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Texto sobre a construção epistemológica do conceito de aprendizagem, de inatismo e empirismo ao cognitivismo, com foco em teorias construtivista e socioconstrutivista; traz propósitos, objetivos, princípios epistemológicos e exemplos com polvos, elefantes e golfinhos.

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Aprendizagem
A construção epistemológica do conceito de aprendizagem, desde as escolas inatistas e empiristas até as
cognitivistas, com destaque às teorias construtivista e socioconstrutivista devido à importância de ambas
na Educação e Psicologia da Educação.
Vitor Hugo Loureiro Bruno Costa
1. Itens iniciais
Propósito
A compreensão da complexidade e da natureza da aprendizagem a partir da revolução cognitiva permite
adequar o entendimento, o diagnóstico e a pesquisa desse construto por parte do psicólogo, educador e de
outros profissionais que lidam com o processo de ensino aprendizagem e todas as suas derivações.
Objetivos
Analisar os princípios epistemológicos mais discutidos no estudo da aprendizagem.
Reconhecer as diferentes perspectivas teóricas sobre aprendizagem.
Identificar as principais teorias interacionistas da aprendizagem.
Introdução
A capacidade de aprendizagem do ser humano é incrivelmente diferenciada das demais espécies. Nossa
história filogenética não nos contemplou com a musculatura mais robusta e flexível, nem nos conferiu asas ou
nadadeiras. No entanto, temos um sistema nervoso sofisticado e plástico que nos permite elaborar símbolos,
pensar de maneira abstrata, manipular informações que não precisam estar diante de nós. Também somos
capazes de construir feitos complexos e que permitem que nos adaptemos a praticamente qualquer meio,
como arte, cultura, economia e política. Mesmo que nossa capacidade mental seja enorme, nosso
desenvolvimento seria muito prejudicado se não tivéssemos a capacidade de aprendizado. 
Aprender significa não apenas ampliar nossas possibilidades de sobrevivência no meio, mas também
compartilhar nossos conhecimentos e descobertas com outras pessoas, de dentro ou fora da nossa
comunidade e por diversas gerações. Diante de toda essa complexidade, o tema da aprendizagem humana é
um assunto importante e que movimenta muitos debates entre pensadores desde a Antiguidade até os
tempos atuais. 
Iremos, a partir do presente conteúdo, entender as diferentes abordagens teóricas que tentam compreender a
natureza da aprendizagem humana. 
• 
• 
• 
1. Os princípios epistemológicos 
Principais teorias da aprendizagem
Já parou para pensar quantas coisas fazemos naturalmente no nosso cotidiano? Atividades simples e básicas
como caminhar, segurar um objeto e levar líquido ou alimentos à boca são exemplos de ações que
executamos desde a mais tenra idade. 
Aprendemos desde muito cedo a desempenhar a mais ampla gama de comportamentos. 
Há também conhecimentos que adquirimos de maneira mais organizada e estruturada e que demandam
interações com outras pessoas, por exemplo com nossos familiares e professores. Tais conhecimentos são
importantes não apenas para o desenvolvimento individual de cada um de nós, mas também para o nosso
desenvolvimento social e cultural. 
Evidentemente, a aprendizagem não é uma habilidade exclusiva dos seres humanos, podendo ser observada
em outros animais. Por exemplo, polvos podem aprender a se locomover em um labirinto, utilizando
características espaciais para reconhecer se passaram por determinado trecho anteriormente. 
Elefantes são animais muito inteligentes, capazes de
armazenar informações por muitos anos e de aprenderem
novos e complexos comportamentos, como pintar. Pintam
tão bem quanto uma criança, mas não são capazes de
emitirem esse comportamento por vontade própria ou de
produzirem algo realmente inovador e criativo,
independentemente da idade.
No entanto, o ser humano apresenta uma capacidade maior
e mais complexa de discriminar sequências ordenadas de
estímulos e solucionar problemas abstratos. Os
conhecimentos desenvolvidos pelos indivíduos
humanos permitem que a sua comunidade, e
até mesmo outras, possam obter benefícios
para si e para gerações futuras.
Um exemplo curioso de como animais podem
aprender comportamentos semelhantes aos
seres humanos é o caso dos golfinhos
selvagens que foram observados ensinando
outros golfinhos a utilizarem esponjas como
ferramentas. Essa observação foi feita em
Shark Bay, na Austrália, onde uma subpopulação de golfinhos utiliza esponjas do mar como proteção ao
forragear alimentos em áreas com pedras e corais. 
O comportamento consiste em um golfinho selvagem segurando uma esponja do mar em sua boca enquanto
procura alimentos no fundo do mar. Essa técnica protege o focinho sensível do golfinho de possíveis
ferimentos ao procurar presas em meio a pedras e corais afiados. O que torna esse comportamento ainda
mais fascinante é que não é inato: os golfinhos aprendem a técnica observando e imitando os membros mais
experientes de sua comunidade. 
Esse exemplo destaca a capacidade de aprendizagem dos golfinhos e demonstra como eles podem transmitir
esses conhecimentos dentro de sua própria comunidade, semelhante ao processo de aprendizagem social
observado em seres humanos. É um fascinante exemplo de como os animais podem desenvolver
comportamentos complexos por meio da observação e imitação, adaptando-se ao ambiente de maneiras
surpreendentes. 
A escrita, astronomia, arquitetura, culinária, agricultura são apenas alguns exemplos de ferramentas
complexas e responsáveis pela facilitação da adaptação do homem ao ambiente e que só se tornam viáveis
pela capacidade humana de aprendizagem. Pense como seria o mundo e a vida humana se fosse preciso
redescobrir ou reinventar a maioria das tecnologias que as pessoas utilizam cotidianamente, geração após
geração. É bem provável que a adaptação ao ambiente seria muito mais restrita e desafiadora. A
aprendizagem é um importante processo que permite o desenvolvimento ontogenético e filogenético do ser
humano.
Desenvolvimento ontogenético e filogenético
A filogênese, ou o desenvolvimento filogenético, representa toda a evolução de determinada espécie. Já
a ontogênese representa todas as transformações que um indivíduo experiencia desde a sua concepção
até chegar à vida adulta.
Compreender a natureza da aprendizagem não é simples e tem instigado diversos pensadores ao longo de
toda a história na busca pela definição desse construto. Historicamente, há teorias que defendem que a
aprendizagem é fruto de influências externas, outras defendem que questões internas direcionam o
desenvolvimento do indivíduo. 
Ainda segundo algumas teorias, é a interação entre o indivíduo e o meio social que possibilita a aquisição de
novos conhecimentos. Independentemente da escola, muitos autores concordam que a aprendizagem tem um
papel crucial na sobrevivência e na adaptação do organismo ao meio, proporcionando a aquisição duradoura
de comportamentos e cognições. 
O objetivo deste estudo não é trazer uma única definição sobre aprendizagem, uma vez que essa seria uma
proposta um tanto limitante para um construto tão complexo e importante. Além de apresentar algumas das
teorias que explicam por diferentes vieses como ocorre a aprendizagem dos seres humanos, deseja-se que o
aluno leitor seja capaz de debater acerca das seguintes questões: 
Como a aprendizagem acontece? Qual é a função da aprendizagem?
Essas perguntas precisam acompanhar o seu estudo do tema, de modo que você possa reconhecer, mediante
a formulação de possíveis respostas, as diferentes concepções de aprendizagem observadas em diferentes
autores. 
Aprendizagem: uma jornada de descobertas
Neste vídeo no formato de depoimento, explicaremos, usando exemplos, a importância da aprendizagem nas
diferentes espécies, destacando a complexidade do processo nos seres humanos e sua relevância no
desenvolvimento ontogenético e filogenético.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Atividade 1
Você deve ter compreendido que a aprendizagem pode ser concebida como um processo amplo que envolve
interações e aquisição de conhecimento. Qual das seguintes afirmações está de acordo com uma das ideias
principais discutidas até agora?
A
A aprendizagem é uma habilidade exclusiva dos seres humanos.
B
Elefantes são capazes de produzir pinturas inovadoras e criativas.
C
Aque influenciaram as reflexões da Psicologia ao longo do
século XX, os debates entre os racionalistas e empiristas, e como isso influenciou o desenvolvimento de
escolas como o behaviorismo, o cognitivismo, Psicanálise e o interacionismo. 
Em seguida, foram apresentadas a abordagem construtivista de Piaget e a socioconstrutivista de Vygotsky.
Para Piaget, a aprendizagem é caracterizada por um processo contínuo e ativo de assimilação, acomodação e
equilibração de novas informações sobre o meio. Já para Vygotsky, a aprendizagem só ocorre por meio de
relações sociais, sendo esses indivíduos os mediadores entre o estímulo do ambiente e o organismo. 
Aprendizagem é um construto e, por isso, é importante ser operacionalizada. No entanto, diante de tantas
abordagens sobre o tema, fica claro que a aprendizagem humana é um fenômeno complexo e vasto para se
entender. Se queremos compreender como um ser humano aprende algo, é importante analisarmos seu
comportamento, suas emoções, cognições, sua cultura, seu momento histórico, seu ambiente familiar, sua
estrutura educacional e seus aspectos ontogenéticos. 
Podcast
Neste podcast, o especialista Lincoln Poubel irá comparar as teorias de aprendizagem de Piaget e
Vygotsky, apresentando suas diferenças e semelhanças, assim como as suas implicações práticas.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore +
Pesquise o vídeo de Yves de La Taille sobre a obra de Jean Piaget intitulado: Jean Piaget por Yves de La Taille
e aprofunde seu conhecimento sobre o tema de forma muito didática e acessível.
 
Busque também pelo vídeo da palestra Plasticidade Emocional, no qual a psicopedagoga Adriana Fóz discorre
sobre novos rumos da neurociência da educação e resiliência emocional.
Referências
BANDURA, A., AZZI, R. G., POLYDORO, S. A. Teoria social cognitiva: conceitos básicos. Porto Alegre: Artmed,
2009.
 
MOREIRA, M. A. O que é afinal aprendizagem significativa? Qurriculum, 2012. Consultado na internet em: 28
set. 2021.
 
NETTO, A. P.; COSTA, O. S. A importância da psicologia da aprendizagem e suas teorias para o campo do
ensino-aprendizagem. Revista Fragmentos de Cultura-Revista Interdisciplinar de Ciências Humanas, v. 27, n. 2,
p. 216-224, 2017. Consultado na internet em: 28 set. 2021.
 
MARKIE, P. Rationalism vs. Empiricism. The Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2004. Publicado em: 19 ag.
2004. Consultado na internet em: 17 de jul. de 2021.
 
OLIVEIRA, M. K. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento-um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione.
1993.
 
SILVA, J. P. M. Psicologia da aprendizagem. Santa Maria: Núcleo de Tecnologia Educacional, 2017.
 
DE SOUZA FILHO, M. L. Relações entre aprendizagem e desenvolvimento em Piaget e em Vygotsky: dicotomia
ou compatibilidade? Revista Diálogo Educacional, v. 8, n. 23, p. 265-275, 2008. Consultado na internet em: 28
set. 2021.
 
WADSWORTH, B. J.; ROVAI, E.; MALUF, M. R. Inteligência e afetividade da criança na teoria de Piaget. São
Paulo: Pioneira, 1992.
	Aprendizagem
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Os princípios epistemológicos
	Principais teorias da aprendizagem
	Como a aprendizagem acontece?
	Qual é a função da aprendizagem?
	Aprendizagem: uma jornada de descobertas
	Conteúdo interativo
	Atividade 1
	Algumas concepções da aprendizagem
	Empirismo
	Racionalismo ou inatismo
	Explorando as teorias da aprendizagem
	Conteúdo interativo
	Atividade 2
	Verificando o aprendizado
	2. Algumas perspectivas teóricas sobre a aprendizagem
	Behaviorismo ou comportamentalismo
	Atenção
	Resumindo
	O condicionamento respondente no Behaviorismo
	Conteúdo interativo
	Exemplo
	Nível filogenético
	Nível ontogenético
	Nível cultural
	Exemplo
	Compreendendo o condicionamento operante
	Conteúdo interativo
	Atividade 1
	Teoria cognitiva do processamento da informação
	Saiba mais
	O cognitivismo
	Conteúdo interativo
	Atividade 2
	Teoria da aprendizagem significativa
	Diferenciação progressiva
	Reconciliação integradora
	Saiba mais
	Ausubel e a aprendizagem
	Conteúdo interativo
	Atividade 3
	Teoria Social Cognitiva
	Autossistema
	Autoeficácia
	Atenção
	Retenção
	Produção
	Motivação
	A aprendizagem segundo Bandura
	Conteúdo interativo
	Atividade 4
	Outras teorias de aprendizagem
	Teoria biológica
	Teoria psicanalítica
	Teorias da aprendizagem
	Conteúdo interativo
	Atividade 5
	Verificando o aprendizado
	3. As teorias interacionistas da aprendizagem
	Teoria construtivista
	Esquema
	Assimilação
	Acomodação
	Equilibração
	Os processos de adaptação e organização de Piaget
	Conteúdo interativo
	Atividade 1
	Teoria socioconstrutivista ou sócio-histórica
	Exemplo
	Instrumentos
	Signos
	Desenvolvimento humano e aprendizagem para Vygotsky
	Conteúdo interativo
	Zona de desenvolvimento proximal
	Nível de desenvolvimento real
	Nível de desenvolvimento potencial
	A mediação na psicologia de Vygotsky
	Conteúdo interativo
	Atividade 2
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciasaprendizagem não tem influência no desenvolvimento social e cultural.
D
A escrita, a astronomia e a culinária são exemplos de ferramentas complexas facilitadas pela capacidade de
aprendizagem humana.
E
Polvos são incapazes de aprender comportamentos complexos.
A alternativa D está correta.
Os conhecimentos desenvolvidos pelos seres humanos, como a escrita, a astronomia, a arquitetura, a
culinária e a agricultura, são exemplos de ferramentas complexas que facilitam a adaptação humana ao
ambiente e que só se tornam viáveis pela capacidade humana de aprendizagem.
Algumas concepções da aprendizagem
O estudo da aprendizagem na Psicologia busca compreender como ocorre a aquisição do conhecimento pelo
ser humano e, para tal, é necessário recorrer a autores e referenciais teóricos que contribuam com uma
importante diversidade de conceitos. Existem basicamente três concepções teóricas sobre o processo de
aprendizagem: algumas teorias direcionam seu foco de análise a aspectos internos, outras a aspectos
externos, e há aquelas que compreendem a origem do conhecimento graças à interação direta do sujeito com
o ambiente. 
Inicialmente, é importante discutir duas escolas antagônicas que protagonizaram importantes discussões
sobre o desenvolvimento do conhecimento humano e ainda hoje influenciam pensadores: o empirismo e o
racionalismo ou inatismo. Essas duas vertentes o ajudarão a compreender grande parte das concepções
teóricas atuais acerca da aprendizagem. Vamos entendê-las melhor a seguir: 
Empirismo
O empirismo, que no século XVII teve como principal teórico o filósofo
John Locke (1632-1704), é fundamentado na ideia de que o homem
aprende a partir das experiências que vivencia desde o nascimento até a
morte por intermédio de seu sistema sensorial. Essa concepção pode ser
melhor compreendida pela alusão à “tábula rasa”, na qual o homem
nasceria completamente vazio de saberes e, a partir da interação com o
meio, iria pouco a pouco “preenchendo-se” de experiências. Portanto, o
processo de aquisição do conhecimento se daria a posteriori,
dependendo apenas das experiências sensoriais. Como poderíamos
conceber o mundo sem visão, tato, olfato, paladar e audição?
Autores empiristas dos séculos XVI e XVII, como Jonh Locke, Francis
Bacon (1561-1626), David Hume (1711-1776) e Thomas Hobbes
(1588-1679), preconizaram o que conhecemos como empirismo
moderno. Eles defendiam a ideia de que as percepções sensoriais que
acumulamos sobre o mundo formam os nossos conhecimentos e a
aprendizagem se daria pelas experiências com o meio. Deveria ser o
papel da educação, portanto, conduzir as pessoas às experiências “mais
adequadas”, buscando um objetivo único e correto?
A tese empirista é de que o ser humano não tem uma fonte de
conhecimento em si que não a experiência dos sentidos (MARKIE, 2004).
Racionalismo ou inatismo
Na contramão dessa escola, encontra-se o racionalismo ou inatismo, o
qual afirma que a fonte de todo o conhecimento humano é a razão e que
as experiências sensoriais não são suficientes para desenvolver a
capacidade cognitiva de um indivíduo. Pelo contrário, para os
racionalistas, o saber construído pela experiência é falho e pode conduzir
a pessoa a conclusões erradas. Tal corrente de pensamento defende que
o ser humano já nasce com as características necessárias para defini-lo e
que o conhecimento se dá por relações de dedução e indução. Isso
significa dizer que temos naturalmente a capacidade de, partindo de
premissas amplas e verdadeiras, obtermos uma conclusão particular
(dedução) e de detectar no ambiente premissas específicas para chegar
a conclusões amplas (indução).
O racionalismo moderno contou com pensadores como René Descartes
(1596-1650), Baruch Espinoza (1632-1677) e Gottfried Leibniz
(1646-1716). Esses autores defendiam que o conhecimento se dava a
priori, portanto, mesmo considerando que informações sensoriais
cheguem o tempo todo ao organismo, somente por meio do raciocínio
formal e complexo poderemos conceber novos conhecimentos acerca do
mundo. No contexto da aprendizagem, seguindo essa visão, podemos
nos perguntar: O educador deve simplesmente permitir que o aluno
busque alcançar as respostas às suas perguntas, pela reflexão e pelo
raciocínio lógico? Algumas proposições em uma área específica
conhecemos apenas pela nossa intuição; outras são cognoscíveis por
serem deduzidas de proposições intuídas (MARKIE, 2004).
Vejamos a seguir alguns exemplos que nos permitem entender como o pensamento derivado de raciocínio
lógico nem sempre nos leva a conclusões certas: 
Premissas:
Todas as vezes em que olhei para o céu durante o dia, o Sol estava visível. Hoje olhei para o céu durante o dia.
Raciocínio:
Com base nessas premissas, posso induzir que hoje, durante o dia, o Sol estará visível, já que em todas as
observações anteriores, o Sol estava presente quando olhei para o céu durante o dia. 
Conclusão certa:
Portanto, posso concluir corretamente que o Sol estará visível hoje durante o dia. 
Explicação da conclusão certa:
Nesse caso, o raciocínio indutivo funciona adequadamente porque há uma forte correlação entre o período do
dia e a presença do Sol. As premissas fornecem informações suficientes para fazer uma inferência precisa
sobre o evento esperado.
Exemplo de raciocínio indutivo com conclusão errada:
Premissas:
Todas as vezes em que vi um gato preto, ele estava de pé sobre um muro.
Hoje vi um gato preto. 
Raciocínio:
Com base nessas premissas, posso induzir que hoje, quando vi um gato preto, ele estava de pé sobre um
muro, já que todas as observações anteriores mostraram gatos pretos em tal posição. 
Conclusão errada:
Portanto, posso concluir erroneamente que todos os gatos pretos estão de pé sobre um muro. 
Explicação da conclusão errada:
A conclusão é errônea porque o raciocínio indutivo extrapola uma associação casual específica para uma
generalização excessiva sobre todos os gatos pretos. Para uma conclusão correta, seria necessário
considerar outras variáveis, como o ambiente em que o gato está, seu comportamento típico e outras
observações relevantes. Isso destaca a necessidade de mais informações e análises para que o raciocínio
indutivo funcione adequadamente e evite conclusões equivocadas. 
Os estudos epistemológicos sobre a aprendizagem humana foram marcados por uma nova concepção teórica
chamada de interacionismo. Os dois autores mais proeminentes dessa concepção teórica foram Jean Piaget
(1896-1980) e Lev Vygotsky (1896-1934), os quais, embora nunca tenham se encontrado, chegaram a
conclusões muito compatíveis e que se afastam das escolas epistemológicas mais tradicionais até então. 
Explorando as teorias da aprendizagem
Neste vídeo, veremos as diferentes perspectivas que explicam como os seres humanos adquirem
conhecimento, começando pelo empirismo, passando para o racionalismo, até chegar ao interacionismo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Atividade 2
Qual das seguintes afirmações melhor representa a perspectiva do empirismo sobre a aprendizagem?
A
O conhecimento é construído por meio da interação entre o indivíduo e o ambiente.
B
O conhecimento deriva principalmente da razão e da dedução.
C
As percepções sensoriais são a fonte primária de conhecimento, e a aprendizagem ocorre por meio de
experiências vivenciadas no ambiente.
D
A aprendizagem é uma atividade social, facilitada pela interação com outros indivíduos.
E
A educação deve orientar as pessoas em direção a experiências consideradas mais apropriadas, buscando um
objetivo único e correto.
A alternativa C está correta.
O empirismo enfatiza que o conhecimento humano é moldado pelas percepções sensoriais adquiridas do
mundo e que a aprendizagem ocorre por meio de experiências vivenciadas no ambiente.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Segundo o empirismo, a aprendizagem é entendida como um processo no qual o conhecimento é adquirido
principalmente por meio da experiência sensorial e da interação com o ambiente. Em função do empirismo,
analisea veracidade das seguintes proposições:
 
I. A aprendizagem é principalmente influenciada por fatores genéticos e hereditários.
 
II. A aprendizagem é vista como um processo de descoberta guiado pela interação com o ambiente.
 
III. A aprendizagem é um processo passivo no qual o indivíduo adquire conhecimento por meio da observação
e a estimulação proveniente do meio ambiente.
 
IV. A aprendizagem é entendida como um processo de desenvolvimento inato que ocorre independentemente
da interação com o ambiente.
 
Marque a alternativa correta:
A
Todas estão corretas.
B
Somente a afirmativa I é falsa.
C
Somente a afirmativa II é correta.
D
Somente a afirmativa III é correta.
E
Somente a afirmativa II é falsa.
A alternativa D está correta.
O empirismo enfatiza que a aprendizagem é um processo passivo no qual o indivíduo adquire conhecimento
por meio da experiência sensorial e da interação com o ambiente, muitas vezes observando e imitando
modelos.
Questão 2
Um dos proponentes mais conhecidos do inatismo foi o filósofo empirista-racionalista René Descartes, que
postulou a existência de ideias inatas na mente humana. Na psicologia, a perspectiva inatista influenciou
teóricos como Noam Chomsky, que propôs a existência de uma gramática universal inata que fundamenta a
aquisição da linguagem. Considerando a filosofia inatista, analise a veracidade das seguintes afirmativas:
 
I. A aprendizagem é vista como um processo de descoberta guiado pela interação com o ambiente.
 
II. A aprendizagem é um processo passivo no qual o indivíduo adquire conhecimento por meio da observação
e imitação de modelos.
 
III. A aprendizagem é entendida como um processo de desenvolvimento inato que ocorre independentemente
da interação com o ambiente.
 
Marque a alternativa correta:
A
Todas estão corretas.
B
Somente a afirmativa I é falsa.
C
Somente a afirmativa II é correta.
D
Somente a afirmativa III é correta.
E
Somente a afirmativa II é falsa.
A alternativa D está correta.
O inatismo postula que a aprendizagem é um processo inato, determinado principalmente por fatores
genéticos e biológicos, e que ocorre independentemente da interação com o ambiente.
2. Algumas perspectivas teóricas sobre a aprendizagem
Behaviorismo ou comportamentalismo
As abordagens psicológicas apresentam maneiras diferentes de interpretar a subjetividade humana e o modo
como adquirimos novas informações e novos comportamentos. A seguir, serão apresentadas algumas teorias
que tiveram bastante proeminência na compreensão do processo de aprendizagem ao longo do século XX. 
O behaviorismo é a abordagem da Psicologia que se utiliza de premissas e métodos de outras ciências
naturais para entender os princípios gerais do comportamento animal. Surgiu nos Estados Unidos no início do
século XX e teve John Watson (1878-1958) como fundador, dando origem a um período reconhecido como
behaviorismo metodológico. Anos depois, outro importante autor, chamado Burrhus F. Skinner (1904-1990),
aprimorou a análise do comportamento contribuindo para a compreensão de comportamentos complexos,
período reconhecido como behaviorismo radical. 
Atenção
É importante salientar que o entendimento dos behavioristas sobre a aprendizagem humana era pautado
no associacionismo, isto é, descendia da concepção empirista da atividade mental. Portanto, para essa
abordagem, a aquisição do conhecimento é desenvolvida pela associação de informações oriundas das
experiências sensoriais do ambiente. 
O behaviorismo metodológico de Watson reavalia os fundamentos mentalistas e defende que a Psicologia seja
considerada uma ciência natural, cujo objeto de estudo seja o comportamento. Isso quer dizer que o
behaviorismo metodológico passa a desconsiderar as reflexões acerca da natureza dos processos internos
para analisar como os comportamentos se originam e se mantêm. 
Watson aprofundou seus estudos sobre o comportamento a
partir das descobertas realizadas pelo fisiologista russo
Ivan Pavlov (1849-1936). Inicialmente, Pavlov estudava o
papel de certas enzimas no processo de digestão de
cachorros. Ele inseria tubos esterilizados nas glândulas
salivares de cães, que salivavam sempre quando lhes era
apresentado algum alimento. Pavlov chamou isso de reflexo.
No entanto, após algum tempo, percebeu que as ampolas
coletoras tinham seus níveis de saliva aumentados antes
mesmo da apresentação do alimento, bastando que os
animais ouvissem os passos do pesquisador ou que a luz do
laboratório fosse acesa. Pavlov percebeu, então, que novos
reflexos podem ser aprendidos caso sejam associados a
reflexos naturais. 
Para Watson, debruçado nos estudos pavlovianos acerca dos comportamentos reflexos, todo animal, incluindo
os seres humanos, nasce com um repertório de comportamentos simples oriundos da história evolutiva de sua
espécie. Esses comportamentos simples são fundamentais para a sobrevivência e adaptação desse
organismo no ambiente. Assim, uma alteração no ambiente, a qual chamamos de estímulo, elicia um
comportamento no organismo, chamado de resposta. Além disso, a partir desses reflexos inatos, todo animal
seria passível de aprender novos comportamentos, inclusive respostas emocionais. 
Resumindo
O behaviorismo metodológico, portanto, defende que o processo de desenvolvimento de novos
comportamentos, aqui chamada de condicionamento respondente, seria a chave para se entender a
aprendizagem humana. 
A série de imagens abaixo explica o processo envolvido no desenvolvimento de um novo comportamento por
meio de condicionamento respondente. 
Pavlov mostrou que um cão poderia aprender a associar um estímulo neutro, como o som de um sino, com
outro estímulo, como comida, que naturalmente desencadeia uma resposta, como salivação. Ele descobriu
que após associar repetidamente o som do sino com a comida, o cão começaria a salivar simplesmente ao
ouvir o sino, mesmo sem comida presente. Isso demonstrou que o cão aprendeu a associar o som do sino com
a comida, mostrando um condicionamento respondente, no qual uma resposta automática é desencadeada
por um estímulo previamente neutro, mas associado a um estímulo natural. 
O condicionamento respondente no Behaviorismo
Neste vídeo, mostraremos diferentes estímulos e respostas na aprendizagem por condicionamento
respondente, fazendo referência ao experimento de Pavlov.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Aumentar a salivação ao visualizar a logo de uma lanchonete, estocar alimentos em casa diante da ameaça de
uma catástrofe, recusar-se a entrar em um automóvel após sobreviver a um acidente grave envolvendo carros,
esses e muitos outros exemplos podem ser explicados pela teoria do comportamento respondente, já que
podem ser derivados de associações entre situações e reflexos. No entanto, apenas pelo viés do
condicionamento respondente é difícil de se explicar comportamentos mais complexos, como pintar uma obra
de arte, falar uma ou mais línguas ou mesmo pensar. Para sanar essa brecha, Skinner propôs a teoria do
reforço e o condicionamento operante. 
Skinner protagonizou o behaviorismo radical, o qual defende que a mente, tal como uma série de
processos internos, não existe senão pela associação de comportamentos. Em outras palavras,
todos os eventos do organismo, internos ou externos, podem ser entendidos como comportamento. 
Diferentemente do comportamento respondente, em que um estímulo (S) elicia uma resposta (R), no
paradigma operante é certo afirmar que um comportamento emitido espontaneamente (resposta) gera uma
consequência no ambiente (estímulo), e essa consequência favorecerá ou não que aquele comportamento se
repita. 
Exemplo
Imagine uma pessoa bem-humorada que está em um ambiente cheio de desconhecidos e começa a
fazer comentários engraçados. Se ninguém rir de seus comentários ou não derem a mínima atenção para
o que a pessoa esteja falando, qual a chance de esse comportamento se repetir? Ao passo que se todos
rirem e acolherem a pessoa, as chances de esse comportamentose manter são bem maiores. 
Para Skinner, o comportamento é influenciado em três níveis: 
Nível filogenético
Diz respeito aos comportamentos oriundos de
uma história de seleção natural da espécie. Por
exemplo, o choro de um bebê com fome tende
a se repetir, pois tem como consequência ser
alimentado.
Nível ontogenético
Está relacionado aos comportamentos
desenvolvidos pela própria relação do
organismo com o ambiente ao longo de sua
história de vida. Um exemplo seria sempre
dormir envolto em um cobertor, uma vez que
isso lhe traz bem-estar e a tendência de esse
comportamento se repetir é grande.
Nível cultural
Diz respeito aos comportamentos
característicos de determinado grupo social e
que são ensinados aos próximos descendentes.
Por exemplo, falar baixo e manter o
distanciamento social são comportamentos
muito comuns e valorizados entre os japoneses.
Os comportamentos operantes seriam explicados, portanto, pelas teorias do reforço e da punição. O reforço é
toda consequência que aumenta a probabilidade de um dado comportamento ocorrer. Os reforços operantes
podem ser de dois tipos: positivo e negativo. 
Já a punição ocorre quando a consequência do comportamento emitido é a apresentação de um estímulo que
reduza a probabilidade de esse comportamento ser repetido. 
A punição positiva ocorre quando um estímulo aversivo é
adicionado, reduzindo a probabilidade de repetição desse
comportamento. Broncas e violência física são exemplos
comuns de punição positiva que alguns pais aplicam em
seus filhos quando querem que determinados
comportamentos não se repitam.
Já a punição negativa é quando se retira um estímulo
reforçador do ambiente para reduzir a frequência de um
comportamento.
 
Aqui, um exemplo prático seria quando os pais
de um adolescente retiram sua mesada até que
ele pare de se envolver em brigas.
Reforço positivo 
Ocorre quando há adição de um estímulo,
resultando no aumento da frequência do
comportamento.
Reforço negativo 
É caracterizado pela retirada de um
estímulo aversivo, resultando no
aumento da frequência do
comportamento.
Segundo a teoria da análise comportamental, um novo comportamento seria integrado ao histórico do
organismo a partir do conceito de modelagem. A modelagem consiste de um processo de reforçamento
diferencial de aproximações sucessivas com objetivo de se aprender um comportamento fim. A partir do
conceito de modelagem, Skinner acreditava que seria possível explicar o desenvolvimento de quaisquer
comportamentos no repertório do indivíduo. 
Exemplo
Um exemplo disso seria a linguagem entendida por Skinner como comportamento verbal: antes de saber
falar, a criança pequena apenas balbucia sons que não têm sentido claro logo de início. Porém, à medida
que os adultos ao redor reforçam positivamente pequenos acertos da criança, os sons mais corretos são
aprendidos por ela e aprimorados a cada repetição até que a palavra correta seja emitida. Um possível
caminho na aprendizagem da palavra “papai” pode ser representado por: (tatá) → (cacá) → (cai cai cai) -
> (papá) → (papai). 
Compreendendo o condicionamento operante
Neste vídeo, explicaremos como as diversas contingências modelam o comportamento, ilustrando com
exemplos.
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Atividade 1
Qual das seguintes opções melhor descreve o condicionamento operante?
A
Associação entre um estímulo neutro e um estímulo natural que desencadeia uma resposta automática.
B
Aprendizagem baseada na observação e imitação de modelos significativos.
C
Modificação do comportamento por meio da associação entre comportamentos e suas consequências.
D
Associação entre um estímulo neutro e um estímulo incondicionado que evoca uma resposta reflexa.
E
Aprendizagem que ocorre quando novos conhecimentos se integram à estrutura cognitiva existente.
A alternativa C está correta.
O condicionamento operante, proposto por Burrhus Skinner, envolve a modificação do comportamento por
meio da associação entre comportamentos voluntários e as consequências que os seguem. Isso significa
que comportamentos que são seguidos por reforços tendem a ser repetidos, enquanto comportamentos
seguidos por punições tendem a ser suprimidos. Essa forma de aprendizagem é fundamental na
compreensão do comportamento humano e animal. As outras opções estão associadas a diferentes tipos
de aprendizagem, como condicionamento respondente (opções A e D), aprendizagem social (opção B) e
aprendizagem significativa (opção E), mas não descrevem adequadamente o condicionamento operante.
Teoria cognitiva do processamento da informação
A partir de 1950, um movimento científico e interdisciplinar combinando perspectivas de várias áreas do
conhecimento, dentre elas a Psicologia, a Linguística, a Computação e a Antropologia, foi batizado de 
Revolução Cognitiva e gerou as bases do que viria a ser a Ciência Cognitiva. Os estudos nas áreas de
computação e inteligência artificial envolviam o desenvolvimento e aprimoramento de questões relacionadas à
retenção e ao processamento de informações, à resolução de problemas e decodificação de linguagem. Para
os cognitivistas, se tais construtos poderiam ser estudados cientificamente em um pedaço de metal, por que
não o fariam com seres humanos?
Saiba mais
Enquanto o behaviorismo surgiu promovendo severas críticas ao mentalismo, aos estudos sobre
processos internos da consciência e até mesmo ao conceito psicanalítico de inconsciente, os autores
cognitivistas eram ferrenhos críticos dos behavioristas. 
Para as ciências cognitivas, os processos internos mentais, característicos da experiência psicológica, seriam
fruto do processamento das informações que chegam ao organismo pelos meios internos e externos. Antes
considerados imersos na metafísica e na subjetividade, os processos mentais conquistaram espaço entre os
acadêmicos graças à “metáfora computacional”, buscando encontrar as respostas na atividade cerebral,
principalmente no que diz respeito ao processo de aprendizagem e aquisição de conhecimento. 
Para as ciências cognitivas, os processos internos mentais, característicos da experiência psicológica, seriam
fruto do processamento das informações que chegam ao organismo pelos meios internos e externos. Antes
considerados imersos na metafísica e na subjetividade, os processos mentais conquistaram espaço entre os
acadêmicos graças à “metáfora computacional”, buscando encontrar as respostas na atividade cerebral,
principalmente no que diz respeito ao processo de aprendizagem e aquisição de conhecimento. 
As empresas de tecnologias já disponibilizam de inteligências artificiais (IA) hipercomplexas. Um exemplo é a
IA que consegue aprender sozinha a jogar xadrez e video game. Pode parecer pouca coisa, mas a
complexidade das funções cognitivas exigidas para isso é enorme. 
Mais recentemente contamos com os chats inteligentes como o chat GPT e outros processos de produção de
conteúdo através da IA. 
A psicologia cognitiva tem por objetivo investigar o funcionamento da cognição e dos processos
cognitivos subjacentes ao comportamento. 
Isso significa dizer que a psicologia cognitiva se interessa em compreender como ocorre o processamento da
informação e interpretação da realidade. 
Veja o processamento da informação desde a captação das informações sensoriais via estruturas receptoras,
passando pela interpretação dessas informações nervosas pelo encéfalo e a conclusão do processo: 
Nessa abordagem, a aprendizagem se dará pela aquisição do produto final da informação processada,
levando o organismo a adquirir novos comportamentos, conhecimentos e habilidades por um período estável
e longo. Somos bombardeados por diversas informações o tempo todo, mas para aprendermos algo novo as
estruturas do sistema nervoso central e periférico necessitam atuar em conjunto para interpretar os dados de
entrada e gerar um resultado. 
Todo esse processo complexo e veloz estimulará diversas vias neurais. 
Sempre que estímulos iguais ou parecidos se colocaremno ambiente, tais vias serão acionadas novamente.
As vias neurais mais estimuladas e reforçadas tendem a se manter estáveis, armazenando as informações
daquela resposta por um período longo. Esse é um resumo aproximado de como ocorre a aprendizagem a
nível neural analisada pelas ciências cognitivas. 
Para os cognitivistas, a aprendizagem é o processo envolvido na aquisição da informação, enquanto a
memória consiste na capacidade de armazenar informações e evocá-las no futuro. Portanto, memória permite
manter o resultado do que foi aprendido. 
Uma via neural, ou seja, um conjunto de neurônios interligados na transmissão de uma informação nervosa, é
recrutada ao executarmos um comportamento ou um pensamento, por exemplo. O processo de aprendizagem
de um novo conhecimento envolve o engajamento de várias vias neurais. Quanto mais essas vias são
estimuladas, mais aprendizagem será consistente e cristalizada como memória de longo prazo. 
O cognitivismo
Neste vídeo, expomos as origens da ciência cognitiva e suas contribuições no estudo da aprendizagem
humana.
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Atividade 2
Qual das seguintes afirmações é uma característica da revolução cognitiva e da ciência cognitiva?
A
A ciência cognitiva defendia a exclusividade da abordagem behaviorista na compreensão dos processos
mentais humanos.
B
A revolução cognitiva enfatizou a importância do estudo dos processos internos da consciência, antes
considerados imersos na subjetividade.
C
Os cognitivistas viam os processos internos mentais como imutáveis e não sujeitos a influências externas.
D
A psicologia cognitiva se concentrava apenas na análise do comportamento observável, sem considerar os
processos mentais subjacentes.
E
Os estudos da ciência cognitiva focavam exclusivamente a interpretação da realidade por meio das estruturas
do sistema nervoso central.
A alternativa B está correta.
A revolução cognitiva e a ciência cognitiva enfatizaram a relevância da investigação dos processos internos
da consciência, previamente percebidos como subjetivos e relacionados à metafísica, buscando agora
respostas na atividade cerebral e no processamento de informações.
Teoria da aprendizagem significativa
A teoria da aprendizagem significativa foi elaborada pelo psicólogo da educação estadunidense David P.
Ausubel (1918 – 2008). O estudioso era crítico ferrenho do sistema de ensino de sua época e dos métodos
empregados na educação de crianças e jovens. Dedicou sua carreira acadêmica para encontrar novas
estratégias educacionais que fossem mais qualificadas e eficientes e que deixassem de lado os abusos físicos
e psicológicos comuns nas escolas antigas. Com base nisso, não fica difícil compreender por que as
contribuições de Ausubel para o estudo da aprendizagem tiveram grande aplicação nas escolas. 
Ausubel seguiu os preceitos do cognitivismo e entendia a aprendizagem como a organização e integração da
informação à estrutura cognitiva do indivíduo. Segundo o autor, para ocorrer adequadamente, a aprendizagem
deve fazer sentido para o indivíduo e envolver a interação coerente entre as informações e os conceitos que já
fazem parte da estrutura cognitiva da pessoa. Assim, aprendizagem significativa diz respeito a conferir
significado aos novos conhecimentos, assim como conferir aos conhecimentos já existentes novos
significados ou maior estabilidade cognitiva.
Imagine uma turma de alunos de graduação em Psicologia.
Em determinada aula, o professor começa a explicar um
assunto novo, trazendo comparações com conceitos da
física quântica. Para os alunos que já fizeram outras
graduações e que porventura já tenham estudado física
quântica, talvez faça sentido e facilite a aquisição daquele
novo conhecimento. Mas para os alunos que nunca leram ou
estudaram sobre isso, essa pode se tornar a pior aula do
semestre, pois tal comparação torna muito difícil ou até
mesmo impossível compreender os conceitos mais
importantes da matéria.
Logo, para que ocorra a aprendizagem significativa,
deve haver pontos-chave que facilitarão que o indivíduo conecte o que já sabe com os novos
conhecimentos.
Segundo Moreira (2012), a estrutura cognitiva é um sistema conceitual do indivíduo formado por subsunçores,
os quais são unidades de conhecimentos prévios que o auxiliarão no processo de aquisição de novos
conhecimentos. Essa estrutura cognitiva é formada por dois processos importantes: 
Diferenciação progressiva
Confere novos significados a determinado
subsunçor.
Reconciliação integradora
Tem por objetivo conferir dinamismo à estrutura
cognitiva, corrigindo inconsistências e
integrando significados
Saiba mais
Uma contribuição prática de Ausubel foi o emprego dos mapas mentais para facilitação do processo de
aprendizagem em sala de aula. Apresentar graficamente a integração das informações sobre um assunto
facilita o aprendizado. 
Ausubel e a aprendizagem
Neste vídeo, apresentaremos as contribuições da aprendizagem significativa de Ausubel.
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Atividade 3
Qual dos seguintes conceitos está mais alinhado com a teoria da aprendizagem significativa de David
Ausubel?
A
A aprendizagem ocorre por meio da repetição mecânica de informações sem conexão com os conhecimentos
prévios do aprendiz.
B
A aprendizagem envolve apenas a absorção passiva de informações sem necessidade de reflexão ou análise
crítica.
C
A aprendizagem significativa ocorre quando os novos conhecimentos são integrados de maneira coerente
com os conhecimentos prévios do aprendiz.
D
A aprendizagem é eficaz apenas quando os conceitos são ensinados de maneira isolada, sem relacionamento
com outras áreas do conhecimento.
E
A aprendizagem significativa é alcançada exclusivamente por meio de métodos de ensino baseados na
memorização pura e simples.
A alternativa C está correta.
A alternativa correta está alinhada com os princípios da teoria da aprendizagem significativa de Ausubel,
que enfatiza a importância da conexão entre os novos conhecimentos e os conhecimentos preexistentes
do aprendiz para que a aprendizagem seja significativa.
Teoria Social Cognitiva
O psicólogo canadense Albert Bandura (1925 - atual) é um dos psicólogos mais influentes do último século.
Sua teoria trouxe grandes contribuições à psicologia social e à psicologia clínica. É possível encontrar autores
que avaliam a Teoria Social Cognitiva como uma conexão entre as teorias behaviorista e cognitivista. 
Bandura não descartou completamente a teoria behaviorista de aprendizagem por modelagem e pela via
respondente. Ele parte da ideia de que o ser humano é capaz de aprender uma gama formidável de
informações a nível emocional, comportamental e cognitivo, o que não poderia ser explicado apenas pela
experiência direta como defendiam os behavioristas, mas também pela observação da experiência vivida por
outras pessoas. 
Para Bandura, a capacidade de observação e interpretação dos seres humanos facilita a
aprendizagem de comportamentos simples e complexos por meio da experiência de terceiros. 
Os estudos iniciais sobre a aprendizagem social de Bandura foram conduzidos com crianças e adultos para
compreender a reprodução de comportamentos agressivos pela observação. Desse modo, crianças eram
divididas em três grupos e expostas a filmes diferentes: no primeiro filme, adultos eram reforçados após
agredirem bonecos; no segundo, os adultos eram punidos; e no terceiro, não havia consequências. Ao final
dos filmes, as crianças eram direcionadas a salas com brinquedos, e aquelas que foram expostas ao filme em
que os adultos agressores eram recompensados tendiam a emitir mais comportamentos agressivos contra o
boneco. 
Ditados como “tal pai, tal filho” ou “filho de
peixe, peixinho é” não foram criados por acaso.
O aprendizado por observação tem uma
importância crucial para a nossa espécie.
Imagina se tivéssemos de viver cada uma das
experiências de dor e sofrimento que vemos
outras pessoas passando?
 
Diferentementeda teoria skinneriana de
aprendizagem por modelagem, a teoria de
aprendizagem social é baseada no conceito de 
modelação. Segundo esse conceito, grande
parte dos nossos comportamentos é aprendido
observando modelos.
Não se trata de pura imitação, pois o processo de modelação é ativo e importante para o repertório de
comportamentos do indivíduo. Normalmente, elegemos como modelos pessoas que estão em um patamar de
maior relevância, observando e avaliando os comportamentos que devemos repetir, pois serão úteis ou
valorizados pela comunidade. Também aprendemos quais comportamentos não devemos reforçar por serem
danosos ou pouco práticos. 
Ao observarmos um modelo, o comportamento que buscamos implementar ao nosso repertório pode ser
reforçado de duas maneiras: por reforço vicário ou por reforço direto. 
Ainda é possível falar de dois subprocessos referentes ao reforço direto: 
Autossistema
Permite ao aprendiz avaliar a execução de seu
comportamento e as consequências disso.
Autoeficácia
Corresponde com a crença de uma pessoa em
sua própria capacidade de realizar com sucesso
uma tarefa específica ou alcançar um objetivo.
Existem quatro processos subjacentes à aprendizagem por observação (BANDURA, AZZI, &; POLYDORO,
2009): 
Atenção
Antes de iniciar o processo de modelação, é importante focar a atenção para o modelo a ser
observado. Há pessoas que tendem a atrair mais a atenção para si para servirem de modelo. Status
social, familiares diretos, repertório bem-sucedido de comportamentos são fatores que tendem a
atrair mais atenção.
Retenção
Todo conteúdo observado nos modelos deve ficar armazenado na memória. Para Bandura, é
importante levar em consideração as informações sensoriais, emocionais e cognitivas que obtemos a
partir da observação do modelo, pois é uma maneira de, por exemplo, refletir sobre o comportamento
antes de colocá-lo em prática.
Produção
Diz respeito ao automonitoramento da execução do novo comportamento.
Motivação
Tem por objetivo tornar a aprendizagem mais consistente.
A aprendizagem segundo Bandura
Reforço vicário 
Ocorre quando o próprio modelo é
recompensado, motivando o aprendiz a
executar aquele comportamento.
Reforço direto 
Ocorre quando o próprio aprendiz é
recompensado pela emissão do
comportamento.
Neste vídeo, discorreremos sobre os principais conceitos de Bandura, trazendo exemplos e destacando a sua
compreensão do processo de aprendizagem. 
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Atividade 4
Qual das seguintes afirmações sobre a teoria de aprendizagem social de Albert Bandura está correta?
A
Bandura rejeitou completamente a teoria behaviorista de aprendizagem por modelagem e pela via
respondente.
B
A teoria de aprendizagem social de Bandura é baseada principalmente na imitação pura de comportamentos
observados.
C
Segundo Bandura, a aprendizagem social é mediada apenas pelo reforço direto, sem considerar o reforço
vicário.
D
Bandura identificou quatro processos subjacentes à aprendizagem por observação: atenção, retenção,
produção e motivação.
E
O processo de modelação na teoria de Bandura não envolve uma observação ativa e seletiva de modelos.
A alternativa D está correta.
Bandura não rejeitou completamente a teoria behaviorista, ao contrário, ele ampliou os conceitos de
aprendizagem incluindo a observação e modelação de comportamentos. A teoria de aprendizagem social
de Bandura é baseada no conceito de modelação, que envolve uma observação ativa e seletiva de
modelos. Ele identificou quatro processos subjacentes à aprendizagem por observação: atenção, retenção,
produção e motivação.
Outras teorias de aprendizagem
Veja um breve relato sobre outras teorias da aprendizagem: 
Teoria biológica
As teorias biológicas, partindo de uma concepção inatista-
maturacionista, projetam o desenvolvimento humano como um processo
de desdobramento, isto é, espera-se que a criança passe por uma
sequência definida de estágios de desenvolvimento em determinado
período. O ambiente até pode exercer alguma influência no seu
desenvolvimento, mas a aprendizagem não se dá de maneira direta.
Logo, entende-se que esse desenvolvimento se desdobra por fatores
genéticos. Sendo assim, a aprendizagem será consequência do próprio
amadurecimento biológico.
O teórico proeminente nessa abordagem foi Arnold Gesell (1880-1961)
que, inclusive, estabeleceu normas que tinham por objetivo analisar se a
criança estava seguindo seu desenvolvimento dentro de um padrão
adequado. Segundo essa abordagem, haveria uma explicação genética e
hereditária para características de comportamento, desenvolvimento de
habilidades matemáticas e desenvolvimento da linguagem.
Teoria psicanalítica
As teorias da aprendizagem baseadas na Psicanálise dão enfoque à
satisfação de necessidades, as quais diferem em função do nível de
desenvolvimento da criança. Esse desenvolvimento ocorre a partir de
mudanças progressivas na personalidade, à medida que a criança busca
satisfazer as necessidades daquele período. Quanto ao desenvolvimento
dessa estrutura de personalidade, havia uma diferença entre os
pensamentos de Sigmund Freud (1856-1939) e Erik Erickson
(1902-1994). Enquanto Freud acreditava que a estrutura básica da
personalidade do indivíduo se estabelece durante os primeiros cinco
anos de vida, Erikson defendia que o desenvolvimento é um processo
que se estende por toda a vida, postulando estágios de desenvolvimento
da infância à velhice.
As teorias psicanalíticas enfatizam o papel dos fatores inatos no
desenvolvimento. As necessidades são inatas, e a maneira de solucioná-
las irá afetar o desenvolvimento. O papel da aprendizagem no
desenvolvimento acaba por ser minimizado em favor da resolução de
necessidades.
No próximo módulo, discutiremos mais a fundo sobre duas abordagens de grande importância para a
compreensão da aprendizagem e que receberam grande destaque no século passado: a teoria de Jean Piaget
e de Lev Vygotsky. 
Teorias da aprendizagem
Neste vídeo, o especialista Lincoln Poubel discursa sobre as diferentes teorias e concepções de
aprendizagem e suas implicações. 
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Atividade 5
Qual das seguintes afirmativas melhor descreve a abordagem da teoria biológica e da teoria psicanalítica no
desenvolvimento humano?
A
A teoria biológica enfatiza que o desenvolvimento humano é impulsionado principalmente por fatores
genéticos, enquanto a teoria psicanalítica destaca a importância da resolução de necessidades inatas para o
progresso individual.
B
A teoria biológica argumenta que o ambiente exerce uma influência direta no desenvolvimento humano,
enquanto a teoria psicanalítica sugere que o desenvolvimento é principalmente determinado pela interação
com modelos de comportamento.
C
Segundo a teoria biológica, Arnold Gesell foi um dos principais teóricos que enfatizou a importância das
experiências infantis na formação da personalidade, enquanto a teoria psicanalítica destaca o papel das
influências genéticas na determinação do comportamento.
D
Na teoria psicanalítica, Sigmund Freud postula que o desenvolvimento da personalidade ocorre durante toda a
vida, enquanto Erik Erikson argumenta que a estrutura básica da personalidade é estabelecida nos primeiros
cinco anos de vida, segundo a teoria biológica.
E
A teoria biológica defende que o papel da aprendizagem no desenvolvimento humano é fundamental,
enquanto a teoria psicanalítica minimiza a importância da aprendizagem em favor da resolução de
necessidades inatas.
A alternativa E está correta.
A teoria biológica enfatiza que o desenvolvimento humano é principalmente impulsionado por fatores
genéticos e que a aprendizagem é uma consequência do próprio amadurecimento biológico. Por outro lado,
a teoria psicanalítica minimiza o papel da aprendizagem, concentrando-se na resolução de necessidades
inatas como o principal motor do desenvolvimento.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Analise as proposições abaixo.
I - O cognitivismorompe com a psicologia comportamental, por considerar que a abordagem científica
adequada será do processamento da informação e como esta é codificada, interpretada e utilizada. 
II - O cognitivismo demonstra os processos envolvidos na aprendizagem como resultado da construção de
esquemas de representações mentais. 
III - A psicologia cognitiva é o estudo de como as pessoas percebem, aprendem, lembram-se de algo e
pensam sobre as informações. 
Marque a alternativa CORRETA.
A
Somente a afirmativa I é correta.
B
Somente a afirmativa I é correta.
C
Somente a afirmativa III é correta.
D
Somente a afirmativa II é falsa.
E
Somente a alternativa I é falsa.
A alternativa D está correta.
A psicologia cognitiva entende a aprendizagem como resultado da aquisição da informação processada. A
afirmativa I está correta, pois fala sobre o rompimento do movimento cognitivista com os analistas do
comportamento, uma vez que aqueles defendem a aprendizagem como a consequência do processamento
da informação captada interna e externamente ao organismo. A afirmativa III também está correta, pois
aborda alguns dos principais objetos de estudo da psicologia cognitiva: como decorrem os processos de
pensamento, percepção e aprendizagem. Já a afirmativa II não está correta, pois a ideia de esquemas de
representações mentais foi trabalhada na teoria piagetiana.
Questão 2
(FEPESE - 2019 - Prefeitura de Xaxim - SC - Psicólogo) A aprendizagem é um processo que busca ser
explicado por diversas correntes. As teorias da aprendizagem que a definem pelas suas consequências
comportamentais e enfatizam as condições ambientais como forças propulsoras da aprendizagem são
denominadas de
A
teorias do condicionamento.
B
abordagens significativas.
C
teorias cognitivistas.
D
correntes humanistas.
E
abordagens construtivistas.
A alternativa A está correta.
A teoria do condicionamento diz respeito ao behaviorismo, o qual entende a aprendizagem como fruto das
consequências da interação entre o indivíduo e o ambiente. A aprendizagem significativa defende que o
indivíduo aprende quando uma informação nova se relaciona substancialmente a conhecimentos
previamente organizados na sua estrutura cognitiva. As correntes humanistas focam na autorrealização do
indivíduo, valorizando os aspectos cognitivos, afetivos e motores. As teorias cognitivistas entendem a
aprendizagem como o resultado do processo de codificação da informação captada pelos órgãos
sensoriais acerca do meio externo. As abordagens construtivistas compreendem a aprendizagem como um
processo ativo de aquisição do conhecimento, portanto considera o papel das capacidades orgânicas e
socioambientais no desenvolvimento.
3. As teorias interacionistas da aprendizagem
Teoria construtivista
Jean Piaget e Lev Vygotsky contribuíram muito para a compreensão do desenvolvimento humano e como
ocorre a aprendizagem. Há, com certa frequência, uma comparação entre os dois teóricos no sentido de
afirmar que as teorias tratam do mesmo assunto ou que o modelo teórico de Vygotsky seria um ótimo
complemento à teoria de Piaget. Certamente, há algumas semelhanças, e um hipotético debate entre esses
dois grandes pensadores teria contribuído para mais avanços ou sanaria algumas dúvidas. Contudo, eles
nunca se conheceram pessoalmente. Ambas as teorias entendem que o sujeito exerce protagonismo no seu
próprio processo de aprendizagem. Elas concordam acerca do aspecto ativo do indivíduo, e não o entendem
como um ser passivo à espera de uma engrenagem genética a impulsionar seu desenvolvimento e sua
aprendizagem. Piaget e Vygotsky buscavam entender como ocorre o desenvolvimento da inteligência. Para
Piaget, o foco da análise deve ser como ocorre o processo de construção ativa do conhecimento pela criança.
Ao passo que Vygotsky se interessava em saber como os fatores sociais e culturais poderiam influenciar no
desenvolvimento do conhecimento.
A seguir, vejamos mais em detalhe a teoria de Piaget. 
Jean Piaget (1896-1980) nasceu na Suíça e sua
área de formação originalmente era em
Ciências Biológicas, e não em Psicologia, como
muitos imaginam. Ao longo de seus estudos,
mudou o foco de interesse da Biologia para o
desenvolvimento intelectual das crianças.
Devido às suas pesquisas e aos seus trabalhos
com crianças, Piaget é muitas vezes
confundido como tendo sido um psicólogo
infantil ou pedagogo. Na verdade, seu trabalho
não tinha como finalidade a predição de
comportamentos ou pensar em maneiras de
otimizar o processo de aprendizagem infantil, e
sim era pautado na descrição sistemática do
desenvolvimento intelectual da criança. Pode-
se dizer que Piaget era um epistemólogo genético, ou seja, investigador que busca compreender a gênese do
pensamento humano.
Em seus trabalhos como biólogo, Piaget observava que seres vivos, independentemente de sua
complexidade, adaptam-se às mudanças do ambiente. A todo momento, lidamos com mudanças no ambiente,
às quais devemos nos adaptar. Piaget não separa mente e corpo e entende que a atividade intelectual segue
as mesmas premissas do desenvolvimento biológico. Portanto, tanto a atividade intelectual quanto a biológica
são parte de um processo total que possibilita ao organismo adaptar-se ao ambiente e organizar suas
experiências.
Adaptação e organização são processos complementares e importantes para o desenvolvimento e a
aquisição de conhecimento. 
Para compreendermos melhor o que significa os processos de adaptação e organização, é necessário
apresentar quatro conceitos básicos da teoria de Piaget: esquema, assimilação, acomodação e equilibração. 
Esquema
Esquema foi o termo utilizado por Piaget para descrever uma estrutura
cognitiva responsável por conferir estabilidade às respostas. Esquemas,
portanto, funcionam como estruturas armazenadoras das nossas
experiências na mente, permitindo que o processo de adaptação e o de
organização ocorram. Piaget tinha consciência de que os esquemas se
tratavam de um conceito hipotético, logo não havia como demonstrar a
existência de estruturas físicas no sistema nervoso que exercessem tal
função. Os esquemas têm o papel de processar os estímulos que entram
no organismo.
Quanto mais esquemas o indivíduo, possuir melhor será sua capacidade
de organizar as informações e de assimilá-las. Obviamente, o número de
esquemas que possuímos quando crianças é muito inferior ao que temos
depois de adultos, e isso acontece porque aprendemos novos conceitos
a todo momento. O que permite adquirimos novos esquemas são os
processos de assimilação e acomodação.
Esquema: Carro
Informações sensoriais:
Tem 4 rodas.
Desloca-se sobre a terra.
É pesado.
"Carrega” pessoas na parte de dentro.
Solta fumaça.
• 
• 
• 
• 
• 
Assimilação
A assimilação é o processo cognitivo de integrar uma nova informação
perceptiva, motora ou conceitual a um esquema ou repertório
comportamental já existente. Toda vez que uma criança, ou mesmo um
adulto, se depara com uma informação nova e desconhecida, precisará
adaptar esse novo input aos seus esquemas preexistentes. Mas é válido
salientar que a assimilação não gera necessariamente a mudança do
esquema, apenas irá ampliá-lo.
Imagine uma criança que possui um esquema para reconhecer e nomear
seu “carrinho”: quatro rodas, portas laterais, vidros em todos os lados e
um círculo interno que ajuda a virar as rodas dianteiras (volante). Ao
visualizar pela primeira vez em sua vida um caminhão de brinquedo, ela
pode chamá-lo de “carrinho”, porque suas informações foram
compatíveis ao esquema preexistente. Ela ampliou seu esquema, mas
não agregou um novo conhecimento.
O aumento de um esquema não configura que uma nova aprendizagem
foi concluída. Às vezes, o indivíduo se depara com uma informação nova
e tenta assimilá-la a estruturas esquemáticas já existentes. Isso significa
que tentamos interpretar ou avaliar uma nova situação com o que
dispomos de informações aprendidas anteriormente. Todavia, nem
sempre isso é possível, uma vez que, se não houver um esquema
adequado, a informação nãoterá como ser encaixada. Se explicarmos
sobre função do segundo grau para uma criança que ainda está
assimilando a tabuada de cinco, provavelmente ela não conseguirá
compreender por não ter estrutura cognitiva necessária para receber
esse conhecimento.
Acomodação
Para solucionar um problema o indivíduo pode criar um novo esquema ou adaptar um esquema já
existente para acomodar a nova informação. Acomodação é, portanto, a construção de uma nova
estrutura cognitiva ou adaptação de uma já existente para que o novo conhecimento seja assimilado.
No processo de assimilação, o indivíduo adequa a informação aos seus esquemas disponíveis. Já na
acomodação, é necessário construir um novo esquema ou ajustar um antigo para assimilar.
Assimilação é um processo passivo; acomodação é um processo ativo.
Equilibração
Por fim, a equilibração diz respeito ao equilíbrio resultante dos processos de assimilação e
acomodação, agindo como mecanismo autorregulatório e tornando a interação entre organismo e
meio mais eficiente. Esse conceito é muito importante, pois trabalha com a ideia de que um estado de
desequilíbrio pode fomentar no indivíduo a motivação necessária para buscar o equilíbrio novamente.
Pense em uma criança que adora desenhar e pratica com afinco tal atividade. Querendo aprender a
desenhar um animal novo pela primeira vez, por exemplo um cavalo, ela talvez precise criar novos
esquemas motores e perceptuais. É possível que ela erre algumas vezes, pois o novo esquema ainda
não está completo, mas a persistência até a assimilação do conteúdo é o que representa a
equilibração.
Para a teoria construtivista de Piaget, a aprendizagem e o desenvolvimento intelectual são decorrentes de um
processo ativo, o qual pode ser representado pela seguinte sequência: um indivíduo, ao ser exposto a um
novo estímulo, tenta encaixá-lo em um esquema já existente. Caso seja bem-sucedido, ele alcançará o
equilíbrio, e o processo é concluído. Mas se não houver alcançado o equilíbrio, o indivíduo deverá buscar
ativamente acomodar a nova informação, criando ou adaptando um esquema cognitivo. Quando isso ocorre,
conclui-se o processo de assimilação e chega-se ao equilíbrio. 
Os processos de adaptação e organização de Piaget
Neste vídeo, exploramos os conceitos fundamentais da teoria de Piaget conhecidos como esquema,
assimilação, acomodação e equilibração, destacando como eles nos permitem compreender os processos de
adaptação e organização.
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Atividade 1
Qual é o conceito central da teoria de Jean Piaget que descreve o processo pelo qual novas informações são
incorporadas às estruturas mentais existentes?
A
Acomodação
B
Equilibração
C
Assimilação
D
Internalização
E
Aprendizagem social
A alternativa C está correta.
De acordo com a teoria de Piaget, a assimilação refere-se ao processo pelo qual novas informações ou
experiências são incorporadas às estruturas mentais existentes do indivíduo. Isso significa que o novo
conhecimento é integrado às estruturas cognitivas já existentes, permitindo ao indivíduo interpretar e
compreender a nova informação à luz do que ele já sabe. Por exemplo, quando uma criança aprende sobre
um novo animal, ela pode assimilar essa informação aos esquemas mentais preexistentes sobre animais,
como reconhecer que ele tem quatro patas e é capaz de se mover, mesmo que seja uma espécie
completamente nova para ela.
Teoria socioconstrutivista ou sócio-histórica
Lev Semenovich Vygotsky nasceu em território hoje
considerado como Belarus, em 1896. Filho de família
abastada e culta, sempre teve acesso à melhor educação
de sua época. Seus pais eram intelectuais, e na casa da
família havia uma biblioteca rica e acessível a todos os
filhos e amigos. Era comum que os pais debatessem com
seus filhos sobre diversos assuntos ao longo dos dias.
Nesse ambiente de hiperestimulação intelectual, Vygotsky
aprimorou seu conhecimento em diversas áreas
acadêmicas, tais como Direito, Literatura, Filosofia,
Psicologia e Neurologia. 
Por muito tempo, trabalhou com análise do desenvolvimento
infantil e em pesquisas sobre doenças neurológicas com o
intuito de compreender o funcionamento psicológico dos humanos. Deixou uma obra vastíssima com muitas
contribuições à Psicologia e às ciências da educação, mas, infelizmente, faleceu ainda muito jovem, aos 37
anos de idade.
Em seus trabalhos em Psicologia, Vygotsky
tinha um interesse especial por compreender os
chamados “processos mentais superiores”, os
quais são típicos do ser humano e responsáveis
pelo controle consciente de comportamentos.
Quando nos referimos a processos mentais de
maior complexidade, podemos fazer a seguinte
reflexão: é possível ensinar um animal a abrir a
porta do banheiro, mas não podemos esperar
que ele, voluntariamente, evite fazer isso para
não incomodar uma pessoa que está tomando
banho. Um conceito essencial para a
compreensão da obra de Vygotsky é o de
mediação, termo usado para explicar o
processo de inserção de um elemento em uma
relação entre dois outros fatores (a interação para de ser direta e passa a ser mediada por determinado
elemento).
Exemplo
Quando colocamos os dedos em uma tomada e os retiramos rapidamente por conta da dor sentida pelo
choque, estabelecemos uma relação entre “o choque da tomada” e a “dor”. Mas se quando nos
aproximamos de uma tomada afastamos a mão por recordarmos a dor do choque, então a relação foi
mediada pela lembrança. Isso chama atenção para um fator a mais nas relações, tornando-as mais
complexas para serem analisadas. 
Para Vygotsky, a relação do ser humano com o mundo não é direta, mas, sim, mediada. Entre o indivíduo e o
meio, existem dois tipos de mediadores: 
Instrumentos
Os instrumentos correspondem a objetos
sociais que medeiam a relação entre o sujeito e
o ambiente. Muitos outros animais também
utilizam instrumentos, mas só o ser humano os
cria com fim específico, armazenando-os para
uso intencional no futuro e os transmitindo para
outros membros do grupo e para outras
gerações. Um machado, um martelo ou uma
caneta são exemplos de instrumentos.
Signos
Os signos exercem papel análogo ao dos
instrumentos, no entanto agem mediando
atividade psicológica. Os signos são orientados
para o interior do próprio sujeito e são
essenciais para o desenvolvimento das
atividades psicológicas. Para exemplificar, são
signos: os números, a linguagem, uma lista de
compras, uma planta arquitetônica ou mesmo o
mapa para nos orientar até um destino.
Segundo Vygotsky, os seres humanos não seguem um desenvolvimento linear. 
Isso ocorre porque dispomos de meios não naturais para realizar mudanças nos processos psicológicos e no
ambiente: os signos. Nossa espécie utiliza-se dos signos para interagir com o meio, pensar e planejar ações
sem necessitar da presença do real. No entanto, o desenvolvimento e a utilização desses signos não ocorrem
de maneira automática, como um comportamento reflexo. Isso ocorre pela interação com o meio social no qual
o indivíduo está inserido. 
Um bebê chora quando sente o desconforto que a sensação de fome gera em seu corpo. Isso é uma resposta
automática característica da espécie. Porém, é plausível esperar que uma criança mais velha pense algo como
“acho que vou comer uma maçã agora”. Isso demanda saber utilizar ferramentas psicológicas internalizadas.
Para Vygotsky, a capacidade de utilizarmos ferramentas cognitivas internalizadas é aprendida apenas pela
interação com outras pessoas, as quais irão transmitir esse conhecimento cultural para o aprendiz. 
Desenvolvimento humano e aprendizagem para Vygotsky
Neste vídeo, exploramos os conceitos fundamentais da teoria socioconstrutivista de Vygotsky sobre o
desenvolvimento humano e a aprendizagem, usando os conceitos-chave de nível de desenvolvimento real, o
nível de desenvolvimento potencial e o nível de desenvolvimento proximal. Deve destacar-se como a interação
social desempenha um papel importante nesse processo, concluindo que, para Vygotsky, a aprendizagemé
um processo contínuo e dinâmico, profundamente enraizado na interação social.
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Zona de desenvolvimento proximal
A teoria socioconstrutivista preconiza que, para se entender o desenvolvimento humano, é necessário
determinar “qual nível de conhecimento o indivíduo assimilou até aqui”. Isso significa determinar que
conhecimentos a pessoa dispõe, facilitando ou não a solução de um problema. Ninguém dispõe de todos os
conhecimentos, mas todos possuímos algum nível de conhecimento e que pode ser aprimorado. 
Para se compreender a aprendizagem humana, segundo Vygotsky, é preciso entender dois níveis de
desenvolvimento: 
Nível de desenvolvimento real
Refere-se ao acúmulo de conhecimentos já assimilados. Alguns estímulos
que chegam à criança são compreendidos, e o problema apresentado é
resolvido independente. Por exemplo, pedir para uma criança que já
tenha aprendido as quatro operações matemáticas para somar os valores
dos itens de uma compra.
O nível de desenvolvimento real condensa todo o conhecimento que uma
pessoa possui e recruta para solucionar um dado problema que se
apresenta. Ela pode chegar à conclusão por conta própria,
independentemente do esforço ou tempo destinado à resposta.
Nível de desenvolvimento potencial
Diz respeito à capacidade de desempenhar tarefas com a ajuda de
terceiros. Há tarefas que uma pessoa não tem maturidade cognitiva
suficiente para resolvê-las. Para tal, considere a criança do exemplo
anterior e passe um problema multiplicação. É provável que um adulto
deverá lhe explicar o assunto.
No nível de desenvolvimento potencial, o conhecimento que o indivíduo
possui não é desprezado. No entanto, para conseguir chegar à resposta
buscada, é necessária a intervenção de outro ser humano. Sem essa
interação, o desenvolvimento intelectual e a capacidade de
aprendizagem são prejudicados ou inexistentes.
A zona de desenvolvimento proximal seria a distância entre o nível de desenvolvimento real, determinado pela
capacidade independente de solução de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, quando a solução
da tarefa demanda a ajuda de outrem. Sendo assim, Vygotsky explorou a ideia de que a aprendizagem é
contínua e dinâmica, mas dependente da interação entre os indivíduos e que, sem essa interação, o
amadurecimento de novos conhecimentos será improvável. 
A mediação na psicologia de Vygotsky
Neste vídeo, você verá a importância da obra de Vygotsky na compreensão dos processos mentais
superiores, destacando o conceito de mediação e distinguindo instrumentos de signos como mediadores
fundamentais. Para finalizar, você conhecerá como a internalização de ferramentas cognitivas é aprendida por
meio da interação social.
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Atividade 2
Qual é o conceito-chave na teoria sociocultural de Lev Vygotsky que descreve a distância entre o nível de
desenvolvimento atual de uma criança e o nível de desenvolvimento potencial, que pode ser alcançado com a
orientação de um adulto ou colega mais capaz?
A
Zona de conforto
B
Zona de desenvolvimento autônomo
C
Zona proximal de desenvolvimento
D
Zona de consciência
E
Zona de desenvolvimento real
A alternativa C está correta.
A zona proximal de desenvolvimento (ZPD) é um conceito relevante na teoria de Vygotsky, que enfatiza a
importância da interação social no desenvolvimento cognitivo. A ZPD refere-se à distância entre o nível de
desenvolvimento atual de uma criança, determinado pela sua capacidade de resolver problemas de forma
independente, e o seu potencial de desenvolvimento, determinado pela capacidade de resolver problemas
com o auxílio de um adulto ou colega mais experiente. Essa zona representa o espaço em que a
aprendizagem é mais eficaz e pode ser facilitada por meio da instrução e colaboração com outros mais
capazes, promovendo um desenvolvimento cognitivo mais avançado.
Verificando o aprendizado
Questão 1
(KLC - 2016 - Prefeitura de Mamborê - PR - Psicólogo) O teórico responsável pela abrangente teoria de
desenvolvimento cognitivo infantil, a qual se inicia pela capacidade inata do indivíduo em se adaptar ao
ambiente, de forma a, gradativamente, adquirir maior competência para lidar com ele, por meio de uma
sucessão de estágios qualitativamente diferentes, é:
A
Freud.
B
Erik Erikson.
C
Klein.
D
Piaget.
E
Vygotsky.
A alternativa D está correta.
Para Piaget, o desenvolvimento tem um caráter ativo e que segue fases pertinentes à maturação biológica
do sujeito e à construção de novos conhecimentos. Já para Vygotsky, a aprendizagem se dá na interação
entre os indivíduos, onde um medeia a aquisição de novos conhecimentos de outro. No entanto, para
Vygotsky opróprio desenvolvimento das capacidades cognitivas estaria sujeito a esse processo mediado.
Para Freud, Erikson e Klein, autores psicanalíticos, a aprendizagem humana, embora obedeça às fases, será
influenciada diretamente pelo funcionamento das estruturas psíquicas de ego, superego e id, não levando
tanto em consideração as estruturas cognitivas por si só.
Questão 2
(FUNIVERSA - 2012 - IFB - Psicólogo) Lev Semenovitch Vygotsky é um dos grandes nomes da psicologia
histórico-cultural. Para o autor, o desenvolvimento humano segue um curso contínuo, mediado pelos
processos de aprendizagem e deles dependente. Nesse sentido, assinale a alternativa correta.
A
O desenvolvimento acompanha uma sequência predeterminada de eventos mediados e socioculturalmente
organizados.
B
Os processos de aprendizagem ocorrem em planos complementares de interação e participação, nos quais a
escolarização tem função secundária.
C
O homem é criado pelo homem, o que significa que o ser humano vai se tornando homem à medida que se
transforma em produto do ambiente em que está inserido.
D
A peça mais importante a ser estabelecida para a compreensão do desenvolvimento humano é como o
indivíduo apropria-se dos instrumentos construídos pela ciência.
E
A participação em atividades e interações organizadas socioculturalmente deve progressivamente ampliar as
competências do indivíduo, que inicialmente é guiado até conseguir uma participação autônoma e
autorregulada.
A alternativa E está correta.
É por meio da interação social que o indivíduo aprende e, consequentemente, se desenvolve. O
desenvolvimento não é predeterminado, uma vez que até mesmo as características neuropsicológicas se
desenvolvem mediante estímulos e mediação de outras pessoas mais desenvolvidas e de determinado
conhecimento. Para Vygotsky, o desenvolvimento intelectual do indivíduo só é possível diante da adequada
estimulação e mediação a novos conhecimentos, sendo o ambiente escolar representado pela figura do
educador a principal ferramenta no processo de aprendizagem. No entanto, é importante salientar que a
real aprendizagem ocorre quando o nível de conhecimento previamente existente não é suficiente para se
chegar a uma resposta, necessitando de uma mediação. Assim, não é apenas a influência do ambiente que
irá criar o arcabouço de conhecimentos, mas também a interação dos conhecimentos primários com o
ambiente.
4. Conclusão
Considerações finais
Vimos ao longo de nosso estudo diversas abordagens psicológicas que tiveram papel fundamental para se
compreender a natureza da aprendizagem por diferentes pontos de vista. Não há uma vertente mais correta e
todas se complementam para termos uma maior noção de como o ser humano experiencia a realidade, como
desenvolve seus comportamentos e emoções, como seus pensamentos e raciocínio podem influenciar seu
desenvolvimento e a importância do meio social e cultural em que vivemos. 
Vimos, inicialmente, a importância de se pensar a aprendizagem humana. Em todos os períodos da história,
houve pensadores que se debruçaram para compreender a natureza da aprendizagem, na busca de se
entender a complexidade de desenvolvimento do conhecimento humano. Foram ainda apresentadas as
principais concepções teóricas da aprendizagem

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