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FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE CARATINGA – FUNEC 
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA – UNEC 
NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BIOLOGIA E MANEJO DE PLANTAS DANINHAS 
 
 
 
NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 2 
secretariaead@funec.com.br 
GRADUAÇÃO 
UNEC / EAD 
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA 
DISCIPLINA: Biologia e Manejo de Plantas Daninhas 
 
CONCEITOS, IMPORTÂNCIA, ORIGEM E EVOLUÇÃO 
DAS PLASNTAS DANINHAS 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
O estudo das plantas daninhas é importante para facilitar a produção de ali-
mentos e tornar a prática agronômica mais eficiente, resultando em aumento da pro-
dutividade e da qualidade dos produtos destinados ao consumo. Essas plantas, fre-
quentemente vistas apenas como adversárias no campo, têm uma influência signifi-
cativa nos ambientes em que se inserem, afetando desde a biodiversidade até a eco-
nomia dos sistemas agrícolas. 
As plantas daninhas possuem características únicas que as tornam extrema-
mente adaptáveis a diversos ambientes, o que pode resultar em competição direta 
com as culturas agrícolas por recursos essenciais como nutrientes, luz e espaço. Esta 
competição pode não só reduzir o rendimento das culturas, mas também afetar a qua-
lidade dos alimentos produzidos. 
Além disso, entender a origem e a evolução das plantas daninhas é crucial 
para compreender como elas se adaptaram ao longo do tempo às práticas de manejo 
e às mudanças nos ecossistemas agrícolas. Este conhecimento é fundamental para 
o desenvolvimento de métodos de controle mais eficazes e menos prejudiciais ao 
meio ambiente, permitindo uma agricultura mais sustentável. 
Portanto, uma análise aprofundada sobre as plantas daninhas revela não ape-
nas os desafios que elas representam, mas também a oportunidade de melhorar nos-
sas práticas agrícolas e de manejo de terras, visando uma produção mais equilibrada 
e respeitosa aos ciclos naturais e à biodiversidade. 
 
 
2 CONCEITO E IMPORTÂNCIA DAS PLANTAS DANINHAS 
 
Classificar uma planta como daninha não é uma tarefa simples. O termo 
abrange uma definição ampla e pode variar conforme a perspectiva de quem o em-
prega. Uma certeza é que plantas daninhas são aquelas que surgem onde não são 
AULA 1 
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desejadas, frequentemente causando transtornos em atividades humanas como a 
agricultura ou o paisagismo. 
As plantas conhecidas como daninhas, invasoras ou ruderais 
são aquelas vistas como indesejáveis em um ambiente agrícola, englo-
bando tanto espécies nativas quanto cultivadas. Portanto, uma espécie 
nativa pode ser classificada como daninha e qualquer espécie cultivada que cresça 
sem ser intencionalmente plantada e que afete negativamente a produção também é 
considerada daninha. Um exemplo disso são as gramíneas forrageiras em pastagens 
que invadem outras culturas, complicando o manejo e reduzindo a produtividade. 
De acordo com Bacchi, Leitão Filho e Aranha (1982 apud Padilha, 2020), as 
plantas daninhas são descritas como espécies pioneiras e agressivas que possuem 
capacidade de germinação e dispersão excelente; além de se adaptarem facilmente 
a uma variedade de condições, tanto naturais quanto modificadas. São geralmente 
resistentes a pragas e doenças e possuem tanto mecanismos reprodutivos assexua-
dos quanto sexuados, caracterizados por sua alta viabilidade e longevidade. 
No Manual de Herbicidas da Biologia de Plantas Daninhas da América, define-
se planta daninha como “qualquer planta que é indesejável ou que interfere nas ativi-
dades ou no bem-estar humano” (Padilha, 2020). O conceito se alinha principalmente 
às atividades agropecuárias, onde essas espécies surgem espontaneamente e im-
pactam negativamente, interferindo no crescimento das culturas de várias formas, seja 
competindo por nutrientes, água e luz ou por meio de efeitos alelopáticos. 
Observando sob uma perspectiva evolutiva, as plantas daninhas constituem 
um dos grupos mais adaptáveis que surgiram devido às alterações humanas em áreas 
selvagens, incluindo a urbanização e a expansão agrícola. Navas (1991 apud Padilha 
2020) oferece uma definição mais abrangente: “uma planta capaz de formar popula-
ções que invadem habitats cultivados ou significativamente perturbados, com poten-
cial para reduzir ou deslocar populações de plantas nativas que são deliberadamente 
cultivadas ou possuem valor ecológico e/ou estético”. 
Algumas características que fazem com que as plantas daninhas sejam con-
sideradas indesejáveis, além do crescimento em locais indesejados: 
• Rápido desenvolvimento das mudas. 
• Rápida maturação reprodutiva e desenvolvimento de propágulos: as espé-
cies florescem rapidamente e produzem uma grande quantidade de sementes. 
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• Capacidade de reprodução sexuada e vegetativa: a maioria das plantas da-
ninhas produz sementes e também se reproduz assexuadamente. 
• Plasticidade ambiental: capacidade de crescer e tolerar diferentes condições 
edafoclimáticas. 
• Plantas daninhas geralmente são autocompatíveis. 
• São resistentes a fatores ambientais prejudiciais. Maior parte das sementes 
de plantas daninhas possuem mecanismos de dormência, possibilitando sua resistên-
cia a condições adversas. Também pode não haver requisitos especiais para que a 
germinação ocorra. 
• Geralmente, as sementes de plantas daninhas possuem o mesmo tamanho 
e formato da semente cultivada, dificultando sua separação. 
• Algumas plantas daninhas anuais produzem sementes mais de uma vez e 
essa produção pode não ser afetada pelas condições ambientais. Além disso, pos-
suem diferentes mecanismos de dispersão. 
• Suas raízes e órgãos vegetativos apresentam reservas energéticas, permi-
tindo sua sobrevivência em condições de estresse ambiental ou cultivo intensivo. 
• Muitas plantas daninhas possuem adaptações morfológicas que inibem a 
herbivoria e dificultam o manejo, como os espinhos, ou apresentam sabor e odor re-
pulsivos aos animais. 
• Possuem grande habilidade competitiva por nutrientes, luz e água. 
• Plantas daninhas são resistentes, incluindo resistência aos herbicidas. 
As espécies daninhas, de um ponto de vista agronômico, causam diminuição 
da produção e problemas diversos durante a colheita, aumentando os custos da pro-
dução. Além disso, podem ser tóxicas para animais e, para o ser humano, como Se-
necio brasiliensis (maria mole), Pteridium aquinilum (samambaia) e Baccharis coridi-
folia (mio-mio), comuns nas áreas cultivadas do sul do país, causando morte de be-
zerros ou intoxicação dos animais adultos. 
O consumo de algumas plantas daninhas pelos animais pode afetar sua qua-
lidade, a produção de leite ou de lã e até causar abortos. 
No Quadro 1 se encontra uma lista de plantas daninhas tóxicas, a sua distri-
buição no país e o que causa no animal após ser consumida. 
 
 
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Quadro 1 – Principais plantas tóxicas do Brasil de interesse agropecuário 
 
Fonte: Padilha (2020). 
 
Quando se considera a colheitade culturas agrícolas, as plantas daninhas 
podem ser colhidas prematuramente junto aos cultivos, propiciando condições para o 
desenvolvimento de podridões. É comum também que as sementes das culturas es-
tejam contaminadas com sementes de plantas daninhas, o que reduz a qualidade do 
produto final e complica o processamento. 
Plantas daninhas podem abrigar insetos, nematoides e ácaros que, além de 
causarem danos diretos às culturas, podem agir como vetores para fungos, bactérias 
e vírus causadores de doenças. Por exemplo, o tripes Frankliniella schultzei, praga 
frequente em culturas de algodão, amendoim, girassol e soja e vetor do vírus que 
causa a doença conhecida como vira-cabeça no tomate, pode encontrar hospedagem 
em plantas daninhas como Emilia sonchifolia (falsa-serralha), Raphanus raphanistrum 
(nabiça), Sinapis arvensis (mostarda do campo) e Raphanus sativus (rabanete). Algu-
mas plantas daninhas, tolerantes a certos vírus, atuam como reservatórios destes 
agentes patogênicos, a exemplo do begamovírus em tomateiros, transmitido pela 
mosca-branca e encontrado em Ageratum conyzoides (mentrasto) e Amaranthus spi-
nosus (bredro-de-espinho), importantes fontes de contaminação para tomates. Os ne-
matoides também representam um problema sério em várias lavouras e podem per-
sistir nas raízes de plantas daninhas entre os períodos de plantio. Espécies de plantas 
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daninhas permitem que os nematoides parasitas persistam mesmo na ausência de 
culturas, contribuindo assim para a continuidade e aumento de suas populações no 
solo, o que complica o controle. Plantas como Amaranthus spp., Portulaca oleracea, 
Euphorbia heterophylla, Ipomoea spp., e Bidens spp. são capazes de fomentar a pro-
liferação de várias espécies do nematoide-das-galhas. 
Finalmente, a presença de plantas daninhas pode diminuir sig-
nificativamente a produtividade das lavouras, resultando em prejuízos 
substanciais ou até na perda total da produção, causando impactos fre-
quentemente mais severos que outras pragas e doenças. Estima-se que as perdas 
potenciais na produção agrícola mundial devido a plantas daninhas atinjam 7,7% na 
cultura do trigo, 37% nos feijões, 10,5% no milho e 37% no arroz. 
Os danos causados pelas plantas daninhas dependem de várias característi-
cas botânicas tanto das espécies daninhas quanto das cultivadas, como tamanho, 
arquitetura, taxa de crescimento, densidade e tempo de desenvolvimento. Algumas 
destas plantas retiram grandes quantidades de nutrientes do solo, a exemplo da Por-
tulaca oleraceae (beldroega) que absorve muito potássio e a Euphorbia heterophylla 
(amendoim-bravo) que consome alto teor de nitrogênio. 
Conforme Vasconcelos et al. (2012 citado por Padilha, 2020), "além dos pre-
juízos diretos, essas plantas comprometem a eficiência da agricultura, elevam os cus-
tos de produção e depreciam a qualidade do produto, diminuindo seu valor de mer-
cado e podendo até obstruir a operação de colheita”. As plantas daninhas podem 
ainda atrapalhar a colheita mecanizada, causando o entupimento de equipamentos, 
atrasando o processo e danificando as máquinas, o que aumenta os custos para os 
produtores. A contaminação por sementes de plantas daninhas pode diminuir a quali-
dade de produtos como farinhas ou interferir na fermentação de cervejas. 
A infestação por plantas daninhas pode também reduzir o valor da terra, es-
pecialmente no caso de espécies perenes, que tornam algumas áreas impróprias para 
a agricultura. Plantas aquáticas em reservatórios e riachos podem intensificar a perda 
de água por transpiração ou dificultar atividades de navegação e recreação, reduzindo 
a área de água disponível, como ocorre com a Typha angustifolia (taboa), comum no 
sul do Brasil. Algumas espécies aquáticas podem ainda ser reservatórios para para-
sitas ou insetos que transmitem doenças. Em cultivos irrigados, as plantas daninhas 
aumentam a perda de água devido à maior absorção e transpiração radicular. 
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Essas espécies também causam problemas em rodovias e ferrovias, dimi-
nuindo a visibilidade ou servindo como catalisadores para incêndios causados pelo 
homem. Nos centros urbanos, prejudicam a estética de jardins e parques, impedem o 
uso de áreas recreativas, como campos de futebol, e podem abrigar animais perigo-
sos. Além disso, plantas daninhas originárias de outros países podem provocar danos 
ecológicos sérios ao invadir e suplantar a vegetação nativa. 
Contudo, nem todas as plantas daninhas são prejudiciais à agricul-
tura. Algumas podem ser utilizadas como cobertura vegetal para proteger o 
solo contra erosão ou como cobertura morta para evitar o superaquecimento 
do solo e a perda excessiva de água, além de contribuir com matéria orgâ-
nica. A cobertura morta também pode inibir a germinação de outras plantas daninhas, 
seja por sombreamento ou por efeitos alelopáticos. 
Adicionalmente, várias espécies daninhas possuem valor nutricional significa-
tivo e podem ser incorporadas à dieta humana, frequentemente subestimadas pela 
população. Estas são conhecidas como PANCs (Plantas Alimentícias Não Convenci-
onais), como a Portulaca oleracea (beldroega), Sonchus oleraceus (serralha) e Ama-
ranthus retroflexus (caruru), que podem ser consumidas em saladas e comercializa-
das em feiras, representando uma fonte de renda adicional para pequenos agriculto-
res. Detalhes sobre algumas dessas espécies consumíveis podem ser encontrados 
no Quadro 2. 
 
Quadro 2 – Plantas alimentícias não convencionais consideradas daninhas em lavou-
ras e pastagens 
 
Fonte: Padilha (2020). 
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Ainda existem as espécies com características apícolas, fornecendo néctar ou 
pólen para produtores de mel, conforme Quadro 3. 
 
Quadro 3 – Relação de plantas daninhas que podem ser utilizadas como fonte de 
néctar e/ou pólen 
 
Fonte: Padilha (2020). 
 
 
3 ORIGEM E VOLUÇÃO DAS PLANTAS DANINHAS 
 
A domesticação das espécies vegetais para a agricultura levou à adaptação 
dessas plantas aos novos ambientes e métodos agrícolas. A modificação e manejo 
do habitat natural permitiram a evolução das espécies silvestres, que se ajustaram 
aos sistemas agrícolas, otimizando sua sobrevivência e elevando a produtividade. 
A prática da agricultura emergiu cerca de 12 mil anos atrás. Neste curto inter-
valo, testemunhamos a evolução tanto das plantas cultivadas quanto das espécies 
daninhas. Os agricultores começaram a distinguir e selecionar sementes de plantas 
desejadas em detrimento das consideradas invasoras, escolhendo as mais saudáveis 
e produtivas. Isso resultou na seleção das variedades de cultivo que conhecemos 
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hoje. Como reação, as espécies daninhas evoluíram para produzir sementes seme-
lhantes às das plantas cultivadas, assegurando assim sua propagação. 
As espéciesdaninhas podem ter ou não uma relação direta com as espécies 
domesticadas. Algumas são pioneiras, adaptadas a colonizar ambientes desafiadores 
ou modificados. O desenvolvimento agrícola promoveu uma seleção nessas plantas, 
adaptando-as para prosperar em condições alteradas pelo homem. 
Os processos microevolutivos que influenciaram o desenvolvimento das plan-
tas cultivadas também afetaram as espécies daninhas, direta ou indiretamente: 
1 - Deriva genética: a fixação aleatória de alelos ocorre quando indivíduos são 
selecionados e propagados a partir de um número restrito de representantes da po-
pulação selvagem. 
2 - Fluxo gênico: a hibridação entre variedades de uma mesma cultura e entre 
espécies selvagens promove um aumento na diversidade genética. 
3 - Seleção artificial: a fixação de alelos que favorecem plantas cada vez mais 
adaptadas às condições de domesticação imposta pelos humanos. 
Veja algumas causas das adaptações evolutivas que as plantas daninhas e 
as plantas cultivadas compartilharam entre si (Zimdahl, 2018): 
• Aumento da seleção de sementes, que se tornam inaptas em crescer fora 
do solo arado e preparado e dependem de semeadura. 
• Abandono da área cultivada, causando regressão do cultivar a característi-
cas selvagens. 
• Nivelamento das condições ambientais do cultivo, favorecendo genótipos 
adaptados ao controle dos fatores ambientais. 
• Aumento das monoculturas, que selecionaram conjuntamente plantas dani-
nhas especializadas. 
• Colheita combinada da cultura e das espécies daninhas, levando a modifi-
cações que permitiram a espécie daninha ser colhida em conjunto à lavoura. 
• Redução da habilidade competitiva de culturas tratadas com reguladores de 
crescimento químicos. 
• Uso extensivo de herbicidas, que levou ao desenvolvimento de mecanismos 
de resistência. 
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A seleção de plantas daninhas está relacionada à adaptação das plantas sil-
vestres às alterações do ambiente causadas pelo ser humano e a hibridação de es-
pécies selvagens, além da reversão de uma cultura a condições selvagens. 
 
3.1 Colonização das lavouras e pastagens por espécies silvestres no local 
 
Quando uma área é modificada para introdução de uma lavoura 
ou pastagem, as espécies nativas daquela região geralmente se tornam 
invasivas, devido às condições adequadas de aeração, nutrição mineral 
e/ou irrigação presentes na lavoura. 
As plantas silvestres que se tornam daninhas possuem algumas das caracte-
rísticas gerais de uma espécie invasiva, mecanismos eficientes de dispersão e genó-
tipos fenotipicamente plásticos, o que pode levar a uma maior dificuldade de manejo 
e controle, já que estas já estão adaptadas às condições ambientais da região. Além 
disso, algumas plantas daninhas já eram pré-adaptadas para crescimento e competi-
ção por recursos em ambientes parecidos ao agrícola, facilitando seu desenvolvi-
mento. 
 
3.2 Hibridação de espécies silvestres e culturas 
 
Nesse processo ocorre um fluxo gênico (cruzamento) entre a espécie domes-
ticada e suas formas silvestres (nativas), causando a evolução da invasividade e ge-
rando uma espécie potencialmente daninha. 
O processo de hibridação pode ser entre raças ou subtipos de uma 
mesma espécie (intraespecífica), ou envolvendo diferentes espécies e até 
diferentes gêneros (interespecífica). Quanto mais aparentada for as duas 
plantas, mais facilmente o cruzamento poderá ocorrer. 
Quando ocorre o processo de introgressão, que é o retrocruzamento de um 
híbrido natural com um de seus parentais, pode haver o surgimento de uma variedade 
com ganhos adaptativos e capacidade invasiva (planta daninha) e não necessaria-
mente com características de interesse agronômico. 
Nem sempre a hibridação gera espécies invasivas, mas, quando ocorre, as 
plantas vão possuir as mesmas características adaptativas do cultivo, além de ocorrer 
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a mimetização das sementes, já que elas são híbridas, dificultado a colheita e sepa-
ração das sementes da cultura de interesse. Isso torna árduo o trabalho de pós-co-
lheita e leva a perda de qualidade do produto. 
 
3.3 Reversão das plantas cultivadas em ambientes silvestres 
 
Se você abandonar uma área de cultivo, algumas plantas domesticadas culti-
vadas ali podem reverter-se a condições selvagens. Isso ocorre quando 
as sementes da cultura permanecem no solo e as plantas se desenvolvem 
na área sem cultivo, podendo levar a reversão de suas características e, 
depois de algumas gerações, criar um subtipo daninho. 
Esses subtipos se adaptam a região e se tornam invasoras das culturas ins-
taladas posteriormente na área. Elas também podem hibridizar com a espécie domes-
ticada e com espécies silvestres, aumentando sua diversidade genética. 
Exemplo de reversão ocorreu com o Secale secale (centeio selvagem), que 
se tornou uma espécie invasora de cultivos de trigo e Oryza sativa (arroz selvagem), 
que causa problemas no cultivo do arroz em todo o planeta. 
 
3.4 Mimetismo 
 
As forças de seleção criadas pelas práticas agrícolas podem gerar subtipos 
de plantas daninhas com semelhanças morfológicas ao cultivar domesticado. Esse 
mimetismo dificulta o controle da planta daninha sem causar danos ao próprio cultivar. 
Caracteristicamente, as formas miméticas apresentam-se morfologicamente seme-
lhantes ao cultivar: mesmo hábito de crescimento, tempo de florescimento e produção 
de sementes, morfologia das sementes semelhantes, mesmas adaptações às condi-
ções climáticas. Na hora de aplicar um método de controle, muitas vezes o agricultor 
acaba matando a planta daninha e a planta cultivada, por elas serem similares. 
O mimetismo também surge da hibridação entre a planta cultivada e espécies 
parentais selvagens, gerando indivíduos com características fenotípicas similares as 
da planta cultivada e dificultando o manejo no campo e a diferenciação das sementes 
na hora da colheita. 
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Exemplo de mimetismo ocorre entre a espécie Echinocloa oryzicola e o arroz 
cultivado. Essa planta daninha desenvolveu características morfológicas e de desen-
volvimento parecidas com a do arroz cultivado, dificultando a diferenciação das plan-
tas no início do desenvolvimento. Além disso, ela floresce e frutifica ao mesmo tempo 
que o arroz cultivado. 
 
3.5 Impacto do controle de plantas daninhas 
 
A adaptação das plantas daninhas aumentou com o avanço dos métodos de 
controle e o uso de herbicidas, causando uma pressão que selecionou espécimes 
cada vez mais adaptadas e resistentes às medidas de controle empregadas na agri-
cultura no decorrer dos séculos. No quadro 4, você encontra exemplo de algumas 
classes de herbicidas e os mecanismos que as plantas daninhas desenvolveram para 
criar resistência. 
Você perceberá que a composição das espécies daninhas em uma região é 
dinâmica e responsiva às alterações das práticas culturais no decorrer do tempo. Um 
exemplo é a mudança no hábito de uma espécie daninha, que pode se alterar de 
acordo com o método de colheita, selecionando formas mais altas, que são colhidas 
juntamente com a lavoura e seperpetuam na região. 
 
Quadro 4 – Exemplos de mecanismos de resistência comuns a algumas classes de 
herbicidas 
 
Fonte: Padilha (2020). 
 
 
ATIVIDADES DE FIXAÇÃO 
 
1 - Qual é uma característica das plantas daninhas mencionada por Bacchi, 
Leitão Filho e Aranha (1982)? 
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a) Crescimento lento e reprodutivo 
b) Baixa capacidade de dispersão 
c) Adaptabilidade a condições naturais e modificadas 
d) Alta sensibilidade a pragas e doenças 
 
2 - Qual foi um dos primeiros produtos químicos utilizados para controle de 
plantas daninhas no início do século XX? 
a) Ácido acético 
b) Ácido sulfúrico 
c) Cloreto de sódio 
d) Cloreto de potássio 
 
3 - Qual foi o impacto do desenvolvimento do 2,4-D na agricultura? 
a) Aumentou a biodiversidade das culturas 
b) Introduziu a necessidade de irrigação 
c) Revolucionou o controle de plantas daninhas em cereais 
d) Diminuiu a produção de culturas 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
DEUBER, R. Ciência das plantas daninhas: fundamentos. Jaboticabal: FU-
NEP,1992. 
OLIVEIRA, R. S.; CONSTANTIN, J.; INOUE, M. H. Biologia e Manejo de Plantas 
Daninhas. Curitiba: Omnipax, 2011 
PADILHA, J. H. D. Biologia e Controle de Plantas Daninhas. Indaial: Uniasselvi, 
2020. 
ROMAN, E. S. et al. Como funcionam os herbicidas: da biologia à aplicação. Passo 
Fundo/RS: Berthier, 2005. 
VARGAS, L.; ROMAN, E. S. (ed.). Manual de Manejo e Controle de Plantas Dani-
nhas. Bento Gonçalves: Embrapa Uva e Vinho, 2004. 
ZIMDAHL, R. L. Fundamentals of Weed Science. 5. ed. London: Academic Press, 
2018. 
 
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