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101 DIREITO CONSTITUCIONAL PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA CONSTITUIÇÃO DE 1988 — Princípios fundamentais Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, consti- tui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; (Vide Lei nº 13.874, de 2019). V - o pluralismo político. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. Os princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988 estão previstos no art. 1º da Constituição e são: A soberania, poder político supremo, independente interna- cionalmente e não limitado a nenhum outro na esfera interna. É o poder do país de editar e reger suas próprias normas e seu ordena- mento jurídico. A cidadania é a condição da pessoa pertencente a um Estado, dotada de direitos e deveres. O status de cidadão é inerente a todo jurisdicionado que tem direito de votar e ser votado. A dignidade da pessoa humana é valor moral personalíssimo inerente à própria condição humana. Fundamento consistente no respeito pela vida e integridade do ser humano e na garantia de condições mínimas de existência com liberdade, autonomia e igual- dade de direitos. Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, pois é atra- vés do trabalho que o homem garante sua subsistência e contribui para com a sociedade. Por sua vez, a livre iniciativa é um princípio que defende a total liberdade para o exercício de atividades econô- micas, sem qualquer interferência do Estado. O pluralismo político que decorre do Estado democrático de Direito e permite a coexistência de várias ideias políticas, consubs- tanciadas na existência multipartidária e não apenas dualista. O Brasil é um país de política plural, multipartidária e diversificada e não apenas pautada nos ideais dualistas de esquerda e direita ou democratas e republicanos. Importante mencionar que união indissolúvel dos Estados, Mu- nicípios e do Distrito Federal é caracterizada pela impossibilidade de secessão, característica essencial do Federalismo, decorrente da impossibilidade de separação de seus entes federativos, ou seja, o vínculo entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios é indis- solúvel e nenhum deles pode abandonar o restante para se trans- formar em um novo país. Quem detém a titularidade do poder político é o povo. Os go- vernantes eleitos apenas exercem o poder que lhes é atribuído pelo povo. Além de ser marcado pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, a separação dos poderes estatais – Executivo, Legislativo e Judiciário é também uma característica do Estado Brasileiro. Tais poderes gozam, portanto, de autonomia e independência no exercício de suas funções, para que possam atuar em harmonia. Fundamentos, também chamados de princípios fundamentais (art. 1º, CF), são diferentes dos objetivos fundamentais da Repú- blica Federativa do Brasil (art. 3º, CF). Assim, enquanto os funda- mentos ou princípios fundamentais representam a essência, cau- sa primária do texto constitucional e a base primordial de nossa República Federativa, os objetivos estão relacionados à destinação, ao que se pretende, às finalidades e metas traçadas no texto cons- titucional que a República Federativa do Estado brasileiro anseia alcançar. O Estado brasileiro é democrático porque é regido por normas democráticas, pela soberania da vontade popular, com eleições livres, periódicas e pelo povo, e de direito porque pauta-se pelo respeito das autoridades públicas aos direitos e garantias funda- mentais, refletindo a afirmação dos direitos humanos. Por sua vez, o Estado de Direito caracteriza-se pela legalidade, pelo seu sistema de normas pautado na preservação da segurança jurídica, pela se- paração dos poderes e pelo reconhecimento e garantia dos direitos fundamentais, bem como pela necessidade do Direito ser respeito- so com as liberdades individuais tuteladas pelo Poder Público. DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS. DIREITOS SOCIAIS. NACIONALIDADE BRASILEIRA — Gerações de Direitos Fundamentais (Teoria de Vasak): • Direitos Fundamentais de 1ª Geração: liberdade in- dividual – direitos civis e políticos; • Direitos Fundamentais de 2ª Geração: igualdade – direitos sociais e econômicos; • Direitos Fundamentais de 3ª Geração: fraternidade ou solidariedade – direitos transindividuais, difusos e coletivos. — Direitos e deveres individuais e coletivos Os direitos e deveres individuais e coletivos são todos aqueles previstos nos incisos do art. 5º da Constituição Federal, que trazem alguns dos direitos e garantias fundamentais. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qual- quer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros re- sidentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: Princípio da igualdade entre homens e mulheres: I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; Como o próprio nome diz, o princípio prega a igualdade de di- reitos e deveres entre homens e mulheres. DIREITO CONSTITUCIONAL 102 Princípio da legalidade e liberdade de ação: II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Como ser livre, todo ser humano só está obrigado a fazer ou não fazer algo que esteja previsto em lei. Vedação de práticas de tortura física e moral, tratamento de- sumano e degradante: III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desu- mano ou degradante; É vedada a prática de tortura física e moral, e qualquer tipo de tratamento desumano, degradante ou contrário à dignidade humana, por qualquer autoridade e também entre os próprios cidadãos. A vedação à tortura é uma cláusula pétrea de nossa Constituição e ainda crime inafiançável na legislação penal brasileira. Liberdade de manifestação do pensamento e vedação do ano- nimato, visando coibir abusos e não responsabilização pela veicu- lação de ideias e práticas prejudiciais: IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o ano- nimato; A Constituição Federal pôs fim à censura, tornando livre a mani- festação do pensamento. Esta liberdade, entretanto, não é absoluta não podendo ser abusiva ou prejudicial aos direitos de outrem. Daí, a vedação do anonimato, de forma a coibir práticas prejudiciais sem identificação de autoria, o que não impede, contudo, a apuração de crimes de denúncia anônima. Direito de resposta e indenização: V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; O direito de resposta é um meio de defesa assegurado à pes- soa física ou jurídica ofendida em sua honra, e reputação, conceito, nome, marca ou imagem, sem prejuízo do direito de indenização por dano moral ou material. Liberdade religiosa e de consciência: VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na for- ma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença re- ligiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; O Brasil é um Estado laico, que não possui uma religião oficial, mas que adota a liberdade de crença e de pensamento, assegurada a variedade de cultos, a proteção dos locais religiosos e a não priva- ção de direitos em razão da crença pessoal. A escusa de consciência é o direito que toda pessoaAs competências dos entes federativos podem ser: Materiais ou administrativas, que se dividem em: exclusivas e comuns; Legislativas, que compreendem as privativas e as concorrentes, complementares e suplementares; DIREITO CONSTITUCIONAL 113 Exclusiva, que é aquela conferida exclusivamente a um dos en- tes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), com exclusão dos demais. Privativa, que é aquela enumerada como própria de um ente, com possibilidade, entretanto, de delegação para outro. Concorrente, que é a competência legislativa conferida em co- mum a mais de um ente federativo. Na complementar, o ente federativo tem competência naqui- lo que a norma federal (superior) lhe dê condição de atuar e na suplementar, por sua vez, o ente federativo supre a competência federal não exercida, porém, se esta o exercer, o ato aditado com base na competência suplementar perde a eficácia, naquilo que lhe for contrário. Sempre que falarmos em competência comum ou exclusiva, devemos excluir a ideia de “legislar”. Sempre que falarmos em le- gislar, estaremos tratando necessariamente de uma competência privativa ou concorrente. Entes Federativos União A União é o ente federativo com dupla personalidade. Inter- namente, é uma pessoa jurídica de direito público interno, com autonomia financeira, administrativa e política e capacidade de au- to-organização, autogoverno, autolegislação e autoadministração. Internacionalmente, a União é soberana e representa a República Federativa do Brasil a quem cabe exercer as prerrogativas da so- berania do Estado brasileiro. Os bens da União são todos aqueles elencados, no art. 20, CF. São bens da União: I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos; II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comu- nicação e à preservação ambiental, definidas em lei; III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais; IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluí- das, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II; Redação dada pela Emenda Constitucional nº 46, de 2005). V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva; VI - o mar territorial; VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos; VIII - os potenciais de energia hidráulica; IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo; X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos; XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. Como ente federativo, a União possui competências adminis- trativas que lhe são exclusivas (art. 21, CF), competências legisla- tivas privativas (art. 22, CF), competências administrativas comuns com Estados, Distrito Federal e Municípios (art. 23, CF) e competên- cias legislativas concorrentes com Estados, Distrito Federal e Muni- cípios (art. 24, CF). Competências Administrativas Comuns e Exclusivas Arts. 21 e 23, CF Competências Legislativas Privativas e Concorrentes Arts. 22 e 24, CF Competência administrativa exclusiva da União: art. 21, CF Art. 21. Compete à União: I - manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais; II - declarar a guerra e celebrar a paz; III - assegurar a defesa nacional; IV - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que for- ças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele perma- neçam temporariamente; V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a interven- ção federal; VI - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico; VII - emitir moeda; VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as operações de natureza financeira, especialmente as de crédito, câmbio e capitalização, bem como as de seguros e de previdência privada; IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordena- ção do território e de desenvolvimento econômico e social; X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional; XI - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços de telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos serviços, a criação de um ór- gão regulador e outros aspectos institucionais; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 8, de 15/08/95) XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão: a) os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e imagens; (Re- dação dada pela Emenda Constitucional nº 8, de 15/08/95) b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveita- mento energético dos cursos de água, em articulação com os Esta- dos onde se situam os potenciais hidroenergéticos; c) a navegação aérea, aeroespacial e a infraestrutura aero- portuária; d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre por- tos brasileiros e fronteiras nacionais, ou que transponham os limites de Estado ou Território; e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e interna- cional de passageiros; f) os portos marítimos, fluviais e lacustres; XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios e a Defensoria Pública dos Terri- tórios; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 69, de 2012) (Produção de efeito) XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia penal, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços públicos, por meio de fundo próprio; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 104, de 2019) XV - organizar e manter os serviços oficiais de estatística, geo- grafia, geologia e cartografia de âmbito nacional; XVI - exercer a classificação, para efeito indicativo, de diversões públicas e de programas de rádio e televisão; XVII - conceder anistia; XVIII - planejar e promover a defesa permanente contra as cala- midades públicas, especialmente as secas e as inundações; DIREITO CONSTITUCIONAL 114 XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e definir critérios de outorga de direitos de seu uso; (Regu- lamento) XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusi- ve habitação, saneamento básico e transportes urbanos; XXI - estabelecer princípios e diretrizes para o sistema nacional de viação; XXII - executar os serviços de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus derivados, atendidos os seguintes prin- cípios e condições: a) toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso Nacional; b) sob regime de permissão, são autorizadas a comercializa- ção e a utilização de radioisótopos para pesquisa e uso agrícolas e industriais; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 118, de 2022) c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção, a co- mercialização e a utilização de radioisótopos para pesquisa e uso mé- dicos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 118, de 2022) d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de culpa; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 49, de 2006) XXIV - organizar, manter e executar a inspeção do trabalho; XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercícioda atividade de garimpagem, em forma associativa. XXVI - organizar e fiscalizar a proteção e o tratamento de dados pessoais, nos termos da lei. Competências administrativas comuns da União, Estados, Dis- trito Federal e Municípios: art. 23, CF: Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distri- to Federal e dos Municípios: I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e conservar o patrimônio público; II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garan- tia das pessoas portadoras de deficiência; (Vide ADPF 672) III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural; V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação, à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qual- quer de suas formas; VII - preservar as florestas, a fauna e a flora; VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o abaste- cimento alimentar; IX - promover programas de construção de moradias e a me- lhoria das condições habitacionais e de saneamento básico; (Vide ADPF 672) X - combater as causas da pobreza e os fatores de marginali- zação, promovendo a integração social dos setores desfavorecidos; XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios; XII - estabelecer e implantar política de educação para a segu- rança do trânsito. Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a coo- peração entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbi- to nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Competências Legislativas privativas da União: art. 22, CF: Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho; II - desapropriação; III - requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra; IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodi- fusão; V - serviço postal; VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias dos metais; VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de va- lores; VIII - comércio exterior e interestadual; IX - diretrizes da política nacional de transportes; X - regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima, aérea e aeroespacial; XI - trânsito e transporte; XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia; XIII - nacionalidade, cidadania e naturalização; XIV - populações indígenas; XV - emigração e imigração, entrada, extradição e expulsão de estrangeiros; XVI - organização do sistema nacional de emprego e condições para o exercício de profissões; XVII - organização judiciária, do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios e da Defensoria Pública dos Territórios, bem como organização administrativa destes; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 69, de 2012) XVIII - sistema estatístico, sistema cartográfico e de geologia nacionais; XIX - sistemas de poupança, captação e garantia da poupança popular; XX - sistemas de consórcios e sorteios; XXI - normas gerais de organização, efetivos, material bélico, garantias, convocação, mobilização, inatividades e pensões das po- lícias militares e dos corpos de bombeiros militares; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019) XXII - competência da polícia federal e das polícias rodoviária e ferroviária federais; XXIII - seguridade social; XXIV - diretrizes e bases da educação nacional; XXV - registros públicos; XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza; XXVII - normas gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para as administrações públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos do art. 173, § 1°, III; (Re- dação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) XXVIII - defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa maríti- ma, defesa civil e mobilização nacional; XXIX - propaganda comercial. XXX - proteção e tratamento de dados pessoais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 115, de 2022) DIREITO CONSTITUCIONAL 115 Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Esta- dos a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo. Competência Legislativa concorrente da União, Estados e Dis- trito Federal: art. 24, CF: Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal le- gislar concorrentemente sobre: I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e ur- banístico; (Vide Lei nº 13.874, de 2019) II - orçamento; III - juntas comerciais; IV - custas dos serviços forenses; V - produção e consumo; VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, de- fesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição; VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turís- tico e paisagístico; VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consu- midor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) X - criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas; XI - procedimentos em matéria processual; XII - previdência social, proteção e defesa da saúde; (Vide ADPF 672) XIII - assistência jurídica e Defensoria pública; XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência; XV - proteção à infância e à juventude; XVI - organização, garantias, direitos e deveres das polícias ci- vis. § 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. (Vide Lei nº 13.874, de 2019) § 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. (Vide Lei nº 13.874, de 2019) § 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. (Vide Lei nº 13.874, de 2019) § 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário. (Vide Lei nº 13.874, de 2019). Estados O Brasil é composto de estados federados que gozam de uma autonomia, consubstanciada na capacidade de auto-organização, auto legislação, autogoverno e autoadministração. Os Estados podem se formar a partir de incorporação, subdi- visão ou desmembramento, que por sua vez, pode se dar por ane- xação ou formação. A incorporação ou fusão é a junção de dois ou mais Estados para formação de um único Estado novo. A cisão ou subdivisão é a separação de um Estado em dois ou mais Estados autônomos e independentes. E, o desmembramento consiste na separação de parte de um Estado para formação de um novo Estado (formação) ou anexação a outro Estado já existente. As competências estaduais estão previstas no art. 25, CF e os bens dos Estados estão elencados no art. 26, CF: Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constitui- ções e leis que adotarem, observados os princípios desta Constitui- ção. § 1º São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição. § 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisóriapara a sua regulamentação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 5, de 1995). § 3º Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum. Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados: I - As águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorren- tes de obras da União; II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros; III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União; IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União. Municípios O Município, que também é um ente federado que possui au- tonomia administrativa (autoadministração) e política (auto-organi- zação, autogoverno e capacidade normativa própria). E, vinculado ao Estado onde se localiza, depende na sua criação, incorporação, fusão ou desmembramento, de lei estadual dentro do período de- terminado por lei complementar federal, além da realização de ple- biscito. Sua capacidade de auto-organização consiste na possibilidade da elaboração da lei orgânica própria. O município possui o Poder Executivo, exercido pelo Prefeito e o Poder Legislativo, exercido pela Câmara Municipal. Entretanto, não há Poder Judiciário na es- fera municipal. É regido por lei orgânica, nos termos do art. 29, CF. A Constituição prevê ainda a composição das Câmaras Municipais e o subsídio dos vereadores, de acordo com a quantidade de habi- tantes do município. A competência dos municípios está elencada no art. 30, CF. Art. 30. Compete aos Municípios: I - legislar sobre assuntos de interesse local; II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber; III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de pres- tar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei; IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual; V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de conces- são ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial; VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação infantil e de ensino fundamen- tal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da população; VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territo- rial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano; IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual. DIREITO CONSTITUCIONAL 116 A fiscalização financeira e orçamentária dos Municípios se dá sob duas modalidades: controle externo, exercido pela Câmara Mu- nicipal e o controle interno, exercido pelo próprio executivo munici- pal, nos termos do art. 31, CF. Distrito Federal e Territórios O Distrito Federal é reconhecido como ente integrante da Fe- deração e goza de autonomia política, embora não se enquadre nem como estado-membro ou município. Sua principal função é servir como sede do Governo Federal e não pode haver divisões em municípios. O Distrito Federal não possui constituição, mas lei orgâ- nica própria, que define os princípios básicos de sua organização, suas competências e a organização de seus poderes governamen- tais, nos termos do art. 32, CF. Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos com interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços da Câmara Legisla- tiva, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição. § 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e Municípios. § 2º A eleição do Governador e do Vice-Governador, observadas as regras do art. 77, e dos Deputados Distritais coincidirá com a dos Governadores e Deputados Estaduais, para mandato de igual duração. § 3º Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplica-se o disposto no art. 27. § 4º Lei federal disporá sobre a utilização, pelo Governo do Distrito Federal, da polícia civil, da polícia penal, da polícia militar e do corpo de bombeiros militar (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 104, de 2019). Atualmente, não existe no Brasil nenhum Território. Com a CF/88, os territórios de Roraima e Amapá foram transformados em Estados e Fernando de Noronha foi incorporado ao Estado de Per- nambuco. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS — Disposições gerais A administração pública consiste no conjunto de meios institu- cionais, materiais, financeiros e humanos do Estado, preordenado à realização de seus serviços, visando a satisfação das necessidades coletivas. A função administrativa é institucionalmente imputada a diver- sas entidades governamentais autônomas, expressas no art. 37 da Constituição Federal. Administração Pública Direta e Indireta A administração direta é a administração centralizada, defini- da como o conjunto de órgãos administrativos subordinados dire- tamente ao Poder Executivo de cada entidade. Ex.: Ministérios, as Forças Armadas, a Receita Federal, os próprios Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário etc. Por sua vez, a administração indireta é a descentralizada, com- posta por entidades personalizadas de prestação de serviço ou ex- ploração de atividades econômicas, mas vinculadas aos Poderes Executivos da entidade pública. Ex.: Autarquias: Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC, Instituto Nacional de Colonização e Refor- ma Agrária – INCRA e outras agências reguladoras, Universidade Fe- deral de Alfenas – UNIFAL-MG e outras universidades federais, Cen- tros e Institutos Federais de Educação Tecnológica, Banco Central do Brasil – BACEN; Conselho Federal de Medicina e outros Conse- lhos Profissionais etc; Empresas Públicas: BNDES, Caixa Econômica Federal, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos etc; Sociedades de economia mista: Petrobrás, Banco do Brasil etc; Fundações pú- blicas: Funai, Funasa, IBGE etc. Princípios Específicos da Administração Pública Legalidade: todo o ato administrativo deve ser antecedido de lei; Impessoalidade: todos atos e provimentos administrativos não são imputáveis ao agente político que o realiza, mas sim ao órgão ou entidade pública em nome da qual atuou. Moralidade: impõe a obediência à lei, não só no que ela tem de formal, mas como na sua teleologia. Não bastará ao administrador o estrito cumprimento da legalidade, devendo ele, no exercício de sua função pública, respeitar os princípios éticos de razoabilidade e justiça. Publicidade: todos os atos administrativos devem ser públicos, vedado o sigilo e o segredo, salvo em hipóteses restritas que envol- vam a segurança nacional. Eficiência: trazido pela Emenda Constitucional nº 19, este prin- cípio estabelece que os atos administrativos devem cumprir os seus propósitos de forma eficaz. Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Muni- cípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, mo- ralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998): I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; (Redação dada pela Emen- da Constitucional nº 19, de 1998); — Servidores públicos Concurso Público: A investidura em cargo ou emprego público só se pode dar por meiode concurso público. Enquanto não há a posse, os aprovados têm apenas uma expectativa de direito. Não há direito adquirido em relação ao cargo pela simples aprovação em concurso público. Art. 37. II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exone- ração (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998); III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período; IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convo- cação, aquele aprovado em concurso público de provas ou de pro- vas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursa- dos para assumir cargo ou emprego, na carreira; V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por ser- vidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a se- rem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atri- buições de direção, chefia e assessoramento (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998); VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre asso- ciação sindical; DIREITO CONSTITUCIONAL 117 VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica (Redação dada pela Emenda Constitucio- nal nº 19, de 1998); VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão; IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo de- terminado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público; O art. 37 da Constituição Federal estabelece ainda as regras quanto a valores, limitações e formas de recebimento de remunera- ção e subsídios dos servidores públicos, bem como condições sobre acúmulo de cargos e funções: Art. 37. X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegu- rada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Regulamento); XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, fun- ções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pen- sões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra na- tureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Exe- cutivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supre- mo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003); XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Execu- tivo; XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer es- pécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998); XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados nem acumulados para fins de concessão de acréscimos ulteriores; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998); XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e em- pregos públicos são irredutíveis, ressalvado o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998); XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998): a) a de dois cargos de professor; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998); b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998); c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas; (Redação dada pela Emen- da Constitucional nº 34, de 2001); XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998); XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei; E também a criação de autarquias e instituição de empresas públicas, fundações e sociedades de economia mista: Art. 37. XIX - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de econo- mia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998); XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a cria- ção de subsidiárias das entidades mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas em empresa privada; Todas as obras, serviços e compras da Administração, nos ter- mos do que preceitua o art. 37 da Constituição, deverão ser contra- tadas por meio de licitação pública. Art. 37. XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante pro- cesso de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos ter- mos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações (Regulamento). O referido art. 37, CF dispõe ainda sobre as informações na Ad- ministração Pública: XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais ao funciona- mento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas, terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio (In- cluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003); § 1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e cam- panhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, infor- mativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de auto- ridades ou servidores públicos. § 2º A não observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade do ato e a punição da autoridade responsável, nos termos da lei. § 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta, regulando especialmente (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998): I - as reclamações relativasà prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998); DIREITO CONSTITUCIONAL 118 II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a infor- mações sobre atos de governo, observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Vide Lei nº 12.527, de 2011); III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na administração pública. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998). Improbidade Administrativa A improbidade administrativa é espécie de ilegalidade pratica- da pelo servidor, qualificada pela finalidade de atribuir situação de vantagem a si ou a outrem. A Lei nº 8.429/92, chamada de Lei de Improbidade Administrativa, disciplina este dispositivo constitucio- nal, previsto no art. 37, §4º. Art. 37. § 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a sus- pensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponi- bilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. § 5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos pra- ticados por qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento. § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito pri- vado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. § 7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante de cargo ou emprego da administração direta e indireta que possi- bilite o acesso a informações privilegiadas (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998). § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administra- dores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Regulamen- to) (Vigência) : I - o prazo de duração do contrato (Incluído pela Emenda Cons- titucional nº 19, de 1998) II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, di- reitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998); III - a remuneração do pessoal (Incluído pela Emenda Constitu- cional nº 19, de 1998); § 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, que receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municí- pios para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998). § 10. É vedada a percepção simultânea de proventos de apo- sentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a re- muneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exo- neração. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998); § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remunera- tórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei (Incluído pela Emenda Consti- tucional nº 47, de 2005). § 12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste artigo, fica facultado aos Estados e ao Distrito Federal fixar, em seu âmbito, mediante emenda às respectivas Constituições e Lei Orgânica, como limite único, o subsídio mensal dos Desembargadores do respecti- vo Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto neste parágrafo aos subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais e dos Vereadores (In- cluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005). § 13. O servidor público titular de cargo efetivo poderá ser rea- daptado para exercício de cargo cujas atribuições e responsabilida- des sejam compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental, enquanto permanecer nesta condição, desde que possua a habilitação e o nível de escolaridade exigidos para o cargo de destino, mantida a remuneração do cargo de ori- gem (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019). § 14. A aposentadoria concedida com a utilização de tempo de contribuição decorrente de cargo, emprego ou função pública, inclusive do Regime Geral de Previdência Social, acarretará o rom- pimento do vínculo que gerou o referido tempo de contribuição. (In- cluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019) § 15. É vedada a complementação de aposentadorias de servi- dores públicos e de pensões por morte a seus dependentes que não seja decorrente do disposto nos §§ 14 a 16 do art. 40 ou que não seja prevista em lei que extinga regime próprio de previdência social (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019). § 16. Os órgãos e entidades da administração pública, indi- vidual ou conjuntamente, devem realizar avaliação das políticas públicas, inclusive com divulgação do objeto a ser avaliado e dos resultados alcançados, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Cons- titucional nº 109, de 2021) Regime Jurídico dos Servidores Públicos O regime jurídico dos servidores públicos é o conjunto de princípios e regras destinadas à regulação das relações funcionais da administração pública e seus agentes. Pode ser geral, aplicável a todos os servidores de uma determinada pessoa política (da Administração Pública Federal, Es- tadual, Municipal, por exemplo) ou específico, como é o caso de algumas carreiras, como a Magistratura, Ministério Público etc. O Regime Jurídico dos Servidores Públicos da União é estatu- tário e regido pela Lei nº 8.112 de 1990. Nas esferas distrital, es- taduais e municipais podem ser adotados estatutos próprios, des- de compatíveis com os preceitos da Constituição Federal e da Lei 8.112/90. No regime estatutário não há relação contratual empregatícia. A Constituição Federal prevê todo o regime jurídico dos Servi- dores Públicos, com sistema remuneratório, regime previdenciário e regra geral de aposentadoria, nos termos do art. 40, CF. A estabilidade é uma das garantias do serviço público, prevista constitucionalmente. É adquirida pelo funcionário concursado após três anos de efetivo exercício da função pública e impede que ele seja desvinculado do serviço público arbitrariamente, a não ser por sentença transitada em julgado ou decisão administrativa em que lhe foi dado amplo direito de defesa, aposentadoria compulsória, exoneração a pedido ou morte: Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os ser- vidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998). § 1º O servidor público estável só perderá o cargo (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998): I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado (Incluí- do pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998); II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegu- rada ampla defesa (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998); DIREITO CONSTITUCIONAL 119 III - mediante procedimento de avaliação periódica de desem- penho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998); § 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se es- tável, reconduzido ao cargo de origem,sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade com re- muneração proporcional ao tempo de serviço (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998); § 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o ser- vidor estável ficará em disponibilidade, com remuneração propor- cional ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998); § 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obriga- tória a avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998). EXERCÍCIOS 1. (ADVISE – 2021) Após a aula de Direito Constitucional, Samira, estudante do 4º período do curso de direito da Universi- dade Kappa Beta, estava em dúvida sobre a definição dos princí- pios fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988. A principal dúvida de Samira, dizia respeito à classificação consti- tucional do que dispõe a Constituição ao prever a expressão “ga- rantir o desenvolvimento nacional”. Dessa forma, buscou auxílio com a professora Roberta, que prontamente lhe explicou que a garantia do desenvolvimento nacional, constitui: (A) Um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil. (B) Um dos fundamentos da República Federativa do Brasil. (C) Um dos princípios que rege a República Federativa do Brasil nas relações internacionais. (D) Um dos princípios econômicos da Constituição. (E) Um dos preceitos tributários. 2. (AVANÇA SP – 2021) De acordo com o artigo 1° da Consti- tuição Federal, são fundamentos da República, EXCETO: (A) dignidade da pessoa jurídica. (B) cidadania. (C) pluralismo político. (D) soberania. (E) valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. 3. (ALTERNATIVE CONCURSOS – 2021) De acordo com a Constituição Federal de 1988, assinale a opção que contém a afirmação INCORRETA: (A) A República Federativa do Brasil, formada pela união indis- solúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, cons- titui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fun- damentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. (B) São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, apenas o Executivo e o Judiciário. (C) Constituem objetivos fundamentais da República Federati- va do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidá- ria; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. (D) São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previ- dência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistên- cia aos desamparados, na forma desta Constituição. (E) É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Mu- nicípios: I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencio- ná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; II - recusar fé aos documentos públicos; III - criar distinções en- tre brasileiros ou preferências entre si. 4. (OBJETIVA – 2021) De acordo com a Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à seguran- ça e à propriedade, nos seguintes termos, entre outros: I. É vedada a expressão da atividade intelectual, artística, cien- tífica e de comunicação, independentemente de censura ou licença. II. É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional. III. É relativo o caráter de inviolabilidade do sigilo da corres- pondência e das comunicações telefônicas, uma vez que, poderá ser mitigado por ordem judicial para fins de instrução processual penal e, nos casos de investigação criminal, por determinação do delegado responsável pela investigação. Está(ão) CORRETO(S): (A) Somente o item I. (B) Somente o item II. (C) Somente os itens I e III. (D) Somente os itens II e III. (E) Todos os itens. 5. (FUNDATEC – 2021) Conforme o Art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, assinale a alternativa IN- CORRETA. (A) É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o ano- nimato. (B) É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem. (C) É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, independentemente das qualificações profissionais que a lei estabelecer. (D) É assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva. (E) É plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar. DIREITO CONSTITUCIONAL 120 6. (FUNDEP – 2021) De acordo com a Constituição da República Federativa do Brasil, encontra-se entre as condições de elegibilida- de a idade mínima de (A) trinta anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador. (B) vinte e um anos para Governador e Vice-Governador de es- tado e do Distrito Federal. (C) dezoito anos para Deputado Federal e Deputado Estadual ou Distrital. (D) dezoito anos para Vereador. 7. (IADES – 2021) O Distrito Federal (DF) é uma unidade fede- rativa que possui competência legislativa de estado e de municí- pio. Brasília, a capital federal, é também sede do governo do DF. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 32, trata da organização política do DF. A esse respeito, assinale a alternativa correta. (A) Os administradores regionais exercem o papel político e constitucional de prefeitos nas regiões administrativas do DF. (B) O DF tem o seu território organizado em cidades-satélites, as quais têm status de município. (C) A criação, a divisão ou a mudança de nome e os limites das regiões administrativas é de responsabilidade do governador do DF por meio de medida provisória. (D) A organização territorial do DF é organizada atualmente por 33 regiões administrativas. (E) O DF é uma unidade política diferente dos demais estados e municípios brasileiros; possui status legislativo diferenciado em razão de ser a capital federal. 8. (IDIB – 2021) Com base nas disposições constitucionais sobre a organização político-administrativa, assinale a alternativa correta. (A) É vedada a criação de Territórios Federais, mas estes podem ser reintegrados ao Estado de origem. (B) A Constituição Federal proíbe que os Estados se desmem- brem para formarem novos Estados. (C) A criação de Municípios far-se-á por lei complementar fe- deral. (D) Os Territórios Federais integram a União e a transformação em Estados será regulada em lei complementar. (E) A Constituição Federal proíbe a subdivisão dos Estados e do Distrito Federal. 9. (IBGP – 2021) Quanto à organização do Estado, assinale a alternativa correta. (A) A organização político-administrativa da República Federati- va do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, sendo todos autônomos. (B) A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios far-se-ão por lei federal, dentro do período deter- minado por Lei Complementar Federal. (C) Os Estados não podem se incorporarem entre si, subdividi- rem-se ou se desmembrarem para se anexarem a outros. (D) É permitido aos Estados e aos Municípios recusar fé aos documentos públicos. (E) Em regra, é legítimo à União estabelecer cultos religiosos, mantendo com seus representantes relações de aliança. 10. (FUNDATEC – 2021) Em relação aos princípios constitu- cionais que regem a administraçãopública(conforme artigo 37 da Constituição Federal vigente), analise as assertivas a seguir: • O Princípio da __________ exige que a atividade administra- tiva seja desenvolvida de modo leal e que assegure a toda a comu- nidade a obtenção de vantagens justas. • As ações do administrador público são plenamente vincula- das ao que estabelecem as normas vigentes, ou seja, ele somente pode fazer o que a lei autoriza ou determina. Diferente do gestor privado, que pode fazer tudo o que a lei não proíbe. Esse é o Prin- cípio da __________. • O Princípio da __________ exige que os atos estatais sejam levados ao conhecimento de todos, ressalvadas hipóteses em que se justificar o sigilo. Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamen- te, as lacunas dos trechos acima. (A) Eficiência – Impessoalidade – Transparência (B) Eficiência – Legalidade – Transparência (C) Moralidade – Impessoalidade – Publicidade (D) Moralidade – Impessoalidade – Transparência (E) Moralidade – Legalidade – Publicidade GABARITO 1 A 2 A 3 B 4 B 5 C 6 D 7 D 8 D 9 A 10 Epossui de se recusar a cumprir determinada obrigação ou a praticar determi- nado ato comum, por ser ele contrário às suas crenças religiosas ou à sua convicção filosófica ou política, devendo então cumprir uma prestação alternativa, fixada em lei. Liberdade de expressão e proibição de censura: IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, cientí- fica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; Aqui, temos uma vez mais consubstanciada a liberdade de ex- pressão e a vedação da censura. Proteção à imagem, honra e intimidade da pessoa humana: X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; Com intuito da proteção, a Constituição Federal tornou inviolá- vel a imagem, a honra e a intimidade pessoa humana, assegurando o direito à reparação material ou moral em caso de violação. Proteção do domicílio do indivíduo: XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagran- te delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; (Vide Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência). Proteção do sigilo das comunicações: XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no úl- timo caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei es- tabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; (Vide Lei nº 9.296, de 1996). A Constituição Federal protege o domicílio e o sigilo das co- municações, por isso, a invasão de domicílio e a quebra de sigilo telefônico só pode se dar por ordem judicial. Liberdade de profissão: XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profis- são, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; É livre o exercício de qualquer trabalho ou profissão. Essa liberdade, entretanto, não é absoluta, pois se limita às qualificações profissionais que a lei estabelece. Acesso à informação: XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguar- dado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; O direito à informação é assegurado constitucionalmente, ga- rantido o sigilo da fonte. Liberdade de locomoção, direito de ir e vir: XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permane- cer ou dele sair com seus bens; Todos são livres para entrar, circular, permanecer ou sair do ter- ritório nacional em tempos de paz. Direito de reunião: XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em lo- cais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade com- petente; Os cidadãos podem se reunir livremente em praças e locais de uso comum do povo, desde que não venham a interferir ou atrapa- lhar outra reunião designada anteriormente para o mesmo local. Liberdade de associação: XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar; XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de coope- rativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvi- das ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo- -se, no primeiro caso, o trânsito em julgado; XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a perma- necer associado; DIREITO CONSTITUCIONAL 103 XXI - as entidades associativas, quando expressamente auto- rizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; No Brasil, é plena a liberdade de associação e a criação de as- sociações e cooperativas para fins lícitos, não podendo sofrer inter- venção do Estado. Nossa Segurança Nacional e Defesa Social é atri- buição exclusiva do Estado, por isso, as associações paramilitares (milícias, grupos ou associações civis armadas, normalmente com fins político-partidários, religiosos ou ideológicos) são vedadas. Direito de propriedade e sua função social: XXII - é garantido o direito de propriedade; XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; Além da ideia de pertencimento, toda propriedade ainda que privada deve atender a interesses coletivos, não sendo nociva ou causando prejuízo aos demais. Intervenção do Estado na propriedade: XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, me- diante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade com- petente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao pro- prietário indenização ulterior, se houver dano; O direito de propriedade não é absoluto. Dada a supremacia do interesse público sobre o particular, nas hipóteses legais é permiti- da a intervenção do Estado na propriedade. Pequena propriedade rural: XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, des- de que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dis- pondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento; A pequena propriedade rural é impenhorável e não responde por dívidas decorrentes de sua atividade produtiva. Direitos autorais: XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdei- ros pelo tempo que a lei fixar; XXVIII - são assegurados, nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas; b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intér- pretes e às respectivas representações sindicais e associativas; XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais pri- vilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às cria- ções industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País; Além da Lei de Direitos Autorais, a Constituição prevê uma ampla proteção às obras intelectuais: criação artística, científica, musical, literária etc. O Direito Autoral protege obras literárias (es- critas ou orais), musicais, artísticas, científicas, obras de escultura, pintura e fotografia, bem como o direito das empresas de rádio fusão e cinematográficas. A Constituição Federal protege ainda a propriedade industrial, esta difere da propriedade intelectual e não é objeto de proteção da Lei de Direitos Autorais, mas sim da Lei da Propriedade Industrial. Enquanto a proteção ao direito autoral busca reprimir o plágio, a proteção à propriedade industrial busca conter a concorrência desleal. Direito de herança: XXX - é garantido o direito de herança; XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do “de cujus”; O direito de herança ou direito sucessório é ramo específico do Direito Civil que visa regular as relações jurídicas decorrentes do falecimento do indivíduo, o de cujus, e a transferência de seus bens e direitos aos seus sucessores. Direito do consumidor: XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do con- sumidor; O Direito do Consumidor é o ramo do direito que disciplina as relações entre fornecedores e prestadores de bens e serviços e o consumidor final, parte hipossuficiente econômica da relação jurídica. As relações de consumo, além do amparoconstitucional, encontram proteção no Código de Defesa do Consumidor e na legis- lação civil e no Procon, órgão do Ministério Público de cada estado, responsável por coordenar a política dos órgãos e entidades que atuam na proteção do consumidor. Direito de informação, petição e obtenção de certidão junto aos órgãos públicos: XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos infor- mações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; (Regulamento) (Vide Lei nº 12.527, de 2011). XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do paga- mento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direi- tos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal; Todo cidadão, independentemente de pagamento de taxa, tem direito à obtenção de informações, protocolo de petição e obtenção de certidões junto aos órgãos públicos, de acordo com suas necessi- dades, salvo necessidade de sigilo. Princípio da proteção judiciária ou da inafastabilidade do con- trole jurisdicional: XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; Por este princípio o, Poder Judiciário não pode deixar de apre- ciar as causas de lesão ou ameaça a direito que chegam até ele. Segurança jurídica: XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; Direito adquirido é aquele incorporado ao patrimônio jurídico de seu titular e cujo exercício não pode mais ser retirado ou tolhido. Ato jurídico perfeito é a situação ou direito consumado e defi- nitivamente exercido, sem nulidades perante a lei vigente. Coisa julgada é a matéria submetida a julgamento, cuja sen- tença transitou em julgado e não cabe mais recurso, não podendo, portanto, ser modificada. Tribunal de exceção: XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; O juízo ou tribunal de exceção seria aquele criado exclusiva- mente para o julgamento de um fato específico já acontecido, onde os julgadores são escolhidos arbitrariamente. A Constituição veda DIREITO CONSTITUCIONAL 104 tal prática, pois todos os casos devem se submeter a julgamento dos juízos e tribunais já existentes, conforme suas competências pré-fixadas. Tribunal do Júri: XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida; O Tribunal do Júri é o instituto jurisdicional destinado exclusi- vamente para o julgamento da prática de crimes dolosos contra a vida. Princípio da legalidade, da anterioridade e da retroatividade da lei penal: XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal; XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; Para ser crime, tem que estar expressamente previsto na lei pe- nal. Se a conduta não está prescrita no Código Penal, não é crime e não há pena. Uma nova lei penal não retroage, não se aplica a con- dutas praticadas antes de sua entrada em vigor, mas se a lei nova for mais benéfica, esta sim poderá ser aplicada para beneficiar o réu. Princípio da não discriminação: XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direi- tos e liberdades fundamentais; Decorre do princípio da igualdade. Crimes inafiançáveis, imprescritíveis e insuscetíveis de graça e anistia: XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e impres- critível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecen- tes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hedion- dos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; (Regulamento). XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. • Crimes inafiançáveis e imprescritíveis: Racismo e ação de grupos armados contra a ordem constitucional e o Estado Demo- crático; • Crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça e anistia: Prá- tica de Tortura, Tráfico de drogas e entorpecentes, terrorismo e cri- mes hediondos. Os crimes inafiançáveis são aqueles que não admitem fiança, ou seja, que não dão ao acusado o direito de responder seu processo em liberdade até a sentença condenatória, mediante pagamento de determinada quantia pecuniária ou cumprimento de determinadas obrigações; Crimes imprescritíveis são aqueles que não prescrevem e po- dem ser julgados e punidos em qualquer tempo, independente- mente da data em que foram cometidos; Crimes insuscetíveis de graça e anistia são aqueles que não per- mitem a exclusão do crime com a rescisão da condenação e extin- ção total da punibilidade (anistia), nem a extinção da punibilidade, ainda que parcial (graça). Princípio da intranscendência da pena: XLV – nenhuma pena passará da pessoa do condenado, poden- do a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; A aplicação da pena deve ser sempre pessoal e não pode ser cumprida por pessoa diversa da pessoa do condenado. Individualização da pena: XLVI – a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos; Pela individualização da pena, é garantida a fixação das penas, observado o histórico pessoal a atuação individual, de modo que cada indivíduo possa receber apenas a punição que lhe é devida. Proibição de penas: XLVII – não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis. Como afirmativa dos direitos humanos e da dignidade da pes- soa humana, a Constituição Federal de 1988 veda a pena de morte, pena perpétua, de banimento e de trabalhos forçados e cruéis. Estabelecimentos para cumprimento de pena: XLVIII – a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; Respeito à Integridade Física e Moral dos Presos: XLIX – é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; Direito de permanência e amamentação dos filhos pela pre- sidiária mulher: L – às presidiárias serão asseguradas condições para que pos- sam permanecer com seus filhos durante o período de amamenta- ção; Também em atenção à dignidade da pessoa humana, a Cons- tituição Federal de 1988 determina que as penas sejam cumpridas em diferentes tipos de estabelecimento de acordo com a gravidade e natureza do delito, a idade e o sexo do apenado, respeitando-se sua integridade física e moral, garantindo ainda à apenada mulher, o direito de permanecer com os filhos e ter condições dignas de amamenta-los. Extradição: LI – nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e dro- gas afins, na forma da lei; LII – não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião; A extradição é um ato oficial de cooperação internacional que consiste na entrega de uma pessoa – o extraditando, acusado ou condenada pela prática de um ou mais crimes em território estran- DIREITO CONSTITUCIONAL 105 geiro, ao país que o reclama. A Constituição determina que não ha- veráextradição de brasileiro nato em nenhuma hipótese, e o natu- ralizado somente nas exceções previstas. Direito ao julgamento pela autoridade competente LIII – ninguém será processado nem sentenciado senão pela au- toridade competente; Devido Processo Legal: LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; Contraditório e a ampla defesa: LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Ninguém poderá ser punido ou condenado sem o devido pro- cesso legal, onde deverá ser assegurado, sob pena de nulidade ab- soluta, o direito de resposta e ampla defesa, com sentença transita- da em julgado (que não cabe mais recurso) prolatada pelo juízo ou autoridade judiciária competente. Provas ilícitas: LVI – são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos; Provas ilícitas são aquelas obtidas por meio ilegal ou fraudulen- to, ou que infrinja as normas e princípios básicos de direito, motivo pelo qual não são aceitas no processo judicial. Presunção de inocência: LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em jul- gado de sentença penal condenatória; Todo cidadão é considerado inocente até que se prove o con- trário, com o trânsito em julgado da sentença condenatória. Identificação criminal: LVIII – o civilmente identificado não será submetido a identifi- cação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei; (Regulamento). A identificação criminal será feita diante de fundada suspeita da validade e veracidade dos documentos cíveis apresentados ou quando já se tem notícias reputadas a pessoa civilmente identifi- cada sobre uso de diversos nomes e fraude em registros policiais. Ação Privada Subsidiária da Pública: LIX – será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal; A ação penal privada subsidiária da pública é admitida nos ca- sos em que a lei não prevê a ação como privada, mas sim como pública (condicionada ou incondicionada). Entretanto, o Ministério Público, titular da ação penal, permanece inerte e não apresenta a denúncia no prazo legal, abrindo-se a possibilidade para que o ofen- dido, seu representante legal ou seus sucessores ingressem com a ação penal privada subsidiária da pública. A publicidade dos atos processuais e o segredo de Justiça: LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem; Em regra, todos os atos processuais são públicos, salvo o se- gredo de justiça, que pode ser determinado de ofício pelo juiz da causa, para segurança jurídica das partes, proteção dos interesses de menor, interesse social ou demanda de grande repercussão etc., ou a requerimento justificado das partes do processo. Legalidade da prisão: LXI – ninguém será preso senão em flagrante delito ou por or- dem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente mi- litar, definidos em lei; Salvo flagrante delito, o cidadão só pode ser levado preso por autoridade policial, mediante ordem judicial escrita e devidamente fundamentada. Comunicabilidade da prisão: LXII – a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada; Informação ao preso: LXIII – o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da famí- lia e de advogado; Identificação dos responsáveis pela prisão: LXIV – o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial; Na ocasião de prisão, são direitos do preso a comunicação de sua prisão e o local onde se encontra à sua família e ao juízo com- petente, bem como conhecer as autoridades policiais responsáveis por sua prisão e interrogatório. Relaxamento da prisão ilegal: LXV – a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autori- dade judiciária; O relaxamento da prisão consiste em que o acusado seja posto em liberdade, pela incidência de alguma ilegalidade no ato de sua prisão. Garantia da liberdade provisória: LXVI – ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança; A liberdade provisória é o instituto processual que garante ao acusado o direito de aguardar em liberdade o transcorrer do pro- cesso criminal até o trânsito em julgado de sua sentença penal con- denatória, mediante o estabelecimento ou não de determinadas condições e a colaboração com as investigações. Prisão civil: LXVII – não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel; A Constituição Federal de 1988 extinguiu, em regra, a prisão civil por dívidas, salvo a do alimentante inadimplente (pensão ali- mentícia). E, a Súmula Vinculante 25, STF tornou ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito. São remédios constitucionais em casos de violação de: - Liberdade: Habeas Corpus - Direito Líquido e certo: Mandado de Segurança - Informações: Habeas data - Preceito constitucional que necessite de norma regulamenta- dora: Mandado de Injunção Habeas corpus: LXVIII – conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberda- de de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder; DIREITO CONSTITUCIONAL 106 Mandado de Segurança: LXIX – conceder-se-á mandado de segurança para proteger di- reito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atri- buições do Poder Público; LXX – o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legal- mente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados; Mandado de Injunção: LXXI – conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à naciona- lidade, à soberania e à cidadania; Habeas data: LXXII – conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; Ação Popular: LXXIII – qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência; A Ação Popular é o instrumento constitucional adequado, por meio do qual qualquer cidadão pode vir a questionar a validade de atos que considera lesivos ao patrimônio público, à moralidade ad- ministrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. Assistência Judiciária: LXXIV – o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos; Todos aqueles que não podem arcar com as custas judiciárias sem prejuízo de seu sustento pessoal e de sua família, para se ter o acesso à justiça, têm direito à assistência judiciária gratuita. Indenização por erro judiciário: LXXV – o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, as- sim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença; Gratuidade de serviçospúblicos: LXXVI – são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: (Vide Lei nº 7.844, de 1989) a) o registro civil de nascimento; b) a certidão de óbito; LXXVII – são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania (Regulamento). A Constituição Federal traz como direito fundamental a gratui- dade de serviços públicos – registro civil, a obtenção de certidão de óbito, as ações de Habeas corpus e Habeas data aos economica- mente hipossuficientes. Princípio da Celeridade Processual: LXXVIII – a todos, no âmbito judicial e administrativo, são asse- gurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). É fundamental a garantia da razoável duração do processo, de forma a evitar que direitos se percam no transcorrer processual pela demora do Judiciário. Aplicabilidade das normas de direitos e garantias fundamen- tais: § 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. Assim, todas as normas relativas aos direitos e garantias funda- mentais são autoaplicáveis. Rol é exemplificativo: § 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. O rol dos direitos elencados no art. 5º da CF/88 não é taxativo, mas sim exemplificativo. Os direitos e garantias ali expressos não excluem outros de caráter constitucional, decorrentes de princípios constitucionais, do regime democrático, ou de tratados internacio- nais. Assim, os direitos fundamentais podem ser esparsos, consubs- tanciados em toda legislação nacional, inclusive infraconstitucional. Tratados e Convenções Internacionais de Direitos Humanos § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Atos aprovados na forma deste parágrafo: DLG nº 186, de 2008, DEC 6.949, de 2009, DLG 261, de 2015, DEC 9.522, de 2018). Com a Emenda Constitucional n° 45 de 2004, as normas de tratados internacionais sobre direitos humanos passaram a ser re- conhecidas como normas de hierarquia constitucional, porém, so- mente se aprovadas pelas duas casas do Congresso por 3/5 de seus membros em dois turnos de votação. Submissão à Jurisdição do Tribunal Penal Internacional: § 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). O Brasil se submeteu expressamente à jurisdição do Tribunal Penal Internacional, também conhecido por Corte ou Tribunal de Haia, instituído pelo Estatuto de Roma e ratificado em 20 de junho de 2002 pelo Brasil. A Emenda Constitucional n° 45/2004, deu a esta adesão força constitucional. O objetivo do TPI é identificar e punir autores de crimes contra a humanidade. — Direitos sociais Os chamados Direitos Sociais são aqueles que visam garantir qualidade de vida, a melhoria de suas condições e o desenvolvi- mento da personalidade. São meios de se atender ao princípio basi- lar da dignidade humana e estão previstos no art. 6º, CF. Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimenta- ção, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assis- tência aos desamparados, na forma desta Constituição (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015). DIREITO CONSTITUCIONAL 107 Do direito ao trabalho Os direitos relativos aos trabalhadores podem ser de duas or- dens: - Direitos individuais, previstos no art. 7º, CF; - Direitos coletivos dos trabalhadores, previstos nos arts. 9º a 11, CF. Os direitos individuais dos trabalhadores são aqueles destinados a proteger a relação de trabalho contra uma profunda desigualdade, de modo a compatibilizar a função laboral com a dignidade e o bem-estar do trabalhador que é a parte hipossuficiente da relação trabalhista. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: Proteção contra despedida arbitrária ou sem justa causa: I – relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos; Os contratos de trabalho são, em regra, por prazo indetermi- nado e a legislação protege a continuidade das relações laborais contra dispensa imotivada. Seguro-Desemprego: II – seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário; O seguro desemprego é o direito de todo trabalhador à assis- tência financeira temporária, que tenha prestado serviços laborais a empregador e sido dispensado sem justa causa, por mais de seis meses. Nos termos do art. 4º da Lei do seguro desemprego, o be- nefício será concedido ao trabalhador desempregado, por período máximo variável de 3 (três) a 5 (cinco) meses, de forma contínua ou alternada, a cada período aquisitivo, contados da data de dispensa que deu origem à última habilitação, nos seguintes critérios: SEGURO DESEMPREGO 1ª Solicitação: Parcelas Tempo de trabalho 4 (quatro) 12 a 23 meses 5 (cinco) 24 meses ou mais 2ª Solicitação: Parcelas Tempo de trabalho 3 (três) 9 a 11 meses 4 (quatro) 12 a 23 meses 5 (cinco) 24 meses ou mais 3ª Solicitação: Parcelas Tempo de trabalho 3 (três) 6 a 11 meses 4 (quatro) 12 a 23 meses 5 (cinco) 24 meses ou mais Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS): III – fundo de garantia do tempo de serviço; Pode-se dizer que o FGTS é uma espécie de conta poupança compulsória do trabalhador, gerida pela Caixa Econômica Federal e regida pela Lei 8.036/1990. Mensalmente, o os empregador deve depositar nas contas vinculadas de seus funcionários o valor cor- respondente a 8% (oito por cento) do salário de cada trabalhador. Salário mínimo: IV – salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua fa- mília com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; O salário mínimo é o estabelecido para jornada padrão de 44 ho- ras semanais, podendo ser proporcional, em caso de jornada inferior. Piso salarial: V – piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho; O piso salarial corresponde ao menor salário que determinada categoria profissional pode receber pela sua jornada de trabalho, considerando a extensão e complexidade do trabalho desenvolvido e devendo ser sempre superior ao salário-mínimo nacional. Irredutibilidadade do salário: VI – irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo; A irredutibilidade salarial garante que o empregado não venha a ter o seu salário reduzido arbitrariamente pelo empregador, du- rante todo o período do contrato de trabalho. É uma garantia à es- tabilidade econômica do trabalhador. Proteção aos que percebem remuneração variável: VII – garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável; Os empregados que recebem salários com valores variáveis, como comissões sobre vendas etc, nunca devem receber salário in- ferior ao mínimo. Como o salário mínimo mensal estipulado em lei corresponde a uma jornada laboral mensal de 220 horas, a garantia mínima aqui estipulada terá como parâmetro o salário mínimo-hora. Décimo Terceiro Salário ou Gratificação Natalina: VIII – décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria; O 13º salárioé a garantia do recebimento de um salário inte- gral (ou proporcional ao período trabalhado, se for o caso) por oca- sião das comemorações de final de ano a todos os trabalhadores, aposentados e pensionistas do INSS. Remuneração superior por trabalho noturno: IX – remuneração do trabalho noturno superior à do diurno; Uma vez que a a redução do sono regular pode comprometer a saúde, o trabalho noturno tem remuneração superior em 20% a mais sobre a hora diurna trabalhada para os trabalhadores urbanos e 25%, para os trabalhadores rurais. Considera-se trabalho noturno: – entre às 22h de um dia até às 5h do dia seguinte para traba- lhadores urbanos; – entre às 21h de um dia e às 5h do dia seguinte, para os traba- lhadores rurais da agricultura; e – entre às 20h de um dia e às 4h do dia seguinte, para os traba- lhadores rurais pecuária. Proteção do salário contra retenção dolosa: X – proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa; É vedada a retenção salarial dolosa, sendo permitidos apenas os descontos salariais autorizados em Lei. DIREITO CONSTITUCIONAL 108 Participação nos lucros: XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da re- muneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empre- sa, conforme definido em lei; A Participação nos Lucros e Resultados da empresa correspon- de a uma recompensa pelo reconhecimento do bom desempenho e produtividade, pago a todos os funcionários de determinada em- presa sobre o lucro excedente de determinado período de suas ati- vidades. Salário-família: XII – salário-família pago em razão do dependente do trabalha- dor de baixa renda nos termos da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). O salário-família é um benefício da previdência social corres- pondente ao valor pago ao empregado de baixa renda, que receba salário no valor de até R$ 1.655,98, inclusive ao doméstico e ao tra- balhador avulso, e possua filhos menores de 14 anos de idade ou portadores de deficiência, sem limite de idade. Jornada de Trabalho: XIII – duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho; (Vide Decreto-Lei nº 5.452, de 1943). A Constituição Federal garante ao trabalhador jornada de tra- balho não superior a oito horas diárias ou quarenta e quatro horas semanais, facultada a compensação e a redução. Jornada especial para turnos ininterruptos de revezamento: XIV – jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva; O trabalho em turno ininterrupto de revezamento é aquele prestado por trabalhadores que se revezam nos postos de traba- lho nos horários diurno e noturno. É bastante comum em empresas que funcionam em tempo integral, sem pausas. A jornada do traba- lhador de turnos ininterruptos deve ser de seis horas diárias. Repouso (ou descanso) semanal remunerado (DSR): XV – repouso semanal remunerado, preferencialmente aos do- mingos; O Descanso ou Repouso Semanal Remunerado corresponde a um dia de folga semanal remunerado ao trabalhador a ser concedi- do preferencialmente aos domingos. Pagamentos de horas extras: XVI – remuneração do serviço extraordinário superior, no mí- nimo, em cinqüenta por cento à do normal; (Vide Del 5.452, art. 59 § 1º). O pagamento de horas extras caracteriza-se pela remunera- ção superior em, no mínimo, 50% das horas trabalhadas, além da jornada diária, lembrando que a legislação trabalhista permite o excedente em apenas 2 horas extraordinárias diárias, totalizando 10 horas diárias trabalhadas, salvo condições excepcionais. É lici- ta também a compensação de jornada (banco de horas), quando ao invés de receber o acréscimo salarial que lhe é devido, o tra- balhador passa a ter direito a usufruir a compensação das horas excedentes em períodos de folga para descanso e lazer, mediante o cumprimento de alguns requisitos legais pela empregadora. Férias remuneradas: XVII – gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal; Após um ano de trabalho efetivo (período aquisitivo), todo trabalhador passa a ter direito a um período de até 30 dias para descanso e lazer, com percebimento de salário integral, acrescido de 1/3 constitucional. As férias são concedidas a critério do empre- gador, que após o término do período aquisitivo, tem até um ano para concedê-las (período concessivo). Licença à gestante: XVIII – licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salá- rio, com a duração de cento e vinte dias; Também chamada de Licença maternidade, corresponde ao período em que a mulher está prestes a ter um filho, acabou de ganhar um bebê ou adotou uma criança. Nesses contextos, a mu- lher tem direito a permanecer afastada do seu trabalho e receber o salário maternidade, benefício previdenciário pago à pessoa nessas condições. Em regra, a licença maternidade é de 120 dias, podendo ser ampliado para 180 dias, nos casos em que a empregadora for aderente ao Programa Empresa Cidadã. Licença-paternidade: XIX – licença-paternidade, nos termos fixados em lei; A Licença-paternidade é período de 5 dias, que se inicia no primeiro dia útil após o nascimento da criança em que o pai tem direito a afastar-se de suas atividades laborais, sem prejuízo de seu salário. Nos casos em que a empresa esteja cadastrada no progra- ma Empresa Cidadã, o prazo poderá ser estendido por mais 15 dias, totalizando 20 dias. Proteção da mulher no mercado de trabalho: XX – proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei; A proteção ao trabalho da mulher é questão de ordem pública, com vias a garantir a isonomia de condições laborais. Assim, são vedadas diferenciações arbitrárias, salvo quando a natureza da ati- vidade, pública ou notoriamente o exigir. São vedadas as diferen- ciações em razão do gênero para fins de remuneração, formação profissional e possibilidades de ascensão. A proteção à gravidez, proibição de revistas íntimas ou práticas que venham a ferir a digni- dade feminina são alguns dos exemplos de medidas de proteção do mercado de trabalho da mulher. Aviso Prévio: XXI – aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei; Nas relações de emprego, o aviso prévio consiste na comunica- ção da rescisão do contrato de trabalho por uma das partes, empre- gador ou empregado, que decide extingui-lo, com a antecedência mínima de 30 dias. O aviso prévio pode ser trabalhado ou indeniza- do, quando concedido por qualquer uma das partes. Redução dos riscos do trabalho: XXII – redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança; É dever da empregadora a redução dos riscos inerentes às atividades desempenhadas por seus colaboradores, através do cumprimento de todas as normas regulamentadoras de saúde, higiene e segurança, bem como do fornecimento de equipamentos de proteção individual e da exigência da execução de todas as normas da empresa por seus funcionários, sob pena de justa causa. Adicional por atividades penosas, insalubres ou perigosas: XXIII – adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei; DIREITO CONSTITUCIONAL 109 O trabalho penoso é aquele considerado extremamente des- gastante para a pessoa humana, em que o trabalhador depreende um esforço além do normal para o desempenho de suas atividades. Não há regulamentação de um adicional. O trabalho insalubre é aquele em que o empregado, no exer- cício de suas atividades, expõe-se a qualquer agente físico, químico ou biológico, nocivo à saúde, e que com o passar do tempo podem ocasionar uma doença ocupacional. O adicional de insalubridade pode variar entre: - 10% (dez por cento) em grau mínimo; - 20% (vinte por cento) em grau médio; - 40% (quarentapor cento) em grau máximo de exposição, cal- culado sob o salário mínimo, nos termos da lei. São exemplos de atividades insalubres as exercidas por profis- sionais da saúde, radiologistas, mineradores, entre outros. E, por fim, o trabalho perigoso é aquele que envolve constante risco à integridade física do trabalhador. Como exemplos, temos as atividades profissionais com inflamáveis, explosivos, energia elétri- ca, segurança pessoal ou patrimonial, com o uso de motocicleta, entre outros. O adicional de periculosidade é correspondente a 30% (trinta por cento) sobre o salário-base. A insalubridade é diferente da periculosidade e os adicionais não são cumulativos! Aposentadoria: XXIV – aposentadoria; A aposentadoria é o benefício concedido pela Previdência So- cial ao trabalhador segurado da previdência que preencher os requi- sitos legais para sua concessão, consistente na prestação pecuniária recebida mensalmente pelo aposentado, calculada conforme suas contribuições à previdência ao longo de toda a sua vida laboral. Assistência aos filhos pequenos: XXV – assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006). A Constituição Federal, com vistas a proteção do trabalho dos genitores de filhos e dependentes pequenos, garante assistência gratuita a seus filhos e dependentes, entretanto, tal dispositivo, ainda depende de regulamentação para o seu pleno exercício. Reconhecimento das convenções e acordos coletivos de tra- balho: XXVI – reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho; Por este inciso, a Constituição Federal reconheceu as conven- ções e acordos coletivos como instrumentos com força de lei entre as partes, desde que conformes com o texto constitucional. Proteção em face da automação: XXVII – proteção em face da automação, na forma da lei; A proteção em face da automação consiste em proteger a classe trabalhadora do desemprego pela automação abusiva, bem como em garantir de forma efetiva a saúde e a segurança no meio ambiente de trabalho automatizado. Seguro contra acidentes de trabalho: XXVIII – seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empre- gador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; O seguro contra acidentes de trabalho é uma garantia ao em- pregado, às expensas do empregador, que assume os riscos da ativi- dade laboral, mediante pagamento de um adicional sobre folha de salários de seus empregados, com administração atribuída à Previ- dência Social. Tal seguro tem função de seguridade por ser destina- do a beneficiários atingidos por doença ou acidente, que estejam associados ao sistema previdenciário. O Seguro contra acidentes de trabalho está regulamentado pela Lei 8.212/91. Ação trabalhista nos prazos prescricionais: XXIX – ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 2000). A todo trabalhador é garantido o direito de propor Reclama- tória (ou Reclamação) Trabalhista, dentro dos prazos processuais legais. O prazo prescricional de uma reclamação trabalhista é de 02 anos, a partir da rescisão do contrato de trabalho! Esse é o prazo para que o trabalhador possa ingressar com a Ação Trabalhista. O prazo prescricional de 05 anos, previsto no mesmo inciso da Consti- tuição, refere-se ao período cujos direitos podem ser questionados, ou seja, o funcionário pode reclamar apenas dos direitos corres- pondentes aos últimos 05 (cinco) anos trabalhados. Não discriminação: XXX – proibição de diferença de salários, de exercício de fun- ções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil; XXXI – proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência; Proibição de distinção do trabalho: XXXII – proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos; Trabalho do menor: XXXIII – proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; (Re- dação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). - De 14 a 16 anos: Só pode trabalhar na condição de aprendiz. - De 16 a 18 anos: É vedado o exercício de trabalho noturno, perigoso ou insalubre. - A partir de 18 anos: Trabalho normal. Igualdade ao trabalhador avulso: XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso. O trabalhador avulso é aquele que presta serviços a uma empresa de maneira eventual e que, apesar de não possuir vínculo empregatício, possui os mesmos direitos que os trabalhadores com vínculo e a sua prestação de serviços deve obrigatoriamente ser in- termediada por um sindicato de sua categoria. Empregados domésticos: Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalha- dores domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a sim- plificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiarida- des, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 72, de 2013). DIREITO CONSTITUCIONAL 110 Os Direitos Coletivos dos Trabalhadores “são aqueles exerci- dos pelos trabalhadores, coletivamente ou no interesse de uma co- letividade” (LENZA, 2019, p. 2038) e compreendem: Liberdade de Associação Profissional Sindical: prerrogativa dos trabalhadores para defesa de seus interesses profissionais e econômicos. Direito de Greve: direito de abstenção coletiva e simultânea do trabalho, de modo organizado para defesa de interesses dos trabalhadores. Importante mencionar que serviços considerados essenciais e inadiáveis à sociedade não podem ser paralisados to- talmente para o exercício do direito de greve. Ademais, o STF (2017) entende que servidores que atuam diretamente na área de segu- rança pública não podem entrar em greve em nenhuma hipótese. Direito de Participação Laboral: assegura a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão. Direito de Representação na Empresa: Nos termos do art. 11, CF: nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um representante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores. — Direitos de nacionalidade A nacionalidade é a condição de sujeito natural do Estado, que pode participar dos atos pertinentes à nação. A atribuição da nacio- nalidade se dá por dois critérios: Jus solis: será brasileiro todo aquele nascido em território na- cional; Jus sanguinis: será brasileiro todo filho de nacional, mesmo nascido no exterior. O Brasil adota, em regra, o critério do jus solis, mitigado por cri- térios do jus sanguinis. O art. 12 da Constituição Federal elenca os direitos da nacionalidade, dividindo os brasileiros em dois grandes grupos: os brasileiros natos e os naturalizados. Art. 12 São brasileiros: I - natos: a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país; b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasilei- ra, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federa- tiva do Brasil; c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe bra- sileira, desde que sejam registrados em repartiçãobrasileira com- petente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira; (Redação dada pela Emenda Constitucio- nal nº 54, de 2007). II - naturalizados: a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas resi- dência por um ano ininterrupto e idoneidade moral; b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na Re- pública Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade bra- sileira (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994). Cargos privativos do brasileiro nato: (art. 12, § 3º, CF) § 3º São privativos de brasileiro nato os cargos: I - de Presidente e Vice-Presidente da República; II - de Presidente da Câmara dos Deputados; III - de Presidente do Senado Federal; IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal; V - da carreira diplomática; VI - de oficial das Forças Armadas. VII - de Ministro de Estado da Defesa (Incluído pela Emenda Constitucional nº 23, de 1999). Naturalização A naturalização é um meio derivado, de aquisição secundária da nacionalidade brasileira, permitida ao estrangeiro ou apátrida que preencher determinados requisitos. Também chamado de heimatlos, o apátrida é aquele que não possui nenhuma nacionalidade, já o polipátrida é aquele que tem mais de uma nacionalidade. A Lei nº 13.445/2017, que institui a Lei de Migração trata de diversas questões acerca da nacionalidade e do processo de natu- ralização, sendo vedada a diferenciação arbitrária entre brasileiros natos e naturalizados. § 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição. Portugueses: Aos portugueses com residência permanente no país serão atribuídos os mesmos direitos dos brasileiros, desde que haja re- ciprocidade. Art. 12 § 1º Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Cons- tituição (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994). Perda da Nacionalidade: § 4º Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que: I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional; II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos:(Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994). a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei es- trangeira; (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994). b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis; (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994). Extradição, repatriação, deportação e expulsão A extradição, repatriação, deportação e expulsão são medidas do Estado soberano para enviar uma pessoa que se encontra refu- giada em seu território a outro Estado estrangeiro. Segundo o Ministério da Justiça (2021), a extradição é um ato de cooperação internacional que consiste na entrega de uma pes- soa, acusada ou condenada por um ou mais crimes, ao país que a reclama. Não haverá extradição de brasileiro nato. Também não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião. Repatriação é medida administrativa consistente no processo de devolução voluntária de uma pessoa ao seu local de origem ou de cidadania, por estar impedida de permanecer em território bra- sileiro após determinado período. DIREITO CONSTITUCIONAL 111 A deportação será aplicada nas hipóteses de entrada ou esta- da irregular de estrangeiros no território nacional e a repatriação ocorre quando o clandestino é impedido de ingressar em território nacional pela fiscalização fronteiriça e aeroportuária brasileira. A expulsão consiste em medida administrativa de retirada com- pulsória de migrante ou visitante do território nacional, conjugada com o impedimento de reingresso por prazo determinado, configu- rado pela prática de crimes em território brasileiro. O banimento, que é a entrega de um brasileiro para julgamento no exterior, prática comum na época da ditadura militar, é vedado pela Constituição. — Direitos políticos Os Direitos Políticos visam assegurar a participação do cidadão na vida política e estrutural de seu Estado, garantindo-lhe o acesso à condução da coisa pública. Abrangem o poder que qualquer ci- dadão tem na condução dos destinos de sua coletividade, de uma forma direta ou indireta, ou seja, sendo eleito ou elegendo repre- sentantes junto aos poderes públicos. Cidadania e nacionalidade são conceitos distintos, logo nacio- nal é diferente de cidadão. A condição de nacional é um pressupos- to para a de cidadão. A cidadania em sentido estrito é o status de nacional acrescido dos direitos políticos, isto é, o poder participar do processo governamental, sobretudo pelo voto. Nos termos do art. 14 da Constituição Federal a soberania po- pular é exercida pelo sufrágio (voto) universal, direto e secreto, com valor igual para todos. Ademais, estabelece também os instrumen- tos de participação semidireta pelo povo. Plebiscito: manifestação popular do eleitorado que decide acerca de uma determinada questão. Assim, em termos práticos, é feita uma pergunta à qual responde o eleitor. É uma consulta prévia à elaboração da lei. Referendo: manifestação popular, em que o eleitor aprova ou rejeita uma atitude governamental, normalmente uma lei ou proje- to de lei já existente. Iniciativa Popular: é o direito de uma parcela da população (1% do eleitorado) apresentar ao Poder Legislativo um projeto de lei que deverá ser examinado e votado. Os eleitores também podem usar deste instrumento em nível estadual e municipal. Alistamento eleitoral (direitos políticos ativos): Consiste na capacidade de votar, participar de plebiscito e re- ferendo, subscrever projeto de lei de iniciativa popular e de propor ação popular e se dá através do alistamento eleitoral, obrigatório para os maiores de dezoito anos e facultativo para os maiores de dezesseis e menores de dezoito, para os analfabetos e para os maio- res de setenta anos. São inalistáveis os estrangeiros e os conscritos durante serviço militar obrigatório, ou seja, aqueles que se alistaram no exército e foram convocados a prestar serviço militar. Elegibilidade eleitoral (direitos políticos passivos): Os direitos políticos passivos consistem na possibilidade de ser votado, ou seja, na elegibilidade que é a capacidade eleitoral passi- va consistente na possibilidade de o cidadão pleitear determinados mandatos políticos, mediante eleição popular, desde que preenchi- dos os devidos requisitos. § 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei: I - a nacionalidade brasileira; II - o pleno exercício dos direitos políticos; III - o alistamento eleitoral; IV - o domicílio eleitoral na circunscrição; V - a filiação partidária; Regulamento. VI - a idade mínima de: a) 35 anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador; b) 30 para Governador e Vice-Governador de Estado e do Dis- trito Federal; c) 21 anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distri- tal, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz; d) 18 anos para Vereador. Inelegibilidades: A Constituição não menciona exaustivamente todas hipóteses de inelegibilidade, apenas fixa algumas. Em regra: § 4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos. Há também a inelegibilidade derivada do casamento ou do pa- rentesco com o Presidente da República, com os Governadores de Estado e do Distrito Federal e com os Prefeitos, ou com quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito. §7º São inelegíveis, no território de jurisdiçãodo titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. Quanto à reeleição e desincompatibilização, a Emenda Consti- tucional nº 16 trouxe a possibilidade de reeleição para o chefe dos Poderes Executivos federal, estadual, distrital e municipal. Ao con- trário do sistema americano de reeleição, que permite apenas a re- condução por um período somente, no Brasil, após o período de um mandato, o governante pode voltar a se candidatar para o posto. § 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substi- tuído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subsequente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, de 1997). § 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da Repú- blica, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito. Por sua vez, o militar é elegível, se cumpridos alguns requisitos: § 8º O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes con- dições: I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade; II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade. O Mandato Eletivo pode ser impugnado: § 10 O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruí- da a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude; § 11 A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé. Suspensão e Perda dos Direitos Políticos A perda e a suspensão dos direitos políticos podem-se dar, respectivamente, de forma definitiva ou temporária. Ocorrerá a perda quando houver cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado, no caso de recusa em cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa (é o caso do serviço militar obrigatório). Por sua vez, a suspensão dos direitos políticos se dá enquanto persistirem os motivos desta, ou seja, enquanto não re- DIREITO CONSTITUCIONAL 112 toma a capacidade civil, o indivíduo terá seus direitos políticos sus- pensos; readquirindo-a, alcançará, novamente o status de cidadão. Também são passíveis de suspensão os condenados criminalmente (com sentença transitado em julgado). Cumprida a pena, readqui- rem os direitos políticos; no caso de improbidade administrativa, a suspensão será, da mesma forma, temporária. Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; II - incapacidade civil absoluta; III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º. — Partidos Políticos Partidos políticos são associações de pessoas de ideologia e in- teresses comuns, com a finalidade de exercer o poder a partir da vontade popular, determinando o governo e a orientação política nacional. Juridicamente, são verdadeiras instituições, pessoas jurí- dicas de direito privado, constituídas na forma da lei civil, perante o Registro Civil de Pessoas Jurídicas e que gozam de imunidade e autonomia para gerir sua organização interna. No Brasil, o pluralismo político é um dos fundamentos da Repú- blica, e diferente de outras nações aqui não foi instituído o dualis- mo. (direita e esquerda ou democratas e republicanos). Os partidos políticos têm liberdade de organização partidária, sendo livres a criação, fusão, incorporação e a sua extinção, observados o caráter nacional, a proibição de subordinação e recebimento de recursos financeiros de entidades ou governo estrangeiros, a vedação da uti- lização de organização paramilitar, além do dever de prestar contas à Justiça Eleitoral e do funcionamento parlamentar de acordo com a lei. De acordo com a Lei das Eleições, coligações partidárias são permitidas. Os partidos políticos, uma vez devidamente constituídos e re- gistrados no TSE, têm direito a recursos do fundo partidário e aces- so gratuito ao rádio e à televisão para fins de propaganda eleitoral. A ORGANIZAÇÃO NACIONAL. UNIÃO. ESTADOS. DISTRITO FEDERAL. MUNICÍPIOS. COMPETÊNCIAS — Estado federal brasileiro, União, Estados, Distrito Federal, municípios e territórios Estado Federal Brasileiro São elementos do Estado a soberania, a finalidade, o povo e o território. Assim, Dalmo de Abreu Dallari (apud Lenza, 2019, p. 719) define Estado como “a ordem jurídica soberana que tem por fim o bem comum de um povo situado em determinado território”. Soberania é o poder político supremo e independente que o Estado detém consistente na capacidade para editar e reger suas próprias normas e seu ordenamento jurídico. A finalidade consiste no objetivo maior do Estado que é o bem comum, conjunto de condições para o desenvolvimento integral da pessoa humana. Povo é o conjunto de indivíduos, em regra, com um objetivo comum, ligados a um determinado território pelo vínculo da nacio- nalidade. Território é o espaço físico dentro do qual o Estado exerce seu poder e sua soberania. Onde o povo se estabelece e se organiza com ânimo de permanência. A Constituição de 1988 adotou a forma republicana de gover- no, o sistema presidencialista de governo e a forma federativa de Estado. Note tratar-se de três definições distintas. REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL: • Forma de Estado: Federação • Forma de Governo: República • Regime de Governo: Democrático • Sistema de Governo: Presidencialismo O federalismo é a forma de Estado marcado essencialmente pela união indissolúvel dos entes federativos, ou seja, pela impossi- bilidade de secessão, separação. São entes da federação brasileira: a União; os Estados-Membros; o Distrito Federal e os Municípios. Brasília é a capital federal e o Estado brasileiro é considerado lai- co, mantendo uma posição de neutralidade em matéria religiosa, admitindo o culto de todas as religiões, sem qualquer intervenção. Fundamentos da República Federativa do Brasil O art. 1.º enumera, como fundamentos da República Federa- tiva do Brasil: - soberania; - cidadania; - dignidade da pessoa humana; - valores sociais do trabalho e da livre-iniciativa; - pluralismo político. Objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil Os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil não se confundem com os fundamentos e estão previstos no art. 3.º da CF/88: - construir uma sociedade livre, justa e solidária; - garantir o desenvolvimento nacional; - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigual- dades sociais e regionais; - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Princípios que regem a República Federativa do Brasil nas re- lações internacionais O art. 4.º, CF/88 dispõe que a República Federativa do Brasil é regida nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: - independência nacional; - prevalência dos direitos humanos; - autodeterminação dos povos; - não intervenção; - igualdade entre os Estados; - defesa da paz; - solução pacífica dos conflitos; - repúdio ao terrorismo e ao racismo; - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; - concessão de asilo político. Competências Competência é o poder, normalmente legal, de uma autorida- de pública para a prática de atos administrativos e tomada de deci- sões.