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LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL Legislação Urbana e Prática Pro� ssional Wesley da Silva Medeiros Marina Silva Paravidino de Abreu Wesley da Silva Medeiros Marina Silva Paravidino de Abreu GRUPO SER EDUCACIONAL gente criando o futuro Esta disciplina é uma das âncoras à atividade pro� ssional do arquiteto, do urbanis- ta e planejador urbano, principalmente atividades com projetos, e da construção civil. Em qualquer atividade prática, o pro� ssional deverá ter o conhecimento desta disciplina para dialogar com seus clientes, principalmente atuando com projetos de arquitetura. No dia a dia, boa parte dos arquitetos não entende de legislação: o con- texto histórico, seus princípios e diretrizes, seus objetivos normativos, o processo de aprovação de um projeto e sua � scalização e, por � m, os trâmites gerais entre o projeto e a liberação da prefeitura para usar a edi� cação projetada, mas esta questão é mais séria aos arquitetos, considerando que muitos negam dar ao cliente o Registro de Responsabilidade Técnica (RRT). No geral, as prefeituras pedem este documento emitido e autenticado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) para começar os trâmites legais de um projeto dentro das leis da prefeitura. Sendo assim, os pro� s- sionais esquecem que qualquer ação com projetos está submetida à Lei 12.378/2010, que criou o CAU no Brasil e, portanto, ao Código de Ética e Disciplina publicado em 2017. Aproveitem a disciplina para conhecerem o que são legislações e seus efeitos sob a atividade pro� ssional no mercado de arquitetura. © Ser Educacional 2020 Rua Treze de Maio, nº 254, Santo Amaro Recife-PE – CEP 50100-160 *Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal. Imagens de ícones/capa: © Shutterstock Presidente do Conselho de Administração Diretor-presidente Diretoria Executiva de Ensino Diretoria Executiva de Serviços Corporativos Diretoria de Ensino a Distância Autoria Projeto Gráfico e Capa Janguiê Diniz Jânyo Diniz Adriano Azevedo Joaldo Diniz Enzo Moreira Wesley da Silva Medeiros Marina Silva Paravidino de Abreu DP Content DADOS DO FORNECEDOR Análise de Qualidade, Edição de Texto, Design Instrucional, Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico e Revisão. SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 2 26/11/2020 13:38:30 Boxes ASSISTA Indicação de filmes, vídeos ou similares que trazem informações comple- mentares ou aprofundadas sobre o conteúdo estudado. CITANDO Dados essenciais e pertinentes sobre a vida de uma determinada pessoa relevante para o estudo do conteúdo abordado. CONTEXTUALIZANDO Dados que retratam onde e quando aconteceu determinado fato; demonstra-se a situação histórica do assunto. CURIOSIDADE Informação que revela algo desconhecido e interessante sobre o assunto tratado. DICA Um detalhe específico da informação, um breve conselho, um alerta, uma informação privilegiada sobre o conteúdo trabalhado. EXEMPLIFICANDO Informação que retrata de forma objetiva determinado assunto. EXPLICANDO Explicação, elucidação sobre uma palavra ou expressão específica da área de conhecimento trabalhada. SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 3 26/11/2020 13:38:30 Unidade 1 - Constituição Federal e suas determinações para a cidade e o homem social Objetivos da unidade ........................................................................................................... 13 Urbanização brasileira ........................................................................................................ 14 O Movimento Nacional da Reforma Urbana ............................................................... 15 Conceito da Constituição Federal de 1988 ...................................................................... 17 Contexto da Constituição de 1988 ................................................................................. 18 Política e legislação urbana .............................................................................................. 19 Os instrumentos do Estatuto da Cidade ........................................................................... 21 Instrumentos de regularização fundiária ........................................................................ 30 Instrumentos de democratização da gestão urbana ..................................................... 31 Sintetizando ........................................................................................................................... 34 Referências bibliográficas ................................................................................................. 36 Sumário SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 4 26/11/2020 13:38:30 Sumário Unidade 2 - Plano Diretor e Lei de Uso e Ocupação do Solo Objetivos da unidade ........................................................................................................... 39 Plano Diretor ......................................................................................................................... 40 O Plano Diretor deverá atender quais municípios? ................................................... 42 Plano Diretor participativo ............................................................................................. 44 Plano Diretor versus demais leis municipais .............................................................. 47 Lei de Uso e Ocupação do Solo ......................................................................................... 51 Entendendo a Lei de Uso e Ocupação do Solo .......................................................... 52 Instrumentos urbanísticos no uso e ocupação do solo ............................................ 55 Como a Lei de Uso e Ocupação do Solo pode beneficiar a cidade? ...................... 60 Sintetizando ........................................................................................................................... 62 Referências bibliográficas ................................................................................................. 63 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 5 26/11/2020 13:38:30 Sumário Unidade 3 - Legislações ambientais específicas e noções de sustentabilidade urbana Objetivos da unidade ........................................................................................................... 66 Legislações ambientais específicas ................................................................................ 67 Lei nº 6.938/1981: dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente ................. 69 Lei nº 9.605/1998: Lei dos Crimes Ambientais ............................................................. 70 Lei nº 12.305/2010: institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos ....................... 74 Noções de sustentabilidade urbana ................................................................................. 77 Entendendo a sustentabilidade e a cidade ................................................................ 79 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e da sustentabilidade urbana ................. 81 Cidades sustentáveis ...................................................................................................... 85 Sintetizando ........................................................................................................................... 88 Referências bibliográficas ................................................................................................. 89 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 6 26/11/2020 13:38:30 Sumário Unidade 4 -Código de Obras e normas da ABNT referentes ao edifício Objetivos da unidade ...........................................................................................................Essa leitura tem como objetivo verificar em qual o perfil a cidade se enquadra, de maneira a evidenciar os problemas existentes e sua potencialidade pela contri- buição da sociedade participante. Devido à utilização de mapas temáticos – como, por exemplo, de clima, so- los, hidrografia etc. –, poderá ser traçado o perfil da cidade. A partir da interpre- tação dos mapas, alguns aspectos são diagnosticados: • Os perigos para habitação urbana como deslizamentos, erosão, enchentes etc.; • Locais reservados para a preservação cultural; • Questões históricas de determinado lugar; • A inserção regional do município; • Dados de mobilidade e circulação de pedestres, ciclistas e do trânsito no geral. Já os mapas específicos de caracterização da população permitirão identifi- car os seguintes pontos: • A população absoluta e também relativa de cada bairro; LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 46 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 46 26/11/2020 13:39:54 • A população dividida por faixa etária e escolaridade; • A população separada conforme o nível de renda; • A população por setor de crescimento e migração. Os mapas de uso do solo contribuirão para identifi car as diversas formas de ocupação: se regular ou não; vazios urbanos; área rural, etc., para que dessa forma possa ser identifi cado os diferentes níveis e padrões existentes na cidade. Já os mapas da infraestrutura urbana servirão para validar as seguintes informações: • Nível do atendimento dos serviços; • Existência de esgotamento sanitário, água, luz, telefone, drenagem etc.; • Educação, esportes, saúde etc.; A partir da leitura técnica em conjunto com as informações trazidas pela população participante, os eixos do plano poderão ser defi nidos, assim como todos os assuntos que serão trabalhados, quais instrumentos serão utilizados e os objetivos a serem alcançados. Plano Diretor versus demais leis municipais É muito importante que o profi ssional de arquitetura que for atuar na ela- boração dos projetos se atente para o que rege as normas e leis do município. Serão apresentados, neste tópico, o Plano Diretor, a Lei Orgânica, o Código de Obras, o zoneamento, o uso e ocupação do solo e a Lei de Parcelamento do Solo Urbano para um melhor entendimento. Plano Diretor O Plano Diretor foi estabelecido pela Constituição Federal (BRASIL, 1988) e ga- nhou cada vez mais maior representatividade e importância com o Estatuto da Ci- dade, podendo ser considerado como a base para as leis de planejamento urbano municipal. Como já apresentado, o Plano Diretor é um dos principais instrumen- tos de planejamento urbano, tendo como fi nalidade trabalhar todos os espaços físicos, sociais e políticos, proporcionando uma melhor qualidade de vida para a população e infraestrutura de qualidade, minimizando os problemas existentes. Lei Orgânica A Lei Orgânica é considerada a maior lei do município e dita o funciona- mento de uma ordem específi ca. Vale ressaltar que cada município pode apon- LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 47 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 47 26/11/2020 13:39:54 tar as suas leis orgânicas, porém, estas não devem ir contra as leis estaduais, federais e a Constituição Federal. A aprovação da lei deverá ser feita pela Câmara Municipal em um período de dois turnos, estando presentes dois terços dos membros. Durante a execução, é preciso bastante cuidado, pois, caso surja a necessidade de alteração por algum mo- tivo em específico após a aprovação, pode não ser tão simples uma nova validação. EXEMPLIFICANDO Para saber mais como é estruturada uma Lei Orgânica, acesse o link da lei do município de Campos dos Goyta- cazes, no estado do Rio de Janeiro, que dispõe sobre a revisão e consolidação da sua Lei Orgânica. Código de Obras O Código de Obras aborda os conceitos que irão garantir a segurança, dis- ponibilizar um conforto ambiental, conservação de energia, condições básicas de limpeza e acessibilidade. Antes de iniciar qualquer projeto, deve ser consul- tado o conjunto de instruções relativas a obras do município, a fim de saber o que poderá ser construído em determinada localidade. O Código de Obras, portanto, é um aglomerado de leis que possibilita à administração municipal controlar todo o espaço já existente e o seu entorno. As construções que não seguirem o estipulado por esse Código não obterão a Carta de Habite-se, ou seja, não estarão regulares. Caso sejam construções novas e não estejam totalmente dentro estabelecido pelo Código de Obras, es- tas receberão uma notificação indicando um prazo determinado pelo fiscal da prefeitura para sanar as pendências levantadas. Porém, se forem construções antigas, alvos de notificação, elas deverão se adequar o melhor possível para que seja possível obter todas as aprovações dos órgãos municipais compententes. Lei de Zoneamento, Uso e Ocupação do Solo e Lei de Parcelamento do solo urbano Zoneamento consiste em um instrumento do planejamento urbano que se ca- racteriza pela busca da regularização do uso e ocupação do solo do espaço urba- no. Geralmente é identificado por meio de um mapa que indica as zonas e a qual eixo elas pertencem. Tal mapa deve ser específico de cada município (Figura 1). LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 48 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 48 26/11/2020 13:39:54 Figura 1. Mapa de zoneamento urbano da cidade de Campos dos Goytacazes, RJ. Fonte: MORAES, 2010. Cursos d’água Zona Centro Histórica – ZCH Zona de Comércio Principal – ZPC Zona Residencial 1 – ZR1 Zona Residencial 2 – ZR2 Zona Residencial 3 – ZR3 Zona Residencial 4 – ZR4 Zona de Expansão Urbana – ZEU Setor Especial Institucional – SEI Setor Especial de Preservação – SEP Setor Especial Recreativo – SER Macro Eixo de atividades produtivas – MEAP Eixo de Comércio e Serviços 1 – ECS1 Eixo de Comércio e Serviços 2 – ECS2 Eixo de Comércio e Serviços 3 – ECS3 Linha do perímetro urbano Linha do perímetro urbano Rodovia federal Rodovia federal projetada Rodovia estadual Ferrovia Ferrovia desativada LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 49 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 49 26/11/2020 13:39:55 As leis de zoneamento costumam limitar-se ao tipo de estrutura a ser construída no local. Deverá ser observada, primeiramente, a zona do terreno e averiguar se ela permite a construção do que se pretende fazer, sendo co- mércio, indústria, residência, prédios, entre outros. A Lei de Zoneamento, Uso e Ocupação do Solo é, portanto, a lei que define o uso do solo de cada região. Dessa maneira, é possível controlar questões relativas à especulação dos imó- veis, sendo um importante instrumento para a preservação do meio ambiente. ASSISTA Para saber mais acerca da importância das leis de zone- amento e sua imprescindibilidade para o crescimento da cidade, assista ao vídeo Reportagem Especial: entenda a Lei de Zoneamento, que aborda o conceito e os objetivos da lei no município de São Paulo. Ela também auxilia a proporcionar melhor qualidade de vida para todos da cidade, possibilitando a estipulação de que uma usina não poderá ser implan- tada em determinada área, por exemplo. Assim sendo, a Lei de Uso e Ocupação do Solo deverá estar devidamente alinhada com o Plano Diretor, de forma a acompanhar as suas alterações. Já a Lei de Parcelamento do Solo Urbano é uma lei federal importante para o ordenamento do espaço urbano. Ela se resume às questões de urbanização e divisões de glebas dentro de algum território municipal, podendo definir como loteamento ou como desmembramento. Apenas será permitido o parcela- mento urbano do solo para fins urbanos que sejam em zonas urbanas, ou que se adequem como expansão urbana. EXPLICANDO Desmembramento consiste na subdivisão de gleba, que é uma porção de terra na qual ainda não há nenhuma construção e não é habitada. A partir desta subdivisão, ela é repartida em lotes que serão destinados para alguma edificação, de modo a aproveitar osistema viário existen- te para que não seja imposta a exigência de ter que criar novas vias públicas ou, ainda, ter que modificar ou ampliar o que já existe. Dessa forma, com essas divisões, o lote passará a possuir seu número de matrícula e escritura. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 50 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 50 26/11/2020 13:39:55 Lei de Uso e Ocupação do Solo As cidades brasileiras têm passado por grandes desafi os, e o maior de- les são as questões de expansão urbana de forma desordenada. Devido ao crescimento de toda a população, surgiram inúmeras construções em locais inapropriados, criando espaços com muitas aglomerações e trazendo danos para o meio ambiente e para a qualidade de vida desses moradores, tendo em vista que, muitas vezes, não existe rede de água e esgoto e demais ser- viços públicos. A Lei de Uso e Ocupação do Solo caracteriza-se por ser uma lei que organi- za todo o espaço urbano. Ela surgiu devido às transformações das cidades ao longo dos anos e também da necessidade de se expandirem, disponibilizando mais empregos, uma melhor infraestrutura e ampliação dos meios de loco- moção. O objetivo é que todos esses pontos pudessem ser feitos da melhor maneira. Assim, tornou-se possível indicar os tamanhos mínimos para os terre- nos, a área máxima que uma edifi cação pode ocupar, percentual de área verde necessária conforme a dimensão do terreno, os recuos obrigatórios para uma boa ventilação, entre outros. Por isso, o Estatuto da Cidade, no intuito de diminuir a especulação imobi- liária, oferece um conjunto de instrumentos que são utilizados pelo poder pú- blico para propriciar um melhor desenvolvimento urbano, cumprindo, dessa forma, com a função social da cidade e também da propriedade. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 51 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 51 26/11/2020 13:39:56 Entendendo a Lei de Uso e Ocupação do Solo A Lei de Uso e Ocupação do Solo surgiu após a revolução industrial por mo- tivos da migração da população do meio rural para o urbano, buscando uma melhor oferta de trabalho. Seu principal objetivo foi reordenar a cidade de forma planejada e orga- nizada. Para isso, foi necessário desenvolver um planejamento que pudesse atender a essas demandas relacionadas à habitação, mobilidade, distinção das zonas tanto comercial como residencial, trazendo, assim, uma maior qualidade de vida para todos daquele local. Não edifi cados Área superior a 500 m² cujo coefi ciente de aproveitamento utilizado é igual a zero Subutilizado Área superior a 500 m² cujo coefi ciente de aproveitamento é inferior ao mínimo da área Não utilizado Edifcíos e outros imóveis que tenha no mínimo 60% de sua área construída desocu- pada há mais de um ano Função social da propriedade Se o proprietário não cumprir os prazos e obrigações, a Prefeitura pode cobrar o IPTU Progressivo e, após cinco anos de cobrança, desapropriar a área pagando com títulos da Dívida Pública Imóveis sucescetíveis Instrumentos legais e prazos Parcelamento, edifi cações e utilização compulsórios: Donos dos imóveis notifi cados têm um ano para apresentar projeto de edifi cação ou loteamento. Obras devem começar em até dois anos e terminar em até cinco anos. IPTU progressivo: Prefeitura aplica o IPTU se o imóvel não cumpre função social. Alíquota do imposto aumenta ano a ano, até limite de 15%. Se em cinco anos dono do imóvel não ocupá-lo, a Prefeitura pode fazer a desapropriação. Consórcio imobiliário: Acordo entre a Prefeitura e o dono do imóvel notifi cado transfere para a administração pública o terreno, onde é executada uma construção. Em troca, o proprietá- rio recebe parte das benfeitorias, como apartamentos. Figura 2. Função social da propriedade. Fonte: PEREIRA, 2016. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 52 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 52 26/11/2020 13:39:57 CLASSIFICAÇÃO DO USO DO SOLO Os tipos de uso do solo devem ser classificados, na Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do solo (Zoneamento), em: RESIDENCIAL e NÃO RESIDENCIAL, que por sua vez, se divide em: COMECIAL SERVIÇOS INDUSTRIAL INSTITUCIONAL QUADRO 1. CLASSIFICAÇÃO DO USO DO SOLO. Fonte: Prefeitura da cidade de São Paulo. Acesso em: 29/09/2020. O responsável por essa lei é a equipe técnica que a elabora e faz a cole- ta dos dados para que estes possam ser revistos e analisados, viabilizando a preparação das propostas de melhorias e intervenção. É importante que os habitantes locais opinem como deverá ocorrer o crescimento, pois são eles que contribuem para o progresso e crescimento da cidade. Essa lei tem um grande potencial de contribuição para a preservação do meio ambiente, como as matas e os rios, contribuindo para o desenvolvimento econômico, melhorando a estrutura comercial e viabilizando que todos que queiram possam ter seu próprio comércio e obter a sua renda. Além disso, contribui para uma cidade sustentável que respeite não somente as questões financeiras, mas que envolva todos os apectos sociais de moradia e mobilidade urbana. O solo deverá ser classificado em: residencial, que trabalha com as questões de moradia de apenas uma pessoa ou de um grupo; e não residencial, que está relacionado à atividade comercias, de serviços, ligadas à indústria e também institucionais (Quadro 1). LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 53 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 53 26/11/2020 13:39:58 A Lei de Uso do Solo e Ocupação do Solo visa orientar, de forma ordenada, o crescimento da cidade englobando as áreas dentro do perímetro urbano atual como áreas de expansão urbana (Figura 3). Elas se localizam dentro do períme- tro urbano, independentemente se vazias ou loteadas. Figura 3. Exemplo de área urbana e área em expansão. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 06/10/2020. A Lei de Uso e Ocupação do Solo visa coibir práticas especulativas, porém, devendo ser bem elaborada para que não prejudique o desenvolvimento ur- bano do município e deixe de atender a vocação econômica que o município elegeu para si. Toda a relação de interesses que a cidade tiver deve ser muito bem avaliada, e o poder público deve arcar com a obrigação de coordenar os usos permitidos, os proibidos, os permissíveis e os tolerados. Tudo isso precisa ser definido por meio do estudo de cada área. Ademais, a população terá o direito de participar da elaboração da lei por meio do voto. Porém, a equipe técnica deve fornecer possibilidades diante das potencialida- des de cada área, sendo a escolha da própria sociedade. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 54 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 54 26/11/2020 13:39:59 Figura 4. Parcelamento, edificação e utilização compulsórios Fonte: Prefeitura da cidade de São Paulo. Acesso em: 29/09/2020. Imóvel não edifi cado Imóvel com área superior a 500 m² com coefi ciencia de aproveitamento utilizado igual a zero Necessário Parcelar Necessário Parcelar Parcelado e/ou e/ou Necessário edifi car Necessário edifi car Edifi cado Necessário utilizar Necessário utilizar Necessário utilizar Imóvel subutilizado Imóvel com área superior a 500 m² cujo coefi ciente de aproveitamento utilizado é inferior ao mínimo defi nido Imóvel não utilizado Edifícios e outros imóveis que tenham no mínimo 60% de sua área construída desocupada há mais de um ano Tipologias de imóveis ociosos: O que o proprietário deve fazer para cumprir a função social da propriedade: Apresentar projeto Iniciar obras Concluir obras 1 ano Em até: Em até: Em até: 2 anos 5 anos A Prefeitura notifi cará os proprietários de imóveis ociosos, que terão os seguintes prazos para cumprir a função social da propriedade: Para induzir o uso dos imóveis ociosos Parcelamento, edifi cação e utilização compulsórios (PEUC) Instrumentos urbanísticos no uso e ocupação do solo Os instrumentos urbanísticos do uso e ocupação do solo são: • Parcelamento, edifi cação ou utilizaçãocompulsórios; IPTU progressivo no tempo; desapropriação com pagamento em títulos; consórcio imobiliário; • Outorga onerosa do direito de construir; direito de superfície; • Transferência do direito de construir; • Operações urbanas consorciadas; • Direito de preempção. Ao aplicar esses instrumentos, a cidade estará contribuindo para uma me- lhor ordenação e utilização adequada dos imóveis. As áreas prioritárias de ocupação poderão ser ocupadas apenas se as construções estiverem inseridas de maneira apropriada, e caso não esteja ocorrendo, o poder público poderá diagnosticar como edifi cação de parcelamento compulsório. O município é quem defi ne os parâmetros para avaliar as propriedades e seus usos. Na edifi cação compulsória deve ser estipulado um prazo para que o dono da propriedade possa apresentar um projeto que se insira no âmbito do aproveitamento do terreno (Figura 4). LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 55 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 55 26/11/2020 13:40:00 A média é de um ano para dar entrada com o projeto e são concedidos dois anos depois da aprovação para concluir toda a obra. Se os prazos ainda assim não forem atendidos, o município poderá aplicar o IPTU progressivo no tempo, podendo ser aplicado por um período de cinco anos. O imposto pode dobrar a cada ano até o limite de 15% do valor venal do imóvel. Caso o imóvel fique subutilizado, o município terá o direito de desapropriar por um preço- -base a partir do cálculo do IPTU que se utilizará de títulos da dívida pública para fins de pagamento. As áreas que possuem carência nas questões de infraestrutura, ou imóveis não utilizados, poderão atuar por uma iniciativa privada e juntamente com o poder público, o chamado consórcio imobiliário. Se o proprietário do imóvel não tiver condições financeiras para construir, é possível recorrer ao poder pú- blico da sua cidade, requerendo o auxílio desse mecanismo. Assim, o imóvel será construído pelo poder público, que repassará as unidades edificadas, que são equivalentes ao valor da propriedade, ao dono do terreno. Todos esses instrumentos objetivam o cumprimento da função social da propriedade, de forma a evitar que existam terrenos vazios ou ociosos, e até mesmo que sejam construídos em locais inapropriados. A outorga onerosa do direito de construir, assim como o direito de superfí- cie, pretende a separação da propriedade dos terrenos da área urbana. Após a realização, haverá maior viabilidade de o poder público trabalhar com os mer- cados imobiliários. É importante ressaltar que, considerando esses instrumentos, o dono do terreno não poderá ocupar da maneira como achar conveniente (Quadro 2). LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 56 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 56 26/11/2020 13:40:01 QUADRO 2. FÓRMULA PARA CÁLCULO DE OUTORGA ONEROSA Fonte: Prefeitura da cidade de São Paulo. Acesso em: 29/09/2020 FÓRMULA PARA CÁLCULO DE OUTORGA ONEROSA A contrapartida financeira (C) à outorga onerosa de potencial adicional é definida a partir de uma fórmula. Entenda cada um dos fatores da nova fórmula: C = (At / Ac) x V x Fs x Fp A divisão da Área de terreno (At) em m², pela Área construída computável total pretendida no empreendimento (Ac), em m², permite que o cálculo da contrapartida financeira possua um fator de proporcionalidade à área construída. Estimula o aproveitamento máximo do terreno: quanto mais se constrói, mais barato se torna o custo do m² de outorga onerosa. C = (At / Ac) x V x Fs x Fp O Valor do m² do terreno (V) refere-se ao valor dado pelo Cadastro de Valor de Terrenos para fins de Outorga Onerosa, divulgado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano. O valor do m² do terreno para fins de outorga onerosa é, em média, aproximadamente 80% do valor de mercado. Área do terreno Área construída computável total do empreendimento C = (At / Ac) x V x Fs x Fp O Fator de Planejamento (Fp) é uma variável utilizada para dar pesos diferenciados de acordo com os objetivos estratégicos das Macroáreas. Tem como objetivo incentivar o equilíbrio na distribuição de moradia e emprego na cidade. Usos residenciais Usos não residenciais 1.2 1.3 0.5 0 N/ANão aplicável (N/A) 1.0 0.7 0.6 0.3 C = (At / Ac) x V x Fs x Fp O Fator de Interesse Social (Fs) é uma variável utilizada para dar pesos diferenciados de acordo com as tipologias construtivas e os usos das edificações. Uso residencial Habitação de Interesse Social – HIS Fs = 0,0 Fs = 0,4 Fs = 0,6 Fs = 0,8 Fs = 0,9 Fs = 1,0 Fs = 0,0 Fs = 0,3 Fs = 0,7 Fs = 1,0 Habitação de Mercado Popular – HIMP até 50 m² Habitação de Mercado Popular – HIMP de 51 m² até 70 m² Habitação – com área até 50 m² Habitação – com área de 51 m² a 70 m² Habitação – com área maior que 70 m² Entidades mantenedoras sem fins lucrativos Outras entidades mantenedoras Outras atividades Uso não residencial Uso institucional LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 57 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 57 26/11/2020 13:40:04 Figura 5. Tranferência do direito de construir. Fonte: SABOYA, 2008. a existência, por exemplo, de um imóvel tombado pelo patrimônio histórico e o dono da propriedade não tem o direito de fazer nenhuma modificação, devendo preservar as características originais em sua totalidade. A transferência do direi- to de construir estabele uma permissão que é ofertada ao dono do imóvel para que ele possa vender todo o potencial construtivo para outrem (Figura 5). As operações urbanas consorciadas consistem em apontamentos interven- cionais, que são realizados sob o direcionamento dos responsáveis do poder público, estando presentes empresas particulares e prestadoras dos serviços, com o intuito de melhorar o ambiente urbano e valorizar o meio ambiente. Seu principal objetivo é a realização das intervenções em maiores dimensões, em que estejam presentes o poder público e o privado. Por meio desse instrumento, o poder público seleciona uma área e, então, pode elaborar um plano de ocupação, devendo constar diretrizes de imple- mentação de infraestrutura, distribuição de usos, as densidades possíveis para determinada área, assim como itens relacionados à acessibilidade. Pode-se en- tender que é um plano com tratamento local podendo ser trabalhados elemen- tos que são difícieis de tratar nos demais planos. Transferência do direito de construir Área 1 Área 2 A definição daquilo que pode ou não ser construído é garantido pelo direito de superifície, que define também os limites de construções tanto nos espaços aéreos quanto subterrâneos. Nos casos em que o poder público quer preservar os imóveis, se aplica o instrumento de transferência do direito de construir. É LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 58 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 58 26/11/2020 13:40:04 As operações urbanas apresentam grandes características para a qualifi- cação espacial das cidades, de forma a garantir o trabalho arquitetônico dos espaços. Apenas o Plano Diretor e o zoneamento não são suficientes para esse trabalho, que exige um certo nível de detalhamento. O direito de preempção é a preferência na compra dos imóveis, que é pas- sada para o poder público no momento da venda, e todas as áreas onde inci- dem esse direito deverão ser predefinidas por parte da legislação municipal para fins de regularização fundiária, realização de alguns programas sociais projetos que possuam interesse social, desenvolvimento de espaços públicos para lazer com área verde, entre outros. Esse instrumento busca propiciar uma maior facilitação na aquisição de imó- veis ao poder público, nas áreas que tenham interesse, de forma que seja pos- sível concretizar os projetos. No caso de existir terceiros que se interessem em comprar o imovel, o dono deverá comunicar a intenção de alienar onerosamente o imóvel ao órgão responsável da prefeitura no período de 30 dias, contando a partir do momento de firmado o contrato preliminar.Terminado o prazo para a manisfetação junto à prefeitura, será facultado ao dono do imóvel alienar onero- samente o imóvel ao interessado conforme o contrato preestabeleceu, lembran- do que a prefeitura pode exercer seu direito de preferência (Quadro 3). QUADRO 3. DIREITO DE PREEMPÇÃO Fonte: Prefeitura da cidade de São Paulo. Acesso em: 29/09/2020. A Prefeitura terá preferência de aquisição dos imóveis marcados como sujeitos ao direito de preempção, para possuir área necessária para cumprir os objetivos e im- plantar as ações prioritárias do Plano Diretor. Preferência para adquirir Prefeitura Imóveis sujeitos ao direito de preempção Direito de preempção LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 59 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 59 26/11/2020 13:40:04 DIAGRAMA 3. CAMINHOS DA LEI DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO PARA UM TRANSPORTE DE QUALIDADE Orientar os eixos de comércio e serviços nos bairro s Estabelecer as relações funcionais entre as vias Articula o sistema de transporte às áreas com a oferta de Habitação de Interesse Social Equilibrar os fl u xos de veículos se gundo a capacidade da via Otimizar o uso e ocupação das zonas Estimular o uso do transporte público Qualidade do transporte Esquemas representando os caminhos da LUOS para um transporte de qualidade Fonte: Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. Acesso em: 29/09/2020. Como a Lei de Uso e Ocupação do Solo pode beneficiar a cidade? A Lei de Uso e Ocupação do Solo pode garantir muitos benefícios e um deles é a melhoria do transporte municipal. Essa lei orienta as demais legislações para desenvolverem condições que disponibilizam um melhor deslocamento na cidade (Diagrama 3). O sistema viário tem se tornado um grande aglomera- do composto por vias e outros equipamentos que possibilitam o trânsito dos veículos e dos pedestres. Os sistemas de transportes buscam estruturar a cidade, assim como todo o seu funcionamento, podendo proporcionar uma melhor circulação de veículos, pedestres, ciclistas, portanto, indispensável para a economia do município. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 60 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 60 26/11/2020 13:40:07 Vejamos os pontos mais importantes da Lei de Uso e Ocupação do Solo: • Atualização e padronização de termos e conceitos, de forma a facilitar a aplicação da lei; • Escolha das melhores estratégias para manter a paisagem natural; • Definição dos princípios e criação de novos para o uso nas macrozonas; • Manter uma padronização de todo o zoneamento e dos conceitos das di- retrizes dos terrenos; • Definição de centros de comércio e serviços, que são vistos como impor- tantes, partindo de critérios de facilidade de acesso de transportes que ve- nham a gerar mais empregos e também arrecadação de impostos; • Poderá definir novos grupamentos e estabeler medidas para uso das cal- çadas públicas. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 61 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 61 26/11/2020 13:40:07 Sintetizando O desenvolvimento do Plano Diretor deve ter a participação de toda a so- ciedade. A Secretaria de Planejamento e de Obras do município detém a res- ponsabilidade de coordenar a elaboração do Plano Diretor, mas não exime a participação dos demais órgãos do município. A realização da leitura técnica é imprescindível, pois através dela é possível realizar os apontamentos mais importantes acerca das necessidades da cida- de, tais como questões de crescimento, problemas e soluções. Já a leitura co- munitária contribui para que o perfil da cidade não seja contemplado apenas pelos problemas, mas também dispondo de suas potencialidades. Por fim, aprendemos que os instrumentos da política urbana são essenciais para que a comunidade alcance uma ocupação ordenada e promova o melhor uso do solo. Todos os instrumentos indicam a ocupação de áreas ideais para determinada edificação, evitando as áreas que não apresentam a infraestrutu- ra adequada. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 62 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 62 26/11/2020 13:40:07 Referências bibliográficas BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Poder Executivo, 05 out. 1988. Disponível em: . Acesso em: 06 out. 2020. MORAES, R. Mapa do zoneamento urbano de Campos. Blog Roberto Moraes, [s.l.], 13 abr. 2010. Disponível em: . Acesso em: 28 set. 2020. PEREIRA, P. Cidade de São Paulo tem 2 milhões de m² de imóveis sem uso. Rede Nossa São Paulo. São Paulo, 22 mar. 2016. Disponível em: . Acesso em: 29 set. 2020. PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO. Instrumentos do Plano Diretor - Cartilha. Lei de Uso e Ocupação do Solo – LUOS. Secretaria Municipal de Urbanismo. Rio de Janeiro, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 29 set. 2020. PREFEITURA DA CIDADE DE SÃO JOSÉ. Versão preliminar do Plano Diretor. São José, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 28 set. 2020. PREFEITURA DA CIDADE DE SÃO PAULO. Lei n. 16.050, de 31 de julho de 2014. Aprova a Política de Desenvolvimento Urbano e o Plano Diretor Estratégico do município de São Paulo e revoga a Lei n. 13.430/2002. Diário Oficial do Estado de São Paulo, Porder Executivo, São Paulo, SP, ano 59, n. 140, p. 1-352, 1 ago. 2014. Disponível em: . Acesso em: 29 set. 2020. PREFEITURA DA CIDADE DE SÃO PAULO. Texto da Lei ilustrado. São Paulo, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 29 set. 2020. PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE CAMPOS DOS GOYTACAZES. Lei Orgânica. Dis- põe sobre a revisão e consolidação da lei orgânica do município de campos dos goytacazes/rj. Diário Oficial do Município, Campos dos Goytacazes, RJ, Poder LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 63 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 63 26/11/2020 13:40:07 Executivo, 26 ago. 2014. Disponível em: . Acesso em: 06 out. 2020. PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE JUIZ DE FORA. Plano Diretor – O que é o Plano Diretor. Juiz de Fora, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 28 set. 2020. REPORTAGEM especial: entenda a Lei de Zoneamento. Postado por TV Câma- ra São Paulo. (06min. 07s.). son. color. port. Disponível em: . Acesso em: 06 out. 2020. REZENDE, D. A.; ULTRAMARI, C. Plano Diretor e planejamento estratégico mu- nicipal: introdução teórico-conceitual. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 41, n. 2, p. 255-271, mar./abr. 2007. Disponível em: . Acesso em: 22 set. 2020. SABOYA, R. Transferência do Direito de Construir. Urbanidades. [s.l.], 29 jun. 2008. Disponível em: . Acesso em: 29 set. 2020. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 64 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 64 26/11/2020 13:40:07 LEGISLAÇÕES AMBIENTAIS ESPECÍFICAS E NOÇÕES DE SUSTENTABILIDADE URBANA 3 UNIDADE SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 65 26/11/2020 14:05:43 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Entender sobre a legislação ambiental e sua função; Verificar a importância da legislação ambiental; Apresentar de que forma a legislaçãoambiental contribui para a prevenção dos problemas ambientais; Compreender questões sobre sustentabilidade urbana. Legislações ambientais espe- cíficas Lei nº 6.938/1981: dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente Lei nº 9.605/1998: Lei dos Crimes Ambientais Lei nº 12.305/2010: institui a Polí- tica Nacional de Resíduos Sólidos Noções de sustentabilidade urbana Entendendo a sustentabilidade e a cidade Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e da sustentabilidade urbana Cidades sustentáveis LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 66 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 66 26/11/2020 14:05:43 Legislações ambientais específicas Os diversos problemas que acometem o meio ambiente – em sua maioria – são ocasionados por fatores naturais ou pela ação do homem. Os proble- mas causados a partir de fatores naturais, muitas das vezes, não podem ser medidos para saber quando acontecerão, bem como são mais difíceis de con- trolá-los; contudo, quando são ocasionados pela ação humana, graças a toda tecnologia existente, é possível que estes sejam evitados. Nesta unidade de aprendizagem, você aprenderá sobre a importância da legislação ambiental e de que forma poderá utilizar essas leis para o combate desses problemas, além de ter uma noção das questões da sustentabilidade urbana. Figura 1. Queimadas nas fl orestas. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 12/11/2020. A legislação ambiental brasileira – sendo uma das mais avançadas e com- pletas do mundo – foi criada para fi ns de proteção ao meio ambiente e para minimizar as consequências das ações feitas, e devem cumprir essas leis tanto pessoas físicas como jurídicas. Todas as leis ambientais abordam como precisa ser feita cada ação, estabe- lecendo normas; por isso, esses itens devem ser estudados e bem entendidos. Para vencer os problemas ambientais, é preciso que os indivíduos criem mais responsabilidades sobre seus atos para não degradar o meio ambiente e com- prometer a população. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 67 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 67 26/11/2020 14:05:51 A Constituição Federal – art. 225 – (BRASIL, 2008) diz que todos possuem direi- to a viver em um ambiente que seja ecologicamente equilibrado e onde possam ter qualidade de vida, cabendo ao Poder Público e à coletividade o dever de pre- servar para as gerações atuais e futuras; além disso, descreve que, para assegurar a efetividade desse direito, compete ao Poder Público: [...] I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II – pre- servar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; III – definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a inte- gridade dos atributos que justifiquem sua proteção; IV – exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; V – con- trolar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, mé- todos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preser- vação do meio ambiente; VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função eco- lógica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade (BRASIL, 2008, p. 13). Ainda de acordo com a Constituição Federal, a pessoa que usar dos recursos minerais terá que recuperar o meio ambiente degradado, conforme a imposição técnica que for solicitada pelo órgão público responsável. As atitudes que forem consideradas invasivas ao meio ambiente estarão sujeitas a punições adminis- trativas. A floresta amazônica e as demais áreas verdes de grande importância – como a Mata Atlântica, Serra do Mar, Pantanal Mato-Grossense e Zona Costeira – são con- sideradas grandes patrimônios nacionais e, para fazer a utilização destas, deve-se seguir os parâmetros da lei que assegura sobre a preservação do meio ambiente. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 68 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 68 26/11/2020 14:05:51 Lei nº 6.938/1981: dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente Essa lei vem constituir o Sistema Nacional do Meio Ambiente e também institui o cadastro de defesa ambiental. A Política Nacional do Meio Ambiente objetiva a preservação e a recuperação da qualidade do ambiente, de modo a proporcionar melhores condições para a vida social e econômica do País, além de garantir segurança e proteção à vida humana, seguindo os seguintes princípios: I – Ações do governo para manter o equilíbrio ecológico; II – Racionalizar o uso do solo, subsolo, água e ar; III – Planejar e fi scalizar a forma como está sendo feito o uso dos recursos ambientais; IV – Proteger todos os ecossistemas; V – Controle de atividades poluidoras; VI – Incentivo a pesquisas que levem ao uso consciente dos recusos am- bientais; VII – Monitorar de toda qualidade ambiental; VIII – Recuperar ambientes que sofreram danos ambientais; IX – Proteção das áreas que mais estão sofrendo por degradações ambien- tais; X – Incluir a educação ambiental em todos os níveis do ensino para que a comunidade acadêmica possa agir de forma participativa na defesa do meio ambiente. É importante que você entenda o que signifi ca meio ambiente para conse- guir compreender os demais parâmetros que regem essa lei. Meio ambiente vem a ser um conjunto de diretrizes, leis e interações, sendo de ordens física, química e biológica, que direcionam a vida em todas as suas formas. A Política Nacional do Meio Ambiente tem em vista compatibilizar o de- senvovlimento econômico e social em questões que envolvem a preservação do meio ambiente e também o equilíbrio ecológico; estabelecer medidas da qualidade ambiental para o uso dos recursos ambientais; propagação de tec- nologias de uso ambiental; e a formação de indivíduos conscientes da neces- sidade de preservação etc. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 69 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 69 26/11/2020 14:05:51 Dentre os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, estão: I – Criação de padrões para ter qualidade ambiental; o zoneamento ambiental; II – Questões que envolvem a avaliação de impactos ambientais; licenciamento e revisão de atividades que possam poluir; III – Incentivos à tecnologia voltados para a melhoria da qualidade ambiental; IV – Criação de espaços que sejam protegidos pelo Poder Público Federal, Es- tadual ou Municipal, como a Área de Proteção Ambiental (APA), Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) e Reservas Extrativistas (RESEX); V – Sistema Nacional de Informação sobre Meio Ambiente (Sinima); VI – Realização do cadastro técnico federal para atividades e instrumentos de defesa ambiental; VII – Penalidades pelo não cumprimento das diretrizes necessárias para que seja feita a preservação ou acerto do que foi degradado; VIII – Utilização do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente (RQMA); IX – Manter a garantia de prestação de dados a res- peito do meio ambiente; X – Realização do cadastro técnico federal de ativi- dades com grande potencial poluidor. Lei nº 9.605/1998: Lei dos Crimes Ambientais A Lei nº 9.605/1998 dispõe sobre questões penais a partir de ações que possam agredir o meio ambiente. Consideram-se crimes contra a fauna as seguintes ações: [...] Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida per- missão, licença ou autorizaçãoda autoridade competente, ou em desacordo com a obtida: pena – detenção de seis meses a um ano, e multa (BRASIL, 2008, p. 240). Consideram-se crimes contra a fl ora as seguintes ações: [...] Destruir ou danifi car fl oresta considerada de preservação per- manente, mesmo que em formação, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção: pena – detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente (BRASIL, 2008, p. 242). OBJETOS DE APRENDIZAGEM Clique aqui LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 70 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 70 26/11/2020 14:05:51 Muitas empresas que geram emissões atmosféricas não deveriam funcio- nar da forma como estão, porque encontram-se degradando (aos poucos) o meio ambiente. Dados da legislação federal, por exemplo, informam que existe uma quantidade específica de componentes que pode ser liberada para a atmosfera. Sendo assim, se as empresas emitirem dentro do estabelecido, não será conside- rado crime ambiental. Figura 2. Indústrias com grande potencial poluidor lançando toneladas de poluentes. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 12/10/2020. São denominados crimes ambientais todas as formas de agressão ao meio ambiente, como: fauna, flora, recursos naturais, assim como o patrimônio cultural; e até ações que vão contra as normas ambientais estabelecidas, mesmo que não venham a degradar o meio ambiente. EXPLICANDO A emissão atmosférica ocorre a partir do aumento do gás carbônico que oca- siona o efeito estufa, contribuindo negativamente para que haja o aquecimen- to global, por meio das partículas em suspensão pelo ar que são provenientes de fontes diversas, como restos orgânicos de queimadas, fuligem de combus- tíveis fósseis, grãos de pólen etc. Também contribuem para a poluição atmos- férica gases como os de monóxido de carbono, dióxido de enxofre, ozônio e metano. É comprovado que se houver grande quantidade de poluentes, estes podem provocar fortes alterações na composição química, sendo a causa de muitos problemas respiratórios nos ambientes urbanos. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 71 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 71 26/11/2020 14:06:00 Fontes de poluição atmosférica Os motores a explosão dos veículos automotores são uma das fontes mais co- muns de poluição atmosférica que liberam para o ambiente os gases CO2, CO e a fuligem. Figura 3. Motores a explosão. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 12/10/2020. Muitas pessoas que sofreram asfixia, por exemplo, pode ter sido por conta da inalação de monóxido de carbono, que passou pelo sistema respiratório e, depois, pela corrente sanguínea, impedindo o transporte de oxigênio pelas células do corpo. Outro poluente proibido – na maioria dos países – liberado pela queima de combustíveis fósseis é o chumbo, que é produzido com a queima da gasolina aditivada. As indústrias siderúrgicas e as queimadas das florestas são grandes fon- tes de poluição. Quando as indústrias utilizam o carvão mineral como fonte geradora de energia elas acabam liberando sérios produtos tóxicos para toda a atmosfera, como o dióxido de enxofre e o dióxido de nitrogênio, o que pode afetar e agravar problemas no sistema respiratório, levando a casos de bron- quite e asma. Ressalte-se que todos esses gases afetam o meio ambiente de alguma forma. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 72 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 72 26/11/2020 14:06:02 Formas de reduzir a poluição do ambiente Nos dias de hoje, a maior parte das indústrias já dispõe de instalações de filtragem e de tratamento dos gases e também de vapores expelidos. Além disso, é realizado o controle a partir das tecnologias, de forma a garantir a qualidade do ar. Um programa para prevenir a poluição industrial é direcionado a vários tipos de resíduos e caracteriza uma revisão bem ampla das ações em uma empresa, com o intuito de reduzir os resíduos que são produzidos (KIPERS- TOK e colaboradores, 2002). Quando a empresa se propõe a implementar um programa de prevenção da poluição, esta deverá se preocupar com a eficácia do programa, necessi- tando satisfazer alguns itens (Quadro 1). Comprometimento com a proteção do funcionário; Contribuir para a redução dos custos operacionais; Ajudar a empresa a melhorar sua imagem; Contribuir para a redução de riscos de responsabilidade criminosa; Comprometimento e zelo pela saúde pública; Comprometimento com o meio ambiente. QUADRO 1. PONTOS QUE DEVERÃO CONSTAR NO PROGRAMA DE PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO A prevenção da poluição tem como principal objetivo a não geração de poluentes e está ligada ao uso de matérias-primas durante todo o processo produtivo. Essa definição está relacionada ao termo produção limpa, que va- loriza a utilização de técnicas que pretendam o menor consumo dos recursos naturais, assim como a diminuição dos resíduos e dos impactos ambientais. Essa produção limpa também está conectada àquilo que envolve os va- lores e os comportamentos de agentes econômicos e sociais. As empresas que aderirem a produção limpa se mostrarão mais transparentes e possuirão maior abertura das informações, realizando a publicação de relatórios que buscam favorecer e contribuir para a melhoria dos níveis ambientais. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 73 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 73 26/11/2020 14:06:02 Lei nº 12.305/2010: institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos A lei nº 12.305, de 2010, institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos e aborda sobre os princípios, objetivos e instrumentos, bem como as questões que tratam da gestão integrada e do gerenciamento dos resíduos sólidos. A lei explana, também, sobre o que é de responsabilidade de quem está gerando os resíduos e dita acerca dos instrumentos econômicos aplicáveis. Fazem parte da Política Nacional de Resíduos Sólidos os seguintes prin- cípios: I – a prevenção e a precaução; II – o poluidor pagador e o protetor-recebedor; III – a visão sistêmica, na gestão dos resíduos sólidos, que conside- re as variáveis ambiental, social, cultural, econômica, tecnológica Energia poluente Fontes fi nitas Energia limpa Fontes renováveis Figura 4. Produção de eletricidade limpa e poluente. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 14/10/2020. ASSISTA Conceitos e defi nições de uma produção limpa dentro de uma indústria; para saber mais acerca do assunto, o vídeo Aula 1 - Produção Limpa - Conceitos e Defi nições traz infor- mes para que a população possa conhecer a importância de se trabalhar com essa visão, buscando a redução do uso de recursos naturais, redução da geração de resíduos, além de ajudar a diminuir a poluição do ar, da água e do solo. OBJETOS DE APRENDIZAGEM Clique aqui LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 74 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 74 26/11/2020 14:06:16 e de saúde pública; IV – o desenvolvimento sustentável; V – a ecoeficiência, mediante a compatibilização entre o forne- cimento, a preços competitivos, de bens e serviços qualificados que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida e a redução do impacto ambiental e do consumo de recur- sos naturais a um nível, no mínimo, equivalente à capacidade de sustentação estimada do planeta; VI – a cooperação entre as diferentes esferas do poder público, o setor empresarial e demais segmentos da sociedade; VII – a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; VIII – o reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem econômico e de valor social, gerador de trabalho e renda e promotor de cidadania; IX – o respeito às diversidades locais e regionais; X – o direito da sociedade à informação e ao controle social; XI – a razoabilidade e a proporcionalidade(BRASIL, 2010, n.p.). A Política Nacional de Resíduos Sólidos possui tais objetivos: proteger a saú- de pública e a qualidade do ambiente; não gerar, reduzir, reutilizar, reciclar e fazer o tratamento dos resíduos sólidos; estimular ideias sus-tentáveis para produção e consumo; adesão de tecnologias limpas, a fim de minimizar os impactos do ambiente; direcio- nar para que a indústria realize a reciclagem etc. Os instrumentos dessa política podem ser classificados em: I – planos de resíduos sólidos; II – os inventários e o sistema declaratório anual de resíduos só- lidos; III – a coleta seletiva, os sistemas de logística reversa e outras ferramentas relacionadas à implementação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; IV – o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis; LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 75 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 75 26/11/2020 14:06:16 V – o monitoramento e a fiscalização ambiental, sanitária e agro- pecuária; VI – a cooperação técnica e financeira entre os setores público e privado para o desenvolvimento de pesquisas de novos pro- dutos, métodos, processos e tecnologias de gestão, reciclagem, reutilização, tratamento de resíduos e deposição final ambien- talmente adequada de rejeitos(BRASIL, 2010, n.p.). Existem muitos outros instrumentos, mas foram relacionados alguns para fins de estudo. Importância da criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos A partir da Constituição Federal de 1988, o município passou a ter mais autonomia para lidar com assuntos de interesse local. O Ministério do Meio Ambiente, em 2004, elaborou uma proposta para o desenvolvimento de dire- trizes que fossem direcionadas aos resíduos sólidos em todo o País, de forma a instituir uma Política Nacional de Resíduos Sólidos. Mesmo sabendo que há normas que trabalham sobre a questão dos resí- duos sólidos, por meio das resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), por exemplo, ainda está decadente no País um instrumento que fosse legal e contivesse as diretrizes aplicáveis aos resíduos sólidos, de forma a guiar os municípios para a gestão correta desses resíduos. Figura 5. Resíduos sólidos gerados pela população. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 12/11/2020. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 76 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 76 26/11/2020 14:06:23 Noções de sustentabilidade urbana A noção de sustentabilidade urbana remete ao espaço urbano. O desen- volvimento sustentável desencadeou vários aspectos da governança urbana, desde a gestão de riscos e incertezas, até o aumento da “resiliência” e adapta- bilidade das estruturas urbanas. O desenvolvimento urbano sustentável sig- nifi caria a sua distribuição em duas áreas: de um lado, aquela que privilegia a representação técnica das cidades ao articular o conceito de desenvolvi- mento sustentável como forma de gestão dos fl uxos de energia e materiais relacionados ao desenvolvimento urbano; por outro lado, aquela que defi ne o caráter insustentável das cidades causado pelo declínio da produtividade dos investimentos urbanos. CURIOSIDADE O Ministério do Meio Ambiente lançou em setembro de 2020 o sistema digital para parques urbanos; a inserção do aplicativo foi um grande marco para a criação do programa Cidades+Verdes. Esse programa é direcionado à gestão, ampliação, manutenção e também para recuperar as áreas verdes nas cidades. No dia em que foi lançado, esse programa já efetuou algo bem concreto: o Cadastro Ambiental Urbano (CAU). Tal cadastro é totalmente digital e o CAU vem a ser um aplicativo que possui uma fi cha bem detalhada de cada área verde que está cadastrada, e são os usuários que avaliarão. Em suma, essa nova Lei nº 12.305/2010 colabora com a organização e a for- ma pela qual nosso País trata o lixo. Tal lei solicita que as empresas, sendo pú- blicas ou privadas, busquem manter transparência em relação à manipulação dos resíduos, a fi m de garantir um controle preciso do que está indo para o ambiente. É importante que o percentual que for para o ambiente esteja den- tro do que é permitido de modo a não agredir os indivíduos e o meio ambiente. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 77 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 77 26/11/2020 14:06:33 28 ícones Ecologia Proteção ambiental Pense verde Transporte ecológico Reuse, reduza e recicle Efeito estufa Conservação da natureza Veículo elétrico Coleta seletiva Água doce Natureza pura Zero emissões Sacolas reutilizáveis Estilo de vida saudável Ecologia Tecnologia ambiental Energia renovável Terra Ecossistema Cidade verde Energia solar Mudanças climáticas Proteção ambiental Casa de baixo impacto ambiental Energia eólica Aquecimento global Desenvolvimento sustentável Ecologia industrial Biocombústivel Poluição Figura 6. 28 formas de ser sustentável. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 12/11/2020. A sustentabilidade urbana atua com a ideia de que as cidades precisam ser trabalhadas por meio de um sistema integrado. Por exemplo: o trans- porte deve ser compreendido junto à política de uso da terra, levando em consideração os dados ambientais. Em algumas partes do mundo, esse con- ceito foi aplicado com grande efeito; não se aplica para o Brasil. Pensando no elemento econômico, muitas cidades brasileiras estão acabando com parte do meio ambiente; a cada dia, o ambiente é poluído e árvores são cortadas, bem como o défi cit de infraestrutura municipal no País aumenta progressi- vamente. A população inerte é a que sofre, porque as políticas de integração não alcançaram sua efi cácia necessária. Uma grande difi culdade encontrada nos dias de hoje, em relação à sustentabilidade urba- na, é fazer com que as pessoas entendam que esse é um ponto extremamente impor- tante, ou seja, é preciso que as instituições de ensino criem estratégias para inserir esse tema durante as aulas a fi m de desenvolver indi- víduos críticos e que percebam o signifi cado e a importância de preservar o meio ambiente. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 78 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 78 26/11/2020 14:07:32 Entendendo a sustentabilidade e a cidade Hoje já existe uma literatura bastante ampla que busca transmitir a defi ni- ção de sustentabilidade, contudo, ressalte-se que sustentabilidade e desen- volvimento sustentável são coisas diferentes e não devem ser tratadas como uma única coisa, nem que estão relacionadas apenas a questões de ambiente. Os problemas do planeta afetam todas as classes sociais, abrangendo desde a poluição do ar, aquecimento global, ecossistemas desestruturados etc. O desenvolvimento urbano sustentável vem de reformulações políticas e com a ajuda de várias pessoas envolvidas na produção do espaço urbano que procuram legitimar suas perspectivas demonstrando o cumprimento dos ob- jetivos de sustentabilidade de acordo com os princípios da Agenda 21, decor- rentes da Conferência das Nações Unidas sobre o desenvolvimento e o meio ambiente. Ao mesmo tempo, quando vemos que o processo está caminhando sobre as políticas urbanas, também estamos assistindo à crescente participa- ção do discurso da comunidade no tratamento de questões urbanas, seja por iniciativa de indivíduos sociais da cidade que inserem a temática referente ao meio ambiente, enfatizando a alta concentração populacional nas metrópoles, seja pela trajetória crescente de urbanização do portfólio ambiental. Figura 7. Cidade verde e sustentável por meio da Agenda 21. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 27/10/2020. A elaboração da Agenda 21 para o País surgiu da necessidade da constru- ção de instrumentos de planejamento a fi m de conseguir chegar ao desenvol- vimento sustentável. A Agenda 21 possui vários desafi os que se inserem nas questões do planejamento, sendo direcionado à ação de forma compartilhada e buscando propostas que objetivam a elaboração de um entendimento de futuro entre os diferentes indivíduos envolvidos. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 79 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 79 26/11/2020 14:07:33 De início, precisaser criado um grupo de trabalho, em que deverão ter re- presentantes tanto da sociedade como do governo; no caso de município, po- derão fazer parte instituição de ensino, ONG etc. Após o grupo formado, este terá certas atribuições como a mobilização e a disseminação do que rege a Agenda 21, além da elaboração de uma estrutura para consulta à população dos problemas existentes e suas soluções cabíveis, podendo também, a inser- ção de ações sustentáveis que seriam urgentes. Os objetivos da Agenda 21 só serão alcançados se houver uma intensa par- ticipação da comunidade durante o processo de discussão dos temas. Precisa haver sensibilização, capacitação e institucionalização dos processos inclusos na Agenda 21. Cada um terá o seu papel, e o comprometimento individual é fundamental para o sucesso. A cidade sustentável se refere àquela que busca minimizar o consumo de energia fóssil, pois o seu uso está relacionado a problemas ambientais e tam- bém de outros tipos de recursos, buscando explorar bastante o que existe no local de forma a satisfazer os itens de conservação e de contribuir para a redu- ção dos rejeitos. Analisando a cidade como um “sistema termodinâmico”, sendo este aber- to, é possível identificar no urbano o locus exclusivo da produção. Partindo da interpretação da cidade como o lugar por excelência da perda da capacidade de converter energia em trabalho, ficaria a cargo do planejamento urbano reduzir a perda energética e também de retardar o caminho que é irreversível (ACSELRAD, 1999). Figura 8. Exemplo de combustível fóssil: carvão mineral. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 26/10/2020. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 80 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 80 26/11/2020 14:07:42 Essa representação das cidades indica para o surgimento de alguns mode- los técnicos da cidade, fundada na racionalidade econômica. Para reduzir o impacto das práticas urbanas, portanto, é ne- cessário adotar tecnologias que economizem espaço, ma- téria e energia e que objetivem a reciclagem de materiais. Tal ideia é para atingir o alcance do uso racional da economia. EXPLICANDO A Agenda 21 pode ser explicada como sendo um instrumento do plane- jamento a fi m de propagar a construção de cidades sustentáveis, nos diferentes espaços geográfi cos, de forma a conciliar as questões que envolvem a proteção ao meio ambiente, justiça social e também efi ciência econômica. O eixo central da Agenda é a sustentabilidade e envolver a sociedade civil e o governo de maneira participativa para tratar dos pro- blemas ambientais, sociais e econômicos de determinado lugar. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e da sustentabilidade urbana Existem 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) surgidos em uma Conferência das Nações Unidas, tendo como tema o desenvolvimento sus- tentável, ocorrida no ano de 2012 no Rio de Janeiro. O desígnio da conferência foi criar vários objetivos que atendessem aos grandes problemas ambientais, políticos e econômicos. Na Figura 9, é possível observar tais objetivos elencados. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável Erradicação da pobreza Energia limpa e acessível Ação contra a mudança global do clima Água limpa e saneamento Consumo e produção responsáveis Fome zero e agricultura sustentável Trabalho decente e crescimento econômico Vida na água Saúde e bem-estar Inovação infraestrutura Vida terrestre Educação de qualidade Redução das desigualdades Paz, justiça e instituições efi cazes Igualdade de gênero Cidades e comunidades sustentáveis Parcerias e meios de implementação Figura 9. 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Fonte: Shutterstock. Acesso em: 27/10/2020. OBJETOS DE APRENDIZAGEM Clique aqui LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 81 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 81 26/11/2020 14:08:07 Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável buscam proporcionar quali- dade de vida melhor para todos os habitantes, agindo de forma sustentável em suas ações – e todos esses atos serão refletidos nas gerações presentes e futu- ras. Ressalte-se que, para o cumprimento desses objetivos, faz-se necessária a parceria dos governos, empresas privadas, sociedade, a ponto de garantir que – juntos – transformaremos o planeta. A noção de sustentabilidade urbana remete a valores que estão associados aos discursos e aos argumentos que precisam ser compreendidos na íntegra. Toda discussão acerca da sustentabilidade urbana vem sendo trabalhada ao re- dor do mundo. A criação das cidades aconteceu por volta de 6000 a.C.; ao longo dos anos, com o crescimento da produção agrícola e com o desenvolvimento de novas ferramentas, o comércio das cidades começou a crescer, aumentando cada vez mais o número de pessoas na área urbana. Assim, a sustentabilidade passa a ser inserida no equilíbrio do que rege a Triple Bottom Line. A junção desses itens proporciona ao campo científico a de- finição do que realmente precisa ser averiguado para atingir o equilíbrio do tripé (SOUZA, 2016). Pessoas Planeta Lucro Figura 10. Triple Bottom Line. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 27/10/2020. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 82 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 82 26/11/2020 14:08:07 Para exemplificar o conceito de Triple Bottom Line, seguem as definições: • People (pessoas): os colaboradores de uma empresa são as pessoas mais importantes da empresa. É fundamental que os donos de corporações zelem por seus funcionários, cuidando e oferencendo infraestruturas adequadas para o melhor desempenho. Uma empresa sustentável tem como pilar principal “o tratamento que sua equipe recebe” e isso envolve respeito ao funcionário e atendimento das normas trabalhistas; • Planet (planeta): está relacionada aos danos que os serviços de determina- das empresas transferem ao meio ambiente e direciona para as medidas que deverão ser providenciadas para evitar tais danos ao meio ambiente; • Profit (lucro): quando a empresa atua pensando nas melhores medidas a serem tomadas para seus colaboradores e para o planeta, no fim do mês, ela terá resultados positivos. No início, os gestores tinham dificuldades para enten- der como que um gasto poderia aumentar o lucro da empresa. A questão é: quando a empresa investe de forma sustentável, abarcando todos esses valores, em consequência, ela aumentará a sua produtividade e resultados. Sabe-se que trabalhar com índices e indicadores facilitará a ope- racionalização dos projetos relacionados à sustentabilidade. No entanto, para que exista um aperfeiçoamento das técnicas e tecnologias para aplicação da sustenta- bilidade, é preciso haver pesquisas tanto teóri- cas como práticas, por meio de investigações dos dados, de forma a corroborar para novos caminhos para a ciência no que tange à susten- tabilidade urbana. ASSISTA Sustentabilidade e princípios do desenvolvimento sustentá- vel. Para saber mais sobre o assunto, assista ao vídeo Aula de geografia: desenvolvimento sustentável, princípios do desenvolvimento sustentável, do canal “Quadro Livre”: o conteúdo aborda o conceito de desenvolvimento sustentável e de onde veio essa palavra, mostrando que é extremamente importante melhorarmos as nossas atitudes e ações em prol das gerações futuras, que – talvez – não terão as mesmas condições que as nossas. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 83 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 83 26/11/2020 14:08:07 Agenda 2030 A Agenda 2030 foi aprovada em 2015 na Cúpula das Nações Unidas em busca do desenvolvimento sustentável. Essa Agenda foi assinada por 193 países – e o Brasil está incluso, no qual estabeleceu 17 objetivos e mais 169 metas que facili- tarão o enfrentamento da fome e da pobreza. Antes mesmo da aprovação dessa Agenda pela ONU, várias organizações na- cionais estavam agindo proativamente para que o desenvolvimento sustentável fosse uma premissa de modo que o Poder Público pudesse atuar, bem comoa sociedade. Após a oficialização dos 17 objetivos, as organizações começaram a traba- lhar com o intuito de estimular o Poder Público para o cumprimento da Agenda 2030. A grande demanda das organiza- ções era a de criar uma Comissão Na- cional para os objetivos de desenvolvi- mento sustentável. O Governo Federal, no ano de 2016, atendeu ao pedido e, assim, a Comissão foi criada. Hoje, essa Comissão conta com a participação dos representantes do go- verno e da sociedade. Suas atribuições estão elencadas da seguinte forma: com o objetivo de internalizar, de difundir os objetivos propostos e de trabalhar com total transparência durante todos os atos. Algumas das organizações que fazem parte da Comissão são: o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O IBGE já identificou alguns indicadores de acompanhamento da Agenda, a partir da coleta de dados nacionais. O Ipea também já contribuiu com a produção do relatório “Agenda 2030 - ODS – Metas Nacionais dos objetivos de desenvolvimento sustentável”, que objetiva fazer a adequação das metas globais à expectativa da realidade do nosso País. Um dos conteúdos produzidos pelo Ipea são os Cadernos ODS, que trazem análises das linhas de base por meio dos indicadores de monitoramento das me- tas e apresentam uma avaliação dos desafios do País para implementação da Agenda 2030. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 84 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 84 26/11/2020 14:08:13 Tanto no nosso País como no mundo, o grande desafi o da Agenda 2030 é desmistifi car seus objetivos para a realidade dos municípios. Assim sendo, o Programa Cidades Sustentáveis buscou auxiliar nessa etapa de forma que fez a correlação dos eixos e indicadores aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Susten- tável e as 169 metas da Agenda da ONU. Esse trabalho facilitou para que os indicadores ajudassem a territorializar to- das as formulações da Agenda 2030, sobretudo, nas metas mais específi cas. O Programa Cidades Sustentáveis tem participado de forma ativa nesse processo de difusão e de avaliação da Agenda 2030 em todo o País. Criam-se meios para tentar municipalizar os ODS com as suas metas, contribuindo – mediante papel importante – para a implementação da Agenda 2030 nas localidades. Cidades sustentáveis As cidades são grandes centros urbanos para produção e consumo, em que formam espaços que abrangem uma grande diversidade de fatores interdepen- dentes que se comunicam para cumprir e atender às necessidades da popula- ção, contudo, não é frequente conseguir absorver a desordem do crescimento urbano, visto que são vários os problemas de uma cidade que interferirão, de alguma forma, na qualidade de vida dos indivíduos (MARTINS; CÂNDIDO, 2013). Para que uma cidade se torne sustentável, é preciso que haja uma modifi - cação na estrutura das políticas públicas para intervenção nas áreas urbanas, tendo como princípio elaborar medidas a fi m de corroborar com o planejamento do desenvolvimento regional em direção à sustentabilidade. A Agenda 21 pos- sui grande contribuição com a promoção das cidades sustentáveis, colaborando para que exista o ordenamento do território; promova o desenvolvimento da cidade; trabalhe no sentido de fortalecer o planejamento territorial; contribua para a gestão e democracia da cidade e desenvolva instrumentos econômicos para fi ns de ordenamento dos recursos naturais. Conforme visto no tópico anterior, é importante a escolha dos indicadores para balancear a execução das estratégias e projetos, de maneira que todos possam contribuir com a realidade do local da melhor maneira, atendendo aos critérios preestabelecidos, a fi m de agregar ao desenvolvimento das cidades sus- tentáveis e tendo todo o controle das demandas que foram colocadas em ação. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 85 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 85 26/11/2020 14:08:13 Figura 11. Ecologia e vida verde na cidade, conceito de ambiente urbano. Um edifício em Sydney, Austrália. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 12/11/2020. Os indicadores urbanos caracterizam-se por ser instrumentos para facilitar o processo de leitura dos dados das cidades. É possível ser feita a análise dessas leituras e verificar possíveis condições futuras que a cidade poderia ter. “Este en- tendimento dos processos inerentes à dinâmica urbana são balizadores para o desenvolvimento de políticas embasadas na realidade e nos objetivos próprios de cada local e para a alocação justificada de recursos públicos” (GHENO, 2009, p. 62). Na pesquisa de Gheno, foi verificado que existem lacunas em muitos dos indicadores que têm o objetivo de avaliar o espaço urbano. Constatou-se que a maioria dos sistemas de indicadores informa detalhadamente elementos dos aspectos sociais e econômicos, mas não faz referência à forma urbana que está vinculada. Na maioria das vezes, quando se mencionava o espaço, este era apre- sentado apenas abordando a sua descrição para georreferenciar os indicadores levantados. Apesar dessa lacuna, os indicadores hoje representam importantes sistemas que podem ser utilizados para monitorar as condições do meio urbano, visto que indicam tendências e focam nos pontos que precisam ser melhorados, sendo também um instrumento que agrega ao processo de planejamento, criando me- tas e a seleção de qual ação é prioridade para uma cidade sustentável. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 86 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 86 26/11/2020 14:08:16 Objetivos de uma cidade sustentável O grande objetivo da cidade sustentável é acabar de vez com a degradação do meio ambiente, garantindo a existência dos recursos naturais para gerações futuras. Verifica-se, a partir daí, a importância da existência de políticas públicas que agem pensando no futuro. Como temos a maior parte da população nas áreas urbanas, é exatamente na cidade que temos os maiores problemas de poluição e também do mau uso dos recursos naturais. Assim, os centros urbanos precisam se modificar e pensar nas próximas gerações, de forma que seja garantido um mundo melhor para todos. Características para que seja considerada uma cidade sustentável Para que uma cidade seja estimada sustentável, esta deverá: 1. Direcionar de forma correta os resíduos sólidos, assim como realizar o rea- proveitamento destes; 2. Disponibilizar de água com qualidade e com racionalidade sem esgotar os mananciais; 3. Realizar o reaproveitamento das águas das chuvas; 4. Buscar sempre a utilização de fontes de energia renováveis; 5. Disponibilizar para a população transporte público de qualidade para que seja a primeira opção em vez de veículos particulares que aumentam o índice de poluição atmosférica; 6. Proporcionar meios para que haja a cultura e o lazer para a população. A grande preocupação dos pesquisadores e gestores hoje é que ainda não temos nenhuma cidade no mundo que seja totalmente sustentável. Isso, de fato, é crítico, mas sabemos que algumas buscam inserir mecanismos para mudar sua estrutura e torna-se aos poucos sustentáveis, trazendo ideias e metas de susten- tabilidade para a realidade atual. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 87 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 87 26/11/2020 14:08:16 Sintetizando Compreender as principais leis ambientais e suas finalidades, assim como a importância que cada uma tem para o desenvolvimento sustentável da ci- dade, é papel de todo cidadão. Tais leis contribuem para um melhor ordena- mento e planejamento urbano. Entender sobre a Agenda 21 faz com que você traga parte da responsa- bilidade para você e comece a atuar de forma participativa e consciente, sa- bendo que aquilo que fazemos hoje terá consequência no futuro; por isso, devemos cuidar bem do ambiente onde vivemos. As cidades estão crescendo cada vez mais; e se medidas não forem toma- das, os habitantes poderão sofrer em um futuro próximo.Quantas doenças respiratórias novas estão aparecendo e não sabemos o porquê do seu surgi- mento. Tudo isso é graças ao grande caos que as cidades estão vivendo, em que muito se sabe, mas pouco se faz para cuidar do meio ambiente. É nossa tarefa, portanto, contribuir para uma cidade sustentável. Cada um deve cumprir o seu dever, agindo de forma participativa nas ações do gover- no local do seu município. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 88 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 88 26/11/2020 14:08:16 Referências bibliográficas ACSELRAD, H. Discursos da sustentabilidade urbana. Revista Brasileira de Es- tudos Urbanos e Regionais, [s,I.]. v. [s.I.], n° 1, maio de 1999. Disponível em: . Acesso em: 26 out. 2020. AULA 1 - Produção Limpa - Conceitos e Definições. Postado por Iziquiel Cec- chin. (47min. 02s.). son. color. port. ou leg. Disponível em: . Acesso em: 23 nov. 2020. AULA de Geografia: Desenvolvimento Sustentável, Princípios do Desenvol- vimento Sustentável. Postado por Quadro Livre. (10min. 48s.). son. color. port. ou leg. Disponível em: . Acesso em: 23 nov. 2020. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União, Brasília, DF. Disponível em: . Acesso em: 23 nov. 2020. BRASIL. Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá ou- tras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF. Disponível em: . Acesso em: 23 nov. 2020. BRASIL. Lei n° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções pe- nais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio am- biente, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF. Dispo- nível em: . Acesso em: 23 nov. 2020. BRASIL. Lei n° 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá ou- tras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF. Disponível em: . Acesso em: 14 out. 2020. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Consultoria Jurídica. Legislação Am- biental Básica / Ministério do Meio Ambiente. Consultoria Jurídica. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, UNESCO, 2008. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 89 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 89 26/11/2020 14:08:16 GHENO, P. Z. Indicador de desempenho urbano: metodologia e perspectiva de integração. 2009. 187 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2009. Disponível em: . Aces- so em: 27 out. 2020. IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Agenda 2030 - Ods – Metas Nacionais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. [s.I.]: Ipea, 2018. Disponível em: . Acesso em: 23 nov. 2020. KIPERSTOK, A.; COELHO, A.; TORRES, E. A.; MEIRA, C. C.; BRADLEY, S. P.; RO- SEN, M. Prevenção da poluição. Brasília: SENAI/DN, 2002. MARTINS, M. F.; CÂNDIDO, G. A. Análise da sustentabilidade urbana no con- texto das cidades: proposição de critérios e indicadores. In: XXXVII Encontro da ANPAD, Rio de Janeiro/ RJ – 7 a 11 de setembro de 2013. Anais... Rio de Janeiro: EnANPAD, 2013. Disponível em: . Acesso em: 27 out. 2020. PISCO DE LUZ. 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Disponível em: . Acesso em: 26 out. 2020. SOUZA, C. S. Sustentabilidade urbana: conceitualização e aplicabilidade. 2016. 66 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de São João Del- -Rei (UFSJ), Ouro Branco (MG), 2016. Disponível em: . Aces- so em: 27 out. 2020. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 90 SER_ARQURB_LUPP_UNID3.indd 90 26/11/2020 14:08:16 CÓDIGO DE OBRAS E NORMAS DA ABNT REFERENTES AO EDIFÍCIO 4 UNIDADE SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 91 26/11/2020 15:55:54 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Apresentar a definição do Código de Obras, evidenciando conceito, usos e composição; Abordar normas da ABNT referentes ao edifício, como a NBR 15575, sobre desempenho das edificações, e a NBR 9050, sobre acessibilidade nas edificações. Código de Obras Conceituação de Código de Obras Disposições gerais do Código de Obras Dados levantados em pesquisas científicas utilizando o Código de Obras Normas da ABNT referentes ao edifício Principais normas para construção civil NBR 15575 e suas características NBR 9050 e suas características LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 92 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 92 26/11/2020 15:55:54 Código de Obras Ao iniciar um projeto, se tem a necessidade de consultar o Código de Obras do município, para saber o que pode ou não ser construído em determinada área. O Código de Obras é considerado um instrumento facilitador para que a gestão municipal atue no controle e fi scalização do espaço já edifi cado ou que entre para construção, avaliando, também, todo ambiente ao seu redor, podendo garantir toda segurança necessária e boas condições de higiene das edifi cações. Esse instrumento é muito importante para as prefeituras, pois busca garantir uma melhor qualidade de vida para toda a população. Nele, são apresentadas diretrizes integradas a outros instrumentos urbanísticos. É importante entender a diferença de Plano Diretor e Código de Obras, uma vez que os dois são leis. O Plano Diretor é mais geral, abarca a Lei de Zoneamento e trata das questões do desenvolvimento urbano e sustentável da cidade. Já no Código de Obras, são defi nidos parâmetros e conceitos bási- cos de conforto ambiental, segurança, conservação de energia, salubridade e acessibilidade, com o intuito de proporcionar uma vida melhor para todos os indivíduos das áreas urbanas e rural. Ele é muito importante para que todos os edifícios escolares, hospitalares e outras instituições garantam acessibilidade universal, boa iluminação, ventilação e insolação nos cômodos. Figura 1. Prédio comercial com rampa para acessibilidade. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 16/11/2020. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 93 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 93 26/11/2020 15:55:56 Cada município possui o seu Código de Obras, baseado nas demandas lo- cais. O Código de Obras varia de lugar para lugar e possui as normas da ABNT para todos os tipos de construção. Nele, consta como funciona todo o proce- dimento para aprovação dos projetos, as licenças necessárias, o método para fi scalizar a execução das obras e possíveis penalidades em caso de descumpri- mento da lei. Imaginando na prática, o Código de Obras envolve os cuidados com a legis- lação urbana do município e com as normas vigentes no que tange à constru- ção civil, devendo ser estudado e compreendido junto com o Plano Diretor, que apresenta importantes dados como a taxa de ocupação permitida e coefi ciente de aproveitamento máximo, itens essenciais para a melhor execução do projeto. Conceituação de Código de Obras Para fi ns de entendimento do Código de Obras, no artigo primeiro do Có- digo de Obras da cidade de92 Código de Obras.................................................................................................................... 93 Conceituação de Código de Obras ............................................................................... 94 Disposições gerais do Código de Obras ...................................................................... 96 Dados levantados em pesquisas científicas utilizando o Código de Obras ........ 101 Normas da ABNT referentes ao edifício ........................................................................ 105 Principais normas para construção civil ................................................................... 106 NBR 15575 e suas características .............................................................................. 108 NBR 9050 e suas características ................................................................................ 111 Sintetizando ......................................................................................................................... 113 Referências bibliográficas ............................................................................................... 114 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 7 26/11/2020 13:38:30 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 8 26/11/2020 13:38:30 Esta disciplina é uma das âncoras à atividade profi ssional do arquiteto, do urbanista e planejador urbano, principalmente atividades com projetos, e da construção civil. Em qualquer atividade prática, o profi ssional deverá ter o co- nhecimento desta disciplina para dialogar com seus clientes, principalmente atuando com projetos de arquitetura. No dia a dia, boa parte dos arquitetos não entende de legislação: o contexto histórico, seus princípios e diretrizes, seus objetivos normativos, o processo de aprovação de um projeto e sua fi sca- lização e, por fi m, os trâmites gerais entre o projeto e a liberação da prefeitura para usar a edifi cação projetada, mas esta questão é mais séria aos arquitetos, considerando que muitos negam dar ao cliente o Registro de Responsabilida- de Técnica (RRT). No geral, as prefeituras pedem este documento emitido e autenticado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) para começar os trâmites legais de um projeto dentro das leis da prefeitura. Sendo assim, os profi ssionais esquecem que qualquer ação com projetos está submetida à Lei n. 12.378/2010, que criou o CAU no Brasil e, portanto, ao Código de Ética e Disciplina publicado em 2017. Aproveitem a disciplina para conhecerem o que são legislações e seus efeitos sob a atividade profi ssional no mercado de ar- quitetura. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 9 Apresentação SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 9 26/11/2020 13:38:31 Dedico este livro aos estudantes de arquitetura e urbanismo em formação, que têm em suas mãos temas indispensáveis ao desenvolvimento social e econômico de nossas cidades. O professor Wesley da Silva Medeiros é Mestre pelo PPGAU-IAU-USP (2017) e bacharel em Arquitetura e Urbanismo pela PUCPR (2014). Atua com pesquisas relacionadas ao Urbanismo e Planeja- mento Urbano, Projetos de Arquitetura Social e Ensino de Arquitetura e Urbanis- mo no Brasil. Possui escritório atuando com projetos residenciais, comerciais, serviços institucionais e consultorias urbanas. Na vida acadêmica, dedica-se ao ensino de projeto, urbanismo, plane- jamento urbano, desenho urbano, siste- mas estruturais e conforto ambiental. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1313694320739542 LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 10 O autor SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 10 26/11/2020 13:38:34 Dedico este trabalho a Deus, pelo dom da vida e da aprendizagem, aos meus pais, ao meu marido, à minha irmã e ao meu irmão, que sempre me incentivaram e deram total apoio, assim como aos meus alunos, que sempre foram motivadores diante dos novos desafi os. A professora Marina Silva Paravidi- no de Abreu é especialista em Gestão de Projetos (2020) pela Universidade Estácio de Sá (UNESA) e graduada em Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo (2014) pelo Centro Educacional Nossa Senhora Auxiliadora (CENSA). É pes- quisadora e tem duas linhas de pes- quisa envolvendo a pernamência na educação e as cidades inteligentes. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7043935599375670 A autora LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 11 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 11 26/11/2020 13:38:34 CONSTITUIÇÃO FEDERAL E SUAS DETERMINAÇÕES PARA A CIDADE E O HOMEM SOCIAL 1 UNIDADE SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 12 26/11/2020 13:38:46 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Compreender o contexto histórico anterior à promulgação da Constituição Federal de 1988 (CF 88); Conhecer o papel dos arquitetos e urbanistas no Movimento Nacional de Luta pela Reforma Urbana na elaboração da CF 88; Compreender os princípios conceituais da CF 88 a partir dos artigos 6, 21, 182 e 183 e suas relações com a cidadania, as cidades e a prática profissional do arquiteto urbanista; Conhecer o Estatuto da Cidade e seus instrumentos de desenvolvimento urbano. Urbanização brasileira O Movimento Nacional da Reforma Urbana Conceito da Constituição Federal de 1988 Contexto da Constituição de 1988 Política e legislação urbana Os instrumentos do Estatuto da Cidade Instrumentos de regularização fundiária Instrumentos de democratização da gestão urbana LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 13 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 13 26/11/2020 13:38:46 Urbanização brasileira Todo percurso desta unidade passa pelos problemas urbanos e seus des- dobramentos na desfi guração dos cidadãos, dos direitos e da cidadania – por- tanto, da cidade. Os problemas são diversos e ampliados à medida que a in- dustrialização atraiu e atrai pessoas aos centros urbanos, como as metrópoles. Isso ocorre sem que haja um planejamento municipal, metropolitano e es- tadual para implementar políticas urbanas. Por isso, o crescimento da popula- ção urbana não representa desenvolvimento e progresso; ao contrário, implica em mais problemas sociais, urbanos e econômicos, levando o Estado e gover- nos a se distanciarem das políticas urbanas e sociais. O Gráfi co 1 mostra a taxa de urbanização no decorrer da história, ou seja, o crescimento de pessoas em centros urbanos. Foi assim que os problemas ur- banos foram se confi gurando entre décadas de urbanização sem planejamento urbano e políticas sociais, antes e após a CF 88. Os dados revelam a dinâmica do crescimento populacional, sobretudo em centros urbanos em processo de industrialização a partir do início nos anos 40. GRÁFICO 1. TAXA DE POPULAÇÃO URBANA E RURAL BRASILEIRA ENTRE 1940 E 2010 TAXA DE URBANIZAÇÃO BRASILEIRA 1940 1950 1960 1970 1980 1991 2000 2007 2010 69% 31% 64% 36% 55% 45% 44% 56% 32% 68% 24% 76% 19% 81% 17% 83% 16% 84% População urbana População rural Fonte: DINIZ, 2017. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 14 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 14 26/11/2020 13:38:46 A questão, portanto, é entender o seguinte: quanto maior a população ur- bana, mais problemas se constituem, principalmente pela ausência de terra e moradia. Mesmo assim, entre 1988 e 2010, não estava claro aos governantes o lugar da CF 88 no desenvolvimento urbano, social e econômico, muito menos no que diz respeito aos direitos sociais, à seguridade, à proteção, igualdade, liberdade e justiça social. Neste quadro, o urbanismo e o planejamento urbano vão se tornando fundamentais na administração pública. E os arquitetos, ur- banistas e planejadores urbanos, após a aprovação do Estatuto da Cidade em 2001, foram os profi ssionais encarregados de elaborar as políticas e legislações municipais, ou seja, regulamentar a nível local artigos da CF e do Estatuto da Cidade enquanto compromisso com os interesses do povo. EXPLICANDO A partir de 2010, municípios brasileiros passam a precisar de Planos Diretores, Planos deCampos dos Goytacazes (RJ), por exemplo, foram apresentadas algumas defi nições trabalhadas no decorrer do documento. Al- gumas delas são apresentadas a seguir, para situar o novo vocabulário: DICA No Código de Obras em sua grande maioria, são apresentados quais os profi ssionais estão legalmente habilitados para projetar e executar obras dentro do Município e que estes deverão ter seus registros nos órgãos es- pecífi cos, tanto no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, como no Conselho de Arquitetura e Urbanismo dos seus respectivos estados, assim como deverão estar matriculados no Município onde assinarão como responsáveis pelo projeto e/ou da obra. • Acréscimo: é entendido como aumento da área da edi- fi cação tanto no alinhamento horizontal, como vertical, sem que haja demolição; • Afastamento: é medido pela distância existente entre duas construções de um mesmo lote, ou entre uma construção e suas divisas frontal, lateral e de fundos. O afastamento se en- quadra como privativo do proprietário do terreno, podendo ser frontal, lateral e de fundo; LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 94 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 94 26/11/2020 15:55:56 • Alicerce: É a base maciça da construção. O alicerce é capaz de suportar toda a edifi cação e deve ser feito de material que suporte todas as partes da edifi cação; • Alinhamento: é uma linha paralela entre o alinhamento do lote com o logradouro público; • Altura da edifi cação: deve ser medida a partir do nível do passeio público até a parte mais alta da edifi cação; • Alvará de licença para construção: é um documento que é emitido pelo município, informando que determinada construção pode ser iniciada; • Alvenaria: no Brasil, a maior parte das construções são feitas de alvena- ria, que utiliza blocos de concreto, tijolos ou pedras, rejuntados ou não com argamassa; • Área edifi cável: é o espaço do lote onde é permitido construir conforme a legislação vigente; • Área total da construção: essa área deve ser apresentada no quadro de áreas que está na prancha para aprovação na prefeitura. A área total da construção vem a ser o somatório das áreas de todos os pavimentos; • Área útil da construção: é o somatório de todas as áreas utilizáveis de uma construção, onde devem ser excluídas as paredes. QUADRO 1. CONDIÇÕES PARA MATRÍCULA NO MUNICÍPIO Requerimento do interessado; Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, sendo o CREA ou o CAU BR; Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Requerimento do interessado; Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Requerimento do interessado; Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Requerimento do interessado; Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, sendo o CREA ou o CAU BR; Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Requerimento do interessado; Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, sendo o CREA ou o CAU BR; Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Requerimento do interessado; Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, sendo o CREA ou o CAU BR; Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Requerimento do interessado; Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, sendo o CREA ou o CAU BR; Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Requerimento do interessado; Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, sendo o CREA ou o CAU BR; Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Requerimento do interessado; Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, sendo o CREA ou o CAU BR; Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Requerimento do interessado; Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, sendo o CREA ou o CAU BR; Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, sendo o CREA ou o CAU BR; Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeituraem aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, sendo o CREA ou o CAU BR; Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Apresentar a carteira profi ssional, que foi expedida pelo órgão credenciado, Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Apresentar o comprovante de pagamento para inscrição no Município; Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. Obs.: Caso o profi ssional deixe de atuar no município e mantenha seu cadastro na prefeitura em aberto, posteriormente ele deverá arcar com todos os custos que foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas.foram acumulados, podendo responder em processo caso se negue a quitar as dívidas. No Quadro 1, estão as condições específi cas para a matrícula no muni- cípio. Fica a cargo do departamento de tributação do município cancelar a matrícula dos indivíduos que não pagarem os tributos referentes à atividade profi ssional em seu respectivo exercício, podendo aplicar multas a estes cida- dãos inadimplentes. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 95 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 95 26/11/2020 15:55:56 Ao analisar a evolução do licenciamento edilício e fazendo uma retrospec- tiva no tempo, não há como não citar os incêndios ocorridos no Edifício An- draus, na tarde do dia 24 de fevereiro de 1972, e no Edifício Joelma, na manhã de 1º de fevereiro de 1974, ambos na cidade de São Paulo e num período com poucas normas técnicas, sem a Lei de Segurança nº 8.050/74 e nem o Código de Obras e Edifi cações, Lei 8.266/75. Figura 2. À esquerda, o Edifício Andraus e, à direita, o Edifício Joelma, depois dos incêndios. Fonte: NASCIMENTO, 2008; NASCIMENTO, 2012. Contudo, convém lembrar que só depois que aconteceram duas tragédias semelhantes num curto espaço de tempo é que houve alguma ação das autori- dades. Com o aumento da Normatização Técnica Brasileira – ABNT e da implan- tação do Código de Obras, os problemas diminuíram de forma considerável. Como cada município deve elaborar o seu Código de Obras, cada documento tem um número de Lei específi co, mudando de lugar para lugar. Disposições gerais do Código de Obras Uma construção é iniciada somente após a aprovação do projeto na prefei- tura do município e após a liberação da licença para construir, tendo a respon- LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 96 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 96 26/11/2020 15:55:59 sabilidade do profi ssional cadastrado e legalmente habilitado para a função, como informado no Código de Obras de Campos dos Goytacazes. Ao construir em propriedade rural para fi m residencial, tendo área inferior a 200 m², desconsidera-se a exigência acima referenciada. Caso seja necessária a realização de as built, eles devem ser feitos e entregues na prefeitura como novos projetos, salientando que todos os projetos devem condizer com as leis de zoneamento, uso do solo e parcelamento do solo. Após a aprovação do projeto e a obra iniciada, havendo necessidade de rea- lizar alguma modifi cação no projeto, ela deve ser comunicada junto à prefeitu- ra, para fi ns de registro e verifi cação da conformidade com as normas. Apenas profi ssionais habilitados elaboram e executam projetos para o município. A responsabilidade dos projetos, cálculos e demais itens a serem apresentados, cabe aos seus respectivos autores. No Quadro 2, constam algumas das infor- mações contidas no Código de Obras e que são relevantes durante todo o pro- cesso para início da obra. QUADRO 2. INFORMAÇÕES SOBRE RESPONSABILIDADES NO CÓDIGO DE OBRAS Elementos Descrição Assinatura O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. Placas No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o município. Substituição de Profi ssional Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das funções do outro responsável técnico. Responsabilidade Técnica Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidadetécnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². AssinaturaAssinaturaAssinatura PlacasPlacas O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. Placas O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. Substituição de O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. Substituição de Profi ssional O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. Substituição de Profi ssional Responsabilidade Técnica O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o Substituição de Profi ssional Responsabilidade Técnica O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o Substituição de Profi ssional Responsabilidade Técnica O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o Responsabilidade Técnica O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- Responsabilidade Técnica O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das Responsabilidade Técnica O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das Responsabilidade Técnica O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das Responsabilidade Técnica O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o município. Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das funções do outro responsável técnico. Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o município. Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das funções do outro responsável técnico. Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o município. Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das funções do outro responsável técnico. Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das funções do outro responsável técnico. Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura,informando o término da responsabilidade de um e começo das funções do outro responsável técnico. Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². O profi ssional que assina os desenhos ou é responsável por outra atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das funções do outro responsável técnico. Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². atividade indica sua função no ato de carimbar e assinar o projeto. No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das funções do outro responsável técnico. Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das funções do outro responsável técnico. Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². No local onde for iniciada a construção, são fi xadas placas dos profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das funções do outro responsável técnico. Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². profi ssionais responsáveis, devendo eles estarem quites com o Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das funções do outro responsável técnico. Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das funções do outro responsável técnico. Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². Quando houver a necessidade de trocar o responsável de de- terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². terminada atividade, o acontecimento é relatado na prefeitura, informando o término da responsabilidade de um e começo das Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². informando o término da responsabilidade de um e começo das Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². Construções para fi ns de moradia de madeira ou alvenaria, que possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². possuírem somente um pavimento, fi cam dispensadas tanto da assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². assistência como da responsabilidade técnica, não necessitando de cálculo estrutural e tendo área construída menor que 70 m². As reformas menores, também estão dispensadas de toda exigência, sen- do que devem se enquadrar nas categorias descritas no Quadro 3. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 97 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 97 26/11/2020 15:55:59 QUADRO 3. CATEGORIAS PARA DISPENSA DE EXIGÊNCIAS Categoria Descrição I As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. II A reforma não pode exigir estrutura especial. III Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². IV A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. I II III As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. IV As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente.As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. A reforma não pode exigir estrutura especial. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. A reforma não pode exigir estrutura especial. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construçõescom mais de 5 anos de conclusão. As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. A reforma não pode exigir estrutura especial. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. A reforma não pode exigir estrutura especial. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. A reforma não pode exigir estrutura especial. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. A reforma não pode exigir estrutura especial. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. A reforma não pode exigir estrutura especial. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. A reforma não pode exigir estrutura especial. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. A reforma não pode exigir estrutura especial. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. A reforma não pode exigir estrutura especial. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. A reforma não pode exigir estrutura especial. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. A reforma não pode exigir estrutura especial. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. A reforma não pode exigir estrutura especial. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. A reforma não pode exigir estrutura especial. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. As reformas são executadas no mesmo andar da construção existente. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. Em caso de reconstrução ou acréscimo, a área não deve ultrapassar 15 m². A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão.A reforma é feita em construções com mais de 5 anos de conclusão. CONTEXTUALIZANDO As exigências são de suma importância por tornarem viáveis as constru- ções caso elas não tenham sido planejadas conforme as normas vigentes. Os profi ssionais devem ter a consciência que, a partir do momento que se entendem as leis e passam a se seguir todas elas, os problemas diminuem e os profi ssionais contribuem para que se tenha uma melhor construção dentro dos parâmetros criados para o município. Figura 3. Exemplo de reformas pequenas. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 16/11/2020. Projetos e Licenças Para qualquer edifi cação, reforma ou ampliação do prédio, é necessária a apre- sentação do projeto, indicando os elementos a serem retirados ou inseridos. Ele deve ser assinado pelo proprietário e pelos responsáveis pela obra, devendo cons- tar no novo processo para reaprovação do projeto os elementos vistos no Quadro 4. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 98 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 98 26/11/2020 15:56:01 QUADRO 4. ELEMENTOS NO PROCESSO DE REAPROVAÇÃO DO PROJETO Categoria Descrição I Planta de situação e localização. II Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. III Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. IV Cortes longitudinais e transversais. V Detalhes. VI Planta de cobertura. I II III IV Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido.Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. VI Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Planta de situação e localização. Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Planta de situação e localização. Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Planta de situação e localização. Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Planta de situação e localização. Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Planta de situação e localização. Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Cortes longitudinais e transversais. Planta de situação e localização. Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Cortes longitudinais e transversais. Planta de situação e localização. Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Cortes longitudinais e transversais. Planta de situação e localização. Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Cortes longitudinais e transversais. Planta de situação e localização. Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Cortes longitudinais e transversais. Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Cortes longitudinais e transversais. Detalhes. Planta de cobertura. Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Cortes longitudinais e transversais. Detalhes. Planta de cobertura. Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Cortes longitudinais e transversais. Detalhes. Planta decobertura. Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Cortes longitudinais e transversais. Planta de cobertura. Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Cortes longitudinais e transversais. Planta de cobertura. Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Planta de cobertura. Planta baixa específi ca de cada pavimento que não seja repetido. Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas.Planta de elevação das fachadas principais. Mínimo de 2 fachadas. Fonte: PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPOS DOS GOYTACAZES, 1998. Em circunstâncias nas quais o projeto é mais complexo, é exigida a apre- sentação dos cálculos de resistência e estabilidade, caso seja necessário para o entendimento do projeto. Ao fazer um projeto de reforma ou até mesmo de acréscimo, é preciso se atentar para indicar no projeto as partes a serem demo- lidas, construídas ou preservadas de acordo com as convenções, que podem se entender como usuais nas mais diversas cidades. Porém, é preciso atenção para as especifi cações corretas de cada município. As listadas no Quadro 5 são um exemplo de como deve ser feita a representação na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ). QUADRO 5. MODELO PARA REPRESENTAÇÃO EM PROJETOS DE REFORMA OU AMPLIAÇÃO Categoria Descrição das convenções para projeto I Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem II Amarelo para as partes demolidas III Vermelho para as partes acrescidas ou novas II III Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecemCor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecemCor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecemCor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecemCor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecemCor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecemCor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem Amarelo para as partes demolidas Vermelho para as partes acrescidas ou novas Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem Amarelo para as partes demolidas Vermelho para as partes acrescidas ou novas Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem Amarelo para as partes demolidas Vermelho para as partes acrescidas ou novas Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem Amarelo para as partes demolidas Vermelho para as partes acrescidas ou novas Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem Amarelo para as partes demolidas Vermelho para as partes acrescidas ou novas Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem Amarelo para as partes demolidas Vermelho para as partes acrescidas ou novas Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem Amarelo para as partes demolidas Vermelho para as partes acrescidas ou novas Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem Amarelo para as partes demolidas Vermelho para as partes acrescidas ou novas Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem Amarelo para as partes demolidas Vermelho para as partes acrescidas ou novas Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem Amarelo para as partes demolidas Vermelho para as partes acrescidas ou novas Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem Vermelho para as partes acrescidas ou novas Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem Vermelho para as partes acrescidas ou novas Cor natural de cópia (preta) para os elementos que permanecem Vermelho para as partes acrescidas ou novas Fonte: PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPOS DOS GOYTACAZES, 1998. Procedimentos para aprovação dos projetos Para aprovar um projeto, o requerente apresenta, na Secretaria de Obras, o requerimento e 4 cópias do projeto de arquitetura, compreendendo planta baixa dos pavimentos, planta de cobertura, cortes longitudinal e transversal, fachadas, planta de situação e localização, sabendo que o projeto está dentro LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 99 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 99 26/11/2020 15:56:01 da norma de acessibilidade a NBR 9050, conforme explicita- do no Código de Obras e Edificações de São João da Barra (RJ). O requerimento e as plantas entregues têm a assinatura do proprietário e dos responsáveis pela obra. É importante se atentar para os itens que devem compor a planta de situação: 1. A dimensão e as áreas do lote ou a projeção; 2. Os acessos ao lote; 3. Os lotes vizinhos, identificados; 4. A orientação do lote até a esquina mais próxima; 5. A projeção da edificação dentro do lote e suas cotas para entendimento de como está a edificação dentro do lote. A escolha das escalas para cada planta fica a critério do autor, porém, para fins de uma melhor apresentação e facilitação da leitura, conforme o tipo de planta, se recomenda utilizar as escalas listadas a seguir: 1. Plantas de localização – escala de 1:1.000; 2. Plantas de situação – escala de 1:500 ou 1:250 ou 1:200; 3. Plantas baixas – escala de 1:50 ou 1:75; 4. Fachadas – escala de 1:75 ou 1:50; 5. Detalhes – escala 1:25. Dependendo da cidade, pode ser pedido que todas as folhas do projeto se- jam autenticadas, contendo a assinatura do proprietário, do autor do projeto e do responsável técnico, para que se submeta à aprovação. Com o projeto apro- vado, dois jogos das cópias entregues à Secretaria de Obras são devolvidos ao proprietário e as outras duas ficaram retidas na Prefeitura. Embargo O embargo é a paralisação da obra após o proprietário receber uma notifi- cação. Os casos em que o embargo pode ser feito são: • Obras funcionando sem alvará de licença, caso necessário; • Descumprir o que rege o alvará ou o que foi aprovado no projeto legal; • Não cumprir com os afastamentos listados no Código de Obras; • Quando a obra for realizada sem a responsabilidade de um profissional habilitado; • Quando a obra oferecer perigo para a segurança dos profissionais; • Quando a obra oferecer perigo para a segurança pública; LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 100 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 100 26/11/2020 15:56:01 • Quando oferecer insegurança quanto à estabilidade para a obra executa- da e obras vizinhas; • Quando o profi ssional responsável pela obra sair sem comunicar à Prefei- tura, tiver seu registro suspenso ou agir de forma fi ctícia. Se houver petição, pode ser que o embargo seja suspenso, mas somente em casos em que os itens solicitados sejam atendidos em sua totalidade. Dados levantados em pesquisas científicas utilizando o Código de Obras No trabalho de Carlo, Pereira e Lamberts, “Iluminação natural para redução do consumo de energia de edifi cações de escritório aplicando propostas de efi ciência energética para o Código de Obras do Recife”, de 2004, eles levanta- ram o tema da iluminação natural, uma grante fonte de energia renovável, que deve ser usada para diminuir os gastos com energia elétrica vinda de sistemas artifi ciais. O estudo buscou analisar o equilíbrio entre a iluminação natural e cargas térmicas através de propostas feitas para o Código de Obras do Recife. Segundo os autores: [...] foram simulados protótipos de edifi cações comerciais no pro- grama DOE2.1-E e de ambientes internos destas edifi cações no programa Apolux. O primeiro estima o consumo de energia e o se- gundo, os níveis internos de iluminação natural. Nessa pesquisa foram utilizadas algumas variáveis. Para Carlo, Pereira e Lamberts: [...] Foram utilizadas como variáveis as propriedades térmicas e óti- cas de janelas da envoltória propostas e de algumas exigências de controle de liga/desliga para o sistema de iluminação artifi cial. O re- sultado fi nal indicou o desempenho luminosodo ambiente interno face a alguns limites da proposta para o Código de Obras do Recife e um potencial de redução no consumo de energia em edifi cações de escritórios, que variou de 9% a 21%. Indicou também que as es- pecifi cações da proposta não isentam arquitetos e engenheiros de projetar, visando uma edifi cação com qualidade ambiental, tanto sobre o enfoque do conforto, como da economia de energia. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 101 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 101 26/11/2020 15:56:01 Na categoria municipal, os mesmos pesquisadores propuseram para a ci- dade do Recife, capital de Pernambuco, no ano de 2003, que fossem incluídos quesitos para proporcionar mais efi- ciência energética no Código de Obras. A proposta consistia em apontar vários parâmetros que estivessem ligados com à eficiência energética da cons- trução, como os limites das condições térmicas e os requisitos envolvendo os sistemas que consomem energia, como a iluminação artificial e aquecimento da água. Para Carlo, Pereira e Lamberts: [...] Uma edificação energeticamente eficiente deve proporcionar um nível adequado de iluminação que permita reduzir ou que substitua o uso da iluminação artificial. No entanto, esta estratégia visando a eficiência gera um conflito, com o objetivo de reduzir os ganhos térmicos provenientes da radiação solar, principalmente em regiões de clima tropical. Para ser energeticamente eficiente, então, a edificação deve proporcionar um balanço entre a ilumina- ção natural e os ganhos térmicos nos ambientes internos. Dados os parâmetros limite para o Código de Obras Municipal, observou-se uma tendência em reduzir a carga térmica ocasionando um baixo potencial de uso da iluminação natural nos ambientes internos da edificação devido às propriedades óticas dos vidros especificados. A pesquisa de Carlo, Pereira e Lamberts buscou avaliar as condicionantes da iluminação natural assim como o potencial para redução do consumo de ener- gia elétrica das construções, de forma que fossem aplicadas as diretrizes defi- nidas para a proposta no Código de Obras. Já na monografia de Silva, “Idosos e ambientes reduzidos: o design de interiores em uma cozinha de dimensões mínimas permitidas pelo Código de Obras e Edificações da cidade de Carua- ru – PE”, defendida em 2014, o objetivo foi o desenvolvimento de mobiliários e ambientação para cozinha a partir das dimensões mínimas permitidas pelo Código de Obras e Edificações da cidade, com foco para a utilização dos ido- sos. A escolha do ambiente “cozinha” se deu pelo fato de ser o ambiente mais LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 102 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 102 26/11/2020 15:56:03 utilizado por todos durante essa faixa etária. O grande desafio foi trabalhar a ergonomia com dimensões mínimas exigidas, a ponto de haver boa circulação e acesso aos equipamentos. Figura 4. Exemplo de uma cozinha pequena. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 16/11/2020. Para fins de cumprimento com o objetivo proposto na monografia, Silva ela- borou um projeto adequado ao uso por pessoas idosas, dado que esse perfil que apresenta dificuldades de locomoção, carecendo de um espaço com mais autonomia e liberdade para as atividades diárias. No início da década de 1920, surgiram novos modelos para moradias no Brasil e que foi rejeitado por mui- tos: os edifícios de apartamentos, constituídos por vários pavimentos e unida- des por andar, lembrando o cortiço, um modelo verticalizado já conhecido. A evolução das cozinhas residenciais começa a se destacar pela função do espa- ço na casa, visto que é nesse ambiente que as pessoas passam boa parte do tempo, sendo um ambiente para alimentação e socialização. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 103 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 103 26/11/2020 15:56:04 Figura 5. Exemplo de cortiço. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 16/11/2020. O Código de Obras também conta com o objetivo de criar normas técnicas para execução de diversos tipos de construções. Todavia, para a sua elabora- ção o município leva em conta as características do local, os problemas já apre- sentados e a realidade de moradia para atender as classes sociais mais baixas, visto que essas pessoas não possuem condição para comprar um apartamento maior ou de construir casas mais amplas, se aglomerando em cortiços ou ha- bitações coletivas. Independentemente de ter dinheiro ou não, é preciso que exista uma base sólida para o construtor especificar as medidas mínimas para que cada cômodo seja acessível para todos os públicos, da criança ao idoso. Silva, antes de propor o projeto da cozinha em sua monografia, verificou o Código de Obras da cidade de Caruaru e averiguou as medidas mínimas. Neste caso, a cozinha deve ter uma área mínima de 4,00 m² e deve dar para traçar um círculo de raio mínimo de 0,80 m, além de ter o pé-direito mínimo de 2,60 m. Com a ideia de propor um design de interiores para a cozinha de forma que ela fique mais acessível para os idosos, se utilizaram três metodologias para o embasamento dessas definições: Associação Brasileira de Design de Interiores e Arquitetura, a de Miriam Gurgel, Ching e Binggeli. O papel do Arquiteto é ir além do que está estabelecido como mínimo no Código de Obras e colocar desafios para si mesmo a ponto de trazer a melhor solução para seu futuro cliente. O mínimo já é sabido, então, como fazer desse LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 104 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 104 26/11/2020 15:56:05 mínimo algo que fi que bom e que atenda a clientela? Primeiro, é preciso identi- fi car o problema e saber quais são as reais necessidades do cliente, cujas res- postas podem ser obtidas a partir de um questionário enviado de forma virtual ou presencial. É importante saber quais os primeiros objetivos atendidos e as exigências de funcionabilidade, verifi cando tudo que existe no espaço, o que se almeja com o projeto e o que é possível de se concretizar. Para projetar, é vital ter uma visão crítica para alternativas possíveis, relacio- nando-as com os objetivos a serem atingidos até chegar numa solução fi nal. Silva realizou o projeto de uma cozinha pequena e com boa circulação. O objetivo da apresentação desses dois artigos foi para explicar que a pessoa profi ssional de arquitetura, ao analisar o Código de Obras da cidade em que se realiza o projeto, deve ir além do que está prescrito, não distorcendo o que já está estabelecido, mas buscando alternativas que complementem com o que já existe e quem sabe de propor soluções de ajustes e melhorias no Código de Obras. Normas da ABNT referentes ao edifício As normas da ABNT buscam implantar determinantes de qualidade, melho- rar desempenho e a segurança de todos os trabalhadores nas diversas áreas. As normas específi cas para construção civil proporcionam informações importan- tes sobre a medição de determinados elementos, além de trazer métodos para atividades específi cas. Quando seguidas as normas da ABNT, acidentes são evi- tados, há mais segurança e qualidade nos serviços, sem contar que a empresa passa a ser vista com outros olhos, devido ao zelo e aos cuidados tomados. ASSISTA A ABNT é a Associação Brasileira de Normas Técnicas. Para saber mais, o vídeo Importância das Normas ABNT e NBR para Construção Civil traz dicas para que você possa entender como deverão ser utilizadas na construção civil e também quais os principais tipos de normas técnicas. É válida a compreensão entre o conceito de Norma Regulamentadora (NR) e de Norma Brasileira (NBR) para posterior entendimento da ABNT. Existem pon- tos característicos que diferenciam uma NR de uma NBR. As Normas Regulamen- LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 105 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 105 26/11/2020 15:56:06 tadoras, criadas pelo Ministério do Trabalho, são obrigatórias e podem gerar em- bargos, multas e penalidades, sendo direcionadas para questõesque envolvam a segurança e a medicina do trabalho. Até o momento, há 36 NRs com diretrizes para os quesitos relacionados a segurança e saúde dos trabalhadores. As Normas Brasileiras foram criadas pelas Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Mesmo sendo uma entidade privada, ela não visa lucro e, por esse motivo, todos os critérios listados por ela não são exigidos. Caso a empre- sa opte por seguir a ABNT e receba as devidas certifi cações, a empresa melho- ra a sua reputação e possibilita maior segurança para a execução dos métodos e procedimentos. Num entendimento macro, as NBRs buscam direcionar os profi ssionais da área da construção civil sobre o uso correto dos produtos e a forma correta de executar os processos, além de contribuir para a melhoria da qualidade das obras minimizando os erros e demais problemas em suas diver- sas etapas de construção. Principais normas para construção civil Para quem é da área da construção civil, utilizar as normas da ABNT, bem como respeitar e conhecer todas elas, é de suma importância por garantir a qualidade e proporcionar maior segurança dentro de uma obra, além de evitar que a obra receba multa atrás de multa. Seguir as normas, portanto, traz benefícios como diminuição do tempo de trabalho e atendi- mento aos prazos descritos no cronograma de obra. A seguir, estão lista- das as principais normas na construção civil: • NR 4: fala dos serviços que envolvem o âmbito da Engenharia de Segu- rança e Medicina do Trabalho, buscando promover a saúde e a integridade dos colaboradores no ambiente em que executam suas atividades. Essa norma possui algumas exigências e uma delas faz relação com a questão da habilitação e registro dos profissionais em determinado serviço, como o médico e o enfermeiro do trabalho, os arquitetos, técnicos e engenheiros; • NR 6: trata da forma como são utilizados os equipamentos de proteção individual no ambiente de trabalho. Cada equipamento deve ser utilizado conforme os riscos apresentados para determinada tarefa, de maneira que proporcione ao trabalhador a segurança necessária para exercer a ativi- LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 106 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 106 26/11/2020 15:56:06 dade. O grande objetivo da NR6 é contribuir para que não haja acidentes no ambiente de trabalho. Assim, a norma estabelece algumas regras para que seja garantida a saúde do trabalhador, protegendo-os das doenças ocupacionais; • NR 7: impõe uma regra em que todas as empresas devem criar e in- serir o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), que visa contribuir para a preservação da saúde dos colaboradores da cons- trução civil ao diagnosticar possíveis doenças relacionadas ao trabalho, devendo tomar algumas atitudes para que tais doenças sejam evitadas; • NR 8: desenvolve diretrizes no âmbito administrativo, organizacional e de planejamento. Seu objetivo é implementar sistemas para controlar e pre- venir acidentes no ambiente de trabalho da construção civil. A norma estabe- lece um ponto importante sobre a qualificação dos colaboradores envolvidos nas etapas da obra, como na operação dos equipamentos, na manutenção, entre outros. Estando preparados, os trabalhadores agem de forma conscien- te e com todas as medidas de proteção necessárias para a segurança; • NR 35: trata dos quesitos de segurança para proteger os colaboradores que exercem trabalhos em altura e envolve todo o planejamento e execu- ção. Ela contribui para a proteção da saúde dos colaboradores ao disponibi- lizar de segurança e equipamentos para as diversas atividades realizadas a partir de dois metros de altura do nível do chão; • NBR 6136: é uma norma regula- mentadora da construção civil. Ela dá parâmetros para a produção e aceita- ção dos blocos de concreto vazados para a realização da alvenaria estru- tural. A norma também estabelece os melhores blocos em cada caso es- pecífico. Os blocos possuem uma de- terminada classe e a norma identifica exatamente o melhor uso para cada classe. A classe AE de blocos pode ser usada nas paredes externas, expos- tas as intempéries; Figura 6. Exemplo de bloco de concreto vazado. Fon- te: Shutterstock. Acesso em: 16/11/2020. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 107 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 107 26/11/2020 15:56:07 • NBR 8949: explica como deve ser feito o preparo e o ensaio das paredes estruturais levadas à compressão, podendo ser feitas de blocos de concreto, material cerâmico ou até mesmo de tijolos; • NBR 12118: estabelece alguns métodos para ensaio para facilitar a aná- lise dos blocos vazados de concreto. Existem vários aspectos que são anali- sados, como a análise do tamanho do bloco, aderência de água, o quanto o bloco resiste à compressão, entre outros fatores; • NBR 13531: lista as atividades exigidas para a execução de um projeto de um edifício. Ela possui uma norma complementar, a NBR 13532, que apre- senta as condições essenciais para que possam ser elaborados projetos de arquitetura; • NBR 15575: foi a primeira norma a apresentar em específi co a qualidade dos produtos para a construção civil, e também da forma como utilizar pelos seus consumidores. É considerada como uma norma que indica o desempe- nho da edifi cação, que leva a uma certifi cação de excelência. ASSISTA Todo produto deve se calcar numa norma para que possa seguir os seus desempenhos mínimos. Para saber mais, o vídeo É obrigatório! Entenda a Norma de Desempenho de Edifi cações Habitacionais (NBR 15575) traz dicas para entender a importância de seguir as NBRs para qualquer produto, além de informações, para os profi ssionais arqui- tetos, engenheiros e para as construtoras, dos critérios mínimos para edifi cações habitacionais. NBR 15575 e suas características No ano de 2000, se iniciaram os primeiros estudos sobre a Norma de De- sempenho, através do incentivo da Caixa Econômica Federal e de uma fi nancia- dora de Estudos, a Finep. Em 2007, saiu a primeira edição da NBR 15575 para consulta. Sua publicação defi nitiva aconteceu em 2013, representando um grande avanço para a sociedade e para o mercado imobiliário e habitacional. Dentro da NBR 15575, há um amplo material com conteúdo de normas já existentes no âmbito da construção civil. A norma de desempenho demonstra grande preocupação com a vida útil, o desempenho, a efi ciência, a sustentabi- LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 108 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 108 26/11/2020 15:56:07 lidade e a manutenção das edificações. Em suma, ela garante que há um fator de qualidade entregue aos futuros compra- dores das edificações. A norma de desempenho foi elabora- da com base nos elementos do edifício, tomando como base os parâmetros de implantação e as exigências dos compradores. Tais exigências são atendidas de forma que possibilite a segurança, habitabilidade e sustentabilidade, envolvendo alguns quesitos. A segurança envolve os se- guintes itens: • Segurança estrutural; • Segurança contra o fogo; • Segurança no uso e na operação. A habitabilidade envolve os seguintes itens: • Estanqueidade; • Desempenho térmico; • Desempenho acústico; • Desempenho lumínico; • Saúde, higiene e qualidade do ar; • Funcionalidade e acessibilidade; • Conforto tátil e antropodinâmico. A sustentabilidade envolve os seguintes itens: • Durabilidade; • Manutenibilidade; • Impacto ambiental. Vida útil do projeto De acordo com a NBR 15575, cabe ao projetista estabelecer a vida útil do projeto de cada etapa que compõe a construção, devendo especificar os ma- teriais utilizados, os produtos indicados e a forma de execução que atenda ao desempenho mínimo da norma. Caso o fabricante não deixe claro a norma es- pecífica para utilização de determinado produto ou quando não existir normas específicas, é viável que o projetista entre em contato com o fabricante e solici- te maiores informações para embasar as tomadas de decisõespara utilização de um determinado item. O construtor deve se precaver para que não haja nenhuma interferência na obra e elaborar um manual de uso, operação e manutenção, caso identi- LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 109 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 109 26/11/2020 15:56:07 fique que pode ter algum tipo de risco durante a obra, como a presença de aterro sanitário na área da construção, algum tipo de contaminação do lençol freático, entre outros riscos. O usuário deve realizar a manutenção correta, de acordo com o manual de uso, operação e manutenção, não podendo reali- zar alterações que venham a prejudicar o desempenho conforme especificado pela construtora. Avaliação de desempenho O grande desafio da avaliação em busca do melhor desempenho é da ade- quação ao uso de um sistema destinado a atender a uma determinada função em específico, seja qual for a solução técnica trabalhada. Para que o objetivo seja alcançado, durante a avaliação de desempenho, é feita uma investigação sistemática, com fundamentos em métodos precisos, capazes de produzir um entendimento sobre o comportamento almejado do sistema conforme as con- dições e usos predefinidas. Por isso, a avaliação requer o domínio do conheci- mento científico em relação a cada aspecto funcional de uma edificação. O do- cumento que contém toda a avaliação de desempenho deve apresentar dados que caracterizam a edificação habitacional de alguma forma. Já com todos os resultados em mãos, é elaborado um documento para avaliação do desempe- nho que esteja pautado na NBR 15575. Durabilidade da Edificação Toda edificação possui um tempo em que permanece com suas caracterís- ticas impecáveis. Porém, sem as devidas manutenções de tempos em tempos, a estrutura da edificação se compromete. Os projetistas e os construtores têm responsabilidades na parte teórica em relação à vida útil de projeto, validada através do atendimento às normas e, caso estas não existam, podem ser se- guidas as Normas Internacionais e até mesmo as regionais. A durabilidade de um edifício e dos seus sistemas é um requisito que se refere a parte econômica dos respectivos usuários, pois está interligada ao custo global do bem imóvel. Conforme a página 31 da NBR 15575: [...] a durabilidade de um produto se extingue quando ele deixa de atender às funções que lhe forem atribuídas, quer seja pela degradação que o conduz a um estado insatisfatório de desempe- nho, quer seja por obsolescência funcional. O período de tempo compreendido entre o início de operação ou uso de um produto LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 110 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 110 26/11/2020 15:56:07 e o momento em que o seu desempenho deixa de atender aos requisitos do usuário preestabelecidos, é denominado vida útil. No Anexo C, é feita uma análise mais abrangente dos conceitos re- lacionados com a durabilidade e a vida útil, face à importância que representam para o desempenho do edifício e seus sistemas [...]. NBR 9050 e suas características A NBR 9050 trata de questões que envolvam acessibilidade, mobiliário, es- paços e equipamentos urbanos nas edifi cações, estabelecendo critérios quan- to a construção, instalação e adaptação das edifi cações e de todos os espaço e equipamentos urbanos de forma a torná-los acessíveis para todos. A norma apresenta algumas defi nições importantes para o seu melhor entendimento: • Acessibilidade: possibilidade para ter acesso e alcançar com segurança e autonomia todos os espaços da edifi cação, assim como os mobiliários, equipa- mentos urbanos e demais itens; • Acessível: todos os elementos que possam ser alcançados, utilizados e vivenciados por qualquer indivíduo, considerando as pessoas com mobilidade reduzida. Quando se fala em “acessível”, isso quer dizer que o espaço físico e de comunicação devem ter acessos livres, sem interrupções; • Adaptável: espaço da edifi cação que pode se tornar acessível; • Adaptado: espaço da edifi cação planejado para ser acessível; • Área de aproximação: área sem obstáculos, de forma que uma pessoa que utiliza a cadeira de rodas consiga realizar as manobras necessárias para utilizar determinado mobiliário com total autonomia e segurança; • Área de resgate: nessa área, deve haver um acesso conduzindo para al- guma saída, mantendo em segurança os indivíduos com alguma defi ciência ou com mobilidade reduzida. Nesse espaço, eles fi cam até o socorro chegar. O tema da acessibilidade na construção civil é bastante discutido, a tal ponto que a grande preocupação das construtoras é ter como meta a construção de empreendimentos adaptados aos portadores de alguma defi ciência. Vale lembrar que a acessibilidade na construção em geral não se fi xa ape- nas em criar rampas e vai muito além disso, envolvendo o LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 111 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 111 26/11/2020 15:56:07 uso dos equipamentos comum para todos, os demais acessos de lazer, leitura visual, etc. A cada ano, as barreiras arquitetônicas estão sendo compreendidas e atendidas como parâmetro para a aprovação de qualquer projeto na Prefei- tura. Dessa forma, se respeitam as diferenças e se torna acessível o que é de direito do usuário é o grande papel do arquiteto. Além disso, há diretrizes do Desenho Universal, criadas nos EUA, que são direcionadas para a eliminação de todas as barreiras nas edificações em seus mais variados usos, com o objetivo de respeitar a todos, independentemente de suas diferenças físicas e garantindo total acessibilidade em todos os lugares e espaços. Figura 7. Acessibilidade na edificação. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 16/11/2020. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 112 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 112 26/11/2020 15:56:09 Sintetizando Utilizar as Normas Brasileiras e as Normas Regulamentadoras traz gran- des benefícios para um determinado empreendimento, contribuindo para o uso de materiais normatizados e garantindo que a obra tenha a qualidade es- perada conforme as diretrizes das normas da construção civil. Ao cumprir as NBRs, se contribui para o aumento da produtividade na obra e para a redução dos custos dos projetos e de todos materiais, além de possibilitar que haja maior competitividade, melhor aproveitamento dos materiais e uma entrega de qualidade. As normas ABNT direcionadas para a construção civil estão sempre sendo atualizadas. Por isso, é importante se atentar às atualizações. A questão do desenho universal para os empreendimentos faz com que todas as pessoas, em suas diversas dificuldades, consigam usar o espaço com autonomia. Todo o espaço tem que estar adaptado para utilização desde uma criança até de um idoso, garantindo total mobilidade. Apesar das regras de acessibilidade se repetirem em sua maior parte, é preciso prestar atenção para construções como escolas, hospitais e outros tipos, pois podem requerer outros critérios de acessibilidade. Conforme vis- to, o Código de Obras é um instrumento que facilita com que a Gestão do Município exerça o controle e a fiscalização do espaço a ser construído, de forma a garantir segurança, salubridade e que as edificações cumpram com as normas de acessibilidade, conforme delimitadas em seus projetos. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 113 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 113 26/11/2020 15:56:09 Referências bibliográficas ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9050: acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. Disponível em: . Acesso em: 16 nov. 2020. ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 15575: edificações ha- bitacionais – desempenho parte 1: requisitos gerais. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. Disponível em: .Acesso em: 16 nov. 2020. CARLO, J.; PEREIRA, F. O. R.; LAMBERTS, R. Iluminação natural para redução do consumo de energia de edificações de escritório aplicando propostas de eficiên- cia energética para o Código de Obras do Recife. Conferência Latino-Americana de Construção Sustentável, I.; Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído, X., 18-21 jul. 2004, São Paulo. Anais... São Paulo: claCS; ENTAC, 2004, p. 29-43. Disponível em: . Acesso em: 16 nov. 2020. É OBRIGATÓRIO! Entenda a Norma de Desempenho de Edificações Habitacio- nais (NBR 15575). Postado por Quali-A. (3min. 48s.). son. color. port. Disponível em: . Acesso em: 16 nov. 2020. IMPORTÂNCIA das Normas ABNT e NBR para a Construção Civil. Postado por Video Aulas AutoCad. (4min. 04s.). son. color. port. Disponível em: . Acesso em: 16 nov. 2020. NASCIMENTO, D. O incêndio do Edifício Andraus. São Paulo Antiga, 02 dez. 2008. Disponível em: . Acesso em: 16 nov. 2020. NASCIMENTO, D. O incêndio do Edifício Joelma. São Paulo Antiga, 02 fev. 2012. Disponível em: . Acesso em: 16 nov. 2020. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 114 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 114 26/11/2020 15:56:09 PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPOS DOS GOYTACAZES. Lei nº 6.692, de 27 de novembro de 1998. Dispondo sobre o Novo Código de Obras do município, revogando a Lei nº 3.710, de 03 de junho de 1980. Campos dos Goytacazes: Gabinete do Prefeito, 27 nov. 1998. Disponível em: . Acesso em: 16 nov. 2020. PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOÃO DA BARRA. Lei nº 466, de 15 de agosto de 2017. Dispõe sobre os critérios e normas exigíveis ao ato de projetar e cons- truir no município de São João da Barra, no estado do Rio de Janeiro. São João da Barra: Gabinete do Prefeito Disponível em: . Acesso em: 16 nov. 2020. SILVA, M. B. Idosos e Ambientes Reduzidos: o design de interiores em uma cozinha de dimensões mínimas permitidas pelo Código de Obras e Edificações da cidade de Caruaru – PE. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso) – Pro- jeto de Graduação em Design, Núcleo de Design, Centro Acadêmico do Agreste, Universidade Federal de Pernambuco, Caruaru, 2014. Disponível em: . Acesso em: 16 nov. 2020. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 115 SER_ARQURB_LUPP_UNID4.indd 115 26/11/2020 15:56:09Mobilidade Urbana, Planos de Regularização Fundiária, Plano de Arborização, Plano Ambiental, Plano de Recursos Hídricos, Plano do Sistema Viário, Plano de Saneamento Básico, Plano de Habitação e Plano de Resíduos Sólidos. Cada plano representa uma política urbana do município ao desenvolvimento urbano e todas devem possuir uma legislação urbanística. O Movimento Nacional da Reforma Urbana A industrialização brasileira tem início na década de 30, sendo a cidade de São Paulo o centro dos investimentos industriais. As indústrias precisavam de mão de obra (não especializada) para mover as máquinas e produzir mercado- rias. A única mão de obra no Brasil eram os negros libertados da escravidão, trabalhadores da indústria do café, trabalhadores do interior do Nordeste e aqueles livres da servidão colonial. Todos se direcionaram, na década de 30, para os centros, onde havia promessa de trabalho e renda, portanto, de melhoria da vida. Asso- ciada a essa promessa, estavam itens como casa própria, educação, saúde, emprego, renda, alimentação, lazer etc. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 15 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 15 26/11/2020 13:38:46 Sabemos, portanto, que ao chegar nos centros urbanos, os moradores do campo foram ocupar os lugares sem interesse imobiliário. Por isso, houve um processo de expropriação do homem da cidade, o que promoveu um caos em cidades brasileiras por problemas de habitação, mobilidade, transporte, aces- sibilidade, saneamento e infraestruturas urbanas. Por isso, surgiu o lema “re- forma urbana” nas periferias do Brasil, tal como as ideias da Revolução France- sa: igualdade, liberdade e fraternidade. No Brasil, os problemas urbanos motivaram moradores da periferia a luta- rem pelo direito à cidadania. Portanto, quando nos referimos à reforma urba- na, significa um pensamento relacionado às políticas de planejamento urbano e à qualificação da vida pela moradia e acesso à cidade, isto é, pensar na di- minuição das desigualdades, na distribuição de renda, no acesso aos bens e serviços públicos e na qualidade de vida cotidiana. O movimento da reforma urbana não ficou somente na década de 30: em 1980 reapareceu com a participação de arquitetos, urbanistas, geógrafos, so- ciólogos, antropólogos, assistentes sociais, psicólogos e advogados. A voz da- queles que viviam na precariedade agora recebia uma nova força que vinha das universidades. Figura 1. Paraisópolis, São Paulo – Brasil, representação da desigualdade urbana no país. Fonte: VIEIRA, 2004. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 16 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 16 26/11/2020 13:38:48 Sendo assim, cria-se, em 1985, o Movimento Nacional pela Reforma Ur- bana, com raízes em centros urbanos. Este movimento foi um dos mais impor- tantes para a Constituição Federal de 1988, fundamentando os capítulos 182 e 183 sobre o desenvolvimento urbano. Regulamentado em 2001, o Estatuto da Cidade (Lei n. 10.257, de 10 de julho de 2001) tem por objetivo estabelecer normas para o planejamento adequado das cidades, incluindo fatores sociais e ambientais. Conceito da Constituição Federal de 1988 No Brasil, em 1988, é promulgada a Constituição Federal (CF 88), elaborada pela pressão dos movimentos populares, principalmente o Movimento Nacio- nal da Reforma Urbana, sendo que arquitetos, urbanistas e planejadores urba- nos eram participantes ativos. A CF 88 foi uma resposta política e social a qualquer forma de tirania, pois as mobilizações da década de 80 eram contra o regime militar, que começou em 1964 e só terminou em 1985. Os fundamentos na elaboração nasceram dos problemas sociais, econômicos, políticos e urbanos que o país atravessava de norte a sul, trazendo como experiência constituições avançadas de outros países, principalmente a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. Isto é, os direitos humanos, a cidadania, a liberdade, a igualdade, a proteção e seguridade do Estado e governantes para com o povo. Para concretizar estes direitos e princípios de uma sociedade próspera e pacífi ca, era necessário um regime de governo em que o poder não estivesse nas mãos de um grupo ou família. Por isso, a carta magna adota a democracia como forma de organização do povo, do sistema de governo e de prosperidade da nação brasileira. Assim, a CF 88 estabelece que o povo é soberano e o poder deve ser trocado de quatro em quatro anos pelo voto. Neste sentido, a organiza- ção (modelo) do Estado foi defi nida em estados e municípios. Esta organização é chamada de federação, sendo que o povo elege ou reelege seus representantes: presidente, governador, prefeito, depu- tados federais, deputados estaduais, senadores e vereado- res, formando, portanto, os poderes executivos e legislativos em Brasília, nas capitais dos estados e nas sedes municipais. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 17 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 17 26/11/2020 13:38:48 Mas a democracia pressupõe um sistema de governo baseado na construção de pactos federativos por um interesse comum à nação brasileira, havendo um acordo entre os governantes e legisladores. Por exemplo, o Sistema Único de Saúde, o Plano Nacional de Educação, as escolas e universidades públicas etc. Por isso, o sistema de governo brasileiro é chamado de presidencialista, isto é, na federação, quem governa o Estado é o Poder Executivo, também chamado de União. Regime de governo - Democrático Forma de governo – Republicana Forma de Estado – Federação Sistema de governo - Presidencialismo Figura 2. Organização do Estado brasileiro após a Constituição de 1988. (Adaptado). Contexto da Constituição de 1988 Toda ação relacionada à cidade é uma decisão fundamentada em nossa carta magna, a CF 88. Seus parágrafos e artigos em forma de lei preveem que o Estado, governos e instituições apliquem outro conjunto de leis, garantindo liberdade e autonomia dos cidadãos vivendo em uma república. Ou seja, não somos escravos ou submissos a outra pessoa, pois os direitos sociais do Art. 6 garantem a proteção social pelas instituições do Estado. É neste sentido que as pessoas no Brasil são conside- radas “sujeito de direitos” nas políticas do Estado e dos governos. A mesma questão pode acontecer em qualquer situação em que os direitos das pessoas este- jam sendo invadidos e anulados por formas de opressão, LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 18 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 18 26/11/2020 13:38:48 na qual não existe sujeito, direito e cidadania, mas, sim, o desejo pela obediên- cia, pela servidão e pelo trabalho forçado. Por isso, existe a ideia de que uma pessoa não é um ser humano, mas um indivíduo: sem liberdade de escolha ou proteção do Estado. Mais ainda, o indivíduo não possui valor humano, pois o que importa é sua força de trabalho e, por isso, sua liberdade de ser alguém na vida é retirada. ASSISTA A CF 88 surge por conta da violência do regime militar, sem abandonar o legado que vem desde 1500. Por isso, inviabilizar a violência é seu maior objetivo. Assista a um trecho do fi lme 2001: Uma Odisseia no Espaço, do diretor Stanley Kubrick, e pense nas seguintes questões: como a violência surge por meio do poder? E por meio de qual instrumento o poder é estabelecido? Entre o grupo de hominídeos, quem assume o poder? Política e legislação urbana Compreender e conceituar política e legislação é uma tarefa um tanto quan- to complexa. Este fato atrapalha a atividade profi ssional, o diálogo com a so- ciedade pelo Poder Público e, principalmente, em concursos públicos. Vamos realizar agora uma breve síntese de fundamentos essenciais à compreensão do Estatuto da Cidade (EC). O Estatuto da Cidade é um conceito de sociedade, pois pressupõe que a ter- ra urbana não seja usada como mercadoria por uma pequena minoria (incor- poradores imobiliários, por exemplo). E, por isso, seu fundamento conceitual é o de garantir a função social dapropriedade – terra ou edifício. Sendo assim, vamos compreender os fundamentos de: • Legislações e políticas federais, estaduais e municipais; • Plano e política setorial; • Políticas urbanas; • Legislações urbanas. Em Brasília, os ministérios pensam as políticas nacionais orientando o desen- volvimento de sua área de atuação. Por exemplo, o Ministério das Cidades elabo- rou as primeiras políticas urbanas nacionais, como o Plano Nacional de Habitação. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 19 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 19 26/11/2020 13:38:48 Um plano é um documento político contendo um diagnóstico da situação, um prognóstico do que pode ser feito para resolver problemas identificados na etapa anterior e, por fim, um plano de metas, ações e estratégias em que os investimentos são propostos. Um plano nacional orienta a atuação do governo dentro daquele período de quatro anos, e pode ser reelaborado ou esquecido no governo seguinte. Quando elaborado, o plano considera a realidade dos estados, municípios e regiões brasileiras e, assim, orienta o legislativo a trans- formá-lo legislação. No caso, a Política Nacional de Habitação desdobrou-se nas seguintes leis: Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS) e o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) - Lei n. 11.124, de 2005. As duas leis são importantes para que o Governo Federal direcione esfor- ços para diminuir o problema da habitação no Brasil. O centro do poder definiu uma legislação federal - Lei n. 11.124, de 2005, impondo a qualquer governo implementar os princípios e diretrizes que foram desenhados (pensados, discutidos e escritos) com base no problema urbano da moradia. Sendo assim, estados devem seguir orientações do Plano Nacional de Habitação e elaborar seus Plano Estaduais de Habitação, criando suas pró- prias leis estaduais de acordo com a realidade. Estas leis devem apenas ampliar princípios e diretrizes do que foi aprovado como Lei Federal (SNHIS e FNHIS) e, assim, construir os pactos federativos (Governo Federal e Estadual; Ministério das Cidades e Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano) por meio dos convênios e promover a liberação de recursos para a construção de casas, por exemplo. No mesmo sentido, o município deve elaborar o chamado Plano Local de Habitação de Interesse Social (PLHIS) e transformá-lo em legislação muni- cipal, respeitando princípios e diretrizes da Legislação Estadual e Municipal. No Brasil o arquiteto, urbanista e planejador urbano atua junto ao Poder Público de um município. No campo do urbanismo e do planejamento urbano, sua atuação, em geral, é: • Como concursado, assumindo cargo em secretarias de urbanismo; • Consultor em escritório particular. O concursado irá coordenar processos administrativos relacionados aos fi- nanciamentos urbanos e, para isso, é necessário conhecer o Estatuto da Cida- de, já que sua ação como planejador urbano será relacionada ao ordenamento territorial, isto é, orientar, coordenar e fiscalizar o crescimento urbano. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 20 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 20 26/11/2020 13:38:48 A primeira política é o Plano Diretor Municipal (PDM), que todo município com mais de vinte mil habitantes deve ter. O Plano Diretor impõe ao município elaborar as demais políticas urbanas: • Plano Municipal de Saneamento Básico (PSMB); • Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS); • Plano Municipal de Mobilidade e Acessibilidade Urbanas; • Plano Diretor de Drenagem Urbana (PDDrU); • Plano Municipal de Regularização Fundiária (PMRF); • Plano Municipal de Conservação e Desenvolvimento Sustentável; • Planos Habitacionais de Interesse Social (PLHIS). Os instrumentos do Estatuto da Cidade O Plano Diretor possui as seguintes fases: • Fase 1: leitura técnica em que um arquiteto e urbanista coordena uma equipe de profi ssionais. Cada profi ssional analisa o espaço urbano e elabora um laudo técnico abordando problemas, condicionantes e tendências urba- nas. Esta leitura é chamada de diagnóstico, momento em que problemas e tendências de crescimento fi cam claros. Nesta fase, os arquitetos já pensam quais instrumentos serão necessários para inibir problemas urbanos. • Fase 2: elaboração de um prog- nóstico que defi ne os eixos de de- senvolvimento urbano e social. Nes- ta fase, os arquitetos defi nem quais instrumentos do estatuto devem ser abordados na fase seguinte. • Fase 3: nesta fase, as diretrizes, ações, metas, projetos e prioridades são propostas em um documento. Este documento fundamenta a elabo- ração da Lei do Plano Diretor Muni- cipal. Nesta lei, existirão normas de controle e uso do solo urbano, fi cando defi nidos os instrumentos do Estatuto da Cidade em artigos, parágrafos, incisos e alíneas. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 21 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 21 26/11/2020 13:38:49 • Fase 4: aprovação do projeto de lei na Câmara dos Vereadores com a presença da sociedade e posterior sanção do prefeito. É importante que os arquitetos estejam presentes nesta fase para contestar possíveis interesses individuais. De modo geral, este é o procedimento padrão em qualquer município no Brasil, sendo que cada etapa possui um conjunto de oficinas participativas com os bairros e comunidades da área rural. Em cada fase, existem audiên- cias públicas (podendo ser mais de uma, conforme o tamanho da população e perímetro urbano), obedecendo ao capítulo IV da Lei n. 10.257/2001, que trata sobre a gestão democrática da cidade. Sendo assim, o Plano Diretor é o principal instrumento da política ur- bana brasileira – o Estatuto da Cidade (capítulo III da Lei n. 10.257/2001. As seguintes escalas urbanas são obrigadas a ter um Plano Diretor (Art. 41 do capítulo III da Lei n. 10.257/2001): • Todo município cuja a área urbana tenha mais de 20 mil habitantes; • Municípios de regiões metropolitanas; • Municípios, independentemente da população, que estejam em áreas de turismo; • Municípios que possam vir a ser afetados por algum grande equipa- mento regional. Assim, para melhor entendermos esta Lei, vamos organizar os instru- mentos de acordo com os grandes problemas urbanos, sociais, ambientais e democráticos em realidades brasileiras. A saber: • Instrumentos de indução do desenvolvimento urbano; • Instrumentos de regularização fundiária; • Instrumentos de democratização da gestão urbana; • Instrumentos de financiamento da política urbana. Os instrumentos organizados desta for- ma possuem seu fundamento de indução ao desenvolvimento urbano. Isto é, por meio dele, o objetivo do Estatuto deve ser al- cançado: cumprir a função social da proprieda- de, conforme a Figura 3. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 22 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 22 26/11/2020 13:38:49 Figura 3. Exemplos de como o Estatuto promove a função social da propriedade. Fonte: Prefeitura de São Paulo, 2014, p. 17. Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: macrozoneamento Este instrumento é um mapa municipal que defi ne diretrizes ao desenvolvi- mento urbano e rural. Neste sentido, o município é dividido em zonas: macro- zonas de interesse econômico onde as indústrias vão se instalar; macrozonas já ocupadas pelo processo de evolução urbana; áreas vazias entre bairros de- vendo ser ocupadas; área com infraestrutura urbana e poucas construções, ou melhor, áreas com loteamentos e poucas casas; áreas que foram importantes na constituição da cidade com edifi cações antigas; macrozona de expansão ur- bana; e áreas de fragilidade ambiental pelo solo, recursos hídricos ou encostas. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 23 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 23 26/11/2020 13:38:51 Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: zoneamento O zoneamento é uma subdivisão do perímetro urbano que considera zonas residenciais de baixa densidade,portanto, casas de um a dois pavimentos; zo- nas residenciais de baixa densidade II, com casas e edifícios que podem chegar a quatro pavimentos; zonas residenciais de média densidade, com edifícios de até dez pavimentos; e zonas de uso misto de alta densidade. Existem ainda zonas de proteção e conservação ambiental, proteção e con- servação urbana e, conforme a realidade da cidade, são criadas outras zonas de acordo com a especificidade do solo, dos moradores existentes, do tipo de construção e de potencialidades de crescimento. O zoneamento em medidas diferentes segue o traçado do sistema viário, possibilitando que a política de mobilidade seja coerente com os espaços urbanos. O zoneamento é de indução ao desenvolvimento urbano, pois orienta em- preendedores a comprarem lotes e construírem nas zonas aptas a terem edifí- cios. Conforme o zoneamento, o Poder Público planeja, investe, fiscaliza e con- trola a construção dentro do perímetro urbano, investe no número de escolas, postos de saúde, creches, centros de cultura, centros socioeducativos, praças, parques, sistema de mobilidade urbana e arborização. Os demais instrumentos que vamos estudar geram recursos à Prefeitura, que é obrigada a investir nas áreas precárias (periferias). Estes espaços no zo- neamento são definidos como Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS). Quando o perímetro urbano cresce, o Plano Diretor define o tamanho dos lotes de acordo com a zona. Então, o profissional precisa saber ler o zoneamen- to e os quadros normativos de qualquer construção. De modo geral, toda zona possui seus índices urbanísticos de controle da ocupação: • Todos os pavimentos representam a área construída. A Prefeitura vai fis- calizar se o arquiteto não ultrapassou a área prevista no projeto e na construção finalizada. Caso contrário, a obra pode ser embargada, o arquiteto pode sofrer sanções, o clien- te pode ser obrigado a quebrar partes da edifica- ção ou pagar taxas, além de um alto imposto so- bre a propriedade predial e territorial urbana, que é calculado de acordo com a área construída; LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 24 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 24 26/11/2020 13:38:51 • Ao pegar o quadro do zoneamento, o profissional procura o coeficiente de aproveitamento (CA) proposto no plano diretor. Vamos usar o seguinte exemplo: imagine que o cliente comprou um lote de 300 m² em uma zona re- sidencial II. Ele vai poder ocupar os 300 m²? Não. O profissional, elaborando o projeto, vai procurar o CA da zona e deve encontrar um valor de 1,8 (hipotético), por exemplo. Então, vai descobrir quanto de área o cliente pode construir pelo seguinte cálculo: área do terreno . CA, ou seja, 300 m² . 1,8 = 540 m². Isto é, o ar- quiteto pode projetar uma casa com 540 m². O CA varia de acordo com a zona; • Usando o exemplo anterior, o cliente vai construir uma casa de 540 m² em todo terreno de 300 m²? Não. Ele vai obedecer a taxa de ocupação (TO) que vem na tabela do zoneamento. Neste sentido, imagine que na tabela você encontrou uma taxa de ocupação de 30% (0,3). Isto significa o seguinte cálculo: TO . área do lote, ou seja, 0,3 . 300 m² = 90 m², ou seja, o arquiteto vai projetar considerando que dos 300 m² do lote, 90 m² não podem ter construção. Esta área livre é para infiltração da água no solo, evitando enchentes ou sobrecarga do sistema de drenagem urbana (quando existe); • Haverá na tabela recuos laterais para a entrada de ar e iluminação na edi- ficação. Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: direito de superfície É comum, dentro do espaço urbano, herdeiros de terras não fazerem pla- nos de construção nestes locais, principalmente fora da cidade, nas laterais da rodovia. Então, um empreiteiro que queira abrir um posto de gasolina e um restaurante entraria em contato com o proprietário para realizar o arrenda- mento da terra. De forma mais simples, ele a aluga por um período provisório para não pagar multas. No caso, o dono arrendará a terra a uma construção (desmon- tável) na superfície do solo e no subsolo. Ou seja, um zoneamento pode considerar uma área com poucas construções mais dota- das de infraestruturas urbanas. E, por isso, defi- ne no Plano Diretor este instrumento para os donos da terra não deixarem suas proprie- dades sem uso. Neste sentido, o proprietá- rio vai ao cartório e estabelece o arrenda- mento da terra. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 25 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 25 26/11/2020 13:38:51 Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano – outorga onerosa do direito de construir (solo criado) Este instrumento é chamado em algumas cidades de solo criado. Talvez, seja o mais simples de entender e o mais difícil de ser aplicado pela Prefeitura. Para entendermos este instrumento, vamos imaginar que um cliente comprou um terreno dentro de uma zona em que o coeficiente de aproveitamento é dois. Neste sentido, o arquiteto, ao fazer os cálculos de ocupação do terreno, infor- ma ao proprietário que ele só pode construir três andares e 12 apartamentos, já que aquela zona prevê na legislação do Plano Diretor o chamado direito de construir. Ele pode sugerir que se compre mais potencial construtivo (mais CA) para aumentar o número de pavimentos e apartamentos. Os recursos desta venda devem ser aplicados em questões sociais da cidade, garantindo menos desigualdade e mais acesso aos bens e serviços públicos. Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: direito de preempção No zoneamento, serão mapeados alguns lotes para que a Prefeitura tenha o direito de comprar a terra. Isto significa que a preferência de compra é, obriga- toriamente, da Prefeitura; mesmo que o proprietário tenha outro comprador, não poderá vendê-la. A Prefeitura terá preferência de aquisição dos imóveis marcados como sujeitos ao direito de preempção, para possuir área necessária para cumprir os objetivos e implantar as ações prioritárias do Plano Diretor. Preferência para adquirir Prefeitura Imóveis sujeitos ao direito de preempção Direito de preempção Figura 4. Objetivo do direito de preempção. Fonte: Prefeitura de São Paulo, 2014, p. 78. (Adaptado). LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 26 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 26 26/11/2020 13:38:51 Neste caso, na elaboração do Plano Diretor, pressupõe-se que terrenos nesta condição serão usados na construção de habitação, equipamentos públicos, praças ou parques. Por isso, os terrenos são delimitados no zoneamento como prioridade ao Poder Público. Porém, este instrumento não impõe quando o proprietário deve colocar o terreno à venda. O instrumento responsável por esta imposição legal é o parcelamento, edificação ou utilização compulsórios. Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: consórcio imobiliário Significa que, no perímetro urbano, existem terras sem ocupação entre bairros que foram crescendo, e a Prefeitura precisa de locais para construir habitações para classes menos abastadas. Quando finalizada a obra, o antigo proprietário da terra recebe um número de apartamentos que corresponde ao valor do espaço cedido, podendo ele alugar, vender ou morar. Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: parcelamento, edifi- cação ou utilização compulsórios É comum nos bairros dentro do perímetro urbano existirem edifícios sem uso comercial, de serviço ou residencial. Isso gera um prejuízo muito grande, pois são edifícios ociosos que não pagam IPTU. Por estarem sem uso, tornam as infraestru- turas de água, energia, telecomunicação, drenagem, sistema viário, calçadas e ilu- minação pública sem sentido – infraestruturas que possuem custos não apenas de manutenção, mas de funcionamento. Se uma edificação construída dentro de um bairro está sem uso, significa que ela não está cumprindo sua função social. Necessário parcelar Necessário edificare/ou e/ouNecessário parcelar Necessário edificar ParceladoEdificado Figura 5. Principais objetivos do parcelamento, edificação ou utilização compulsórios. Fonte: Prefeitura de São Paulo, 2014, p. 74. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 27 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 27 26/11/2020 13:38:53 A mesma realidade serve para explicar lotes vazios e grandes áreas verdes entre bairros. Neste sentido, entra a função social da cidade, sendo que as terras não podem servir de especulação, ou seja, ficarem paradas à espera de valorização para venda, loteamento ou construção. Isso é contra o Estatuto da Cidade, pois representa a exclusão de um grupo e o privilégio de outro. Neste sentido, o zoneamento pela lei do Plano Diretor vai propor este ins- trumento em zonas onde estas tipologias de solo e edificações sem uso exis- tem. Assim, estas tipologias estão sob jurisdição federal por uma lei municipal que obriga o proprietário a criar condições de uso ou construção. O zoneamento vai mapear os edifícios e áreas ociosas, e os vereadores de- vem criar uma lei regulamentando este instrumento. Neste sentido, a lei obriga o proprietário a edificar, parcelar ou vender suas terras livres. E, no caso de edi- fícios (construção parada), devem ser finalizados e colocados para funcionar. No geral, será definido que estas condições de uso e edificação devem acontecer entre dois a cinco anos, variando conforme a lei municipal. Se neste prazo o proprietário não cumprir a legislação, a Prefeitura vai aplicar o IPTU progressivo do tempo que aquela área esteve ociosa. Caso o proprietário não pague o imposto, a Prefeitura tem o direito legal para desapropriar, comprar ou tomar a propriedade. Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: imposto predial e territorial urbano progressivo Este instrumento vem definido no zoneamento e na lei do PD em zonas em que existem áreas subutilizadas, ou seja, áreas que têm um potencial para construir mais edifícios, sejam eles de serviços ou de uso misto (moradia e comércio), sistema viário, espaços públicos, parques, vias comerciais e equipa- mentos públicos sociais. A lei do Plano Diretor prevê que, com este instrumento e com o coeficien- te de aproveitamento, o valor do solo seja aumentado, fazendo com que as pessoas comecem a vender suas casas para o mercado imobiliário, ou ainda transformem suas residências em espaços comerciais. Em resumo, o instrumento propõe adensar áreas com po- tencial de construção e moradia, possibilitando o crescimento da cidade. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 28 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 28 26/11/2020 13:38:53 Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: operações urba- nas consorciadas No Plano Diretor, serão definidas áreas da cidade muito precárias ou aban- donadas em lugares estratégicos no perímetro urbano, que serão denomi- nadas como Operação Urbana. Estes espaços são importantes para o aden- samento populacional, abertura de parques, praças, espaços de comércio e serviços, áreas em que incorporações imobiliárias poderão atuar construindo, valorizando e vendendo. Este espaço, no Plano Diretor, vai aparecer dentro da área do zoneamento como área prioritária à intervenção urbana. Instrumento de Indução do Desenvolvimento Urbano: transferência do direito de construir Este instrumento foi concebido considerando que existem edifícios toma- dos de valor histórico que não podem ser derrubados. Sendo assim, o zonea- mento faz um mapeamento destes edifícios tomados, separando aqueles que serão tombados e os de interesse histórico que serão protegidos pelas políticas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Neste senti- do, o zoneamento permite que o proprietário venda o coeficiente de aprovei- tamento (solo aéreo) para outros proprietários que queiram construir além do potencial de sua zona, ou, ainda, pegar este coeficiente e construir em outra zona usando o CA do local somado ao CA do edifício tombado. Na Figura 6, há dois pavimentos vazios, isto é, o potencial construtivo com- prado dos pavimentos que não podem ser construídos no lote à esquerda. Figura 6. Exemplo da transferência do direito de construir. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 29 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 29 26/11/2020 13:38:54 Instrumentos de regularização fundiária Entendemos, ao longo da unidade, que a cidade informal é ocupada de for- ma irregular, já que, entre as décadas de 30 e 90, o Brasil não teve claramen- te uma política habitacional orientada ao planejamento urbano, direcionan- do grande parte dos recursos públicos aos bairros de classe média e alta. Neste sentido, o Estatuto da Cida- de criou um conjunto de instrumentos induzindo o direito à propriedade, à desapropriação das áreas de risco e à moradia em zonas de baixa renda. O Poder Público foi arrecadando recursos pela venda do potencial construtivo, sendo obrigado a investir em urbanização, regularização e construção habitacional. Sendo assim, vamos conhecer alguns instrumentos que aparecem no zo- neamento que orientam a Prefeitura a legalizar o uso da terra urbana. Instrumento de Regularização Fundiária: usucapião especial de imóvel urbano O zoneamento vai defi nir as áreas prioritárias de regularização fundiária, mas ele defi ne apenas a escala do espaço urbano ocupada de forma ilegal. A lei do Plano Diretor prevê a regularização e o uso dos recursos públicos para este fi m e, neste sentido, prevê que o município elabore o Plano Municipal de Regularização Fundiária Sustentável. Deste plano, os vereadores criam uma lei municipal de regularização seguindo orientações do Estatuto da Cidade previs- tas no Plano Diretor e da Lei Federal de Regularização Fundiária (Lei Federal n. 13.465, de 11/07/2017). Este plano tem as mesmas etapas do Plano Diretor, porém dentro das áreas a serem regularizadas. Seus resultados são quantitativos: famílias sem posse da terra, casas irregulares, casas em situação de risco, idosos, famílias sem renda, falta de infraestrutura sanitária, crianças sem escola, mulheres chefes de família, portadores de necessidades especiais (PNE), ou seja, toda uma ca- racterização social, habitacional e urbana. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 30 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 30 26/11/2020 13:38:55 Instrumento de Regularização Fundiária: concessão de uso especial para fi ns de moradia Este instrumento foi criado para regularizar famílias morando de forma ile- gal em terras públicas. Neste caso, apenas a Prefeitura deve aplicar o Artigo 6 da CF 88, que diz que todo sujeito tem direito à moradia. Sendo assim, como no instrumento de usucapião, a Prefeitura pode conceder a regularização coletiva a todos moradores como se a ocupação fosse um condomínio pertencente a todos, ela também pode fazê-lo de forma individual. Importante entender que esta ação dependerá de como os arquitetos pensaram sobre a melhor estraté- gia de regularização no plano e na lei. Instrumentos de Indução do Desenvolvimento Urbano: ZEIS As áreas ocupadas por famílias de baixa renda por mais de cinco anos, lo- teamentos vazios que foram ocupados e o dono não exigiu o direito de posse, invasão em áreas ambientais protegidas pelo zoneamento e a invasão de áreas da Prefeitura sem ocupação são transformadas em Zonas Especiais de Interes- se Social (ZEIS). As ZEIS também podem ser antigos condomínios que foram sendo abandonados e ocupados. O objetivo desta zona é orientar o Poder Público a construir casas, colocar infraestruturas, construir equipamentos sociais de educação, saúde, lazer e es- portes. Deve-se investir na urbanização com as infraestruturas de drenagem urbana, pavimentação, arborização, calçamento, energia elétrica, iluminação pública, telecomunicação, rede de água potável, rede de esgoto e sistema de coleta de lixo. Também são aplicados índices urbanísticos, evitando que um lote seja ocupado por mais de uma família e, assim, a insalubridadeseja uma realidade associada às enchentes pela ausência de áreas permeáveis. Instrumentos de democratização da gestão urbana Ao longo desta unidade, fi cou clara a necessidade de as pessoas participa- rem dos processos decisórios relacionados aos investimentos. Esta participa- ção signifi ca mudar o modelo de gestão da administração pública em relação aos investimentos, às políticas e à implementação de leis. O Estatuto prevê mecanismos de gestão, participação e controle social do que o Poder Público está fazendo. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 31 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 31 26/11/2020 13:38:55 Instrumento de democratização da gestão urbana: conselho de habita- ção e desenvolvimento urbano Todo município que tem um Plano Diretor deve ter o conselho da cidade para discutir investimentos, pensar em decisões de interesse comum e fisca- lizar o Poder Público. O conselho é formado por representantes diversos da sociedade que tenham participado da elaboração do plano e entendam as le- gislações urbanas. No geral, é um conselho consultivo sem o poder de imposição a possíveis decisões do prefeito, mas o conselho pode denunciar ao Ministério Público im- probidades administrativas por descumprimento à lei do Plano Diretor. Instrumento de democratização da gestão urbana: audiências públicas As audiências são obrigatórias em todas as fases do Plano Diretor, por exemplo, e em qualquer decisão da Prefeitura e vereadores as consultas públi- cas devem acontecer. Caso contrário, as decisões tomadas não possuem vali- dade constitucional. Instrumento de democratização da gestão urbana: estudo de impacto de vizinhança (EIV) Este instrumento foi criado considerando o problema urbano gerado pelos grandes investimentos em bairros onde o zoneamento não permite tal em- preendimento, e até mesmo em cidades sem Plano Diretor e zoneamento, em que existe apenas uma Lei de Uso e Ocupação do Solo. Neste sentido, qualquer empreendimento dentro do perímetro urbano que provoque efeitos no dia a dia da moradia deve elaborar o EIV conforme legis- lação própria da Prefeitura, apresentando o estudo à população afetada. Este estudo deve mostrar, claramente, os efeitos urbanos, sociais, ambientais e eco- nômicos de curto e longo prazo, principalmente em relação às infraestruturas urbanas, como os sistemas de circulação, saneamento e transporte. Instrumento de democratização da gestão urbana: orçamento participativo Geralmente, todo prefeito convoca a população, representantes e todos técnicos da Prefeitura para discutir o orçamento de investimentos no ano se- guinte. A Prefeitura apresenta uma prévia e as pessoas discutem o que deve ser prioridade, o que deve ser incorporado e o que deve ser retirado. O objeti- vo, de maneira geral, é destinar recursos para habitação, saúde básica, regula- rização, pavimentação, escolas, segurança etc. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 32 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 32 26/11/2020 13:38:55 Instrumento de democratização da gestão urbana: iniciativa popular Se representantes dos conselhos perceberem que vereadores e o prefeito estão conduzindo a administração pública baseados em interesses próprios, desconsiderando as legislações e políticas urbanas, podem, junto à população e outras entidades municipais, propor projetos de leis de iniciativa popular. Por exemplo, há muitas ocupações ilegais sem regularização fundiária e ur- banização. Pode-se propor a elaboração do Plano Municipal de Regularização Fundiária Sustentável e a criação de uma lei que obriga o prefeito a regularizar as ocupações. Sendo assim, o Plano Diretor deve ser elaborado em consonância com o orçamento participativo que todo município deve ter. Em resumo, é uma lei que define as prioridades de investimentos do Poder Público e, também, é uma ampliação do artigo 29 da CF 88. ASSISTA O Plano Diretor de São Paulo, aprovado em 2014, é considerado a maior legislação urbana dos países em desenvolvimento. O reconhecimento foi dado à gestão de Fernando Haddad, que recebeu sete prêmios inter- nacionais. Assista ao breve documentário que resume o que foi este Plano Diretor. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 33 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 33 26/11/2020 13:38:55 Sintetizando Vimos, nesta unidade, como os problemas urbanos brasileiros se encon- tram na questão da moradia, e como este ponto está associado à falta de políticas urbanas e sociais durante o processo de ocupação urbana entre as décadas de 30 e 90. Nas décadas de 60 e 70, o Brasil não teve políticas de desenvolvimento urbano, muito menos políticas habitacionais para diminuir as desigualdades de acesso aos bens e serviços urbanos. Por este motivo, a pobreza foi se tornando a realidade da vida de muitas pessoas, o que deu origem ao Movi- mento pela Reforma Urbana, mobilizando um conjunto de ideias em torno da cidade como direito. Vimos que foi neste contexto que a nossa Constituição foi instituída, em 1988, criando um regime democrático em que o povo é soberano, uma Fede- ração como Estado, uma república e o presidencialismo. Neste sentido, os movimentos sociais pela reforma urbana foram impor- tantes na elaboração da Constituição de 88, e, por isso, os artigos 182 e 183 fundamentaram-se nos problemas urbanos e na possibilidade de cidades menos desiguais, com capacidade de oferecer melhor qualidade de vida para seus habitantes. Estes dois artigos são regulamentados pela Lei n. 10.257, de 10 de julho de 2001, que instituiu o Estatuto da Cidade, cujo objetivo é promo- ver o progresso urbano e social pelos instrumentos de indução ao desenvol- vimento das cidades, regularização fundiária e participação social. Sendo assim, pudemos notar que, neste processo, o cidadão começou a ser mais participativo nas decisões do Poder Público, entendendo e aprendendo o que é cidade como direito, vida coletiva e qualidade urbana e a cidadania. Após a contextualização da Constituição de 1988 e o Estatuto da Cidade, estudamos vários instrumentos utilizados no de- senvolvimento urbano. Conceituamos suas qua- tro fases: diagnóstico, prognóstico, elaboração da Lei do Plano Diretor Municipal e aprovação do projeto de lei na Câmara dos Vereadores com a presença da sociedade e posterior sanção do prefeito. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 34 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 34 26/11/2020 13:38:55 Por fim, detalhamos os instrumentos do Estatuto da Cidade, de regulari- zação fundiária e de democratização da gestão urbana a fim de mostrar suas principais semelhanças e diferenças, evidenciando sua importância dentro do contexto do desenvolvimento das cidades e do bem-estar da população. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 35 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 35 26/11/2020 13:38:55 Referências bibliográficas BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Ofi- cial da União, Brasília, DF, 05 out. 1988. Disponível em: . Acesso em: 16 set. 2020. BRASIL. Estatuto da Cidade. Lei Federal 10.257, de 10 de julho de 2001. Diá- rio Oficial da União, Brasília, DF, 11 jul. 2001. Disponível em: . Acesso em: 16 set. 2020. BRASIL. Lei Federal 11.124, de 16 junho de 2005. Diário Oficial da União, Bra- sília, DF, 17 jun. 2005. Disponível em: . Acesso em: 16 set. 2020. BRASIL. Lei Federal 13.465, de 11 de julho de 2017. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 08 set. 2017. Disponível em: . Acesso em: 16 set. 2020. BENEVOLO, L. História da cidade. São Paulo: Perspectiva, 2011. DINIZ, L. A reconstrução do mercado imobiliário – II. [s.l.], 2017. Disponí- vel em: . Acesso em:16 set. 2020. MINISTÉRIO PÚBLICO DO PARANÁ. Tipos de violência. Disponível em: . Acesso em: 16 set. 2020. MARICATO, E. Metrópole na periferia do capitalismo: ilegalidade, desigual- dade e violência. 1. ed. São Paulo: Hucitec, 1996. PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO PAULO. Plano Diretor estratégico do muni- cípio de São Paulo. São Paulo, 2014. Disponível em: . Acesso em: 16 set. 2020. O PENSAMENTO e a descoberta da ferramenta “2001: Uma Odisseia no Espaço”. Postado por Arlindo Picoli. (4min. 47s.). son. color. ing. Disponível em: . Acesso em: 16 set. 2020. ONU - ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração universal dos di- reitos humanos. Paris, 1948. Disponível em: . Acesso: 16 set. 2020. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 36 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 36 26/11/2020 13:38:55 PLANO Diretor Estratégico de São Paulo - (1º Lugar concurso SMDU-SPCINE). Postado por Unloop. (5min. 48s.). son. color. port. Disponível em: . Acesso em: 16 set. 2020. ROSSINI, G. A. A. A importância da criança escravizada e seu comércio no oeste paulista, 1861-1869. São Bernardo do Campo, 2019. Disponível em: . Acesso em: 16 set. 2020. VIEIRA, T. Paraisópolis. São Paulo, 2014.Disponívelem: . Acesso em: 16 set. 2020. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 37 SER_ARQURB_LUPP_UNID1.indd 37 26/11/2020 13:38:55 PLANO DIRETOR E LEI DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO 2 UNIDADE SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 38 26/11/2020 13:39:52 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Abordar sobre o Plano Diretor enquanto uma importante ferramenta para um planejamento ideal; Apresentar sobre a importância da população na participação do Plano Diretor; Contextualizar o Plano Diretor e a Lei de Uso e Ocupação do Solo. Plano Diretor O Plano Diretor deverá atender quais municípios? Plano Diretor participativo Plano Diretor versus demais leis municipais Lei de Uso e Ocupação do Solo Entendendo a Lei de Uso e Ocupação do Solo Instrumentos urbanísticos no uso e ocupação do solo Como a Lei de Uso e Ocupação do Solo pode beneficiar a cidade? LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 39 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 39 26/11/2020 13:39:52 Plano Diretor Ao abordarmos o Plano Diretor, devemos ter em mente que existem pla- nos e normas que são a base para a sua realização, sendo alguns deles, Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias, Lei Orçamentária Anual, plano de metas, Lei de Parcelamento e o Uso e Ocupação do Solo. Convém ressaltar quais são os princípios e diretrizes que tratam da política urbana e do Plano Diretor. Dentre os princípios, pode-se citar: a função social da cidade; função social da propriedade urbana; função social da propriedade rural; direito à cidade; direito ao meio ambiente e gestão democrática. Realizando um recorte e trazendo como exemplo o Plano Diretor da cidade de São Paulo, no que se refere à função social da cidade, seu artigo 5º estabelece que “compreende o atendimento das necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, à justiça social, ao acesso universal aos direitos sociais e ao desenvolvimento socioeconômico e ambiental” (PREFEITURA DA CIDADE DE SÃO PAULO, 2014). Desde já indicamos que cada princípio não será trabalhado de forma pon- tual, por isso, é recomendada a leitura do Plano Diretor específi co do seu muni- cípio para conhecimento de cada um deles e suas aplicações. As diretrizes que orientam o Plano Diretor foram apontadas: I – justa distribuição dos benefícios e ônus do processo de urbanização; II – retorno para a coletividade da valorização de imóveis decor- rente dos investimentos públicos e das alterações da legislação de uso e ocupação do solo; III – distribuição de usos e intensidades de ocupação do solo de forma equilibrada, para evitar ociosidade ou sobrecarga em re- lação à infraestrutura disponível, aos transportes e ao meio am- biente, e para melhor alocar os investimentos públicos e privados; IV – compatibilização da intensifi cação da ocupação do solo com a ampliação da capacidade de infraestrutura para atender às de- mandas atuais e futuras; V – adequação das condições de uso e ocupação do solo às ca- racterísticas do meio físico, para impedir a deterioração e dege- neração de áreas do Município; LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 40 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 40 26/11/2020 13:39:52 VI – proteção da paisagem dos bens e áreas de valor histórico, cul- tural e religioso, dos recursos naturais e dos mananciais hídricos su- perficiais e subterrâneos de abastecimento de água do Município; VII – utilização racional dos recursos naturais, em especial da água e do solo, de modo a garantir uma cidade sustentável para as presentes e futuras gerações; VIII – adoção de padrões de produção e consumo de bens e ser- viços compatíveis com os limites da sustentabilidade ambiental, social e econômica do Município; IX – planejamento da distribuição espacial da população e das atividades econômicas de modo a evitar e corrigir as distorções do crescimento urbano e seus efeitos negativos sobre o meio ambiente, a mobilidade e a quantidade de vida urbana; X – incentivo à produção de Habitação de Interesse Social, de equipamentos sociais e culturais e à proteção e ampliação de áreas livres e verdes; XI – prioridade no sistema viário para o transporte coletivo e mo- dos não motorizados; XII – revisão e simplificação da legislação de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo e das normas edilícias, com vistas a aproximar a legislação da realidade urbana, assim como facilitar sua com- preensão pela população; XIII – ordenação e controle do uso do solo; XIV – cooperação entre os governos, a iniciativa privada e os demais setores da sociedade no processo de urbanização, em atendimento ao interesse social (PREFEITURA DA CIDADE DE SÃO PAULO, 2014). Assim, essas diretrizes são pertinentes porque orientam os rumos que se- rão definidos pela gestão pública municipal para uma melhor ordenação da cidade conforme os critérios da real necessidade que serão definidos por prio- ridades para a realização que cada ponto preestabelecido no Plano Diretor. Todas as questões físicas, territoriais, financeiras, assim como de gestão, são as grandes desafiadoras dos municípios, o que envolve melhorias nas téc- nicas de planejamento realizadas pelo governo. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 41 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 41 26/11/2020 13:39:52 O Plano Diretor deverá atender a quais municípios? Por meio da participação de todos, o Plano Diretor, que é uma lei municipal, é criado e aprovado na Câmara Municipal. Ele organiza todo o cresimento e o funcionamento da cidade e envolve áreas urbanas e rurais, devendo ser atua- lizado a cada dez anos. Outro enfoque importante é que o principal objetivo do Plano Diretor é de- fi nir como determinado local irá cumprir sua função social, para que possa ga- rantir o acesso à terra urbana e que os cidadãos tenham o direito aos serviços que a cidade oferece, assim como o direito à moradia. O Plano Diretor não é somente um instrumento de regulação do uso do solo. Trata-se de um instrumento que induz e assegura, de forma sustentável, que os espaços ofereçam condições seguras de moradia, possibilitando que novas empresas e industrias consigam se instalar na cidade (Diagrama 1). O Plano Diretor estabelece as diretrizes e regras que cada município irá usar sempre de forma justa e social. Ele também defi ne acidade que queremos ter no futuro, pois, por meio das açõs públicas, a cidade se forma e com boas atuações e tomadas de decisões corretas há uma maior chance de alcançarmos a cidade que almejamos. Porém, é um trabalho árduo que precisa de atenção de todas as gestões que assumem o poder de zelar pela cidade e prover uma melhor qualidade de vida para todos. É importante envolver a população por meio da participação comunitária nas decisões públicas, como, por exemplo, na atualização do plano diretor da cidade, participando das audiências públicas, participação no orçamento parti- cipativo, entre outros meios (Diagrama 1). Hoje, o Plano Diretor municipal é de suma importância, sendo um dos instrumentos de planejamento e gestão de municípios e prefeituras. Segundo Rezende e Ultramari (2007), a respeito das mudanças trazidas pelo Estatuto da Cidade, que apresenta o Plano Diretor municipal como um instru- mento de ordenamento das relações sociais de um determinado lugar, ele é elaborado com seu rumo voltado para o planejamento físico territorial. É válido que sejam reconhecidos os potenciais de cada cidade, tendo como base as realizações advindas do Plano Diretor municipal. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 42 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 42 26/11/2020 13:39:53 DIAGRAMA 1. OBJETIVOS DO PLANO DIRETOR Fonte: Prefeitura da cidade de São José. Acesso em: 28/09/2020. Garantir acesso a uma cidade sustentável, desenvolvendo e inte- grando a ocupação e o uso do solo com a rees- truturação do sistema viário, de forma a: Compatibilizar o desenvolvimento municial e o metropolitano Priorizar o transporte coletivo e individual não motorizado Conformar policentralidades Desenvolver a economia a partir da diversidade Vale ressaltar que o Plano Diretor não deve considerar apenas a zona urba- na, uma vez que o desenvolvimento da cidade também depende da zona rural. Visto isso, é preciso considerar a totalidade do território para garantir um pleno desenvolvimento. No entanto, o município não pode disponibilizar uma política agrária e um zoneamento rural. Para ter validade, o Plano Diretor precisa ser colocado em prática e contar com a participação da população. No Estatuto da Cidade, podemos ver que existe um grupo de municípios que são obrigados a ter um Plano Diretor que seja participativo. E esses muni- cípios deverão apresentar os seguintes aspectos: • Devem possuir mais de 20 mil habitantes; • Deverão fazer parte das regiões metropolitanas ou de aglomerações urbanas; • Ser integrantes das áreas que possuam interesse turístico, seguindo o que diz os estados e a União; LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 43 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 43 26/11/2020 13:39:54 • Estarem localizados em pontos de crescimento para novos empreendi- mentos ou até mesmo para atividades que trarão relevância signifi cativa na região, como usinas portos, obras rodoviárias, dentre outros. Assim, se faz necessário que todos os municípios que se enquadrem no que foi dito acima e mesmo os que não se encaixam, elaborem um Plano Diretor para que o futuro da cidade possa ser planejado de maneira correta e efi ciente, conforme as especifi cidades de cada local. Todos os municípios devem elabo- rar seus Planos Diretores, porque, apenas por meio deles que será possível a aplicação de todos os instrumentos inseridos no Estatuto da Cidade. Neste tópico, vimos que Plano Diretor é um importante instrumento para direcionar ao bom desenvolvimento da cidade sustentável, de forma a asse- gurar qualidade de moradia para todas as pessoas e prover que haja um me- lhor desenvolvimento econômico do município de forma a não comprometer o bem-estar da população. Plano Diretor participativo É muito importante que seja feita a avaliação da cidade para a qual será ela- borado o Plano Diretor, atendendo às necessidades específi cas de cada lugar. Não existe algo pronto ou uma fórmula exata para a elaboração do mesmo. É válido ressaltar que o Plano Diretor sempre deverá ser elaborado pela munici- palidade. Não se faz necessário a contratação de profi ssionais externos para elaboração do mesmo, mas é fundamental a capacidade técnica da equipe téc- nica que for executá-lo. O Plano Diretor deverá ser do tamanho do município conforme as questões que a localidade apresenta, abrangendo as questões mais complexas e menos complexas. O órgão responsável por assumir a elaboração do Plano Diretor é a Secreta- ria de Planejamento, Urbanismo e de Obras. Contudo, toda a prefeitura deverá estar envolvida nesse processo, contando com profi ssionais técnicos de dife- rentes setores para formar a equipe técnica responsável pela elaboração do Plano Diretor. Juntamente com o prefeito, toda a equipe deverá estar presente nessa etapa. É válido ressaltar que, ao compor a equipe técnica, é importante que seja formada por profi ssionais das áreas de habitação, saneamento, meio ambiente etc., e ainda pela sociedade (Diagrama 2). LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 44 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 44 26/11/2020 13:39:54 DIAGRAMA 2. CONDICIONANTES PARA O PLANO DIRETOR PARTICIPATIVO Plano Diretor participativo Habitação Uso e ocupação do solo Saneamento Mobilidade Fonte: Prefeitura da cidade de São José. Acesso em: 28/09/2020. Percebe-se que a participação da sociedade é essencial para que se obte- nha um projeto concreto e realístico da cidade, com resoluções para os mais diversos problemas enfrentados nos diversos bairros. Nesse sentido, há cinco componentes essenciais para um Plano Diretor participativo: • Deve existir uma leitura técnica e comunitária de toda a cidade; • Todos os eixos devem ser definidos, assim como os temas e objetivos do Plano Diretor; • Deve ser feita uma proposta do projeto de lei, tendo a definição dos seus respectivos instrumentos; • Deverão ser encaminhados para a Câmara Municipal o projeto de lei, a discussão e a aprovação; • Após a implementação, deverá ser feita a cada dez anos a revisão periódi- ca para possíveis readequações. Essa primeira etapa é o momento em que o governo local forma a equipe que será responsável por realizar as leituras técnicas da cidade, a partir dos da- dos socioeconômicos, culturais, ambientais e de infraestrutura que mostram a real condição de vida dos moradores daquela região. Todos esses indicadores podem ser obtidos no portal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que, a cada dez anos, realiza o Censo Demográfico Brasileiro. LEGISLAÇÃO URBANA E PRÁTICA PROFISSIONAL 45 SER_ARQURB_LUPP_UNID2.indd 45 26/11/2020 13:39:54 É válido que seja feita uma compração da situação atual que o município encontra-se levando em consideração os últimos dez anos para que, se possa obter uma leitura mais realista e atual. Para compreender em qual nível de desenvolvimento regional está a situação do município, vale fazer uma compa- ração com as outras cidades da mesma região. A leitura técnica e a leitura comunitária devem andar juntas, pois uma com- plementa a outra, porém, uma não substitui a outra. A leitura participativa jun- tamente com a leitura técnica permite que todos os pontos sejam confronta- dos e analisados para obter uma melhor versão do Plano Diretor. A concretização da leitura comunitária segue algumas etapas: • Seleção e identificação de quem fará parte, assim como a definição da estratégia de mobilização; • Promoção de encontros com os participantes; • Arrumação e alinhamento das informações • Definição dos principais temas pertinentes para a elaboração do Plano Diretor; • Retorno das últimas considerações para a sociedade. Para a participação da sociedade não é necessário pertencer a alguma as- sociação ou entidade. A prepararação da leitura comunitária pode ser feita de diferentes formas, como por meio de mapas, fotos, entrevistas, depoimentos ou apenas o registro da impressão dos moradores em relação à cidade.