5. Detalhes – escala 1:25.
Dependendo da cidade, pode ser pedido que todas as folhas do projeto se-
jam autenticadas, contendo a assinatura do proprietário, do autor do projeto e 
do responsável técnico, para que se submeta à aprovação. Com o projeto apro-
vado, dois jogos das cópias entregues à Secretaria de Obras são devolvidos ao 
proprietário e as outras duas ficaram retidas na Prefeitura.
Embargo
O embargo é a paralisação da obra após o proprietário receber uma notifi-
cação. Os casos em que o embargo pode ser feito são:
• Obras funcionando sem alvará de licença, caso necessário;
• Descumprir o que rege o alvará ou o que foi aprovado no projeto legal;
• Não cumprir com os afastamentos listados no Código de Obras;
• Quando a obra for realizada sem a responsabilidade de um profissional 
habilitado;
• Quando a obra oferecer perigo para a segurança dos profissionais;
• Quando a obra oferecer perigo para a segurança pública;
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• Quando oferecer insegurança quanto à estabilidade para a obra executa-
da e obras vizinhas;
• Quando o profi ssional responsável pela obra sair sem comunicar à Prefei-
tura, tiver seu registro suspenso ou agir de forma fi ctícia.
Se houver petição, pode ser que o embargo seja suspenso, mas somente 
em casos em que os itens solicitados sejam atendidos em sua totalidade.
Dados levantados em pesquisas científicas utilizando o 
Código de Obras
No trabalho de Carlo, Pereira e Lamberts, “Iluminação natural para redução 
do consumo de energia de edifi cações de escritório aplicando propostas de 
efi ciência energética para o Código de Obras do Recife”, de 2004, eles levanta-
ram o tema da iluminação natural, uma grante fonte de energia renovável, que 
deve ser usada para diminuir os gastos com energia elétrica vinda de sistemas 
artifi ciais. O estudo buscou analisar o equilíbrio entre a iluminação natural e 
cargas térmicas através de propostas feitas para o Código de Obras do Recife. 
Segundo os autores:
[...] foram simulados protótipos de edifi cações comerciais no pro-
grama DOE2.1-E e de ambientes internos destas edifi cações no 
programa Apolux. O primeiro estima o consumo de energia e o se-
gundo, os níveis internos de iluminação natural.
Nessa pesquisa foram utilizadas algumas variáveis. Para Carlo, Pereira e 
Lamberts:
[...] Foram utilizadas como variáveis as propriedades térmicas e óti-
cas de janelas da envoltória propostas e de algumas exigências de 
controle de liga/desliga para o sistema de iluminação artifi cial. O re-
sultado fi nal indicou o desempenho luminosodo ambiente interno 
face a alguns limites da proposta para o Código de Obras do Recife 
e um potencial de redução no consumo de energia em edifi cações 
de escritórios, que variou de 9% a 21%. Indicou também que as es-
pecifi cações da proposta não isentam arquitetos e engenheiros de 
projetar, visando uma edifi cação com qualidade ambiental, tanto 
sobre o enfoque do conforto, como da economia de energia.
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Na categoria municipal, os mesmos 
pesquisadores propuseram para a ci-
dade do Recife, capital de Pernambuco, 
no ano de 2003, que fossem incluídos 
quesitos para proporcionar mais efi-
ciência energética no Código de Obras. 
A proposta consistia em apontar vários 
parâmetros que estivessem ligados 
com à eficiência energética da cons-
trução, como os limites das condições 
térmicas e os requisitos envolvendo os sistemas que consomem energia, como 
a iluminação artificial e aquecimento da água. Para Carlo, Pereira e Lamberts:
[...] Uma edificação energeticamente eficiente deve proporcionar 
um nível adequado de iluminação que permita reduzir ou que 
substitua o uso da iluminação artificial. No entanto, esta estratégia 
visando a eficiência gera um conflito, com o objetivo de reduzir os 
ganhos térmicos provenientes da radiação solar, principalmente 
em regiões de clima tropical. Para ser energeticamente eficiente, 
então, a edificação deve proporcionar um balanço entre a ilumina-
ção natural e os ganhos térmicos nos ambientes internos. Dados os 
parâmetros limite para o Código de Obras Municipal, observou-se 
uma tendência em reduzir a carga térmica ocasionando um baixo 
potencial de uso da iluminação natural nos ambientes internos da 
edificação devido às propriedades óticas dos vidros especificados.
A pesquisa de Carlo, Pereira e Lamberts buscou avaliar as condicionantes da 
iluminação natural assim como o potencial para redução do consumo de ener-
gia elétrica das construções, de forma que fossem aplicadas as diretrizes defi-
nidas para a proposta no Código de Obras. Já na monografia de Silva, “Idosos 
e ambientes reduzidos: o design de interiores em uma cozinha de dimensões 
mínimas permitidas pelo Código de Obras e Edificações da cidade de Carua-
ru – PE”, defendida em 2014, o objetivo foi o desenvolvimento de mobiliários 
e ambientação para cozinha a partir das dimensões mínimas permitidas pelo 
Código de Obras e Edificações da cidade, com foco para a utilização dos ido-
sos. A escolha do ambiente “cozinha” se deu pelo fato de ser o ambiente mais 
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utilizado por todos durante essa faixa etária. O grande desafio foi trabalhar a 
ergonomia com dimensões mínimas exigidas, a ponto de haver boa circulação 
e acesso aos equipamentos.
Figura 4. Exemplo de uma cozinha pequena. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 16/11/2020. 
Para fins de cumprimento com o objetivo proposto na monografia, Silva ela-
borou um projeto adequado ao uso por pessoas idosas, dado que esse perfil 
que apresenta dificuldades de locomoção, carecendo de um espaço com mais 
autonomia e liberdade para as atividades diárias. No início da década de 1920, 
surgiram novos modelos para moradias no Brasil e que foi rejeitado por mui-
tos: os edifícios de apartamentos, constituídos por vários pavimentos e unida-
des por andar, lembrando o cortiço, um modelo verticalizado já conhecido. A 
evolução das cozinhas residenciais começa a se destacar pela função do espa-
ço na casa, visto que é nesse ambiente que as pessoas passam boa parte do 
tempo, sendo um ambiente para alimentação e socialização.
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Figura 5. Exemplo de cortiço. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 16/11/2020.
O Código de Obras também conta com o objetivo de criar normas técnicas 
para execução de diversos tipos de construções. Todavia, para a sua elabora-
ção o município leva em conta as características do local, os problemas já apre-
sentados e a realidade de moradia para atender as classes sociais mais baixas, 
visto que essas pessoas não possuem condição para comprar um apartamento 
maior ou de construir casas mais amplas, se aglomerando em cortiços ou ha-
bitações coletivas. Independentemente de ter dinheiro ou não, é preciso que 
exista uma base sólida para o construtor especificar as medidas mínimas para 
que cada cômodo seja acessível para todos os públicos, da criança ao idoso.
Silva, antes de propor o projeto da cozinha em sua monografia, verificou o 
Código de Obras da cidade de Caruaru e averiguou as medidas mínimas. Neste 
caso, a cozinha deve ter uma área mínima de 4,00 m² e deve dar para traçar 
um círculo de raio mínimo de 0,80 m, além de ter o pé-direito mínimo de 2,60 
m. Com a ideia de propor um design de interiores para a cozinha de forma que 
ela fique mais acessível para os idosos, se utilizaram três metodologias para o 
embasamento dessas definições: Associação Brasileira de Design de Interiores 
e Arquitetura, a de Miriam Gurgel, Ching e Binggeli.
O papel do Arquiteto é ir além do que está estabelecido como mínimo no 
Código de Obras e colocar desafios para si mesmo a ponto de trazer a melhor 
solução para seu futuro cliente. O mínimo já é sabido, então, como fazer desse 
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mínimo algo que fi que bom e que atenda a clientela? Primeiro, é preciso identi-
fi car o problema e saber quais são as reais necessidades do cliente, cujas res-
postas podem ser obtidas a partir de um questionário enviado de forma virtual 
ou presencial. É importante saber quais os primeiros objetivos atendidos e as 
exigências de funcionabilidade, verifi cando tudo que existe no espaço, o que se 
almeja com o projeto e o que é possível de se concretizar.
Para projetar, é vital ter uma visão crítica para alternativas possíveis, relacio-
nando-as com os objetivos a serem atingidos até chegar numa solução fi nal. Silva 
realizou o projeto de uma cozinha pequena e com boa circulação. O objetivo da 
apresentação desses dois artigos foi para explicar que a pessoa profi ssional de 
arquitetura, ao analisar o Código de Obras da cidade em que se realiza o projeto, 
deve ir além do que está prescrito, não distorcendo o que já está estabelecido, 
mas buscando alternativas que complementem com o que já existe e quem sabe 
de propor soluções de ajustes e melhorias no Código de Obras.
Normas da ABNT referentes ao edifício
As normas da ABNT buscam implantar determinantes de qualidade, melho-
rar desempenho e a segurança de todos os trabalhadores nas diversas áreas. As 
normas específi cas para construção civil proporcionam informações importan-
tes sobre a medição de determinados elementos, além de trazer métodos para 
atividades específi cas. Quando seguidas as normas da ABNT, acidentes são evi-
tados, há mais segurança e qualidade nos serviços, sem contar que a empresa 
passa a ser vista com outros olhos, devido ao zelo e aos cuidados tomados.
ASSISTA
A ABNT é a Associação Brasileira de Normas Técnicas. 
Para saber mais, o vídeo Importância das Normas ABNT e 
NBR para Construção Civil traz dicas para que você possa 
entender como deverão ser utilizadas na construção civil 
e também quais os principais tipos de normas técnicas.
É válida a compreensão entre o conceito de Norma Regulamentadora (NR) e 
de Norma Brasileira (NBR) para posterior entendimento da ABNT. Existem pon-
tos característicos que diferenciam uma NR de uma NBR. As Normas Regulamen-
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tadoras, criadas pelo Ministério do Trabalho, são obrigatórias e podem gerar em-
bargos, multas e penalidades, sendo direcionadas para questõesque envolvam 
a segurança e a medicina do trabalho. Até o momento, há 36 NRs com diretrizes 
para os quesitos relacionados a segurança e saúde dos trabalhadores.
As Normas Brasileiras foram criadas pelas Associação Brasileira de Normas 
Técnicas (ABNT). Mesmo sendo uma entidade privada, ela não visa lucro e, por 
esse motivo, todos os critérios listados por ela não são exigidos. Caso a empre-
sa opte por seguir a ABNT e receba as devidas certifi cações, a empresa melho-
ra a sua reputação e possibilita maior segurança para a execução dos métodos 
e procedimentos. Num entendimento macro, as NBRs buscam direcionar os 
profi ssionais da área da construção civil sobre o uso correto dos produtos e a 
forma correta de executar os processos, além de contribuir para a melhoria da 
qualidade das obras minimizando os erros e demais problemas em suas diver-
sas etapas de construção.
Principais normas para construção civil
Para quem é da área da construção civil, utilizar as normas da ABNT, 
bem como respeitar e conhecer todas elas, é de suma importância por 
garantir a qualidade e proporcionar maior segurança dentro de uma obra, 
além de evitar que a obra receba multa atrás de multa. Seguir as normas, 
portanto, traz benefícios como diminuição do tempo de trabalho e atendi-
mento aos prazos descritos no cronograma de obra. A seguir, estão lista-
das as principais normas na construção civil:
• NR 4: fala dos serviços que envolvem o âmbito da Engenharia de Segu-
rança e Medicina do Trabalho, buscando promover a saúde e a integridade 
dos colaboradores no ambiente em que executam suas atividades. Essa 
norma possui algumas exigências e uma delas faz relação com a questão 
da habilitação e registro dos profissionais em determinado serviço, como o 
médico e o enfermeiro do trabalho, os arquitetos, técnicos e engenheiros;
• NR 6: trata da forma como são utilizados os equipamentos de proteção 
individual no ambiente de trabalho. Cada equipamento deve ser utilizado 
conforme os riscos apresentados para determinada tarefa, de maneira que 
proporcione ao trabalhador a segurança necessária para exercer a ativi-
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dade. O grande objetivo da NR6 é contribuir para que não haja acidentes 
no ambiente de trabalho. Assim, a norma estabelece algumas regras para 
que seja garantida a saúde do trabalhador, protegendo-os das doenças 
ocupacionais;
• NR 7: impõe uma regra em que todas as empresas devem criar e in-
serir o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), que 
visa contribuir para a preservação da saúde dos colaboradores da cons-
trução civil ao diagnosticar possíveis doenças relacionadas ao trabalho, 
devendo tomar algumas atitudes para que tais doenças sejam evitadas;
• NR 8: desenvolve diretrizes no âmbito administrativo, organizacional e 
de planejamento. Seu objetivo é implementar sistemas para controlar e pre-
venir acidentes no ambiente de trabalho da construção civil. A norma estabe-
lece um ponto importante sobre a qualificação dos colaboradores envolvidos 
nas etapas da obra, como na operação dos equipamentos, na manutenção, 
entre outros. Estando preparados, os trabalhadores agem de forma conscien-
te e com todas as medidas de proteção necessárias para a segurança;
• NR 35: trata dos quesitos de segurança para proteger os colaboradores 
que exercem trabalhos em altura e envolve todo o planejamento e execu-
ção. Ela contribui para a proteção da saúde dos colaboradores ao disponibi-
lizar de segurança e equipamentos para as diversas atividades realizadas a 
partir de dois metros de altura do nível do chão;
• NBR 6136: é uma norma regula-
mentadora da construção civil. Ela dá 
parâmetros para a produção e aceita-
ção dos blocos de concreto vazados 
para a realização da alvenaria estru-
tural. A norma também estabelece 
os melhores blocos em cada caso es-
pecífico. Os blocos possuem uma de-
terminada classe e a norma identifica 
exatamente o melhor uso para cada 
classe. A classe AE de blocos pode ser 
usada nas paredes externas, expos-
tas as intempéries;
 Figura 6. Exemplo de bloco de concreto vazado. Fon-
te: Shutterstock. Acesso em: 16/11/2020.
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• NBR 8949: explica como deve ser feito o preparo e o ensaio das paredes 
estruturais levadas à compressão, podendo ser feitas de blocos de concreto, 
material cerâmico ou até mesmo de tijolos;
• NBR 12118: estabelece alguns métodos para ensaio para facilitar a aná-
lise dos blocos vazados de concreto. Existem vários aspectos que são anali-
sados, como a análise do tamanho do bloco, aderência de água, o quanto o 
bloco resiste à compressão, entre outros fatores;
• NBR 13531: lista as atividades exigidas para a execução de um projeto 
de um edifício. Ela possui uma norma complementar, a NBR 13532, que apre-
senta as condições essenciais para que possam ser elaborados projetos de 
arquitetura;
• NBR 15575: foi a primeira norma a apresentar em específi co a qualidade 
dos produtos para a construção civil, e também da forma como utilizar pelos 
seus consumidores. É considerada como uma norma que indica o desempe-
nho da edifi cação, que leva a uma certifi cação de excelência.
ASSISTA
Todo produto deve se calcar numa norma para que possa 
seguir os seus desempenhos mínimos. Para saber mais, 
o vídeo É obrigatório! Entenda a Norma de Desempenho 
de Edifi cações Habitacionais (NBR 15575) traz dicas para 
entender a importância de seguir as NBRs para qualquer 
produto, além de informações, para os profi ssionais arqui-
tetos, engenheiros e para as construtoras, dos critérios 
mínimos para edifi cações habitacionais.
NBR 15575 e suas características
No ano de 2000, se iniciaram os primeiros estudos sobre a Norma de De-
sempenho, através do incentivo da Caixa Econômica Federal e de uma fi nancia-
dora de Estudos, a Finep. Em 2007, saiu a primeira edição da NBR 15575 para 
consulta. Sua publicação defi nitiva aconteceu em 2013, representando um 
grande avanço para a sociedade e para o mercado imobiliário e habitacional.
Dentro da NBR 15575, há um amplo material com conteúdo de normas já 
existentes no âmbito da construção civil. A norma de desempenho demonstra 
grande preocupação com a vida útil, o desempenho, a efi ciência, a sustentabi-
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lidade e a manutenção das edificações. Em suma, ela garante 
que há um fator de qualidade entregue aos futuros compra-
dores das edificações. A norma de desempenho foi elabora-
da com base nos elementos do edifício, tomando como base os 
parâmetros de implantação e as exigências dos compradores. Tais 
exigências são atendidas de forma que possibilite a segurança, habitabilidade 
e sustentabilidade, envolvendo alguns quesitos. A segurança envolve os se-
guintes itens:
• Segurança estrutural;
• Segurança contra o fogo;
• Segurança no uso e na operação.
A habitabilidade envolve os seguintes itens:
• Estanqueidade;
• Desempenho térmico;
• Desempenho acústico;
• Desempenho lumínico;
• Saúde, higiene e qualidade do ar;
• Funcionalidade e acessibilidade;
• Conforto tátil e antropodinâmico.
A sustentabilidade envolve os seguintes itens:
• Durabilidade;
• Manutenibilidade;
• Impacto ambiental.
Vida útil do projeto
De acordo com a NBR 15575, cabe ao projetista estabelecer a vida útil do 
projeto de cada etapa que compõe a construção, devendo especificar os ma-
teriais utilizados, os produtos indicados e a forma de execução que atenda ao 
desempenho mínimo da norma. Caso o fabricante não deixe claro a norma es-
pecífica para utilização de determinado produto ou quando não existir normas 
específicas, é viável que o projetista entre em contato com o fabricante e solici-
te maiores informações para embasar as tomadas de decisõespara utilização 
de um determinado item.
O construtor deve se precaver para que não haja nenhuma interferência 
na obra e elaborar um manual de uso, operação e manutenção, caso identi-
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fique que pode ter algum tipo de risco durante a obra, como a presença de 
aterro sanitário na área da construção, algum tipo de contaminação do lençol 
freático, entre outros riscos. O usuário deve realizar a manutenção correta, 
de acordo com o manual de uso, operação e manutenção, não podendo reali-
zar alterações que venham a prejudicar o desempenho conforme especificado 
pela construtora.
Avaliação de desempenho
O grande desafio da avaliação em busca do melhor desempenho é da ade-
quação ao uso de um sistema destinado a atender a uma determinada função 
em específico, seja qual for a solução técnica trabalhada. Para que o objetivo 
seja alcançado, durante a avaliação de desempenho, é feita uma investigação 
sistemática, com fundamentos em métodos precisos, capazes de produzir um 
entendimento sobre o comportamento almejado do sistema conforme as con-
dições e usos predefinidas. Por isso, a avaliação requer o domínio do conheci-
mento científico em relação a cada aspecto funcional de uma edificação. O do-
cumento que contém toda a avaliação de desempenho deve apresentar dados 
que caracterizam a edificação habitacional de alguma forma. Já com todos os 
resultados em mãos, é elaborado um documento para avaliação do desempe-
nho que esteja pautado na NBR 15575.
Durabilidade da Edificação
Toda edificação possui um tempo em que permanece com suas caracterís-
ticas impecáveis. Porém, sem as devidas manutenções de tempos em tempos, 
a estrutura da edificação se compromete. Os projetistas e os construtores têm 
responsabilidades na parte teórica em relação à vida útil de projeto, validada 
através do atendimento às normas e, caso estas não existam, podem ser se-
guidas as Normas Internacionais e até mesmo as regionais. A durabilidade de 
um edifício e dos seus sistemas é um requisito que se refere a parte econômica 
dos respectivos usuários, pois está interligada ao custo global do bem imóvel. 
Conforme a página 31 da NBR 15575:
[...] a durabilidade de um produto se extingue quando ele deixa 
de atender às funções que lhe forem atribuídas, quer seja pela 
degradação que o conduz a um estado insatisfatório de desempe-
nho, quer seja por obsolescência funcional. O período de tempo 
compreendido entre o início de operação ou uso de um produto 
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e o momento em que o seu desempenho deixa de atender aos 
requisitos do usuário preestabelecidos, é denominado vida útil. 
No Anexo C, é feita uma análise mais abrangente dos conceitos re-
lacionados com a durabilidade e a vida útil, face à importância que 
representam para o desempenho do edifício e seus sistemas [...].
NBR 9050 e suas características
A NBR 9050 trata de questões que envolvam acessibilidade, mobiliário, es-
paços e equipamentos urbanos nas edifi cações, estabelecendo critérios quan-
to a construção, instalação e adaptação das edifi cações e de todos os espaço 
e equipamentos urbanos de forma a torná-los acessíveis para todos. A norma 
apresenta algumas defi nições importantes para o seu melhor entendimento:
• Acessibilidade: possibilidade para ter acesso e alcançar com segurança e 
autonomia todos os espaços da edifi cação, assim como os mobiliários, equipa-
mentos urbanos e demais itens;
• Acessível: todos os elementos que possam ser alcançados, utilizados e 
vivenciados por qualquer indivíduo, considerando as pessoas com mobilidade 
reduzida. Quando se fala em “acessível”, isso quer dizer que o espaço físico e de 
comunicação devem ter acessos livres, sem interrupções;
• Adaptável: espaço da edifi cação que pode se tornar acessível;
• Adaptado: espaço da edifi cação planejado para ser acessível;
• Área de aproximação: área sem obstáculos, de forma que uma pessoa 
que utiliza a cadeira de rodas consiga realizar as manobras necessárias para 
utilizar determinado mobiliário com total autonomia e segurança;
• Área de resgate: nessa área, deve haver um acesso conduzindo para al-
guma saída, mantendo em segurança os indivíduos com alguma defi ciência ou 
com mobilidade reduzida. Nesse espaço, eles fi cam até o socorro chegar.
O tema da acessibilidade na construção civil é bastante discutido, 
a tal ponto que a grande preocupação das construtoras é ter 
como meta a construção de empreendimentos adaptados 
aos portadores de alguma defi ciência. Vale lembrar que 
a acessibilidade na construção em geral não se fi xa ape-
nas em criar rampas e vai muito além disso, envolvendo o 
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uso dos equipamentos comum para todos, os demais acessos de lazer, leitura 
visual, etc. A cada ano, as barreiras arquitetônicas estão sendo compreendidas 
e atendidas como parâmetro para a aprovação de qualquer projeto na Prefei-
tura. Dessa forma, se respeitam as diferenças e se torna acessível o que é de 
direito do usuário é o grande papel do arquiteto.
Além disso, há diretrizes do Desenho Universal, criadas nos EUA, que são 
direcionadas para a eliminação de todas as barreiras nas edificações em seus 
mais variados usos, com o objetivo de respeitar a todos, independentemente 
de suas diferenças físicas e garantindo total acessibilidade em todos os lugares 
e espaços.
Figura 7. Acessibilidade na edificação. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 16/11/2020.
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Sintetizando
Utilizar as Normas Brasileiras e as Normas Regulamentadoras traz gran-
des benefícios para um determinado empreendimento, contribuindo para o 
uso de materiais normatizados e garantindo que a obra tenha a qualidade es-
perada conforme as diretrizes das normas da construção civil. Ao cumprir as 
NBRs, se contribui para o aumento da produtividade na obra e para a redução 
dos custos dos projetos e de todos materiais, além de possibilitar que haja 
maior competitividade, melhor aproveitamento dos materiais e uma entrega 
de qualidade.
As normas ABNT direcionadas para a construção civil estão sempre sendo 
atualizadas. Por isso, é importante se atentar às atualizações. A questão do 
desenho universal para os empreendimentos faz com que todas as pessoas, 
em suas diversas dificuldades, consigam usar o espaço com autonomia. Todo 
o espaço tem que estar adaptado para utilização desde uma criança até de 
um idoso, garantindo total mobilidade.
Apesar das regras de acessibilidade se repetirem em sua maior parte, é 
preciso prestar atenção para construções como escolas, hospitais e outros 
tipos, pois podem requerer outros critérios de acessibilidade. Conforme vis-
to, o Código de Obras é um instrumento que facilita com que a Gestão do 
Município exerça o controle e a fiscalização do espaço a ser construído, de 
forma a garantir segurança, salubridade e que as edificações cumpram com 
as normas de acessibilidade, conforme delimitadas em seus projetos.
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LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 114
SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 114 26/11/2020 15:56:09
PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPOS DOS GOYTACAZES. Lei nº 6.692, de 27 
de novembro de 1998. Dispondo sobre o Novo Código de Obras do município, 
revogando a Lei nº 3.710, de 03 de junho de 1980. Campos dos Goytacazes: 
Gabinete do Prefeito, 27 nov. 1998. Disponível em: . Acesso em: 16 nov. 2020.
PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOÃO DA BARRA. Lei nº 466, de 15 de agosto 
de 2017. Dispõe sobre os critérios e normas exigíveis ao ato de projetar e cons-
truir no município de São João da Barra, no estado do Rio de Janeiro. São João 
da Barra: Gabinete do Prefeito Disponível em: . Acesso em: 16 nov. 2020.
SILVA, M. B. Idosos e Ambientes Reduzidos: o design de interiores em uma 
cozinha de dimensões mínimas permitidas pelo Código de Obras e Edificações 
da cidade de Caruaru – PE. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso) – Pro-
jeto de Graduação em Design, Núcleo de Design, Centro Acadêmico do Agreste, 
Universidade Federal de Pernambuco, Caruaru, 2014. Disponível em: . Acesso em: 16 nov. 2020.
LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 115
SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 115 26/11/2020 15:56:09Mobilidade Urbana, Planos de Regularização 
Fundiária, Plano de Arborização, Plano Ambiental, Plano de Recursos 
Hídricos, Plano do Sistema Viário, Plano de Saneamento Básico, Plano 
de Habitação e Plano de Resíduos Sólidos. Cada plano representa uma 
política urbana do município ao desenvolvimento urbano e todas devem 
possuir uma legislação urbanística.
O Movimento Nacional da Reforma Urbana 
A industrialização brasileira tem início na década de 30, sendo a cidade de 
São Paulo o centro dos investimentos industriais. As indústrias precisavam de 
mão de obra (não especializada) para mover as máquinas e produzir mercado-
rias. A única mão de obra no Brasil eram os negros libertados da escravidão, 
trabalhadores da indústria do café, trabalhadores do interior do 
Nordeste e aqueles livres da servidão colonial. 
Todos se direcionaram, na década de 30, para 
os centros, onde havia promessa de trabalho e 
renda, portanto, de melhoria da vida. Asso-
ciada a essa promessa, estavam itens como 
casa própria, educação, saúde, emprego, 
renda, alimentação, lazer etc. 
LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 15
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Sabemos, portanto, que ao chegar nos centros urbanos, os moradores do 
campo foram ocupar os lugares sem interesse imobiliário. Por isso, houve um 
processo de expropriação do homem da cidade, o que promoveu um caos em 
cidades brasileiras por problemas de habitação, mobilidade, transporte, aces-
sibilidade, saneamento e infraestruturas urbanas. Por isso, surgiu o lema “re-
forma urbana” nas periferias do Brasil, tal como as ideias da Revolução France-
sa: igualdade, liberdade e fraternidade. 
No Brasil, os problemas urbanos motivaram moradores da periferia a luta-
rem pelo direito à cidadania. Portanto, quando nos referimos à reforma urba-
na, significa um pensamento relacionado às políticas de planejamento urbano 
e à qualificação da vida pela moradia e acesso à cidade, isto é, pensar na di-
minuição das desigualdades, na distribuição de renda, no acesso aos bens e 
serviços públicos e na qualidade de vida cotidiana. 
O movimento da reforma urbana não ficou somente na década de 30: em 
1980 reapareceu com a participação de arquitetos, urbanistas, geógrafos, so-
ciólogos, antropólogos, assistentes sociais, psicólogos e advogados. A voz da-
queles que viviam na precariedade agora recebia uma nova força que vinha das 
universidades. 
Figura 1. Paraisópolis, São Paulo – Brasil, representação da desigualdade urbana no país. Fonte: VIEIRA, 2004. 
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Sendo assim, cria-se, em 1985, o Movimento Nacional pela Reforma Ur-
bana, com raízes em centros urbanos. Este movimento foi um dos mais impor-
tantes para a Constituição Federal de 1988, fundamentando os capítulos 182 
e 183 sobre o desenvolvimento urbano. Regulamentado em 2001, o Estatuto 
da Cidade (Lei n. 10.257, de 10 de julho de 2001) tem por objetivo estabelecer 
normas para o planejamento adequado das cidades, incluindo fatores sociais 
e ambientais. 
Conceito da Constituição Federal de 1988
No Brasil, em 1988, é promulgada a Constituição Federal (CF 88), elaborada 
pela pressão dos movimentos populares, principalmente o Movimento Nacio-
nal da Reforma Urbana, sendo que arquitetos, urbanistas e planejadores urba-
nos eram participantes ativos. 
A CF 88 foi uma resposta política e social a qualquer forma de tirania, pois 
as mobilizações da década de 80 eram contra o regime militar, que começou 
em 1964 e só terminou em 1985. Os fundamentos na elaboração nasceram 
dos problemas sociais, econômicos, políticos e urbanos que o país atravessava 
de norte a sul, trazendo como experiência constituições avançadas de outros 
países, principalmente a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. 
Isto é, os direitos humanos, a cidadania, a liberdade, a igualdade, a proteção e 
seguridade do Estado e governantes para com o povo. 
Para concretizar estes direitos e princípios de uma sociedade próspera e 
pacífi ca, era necessário um regime de governo em que o poder não estivesse 
nas mãos de um grupo ou família. Por isso, a carta magna adota a democracia 
como forma de organização do povo, do sistema de governo e de prosperidade 
da nação brasileira. Assim, a CF 88 estabelece que o povo é soberano e o poder 
deve ser trocado de quatro em quatro anos pelo voto. Neste sentido, a organiza-
ção (modelo) do Estado foi defi nida em estados e municípios. Esta organização 
é chamada de federação, sendo que o povo elege ou reelege 
seus representantes: presidente, governador, prefeito, depu-
tados federais, deputados estaduais, senadores e vereado-
res, formando, portanto, os poderes executivos e legislativos 
em Brasília, nas capitais dos estados e nas sedes municipais. 
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Mas a democracia pressupõe um sistema de governo baseado na construção 
de pactos federativos por um interesse comum à nação brasileira, havendo um 
acordo entre os governantes e legisladores. Por exemplo, o Sistema Único de 
Saúde, o Plano Nacional de Educação, as escolas e universidades públicas etc. 
Por isso, o sistema de governo brasileiro é chamado de presidencialista, isto é, 
na federação, quem governa o Estado é o Poder Executivo, também chamado 
de União. 
Regime de governo - Democrático
Forma de governo – Republicana
Forma de Estado – Federação
Sistema de governo - Presidencialismo
Figura 2. Organização do Estado brasileiro após a Constituição de 1988. (Adaptado).
Contexto da Constituição de 1988
Toda ação relacionada à cidade é uma decisão fundamentada em nossa 
carta magna, a CF 88. Seus parágrafos e artigos em forma de lei preveem que 
o Estado, governos e instituições apliquem outro conjunto de leis, garantindo 
liberdade e autonomia dos cidadãos vivendo em uma república. Ou seja, não 
somos escravos ou submissos a outra pessoa, pois os direitos sociais do Art. 6 
garantem a proteção social pelas instituições do Estado. 
É neste sentido que as pessoas no Brasil são conside-
radas “sujeito de direitos” nas políticas do Estado e 
dos governos. A mesma questão pode acontecer em 
qualquer situação em que os direitos das pessoas este-
jam sendo invadidos e anulados por formas de opressão, 
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na qual não existe sujeito, direito e cidadania, mas, sim, o desejo pela obediên-
cia, pela servidão e pelo trabalho forçado. Por isso, existe a ideia de que uma 
pessoa não é um ser humano, mas um indivíduo: sem liberdade de escolha ou 
proteção do Estado. Mais ainda, o indivíduo não possui valor humano, pois o 
que importa é sua força de trabalho e, por isso, sua liberdade de ser alguém na 
vida é retirada.
ASSISTA
A CF 88 surge por conta da violência do regime militar, 
sem abandonar o legado que vem desde 1500. Por isso, 
inviabilizar a violência é seu maior objetivo. Assista a um 
trecho do fi lme 2001: Uma Odisseia no Espaço, do diretor 
Stanley Kubrick, e pense nas seguintes questões: como 
a violência surge por meio do poder? E por meio de qual 
instrumento o poder é estabelecido? Entre o grupo de 
hominídeos, quem assume o poder?
Política e legislação urbana
Compreender e conceituar política e legislação é uma tarefa um tanto quan-
to complexa. Este fato atrapalha a atividade profi ssional, o diálogo com a so-
ciedade pelo Poder Público e, principalmente, em concursos públicos. Vamos 
realizar agora uma breve síntese de fundamentos essenciais à compreensão do 
Estatuto da Cidade (EC).
O Estatuto da Cidade é um conceito de sociedade, pois pressupõe que a ter-
ra urbana não seja usada como mercadoria por uma pequena minoria (incor-
poradores imobiliários, por exemplo). E, por isso, seu fundamento conceitual é 
o de garantir a função social dapropriedade – terra ou edifício. 
Sendo assim, vamos compreender os fundamentos de: 
• Legislações e políticas federais, estaduais e municipais; 
• Plano e política setorial; 
• Políticas urbanas; 
• Legislações urbanas. 
Em Brasília, os ministérios pensam as políticas nacionais orientando o desen-
volvimento de sua área de atuação. Por exemplo, o Ministério das Cidades elabo-
rou as primeiras políticas urbanas nacionais, como o Plano Nacional de Habitação. 
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Um plano é um documento político contendo um diagnóstico da situação, um 
prognóstico do que pode ser feito para resolver problemas identificados na 
etapa anterior e, por fim, um plano de metas, ações e estratégias em que os 
investimentos são propostos. Um plano nacional orienta a atuação do governo 
dentro daquele período de quatro anos, e pode ser reelaborado ou esquecido 
no governo seguinte. Quando elaborado, o plano considera a realidade dos 
estados, municípios e regiões brasileiras e, assim, orienta o legislativo a trans-
formá-lo legislação. No caso, a Política Nacional de Habitação desdobrou-se 
nas seguintes leis: Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS) 
e o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) - Lei n. 11.124, de 
2005. As duas leis são importantes para que o Governo Federal direcione esfor-
ços para diminuir o problema da habitação no Brasil. 
O centro do poder definiu uma legislação federal - Lei n. 11.124, de 2005, 
impondo a qualquer governo implementar os princípios e diretrizes que foram 
desenhados (pensados, discutidos e escritos) com base no problema urbano 
da moradia. Sendo assim, estados devem seguir orientações do Plano Nacional 
de Habitação e elaborar seus Plano Estaduais de Habitação, criando suas pró-
prias leis estaduais de acordo com a realidade. Estas leis devem apenas ampliar 
princípios e diretrizes do que foi aprovado como Lei Federal (SNHIS e FNHIS) e, 
assim, construir os pactos federativos (Governo Federal e Estadual; Ministério 
das Cidades e Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano) por meio dos 
convênios e promover a liberação de recursos para a construção de casas, por 
exemplo. No mesmo sentido, o município deve elaborar o chamado Plano Local 
de Habitação de Interesse Social (PLHIS) e transformá-lo em legislação muni-
cipal, respeitando princípios e diretrizes da Legislação Estadual e Municipal. 
No Brasil o arquiteto, urbanista e planejador urbano atua junto ao Poder 
Público de um município. No campo do urbanismo e do planejamento urbano, 
sua atuação, em geral, é: 
• Como concursado, assumindo cargo em secretarias de urbanismo;
• Consultor em escritório particular. 
O concursado irá coordenar processos administrativos relacionados aos fi-
nanciamentos urbanos e, para isso, é necessário conhecer o Estatuto da Cida-
de, já que sua ação como planejador urbano será relacionada ao ordenamento 
territorial, isto é, orientar, coordenar e fiscalizar o crescimento urbano. 
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A primeira política é o Plano Diretor Municipal (PDM), que todo município com 
mais de vinte mil habitantes deve ter. O Plano Diretor impõe ao município elaborar 
as demais políticas urbanas: 
• Plano Municipal de Saneamento Básico (PSMB); 
• Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS); 
• Plano Municipal de Mobilidade e Acessibilidade Urbanas; 
• Plano Diretor de Drenagem Urbana (PDDrU); 
• Plano Municipal de Regularização Fundiária (PMRF); 
• Plano Municipal de Conservação e Desenvolvimento Sustentável; 
• Planos Habitacionais de Interesse Social (PLHIS). 
Os instrumentos do Estatuto da Cidade 
O Plano Diretor possui as seguintes fases: 
• Fase 1: leitura técnica em que um arquiteto e urbanista coordena uma 
equipe de profi ssionais. Cada profi ssional analisa o espaço urbano e elabora 
um laudo técnico abordando problemas, condicionantes e tendências urba-
nas. Esta leitura é chamada de diagnóstico, momento em que problemas e 
tendências de crescimento fi cam claros. Nesta fase, os arquitetos já pensam 
quais instrumentos serão necessários para inibir problemas urbanos.
• Fase 2: elaboração de um prog-
nóstico que defi ne os eixos de de-
senvolvimento urbano e social. Nes-
ta fase, os arquitetos defi nem quais 
instrumentos do estatuto devem ser 
abordados na fase seguinte.
• Fase 3: nesta fase, as diretrizes, 
ações, metas, projetos e prioridades 
são propostas em um documento. 
Este documento fundamenta a elabo-
ração da Lei do Plano Diretor Muni-
cipal. Nesta lei, existirão normas de 
controle e uso do solo urbano, fi cando defi nidos os instrumentos do Estatuto 
da Cidade em artigos, parágrafos, incisos e alíneas. 
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• Fase 4: aprovação do projeto de lei na Câmara dos Vereadores com a 
presença da sociedade e posterior sanção do prefeito. É importante que os 
arquitetos estejam presentes nesta fase para contestar possíveis interesses 
individuais. 
De modo geral, este é o procedimento padrão em qualquer município no 
Brasil, sendo que cada etapa possui um conjunto de oficinas participativas 
com os bairros e comunidades da área rural. Em cada fase, existem audiên-
cias públicas (podendo ser mais de uma, conforme o tamanho da população 
e perímetro urbano), obedecendo ao capítulo IV da Lei n. 10.257/2001, que 
trata sobre a gestão democrática da cidade. 
Sendo assim, o Plano Diretor é o principal instrumento da política ur-
bana brasileira – o Estatuto da Cidade (capítulo III da Lei n. 10.257/2001. As 
seguintes escalas urbanas são obrigadas a ter um Plano Diretor (Art. 41 do 
capítulo III da Lei n. 10.257/2001): 
• Todo município cuja a área urbana tenha mais de 20 mil habitantes; 
• Municípios de regiões metropolitanas; 
• Municípios, independentemente da população, que estejam em áreas 
de turismo; 
• Municípios que possam vir a ser afetados por algum grande equipa-
mento regional.
Assim, para melhor entendermos esta Lei, vamos organizar os instru-
mentos de acordo com os grandes problemas urbanos, sociais, ambientais 
e democráticos em realidades brasileiras. A saber: 
• Instrumentos de indução do desenvolvimento urbano; 
• Instrumentos de regularização fundiária; 
• Instrumentos de democratização da gestão urbana; 
• Instrumentos de financiamento da política 
urbana. 
Os instrumentos organizados desta for-
ma possuem seu fundamento de indução 
ao desenvolvimento urbano. Isto é, por 
meio dele, o objetivo do Estatuto deve ser al-
cançado: cumprir a função social da proprieda-
de, conforme a Figura 3. 
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Figura 3. Exemplos de como o Estatuto promove a função social da propriedade. Fonte: Prefeitura de São Paulo, 2014, p. 17. 
Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: macrozoneamento
Este instrumento é um mapa municipal que defi ne diretrizes ao desenvolvi-
mento urbano e rural. Neste sentido, o município é dividido em zonas: macro-
zonas de interesse econômico onde as indústrias vão se instalar; macrozonas 
já ocupadas pelo processo de evolução urbana; áreas vazias entre bairros de-
vendo ser ocupadas; área com infraestrutura urbana e poucas construções, ou 
melhor, áreas com loteamentos e poucas casas; áreas que foram importantes 
na constituição da cidade com edifi cações antigas; macrozona de expansão ur-
bana; e áreas de fragilidade ambiental pelo solo, recursos hídricos ou encostas.
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Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: zoneamento
O zoneamento é uma subdivisão do perímetro urbano que considera zonas 
residenciais de baixa densidade,portanto, casas de um a dois pavimentos; zo-
nas residenciais de baixa densidade II, com casas e edifícios que podem chegar 
a quatro pavimentos; zonas residenciais de média densidade, com edifícios de 
até dez pavimentos; e zonas de uso misto de alta densidade. 
Existem ainda zonas de proteção e conservação ambiental, proteção e con-
servação urbana e, conforme a realidade da cidade, são criadas outras zonas 
de acordo com a especificidade do solo, dos moradores existentes, do tipo de 
construção e de potencialidades de crescimento. O zoneamento em medidas 
diferentes segue o traçado do sistema viário, possibilitando que a política de 
mobilidade seja coerente com os espaços urbanos. 
O zoneamento é de indução ao desenvolvimento urbano, pois orienta em-
preendedores a comprarem lotes e construírem nas zonas aptas a terem edifí-
cios. Conforme o zoneamento, o Poder Público planeja, investe, fiscaliza e con-
trola a construção dentro do perímetro urbano, investe no número de escolas, 
postos de saúde, creches, centros de cultura, centros socioeducativos, praças, 
parques, sistema de mobilidade urbana e arborização. 
Os demais instrumentos que vamos estudar geram recursos à Prefeitura, 
que é obrigada a investir nas áreas precárias (periferias). Estes espaços no zo-
neamento são definidos como Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS). 
Quando o perímetro urbano cresce, o Plano Diretor define o tamanho dos 
lotes de acordo com a zona. Então, o profissional precisa saber ler o zoneamen-
to e os quadros normativos de qualquer construção. 
De modo geral, toda zona possui seus índices urbanísticos de controle da 
ocupação:
• Todos os pavimentos representam a área construída. A Prefeitura vai fis-
calizar se o arquiteto não ultrapassou a área prevista no projeto e na 
construção finalizada. Caso contrário, a obra pode ser 
embargada, o arquiteto pode sofrer sanções, o clien-
te pode ser obrigado a quebrar partes da edifica-
ção ou pagar taxas, além de um alto imposto so-
bre a propriedade predial e territorial urbana, que 
é calculado de acordo com a área construída; 
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• Ao pegar o quadro do zoneamento, o profissional procura o coeficiente 
de aproveitamento (CA) proposto no plano diretor. Vamos usar o seguinte 
exemplo: imagine que o cliente comprou um lote de 300 m² em uma zona re-
sidencial II. Ele vai poder ocupar os 300 m²? Não. O profissional, elaborando o 
projeto, vai procurar o CA da zona e deve encontrar um valor de 1,8 (hipotético), 
por exemplo. Então, vai descobrir quanto de área o cliente pode construir pelo 
seguinte cálculo: área do terreno . CA, ou seja, 300 m² . 1,8 = 540 m². Isto é, o ar-
quiteto pode projetar uma casa com 540 m². O CA varia de acordo com a zona;
• Usando o exemplo anterior, o cliente vai construir uma casa de 540 m² 
em todo terreno de 300 m²? Não. Ele vai obedecer a taxa de ocupação (TO) 
que vem na tabela do zoneamento. Neste sentido, imagine que na tabela você 
encontrou uma taxa de ocupação de 30% (0,3). Isto significa o seguinte cálculo: 
TO . área do lote, ou seja, 0,3 . 300 m² = 90 m², ou seja, o arquiteto vai projetar 
considerando que dos 300 m² do lote, 90 m² não podem ter construção. Esta 
área livre é para infiltração da água no solo, evitando enchentes ou sobrecarga 
do sistema de drenagem urbana (quando existe);
• Haverá na tabela recuos laterais para a entrada de ar e iluminação na edi-
ficação. 
Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: direito de superfície 
É comum, dentro do espaço urbano, herdeiros de terras não fazerem pla-
nos de construção nestes locais, principalmente fora da cidade, nas laterais da 
rodovia. Então, um empreiteiro que queira abrir um posto de gasolina e um 
restaurante entraria em contato com o proprietário para realizar o arrenda-
mento da terra. 
De forma mais simples, ele a aluga por um período provisório para não 
pagar multas. No caso, o dono arrendará a terra a uma construção (desmon-
tável) na superfície do solo e no subsolo. Ou seja, um zoneamento 
pode considerar uma área com poucas construções mais dota-
das de infraestruturas urbanas. E, por isso, defi-
ne no Plano Diretor este instrumento para os 
donos da terra não deixarem suas proprie-
dades sem uso. Neste sentido, o proprietá-
rio vai ao cartório e estabelece o arrenda-
mento da terra. 
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Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano – outorga onerosa 
do direito de construir (solo criado)
Este instrumento é chamado em algumas cidades de solo criado. Talvez, 
seja o mais simples de entender e o mais difícil de ser aplicado pela Prefeitura. 
Para entendermos este instrumento, vamos imaginar que um cliente comprou 
um terreno dentro de uma zona em que o coeficiente de aproveitamento é dois. 
Neste sentido, o arquiteto, ao fazer os cálculos de ocupação do terreno, infor-
ma ao proprietário que ele só pode construir três andares e 12 apartamentos, 
já que aquela zona prevê na legislação do Plano Diretor o chamado direito de 
construir. Ele pode sugerir que se compre mais potencial construtivo (mais CA) 
para aumentar o número de pavimentos e apartamentos. Os recursos desta 
venda devem ser aplicados em questões sociais da cidade, garantindo menos 
desigualdade e mais acesso aos bens e serviços públicos. 
Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: direito de 
preempção
No zoneamento, serão mapeados alguns lotes para que a Prefeitura tenha o 
direito de comprar a terra. Isto significa que a preferência de compra é, obriga-
toriamente, da Prefeitura; mesmo que o proprietário tenha outro comprador, 
não poderá vendê-la.
A Prefeitura terá preferência de aquisição dos imóveis marcados 
como sujeitos ao direito de preempção, para possuir área
necessária para cumprir os objetivos e implantar as ações
prioritárias do Plano Diretor. 
Preferência
para adquirir
Prefeitura Imóveis sujeitos ao
direito de preempção
Direito de preempção
Figura 4. Objetivo do direito de preempção. Fonte: Prefeitura de São Paulo, 2014, p. 78. (Adaptado).
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Neste caso, na elaboração do Plano Diretor, pressupõe-se que terrenos nesta 
condição serão usados na construção de habitação, equipamentos públicos, praças 
ou parques. Por isso, os terrenos são delimitados no zoneamento como prioridade 
ao Poder Público. Porém, este instrumento não impõe quando o proprietário deve 
colocar o terreno à venda. O instrumento responsável por esta imposição legal é o 
parcelamento, edificação ou utilização compulsórios. 
Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: consórcio imobiliário
Significa que, no perímetro urbano, existem terras sem ocupação entre bairros 
que foram crescendo, e a Prefeitura precisa de locais para construir habitações para 
classes menos abastadas. Quando finalizada a obra, o antigo proprietário da terra 
recebe um número de apartamentos que corresponde ao valor do espaço cedido, 
podendo ele alugar, vender ou morar. 
Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: parcelamento, edifi-
cação ou utilização compulsórios
É comum nos bairros dentro do perímetro urbano existirem edifícios sem uso 
comercial, de serviço ou residencial. Isso gera um prejuízo muito grande, pois são 
edifícios ociosos que não pagam IPTU. Por estarem sem uso, tornam as infraestru-
turas de água, energia, telecomunicação, drenagem, sistema viário, calçadas e ilu-
minação pública sem sentido – infraestruturas que possuem custos não apenas de 
manutenção, mas de funcionamento. Se uma edificação construída dentro de um 
bairro está sem uso, significa que ela não está cumprindo sua função social. 
Necessário
parcelar
Necessário
edificare/ou
e/ouNecessário
parcelar
Necessário
edificar
ParceladoEdificado
Figura 5. Principais objetivos do parcelamento, edificação ou utilização compulsórios. Fonte: Prefeitura de São Paulo, 2014, p. 74.
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A mesma realidade serve para explicar lotes vazios e grandes áreas verdes 
entre bairros. Neste sentido, entra a função social da cidade, sendo que as 
terras não podem servir de especulação, ou seja, ficarem paradas à espera de 
valorização para venda, loteamento ou construção. Isso é contra o Estatuto da 
Cidade, pois representa a exclusão de um grupo e o privilégio de outro. 
Neste sentido, o zoneamento pela lei do Plano Diretor vai propor este ins-
trumento em zonas onde estas tipologias de solo e edificações sem uso exis-
tem. Assim, estas tipologias estão sob jurisdição federal por uma lei municipal 
que obriga o proprietário a criar condições de uso ou construção. 
O zoneamento vai mapear os edifícios e áreas ociosas, e os vereadores de-
vem criar uma lei regulamentando este instrumento. Neste sentido, a lei obriga 
o proprietário a edificar, parcelar ou vender suas terras livres. E, no caso de edi-
fícios (construção parada), devem ser finalizados e colocados para funcionar. 
No geral, será definido que estas condições de uso e edificação devem 
acontecer entre dois a cinco anos, variando conforme a lei municipal. Se neste 
prazo o proprietário não cumprir a legislação, a Prefeitura vai aplicar o IPTU 
progressivo do tempo que aquela área esteve ociosa. Caso o proprietário não 
pague o imposto, a Prefeitura tem o direito legal para desapropriar, comprar 
ou tomar a propriedade.
Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: imposto predial 
e territorial urbano progressivo
Este instrumento vem definido no zoneamento e na lei do PD em zonas 
em que existem áreas subutilizadas, ou seja, áreas que têm um potencial para 
construir mais edifícios, sejam eles de serviços ou de uso misto (moradia e 
comércio), sistema viário, espaços públicos, parques, vias comerciais e equipa-
mentos públicos sociais. 
A lei do Plano Diretor prevê que, com este instrumento e com o coeficien-
te de aproveitamento, o valor do solo seja aumentado, fazendo com 
que as pessoas comecem a vender suas casas para o 
mercado imobiliário, ou ainda transformem suas 
residências em espaços comerciais. Em resumo, 
o instrumento propõe adensar áreas com po-
tencial de construção e moradia, possibilitando o 
crescimento da cidade.
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Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: operações urba-
nas consorciadas
No Plano Diretor, serão definidas áreas da cidade muito precárias ou aban-
donadas em lugares estratégicos no perímetro urbano, que serão denomi-
nadas como Operação Urbana. Estes espaços são importantes para o aden-
samento populacional, abertura de parques, praças, espaços de comércio e 
serviços, áreas em que incorporações imobiliárias poderão atuar construindo, 
valorizando e vendendo. Este espaço, no Plano Diretor, vai aparecer dentro da 
área do zoneamento como área prioritária à intervenção urbana. 
Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: transferência do 
direito de construir
Este instrumento foi concebido considerando que existem edifícios toma-
dos de valor histórico que não podem ser derrubados. Sendo assim, o zonea-
mento faz um mapeamento destes edifícios tomados, separando aqueles que 
serão tombados e os de interesse histórico que serão protegidos pelas políticas 
do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Neste senti-
do, o zoneamento permite que o proprietário venda o coeficiente de aprovei-
tamento (solo aéreo) para outros proprietários que queiram construir além do 
potencial de sua zona, ou, ainda, pegar este coeficiente e construir em outra 
zona usando o CA do local somado ao CA do edifício tombado. 
Na Figura 6, há dois pavimentos vazios, isto é, o potencial construtivo com-
prado dos pavimentos que não podem ser construídos no lote à esquerda. 
Figura 6. Exemplo da transferência do direito de construir. 
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Instrumentos de regularização fundiária 
Entendemos, ao longo da unidade, que a cidade informal é ocupada de for-
ma irregular, já que, entre as décadas 
de 30 e 90, o Brasil não teve claramen-
te uma política habitacional orientada 
ao planejamento urbano, direcionan-
do grande parte dos recursos públicos 
aos bairros de classe média e alta. 
Neste sentido, o Estatuto da Cida-
de criou um conjunto de instrumentos 
induzindo o direito à propriedade, à 
desapropriação das áreas de risco e à 
moradia em zonas de baixa renda. O Poder Público foi arrecadando recursos 
pela venda do potencial construtivo, sendo obrigado a investir em urbanização, 
regularização e construção habitacional. 
Sendo assim, vamos conhecer alguns instrumentos que aparecem no zo-
neamento que orientam a Prefeitura a legalizar o uso da terra urbana. 
Instrumento de Regularização Fundiária: usucapião especial de imóvel 
urbano
O zoneamento vai defi nir as áreas prioritárias de regularização fundiária, 
mas ele defi ne apenas a escala do espaço urbano ocupada de forma ilegal. A 
lei do Plano Diretor prevê a regularização e o uso dos recursos públicos para 
este fi m e, neste sentido, prevê que o município elabore o Plano Municipal de 
Regularização Fundiária Sustentável. Deste plano, os vereadores criam uma lei 
municipal de regularização seguindo orientações do Estatuto da Cidade previs-
tas no Plano Diretor e da Lei Federal de Regularização Fundiária (Lei Federal n. 
13.465, de 11/07/2017). 
Este plano tem as mesmas etapas do Plano Diretor, porém dentro das áreas 
a serem regularizadas. Seus resultados são quantitativos: famílias sem posse 
da terra, casas irregulares, casas em situação de risco, idosos, famílias sem 
renda, falta de infraestrutura sanitária, crianças sem escola, mulheres chefes 
de família, portadores de necessidades especiais (PNE), ou seja, toda uma ca-
racterização social, habitacional e urbana. 
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Instrumento de Regularização Fundiária: concessão de uso especial 
para fi ns de moradia
Este instrumento foi criado para regularizar famílias morando de forma ile-
gal em terras públicas. Neste caso, apenas a Prefeitura deve aplicar o Artigo 6 
da CF 88, que diz que todo sujeito tem direito à moradia. Sendo assim, como no 
instrumento de usucapião, a Prefeitura pode conceder a regularização coletiva 
a todos moradores como se a ocupação fosse um condomínio pertencente a 
todos, ela também pode fazê-lo de forma individual. Importante entender que 
esta ação dependerá de como os arquitetos pensaram sobre a melhor estraté-
gia de regularização no plano e na lei. 
Instrumentos de Indução do Desenvolvimento Urbano: ZEIS
As áreas ocupadas por famílias de baixa renda por mais de cinco anos, lo-
teamentos vazios que foram ocupados e o dono não exigiu o direito de posse, 
invasão em áreas ambientais protegidas pelo zoneamento e a invasão de áreas 
da Prefeitura sem ocupação são transformadas em Zonas Especiais de Interes-
se Social (ZEIS). As ZEIS também podem ser antigos condomínios que foram 
sendo abandonados e ocupados.
O objetivo desta zona é orientar o Poder Público a construir casas, colocar 
infraestruturas, construir equipamentos sociais de educação, saúde, lazer e es-
portes. Deve-se investir na urbanização com as infraestruturas de drenagem 
urbana, pavimentação, arborização, calçamento, energia elétrica, iluminação 
pública, telecomunicação, rede de água potável, rede de esgoto e sistema de 
coleta de lixo. Também são aplicados índices urbanísticos, evitando que um 
lote seja ocupado por mais de uma família e, assim, a insalubridadeseja uma 
realidade associada às enchentes pela ausência de áreas permeáveis. 
Instrumentos de democratização da gestão urbana
Ao longo desta unidade, fi cou clara a necessidade de as pessoas participa-
rem dos processos decisórios relacionados aos investimentos. Esta participa-
ção signifi ca mudar o modelo de gestão da administração pública em relação 
aos investimentos, às políticas e à implementação de leis. O Estatuto prevê 
mecanismos de gestão, participação e controle social do que o Poder Público 
está fazendo.
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Instrumento de democratização da gestão urbana: conselho de habita-
ção e desenvolvimento urbano
Todo município que tem um Plano Diretor deve ter o conselho da cidade 
para discutir investimentos, pensar em decisões de interesse comum e fisca-
lizar o Poder Público. O conselho é formado por representantes diversos da 
sociedade que tenham participado da elaboração do plano e entendam as le-
gislações urbanas. 
No geral, é um conselho consultivo sem o poder de imposição a possíveis 
decisões do prefeito, mas o conselho pode denunciar ao Ministério Público im-
probidades administrativas por descumprimento à lei do Plano Diretor. 
Instrumento de democratização da gestão urbana: audiências públicas
As audiências são obrigatórias em todas as fases do Plano Diretor, por 
exemplo, e em qualquer decisão da Prefeitura e vereadores as consultas públi-
cas devem acontecer. Caso contrário, as decisões tomadas não possuem vali-
dade constitucional. 
Instrumento de democratização da gestão urbana: estudo de impacto 
de vizinhança (EIV)
Este instrumento foi criado considerando o problema urbano gerado pelos 
grandes investimentos em bairros onde o zoneamento não permite tal em-
preendimento, e até mesmo em cidades sem Plano Diretor e zoneamento, em 
que existe apenas uma Lei de Uso e Ocupação do Solo. 
Neste sentido, qualquer empreendimento dentro do perímetro urbano que 
provoque efeitos no dia a dia da moradia deve elaborar o EIV conforme legis-
lação própria da Prefeitura, apresentando o estudo à população afetada. Este 
estudo deve mostrar, claramente, os efeitos urbanos, sociais, ambientais e eco-
nômicos de curto e longo prazo, principalmente em relação às infraestruturas 
urbanas, como os sistemas de circulação, saneamento e transporte. 
Instrumento de democratização da gestão urbana: orçamento participativo
Geralmente, todo prefeito convoca a população, representantes e todos 
técnicos da Prefeitura para discutir o orçamento de investimentos no ano se-
guinte. A Prefeitura apresenta uma prévia e as pessoas discutem o que deve 
ser prioridade, o que deve ser incorporado e o que deve ser retirado. O objeti-
vo, de maneira geral, é destinar recursos para habitação, saúde básica, regula-
rização, pavimentação, escolas, segurança etc.
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Instrumento de democratização da gestão urbana: iniciativa popular
Se representantes dos conselhos perceberem que vereadores e o prefeito 
estão conduzindo a administração pública baseados em interesses próprios, 
desconsiderando as legislações e políticas urbanas, podem, junto à população 
e outras entidades municipais, propor projetos de leis de iniciativa popular. 
Por exemplo, há muitas ocupações ilegais sem regularização fundiária e ur-
banização. Pode-se propor a elaboração do Plano Municipal de Regularização 
Fundiária Sustentável e a criação de uma lei que obriga o prefeito a regularizar 
as ocupações. 
Sendo assim, o Plano Diretor deve ser elaborado em consonância com o 
orçamento participativo que todo município deve ter. Em resumo, é uma lei 
que define as prioridades de investimentos do Poder Público e, também, é uma 
ampliação do artigo 29 da CF 88. 
ASSISTA
O Plano Diretor de São Paulo, aprovado em 2014, é 
considerado a maior legislação urbana dos países em 
desenvolvimento. O reconhecimento foi dado à gestão 
de Fernando Haddad, que recebeu sete prêmios inter-
nacionais. Assista ao breve documentário que resume o 
que foi este Plano Diretor. 
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Sintetizando
Vimos, nesta unidade, como os problemas urbanos brasileiros se encon-
tram na questão da moradia, e como este ponto está associado à falta de 
políticas urbanas e sociais durante o processo de ocupação urbana entre as 
décadas de 30 e 90. 
Nas décadas de 60 e 70, o Brasil não teve políticas de desenvolvimento 
urbano, muito menos políticas habitacionais para diminuir as desigualdades 
de acesso aos bens e serviços urbanos. Por este motivo, a pobreza foi se 
tornando a realidade da vida de muitas pessoas, o que deu origem ao Movi-
mento pela Reforma Urbana, mobilizando um conjunto de ideias em torno da 
cidade como direito.
Vimos que foi neste contexto que a nossa Constituição foi instituída, em 
1988, criando um regime democrático em que o povo é soberano, uma Fede-
ração como Estado, uma república e o presidencialismo.
Neste sentido, os movimentos sociais pela reforma urbana foram impor-
tantes na elaboração da Constituição de 88, e, por isso, os artigos 182 e 183 
fundamentaram-se nos problemas urbanos e na possibilidade de cidades 
menos desiguais, com capacidade de oferecer melhor qualidade de vida para 
seus habitantes. Estes dois artigos são regulamentados pela Lei n. 10.257, de 
10 de julho de 2001, que instituiu o Estatuto da Cidade, cujo objetivo é promo-
ver o progresso urbano e social pelos instrumentos de indução ao desenvol-
vimento das cidades, regularização fundiária e participação social. 
Sendo assim, pudemos notar que, neste processo, o cidadão começou a ser 
mais participativo nas decisões do Poder Público, entendendo e aprendendo o 
que é cidade como direito, vida coletiva e qualidade urbana e a cidadania.
Após a contextualização da Constituição de 1988 e o Estatuto da Cidade, 
estudamos vários instrumentos utilizados no de-
senvolvimento urbano. Conceituamos suas qua-
tro fases: diagnóstico, prognóstico, elaboração 
da Lei do Plano Diretor Municipal e aprovação 
do projeto de lei na Câmara dos Vereadores com 
a presença da sociedade e posterior sanção do 
prefeito. 
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Por fim, detalhamos os instrumentos do Estatuto da Cidade, de regulari-
zação fundiária e de democratização da gestão urbana a fim de mostrar suas 
principais semelhanças e diferenças, evidenciando sua importância dentro 
do contexto do desenvolvimento das cidades e do bem-estar da população. 
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PLANO DIRETOR E LEI 
DE USO E OCUPAÇÃO 
DO SOLO
2
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Abordar sobre o Plano Diretor enquanto uma importante ferramenta para 
um planejamento ideal; 
 Apresentar sobre a importância da população na participação do Plano Diretor;
 Contextualizar o Plano Diretor e a Lei de Uso e Ocupação do Solo.
 Plano Diretor 
 O Plano Diretor deverá atender 
quais municípios?
 Plano Diretor participativo
 Plano Diretor versus demais 
leis municipais
 Lei de Uso e Ocupação do Solo
 Entendendo a Lei de Uso e 
Ocupação do Solo
 Instrumentos urbanísticos no 
uso e ocupação do solo
 Como a Lei de Uso e Ocupação 
do Solo pode beneficiar a cidade?
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Plano Diretor
Ao abordarmos o Plano Diretor, devemos ter em mente que existem pla-
nos e normas que são a base para a sua realização, sendo alguns deles, Plano 
Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias, Lei Orçamentária Anual, plano de 
metas, Lei de Parcelamento e o Uso e Ocupação do Solo.
Convém ressaltar quais são os princípios e diretrizes que tratam da política 
urbana e do Plano Diretor. Dentre os princípios, pode-se citar: a função social 
da cidade; função social da propriedade urbana; função social da propriedade 
rural; direito à cidade; direito ao meio ambiente e gestão democrática.
Realizando um recorte e trazendo como exemplo o Plano Diretor da cidade de 
São Paulo, no que se refere à função social da cidade, seu artigo 5º estabelece que 
“compreende o atendimento das necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de 
vida, à justiça social, ao acesso universal aos direitos sociais e ao desenvolvimento 
socioeconômico e ambiental” (PREFEITURA DA CIDADE DE SÃO PAULO, 2014). 
Desde já indicamos que cada princípio não será trabalhado de forma pon-
tual, por isso, é recomendada a leitura do Plano Diretor específi co do seu muni-
cípio para conhecimento de cada um deles e suas aplicações.
As diretrizes que orientam o Plano Diretor foram apontadas:
I – justa distribuição dos benefícios e ônus do processo de 
urbanização;
II – retorno para a coletividade da valorização de imóveis decor-
rente dos investimentos públicos e das alterações da legislação 
de uso e ocupação do solo;
III – distribuição de usos e intensidades de ocupação do solo de 
forma equilibrada, para evitar ociosidade ou sobrecarga em re-
lação à infraestrutura disponível, aos transportes e ao meio am-
biente, e para melhor alocar os investimentos públicos e privados;
IV – compatibilização da intensifi cação da ocupação do solo com 
a ampliação da capacidade de infraestrutura para atender às de-
mandas atuais e futuras;
V – adequação das condições de uso e ocupação do solo às ca-
racterísticas do meio físico, para impedir a deterioração e dege-
neração de áreas do Município;
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VI – proteção da paisagem dos bens e áreas de valor histórico, cul-
tural e religioso, dos recursos naturais e dos mananciais hídricos su-
perficiais e subterrâneos de abastecimento de água do Município;
VII – utilização racional dos recursos naturais, em especial da 
água e do solo, de modo a garantir uma cidade sustentável para 
as presentes e futuras gerações;
VIII – adoção de padrões de produção e consumo de bens e ser-
viços compatíveis com os limites da sustentabilidade ambiental, 
social e econômica do Município;
IX – planejamento da distribuição espacial da população e das 
atividades econômicas de modo a evitar e corrigir as distorções 
do crescimento urbano e seus efeitos negativos sobre o meio 
ambiente, a mobilidade e a quantidade de vida urbana;
X – incentivo à produção de Habitação de Interesse Social, de 
equipamentos sociais e culturais e à proteção e ampliação de 
áreas livres e verdes;
XI – prioridade no sistema viário para o transporte coletivo e mo-
dos não motorizados;
XII – revisão e simplificação da legislação de Parcelamento, Uso e 
Ocupação do Solo e das normas edilícias, com vistas a aproximar 
a legislação da realidade urbana, assim como facilitar sua com-
preensão pela população;
XIII – ordenação e controle do uso do solo;
XIV – cooperação entre os governos, a iniciativa privada e os 
demais setores da sociedade no processo de urbanização, em 
atendimento ao interesse social (PREFEITURA DA CIDADE DE 
SÃO PAULO, 2014).
Assim, essas diretrizes são pertinentes porque orientam os rumos que se-
rão definidos pela gestão pública municipal para uma melhor ordenação da 
cidade conforme os critérios da real necessidade que serão definidos por prio-
ridades para a realização que cada ponto preestabelecido no Plano Diretor.
Todas as questões físicas, territoriais, financeiras, assim como de gestão, 
são as grandes desafiadoras dos municípios, o que envolve melhorias nas téc-
nicas de planejamento realizadas pelo governo. 
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O Plano Diretor deverá atender a quais municípios?
Por meio da participação de todos, o Plano Diretor, que é uma lei municipal, 
é criado e aprovado na Câmara Municipal. Ele organiza todo o cresimento e o 
funcionamento da cidade e envolve áreas urbanas e rurais, devendo ser atua-
lizado a cada dez anos.
Outro enfoque importante é que o principal objetivo do Plano Diretor é de-
fi nir como determinado local irá cumprir sua função social, para que possa ga-
rantir o acesso à terra urbana e que os cidadãos tenham o direito aos serviços 
que a cidade oferece, assim como o direito à moradia. 
O Plano Diretor não é somente um instrumento de regulação do uso do 
solo. Trata-se de um instrumento que induz e assegura, de forma sustentável, 
que os espaços ofereçam condições seguras de moradia, possibilitando que 
novas empresas e industrias consigam se instalar na cidade (Diagrama 1). 
O Plano Diretor estabelece as diretrizes e regras que cada município irá usar 
sempre de forma justa e social. Ele também defi ne acidade que queremos 
ter no futuro, pois, por meio das açõs públicas, a cidade se forma e com boas 
atuações e tomadas de decisões corretas há uma maior chance de alcançarmos 
a cidade que almejamos. Porém, é um trabalho árduo que precisa de atenção 
de todas as gestões que assumem o poder de zelar pela cidade e prover uma 
melhor qualidade de vida para todos. 
É importante envolver a população por meio da participação comunitária 
nas decisões públicas, como, por exemplo, na atualização do plano diretor da 
cidade, participando das audiências públicas, participação no orçamento parti-
cipativo, entre outros meios (Diagrama 1). Hoje, o Plano Diretor municipal é de 
suma importância, sendo um dos instrumentos de planejamento e gestão de 
municípios e prefeituras. 
Segundo Rezende e Ultramari (2007), a respeito das mudanças trazidas pelo 
Estatuto da Cidade, que apresenta o Plano Diretor municipal como um instru-
mento de ordenamento das relações sociais de um determinado lugar, ele é 
elaborado com seu rumo voltado para o planejamento físico territorial. 
É válido que sejam reconhecidos os potenciais de cada cidade, tendo como 
base as realizações advindas do Plano Diretor municipal.
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DIAGRAMA 1. OBJETIVOS DO PLANO DIRETOR
Fonte: Prefeitura da cidade de São José. Acesso em: 28/09/2020.
Garantir acesso a uma
cidade sustentável,
desenvolvendo e inte-
grando a ocupação e o 
uso do solo com a rees-
truturação do sistema
viário, de forma a:
Compatibilizar o
desenvolvimento
municial e
o metropolitano
Priorizar o transporte
coletivo e individual
não motorizado
Conformar
policentralidades
Desenvolver a economia
a partir da diversidade
Vale ressaltar que o Plano Diretor não deve considerar apenas a zona urba-
na, uma vez que o desenvolvimento da cidade também depende da zona rural. 
Visto isso, é preciso considerar a totalidade do território para garantir um pleno 
desenvolvimento. No entanto, o município não pode disponibilizar uma política 
agrária e um zoneamento rural.
Para ter validade, o Plano Diretor precisa ser colocado em prática e contar 
com a participação da população.
No Estatuto da Cidade, podemos ver que existe um grupo de municípios 
que são obrigados a ter um Plano Diretor que seja participativo. E esses muni-
cípios deverão apresentar os seguintes aspectos:
• Devem possuir mais de 20 mil habitantes;
• Deverão fazer parte das regiões metropolitanas ou de aglomerações urbanas;
• Ser integrantes das áreas que possuam interesse turístico, seguindo o que 
diz os estados e a União;
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• Estarem localizados em pontos de crescimento para novos empreendi-
mentos ou até mesmo para atividades que trarão relevância signifi cativa na 
região, como usinas portos, obras rodoviárias, dentre outros.
Assim, se faz necessário que todos os municípios que se enquadrem no que 
foi dito acima e mesmo os que não se encaixam, elaborem um Plano Diretor 
para que o futuro da cidade possa ser planejado de maneira correta e efi ciente, 
conforme as especifi cidades de cada local. Todos os municípios devem elabo-
rar seus Planos Diretores, porque, apenas por meio deles que será possível a 
aplicação de todos os instrumentos inseridos no Estatuto da Cidade.
Neste tópico, vimos que Plano Diretor é um importante instrumento para 
direcionar ao bom desenvolvimento da cidade sustentável, de forma a asse-
gurar qualidade de moradia para todas as pessoas e prover que haja um me-
lhor desenvolvimento econômico do município de forma a não comprometer o 
bem-estar da população.
Plano Diretor participativo
É muito importante que seja feita a avaliação da cidade para a qual será ela-
borado o Plano Diretor, atendendo às necessidades específi cas de cada lugar. 
Não existe algo pronto ou uma fórmula exata para a elaboração do mesmo. É 
válido ressaltar que o Plano Diretor sempre deverá ser elaborado pela munici-
palidade. Não se faz necessário a contratação de profi ssionais externos para 
elaboração do mesmo, mas é fundamental a capacidade técnica da equipe téc-
nica que for executá-lo. O Plano Diretor deverá ser do tamanho do município 
conforme as questões que a localidade apresenta, abrangendo as questões 
mais complexas e menos complexas.
O órgão responsável por assumir a elaboração do Plano Diretor é a Secreta-
ria de Planejamento, Urbanismo e de Obras. Contudo, toda a prefeitura deverá 
estar envolvida nesse processo, contando com profi ssionais técnicos de dife-
rentes setores para formar a equipe técnica responsável pela elaboração do 
Plano Diretor. Juntamente com o prefeito, toda a equipe deverá estar presente 
nessa etapa. É válido ressaltar que, ao compor a equipe técnica, é importante 
que seja formada por profi ssionais das áreas de habitação, saneamento, meio 
ambiente etc., e ainda pela sociedade (Diagrama 2).
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DIAGRAMA 2. CONDICIONANTES PARA O PLANO DIRETOR PARTICIPATIVO
Plano Diretor 
participativo
Habitação 
Uso e 
ocupação 
do solo
Saneamento Mobilidade 
Fonte: Prefeitura da cidade de São José. Acesso em: 28/09/2020.
Percebe-se que a participação da sociedade é essencial para que se obte-
nha um projeto concreto e realístico da cidade, com resoluções para os mais 
diversos problemas enfrentados nos diversos bairros. Nesse sentido, há cinco 
componentes essenciais para um Plano Diretor participativo:
• Deve existir uma leitura técnica e comunitária de toda a cidade;
• Todos os eixos devem ser definidos, assim como os temas e objetivos do 
Plano Diretor;
• Deve ser feita uma proposta do projeto de lei, tendo a definição dos 
seus respectivos instrumentos;
• Deverão ser encaminhados para a Câmara Municipal o projeto de lei, a 
discussão e a aprovação;
• Após a implementação, deverá ser feita a cada dez anos a revisão periódi-
ca para possíveis readequações.
Essa primeira etapa é o momento em que o governo local forma a equipe 
que será responsável por realizar as leituras técnicas da cidade, a partir dos da-
dos socioeconômicos, culturais, ambientais e de infraestrutura que mostram a 
real condição de vida dos moradores daquela região. Todos esses indicadores 
podem ser obtidos no portal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE), que, a cada dez anos, realiza o Censo Demográfico Brasileiro.
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É válido que seja feita uma compração da situação atual que o município 
encontra-se levando em consideração os últimos dez anos para que, se possa 
obter uma leitura mais realista e atual. Para compreender em qual nível de 
desenvolvimento regional está a situação do município, vale fazer uma compa-
ração com as outras cidades da mesma região.
A leitura técnica e a leitura comunitária devem andar juntas, pois uma com-
plementa a outra, porém, uma não substitui a outra. A leitura participativa jun-
tamente com a leitura técnica permite que todos os pontos sejam confronta-
dos e analisados para obter uma melhor versão do Plano Diretor.
A concretização da leitura comunitária segue algumas etapas:
• Seleção e identificação de quem fará parte, assim como a definição da 
estratégia de mobilização;
• Promoção de encontros com os participantes;
• Arrumação e alinhamento das informações
• Definição dos principais temas pertinentes para a elaboração do Plano Diretor;
• Retorno das últimas considerações para a sociedade.
Para a participação da sociedade não é necessário pertencer a alguma as-
sociação ou entidade. A prepararação da leitura comunitária pode ser feita de 
diferentes formas, como por meio de mapas, fotos, entrevistas, depoimentos 
ou apenas o registro da impressão dos moradores em relação à cidade.

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