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MANUAL 
DE CUIDADOS 
HOSPITALARES 
EM PSIQUIATRIA 
PARA ENFERMAGEM 
Jaciane Araújo Cavalcante 
Domingos de Oliveira 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. A importância da comunicação paciente/família/equipe 4 
3. A Enfermagem em Saúde Mental e Psiquiátrica 6 
4. Acolhimento e abordagem em saúde mental 7 
4. Principais transtornos mentais e os cuidados da enfermagem 7 
5. O intento suicida – quebrando os tabus 13 
6. Abordagem farmacológica 15 
7. Emergências psiquiátricas 19 
7. Assistência e manejo da crise 20 
REFERÊNCIAS 24 
 
 
 
 
 
1. A importância da comunicação paciente/família/equipe 
 
A presença de múltiplos profissionais é realidade cada vez mais concreta no cotidiano dos 
serviços de saúde e, no fundo, remete ao processo de parcelamento do trabalho em múltiplos 
compartimentos, funções e profissões, vivenciado por essas instituições desde o século XIX. No 
Brasil, desde a década de 1970, o trabalho em saúde passou a priorizar a composição de equipes 
de profissionais com diferentes formações. Esse movimento traz inequivocamente a benesse de 
incrementar as possibilidades terapêuticas, mas traz consigo também o risco de fragmentação do 
trabalho, impondo assim a necessidade de integração verdadeiramente interdisciplinar 
(VASCONCELLOS, 2010). 
A atuação da equipe multiprofissional na atenção a saúde mental traz consigo um trabalho 
complexo, com dificuldade para estabelecer limites comuns entre os profissionais das diferentes 
disciplinas, o que decorre das grandes diferenças conceituais, metodológicas, práticas e 
terminológicas acerca do cuidado à loucura. Por outro, emerge a força da diretriz 
multiprofissional e interdisciplinar propugnada pela essência da responsabilidade de mudar 
radicalmente um modelo de assistência, tarefa muito árdua entre a equipe. 
Um dos problemas encontrados no campo da saúde mental é o fato das pessoas e dos 
profissionais da saúde pensarem que os pacientes psiquiátricos são violentos e assassinos, 
confundindo transtorno mental com a psicopatia e a sociopatia, pois normalmente são levados a 
estes pensamentos em decorrência de processos de comoção, logo após a ocorrência de um crime, 
cometido por uma pessoa com doença mental. 
“Estudos recentes demonstram que a probabilidade de uma 
pessoa com transtorno mental cometer um crime é menor 
do que na população geral, ou seja, a taxa de crimes é maior 
na população em geral em relação à população com doença 
mental”. 
 Um fator que devemos observar nos pacientes psiquiátricos é o desenvolvimento da crise. 
As crises podem estar relacionadas ao abandono do tratamento, seja pela omissão da tomada dos 
fármacos ou pelo abandono do processo terapêutico. Neste sentido, deve-se questionar a família 
 
ou que acompanha o paciente como se deu à crise, ou se está relacionada à dinâmica do paciente 
ou se o mesmo apresenta ideias de perseguição em relação a um membro específico da família, 
devemos lembrar ainda que, o serviço que acolhe o paciente pode ser considerado por ele como 
um ambiente hostil, fator que pode agravar a crise. Neste momento, a equipe deve proceder com 
contenção verbal, chamando o paciente pelo nome, demonstrando a ele que há interesse em 
resolver seus problemas e jamais encurralá-lo, pois isso pode potencializar sua crise. 
Neste sentido, é de vital importância que a equipe que atua na atenção as pessoas em 
sofrimento psíquico falem a mesma linguagem, tanto com o paciente quanto com a sua família, 
pois conteúdos fragmentados do diálogo entre os profissionais influenciarão nas respostas e 
ações, seja da família quanto ou do paciente, o que pode confundi-los, expressando assim a 
ruptura da equipe, o que influenciará no tratamento destas pessoas doentes. 
A melhor abordagem em situação de emergência e crise é o ouvir (escuta terapêutica) 
reflexivo, pois as pessoas em crise revelam o quanto necessitam de apoio e palavras para 
conceituar o significado de sua crise e descobrir caminhos para a resolução. 
 
“No contexto dos serviços de saúde, o enfermeiro é o elemento da 
equipe de saúde mais apropriado a assumir a coordenação do 
planejamento dos cuidados do paciente, conjugando as diversas 
prescrições no plano integrado e assistencial”. 
 
Ainda no contexto do tratamento, a unidade familiar é fundamental no tratamento, 
recuperação e reabilitação psicossocial do paciente psiquiátrico, sendo relevante que a família 
receba acompanhamento também, e que sejam acolhidas e ouvidas, pois quando há participação 
de forma ativa dos familiares no que se refere ao cuidado ao usuário, sendo que isto exige muitas 
vezes uma nova reorganização familiar e aquisição de habilidades, permitindo uma nova 
estruturação familiar, capacitada para o cuidado domiciliar. Diante disso, é importante que haja 
o acolhimento, escuta e suporte para compreender quais são as necessidades dos familiares e 
assim reestruturarem-se no momento de crise vivenciada. (MIELKE et al., 2010). 
 
 
 
 
 
2. A Política de Saúde Mental no Brasil 
 
A Política Nacional de Saúde Mental compreende as estratégias e diretrizes adotadas 
pelo país com o objetivo de organizar a assistência às pessoas com necessidades de tratamento e 
cuidados específicos em Saúde Mental. Abrange a atenção a pessoas com necessidades 
relacionadas a transtornos mentais como depressão, ansiedade, esquizofrenia, transtorno afetivo 
bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo, incluindo aquelas com quadro de uso nocivo e 
dependência de substâncias psicoativas (álcool, cocaína, crack e outras drogas). 
Em 2001 ocorreu a promulgação da lei nº 10.2016/2001 que dispunha sobre a proteção 
e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais, conhecida também por Lei Paulo 
Delgado, onde foi previsto que o tratamento deve ser ofertado preferencialmente em serviços 
comunitários de saúde mental, de forma menos restritiva possível ocorrendo assim a 
desinstitucionalização (BRASIL 2001). Convém salientar que, as ações de saúde mental, vão de 
encontro ao artigo 196 da Constituição de 1988, com a descentralização, atendimento integral, 
com prioridade as atividades de prevenção, sem prejuízo dos serviços assistenciais, e participação 
da comunidade (FUREGATO 2009). 
3. A Enfermagem em Saúde Mental e Psiquiátrica 
A enfermagem em saúde mental iniciou com Linda Richards, enfermeira que melhorou 
a assistência de enfermagem em hospitais psiquiátricos e organizou programas educativos de 
saúde mental nos Estados Unido da América. Em 1895 o papel da enfermagem psiquiátrica era 
basicamente os cuidados com nutrição, higiene e atividade. Este papel foi expandindo-se com o 
início de terapias somáticas para tratamento de transtornos mentais, como choque de insulina, 
psicocirurgia e eletroconvulsoterapia. 
Atualmente a enfermagem atua na psiquiatria em diversos eixos tais como: 
implementação do plano de cuidados, intervenção na crise, controle do estresse, promove 
atividades de autocuidado, gerência casos e supervisiona clinicamente os pacientes. O cuidado 
de enfermagem psiquiátrica deve estar em consonância com os princípios da reforma psiquiátrica 
brasileira, devendo trabalhar com ela sua autonomia, buscar compreensão acerca da situação 
clínica daquele sujeito, buscar possíveis significados de coisas incompreensíveis ou incoerentes, 
escutar, construir juntamente com o paciente propostas para seu cuidado. 
 
4. Acolhimento e abordagem em saúde mental 
 
O acolhimento, enquanto diretriz da Política Nacional de Humanização (PNH), preconiza 
uma prática presente em todos os atendimentos, independente do estabelecimento e dos 
profissionais. Não estabelece que seja realizado em um local específico, diferenciando-se, 
portanto, do atendimento de triagem. Brasil (2015, S/P) refere sobre acolhimento como: [...] 
postura ética que implica na escuta do usuário em suas queixas, no reconhecimento doseu 
protagonismo no processo de saúde e adoecimento, e na responsabilização pela resolução, com 
ativação de redes de compartilhamento de saberes. Acolher é um compromisso de resposta às 
necessidades dos cidadãos que procuram os serviços de saúde [...]. 
É de extrema importância incluir os familiares durante todo o processo de atendimento 
hospitalar, explicar-lhes as condutas, os encaminhamentos para a rede de saúde, oportunizando 
o acolhimento e a escuta ativa com objetivo de compreender o contexto e a dinâmica familiar do 
mesmo. 
Em suma, acolher significa muito mais do que lhe oferecer abrigo e cama, significa 
abraçar-lhe, escutá-lo, estabelecer vinculo e deixar claro que eu tenho interesse em ajuda-lo e 
solucionar os seus problemas. 
4. Principais transtornos mentais e os cuidados da enfermagem 
 Ansiedade generalizada e transtorno do pânico 
É composto de episódios de ataques de pânico, 15 a 30 minutos, com ansiedade intensa 
e progressiva, em que a pessoa experimenta enorme medo emocional, assim como desconforto 
fisiológico. Durante o ataque de pânico a pessoa sente ansiedade intensa e opressiva e apresenta 
quatro ou mais dos seguintes sintomas: 
Palpitações, sudorese, tremores, falta de ar, sensação de sufocamento, dores no peito, náusea, 
desconforto abdominal, tonturas, parestesias, calafrios, ondas de calor. 
 
Como trabalhar com clientes ansiosos? 
✓ Deve-se avaliar o nível de ansiedade do individuo pois isso irá determinar qual 
intervenção escolher. 
 
✓ É importante que durante uma crise de ansiedade um membro da equipe de enfermagem 
permaneça com o cliente/família, visto que a segurança do cliente é prioridade. 
✓ Leve o cliente para uma área calma com menos estímulos e avalie a necessidade de 
medicação caso esta esteja prescrita pelo médico. 
✓ É importante permanecer calmo em sua abordagem lembrando que se estiver calmo o 
cliente sentirá segurança. 
✓ Estimule o cliente a participar de exercícios de relaxamento, como inspiração e respiração 
profunda. 
✓ Tranquilize a família. 
✓ Para diminuir a ansiedade do paciente forneça apoio emocional e calmamente 
reintroduza-o a realidade. 
✓ Encoraje-o a expressar os seus interesses e a identificar a fonte da ansiedade. 
✓ Ajude a estabelecer prioridades, mas permita que ele tenha algum controle da situação. 
 
Transtornos psicóticos – Esquizofrenia 
É a principal forma de psicose devido a frequência a importância clinica caracterizado 
por dois ou mais sintomas, como: alucinações auditivas, visuais ou sinestésicas, delírios, 
paranoia, desorganização da fala ou até mesmo fala incompreensível, catatonia e/ou sintomas 
negativos. Estes sintomas se manifestam, em média, por quatro semanas. 
Na esquizofrenia há percepção delirante que para o paciente é tida como uma espécie de 
“revelação”; alucinações auditivas ou seja, vozes que cometam ou comandam a ação do paciente; 
eco do pensamento ou sonorização do pensamento, difusão do pensamento que ocorre quando o 
paciente possui a sensação de que seus pensamentos são ouvidos pelos outros no momento em 
que os pensa. Com pacientes psicóticos exemplo da esquizofrenia haja da seguinte forma: 
✓ Aja com resolução e compaixão; 
✓ Tente estabelece uma afinidade com ele para conseguir a sua confiança e 
cooperação; 
✓ Fale firmemente, mas de modo calmo e de maneira não ameaçadora; 
✓ Nunca contrarie seus delírios de forma direta; 
 
✓ Procure trazer ele para a realidade; 
✓ Evite qualquer ameaça ou desafio físico ou psicológico; 
✓ Movimente-se lenta e calmamente, sentando-se ou ficando em pé na mesma altura 
que ele para evitar aparência de poder; 
✓ Evite portas fechadas ou canto sem saída para que ele não se sinta encurralado, se 
possível deixe que ele fique perto de porta entreaberta; 
✓ Permaneça calmo e positivo, usando expressões simples. 
✓ Deixe que ele verbalize o pensamento distorcido ou ilógico, mas evite validar as 
suas falsas crenças. 
✓ Tranquilize a família. 
 
Transtorno Afetivo Bipolar e Depressão 
O transtorno bipolar é um transtorno mental que causa oscilações fora do comum no 
humor, energia e na capacidade de funcionamento de uma pessoa. Diferentemente dos altos e 
baixos normais por que passam todas as pessoas, os sintomas do transtorno bipolar podem 
ocasionar danos aos relacionamentos, desempenho insuficiente no trabalho ou na escola e até 
mesmo suicídio. Este causa oscilações dramáticas no humor ¾ de excessivamente “alto” (euforia 
e/ou irritação) à tristeza e desespero (ou vice-versa), frequentemente com períodos de humor 
normal entre eles. Alterações graves na energia e no comportamento acompanham essas 
alterações do humor. Os períodos de altos e baixos são denominados episódios de mania e 
depressão. Um episódio maníaco é diagnosticado se o humor elevado ocorrer em associação a 
três ou mais sintomas na maior parte do dia (quadro abaixo), quase todos os dias, por 1 semana 
ou mais. Se o humor for de irritação, quatro sintomas adicionais devem estar presentes. Com 
pacientes bipolares proporcione a ele: 
✓ Ambiente tranquilo. 
✓ Estabeleça limites. 
✓ Procure tranquilizá-lo. 
✓ Estabeleça contenção verbal. 
✓ Verifique se o mesmo está tomando a medicação. 
 
“Pacientes com TAB falam mais que o normal, rápido, tem 
períodos de sono muito curto quando estão crise, tomam várias 
vezes banho durante o dia ou a noite”. 
Um episódio depressivo é diagnosticado se cinco ou mais desses sintomas durarem a 
maior parte do dia (quadro abaixo), quase todos os dias, por um período de 2 semanas ou mais. 
Por vezes os episódios graves de mania ou depressão podem incluir sintomas de psicose (ou 
sintomas psicóticos). São sintomas psicóticos comuns alucinações (ver, ouvir ou perceber de 
algum outro modo à presença de coisas não efetivamente presentes) e delírios (crenças falsas, 
mantidas com forte convicção e não influenciadas pelo raciocínio lógico nem explicadas pelos 
conceitos culturais habituais da pessoa). 
Os sintomas psicóticos no transtorno bipolar tendem a refletir o estado afetivo extremo 
no momento. Por exemplo, podem ocorrer durante a mania delírios de grandeza, tais como achar 
que é o presidente ou que tem poderes especiais ou muita riqueza; delírios de culpa ou menos 
valia, tais como achar que se está arruinado e sem um tostão ou cometeu algum crime terrível, 
podem aparecer durante a depressão. As pessoas portadoras de transtorno bipolar que têm esses 
sintomas são por vezes diagnosticadas incorretamente como apresentando esquizofrenia, outro 
transtorno mental grave. 
A depressão caracteriza-se por humor triste e desânimo, multiplicidade de sintomas 
afetivos como tristeza choro fácil, apatia irritabilidade aumentada, alterações na esfera instintiva, 
ideação negativa, pessimismo déficit de concentração memória, e algumas indivíduos 
apresentam sintomas psicóticos e ideação paranóide. É atualmente reconhecida pela OMS como 
um problema prioritário de saúde pública. A depressão unipolar é a primeira causa de 
incapacidade entre os problemas de saúde. 
✓ Realize escuta terapêutica. 
✓ Identifique risco suicida. 
✓ Proporcione ambiente tranquilo. 
✓ Verifique se já esta em uso de fármacos antidepressivos. 
✓ Fale com ele firmemente para garantir que você é quem controla a situação. 
✓ Use linguagem simples e concreta, além de frases curtas, evitando palavras ou frases que 
o paciente possa confundir. 
✓ Tranquilize a família. 
 
 
Transtornos de Personalidade – Borderline 
É caracterizado por um padrão de comportamento intenso e caótico, com instabilidade 
afetiva, e variação de atitudes em relação a outras pessoas. São pessoas impulsivas, 
autodestrutivas e carecem de uma identidade, sendo mais comum em mulheres e cerca de 3% da 
população desenvolve. As pessoas parecem sempre estar em estado de crise, muda seu estado 
afetivo em fração de minutos, podendo variar da depressão a raiva em segundos. Para o 
diagnósticoé necessário que haja pelo menos a presença de três dos sintomas abaixo: 
 
✓ Esforço intenso para evitar o abandono 
✓ Padrão de relacionamento estável 
✓ Distúrbio de identidade 
✓ Impulsividade 
✓ Comportamento suicida recorrente 
✓ Instabilidade afetiva 
✓ Sentimento crônico de vazio 
✓ Raiva inadequada e intensa 
✓ Ideação paranoide 
“Os transtornos de personalidade não possuem boa resposta ao 
tratamento farmacológico, sendo então necessário psicoterapia, 
pois nestes casos se faz necessário mudanças comportamentais 
para a resolução de seus problemas” 
 
Nos transtornos de personalidade haja da seguinte forma: 
→ Todos os membros da equipe devem agir da mesma forma para evitar a manipulação. A 
equipe deve estar atento às tentativas de sedução para conseguir ganhos pessoais. 
→ Orientar os familiares e as pessoas que convivem com ele de que necessitam de 
habilidades especiais para lidar com esses pacientes. 
→ Se sentir inseguro frente a uma tentativa de intimidação e ceder, lembrar-se de que o 
paciente pode vir a pressionar cada vez mais para ser atendido (até chegar a uma situação 
insustentável). 
 
→ Lide com firmeza, mas nunca assuma atitudes desafiadoras, pois isto os estimula cada 
vez mais assumirem atitudes antissociais. 
→ Às vezes, torna-se necessário buscar ajuda dos demais profissionais discutindo a 
assistência prestada. 
 
Transtornos da Alimentares – Anorexia e Bulimia 
 
Os transtornos alimentares são perturbações no comportamento alimentar, podendo levar 
ao emagrecimento, à obesidade, ou outros problemas físicos. Dentre estes se destacam: 
Anorexia nervosa: Perda de peso auto induzida por abstenção de alimentos que engordam ou por 
comportamentos como vômitos ou purgação auto induzidos, com uma intensa busca pela 
magreza ou medo intenso de engordar. Outra característica é a distorção da imagem corporal, 
mesmo emagrecido o cliente percebe-se gordo. 
Bulimia nervosa: Preocupação persistente com o comer e desejo irresistível por comida, 
sucumbindo a pessoa a repetidos episódios de hiperfagia (ataques a geladeira por exemplo). Há 
uma preocupação excessiva em controlar o peso corporal, atrelada ao uso de diuréticos, laxantes, 
purgação e/ou provocação de vômitos, para minimizar os efeitos do aumento de peso. 
Obesidade: é uma condição complexa determinada por fatores genéticos, psicológicos familiares 
e culturais. Emocionalmente falando o indivíduo obeso recorre a comida como forma de 
compensação ao afeto que necessita, possuindo uma dificuldade em diferenciar a fome de 
sensações desagradáveis, desconforto, ansiedade e disforias em geral. Todo mal-estar nesse caso 
é percebido como fome. 
Os transtornos alimentares exigem que á equipe fique atenta a determinadas situações 
como: 
✓ Verificar se não há comportamento compensatório logo após a alimentação. 
✓ Monitorar a ida das pacientes ao banheiro após a alimentação. 
✓ Proporcionar alimentação saudável. 
✓ Proporcionar uma boa hidratação. 
✓ Estimular a participação da família no tratamento. 
✓ Não julgar em hipótese alguma o comportamento da paciente. 
✓ Estimular a participação da paciente no processo terapêutico. 
 
5. O intento suicida – quebrando os tabus 
O suicídio pode ser definido como um ato deliberado executado pelo próprio indivíduo, 
cuja intenção seja a morte, de forma consciente e intencional, mesmo que ambivalente, usando 
um meio que ele acredita ser letal. Também fazem parte do que habitualmente chamamos de 
comportamento suicida: os pensamentos, os planos e a tentativa de suicídio. Uma pequena 
proporção do comportamento suicida chega ao nosso conhecimento. 
Os sinais e sintomas que acompanham sentimentos suicidas incluem: 
a) Falar sobre se sentir suicida ou querer morrer. 
b) Sentir-se desesperado, dizendo que nada vai mudar ou melhorar. 
c) Sentir-se impotente dizendo que nada que alguém faça faz diferença. 
d) Sentir-se uma carga para familiares e amigos. 
e) Abusar de álcool ou drogas. 
f) Colocar os negócios em ordem (p. ex., organizar as finanças ou dar 
pertences para se preparar para a própria morte). 
g) Escrever um bilhete de suicídio. 
h) Colocar-se em perigo ou em situações em que haja risco de ser morto. 
Algumas pessoas portadoras do transtorno bipolar se tornam suicidas. 
Qualquer pessoa que estiver pensando em cometer suicídio necessita de atenção imediata, de 
preferência por parte de um profissional de saúde mental ou um médico. Qualquer pessoa que 
fale em suicídio deve ser levada a sério. O risco de suicídio parece ser mais alto ao início da 
evolução do quadro. Por esta razão, reconhecer o transtorno bipolar logo no início e aprender o 
melhor meio de controlá-lo podem diminuir o risco de morte por suicídio. 
Enquanto algumas tentativas de suicídio são cuidadosamente planejadas ao longo do 
tempo, outras são atos impulsivos que não foram bem planejados; assim, o último item do quadro 
acima pode ser uma valiosa estratégia a longo prazo para pessoas portadoras do transtorno 
bipolar. De qualquer modo, é importante que se compreenda que sentimentos e atos de suicídio 
são sintomas de uma doença que pode ser tratada. Os sentimentos suicidas podem ser superados 
por um tratamento apropriado. 
 
COMO AJUDAR UMA PESSOA QUE ESTÁ PENSANDO EM COMETER SUICÍDIO? 
 
Se você tem motivos para crer que alguém que você conhece está pensando em cometer 
suicídio, o melhor é ajudar esta pessoa a procurar ajuda imediatamente. O suicídio é uma séria 
ameaça, mesmo para aqueles que são incapazes de compreender plenamente o caráter da morte. 
Se você agir a tempo, pode salvar uma vida. Sua atitude pode salvar uma vida. A melhor arma 
no combate ao sentimento de isolamento (um forte fator de risco) é o apoio emocional dos 
amigos, familiares e da comunidade. Neste sentido as suas ações podem ser: 
Compartilhe dos interesses dos adolescentes e jovens adultos. Se estiver preocupado com 
um jovem, descubra os interesses dele, para conseguir falar a respeito e estabelecer uma conexão. 
Ajude os idosos a se sentirem úteis. Se você conhece um idoso que pode estar pensando em 
cometer suicídio, devido a um sentimento de impotência, tente fazê-lo se sentir útil. 
Não tenha medo de falar sobre suicídio. Algumas culturas e famílias tratam o suicídio 
como um tabu, evitando falar sobre o assunto. Existe um medo de que isso pode instigar 
pensamentos suicidas. Isso geralmente pode levar uma pessoa a nunca falar abertamente sobre o 
suicídio. Na verdade, ocorre o oposto; falar abertamente sobre suicídio pode fazer um suicida em 
potencial repensar suas escolhas. 
-se para falar com alguém sobre o suicídio. Crie um ambiente confortável, livre de 
ameaças, para expressar sua preocupação pelo outro. 
Fale clara e diretamente. Não adianta ficar cheio de ressalvas ao falar sobre suicídio. 
Expresse sua preocupação com clareza. Divida sua fala em três pontos principais: reforce seu 
relacionamento com a pessoa, explique sua preocupação e mostre que se importa com ela. Feito 
isso, pergunte se ela está pensando em se suicidar. 
Permita o silêncio. Após iniciar a conversa, a pessoa pode ficar muda por um tempo. Ela 
provavelmente ficou chocada por você ter “lido a mente dela”, ou surpresa por ter feito algo que 
causou uma impressão equivocada. Antes de responder, pode ser que a pessoa precise de um 
tempo para se recompor. 
Seja persistente. Se a pessoa tentar dissuadi-lo da conversa com um “eu estou bem”, 
manifeste suas preocupações novamente. Dê mais uma oportunidade para ela responder. 
Deixe a pessoa falar. Ouça com atenção, mesmo que o que ela tenha a dizer seja doloroso 
de ouvir. Não tente discutir ou dar sermões. Em vez disso, ofereça opções para superar a crise. 
Valide os sentimentos da pessoa. Ao falar com alguém sobre seus sentimentos, é importante 
validá-los, em vez de tentar provar que eles são irracionais. 
 
Não tente desmascarar um possível “blefe”. Por mais óbvioque isso pareça, nunca 
incentive uma pessoa a cometer suicídio. Você pode achar que esta abordagem mostrará que a 
pessoa está sendo boba, ou lhe dará a oportunidade de perceber que ela realmente quer viver. 
Agradeça a pessoa por se abrir com você. Caso ela admita que teve pensamentos suicidas, 
expresse seu agradecimento pela confiança depositada em você. 
Encoraje a pessoa a conversar com um profissional treinado ou órgão especializado no 
assunto. Um profissional pode fornecer dicas para com a pessoa com potencial suicida, 
desenvolvendo habilidades de resolução de conflitos e superar sua crise. 
Pergunte a pessoa se existe um plano de suicídio. Você deve pedir ao seu amigo ou ente 
querido que compartilhe seus pensamentos suicidas com você. Esta provavelmente será a parte 
mais difícil da conversa, pois fará a ameaça parecer bem mais real. No entanto, conhecer o plano 
específico de suicídio pode ajudá-lo a diminuir os riscos. 
Faça um acordo com o suicida em potencial. Após terminar a conversa, prometa que 
estará disponível para conversar com ela a qualquer hora do dia e da noite, caso ela prometa que 
ligará para você antes de tomar qualquer atitude precipitada. 
6. Abordagem farmacológica 
 
Pacientes agitados com transtornos psicóticos em alguns momentos não irão se acalmar 
somente com uma abordagem verbal. Em casos assim, faz-se necessário a utilização de 
medicamentos de forma rápida, a fim de diminuir o grau de agitação e de ansiedade destes 
indivíduos com sintomas psicóticos como, por exemplo, nos surtos psicóticos, na esquizofrenia 
e mania etc. 
A terapia medicamentosa pode ser usada também em outros quadros de agitação como 
nas emergências, porém devemos estar seguros da inexistência de riscos de complicação para o 
paciente, pois muitos fármacos produzem depressão respiratória, sedação excessiva, a síndrome 
neuroléptica, o processo de impregnação entre outras complicações. 
Os fármacos mais utilizados na saúde mental possuem apresentações diversas como: 
gotas, cápsulas, comprimidos, soluções e ampolas, podendo ser aplicadas intramuscular, 
endovenosa ou por via oral. 
 
A via oral deve ser oferecida sempre que existir possibilidade de diálogo com o paciente, 
pois a aplicação de injetáveis em pacientes agitados pode ocasionar acidentes, e a dor e o medo 
da injeção podem levar o aumento da agitação. A efetividade da via oral (VO) é a mesma da 
intramuscular (IM),entretanto o tempo de ação entre uma e outra é diferente o que pode demorar 
o efeito entre elas. 
Para todas as categorias diagnósticas, nos casos em que a agitação é grave, o médico 
sempre irá considerar o uso de medicamentos como medida auxiliar de controle da 
sintomatologia, sendo papel da enfermagem avaliar cada caso e discutir junto à equipe a 
necessidade de medicação. 
O comportamento agressivo de pacientes com transtornos de personalidade entre outros 
pode ser minimizado com o uso dos mais diversos fármacos atualmente disponível no Brasil. 
“Contudo, convém salientar que o uso dos fármacos não é 
a solução para os mais diversos quadros agudos ou não dos 
pacientes, pois a solução dar-se-á por um conjunto de ações 
implementadas por uma equipe multiprofissional”. 
Nos quadros de ansiedade intensos, bem como nas crises psicomotoras dissociativas 
"histéricas", o uso de um ansiolítico pode favorecer o contato posterior e o manejo verbal da 
situação. 
Pacientes com ataque de pânico em geral necessitam ser medicados com ansiolíticos. Os 
casos de delirium, intoxicação por drogas e outros casos de base orgânica, se necessário, podem 
ser medicados com neurolépticos ou tranquilizantes a critério do médico e sob rigorosa 
monitorização da equipe de enfermagem. 
A seguir veremos alguns fármacos utilizados, seus riscos e benefícios. 
Fármacos 
antipsicóticos 
Mecanismo de ação Benefício Efeitos colaterais 
Haloperidol Bloqueador potente dos 
receptores 
dopaminérgicos. 
Apresenta uma ação incisiva 
sobre os 
delírios e alucinações 
Acatisia, impregnação 
síndrome neurolétpica maligna. 
Clorpromzina Bloqueia os receptores 
dopaminérgicos no 
cérebro 
Apresenta uma ação incisiva 
sobre os 
delírios e alucinações 
Acatisia, impregnação 
síndrome neurolétpica maligna. 
 
Risperidona Atua na dopamina e 
serotonina 
Apresenta uma ação incisiva 
sobre os 
delírios e alucinações e sobre o 
humor 
Desordem extrapiramidal 
(movimentos involuntários ) 
Quetiapina Atua na 
dopaminérgicos e 
serotonina 
Apresenta uma ação incisiva 
sobre os 
delírios e alucinações e sobre o 
humor 
Possui menos efeitos colaterais 
Olanzapina Atua nos receptores 
dopaminérgicos e na 
serotonina 
Apresenta uma ação incisiva 
sobre os 
delírios e alucinações e sobre o 
humor 
Possui menos efeitos colaterais 
Clopixol bloqueia os receptores 
de dopamina 
Permite um tratamento 
antipsicótico contínuo 
Acatisia, impregnação 
síndrome neurolétpica maligna. 
 
Fármacos 
antidepressivos 
Mecanismo de ação Benefícios Efeitos colaterais 
Amitriptilina Aumenta a quantidade 
de norepinefrina ou de 
serotonina ou de ambas 
Melhora do nível do humor Sedação, aumento de peso, 
sonolência etc. 
Fluoxetina 
Paroxetina 
Sertralina 
Inibe seletivamente a 
recaptação de 
serotonina no SNC. 
 
Melhora do nível do humor Ansiedade, nervosismo, 
insônia, perda de peso 
 
Outros 
Fármacos 
Mecanismo de ação Benefícios Efeitos colaterais 
Lítio O lítio diminui a 
recaptação da 
serotonina e/ou da 
norepinefrina. 
Rebaixamento do nível de 
agitação dos pacientes com TAB. 
Sedação, confusão mental, 
sonolência, aumento do peso 
etc. 
Biperideno Reduz as reações 
adversas 
extrapiramidais 
induzidas pelos 
neurolépticos e outras 
drogas que bloqueiam 
receptores de dopamina 
nos gânglios da base 
Reduz os efeitos colaterais 
principalmente desencadeadas 
pelos antipsicóticos; reduz os 
riscos de 
adversas extrapiramidais 
induzidas pelos neurolépticos 
Distúrbio de humor, agitação, 
euforia, tontura e visão turva, 
sonolência, taquicardia, 
hipotensão, retenção urinária 
Prometazina Bloqueia os efeitos da 
histamina, Altera os 
efeitos da dopamina no 
SNC. 
Reduz os efeitos colaterais 
principalmente desencadeadas 
pelos antipsicóticos 
Hipotensão, arritimias, 
taquicardia, hipertensão, 
náusea, vômitos 
 
Midazolam 
Clonazepam 
Diazepam 
Atua produzindo 
depressão do SNC. 
Reduz a ansiedade e produz 
sedação em pacientes agitados 
Depressão respiratória, 
sedação, apneia, diminuição da 
atenção e concentração 
 
“A equipe de profissionais que atuam nas instituições que internam 
pessoas com doenças mentais em especial a enfermagem, devem 
ficar atentos para não confundir efeitos dos fármacos com sintomas 
patológicos apresentados pelos pacientes”. 
Dentre as ações de enfermagem ao cliente submetido á terapêutica medicamentosa 
destacam-se a orientação e preparo do cliente e da família para que a adesão ao tratamento 
aconteça. Neste sentido, é necessário realizar o histórico de enfermagem, com a observação das 
manifestações de comportamento para que estas sejam discutidas com os membros da equipe. 
Devem ser mensurados os dados fisiológicos e registrados conforme protocolo do serviço, tais 
como: pressão arterial, pulso, respiração, temperatura, peso, altura e padrão do sono. 
Antes de ministrar a medicação e durante a terapia medicamentosa deve-se verificar os 
sinais vitais do cliente, pois é comum ocorrer hipotensão ortostática, que é a queda dos níveis 
pressão arterial do paciente em uso de alguns fármacos pela troca de posição. Assim é importante 
que a equipe entenda os riscos e os benefícios dos fármacos como, por exemplo, a síndrome 
neuroléptica maligna, que é caracterizada pelo estado mental alterado, rigidez muscular, 
hipertermia e hiperatividade autonômica com o uso de antipsicóticos. 
 Os sintomas começam, com mais frequência, duranteas duas primeiras semanas de 
tratamento, e também podem ocorrer após anos. É observado um estado mental alterado, que 
geralmente, possui uma manifestação precoce, acompanhado de delírio e agitação, e pode 
progredir para letargia. 
Anormalidades motoras os pacientes podem apresentar rigidez muscular grave e 
generalizada (às vezes com tremor simultâneo, levando à rigidez em roda dentada) ou, com 
menos frequência, distonias, coreias e outras anormalidades, com diminuição de respostas 
reflexas. Hipertermia, nestes casos a temperatura é maior que 38°c podendo chegar 
frequentemente mais que 40°c. Hiperatividade autonômica, ocorre atividade autonômica é 
aumentada, tendendo a causar taquicardia, taquipneia e hipertensão. 
 
“Ao surgir efeitos colaterais, devemos assegurar ao cliente 
e sua família que estes são previstos, oferecendo condições 
para diminuir o desconforto”. 
Outro problema que pode ocorrer, e de forma mais comum é a acatisia. Este termo é 
caracterizado por dificuldade em sentar ou negação para sentar-se em que o prefixo “a” significa 
negação e “catisia” significa sentar-se e pode ser definido como um transtorno de movimento 
relacionado ao sistema motor que é evidenciado por ansiedade, irritabilidade e disforia que 
podem ser de grau a leve a intensa. 
O paciente não consegue ficar parado. Os sintomas mais comuns são: ansiedade; 
inquietação – balanço alternado dos pés, caminhar no mesmo lugar, o paciente marcha o tempo 
todo; parestesia, sensação anormal e desagradável sobre a pele como coceira queimação, 
dormência; irritabilidade; agitação psicomotora e vontade de mover-se todo o tempo. 
7. Emergências psiquiátricas 
É definida como qualquer alteração de comportamento que não pode ser manejada de 
maneira rápida e adequada pelos serviços de saúde de uma comunidade. É um momento crítico 
marcado pela fragilidade e instabilidade do cliente. Desse modo, é importante que o profissional 
de saúde se apresente e esclareça os objetivos do atendimento transmitindo confiança. 
O principal motivo para a procura de atendimento psiquiátrico de emergência é, agitação 
psicomotora e agressividade, e estes ocorrem em decorrência de algum transtorno de base, pré 
diagnosticado ou em fase de diagnóstico e tratamento. 
“Durante o atendimento inicial deve-se observar se este 
cliente já possui histórico de outras internações ou se já está 
em tratamento psiquiátrico, o que norteará as possíveis 
condutas durante seu tratamento no pronto socorro”. 
Na chegada a emergência, os quadros clínicos dos pacientes psiquiátricos variam muito, 
desde sutis estados ansiosos até grandes alienações mentais em que as pessoas estão 
completamente fora da realidade. Nessas condições, elas podem apresentar comportamentos 
muito inadequados, além de agitação e agressividade que é dirigida tanto em relação a si quanto 
em relação a outras pessoas, tendo dificuldade em ponderar seus comportamentos e a 
 
consequência deles. A exemplo desses motivos, o paciente pode ser percebido como de difícil 
manejo pela equipe multiprofissional. 
Em uma situação de emergência psiquiátrica em que ocorre aumento da agitação ou 
agressividade está presente fatores desencadeantes os chamados “gatilhos”, sendo fundamental 
que a equipe realize uma avaliação quanto ao atendimento prestado a estes clientes, para evitar 
que seja parte do problema. 
Os principais sinais de agitação e agressividade são: inquietação motora global; gesticulação 
abundante; incapacidade de concentração; fala rápida, sonora ou gritos; comentários pejorativos 
em tom abafado; gemidos incessantes; ansiedade intensa ou irritabilidade; hostilidade; 
comportamento agressivo. 
Os primeiros passos no manejo clínico do primeiro episódio em relação a um surto 
psicótico são a avaliação inicial e o diagnóstico diferencial da psicose. 
7. Assistência e manejo da crise 
 
Manejo verbal 
Tentativa de continência pela palavra e por outros recursos como mudança de ambiente, 
privacidade, retirado do ambiente de agentes estressores. Deve ser o primeiro movimento para a 
contenção da crise. Neste sentido é necessário que quem esteja a frente demonstre segurança, 
chame o paciente pelo nome e permita a ele que se expresse, pois isto reduzirá a sua ansiedade e 
este passará a confiar no interlocutor. 
Contenção Mecânica 
Medida terapêutica que deve ser usada de forma adequada e específica para que surta o 
efeito desejado, de maneira segura e eficaz, evitando danos aos pacientes e aos profissionais 
envolvidos na técnica. Contudo ela deve ser o último recurso a ser utilizado para controlar 
condutas violentas. Cabe lembrar que, o tempo de contenção não deve ser superior a duas horas, 
pois após este período aumenta de forma significativa os riscos para a bronco aspiração, podendo 
levar ao agravamento dos problemas de saúde do paciente, podendo leva-lo a uma pneumonia e 
possivelmente a morte. 
 
Objetivos: 
 
Restringir os movimentos do paciente agressivo/agitado, limitando sua habilidade de 
movimento quando esse oferecer perigo para si e para terceiros, através de dispositivos 
mecânicos possibilitando, pelo uso das faixas, um relaxamento progressivo, uma diminuição da 
agressividade / agitação e uma percepção dos limites corporais. 
Deve ser uma conduta excepcional e cercada de todos os cuidados para que a ação sobre 
o paciente seja a menos lesiva possível, devendo constar no projeto terapêutico. 
Antes da contenção física, deve-se esgotar todas as alternativas como abordagem verbal, 
mudanças no ambiente, eliminação de fatores externos que podem influenciar negativamente o 
comportamento do paciente, entre outros. (PAES, et al.,2009). Para tanto, a equipe deve observar 
sinais de alerta ou agressividade para a realização da contenção. Paciente com agitação 
psicomotora, confusão mental, agressividade/violência em relação a si próprio e/ou a outros. 
Outro fator importante esta no processo de imobilização do paciente para prevenção de quedas 
após a sedação. Convém salientar que estas ações estão alicerçadas e contempladas nas 
resoluções do Conselho Federal de Enfermagem como veremos a seguir: 
Parecer técnico COREN-MS nº 004/2004: 
O enfermeiro possui competência técnica e legal para realizar a 
prescrição da contenção da e/ou descontenção física de pacientes em 
risco para a violência dirigida a si mesmo ou aos outros, constituindo 
atividade compartilhada com o profissional médico, independente da 
presença deste. 
Resolução COFEN Nº427/2012: 
Art. 1º Os profissionais da Enfermagem, excetuando-se as situações 
de urgência e emergência, somente poderão empregar a contenção 
mecânica do paciente sob supervisão direta do enfermeiro e, 
preferencialmente, em conformidade com protocolos estabelecidos 
pelas instituições de saúde, públicas ou privadas, a que estejam 
vinculados. 
Art. 2 ºA contenção mecânica de paciente será empregada quando for 
o único meio disponível para prevenir dano imediato ou iminente ao 
paciente ou aos demais. Parágrafo único. Em nenhum caso, a 
contenção mecânica de paciente será prolongada além do período 
estritamente necessário para o fim previsto no caput deste artigo. 
 
Durante todo o procedimento de contenção, o paciente deve ser esclarecido sobre o que 
está sendo feito, bem como os motivos, tentando explicar o caráter não punitivo do mesmo. Ainda 
neste sentido, cabe a equipe tranquilizar a família sobre a necessidade de contenção, bem como 
tranquilizar o paciente explicando os motivos de sua contenção e o tempo que ficará contido. 
 
 
Instruções para a contenção: 
✓ Preferentemente cinco pessoas devem estar envolvidas na contenção: uma que coordena 
e que dirige a palavra ao paciente, em geral o que dirige a palavra ao paciente, e outras 
quatro pessoas (uma para cada membro do corpo) com treinamento prévio neste tipo de 
procedimento. 
✓ Deve-se utilizar um material resistente e que não lesione oindivíduo. (Lençóis ou 
ataduras por exemplo). 
✓ O paciente deve ser contido em decúbito lateral e com a cabeça levemente elevada. O 
decúbito dorsal com os braços abertos deixa o os abertos deixam o paciente em posição 
vulnerável e aumenta o risco de aspiração aumenta, caso o paciente vomite. 
✓ Durante todo o procedimento, o paciente deve ser esclarecido sobre o que está á sendo 
feito, bem sendo feito, bem como os motivos, tentando explicar o caráter não punitivo do 
mesmo. 
✓ O indivíduo contido deve ser constantemente observado, tanto em relação à segurança e 
conforto da contenção quanto a outros parâmetros, como sinais vitais nível de 
consciência. 
✓ A contenção mecânica não deve ser vista como uma ação mecânica ou procedimento 
isolado para o manejo do comportamento procedimento violento. A sua maior 
importância é propiciar a propiciar a abordagem verbal do paciente de uma forma segura 
para ambos. 
✓ Durante todo o período de contenção NÃO ofereça líquidos ou alimentos, devido ao 
grande risco de aspiração. 
✓ Em adultos o tempo máximo de contenção é de 4 horas, com supervisão direta e contínua 
dos dados vitais e conforto do paciente. 
✓ A retirada da contenção pode ser gradual e de comum acordo com o paciente e familiar. 
 
✓ Realizar os registros em prontuário com anotação dos detalhes, como razões, duração tipo 
da contenção realizada. Anotar qualquer lesão corporal ou informação relevante pregressa 
ao atual procedimento. 
Tipos de contenção mecânica 
✓ Em dois pontos (somente MMSS); 
✓ Em quatro pontos (MMSS e MMII); 
✓ Em cinco pontos (MMSS, MMII e TORAX); 
✓ Lençol de contenção 
✓ Faixa de contenção no leito. 
✓ Grupo de apoio – com auxílio de 8 pessoas 
Contenção química 
A contenção química é realizada através da administração de medicamentos, em 
protocolos pré-estabelecidos pelo serviço de saúde, ou na ausência de protocolos realiza-se a 
administração de sedativos associados a antipsicóticos, de escolha do médico plantonista ou 
psiquiatra. A utilização da via oral deve ser utilizada sempre que houver cooperação do paciente. 
A via intramuscular deve ser utilizada sempre que for necessária ação farmacológica rápida em 
pacientes não cooperativos. 
Durante a contenção química deve ser observado alguns riscos que podem acontecer, 
pois alguns fármacos aumentam de forma significativa a salivação e reduzindo os reflexos da 
epiglote, o que pode contribuir também para a aspiração brônquica de conteúdo alimentar, 
ocasionando outros problemas a saúde do paciente. 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
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Janeiro,Fiocruz, 1995 
COSTA, Maria José Chaves. ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA EQUIPE 
MULTIPROFISSIONAL. Rev. Bras. Enferm., Brasília , v. 31, n. 3, p. 321-339, 1978 . 
KAPLAN HI, SADOCK BJ, GREBB JA. Compêndio de Psiquiatria. Ciências do 
Comportamento e Psiquiatria Clínica, 11a. edição. Editora Artes Médicas. Porto Alegre, 2013. 
FORMIGONI, M L O S, A intervenção breve na dependência de substâncias psicoativas. 
3ed. Brasília, SENAD, 2002 
ISAACS, Ann. Saúde mental e enfermagem psiquiátrica. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan. 1998. 
KAPLAN, Harold I. Compêndio de psiquiatria. 7ª ed. Porto Alegre: ARTMED. 2003. 
RODRIGUES, A.R. F. Enfermagem Psiquiátrica: Saúde Mental. Prevenção e Intervenção. São 
Paulo: EPU, 1996. 
STUART, G. W; LARAIA M T. Enfermagem Psiquiátrica. 4ª ed. Rio de Janeiro: Reichmann 
& Affonso Ed.2002. 
TOWNSEND, Mary C. Enfermagem psiquiátrica: Conceito de cuidados. 3. ed. Rio de Janeiro – 
RJ: Guanabara Koogan, 2002. 
VASCONCELLOS, Vinicius Carvalho. Trabalho em equipe na saúde mental: o desafio interdisciplinar em 
um CAPS. SMAD, Rev. Eletrônica Saúde Mental Álcool Drogas. (Ed. port.) v.6 n.1 Ribeirão 
Preto 2010. 
 
 
 
O Enfermeiro que ata na assistência hospitalar necessita de um amplo saber acerca de 
inúmeras condições clinicas, dentre elas a assistência durante a crise em psiquiatria. 
Este manual surgiu com o intuito de auxiliar as equipes de enfermagem sobre os 
principais transtornos mentais e possíveis condutas para que a assistência ocorre de forma 
integral. 
Quais são os obstáculos enfrentados por um Enfermeiro que atua na assistência em saúde 
mental? O que não se deve fazer na abordagem ao intento suicida? Responderemos estas 
perguntas com uma linguagem simples e favorável para estudantes e profissionais de 
enfermagem.

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