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UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI – URCA 
LICENCIATURA EM MATEMÁTICA 
 
 
FRANCISCO ROBSON DE BRITO GONÇALVES 
 
 
TRABALHO PARA 1ª AVALIAÇÃO 
 
 
 
 
DISCIPLINA: 
LIBRAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
Juazeiro do Norte 
2019 
 
Sumário 
 
 
APRESENTAÇÃO ............................................................................................ 3 
 
1. Em que consiste a Lei 10.436 e o Decreto 5.626? .................................. 4 
 
2. Explique as terminologias: .......................................................................... 6 
a) Surdo Mudo ............................................................................................. 6 
b) Surdo ...................................................................................................... 7 
c) Deficiente Auditivo ................................................................................... 8 
d) Pessoa com Deficiência .......................................................................... 9 
e) Pessoa “portadora” de Deficiência ........................................................ 10 
 
3. Fale sobre LIBRAS: .................................................................................. 12 
a) É uma língua natural ou artificial? ......................................................... 12 
b) Possui variações linguísticas? ............................................................... 13 
c) É o Alfabeto manual? ............................................................................ 14 
 
4. Fale sobre o surdo: ................................................................................... 16 
a) Possui uma Cultura Própria? ................................................................. 16 
b) Todos os surdos fazem leitura labial? ................................................... 18 
c) A surdez compromete o desenvolvimento cognitivo linguístico do 
indivíduo? .................................................................................................... 18 
 
5. Fale sobre a importância da Libras para o surdo e a sociedade? ............. 20 
 
Considerações Finais ...................................................................................... 22 
 
Referências Bibliográficas ............................................................................... 23 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
APRESENTAÇÃO 
 
 
O presente trabalho visa responder aos questionamentos elaborados 
em cinco itens, procurando abordar de forma justificada e com coerência o 
conteúdo de LIBRAS através de uma pesquisa bibliográfica abrangendo todo o 
seu contexto histórico, na qual envolve a comunidade surda, assim 
denominada. 
No primeiro item irá tratar sobre as implicações em relação à legislação 
que é regulamentada pela Lei 10.436 e pelo Decreto 5.626, as quais são 
direcionadas para a comunidade surda. 
Na sequência, no item dois serão abordadas as terminologias que 
tratam sobre esse tema com a finalidade de esclarecer tais diferenças e, ao 
mesmo tempo, trazer à tona uma reflexão acerca da importância etimológica 
que se aplica ao significado das palavras com o passar dos tempos. 
Em seguida, o item três aprofundará sobre o estudo de LIBRAS 
partindo de alguns pressupostos: É uma língua natural ou artificial? Possui 
variações linguísticas? É um alfabeto manual? 
Já no item quatro, englobará de forma mais específica sobre os Surdos 
e por fim, no item cinco será argumentado através de um ponto de vista 
pessoal e analítico em relação à importância da LIBRAS para a sociedade, 
especialmente os surdos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
1. Em que consiste a Lei 10.436 e o Decreto 5.626? 
Explique: 
 
 
"Sem voz, nossas mãos vencem o silêncio e fazem a 
comunicação.” 
 (autor desconhecido) 
 
 
A princípio, a Lei de Libras 10.436 de 2002 dispõe sobre a Língua 
Brasileira de Sinais - LIBRAS, e junto com o Decreto de nº 5.626 de 2005 são 
dois documentos fundamentais que foram formulados para garantir os direitos 
das pessoas surdas, especialmente na área da educação. Tais documentos 
compreendem um conjunto de ações que foram proporcionadas pela 
comunidade surda por todo o país na luta pela efetivação dos dispositivos 
propostos e pela garantia dos direitos, onde decorreram de ações que 
impactaram, e continuam influenciando, as comunidades surdas de forma geral 
em todo o território brasileiro. 
Nesse contexto, a Lei 10.436 consiste na ideia de que o surdo precisa 
ser incluído na educação, pois já no primeiro artigo reconhece a Libras como 
meio oficial de comunicação onde dispõe o seguinte: “É reconhecida como 
meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e 
outros recursos de expressão a ela associados”. E, acrescenta no parágrafo 
único: 
 
“Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de 
comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza 
visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um 
sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de 
comunidades de pessoas surdas do Brasil” (Lei nº 10.436, de 24 abril 
de 2002). 
 
É notório que a Lei 10.436 ao reconhecer a LIBRAS - Língua Brasileira 
de Sinais traz consequências positivas para a comunidade surda, o qual 
passou a abranger mais direitos após a sua regulamentação através do 
Decreto nº 5.626 da Lei de Libras no dia 22 de dezembro de 2005 que trata da 
formação de profissionais para atuar na educação de pessoas surdas. 
 
5 
 
Em consequência, o referido Decreto trouxe a definição de surdez e a 
diferença entre deficiência auditiva bem como a obrigatoriedade da inclusão de 
Libras como disciplina curricular a ser oferecida nos cursos de formação de 
professores para o exercício do magistério em todos os níveis de ensino nas 
instituições públicas e privadas, abrangendo toda a federação, Estados, Distrito 
Federal e Municípios. Assim, o Decreto possibilitou condições de formação de 
docentes e instrutores especificamente nessa área, entretanto, deve-se levar 
em consideração que este documento é flexível no tocante aos cursos de 
Graduação e profissionalização em outras áreas, pois apenas orienta a 
inserção da Libras como disciplina optativa. 
Em síntese, a legislação vigente através da Lei 10.436 estabelece a 
Libras como língua materna dos surdos e o Decreto 5.626 garante inserção de 
pessoas surdas na educação, com as devidas adequações necessárias, onde 
objetiva promover a existência de uma comunidade firme e bem estabelecida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
2. Explique as terminologias: 
 
 
“Somos notavelmente ignorantes a respeito da 
surdez.” 
(SACKS, 1998) 
 
 
a) Surdo Mudo 
 
A terminologia em questão é provavelmente a mais antiga e incorreta 
denominação atribuída aos surdos, pois é um termo bastante controverso, 
onde infelizmente ainda é utilizada e divulgada nos meios de comunicação 
oriundos de um estigma social que o surdo suscita ao não usar a comunicação 
oral. No entanto, há uma empregabilidade errada do termo surdo mudo, na 
qual deveria ser utilizado para se referir as pessoas que têm algum 
impedimento orgânico no aparelho fonoarticulatório. 
Não necessariamente, o fato de uma pessoa ser surda não quer dizer 
que também seja muda, pois a mudez é outro tipo de deficiência, totalmente 
desagregada da surdez, sendo até minorias os surdos que possuem mudez. 
Uma coisa não tem haver com outra, pois o surdo só será mudo se, e somente 
se, for diagnosticada clinicamente deficiência na sua oralização, ou seja, algo 
que o impeça de emitir sons. 
 
“(...) as comunidades de surdos de todo o mundo passaram a ser 
comunidades culturais (...) "falantes" de uma língua própria. Assim, 
mesmo quando não vocaliza, um surdo pode perfeitamente "falar" em 
sua Língua de Sinais, não cabendo a denominaçãoSURDOMUDO. 
Por outro lado, a mudez é um tipo de patologia causado por questões 
ligadas às cordas vocais, à língua, à laringe ou ainda em função de 
problemas psicológicos ou neurológicos. A surdez não está 
absolutamente vinculada à mudez (...) Dizer que alguém que fala com 
dificuldades é MUDO é preconceituoso, não acham?” (Strobel e 
Ramos apud Barros e Hora. 2009, p. 19): 
 
Diante disso, o emprego dessa terminologia trata-se de um erro social 
que foi rotulado pelo desconhecimento da própria sociedade e que agrega 
desconforto para a comunidade surda e promove preconceitos sobre os 
mesmos. 
 
7 
 
Conforme afirma Santana: “A discussão sobre o normal e o patológico 
antecede a discussão de surdez como diferença ou deficiência. Definir o que é 
normal ou anormal não diz respeito apenas a questões biológicas, mas 
principalmente, a questões sociais” (SANTANA, 2007, p. 23). 
Deve-se destacar que o uso da expressão Surdo-Mudo é repudiado na 
comunidade surda pelo fato dos surdos entenderem que a LIBRAS é uma 
forma legítima da “fala”, apesar de não ser de forma oral, é a forma de 
comunicação utilizada pelos surdos, ou seja, é sua língua materna. 
 
b) Surdo 
 
De forma geral trata-se da pessoa que não escuta. Em meio à 
comunidade surda, na busca pela garantia dos seus direitos de cidadania e 
linguísticos respeitados, costumam fazer uma distinção entre “ser Surdo” e ser 
“deficiente auditivo”, pois a palavra “deficiente” estigmatiza a pessoa porque a 
caracteriza pelo que ela não tem em relação às outras pessoas e não pelo o 
que ela pode ter de diferente. 
Entretanto, a limitação auditiva compreende a identificação das 
diferenças individuais, nos quais os aspectos médico e social ampliam-se numa 
perspectiva sociocultural. Para melhor compreender esse contexto que 
envolve a terminologia da expressão “Surdo”, segue a empregabilidade da 
palavra utilizada por alguns autores: 
Para Dorziat (2004), o termo ”surdo” torna-se mais adequada para 
identificação dos processos culturais da surdez devendo ser aceito como o 
mais apropriado, pois representa uma tentativa de minimizar o processo de 
estigmatização dessas pessoas, favorecendo assim a identificação do surdo 
como diferença. 
Já Capovilla (2001, p. 1520) adota a expressão “surdo” para designar a 
pessoa portadora de deficiência auditiva, enquanto o termo “Surdo” é utilizado 
para representar um grupo de indivíduos pertencentes à comunidade surda, 
que se identifica com seus valores e se distingue pelo uso da Língua de Sinais. 
Perceba que Capovilla diferencia a palavra “surdo” (começando com 
letra minúscula) e “Surdo” (começando com letra maiúscula) e a grafia que 
 
8 
 
mais convém ao consenso de toda a comunidade surda é a que inicia com letra 
maiúscula, pois compreende as pessoas que apresentam impossibilidade de 
acesso natural à língua oral, diferenciando de uma minoria com especificidades 
e características linguísticas, onde não se privilegia a deficiência que acomete 
o surdo, mas, sim, a condição de diferença social a que o Surdo está 
submetido. Nesse aspecto, “surdo” se refere a sua condição sensorial e 
“Surdo” privilegia a sua condição em primeiro plano. 
Moura (2000, p.72) defende o seguinte: 
 
Quando uso “Surdo”, refiro-me ao indivíduo que, tendo uma perda 
auditiva, não está sendo caracterizado pela sua “deficiência”, mas 
pela sua condição de pertencer a um grupo minoritário com direito a 
uma cultura própria e a ser respeitado na sua diferença. 
 
Nesse sentido a ideia que acomete a terminologia Surdo é saber que 
podem falar com as mãos e podem aprender uma língua oral auditiva, fazendo 
de suas mãos e visão uma percepção de mundo diferente e não 
necessariamente deficientes. 
 
c) Deficiente Auditivo 
 
É o termo técnico utilizado na área da saúde para referir a uma perda 
sensorial auditiva, conforme a definição concebida pela própria Organização 
Mundial de Saúde (OMS) que diz: deficiente auditivo é aquele que tem perda 
parcial da audição, ou seja, escuta o mínimo de ruído possível. 
Ao contrário do que muitas pessoas pensam esse termo não 
caracteriza o grupo cultural dos Surdos, embora o mesmo seja bastante 
controverso. 
Barros e Hora (2009, p. 18) afirmam que: 
 
A terminologia ‘deficiente auditivo’ tem sido rejeitada pelos surdos/as 
por ser fruto de representações construídas pela medicina, a qual 
considera que aqueles são doentes e/ou deficientes e, categoriza-os 
de acordo com o grau da surdez, entre leve, moderado, severo ou 
profundo. 
 
 
9 
 
Entretanto, em contrapartida existem Surdos que não se incomodam 
com essa denominação como abordam em seus estudos as autoras Barros e 
Hora (2009, p. 18): 
 
Porém, ressaltamos que, contraditoriamente, há pessoas surdas que 
assumem os termos “deficiente auditivo”, “D.A.” e “pessoa com 
deficiência auditiva” consciente ou inconscientemente, outras os 
utilizam apenas em determinados espaços sociais para poder usufruir 
direitos que lhes são garantidos pela legislação e políticas sociais. 
 
Geralmente essa terminologia é empregada por uma sociedade 
estigmatizada, a qual costuma tratar o surdo como se fosse um incapaz. No 
entanto, por se tratar de uma perda sensorial, isso não implica que pessoas 
com problemas de audição não possuam potencialidade igual a de qualquer 
ouvinte, pelo contrário, para os Surdos a língua de sinais é de igual importância 
comparada a qualquer outra língua, pois possibilita a uma comunicação 
adequada com liberdade e segurança. 
Como a deficiência auditiva pode variar de indivíduos, podendo não 
ouvir apenas os sons mais fracos ou de maneira alguma não ouvir nada, ou 
seja, possuindo surdez leve até a profunda é comum no vocabulário médico e 
no meio científico enquadrar o surdo na categoria “Deficiência”. 
 Por sua vez, a deficiência auditiva é considerada um déficit adquirido 
causado por lesões ou doenças, que resultaram na perda auditiva. Nesses 
casos, a pessoa ao adquirir esta deficiência terá de aprender a se comunicar 
de outra forma, ou em outros casos, podem recorrer ao uso de aparelhos 
auditivos ou a intervenções cirúrgicas para minimizar ou corrigir o problema 
auditivo. 
 
d) Pessoa com Deficiência 
 
A definição da expressão “Pessoa com Deficiência” é fornecida pela Lei 
nº 13.146, de 6 de julho de 2015, conhecida como Estatuto da Pessoa com 
Deficiência, que diz: 
 
Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento 
de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o 
qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua 
 
10 
 
participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições 
com as demais pessoas. 
 
Em relação ao emprego dessa terminologia que trata a pessoa com 
deficiência observa-se que, historicamente, essas pessoas são vítimas de 
estereótipos e discriminações através de uma visão preconceituosa por parte 
da sociedade por desviarem-se do padrão de normalidade. 
O termo pessoa com deficiência é defendido pela CORDE - 
Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, 
órgão vinculado à Presidência da República, que busca o reconhecimento em 
primeiro lugar como pessoa, procurando extinguir esse e outros termos 
preconceituosos. 
Ao se referir o Surdo a uma condição de pessoa com deficiência ou de 
alguma variedade terminológica revela as crenças embutidas no imaginário 
coletivo que refletirá na construção de uma visão distorcida acerca dos saberes 
sobre esses indivíduos. 
 
e) Pessoa “portadora” de Deficiência 
 
Em razão de sua contextualização histórica, foi em meados da década 
de 80 para 90 que surgiu a expressão “pessoas portadoras de deficiência”, 
termo utilizado apenas por países de língua portuguesa, com o intuito de 
substituir a expressão “pessoas deficientes”. 
Em consequência “portar uma deficiência” passou a ser um valor 
agregado à pessoa e a deficiênciapassou a ser vista como um detalhe do 
sujeito. 
A tendência é que esse termo “portadora” seja substituído, seja na fala 
ou na escrita, em virtude de que a deficiência é uma condição que faz parte da 
pessoa e esta pessoa não porta sua deficiência. O fato é que a expressão 
“portadora” não se aplica a uma condição inata ou adquirida, pois não se 
escolhe portar tal deficiência, mas sim uma condição daquele sujeito. Sob essa 
ótica, uma pessoa pode portar sua carteira de identificação, mas não porta sua 
condição de ser surdo. 
Ampliando essa discussão para a comunidade Surda, de acordo com o 
Decreto nº 3.298 de 20 de dezembro de 1999 no seu Art.4º é considerada 
 
11 
 
pessoa portadora de deficiência aquela que se enquadrar em uma das 
seguintes categorias: 
A) De 25 a 40 Decibéis – Surdez Leve; 
B) De 41 a 55 Decibéis - Surdez Moderada; 
C) De 56 a 70 Decibéis - Surdez Acentuada; 
D) De 71 a 90 Decibéis - Surdez Severa; 
E) De Acima de 91 Decibéis - Surdez Profunda; 
F) Anacusia. 
 
Há um amparo no Art. 3º da LEI nº 10.436, de 24 de abril de 2002, 
onde as instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos 
de assistência à saúde devem garantir atendimento e tratamento adequado aos 
portadores de deficiência auditiva, de acordo com as normas legais em vigor, 
embora, não seja um termo mais apropriado para que sejam vinculadas as 
pessoas Surdas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
3. Fale sobre LIBRAS: 
 
 
Quando eu aceito a língua de outra pessoa, eu aceito 
a pessoa. Quando eu rejeito a língua, eu rejeito a 
pessoa porque a língua é parte de nós mesmos. 
Quando eu aceito a língua de sinais, eu aceito o 
surdo, e é importante ter sempre em mente que o 
surdo tem o direito de ser surdo. Nós não devemos 
mudá-los, devemos ensiná-los, ajudá-los, mas temos 
que permitir-lhes ser surdo. (BASILIER, 1974) 
 
a) É uma língua natural ou artificial? 
 
Libras é a sigla da Língua Brasileira de Sinais e trata-se de uma língua 
natural de comunicação e expressão da comunidade surda brasileira e que a 
língua portuguesa, constitui segunda língua deles, sendo esta ofertada na 
modalidade escrita (BRASIL, 2002). 
Por sua vez, o bilinguismo como proposta educacional, enxerga a 
língua de sinais como natural às crianças surdas e fundamental para a 
aprendizagem de uma segunda língua. Para Quadros (1997, p.47) “tais línguas 
são naturais internamente e externamente, pois refletem a capacidade 
psicobiológica humana para a linguagem e porque surgiram da mesma forma 
que as línguas orais”. 
O conceito de língua é mais restrito, porém em relação à linguagem é 
um sistema de comunicação natural ou artificial, segundo a afirmação da 
autora: 
 
É um sistema de comunicação natural ou artificial, humana ou não, 
ressalta que pode se referir a qualquer meio de comunicação, como a 
linguagem corporal, expressões faciais, a maneira de nos vestirmos, 
as reações de nosso organismo (tanto aos estímulos do meio, como 
de nosso pensamento ou mesmo, dos aspectos fisiológicos) 
(FERNANDES, 2003, p. 16). 
 
Na sua trajetória histórica, o surdo sempre foi visto por uma perspectiva 
clínica que o definia como um sujeito defeituoso e que necessitava ser 
recomposto por intermédio de técnicas fonoaudiológicas que pudessem 
“consertar” esse sujeito e desenvolver nele a fala oral a fim de adquirir 
linguagem (SKLIAR, 2015). 
 
13 
 
Existem muitos estudos na área da Neurolinguística que constataram 
que a língua de sinais é uma língua natural e que ela se estrutura da mesma 
maneira que as línguas orais o fazem no cérebro (RODRIGUES et al, 2013), 
porém, mesmo assim, nos dias atuais é comum por profissionais da área da 
saúde e da educação perpetuarem essa perspectiva clinica na qual considera o 
surdo como alguém que precisa de intervenções médicas e educacionais para 
ouvintizá-lo1. 
Essa é uma concepção equivocada por parte desses profissionais por 
não considerarem a língua de sinais como uma língua natural resultando 
assim, em altos índices de desistência escolar por parte dos Surdos. 
 
b) Possui variações linguísticas? 
 
Assim como há variações linguísticas em todas as línguas, em Libras 
não é diferente. As variações linguísticas que ocorrem em Libras acontecem de 
forma natural, durante a comunicação entre seus usuários quando entram em 
contato com outras formas de sinalização, fazendo com que o repertório de 
sinais fique mais diversificado. 
Essa variação linguística em Libras sofre influência por vários fatores 
tornando-a um assunto bastante complexo, na qual apresenta diversas 
questões que devem ser levadas em consideração. Um exemplo disso é o fato 
de a Libras estar presente em um país, onde em sua totalidade as pessoas 
usam a língua portuguesa fazendo com que haja uma interferência em suas 
produções por parte do sujeito Surdo quando em contato com a língua 
portuguesa. 
Atribui-se também a essa variedade linguística os diferentes sinais 
habitualmente usados por uma determinada região, porém em sua forma 
possui o mesmo significado, o que denota uma maior riqueza na língua e 
permite o compartilhamento de experiências e conceitos a partir de pontos de 
vistas diferentes. 
 
1 Ouvintizar é uma metáfora empregada para designar a visão de normalidade partida dos 
parâmetros ouvintes, ou seja, numa tentativa de fazer os surdos ouvir e falar pelos padrões das 
línguas orais (SKLIAR, 2015). 
 
14 
 
Dessa forma o uso difere na dimensão individual e coletiva, pois essas 
mudanças são influenciadas por variações observáveis em uma língua viva 
através da classe social envolvida, a faixa etária dos usuários e o contexto 
social de uso da língua a qual esta se submete. 
As variações linguísticas devem existir em meio ao processo de 
comunicação, pois muitas são as maneiras e as formas de dizer a mesma 
coisa de modo que sejam explorados todos os usos diferenciados e eficazes 
dos recursos que o idioma proporciona. 
Entretanto, deve-se desmistificar a prática distorcida de apresentar a 
variação como produto dos menos escolarizados e das zonas rurais, como se 
também não houvesse variação (e mudança) linguística no meio urbano, 
socialmente nos mais prestigiados e escolarizados, inclusive nos gêneros 
escritos mais monitorados (BAGNO, 2013, p. 16). 
Vale salientar que, além disso, dentro de um mesmo país há as 
variações regionais, variações sociais e mudanças históricas. Dessa forma, a 
LIBRAS apresenta dialetos regionais, salientando assim, uma vez mais, o seu 
caráter de língua natural e sua variedade linguística. 
 
c) É o Alfabeto manual? 
 
É bastante comum pela própria ingenuidade e pelo desconhecimento 
das pessoas, muitos conceberem concepções inadequadas em relação às 
Línguas de Sinais. Afirmar que a Libras se reduz a um alfabeto manual, se trata 
de mais um mito em relação a esta língua (REILY, 2008). 
Na tentativa de desmistificar a concepção inadequadas de tais mitos 
em relação às línguas de sinais, Quadros e Karnopp (2004, p. 31) apresentam 
pesquisas realizadas em vários países. Um desses está relacionado à crença 
de que “a língua de sinais seria uma mistura de pantomima e gesticulação 
concreta, incapaz de expressar conceitos abstratos” (p. 31). 
Em suma, o uso do alfabeto manual, também chamado de alfabeto 
datilológico é uma caracterização do português sinalizado, que propõe marcas 
aditivas à linguagem sinalizada nativa, constituindo uma gramática que mais se 
assemelha à do português. Assim, a datilologia é usada para expressar nome 
 
15 
 
de pessoas, de localidades e outras palavras que não possuem um sinal 
próprio. 
A gênese do alfabeto manual se deu pela necessidade de poder 
representar as letras de forma visual e era usado, principalmente para ensinar 
pessoas surdas a ler e escrever, onde o uso do alfabeto manual na Libras écaracterizado como um Empréstimo Linguístico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
 
4. Fale sobre o surdo: 
 
 
O olhar para o surdo muito mais do que um sentido é 
uma possibilidade de SER outra coisa e de ocupar 
outra posição na rede social. O olhar entendido como 
um marcador surdo é o que permite o contemplar-se, 
é o que permite ler um modo de vida de diferentes 
formas, é o que permite o cuidado de uns sobre os 
outros, é o que permite o interesse por coisas 
particulares, é o que permite interpretar e ser de outra 
forma depois da experiência surda, enfim, o olhar 
como uma marca, é o que permite a construção de 
uma alteridade surda. (LOPES; VEIGA-NETO, 2006, 
p. 90) 
 
 
a) Possui uma Cultura Própria? 
 
É concebível de que o Surdo é um ser possuidor de uma cultura 
própria pertencentes a um grupo, denominado de Comunidade Surda 
Brasileira, onde de acordo com Strobel (2009), esse pertencimento grupal é o 
mis importante, no qual se dá por meio do uso dinâmico da Língua de Sinais, 
veículo de fundamental importância para a definição de suas identidades. 
A autora ainda complementa que a cultura surda: 
 
É o jeito de o sujeito surdo entender o mundo e de modificá-lo a fim 
de torná-lo acessível e habitável ajustando-os com suas percepções 
visuais, que contribuem para a definição das identidades surdas e 
das almas das comunidades surdas. Isto significa que abrange a 
língua, as ideias, as crenças, os costumes e os hábitos de povo surdo 
(STROBEL, 2009, p.30-31). 
 
Para compreender melhor a respeito do que seja essa cultura própria, 
é preciso partir do seu conceito, e segundo Strobel (2009), com base na 
definição dada por Schiller afirma que: cultura é a estrutura daquilo que é 
chamado de hegemonia, que molda os sujeitos humanos mediante as 
necessidades de uma sociedade politicamente organizadas. 
Na concepção de Perlin (2008, p. 24): 
 
Cultura surda é o jeito do sujeito surdo entender o mundo e de 
modifica-lo a fim de torna-lo acessível e habitável ajustando-os com 
as suas percepções visuais, que contribuem para a definição das 
identidades surdas e das “almas” das comunidades surdas. Isto 
 
17 
 
significa que abrange a língua, as ideias, as crenças, os costumes e 
os hábitos de povo surdo. 
 
Ainda do ponto de vista da autora 
 
[...] As identidades surdas são construídas dentro das representações 
possíveis da cultura surda, elas moldam-se de acordo com ao maior 
ou menor receptividade cultural assumida pelo sujeito. E dentro dessa 
receptividade cultural, também surge aquela que a política ou 
consciência oposicional pela qual o indivíduo representa a si mesmo, 
se defende da homogeneização, dos aspectos que o tornam campo 
menos habitável, da homogeneização, dos aspectos que o tornam 
corpo menos habitável, da sensação de invalidez, de inclusão entre 
os deficientes de menos valia social (PERLIN, 2004, pp. 77-78). 
 
O fato de que os Surdos possuam uma cultura própria, a mesma não 
deve ser encarada como única e independente de outras culturas, uma vez que 
os Surdos estão inseridos socialmente através da interação entre diversas 
culturas tanto com dinâmicas visuais quanto auditivas. 
A divulgação da cultura surda como um povo independente, capaz de 
se comunicar, de aprender, como também ensinar, ocorre de maneira 
sistemática, através de esforços. Além do favorecimento por essa divulgação 
da cultura surda através da Lei 10.436 e o Decreto 5.626, a instituição Feneis - 
Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos tem desenvolvido 
trabalhos na difusão da cultura surda possibilitando aos Surdos lutarem por 
seus direitos. 
Sob uma ótica sócio antropológica, os Surdos possuem 
reconhecimento em virtude de uma cultura organizada de maneira linguística e 
social classificadas em três grupos: Povo Surdo: “o conjunto de sujeitos surdos 
que não habitam no mesmo local, mas que estão ligados por uma origem” 
(STROBEL, 2008, p.29). Cultura Surda, “resultados dos surdos com o meio 
onde vivem, que podem ser representados pelas produções culturais: língua de 
sinais, identidades pedagogia, política” (MACHADO, 2011, p. 19). Sujeito 
surdo: “é um cidadão politizado que usa a língua de sinais como meio de 
comunicação e luta por seus direitos” (STREIECHEN, 2012, p. 111). 
É importante destacar a diversidade e riquezas vivenciadas pela 
comunidade surda, onde são inerentes ao saber da cultura surda a exemplo de 
piadas, poesias e outras produções artísticas e culturais agregando a muitas 
peculiaridades desse povo. 
 
18 
 
b) Todos os surdos fazem leitura labial? 
 
É imprescindível saber de que nem todos os surdos fazem leitura 
labial2 assim como nem todos utilizam a língua de sinais ao se comunicarem, 
ou seja, cada um tem suas especificidades. 
Contudo, muitas vezes o Surdo é conduzido à aprendizagem da leitura 
labial e da fala, a fim de desenvolver relações comunicativas na sociedade por 
mais um entrave com o mundo ouvinte. 
Esses impasses na grande maioria das vezes são gerados pela 
tradição oralista como descreve Machado: 
 
Um olhar atento ao que acontece na maioria das escolas regulares 
quando se observa o trabalho com o aluno surdo, numa primeira 
impressão, revela a adesão, por parte da instituição, à filosofia 
oralista, sem questionar se existem outras possibilidades para a 
educação de surdos. Parece haver um consenso mudo, por exemplo, 
sobre o fato de que, se todos falam, esse estudante deve também 
falar (MACHADO, 2008, p. 24). 
 
c) A surdez compromete o desenvolvimento cognitivo linguístico 
do indivíduo? 
 
As pesquisas e os estudos acerca da surdez revela que os Surdos não 
apresentam impedimentos cognitivos por não desenvolverem a língua oral. 
Nesse processo de desenvolvimento linguístico os cognitivistas 
acreditam que faz parte do desenvolvimento cognitivo (CARVALHO; VITTO, 
2008), contudo, em relação às discussões sobre o funcionamento cognitivo na 
surdez, Santana (2007), preconiza apenas aos aspectos biológicos. A autora 
discorre que, “a organização cognitiva particular está também relacionada à 
percepção do mundo e à construção da significação” (SANTANA, 2007, p. 15). 
Considera-se então que a acessibilidade a Libras seja primordial nesse 
processo construtivo da pessoa surda em vários aspectos, entre eles: 
cognitivos, linguísticos e sociais, pois segundo Vygotsky (1998) o ingresso do 
indivíduo na sociedade se dá por meio da linguagem. Sendo assim, a 
 
2 “Leitura labial” refere-se ao ato de ler os movimentos dos lábios durante a fala oral 
(QUADROS, 1997). 
 
 
19 
 
linguagem abrange um conceito mais amplo, pois não se limita apenas a 
função comunicativa, na qual esta tem um papel atuante na influência do 
desenvolvimento cognitivo. 
Na cultura surda, de acordo com os estudos de Lacerda (2006), o 
desenvolvimento cognitivo linguístico verificado também no aluno ouvinte é 
possibilitado pela educação bilíngue, pois a promoção da Língua de Sinais e a 
Língua Portuguesa na modalidade escrita são extremamente fundamentais ao 
seu desenvolvimento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
 
5. Fale sobre a importância da Libras para o surdo e a 
sociedade? 
 
 
“Para os surdos, o ouvinte é o outro” 
Gladis Perlin 
 
 
A difusão da Libras para a comunidade surda é mais do que uma 
função comunicativa. Na verdade se trata de uma identidade própria que 
permite a luta para a integração dos Surdos de forma inclusiva na sociedade. 
Como diz SÁ (2002): “suas formas de agir, de pensar, de comunicar, de sentir, 
de dizer, têm sido negadas ao longo da história. Impôs-se a eles um modelo 
que jamais poderiam alcançar: o padrão de ter que ser o que não são” (p. 355). 
A surdez em si não é o que mais angustia as pessoas Surdas, mas sim 
os obstáculosque esses enfrentam na comunicação. Com isso o 
desconhecimento da Língua de Sinais por parte da sociedade, favorece a 
exclusão da comunidade surda em vários aspectos e perpetuam esses 
estereótipos acerca dos mesmos. 
Daí, vê-se a importância da utilização da Libras como uma forma de 
garantir a preservação da identidade das comunidades surdas, além de 
contribuir para a valorização e reconhecimento da cultura surda que, por tanto 
tempo, foi o alvo da hegemonia da cultura ouvinte (ZANETTE, 2010). 
É sabido que a comunicação através da Libras proporciona uma 
melhor interação e compreensão entre surdos e ouvintes, pois facilita tal 
relação social. Assim, a pessoa surda, através da Língua de Sinais, poderá 
desenvolver integralmente todas as suas possibilidades cognitivas, afetivas e 
emocionais. 
Sobremodo, para a sociedade a utilização da Libras colaboraria para a 
inclusão social dos surdos desprezando qualquer forma de discriminação e 
preconceito com esse grupo, os quais sofreram foram submetidos ao longo da 
história pela ignorância e visão distorcida dos ouvintes que contemplava a 
surdez como uma deficiência, na qual precisava passar por intervenções 
clínicas com intuito de superar o déficit auditivo. 
 
21 
 
Por este motivo, é imprescindível que todos façam esforços na 
aceitação aos anseios e necessidades que a Língua de Sinais possui junto a 
sociedade, a fim de que o Surdo possa construir sua identidade e exercer sua 
cidadania 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
Considerações Finais 
 
 
Ao finalizar este questionário, que teve como foco buscar respostas em 
vários acervos bibliográficos, através da fundamentação teórica de diversos 
autores, conclui-se que foi possível ampliar a compreensão a cerca da 
disciplina de Libras. 
Ficou claro que as questões relativas às representações sociais do 
surdo devem ser observadas a partir de um olhar reflexivo, uma vez que está 
em jogo não é apenas uma condição de limitação física, mas os 
comportamentos e pensamentos humanos em relação a este sujeito, o qual 
está submetido às implementações de práticas e de políticas educacionais 
fundamentadas e encadeadas por uma diversidade de condições adversas. 
Dessa forma, pode-se concluir que a utilização da Libras deve ser 
incentivada cada vez mais na sociedade e não apenas como uma ferramenta 
de uso nas instituições escolares, mas por esta, possibilitar ao surdo interagir 
na sociedade, construir sua identidade, colaborar para a melhoria da qualidade 
de vida, além de assegurar os direitos como cidadão e o respeito às diferenças. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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