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MANUAL DE CUIDADOS HOSPITALARES EM PSIQUIATRIA PARA ENFERMAGEM Jaciane Araújo Cavalcante Domingos de Oliveira SUMÁRIO 1. A importância da comunicação paciente/família/equipe 4 3. A Enfermagem em Saúde Mental e Psiquiátrica 6 4. Acolhimento e abordagem em saúde mental 7 4. Principais transtornos mentais e os cuidados da enfermagem 7 5. O intento suicida – quebrando os tabus 13 6. Abordagem farmacológica 15 7. Emergências psiquiátricas 19 7. Assistência e manejo da crise 20 REFERÊNCIAS 24 1. A importância da comunicação paciente/família/equipe A presença de múltiplos profissionais é realidade cada vez mais concreta no cotidiano dos serviços de saúde e, no fundo, remete ao processo de parcelamento do trabalho em múltiplos compartimentos, funções e profissões, vivenciado por essas instituições desde o século XIX. No Brasil, desde a década de 1970, o trabalho em saúde passou a priorizar a composição de equipes de profissionais com diferentes formações. Esse movimento traz inequivocamente a benesse de incrementar as possibilidades terapêuticas, mas traz consigo também o risco de fragmentação do trabalho, impondo assim a necessidade de integração verdadeiramente interdisciplinar (VASCONCELLOS, 2010). A atuação da equipe multiprofissional na atenção a saúde mental traz consigo um trabalho complexo, com dificuldade para estabelecer limites comuns entre os profissionais das diferentes disciplinas, o que decorre das grandes diferenças conceituais, metodológicas, práticas e terminológicas acerca do cuidado à loucura. Por outro, emerge a força da diretriz multiprofissional e interdisciplinar propugnada pela essência da responsabilidade de mudar radicalmente um modelo de assistência, tarefa muito árdua entre a equipe. Um dos problemas encontrados no campo da saúde mental é o fato das pessoas e dos profissionais da saúde pensarem que os pacientes psiquiátricos são violentos e assassinos, confundindo transtorno mental com a psicopatia e a sociopatia, pois normalmente são levados a estes pensamentos em decorrência de processos de comoção, logo após a ocorrência de um crime, cometido por uma pessoa com doença mental. “Estudos recentes demonstram que a probabilidade de uma pessoa com transtorno mental cometer um crime é menor do que na população geral, ou seja, a taxa de crimes é maior na população em geral em relação à população com doença mental”. Um fator que devemos observar nos pacientes psiquiátricos é o desenvolvimento da crise. As crises podem estar relacionadas ao abandono do tratamento, seja pela omissão da tomada dos fármacos ou pelo abandono do processo terapêutico. Neste sentido, deve-se questionar a família ou que acompanha o paciente como se deu à crise, ou se está relacionada à dinâmica do paciente ou se o mesmo apresenta ideias de perseguição em relação a um membro específico da família, devemos lembrar ainda que, o serviço que acolhe o paciente pode ser considerado por ele como um ambiente hostil, fator que pode agravar a crise. Neste momento, a equipe deve proceder com contenção verbal, chamando o paciente pelo nome, demonstrando a ele que há interesse em resolver seus problemas e jamais encurralá-lo, pois isso pode potencializar sua crise. Neste sentido, é de vital importância que a equipe que atua na atenção as pessoas em sofrimento psíquico falem a mesma linguagem, tanto com o paciente quanto com a sua família, pois conteúdos fragmentados do diálogo entre os profissionais influenciarão nas respostas e ações, seja da família quanto ou do paciente, o que pode confundi-los, expressando assim a ruptura da equipe, o que influenciará no tratamento destas pessoas doentes. A melhor abordagem em situação de emergência e crise é o ouvir (escuta terapêutica) reflexivo, pois as pessoas em crise revelam o quanto necessitam de apoio e palavras para conceituar o significado de sua crise e descobrir caminhos para a resolução. “No contexto dos serviços de saúde, o enfermeiro é o elemento da equipe de saúde mais apropriado a assumir a coordenação do planejamento dos cuidados do paciente, conjugando as diversas prescrições no plano integrado e assistencial”. Ainda no contexto do tratamento, a unidade familiar é fundamental no tratamento, recuperação e reabilitação psicossocial do paciente psiquiátrico, sendo relevante que a família receba acompanhamento também, e que sejam acolhidas e ouvidas, pois quando há participação de forma ativa dos familiares no que se refere ao cuidado ao usuário, sendo que isto exige muitas vezes uma nova reorganização familiar e aquisição de habilidades, permitindo uma nova estruturação familiar, capacitada para o cuidado domiciliar. Diante disso, é importante que haja o acolhimento, escuta e suporte para compreender quais são as necessidades dos familiares e assim reestruturarem-se no momento de crise vivenciada. (MIELKE et al., 2010). 2. A Política de Saúde Mental no Brasil A Política Nacional de Saúde Mental compreende as estratégias e diretrizes adotadas pelo país com o objetivo de organizar a assistência às pessoas com necessidades de tratamento e cuidados específicos em Saúde Mental. Abrange a atenção a pessoas com necessidades relacionadas a transtornos mentais como depressão, ansiedade, esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo, incluindo aquelas com quadro de uso nocivo e dependência de substâncias psicoativas (álcool, cocaína, crack e outras drogas). Em 2001 ocorreu a promulgação da lei nº 10.2016/2001 que dispunha sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais, conhecida também por Lei Paulo Delgado, onde foi previsto que o tratamento deve ser ofertado preferencialmente em serviços comunitários de saúde mental, de forma menos restritiva possível ocorrendo assim a desinstitucionalização (BRASIL 2001). Convém salientar que, as ações de saúde mental, vão de encontro ao artigo 196 da Constituição de 1988, com a descentralização, atendimento integral, com prioridade as atividades de prevenção, sem prejuízo dos serviços assistenciais, e participação da comunidade (FUREGATO 2009). 3. A Enfermagem em Saúde Mental e Psiquiátrica A enfermagem em saúde mental iniciou com Linda Richards, enfermeira que melhorou a assistência de enfermagem em hospitais psiquiátricos e organizou programas educativos de saúde mental nos Estados Unido da América. Em 1895 o papel da enfermagem psiquiátrica era basicamente os cuidados com nutrição, higiene e atividade. Este papel foi expandindo-se com o início de terapias somáticas para tratamento de transtornos mentais, como choque de insulina, psicocirurgia e eletroconvulsoterapia. Atualmente a enfermagem atua na psiquiatria em diversos eixos tais como: implementação do plano de cuidados, intervenção na crise, controle do estresse, promove atividades de autocuidado, gerência casos e supervisiona clinicamente os pacientes. O cuidado de enfermagem psiquiátrica deve estar em consonância com os princípios da reforma psiquiátrica brasileira, devendo trabalhar com ela sua autonomia, buscar compreensão acerca da situação clínica daquele sujeito, buscar possíveis significados de coisas incompreensíveis ou incoerentes, escutar, construir juntamente com o paciente propostas para seu cuidado. 4. Acolhimento e abordagem em saúde mental O acolhimento, enquanto diretriz da Política Nacional de Humanização (PNH), preconiza uma prática presente em todos os atendimentos, independente do estabelecimento e dos profissionais. Não estabelece que seja realizado em um local específico, diferenciando-se, portanto, do atendimento de triagem. Brasil (2015, S/P) refere sobre acolhimento como: [...] postura ética que implica na escuta do usuário em suas queixas, no reconhecimento doseu protagonismo no processo de saúde e adoecimento, e na responsabilização pela resolução, com ativação de redes de compartilhamento de saberes. Acolher é um compromisso de resposta às necessidades dos cidadãos que procuram os serviços de saúde [...]. É de extrema importância incluir os familiares durante todo o processo de atendimento hospitalar, explicar-lhes as condutas, os encaminhamentos para a rede de saúde, oportunizando o acolhimento e a escuta ativa com objetivo de compreender o contexto e a dinâmica familiar do mesmo. Em suma, acolher significa muito mais do que lhe oferecer abrigo e cama, significa abraçar-lhe, escutá-lo, estabelecer vinculo e deixar claro que eu tenho interesse em ajuda-lo e solucionar os seus problemas. 4. Principais transtornos mentais e os cuidados da enfermagem Ansiedade generalizada e transtorno do pânico É composto de episódios de ataques de pânico, 15 a 30 minutos, com ansiedade intensa e progressiva, em que a pessoa experimenta enorme medo emocional, assim como desconforto fisiológico. Durante o ataque de pânico a pessoa sente ansiedade intensa e opressiva e apresenta quatro ou mais dos seguintes sintomas: Palpitações, sudorese, tremores, falta de ar, sensação de sufocamento, dores no peito, náusea, desconforto abdominal, tonturas, parestesias, calafrios, ondas de calor. Como trabalhar com clientes ansiosos? ✓ Deve-se avaliar o nível de ansiedade do individuo pois isso irá determinar qual intervenção escolher. ✓ É importante que durante uma crise de ansiedade um membro da equipe de enfermagem permaneça com o cliente/família, visto que a segurança do cliente é prioridade. ✓ Leve o cliente para uma área calma com menos estímulos e avalie a necessidade de medicação caso esta esteja prescrita pelo médico. ✓ É importante permanecer calmo em sua abordagem lembrando que se estiver calmo o cliente sentirá segurança. ✓ Estimule o cliente a participar de exercícios de relaxamento, como inspiração e respiração profunda. ✓ Tranquilize a família. ✓ Para diminuir a ansiedade do paciente forneça apoio emocional e calmamente reintroduza-o a realidade. ✓ Encoraje-o a expressar os seus interesses e a identificar a fonte da ansiedade. ✓ Ajude a estabelecer prioridades, mas permita que ele tenha algum controle da situação. Transtornos psicóticos – Esquizofrenia É a principal forma de psicose devido a frequência a importância clinica caracterizado por dois ou mais sintomas, como: alucinações auditivas, visuais ou sinestésicas, delírios, paranoia, desorganização da fala ou até mesmo fala incompreensível, catatonia e/ou sintomas negativos. Estes sintomas se manifestam, em média, por quatro semanas. Na esquizofrenia há percepção delirante que para o paciente é tida como uma espécie de “revelação”; alucinações auditivas ou seja, vozes que cometam ou comandam a ação do paciente; eco do pensamento ou sonorização do pensamento, difusão do pensamento que ocorre quando o paciente possui a sensação de que seus pensamentos são ouvidos pelos outros no momento em que os pensa. Com pacientes psicóticos exemplo da esquizofrenia haja da seguinte forma: ✓ Aja com resolução e compaixão; ✓ Tente estabelece uma afinidade com ele para conseguir a sua confiança e cooperação; ✓ Fale firmemente, mas de modo calmo e de maneira não ameaçadora; ✓ Nunca contrarie seus delírios de forma direta; ✓ Procure trazer ele para a realidade; ✓ Evite qualquer ameaça ou desafio físico ou psicológico; ✓ Movimente-se lenta e calmamente, sentando-se ou ficando em pé na mesma altura que ele para evitar aparência de poder; ✓ Evite portas fechadas ou canto sem saída para que ele não se sinta encurralado, se possível deixe que ele fique perto de porta entreaberta; ✓ Permaneça calmo e positivo, usando expressões simples. ✓ Deixe que ele verbalize o pensamento distorcido ou ilógico, mas evite validar as suas falsas crenças. ✓ Tranquilize a família. Transtorno Afetivo Bipolar e Depressão O transtorno bipolar é um transtorno mental que causa oscilações fora do comum no humor, energia e na capacidade de funcionamento de uma pessoa. Diferentemente dos altos e baixos normais por que passam todas as pessoas, os sintomas do transtorno bipolar podem ocasionar danos aos relacionamentos, desempenho insuficiente no trabalho ou na escola e até mesmo suicídio. Este causa oscilações dramáticas no humor ¾ de excessivamente “alto” (euforia e/ou irritação) à tristeza e desespero (ou vice-versa), frequentemente com períodos de humor normal entre eles. Alterações graves na energia e no comportamento acompanham essas alterações do humor. Os períodos de altos e baixos são denominados episódios de mania e depressão. Um episódio maníaco é diagnosticado se o humor elevado ocorrer em associação a três ou mais sintomas na maior parte do dia (quadro abaixo), quase todos os dias, por 1 semana ou mais. Se o humor for de irritação, quatro sintomas adicionais devem estar presentes. Com pacientes bipolares proporcione a ele: ✓ Ambiente tranquilo. ✓ Estabeleça limites. ✓ Procure tranquilizá-lo. ✓ Estabeleça contenção verbal. ✓ Verifique se o mesmo está tomando a medicação. “Pacientes com TAB falam mais que o normal, rápido, tem períodos de sono muito curto quando estão crise, tomam várias vezes banho durante o dia ou a noite”. Um episódio depressivo é diagnosticado se cinco ou mais desses sintomas durarem a maior parte do dia (quadro abaixo), quase todos os dias, por um período de 2 semanas ou mais. Por vezes os episódios graves de mania ou depressão podem incluir sintomas de psicose (ou sintomas psicóticos). São sintomas psicóticos comuns alucinações (ver, ouvir ou perceber de algum outro modo à presença de coisas não efetivamente presentes) e delírios (crenças falsas, mantidas com forte convicção e não influenciadas pelo raciocínio lógico nem explicadas pelos conceitos culturais habituais da pessoa). Os sintomas psicóticos no transtorno bipolar tendem a refletir o estado afetivo extremo no momento. Por exemplo, podem ocorrer durante a mania delírios de grandeza, tais como achar que é o presidente ou que tem poderes especiais ou muita riqueza; delírios de culpa ou menos valia, tais como achar que se está arruinado e sem um tostão ou cometeu algum crime terrível, podem aparecer durante a depressão. As pessoas portadoras de transtorno bipolar que têm esses sintomas são por vezes diagnosticadas incorretamente como apresentando esquizofrenia, outro transtorno mental grave. A depressão caracteriza-se por humor triste e desânimo, multiplicidade de sintomas afetivos como tristeza choro fácil, apatia irritabilidade aumentada, alterações na esfera instintiva, ideação negativa, pessimismo déficit de concentração memória, e algumas indivíduos apresentam sintomas psicóticos e ideação paranóide. É atualmente reconhecida pela OMS como um problema prioritário de saúde pública. A depressão unipolar é a primeira causa de incapacidade entre os problemas de saúde. ✓ Realize escuta terapêutica. ✓ Identifique risco suicida. ✓ Proporcione ambiente tranquilo. ✓ Verifique se já esta em uso de fármacos antidepressivos. ✓ Fale com ele firmemente para garantir que você é quem controla a situação. ✓ Use linguagem simples e concreta, além de frases curtas, evitando palavras ou frases que o paciente possa confundir. ✓ Tranquilize a família. Transtornos de Personalidade – Borderline É caracterizado por um padrão de comportamento intenso e caótico, com instabilidade afetiva, e variação de atitudes em relação a outras pessoas. São pessoas impulsivas, autodestrutivas e carecem de uma identidade, sendo mais comum em mulheres e cerca de 3% da população desenvolve. As pessoas parecem sempre estar em estado de crise, muda seu estado afetivo em fração de minutos, podendo variar da depressão a raiva em segundos. Para o diagnósticoé necessário que haja pelo menos a presença de três dos sintomas abaixo: ✓ Esforço intenso para evitar o abandono ✓ Padrão de relacionamento estável ✓ Distúrbio de identidade ✓ Impulsividade ✓ Comportamento suicida recorrente ✓ Instabilidade afetiva ✓ Sentimento crônico de vazio ✓ Raiva inadequada e intensa ✓ Ideação paranoide “Os transtornos de personalidade não possuem boa resposta ao tratamento farmacológico, sendo então necessário psicoterapia, pois nestes casos se faz necessário mudanças comportamentais para a resolução de seus problemas” Nos transtornos de personalidade haja da seguinte forma: → Todos os membros da equipe devem agir da mesma forma para evitar a manipulação. A equipe deve estar atento às tentativas de sedução para conseguir ganhos pessoais. → Orientar os familiares e as pessoas que convivem com ele de que necessitam de habilidades especiais para lidar com esses pacientes. → Se sentir inseguro frente a uma tentativa de intimidação e ceder, lembrar-se de que o paciente pode vir a pressionar cada vez mais para ser atendido (até chegar a uma situação insustentável). → Lide com firmeza, mas nunca assuma atitudes desafiadoras, pois isto os estimula cada vez mais assumirem atitudes antissociais. → Às vezes, torna-se necessário buscar ajuda dos demais profissionais discutindo a assistência prestada. Transtornos da Alimentares – Anorexia e Bulimia Os transtornos alimentares são perturbações no comportamento alimentar, podendo levar ao emagrecimento, à obesidade, ou outros problemas físicos. Dentre estes se destacam: Anorexia nervosa: Perda de peso auto induzida por abstenção de alimentos que engordam ou por comportamentos como vômitos ou purgação auto induzidos, com uma intensa busca pela magreza ou medo intenso de engordar. Outra característica é a distorção da imagem corporal, mesmo emagrecido o cliente percebe-se gordo. Bulimia nervosa: Preocupação persistente com o comer e desejo irresistível por comida, sucumbindo a pessoa a repetidos episódios de hiperfagia (ataques a geladeira por exemplo). Há uma preocupação excessiva em controlar o peso corporal, atrelada ao uso de diuréticos, laxantes, purgação e/ou provocação de vômitos, para minimizar os efeitos do aumento de peso. Obesidade: é uma condição complexa determinada por fatores genéticos, psicológicos familiares e culturais. Emocionalmente falando o indivíduo obeso recorre a comida como forma de compensação ao afeto que necessita, possuindo uma dificuldade em diferenciar a fome de sensações desagradáveis, desconforto, ansiedade e disforias em geral. Todo mal-estar nesse caso é percebido como fome. Os transtornos alimentares exigem que á equipe fique atenta a determinadas situações como: ✓ Verificar se não há comportamento compensatório logo após a alimentação. ✓ Monitorar a ida das pacientes ao banheiro após a alimentação. ✓ Proporcionar alimentação saudável. ✓ Proporcionar uma boa hidratação. ✓ Estimular a participação da família no tratamento. ✓ Não julgar em hipótese alguma o comportamento da paciente. ✓ Estimular a participação da paciente no processo terapêutico. 5. O intento suicida – quebrando os tabus O suicídio pode ser definido como um ato deliberado executado pelo próprio indivíduo, cuja intenção seja a morte, de forma consciente e intencional, mesmo que ambivalente, usando um meio que ele acredita ser letal. Também fazem parte do que habitualmente chamamos de comportamento suicida: os pensamentos, os planos e a tentativa de suicídio. Uma pequena proporção do comportamento suicida chega ao nosso conhecimento. Os sinais e sintomas que acompanham sentimentos suicidas incluem: a) Falar sobre se sentir suicida ou querer morrer. b) Sentir-se desesperado, dizendo que nada vai mudar ou melhorar. c) Sentir-se impotente dizendo que nada que alguém faça faz diferença. d) Sentir-se uma carga para familiares e amigos. e) Abusar de álcool ou drogas. f) Colocar os negócios em ordem (p. ex., organizar as finanças ou dar pertences para se preparar para a própria morte). g) Escrever um bilhete de suicídio. h) Colocar-se em perigo ou em situações em que haja risco de ser morto. Algumas pessoas portadoras do transtorno bipolar se tornam suicidas. Qualquer pessoa que estiver pensando em cometer suicídio necessita de atenção imediata, de preferência por parte de um profissional de saúde mental ou um médico. Qualquer pessoa que fale em suicídio deve ser levada a sério. O risco de suicídio parece ser mais alto ao início da evolução do quadro. Por esta razão, reconhecer o transtorno bipolar logo no início e aprender o melhor meio de controlá-lo podem diminuir o risco de morte por suicídio. Enquanto algumas tentativas de suicídio são cuidadosamente planejadas ao longo do tempo, outras são atos impulsivos que não foram bem planejados; assim, o último item do quadro acima pode ser uma valiosa estratégia a longo prazo para pessoas portadoras do transtorno bipolar. De qualquer modo, é importante que se compreenda que sentimentos e atos de suicídio são sintomas de uma doença que pode ser tratada. Os sentimentos suicidas podem ser superados por um tratamento apropriado. COMO AJUDAR UMA PESSOA QUE ESTÁ PENSANDO EM COMETER SUICÍDIO? Se você tem motivos para crer que alguém que você conhece está pensando em cometer suicídio, o melhor é ajudar esta pessoa a procurar ajuda imediatamente. O suicídio é uma séria ameaça, mesmo para aqueles que são incapazes de compreender plenamente o caráter da morte. Se você agir a tempo, pode salvar uma vida. Sua atitude pode salvar uma vida. A melhor arma no combate ao sentimento de isolamento (um forte fator de risco) é o apoio emocional dos amigos, familiares e da comunidade. Neste sentido as suas ações podem ser: Compartilhe dos interesses dos adolescentes e jovens adultos. Se estiver preocupado com um jovem, descubra os interesses dele, para conseguir falar a respeito e estabelecer uma conexão. Ajude os idosos a se sentirem úteis. Se você conhece um idoso que pode estar pensando em cometer suicídio, devido a um sentimento de impotência, tente fazê-lo se sentir útil. Não tenha medo de falar sobre suicídio. Algumas culturas e famílias tratam o suicídio como um tabu, evitando falar sobre o assunto. Existe um medo de que isso pode instigar pensamentos suicidas. Isso geralmente pode levar uma pessoa a nunca falar abertamente sobre o suicídio. Na verdade, ocorre o oposto; falar abertamente sobre suicídio pode fazer um suicida em potencial repensar suas escolhas. -se para falar com alguém sobre o suicídio. Crie um ambiente confortável, livre de ameaças, para expressar sua preocupação pelo outro. Fale clara e diretamente. Não adianta ficar cheio de ressalvas ao falar sobre suicídio. Expresse sua preocupação com clareza. Divida sua fala em três pontos principais: reforce seu relacionamento com a pessoa, explique sua preocupação e mostre que se importa com ela. Feito isso, pergunte se ela está pensando em se suicidar. Permita o silêncio. Após iniciar a conversa, a pessoa pode ficar muda por um tempo. Ela provavelmente ficou chocada por você ter “lido a mente dela”, ou surpresa por ter feito algo que causou uma impressão equivocada. Antes de responder, pode ser que a pessoa precise de um tempo para se recompor. Seja persistente. Se a pessoa tentar dissuadi-lo da conversa com um “eu estou bem”, manifeste suas preocupações novamente. Dê mais uma oportunidade para ela responder. Deixe a pessoa falar. Ouça com atenção, mesmo que o que ela tenha a dizer seja doloroso de ouvir. Não tente discutir ou dar sermões. Em vez disso, ofereça opções para superar a crise. Valide os sentimentos da pessoa. Ao falar com alguém sobre seus sentimentos, é importante validá-los, em vez de tentar provar que eles são irracionais. Não tente desmascarar um possível “blefe”. Por mais óbvioque isso pareça, nunca incentive uma pessoa a cometer suicídio. Você pode achar que esta abordagem mostrará que a pessoa está sendo boba, ou lhe dará a oportunidade de perceber que ela realmente quer viver. Agradeça a pessoa por se abrir com você. Caso ela admita que teve pensamentos suicidas, expresse seu agradecimento pela confiança depositada em você. Encoraje a pessoa a conversar com um profissional treinado ou órgão especializado no assunto. Um profissional pode fornecer dicas para com a pessoa com potencial suicida, desenvolvendo habilidades de resolução de conflitos e superar sua crise. Pergunte a pessoa se existe um plano de suicídio. Você deve pedir ao seu amigo ou ente querido que compartilhe seus pensamentos suicidas com você. Esta provavelmente será a parte mais difícil da conversa, pois fará a ameaça parecer bem mais real. No entanto, conhecer o plano específico de suicídio pode ajudá-lo a diminuir os riscos. Faça um acordo com o suicida em potencial. Após terminar a conversa, prometa que estará disponível para conversar com ela a qualquer hora do dia e da noite, caso ela prometa que ligará para você antes de tomar qualquer atitude precipitada. 6. Abordagem farmacológica Pacientes agitados com transtornos psicóticos em alguns momentos não irão se acalmar somente com uma abordagem verbal. Em casos assim, faz-se necessário a utilização de medicamentos de forma rápida, a fim de diminuir o grau de agitação e de ansiedade destes indivíduos com sintomas psicóticos como, por exemplo, nos surtos psicóticos, na esquizofrenia e mania etc. A terapia medicamentosa pode ser usada também em outros quadros de agitação como nas emergências, porém devemos estar seguros da inexistência de riscos de complicação para o paciente, pois muitos fármacos produzem depressão respiratória, sedação excessiva, a síndrome neuroléptica, o processo de impregnação entre outras complicações. Os fármacos mais utilizados na saúde mental possuem apresentações diversas como: gotas, cápsulas, comprimidos, soluções e ampolas, podendo ser aplicadas intramuscular, endovenosa ou por via oral. A via oral deve ser oferecida sempre que existir possibilidade de diálogo com o paciente, pois a aplicação de injetáveis em pacientes agitados pode ocasionar acidentes, e a dor e o medo da injeção podem levar o aumento da agitação. A efetividade da via oral (VO) é a mesma da intramuscular (IM),entretanto o tempo de ação entre uma e outra é diferente o que pode demorar o efeito entre elas. Para todas as categorias diagnósticas, nos casos em que a agitação é grave, o médico sempre irá considerar o uso de medicamentos como medida auxiliar de controle da sintomatologia, sendo papel da enfermagem avaliar cada caso e discutir junto à equipe a necessidade de medicação. O comportamento agressivo de pacientes com transtornos de personalidade entre outros pode ser minimizado com o uso dos mais diversos fármacos atualmente disponível no Brasil. “Contudo, convém salientar que o uso dos fármacos não é a solução para os mais diversos quadros agudos ou não dos pacientes, pois a solução dar-se-á por um conjunto de ações implementadas por uma equipe multiprofissional”. Nos quadros de ansiedade intensos, bem como nas crises psicomotoras dissociativas "histéricas", o uso de um ansiolítico pode favorecer o contato posterior e o manejo verbal da situação. Pacientes com ataque de pânico em geral necessitam ser medicados com ansiolíticos. Os casos de delirium, intoxicação por drogas e outros casos de base orgânica, se necessário, podem ser medicados com neurolépticos ou tranquilizantes a critério do médico e sob rigorosa monitorização da equipe de enfermagem. A seguir veremos alguns fármacos utilizados, seus riscos e benefícios. Fármacos antipsicóticos Mecanismo de ação Benefício Efeitos colaterais Haloperidol Bloqueador potente dos receptores dopaminérgicos. Apresenta uma ação incisiva sobre os delírios e alucinações Acatisia, impregnação síndrome neurolétpica maligna. Clorpromzina Bloqueia os receptores dopaminérgicos no cérebro Apresenta uma ação incisiva sobre os delírios e alucinações Acatisia, impregnação síndrome neurolétpica maligna. Risperidona Atua na dopamina e serotonina Apresenta uma ação incisiva sobre os delírios e alucinações e sobre o humor Desordem extrapiramidal (movimentos involuntários ) Quetiapina Atua na dopaminérgicos e serotonina Apresenta uma ação incisiva sobre os delírios e alucinações e sobre o humor Possui menos efeitos colaterais Olanzapina Atua nos receptores dopaminérgicos e na serotonina Apresenta uma ação incisiva sobre os delírios e alucinações e sobre o humor Possui menos efeitos colaterais Clopixol bloqueia os receptores de dopamina Permite um tratamento antipsicótico contínuo Acatisia, impregnação síndrome neurolétpica maligna. Fármacos antidepressivos Mecanismo de ação Benefícios Efeitos colaterais Amitriptilina Aumenta a quantidade de norepinefrina ou de serotonina ou de ambas Melhora do nível do humor Sedação, aumento de peso, sonolência etc. Fluoxetina Paroxetina Sertralina Inibe seletivamente a recaptação de serotonina no SNC. Melhora do nível do humor Ansiedade, nervosismo, insônia, perda de peso Outros Fármacos Mecanismo de ação Benefícios Efeitos colaterais Lítio O lítio diminui a recaptação da serotonina e/ou da norepinefrina. Rebaixamento do nível de agitação dos pacientes com TAB. Sedação, confusão mental, sonolência, aumento do peso etc. Biperideno Reduz as reações adversas extrapiramidais induzidas pelos neurolépticos e outras drogas que bloqueiam receptores de dopamina nos gânglios da base Reduz os efeitos colaterais principalmente desencadeadas pelos antipsicóticos; reduz os riscos de adversas extrapiramidais induzidas pelos neurolépticos Distúrbio de humor, agitação, euforia, tontura e visão turva, sonolência, taquicardia, hipotensão, retenção urinária Prometazina Bloqueia os efeitos da histamina, Altera os efeitos da dopamina no SNC. Reduz os efeitos colaterais principalmente desencadeadas pelos antipsicóticos Hipotensão, arritimias, taquicardia, hipertensão, náusea, vômitos Midazolam Clonazepam Diazepam Atua produzindo depressão do SNC. Reduz a ansiedade e produz sedação em pacientes agitados Depressão respiratória, sedação, apneia, diminuição da atenção e concentração “A equipe de profissionais que atuam nas instituições que internam pessoas com doenças mentais em especial a enfermagem, devem ficar atentos para não confundir efeitos dos fármacos com sintomas patológicos apresentados pelos pacientes”. Dentre as ações de enfermagem ao cliente submetido á terapêutica medicamentosa destacam-se a orientação e preparo do cliente e da família para que a adesão ao tratamento aconteça. Neste sentido, é necessário realizar o histórico de enfermagem, com a observação das manifestações de comportamento para que estas sejam discutidas com os membros da equipe. Devem ser mensurados os dados fisiológicos e registrados conforme protocolo do serviço, tais como: pressão arterial, pulso, respiração, temperatura, peso, altura e padrão do sono. Antes de ministrar a medicação e durante a terapia medicamentosa deve-se verificar os sinais vitais do cliente, pois é comum ocorrer hipotensão ortostática, que é a queda dos níveis pressão arterial do paciente em uso de alguns fármacos pela troca de posição. Assim é importante que a equipe entenda os riscos e os benefícios dos fármacos como, por exemplo, a síndrome neuroléptica maligna, que é caracterizada pelo estado mental alterado, rigidez muscular, hipertermia e hiperatividade autonômica com o uso de antipsicóticos. Os sintomas começam, com mais frequência, duranteas duas primeiras semanas de tratamento, e também podem ocorrer após anos. É observado um estado mental alterado, que geralmente, possui uma manifestação precoce, acompanhado de delírio e agitação, e pode progredir para letargia. Anormalidades motoras os pacientes podem apresentar rigidez muscular grave e generalizada (às vezes com tremor simultâneo, levando à rigidez em roda dentada) ou, com menos frequência, distonias, coreias e outras anormalidades, com diminuição de respostas reflexas. Hipertermia, nestes casos a temperatura é maior que 38°c podendo chegar frequentemente mais que 40°c. Hiperatividade autonômica, ocorre atividade autonômica é aumentada, tendendo a causar taquicardia, taquipneia e hipertensão. “Ao surgir efeitos colaterais, devemos assegurar ao cliente e sua família que estes são previstos, oferecendo condições para diminuir o desconforto”. Outro problema que pode ocorrer, e de forma mais comum é a acatisia. Este termo é caracterizado por dificuldade em sentar ou negação para sentar-se em que o prefixo “a” significa negação e “catisia” significa sentar-se e pode ser definido como um transtorno de movimento relacionado ao sistema motor que é evidenciado por ansiedade, irritabilidade e disforia que podem ser de grau a leve a intensa. O paciente não consegue ficar parado. Os sintomas mais comuns são: ansiedade; inquietação – balanço alternado dos pés, caminhar no mesmo lugar, o paciente marcha o tempo todo; parestesia, sensação anormal e desagradável sobre a pele como coceira queimação, dormência; irritabilidade; agitação psicomotora e vontade de mover-se todo o tempo. 7. Emergências psiquiátricas É definida como qualquer alteração de comportamento que não pode ser manejada de maneira rápida e adequada pelos serviços de saúde de uma comunidade. É um momento crítico marcado pela fragilidade e instabilidade do cliente. Desse modo, é importante que o profissional de saúde se apresente e esclareça os objetivos do atendimento transmitindo confiança. O principal motivo para a procura de atendimento psiquiátrico de emergência é, agitação psicomotora e agressividade, e estes ocorrem em decorrência de algum transtorno de base, pré diagnosticado ou em fase de diagnóstico e tratamento. “Durante o atendimento inicial deve-se observar se este cliente já possui histórico de outras internações ou se já está em tratamento psiquiátrico, o que norteará as possíveis condutas durante seu tratamento no pronto socorro”. Na chegada a emergência, os quadros clínicos dos pacientes psiquiátricos variam muito, desde sutis estados ansiosos até grandes alienações mentais em que as pessoas estão completamente fora da realidade. Nessas condições, elas podem apresentar comportamentos muito inadequados, além de agitação e agressividade que é dirigida tanto em relação a si quanto em relação a outras pessoas, tendo dificuldade em ponderar seus comportamentos e a consequência deles. A exemplo desses motivos, o paciente pode ser percebido como de difícil manejo pela equipe multiprofissional. Em uma situação de emergência psiquiátrica em que ocorre aumento da agitação ou agressividade está presente fatores desencadeantes os chamados “gatilhos”, sendo fundamental que a equipe realize uma avaliação quanto ao atendimento prestado a estes clientes, para evitar que seja parte do problema. Os principais sinais de agitação e agressividade são: inquietação motora global; gesticulação abundante; incapacidade de concentração; fala rápida, sonora ou gritos; comentários pejorativos em tom abafado; gemidos incessantes; ansiedade intensa ou irritabilidade; hostilidade; comportamento agressivo. Os primeiros passos no manejo clínico do primeiro episódio em relação a um surto psicótico são a avaliação inicial e o diagnóstico diferencial da psicose. 7. Assistência e manejo da crise Manejo verbal Tentativa de continência pela palavra e por outros recursos como mudança de ambiente, privacidade, retirado do ambiente de agentes estressores. Deve ser o primeiro movimento para a contenção da crise. Neste sentido é necessário que quem esteja a frente demonstre segurança, chame o paciente pelo nome e permita a ele que se expresse, pois isto reduzirá a sua ansiedade e este passará a confiar no interlocutor. Contenção Mecânica Medida terapêutica que deve ser usada de forma adequada e específica para que surta o efeito desejado, de maneira segura e eficaz, evitando danos aos pacientes e aos profissionais envolvidos na técnica. Contudo ela deve ser o último recurso a ser utilizado para controlar condutas violentas. Cabe lembrar que, o tempo de contenção não deve ser superior a duas horas, pois após este período aumenta de forma significativa os riscos para a bronco aspiração, podendo levar ao agravamento dos problemas de saúde do paciente, podendo leva-lo a uma pneumonia e possivelmente a morte. Objetivos: Restringir os movimentos do paciente agressivo/agitado, limitando sua habilidade de movimento quando esse oferecer perigo para si e para terceiros, através de dispositivos mecânicos possibilitando, pelo uso das faixas, um relaxamento progressivo, uma diminuição da agressividade / agitação e uma percepção dos limites corporais. Deve ser uma conduta excepcional e cercada de todos os cuidados para que a ação sobre o paciente seja a menos lesiva possível, devendo constar no projeto terapêutico. Antes da contenção física, deve-se esgotar todas as alternativas como abordagem verbal, mudanças no ambiente, eliminação de fatores externos que podem influenciar negativamente o comportamento do paciente, entre outros. (PAES, et al.,2009). Para tanto, a equipe deve observar sinais de alerta ou agressividade para a realização da contenção. Paciente com agitação psicomotora, confusão mental, agressividade/violência em relação a si próprio e/ou a outros. Outro fator importante esta no processo de imobilização do paciente para prevenção de quedas após a sedação. Convém salientar que estas ações estão alicerçadas e contempladas nas resoluções do Conselho Federal de Enfermagem como veremos a seguir: Parecer técnico COREN-MS nº 004/2004: O enfermeiro possui competência técnica e legal para realizar a prescrição da contenção da e/ou descontenção física de pacientes em risco para a violência dirigida a si mesmo ou aos outros, constituindo atividade compartilhada com o profissional médico, independente da presença deste. Resolução COFEN Nº427/2012: Art. 1º Os profissionais da Enfermagem, excetuando-se as situações de urgência e emergência, somente poderão empregar a contenção mecânica do paciente sob supervisão direta do enfermeiro e, preferencialmente, em conformidade com protocolos estabelecidos pelas instituições de saúde, públicas ou privadas, a que estejam vinculados. Art. 2 ºA contenção mecânica de paciente será empregada quando for o único meio disponível para prevenir dano imediato ou iminente ao paciente ou aos demais. Parágrafo único. Em nenhum caso, a contenção mecânica de paciente será prolongada além do período estritamente necessário para o fim previsto no caput deste artigo. Durante todo o procedimento de contenção, o paciente deve ser esclarecido sobre o que está sendo feito, bem como os motivos, tentando explicar o caráter não punitivo do mesmo. Ainda neste sentido, cabe a equipe tranquilizar a família sobre a necessidade de contenção, bem como tranquilizar o paciente explicando os motivos de sua contenção e o tempo que ficará contido. Instruções para a contenção: ✓ Preferentemente cinco pessoas devem estar envolvidas na contenção: uma que coordena e que dirige a palavra ao paciente, em geral o que dirige a palavra ao paciente, e outras quatro pessoas (uma para cada membro do corpo) com treinamento prévio neste tipo de procedimento. ✓ Deve-se utilizar um material resistente e que não lesione oindivíduo. (Lençóis ou ataduras por exemplo). ✓ O paciente deve ser contido em decúbito lateral e com a cabeça levemente elevada. O decúbito dorsal com os braços abertos deixa o os abertos deixam o paciente em posição vulnerável e aumenta o risco de aspiração aumenta, caso o paciente vomite. ✓ Durante todo o procedimento, o paciente deve ser esclarecido sobre o que está á sendo feito, bem sendo feito, bem como os motivos, tentando explicar o caráter não punitivo do mesmo. ✓ O indivíduo contido deve ser constantemente observado, tanto em relação à segurança e conforto da contenção quanto a outros parâmetros, como sinais vitais nível de consciência. ✓ A contenção mecânica não deve ser vista como uma ação mecânica ou procedimento isolado para o manejo do comportamento procedimento violento. A sua maior importância é propiciar a propiciar a abordagem verbal do paciente de uma forma segura para ambos. ✓ Durante todo o período de contenção NÃO ofereça líquidos ou alimentos, devido ao grande risco de aspiração. ✓ Em adultos o tempo máximo de contenção é de 4 horas, com supervisão direta e contínua dos dados vitais e conforto do paciente. ✓ A retirada da contenção pode ser gradual e de comum acordo com o paciente e familiar. ✓ Realizar os registros em prontuário com anotação dos detalhes, como razões, duração tipo da contenção realizada. Anotar qualquer lesão corporal ou informação relevante pregressa ao atual procedimento. Tipos de contenção mecânica ✓ Em dois pontos (somente MMSS); ✓ Em quatro pontos (MMSS e MMII); ✓ Em cinco pontos (MMSS, MMII e TORAX); ✓ Lençol de contenção ✓ Faixa de contenção no leito. ✓ Grupo de apoio – com auxílio de 8 pessoas Contenção química A contenção química é realizada através da administração de medicamentos, em protocolos pré-estabelecidos pelo serviço de saúde, ou na ausência de protocolos realiza-se a administração de sedativos associados a antipsicóticos, de escolha do médico plantonista ou psiquiatra. A utilização da via oral deve ser utilizada sempre que houver cooperação do paciente. A via intramuscular deve ser utilizada sempre que for necessária ação farmacológica rápida em pacientes não cooperativos. Durante a contenção química deve ser observado alguns riscos que podem acontecer, pois alguns fármacos aumentam de forma significativa a salivação e reduzindo os reflexos da epiglote, o que pode contribuir também para a aspiração brônquica de conteúdo alimentar, ocasionando outros problemas a saúde do paciente. REFERÊNCIAS AMARANTE, P. Loucos pela Vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro,Fiocruz, 1995 COSTA, Maria José Chaves. ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL. Rev. Bras. Enferm., Brasília , v. 31, n. 3, p. 321-339, 1978 . KAPLAN HI, SADOCK BJ, GREBB JA. Compêndio de Psiquiatria. Ciências do Comportamento e Psiquiatria Clínica, 11a. edição. Editora Artes Médicas. Porto Alegre, 2013. FORMIGONI, M L O S, A intervenção breve na dependência de substâncias psicoativas. 3ed. Brasília, SENAD, 2002 ISAACS, Ann. Saúde mental e enfermagem psiquiátrica. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 1998. KAPLAN, Harold I. Compêndio de psiquiatria. 7ª ed. 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O que não se deve fazer na abordagem ao intento suicida? Responderemos estas perguntas com uma linguagem simples e favorável para estudantes e profissionais de enfermagem.