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NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 14 secretariaead@funec.com.br GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Biologia e Manejo de Plantas Daninhas CLASSIFICAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS 1. INTRODUÇÃO A sistemática e taxonomia vegetal formam a espinha dorsal do estudo cientí- fico das plantas, abrindo caminho para uma compreensão detalhada de sua diversi- dade e evolução. Este campo de estudo não apenas classifica e organiza as espécies vegetais em um sistema coerente, mas também fornece as ferramentas essenciais para a identificação e nomeação das plantas, incluindo aquelas consideradas dani- nhas. As técnicas taxonômicas, que detalham características morfoanatômicas e ge- néticas, são cruciais para decifrar a complexa relação entre diferentes espécies vege- tais. Com um enfoque especial nas plantas daninhas, a taxonomia vegetal adquire uma dimensão prática significativa, especialmente no contexto agrícola, onde a iden- tificação correta dessas plantas pode influenciar diretamente o manejo e controle, im- pactando a produtividade e sustentabilidade das culturas. Assim, aprofundar-se nesta ciência não é apenas uma atividade acadêmica, mas uma necessidade prática para enfrentar os desafios impostos pelas plantas invasoras nos ecossistemas agrícolas. 2. SISTEMÁTICA E TAXONOMIA VEGETAL A sistemática vegetal é uma ciência que abrange a taxonomia, responsável por descrever, identificar, nomear e classificar as espécies vegetais, integrando suas relações genéticas e construindo sua filogenia, ou história evolutiva. A taxonomia or- ganiza as espécies vegetais em táxons, que são grupos definidos de organismos com características similares, idealmente monofiléticos, ou seja, originários de um ances- tral comum. As plantas são classificadas com base em critérios de ancestralidade e seme- lhança, e os cientistas desenvolveram chaves de identificação que se baseiam nas características morfoanatômicas das plantas. Esse processo facilita a classificação de uma espécie em um táxon específico, que, no caso das espécies vegetais, frequente- mente inclui sub-táxons como subespécie, variedade e forma. AULA 2 mailto:secretariaead@funec.com.br NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 15 secretariaead@funec.com.br GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Biologia e Manejo de Plantas Daninhas Para identificar uma espécie, são analisados todos os caracteres morfológicos disponíveis no momento da coleta. No entanto, a morfologia floral é especialmente significativa na classificação. Aspectos como o número de peças florais, a disposição do ovário, o número e a disposição dos óvulos, a abertura das anteras e até o formato do pólen são considerados para a identificação. Outras características importantes incluem a morfologia das folhas, sua disposição nos caules, a presença de pilosidade, espinhos, cerosidade, além da cor e da textura. É também fundamental saber identi- ficar a espécie pela plântula para facilitar o desenvolvimento de um plano de manejo antes que a espécie se torne uma ameaça ao cultivo. 2.1 Nomenclatura botânica Como são nomeadas as plantas? Qual é a importância de nomear correta- mente uma espécie daninha? A nomenclatura botânica é fundamental para a identificação precisa de uma espécie vegetal. As regras são claramente estabelecidas pelo Código Internacional de Nomenclatura Botânica, estipulando que o nome da espécie seja sempre binomial: o gênero com inicial maiúscula, seguido do epíteto específico, com o nome científico destacado em itálico ou sublinhado, mas nunca em letras maiúsculas. A precisão na nomenclatura botânica é vital para prevenir confusões decor- rentes do uso de nomes populares das plantas daninhas, que variam significativa- mente entre regiões e línguas, complicando a identificação correta de uma espécie vegetal. Frequentemente, a mesma espécie recebe vários nomes populares, o que pode causar dificuldades de identificação para técnicos e agricultores, especialmente se o espécime não estiver disponível para consulta. O nome científico é de uso universal, sendo mais fácil e prático identificar a espécie em qualquer língua ou localização do planeta. Isso também vai te ajudar a encontrar a descrição da es- pécie correta nos livros sobre plantas daninhas e em artigos relaci- onados a plantas daninhas. mailto:secretariaead@funec.com.br NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 secretariaead@funec.com.br GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Biologia e Manejo de Plantas Daninhas 2.2 Sistemática de plantas daninhas No contexto das plantas daninhas, aproximadamente 300 espécies são de significativa relevância global, concentradas principalmente nas famílias botânicas Po- aceae, Cyperaceae, Asteraceae e Polygonaceae, que juntas constituem cerca de 43% do total. As demais espécies se distribuem entre outras 16 famílias. Exploraremos as características distintivas desses grupos de plantas daninhas dentro da Botânica, o que facilitará a identificação das espécies em campo. Dentro da classificação botânica, as plantas são categorizadas em Eudicoti- ledôneas, também conhecidas como latifoliadas ou de folha larga, e Monocotiledô- neas, referidas como espécies de folha estreita. Enquanto as Monocotiledôneas in- cluem poucas famílias de destaque no país, elas abrangem uma vasta gama de es- pécies que invadem culturas. Para melhor entendimento e identificação, vamos deli- near as principais diferenças entre as classes Eudicotiledoneae (Magnoliopsida) e Mo- nocotyledoneae (Liliopsida). 2.2.1 Monocotyledoneae (Lilioppsida) As Monocotiledôneas são caracterizadas pela presença de um único cotilé- done na semente. Predominantemente herbáceas, estas espécies possuem nós cla- ramente definidos no caule, onde se inserem as folhas, e os internós, que tendem a alongar-se conforme a planta cresce. As folhas são dispostas alternadamente e ge- ralmente consistem de limbo, bainha e lígula, sem a presença de um pecíolo verda- deiro. Os feixes vasculares no limbo são paralelos e o limbo é tipicamente mais longo que largo. Os vasos condutores são dispersos no caule e nas raízes. As flores se agrupam em inflorescências como espigas, racemos ou panículas, apresentando A família Poaceae, que reúne as plantas chamadas de gra- míneas, é a que engloba as espécies daninhas mais importantes e mais disseminadas pelo planeta e, não por acaso, também as plan- tas mais cultivadas pelo ser humano: trigo, arroz, cevada, centeio, milheto, aveia, milho, sorgo e cana-de-açúcar. mailto:secretariaead@funec.com.br NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 17 secretariaead@funec.com.br GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Biologia e Manejo de Plantas Daninhas sempre estruturas florais em número de três ou múltiplos de três. Nota-se também a presença de raízes adventícias em forma de fascículo ou cabeleira, dado que a raiz principal, originada do embrião, é breve em seu desenvolvimento. 2.2.2 Eudicotiledoneae (Magnoliopsida) As Eudicotiledôneas apresentam dois cotilédones que armazenam nutrientes essenciais para a nutrição do embrião durante as primeiras fases da germinação. Este grupo é diversificado, abrangendo herbáceas, arbustos, árvores, trepadeiras e epífi- tas. Uma característica marcante é o crescimento secundário em espessura, resul- tando na formação de lenho. As folhas das Eudicotiledôneas possuem limbo e pecíolo, com uma vasta di- versidade de formas que auxilia na identificaçãodos gêneros. As flores podem apare- cer isoladas ou em inflorescências, sendo pentâmeras ou tetrâmeras. O sistema radi- cular é tipicamente pivotante, dominado pela raiz primária. Os vasos de condução estão organizados circularmente no caule, formando feixes. No quadro a seguir você encontra um resumo com as principais diferenças entre as duas classes, o que vai auxiliar na identificação: Quadro 5 – Principais diferenças morfoanatômicas de espécies de monocotiledôneas e eudicotiledôneas Fonte: Padilha (2020). mailto:secretariaead@funec.com.br NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 18 secretariaead@funec.com.br GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Biologia e Manejo de Plantas Daninhas 2.3 Características das principais famílias com espécies daninhas no Brasil Estudaremos algumas características morfológicas que definem as principais famílias com plantas daninhas encontradas no Brasil, para auxiliar na identificação e futuramente no manejo dessas plantas nas lavouras. 2.3.1 Amaranthaceae Plantas em geral, herbáceas. Folhas simples, alternas ou opostas. Flores muito pequenas, aclamídeas ou monoclamídeas; geralmente unissexuadas; brácteas espinhosas; inflorescências condensadas, espiciformes, eventualmente em capítulos ou glomérulos. Ovário súpero, unilocular e uni ovulado. Fruto pixídio deiscente ou utrí- culo indeiscente. Exemplos: Amaranthus hybridus (caruru); Amaranthus viridis (ca- ruru); Alternanthera brasiliana (carrapichinho). 2.3.2 Asteraceae Plantas herbáceas, arbustivas ou arbóreas. Folhas simples ou alternas. Inflo- rescência em capítulo, geralmente multifloras e protegidos por brácteas involucrais dispostas em várias séries. Flores unissexuadas ou hermafroditas, com ocorrência de plantas monoicas ou dioicas; corola tubulosa, com 5 pétalas; 5 estames, livres; ovário súpero, unilocular e uniovulado; estilete única e estigma bífido. Fruto aquênio, em ge- ral provido de papo, uma estrutura constituída por pelos, cerdas, aristas ou páleas. Exemplos: Bidens pilosa (picão-preto), Acanthospermum australe (carrapichinho), Ageratum conyzoides (mentruz), Emilia sonchifolia (bela-emília), Vernonia polyanthes (assa-peixe), Sonchus oleraceus (serralha) e Xanthium cavanillesii (carrapichão), Se- necio brasiliensis (erva-lanceta), Gochnatia polymorpha (cambará). 2.3.3 Brassicaceae mailto:secretariaead@funec.com.br NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 19 secretariaead@funec.com.br GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Biologia e Manejo de Plantas Daninhas Plantas anuais e perenes, herbáceas ou arbustivas. Folhas simples, alternas, rosuladas ou opostas. Inflorescência variável, geralmente racemosa, com flores her- mafroditas, actinomorfas, diclamídeas; cálice com 4 sépalas livres; corola com 4 pé- talas, obovadas e nervação proeminente; estames 6, tetradínamos; ovário séssil ou estipitado, com 2 carpelos unidos e multiovulados. Fruto síliqua ou legume, dividido em dois lóculos, deiscentes ou não. Exemplos: Brassica campestres (mostarda-selva- gem), Raphanus raphanistrum (nabo selvagem) e Lepidium virginicum (mastruço). 2.3.4. Chenopodiaceae Plantas geralmente herbáceas, anuais, bianuais ou perenes. Folhas simples, alternas, sem estípulas. Inflorescência glomerular axilar. Flores actinomorfas, mono- clamídeas, com 2-5 tépalas, ovário súpero unilocular, estilete único, com 2 ou 3 estig- mas. Fruto utrículo, com uma única semente esférica, escura. Exemplo: Chenopodium album (ançarinha-branca), Chenopodium ambrosioides (erva-de-santa-maria) 2.3.5 Convolvulaceae Plantas trepadeiras, com folhas alternadas, íntegras, lobadas, digitadas ou pi- natífidas; inflorescência solitária ou em cimeiras. Flores hermafroditas, diclamídeas, corola em forma de tubo; ovário súpero, 2-4 locular, uniovulado; estames em filetes longos. Fruto cápsula, com quatro valvas. Exemplos: Ipomoea sp. (campainha, corda- de-viola), Convolvulus arvensis e Cuscuta racemosa (cipó-chumbo). 2.3.6 Cyperaceae Plantas perenes, raramente anuais. Flores hermafroditas ou unissexuais mo- nóicas, situadas na axila de glumas dispostas em espiral, geralmente nuas; androceu com 1 a 3 estames; gineceu de ovário súpero, com 2-3 carpelos concrescidos num ovário unilocular e uni ovulado, estilete simples. Fruto tipo aquênio e de forma muito variáveis. Exemplos: Cyperus esculentus (tiririca-amarela) e Cyperus rotundus (tiri- rica), Eleocharis sellowiana (junco), Rhyncospora corymbosa (Capim-navalha). mailto:secretariaead@funec.com.br NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 20 secretariaead@funec.com.br GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Biologia e Manejo de Plantas Daninhas 2.3.7 Fabaceae Plantas herbáceas, arbustivas, lianas ou arbóreas, anuais ou perenes. Folhas simples ou compostas, alternas e raramente opostas. Inflorescência em cacho, ci- meira, capítulo, corimbo, espiga e flor isolada. Cálice 5 sépalas e corola com 5 pétalas; estames em número de 10, com exceções; ovário súpero. Fruto usualmente legume, raramente drupa ou sâmara. • Subfamília I – Mimosaceae: corola actinomorfa; estames quatro a infinito; folhas compostas bipenadas ou penadas. Exemplo: Mimosa pudica (sensitiva) e Aca- cia plumosa (arranha-gato). • Subfamíla II – Caesalpinaceae: corola irregular com estandarte interno; es- tames 3-12 inseridos no cálice; em geral as folhas são penadas. Exemplos: Senna obtusifolia, Indigofera sffruticosa (anileira), Cassia occidentalis (fedegoso). • Subfamília III – Papilionaceae: corola com estandarte interno; estames 10, geralmente (9) + 1, inseridos na corola; folhas nunca bipenadas. Exemplos: Desmo- dium barbatum (barbadinho), Crotalaria lanceolata (crotalária) 2.3.8 Malvaceae Plantas herbáceas, arbustivas e raramente arbóreas. Folhas simples, alter- nas, estipuladas. Flores vistosas comcálice e corolapentâmeros, actinomorfas. Andro- ceu polistêmone, tubular. Ovário súpero, penta a multilocular, multiovulado. O estilete percorre internamente o tubo seminífero, externando os estigmas. Fruto é uma cáp- sula, raramente baga. Exemplos: Sida cordifolia, S. linifolia, S. micranta, S. rhombifo- lia, S. spinosa (guanxumas), Malva parviflora (malva). 2.3.9 Poaceae Caule tipo colmo, cilíndrico, com nós e entrenós; oco ou fistuloso. Folhas em geral com lâmina, lígula e bainha; inflorescência em panículas simples ou ramificadas, formando espiguetas de uma a numerosas flores, normalmente protegidas por duas brácteas estéreis (glumas) e duas férteis (lema e pálea); três estames,ovário súpero mailto:secretariaead@funec.com.br NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 21 secretariaead@funec.com.br GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Biologia e Manejo de Plantas Daninhas unilocular euniovalado, com três estigmas plumosos. Fruto cariopse, seco, indeis- cente, monocarpelar, com tegumento da semente fundido ao fruto. Exemplos: Eleu- sine indica (capim-pé-de-galinha), Setaria verticillata (capimrabo-de-raposa), Cen- chrus echinatus (capim-carrapicho), Pennisetum setosum (capim-mandante), Pani- cum maximum (capim colonião), Brachiaria plantaginea (marmelada), Sorghum hale- pense (capim-massarambá). 2.3.10 Solanaceae Plantas herbáceas, lianas, arbustivas e arbóreas. Folhas simples, alternas, inteiras, lobadas ou pinatipartidas, glabras ou pilosas, aculeadas ou inermes. Flores diclamídeas, hermafroditas, metaclamídeas e isostêmones; cálice tubuloso, dentado ou profundamente lobado;corola em geral rotada e 5-lobada; ovário súpero, com 2 ou mais lóculos, multiovulados, estames 5. Fruto baga, geralmente globoso. Exemplos: Solanum americanum (erva-moura), Solanum paniculatum (jurubeba), Physalis pu- bescens (camapú), Datura stramonium (estramônio) 2.4 Classificação morfológica, ecológica e estratégia evolutiva de plantas dani- nhas As plantas podem ser encaixadas em diferentes grupos, de acordo com seu habitat, seu ciclo de vida, padrão de crescimento, ecologia e estratégia evolutiva. Es- sas classificações são importantes para a identificação correta da espécie e para que depois você saiba avaliar qual método de controle deverá ser aplicado, de acordo com as características apresentadas a seguir. 2.4.1 Classificação quanto ao habitat Primeiramente, temos a classificação quanto ao habitat das plantas daninhas que podem ser as lavouras, pastagens, florestas e ambiente aquático. Algumas espé- cies se encaixam em diferentes habitats, também ocorrendo no meio urbano. Plantas daninhas aquáticas: são plantas modificadas para viver no ambiente aquático, sendo classificadas de acordo com a localização no ambiente aquático. As mailto:secretariaead@funec.com.br NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 22 secretariaead@funec.com.br GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Biologia e Manejo de Plantas Daninhas algas, mesmo não sendo parte do grupo das plantas, também são consideradas plan- tas daninhas aquáticas. • Flutuantes: crescem sob a superfície da água e possuem raízes livres, ge- ralmente não se fixando em nenhuma estrutura. • Emergentes: geralmente possuem crescimento ereto e suas raízes são fixas no solo úmido. • Submersas: crescem completamente dentro da água, com algumas espécies emitindo folhas na superfície. • Marginais: crescem ao redor do ambiente aquático e podem invadir e crescer na parte mais rasa, adquirindo hábito anfíbio. • Plantas daninhas terrestres: são as espécies mais comuns, que crescem no solo da lavoura ou em ao redor dele. 2.4.2 Classificação de acordo com o ciclo de vida Quanto ao desenvolvimento da planta, podemos classificar as espécies dani- nhas em anuais, bianuais ou perenes (DEUBER, 1992): • Plantas anuais: são as plantas que completam seu ciclo de vida em menos de um ano ou em uma estação e crescimento. Geralmente, são caracterizadas por uma grande produção de sementes, crescimento rápido e de fácil manejo, comparado com as perenes. • Anuais de verão: germinam na primavera, crescem e florescem no verão e completam o ciclo de vida no outono, com duração que varia de 40 a 160 dias. • Anuais de inverno: germinam no outono ou no início do inverno e florescem e frutificam na primavera ou início do verão, com ciclos em média mais curtos (80 dias). A maioria das anuais de inverno pertencem a Classe Eudicotyledonae. Algumas espécies daninhas completam mais de um ciclo por ano, como a Galinsoga parviflora (picão-branco) e Emilia sonchifolia (falsa-serralha). • Plantas bianuais: são espécies que demoram mais de um ano e menos de dois para completarem o ciclo de vida. São plantas que podem ser facilmente mane- jadas, desde que se interrompa a produção de sementes. Exemplos de bianuais são a Arctium minus (bardana-menor) e Melilotus alba (meliloto-branco). mailto:secretariaead@funec.com.br NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 23 secretariaead@funec.com.br GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Biologia e Manejo de Plantas Daninhas • Plantas perenes: são plantas divididas em dois grandes grupos. As perenes simples se propagam por sementes e por reprodução assexuada, sendo a reprodução sexuada preferencial e a vegetativa rara. Já as perenes complexas são espécies que também se reproduzem de ambas as formas, mas possuem mecanismos de reprodu- ção assexuada bem definidos, incluindo estolões, rizomas, tubérculos e bulbos. As complexas são as de maior dificuldade de controle, se reproduzem amplamente e são facilmente dispersas pelo ser humano. Saber o ciclo de vida de uma planta daninha é fundamental para elaboração do plano de manejo dessa espécie na área culti- vada. 2.4.3 Classificação quanto ao hábito de crescimento Quanto ao hábito de crescimento, as plantas daninhas são classificadas em herbáceas, sub-arbustivas, arbustivas, arbóreas, trepadeiras e epífitas. • Herbáceas: são espécies de pequeno porte, com altura inferior a um metro, eretas ou prostadas. Geralmente possuem caules tenros, podendo ser sublenhosas. As gramíneas em geral pertencem a esse grupo. • Subarbustivas: apresentam um porte que vai de 0,8 metros até 1,5 metros de altura, com caules lenhosos e hábito reto. • Arbustivas: são espécies lenhosas, com altura entre 1,5 metros até 2,5 me- tros. • Arbóreas: são espécies lenhosas com mais de 2,5 metros. • Lianas ou trepadeiras: são espécies que necessitam de um apoio para cres- cerem, geralmente outras plantas. Elas crescem através de enrolamento (volúveis) ou prendendo-se com uso de gavinhas, garras ou espinhos. Atingem vários metros de comprimento e podem ser ramificadas. • Epífitas: crescem sob outras plantas, podendo ser parasitas ou não. A Cus- cuta racemosa (cipó-chumbo) é um exemplo de epífita parasita. mailto:secretariaead@funec.com.br NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 24 secretariaead@funec.com.br GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Biologia e Manejo de Plantas Daninhas 2.4.4 Classificação ecológica Nesse caso, você pode avaliar se a espécie daninha é proveniente da região onde a lavoura está implantada ou se ela é proveniente de outra região ou até mesmo de outro país • Autóctones: são as espécies vegetais nativas ou selvagens. Em relação às plantas daninhas, são espécies infestantes que são originadas da própria região ou país. Quando o ambiente é alterado para uma lavoura ou pastagem, essas espécies invadem e se propagam, sendo geralmente mais problemáticas que as espécies in- troduzidas. • Alóctones: são espécies vegetais provenientes de outras regiões ou países são alóctones, ou também chamadas introduzidas ou naturalizadas. A maioria das espécies daninhas alóctones foram introduzidas pelo homem, de forma voluntária ou involuntária. Algumas espécies trazidas voluntariamente para o país para serem utili- zadas em pastagens, como a Brachiaria decumbens (capim-braquiária) e Panicum maximum (capim-colonião) acabaram se tornando invasoras de lavouras e beira de estradas, além de áreas nativas, causando prejuízos agronômicos e ambientais. Além disso, as espécies podem ser introduzidas para fins ornamentais e acabam invadindo áreas nativas. Cerca de 8000 espécies de plantas são consideradas introdu- zidas. Dessas, cerca de 200-250 espécies são consideradas as mai- ores plantas daninhas mundiais. De distribuição mundial, as plantas daninhas mais invasivas pertencem as famílias Asteraceae, Poaceae, Cyperaceae e Fabaceae. Algumas plantas cultivadas e daninhas são espécies relacionadas, como a aveia doméstica e selvagem. Elas podem e ocupam os mesmos hábitats e podem hibridizar. Além disso, essas espécies daninhas podem ser hospedeiras de patógenos das plantas cultivadas. As plantas invasoras evoluem e respondem rapidamente ao uso de herbici- das, desenvolvendo resistência. Isso causa impacto negativo não só nas áreas culti- vadas, mas causa danos ao ambiente ao redor delas. 2.4.5 Classificação de acordo com a estratégia evolutiva mailto:secretariaead@funec.com.br NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEADPágina | 25 secretariaead@funec.com.br GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Biologia e Manejo de Plantas Daninhas Espécies daninhas podem ser organizadas de acordo com sua estratégia de sobrevivência relacionada com fatores limitantes de crescimento: estresse e perturba- ção do ambiente. • Plantas tolerantes ao estresse: essas espécies reduzem suas biomassas vegetativas e reprodutivas e aumentam a alocação de substâncias para manutenção e defesa. Elas possuem características que garantem a resistência dos indivíduos em ambientes severos e limitados. A limitação pode ser física, como seca ou inundações recorrentes ou biótica, como a herbivoria ou competição por nutrientes com outras espécies. • Plantas competidoras: nessa classe encontramos espécies adaptadas em maximizar a captura de nutrientes, água e/ou luz solar. Possuem grande crescimento vegetativo e são abundantes nos primeiros estágios de sucessão de uma comunidade vegetal. • Plantas ruderais: espécies encontradas em ambientes altamente alterados. Geralmente são plantas herbáceas, com ciclo de vida muito curto, crescimento rápido e alta produção de sementes. São consideradas plantas pioneiras, primeiras a se ins- talar em um ambiente alterado. ATIVIDADES DE FIXAÇÃO 1 - Qual é a regra fundamental da nomenclatura botânica? a) Nome da espécie em letras maiúsculas b) Nome binomial com o gênero em maiúscula e epíteto específico em itálico ou sublinhado c) Nome popular seguido do nome científico d) Nome da família seguido do gênero 2 - As Eudicotiledôneas são caracterizadas por todas as seguintes exceto: Vá no tópico VÍDEO COMPLEMENTAR em sua sala virtual e acesse o vídeo “Como diferenciar plantas daninhas de folha larga ou folha estreita”. mailto:secretariaead@funec.com.br NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 26 secretariaead@funec.com.br GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: Biologia e Manejo de Plantas Daninhas a) Dois cotilédones b) Crescimento secundário em espessura c) Folhas com limbo e pecíolo d) Feixes vasculares dispersos no caule 3 - As plantas da família Poaceae são caracterizadas por: a) Inflorescências em capítulo b) Folhas em panículas simples ou ramificadas c) Flores actinomorfas e monoclamídeas d) Sistema radicular pivotante 4 - Qual característica distingue as plantas ruderais das outras estratégias evo- lutivas? a) Grande produção de sementes e ciclo de vida muito curto b) Crescimento secundário em espessura c) Folhas alternadas e simples d) Sistema radicular profundo e extenso REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DEUBER, R. Ciência das plantas daninhas: fundamentos. Jaboticabal: FU- NEP,1992. OLIVEIRA, R. S.; CONSTANTIN, J.; INOUE, M. H. Biologia e Manejo de Plantas Daninhas. Curitiba: Omnipax, 2011 PADILHA, J. H. D. Biologia e Controle de Plantas Daninhas. Indaial: Uniasselvi, 2020. ROMAN, E. S. et al. Como funcionam os herbicidas: da biologia à aplicação. Passo Fundo/RS: Berthier, 2005. VARGAS, L.; ROMAN, E. S. (ed.). Manual de Manejo e Controle de Plantas Dani- nhas. Bento Gonçalves: Embrapa Uva e Vinho, 2004. mailto:secretariaead@funec.com.br