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03 UNIDADE PROF. CÉLIA GODOY O contexto da sala de aula, seu funcionamento e suas formas de organização GESTÃO DA SALA DE AULA FICHA LIVRO Disciplina: Gestão da sala de aula Professora Autora: Célia Godoy Ementa: Estudo dos conhecimentos teóricos e práticos necessários para orientar a ação didática do processo de ensino e aprendizagem. Gestão à luz do pensamento pedagógico de autores clássicos e contemporâneos. O contexto de sala de aula, seu funcionamento e suas formas de organização. FICHA CATALOGRÁFICA Presidente: Renato Casagrande Diretor Executivo: Ronaldo Casagrande Diretora Pedagógica: Josemary Morastoni Coordenador de EaD: Everaldo Moreira de Andrade Designer Instrucional: Iara Aparecida Pereira Penkal Revisora: Eryka Kalana Torisco da Silva Designer Gráfico: Bruna Aparecida de Andrade Diagramadora: Bruna Aparecida de Andrade Foto de capa: © Freepik Ícones: © Flaticon Clique nos títulos para ir até a página. SUMÁRIO 3 APRESENTAÇÃO 4 3. O CONTEXTO DA SALA DE AULA 5 3.1 FUNCIONAMENTO E FORMAS DE ORGANIZAÇÃO NO CONTEXTO DE SALA DE AULA 6 REFERÊNCIAS 17 4Gestão da sala de aula • UA03 “Mas eu sei que há professores que amam o vôo de seus alunos. Há esperança...”. Rubem Alves (2001) Temos inúmeros desafios reais presentes no cotidiano escolar e que precisam ser pensados e harmonizados de forma participativa, para que a gestão da sala de aula seja eficaz e coerente com o PPP da escola. É esse entendimento por parte da escola que aviva e concretiza sua função social, que é a de formar seres humanos comprometidos com o seu projeto de vida e com a melhoria da sua comunidade, visando o aprofundamento para que esses aspectos sejam atendidos. Nesta unidade, abordaremos o contexto da sala de aula, seu funcionamento e suas formas de organização. Preparados? A partir deste momento, mergulharemos no universo da sala de aula, visando uma gestão de qualidade. 5Gestão da sala de aula • UA03 03 O contexto da sala de aula Especificamente em relação ao ensino e aprendizagem, que vise para além dos conteúdos, é fundamental considerar o relacionamento social, o movimento, a linguagem, o letra- mento, a ludicidade, a produção, a história de vida, com os espaços presentes, com a mate- mática cotidiana etc. Esses aspectos são pertinentes à escolha da abordagem de ensino e o estudo dos conhecimentos teóricos, portanto, são escolhas necessárias para orientar a ação didática do processo de ensino e aprendizagem. Assim, a escola precisa promover uma ampla discussão na formação continuada (via cons- trução do PPP) dos professores para revisitar novas teorias da educação e da mediação da aprendizagem, com a finalidade de abrir possibilidades ao cultivo de novas formas de abordagem pedagógica, de avaliação e de mediação, com o objetivo de torná-los mais eficazes em sua ação pedagógica no ato de mediar o processo de construção do conheci- mento junto aos alunos, bem como para gerir o progresso desses alunos diante da capa- cidade de aprender a aprender. Entendemos que para o educando, além de possuir conhecimentos e saber aplicá-los, é necessário basear-se em valores, sentimentos e competências, que deem continuidade ao processo de educação familiar: respeito, empatia, autonomia, solidariedade, sensibili- dade, criatividade, cooperação, senso crítico, participação, responsabilidade e satisfação pessoal, o que consideramos competências socioemocionais presentes na BNCC e que precisam ser e estar integradas à gestão da sala de aula. Por meio do processo de explicitação da proposta pedagógica, constroem-se critérios comuns e integrados entre os participantes da prática educativa, legitimando todas as ações praticadas na escola com foco na visão de mundo e de homem que desejamos formar. Muitas discussões têm sido geradas nas escolas em relação ao currículo, fato explicitado por educadores como Torres (2003), Zabala (1999), Sacristán (1998), Coll (1995), dentre outros, que, no intuito de fundamentar as concepções e enfoques teóricos pertinentes, apontam 6Gestão da sala de aula • UA03 os caminhos históricos até então percorridos, seu imbricamento com a cultura, a teori- zação, a ideologia, a política, dentre outras questões. 3.1 Funcionamento e formas de organização no contexto de sala de aula Você já parou para pensar como acontece a organização da sala de aula em sua insti- tuição? Existem orientações para isso? Os professores seguem algum documento? Reflita um pouco a respeito para entender o que precisa ser ajustado. Se a escola organiza o currículo tendo como pressuposto uma pedagogia ativa e coope- rativa em sala de aula, centrada no indivíduo, onde o conhecimento dá-se por meio de sua interação com o meio, construiráuma metodologia em que o papel do aluno seja implicar-se, participar da construção do seu conhecimento e do conhecimento do outro, desenvolvendo habilidades e competências. Sendo assim, para que a aprendizagem aconteça, a gestão da sala de aula se torna lugar de reaprendizagem, de desafios, de cooperação, de valorização das diferenças e de levan- tamento de hipóteses para uma aprendizagem significativa. Não devendo, desta forma, apresentar incoerências, como, por exemplo: alunos encaminhados cotidianamente para o coordenador pedagógico, professores autoritários, avaliações vinculadas ao produto e não ao processo, alunos descomprometidos, conteúdo pelo conteúdo, dentre outros. As ações desenvolvidas em sala de aula devem ser concebidas como um processo em ação, que conta com o próprio trabalho do aluno e pela vivência em grupo, devendo fazer com que os conhecimentos sejam mobilizados para a resolução de problemas. O educador, ao mediar a construção do conhecimento, atua em consonância com o Projeto Político Pedagógico, enquanto o coordenador pedagógico articula esse processo por meio da formação continuada da equipe docente. Na perspectiva da construção coletiva de um projeto pedagógico baseado em pressu- postos interacionistas, por exemplo, todas as áreas de conhecimento buscam trabalhar segundo os princípios da interdisciplinaridade, o que possibilita ao educando a organi- zação do saber de modo não fragmentado e a compreensão do conhecimento numa dimensão integrada, o que nem sempre acontece, dado o apego excessivo aos conteúdos conceituais que estão contidos nos programas. 7Gestão da sala de aula • UA03 O planejamento das aulas é fundamental para uma gestão da sala de aula de excelência, se entendido não como uma atividade técnica ou mecânica, mas como um momento precioso que requer conhecimento, envolvimento e competência do professor. Deve-se identificar os fatores que incidem no crescimento dos alunos, as intervenções e media- ções necessárias para a efetivação desse crescimento e analisar se as escolhas e decisões tomadas estarão efetivamente acordadas com o PPP e com a função social da escola, nunca esquecendo que a escolha do tipo de planejamento sempre deverá estar contida no PPP (discutido e decidido) via formação continuada e sempre aliada à visão de ser humano e à concepção teórica. Para essa edificação, se faz importante considerar outros fatores (discutidos no coletivo) que integrarão o currículo e tomarão forma na gestão da sala de aula. O modelo que segue a seguir demonstra o planejamento antes da aula e o que se consi- dera imprescindível para que a aula faça sentido e alcance resultados extraordinários. A dialética dos movimentos gerados e considerados pelos profissionais da escola para a eficácia da gestão em sala de aula precisa também considerar alguns aspectos relevantes: • A maneira que compartilha os objetivos de aprendizagem dos alunos para os alunos; • A organização do espaço (carteiras enfileiradas ou de outras formas); • A seleção dos materiais curriculares que serãoutilizados; • Como oportuniza situações desafiadoras, comunicativas, de resolução de problemas, de produção e criatividade; • De que forma concebe a estrutura e a dinâmica da aula; • A didática empregada; • Como os relacionamentos interpessoais e a organização social da classe são concebi- dos ou acordados; • O sentido atribuído à avaliação etc.; Professor planejando © P ix ab ay 8Gestão da sala de aula • UA03 Para tanto, sugere-se que a aula seja planejada por meio da tríade: antes, durante e depois. Iniciaremos abordando os elementos que precisam ser considerados previamente, para que o planejamento seja efetivo. A reflexão crítica sobre o planejamento da aula revela a maneira como realiza- remos a gestão da sala de aula e consequentemente como se dará o processo de ensino e de aprendizagem. 3 MOMENTOS GESTÃO DA SALA DE AULA ANTES DURANTE DEPOIS ANTES 1 2 3 4 Adaptado pela autora Adaptado pela autora 10 Competências Gerais: Habilidades BNCC Agrupamento e Recursos de Comunicação Conteúdos: Conceitual; Procedimental; Atitudinal Tipo de Atividades Sabemos que fazer a gestão da sala de aula incide em saber o que é preciso fazer, saber e ter para que a aula tenha sucesso. E o que consideramos sucesso? A efetivação da aprendizagem! Deve-se levar em conta que o antigo objetivo do professor, e que muitas vezes o aluno não conseguia saber qual era, deu lugar aos objetivos de aprendizagem do estudante, que envolvem as 10 Competências Gerais da BNCC, as Habilidades das áreas, dos Componentes Curriculares e dos Campos de Experiências, além de levar em conta que o aluno, ao se apropriar, terá consciência da existência deles e da meta de formação que envolve o seu protagonismo e o seu papel como estudante. Para ampliar seus conhecimentos a respeito das competências na obra: Como aprender e Ensinar Competências Autores: ZABALA, A. ARNAU, L. Editora Penso SAIBA + A m az on 9Gestão da sala de aula • UA03 Cabe ao professor dar foco às habilidades. Sendo elas: Para o planejamento, os professores precisarão estar atentos para as inúmeras possibili- dades que envolvem diferentes oportunidades para ensinar e fazer aprender o mesmo conteúdo. 1- HABILIDADES Identificar Variáveis Compreender Fenômenos Relacionar Informações Analisar Situações- problemas Selecionar Correlacionar Julgar Sintetizar 2- ATIVIDADES DIVERSIFICADAS Observação Pesquisa Leitura Pesquisa Bibliográfica Resumo Pesquisa Observação Exploração Tomar notas Exercício Exposição Dança Música Som Gesto Mímica Leitura Escrita Registro Analisar Situação- problema Brincadeira Jogos Pintura Recorte Colagem Medida Classificação Dramatização Expressão Adaptado pela autora Adaptado pela autora https://www.youtube.com/watch?v=GTu_bycoEEw https://www.youtube.com/watch?v=GTu_bycoEEw 10Gestão da sala de aula • UA03 Se considerarmos atividades, por exemplo: uma exposição, um debate, uma oficina, uma leitura, uma pesquisa bibliográfica, a construção de cartazes, a criação de games, tomar notas, uma ação motivadora, uma observação, uma aplicação, dentre outros, podemos definir as atividades ou tarefas como uma unidade. Utilizando como exemplo um professor de História que trabalhará o conteúdo “Guerra Fria” com seus alunos: ele poderá fazer uso de um jogo, orientando o aluno para tomar notas, fazer um resumo sobre o que foi apren- dido no dia, utilizar a música para sensibilizar os alunos sobre a importância da paz, enfim, possibilitar de várias maneiras o contato desse estudante com o conteúdo. Desta forma, é possível elaborar uma sequência didática que seja capaz de encorajar, esti- mular e envolver os alunos na busca do conhecimento, porque a escolha das atividades vai além do livro ou do sistema de ensino, tornando-se verdadeiramente aliada do processo de aprendizagem. Os recursos de comunicação, como lousa, aplicativos, sites, blogs, filmes, computadores, games, entre outros, facilitam e mobilizam os educandos, gerando maior compreensão dos conteúdos procedimentais, pois os coloca em ação, ou seja, no exercício do saber fazer: pesquisar, criar, desenvolver, manipular etc. Quanto mais possibilidades forem criadas, mais incidirá sobre a aprendizagem, a conquista dos objetivos de aprendizagem e a avaliação. Em relação aos agrupamentos, em consonância com Zabala (2001), a forma de estru- turar os estudantes e a dinâmica grupal que se estabelece configuram uma determinada organização social da aula, em que os estudantes convivem, trabalham e se relacionam, segundo modelos nos quais o grande grupo ou os grupos fixos e variáveis permitem e contribuem, de uma forma determinada, para o trabalho coletivo e pessoal e sua formação. A gestão da sala de aula tem como aliada a BNCC que apresenta as 10 Competências Gerais e também as específicas para as diversas áreas e Componentes Curriculares do 3 - RECURSOS DE COMUNICAÇÃO Trabalho individual Classe em equipes móveis Grupos/ Classe fixo Grupo/ Classe móveis Escola como grande grupo Classe como grande grupo Classe em equipe fixas Adaptado pela autora 11Gestão da sala de aula • UA03 Ensino Fundamental Anos Iniciais e Finais e Ensino Médio e propõe os 6 Direitos de Apren- dizagem e os 5 Campos de Experiência para Educação Infantil. Competência na BNCC é definida como a “mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais, atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho” (BNCC, 2017). Os conhecimentos, habilidades e atitudes (CHA), contemplados na BNCC, estão relacio- nados ao “saber”, “saber fazer” e “querer fazer”, presentes nos objetos de conhecimento: conteúdos, conceitos e processos. Saber é conhecer, saber-fazer para aplicar o conhecimento (relacionadas às habilidades práticas, cognitivas e socioemocionais). Já o querer fazer está relacionado à atitude diante do aprendizado. CONHECIMENTO HABILIDADE ATITUDE SABER SABER FAZER QUERER FAZER C H A Desenvolver competências é um processo de construção e reconstrução da prática refle- xiva e crítica resultante das discussões e reflexões realizadas pelos profissionais da escola, inclusive com a participação dos pais. Pressupõe assumir uma pedagogia ativa e coope- rativa em sala de aula, trabalhar por resolução de problemas e por projetos, propor tarefas complexas e desafios que incitem os alunos a mobilizar seus conhecimentos. O projeto educacional expresso na BNCC demanda uma reflexão sobre a seleção de conteúdos, como também exige uma ressignificação, em que a noção de conteúdo escolar se amplia para além de fatos e conceitos, passando a incluir procedimentos, valores, normas e atitudes. Ao tomar como objeto de aprendizagem escolar conteúdos de diferentes naturezas, reafir- ma-se a responsabilidade da escola com a formação ampla do aluno e a necessidade de intervenções conscientes e planejadas nessa direção. A escola passa a ser um lugar onde o aluno tem direito a ensaios e erros, onde expõe suas dúvidas, explicita seus raciocí- nios e toma consciência de como se aprende, permitindo tornar visíveis os processos, os ritmos e os modos de pensar e de agir. Tendo como eixo norteador as nossas Interações/ Adaptado pela autora 12Gestão da sala de aula • UA03 Educativas (o aluno que queremos formar) e os princípios pedagógicos, dimensionamos os conteúdos escolares: CONTEÚDOS: CONCEITUAL, PROCEDIMENTAL E ATITUDINAL CONCEITUAL PROCEDIMENTAL ATITUDINAL Parafraseando Zabala (1998), devemos nos desprender da leitura restrita do termo “conteúdo” (aquilo que se deve aprender: conhecimentos das “matérias” ou disciplinas clássicas) e entendê-lo como tudo quanto se tem que aprender para alcançar determi- nados objetivos, que não apenas abrangem as capacidades cognitivas, comotambém incluem as capacidades motoras, afetivas e socioemocionais. Um dos aspectos para essa significação e análise dos conteúdos trabalhados, leva em conta três categorias: Conceitual, Procedimental e Atitudinal. Categorias que precisam ser discutidas, trabalhadas, planejadas e avaliadas à luz de uma teoria que embasa a prática pedagógica. São seis alternativas para promover a aprendizagem e que, independente da ordem, geram possibilidades diferenciadas para ministrar as aulas, por exemplo: CPA - O professor inicia o processo de aprendizagem a partir de um conteúdo conceitual, em seguida coloca os alunos em oficinas e jogos (procedimentos) e o ciclo termina com a atitude e assim sucessivamente como exposto na imagem a seguir. Adaptado pela autora Adaptado pela autora 4- TIPOS DE CONTEÚDO 13Gestão da sala de aula • UA03 As metodologias de trabalho precisam ser resultados das discussões entre os educadores nos momentos de trabalho coletivo, junto ao coordenador pedagógico e condizentes com às especificidades da diversidade presente no grupo-classe, principalmente no que diz respeito aos níveis de compreensão dos alunos quanto aos conteúdos socializados nas salas (conteúdos conceituais). A proximidade do processo de ensino e de aprendizagem com as propostas de atividades pode fazer com que o aluno seja o agente ativo do processo de construção do conheci- mento e de transformação das relações entre os seres humanos e entre o homem e a natureza (conteúdos procedimentais). Mas, a mágica acontece de fato no solo sagrado da sala de aula, durante a aula, na relação e na interação com os alunos. É na sala de aula, entendida como um lugar real e privi- legiado que contém muitas realidades, o espaço social onde se processam o ensino e a aprendizagem, um lugar de gente e de vida, não aquele espaço físico inerte da instituição escolar, mas, fundamentalmente, um lugar dinamizado pela relação pedagógica. Focamos agora o nosso olhar para os três tempos que podem acontecer: introdução, desenvolvimento e conclusão da aula, seguindo os princípios de uma narrativa: INTRODUÇÃO DA AULA: atividades lúdicas, reflexivas e acolhedoras. Por exemplo: uma palavra, uma notícia, música, poesia, relaxamento, oração, entre tantas outras. DESENVOLVIMENTO DA AULA: Se olharmos atentamente, sugerimos ainda que o desen- volvimento da aula aconteça tendo como referência 4 focos: comunicação, memória, resolução de problemas e a criatividade, em outras palavras, o professor, ao ministrar a aula, estará atento ao que ele deve sempre se questionar: por que estou fazendo isso que estou fazendo? Qual é a aprendizagem que o aluno irá explicitar? Eu, professor, quero que DURANTE 1 2 3 INTRODUÇÃO SENSIBILIZAÇÃO CONCLUSÃO ATIVIDADES AVALIATIVAS DESENVOLVIMENTO COMUNICAÇÃO MEMÓRIA RESO- LUÇÃO DE PROBLEMAS Adaptado pela autora 14Gestão da sala de aula • UA03 o meu aluno comunique o que aprendeu? Quero que ele memorize os conteúdos essen- ciais? Ou quero que meu aluno extrapole o conhecimento e crie algo com o conhecimento adquirido? Ainda quero que o meu aluno resolva problemas? Quero que ele desenvolva habilidades e que saiba interpretar, justificar, analisar? CONCLUSÃO DA AULA: Sugerimos, como exemplo, que todos os dias os alunos realizem uma atividade conclu- siva ao final da aula, elaborando um resumo do que aprendeu, fazendo um desenho que represente o que foi mais significativo, entre outros, poderíamos dizer que desta forma nos encaminhamos para uma avaliação processual e humana. CONCLUSÃO DA AULA DOMINGO EU ESPERO... EU PRECISO QUINTA RESUMO SEGUNDA TRÊS PALAVRAS SEXTA DESENHO TERÇA ELABORE TRÊS QUESTÕES SÁBADO QUARTA SE FOSSE UMA COR REFLEXÃO SÍNTESE RESUMO QUADRO SÍNTESE Adaptado pela autora Adaptado pela autora GESTÃO DA SALA DE AULA DURANTE 1. INTRODUÇÃO TOMADA DE DECISÃO DIAGNÓSTICO REAVALIAÇÃO REGULAÇÃO COMUNICAÇÃO MEMÓRIA RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS CRIATIVIDADE 3. CONCLUSÃO DEPOISANTES 1. HABILIDADES A SEREM ALCANÇADAS 2. TIPOS DE ATIVIDADES 3. AGRUPAMENTOS E RECURSOS DE COMUNICAÇÃO 4. CONTEÚDOS: CONCEITUAL, PROCEDIMENTAL E ATITUDINAL 2. DESENVOLVIMENTO 15Gestão da sala de aula • UA03 DEPOIS DA AULA: Neste ciclo de processos e fazeres, é importante verificar se as aulas precisam ser revistas, se há necessidade de retomar, propor novos desafios, diagnosticar o que os meninos aprenderam porque é nesse caminhar que aprendemos a cada dia. Repla- nejar, fazer a regulação e decidir novos caminhos ou possibilidades para seguir adiante. Célia por Célia - Breves considerações Célia Godoy A organização escolar: novos tempos e espaços de libertação Acreditamos que para a escola se tornar um espaço libertador nesse processo de orga- nização escolar que vem sendo construído há mais de um século em forma de classes (séries, ciclos e anos), grade horária, matriz curricular, avaliações bi ou trimestrais, situadas e desenvolvidas em salas de aula, carteiras enfileiradas, ela precisa revisar as estruturas, as disciplinas rígidas, os tempos e espaços para que haja apropriação e vivência real desse espaço e das práticas ali desenvolvidas de modo a transformá-lo em um lugar de sentido, que desperte o gosto pelo saber. Para a escola quebrar esses paradigmas, será necessário repensar o projeto pedagógico, o papel do professor, a organização do tempo e do espaço, considerando a necessidade de compreender quanto e de que forma o tempo é utilizado, valorizado, despendido em atividades significativas para o desenvolvimento dos conteúdos, quais espaços são utili- zados e com qual intenção. A princípio, sugerimos a atualização e revitalização dos espaços escolares como medida urgente, incluindo a reavaliação dos seus objetivos, os modos de planejar, ensinar, avaliar, o tempo de aula, de estudo e construção. Faz-se até necessário repensar as teorias que fundamentam a ação educacional, como as concepções de homem, de escola e de estudo que nutrem as práticas; os princípios que orientam e organizam a ação educativa; e as relações que permeiam o espaço escolar. A sala social de aula de gente: tempos e espaços em construção Madalena Freire (1999) ressalta que o espaço é retrato da relação pedagógica. Nele é que o nosso conviver vai se registrando, marcando nossas descobertas, nosso cresci- mento, nossas dúvidas. Enfatiza que o espaço enquanto retrato da relação pedagógica vai deixando marcas e registra concretamente, por meio da arrumação dos móveis, da organização dos materiais a maneira que conseguimos viver essa relação. O espaço identifica e desvela os fazeres e saberes vivenciados, é vivo, dinâmico, tem cor, sabor, movimento, identidade. Ele concretiza a história construída, os tempos de planeja- 16Gestão da sala de aula • UA03 mento, troca, descobertas e encontros. Podemos dizer que o espaço da sala de aula é a marca, o registro das transformações, descobertas e conquistas de cada um de todos. Autonomia concedida ou conquistada: os educadores, tempos e espaços em ação e trans- formação Ao entendermos que nossa práxis enquanto educadores não é somente um lugar de aplicação de saberes produzidos externamente, mas um espaço de produção, de transfor- mação e de mobilização de saberes, precisaremos repensar criticamente nosso planeja- mento que, além de prever as situações de aprendizagem, antevê também o tempo desti- nado a priori para sua realização e reflexão, certas atividades e tarefas, como, por exemplo, exercícios, formação de grupos, registros, pesquisas etc.Muitas vezes, são executadas em minutos, em meia hora etc., fracionadas principalmente pela existência de um horário semanal e das trágicas horas-aula. Sendo a observação, o diálogo, a pesquisa, a identi- ficação de semelhanças e diferenças, as representações não linguísticas, a experimen- tação etc. atividades imprescindíveis para a apropriação do conhecimento doseducandos, entendemos que para a realização dessas e de outras atividades será preciso dispor de espaços que as acolham. Tempo e espaço como nosso aliado é ou será resultado e consequência das decisões tomadas em relação às outras decisões: a sequência didática, as técnicas de ensino (aula expositiva, estudo dirigido, estudo do meio), o tipo de atividade, a organização de conteúdos, etc. Essa configuração de proposta pedagógica é um espaço que construímos em comu- nhão, em aliança...num tempo cedido, autorizado ou conquistado! Tempos e espaços escolares: um lugar de gente Dar espaço às relações humanas, privilegiar a alegria cultivada a cada encontro, a cele- bração da vida, a valorização das diferenças, o tempo de cada um, a esperança compar- tilhada, o diálogo com o diferente, o cultivo de valores, a calma pra fazer e a pressa de querer, a alma para perceber o tempo e o espaço possível, o planejamento envolvente, a formação continuada dos educadores; a avaliação qualitativa, a aprendizagem compe- tente e procurar fazer do “Ambiente pedagógico um lugar de fascinação e inventividade” (Assmann, 2000, p. 29). 17Gestão da sala de aula • UA03 REFERÊNCIAS ASSMANN, Hugo. Reencantar a Educação. Rumo à sociedade aprendente. 4a ed. Petró- polis, Vozes, 2000. BOFF, Leonardo. O Despertar da Águia. – O dia-bólico e o sim-bolico na construção da realidade. 4a ed. Petrópolis: Vozes, 2000. BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é Educação. 32a ed. São Paulo: Brasiliense,1995. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. 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Porto Alegre: Artmed,1999. http://institutocasagrande.com/pos-ead/ SUMÁRIO apresentação O contexto da sala de aula 3.1 Funcionamento e formas de organização no contexto de sala de aula REFERÊNCIAS : v 3: Página 2: Página 3: 3: Página 2: Página 3: Botão 6: Botão 42: Botão 38: Botão 39: Botão 40: Botão 41: Botão 43: Botão 44: v: Página 4: Página 5: Página 6: Página 7: Página 9: Página 10: Página 11: Página 12: Página 13: Página 14: Página 15: Página 16: Página 17: Página 18: : Página 4: Página 5: Página 6: Página 7: Página 9: Página 10: Página 11: Página 12: Página 13: Página 14: Página 15: Página 16: Página 17: Página 18: Botão 34: Página 4: Página 5: Página 6: Página 7: Página 9: Página 10: Página 11: Página 12: Página 13: Página 14: Página 15: Página 16: Página 17: Página 18: Botão 45: Página 4: Página 5: Página 6: Página 7: Página 9: Página 10: Página 11: Página 12: Página 13: Página 14: Página 15: Página 16: Página 17: Página 18: Botão 37: v 2: Página 8: 2: Página 8: Botão 46: Página 8: Botão 47: Página 8: saiba mais 02: