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22/09/2023, 07:29 Fisiologia Cardiovascular (Parte 3)
https://ceadsaladeaula.uvv.br/conteudo.php?aula=fisiologia-cardiovascular-parte-3&dcp=fisiologia-humana&topico=6 1/14
Fisiologia Cardiovascular (Parte 3)
Fisiologia Humana
1. Introdução
O sistema cardiovascular é o principal responsável pela entrega de nutrientes, drogas, oxigênio e
outras substâncias aos nossos tecidos. Por meio da sua irrigação, os nossos tecidos podem manter
as atividades metabólicas básicas e responder as necessidades do corpo como um todo. Além da
função de entrega, o sistema cardiovascular possui papel na retirada de detritos dos tecidos e,
ainda, mantém o controle global da pressão arterial.
Nesse sistema, o coração funciona como uma “bomba”, que é responsável por impulsionar o sangue
que, por sua vez, circula em um sistema fechado de vasos sanguíneos, que irão distribuí-lo por todo
o corpo. Entretanto, os vasos não são idênticos entre si, havendo diferenças de função. As artérias
transportam o sangue sempre sob pressão, enquanto as veias têm papel de levar o sangue da
periferia para o coração, atuando com um fluxo em baixa pressão. 
Além disso, o conjunto de vasos e coração participam do controle do transporte sanguíneo e
manutenção das funções básicas do sistema, sendo afetados por processos fisiopatológicos que
levam ao desenvolvimento de doenças. Sendo assim, a compreensão das funções homeostáticas dos
vasos e como ocorre o controle da sua fisiologia é importante para os estudantes da área da saúde,
pois possibilita entender o desenvolvimento das doenças, bem como o seu tratamento.
O coração, um dos componentes do sistema circulatório, impulsiona o sangue por entre artérias e veias, que atuam como
condutos de sangue para os tecidos.
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22/09/2023, 07:29 Fisiologia Cardiovascular (Parte 3)
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2. Sistema arterial e venoso
O sistema cardiovascular possibilita a ligação das mais diversas partes do corpo, tendo como órgão
central o coração, que atua bombeando o sangue por dentro dos vasos que, por sua vez, agem como
vias condutoras do sangue para os diversos órgãos.
Como foi visto anteriormente, existem duas formas de circulação chamadas de pequena e grande
circulações. Em ambas, a rede de artérias e veias atuam de modo a direcionar o sangue que sai do
coração aos diversos tecidos, retornando, ainda, com o sangue da periferia para o coração. Desse
modo, podemos conceituar sistema circulatório como “ [...] um sistema fechado de condutos
passivos, entregando sangue aos tecidos, onde são trocados nutrientes e dejetos metabólicos”
(CONSTANZO, 2004), sendo que o fluxo sanguíneo nos órgãos é afetado diretamente pela
resistência dos vasos.
Neste momento, precisamos relembrar que o sangue oxigenado é enviado para todo o organismo
através da artéria aorta, e o volume de sangue que é ejetado do coração em função do tempo é
denominado débito cardíaco. O débito cardíaco é distribuído entre todos os órgãos, seguindo uma
Imagem esquemática da pequena e grande circulação, representando a passagem do sangue nos diferentes vasos e nas
câmaras cardíacas.
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proporção relativamente pré-fixada, mas que pode ser alterada conforme a necessidade do
organismo, por processos homeostáticos.
Existem três principais formas de controle do fluxo sanguíneo tecidual. Na primeira, o débito
cardíaco é direcionado aos órgãos que mais o necessitam por meio de mecanismos de mudança na
resistência vascular daquele órgão; a segunda forma de controle se dá pela modificação no débito
cardíaco, assim, ocorreria o aumento ou a redução do volume de sangue que é ejetado do coração;
por fim, o terceiro mecanismo é uma combinação dos dois primeiros, em que há o aumento do
volume ejetado e, ainda, alteração seletiva da resistência vascular periférica.
Os mecanismos que norteiam o fluxo de sangue nos diferentes tecidos são chamados de
hemodinâmica e compreendem fundamentos de física que são aplicados a dinâmicas de fluidos.
Para iniciarmos, precisamos compreender as diferenças entre os vasos sanguíneos.
É chamado de vaso sanguíneo o conjunto de condutos que transportam e direcionam o sangue aos
tecidos e vice-versa. Além disso, alguns vasos estão relacionados com a troca de nutrientes e gases.
Na figura abaixo, encontramos um esquema representativo dos vasos sanguíneos:
Observa-se que existe uma ordem sequencial de passagem do sangue entre os vasos; inicialmente,
eles saem do coração por meio de artérias que são calibrosas. A partir daí eles se ramificam em
arteríolas que irão originar cadeias extremamente ramificadas, chamadas de capilares. Neste local,
é onde ocorrem as trocas de nutrientes. A partir do capilar, o sangue é recolhido em vênulas que
irão originar as veias que, por sua vez, seguem até o coração. Essa ordem é seguida em,
praticamente, todos os tecidos, havendo algumas pequenas exceções, como na circulação porta-
hepática, onde é possível visualizar uma cadeia de capilares precedida por vênulas.
Esquema representativo dos vasos sanguíneos e sua organização.
Você sabia?
Na circulação porta-hepática, os nutrientes captados pelo intestino são enviados ao fígado por
vênulas; ao chegarem neste órgão, uma nova rede de capilares é formada com o objetivo de
possibilitar ao fígado a eliminação de xenobióticos, por meio da metabolização dessas substâncias.
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Podemos classificar cada um desses vasos de acordo com características histológicas próprias, que
iremos ver adiante:
Artérias: são os vasos sanguíneos originados a partir do coração. A função principal desses vasos é
enviar sangue rico em oxigênio do coração para os tecidos ou, então, do coração para o pulmão
(artéria pulmonar) e, em geral, esse volume está sob alta pressão. A maior artéria existente é a
aorta e as outras artérias são, em geral, originadas a partir da sua ramificação. Histologicamente,
elas são compostas por parede arterial espessa, rica em tecido elástico, músculo liso e tecido
conjuntivo.
Arteríolas: são as artérias de menor calibre, ricas em músculo liso vascular e altamente
resistentes ao fluxo sanguíneo. Isso porque o músculo apresenta tonicidade basal, graças à
inervação do sistema nervoso simpático no local, o que confere ao vaso constrição constante. Na
maioria das arteríolas, encontramos receptores a-adrenérgicos que, quando ativados, geram
vasoconstrição tecidual, o que causa redução no diâmetro do vaso e, consequentemente, aumenta a
resistência ao fluxo. Por outro lado, alguns leitos vasculares possuem receptores b-adrenérgicos
que, quando ativados, geram vasodilatação. Mesmo com essa diferenciação, é importante destacar
que as arteríolas são o local de maior resistência vascular e onde é possível gerar mudanças rápidas
no calibre, frente à ativação nervosa.
Capilares: são locais no sistema circulatório onde há a troca gasosa e de nutrientes com o tecido.
Para tanto, o capilar é composto por lâmina basal e células endoteliais fenestradas, ou seja, há
“espaços” entre as células que formam o vaso. Essa característica é o que permite a passagem de
líquido entre o lúmen do vaso e o tecido. O volume de sangue que chega aos vasos, depende
diretamente da constrição da arteríola, que está exatamente anterior a ele e que depende,
diretamente, do sistema nervoso autônomo.
Vênulas e veias: esses vasos têm parede fina, composta principalmente por tecido endoteliale
tecido conjuntivo com pouco tecido elástico e músculo liso. Isso possibilita às veias e vênulas maior
capacitância, ou seja, maior volume de sangue sob baixa pressão é mantido nesses tecidos. Neste
local, também há inervação simpática, o que promove venoconstrição e, consequentemente,
redução no volume armazenado neste local.
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Esquema representativo dos tecidos que formam artérias, veias e capilares.
3. Biofísica da circulação
Agora que compreendemos a organização dos vasos, precisamos detalhar como ocorre o controle da
velocidade do fluxo sanguíneo. Podemos conceituar o fluxo sanguíneo como a taxa de deslocamento
do sangue por unidade de tempo. Considera-se o fluxo total de um indivíduo em repouso
5000mL/min. O fluxo é determinado por dois fatores principais: o primeiro é a diferença de
pressão entre dois pontos em um vaso, também chamado de gradiente de pressão; o segundo fator é
a resistência do vaso ao fluxo, ou resistência vascular.
Pode-se calcular o fluxo por meio da lei Ohm
Relação entre resistência, fluxo e pressão em uma artéria do corpo humano.
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F = ΔP/R
em que ΔP é a diferença de pressão entre dois pontos e R é a resistência do vaso. Logo, quão maior
o gradiente de pressão, maior será o fluxo e quanto maior a resistência, menor será o fluxo.
Outro aspecto importante a ser considerado do fluxo sanguíneo é a resistência vascular. Segundo a
Equação de Poiseuille, há alguns aspectos que interferem nessa resistência, como a viscosidade
sanguínea e o raio do vaso.
Equação de Poiseuille:
Sendo F= velocidade do fluxo; ΔP=diferença de pressão; η= viscosidade; r= raio; I= comprimento
do vaso sanguíneo.
A partir dessa equação, é possível chegar às seguintes conclusões: aumento da viscosidade
sanguínea gera aumento da resistência ao fluxo de forma direta, caracterizada pela redução na sua
velocidade. Isso ocorre, por exemplo, em condições fisiopatológicas quando há o aumento do
hematócrito de um paciente (número de hemácias). Essa última afirmação confirma a análise feita
previamente, de que as arteríolas constituem o local com maior resistência vascular, tendo em vista
o seu pequeno calibre e a sua capacidade de reduzi-lo ainda mais, frente à ativação do sistema
nervoso simpático. Adicionalmente, observa-se pela equação de Poiseuille que o raio
influencia a velocidade do fluxo a quarta potência (r ), deste modo, observa-se que
pequenas modificações no raio do vaso geram grande impacto sobre a resistência
vascular e, consequentemente, sobre o fluxo sanguíneo.
O sangue irá, portanto, circular entre todos os vasos do organismo; isso se dá de forma estável e
uniforme. A organização da passagem de sangue no vaso ocorre em camadas e linhas correntes, que
ocupam espaços equidistantes do vaso, sendo assim, a porção mais ao centro do vaso corresponde à
região com maior velocidade, sendo a porção mais próxima à parede vascular a com menor
velocidade, graças à aderência das moléculas à parede endotelial. Essa organização é denominada
de fluxo laminar e opõe-se ao fluxo turbulento.
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Figura representando o fluxo sanguíneo laminar em um vaso sanguíneo. No fluxo turbulento, as setas se opõem entre si,
criando uma visão caótica da passagem de sangue.A = Dois líquidos parados; B = Representação de fluxo laminar; C =
Representação de fluxo turbulento.
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O fluxo turbulento ocorre quando há aumento da velocidade dentro do vaso, ou a presença de
algum ponto de obstrução (placa de ateroma, ângulo fechado, etc.); adicionalmente, outros fatores
podem favorecer o aparecimento desta forma de fluxo, como a viscosidade do fluido. O
aparecimento do fluxo turbulento gera aumento da resistência vascular periférica, isso por gerar
maior atrito do sangue com o vaso, o que é prejudicial ao indivíduo, uma vez que pode levar ao
aumento da pressão arterial média a longo prazo.
4. Pressões no sistema cardiovascular
As pressões não são iguais no sistema cardiovascular. Se assim fossem, não haveria fluxo de sangue
nos ramos arteriais e venosos, conforme descrito pela lei de Ohm. A pressão é uma grandeza,
medida em milímetros de mercúrio (mmHg) utilizando o manômetro.
Observa-se uma redução nos valores de pressão média no decorrer da árvore vascular, sendo que as
pressões são maiores na aorta e menores no coração. Apesar de apresentar um valor médio de
pressão, ocorrem ondas (pulsos) de pressão na circulação, isso graças à pressão exercida pelo
sangue durante a sístole e a diástole. Assim, é possível observar as seguintes pressões na árvore
arterial:
Pressão sistólica: maior valor de pressão observado durante uma ejeção ventricular.
Pressão diastólica: menor valor de pressão observado durante a ejeção ventricular;
compreende o valor de pressão no enchimento ventricular.
Pressão de pulso: diferença nos valores de pressão sistólica e diastólica; essa pressão se
correlaciona com o volume de sangue ejetado do coração durante a sístole (volume sistólico).
Pressão arterial média: é considerada a média da pressão em um ciclo cardíaco completo e é
calculada pela seguinte fórmula:
Pressão arterial média = Pressão diastólica + / Pressão de pulso
Há, ainda, uma relação direta entre a pressão arterial média e a resistência vascular periférica,
sendo possível calcular a pressão média pela seguinte fórmula
PAM = DC x RVP
em que
PAM= Pressão arterial Média;
DC = Débito cardíaco;
RVP = Resistencia vascular periférica.
Podemos chegar a algumas conclusões pela análise das fórmulas acima. Primeiramente, a pressão
arterial média não é a média ponderal entre as pressões na árvore arterial e, além disso, tanto a
ejeção cardíaca quanto a resistência dos vasos geram impactos diretos neste valor.
1
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Sabemos que as arteríolas são os vasos responsáveis pela maior parte da resistência vascular da
árvore arterial. Levando em consideração a lei de Poiseuille, podemos observar que variações no
raio de um vaso impactam a “quarta potência” no fluxo sanguíneo. Sendo assim, o que se nota é que
mínimas variações na resistência nesses locais promovem grande impacto no fluxo sanguíneo, o
que implicará, em especial, na pressão arterial média. Esse fato pode ser observado na figura
abaixo, em que é possível ver que mínimas alterações na resistência (diâmetro) de um vaso
impactam grandemente na condutância daquele local, ou seja, o fluxo de sangue aumenta muito.
Podemos concluir que, a partir da mudança na resistência arteriolar, o organismo consegue
controlar quanto de sangue é enviado para determinado tecido e, consequentemente, isso
impactará na pressão arterial média, como indicado na fórmula anterior.
Tendo em vista, portanto, que a resistência vascular é importante para o controle da pressão
arterial média e, ainda, do fluxo de sangue aos diferentes tecidos do organismo, precisamos
compreender como essa resistência é distribuída na árvore arterial.
Como vimos anteriormente, o sangue circula graças à diferença de pressão, saindo do local com
maior pressão (artérias) para o de menor pressão (veias). A redução na pressão progressivamente
se dá graças à resistência dos vasos à passagem defluxo. Sendo assim, podemos estudar a
resistência nos tecidos de duas formas: elas podem estar em série ou em paralelo.
A resistência em série é observada quando estudamos a passagem de fluxo sanguíneo em um
determinado local. Neste estudo, a resistência total daquele local à passagem do sangue será igual à
soma das resistências dos vasos que o compõem. Toda a árvore arterial é composta por artérias à
arteríolas à capilares à vênulas à veias. Em todos os órgãos, há uma artéria principal que traz o
sangue e uma veia principal que leva o sangue de volta para o coração, sendo assim, a resistência
total daquele sistema será o reflexo da resistência em cada um dos vasos que o compõem,
organizadas em série. Destas, a resistência arteriolar colabora como a maior responsável pela
resistência do sistema. Assim, ocorre a manutenção do fluxo sanguíneo total naquele tecido e há a
perda apenas da pressão no decorrer da árvore, graças ao aumento de resistência local.
A resistência em paralelo representa a distribuição do fluxo sanguíneo nas artérias a partir de
uma artéria principal, como a aorta. Sabe-se que a artéria aorta se ramifica em artérias principais
que serão distribuídas por entre os órgãos (cérebro, rim, músculos, etc.), sendo assim, a
distribuição em paralelo proporciona redução no fluxo sanguíneo nos órgãos, isso porque ele
receberá uma fração do fluxo sanguíneo total que sai da aorta, entretanto, há manutenção da
pressão. Isso é garantido pela redução da resistência total frente às resistências locais. Essa forma
de controle é interessante, pois possibilita ao órgão controlar o seu próprio fluxo sanguíneo, graças
à variação na resistência de qualquer um dos vasos que compõem o sistema em paralelo. É
Impacto da modificação do diâmetro de um vaso sobre o fluxo sanguíneo local. Essa modificação é indicada sempre que
há alteração na resistência daquele vaso.
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interessante notar que, o número de vasos, que compõem o sistema em paralelo, contribui para a
redução na resistência total do sistema, já que há a facilitação na passagem de fluxo sanguíneo
dentro daquele sistema, indicando uma nova condutância ao sangue no local.
É interessante imaginar como o fluxo sanguíneo dentro dos vasos pode ser afetado por fatores
locais, que irão aumentar ou reduzir o volume de sangue que chega em determinado órgão; um dos
controles realizados é via sistema nervoso autônomo. Como vimos anteriormente, a resistência
arteriolar é importante para o controle do fluxo sanguíneo e da pressão arterial, logo, compreender
como esse controle acontece é essencial.
Exemplificação das diferentes resistências, em série (A) e em paralelo (B).
5. Controle neural da circulação
O sistema cardiovascular é extremamente importante para a manutenção do funcionamento normal
de todo o organismo. Apesar de várias funções específicas exercidas por esse sistema, a função
global é a geração e manutenção do fluxo sanguíneo, o que é de extrema importância para o
adequado fornecimento de nutrientes e oxigênio aos tecidos e retirada dos produtos de
metabolismo e gás carbônico para serem eliminados. No sistema cardiovascular, temos dois
sistemas de pressão: a) o de alta pressão, representado pela pressão no sistema arterial; b) o de
baixa pressão, representado pela pressão no sistema venoso. Dessa forma, o fluxo sanguíneo aos
tecidos é mantido pela diferença de pressão arterial (alta) e venosa (baixa), ou seja, o sangue circula
do sistema de maior para o de menor pressão.
Para a manutenção da homeostasia, é necessária a existência de um fluxo sanguíneo adequado e
constante e, por isso, o organismo humano possui sistemas de regulação e controle da pressão
arterial, visando à manutenção dos valores normais e constantes, garantindo as necessidades de
fluxo sanguíneo dos tecidos.
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Existem vários mecanismos de controle da pressão arterial. Alguns deles são ditos mecanismos
rápidos, representados pelos reflexos cardiovasculares; outros são os chamados mecanismos lentos,
representados principalmente pela ação de sistemas hormonais (humorais). Assim, afirma-se, de
forma simplificada, que existem os mecanismos neuro(rápidos)-humorais (lentos) de regulação da
pressão arterial.
Mecanismos neurais de regulação da pressão arterial
Os mecanismos neurais de regulação da pressão arterial são representados por mecanismos
reflexos, que funcionam por meio de um arco-reflexo e respondem a diferentes estímulos;
geralmente, concebem respostas sobre a pressão arterial por interferência com o sistema nervoso
autônomo (simpático e parassimpático).
Dentre os mecanismos reflexos de controle da pressão arterial, destacam-se:
O barorreflexo arterial;
O reflexo cardiopulmonar;
O quimiorreflexo (central e periférico).
Dentre esses mecanismos, o mais extensivamente estudado e, também, reconhecido como o mais
relevante para o controle reflexo da pressão arterial é o barorreflexo arterial. O termo barorreflexo
arterial significa que se trata de um mecanismo que ocorre via um arco reflexo e que é sensível a
variações de pressão (Baro = pressão) arterial. Esse reflexo não só contribui para a manutenção da
pressão arterial em níveis normais, como também é fundamental para que ela se mantenha
constante.
Você sabia?
A pressão arterial (PA) é diretamente relacionada com o débito cardíaco (DC) e a resistência
vascular periférica (RVP) – veja a fórmula abaixo. Portanto, todas as alterações nesses parâmetros
levam a mudanças nos valores de PA do nosso organismo. É dessa forma, interferindo com esses
parâmetros (ou os seus determinantes), que os sistemas de regulação e controle da pressão arterial
atuam para manter os níveis normais e constantes da pressão arterial.
PA ~ DC x RVP
22/09/2023, 07:29 Fisiologia Cardiovascular (Parte 3)
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Em relação ao barorreflexo arterial, os componentes do arco reflexo são:
Estímulo: variações na pressão arterial (PA) que ocorram por qualquer causa (variações
normais, aumentos de pressão, hemorragia, etc.);
Estrutura receptora: barorreceptor (terminações nervosas localizadas na adventícia do arco
aórtico e seio carotídeo. São mecanorreceptores ou receptores de estiramento);
Vias aferentes: nervo glossofarígeo (seio carotídeo) e nervo vago (arco da aorta);
Centro Integrador: Núcleo do Trato Solitário (NTS), localizado na região do Bulbo no SNC, que
a seguir comanda alterações nas atividades de vários centros cardiovasculares dessa região;
Vias eferentes: sistema nervoso autônomo (simpático e parassimpático);
Órgãos efetuadores: em especial, coração e vasos sanguíneos.
Funcionamento do Barorreceptor arterial
O funcionamento desse reflexo cardiovascular pode ser ilustrado pelas alterações que ocorrem
quando a pressão arterial é elevada. Com o aumento da PA (estímulo), ocorre maior estiramento
dos barorreceptores arteriais (estrutura receptora) no seio carotídeo e no arco da aorta. Isso acelera
a frequência de potenciais de ação que trafegam pelas vias aferentes dos nervos glossofaríngeo e
vago (vias aferentes). Esses nervos fazem sinapse com o NTS no SNC (Centro Integrador) e esse
aumento de frequência de potenciais de ação é interpretado no NTS como aumento de PA. Essa
informação é integrada com outros centros associados ao NTS, resultando em redução da atividade
simpática (para o coração e vasos sanguíneos) e aumento da atividade parassimpática (para o
coração) (vias eferentes). A redução da atividadesimpática e o aumento da atividade
Relembrando
Todo arco reflexo possuiu alguns componentes específicos: estímulo (que é captado pelo sistema),
órgão (estrutura) receptor (capta a variação do estímulo), vias aferentes (vias neuronais que levam a
informação captada para o sistema nervoso central – SNC), centro integrador (núcleos do SNC
envolvidos com a receptação, interpretação e geração de uma resposta frente ao estímulo captado),
vias eferentes (vias neuronais que levam a informação do SNC para a periferia) e órgãos
efetuadores (que recebem a informação e executam as ações para a resposta ao estímulo).
Figura representativa do barorreflexo arterial, indicando as vias aferentes e eferentes.
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parassimpática para o coração (órgão efetuador) determinam a diminuição da frequência cardíaca
(FC) e a redução da atividade simpática para os vasos sanguíneos (órgão efetuador) acarreta em
vasodilatação e queda da RVP. A queda da FC vai determinar redução do DC que, juntamente com a
queda da RVP, farão com que haja a redução da PA, corrigindo o estímulo. Após o retorno da PA
aos níveis normais, a atividade dos barorreceptores e dos centros integradores retornará ao normal.
Pense, estude e responda:
Pesquise em um dos livros da bibliografia básica (ao final do tópico) o que poderia acontecer com o
funcionamento do Barorreflexo arterial em uma situação de hemorragia.
Dica! Na hemorragia, ocorre redução da PA!
6. Controle humoral da circulação
Os mecanismos humorais de regulação da pressão arterial envolvem a atuação de hormônios
liberados em circunstâncias específicas e que exercem ação sobre o sistema cardiovascular, fazendo
com que a pressão arterial aumente ou diminua, de forma direta ou indireta. Como o processo
compreende a captação de estímulos, síntese e liberação de hormônios e a atuação dos mesmos em
diversas partes do corpo, os efeitos dos sistemas humorais de controle da pressão arterial são
percebidos de forma mais lenta que aqueles determinados pelos reflexos cardiovasculares. Dentre
esses sistemas, são exemplos:
O Sistema Renina Angiotensina Aldosterona (SRAA);
O Sistema dos Peptídeos Natriuréticos Atriais (PNA);
O Sistema que envolve o hormônio antidiurético (ADH).
 
O mais estudado e, certamente, mais relevante sistema humoral de controle da pressão arterial é o
SRAA. Esse sistema é relevante não somente para o controle da pressão arterial, mas também está
envolvido na patogênese de diversas doenças cardiovasculares, como hipertensão e insuficiência
cardíaca, sendo alvo de diversos medicamentos para o tratamento dessas doenças.
Sistema renina angiotensina aldosterona (SRAA)
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O SRAA regula a pressão arterial, principalmente por meio da regulação do volume sanguíneo e da
RVP. Para compreender seu funcionamento, vamos observar o que ocorre com esse sistema frente a
uma redução de pressão arterial.
No sistema renal, mais exatamente nas arteríolas aferentes e nos túbulos contorcidos distais, está
situado o Aparelho Justaglomerular. Esse aparelho é formado por células diferenciadas nas
arteríolas aferentes (células justaglomerulares – CJG) e nos túbulos contorcidos distais (células da
mácula densa – CMD). As CJG são sensíveis principalmente às variações de pressão arterial,
enquanto as CMD respondem, em especial, a alterações dos níveis de Na e K .
Portanto, quando ocorre a queda da PA, os mecanorreceptores situados nas CJG captam esse
estímulo, fazendo com que ocorre a transformação da pró-reina em renina, que é liberada na
circulação. A renina é uma enzima que possui ação catalítica sobre um peptídeo circulante chamado
de angiotensinogênio (ANGO). O ANGO é sintetizado no fígado e lançado na corrente sanguínea. A
secreção de renina também é aumentada por outros fatores, como o aumento da atividade do
sistema nervoso simpático, aumento de catecolaminas circulantes e prostaglandinas.
Quando a renina atua sobre o ANGO, esse peptídeo é clivado, formando a Angiotensina I (ANGI –
um decapeptídeo, com pouca atividade fisiológica). A ANGI nos vasos sanguíneos renais e, em
especial, nos vasos sanguíneos dos pulmões, sofre ação de outra enzima, a enzima conversora de
angiotensina (ECA), sendo clivada e formando a angiotensina II (ANGII – um octapeptídeo), que é
a principal estrutura ativa do SRAA.
A ANGII exerce uma série de ações biológicas, na maioria das vezes, mediada pela ação sobre o
receptor de ANGII (subtipo AT1), que estão sumariadas a seguir:
Promovem contração do músculo liso vascular, resultando em vasoconstrição e aumento da
RVP;
Estimulam a glândula suprarrenal a produzir o hormônio aldosterona. A aldosterona, por sua
vez, atua na parte final do néfron, nos rins, e aumenta a reabsorção de sódio e água. Esse
aumento determina elevação da volemia (volume de líquido circulante), resultando em
aumento do DC;
A ANGII, por diversos mecanismos, também promove aumento da atividade simpática que, por
sua vez, também determina aumento de DC e RVP.
Como resultado dessas ações, a PA é corrigida, sendo elevada para níveis normais. Para contribuir
com o encerramento da atividade desse sistema, uma vez corrigido o estímulo, ANGII faz feedback
negativo no Aparelho Justaglomerular, inibindo a liberação de renina. Outros fatores também
podem contribuir para a redução da liberação de renina, como o aumento dos níveis do ADH e a
reabsorção aumentada de Na e K por meio da mácula densa.
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Visão simplificada dos efeitos do sistema renina angiotensina aldosterona.
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22/09/2023, 07:29 Fisiologia Cardiovascular (Parte 3)
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7. Conclusão
Chegamos ao fim de mais um módulo da disciplina de fisiologia. Esperamos que ao fim dessa
unidade você possa ter aproveitado e aprendido um pouco mais sobre como o organismo faz o
controle da pressão arterial e mantém a perfusão dos nossos órgãos.
O módulo pode explicar mais profundamente sobre como o organismo consegue manter o controle
homeostático da pressão arterial, por meio de controles rápidos (neurais) e lentos (humorais), além
de nos aprofundarmos na biofísica da circulação.
8. Referências
CONSTANZO, LINDA S. Fisiologia. 2ª Edição, Elsevier editora, 2004.
GUYTON, ARTHUR C., HALL, JOHN E. Guyton&Hall: Tratado de Fisiologia Médica, 13ª
Edição, Elsevier editora, 2017.
YouTube. CrashCourse. Blood Vessels, Part 1 - Form and Function: Crash Course A&P
#27. Disponível em: .

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