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01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 1 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html ASPECTOS MORFOLÓGICOS E FUNCIONAIS DO SISTEMA RESPIRATÓRIO Aula 1 MORFOLOGIA FUNCIONAL DA ÁRVORE RESPIRATÓRIA Morfologia funcional da árvore respiratória Olá, estudante! Nesta videoaula você irá conhecer com detalhes a 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 2 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html anatomia e histologia do sistema respiratório. Além disso, você compreenderá a diferença entre os volumes e capacidades pulmonares e como esses conceitos se aplicam no seu dia a dia profissional. Prepare-se para uma experiência de aprendizado envolvente e enriquecedora! Não perca a oportunidade de aprimorar suas habilidades profissionais. Assista agora e transforme seu conhecimento! Ponto de Partida Nessa aula, você, estudante, irá iniciar o estudo do sistema respiratório. Você conhecerá as principais características anatômicas e histológicas do sistema respiratório e os papéis essenciais desempenhados por esse sistema para garantir o bom funcionamento corporal. Ainda, você conhecerá os diferentes tipos de capacidades e volumes pulmonares e como esses conceitos podem ser aplicados na sua prática profissional. Você está convidado a desvendar as principais características morfofuncionais do sistema respiratório e descobrir como esse conhecimento pode fazer a diferença na sua carreira. 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 3 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html A partir de agora, você irá acompanhar o caso de João e seus amigos, Tiago e Pedro. Os três amigos são ciclistas profissionais e estavam treinando intensamente em uma rodovia para uma competição importante que aconteceria em poucas semanas. Durante um dos treinos, foram abordados por quatro indivíduos que os assaltaram violentamente. No confronto, João acabou sendo esfaqueado na região do tórax. Ferido e em estado de choque, João foi rapidamente socorrido por seus amigos, que conseguiram chamar o resgate especializado. João foi levado ao pronto-socorro da cidade mais próxima e, ao chegar ao hospital, apresentava dificuldade para respirar, taquicardia, dor intensa no peito e cianose. Após exame clínico e de imagem, os médicos chegaram ao diagnóstico de pneumotórax. Eles, então, comunicaram aos amigos de João sobre seu quadro clínico e explicaram que João estava com um pneumotórax, uma situação que exigiria intervenções médicas urgentes para estabilizar sua respiração e evitar complicações maiores. Com base nessas informações, você, caro estudante, saberia explicar o que é o pneumotórax? Quais estruturas anatômicas do sistema respiratório poderiam ser diretamente afetadas por uma lesão no tórax, como a de João? De que maneira o pneumotórax pode alterar os volumes e as capacidades pulmonares de João, e quais são os possíveis impactos no seu desempenho respiratório e na sua recuperação? Vamos Começar! O sistema respiratório é responsável pelas trocas gasosas entre a atmosfera e o sangue, suprindo o organismo com oxigênio (O2) e 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 4 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html removendo o gás carbônico (CO2) produzido pelo metabolismo celular. Esse sistema também participa do equilíbrio térmico, uma vez que promove a perda de água e calor do corpo. Ele auxilia na manutenção do pH corporal, retendo ou eliminando seletivamente o CO2, e ainda protege o organismo contra patógenos e substâncias estranhas inaladas, devido à presença do epitélio respiratório, que aprisiona e destrói substâncias potencialmente nocivas antes que elas adentrem o organismo. Além disso, participa da fonação, por meio da passagem de ar pelas cordas vocais, que provocam vibrações que participam da geração dos sons que ouvimos, e contém receptores para o olfato, localizados no teto da cavidade nasal. O sistema respiratório pode ser anatomicamente dividido em: vias aéreas superiores (nariz, cavidade nasal, faringe e estruturas associadas) e vias aéreas inferiores (laringe, traqueia, brônquios e pulmões). Funcionalmente, o sistema respiratório pode ser dividido em: zona de condução e zona respiratória. A zona de condução inclui nariz, cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e bronquíolos terminais. A função da zona de condução é conduzir o ar aos pulmões. Já a zona respiratória é o local onde as trocas gasosas acontecem e inclui estruturas como bronquíolos respiratórios, ductos alveolares, sacos alveolares e alvéolos pulmonares. 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 5 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html Figura 1 | Sistema respiratório. Fonte: Waugh (2021, p. 262). O ar entra no sistema respiratório pelas narinas, passando pelo vestíbulo do nariz (porção anterior da cavidade nasal circundada por cartilagem), revestido por um epitélio contendo pelos, que captura partículas estranhas inaladas juntamente com o ar. A parede superior e lateral da cavidade nasal é circundada por ossos, e projeções ósseas dessas paredes laterais formam as conchas nasais (superior, média e inferior), que ampliam a superfície interna da cavidade nasal. Entre as conchas nasais encontramos espaços denominados meatos nasais superior, médio e inferior. Revestindo internamente a cavidade nasal está a mucosa nasal, na qual encontramos o epitélio respiratório repousando sobre uma lâmina própria de tecido conjuntivo. O epitélio respiratório é um tipo especializado de tecido epitelial que reveste a maior parte das vias aéreas do sistema respiratório, desempenhando funções essenciais na proteção e na condução do ar. Suas características variam conforme a localização e a função específica de cada região, mas ele é predominantemente 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 6 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html encontrado nas vias aéreas superiores e nos grandes brônquios. O epitélio respiratório é tipicamente um epitélio ciliado pseudoestratificado colunar. Isso significa que, embora todas as células estejam em contato com a membrana basal, nem todas atingem a superfície livre, dando a impressão de múltiplas camadas de células. As células epiteliais são ciliadas, possuindo pequenas projeções móveis chamadas cílios, que auxiliam na movimentação do muco carregado de partículas e patógenos em direção à faringe, onde pode ser engolido ou expelido, ajudando a manter as vias aéreas limpas. Entre as células ciliadas estão as células caliciformes que secretam muco, que recobre a superfície do epitélio respiratório. O muco é responsável pela captura de partículas inaladas, como poeira, pólen e microrganismos, impedindo que alcancem os pulmões, onde poderiam causar irritação ou infecção. O muco também está envolvido na umidificação do ar inspirado. O muco é composto principalmente de água, além de mucinas, proteínas e outras substâncias. O vapor de água presente no muco se difunde para o ar inspirado, promovendo sua umidificação, o que protege os alvéolos pulmonares e melhora a eficiência das trocas gasosas. Além das células caliciformes, no epitélio respiratório podem ser encontradas glândulas submucosas que também produzem muco e outros fluidos. A mucosa também é rica em vasos sanguíneos, o que auxilia no aquecimento do ar conforme ele passa pela cavidade nasal. Assim, após o ar inspirado passar pelo vestíbulo do nariz,e diminuindo sua eficácia como músculo respiratório. Além disso, o tórax pode assumir uma forma 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 45 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html arredondada conhecida como "tórax em barril", devido ao aumento do diâmetro anteroposterior da caixa torácica, refletindo a dificuldade em expirar completamente o ar. Com a destruição dos alvéolos e a formação de grandes espaços de ar, a área total disponível para as trocas gasosas é reduzida. Isso significa que menos oxigênio pode ser transferido para o sangue e menos dióxido de carbono pode ser removido. Essa redução na eficiência das trocas gasosas contribui para a hipoxemia (baixo nível de oxigênio no sangue) e para a retenção de dióxido de carbono (hipercapnia). A destruição do tecido alveolar e a perda de suporte estrutural resultam no colapso das vias aéreas durante a expiração. Isso aumenta a resistência ao fluxo de ar, tornando a expiração ainda mais difícil e contribuindo para a retenção de ar nos pulmões. Indivíduos com enfisema pulmonar frequentemente apresentam dispneia (falta de ar), que piora com a atividade física. Outras manifestações incluem: tosse crônica, produção de escarro e cianose (coloração azulada da pele devido à baixa oxigenação). A hipoxemia e a hipercapnia resultantes podem levar a complicações cardiovasculares, como hipertensão pulmonar e insuficiência cardíaca direita (cor pulmonale). A bronquite obstrutiva crônica é caracterizada pela inflamação crônica das vias aéreas, aumento da produção de muco e obstrução das vias respiratórias. A fisiopatologia dessa condição envolve vários mecanismos que levam à obstrução das vias aéreas e comprometimento da função pulmonar. O principal fator de risco para a bronquite obstrutiva crônica é a exposição prolongada a irritantes, sendo o fumo do cigarro o mais significativo. Outros irritantes incluem poluição do ar, poeira e produtos químicos. A exposição a esses irritantes provoca uma resposta inflamatória crônica nas vias aéreas, resultando no espessamento das 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 46 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html paredes das vias aéreas e destruição do tecido normal. A inflamação crônica também causa hipertrofia das glândulas submucosas na traqueia e brônquios, resultando em produção excessiva de muco. Esse muco espesso e viscoso é difícil de ser eliminado, levando à obstrução das vias aéreas e contribuindo para a tosse produtiva característica da bronquite crônica. Além disso, a inflamação e os danos às células epiteliais levam à disfunção ciliar. Os cílios são responsáveis pela remoção do muco e partículas inaladas das vias aéreas, e sua motilidade reduzida impede a eliminação eficaz do muco, exacerbando a obstrução das vias aéreas. O edema e o espessamento das paredes das vias aéreas devido à inflamação crônica reduzem o diâmetro das vias aéreas, aumentando a resistência ao fluxo de ar e dificultando a ventilação. A combinação de muco excessivo, inflamação, espessamento das paredes das vias aéreas e disfunção ciliar resulta em obstrução significativa das vias respiratórias, dificultando a entrada e saída de ar dos pulmões e levando à retenção de ar e à ventilação inadequada. A obstrução das vias aéreas e a ventilação inadequada prejudicam a troca gasosa nos pulmões, resultando em hipoxemia e hipercapnia. A hipoxemia crônica pode levar à vasoconstrição dos vasos sanguíneos pulmonares, resultando em hipertensão pulmonar e sobrecarga no ventrículo direito do coração. Indivíduos com bronquite obstrutiva crônica apresentam tosse produtiva crônica, dispneia, sibilos (chiados) e sensação de aperto no peito. A tosse geralmente é mais pronunciada pela manhã e é acompanhada por produção de escarro. A inflamação crônica e a obstrução das vias aéreas resultam em episódios frequentes de infecções respiratórias. Assim, em indivíduos com DPOC, a hipoxemia ocorre principalmente devido a: 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 47 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html 1. Desigualdade na relação V/Q (Ventilação-Perfusão), com áreas dos pulmões bem ventiladas, mas mal perfundidas, e vice-versa. 2. Shunt pulmonar, pois algumas regiões dos pulmões recebem perfusão sanguínea, mas não são ventiladas adequadamente, resultando em sangue não oxigenado que entra na circulação sistêmica. 3. Difusão comprometida, uma vez que a destruição alveolar e a espessura aumentada das membranas alveolares dificultam a difusão do oxigênio para o sangue. Saiba Mais Os gases respiratórios, principalmente oxigênio (O₂) e dióxido de carbono (CO₂), desempenham papéis essenciais no metabolismo celular e na manutenção da homeostase. As concentrações e pressões parciais desses gases determinam sua difusão através das membranas alveolares e capilares. O O2, fundamental para a produção de energia via respiração celular, deve ser eficientemente transportado dos alvéolos aos tecidos corporais. O CO2, um subproduto do metabolismo, deve ser eliminado para evitar, por exemplo, a acidose respiratória. Compreender o que são e como atuam as pressões parciais dos gases respiratórios é essencial para avaliar a função pulmonar, diagnosticar doenças respiratórias e otimizar intervenções terapêuticas. Para saber mais sobre os gases respiratórios, acesse a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual: 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 48 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html · KANUNFRE, C. C. Trocas gasosas nos pulmões. In: CURI, R.; PROCOPIO, J. Fisiologia básica. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. cap. 33, p. 426-430. A difusão dos gases através da membrana respiratória é um processo vital para a troca de oxigênio e dióxido de carbono entre os alvéolos pulmonares e o sangue capilar. Essa membrana, composta por células epiteliais alveolares, endotélio capilar e suas respectivas membranas basais, permite que o oxigênio se mova dos alvéolos para o sangue, enquanto o dióxido de carbono se difunde no sentido contrário. A eficiência desse processo é fundamental para a oxigenação dos tecidos corporais e a remoção de dióxido de carbono, garantindo a manutenção do equilíbrio ácido-base e a função celular adequada. Para saber mais sobre a difusão dos gases respiratórios através da membrana respiratória, acesse a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual: · WEST, J. B.; LUKS, A. M. Fisiologia respiratória de West: princípios básicos. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2024. cap. 3, p. 31-40. O fluxo sanguíneo pulmonar desempenha um papel crucial nas trocas gasosas, transportando sangue desoxigenado para os pulmões e distribuindo oxigênio por todo o corpo. Nos capilares pulmonares, o sangue recebe oxigênio dos alvéolos e libera dióxido de carbono para ser expirado. Esse processo é essencial para a oxigenação dos tecidos e a manutenção do equilíbrio ácido-base. Alterações no fluxo sanguíneo pulmonar podem comprometer a eficiência das trocas gasosas, impactando a saúde e o desempenho fisiológico. 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 49 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html Para saber mais sobre o fluxo sanguíneo pulmonar nas trocas gasosas, acesse a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual: KANUNFRE, C. C. Trocas gasosas nos pulmões. In: CURI, R.; PROCOPIO, J. Fisiologia básica. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. cap. 33, p. 433-434. Referências Bibliográficas CURI, R.;PROCOPIO, J. Fisiologia básica. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. KUMAR, V.; ABBAS, A. K.; ASTER, J. C. Robbins & Cotran: patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. NORRIS, T. L. Porth: fisiopatologia. 10. Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. WEST, J. B.; LUKS, A. M. Fisiologia respiratória de West: princípios básicos. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2024. 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 50 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html Aula 4 TRANSPORTE DE GASES E REGULAÇÃO DA RESPIRAÇÃO Transporte de gases e regulação da respiração Olá, estudante! Nesta videoaula, você irá conhecer como os gases respiratórios são transportados no sangue. Além disso, você compreenderá como ocorre a regulação da respiração, importante para a manutenção da homeostase respiratória. Prepare-se para uma jornada de muito conhecimento! Vamos lá! Ponto de Partida 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 51 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html Nessa aula, você, estudante, continuará o estudo do sistema respiratório. Você conhecerá detalhadamente como os gases respiratórios são transportados no sangue e compreenderá como ocorre a regulação da ventilação, que estruturas participam desse controle e a importância desse evento para a manutenção da homeostasia corporal. Você está convidado a embarcar nessa jornada de conhecimento e entender como esses conceitos podem ser aplicados ao seu cotidiano profissional. Vamos lá? A partir de agora, você irá acompanhar o caso de Pedro, um aluno de graduação na área da saúde, que estava assistindo a um telejornal com sua família quando uma reportagem informou que um atleta, durante o Campeonato Mundial de esqui, tinha sido pego no exame antidoping, sendo eliminado da competição. Segundo a reportagem, o atleta, um esquiador muito talentoso, vinha apresentando um desempenho excepcional, muito acima de suas performances anteriores. Após a realização dos testes antidoping, embora não houvesse vestígios de substâncias estranhas em seu organismo, foi descoberto que o atleta apresentava uma taxa de hemácias e hemoglobina extremamente elevadas, muito acima da média observada para atletas de sua idade e sexo, indicando a utilização de doping sanguíneo, um método ilícito que altera o transporte de gases no sistema respiratório e, com isso, melhora a resistência e a performance atlética. O comitê organizador do evento, ao confirmar os resultados, considerou imprópria a participação do atleta nos jogos, levando à sua desqualificação imediata, com consequente perda de sua medalha de ouro. Ainda foi informado que o atleta enfrentará uma possível suspensão por dois anos, caso seja decidido pelo Comitê Antidoping da Federação Mundial de Esqui, 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 52 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html o que trará prejuízos para sua carreira tão promissora. Pedro e seus familiares ficaram surpresos com a notícia veiculada. Mas Pedro ficou muito curioso para entender qual seria a relação desse tipo de doping com alterações nas trocas gasosas, e como isso poderia melhorar o desempenho de um atleta. Você, caro estudante, saberia explicar essa relação para Pedro? Acompanhe todos os conteúdos dessa seção, pois serão imprescindíveis para solucionar todos os questionamentos de Pedro. Vamos lá! Vamos Começar! O transporte de gases no corpo humano é um processo fundamental para a manutenção da homeostase e o fornecimento de oxigênio (O2) aos tecidos, bem como a remoção de dióxido de carbono (CO2), um subproduto do metabolismo celular. Este processo é dividido em duas fases principais: o transporte de O2 dos pulmões para os tecidos e o transporte de CO2 dos tecidos para os pulmões. O O2 é inalado e percorre todo o sistema respiratório, chegando aos alvéolos, onde as trocas gasosas acontecem. Nos alvéolos, o O2 se difunde pela membrana respiratória ou alvéolo-capilar, entrando no sangue dos capilares pulmonares. A partir daí, ele pode ser transportado de duas formas: dissolvido no sangue ou ligado à hemoglobina. Como o O2 não se dissolve com facilidade na água, o principal constituinte do plasma, uma porcentagem muito pequena desse gás, aproximadamente 1,5%, será 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 53 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html transportado dissolvido no sangue. A maior parte do O2, cerca de 98, 5%, é transportado ligado à hemoglobina nos eritrócitos. A hemoglobina é uma proteína formada por quatro cadeias proteicas globulares denominadas globinas, duas cadeias alfa e duas cadeias beta. Em cada uma das globinas há um grupamento heme contendo ferro ao qual a molécula de O2 se liga. Desse modo, cada molécula de hemoglobina é capaz de se ligar a quatro moléculas de O2, para que possa ser transportado até os tecidos. A ligação do O2 à hemoglobina é uma reação facilmente reversível que forma a oxi-hemoglobina. Quando o sangue arterial chega aos tecidos, o O2 é liberado da hemoglobina e se difunde dos capilares sistêmicos para as células, uma vez que estas apresentam menor PO2 no seu interior. O O2 vai sendo liberado da hemoglobina até que o equilíbrio seja alcançado. Desse modo, a PO2 das células acaba determinando quanto desse gás será transferido da hemoglobina para a célula. Conforme as células aumentam a sua atividade metabólica, a PO2 diminui dentro da célula, favorecendo a liberação de mais moléculas de O2 da hemoglobina. Como o O2 se liga diretamente ao ferro do grupamento heme na hemoglobina, qualquer condição patológica que reduza a quantidade de hemoglobina nos eritrócitos ou até mesmo o número dessas células dificultará o seu transporte no sangue, uma vez que frente a essas condições ocorre uma diminuição de sítios disponíveis para a ligação de O2, como ocorre em anemias e hemorragia. A ligação do oxigênio à hemoglobina é expressa como uma 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 54 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html porcentagem denominada porcentagem de saturação da hemoglobina, que indica a proporção de moléculas de hemoglobina no sangue que estão ligadas ao O2. Este valor é crucial para avaliar a eficiência da oxigenação do sangue e a capacidade do organismo de fornecer oxigênio aos tecidos. A relação entre a saturação de O2 da hemoglobina e a PO₂ é descrita pela curva de dissociação oxigênio-hemoglobina, de modo que, em alta PO₂ (como nos pulmões), a hemoglobina está quase totalmente saturada com oxigênio (~97-100%) e, em baixa PO₂ (como nos tecidos), a hemoglobina libera oxigênio para as células. A afinidade da hemoglobina pelo O2 é variável e depende de vários fatores, como a PO2, pH, temperatura e a concentração de CO2. A diminuição do pH, aumento da temperatura e o aumento da PCO2 diminuem a afinidade da hemoglobina pelo O2, tornando mais fácil a sua dissociação da hemoglobina e desviando a curva de dissociação oxigênio-hemoglobina para a direita. Por outro lado, o aumento do pH, diminuição da temperatura e diminuição da PCO2 aumentam a afinidade da hemoglobina pelo O2, desviando a curva de dissociação oxigênio- hemoglobina para a esquerda. 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 55 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html Figura1 | Curva de dissociação oxigênio-hemoglobina. Fonte: Curi e Procopio (2017, p. 921). O transporte de CO2 no sangue é um processo complexo e crucial para a homeostase do corpo, envolvendo três principais mecanismos: dissolução direta no plasma, formação de bicarbonato e ligação à hemoglobina. Embora o CO2 seja mais solúvel que o O2 nos fluidos corporais, a quantidade produzida de CO2 pelas células a partir do seu metabolismo é muito maior que a capacidade desse gás de se dissolver no plasma. Assim, 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 56 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html apenas cerca de 7% do CO2 é transportado dissolvido no plasma. A maior parte é transportada na forma de íons bicarbonato (HCO3 - ). Nesse caso, O CO2 se difunde para dentro dos eritrócitos, onde reage com a água (H2O) sob a ação da enzima anidrase carbônica, formando ácido carbônico (H2CO3), que rapidamente se dissocia em íons hidrogênio (H+) e bicarbonato (HCO3 -). Quando o sangue chega aos pulmões, esse processo é revertido. O HCO3 - entra novamente nos eritrócitos, enquanto o H+ é liberado da hemoglobina, e o íon cloreto sai, restabelecendo o equilíbrio de cargas. O HCO3 - e o H+, formam H2CO3, que é convertido em H2O e CO2 por ação da anidrase carbônica. O CO2 se difunde do eritrócito para o sangue e, depois, para os alvéolos. Aproximadamente 23% do CO2 produzido é transportado ligado à hemoglobina. O CO2 pode se ligar diretamente aos grupos amino das cadeias de globina na molécula de hemoglobina, formando carbaminohemoglobina (HbCO2). Essa ligação é diferente da ligação do O2 na molécula da hemoglobina, que se liga ao átomo de ferro no grupamento heme. Siga em Frente... Regulação da respiração A regulação da respiração é um processo complexo e vital que garante a manutenção da homeostase respiratória, ajustando a ventilação para atender às demandas metabólicas do corpo. Essa regulação é principalmente coordenada pelo sistema nervoso 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 57 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html central, especialmente por grupamentos de neurônios presentes no bulbo e na ponte. No bulbo estão dois grupos principais de neurônios: o grupo respiratório dorsal (GRD) e o grupo respiratório ventral (GRV). Os neurônios do GRD, localizados em uma área denominada núcleo do trato solitário (NTS), controlam principalmente os músculos da inspiração. Os impulsos nervosos que se originam no GRD são transmitidos via nervos frênicos para o diafragma e via nervos intercostais para os músculos intercostais externos, promovendo a contração desses músculos e consequente inspiração. Os neurônios sensoriais do GRD enviam informações para os neurônios respiratórios da ponte, influenciando o início e finalização da inspiração. Os neurônios respiratórios pontinos e outros neurônios pontinos enviam sinais tônicos para as redes bulbares auxiliando na coordenação de um ritmo respiratório uniforme. O GRV, localizado no bulbo, apresenta diferentes regiões com várias funções. Uma das regiões é denominada complexo pré-Bötzinger e possui neurônios que disparam espontaneamente, podendo atuar como o marca-passo do ritmo respiratório. Outras regiões do GRV atuam controlando músculos acessórios recrutados na respiração forçada ou quando realizamos uma inspiração maior que o normal (como no exercício físico vigoroso). Ainda, fibras nervosas que se originam no GRV inervam músculos da laringe, da faringe e da língua, mantendo as vias aéreas superiores abertas durante a respiração. 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 58 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html Figura 2 | Regulação da ventilação. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons. A regulação química da respiração é mediada por quimiorreceptores que monitoram as concentrações de CO2, O2 e o pH sanguíneo. Existem dois tipos principais de quimiorreceptores: centrais e periféricos. Os quimiorreceptores centrais estão localizados no bulbo e são sensíveis às mudanças na concentração de CO2 e do pH no líquido cerebrospinal. Aumento nas concentrações de CO2 ou diminuição do pH estimula os quimiorreceptores centrais, que sinalizam para a rede neural de controle da respiração, promovendo o aumento na frequência e profundidade da respiração, melhorando a ventilação alveolar e a remoção de CO2, que contribui também para a 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 59 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html normalização do pH. Os quimiorreceptores periféricos estão localizados nos corpos carotídeos e aórticos. Esses receptores são sensíveis às alterações nas concentrações de O2, CO2 e pH no sangue arterial. Uma queda nas concentrações de O2, ou um aumento nas concentrações de CO2, ou ainda a diminuição do pH levam à estimulação dos quimiorreceptores periféricos, que enviam sinais ao centro respiratório para aumentar a ventilação. Outras áreas centrais, como o sistema límbico, hipotálamo e o córtex cerebral, podem influenciar na ventilação. De fato, fatores emocionais (como medo ou ansiedade) e fisiológicos (como dor ou febre) podem afetar a respiração. Esses fatores são mediados pelo sistema límbico e pelo hipotálamo, que ajustam a ventilação em resposta a estados emocionais e condições físicas. O córtex cerebral também pode influenciar a respiração, permitindo controle voluntário, como durante a fala, canto ou exercícios respiratórios. Agora que você conheceu como os gases são transportados no sangue e como ocorre a regulação da respiração, você é capaz de compreender a importância do conhecimento desses temas para uma boa atuação profissional. Vamos Exercitar? Agora que você conheceu e aprendeu como os gases são transportados no sangue e como ocorre a regulação da respiração, vamos retomar nossa situação-problema. Consideremos o caso de Pedro, um aluno de graduação na área da saúde que estava assistindo a um telejornal com sua família 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 60 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html quando uma reportagem informou que um atleta, durante o Campeonato Mundial de esqui, tinha sido pego no exame antidoping, sendo eliminado da competição. Segundo a reportagem, o atleta, um esquiador muito talentoso, vinha apresentando um desempenho excepcional, muito acima de suas performances anteriores. Após a realização dos testes antidoping, embora não houvesse vestígios de substâncias estranhas em seu organismo, foi descoberto que o atleta apresentava uma taxa de hemácias e hemoglobina extremamente elevada, muito acima da média observada para atletas de sua idade e sexo, indicando a utilização de doping sanguíneo, um método ilícito que altera o transporte de gases no sistema respiratório e, com isso, melhora a resistência e a performance atlética. O comitê organizador do evento, ao confirmar os resultados, considerou imprópria a participação do atleta nos jogos, levando à sua desqualificação imediata, com consequente perda de sua medalha de ouro. Ainda foi informado que o atleta enfrentará uma possível suspensão por dois anos, caso seja decidido pelo Comitê Antidoping da Federação Mundial de Esqui, o que trará prejuízos para sua carreira tão promissora. Pedro e seus familiares ficaram surpresos com a notícia veiculada, mas Pedro ficou muito curioso para entender qual seria a relação desse tipo de doping com alterações nas trocas gasosas, e como isso poderia melhorar o desempenho de um atleta. Agora você já é capaz de ajudarPedro! O doping sanguíneo é um método ilícito que envolve o aumento artificial da quantidade de hemácias (glóbulos vermelhos) no sangue. Isso pode ser feito por meio de transfusões sanguíneas ou pelo uso de substâncias como a eritropoetina (EPO), que estimulam a produção de hemácias na medula óssea. As 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 61 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html hemácias contêm hemoglobina, uma proteína essencial para o transporte de oxigênio. Quando a quantidade de hemoglobina no sangue é aumentada, a capacidade do sangue de transportar oxigênio também aumenta. Isso significa que mais oxigênio pode ser entregue aos músculos durante a atividade física, o que é especialmente benéfico para atletas de alta performance. Isso porque, durante o exercício, a demanda de oxigênio pelos músculos aumenta significativamente. A eficiência das trocas gasosas nos pulmões, onde o oxigênio é trocado pelo dióxido de carbono, é crucial para atender a essa demanda. Com mais hemoglobina disponível, o sangue pode transportar mais oxigênio para os músculos, melhorando a resistência e o desempenho atlético. Isso permite que o atleta mantenha uma alta intensidade de esforço por períodos mais longos, atrasando a fadiga. Apesar dos benefícios de desempenho, o doping sanguíneo é perigoso e antiético. Aumentar artificialmente a quantidade de hemácias no sangue pode aumentar a viscosidade sanguínea, o que eleva o risco de complicações cardiovasculares, como tromboses, derrames e ataques cardíacos. Saiba Mais O oxigênio, essencial para a produção de energia nas células, é captado nos pulmões e transportado pela corrente sanguínea até os tecidos do corpo. A eficiência desse transporte é crucial para o funcionamento adequado de órgãos e sistemas, especialmente durante atividades físicas intensas, quando a demanda por oxigênio aumenta significativamente. Para explorar mais sobre esse tema, leia a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual: 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 62 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html · SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. Cap. 18, p. 572-577. O transporte de dióxido de carbono no sangue é um processo crucial para a manutenção do equilíbrio ácido-base e a remoção de resíduos metabólicos do corpo. O dióxido de carbono, produzido pelas células durante a respiração celular, é transportado dos tecidos para os pulmões, onde é exalado. Esse transporte ocorre de três maneiras principais: dissolvido no plasma, ligado à hemoglobina e, predominantemente, na forma de íons bicarbonato. Para saber mais sobre o transporte de dióxido de carbono no sangue, leia a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual: · WEST, J. B.; LUKS, A. M. Fisiologia respiratória de West: princípios básicos. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2024. cap. 6, p. 100-103. A regulação da respiração é um processo vital controlado por centros respiratórios no cérebro, principalmente no bulbo e na ponte, que respondem a alterações nas concentrações de dióxido de carbono, oxigênio e do pH no sangue. Esses centros ajustam a frequência e a profundidade da respiração para manter a homeostase, assegurando que os tecidos recebam oxigênio adequado e que o dióxido de carbono seja eliminado de forma eficiente. A regulação precisa da respiração é crucial para a resposta a situações como exercício, estresse e mudanças ambientais, garantindo a saúde e o funcionamento adequado do organismo. 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 63 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html Para saber mais sobre a regulação da respiração, leia a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual: SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. Cap. 18, p. 580- 584. Referências Bibliográficas CURI, R.; PROCOPIO, J. Fisiologia básica. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. WEST, J. B.; LUKS, A. M. Fisiologia respiratória de West: princípios básicos. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2024. Encerramento da Unidade ASPECTOS MORFOLÓGICOS E FUNCIONAIS DO SISTEMA RESPIRATÓRIO 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 64 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html Videoaula de Encerramento Olá, estudante! Nesta videoaula, você irá continuar a jornada fascinante pelo sistema respiratório, explorando conceitos fundamentais para a sua prática profissional. Você já desvendou vários mistérios que envolvem esse sistema, seus componentes e seu funcionamento, e mergulhou no estudo de algumas patologias que podem acometer esse sistema. Agora, convidamos você a continuar nessa jornada! Assista à videoaula e descubra como conhecer o sistema respiratório pode transformar a sua prática profissional. Não perca! Ponto de Chegada Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é “capacidade de reconhecer e explicar os aspectos anatomofisiológicos do sistema respiratório”, você primeiramente conheceu os conceitos fundamentais sobre a morfologia funcional da árvore respiratória. Em seguida, conheceu a mecânica da 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 65 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html respiração, compreendendo como os músculos respiratórios e as propriedades elásticas e resistivas dos pulmões contribuem para a ventilação. Além disso, você compreendeu como ocorrem as trocas gasosas nos pulmões, analisando a importância das pressões parciais e da difusão de oxigênio e dióxido de carbono. Por fim, você conheceu como os gases são transportados no sangue e como é realizada a regulação da respiração, quais são as estruturas que participam desse processo e quais as suas funções, compreendendo como esses processos são controlados para manter a homeostase corporal. Desse modo, a discussão desses assuntos abordados ao longo da unidade permitiu consolidar seu entendimento a respeito e incentivá-lo a refletir sobre esses conteúdos e como se aplicam em seu contexto prático. É Hora de Praticar! A partir de agora, vamos acompanhar o caso de Ana, uma aluna de graduação na área da saúde que realiza estágio junto à equipe multidisciplinar do hospital de sua universidade. Nesta semana, durante a reunião de casos clínicos, foi discutido o caso da paciente M.M.S., 35 anos, que chegou ao hospital com sintomas agudos de dor torácica, falta de ar intensa e tosse. No exame clínico, a paciente apresentava cianose nas extremidades, taquicardia e uma queda significativa na saturação de oxigênio. Durante a anamnese, foi revelado que a paciente é fumante, usa anticoncepcional e começou a sentir uma dor em queimação na face medial da coxa direita há cerca de 10 dias. Nos últimos 2 dias, a dor piorou, e ela também começou a apresentar hipotensão postural e síncope. Diante desses sintomas, os 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 66 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html médicos suspeitaram de embolia pulmonar e solicitaram uma série de exames, incluindo tomografia computadorizada (TC) do tórax com angiografia. Os resultados confirmaram o diagnóstico de embolia pulmonar, mostrando a presença de coágulos obstruindo as artérias pulmonares. Imediatamente a paciente foi internada, e foi iniciadoo tratamento com anticoagulantes. Ana, curiosa sobre o caso, tinha várias dúvidas sobre o quadro da paciente: “O que é a embolia pulmonar e quais são suas causas mais comuns? Como os coágulos de sangue formados nas pernas podem viajar até os pulmões? Como o uso de anticoncepcional e o tabagismo contribuem para o risco de embolia pulmonar? Que alterações ocorreram para ocasionar falta de ar, taquicardia e queda na saturação de oxigênio na paciente?”. Estudante, como você responderia a todas essas dúvidas de Ana? Reflita Como a estrutura morfofuncional da árvore respiratória facilita a condução e a troca de gases? De que maneira a mecânica da respiração influencia a ventilação pulmonar e a eficácia das trocas gasosas? Quais são os mecanismos envolvidos no transporte de oxigênio e dióxido de carbono no sangue, e como a regulação da respiração ajusta esses processos para atender às necessidades metabólicas do corpo? Resolução do estudo de caso 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 67 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html Você já viu vários conceitos importantes a respeito do sistema respiratório. Você já sabe que cada componente desse sistema apresenta funções que contribuem para a manutenção da homeostase corporal. Você também já sabe que alterações no funcionamento dessas estruturas resultam em diferentes efeitos que podem causar prejuízo ao organismo, acarretando a instalação e desenvolvimento de patologias. Dentre as patologias associadas ao sistema respiratório, temos a embolia pulmonar, que ocorre quando há formação de trombos em grandes veias, os quais se deslocam até os pulmões, alojando-se e ocluindo a circulação pulmonar, normalmente, a artéria pulmonar. A obstrução da circulação pulmonar também pode ser ocasionada por extravasamento de gordura da medula óssea para o sangue quando ocorre a fratura de um osso longo ou durante uma cirurgia óssea, resultando na formação de um êmbolo que bloqueia o fluxo sanguíneo pulmonar, ou, ainda, quando o líquido amniótico entra na circulação materna com a ruptura das membranas no momento do parto. A embolia pulmonar geralmente é resultado de trombos formados nos membros inferiores ou superiores em quadros de trombose venosa profunda. Esses trombos viajam pela corrente sanguínea até os pulmões, alojando-se nas artérias pulmonares e causando obstrução do fluxo sanguíneo. Os sinais e sintomas mais comuns da embolia pulmonar incluem dor no tórax, dispneia, aumento da frequência respiratória e sensação de desmaio iminente ou desmaio. Com a agravamento pode haver febre baixa, tosse produtiva com expectoração de sangue e taquicardia. Em casos graves, a pressão arterial pode cair a valores perigosamente baixos, caracterizando o choque. A pele pode ficar fria, cianótica, e a pessoa pode ir a óbito. O uso de anticoncepcionais orais, especialmente aqueles contendo 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 68 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html estrogênio, aumenta o risco de formação de coágulos sanguíneos ao alterar o equilíbrio de fatores de coagulação. O tabagismo, por sua vez, danifica o endotélio vascular, favorecendo a agregação plaquetária e a formação de coágulos. Quando combinados, esses fatores potencializam o risco de trombose e subsequente embolia pulmonar. Quando os coágulos bloqueiam as artérias pulmonares, há uma redução súbita do fluxo sanguíneo para áreas dos pulmões, resultando em áreas ventiladas, mas não perfundidas. Isso causa um desequilíbrio na relação ventilação- perfusão, levando à hipoxemia (baixo nível de oxigênio no sangue). A falta de ar (dispneia) ocorre devido à incapacidade dos pulmões de oxigenar o sangue adequadamente. A taquicardia é uma resposta compensatória do corpo para tentar manter a perfusão tecidual adequada. A queda na saturação de oxigênio é uma consequência direta da hipoxemia resultante da obstrução arterial pulmonar. Dê o play! 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 69 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html Assimile Olá, estudante! Você está convidado a embarcar a partir de agora na jornada fascinante pelo sistema respiratório, explorando as informações ricas e instigantes presentes nesta animação. Aprecie e aproveite as informações sobre o percurso que o ar realiza no sistema respiratório, ficando disponível para as trocas gasosas acontecerem com efetividade! Vamos lá? Referências NORRIS, T. L. Porth: fisiopatologia. 10. Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. WEST, J. B.; LUKS, A. M. Fisiologia respiratória de West: princípios básicos. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2024. WEST, J. B.; LUKS, A. M. Fisiopatologia pulmonar de West: princípios básicos. 10. ed. Porto Alegre: Artmed, 2023. https://www.canva.com/design/DAGL6nCTVV8/0fTAa8ufH_rej-SEl7wUGw/edit?utm_content=DAGL6nCTVV8&utm_campaign=designshare&utm_medium=link2&utm_source=sharebuttonele continua pelos meatos nasais, sendo aquecido e umidificado, até chegar à região dos cóanos, de onde se move para a faringe. Esta é uma estrutura tubular cuja parede é formada por musculatura esquelética e revestida por mucosa. A faringe se estende dos cóanos até a laringe e o esôfago. É uma 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 7 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html estrutura compartilhada pelos sistemas respiratório e digestório, tendo como função a condução do ar (em direção à laringe) e dos alimentos deglutidos (em direção ao esôfago). A faringe pode ser dividida em: nasofaringe, orofaringe e laringofaringe. Desse modo, o ar se movimenta da nasofaringe (parte nasal da faringe) para a orofaringe (parte oral da faringe) e, em seguida, para a laringofaringe (parte laríngea da faringe). A faringe é revestida por uma mucosa formada por epitélio e espessa lâmina própria de tecido conjuntivo, na qual é possível há faixa espessa de fibras elásticas em sua região mais profunda. A nasofaringe é revestida por epitélio respiratório, enquanto a orofaringe e a laringofaringe possuem epitélio estratificado pavimentoso, devido à necessidade de resistência à abrasão durante a passagem de alimentos deglutidos. Externamente à mucosa há musculatura esquelética, que auxilia na deglutição. Seguindo o seu percurso pelo sistema respiratório, o ar inspirado sai da faringe e entra na laringe, uma estrutura que se estende da quarta à sexta vértebra cervical. A laringe é cilíndrica e estabilizada por músculos e ligamentos. A parede dessa estrutura é formada por nove cartilagens, três pares (aritenóideas, cuneiformes e corniculadas) e três ímpares (tireóidea, epiglótica e cricóidea). Duas estruturas a serem destacadas na laringe são a epiglote e as cordas vocais. A epiglote é formada pela cartilagem epiglótica e sua mucosa de revestimento. Anatomicamente, apresenta formato de folha e está situada na base da língua, cobrindo a entrada da laringe. Localizada na parte superior da laringe, atrás da língua e na frente da entrada da traqueia, a epiglote está conectada por ligamentos ao osso hioide e à cartilagem tireoide. Em repouso, a epiglote permanece ereta, 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 8 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html permitindo a passagem do ar para a laringe e, depois, para a traqueia. Durante a deglutição, ela se dobra para trás cobrindo a entrada da laringe, protegendo as vias aéreas. Dessa forma, impede que alimentos e líquidos entrem na traqueia e nos pulmões, redirecionando-os para o esôfago. Caso a epiglote não funcione corretamente, alimentos ou líquidos podem entrar na traqueia, levando à aspiração, que pode causar pneumonia e outras complicações respiratórias. Muitas vezes, a entrada de pequenas partículas de alimentos ou líquidos na laringe desencadeia o reflexo da tosse, na tentativa do organismo de expelir o material estranho. A membrana mucosa da laringe forma dois pares de pregas: 1) pregas vestibulares ou “pregas vocais falsas”, localizadas mais superiormente; e 2) pregas vocais ou “pregas vocais verdadeiras”, localizadas mais inferiormente. O espaço entre as pregas vestibulares é conhecido como rima do vestíbulo. Já o espaço entre as pregas vocais é chamado de rima da glote. As pregas vocais são altamente elásticas e estão envolvidas na produção do som. As pregas vestibulares não participam da produção do som, mas, quando se aproximam, permitem que se prenda a respiração, aumentando a pressão na cavidade torácica, como se observa quando um indivíduo se esforça para levantar um objeto pesado. Siga em Frente... A partir da laringe, o ar desce pela traqueia, um tubo cartilaginoso que mantém as vias aéreas abertas, realizando um papel essencial na condução do ar para os brônquios. A mucosa da traqueia é revestida por epitélio respiratório ciliado pseudoestratificado colunar, contendo células caliciformes 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 9 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html produtoras de muco. Sua lâmina própria de tecido conjuntivo pode apresentar glândulas mucosas. A traqueia se estende da laringe até a carina (no nível da margem superior da quinta vértebra torácica), onde se divide nos brônquios principais direito e esquerdo. Em adultos, a traqueia mede aproximadamente 10 a 12 cm de comprimento e cerca de 2 cm de diâmetro. Sua estrutura é composta por anéis de cartilagem hialina em forma de C incompletos, que proporcionam rigidez e evitam o colapso da traqueia durante a inspiração e a expiração. A parte aberta dos anéis está voltada para trás, permitindo a expansão do esôfago durante a deglutição. A região dorsal da traqueia, na qual não existe cartilagem, é coberta por uma camada de músculo liso que se insere no pericôndrio das cartilagens, proporcionando flexibilidade e ajuste no diâmetro da traqueia. Ao penetrar nos pulmões, os brônquios principais (primários) direito e esquerdo se dividem em brônquios menores, chamados brônquios lobares (secundários), um para cada lobo pulmonar. Estes, por sua vez, se ramificam, formando brônquios ainda menores, os brônquios segmentares (terciários), que suprem segmentos broncopulmonares específicos nos lobos. Os brônquios segmentares se dividem em bronquíolos, que vão se ramificando em bronquíolos gradativamente menores, até formar os bronquíolos terminais, que representam o final da zona de condução do sistema respiratório. Como a ramificação que ocorre da traqueia até os bronquíolos terminais é muito semelhante a uma árvore invertida, pode ser chamada de árvore respiratória ou bronquial. Conforme ocorre a ramificação na árvore respiratória, o epitélio pseudoestratificado colunar ciliado observado nos brônquios principais, nos brônquios lobares e brônquios 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 10 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html segmentares se tornam: 1) epitélio simples colunar ciliado com algumas células caliciformes nos bronquíolos mais calibrosos; 2) epitélio simples cúbico ciliado sem células caliciformes nos bronquíolos menores; e 3) epitélio simples cúbico não ciliado nos bronquíolos terminais. Outra modificação que ocorre na estrutura da árvore respiratória é a substituição gradual da cartilagem, que desaparece por completo nos bronquíolos. Por outro lado, a quantidade de músculo liso que circunda o lúmen aumenta, conforme a ramificação vai ocorrendo. No entanto, como não existe cartilagem de suporte nessa região, as vias respiratórias podem ser ocluídas por espasmos musculares decorrentes de uma crise asmática, que pode ser uma situação potencialmente fatal. Figura 2 | Árvore bronquial. Fonte: Tortora e Derrickson (2023, p. 900). Os bronquíolos terminais da árvore respiratória também se 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 11 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html ramificam, formando os bronquíolos respiratórios, que marcam o início da zona respiratória, onde as trocas gasosas irão ocorrer. A superfície interna dos bronquíolos respiratórios é revestida por um epitélio simples, inicialmente colunar baixo e depois cuboide, podendo apresentar cílios na porção inicial. Esse epitélio não tem células caliciformes, mas pode conter células em clava. As células em clava são células com uma base estreita que se alarga na superfície apical. Elas são não ciliadas, o que as distingue das células ciliadas do epitélio respiratório. As células em clava secretam uma variedadede proteínas e substâncias com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes e enzimas que participam da detoxificação de substâncias inaladas potencialmente nocivas, que ajudam a proteger o epitélio respiratório. O músculo liso e as fibras elásticas da parede dos bronquíolos respiratórios formam uma camada mais delgada do que a do bronquíolo terminal. Os bronquíolos respiratórios se abrem em ductos alveolares. Cerca de três a oito ductos alveolares se originam de cada bronquíolo respiratório, conduzindo o ar diretamente aos alvéolos, que são pequenas bolsas de ar revestidas por uma fina camada de células epiteliais e rodeadas por uma rede de capilares sanguíneos. É nos alvéolos que o oxigênio passa para o sangue e o dióxido de carbono é removido do sangue para ser expirado. Existem cerca de 300 a 500 milhões de alvéolos em cada pulmão, proporcionando uma enorme área de superfície total, essencial para a troca eficiente de gases. A parede dos alvéolos forma um arcabouço de tecido conjuntivo envolto por revestimento epitelial. Esse revestimento epitelial é formado por epitélio simples pavimentoso composto por 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 12 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html pneumócitos ou células alveolares do tipo I e pneumócitos ou células alveolares do tipo II. As células alveolares do tipo I são células planas e delgadas que cobrem cerca de 95% da superfície alveolar. Essas células são responsáveis pelas trocas gasosas. As células alveolares do tipo II são células mais arredondadas e cuboidais, responsáveis pela produção e secreção do surfactante pulmonar. O surfactante pulmonar é composto por uma mistura de fosfolipídios e lipoproteínas e sua principal função é reduzir a tensão superficial do líquido que reveste a superfície interna dos alvéolos, prevenindo o seu colapso durante a expiração e mantendo-os abertos para permitir trocas gasosas eficientes. Ao reduzir a tensão superficial, o surfactante aumenta a complacência dos pulmões, facilitando a expansão dos alvéolos durante a inspiração e diminuindo o trabalho necessário para respirar, tornando a respiração mais eficiente e menos fatigante. Na parede alveolar, também são encontrados os macrófagos alveolares, responsáveis pela fagocitose de partículas inaladas e microrganismos, atuando na defesa pulmonar. A parede alveolar é ricamente vascularizada por uma rede de capilares pulmonares que estão em íntimo contato com a superfície alveolar, permitindo que as trocas gasosas ocorram com bastante eficiência. Assim, as paredes dos alvéolos pulmonares e dos capilares, que juntos formam a membrana respiratória, permitem que a troca de oxigênio e gás carbônico entre os alvéolos e o sangue ocorra por difusão. A membrana respiratória é formada pelas seguintes camadas: 1) epitélio alveolar, formado por uma camada de células alveolares I e II e macrófagos alveolares; 2) uma membrana basal sob o epitélio alveolar, que constitui uma camada de matriz extracelular, que fornece suporte estrutural para as células epiteliais; 3) uma membrana basal capilar que, com frequência, 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 13 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html está fundida à membrana basal epitelial; e 4) endotélio capilar, formado por células endoteliais dos capilares pulmonares. Os pulmões também fazem parte do sistema respiratório. Eles estão situados na cavidade torácica, protegidos pela caixa torácica, e neles os brônquios principais se inserem, iniciando uma sequência de ramificações, formando outros brônquios e bronquíolos menores, assim como ductos alveolares e alvéolos. Cada pulmão tem uma forma cônica, com uma base que repousa sobre o diafragma e um ápice que se estende até a base do pescoço. O pulmão direito é ligeiramente maior e mais pesado do que o esquerdo e é dividido em três lobos (superior, médio e inferior). O pulmão esquerdo possui dois lobos (superior e inferior) e uma concavidade que acomoda o coração, denominada incisura cardíaca. Devido à presença dessa concavidade, o pulmão esquerdo é cerca de 10% menor que o direito. No pulmão direito, os lobos superior e médio são separados pela fissura horizontal, enquanto os lobos médio e inferior são separados pela fissura oblíqua. Os pulmões são revestidos por uma membrana serosa chamada pleura, que possui duas camadas: a pleura visceral, que adere à superfície dos pulmões, e a pleura parietal, que reveste a cavidade torácica. Entre essas duas camadas existe um espaço denominado cavidade pleural, que contém uma pequena quantidade de líquido pleural. Este líquido reduz o atrito durante os movimentos respiratórios e mantém as duas camadas pleurais aderidas uma à outra. Volumes e capacidades pulmonares Os volumes e capacidades pulmonares são medidas que descrevem a quantidade de ar nos pulmões durante a respiração 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 14 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html (inspiração e expiração). Essas medidas são fundamentais para avaliar a função pulmonar e diagnosticar condições respiratórias. Podem ser mensuradas com o uso de um aparelho denominado espirômetro. Os volumes respiratórios são: · Volume corrente (VC): volume de ar inspirado ou expirado em uma respiração normal de um indivíduo em repouso. Em média, é cerca de 500 ml em um adulto saudável. · Volume de reserva inspiratório (VRI): volume adicional de ar que pode ser inspirado além do volume corrente, após uma inspiração normal. Geralmente, é aproximadamente 3100 ml para um homem adulto saudável. · Volume de reserva expiratório (VRE): volume adicional de ar que pode ser expirado após uma expiração normal, além do volume corrente. Normalmente, é cerca de 1200 ml para um homem adulto saudável. · Volume residual (VR): volume de ar que permanece nos pulmões após uma expiração máxima. Este volume não pode ser medido diretamente com um espirômetro e é aproximadamente 1200 ml nos homens. As capacidades pulmonares são combinações de dois ou mais volumes pulmonares. · Capacidade vital: é a soma do volume de reserva inspiratória, volume corrente e volume de reserva expiratória. Em média, 4800 ml. Representa a quantidade máxima de ar que pode ser voluntariamente movida para dentro ou para fora do sistema respiratório a cada respiração. 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 15 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html · Capacidade inspiratória: é a soma do volume corrente e volume de reserva inspiratória. Em média, 3600 ml. Representa a quantidade máxima de ar que pode ser inspirada após uma expiração normal. · Capacidade residual funcional: é a soma do volume residual e volume de reserva expiratória. Aproximadamente, 2400 ml. · Capacidade pulmonar total: é a soma da capacidade vital e o volume residual. Aproximadamente, 6000 ml. Figura 3 | Volumes e capacidades pulmonares.Fonte: Tortora e Derrickson (2023, p. 915). Agora que você conheceu as principais características morfológicas do sistema respiratório, você é capaz de compreender a importância do conhecimento desses temas para uma boa atuação profissional. Vamos Exercitar? Agora que você conheceu e aprendeu a respeito das principais características morfológicas do sistema respiratório, bem como a 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 16 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html importância dos componentes desse sistema para o funcionamento do corpo humano,vamos retomar à nossa situação-problema. A partir de agora, vamos considerar o caso de João e seus amigos, Tiago e Pedro. Os três amigos são ciclistas profissionais e estavam treinando intensamente em uma rodovia para uma competição importante que aconteceria em poucas semanas. Durante um dos treinos, foram abordados por quatro indivíduos que os assaltaram violentamente. No confronto, João acabou sendo esfaqueado na região do tórax. Ferido e em estado de choque, João foi rapidamente socorrido por seus amigos que conseguiram chamar o resgate especializado. João foi levado ao pronto-socorro da cidade mais próxima e, ao chegar ao hospital, apresentava dificuldade para respirar, taquicardia, dor intensa no peito e cianose. Após exame clínico e de imagem, os médicos chegaram ao diagnóstico de pneumotórax. Os médicos, então, comunicaram aos amigos de João sobre seu quadro clínico e explicaram que João estava com um pneumotórax, uma situação que exigiria intervenções médicas urgentes para estabilizar sua respiração e evitar complicações maiores. Com base nessas informações, caro estudante, agora você já é capaz de explicar: “O que é o pneumotórax? Quais estruturas anatômicas do sistema respiratório poderiam ser diretamente afetadas por uma lesão no tórax, como a de João? De que maneira o pneumotórax pode alterar os volumes e as capacidades pulmonares de João, e quais são os possíveis impactos no seu desempenho respiratório e na sua recuperação?”. Vamos lá? Primeiramente, é importante destacar que o sistema respiratório tem como função principal promover as trocas gasosas, 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 17 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html permitindo a entrada de oxigênio e a saída de dióxido de carbono do organismo. Em um trauma torácico como o de João, várias estruturas do sistema respiratório podem ser diretamente afetadas, como a pleura e os pulmões. Tanto a pleura visceral (que cobre os pulmões) quanto a parietal (que reveste a cavidade torácica) podem ser perfuradas ou rasgadas, permitindo a entrada de ar no espaço pleural. O parênquima pulmonar, ou tecido pulmonar, também pode ser danificado, resultando em lacerações que permitem a fuga de ar para a cavidade pleural. Assim, estabelece-se um quadro de pneumotórax, uma condição em que o ar se acumula no espaço pleural, podendo causar o colapso parcial ou total do pulmão afetado, impedindo-o de se expandir adequadamente durante a respiração. O pneumotórax pode ter um impacto significativo nos volumes e capacidades pulmonares. Pode alterar o volume corrente, que pode ser drasticamente reduzido devido ao colapso do pulmão afetado, resultando em menor quantidade de ar mobilizado durante a respiração normal. A capacidade vital, que inclui o volume corrente, volume de reserva inspiratória e volume de reserva expiratória, também será reduzida, uma vez que o pulmão colapsado não contribui para a capacidade respiratória total. O pneumotórax pode aumentar a capacidade residual funcional se o ar preso no espaço pleural criar uma pressão que impeça o colapso completo dos pulmões. Já a capacidade pulmonar total será reduzida, pois o pulmão colapsado não pode se expandir completamente. Assim, no pneumotórax, o indivíduo apresentará dificuldade para respirar (dispneia) devido à incapacidade do pulmão afetado de se expandir corretamente, o que levará a uma oxigenação inadequada do sangue, resultando em cianose (coloração azulada da pele) e taquicardia (aumento da frequência cardíaca), na 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 18 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html tentativa do organismo de compensar a falta de oxigênio nos tecidos. A dor intensa que o indivíduo acometido sente no peito acaba agravando a dificuldade respiratória, uma vez que, com dor, o indivíduo evita inspirar profundamente, comprometendo ainda mais a ventilação. O tratamento do pneumotórax geralmente envolve a inserção de um tubo torácico para drenar o ar acumulado e permitir que o pulmão volte a expandir. Além disso, é realizado um monitoramento dos volumes e capacidades pulmonares para garantir que o pulmão recupere sua função total. Saiba Mais A árvore respiratória inicia com a bifurcação da traqueia formando os brônquios principais. Estes, por sua vez, ramificam-se em brônquios lobares e segmentares, levando a bronquíolos cada vez menores até a formação dos alvéolos. Boa parte dessa árvore respiratória atua conduzindo o ar para que alcance os alvéolos, onde as trocas gasosas acontecem. Assim, cada estrutura tem sua importância para a manutenção do funcionamento adequado do sistema respiratório e, consequentemente, do organismo como um todo. Para saber mais sobre a estrutura e importância da árvore respiratória, leia a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual: · TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. cap. 23, p. 899-908. Dentre os aspectos histológicos do sistema respiratório, é 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 19 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html importante destacar o epitélio respiratório, predominantemente ciliado e colunar, e que reveste a maior parte das vias aéreas, auxiliando na remoção de partículas e patógenos por meio do movimento ciliar e da produção de muco. Contudo, as características dessa estrutura não são estáticas, elas mudam conforme esse epitélio vai se aprofundando nas regiões mais profundas do sistema respiratório. Assim, nos bronquíolos e alvéolos, o epitélio respiratório muda para se adaptar às funções específicas de condução e troca gasosa. A compreensão dessas e de outras características histológicas do sistema respiratório é fundamental para o entendimento funcional desse sistema, bem como para o diagnóstico e tratamento de diversas doenças respiratórias. Para saber mais sobre a histologia do sistema respiratório, leia a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual: · ABRAHAMSOHM, P. Sistema circulatório. In: JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. cap. 17, p. 367-384. Volumes e capacidades pulmonares são medidas que descrevem a quantidade de ar nos pulmões durante diferentes fases do ciclo respiratório. Volumes, como o volume corrente (VC), volume de reserva inspiratória (VRI) e volume de reserva expiratória (VRE), representam a quantidade de ar movimentada em situações específicas de respiração. Capacidades, como a capacidade vital (CV) e a capacidade pulmonar total (CPT), combinam diferentes volumes para fornecer uma visão mais abrangente da função pulmonar. Essas medidas são essenciais para avaliar a saúde 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 20 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html respiratória, diagnosticar doenças pulmonares e monitorar a eficácia de tratamentos, proporcionando uma compreensão detalhada da eficiência ventilatória e da troca gasosa no organismo. Para explorar mais sobre esse tema, leia a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual: SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. Cap. 17, p. 544- 546. Referências Bibliográficas JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia. 16. ed. Rio de Janeiro:Guanabara Koogan, 2023. WAUGH, A. Ross & Wilson: anatomia e fisiologia integradas. 13 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. WEST, J. B.; LUKS, A. M. Fisiologia respiratória de West: princípios básicos. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2024. 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 21 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html Aula 2 MECÂNICA DA RESPIRAÇÃO Mecânica da respiração Olá, estudante! Nesta videoaula você irá conhecer os músculos da respiração e como eles participam da ventilação pulmonar. Além disso, você compreenderá as propriedades elásticas e resistivas dos pulmões, bem como quais são os diferentes tipos e padrões de respiração, e como esses conceitos se aplicam ao seu dia a dia profissional. Prepare-se para essa jornada de conhecimento! Vamos lá! Ponto de Partida 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 22 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html Nessa aula, você, estudante, continuará o estudo do sistema respiratório. Você conhecerá detalhadamente os músculos da respiração e seus papéis na ventilação pulmonar. Você também irá compreender as propriedades elásticas e resistivas dos pulmões e como podem influenciar os padrões de ventilação, tanto em situações normais quanto em situações patológicas. Você está convidado a explorar mais a respeito do sistema respiratório e descobrir como aplicar esses conceitos no seu dia a dia profissional. Vamos lá? A partir de agora, você acompanhará Pedro, um aluno de graduação na área da saúde. Pedro é estagiário junto à equipe multidisciplinar que atende no hospital de sua universidade. Nesse momento, Pedro está acompanhando a discussão do caso clínico do paciente J.M.R, 75 anos, que chegou ao pronto-socorro queixando-se de dispneia grave e que se agravou nas últimas semanas. O paciente é fumante há mais de 50 anos e, apesar de ter reduzido o número de cigarros nos últimos tempos, ainda mantém o hábito. Além da dificuldade para respirar, ele apresenta tosse seca persistente, fadiga extrema e perda de peso significativa. Seus familiares relatam que ele tem tido dificuldade para realizar atividades simples, como subir escadas e caminhar curtas distâncias. No exame clínico, apresenta cianose nos lábios e extremidades, sinais de insuficiência respiratória, sons crepitantes bilaterais na ausculta pulmonar e um aumento da frequência respiratória. A oximetria de pulso revela uma saturação de oxigênio de 85% em ar ambiente. O histórico médico do paciente não inclui doenças cardíacas significativas, mas menciona episódios de infecções respiratórias recorrentes. São solicitados exames como tomografia computadorizada de alta 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 23 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html resolução (TCAR), espirometria e gasometria arterial. A TCAR revela padrões de opacidades em vidro fosco e áreas de fibrose nas bases pulmonares, características de fibrose pulmonar idiopática (FPI). A gasometria arterial confirma hipoxemia severa. A espirometria mostra uma redução nos volumes e capacidades pulmonares com preservação dos fluxos aéreos, achados característicos de padrão restritivo. Como de costume, o caso clínico apresentado foi utilizado para discussão dos procedimentos realizados, e para que os estagiários relembrassem conceitos anatômicos e funcionais importantes sobre os diferentes sistemas corporais. Nesse momento, o foco da discussão era o sistema respiratório, dado o diagnóstico da doença apresentada pelo paciente. O supervisor da equipe aproveita o momento e levanta os seguintes questionamentos a Pedro e seus colegas: “O que é fibrose pulmonar idiopática? Quais são suas manifestações clínicas típicas? Como o tabagismo pode ter contribuído para a condição? Como a fibrose altera as propriedades elásticas e resistivas dos pulmões? Como isso pode influenciar no padrão ventilatório do paciente?”. Você, no lugar de Pedro, como responderia a todos esses questionamentos? Vamos Começar! A ventilação ou respiração é a troca de massa de ar entre os alvéolos e a atmosfera. Cada ciclo respiratório envolve uma inspiração (entrada de ar para dentro dos pulmões) seguida de uma expiração (saída de ar dos pulmões para o meio externo), processos fundamentais para que as trocas gasosas aconteçam. Todo esse processo envolve a interação coordenada de diferentes 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 24 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html estruturas anatômicas e funcionais, incluindo os pulmões, a cavidade torácica, os músculos respiratórios e o sistema nervoso central. Músculos da respiração e mecânica respiratória Na inspiração, o principal músculo envolvido é o diafragma, uma lâmina muscular fina, em forma de cúpula, inserida nas costelas inferiores e que separa a cavidade torácica da abdominal. Esse músculo é suprido pelos nervos frênicos, oriundos dos segmentos cervicais 3, 4 e 5. Quando o diafragma se contrai na inspiração, o conteúdo abdominal é forçado para baixo e para frente e, com isso, a caixa torácica aumenta em sua dimensão vertical, e as margens costais se elevam e se movimentam para fora, aumentando o diâmetro transverso do tórax. Na inspiração normal, o diafragma se move cerca de 1 cm; contudo, na inspiração forçada, ele pode se mover até́ 10 cm. Os músculos intercostais externos, localizados entre as costelas e que interligam umas às outras, também participam da inspiração normal. Esses músculos são supridos pelos nervos intercostais, que emergem do primeiro ao décimo primeiro segmentos torácicos da medula espinhal. Quando os músculos intercostais externos se contraem, as costelas são tracionadas para cima e para a frente, promovendo o aumento dos diâmetros lateral e anteroposterior do tórax. A dimensão lateral da caixa torácica também aumenta devido ao movimento de “alça de balde” das costelas. Caso haja perda da função desses músculos, não há grandes prejuízos para a respiração devido à eficiência do diafragma. 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 25 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html Figura 1 | Músculos da inspiração. Fonte: adaptada de Wikimedia Commons. Dentro desse panorama, é importante destacar que, na inspiração, para que o ar possa se mover para dentro dos alvéolos, a pressão dentro dos pulmões precisa ser mais baixa do que a pressão atmosférica. Quando o diafragma contrai, devido a impulsos nervosos provenientes do sistema nervoso central (SNC) que chegam ao diafragma via nervos frênicos, promove a expansão da caixa torácica, aumentando o seu volume e, consequentemente, diminuindo a pressão alveolar, permitindo o deslocamento do ar para dentro dos alvéolos. Ao mesmo tempo, os músculos intercostais externos também se contraem, por ativação de impulsos nervosos que chegam do SNC via nervos intercostais, expandindo ainda mais a caixa torácica. Este 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 26 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html aumento no volume torácico reduz a pressão, que fica menor que a pressão atmosférica, permitindo que o ar flua para os alvéolos. Ao final da inspiração, a pressão alveolar se torna igual à pressão atmosférica e o ar para de fluir em direção aos alvéolos. Esse evento é sinalizado para o SNC, cessando o envio de impulsos nervosos para os músculos da inspiração e, consequentemente, levando ao relaxamento dos músculos inspiratóriose início da expiração. Na inspiração forçada ou ativa, além da contração do diafragma e intercostais externos, outros músculos também podem contrair e participar desse processo. Esses são denominados músculos acessórios da inspiração e incluem os músculos escalenos e os esternocleidomastóideos. Os músculos escalenos promovem a elevação das duas primeiras costelas, enquanto os esternocleidomastóideos elevam o esterno, expandindo o volume da cavidade torácica. Durante a respiração forçada, como no exercício físico ou durante uma crise de asma, esses músculos podem se contrair de forma potente, auxiliando na inspiração. Figura 2 | Ventilação pulmonar. Fonte: adaptada de Silverthorn (2017, p. 547). 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 27 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html A expiração normal, diferentemente da inspiração, é um processo passivo resultado do relaxamento dos músculos inspiratórios. Nesse caso, como o pulmão e a parede torácica são elásticos, tendem a retornar às suas posições iniciais ou posição de repouso após serem ativamente expandidos durante a inspiração. Com a diminuição do volume da caixa torácica, a pressão alveolar aumenta, forçando o ar a sair dos pulmões para o meio externo. Assim, com o relaxamento desses músculos se estabelece a expiração normal. No entanto, durante o exercício físico e hiperventilação voluntária, a expiração pode ser ativa, pois se trata de uma expiração forçada. Os músculos que participam da expiração forçada são os que compõem a parede abdominal, como o reto abdominal, oblíquos internos e externos e o transverso do abdome, cuja contração empurra o diafragma para cima, diminuindo ainda mais o volume da caixa torácica e, dessa forma, potencializando a expiração. A expiração ativa também envolve a participação dos músculos intercostais internos, que auxiliam tracionando as costelas para baixo e para dentro, diminuindo o volume torácico, que aumenta a pressão alveolar, forçando o ar a sair dos pulmões para o meio externo. Durante a expiração forçada, os músculos adicionais se contraem, expelindo o ar com mais força e rapidez. Siga em Frente... Complacência e elasticidade pulmonar A eficiência da ventilação depende da habilidade dos pulmões de se expandirem normalmente e de manterem uma baixa resistência ao fluxo de ar. A maior parte do trabalho respiratório 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 28 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html (energia gasta para a ventilação) é gasto para superar a resistência elástica dos pulmões e da caixa torácica ao estiramento. A complacência pulmonar é uma medida da capacidade dos pulmões de se expandirem. Pode ser avaliada medindo a relação entre o volume de ar nos pulmões e a pressão aplicada nos pulmões para inflá-los. A complacência pulmonar pode ser avaliada medindo-se a relação entre o volume de ar nos pulmões e a pressão aplicada para inflá-los. Uma complacência alta indica que o pulmão se expande facilmente com pouca pressão, enquanto uma complacência baixa indica que o pulmão é mais rígido e requer maior pressão para se expandir, ou seja, requer maior força dos músculos inspiratórios para ser estirado. A redução da complacência é ocasionada por aumento de tecido fibroso no pulmão (fibrose pulmonar). Algumas condições, como no edema alveolar, no qual a insuflação de alguns alvéolos está dificultada, também podem diminuir a complacência pulmonar. Os pulmões são compostos por tecido elástico, que permite que eles se expandam e se contraiam. Este tecido elástico inclui fibras de elastina e colágeno, que proporcionam resistência e flexibilidade aos pulmões. Quando a elasticidade está comprometida, como em doenças como a fibrose pulmonar, a complacência pulmonar diminui, tornando mais difícil a expansão dos pulmões. Em condições como enfisema, a complacência pulmonar está aumentada devido à destruição das fibras elásticas, resultando em pulmões que se expandem facilmente durante a inspiração, mas não se retraem adequadamente, devido à elasticidade diminuída, dificultando a expiração. Além da elasticidade do tecido pulmonar, outro fator que influencia na 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 29 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html complacência é a tensão superficial. Os alvéolos são revestidos por uma fina camada de líquido que cria uma tensão superficial, dificultando sua expansão. O surfactante, produzido pelas células alveolares tipo II, reduz essa tensão superficial, facilitando a expansão dos alvéolos. De fato, a redução da tensão superficial nos alvéolos aumenta a complacência do pulmão e reduz o trabalho de sua expansão a cada respiração. Em condições como a síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido, em que a produção de surfactante é insuficiente, a complacência pulmonar é significativamente reduzida. Como mencionado anteriormente, a complacência influencia o trabalho respiratório. Quanto maior a complacência, menor o trabalho respiratório. Outro fator que influencia o trabalho respiratório é a resistência das vias aéreas ao fluxo de ar. A resistência das vias aéreas é a oposição ao fluxo de ar dentro das vias respiratórias. A resistência é influenciada por vários fatores, incluindo o diâmetro das vias aéreas, o tônus dos músculos lisos, a presença de secreções e inflamação, e irregularidades na superfície das vias aéreas. Assim, fatores que aumentam essa resistência incluem o estreitamento das vias aéreas, inflamação, secreções excessivas e espasmos dos músculos lisos das vias aéreas, como observado em condições como asma e bronquite crônica. Desse modo, quanto maior resistência ao fluxo de ar, mais esforço muscular é necessário para mover o ar para dentro e para fora dos pulmões, o que pode levar a sintomas como falta de ar e dificuldade respiratória. Em condições como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), a resistência aumentada pode reduzir a capacidade respiratória, tornando necessário o uso de broncodilatadores, que relaxam os músculos lisos das vias 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 30 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html aéreas e reduzem a resistência, ou de anti-inflamatórios, que reduzem a inflamação e a produção de muco, melhorando o fluxo de ar. Tipos e padrões de ventilação Existem diferentes formas e características da ventilação, chamadas tipos e padrões ventilatórios. Estes podem ser influenciados por uma variedade de fatores, como a saúde respiratória, o nível de atividade física e a presença de condições patológicas. Dentre os principais tipos e padrões de ventilação, temos: · Eupneia: respiração normal em repouso, caracterizada por uma frequência respiratória dentro dos valores normais (aproximadamente 12-20 respirações por minuto em adultos). · Hiperpneia: aumento da frequência ventilatória e/ou do volume ventilatório em resposta ao aumento do metabolismo. Pode ser observada, por exemplo, durante exercícios físicos intensos. · Taquipneia: respiração rápida; normalmente com frequência ventilatória aumentada com diminuição da amplitude. Pode ser causada por febre, ansiedade, dor ou doenças pulmonares. · Dispneia: dificuldade de respirar ou sensação de falta de ar. Pode ser um sintoma de várias condições respiratórias, como asma, insuficiência cardíaca ou DPOC. · Apneia: cessação temporária da respiração. Pode ser causada por obstruções nas vias aéreas, depressão do sistema 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 31 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.htmlnervoso central ou distúrbios neuromusculares. A apneia pode levar a uma queda nas concentrações de oxigênio e um aumento nas concentrações de dióxido de carbono no sangue. · Hipoventilação: diminuição da ventilação alveolar. Pode ser ocasionada por asma ou doença pulmonar restritiva. Nesse caso, a ventilação é insuficiente para satisfazer as necessidades metabólicas do corpo, resultando em uma retenção excessiva de dióxido de carbono e uma redução nas concentrações plasmáticas de oxigênio, podendo levar à acidose respiratória. · Hiperventilação: aumento da frequência ventilatória e/ou do volume sem aumento do metabolismo. Pode levar à eliminação excessiva de dióxido de carbono e uma redução nas concentrações de dióxido de carbono no sangue, resultando em alcalose respiratória. Pode ser desencadeada por ansiedade, febre ou condições metabólicas. Agora que você conheceu as principais características dos músculos da respiração e como as propriedades elásticas e resistivas dos pulmões podem influenciar nos diferentes tipos e padrões da respiração, você é capaz de compreender a importância do conhecimento desses temas para uma boa atuação profissional. Vamos Exercitar? Agora que você conheceu e aprendeu a respeito as principais características dos músculos da respiração e como as propriedades elásticas e resistivas dos pulmões podem influenciar 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 32 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html nos diferentes tipos e padrões da respiração, vamos retomar nossa situação-problema. Consideremos o caso de Pedro, um aluno de graduação na área da saúde, que realiza estágio junto à equipe multidisciplinar de sua instituição. Nesse momento, Pedro está acompanhando a discussão do caso clínico do paciente J.M.R, 75 anos, que chegou ao pronto-socorro queixando-se de dispneia grave e que se agravou nas últimas semanas. O paciente é fumante há mais de 50 anos e, apesar de ter reduzido o número de cigarros nos últimos tempos, ainda mantém o hábito. Além da dificuldade para respirar, ele apresenta tosse seca persistente, fadiga extrema e perda de peso significativa. Seus familiares relatam que ele tem tido dificuldade para realizar atividades simples, como subir escadas e caminhar curtas distâncias. No exame clínico, apresenta cianose nos lábios e extremidades, sinais de insuficiência respiratória, sons crepitantes bilaterais na ausculta pulmonar e um aumento da frequência respiratória. A oximetria de pulso revela uma saturação de oxigênio de 85% em ar ambiente. O histórico médico do paciente não inclui doenças cardíacas significativas, mas menciona episódios de infecções respiratórias recorrentes. São solicitados exames como tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR), espirometria e gasometria arterial. A TCAR revela padrões de opacidades em vidro fosco e áreas de fibrose nas bases pulmonares, características de fibrose pulmonar idiopática (FPI). A gasometria arterial confirma hipoxemia severa. A espirometria mostra uma redução nos volumes e capacidades pulmonares com preservação dos fluxos aéreos, achados característicos de padrão restritivo. Como de costume, o caso clínico apresentado foi utilizado para discussão dos procedimentos realizados, e também para que os estagiários 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 33 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html relembrassem conceitos anatômicos e funcionais importantes sobre os diferentes sistemas corporais. Nesse momento, o foco da discussão era o sistema respiratório, dado o diagnóstico da doença apresentada pelo paciente. O supervisor da equipe aproveita o momento e levanta os seguintes questionamentos a Pedro e seus colegas: “O que é fibrose pulmonar idiopática? Quais são suas manifestações clínicas típicas? Como o tabagismo pode ter contribuído para a condição? Como a fibrose altera as propriedades elásticas e resistivas dos pulmões? Como isso pode influenciar no padrão ventilatório do paciente?”. Agora, você já é capaz de ajudar Pedro e seus colegas a responderem aos questionamentos do supervisor. Vamos lá? A fibrose pulmonar idiopática é um tipo de doença pulmonar intersticial, caracterizada por inflamação crônica das paredes alveolares, resultando em fibrose progressiva e difusa, com consequente destruição da arquitetura normal, um padrão conhecido como doença pulmonar restritiva. Como o pulmão fica rígido devido à formação de tecido cicatricial, a fibrose pulmonar idiopática acarreta aumento da retração elástica do pulmão, diminuição da complacência (dificuldade de se expandir), diminuição dos volumes pulmonares (capacidade pulmonar total, capacidade vital, capacidade residual funcional, volume corrente), alterando a ventilação e aumentando o trabalho dos músculos respiratórios, enquanto os fluxos aéreos podem ser preservados. Além disso, ocorrem lesões vasculares obliterantes e destrutivas que acabam prejudicando a perfusão pulmonar e as trocas gasosas. As causas da fibrose pulmonar idiopática são desconhecidas, e ela afeta principalmente indivíduos com mais de 50 anos de idade. A doença apresenta início insidioso, ao longo 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 34 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html de meses e anos, com dispneia que se agrava progressivamente frente a esforços físicos. O indivíduo apresenta respiração rápida e superficial, tosse seca e persistente. O paciente pode aumentar a frequência respiratória para compensar a redução na capacidade de expansão dos pulmões e melhorar a oxigenação. Isso é visível na observação de uma frequência respiratória elevada. Com a progressão da doença, a dispneia pode ocorrer mesmo em repouso, as concentrações de oxigênio no sangue levando a uma tonalidade azulada da pele (cianose), e as extremidade dos dedos ficam mais espessas ou adquirem forma de baqueta de tambor. A cianose, ou coloração azulada dos lábios e extremidades, e a presença de estertores crepitantes bilaterais na ausculta pulmonar são evidências adicionais de hipoxemia severa e insuficiência respiratória. Em estágios tardios, pode ocorrer hipertensão pulmonar. O tabagismo é um fator de risco significativo para fibrose pulmonar idiopática, pois pode exacerbar a inflamação e o dano pulmonar, contribuindo para a progressão da fibrose. Saiba Mais Os músculos da respiração são essenciais para a ventilação pulmonar. O diafragma é o principal músculo responsável pela inspiração, porém, é auxiliado pelos músculos intercostais externos, que complementam expansão da caixa torácica. Durante exercícios físicos ou em situações de demanda respiratória aumentada, os músculos acessórios, como os escalenos e esternocleidomastóideos, também são recrutados. Esses músculos garantem a movimentação eficiente do ar para dentro e fora dos pulmões, promovendo a troca gasosa 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 35 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html necessária para a oxigenação do sangue e a remoção de dióxido de carbono. A compreensão da função de cada músculo da respiração é vital para a prática clínica, especialmente no manejo de condições respiratórias que afetam a mecânica da respiração. Para saber mais sobre os músculos da respiração e como trabalham para a manutenção da ventilação pulmonar, leia a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual: · TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. cap. 23, p. 910-912. As propriedades elásticas e resistivas dos pulmões são fundamentaispara a mecânica respiratória eficiente. A elasticidade pulmonar, ou complacência, permite que os pulmões se expandam e se contraiam facilmente durante a inspiração e expiração, facilitando a troca gasosa. A resistência das vias aéreas influencia a facilidade com que o ar flui através do sistema respiratório. Juntas, essas propriedades determinam o esforço necessário para respirar e a eficácia da ventilação. Alterações nessas características, como ocorre em doenças respiratórias crônicas, podem levar a dificuldades respiratórias significativas, impactando diretamente a saúde e a qualidade de vida do indivíduo. Para saber mais sobre as propriedades elásticas e resistivas dos pulmões, leia a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual: · WEST, J. B.; LUKS, A. M. Fisiologia respiratória de West: princípios básicos. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2024. cap. 7, p. 119-136. 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 36 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html Os tipos e padrões de ventilação, como hipoventilação, hiperventilação, apneia, dispneia, taquipneia e hiperpneia, são cruciais para a avaliação da função respiratória. A grosso modo, a hipoventilação é a ventilação insuficiente, enquanto hiperventilação é a ventilação excessiva. Apneia refere-se à ausência de respiração temporária, e dispneia é a sensação de falta de ar. Taquipneia é a respiração rápida e superficial, enquanto hiperpneia é a respiração profunda e rápida. Compreender esses padrões é essencial para o diagnóstico e tratamento de diversas condições respiratórias e para garantir a ventilação adequada, promovendo a troca eficiente de gases e a manutenção da homeostase. Para explorar mais sobre o assunto, leia a seguinte obra disponível na Biblioteca Virtual: SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. Cap. 17, p. 553- 556. Referências Bibliográficas CURI, R.; PROCOPIO, J. Fisiologia básica. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. WEST, J. B.; LUKS, A. M. Fisiologia respiratória de West: 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 37 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html princípios básicos. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2024. WEST, J. B.; LUKS, A. M. Fisiopatologia pulmonar de West: princípios básicos. 10. ed. Porto Alegre: Artmed, 2023. Aula 3 TROCAS GASOSAS NOS PULMÕES Trocas gasosas nos pulmões Olá, estudante! Nesta videoaula, você irá conhecer os gases respiratórios, quais são e como se difundem através da membrana respiratória. Além disso, você compreenderá como é o fluxo sanguíneo pulmonar nas trocas gasosas. Prepare-se para uma jornada fascinante que irá transformar sua visão sobre a fisiologia respiratória e aprimorar suas habilidades práticas! Vamos lá! 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 38 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html Ponto de Partida Nessa aula, você, estudante, continuará o estudo do sistema respiratório. Você conhecerá detalhadamente os gases respiratórios, suas concentrações e pressões parciais. Também compreenderá como ocorre a difusão dos gases através da membrana respiratória e a importância desse evento para a manutenção da homeostasia corporal. Além disso, você irá compreender o papel do fluxo sanguíneo na eficiência das trocas gasosas. Você está convidado a embarcar nessa jornada de conhecimento e entender como esses conceitos podem ser aplicados ao seu cotidiano profissional. Vamos lá? A partir de agora, você acompanhará Pedro, um aluno de graduação na área da saúde. Pedro é estagiário junto à equipe multidisciplinar que atende no hospital de sua instituição de ensino. Nessa semana, enquanto Pedro aguardava para iniciar suas atividades de estágio, começou a conversar com um senhor no corredor do ambulatório. O senhor de 68 anos comentou que era fumante desde os 15 anos e que, por volta dos 45 anos de idade, começou a apresentar tosse e catarro, mas não deu importância, pois achava que era apenas por causa do cigarro. Por volta dos 55 anos, começou a sentir falta de ar, mas achava que era por conta da idade e, por conta disso, começou a diminuir as atividades físicas que realizava. Geralmente jogava futebol com os amigos duas vezes por semana. Próximo aos 63 anos, 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 39 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html sua falta de ar começou a afetar suas atividades diárias, como subir escadas e caminhar. Foi então que ele começou a se preocupar e resolveu procurar um médico. Segundo o senhor, foi diagnosticado com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Ele comentou que a doença tinha alterado muito o formato do seu tórax, que agora estava bastante aumentado. O senhor também relatou que passou a ter muita dificuldade de soltar o ar para fora do pulmão, o que estava piorando ainda mais sua qualidade de vida. Pedro escutou atentamente o senhor, lembrou-se de alguns conceitos importantes sobre o sistema respiratório e as trocas gasosas, mas queria entender melhor a patologia que acometia o senhor. Ele tinha algumas dúvidas a respeito desse caso: “O que é a DPOC? Como a DPOC afeta a eficiência das trocas gasosas nos pulmões? Quais são os mecanismos fisiológicos que levam à hipoxemia em pacientes com DPOC? Como a alteração na estrutura do tórax (por exemplo, aumento da estrutura anteroposterior) afeta a ventilação e a perfusão nos pulmões? Por que pacientes com DPOC têm dificuldade em expirar completamente o ar dos pulmões?”. Como você, no lugar de Pedro, responderia a todas essas dúvidas? Vamos Começar! A eficiência das trocas gasosas também depende da perfusão dos capilares pulmonares ou perfusão alveolar (fluxo sanguíneo pulmonar), que deve ser adequada para que haja a captação do O2 disponível. O sistema circulatório pulmonar começa no ventrículo direito do coração, que bombeia sangue com baixa concentração de O2 (sangue desoxigenado) através da artéria 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 40 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html pulmonar em direção aos pulmões. Nos pulmões, a artéria pulmonar se ramifica em uma rede extensa de arteríolas e capilares que envolvem os alvéolos. Esta rede capilar é crucial para a difusão eficiente de gases. A pressão média na artéria pulmonar é de aproximadamente 15 mmHg, significativamente mais baixa do que a pressão sistêmica, o que é adequado para evitar danos aos delicados capilares pulmonares e facilitar a difusão de gases. Nos capilares pulmonares, o sangue flui lentamente, aumentando o tempo de contato com os alvéolos e otimizando as trocas gasosas. A difusão de O2 dos alvéolos para o sangue e a difusão de CO2 do sangue para os alvéolos ocorrem devido aos gradientes de pressão parcial desses gases. Vale lembrar que, nos alvéolos, a PO₂ é cerca de 100 mmHg, enquanto no sangue venoso misto é cerca de 40 mmHg, promovendo a difusão de O₂ dos alvéolos para o sangue. Da mesma forma, a PCO₂ nos capilares pulmonares é cerca de 46 mmHg, comparada a aproximadamente 40 mmHg nos alvéolos, promovendo a difusão de CO₂ do sangue para os alvéolos para ser exalado para o meio externo. A distribuição do fluxo sanguíneo nos pulmões não é uniforme, sendo influenciada pela gravidade e pela ventilação alveolar. Emposição ereta, as regiões basais dos pulmões recebem mais sangue devido à maior pressão hidrostática, enquanto as regiões apicais recebem menos. Essa distribuição pode ser alterada por mudanças posturais, condições patológicas e exercícios. A relação entre ventilação (V) e perfusão (Q), conhecida como relação V/Q, é fundamental para a eficiência das trocas gasosas. Em condições ideais, essa relação é aproximadamente 1, indicando que a ventilação alveolar está bem equilibrada com o 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 41 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html fluxo sanguíneo capilar. Isso significa que cada unidade de volume de ar que entra nos alvéolos corresponde a uma unidade de volume de sangue que flui através dos capilares. Nessa situação, a difusão de O₂ dos alvéolos para o sangue e a difusão de CO₂ do sangue para os alvéolos ocorrem de maneira eficiente, resultando em uma oxigenação adequada do sangue e eliminação eficaz do CO₂. Em condições patológicas, como embolia pulmonar, insuficiência cardíaca ou doenças pulmonares crônicas, o fluxo sanguíneo pulmonar pode ser significativamente alterado, prejudicando as trocas gasosas. No caso da embolia pulmonar, em que um coágulo bloqueia o fluxo sanguíneo para uma região dos pulmões, o ar que chega aos alvéolos não participa das trocas gasosas eficazmente porque há pouco ou nenhum sangue para receber o O2 ou para liberar o CO₂. Isso resulta em ventilação desperdiçada e pode levar à hipoxemia (baixo nível de O2 no sangue). Nesse caso, temos alta relação V/Q (espaço morto), a ventilação alveolar é alta, mas a perfusão capilar é baixa. Na pneumonia ou na atelectasia (colapso alveolar), por exemplo, temos uma baixa relação V/Q (efeito shunt), a perfusão capilar é alta, mas a ventilação alveolar é baixa. O sangue flui através dos capilares sem ser adequadamente oxigenado porque os alvéolos estão mal ventilados. Isso resulta em uma oxigenação inadequada do sangue arterial e aumento da retenção de CO₂. Siga em Frente... Um fator que influencia significativamente a relação V/Q nos pulmões é a gravidade. Devido à posição vertical do corpo humano, a distribuição de ar e sangue nos pulmões não é uniforme, o que leva a diferenças na relação V/Q entre as regiões 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 42 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html apicais (superiores) e basais (inferiores) dos pulmões. As regiões apicais dos pulmões, ou a parte superior dos pulmões, tendem a ter uma relação V/Q maior. Isso ocorre porque a ventilação é relativamente alta nas regiões apicais devido à maior expansão dos alvéolos. Os alvéolos na parte superior dos pulmões estão mais abertos, mesmo no final da expiração, devido à menor pressão intrapleural negativa nessa área. Isso permite que esses alvéolos recebam mais ar durante a inspiração. Além disso, a perfusão (fluxo sanguíneo) é menor nas regiões apicais devido ao efeito da gravidade. A pressão hidrostática é mais baixa nas regiões superiores dos pulmões, resultando em menor fluxo sanguíneo capilar. A gravidade puxa mais sangue para as regiões basais, deixando menos sangue para perfundir os capilares alveolares nas regiões apicais. Como resultado, a relação V/Q nas regiões apicais é maior porque a quantidade de ventilação (ar) supera a perfusão (sangue). Nas regiões basais dos pulmões, ou a parte inferior dos pulmões, a relação V/Q tende a ser menor. Isso ocorre porque a ventilação é relativamente menor nas regiões basais, pois os alvéolos estão mais comprimidos devido à pressão intrapleural mais positiva. Embora a ventilação ainda ocorra, ela é menos eficiente comparada às regiões apicais. E, nas regiões basais, a perfusão é maior devido ao efeito da gravidade, que aumenta a pressão hidrostática nas regiões inferiores dos pulmões. Isso resulta em um maior fluxo sanguíneo capilar nessas regiões. Como resultado, a relação V/Q nas regiões basais é menor porque a quantidade de perfusão (sangue) supera a ventilação (ar). Agora que você conheceu como ocorrem as trocas gasosas através da membrana respiratória e quais são os fatores que 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 43 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html podem influenciar a difusão dos gases através dessa estrutura, você é capaz de compreender a importância do conhecimento desses temas para uma boa atuação profissional. Vamos Exercitar? Agora que você conheceu e aprendeu como ocorrem as trocas gasosas através da membrana respiratória e quais são os fatores que podem influenciar a difusão dos gases através dessa estrutura, vamos retomar nossa situação-problema. Consideremos o caso de Pedro, um aluno de graduação na área da saúde, que realiza estágio junto à equipe multidisciplinar no hospital de sua instituição de ensino. Nessa semana, enquanto ele aguardava para iniciar suas atividades de estágio, começou a conversar com um senhor no corredor do ambulatório. O senhor de 68 anos comentou que era fumante desde os 15 anos e que, por volta dos 45 anos de idade, começou a apresentar tosse e catarro, mas não deu importância, pois achava que era apenas por causa do cigarro. Por volta dos 55 anos, começou a sentir falta de ar, mas achava que era consequência da idade e, por conta disso, começou a diminuir as atividades físicas que realizava. Geralmente jogava futebol com os amigos duas vezes por semana. Próximo aos 63 anos, sua falta de ar começou a afetar suas atividades diárias, como subir escadas e caminhar. Foi então que ele começou a se preocupar e resolveu procurar um médico. Segundo o senhor, foi diagnosticado com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Ele comentou que a doença tinha alterado muito o formato do seu tórax, que agora estava bastante aumentado. O senhor também relatou que passou a ter muita dificuldade de soltar o ar para fora do pulmão, o que estava 01/03/2025, 12:28Aspectos Morfológicos e Funcionais do Sistema Respiratório Página 44 de 69https://alexandria-html-published.platosedu.io/957124c1-d447-4037-986b-5cb4b8df085b/v1/index.html piorando ainda mais sua qualidade de vida. Pedro escutou atentamente o senhor, lembrou-se de alguns conceitos importantes sobre o sistema respiratório e as trocas gasosas, mas queria entender melhor a patologia que acometia o senhor. Ele tinha algumas dúvidas a respeito desse caso: “O que é a DPOC? Como a DPOC afeta a eficiência das trocas gasosas nos pulmões? Quais são os mecanismos fisiológicos que levam à hipoxemia em pacientes com DPOC? Como a alteração na estrutura do tórax (por exemplo, aumento da estrutura anteroposterior) afeta a ventilação e a perfusão nos pulmões? Por que pacientes com DPOC têm dificuldade em expirar completamente o ar dos pulmões?”. Agora, você já é capaz de ajudar Pedro e seus colegas a responderem aos questionamentos do supervisor. Vamos lá? A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é a limitação do fluxo de ar provocada por resposta inflamatória a toxinas inalatórias, frequentemente fumaça de cigarro. A DPOC inclui duas condições principais: enfisema e bronquite crônica. No enfisema ocorre perda da elasticidade pulmonar e alargamento dos alvéolos, com destruição das paredes alveolares e leitos capilares, resultando em perda da retração elástica das paredes alveolares, devido à perda de fibras elásticas com consequente hiperinsuflação (aprisionamento do ar) dos pulmões. Nesse caso, os pulmões permanecem cronicamente inflados devido à incapacidade de expirar completamente o ar. A hiperinflação dos pulmões leva a mudanças na mecânica respiratória e na estrutura do tórax. Os pulmões hiperinsuflados empurram o diafragma para baixo, achatando-o