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459 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUAL- QUER NATUREZA. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS APLICÁVEIS. CRITÉRIOS ORIENTADORES. RENDA E PROVENTOS. CONCEITO. DISPONIBILIDADE ECONÔMI- CA OU JURÍDICA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 1. Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – LEI 5.172/66 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou na- cionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. § 2º Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto refe- rido neste artigo. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbi- trado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condi- ção ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo impos- to cuja retenção e recolhimento lhe caibam. 1.1. Critérios orientadores. Fato gerador: aquisição da disponibilidade econômica ou jurí- dica Base de cálculo: é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Lucro real: resultado obtido da operação: receitas tributáveis – despesas dedutíveis. Lucro presumido: é uma forma mais simples para apuração do IR podendo ser utilizada pelas pessoas jurídicas obrigadas a apurar pelo lucro real. O resultado final será obtido aplicando-se um per- centual definido em lei sobre as receitas brutas de vendas, acresci- do de outras receitas que não sejam aquelas de vendas. Lucro arbitrado: é uma forma mais onerosa de apuração da base de cálculo do IR pelo fato de que é imposta pela autoridade administrativa quando se constata omissão de declaração ou a falsi- dade dos valores declarados. Sujeito ativo: contribuinte - é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Poderá ser tributada tanto a pessoa jurídica quanto a pessoa física. Competência tributária: nos termos da Constituição Federal artigo 153, compete a união instituir o Imposto sobre a renda. A competência exclusiva tem por objetivo propor uma espécie de re- distribuição de renda e ser uniforme para todos os estados. Veja- mos: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacio- nalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. Finalidade do Imposto de Renda O imposto de renda tem por finalidade a arrecadação de recei- ta para saldar as despesas provocadas pelas entidades de direito público interno; logo, sua finalidade é fiscal. Importante ressaltar que apesar de fiscal, o imposto sobre a renda também pode ter caráter extrafiscal, posto que sua utilização também é possível na promoção do equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico. Apuração do Imposto e calendário 1) Pessoas Jurídicas e Firmas Individuais: devem fazer a apu- ração do IR e seu recolhimento trimestralmente e, após o encerra- mento do exercício devem fazer a Declaração Anual de Ajuste. É permitido às pessoas jurídicas que apuram o IR pelo lucro real fazerem a apuração mensalmente com base em valores esti- mados, devendo fazer a declaração de ajuste após o encerramento do exercício. 2) Pessoas Físicas: no tocante aos rendimentos do trabalho, são tributadas no momento do recebimento dos rendimentos (reten- ção na fonte), sujeitando-se à declaração anual de ajuste Imunidade quanto ao Imposto sobre a Renda Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao con- tribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 460 III cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; IV utilizar tributo com efeito de confisco; V estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a co- brança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo poder público; VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusi- ve suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impres- são. 1.1.1. Renda e proventos. Conceito. Renda: assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. Proventos de qualquer natureza: assim entendidos os acrésci- mos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. 1.1.2. Disponibilidade econômica ou jurídica. Caracteriza-se pelo acréscimo econômico patrimonial do sujei- to passivo por um direito ou elemento material que possa ser iden- tificado como renda, não importando se esse direito é imediata- mente exigível ou que o crédito seja de difícil e duvidosa liquidação. A disponibilidade econômica ou jurídica não se confunde com a disponibilidade financeira. Enquanto esta última se refere à imedia- ta “utilidade” da renda, a segunda está atrelada ao simples acrés- cimo patrimonial, independentemente da existência de recursos financeiros. Não é necessário que a renda se torne efetivamente disponível (disponibilidade financeira) para que se considere ocor- rido o fato gerador do imposto de renda, limitando-se a lei a exigir a verificação do acréscimo patrimonial (disponibilidade econômica). 1.1.3. Acréscimo patrimonial. Segundo Paul de Barros Carvalho, “a renda é todo acréscimo patrimonial, todo ingresso líquido, em bens materiais, imateriais ou serviços avaliáveis em dinheiro, periódico, transitório ou acidental, de caráter oneroso ou gratuito, que importe um incremento líqui- do do patrimônio de determinado individuo, em certo período de tempo”. TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS FÍSICAS. FATO GERADOR. CONTRIBUINTES E RESPONSÁVEIS. DOMICÍLIO FISCAL. BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTAS. LANÇAMENTO. SISTEMA DE BASES CORRENTES. PERÍODO DE APURAÇÃO — Tributação Das Pessoas Físicas A ideia de tributação pode ser entendida de duas formas. Por um lado, a tributação aparece no plano da realidade humana e social, que evoluiu ao longo do tempo e que hoje corresponde ao conjunto de instrumentos, técnicas e procedimentos fundamentais para a arrecadação de recursos necessários a serem utilizados pelo Estado no financiamento das demandas da sociedade. É neste sentido que se fala de tributação enquanto produto das lutas de classes, com suas consequências sociais, políticas e econô- micas. Trata-se de um fenômeno da vida e que por isso mesmo se submete ao regramento jurídico1. Esta perspectiva identifica a tributação no contexto dos anseios de satisfação dasde serviços. Pessoa que exerce a direção mais elevada de uma instituição ou associação civil, ou de uma companhia ou sociedade comercial, podendo ser ou não acionista ou associado. Os diretores são, em princípio, escolhidos por eleição de assembleia, nos períodos assinalados nos seus estatutos ou con- tratos sociais; II - Administrador - a pessoa que pratica, com habitualidade, atos privativos de gerência ou administração de negócios da empre- sa, e o faz por delegação ou designação de assembleia, de diretoria ou de diretor; III - Conselho de Administração - o órgão instituído pela Lei das Sociedades por Ações, cujos membros recebem para os efeitos fis- cais, o mesmo tratamento de diretores ou administradores. NOTA: São excluídos do conceito de administrador os empregados que trabalham com exclusividade para uma empresa, subordinados hierárquica e juridicamente, e, como meros prepostos ou procu- radores, mediante outorga de instrumento de mandato, exercem essa função cumulativamente com as de seus cargos efetivos, per- cebendo remuneração ou salário constante do respectivo contrato de trabalho, provado por carteira profissional, bem como o asses- sor, que é a pessoa que tenha subordinação direta e imediata ao administrador, dirigente ou diretor, e atividade funcional ligada à própria atividade da pessoa jurídica (IN SRF no 2, de 1969 e PN CST no 48, de 1972). 1.3.11. Lucro real. 1.3.12. Lucro presumido. 1.3.13. Lucro ar- bitrado. Lucro Real Toda e qualquer empresa pode optar pela modalidade de Lu- cro Real, independentemente do seu porte ou ramo de atividade. A principal característica se dá na apuração dos tributos tendo como base de cálculo o resultado determinado através da contabilidade e, ocorrendo prejuízo fiscal, não serão apurados IRPJ e CSLL, ou seja, o prejuízo poderá ser compensado com futuros lucros, sempre ob- servando o limite máximo de 30% do lucro real. Lucro Presumido As empresas com receita bruta total, no ano-calendário ante- rior, de até R$ 48.000.000,00, e cujas atividades não sejam de ins- tituições financeiras ou equiparadas e nem obtenham resultados oriundos do exterior (estes são os principais impedimentos), não poderão optar pelo lucro presumido. A principal característica da tributação por lucro presumido é que a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é apurada a partir de percen- tuais de presunção de lucro aplicados sobre a receita bruta auferida no trimestre, sendo o resultado acrescido das receitas financeiras e ganhos de capital não decorrentes da atividade operacional da pessoa jurídica. Portanto, as receitas e ganhos que não decorram da ativida- de operacional da empresa, são incluídos na base de cálculo sem aplicação dos percentuais de presunção do lucro, ou seja, integral- mente. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 471 Simples Nacional As empresas com receita bruta até R$ 3,6 milhões e que não se enquadrem em alguma das mais de vinte exceções, poderão optar por tributar seus lucros pelo Simples Nacional. A principal carac- terística desta tributação é a simplificação da apuração e a substi- tuição do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, INSS sobre a folha de pagamento (parte da empresa), IPI, ICMS e ISS por uma alíquota única. Lucro Arbitrado A tributação do Lucro de forma arbitrada ocorre geralmente por iniciativa do Fisco, nos casos em que a empresa tenha sua es- crituração contábil ou mercantil desqualificadas, sendo, por algum motivo, considerada sem valor ou inidônea, ou então, em casos es- pecíficos, por iniciativa da própria empresa. O arbitramento por conta do contribuinte pode ocorrer em casos fortuitos ou de força maior devidamente comprovados, con- forme definição da legislação civil, e desde que conhecida a receita bruta. Nesses casos, a determinação das bases de cálculo de IRPJ e CSLL é semelhante à do Lucro Presumido, com acréscimo de 20%. 1.3.14. Lucros, rendimentos e ganhos de capital obtidos no exterior. (Fonte: IOB – Excelente Material / apresentado na ínte- gra) Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no ex- terior, por pessoas jurídicas domiciliadas no país, através de suas filiais, sucursais, controlada ou coligada, estão sujeitos à incidência do IRPJ e da CSL, no regime de tributação com base no lucro real. Observe-se que os lucros obtidos serão de forma individualiza- da, adicionados ao lucro líquido, integralmente, para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL da pessoa jurídica no Brasil, quando se tratar de filial ou sucursal ou proporcionalmente à sua participação no capital, quando se tratar de controlada ou coligada. Já os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa ju- rídica, na qual a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indi- retamente, serão consolidados em seus respectivos balanços, para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL da benefi- ciária no Brasil. Lembrando que os lucros, rendimentos e ganhos de capital se- rão computados na base do lucro real e da base da CSL, antes do desconto do tributo pago no país de origem. E os rendimentos e os ganhos de capital, decorrentes de aplicações ou operações efe- tuadas no exterior, integrarão os resultados da pessoa jurídica do- miciliada no Brasil, e as perdas reconhecidas nesses resultados são indedutíveis e devem ser adicionadas para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL. As disposições a seguir não se aplicam em relação aos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos por filiais, sucursais, con- troladas ou coligadas no exterior antes de 1º.01.1996, ainda que posteriormente disponibilizados. Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, su- cursais, controladas ou coligadas serão computados para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL no balanço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Deve-se observar que: a) no caso de encerramento do processo de liquidação da em- presa no Brasil, os recursos correspondentes aos lucros auferidos no exterior, ainda não tributados no Brasil, serão considerados dis- ponibilizados na data do balanço de encerramento, devendo, nessa mesma data, serem computados para fins de determinação do lu- cro real e da base de cálculo da CSL; b) no caso de encerramento de atividades da filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliadas no exterior, os lucros auferi- dos por seu intermédio, ainda não tributados no Brasil, serão con- siderados disponibilizados, devendo ser computados para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL no balanço levantado em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário ou na data do encerramento das atividades da empresa no Brasil; c) os lucros ainda não tributados no Brasil, auferidos por filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliadas no exterior, cujo pa- trimônio for absorvido por pessoa jurídica sediada no Brasil, em vir- tude de incorporação, fusão ou cisão, serão computados para fins determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL no balanço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário do evento; d) ocorrendo a absorção do patrimônio da filial, sucursal, con- trolada ou coligada por empresa sediada no exterior, os lucros ain- da não tributados no Brasil, apurados até a data do evento, serão considerados disponibilizados, devendo ser computados para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL da be- neficiária no Brasil, no balanço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário do respectivo evento; e e) na hipótese de alienação do patrimônio da filial ou sucursal, ou da participação societária em controlada ou coligada, no exte- rior, os lucros ainda não tributados no Brasil deverão ser considera- dos para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL da alienante no Brasil, no balanço levantado em 31 de dezem-bro do ano-calendário em que ocorrer a alienação. Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, de- correntes de aplicações ou operações efetuadas diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil, serão computados nos resul- tados correspondentes ao balanço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário em que foram auferidos. Os resultados decorrentes de aplicações financeiras de renda variável no exterior, em um mesmo país, poderão ser consolidados para efeito de cômputo do ganho, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL. As perdas reconhecidas nos resultados da pessoa jurídica de- verão ser adicionadas para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL. No caso de encerramento do processo de liquidação da pessoa jurídica no Brasil, os recursos correspondentes aos rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, decorrentes de aplicações ou operações efetuadas diretamente pela pessoa jurídica domicilia- da no Brasil, serão computados na data do balanço de encerramen- to, devendo nessa mesma data, serem considerados para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL. Os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em ope- rações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil, em bolsas de valores no exterior, serão computadas na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL. As perdas de capital decorrentes de aplicações e operações efetuadas no exterior, pela própria pessoa jurídica brasileira, não poderão ser deduzidos, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL, nem compensados com lucros produzidos no Brasil. As pessoas jurídicas, cujas filiais, sucursais ou controladas no exterior não dispuserem de sistema contábil que permita a apura- ção de seus resultados, terão os lucros decorrentes de suas ativida- des no exterior determinados, por arbitramento, segundo as dispo- sições da legislação brasileira. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 472 Nos casos em que for conhecida a receita bruta das filiais, su- cursais ou controladas, a própria pessoa jurídica, no Brasil, poderá determinar o valor do lucro arbitrado. E a pessoa jurídica poderá determinar o lucro arbitrado, de forma consolidada, para todas as filiais e sucursais de um mesmo país, que não dispuserem de re- gistros contábeis que permitam a apuração individualizada de seus resultados. Quando se tratar de arbitramento de lucro de empresa contro- lada domiciliada no exterior, deverá ser observada a proporciona- lidade de participação da pessoa jurídica brasileira no patrimônio líquido da investida. O lucro arbitrado, apurado, será computado para fins de deter- minação do lucro real e da base de cálculo da CSL da pessoa jurídica domiciliada no Brasil. As pessoas jurídicas, cujas filiais, sucursais ou controladas no exterior não dispuserem de sistema contábil que permita a apura- ção de seus resultados, terão os lucros decorrentes de suas ativida- des no exterior determinados, por arbitramento, segundo as dispo- sições da legislação brasileira. Nos casos em que for conhecida a receita bruta das filiais, su- cursais ou controladas, a própria pessoa jurídica, no Brasil, poderá determinar o valor do lucro arbitrado. E a pessoa jurídica poderá determinar o lucro arbitrado, de forma consolidada, para todas as filiais e sucursais de um mesmo país, que não dispuserem de re- gistros contábeis que permitam a apuração individualizada de seus resultados. Quando se tratar de arbitramento de lucro de empresa contro- lada domiciliada no exterior, deverá ser observada a proporciona- lidade de participação da pessoa jurídica brasileira no patrimônio líquido da investida. O lucro arbitrado, apurado, será computado para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL da pessoa jurídica domiciliada no Brasil. 1.3.15. Preço de transferência. Preços de transferência Serão somadas, as seguintes receitas, relativamente ao 4º tri- mestre de apuração de cada ano, conforme a IN SRF 93/1997, artigo 36, VII a IX e parágrafo 10: A. O resultado da aplicação dos percentuais de incidência sobre as receitas auferidas nas exportações às pessoas vinculadas ou aos países com tributação favorecida que exceder ao valor já apropria- do na escrituração da empresa. Nota: esta regra refere-se aos “preços de transferência”. Exem- plo: exportação de produtos para país considerado paraíso fiscal, cujo cálculo do preço de transferência resultou em R$ 100.000,00. Será acrescido á base de cálculo R$ 100.000,00 x 8% (percentual do Lucro Presumido para venda de produtos) = R$ 8.000,00. B. A parcela dos juros pagos ou creditados ás pessoas vincula- das ou domiciliadas em países com tributação favorecida, que exce- der ao limite calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América, pelo prazo de seis meses, acrescido de três por cento anuais a título de spread, proporciona- lizados em função do período a que se referirem os juros, quando pagos ou creditados a pessoa vinculada no exterior e o contrato não for registrado no Banco Central do Brasil. C. A diferença de receita, correspondente ao valor calculado com base na taxa a que se refere o inciso anterior e o valor contra- tado, quando este for inferior, caso o contrato, não registrado no Banco Central do Brasil, seja realizado com mutuaria definida como pessoa vinculada domiciliada no exterior. Nota: os valores mencionados em A, B e C serão apurados com base nas exportações realizadas e nos encargos ou nas receitas fi- nanceiras incorridos durante o ano-calendário. 1.3.16. Investimentos em sociedades coligadas e controladas avaliados pelo método do patrimônio liquido. De acordo com o disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 243 da Lei 6.404/1976 (Lei das S/A), consideram-se coligadas as socie- dades quando uma participa, com 10% ou mais, do capital da outra, sem controlá-la e controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos adminis- tradores. 1.3.17. Reorganizações societárias Segundo Laudio Fabretti, entendendo a reorganização societá- ria como um pré requisito para crescimento, tem esta o objetivo de manterem-se competitivas, as empresas estão adotando modelos societários diferentes dos definidos em seus planos organizacionais originais. Fabretti (2001) afirma que a reorganização societária pode ser feita de diversas formas, tais como: através da transformação de um tipo de sociedade para outro, através de fusão, incorpora- ção ou cisão. Alguns desses eventos podem visar à concentração de poder econômico. Seja qual for o motivo por que se opta pela reestruturação de sociedade, o planejamento desta exige estudos aprofundados a fim de avaliar diversos aspectos, como a análise dos riscos do negócio, a legislação aplicável à empresa, análise das de- monstrações contábeis, auditoria das contas, entre outros pontos relevantes. Em suma, segundo Lilian Souza, as reorganizações societárias, além de outras possibilidades, destinam-se a: a) Separar sócios; b) Dividir e racionalizar a gestão administrativa ou operacional da empresa; c) Resolver, antecipadamente, problemas ligados com a suces- são empresarial ou a sucessão civil dos sócios; d) Abreviar o acesso a mercados; e) Obter a combinação de recursos; f) Fomentar ou viabilizar a realização de alianças e parcerias estratégicas; g) Viabilizar o descarte de atividades de baixo retorno; h) Prover a aquisição de fonte segura de suprimentos. 1.3.18. Gratificações e participações nos lucros Conforme magistério de Maurício Alvarez, “no tocante à apura- ção do Imposto de Renda (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL), muitos contribuintes ainda possuem dúvida quanto ao tra- tamento fiscal aser dispensado para as gratificações e as partici- pações no resultado, que fazem jus dirigente e administradores de pessoas jurídicas. Com relação ao imposto de renda tal dúvida é facilmente elu- cidada, pois o respectivo Regulamento (RIR/1999) é claro e especí- fico nesse sentido, conforme disposto em seus artigos 303 e 463, a seguir transcritos: Art. 303. Não serão dedutíveis, como custos ou despesas ope- racionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 3º, e Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 58, pa- rágrafo único). LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 473 Art. 463. Serão adicionadas ao lucro líquido do período de apu- ração, para efeito de determinar o lucro real, as participações nos lucros da pessoa jurídica atribuídas a partes beneficiárias de sua emissão e a seus administradores (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 58, parágrafo único). Parágrafo único. Não são dedutíveis as participações no lucro atribuídas a técnicos estrangeiros, domiciliados ou residentes no ex- terior, para execução de serviços especializados, em caráter provi- sório (Decreto-Lei nº 691, de 18 de julho de 1969, art. 2º, parágrafo único). Portanto, na apuração do Imposto de Renda tais participações não são dedutíveis. 1.3.20. Sociedades cooperativas. (Fonte: Receita Federal) As sociedades cooperativas estão reguladas pela Lei nº 5.764, de 1971 que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e insti- tuiu o regime jurídico das cooperativas. São sociedades de pessoas de natureza civil, com forma jurídica própria, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados e que se distinguem das demais sociedades pelas seguintes características: a. adesão voluntária, com número ilimitado de associados, sal- vo impossibilidade técnica de prestação de serviços; b. variabilidade do capital social, representado por cotas-par- tes; c. limitação do número de cotas-partes para cada associado, facultado, porém, o estabelecimento de critérios de proporciona- lidade; d. inacessibilidade das quotas partes do capital à terceiros, es- tranhos à sociedade; e. retorno das sobras liquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em con- trário da assembleia geral; f. quorum para o funcionamento e deliberação da assembleia geral baseado no número de associados e não no capital; g. indivisibilidade do fundos de reserva e de assistência técnica educacional e social; h. neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e so- cial; i. prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, ao empregados da cooperativa; j. área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços. NOTAS: A sociedade cooperativa deverá também (Princípios Coopera- tivos): a. ser constituída pelo número mínimo de associados, ressal- tando-se que as cooperativas singulares não podem ser constituídas exclusivamente por pessoas jurídicas, nem, tampouco, por pessoa jurídica com fins lucrativos ou com objeto diverso das atividades econômicas da pessoa física; b. não distribuir qualquer espécie de benefício às quotas-par- tes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, fi- nanceiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano atri- buídos ao capital integralizado; c. permitir o livre ingresso a todos os que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade, exceto aos comerciantes e em- presários que operam no mesmo campo econômico da sociedade, cujo ingresso é vedado; d. permitir a cada associado, nas assembleias gerais, o direito a um voto, qualquer que seja o número de suas quotas-partes. 1.3.21. Isenções e reduções (Fonte: CRC – Bahia) O lucro da pessoa jurídica não tributado em virtude de isenção ou redução do imposto de renda, apurado com base no lucro da exploração, pode ser distribuído aos sócios, desde que deduzido do correspondente imposto de renda não pago. Portanto, o valor que deixar de ser pago em virtude dessas isenções ou reduções, não poderá ser distribuído aos sócios e constituirá reserva de capital da pessoa jurídica, que somente poderá ser utilizada para absorção de prejuízos ou aumento de capital. Considera-se distribuição do valor do imposto a restituição de capital aos sócios, em casos de redução do capital social, até o mon- tante do aumento com incorporação da reserva. Considera-se, tam- bém, distribuição do valor do imposto a partilha do acervo líquido da sociedade dissolvida, até o valor do saldo da reserva de capital. Diante dos fatos acima, a pessoa jurídica perde o benefício fis- cal calculado sobre o lucro da exploração, nas hipóteses de se pagar dividendos ou lucros sobre o valor do imposto que deixou de ser pago em virtude do benefício, ou ainda, promover restituição de capital ou partilha do acervo líquido da sociedade dissolvida, nos casos e limites acima. Não existe qualquer óbice legal no sentido de impedir a pessoa jurídica de restituir capital aos seus sócios, entretanto, quando esse capital for constituído com valores resultantes de reserva consti- tuída com valor do imposto de renda não pago em decorrência do gozo de isenção ou redução condicionada, mister se faz que no mo- mento da redução de capital seja exigido o imposto que deixou de ser recolhido em virtude do benefício fiscal, objetivando não afron- tar a isonomia entre as pessoas jurídicas. Vale lembrar que a distribuição do imposto de renda que dei- xou de ser pago, em virtude das isenções ou reduções acima, im- porta em perda da isenção e obrigação de recolher, com relação à importância distribuída, o imposto que a pessoa jurídica tiver deixa- do de pagar, com os acréscimos legais. 1.3.22. Imunidades. (Fonte: Receita Federal) São imunes do imposto sobre a renda e estão obrigadas a DIPJ: a. os templos de qualquer culto (CF/1988, art. 150, VI, “b”); b. os partidos políticos, inclusive suas fundações, e as entida- des sindicais de trabalhadores, sem fins lucrativos; c. as instituições de educação e as de assistência social, sem fins lucrativos. Considera-se imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter comple- mentar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. Define-se como entidade sem fins lucrativos, a instituição de educação e de assistência social que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, desti- ne referido resultado integralmente à manutenção e ao desenvolvi- mento dos seus objetivos sociais. Para o gozo da imunidade, as instituições citadas em “b” e “c” estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a. não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b. aplicar integralmente no país seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos institucionais; c. manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 474 d. conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realiza- ção de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e. apresentar, anualmente, a DIPJ, em conformidade com o dis- posto em ato da Secretaria da Receita Federal; f. assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incor- poração, fusão, cisão ou de extinção da pessoa jurídica, ou a órgão público; g. não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquertítulo; h. outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relaciona- dos com o funcionamento das entidades citadas. 1.3.23. Tributação na fonte. (Fonte: Receita Federal) Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte principalmente os rendimentos do trabalho assalariado pagos por pessoas físicas ou jurídicas, os rendimentos do trabalho não assalariado pagos por pessoa jurídicas, os rendimentos de aluguéis e royalties pagos por pessoa jurídica e os rendimentos pagos por serviços entre pessoas jurídicas, tais como os de natureza profissional, serviços de correta- gem, propaganda e publicidade. Tem como característica principal o fato de que a própria fonte pagadora tem o encargo de apurar a incidência, calcular e recolher o imposto em vez do beneficiário. Incide também sobre rendimentos pagos, creditados, empre- gados, entregues ou remetidos a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior por fontes situadas no Brasil. Apresenta alíquotas variáveis conforme a natureza jurídica dos rendimentos, o país em que a be- neficiária é residente ou domiciliada e o regime fiscal ao qual é sub- metida a pessoa jurídica domiciliada no exterior. 1.3.24. Tributação das operações financeiras. Operações financeiras I - Ressalvado o disposto nos itens II e III, o não residente se su- jeita às mesmas normas de tributação pelo imposto sobre a renda previstas para os residentes no Brasil, em relação aos: a) rendimentos decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa e em fundos de investimento; b) ganhos líquidos auferidos em operações realizadas em bol- sas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas; c) ganhos líquidos auferidos na alienação de ouro, ativo finan- ceiro, e em operações realizadas nos mercados de liquidação futu- ra, fora de bolsa; d) rendimentos auferidos nas operações de swap. II - Os rendimentos auferidos por investidor não residente, que realizar operações financeiras no Brasil de acordo com as normas e condições estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), sujeita-se à incidência do imposto sobre a renda às seguintes alí- quotas: a) 10% em aplicações nos fundos de investimento em ações, swap, registradas ou não em bolsa, e em operações nos mercados de liquidação futura, fora de bolsa; b) 15% nos demais casos, inclusive em operações de renda fixa, realizadas no mercado de balcão ou em bolsa. III - Não estão sujeitos à incidência do imposto os ganhos de capital apurados pelo investidor não residente de que trata o item II, assim entendidos os resultados positivos auferidos: a) nas operações realizadas em bolsas de valores, de mercado- rias, de futuros e assemelhadas, ressalvado o disposto no item IV; b) nas operações com ouro, ativo financeiro, fora de bolsa. IV - A não incidência prevista na alínea “a” do item III não se aplica aos resultados positivos auferidos por não residente nas ope- rações conjugadas que permitam a obtenção de rendimentos pre- determinados, tais como as realizadas: a) nos mercados de opções de compra e de venda em bolsas de valores, de mercadorias e de futuros (box); b) no mercado a termo nas bolsas de que trata a alínea “a” deste item, em operações de venda coberta e sem ajustes diários; c) no mercado de balcão. 1.3.25. Período de apuração É a data da ocorrência ou a data do encerramento do período base. Para as receitas que a aplicação não poderá efetuar o cálcu- lo de acréscimos legais (multa de mora e juros), essa informação será obrigatória. Ela deverá ser informada no formato DDMMAAAA, onde DD é igual ao dia do mês (01 a 31), MM é igual ao número do mês, com dois algarismos (01 a 12) e AAAA é igual ao ano, com quatro algarismos. 1.3.26. Regime de caixa e regime de competência. (Fonte: Rei- naldo de Oliveira Pereira) De forma muito simplificada, podemos dizer que o regime de caixa leva em consideração o desembolso efetuado para pagamen- to de despesas ou o recebimento de vendas. Já o regime de compe- tência leva em consideração o fato gerador, ou seja, quando efetiva- mente houve a despesa ou receita, independente de haver ou não dinheiro “entrando” no caixa. Regime de competência A adoção do regime de competência tem por finalidade reco- nhecer, na contabilidade, as receitas, custos e despesas, no período a que competem, independente da sua realização em moeda. O Princípio da Competência do exercício relaciona-se com o reconhecimento do período contábil, isto é, quando uma receita ou uma despesa deve ser reconhecida, um exemplo para ilustrar e melhor compreendermos seria quando uma empresa realiza uma venda para pagamento em 60 (sessenta) dias, a receita é reconheci- da na data da venda e, portanto, o valor da venda estará indicado na Demonstração do Resultado do Exercício daquele mês. As empresas tributadas com base no lucro real estão obrigadas a adotar o regime de competência para fins de apuração dos tributos. Regime de caixa O regime de caixa representa o reconhecimento das receitas, custos e despesas, pela entrada e saída efetiva da moeda. No re- gime de Caixa, as receitas são reconhecidas somente no momen- to em que o cliente paga a fatura, e as despesas são reconhecidas no momento em que são efetivamente pagas. Tanto as empresas optantes pelo Lucro Presumido, quanto ao Simples Nacional sendo que são regulamentados respectivamente pela Instrução Normati- va SRF nº 104, de 24 de agosto de 1998 e Resolução CGSN nº 38, de 1º de setembro de 2008. 1.3.27. Alíquotas e adicional A partir do ano-calendário de 1996, as pessoas jurídicas, inde- pendentemente da forma de constituição e da natureza da ativi- dade exercida, passaram a pagar o imposto de renda à alíquota de 15% (quinze por cento), incidente sobre a base de cálculo apurada na forma do lucro real, presumido ou arbitrado. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 475 Será devido o adicional sobre a parcela do lucro real, presumi- do ou arbitrado que exceder o valor resultante da multiplicação de R$20.000,00 (vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo período de apuração, o adicional incidirá à alíquota de 10% (dez por cento). Aplica-se inclusive na exploração da atividade rural e, também, nas hipóteses de incorporação, fusão e cisão. 1.3.28. Lançamento Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujei- to passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Modalidades de Lançamento Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da le- gislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio de- clarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de noti- ficado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro le- galmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela auto- ridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quemde direi- to, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha pres- tado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimen- to formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se re- fere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de pe- nalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade adminis- trativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressa- mente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior ho- mologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se ho- mologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 1.3.29. Planejamento tributário Para Andrade Filho (2008, p. 764) o planejamento tributário – ou elisão fiscal – pode ser definido como a “escolha, entre alterna- tivas igualmente válidas, de situações fáticas ou jurídicas que visam diminuir ou reduzir o ônus tributário dentro dos limites legais”. Ou seja, é atividade lícita que investiga alternativas que proporcionem uma menor carga tributária. Deve-se salientar que o planejamento envolve uma ação ou omissão lícita adotada sempre antes da ocor- rência do fato gerador. Conforme Oliveira (2009), o planejamento tributário é impor- tante não somente nas operações cotidianas da empresa, mas tam- bém nas reorganizações de sociedades, uma vez que pode repre- sentar uma economia significativa frente ao capital das empresas. 1.3.30. Livros fiscais Livros fiscais são os exigidos pelo fisco Federal, Estadual ou Mu- nicipal. Os mais comuns são: 1. Registro de Entradas 2. Registro de Saídas 3. Registro de Impressão de Documentos Fiscais 4. Registro de Inventário 5. Registro de Apuração de IPI 6. Registro de Apuração de ICMS 7. Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR 8. Livro de Movimentação de Combustíveis - LMC LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 476 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS APLICÁVEIS. SELETIVI- DADE. NÃO-CUMULATIVIDADE. IMUNIDADES. BENS DE CAPITAL. FATO GERADOR. INDUSTRIALIZAÇÃO. CONCEITO. CARACTERÍSTICAS E MODALIDADES DE INDUSTRIALIZAÇÃO. CONTRIBUINTES E RESPONSÁ- VEIS. ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS E EQUIPARA- DOS. DOMICÍLIO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. NÃO TRIBUTADOS. SUSPENSÃO. ISENÇÃO. REDUÇÃO E MAJORAÇÃO DO IMPOSTO. PERÍODO DE APURAÇÃO. APURAÇÃO DO IMPOSTO. IPI NA IMPORTAÇÃO. LAN- ÇAMENTO. RECOLHIMENTO. ROTULAGEM E MARCA- ÇÃO DE PRODUTOS. SELOS DE CONTROLE. REGISTRO ESPECIAL. CIGARROS. BEBIDAS O imposto sobre produtos industrializados (IPI) incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros. Suas disposições estão regulamentadas pelo Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010). O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), observadas as disposições contidas nas respectivas no- tas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a nota- ção “NT” (não-tributado). PRODUTO INDUSTRIALIZADO - CONCEITO Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida no RIPI como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. INDUSTRIALIZAÇÃO Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: I – a que, exercida sobre matéria-prima ou produto intermediá- rio, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao trans- porte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanes- cente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Não se considera industrialização: I – o preparo de produtos alimentares, não acondicionados em embalagem de apresentação: a) na residência do preparador ou em restaurantes, bares, sor- veterias, confeitarias, padarias, quitandas e semelhantes, desde que os produtos se destinem a venda direta a consumidor; b) em cozinhas industriais, quando destinados a venda direta a corporações, empresas e outras entidades, para consumo de seus funcionários, empregados ou dirigentes; II – o preparo de refrigerantes, à base de extrato concentrado, por meio de máquinas, automáticas ou não, em restaurantes, bares e estabelecimentos similares, para venda direta a consumidor; III – a confecção ou preparo de produto de artesanato. IV - confecção de vestuário, por encomenda direta do consu- midor ou usuário, em oficina ou na residência do confeccionador; V – o preparo de produto, por encomenda direta do consumi- dor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional; VI – a manipulação em farmácia, para venda direta a consu- midor, de medicamentos oficinais e magistrais, mediante receita médica; VII – a moagem de café torrado, realizada por comerciante va- rejista como atividade acessória; VIII - a operação efetuada fora do estabelecimento industrial, consistente na reunião de produtos, peças ou partes e de que re- sulte: a) edificação (casas, edifícios, pontes, hangares, galpões e se- melhantes, e suas coberturas); b) instalação de oleodutos, usinas hidrelétricas, torres de refri- geração, estações e centrais telefônicas ou outros sistemas de tele- comunicação e telefonia, estações, usinas e redes de distribuição de energia elétrica e semelhantes; c) fixação de unidades ou complexos industriais ao solo; Nota: O disposto neste item não exclui a incidência do imposto sobre osprodutos, partes ou peças utilizados nas operações nele referidas. IX – a montagem de óculos, mediante receita médica; X – o acondicionamento de produtos classificados nos Capítu- los 16 a 22 da TIPI, adquiridos de terceiros, em embalagens confec- cionadas sob a forma de cestas de natal e semelhantes; XI – o conserto, a restauração e o recondicionamento de pro- dutos usados, nos casos em que se destinem ao uso da própria em- presa executora ou quando essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, bem assim o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e espe- cificamente naquelas operações; XII – o reparo de produtos com defeito de fabricação, inclusive mediante substituição de partes e peças, quando a operação for executada gratuitamente, ainda que por concessionários ou repre- sentantes, em virtude de garantia dada pelo fabricante; XIII – a restauração de sacos usados, executada por processo rudimentar, ainda que com emprego de máquinas de costura; XIV – a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pig- mentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas inter- dependentes, controladora, controlada ou coligadas. Também por força do artigo 12 da Lei 11.051/2004, não se considera industrialização a operação de que resultem os produ- tos relacionados nos códigos 2401.10.20, 2401.10.30, 2401.10.40 e na subposição 2401.20 da TIPI, quando exercida por produtor rural pessoa física. ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL – CONCEITO Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das ope- rações consideradas industrialização, de que resulte produto tribu- tado, ainda que de alíquota zero ou isento. Equiparam-se a estabelecimento industrial: I – os estabelecimentos importadores de produtos de proce- dência estrangeira, que derem saída a esses produtos; LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 477 II – os estabelecimentos, ainda que varejistas, que receberem, para comercialização, diretamente da repartição que os liberou, produtos importados por outro estabelecimento da mesma firma; III – as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o co- mércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte, salvo se aqueles operarem exclusivamente na venda a varejo e não estiverem enquadrados na hipótese do inciso anterior; IV – os estabelecimentos comerciais de produtos cuja indus- trialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de ma- térias-primas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos; V – os estabelecimentos comerciais de produtos do Capítulo 22 da TIPI, cuja industrialização tenha sido encomendada a estabeleci- mento industrial, sob marca ou nome de fantasia de propriedade do encomendante, de terceiro ou do próprio executor da encomenda; VI – os estabelecimentos comerciais atacadistas dos produtos classificados nas posições 7101 a 7116 da TIPI; VII – os estabelecimentos atacadistas e cooperativas de produ- tores que derem saída a bebidas alcoólicas e demais produtos, de produção nacional, classificados nas posições 2204, 2205, 2206 e 2208 da TIPI e acondicionados em recipientes de capacidade supe- rior ao limite máximo permitido para venda a varejo, com destino aos seguintes estabelecimentos (Lei nº 9.493, de 1997, art. 3º): a) industriais que utilizarem os produtos mencionados como insumo na fabricação de bebidas; b) atacadistas e cooperativas de produtores; c) engarrafadores dos mesmos produtos. Os estabelecimentos industriais quando derem saída a maté- rias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, ad- quiridos de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, serão considerados estabelecimentos comerciais de bens de produção e obrigatoriamente equiparados a estabelecimento industrial em relação a essas operações. IMUNIDADE São imunes da incidência do IPI: I – os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua im- pressão; II – os produtos industrializados destinados ao exterior; III – o ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial; IV – a energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País. Se a imunidade estiver condicionada à destinação do produto, e a este for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato su- jeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a imunidade não existisse. Cessará a imunidade do papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos quando este for consumido ou utilizado em fi- nalidade diversa da prevista, ou encontrado em poder de pessoa que não seja fabricante, importador, ou seus estabelecimentos distribuidores, bem assim que não sejam empresas jornalísticas ou editoras. CONTRIBUINTES São obrigados ao pagamento do IPI como contribuinte: I – o importador, em relação ao fato gerador decorrente do de- sembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; II – o industrial, em relação ao fato gerador decorrente da saída de produto que industrializar em seu estabelecimento, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que prati- car; III – o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar; IV – os que consumirem ou utilizarem em outra finalidade, ou remeterem a pessoas que não sejam empresas jornalísticas ou edi- toras, o papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, quando alcançado pela imunidade. É ainda responsável, por substituição, o industrial ou equipara- do a industrial, mediante requerimento, em relação às operações anteriores, concomitantes ou posteriores às saídas que promover, nas hipóteses e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. FATO GERADOR Fato gerador do IPI é: 1 – o desembaraço aduaneiro de produto de procedência es- trangeira; 2 – a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equi- parado a industrial. Considera-se ocorrido o fato gerador: I – na entrega ao comprador, quanto aos produtos vendidos por intermédio de ambulantes; II – na saída de armazém-geral ou outro depositário do estabe- lecimento industrial ou equiparado a industrial depositante, quanto aos produtos entregues diretamente a outro estabelecimento; III – na saída da repartição que promoveu o desembaraço adu- aneiro, quanto aos produtos que, por ordem do importador, forem remetidos diretamente a terceiros; IV – na saída do estabelecimento industrial diretamente para estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, por ordem do encomendante, quanto aos produtos mandados industrializar por encomenda; V – na saída de bens de produção dos associados para as suas cooperativas, equiparadas, por opção, a estabelecimento industrial; VI – no quarto dia da data da emissão da respectiva nota fiscal, quanto aos produtos que até o dia anterior não tiverem deixado o estabelecimento do contribuinte; VII – no momento em que ficar concluída a operação industrial, quando a industrialização se der no próprio local de consumo ou de utilização do produto, fora do estabelecimento industrial; VIII – no início do consumo ou da utilização do papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, em finalidade diferente da que lhe é prevista na imunidade, ou na saída do fabricante, do importador ou de seus estabelecimentos distribuidores, para pes- soas que não sejam empresas jornalísticas ou editoras; IX – na aquisição ou, se a venda tiver sido feita antes de conclu- ída a operação industrial, na conclusão desta, quanto aos produtos que, antes de sair do estabelecimentoque os tenha industrializado por encomenda, sejam por este adquiridos; X – na data da emissão da nota fiscal pelo estabelecimento in- dustrial, quando da ocorrência de qualquer das hipóteses enume- radas no RIPI.. XI – no momento da sua venda, quanto aos produtos objeto de operação de venda que forem consumidos ou utilizados dentro do estabelecimento industrial; XII – na saída simbólica de álcool das usinas produtoras para as suas cooperativas, equiparadas, por opção, a estabelecimento industrial. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 478 XIII - na data do vencimento do prazo de permanência da mer- cadoria no recinto alfandegado, antes de aplicada a pena de per- dimento, quando as mercadorias importadas forem consideradas abandonadas pelo decurso do referido prazo. Na hipótese de venda, exposição à venda, ou consumo no Ter- ritório Nacional, de produtos destinados ao exterior, ou na hipótese de descumprimento das condições estabelecidas para a isenção ou a suspensão do imposto, considerar-se-á ocorrido o fato gerador na data da saída dos produtos do estabelecimento industrial ou equi- parado a industrial. (http://www.portaltributario.com.br/tributos/ ipi.html) 1. Fato gerador 1.1 São duas as principais hipóteses de ocorrência do fato ge- rador do IPI: 1.1.1 Na importação: o desembaraço aduaneiro de produtos de procedência estrangeira; 1.1.2 Na operação interna: a saída de produto de estabeleci- mento industrial, ou equiparado a industrial. 2. Contribuinte 2.1 São obrigados ao pagamento do imposto como contribuin- te: 2.1.1 o importador, em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; 2.1.2 o industrial, em relação ao fato gerador decorrente da saída de produto que industrializar em seu estabelecimento, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar; 2.1.3 o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar; 2.1.4 os que consumirem ou utilizarem em outra finalidade, ou remeterem a pessoas que não sejam empresas jornalísticas ou edi- toras, o papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, quando alcançado pela imunidade prevista na Constituição Federal. Atenção: considera-se contribuinte autônomo qualquer esta- belecimento de importador, industrial ou comerciante, em relação a cada fato gerador que decorra de ato que praticar. 3. Base de cálculo 3.1 Na operação interna: O valor total da operação de que de- correr a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a indus- trial; 3.2 Na importação: O valor que servir ou que serviria de base para o cálculo dos tributos aduaneiros, por ocasião do despacho de importação, acrescido do montante desses tributos e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou deste exigíveis. 4. Alíquota São várias e estão presentes na Tabela de Incidência do Impos- to sobre Produtos Industrializados (TIPI). 5. Período de apuração 5.1 O período de apuração do Imposto sobre Produtos Indus- trializados (IPI), incidente nas saídas dos produtos dos estabeleci- mentos industriais ou equiparados a industrial, é mensal 5.2 O período de apuração mensal não se aplica ao IPI inciden- te sobre produtos de procedência estrangeira, na importação. 6. Prazo de recolhimento 6.1 São os seguintes os prazos de recolhimento do IPI: I - antes da saída do produto da repartição que processar o des- pacho, nos casos de importação; II - até o décimo dia do mês subsequente ao de ocorrência dos fatos geradores, nos casos dos produtos classificados no Código 2402.20.00 da TIPI; III - até o vigésimo quinto dia do mês subsequente ao de ocor- rência dos fatos geradores, no caso dos demais produtos; 6.2 Se o dia do vencimento de que tratam os incisos II e III não for dia útil, considerar-se-á antecipado o prazo para o primeiro dia útil que o anteceder. 7. Suspensão do IPI relativo às MPs, aos PIs e aos MEs adquiri- dos por empresas preponderantemente exportadoras Informações gerais Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as matérias-primas (MPs), os produtos intermediários (PIs) e os mate- riais de embalagem (MEs) adquiridos por pessoas jurídicas prepon- derantemente exportadoras. Serão desembaraçados com suspensão do IPI as MPs, os PIs e os MEs importados diretamente por pessoas jurídicas preponde- rantemente exportadoras. Quem pode solicitar Pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras. Atenção: Considera-se pessoa jurídica preponderantemente exportadora aquela cuja receita bruta decorrente de exportação para o exterior, no ano-calendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 50% (cinquenta por cento) de sua receita bruta total de venda de bens e serviços no mesmo perío- do, após excluídos os impostos e contribuições incidentes sobre a venda. Concessão O direito à aquisição com suspensão do IPI fica condicionado ao registro prévio perante a Superintendência Regional da Receita Federal (SRRF) do domicílio da matriz da pessoa jurídica, formaliza- do por meio de solicitação, conforme o Anexo III da Instrução Nor- mativa RFB nº 948, de 15 de junho de 2009. O registro: I - produzirá efeitos a partir da data da publicação do ato de concessão; II - será definitivo para todo o período em que prevista a pro- dução dos seus efeitos. A concessão do registro: I - dar-se-á por meio de Ato Declaratório Executivo (ADE) publi- cado no Diário Oficial da União (DOU); II - terá sua vigência automaticamente prorrogada para o ano- -calendário subsequente, salvo se a pessoa jurídica comunicar sua desistência por não preencher as condições previstas para o enqua- dramento como pessoa jurídica preponderantemente exportadora. Competência para o deferimento Superintendente Regional da Receita Federal que jurisdicione o estabelecimento matriz da pessoa jurídica. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 479 EXERCÍCIOS 1. (TJ-PA - Juiz de Direito Substituto - CESPE – 2019). Segundo a assentada jurisprudência do STJ, quando um cidadão brasileiro im- porta diretamente um veículo automotor, a incidência de imposto sobre produtos industrializados (IPI) é (A) imponível, desde que o bem destine-se ao comércio. (B) imponível, mesmo que o bem se destine a uso próprio. (C) vedada, por violar o princípio da não cumulatividade. (D) vedada, se o bem não se destinar ao comércio. (E) vedada, por configurar bitributação. 2. (TJ-RO - Juiz de Direito Substituto - VUNESP – 2019). Fulano de Tal e Beltrano da Silva assinam contrato de compra e venda no valor de R$ 200.000,00 de uma camiseta autografada pelo jogador de futebol Maradona, adquirida por Beltrano originalmente por R$ 1.000,00, sujeitando os seus efeitos ao time do coração de Fulano sagrar-se campeão em campeonato cujos jogos ocorrerão todos em janeiro do ano de 2020. Suponha que a alíquota do imposto de renda sobre ganho de capital seja aumentada de 15% para 25% em 31 de novembro de 2019. Considerando-se a situação descrita e o previsto no Código Tributário Nacional, é correto afirmar, com relação à eventual tribu- tação sobre o ganho de capital na alienação da camiseta, que o fato gerador do imposto (A) ocorrerá no momento de eventual sucesso do time no refe- rido campeonato, sendo, então, devido o imposto sob a alíquo- ta de 15%, por se tratar o imposto de renda de imposto sujeito à anterioridade nonagesimal. (B) ocorrerá no momento de eventual sucesso do time no re- ferido campeonato, sendo, então, devido o imposto sob a alí- quota de 15%, por se tratar da alíquota vigente no momento da assinatura do contrato. (C) ocorreu no momento da assinatura do contrato de compra e venda, sendo, porém, devida complementação do imposto sob a alíquota de 10%, por se tratar da alíquota vigente no mo- mento do implemento da condição. (D) ocorreu no momento da assinatura do contrato de compra e venda, sendo devido o imposto sob a alíquotade 15%, por se tratar da alíquota vigente nesse momento. (E) ocorrerá no momento de eventual sucesso do time no re- ferido campeonato, sendo, então, devido o imposto sob a alí- quota de 25%, por se tratar da alíquota vigente no momento da sua ocorrência. 3. (TCE-RO - Auditor de Controle Externo – Direito - CESPE – 2019). Assinale a opção em que o tributo apresentado é seguido de sua correta classificação. (A) imposto de renda de pessoa física (IRPF) — direto, progres- sivo, pessoal (B) imposto sobre operações relativas à circulação de merca- dorias e prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS) — direto, regressivo, proporcional (C) imposto sobre produtos industrializados (IPI) — monofási- co, progressivo e proporcional (D) imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISS) — real, variável, não proporcional (E) imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (IPTU) — pessoal, regressivo, proporcional. 4. (MPC-PA - Procurador de Contas - CESPE – 2019). Ao efetuar o pagamento de auxílio-creche a servidores, determinado estado da Federação reteve na fonte o imposto sobre a renda. Nessa situa- ção hipotética, a retenção foi (A) devida, pois o auxílio-creche integra a remuneração do ser- vidor. (B) devida, pois o auxílio-creche tem natureza indenizatória. (C) indevida, cabendo ação de repetição de indébito contra o estado, mas não contra a União. (D) indevida, cabendo ação de repetição de indébito contra a União, mas não contra o estado. (E) indevida, cabendo ação de repetição de indébito contra o estado e contra a União. 5. (Prefeitura de Curitiba - PR - Auditor Fiscal de Tributos Mu- nicipais - NC-UFPR – 20190. Vários são os regimes tributários por meio dos quais se vale o Poder Público para a tributação de pessoas físicas e jurídicas. Levando em consideração os dados apresenta- dos, assinale a alternativa correta. (A) As prestações de serviços consistentes no trabalho pessoal do próprio contribuinte, inscrito ou não em cadastro fiscal, se- rão gravadas por ISS fixo anual. (B) O fornecimento de dados inexatos com vistas ao enquadra- mento ou permanência no regime de tributação fixa anual im- plicará o desenquadramento e o recolhimento do ISS sobre o faturamento, com a aplicação das penalidades cabíveis, vedada a retroatividade. (C) A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empre- sa em cada ano-calendário. Essa opção será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano- -calendário. (D) A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real ou presumido poderá optar pelo pagamento do imposto em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada. O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro receberá o se- guinte tratamento: se positivo, será pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subsequente; se ne- gativo, poderá ser objeto de restituição ou de compensação. (E) O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, me- diante documento único de arrecadação, de vários impostos e contribuições, dentre os quais o ISS em relação aos serviços sujeitos à substituição tributária ou retenção na fonte, devido na qualidade de contribuinte ou responsável. 6. (TJ-DFT - Titular de Serviços de Notas e de Registros – Remo- ção - CESPE – 2019). No caso de um titular de ofício de notas que possua inscrição no cadastro nacional de pessoa jurídica não ser remunerado pelo erário e ter renda decorrente de emolumentos e custas, incidirá sobre essa renda o imposto de renda sobre pessoa (A) jurídica, mediante recolhimento mensal obrigatório. (B) jurídica, mediante recolhimento anual. (C) jurídica, mediante retenção na fonte. (D) física, mediante recolhimento mensal obrigatório. (E) física, mediante recolhimento anual. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 480 7. (Prefeitura de Lucena - PB – Procurador - CONTEMAX – 2019). Com relação à possibilidade da sucessão processual, na fase de execução, na hipótese de o crédito-prêmio de IPI. (A) Não é possível a sucessão processual em razão de cessão de crédito de título judicial, referente a crédito-prêmio de IPI, com a finalidade de oportunizar a compensação tributária pela cessionária. (B) É possível a sucessão processual em razão de cessão de cré- dito de título judicial, referente a crédito-prêmio de IPI, com a finalidade de oportunizar a compensação tributária pela ces- sionária. (C) Não é possível a sucessão processual em razão de cessão de crédito de título judicial, referente a crédito-prêmio de IPI, sem a finalidade de oportunizar a compensação tributária pela cessionária. (D) É possível a sucessão processual em razão de cessão de crédito de título judicial, referente a qualquer hipótese de IPI, com a finalidade de oportunizar a compensação tributária pela cessionária. (E) Não é possível a sucessão processual em razão de cessão de crédito de título extrajudicial, referente a crédito-prêmio de IPI, com a finalidade de oportunizar a compensação tributária pela cessionária. 8. (UFMG – Contador - UFMG – 2019). A Constituição Federal apresenta algumas características de dois importantes impostos: aquele sobre produtos industrializados e aquele sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de servi- ços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. Uma característica comum a ambos os impostos supracitados, de acordo com a Constituição Federal, é: (A) dependem exclusivamente do senado Federal para o esta- belecimento de alíquotas interestaduais e de exportação. (B) devem ser seletivos, em função da essencialidade do pro- duto. (C) devem ser não cumulativos. (D) são de competência da União. 9. (AFAP - Analista de Fomento – Contador - FCC – 2019). De acordo com o Código Tributário Nacional, a base de cálculo do Im- posto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza - IR é o montante (A) fixado em pauta elaborada pelo Poder Executivo, desde que publicada, por meio de decreto ou de portaria interministerial, até 90 dias antes do início do exercício em relação ao qual ela produzirá seus efeitos. (B) real, arbitrado, ficto ou presumido, da renda ou dos proven- tos, sejam eles tributáveis ou não. (C) real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. (D) fixado em pauta fiscal elaborada pelo Poder Executivo, des- de que publicada, por meio de decreto ou de portaria intermi- nisterial, até 91 dias antes do início do exercício financeiro em relação ao qual ela deverá produzir seus efeitos. (E) real, presumido ou ficto, declarado ou não pelo contribuin- te, excluída, em qualquer caso, a possibilidade de seu arbitra- mento. 10. (AFAP - Analista de Fomento – Contador - FCC – 2019). De acordo com o Código Tributário Nacional, o Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza - IR tem como fato gerador (A) a aquisição da disponibilidade de renda, assim entendido o produto do capital e do trabalho, aí incluída a expectativa de disponibilidade jurídica relacionada ao recebimento de heran- ça proveniente do exterior, desde que prevista em lei comple- mentar federal. (B) a aquisição da disponibilidade de renda, assim entendidas as espécies de rendimentos expressamente previstas como tal, em ato próprio, emanado do Poder Executivo Federal. (C) a expectativa de aquisição, em até três exercícios futuros, de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, ainda que esta disponibilidade não venha a se realizar. (D) a aquisição da disponibilidade, econômica ou jurídica, de proventos, assim entendidos exclusivamente os acréscimos pa- trimoniais definidos em decreto federal publicado em exercício financeiro anterior àquele em que o referido decreto deverá produzir seus efeitos. (E) a aquisição da disponibilidade, econômica ou jurídica, de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. GABARITO1 B 2 E 3 A 4 C 5 C 6 D 7 A 8 C 9 C 10 E“necessidades públicas”, assim entendidas as pri- vações, os desejos ou os estados de insatisfação experimentados pelos indivíduos, que somente puderam ser satisfeitos a partir da construção da vida em sociedade. O indivíduo, nas sociedades pri- mitivas, isolado, pode caçar, pescar ou colher frutos e raízes alimen- tícias, mas a repulsa ao ataque de outra tribo, a luta contra animais ferozes de grande porte, a abertura das primeiras sendas na floresta deveria ter exigido a conjunção de esforços na ação coletiva. Seria exatamente a conjugação de todos estes esforços que te- ria provocado a necessidade de gerar recursos financeiros, por meio da tributação, para serem utilizados em prol da própria sociedade. Essa ideia de tributação enquanto realidade no tempo e no espaço pode ser observada historicamente nos vários motins e mudanças de regime em consequência de reivindicações fiscais, como na In- confidência Mineira, na “Gloriosa Revolução” britânica de 1688, na Independência das 13 colônias norte-americanas, nas dificuldades do Tesouro que levaram Luís XVI à convocação dos Estados Gerais, e que por sua vez culminaram com a Revolução Francesa, entre mui- tos outros exemplos. Há, entretanto, uma segunda forma por meio da qual é possí- vel se compreender a ideia de tributação. Pode-se compreendê-la numa perspectiva estritamente jurídica, enquanto conjunto de ele- mentos fáticos e normativos que resultam na incidência tributária. Neste sentido, a tributação é o fenômeno jurídico que tem no tributo o seu elemento nuclear, considerando desde o fato jurídico tributário, passando pela previsão normativa, até o exaurimento da relação jurídica tributária subjacente, com todas as suas implica- ções. A compreensão sobre a existência da relação jurídico tributária e o dever em arcar com suas prestações exige entendimentos que antecedem ao próprio ramo do direito tributário, requerendo com- preensão de aspectos relacionados à atividade financeira do estado e ao direito financeiro. A realização de despesas por qualquer sujei- to pressupõe a obediência ao ingresso de receitas, as quais são vi- tais para aquisição dos bens utilizados em suas básicas atividades2. Essa busca por receitas será uma constante não apenas entre pessoas físicas, mas também entre pessoas jurídicas de direito pri- vado ou público como forma de custear seus fins estruturais. Tratando-se das pessoas físicas, a obtenção de receitas (aqui- sição da renda), advinda ou não de relações trabalhistas, objetiva o alcance de valores para manutenção da própria vida, fundamentais para o custeio de moradia, alimentação, vestuário, educação, den- tre outros. Nas pessoas jurídicas de direito privado, a obtenção de receitas poderá ser encarada sob dois pontos. O primeiro se relaciona à ne- cessidade de valores para manutenção da própria estrutura empre- sarial, vinculados aos custos operacionais de aluguéis, maquinário, fornecedores, trabalhadores etc. O segundo atrela-se à obtenção de lucro a ser dividido entre os sócios, gerentes e fundadores da própria pessoa jurídica. 1 Portella, André. Legislação tributária / André Portella. - Salvador: UFBA, Facul- dade de Ciências Contábeis; Superintendência de Educação a Distância, 2018. 2 Novais, Rafael. Direito tributário facilitado / Rafael Novais. – 3. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 461 Nessa mesma linha de pensamento, as pessoas jurídicas de direito público (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) tam- bém necessitam de receitas para a consecução de suas atividades estatais em benefício da coletividade. Com efeito, para que esses entes políticos executem as atribuições estampadas na Carta Mag- na, será necessária a realização das denominadas despesas públi- cas. A limpeza pública, saneamento básico, contratação em licita- ção pública, saúde pública, remuneração de servidores públicos, retratam apenas algumas das atividades essenciais que devem ser prestadas pelos entes federados e que acarretam custos operacio- nais. O ramo do direito financeiro objetiva exatamente a explicação das modalidades de ingresso de receitas financeiras e efetuação das despesas públicas pelos entes políticos, regidas por meio de disci- plinamento específico. A vinculação com o direito tributário dar-se em função da importância do papel dos tributos nessa aquisição das receitas. Tributo Há duas perspectivas de definição para tributo, que interessam no estudo da Legislação Tributária. Na primeira, o tributo é consi- derado enquanto receita pública, ou seja, instrumento de geração de receita em favor do Estado, para fins de custeio das despesas públicas3. Trata-se de uma definição financeira de tributo, e é esta que se encontra presente na Lei 4.320/64, Art. 9º: Art. 9º Tributo é a receita derivada instituída pelas entidades de direito público, compreendendo os impostos, as taxas e contri- buições nos termos da constituição e das leis vigentes em matéria financeira, destinando-se o seu produto ao custeio de atividades ge- rais ou especificas exercidas por essas entidades. Significa que o tributo é uma das formas que o Estado tem para auferir receita, ao lado de tantas outras, como podem ser a contratação de uma operação de crédito junto a uma instituição financeira, ou por meio da venda de um bem ou empresa do seu patrimônio. Por outro lado, há também uma definição jurídica de tributo, nos termos do que se encontra previsto no Código Tributário Nacio- nal (CTN), Art. 3º: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua san- ção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Esta é uma definição muito mais precisa que a anterior, na qual estão presentes vários elementos, que podem ser sistematizados da seguinte forma: a) “tributo é prestação pecuniária, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir”: isto significa que o tributo deve ser pago em dinheiro, moeda corrente no país, admitindo-se o seu pagamen- to por outros meios apenas em situações excepcionalíssimas. Trata- -se de uma garantia em favor do contribuinte, por meio da qual se impede a Administração Tributária de adotar medidas confiscató- rias ou restritivas quanto ao patrimônio do contribuinte; b) compulsoriedade: tributo é receita que o Estado aufere, através do seu poder de império. O Estado não negocia o pagamen- to do tributo, não pede ao contribuinte o pagamento. Ele exige o pagamento, por meio de lei, e sob pena de sanção. É possível que o Estado também aufira pagamento por meio de uma negociação realizada com os cidadãos, entretanto, neste caso, não se estará diante do pagamento de um tributo; 3 Portella, André. Legislação tributária / André Portella. - Salvador: UFBA, Facul- dade de Ciências Contábeis; Superintendência de Educação a Distância, 2018. c) Nesse sentido, o tributo se diferencia de um preço ou de uma tarifa, e até mesmo do pedágio: Nesses casos, são todas pres- tações contratuais. Nelas, a obrigação de pagamento não se estabe- lece por meio de lei, e sim por meio de um contrato entre o cidadão e o prestador do serviço, seja ele o Estado ou uma concessionária habilitada; d) legalidade: o tributo tem de ser estabelecido por meio de lei, ressalvadas as exceções que a Constituição Federal de 1988 (CF/88) venha a estabelecer, e que serão estudadas adiante. Por isso se diz que a incidência do tributo gera uma obrigação ex legge (que decorre da lei); e) não-sancionador: tributo não é sanção, não é uma pena, não é uma multa. Embora seja obrigatório, ao contrário da multa, o tributo não é pago como forma de penalizar o cidadão por algo ilícito que ele tenha cometido; f) cobrança vinculada: a cobrança de um tributo tem de ser realizada em conformidade com as estritas previsões legais. O pro- cedimento de cobrança de um tributo não pode ser feito segundo a vontade ouas preferências do agente fazendário responsável. Este deve se limitar a realizar o que a norma jurídica tributária determi- ne, sob pena de nulidade da cobrança. Espécies Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), são cinco as espécies tributárias: imposto, taxa, contribuição de melhoria, contribuições especiais, empréstimo compulsório. A definição precisa de cada uma dessas espécies decorre da análise de duas variáveis: o fato gerador e a destinação que se dá à arrecadação de cada uma delas. O fato gerador do tributo, para o que interessa neste momento, é a situação em função da qual ocor- rerá a incidência do tributo e, portanto, a obrigação de pagamento. Este fato gerador poderá ser de dois tipos: vinculado, quando o Estado participa da situação da qual decorre a obrigação de pa- gamento do tributo; ou não-vinculado, quando não é necessária a participação do Estado na situação, gera a obrigação de pagamento. Por outro lado, a destinação também poderá ser vinculada, quando o recurso arrecadado tem de ser utilizado para uma finali- dade previamente estabelecida em lei; ou não vinculada, quando não há uma determinação prévia sobre em que deverá ser utiliza- do o recurso arrecadado. Neste último caso, a utilização do recurso será definida a cada ano, conforme a decisão política estabelecida por meio da legislação orçamentária, em especial por meio da Lei Orçamentária Anual (LOA). — Fato Gerador Fato gerador é a situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência da obrigação tributária. O fato gerador deve necessariamente estar previsto em lei e ser precisamente enqua- drado na descrição normativa. Fato que não tenha o perfeito en- quadramento em tal descrição será considerado atípico e, portanto, não estará apto a provocar a incidência, nem tampouco o pagamen- to do tributo4. É também necessário que o fato gerador seja expressivo de al- gum tipo de riqueza por parte do contribuinte. Com efeito, para que se origine a obrigação tributária, é necessário que o contribuinte manifeste capacidade econômica, por quaisquer das vias possíveis, seja por meio do rendimento, da propriedade, do consumo ou da transmissão da propriedade. Fato que não expresse riqueza não poderá ser alcançado pela tributação, sob pena de caracterizar-se confisco 4 Portella, André. Legislação tributária / André Portella. - Salvador: UFBA, Facul- dade de Ciências Contábeis; Superintendência de Educação a Distância, 2018. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 462 O fato gerador pode ser classificado de acordo com a relação jurídica que dele decorre e com relação à sua própria natureza jurídica. No primeiro caso, é possível se falar em fato gerador da obrigação tributária principal e fato gerador da obrigação tributária acessória (dever formal tributário). Assim, auferir renda é fato gera- dor da obrigação de pagar IR. Por outro lado, o mero fato de operar em bolsa de valores é fato gerador do dever de realizar a declaração anual do IR (DIRPF), ainda que nada se tenha que pagar a título desse imposto. Quanto à sua própria natureza, o fato gerador pode consti- tuir uma situação de fato ou uma situação jurídica. É exemplo da primeira categoria uma conduta humana qualquer, destituída de quaisquer solenidades jurídicas, como é o caso da prestação de um serviço de consultoria qualquer. Não obstante, o fato gerador também pode constituir uma si- tuação jurídica, a demandar formalidades na sua realização, como pode ser o fato gerador do ITIV, a exigir uma transmissão imobiliária por meio do Cartório de Registro de Imóveis, nos moldes estabele- cidos no Código Civil e na legislação aplicável. O momento da ocorrência de um fato gerador varia de acordo com a sua natureza. Tratando-se de situação de fato, a ocorrência se dá desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias mate- riais que lhe são inerentes (CTN, Art. 116, I). Por outro lado, tratan- do-se de situação jurídica, desde o momento em que tal situação esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Se o fato gerador consiste em ato ou negócio jurídico que se encontra suspenso devido a uma condição qualquer estabelecida entre as partes (condição suspensiva), a incidência somente se dará no momento em que a condição for satisfeita. Entretanto, se o ato ou negócio jurídico já está sendo realizado e sobrevém uma condição que suspende os seus efeitos (condição resolutória), a in- cidência tributária poderá se dar até o momento que sobreveio a condição (CTN, Art. 117, II). Fato gerador ilícito e norma geral antielisão Ao contrário do que ocorre com a multa, cujo fato gerador é sempre e necessariamente um ato ilícito realizado por aquele que deverá pagá-la, no caso do tributo, o fato gerador poderá ser lícito ou ilícito. Com efeito, para o legislador tributário o que interessa é tão somente a adequação da conduta do contribuinte à descrição da norma de incidência. Não importam as circunstâncias, lícitas ou ilícitas, em que a si- tuação tenha transcorrido. É neste sentido que dispõe o CTN, Art. 118, que a definição legal do fato gerador é interpretada abstrain- do-se: a) da validade jurídica dos atos efetivamente praticados; b) da natureza do objeto dos atos jurídicos; c) da natureza dos efeitos oriundos dos atos jurídicos; ou d) dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Assim, o auferimento de renda poderá dar ensejo à incidência do IR, não importando se tal auferimento decorreu do trabalho ho- nesto ou de uma atividade vedada pela legislação. Se um indivíduo presta um serviço qualquer, submetido à incidência do ISS, deverá pagar o imposto, ainda que não tenha a certificação exigível por parte do órgão competente. O pagamento do tributo em tais situações deverá ocorrer sem prejuízo da eventual penalidade igualmente aplicável decorrente de outro ramo do Direito, como pode ser o Direito Penal, Admi- nistrativo ou Empresarial. Conforme previsto no CTN, Art. 157, “a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. É possível, por outro lado, que a autoridade administrativa des- considere atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária (CTN, Art. 116, pa- rágrafo único, incluído pela LC 104/01). Ou seja, o contribuinte que declare ter realizado ato de forma distinta daquela que realmente realizou, com o fim tão somente de não pagar tributo, ou pagar em valor inferior ao que deveria, poderá ter tal declaração desconside- rada pela autoridade administrativa. — Contribuintes E Responsáveis A obrigação tributária possui elementos essenciais à sua con- formação, consistentes no sujeito ativo, sujeito passivo, objeto, crédito tributário e débito tributário. Sujeito ativo é aquele que tem o direito de exigir o pagamento do tributo ou da multa tributária. Poderá ser um ente político da fe- deração, ou uma entidade, conforme definido em lei, as chamadas entidades “parafiscais”, como é o caso de uma autarquia. Os Conselhos Profissionais são exemplos de entidades parafis- cais, na medida em que podem cobrar as anuidades dos seus filia- dos, que nada mais são do que contribuições de caráter tributário5. Sujeito Passivo Sujeito passivo da obrigação tributária é aquele que ocupa o polo passivo da relação jurídica tributária. Com base no CTN, Arts. 121 e 122, é aquele sobre quem recai a obrigação a) de pagar tribu- to, b) de pagar multa, ou c) de cumprir dever formal, tudo conforme a legislação vigente. Somente a lei pode estabelecer quem será o sujeito passivo da obrigação tributária (CTN, art. 97, III). Não cabe ao Decreto a sua indicação, nem muito menos aos contratos firmados entre particu- lares (CTN, Art. 123). É irrelevante, para o fisco, que um contrato de aluguel indique que a obrigação de pagar o IPTU será do inquilino, por exemplo, caso a lei do imposto determine que o sujeito passivo é o locador.Não se deve confundir sujeito passivo tributário com “sujeito repercutido”. Este último não ocupa lugar na obrigação tributária, mas terminará sofrendo os efeitos econômicos da tributação. É o que ocorre com o consumidor final no caso da incidência do ICMS, por exemplo. O consumidor final (“sujeito repercutido”) terminará arcando com o efeito econômico da tributação, mas não cabe a ele ser co- brado do imposto, caso este imposto, por alguma razão, não tenha sido recolhido pelo vendedor. Por outro lado, não importa que o sujeito passivo da obrigação tributária seja um menor. O que importa é se ele realizou ou não o fato gerador da obrigação, ou se ele foi responsabilizado pelo paga- mento do tributo, segundo a legislação vigente. No caso das empresas, não importa se é uma empresa regular ou irregular. Se realizou o fato gerador, será contribuinte do impos- to. Portanto, a capacidade jurídica do sujeito passivo tributário in- depende da sua capacidade civil, comercial, profissional ou de ad- ministração de bens ou negócios, bem como da regularidade da sua constituição (CTN, Art. 126). Espécies de sujeito passivo Segundo o CTN, Art. 121, parágrafo único, o sujeito passivo classifica-se em: a) contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; 5 Portella, André. Legislação tributária / André Portella. - Salvador: UFBA, Facul- dade de Ciências Contábeis; Superintendência de Educação a Distância, 2018. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 463 b) responsável, quando, sem revestir a condição de contribuin- te, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Contribuinte é o indivíduo que participa diretamente da situ- ação que constitui fato jurídico tributário. Para identificar o contri- buinte, basta saber qual é o fato gerador do tributo respectivo. Assim, contribuinte do IR, por exemplo, é aquele que aufere renda; contribuinte do ISS é aquele que presta serviço; contribuinte do IPVA é o proprietário do veículo automotor. O fato gerador poderá ser realizado por mais de um indivíduo ou contar com a participação de indivíduos na sua realização. Nes- se caso, está-se diante do que o CTN denomina de solidariedade tributária. A solidariedade tributária poderá ser de dois tipos: “solidarie- dade de fato”, na qual duas ou mais pessoas têm interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária; ou “solidariedade de direito”, quando decorra de determinação ex- pressamente designada pela lei (CTN, Art. 124). É exemplo de solidariedade tributária a situação na qual dois indivíduos são coproprietários de um mesmo imóvel urbano. Nes- se caso, haverá solidariedade entre tais indivíduos com relação ao IPTU. A solidariedade tributária provoca os seguintes efeitos (CTN, Art. 125): a) não comporta benefício de ordem. Isso significa que não há ordem de preferência entre os obrigados, para fins de pagamento do tributo. Cada um pode ser cobrado pela totalidade da dívida. Por outro lado, o pagamento realizado por um dos obrigados apro- veita aos demais. Ou seja, se a totalidade da dívida foi paga por um dos obrigados, a Fazenda Pública não poderá cobrar nada mais dos demais; b) a isenção ou a remissão (perdão) da dívida exonera todos os obrigados. A única exceção ocorre naqueles casos em que a isenção ou a remissão seja concedida de forma pessoal a apenas um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo sal- do remanescente (descontada a parte relativa àquele que recebeu o benefício); c) a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obri- gados, favorece ou prejudica aos demais. Se apenas um dos coo- brigados realizou um ato que provoca a interrupção da prescrição, essa interrupção valerá para todos. Responsável tributário, por sua vez, é o terceiro que, não tendo realizado o fato gerador, responde pela obrigação tributária (CTN, Art. 128). Ou seja, o fato gerador é realizado pelo contribuin- te, mas a legislação determina que a obrigação de pagamento seja cumprida pelo responsável. Embora o responsável não tenha realizado o fato gerador, é ne- cessário que ele tenha algum tipo de relação para com o fato, não podendo ser alguém absolutamente alheio ao mesmo. A responsa- bilidade tributária subdivide-se em quatro categorias: responsável por substituição; por sucessão; responsabilidade de terceiro; e por infração. Na responsabilidade por substituição, o legislador atribui a terceiro a condição de responsável por uma questão de conveni- ência da administração, que terá maior facilidade para fiscalizar e cobrar o tributo considerado. Em geral, a responsabilidade por substituição é estabelecida onde se concentram situações que con- figuram fatos geradores e onde, portanto, será possível concentrar os esforços de fiscalização por parte da Fazenda Pública. É o caso do recolhimento do IRPF na fonte (IRRF). A empre- sa que emprega 1.000 trabalhadores costuma ser responsabiliza- da pelo recolhimento do IRPF, pois, para a Receita Federal, é mais conveniente essa modalidade de arrecadação a ter que cobrar o imposto de cada um dos 1.000 empregados. A responsabilidade por sucessão é a situação na qual um indi- víduo (o responsável) assume o lugar de outro (o contribuinte) na condição de obrigado ao pagamento do tributo. Conforme previsto no CTN, Arts. 129 a 133, a sucessão pode-se dar nos seguintes ca- sos: a) nos tributos que incidem sobre bens (“tributos reais”, a exemplo do IPTU e do IPVA) a responsabilidade se dá em função da transmissão do bem sobre o qual recai a dívida tributária. Nesse caso, a responsabilidade recai sobre aquele que adquire a proprie- dade ou a posse do bem (“transmissário”); b) nos tributos que incidem sobre pessoas físicas (“tributos pessoais”, a exemplo do IRPF ou do ICMS), a sucessão se dá com o falecimento (“abertura da sucessão”) daquele que está devendo tributos. Nesse caso, o responsável por sucessão será: • o conjunto de bens (“espólio”) deixado pelo contribuinte que tenha falecido (“de cujus”); • o herdeiro a qualquer título e o “cônjuge meeiro” pelos tribu- tos com relação aos quais ainda esteja em dívida no momento da divisão da herança (“partilha” ou “adjudição”). Em ambas as situações, o valor a ser pago pelo responsável não poderá ultrapassar o montante que lhes caiba na herança. c) nos tributos incidentes sobre pessoa jurídica, a responsabi- lidade ocorre nos casos em que a empresa devedora de tributo é assumida por outro sujeito. A depender da situação específica, o responsável por sucessão será: • a pessoa jurídica resultante de fusão, cisão ou incorporação; • o sócio, ou o seu espólio, que continuar a atividade da pessoa jurídica extinta; • a pessoa física ou jurídica adquirente de estabelecimento ou fundo de comércio. Nesse caso, a responsabilidade do adquirente será: 1. integral, se o antigo proprietário (vendedor ou alienante) deixar de realizar a atividade empresarial. Nesse caso, o adquirente responderá sozinho pela dívida; 2. subsidiária, se o alienante continua a realizar atividade em- presarial, ou a retoma dentro de 6 meses, no mesmo ou noutro ramo. 3. Não obstante, se a aquisição de um estabelecimento ou fun- do de comércio se der por meio judicial, no âmbito de um proces- so de falência ou recuperação judicial, sem a ocorrência de fraude, o adquirente não terá qualquer responsabilidade e, nesse caso, a obrigação continua a ser do alienante (vendedor). A responsabilidade de terceiros encontra-se prevista no CTN, Arts. 134 e 135 e ocorrerá em dois grupos de hipóteses. O primeiro deles se dá em função da existência de uma relação pessoal entre contribuinte e responsável. São casos nos quais o contribuinte não tem condição de rea- lizar o pagamento da obrigação tributária, em função da situação jurídica em que se em encontra. São hipóteses de responsabilidade de terceiro neste primeiro grupo: a) os pais, pelo pagamento dos tributos devidos pelos filhos menores; b) os tutorese curadores, pelos tributos devidos pelos tutela- dos e curatelados; LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 464 c) o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; d) o administrador da falência, pelos tributos devidos pela mas- sa falida; e e) os sócios, pelos tributos devidos pela empresa em liquidação de sociedades de pessoas. O segundo grupo de hipóteses de responsabilidade de terceiro se dá naqueles casos em que exista relação pessoal entre o res- ponsável e o fato gerador do tributo. Encontram-se incluídas neste grupo os seguintes casos: a) os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pe- los tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; b) os administradores de bens de terceiros, pelos tributos de- vidos por estes. Finalmente, a responsabilidade por infração é aquela que de- corre da comissão de ato ilícito. Segundo o CTN, Arts. 136 a 138, essa responsabilidade independe da intenção do agente, bem como da sua efetividade, natureza e extensão dos seus efeitos. É excluída pela “denúncia espontânea”, assim entendida a confissão apresen- tada pelo próprio infrator antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização tendente à apuração da infração. — Domicílio Fiscal Inicialmente, precisamos perceber que a definição do domicílio tributário beneficiará ambos os sujeitos da relação tributária. Para as fazendas públicas (sujeito ativo) a correta localização do devedor tributário, ao passo em que os contribuintes e responsáveis (sujei- tos passivos) tem o direito de obterem corretas informações sobre sua vida fiscal e o dever de honrar eventuais exações6. O legislador nacional estabeleceu no art. 127 do CTN específi- cas previsões sobre esse tema, extraindo-se dele a regra do domi- cílio de eleição, quando o próprio sujeito passivo (contribuinte ou responsável) elegerá o local para sua localização. A importância dessa regra é percebida pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, ao inadmitir validade de notificação encaminhada para local diverso do endereço corretamente eleito pelo contribuinte (REsp 33.837/MG). Jurisprudência Tributário. Domicílio tributário. Firma individual. CTN, art. 127, II. Aplicação. I – O acórdão recorrido, ao admitir como válida no- tificação fiscal enviada para local diverso do domicílio tributário do contribuinte, que era do conhecimento do Fisco, ofendeu o art. 127, II, do CTN. II – Recurso especial conhecido e provido (STJ, REsp 199300094963, 2ª Turma, Antônio de Pádua Ribeiro, DJ 25.03.1996, p. 8.560). Essa eleição, entretanto, não poderá resultar em impossibili- dade ou dificuldade na arrecadação ou a fiscalização dos tributos, pois, se assim ocorrer, a Fazenda Pública interessada deverá recusar a eleição realizada e seguir a sequência das demais regras (art. 127, § 2º, do CTN). Inexistindo eleição do domicílio (ou recusa daquele anterior- mente eleito), a identificação será feita nos moldes dos incisos do art. 127 do CTN, determinando: → Pessoa Física (natural): residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; 6 Novais, Rafael. Direito tributário facilitado / Rafael Novais. – 3. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018. → Pessoa Jurídica de direito privado ou firmas individuais: o lu- gar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; → Pessoa Jurídica de direito público: qualquer de suas reparti- ções no território da entidade tributante. Se após a utilização dessas regras específicas, permanecer au- sente a identificação do domicílio tributário, utilizar-se-á o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação (art. 127, § 1º, do CTN). — Base De Cálculo O objeto da obrigação tributária poderá ser de dois tipos, a de- pender de qual seja a espécie de obrigação considerada, conforme indicado no CTN, Art. 113. Na obrigação tributária principal, o obje- to consistirá em pagar à Administração Tributária um determinado valor a título de tributo ou multa tributária7. Na obrigação tributária acessória, o objeto será uma conduta do contribuinte, que deverá fazer ou deixar de fazer alguma coisa, no interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. O valor a pagar a título de tributo poderá ser definido pela lei de duas formas. Poderá ser um valor fixo, que não varia com re- lação à riqueza que se esteja tributando. Nessa situação, trata-se daquilo que se denomina tributo de “alíquota fixa”, ou “alíquota específica”. É o caso do ISS sobre profissionais liberais. Um contador, por exemplo, não paga ISS em função do seu faturamento mensal. Paga um valor fixo, com independência de quanto tenha recebido de ho- norários. Por outro lado, é possível que o valor a pagar a título de tribu- to seja resultado da aplicação de duas variáveis previstas em lei: a base de cálculo (também denominada base imponível, matéria tributável, pressuposto valorativo do tributo, etc.) e a alíquota (“ad valorem” ou “ad rem”). A base de cálculo é a variável matemática prevista em lei, que será utilizada como referência para aferir o tributo a pagar. Poderá ser de dois tipos: monetária, quando o valor considerado for ex- presso em moeda, como no caso do IR; ou absoluta, quando o valor considerado for expresso em qualquer outra grandeza que não a monetária. É o caso, por exemplo, do IPI incidente sobre a cerveja. Nesse caso, a base de cálculo não é o valor monetário faturado pela in- dústria, mas o volume de cerveja produzido, aferido por meio de medidores de vazão. — Alíquotas No consequente normativo, encontram-se indicados os ele- mentos da obrigação tributária, assim divididos8: a) Aspecto subjetivo, constituído pelos sujeitos que participa- rão da obrigação: • Sujeito ativo: aquele que tem o direito de exigir o pagamen- to; • Sujeito passivo: aquele sobre quem recai a obrigação de pa- gamento. b) Aspecto objetivo ou quantitativo, constituído pelas variá- veis que permitirão a definição do valor a pagar a título de tributo: • Base de cálculo: variável definida em lei, que servirá de parâ- metro para aferir o valor do tributo a pagar; 7 Portella, André. Legislação tributária / André Portella. - Salvador: UFBA, Facul- dade de Ciências Contábeis; Superintendência de Educação a Distância, 2018. 8 Portella, André. Legislação tributária / André Portella. - Salvador: UFBA, Facul- dade de Ciências Contábeis; Superintendência de Educação a Distância, 2018. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 465 • Alíquota: variável definida em lei, a ser aplicada sobre a base de cálculo, para fins de definir o valor a pagar a título de tributo. A alíquota é a variável matemática que será aplicada sobre a base de cálculo para fins de definição do tributo a pagar. Também poderá ser de dois tipos: ad valorem, quando é expressa em por- centagem; ou ad rem, quando é expressa em valor monetário. Sempre que uma alíquota for ad valorem, a base de cálculo do tributo será monetária. Sempre que a uma alíquota for ad rem, a base de cálculo do tributo será absoluta. Trata-se de uma necessidade lógica, tendo em vista que todo tributo deve ser pago sempre em moeda. — Lançamento Em termos técnicos, o CTN utiliza a expressão “lançamento tri- butário” para se referir à constituição do crédito tributário9. De forma mais precisa, o Art. 142 do Código refere-se a lan- çamento tributário como “procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo de- vido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” O parágrafo único indica, por outro lado, que “a atividade ad- ministrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Assim, à luz do CTN, Art. 142, o lançamento constitui o créditotributário, o que significaria que o crédito somente passa a existir a partir do momento em que se realiza o lançamento. Trata-se de um procedimento constituído por uma série de atos que resultarão na indicação do valor a pagar, assim como dos sujeitos envolvidos, e que podem ser assim sistematizados: a) verificação da ocorrência do fato gerador; b) determinação da matéria tributária; c) cálculo do montante do tributo devido, expresso em moeda nacional – quando o valor esteja expresso em moeda estrangeira, deverá ser convertido em moeda nacional ao câmbio do dia da ocorrência do fato gerador da obrigação (CTN, Art. 143); d) identificação do sujeito passivo. Tal procedimento será realizado tanto pela Administração como pelo sujeito passivo, seja de forma a auxiliar a Administração, seja de forma autônoma, por meio da definição de valor a pagar. O lançamento tributário tem como características fundamen- tais ser vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade fun- cional. Significa que o agente fazendário responsável pelo lança- mento não poderá deixar de realizar o lançamento sempre que o mesmo seja aplicável e também não poderá deixar de se ater àquilo que esteja disposto na lei, ao realizá-lo. Não poderá decidir sobre um ato qualquer de acordo com o que considera correto. Deverá aplicar o que a lei prevê para cada caso, sob pena de nulidade e de penalizações. O lançamento reporta-se à data do “fato gerador” e rege-se pela lei então vigente. Ou seja, mesmo que o lançamento venha a ser realizado após a revogação de uma norma de incidência tributá- ria, no mesmo deverá ser aplicada tal norma, tendo em vista ser ela que estava vigente ao tempo do fato gerador. Imagine que uma lei de 2017 tenha alterado a alíquota do IPTU, de 1% para 2%. Imagine, por outro lado, que determinado contri- buinte não tenha pago o IPTU dos anos de 2014 a 2016. Nesse caso, o lançamento a ser realizado em 2018 deverá aplicar a alíquota an- tiga, de 1%, tendo em vista que era ela que estava vigente no mo- mento em que ocorreram os fatos geradores. 9 Portella, André. Legislação tributária / André Portella. - Salvador: UFBA, Facul- dade de Ciências Contábeis; Superintendência de Educação a Distância, 2018. Os únicos casos em que o lançamento deverá levar em conside- ração a norma nova, e não a revogada, se dá quando a norma nova tenha: a) instituído novos critérios de apuração ou fiscalização; b) ampliado os poderes das autoridades administrativas; ou c) outor- gado ao crédito maiores garantias, exceto, neste último caso, quan- do para atribuir responsabilidade a terceiros (CTN, Art. 144, §1º). Modalidades de lançamento O CTN prevê três modalidades de lançamento: de ofício, por declaração ou por homologação. Lançamento de ofício, ou direto, é aquele realizado pela Admi- nistração, sem a intervenção do sujeito passivo na sua elaboração, ou a partir de uma participação que não mereça fé, nos termos do CTN, Art. 148. Portanto, é lançamento direto tanto aquele ordina- riamente realizado por iniciativa da Administração como também aquele realizado a partir da omissão do sujeito passivo, ou da apre- sentação de dados e documentos pelo mesmo ou por terceiro obri- gado que não mereçam fé (CTN, Art. 148). Daí a classificação doutrinária que divide o lançamento direto em ordinário, ou por arbitramento, respectivamente, e cujas hipó- teses encontram-se elencadas no CTN, Art. 149. O IPTU e o IPVA são exemplos de tributos submetidos, de forma ordinária, a lança- mento de ofício. Lançamento por declaração, ou misto, é aquele realizado pela Administração com base nas informações prestadas pelo sujeito passivo ou terceiro obrigado, sobre matéria de fato indispensáveis à efetivação. É o que ocorre com o Imposto de Importação, no qual o importador deve informar ao Fisco todos os dados referentes ao fato gerador, por meio da declaração de importação. Lançamento por homologação, ou autolançamento, é aquele que o sujeito passivo realiza e com base no qual paga antecipada- mente sem prévio exame da Administração (CTN, Art. 150). Nesse caso, o lançamento estará sujeito a homologação da autoridade ad- ministrativa. O pagamento antecipado não extingue o crédito tributário, permanecendo condicionada a extinção à posterior homologação. IPI, ICMS, IR são tributos cujo lançamento é feito por homologação. A homologação deverá ser realizada pela Administração no prazo de 5 anos a contar do fato gerador da obrigação tributária. Em não o fazendo, considera-se extinta a prerrogativa da Administra- ção de homologar o lançamento e definitivamente extinto o crédi- to, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (CTN, Art. 150, §4º). Caso o sujeito passivo realize o lançamento com dolo, fraude ou simulação, o prazo de 5 anos passará a contar a partir do primei- ro dia do ano seguinte, nos termos do CTN, Art. 173, I. Revisão do lançamento O lançamento pode ser revisado. A possibilidade de alteração será mais ou menos limitada, a depender de se o lançamento foi ou não notificado pela Administração ao sujeito passivo. Antes de ter ocorrido a notificação, há maior liberdade para se alterar o lança- mento e, nesse caso, podem ocorrer as seguintes situações: a) a Administração poderá alterar o lançamento em caso de constatar erros na declaração prestada, apuráveis pelo seu mero exame (erros claros, como os que podem ocorrer com a supressão de uma letra ou de um número, sem que se alterem o sentido e os fundamentos do lançamento, por exemplo); LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 466 b) o contribuinte pode solicitar a alteração numa declaração que ele tenha prestado, salvo se a alteração visar a redução ou a exclusão do tributo, hipótese em que só será admissível se ele com- provar a ocorrência do erro alegado. Por outro lado, após a notificação do lançamento, o mesmo não pode, em regra, ser modificado. De forma excepcional, entre- tanto, admite-se a revisão nos seguintes casos: a) em função de uma impugnação pelo sujeito passivo e, por- tanto, após a abertura de um processo administrativo no qual tan- to a Administração como o sujeito passivo irão apresentar as suas razões; b) em função de um recurso apresentado pela Administração (“recurso de ofício”), que terminará tendo a mesma lógica da hipó- tese anterior, com a diferença de que quem terá iniciado o processo administrativo terá sido a Fazenda Pública, e não o sujeito passivo; c) pela Administração, sem a necessidade de instauração de um processo administrativo (portanto, “de ofício”), nos casos em que seja constatado dolo, fraude ou simulação por porte do responsável pelo lançamento (CTN, Art. 149). Em todo caso, “a revisão do lançamento de ofício só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública” de lan- çar o crédito (CTN, Art. 149, parágrafo único). De maneira mais pre- cisa, 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, ou do primeiro dia do exercício seguinte ao que se poderia efetuar o lançamento, a depender de cada caso. Prazo para proceder ao lançamento e o termo inicial da con- tagem de tal prazo O lançamento tributário deve ser realizado no prazo máximo de 5 anos, sob pena de decadência do crédito tributário. O prazo propriamente dito não varia, sendo sempre de 5 anos. Porém o iní- cio da sua contagem irá variar, podendo-se dar: → no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamen- to poderia ter sido efetivado (CTN, Art. 173, I). No caso do IR, por exemplo, corresponderia ao dia 1º de janeiro do ano seguinte ao que tenha ocorrido o auferimento de renda considerado; → a polêmica, nessa situação, ocorre no tocante ao termo ini- cial no caso dos tributos submetidos a lançamento por homologa- ção. Há aqui duas interpretações possíveis: a) o termo inicial seria o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorre o fato ge- rador; ou b) o termo inicial seria o primeiro dia do exercício seguinte ao período dentro do qual o sujeito passivo poderia ter procedido à formalizaçãodo crédito e não o fez. No primeiro caso, o prazo tende a ser superior a 5 anos; no segundo, a 10 anos; → a data em que se tornar definitiva a decisão que houver anu- lado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (CTN, Art. 173, II); → a data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (CTN, Art. 173, parágrafo único). — Sistema De Bases Correntes A declaração de rendimentos do imposto de renda das pessoas físicas sofreu total modificação em 1990, fruto da Lei nº 7.713 de 22 de dezembro de 1988. A declaração do exercício de 1989, ano-base de 1988, foi a última com os rendimentos tributáveis e as dedu- ções classificados em cédulas, de A até H, divisão que vinha desde o exercício de 1926. Foram revogados todos os dispositivos legais que autorizavam deduções cedulares ou abatimentos da renda bruta do contribuinte, para efeito de incidência do imposto10. 10 https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/institucional/ Sistema de bases correntes A Lei nº 7.713 de 22 de dezembro de 1988 promoveu profun- das alterações na legislação do imposto de renda. A partir de 1º de janeiro de 1989, o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital fossem percebidos. O imposto incidia sobre o rendimento bruto, sem qualquer de- dução. Foi desmontada a estrutura tributária instituída em 1926. A ideia era substituir a base anual do imposto pelo sistema de bases correntes, com o ajuste mensal do imposto. No regime de bases correntes o objeto e o período de incidência coincidem com o próprio exercício financeiro em curso e não se referem ao ano anterior como no sistema de antecipação do desconto na fonte. Era a introdução no Brasil do pay as you earn, ou seja, pague à medida que você receba. A tabela progressiva que no exercício de 1989, ano-base de 1988, comportava nove classes e alíquotas variáveis de 10% a 45% passou no ano seguinte para três classes, inclusive a de isenção, e duas alíquotas: 10% e 25%. No exercício de 1990, o contribuinte tinha dois modelos de declaração: Informações e Ajuste. A Declaração de Informações era muito fácil de preencher e apenas informativa, sem calcular o saldo de imposto a pagar nem a restituir. O contribuinte que recebeu rendimentos tributáveis de mais de uma fonte pagadora em um mesmo mês devia apresentar a Declaração de Ajuste. Para cada mês do ano de 1989, devia ser preenchido um “Ro- teiro de Apuração Mensal”, que exigia do contribuinte muitos cál- culos. O resultado do imposto a recolher obtido no Roteiro devia ser transportado para a Declaração de Ajuste, para cálculo do saldo remanescente a pagar. A instituição do sistema de bases correntes não teve o resulta- do esperado, sobretudo pela complexidade dos cálculos para apu- ração do saldo a pagar na Declaração de Ajuste. Durou apenas um exercício. — Período De Apuração O IRPJ — Imposto de Renda Pessoa Jurídica é um tributo federal que deve ser pago por todas as empresas com CNPJ ativo, isentas apenas algumas exceções. Sua base de cálculo considera o regime tributário da pessoa jurídica e atribui a cada um uma alíquota para cálculo. Podendo ser apurado mensalmente, trimestralmente, anu- almente ou por evento, o não cumprimento dessa obrigação é pas- sível de juros e taxas até que seja legalizada11. Período De Apuração O IRPJ — Imposto de Renda Pessoa Jurídica pode ser apurado em um desses 4 períodos: → mensalmente; → trimestralmente; → anualmente; → por evento. → Apuração mensal do IRPJ A apuração mensal do IRPJ — Imposto de Renda Pessoa Jurídica só é possível a pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Real. Nesse caso, deve ser feita uma estimativa e, sobre esse valor, realizar o pagamento todos os meses do IRPJ, seu adicional e da CSLL. memoria/imposto-de-renda/historia/1982-a-1990-o-lancamento-por-homologacao- -e-o-sistema-de-bases-correntes 11 https://www.contabilizei.com.br/contabilidade-online/irpj-imposto-de-renda- -pessoa-juridica/ LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 467 CSLL é a sigla para Contribuição Social sobre Lucro Líquido. Tra- ta-se de uma contribuição federal que também incide sobre as pes- soas jurídicas domiciliadas no Brasil e que tem por objetivo gerar recursos financeiros para a Seguridade Social. Ou seja, é um impos- to que visa apoiar investimentos públicos relacionados à aposenta- doria, desemprego e outras questões relacionadas. O modelo de tributação com base no Lucro Real é o utilizado por grandes bancos, financeiras, corretoras de títulos, que estão obrigadas a este regime de apuração e outros tipos de empresas que tiveram lucros acima de R$ 78 milhões no ano anterior à apura- ção. Essa forma de tributação tem como base de cálculo os valores reais de lucros obtidos pela empresa ao longo do ano. Ainda que seja considerado uma regra geral para a apuração do IRPJ — Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da CSLL, o Lucro Real consiste em um modelo de tributação um pouco mais complexo que os demais. No caso, é considerado o lucro contábil apurado pela empresa e, sobre ele, são somados os ajustes estipulados pela legislação fiscal. Ou seja, são considerados os ajustes fiscais positivos (adições) e os ajustes fiscais negativos (exclusões), para chegar ao resultado do Lucro Real ou do Prejuízo Fiscal. O ponto positivo é que, caso a empresa aponte prejuízo no seu faturamento anual, não há cobran- ça de IRPJ — Imposto de Renda Pessoa Jurídica, nem da CSLL. Apuração mensal do IRPJ está prevista na Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, que altera a legislação do Imposto de Renda e dá outras providências: TÍTULO I Do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas12 CAPÍTULO I Do Imposto Sobre a Renda Mensal Art. 1° A partir do mês de janeiro de 1993, o imposto sobre a renda e adicional das pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, das sociedades civis em geral, das sociedades cooperativas, em re- lação aos resultados obtidos em suas operações ou atividades es- tranhas a sua finalidade, nos termos da legislação em vigor, e, por opção, o das sociedades civis de prestação de serviços relativos às profissões regulamentadas, será devido mensalmente, à medida em que os lucros forem sendo auferidos. Art. 2° A base de cálculo do imposto será o lucro real, presu- mido ou arbitrado, apurada mensalmente, convertida em quanti- dade de Unidade Fiscal de Referência (Ufir) (Lei n° 8.383), de 30 de dezembro de 1991, art. 1° diária pelo valor desta no último dia do período-base. → Apuração trimestral do IRPJ Essa opção é válida para os regimes tributários Lucro Real, Lu- cro Presumido e Lucro Arbitrado. O valor apurado para pagamento do IRPJ de forma trimestral deve ser pago até o último dia útil do mês seguinte à apuração, respeitando os seguintes vencimentos: → 1º Trimestre compreende janeiro a março com vencimento das guias em 30 de março abril; → 2º Trimestre compreende abril a junho com vencimento das guias em 31 de junho julho; → 3º Trimestre compreende julho a setembro com vencimento das guias em 31 de setembro outubro; → 4º Trimestre compreende outubro a dezembro com venci- mento das guias em 31 de dezembro janeiro do ano seguinte. 12 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8541.htm Como o próprio nome sugere, o Lucro Presumido é um mo- delo de tributação que presume os lucros de uma empresa tendo como base sua receita bruta e demais receitas passíveis de tributa- ção. Pode utilizar esse regime tributário, qualquer pessoa jurídica com faturamento anual até R$ 78 milhões e não se enquadrar em atividades e regras de obrigatoriedade ao Lucro Real. As alíquotas utilizadas são as mesmas do Lucro Real, mudando apenas a base de cálculo. Entende-se por Lucro Arbitrado o regime tributário aplicado pela autoridade tributária quando uma empresa deixa de cumprir suas obrigações acessórias que determinam seu Lucro Realou Lu- cro Presumido. Em outras palavras, esse modelo de tributação é utilizado quando uma pessoa jurídica é optante por um dos outros regimes, porém, não tem documentos (livro diário, livro inventário, etc.) que comprovem seu faturamento. Podendo também ser utilizado por iniciativa do contribuinte, é necessário conhecer sua receita bruta para realizar o cálculo do IRPJ — Imposto de Renda Pessoa Jurídica de acordo com as regras do Lucro Arbitrado. As alíquotas no Lucro Arbitrado são as mesmas do Lucro Real, contudo o cálculo não é feito sobre o lucro, é feito sobre a receita bruta. Apuração trimestral do IRPJ está prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo admi- nistrativo de consulta e dá outras providências: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA - PESSOA JURÍDICA13 Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do ano-calendário de 1997, o imposto de ren- da das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, en- cerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. § 1º Nos casos de incorporação, fusão ou cisão, a apuração da base de cálculo e do imposto de renda devido será efetuada na data do evento, observado o disposto no art. 21 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. § 2° Na extinção da pessoa jurídica, pelo encerramento da li- quidação, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data desse evento. → Apuração anual do IRPJ Assim como a apuração mensal, a anual do IRPJ — Imposto de Renda Pessoa Jurídica só pode ser utilizada por empresas optantes do Lucro Real. No caso, o imposto deve ser apurado no dia 31 de dezembro do ano-calendário de recolhimento. 13 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9430.htm LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 468 TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS. GERADOR. CONTRIBUINTES E RESPONSÁVEIS. DOMICÍLIO FISCAL. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS E RENDIMENTOS. CON- CEITO. OMISSÃO DE RECEITA. LUCRO REAL. LUCRO PRE- SUMIDO. LUCRO ARBITRADO. ISENÇÕES E REDUÇÕES. IMUNIDADES. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. PERÍODO DE APURAÇÃO. REGIME DE CAIXA E REGIME DE COMPE- TÊNCIA. ALÍQUOTAS E ADICIONAL. LANÇAMENTO São contribuintes do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ): I – as pessoas jurídicas; II – as empresas individuais. As disposições tributárias do IR aplicam-se a todas as firmas e sociedades, registradas ou não. As entidades submetidas aos regi- mes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitam-se às normas de incidência do imposto aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo (Lei 9.430/96, art. 60). As empresas públicas e as sociedades de economia mista, bem como suas subsidiárias, são contribuintes nas mesmas condições das demais pessoas jurídicas (Constituição Federal, art. 173 § 1º). São contribuintes, portanto, sujeitos ao pagamento do IRPJ, as pessoas jurídicas e as pessoas físicas a elas equiparadas, domicilia- das no País. Elas devem apurar o IRPJ com base no lucro, que pode ser real, presumido ou arbitrado. 1.3.4. Domicilio fiscal O domicílio fiscal da pessoa jurídica é a sede da empresa, con- ferida quando da expedição de seu número de CNPJ. Na ausência de tal eleição, o Código Tributário Nacional determina, em seu artigo 127, por imposição, qual deve ser considerado o domicílio. Para as pessoas jurídicas de direito privado poderá ser considerado domicí- lio o lugar da sua sede, ou o lugar em relação aos atos ou fatos que deram origem à obrigação, o de cada estabelecimento. 1.3.5. Base de cálculo. (Fonte: Portal Tributário) O IRPJ sobre o Lucro Presumido será pago sobre a base de cál- culo presumida, à alíquota de 15%. A base de cálculo do imposto e do adicional, decorrente da re- ceita bruta, em cada trimestre, será determinada mediante a apli- cação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida no período de apuração, obedecidas as demais disposições (Lei 9.249/1995, artigo 15; e Lei 9.430/1996, artigos 1° e 25, inciso I). Nas seguintes atividades, o percentual será de (Lei 9.249/1995, artigo 15, §1°): ESPÉCIES DE ATIVIDADES: Percentuais sobre a receita Revenda a varejo de combustíveis e gás natural 1,6% -Venda de mercadorias ou produtos -Transporte de cargas - Atividades imobiliárias (compra, venda, lotea- mento, incorporação e construção de imóveis) -Serviços hospitalares -Atividade Rural -Industrialização com materiais fornecidos pelo en- comendante -Outras atividades não especificadas (exceto prestação de serviços) 8 % -Serviços de transporte (exceto o de cargas) -Serviços gerais com receita bruta até R$ 120.000/ ano 16% - Serviços profissionais (Sociedades Simples - SS, médicos, dentistas, advogados, contadores, audi- tores, engenheiros, consultores, economistas, etc.) -Intermediação de negócios - Administração, locação ou cessão de bens mó- veis/imóveis ou direitos -Serviços de construção civil, quando a prestadora não empregar materiais de sua propriedade nem se responsabilizar pela execução da obra (ADN Co- sit 6/97). -Serviços em geral, para os quais não haja previsão de percentual específico 32% Comercialização de veículos usados ver nota (2) No caso de exploração de atividades diversificadas, será aplicado sobre a receita bruta de cada ativida- de o respectivo percentual - Para as atividades de operação de empréstimo, de financiamento e de desconto de títulos de crédito realizadas por Empresa Simples de Crédito (ESC). 1,6 a 32% 38,4% NOTAS IMPORTANTES: (1) Esta regra não se aplica às pessoas jurídicas que prestam serviços hospitalares e de transporte, bem como às sociedades prestadoras de serviços de profissões legalmente regulamentadas (Lei 9.250/1995, artigo 40, parágrafo único). As empresas de servi- ços de profissões regulamentadas são aquelas sujeitas à fiscalização e controle profissional, como Advogados, Médicos, Dentistas, Músi- cos, Contabilistas, Auditores, Consultores, Administradores, Econo- mistas, Engenheiros, etc. A pessoa jurídica que houver utilizado o percentual de 16% para apuração da base de cálculo do imposto trimestral, cuja recei- ta bruta acumulada até determinado mês do ano-calendário exce- der o limite de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais), ficará sujeita ao pagamento da diferença do imposto postergado, apurado pelo percentual de 32% em relação a cada trimestre transcorrido. A di- ferença deverá ser paga até o último dia útil do mês subsequente ao do trimestre em que ocorreu o excesso, sem acréscimos legais. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 469 (2) A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra de venda de veículos automo- tores, que pratique as vendas em consignação, terá como base de cálculo o valor da diferença entre o valor de venda e o da compra (IN SRF 152/1998). 1.3.6. Receitas e rendimentos. 1.3.7.omissão de receita. 1.3.8. Ganhos de capital. 1.3.9. Despesas dedutíveis e indedutíveis.(Fon- te: Portal Tributário) Conceito de receita bruta Para efeitos da sistemática de tributação pelo Lucro Presumido, a receita bruta compreende: - o produto da venda de bens nas operações de conta própria - o preço dos serviços prestados e - o resultado auferido nas operações de conta alheia O resultado auferido nas operações de conta alheia são aque- las decorrentes de comissões obtidas sobre representação de bens ou serviços de terceiros. Receita bruta na revenda de veículos automotores usados A partir de 30.10.1998, as pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, nas vendas de veículos, adquiridos para revendaou recebidos como parte do preço de venda de veí- culos novos ou usados, será computada como receita a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado (cons- tante na nota fiscal de venda), e o seu custo de aquisição (constante da nota fiscal de entrada). Assim, somente a diferença entre o preço de venda e o custo da aquisição do veículo automotor usado é que fará parte da receita bruta. Receita bruta nas atividades imobiliárias Considera-se receita bruta nas atividades imobiliárias o mon- tante efetivamente recebido em cada período de apuração, relativo ás unidades imobiliárias vendidas. Deduções da receita bruta Na receita bruta não se incluem. 1. as vendas canceladas; 2. os descontos incondicionais concedidos (constantes na nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependen- tes de evento posterior á emissão desses documentos); 3. os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Estes impostos são: o IPI incidente sobre as vendas e ao ICMS devido por substituição tributária. Receita bruta - regime de competência ou regime de caixa A receita bruta era considerada pelo regime de competência, ou seja, quando a receita era auferida, independentemente da data de seu pagamento. Porém, a partir da publicação da Instrução Nor- mativa SRF 104/1998 (DOU 26.08.1998), passou-se a admitir o regi- me de caixa para a tributação da receita bruta. Ou seja, é admissível a tributação da receita bruta somente por ocasião do recebimento da mesma. A tributação somente por ocasião do recebimento da receita está sujeita ás seguintes condições: 1) emissão da nota fiscal por ocasião da entrega do bem ou da conclusão do serviço; 2) caso seja mantida escrituração somente do Livro Caixa, nes- te deverá ser indicada, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder a cada recebimento; 3) caso seja mantida escrituração contábil, os recebimentos das receitas deverão ser controlados em conta específica, na qual, em cada lançamento, deverá ser indicada a nota fiscal a que corres- ponder o recebimento; Outras receitas que devem ser adicionadas a base de cálculo do lucro presumido 1. Ganhos de capital e outras receitas Os ganhos de capital, os rendimentos de aplicações financei- ras de renda fixa (CDB, FIF, etc.) e ganhos líquidos de aplicações financeiras de renda variável (ações, mercados futuros, etc.), as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pela receita bruta, integrarão a base de cálculo para efeito de incidência do imposto e do adicional. Não são tributáveis: a) as recuperações de créditos que não representem ingressos de novas receitas e cujas perdas não tenham sido deduzidas na apu- ração do lucro real em anos anteriores; b)a reversão de saldo de provisões anteriormente constituídas; c) os lucros e dividendos decorrentes de participações societá- rias, caso refiram-se a períodos em que os mesmos sejam isentos de imposto de renda (a partir de 1996). O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável corres- ponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. 2. Parcela de reavaliação de bens ou direitos Na apuração de ganho de capital, os valores acrescidos em vir- tude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar que os valores acrescidos foram computados na deter- minação da base de cálculo do imposto. Os valores reavaliados são aqueles que, por força de Laudo de Reavaliação, foram acrescidos ao valor contábil dos bens ou direitos. 3. Valores diferidos no lalur A pessoa jurídica que, até o ano-calendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto, correspondente ao primeiro período de apura- ção no qual houver optado pela tributação com base no lucro pre- sumido, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, con- trolados na parte “B” do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, corrigidos monetariamente até 31.12.1995. Ressalta-se, ainda, que a depreciação acelerada incentivada não deve ser adicionada de imediato na apuração do lucro presumi- do, mas sim à medida em que a depreciação normal for adicionada ao lucro líquido, conforme dispõe asolução de consulta nº 71, da 10ª Região Fiscal, de 09.05.2001: Solução de consulta nº 71 (10ª Região Fiscal), de 9 de maio de 2001 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ementa: lucro presumido – base de cálculo – depreciação ace- lerada incentivada LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 470 Dos valores controlados na parte B do LALUR, a serem adi- cionados à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de opção pelo regime de lucro presumido, excluem-se os de depreciação acelerada incentivada. O saldo dos valores correspondentes à depreciação acelerada incentivada deve ser atualizado até dezembro de 1995 e permanecerá registrado no LALUR. Havendo mudança na forma de tributação, do lucro pre- sumido para o lucro real, em anos-calendários subseqüentes, os valores que compõe o saldo deverão ser baixados na medida em que os valores da depreciação normal forem adicionados ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, e sua conseqüente tributação. Dispositivos legais: Lei nº 8.383, de 1991, art. 46; Lei nº 8.643, de 1993, art. 2º; Lei nº 9.430, de 1996, art. 54; Decreto nº 3.000, de 1999, art. 313; Parecer Normativo CST nº 19, de 1982. (DT 10ª RF – Vera Lúcia Ribeiro Conde – Chefe da divisão – DOU 25.06.2001 – p. 47) 4. Variações cambiais A partir de 01.01.2000, as receitas decorrentes das variações monetárias dos direitos de créditos e das obrigações, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeitos da base de cálculo, entre uma das seguintes opções: 1) no momento da liquidação da operação correspondente (“regime de caixa”); ou 2) pelo regime de competência. Aplica-se a opção escolhida para todo o ano-calendário. Nota: Em 04.11.2010 foi publicada a Instrução Normativa RFB 1.079/2010, dispondo que a opção somente poderá ser exercida no mês de janeiro ou no mês do início de atividades, mediante anota- ção na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais(DCTF) relativa ao mês de adoção do regime. 1.3.10. Remuneração de administradores. (Fonte: Receita da Fazenda) Remuneração é o montante mensal, nele computados, pelo valor bruto, todos os pagamentos ou créditos em caráter de remu- neração pelos serviços efetivamente prestados à empresa, inclusive retribuições ou benefícios recebidos em decorrência do exercício do cargo ou função como, por exemplo, o valor do aluguel de imó- vel residencial ocupado por sócios ou dirigentes pago pela empre- sa, e outros salários indiretos (PN CST nº 18, de 1985). Incluem-se no conceito de remuneração, no caso de sócio, di- retor ou administrador que seja, concomitantemente, empregado da empresa, os rendimentos auferidos, seja a título de remunera- ção como dirigente, seja como retribuição do trabalho assalariado. Igualmente, tal entendimento se aplica ao dirigente ou administra- dor que for membro, simultaneamente, da diretoria executiva e do conselho de administração da companhia. Os salários indiretos, igualmente, incluem-se no conceito de remuneração, assim consideradas as despesas particulares dos administradores, diretores, gerentes e seus assessores, nelas in- cluídas, por exemplo, as despesas de supermercados e cartões de crédito, pagamento de anuidade de colégios, clubes, associações etc (RIR/1999, art. 358 e PN CST no 18, de 1985 e no 11, de 1992). De acordo com o entendimento da Administração Tributária, considera-se: I - Diretor - a pessoa que dirige ou administra um negócio ou uma soma determinada