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Sumário Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) .......... 3 Unidade 1 - Integração Lavoura-Pecuária-Floresta: conceitos, histórico, benefícios e desafios ........................................................................................... 3 1.1. Conceitos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) ........................ 3 1.2. Progresso do setor de agricultura e pecuária no Brasil e as iniciativas para agricultura sustentável .......................................................................................... 9 1.3. Modalidades e componentes envolvidos na ILPF ....................................... 12 1.4. Vantagens e desafios da ILPF ...................................................................... 14 Considerações finais ......................................................................................... 18 3Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura- Pecuária-Floresta (ILPF) Unidade 1 - Integração Lavoura-Pecuária-Floresta: conceitos, histórico, benefícios e desafios Olá! Sejam todos muito bem-vindos ao primeiro Módulo do Curso Básico de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Este Módulo 1 é dedicado a introduzir você aos Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e está dividido em 4 (quatro) Unidades. A Unidade 1 trata dos conceitos básicos, do histórico e das vantagens e desafios da ILPF; a Unidade 2 aborda o Planejamento e a Gestão da Propriedade, tema que será, mais tarde, aprofundado no Módulo 5 deste curso; a Unidade 3 trata das Políticas Públicas e Compromissos Internacionais relativos à ILPF; e, por fim, a Unidade 4 faz uma importante introdução ao Cooperativismo na rede ILPF. Esperamos, sinceramente, que este curso seja bastante proveitoso e traga benefícios práticos no seu dia a dia. Agora assista ao vídeo com o especialista da Embapa Agrossilvipastoril, Flávio Wruck. https://youtu.be/5Ns3QAQusyc 1.1. Conceitos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) A ILPF é uma alternativa aos sistemas de produção tradicionais os quais se baseiam em monocultivos e que podem ser prejudiciais ao meio ambiente e ao bem-estar humano. Ao adotar uma abordagem mais integrada e sustentável, é possível obter benefícios como aumento da produtividade e da rentabilidade, conservação dos recursos naturais e melhoria da qualidade de vida das comunidades envolvidas. Ao ler este capítulo, você aprenderá mais sobre os conceitos e modalidades da estratégia de ILPF. https://youtu.be/5Ns3QAQusyc 4Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) O método de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é uma abordagem de produção sustentável que combina diferentes atividades agrícolas, pecuárias e florestais em uma mesma área, seja em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado. A ideia é obter sinergia entre os componentes do agroecossistema, levando em conta o meio ambiente, o bem-estar humano e a viabilidade econômica. A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é uma estratégia de produção sustentável, que integra atividades agrícolas, pecuárias e/ou florestais realizadas na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado, e busca efeitos sinérgicos entre os componentes do agroecossistema, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e a viabilidade econômica. (Fonte: BALBINO et al., 2011 – adapt.; negritos nossos) Este conceito traz outros três que são muito importantes para pensar a ILPF. Confira! Consórcio Quando duas ou mais espécies vegetais são cultivadas na mesma área simulta- neamente. Sucessão Quando diferentes espécies vegetais são semeadas, uma após a colheita da outra, dentro do mesmo ano agrícola. Exemplo: sucessão soja-milho safrinha. Rotação Quando ocorre alternância de espécies vegetais, ocupando o mesmo espaço físico e período do ano, dentro de princípios técnicos, visando principalmente sanar problemas fitossanitários. A sustentabilidade só será verificada se o sistema for tecnicamente eficiente, ou seja, utilizar-se de menos recursos (terra, água, insumos), com menor impacto ne- gativo sobre o ambiente e sem sacrifícios sobre o potencial produtivo da atividade agropecuária. Dessa forma, a ILPF deve estar apoiada pelos pilares da sustentabi- lidade: ambientalmente adequado, economicamente viável e socialmente aceito. 5Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Perceba, então, que a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é uma técnica agrícola que envolve a integração de atividades agrícolas, pecuárias e florestais em um mesmo sistema de produção. Isso permite que a propriedade agrícola se torne mais diversificada e menos dependente de um único tipo de atividade, o que pode aumentar a sua rentabilidade e resiliência. Sabendo disso, alguns outros conceitos fundamentais para entender o sistema de ILPF surgem como relevantes: Agricultura Atividade humana que envolve o cultivo de plantas para produzir alimentos, fibras e outros produtos. Pecuária Atividade que envolve o criar, criar e manejar animais, como bovinos, ovinos, caprinos, suínos e aves, para produzir carne, leite, ovos e outros produtos. Floresta Área coberta por uma comunidade de árvores e outras plantas que crescem juntas em um ambiente natural. Diversificação Ação de tornar uma propriedade agrícola mais variada e menos dependente de um único tipo de atividade. Rentabilidade Capacidade de uma propriedade agrícola de gerar lucro. Resiliência Capacidade de uma propriedade agrícola de resistir a adversidades, como doenças, pragas e mudanças climáticas. Naturalmente, a ideia não é transformar esta nossa unidade em um Glossário que esgote o tema, mas é bastante relevante apresentar termos e conceitos que são essenciais para um entendimento mínimo do assunto e que vão acompanhar você 6Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) não apenas em todos os demais Módulos de nosso Curso, mas também no seu dia a dia ao colocar em prática o sistema ILPF. Sendo assim, além desses conceitos básicos que apresentamos até aqui, outros termos importantes para entender o sistema de ILPF incluem: Integração Processo de combinar diferentes atividades agrícolas, pecuárias e florestais em um mesmo sistema de produção, a fim de obter benefícios mútuos e aumentar a eficiência e a rentabilidade da propriedade. Manejo integrado Conjunto de técnicas e práticas que visam aumentar a produtividade e a rentabi- lidade da propriedade agrícola, mantendo ou melhorando a qualidade do solo, da água e do ar. O manejo integrado inclui atividades como a rotação de culturas, a adubação adequada e o controle de pragas e doenças. Silvicultura Atividade que envolve o plantio, o cultivo e o manejo de florestas para produzir madeira e outros produtos florestais. A silvicultura pode ser integrada a outras atividades agrícolas e pecuárias no sistema de ILPF. Agrofloresta Sistema de produção que combina árvores, plantas agrícolas e animais em um mesmo ambiente, aproveitando as sinergias entre esses componentes. A agroflo- resta pode ser uma forma de implementar o sistema de ILPF em uma propriedade agrícola. Biodiversidade Variação de plantas, animais e microrganismos em um determinado ecossistema. A integração de diferentes atividades agrícolas, pecuárias e florestais no sistema de ILPF pode aumentar a biodiversidade da propriedade, o que pode trazer benefícios ecológicos e econômicos. Para finalizar esta etapa de conceitos fundamentais, é preciso tratar de dois conceitos que têm feito parte da história recente do desenvolvimento da ILPF no Brasil, que são os conceitos de bioinsumos e de plantio-direto: 7Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Bioinsumo: é um insumo ou material de origem biológica que é utilizado em processos produtivos agrícolas, pecuários1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) 3.3. Potencial de mitigação de gases de efeito estufa via ILPF Os relatórios apresentados pelo IPCC5 demonstram que o fenômeno do aquecimento global poderá elevar a temperatura do planeta de 2,6°C a 4,8°C até o final do século XXI, gerando impactos negativos regionais e globais. Atualmente, a China é o país que mais emite GEE no mundo, sendo a maior parte proveniente do setor de eletricidade/aquecimento; seguido dos Estados Unidos, União Europeia e Índia, também emitindo a maior parte dos GEE pelo mesmo motivo. Gases de Efeito Estufa (GGE): o que são e como são emitidos? Os gases de efeito estufa (GEE) são gases presentes na atmosfera que contribuem para o aquecimento global. Eles funcionam como um “espelho” que reflete a luz do sol de volta para a Terra, mantendo o calor do planeta. Quando esses gases são emitidos em grandes quantidades, eles podem aumentar a temperatura da Terra e causar mudanças climáticas. Existem vários gases de efeito estufa, mas os principais são o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O) e o clorofluorcarbono (CFC). O dióxido de carbono é um dos gases mais importantes, pois é produzido principalmente pela queima de combustíveis fósseis (como petróleo, gás natural e carvão), pela produção de cimento e pelo desmatamento. O metano é produzido principalmente pela decomposição de resíduos orgânicos em aterros, pela produção de gás natural e pelo cultivo de gado. O óxido nitroso é produzido principalmente pelo uso de fertilizantes nitrogenados e pelo tratamento de esgoto. Os CFCs são produzidos principalmente pelo uso de produtos químicos em refrigeradores, condicionadores de ar e outros equipamentos. 5 Cf. IPCC WORKING GROUP. Climate Change 2013. The Physical Science Basis: Summary for Policymakers. [s.l.] Intergovernmental Panel on Climate Change, 2013. Disponível em: https://www.zotero.org/google- docs/?4OY7Lz Acesso em: 12 dez. 2022. https://www.zotero.org/google-docs/?4OY7Lz https://www.zotero.org/google-docs/?4OY7Lz 45Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Imagem: Efeito Estufa | Fonte: www.sogeografia.com.br Além desses gases, existem outros gases de efeito estufa, como o ácido sulfídrico (H2S), o ácido nítrico (HNO3) e o monóxido de carbono (CO), que também contribuem para o aquecimento global. Ainda que esses gases sejam emitidos em menores quantidades, eles têm um poder de aquecimento muito maior que o dióxido de carbono, o que significa que sua contribuição para o aquecimento global é mais significativa do que a quantidade emitida sugere. Para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, é necessário tomar medidas para diminuir a queima de combustíveis fósseis, promover a utilização de energias renováveis, proteger e restaurar florestas e outros ecossistemas, e implementar tecnologias e práticas mais eficientes em termos de uso de energia e recursos. Além disso, é importante desenvolver políticas e regulamentações que promovam essas mudanças e incentivem a redução das emissões de gases de efeito estufa. Fontes: Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). Global Warming of 1.5°C. An IPCC Special Report. Cambridge University Press, 2018. Disponível em: https://www.ipcc.ch/sr15/ Acesso em: 13 dez. 2022. United States Environmental Protection Agency (EPA). Greenhouse Gas Emissions. 2021. Disponível em: https://www.epa.gov/ghgemissions/sources-greenhouse-gas-emissions Acesso em: 13 dez. 2022. United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC). The Convention. 2021. Disponível em: https://unfccc.int/process/the-convention/the-convention Acesso em: 13 dez. 2022. O Brasil é o sétimo país que mais emite GEE. Segundo a Quarta Comunicação Nacional do Brasil à UNFCCC, o país emitiu um total de 1.467 Tg CO2 e em 2016, o que representou aumento de 19,4% em relação às nossas emissões de 2010, último ano da série histórica apresentada na Terceira Comunicação Nacional. O setor agropecuário é o mais significativo, representando 33,2% do total. Em relação http://www.sogeografia.com.br https://www.ipcc.ch/sr15/ https://www.epa.gov/ghgemissions/sources-greenhouse-gas-emissions https://unfccc.int/process/the-convention/the-convention 46Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) a esse setor no país, os principais gases gerados são metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), com potencial de aquecimento global cerca de 25 e 298 vezes do potencial de dióxido de carbono. As atividades agropecuárias geram emissões diretas e indiretas de GEE por diversos processos, por exemplo: fermentação entérica nos herbívoros ruminantes, que emite metano (CH4); dejetos de animais, que emitem principalmente de CH4 e de óxido nitroso (N2O); preparo convencional do solo e calagem, que emitem dióxido de carbono (CO2); cultivo de arroz inundado, que emite CH4; queima de resíduos agrícolas que emite CO2, CH4, N2O, entre outros; uso de fertilizantes nitrogenados que emite N2O do solo e consumo de combustíveis fósseis que emitem CO2 (utilização de insumos como fertilizantes, herbicidas e fungicidas que, para sua produção industrial, demandam grandes quantidades de energia; movimentação de máquinas e no transporte de produtos agrícolas). Sequestro de Carbono, Créditos de Carbono e a ILPF O sequestro de carbono é o processo pelo qual o dióxido de carbono (CO2) é retirado da atmosfera e armazenado em reservatórios, como florestas, solos e oceano. Isso pode ajudar a reduzir a concentração de CO2 na atmosfera, o que é importante porque o excesso de CO2 é um dos principais gases de efeito estufa responsáveis pelo aquecimento global. 47Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Imagem: Ciclo do Carbono | Fonte: Embrapa Os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) são sistemas de produção agrícola e pecuária que incluem componentes florestais em sua estrutura. Esses sistemas podem ser uma forma eficaz de sequestrar carbono, pois as florestas são capazes de armazenar grandes quantidades de CO2 através da fotossíntese. Além disso, os sistemas de ILPF também podem promover a conservação do solo e da biodiversidade, além de oferecer outros benefícios ambientais e sociais. Os créditos de carbono são uma forma de incentivar a implementação de práticas de sequestro de carbono, como os sistemas de ILPF. Esses créditos são emitidos para projetos que demonstram ter sequestrado uma certa quantidade de carbono de forma verificável e medida. As empresas e indivíduos podem comprar esses créditos como uma forma de compensar suas emissões de carbono. 48Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Para os produtores agrícolas e agropecuários, os créditos de carbono podem ser uma boa oportunidade de negócio porque eles podem gerar receita adicional ao implementar práticas de ILPF em suas propriedades. Além disso, os créditos de carbono podem ajudar a financiar projetos de conservação e desenvolvimento sustentável, o que pode trazer benefícios a longo prazo para a propriedade. Fontes: MATTOS, Marcello Toledo de. Sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF): uma opção para a agricultura familiar e o desenvolvimento sustentável. Ciência Rural, v. 39, n. 6, p. 1473-1480, 2009. FERREIRA, Paulo Sergio et al. A integração lavoura-pecuária-floresta como estratégia para a conservação dos recursos naturais no cerrado. Ciência Rural, v. 41, n. 3, p. 524-530, 2011. COSTA, Carlos Henrique da Silva et al. Sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta: alternativa para a conservação do solo e da biodiversidade. Ciência Rural, v. 42, n. 8, p. 1441-1446, 2012. Frente a isso, a ILPF entra como uma tecnologia promissora para se alcançar uma agropecuária brasileira mais produtiva e sustentável, pois evita a abertura de novas áreas para expansão agrícola, onde permite alcançar uma redução em mais de 80% da área necessáriapara produzir a mesma quantidade de carne e, consequentemente, contribui com a redução de aproximadamente 44% as emissões de GEE em comparação a uma área com pasto degradado (Castelões 2020), além de reduzindo as emissões Mudança do Uso da Terra e Florestas. 49Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Perceba que, analisando a imagem acima, se comparado ao ILP, o sistema ILPF é o mais eficiente quando se fala em sequestro de Carbono. De fato, é grande a importância da integração lavoura-pecuária-floresta como estratégia para compensação das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no setor agropecuário no Brasil. O país tem se destacado cada vez mais no setor agropecuário e as preocupações com as emissões de GEE pelo setor são crescentes. Em 2012, o setor agropecuário foi responsável por 37% do total de dióxido de carbono equivalente emitido para a atmosfera no país. As emissões de metano provenientes de fermentação entérica em gado de corte e de leite contribuíram, respectivamente, com 75% e 12% do total das emissões desse gás no setor agropecuário. As modalidades da ILPF que incluem o componente arbóreo podem ser ainda mais promissoras. Estudos relatam que no sistema ILPF, uma única árvore, acumula em média 30,2 kg de C.ano-1, o que equivale ao sequestro de 110,5 kg de CO2.ano-1 da atmosfera por árvore inserida no sistema (considerando todos os componentes das árvores - folhas, galhos, casca, fuste, excluindo apenas as raízes) (Souza et al. 2019). Esses sistemas também podem estocar carbono e nitrogênio no solo em 10,4% e 19,5% superiores ao sistema ILP, até 1m de profundidade (Fonte: PULROLINK et al., 2021) Com um potencial de mitigação de 5 Mg CO2e ha-1, a ILPF supera o Sistema Plantio Direto, que tem potencial de mitigação de 2,25 Mg CO2e ha-1, e a fixação biológica de nitrogênio, com 1,8 Mg CO2e ha-1 (Reis et al. 2016). 50Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) O Brasil assumiu um compromisso voluntário durante a COP15 de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 36,1% a 38,9% até 2020. Isso foi formalizado pela Política Nacional sobre Mudanças do Clima e implementado pelos Planos Setoriais de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas, incluindo o Plano para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura, também conhecido como Plano ABC. O Plano ABC estabeleceu as Ações de Mitigação Nacionalmente Apropriadas (NAMAs) para o setor agrícola. A estratégia adotada pelo governo brasileiro com o Plano ABC foi promover a adoção de práticas agrícolas que aumentam a eficiência produtiva e mitigam as emissões de gases de efeito estufa. Esse enfoque, também conhecido como Agricultura de Baixo Carbono, inclui seis programas de tecnologias de mitigação e um último com ações de adaptação às mudanças climáticas. O compromisso do Plano ABC na mitigação das emissões de gases de efeito estufa inclui a ampliação de processos tecnológicos relacionados à recuperação de pastagens degradadas, sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs), Sistema Plantio Direto (SPD), Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), Florestas Plantadas (FP) e Tratamento de Dejetos Animais (TDA). O potencial de mitigação de emissões de gases de efeito estufa estimado pelo Plano ABC é de 133,9 a 162,9 milhões de MgCO2eq até o final do compromisso. Apesar de dados tão relevantes, o sistema de integração lavoura-pecuária é mais usado no Brasil do que o sistema de integração lavoura-pecuária-floresta porque o primeiro ainda é considerado mais sustentável do que os sistemas especializados de produção agropecuária. Além disso, não se pode negar que, de fato, a ILP trouxe e traz benefícios como a melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, quebra do ciclo de doenças e pragas, redução dos riscos econômicos pela diversificação de atividades, entre outros. Em contraposição, o sistema de integração lavoura-pecuária-floresta ainda é parece ser menos conhecido, mesmo tendo se desenvolvido tanto no Brasil nos últimos anos. Infelizmente, o ILPF ainda enfrenta desafios como a dificuldade de manejo por parte da maior dos produtores e é aí também que está a importância de cursos como este. 51Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) 3.4. Transferência de Tecnologia e Fomento à Adoção da ILPF A integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)6 é um sistema de produção agrícola que visa aumentar a produtividade e a sustentabilidade da produção agropecuária através da integração de atividades agrícolas, pecuárias e florestais em um mesmo sistema produtivo. Muitas vezes, o conhecimento sobre as diferentes modalidades de ILPF é gerado pelos centros de pesquisa e universidades, mas a experiência dos produtores rurais é fundamental para a sua adoção e ampliação. Para promover a adoção do sistema ILPF, é preciso ações focadas na transferência de tecnologia e capacitação de produtores e técnicos. A Embrapa, a Rede ILPF e diversas universidades realizam atividades em várias regiões do Brasil, mas ainda é necessário um enfoque maior para sanar os desafios deste sistema. O conhecimento sobre as diferentes modalidades da ILPF é gerado, muitas vezes, pelos centros de pesquisa (por exemplo, Embrapa) e universidades, mas a experiência dos produtores rurais torna-se essencial para real adoção e ampliação da tecnologia. Com isso, a integração entre os atores (pesquisadores, professores, técnicos, empresários e produtores rurais) permite produzir inovações apropriadas, encurtando, assim, o tempo para a sua adoção. Para uma ampla adoção, é preciso ações com foco na transferência de tecnologia, capacitando, de forma teórica e prática, os técnicos, produtores rurais e atores regionais. Instituições públicas e privadas, por exemplo, podem fazer parte do processo, não só com o apoio na transferência da tecnologia, mas em esforços de comunicação. A Embrapa, Rede ILPF e diversas universidades realizam ações em várias regiões brasileiras. Mas ainda precisa de um enfoque maior para que os desafios (reveja “Desafios da ILPF” na Unidade 1 deste módulo) sejam sanados. O desafio atual é de ampliar ações compartilhadas com instituições públicas e privadas, bem como fortalecer a rede de diferentes atores envolvidos na difusão do sistema ILPF. 6 BALBINO, L. C.; CORDEIRO, LAM. Políticas de fomento à adoção de Sistemas de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta no Brasil. In: BUNGENSTAB, D. J.; DE ALMEIDA, R. G.; LAURA, V. A., BALBINO, L. C.; FERREIRA, A. D. ILPF: inovação com integração de lavoura, pecuária e floresta. Brasília, DF: Embrapa, 2019. p. 99-116 52Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) A Embrapa iniciou suas primeiras atividades de pesquisa e transferência de tecnologia para sistemas de integração nas décadas de 1970 e 1980. Até hoje, possui atividades para a formação de técnicos, realização de eventos técnicos e promocionais, capacitação e geração de publicações técnicas e de caráter didático, além da implantação de URTs. Com as URTs, é possível disseminar os conceitos e técnicas dos sistemas ILPF adequados a cada região, de forma promover a disseminação, inovação e a sustentabilidade agropecuária. V. A., BALBINO, L. C.; FERREIRA, A. D. ILPF: inovação com integração de lavoura, pecuária e floresta. Brasília, DF: Embrapa, 2019. p. 99-116 A URT é uma referência tecnológica de uso dos recursos da região de forma integrada e sustentável. Ao estabelecer exemplos de funcionamento dos sistemas de produção e das tecnologias mais adequadas às condições locais, favorece a adoção de novas técnicas, atitudes e/ou comportamentos, fato que implica em mudanças na visão dos produtores e técnicos e sua relação com o meio de produção. Atualmente, no âmbito da Embrapa, existem diversos projetos regionais e um grande projeto nacional de transferência de tecnologia em redepara fomento da adoção de sistemas de integração em todo o território nacional. Nesse projeto nacional (Macroprograma 4 em Rede TT-ILPF), a estratégia de transferência de tecnologias de sistema de integração fundamenta-se em três grandes processos ou frentes de trabalho: I. Implantação e condução de um sistema de integração promissor nas URTs alocadas estrategicamente nos principais polos agroeconômicos de cada estado da Federação; II. Capacitação continuada de agentes multiplicadores no tema de sistema de integração selecionados em cada polo agroeconômico contemplado com URT; III. Ações de sensibilização, motivação, difusão e transferência de tecnologia em sistema de integração em cada polo agroeconômico contemplado com URT. 53Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Considerações finais Nesse projeto e em outras ações de transferência de tecnologia, é de suma importância as parcerias nacionais e regionais, inclusive a parceria direta com produtores rurais. O projeto visa à continuidade das ações de transferência de tecnologia em rede já iniciadas em todo o território nacional. Devido às experiências anteriores e às características dos diversos sistemas de integração, é primordial o fortalecimento de uma rede de informações técnico-científicas como principal elemento catalisador e propulsor do processo de inovação. A transferência de tecnologia e fomento à adoção do sistema de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é um tema importante no contexto da agricultura brasileira. A integração entre pesquisadores, professores, técnicos, empresários e produtores rurais é fundamental para a produção de inovações apropriadas e para acelerar a sua adoção. É preciso ações que visem a transferência de tecnologia e a capacitação dos atores envolvidos, tanto em termos teóricos quanto práticos. A Embrapa, a Rede ILPF e várias universidades já atuam nesse sentido, mas é necessário um esforço maior para enfrentar os desafios que ainda se apresentam. Além da transferência de tecnologia e capacitação, outras ações também são importantes para ampliar a adoção do sistema ILPF. Ações de comunicação, envolvendo instituições públicas e privadas, podem contribuir para o fortalecimento da rede de diferentes atores envolvidos no processo de difusão desse sistema. A implantação de Unidades de Referência Tecnológica (URTs) é uma estratégia importante para disseminar os conceitos e técnicas adequados às condições locais, promovendo a disseminação, inovação e sustentabilidade agropecuária. Atualmente, a Embrapa está envolvida em vários projetos de transferência de tecnologia em rede que visam fomentar a adoção de sistemas de integração em todo o Brasil. É fundamental continuar investindo nessas ações para garantir a ampliação e o sucesso da adoção do sistema ILPF no país. Na próxima unidade, você aprenderá um pouco sobre o Cooperativismo na rede ILPF. Até lá e bons estudos! Sumário Unidade 4 - Cooperativismo em ILPF ................................................................. 56 4.1. Origens do Cooperativismo .......................................................................... 56 4.2. Conceitos importantes .................................................................................. 57 4.3. Os Princípios do Cooperativismo ................................................................. 57 4.4. Os Diferenciais do Cooperativismo .............................................................. 59 Considerações finais ......................................................................................... 62 Referências ....................................................................................................... 63 Sumário 56Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Unidade 4 - Cooperativismo em ILPF Bem-vindo(a) à quarta e última Unidade desde Módulo 1 do nosso Curso Básico de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Nesta unidade final, abordaremos o Cooperativismo em ILPF, começando por uma breve abordagem histórica dos primórdios do cooperativismo e seguindo com conceitos básicos relacionados ao tema, os princípios do cooperativismo e finalizando com uma breve reflexão sobre as vantagens do cooperativismo em ILPF. Assista ao vídeo do gerente técnico da Cocamar, Emerson Nunes. https://youtu.be/OANbeoNwHbc 4.1. Origens do Cooperativismo Vamos começar esta primeira parte de nossa Unidade 4 fazendo um breve resgate histórico das origens do cooperativismo, ou seja, estudando como e quando o cooperativismo surgiu. A primeira cooperativa foi fundada em 24 de dezembro de 1844, no bairro de Roc ale, na cidade de Manchester, Inglaterra. Ela era uma cooperativa de consumo, na qual tecelões se reuniram em busca de melhores oportunidades e condições de compra de matéria-prima para exercerem seu ofício. Essa cooperativa, com o nome de Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale Limitada (Rochdale Equitable Pionner’s Society Limited), foi o embrião da cultura cooperativista que, anos mais tarde, viria a ganhar o mundo. Figura 2. A primeira Cooperativa | Fonte: Cocamar https://youtu.be/OANbeoNwHbc 57Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Quase 80 anos da fundação dessa primeira cooperativa, foi instituído, em 1923, no Congresso da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), com o objetivo de comemorar, no primeiro sábado de julho de cada ano, a confraternização de todos os povos ligados ao cooperativismo. 4.2. Conceitos importantes Depois dessa breve viagem no tempo, nós precisamos nos familiarizar com alguns termos importantes, pois você vai lidar com eles o tempo todo quando pensar em cooperativismo. Vamos ver, então, esses termos: Começaremos com o verbo COOPERAR. Cooperar é unir-se a outras pessoas para, conjuntamente, enfrentar situações adversas e transformá-las em oportunidade, buscando sempre o bem-estar econômico e social. Sabendo disso, podemos subentender o segundo termo importante, que é COOPERAÇÃO. Cooperação é o método de ação pelo qual pessoas com interesses comuns constituem um empreendimento. Os direitos são todos iguais e o resultado alcançado é repartido na proporção da participação de cada um. Então, quem seria o ASSOCIADO ou, como também podemos chamar, o COOPERADO? Os Cooperados são os indivíduos que formam a cooperativa, ou seja, no nosso caso, são os produtores que exercem a atividade agrícola como atividade econômica. E, por fim, vejamos um último, mas não menos importante conceito: COOPERATIVA. O que é, enfim, uma cooperativa? É a associação (instituição) de pessoas com interesses comuns, organizada economicamente e de forma democrática, com a participação livre de todos os que têm idênticas necessidades e interesses, com igualdade de deveres e direitos. Percebam que não é uma entidade assistencial nem filantrópica. 4.3. Os Princípios do Cooperativismo Vamos conhecer, agora, os sete princípios do cooperativismo. Esses princípios, pessoal, são as linhas orientadoras por meio das quais as cooperativas levam os seus valores à prática. Foram aprovados e utilizados na mesma época em que foi fundada a primeira cooperativa do mundo, o que, como a gente já viu, se deu ali no final da primeira metade do século 19. 58Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Vamos então a esses sete princípios. São eles: 1. ADESÃO LIVRE E VOLUNTÁRIA Este princípio pode ser resumido a uma palavra: LIBERDADE. Todas as pessoas têm liberdade para associar-se a uma cooperativa, ou seja, é uma decisão individual e independente. 2. GESTÃO DEMOCRÁTICA PELOS SÓCIOS A cooperativa é administrada pelos sócios e são eles que definem as prioridades, com base nas necessidades e objetivos estabelecidos. Os cooperados têm igualdade de voto e as decisões são tomadas em assembleias gerais ordinárias (AGO) ou extraordinárias (AGE). Este princípio pode ser chamado apenas de IGUALDADE, no qualtodos os cooperados possuem a mesma voz, independentemente da quantidade de quotas que possuem na cooperativa. 3. PARTICIPAÇÃO ECONÔMICA DOS SÓCIOS Os cooperados integram o capital social da cooperativa por meio de quotas-partes. Este princípio traz a EQUIDADE como palavra-chave, pois os cooperados recebem sobras de acordo com a movimentação individual de cada um, fazendo com que o cooperado que mais participa da cooperativa tenha mais benefícios dentro dela. 4. AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA As cooperativas são empresas autônomas controladas por seus associados. A AUTOGESTÃO é a base desse princípio, pois quem administra a cooperativa são os próprios cooperados. 5. EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO E INFORMAÇÃO Este princípio objetiva o desenvolvimento intelectual, cultural e profi ssional do cooperado e sua família. FORMAÇÃO e CAPACITAÇÃO são suas bases, uma vez que tão maiores serão os resultados quanto mais bem formados e informados sejam os cooperados. 6. COOPERAÇÃO ENTRE COOPERATIVAS A cooperativa é administrada pelos sócios e são eles que defi nem as prioridades, com base nas necessidades e objetivos estabelecidos. Os cooperados têm igualdade 59Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) de voto e as decisões são tomadas em assembleias gerais ordinárias (AGO) ou extraordinárias (AGE). Este princípio pode ser chamado apenas de IGUALDADE, no qual todos os cooperados possuem a mesma voz, independentemente da quantidade de quotas que possuem na cooperativa. 7. INTERESSE PELA COMUNIDADE Este princípio objetiva o desenvolvimento sustentável da região onde a cooperativa está inserida. As preocupações SOCIAL e AMBIENTAL são predominantes na cooperativa. Vamos resumir o que vimos até aqui dizendo que a essência do cooperativismo é um modelo indiscutível de responsabilidade social. A cooperativa representa a união de pessoas que, movidas pelos mesmos ideais, agregam seus esforços – somando para que, ao final, possam dividir os resultados. 4.4. Os Diferenciais do Cooperativismo A maioria dos produtores dificilmente sobreviveria se não pudesse contar com a escala, a segurança e a transferência de tecnologias que são asseguradas pelo sistema cooperativista. Assim, é muito importante conhecermos os diferenciais desse sistema. 1. A cooperativa organiza a produção, oferecendo insumos e assistência técnica agropecuária. Percebam que a Cooperativa oferece equipe técnica especializada e treinada para dar suporte ao produtor, ajudando-o a construir o sistema ILPF desde a implantação até a sua comercialização. O apoio é dado em toda a cadeia necessária para a evolução do sistema na sua propriedade. 2. O cooperativismo proporciona a transferência de conhecimento e tecnologia, pois realiza diversos dias de campo específico sobre o sistema, mostrando à campo tecnologias que tiveram sucesso e que podem ser expandidos para outras regiões, contando também com vários consultores, pesquisadores e entidades renomadas, como EMBRAPA, IDR, Universidades que nos ajudam na transferência do conhecimento”. 60Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) 3. Além disso, a cooperativa oferece assessoria comercial e estabelece parâmetros de mercado, auxiliando o produtor na tomada de decisão quando for comercializar seu produtor final, além de promover esses produtos na região onde a Cooperativa está localizada, favorecendo, assim, um maior equilíbrio nos preços dos insumos, evitando que outros setores cobrem valores absurdos pelos insumos necessários para sua produção. Obviamente, isso aumenta a rentabilidade final dos cooperados. 4. A Cooperativa disponibiliza, ainda, infraestrutura localizada estrategicamente, durante o ano inteiro. Isso acontece porque as cooperativas geralmente têm lojas de insumos e armazenagens de grãos em toda a região em que estão localizadas, oferecendo aos produtores condições de compras e retiradas de insumos somente no momento de aplicações, não necessitando desta forma armazenar na propriedade. Também evita a necessidade de instalações de armazenagens pelos produtores em suas propriedades evitando investimentos que teriam longos prazos de retorno econômico, além da segurança oferecido.” 5. Outro diferencial é que a Cooperativa armazena e comercializa a produção com absoluta segurança. Vejam, então, que as cooperativas têm um papel importante na armazenagem de grãos no Brasil e são responsáveis pela grande maioria da armazenagem, sendo isto uma deficiência do setor agrícola. Isto também permite que o produtor possa comercializar sua produção no momento adequado e desejado por ele, tomando decisões mais assertivas e possibilitando maior segurança nos resultados almejados. 6. A Cooperativa também agrega valores e estabiliza preços agrícolas via industrialização. Algumas cooperativas possuem complexos industriais, produzindo produtos que são oriundos das entregas dos produtores, como óleos vegetais, farelos, sucos, rações animais, entre outros, agregando valores ao produto final e trazendo mais retorno econômico que de certa forma voltam ao produtor. 7. A Cooperativa busca permanentemente a viabilização econômica dos cooperados e da região. A própria implantação e fomento do Sistema ILPF proposto pelas cooperativas é uma maneira de estabelecer a viabilidade econômica dos produtores, buscando agregar valor aos produtos, a 61Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) redução dos custos com insumos, o aumento da produtividade e a redução dos custos fixos para a produção animal, fazendo que todo o processo seja sustentável. 8. Outro diferencial relevante é que a Cooperativa representa politicamente os produtores. As cooperativas representadas pela OCEPAR, OCB e Grupos Técnicos trabalham constantemente frente às câmaras parlamentares na busca de benefícios e necessidades dos produtores como por exemplo legislações tributárias, notas fiscais ao produtor rural, Funrural, seguro agrícola e no auxílio da formatação do Plano Safra. 9. Vale frisar ainda outro importante diferencial das cooperativas, sobretudo neste século 21: a cooperativa exerce suas atividades com responsabilidade social e ambiental. Estas ações fazem parte do 7º Princípio do Cooperativismo que trata sobre o Interesse pela Comunidade em que objetiva o desenvolvimento sustentável da região onde a cooperativa está inserida. Assim, a preocupação social e ambiental é predominante nas cooperativas. Neste contexto, a implantação do ILPF promove a redução da desigualdade social, gerando mais empregos diretos e indiretos, estimula a qualificação profissional e o estudo e reduz a abertura de novas áreas agrícolas, sendo uma opção de mitigação de emissões de gazes de efeito estufa (GEE), estabelecendo a manutenção da biodiversidade bem como auxiliando a conservação do solo e no bem-estar animal. 10. A cooperativa proporciona, ainda, o retorno dos resultados, que permanecem na região. Como assim? Percebam o seguinte: a presença da cooperativa permite que os resultados obtidos com a produção permaneçam na região, evitando que sejam utilizados em outros estados ou até mesmo em outros países, propiciando desta forma o desenvolvimento econômico da região onde está inserida. Sendo assim, nesta última unidade deste Módulo 1, vimos que o sistema do cooperativismo proporciona muitas vantagens para o produtor iniciar o sistema ILPF em sua propriedade, intensificando a agricultura brasileira sustentável e contribuindo para a preservação e segurança ambiental em um mundo em constante transformação. 62Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Considerações finais Chegamos, assim, ao fim deste primeiro Módulo do Curso Básico de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Dentre outras importantes questões, vimos que a agricultura sustentável tem sido cada vez mais importante no Brasil, e a ILPF é uma estratégia versátil que pode ser utilizada em diferentesconfigurações. A ILPF foi introduzida no país pelos imigrantes europeus e adaptada às condições tropicais e subtropicais. Na década de 1990, começaram as pesquisas em integração de árvores e pastagens com o objetivo de recuperar áreas degradadas e aumentar a produtividade dessas áreas. A utilização de sistemas de ILPF tem sido cada vez mais comum no Brasil, especialmente na região do Rio Grande do Sul. A implementação de sistemas de ILPF tem sido uma iniciativa importante no sentido de promover a agricultura sustentável no Brasil. Esses sistemas foram desenvolvidos para aproveitar ao máximo as condições locais e maximizar a produção de alimentos de forma sustentável. A pesquisa tem sido fundamental para o desenvolvimento de novos sistemas de ILPF e para aperfeiçoar os já existentes. Com o tempo, esses sistemas têm se mostrado cada vez mais eficientes e eficazes na produção de alimentos de forma sustentável, além de serem bastante relevantes no sequestro de carbono, podendo, ainda, ter seus potenciais maximizados quando os produtores se abrem para atuar através de Cooperativas. No próximo Módulo, você aprenderá mais especificamente sobre a produção de grãos no sistema ILPF. Faça também os exercícios para aproveitar ao máximo esta jornada. Bons estudos e até a próxima! 63Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Referências AGROPECUÁRIA BRASIL. Integração lavoura-pecuária-floresta: o que é, sistemas, benefícios e como implementar. Disponível em: https://www.agropecuariabrasil. com.br/integracao-lavoura-pecuaria-floresta. Acesso em: 10 dez. 2022. ALVES, F. S., FREITAS, F. P. de. Uso de aplicativos móveis para gestão financeira no agronegócio. Revista de Ciências Agrárias, 40(1), 58-64. 2017. BALBINO, L. C. et al. Evolução tecnológica e arranjos produtivos de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta no Brasil. Brasília: Pesquisa Agropecuária Brasileira, 2011, p. 46. BALBINO, L. C.; BARCELLOS, A. D. O.; STONE, L. F. Marco referencial: integração lavoura-pecuária-floresta. Embrapa Cerrados - Livro Científico (ALICE), Brasília: Embrapa, 2011. pp. 23-30. BALBINO, L. C.; CORDEIRO, LAM. Políticas de fomento à adoção de Sistemas de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta no Brasil. In: BUNGENSTAB, D. J. et al. ILPF: inovação com integração de lavoura, pecuária e floresta. Brasília: Embrapa, 2019. pp. 108-110. BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Secretaria de Pesquisa e Formação Científica. Quarta Comunicação Nacional do Brasil à Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima / Secretaria de Pesquisa e Formação Científica. Brasília: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, 2021. 620 p. BUNGENSTAB, D. J. et al. ILPF: inovação com integração de lavoura, pecuária e floresta. Brasília: Embrapa, 2019. 835 p. COCAMAR. Guia do Cooperativismo - Cooperar: orgulho em fazer parte. Maringá: Cocamar, s.d. PDF. CONCEIÇÃO, M. C. G. et al. International climate change negotiation: the role of Brazil. Sustainability in Debate. Brasília, v. 10, n.3, pp. 379-395, 2019. CORDEIRO, L. A. M. et al. Integração lavoura-pecuária-floresta: o produtor pergunta, a Embrapa Responde. Brasília, DF: Embrapa (Coleção 500 Perguntas, 500 Respostas), 2015. pp. 21-33. 64Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) CORDEIRO, L. A. M. et al. Integração lavoura-pecuária-floresta: o produtor pergunta, a Embrapa Responde. Brasília, DF: Embrapa (Coleção 500 Perguntas, 500 Respostas), 2015. 393 p. EMBRAPA. Integração lavoura-pecuária-floresta: características, sistemas e implantação. Disponível em: https://www.embrapa.br/integracao-lavoura- pecuaria-floresta. Acesso em: 10 dez. 2022. INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA. Integração lavoura-pecuária- floresta: conceitos, características, principais sistemas e recomendações para implantação. Disponível em: https://www.inpa.gov.br/portal/ilpf. Acesso em: 10 dez. 2022. KLUTHCOUSKI J. et al. Renovação de pastagens de cerrado com arroz: I. Sistema Barreirão. Embrapa Arroz e Feijão. Goiânia: Embrapa, 1991. KLUTHCOUSKI, J. et al. Integração Lavoura-pecuária pelo consórcio de culturas anuais com forrageiras, em áreas de lavoura, nos sistemas direto e convencional. Brasília: Embrapa, 2000. KLUTHCOUSKI, J.; AIDAR, H. Implantação, condução e resultados obtidos com o sistema Santa Fé. In: KLUTHCOUSKI, J.; STONE, L.F.; AIDAR, H. (Ed.). Integração lavoura-pecuária Santo Antônio de Goiás. Embrapa Arroz e Feijão. Goiânia: Embrapa, 2003. p.407-442. MACHADO, A. M., MONTEIRO, J. M. Aplicativos móveis no apoio à gestão da produção agrícola. Revista Brasileira de Agroinformática, 16(3), 309-323. 2018. MARTINS, L. G., SILVA, L. 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Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Unidade 1 - Integração Lavoura-Pecuária-Floresta: conceitos, histórico, benefícios e desafios 1.1. Conceitos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) 1.2. Progresso do setor de agricultura e pecuária no Brasil e as iniciativas para agricultura sustentável 1.3. Modalidades e componentes envolvidos na ILPF 1.4. Vantagens e desafios da ILPF Considerações finaisou florestais. Os bioinsumos podem ser obtidos a partir de fontes naturais, como plantas, animais ou microrganismos, ou podem ser produzidos em laboratório por meio de técnicas de biotecnologia. Alguns exemplos de bioinsumos incluem: Fertilizantes orgânicos Matéria orgânica, como composto, esterco ou esterco de aves, que é utilizada para adubar o solo e aumentar sua fertilidade. Inseticidas naturais Substâncias obtidas a partir de plantas, como o óleo de neem, que são utilizadas para controlar pragas e insetos nas culturas agrícolas. Bactérias diazotróficas Microorganismos que fixam o nitrogênio do ar e o convertem em formas que podem ser utilizadas pelas plantas como fertilizante. Fermentos lácticos Bactérias que produzem ácido lático, que é utilizado como conservante natural em alimentos e como aditivo em rações animais. Enzimas Proteínas produzidas por seres vivos que catalisam reações químicas. As enzimas podem ser utilizadas em processos de produção de alimentos, como a produção de açúcar a partir de cana-de-açúcar. 8Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Plantio-Direto: é uma técnica agrícola que consiste em plantar as sementes diretamente no solo, sem que seja necessário fazer a preparação prévia do solo por meio de arado ou gradagem. Isso permite que a camada superficial do solo seja mantida intocada, preservando sua estrutura, sua umidade e sua biodiversidade. O plantio-direto pode ser implementado em diferentes sistemas agrícolas, como o sistema de rotação de culturas, em que diferentes espécies de plantas são plantadas em sequência em um mesmo local. Ele também pode ser usado em conjunto com outras práticas agrícolas, como a adubação orgânica e o controle de pragas e doenças. Alguns dos benefícios do plantio-direto incluem: Aumento da retenção de água no solo Ao preservar a estrutura do solo, o plantio-direto permite que a água da chuva seja retida por mais tempo no solo, o que pode reduzir a necessidade de irrigação e aumentar a resistência das plantas à seca. Redução da erosão do solo Ao evitar a remoção da camada superficial do solo, o plantio-direto impede que ela seja levada pelo vento ou pela água, o que pode reduzir a erosão e conservar a fertilidade do solo. Preservação da biodiversidade do solo Ao manterem a camada superficial do solo intocada, as práticas de plantio-direto permitem que se preserve a diversidade de microrganismos, insetos e outros seres vivos que habitam o solo, o que pode aumentar sua fertilidade e sua capacidade de suportar plantas saudáveis. Economia de custos Ao evitar a preparação do solo por meio de arado ou gradagem, o plantio-direto pode reduzir os custos de produção, já que é necessário menos combustível e menos mão de obra. 9Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Em resumo, a integração lavoura-pecuária-floresta é uma estratégia de produção sustentável que busca integrar atividades agrícolas, pecuárias e florestais em uma mesma área, com o objetivo de obter sinergia entre os componentes do agroecossistema e alcançar os pilares da sustentabilidade: adequação ambiental, viabilidade econômica e aceitação social. Ao adotar uma abordagem mais integrada e sustentável, é possível obter benefícios como aumento da produtividade e da rentabilidade, conservação dos recursos naturais e melhoria da qualidade de vida das comunidades envolvidas. É importante lembrar que, para que a ILPF seja realmente eficiente e sustentável, é preciso considerar fatores como a vocação do produtor, a realidade do mercado local e regional, e a finalidade de utilização da madeira produzida. Além disso, é essencial priorizar as ações considerando sua importância para o sucesso do sistema e a capacidade do produtor em implementá-las. Ao seguir essas orientações, é possível alcançar resultados positivos em termos de sustentabilidade e rentabilidade. 1.2. Progresso do setor de agricultura e pecuária no Brasil e as iniciativas para agricultura sustentável Vimos até aqui que a ILPF é uma estratégia versátil que pode ser utilizada em diferentes configurações, combinando dois ou três componentes em um sistema produtivo. A ILPF é classificada em quatro modalidades: Integração Lavoura- Pecuária (ILP), Integração Pecuária-Floresta (IPF), Integração Lavoura-Floresta (ILF) e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Cada modalidade apresenta suas vantagens e desvantagens, e deve ser escolhida de acordo com as condições locais e os objetivos do produtor. O uso de sistemas integrados de agricultura, pecuária e floresta (ILPF) tem sido cada vez mais comum no Brasil, principalmente em regiões como o Rio Grande do Sul. Esses sistemas foram introduzidos no país pelos imigrantes europeus e adaptados às condições tropicais e subtropicais. No passado, a ILPF foi usada principalmente para a produção de arroz inundado, mas com o tempo outros modelos foram desenvolvidos, como a integração de soja e milho com pastagens de inverno para pecuária de corte e pecuária de leite. Na década de 1990, começaram as pesquisas em integração de árvores e pastagens, com o objetivo de recuperar 10Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) áreas degradadas e aumentar a produtividade dessas áreas. Essas pesquisas resultaram no desenvolvimento de sistemas como o Barreirão e o Santa Fé, que são amplamente utilizados até hoje. Neste capítulo aprenderemos um pouco mais sobre esse assunto. Os sistemas associados de agricultura, pecuária e floresta foram trazidos ao Brasil através de imigrantes europeus, adaptando-os às condições tropicais e subtropicais. No Rio Grande do Sul, por exemplo, era realizada a integração da cultura do arroz inundado com pastagens, onde os animais entravam no sistema também para se alimentar de restos da cultura agrícola. Os pequenos produtores também trouxeram a prática de sistemas consorciados com diversas culturas (Nair, 1993). 1.2.1. Marcos históricos da ILPF Vamos conhecer alguns marcos importantes na história da ILPF, começando com o período que compreende as décadas de 1970 a 1990: Década de 1970 Outros modelos de integração lavoura-pecuária foram trabalhados com culturas de soja e de milho com pastagens de inverno para pecuária de corte e, posteriormente, com pecuária de leite. Década de 1990: • Iniciaram-se as primeiras pesquisas em integração de árvores e pastagens (silvipastoril) e árvores, pastagem e lavoura (agrossilvipastoril); • Pesquisas coordenadas pela Embrapa Arroz e Feijão (Goiás), culminaram no desenvolvimento do Sistema Barreirão, que foi desenvolvido para oferecer ao produtor rural uma forma de transformar áreas de pastagens degradadas e de baixa produtividade, em áreas mais produtivas, principalmente pela situação de desmatamento e degradação do bioma Cerrado. Visou um aumento de renda para o produtor e um manejo mais adequado do solo, onde o monocultivo já não apresentavam viabilidade econômica (Oliveira et al., 1996). 11Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Antes de prosseguirmos com nossa linha do tempo, veja esta palavra de especialista sobre o “sistema Barreirão”: O sistema Barreirão é uma tecnologia de recuperação/renovação de pastagens em consórcio com culturas anuais. Consorciam-se o arroz de sequeiro, o milho, o sorgo e o milheto com forrageiras, principalmente dos gêneros Brachiaria e Andropogon e/ou com leguminosas forrageiras, como Stylosanthes sp, Calopogonio mucunoides e Arachis pintoe. (Fonte: KLUTHCOUSKI et al., 1991 – negritos nossos) Voltemos agora à nossa linha do tempo, com as décadas mais recentes do processo de desenvolvimento do ILPF no Brasil. Década de 2000 • Consolidou-se o “Sistema Santa Fé’’, que também foi desenvolvido com foco prioritário no Cerrado e como alternativa para transformar pastagens degradadas em áreas produtivas, rentáveis e com manejo adequado do solo. Fundamenta-se esse sistema naintensificação do uso do solo, aumentando o período do ano com ocupação da terra. Esse sistema permite o plantio de braquiária consorciada de culturas de grãos – especialmente milho, sorgo, milheto e arroz (Kluthcouski e Aidar, 2003). Esse manejo também pode estar associado ao fornecimento de palhada ao solo para prepará-lo para o recebimento de outra cultura sob o Sistema Plantio Direto (Kluthcouski et al., 2000). • Em 2006 surge o Sistema Santa Brígida, que é baseado no consórcio de milho, braquiária e leguminosa, preferencialmente o guandu-anão. Os objetivos principais são a produção de uma forragem mais rica em proteína e o aumento do aporte de nitrogênio no solo (via Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), podendo reduzir a necessidade de fertilizante nitrogenado mineral ao cultivo subsequente (Oliveira et al., 2013). Décadas de 2010-2020 Em 2018, a Embrapa Agrossilvipastoril, situada no Mato Grosso, lançou o Sistema Gravataí, que consiste na integração lavoura-pecuária (ILP), consorciando o feijão- 12Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) caupi (Vigna unguiculata) com gramíneas do gênero Brachiaria, como B. ruziziensis e B. brizantha cvs. BRS Paiaguás e BRS Piatã (Paolinelli e Rodrigues, 2020). Esse sistema tem a forrageira e a pecuária como principais atividades na segunda safra. O sistema é indicado para áreas de Cerrado, com solos de textura média e/ou argilosa e deve ser usado após a colheita da lavoura na safra, como um precedente para a safra seguinte (Paolinelli e Rodrigues, 2020). Contribuir para a construção do perfil do solo por meio da melhoria dos seus atributos físicos, químicos e microbiológicos. Os plantios associados entre culturas anuais e culturas perenes ou entre frutíferas e árvores madeireiras são conhecidos na Europa desde a antiguidade, mas, em virtude, principalmente, da mecanização e da intensificação dos sistemas agrícolas, o uso foi reduzido (Balbino et al., 2011). No Brasil, a inclusão do componente arbóreo aos componentes lavoura e/ou pastagem, mesmo já sendo muito utilizado por pequenos produtores, eleva o conceito da ILP para integração lavoura-pecuária- floresta (ILPF) e representa um avanço inovador. As espécies Eucalyptus grandis e de P. elliottii aparecem como promissores desses sistemas. Os sistemas integrados de agricultura, pecuária e floresta (ILPF) são uma estratégia importante na produção de alimentos no Brasil. Esses sistemas, que combinam diferentes componentes em um sistema produtivo, apresentam diversas vantagens, como aumento da produtividade e redução dos impactos ambientais. A ILPF tem sido cada vez mais utilizada no país, principalmente no Rio Grande do Sul, onde foram desenvolvidos modelos como o Barreirão e o Santa Fé. As pesquisas sobre agricultura sustentável têm sido um importante foco da ILPF, com o objetivo de promover a recuperação de áreas degradadas e aumentar a produção de alimentos de maneira sustentável. 1.3. Modalidades e componentes envolvidos na ILPF Já mencionamos – e é importante sempre reforçar – que o método de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é uma estratégia de produção sustentável que pode ser utilizada em diferentes configurações, combinando dois ou três componentes em um sistema produtivo. A ILPF pode ser classificada em quatro modalidades: Integração Lavoura-Pecuária (ILP), Integração Pecuária-Floresta (IPF), Integração Lavoura-Floresta (ILF) e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta 13Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) (ILPF). Cada modalidade é caracterizada por uma combinação específica dos componentes agrícola, pecuário e florestal. Neste tópico de nossa Unidade 1 serão abordadas as características de cada modalidade de ILPF e suas possíveis vantagens e desvantagens. A estratégia de ILPF contempla modalidades de sistemas que se assemelham à classificação de sistemas agroflorestais – silviagrícola, silvipastoril e agrossilvipastoril (Nair, 1993). Entretanto, a ILPF apresenta classificação mais abrangente quando incluí uma modalidade sem o componente florestal. Assim sendo, a ILPF pode ser utilizada em diferentes configurações, combinando dois ou três componentes em um sistema produtivo e é classificada em quatro modalidades (Figura 1), de acordo com Balbino et al. (2011), sendo: Integração Lavoura-Pecuária (ILP) ou Agropastoril Integra os componentes lavoura e pecuária, em rotação, consórcio ou sucessão, na mesma área, em um mesmo ano agrícola ou por múltiplos anos. Integração Pecuária-Floresta (IPF) ou Silvipastoril Integra os componentes pecuária e floresta em consórcio. Integração Lavoura-Floresta (ILF) ou Silviagrícola Integra os componentes floresta e lavoura, pela consorciação de espécies arbóreas com cultivos agrícolas (anuais ou perenes). Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) ou Agrossilvipastoril Integra os componentes lavoura, pecuária e floresta, em rotação, consórcio ou sucessão, na mesma área. 14Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Figura 1. Esquema ilustrativo representando as quatro modalidades da ILPF. 1.4. Vantagens e desafios da ILPF A estratégia ILPF defende a diversificação das atividades agrícolas, pecuárias e flo- restais e, com isso, ocorre a complementaridade e a sinergia entre os componentes bióticos e abióticos, apresentando, dentre as diversas vantagens: AMBIENTAIS • Redução da pressão para a abertura de novas áreas; • Diminuição no uso de agroquímicos para controle de insetos-praga, doenças e plantas daninhas; • Mitigação da emissão de gases de estufa e aumento da capacidade de sequestro de carbono; • Redução da emissão do gás metano por quilograma de carne produzido; • Intensificação da ciclagem de nutrientes; • Conservação do solo e água; • Melhoria dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo devido ao aumento da matéria orgânica. 15Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Imagem - fonte: https://www.freepik.com/ ECONÔMICAS • Incremento da produção anual de alimentos a menor custo e oferta de alimentos de maior qualidade; • Diversificação de atividades comerciais (agrícolas, pecuária, madeireiras e não madeireiras) e redução de riscos em razão de melhorias nas condições de produção; • Aumento da produtividade e da qualidade dos produtos e redução da sazonalidade de produção; • Aumento da renda dos empreendimentos rurais; • Agregação de valor aos produtos; • Aumento do bem-estar animal, em decorrência do maior conforto térmico e consequentemente aumento de produtividade; • Redução de custos com insumos e com os custos fixos para produção animal; • Maior eficiência de utilização dos recursos naturais. https://www.freepik.com/ 16Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Imagem - fonte: https://www.freepik.com/ SOCIAIS • Adaptável para diversas unidades de produção, desde grandes, médias e pequenas propriedades rurais; • Maior inserção social pela geração de emprego direto e indireto no campo; • Estímulo à qualificação profissional; • Melhoria da qualidade de vida do produtor e da sua família; • Melhoria da imagem da produção agropecuária por conciliar atividades produtivas e conservação ambiental. Imagem - fonte: https://www.freepik.com/ https://www.freepik.com/ https://www.freepik.com/ 17Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Aprenda mais acessando o link a seguir: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/ publicacao/1022098/integracao-lavoura-pecuaria-floresta-o- produtor-pergunta-a-embrapa-responde Desafios da ILPF • Tradicionalismo e resistência dos produtores à adoção de novos componentes; • Exigência de maior qualificação e dedicação por parte dos produtores, técnicos e colaboradores; • Competição por luz entre as espécies florestais e os cultivos agrícolas e pastoris. Por isso, na ILPF é importante a correta seleção de espécies, a definiçãodo arranjo de plantio e os tratos silviculturais aplicados (por exemplo, desrama); • Altos investimentos em infraestrutura e equipamentos para implantação de cada um dos componentes; • Aquisição de mudas e/ou sementes das árvores, exigindo também um conhecimento especializado no que se refere à implementação, condução e manejo de árvores em sistemas de integração; • Resistência do produtor pelo retorno em médio a longo prazo do componente florestal; • Dificuldade no acesso ao crédito; • Falta de infraestrutura básica regional e mercado local para os produtos; • Longas distâncias até as regiões consumidoras; • Dificuldade de aquisição de insumos, sementes e mudas, bem como comercialização dos produtos; • Pouca disponibilidade de técnicos e colaboradores qualificados; • Maior complexidade agregando riscos ao sistema. https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1022098/integracao-lavoura-pecuaria-floresta-o-produtor-pergunta-a-embrapa-responde https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1022098/integracao-lavoura-pecuaria-floresta-o-produtor-pergunta-a-embrapa-responde https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1022098/integracao-lavoura-pecuaria-floresta-o-produtor-pergunta-a-embrapa-responde 18Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Considerações finais Uma alternativa para facilitar a conversão para sistemas de integração é o estabelecimento de parcerias, ingresso em associações, cooperativas ou sindicatos de trabalhadores rurais, visto que o parceiro poderá executar as atividades para as quais o produtor não está tão preparado, com benefícios mútuos para produtores e parceiros. Nesta unidade, vimos que o setor de agricultura e pecuária no Brasil tem passado por um processo de crescimento e desenvolvimento ao longo dos anos. Iniciativas como o uso de sistemas associados de agricultura, pecuária e floresta, bem como o desenvolvimento de tecnologias de agricultura sustentável, como o Sistema Barreirão e o Sistema Santa Fé, têm contribuído para aumentar a produtividade e a rentabilidade desses setores. Estas tecnologias também têm permitido um manejo mais adequado do solo e do meio ambiente, ajudando a preservar a biodiversidade e a sustentabilidade dessas atividades econômicas no Brasil. Na próxima unidade, aprenderemos um pouco sobre o planejamento e a gestão estratégica em propriedades rurais, oportunidade na qual veremos, entre outras coisas, que o processo de planejamento envolve a definição de objetivos e ações para alcançá-los, levando em consideração fatores como a vocação do produtor, a realidade do mercado local e regional, e a finalidade de utilização da madeira produzida. Sumário Unidade 2 - Planejamento e gestão da propriedade............................................ 21 2.1. Uma breve introdução ao Planejamento e à Gestão Estratégica ............... 21 2.2. Conhecendo a Propriedade Rural: diagnóstico da área produtiva e perfil técnico do(a) produtor(a) ..................................................................................... 24 2.3. Aplicativos e Ferramentas para Planejamento e Gestão da propriedade rural ....................................................................................................................... 25 2.4. Plano de negócios para propriedades rurais ............................................... 26 Considerações finais ......................................................................................... 31 21Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Unidade 2 - Planejamento e gestão da propriedade Bem-vindo(a) à segunda Unidade desde Módulo 1 do nosso Curso Introdutorio de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Trataremos, nos tópicos seguintes, de aspectos importantes no que diz respeito ao Planejamento e Gestão da Propriedade, assunto que, mais tarde, no Módulo 5 deste curso, você terá a oportunidade de aprofundar. Ao final desta unidade, você será capaz, minimamente, de compreender, mapear e padronizar o processo de organização das propriedades rurais, visando um planejamento de curto, médio e longo prazo, a fim de reduzir custos das atividades, proporcionar maior rentabilidade da unidade de produção, maior qualidade da produção e adequação ambiental. Assista ao vídeo e depois prossiga com a leitura do conteúdo. https://youtu.be/LlGwDWdGxLI 2.1. Uma breve introdução ao Planejamento e à Gestão Estratégica Para iniciar o planejamento da propriedade, é preciso pensar nas seguintes perguntas: • O que somos atualmente? • O que gostaríamos de ser? • Como passar do que somos para o que gostaríamos de ser? Para se realizar um planejamento, é preciso delimitar os objetivos a serem atingidos e as ações necessárias e apropriadas que devem ser executadas para alcançá-los. Para iniciar esse processo, recomenda-se a presença de um técnico especializado para que este possa contribuir com o preparo das etapas. Na ILPF, diversos fatores influenciarão as escolhas a serem feitas. Para o adequado planejamento, devem-se considerar, dentre outros, os seguintes fatores: • A vocação, experiência e preferências do produtor; • Realidade do mercado local e regional; https://youtu.be/LlGwDWdGxLI 22Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) • Finalidade de utilização da madeira a ser produzida e o manejo das árvores; • Utilização dos princípios do manejo e conservação do solo e da água; • Respeito à capacidade de uso da terra e ao zoneamento climático agrícola; • Manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas; • Otimização dos fatores de produção imobilizados (terra, infraestrutura física e mão-de-obra); • Sistema de plantio direto ou cultivo mínimo; • Balanço positivo de carbono (sistema fixador de C); • Sinergismo entre os componentes do sistema; • Diversificação de receitas; • Redução do custo; e • Aumento e estabilidade do lucro ao longo do tempo. O planejamento deverá ser realizado de maneira a atender essas e outras demandas. Uma das etapas do planejamento que é a definição do melhor arranjo espacial, por exemplo, irá depender diretamente dos objetivos de produção, respeitando-se o princípio básico de que a disposição de plantio mais indicada não deve impactar negativamente os outros componentes do sistema. Dentro do planejamento, as ações devem ser priorizadas considerando-se sua importância para o sucesso do sistema e a capacidade do agropecuarista em implementá-las. Em outras palavras, o planejamento e gestão estratégica da propriedade rural em sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é fundamental para garantir o sucesso do negócio e a sustentabilidade do sistema. Para iniciar o planejamento, é preciso delimitar os objetivos a serem alcançados e as ações necessárias e apropriadas para atingi-los. É importante levar em consideração a vocação, experiência e preferências do produtor, a realidade do mercado local e regional, a finalidade de utilização da madeira produzida e o manejo das árvores, entre outros fatores. Uma das etapas do planejamento é a definição do melhor arranjo espacial, que deve considerar os objetivos de produção e respeitar o princípio básico de que a 23Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) disposição de plantio não deve impactar negativamente os outros componentes do sistema. É importante também levar em consideração o uso adequado dos princípios do manejo e conservação do solo e da água, o respeito à capacidade de uso da terra e ao zoneamento climático agrícola, bem como o manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas. Outra etapa importante do planejamento é a otimização dos fatores de produção imobilizados, como a terra, a infraestrutura física e a mão-de-obra. É importante considerar a possibilidade de utilização de sistemas de plantio direto ou cultivo mínimo, que podem trazer benefícios como a fixação de carbonoe a conservação do solo. Além disso, é importante buscar sinergia entre os componentes do sistema, diversificação de receitas e redução de custos. Na gestão estratégica da propriedade, é fundamental monitorar e avaliar o desempenho do sistema e tomar decisões baseadas em dados e análises. Isso pode incluir a avaliação do balanço positivo de carbono, a análise dos custos e receitas, e a avaliação da estabilidade do lucro ao longo do tempo. Além disso, é importante manter a comunicação e o diálogo constantes com os demais membros da propriedade e com profissionais especializados. Em resumo, o planejamento e gestão estratégica da propriedade rural em sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta é um processo fundamental para garantir o sucesso e a sustentabilidade do negócio. É importante levar em consideração diversos fatores, como a vocação, experiência e preferências do produtor, a realidade do mercado local e regional, e os princípios de manejo e conservação do solo e da água. É fundamental definir os objetivos e as ações necessárias para alcançá-los, além de otimizar os fatores de produção imobilizados e buscar sinergia entre os componentes do sistema. Na gestão estratégica, é importante monitorar e avaliar o desempenho do sistema e tomar decisões baseadas em dados e análises. 24Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) 2.2. Conhecendo a Propriedade Rural: diagnóstico da área produtiva e perfil técnico do(a) produtor(a) O primeiro passo no processo de implementação de sistemas de ILPF é realizar um diagnóstico da situação atual do negócio, considerando a região onde se encontra o estabelecimento rural e o perfil do produtor. O diagnóstico engloba, por exemplo, o sistema de produção predominante na região, os mercados locais e o acesso a outros mercados, infraestrutura de transporte e armazenamento, sistema de produção existente no estabelecimento rural em questão, índices de produção e forma de gestão. O sistema de produção predominante na região é um fator importante a ser considerado, pois pode influenciar na escolha de espécies a serem cultivadas ou criadas e na forma de produção adotada. Além disso, é importante conhecer os mercados locais e o acesso a outros mercados, bem como a infraestrutura de transporte e armazenamento disponíveis. O sistema de produção existente no estabelecimento rural também deve ser avalia- do, incluindo a área produtiva, as espécies cultivadas ou criadas e os equipamentos e instalações existentes. Além disso, é importante levantar os índices de produção, a fim de identificar o potencial de expansão ou melhoria do negócio. O perfil técnico do produtor também é relevante no diagnóstico, pois pode influenciar na capacidade de implementação de novas tecnologias e práticas de produção. É importante considerar o nível de escolaridade, experiência no setor agrícola, conhecimento técnico e habilidades gerenciais do produtor. Em resumo, o diagnóstico da propriedade rural é fundamental para identificar o potencial de implantação de sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta e para planejar as ações necessárias para a melhoria do negócio. É importante considerar a região, o sistema de produção, os mercados, a infraestrutura e o perfil técnico do produtor na realização desse diagnóstico. 25Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) 2.3. Aplicativos e Ferramentas para Planejamento e Gestão da propriedade rural O planejamento e gestão eficientes da propriedade rural são fundamentais para garantir a sustentabilidade e rentabilidade dessas atividades. Diante disso, é cada vez mais comum o uso de aplicativos e ferramentas tecnológicas para auxiliar nesse processo. Existem diversas opções de aplicativos e ferramentas que podem ser utilizadas para o planejamento e gestão da propriedade rural, como por exemplo: Aplicativos de mapeamento Permitem o mapeamento preciso da propriedade, registrando informações como limites de terras, áreas de plantio, pastagens, corpos d’água, entre outros. Isso permite uma visualização clara da propriedade e facilita a tomada de decisões sobre a utilização dos recursos disponíveis. Aplicativos de gestão de produção Auxiliam na gestão do ciclo produtivo, registrando informações sobre colheita, armazenamento, distribuição, entre outras etapas. Isso permite acompanhar o desempenho da produção e tomar decisões estratégicas para maximizar a rentabilidade. Aplicativos de monitoramento climático Permitem acompanhar as condições meteorológicas em tempo real, como temperatura, umidade, precipitação e outros dados relevantes para o planejamento das atividades agrícolas e pecuárias. Isso permite ajustar as atividades de acordo com as condições climáticas e minimizar o risco de perdas. Ferramentas de análise de solo Permitem avaliar a qualidade do solo e identificar nutrientes e características que influenciam na produtividade das culturas. Isso permite aplicar os insumos adequados para maximizar a produção e minimizar o impacto ambiental. 26Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Ferramentas de planejamento financeiro Auxiliam na gestão financeira da propriedade, registrando custos, receitas, investimentos e outras informações relevantes para o planejamento orçamentário. Isso permite controlar as finanças e tomar decisões estratégicas para garantir a sustentabilidade e rentabilidade da propriedade. Em resumo, o uso de aplicativos e ferramentas tecnológicas para o planejamento e gestão da propriedade rural é cada vez mais importante para garantir a eficiência e rentabilidade dessas atividades. Essas ferramentas permitem um melhor aproveitamento dos recursos, acompanhar o desempenho da produção em tempo real, minimizar o risco de perdas devido às condições climáticas e aplicar os insumos adequados para maximizar a produtividade das culturas. Além disso, as ferramentas de planejamento financeiro são fundamentais para garantir a sustentabilidade e rentabilidade da propriedade. É importante ressaltar que o uso dessas ferramentas exige algum investimento inicial, tanto em termos financeiros quanto em termos de capacitação dos profissionais envolvidos. No entanto, a longo prazo, esses investimentos podem trazer retornos consideráveis em termos de eficiência e rentabilidade. 2.4. Plano de negócios para propriedades rurais Neste tópico, iremos demonstrar o que pode constar numa proposta de “modelo” de Plano de negócios para propriedades rurais. Vamos ver cada uma das etapas de sua elaboração! 1. Diagnóstico Antes de iniciar qualquer plano de negócios para uma propriedade rural, é impor- tante realizar um diagnóstico inicial da situação atual da propriedade. Isso inclui verificar o tamanho da propriedade, a disponibilidade de recursos como solo e água, a localização geográfica, o clima e o mercado local. Também é importante entender os objetivos e metas do proprietário da propriedade, bem como as necessidades dos clientes e consumidores. 27Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) 2. Mapeamento da cadeia produtiva atual e futura O próximo passo é mapear a cadeia produtiva atual da propriedade, identificando os produtos que são produzidos e vendidos atualmente, bem como os principais fornecedores, clientes e concorrentes. Isso pode incluir a produção de grãos, frutas, legumes, carne, leite ou outros produtos agrícolas. Além disso, é importante olhar para o futuro e identificar oportunidades de negócio em novos produtos que poderiam ser produzidos na propriedade, como por exemplo, a implantação de um modelo de negócios de produção integrada de alimentos e florestas (ILPF). Isso pode incluir a produção de árvores frutíferas, plantas medicinais ou outros produtos florestais que podem ser vendidos para o mercado local ou para indústrias de processamento de alimentos. 3. Plano de negócio O plano de negócio deve incluir as seguintes informações:• A(s) cultura(s) a ser(em) implementada(s) no modelo de negócios ILPF: O plano de negócio deve incluir uma descrição detalhada das culturas que serão implementadas no modelo de produção integrada de alimentos e florestas, incluindo informações sobre o ciclo de produção, as necessidades de insumos e mão de obra, e as expectativas de produção e lucratividade. • Principais parcerias: O plano de negócio deve identificar as principais par- cerias que serão estabelecidas para a implantação e o desenvolvimento do modelo de negócios, incluindo fornecedores de insumos, parceiros de pro- cessamento e comercialização, instituições de pesquisa e desenvolvimen- to, e outras entidades que possam contribuir para o sucesso do negócio. • Atividades-chave: O plano de negócio deve identificar as principais ativida- des que serão realizadas na propriedade para implantar e operar o modelo de negócios, incluindo a produção agrícola e florestal, o processamento e armazenamento de produtos, a comercialização e distribuição, a pesquisa e desenvolvimento, e a gestão administrativa e financeira. • Propostas de valor (ambiental, social e econômico): O plano de negócio deve descrever como o modelo de negócios de produção integrada de alimentos e florestas será capaz de gerar valor ambiental, social e econômico para 28Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) a propriedade e para a comunidade local. Isso pode incluir a conservação de recursos naturais, a geração de empregos e renda, o desenvolvimento de novas tecnologias, ou a produção de alimentos saudáveis e de alta qualidade. • Recursos principais: O plano de negócio deve identificar os principais recursos que serão utilizados na propriedade para implementar e operar o modelo de negócios, incluindo o solo, a água, a mão de obra, a maquinaria e equipamentos, e os insumos necessários. Também deve incluir uma análise de viabilidade técnica, econômica e ambiental dos recursos utilizados. • Relacionamento com cliente: O plano de negócio deve descrever como a propriedade irá estabelecer e manter um relacionamento positivo com os clientes, incluindo estratégias de comunicação, atendimento ao cliente, e oferta de produtos e serviços de alta qualidade. • Canais: O plano de negócio deve identificar os principais canais de comercialização que serão utilizados para vender os produtos da propriedade, incluindo o mercado local, redes de distribuição, e lojas especializadas. • Segmentos de clientes: O plano de negócio deve identificar os principais segmentos de clientes que serão atendidos pela propriedade, incluindo o mercado local, o mercado regional, ou o mercado nacional ou internacional. • Estrutura de custos e fontes de receitas: O plano de negócio deve incluir uma estimativa detalhada da estrutura de custos e fontes de receitas da propriedade, incluindo os custos de produção, processamento, armazenamento, comercialização, e gestão administrativa e financeira. Também deve incluir uma estimativa das principais fontes de receitas, incluindo o preço dos produtos, as vendas, e outras formas de geração de renda, como por exemplo, a venda de serviços de consultoria ou de licenciamento de tecnologias desenvolvidas na propriedade. 4. Cronograma físico-financeiro O cronograma físico-financeiro deve incluir um calendário detalhado das principais atividades a serem realizadas na propriedade para implementar e operar o modelo de negócios, incluindo a produção agrícola e florestal, o processamento e armazenamento de produtos, a comercialização e distribuição, a pesquisa e 29Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) desenvolvimento, e a gestão administrativa e financeira. O cronograma deve incluir também uma estimativa dos custos e receitas a serem gerados a cada etapa do processo, permitindo uma análise da viabilidade financeira do projeto. 5. Monitoramento e avaliação O plano de negócios deve incluir um plano detalhado de monitoramento e avaliação para acompanhar o progresso do projeto e identificar oportunidades de melhoria. Isso pode incluir a realização de pesquisas de mercado, a coleta de dados de produção, a avaliação de indicadores ambientais e sociais, e a participação em eventos e feiras para promover os produtos da propriedade. • Aplicativos e/ou ferramentas para desenvolvimento de plano de negócio da propriedade rural Existem diversos aplicativos e ferramentas que podem ser utilizados para desenvolver um plano de negócios para propriedades rurais. Algumas opções incluem: • Canvas de modelo de negócios: é uma ferramenta visual que permite a criação de um plano de negócios de forma rápida e intuitiva, permitindo identificar e mapear os principais componentes do modelo de negócios, incluindo os recursos, parceiros, atividades-chave, propostas de valor, e relacionamento com cliente. • Planilhas de orçamento e fluxo de caixa: são ferramentas que permitem criar e gerenciar o orçamento e o fluxo de caixa da propriedade, permitindo uma análise detalhada dos custos e receitas, e a criação de cenários futuros para avaliar a viabilidade financeira do projeto. • Sistemas de gerenciamento de produção: são aplicativos que permitem o gerenciamento da produção agrícola e florestal na propriedade, incluindo o planejamento, o acompanhamento, e o controle das atividades de produção, processamento e armazenamento. Isso pode incluir a coleta de dados de produção, o controle de insumos e mão de obra, e o gerenciamento de estoques e qualidade dos produtos. • Sistemas de gestão de vendas e distribuição: são aplicativos que permitem o gerenciamento da comercialização e distribuição dos produtos da propriedade, incluindo o planejamento, o acompanhamento, e o controle das 30Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) atividades de vendas e distribuição. Isso pode incluir a criação de catálogos de produtos, a gestão de pedidos e entregas, e o acompanhamento do relacionamento com clientes e fornecedores. Demos aqui um exemplo detalhado de um plano de negócios para propriedades rurais, incluindo informações sobre o diagnóstico inicial, o mapeamento da cadeia produtiva, o plano de negócio, o cronograma físico-financeiro, o monitoramento e avaliação, e a utilização de aplicativos e ferramentas. No entanto, é importante lembrar que o plano de negócios deve ser desenvolvido de forma personalizada para cada propriedade, levando em conta as particularidades de cada caso, como o tamanho da propriedade, o clima, o mercado local, e os objetivos e metas do proprietário. Para saber mais Para elaborar um plano de negócios detalhado para propriedades rurais, é importante consultar fontes confiáveis e atualizadas. Algumas fontes que poderiam ser consultadas incluem: BARROS, L. C. de. Plano de negócio: guia prático para elaboração, implementação e avaliação de projetos de investimento. São Paulo: Atlas, 2008. FERREIRA, A. P. Diagnóstico empresarial: uma ferramenta estratégica para a gestão. São Paulo: Atlas, 2005. FILION, L. J. Como elaborar um plano de negócios: guia passo a passo para criar, desenvolver e implementar seu projeto de sucesso. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. MARQUES, A. C. Aprender a fazer um plano de negócios: como elaborar e implementar um plano de negócios. São Paulo: Atlas, 2008. MORENO, J. C. Plano de negócios: como fazer e usar. São Paulo: Atlas, 2006. 31Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Considerações finais Além dessas fontes, também seria importante consultar referências específicas sobre o mercado de propriedades rurais e sobre a cadeia produtiva relevante para o negócio em questão. Além disso, pode ser útil consultar aplicativos e ferramentas de gestão e planejamento de negócios para auxiliar na elaboração do plano. Nesta unidade, aprendemos sobre o planejamento e gestão estratégica em propriedades rurais. O processo de planejamento envolve a definição deobjetivos e ações para alcançá-los, levando em consideração fatores como a vocação do produtor, a realidade do mercado local e regional, e a finalidade de utilização da madeira produzida. O planejamento também deve considerar a conservação do solo e da água, bem como o manejo integrado de pragas e doenças. É importante priorizar as ações considerando sua importância para o sucesso do sistema e a capacidade do produtor em implementá-las. Na próxima unidade, buscaremos difundir as metas, políticas, ações privadas e parcerias público-privadas de fomento para aumento da adoção da ILPF por produtores(as) rurais em todas as regiões brasileiras. Até lá! Sumário Unidade 3 - ILPF em políticas públicas e compromissos internacionais ............. 34 3.1. Agenda global para minimizar os problemas ambientais mundiais: Con- venção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) ....... 34 3.2. Políticas Públicas de Fomento à Adoção de ILPF ....................................... 38 3.3. Potencial de mitigação de gases de efeito estufa via ILPF ........................ 44 3.4. Transferência de Tecnologia e Fomento à Adoção da ILPF ....................... 51 Considerações finais ......................................................................................... 53 34Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Unidade 3 - ILPF em políticas públicas e compromissos internacionais Bem-vindo(a) à terceira Unidade desde Módulo 1 do nosso Curso Básico de Inte- gração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Nesta unidade, conheceremos um pouco a respeito da Agenda global para minimização de problemas ambientais; tratare- mos sobre algumas políticas de fomento à implantação da ILPF; conheceremos um pouco do potencial de mitigação de gases de efeito estufa (GEE) via ILPF; e, por fim, abordaremos o tema da transferência de Tecnologia e fomento à adoção da ILPF. Bons estudos! 3.1. Agenda global para minimizar os problemas ambientais mundiais: Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) A Conferência Mundial do Clima, que foi realizada em Genebra em 1990, foi o ponto de partida para as discussões sobre o estabelecimento da Convenção- Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC)1, um tratado entre quase todos os países do mundo que estabelece os princípios, normas, papéis e cooperação entre as partes para a tomada de decisões sobre mudanças climáticas. Em 1992, foi realizada a primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, conhecida como a Conferência Eco-92 ou Rio-92, que culminou em três iniciativas importantes: as Convenções de Desertificação, Biodiversidade e Mudança do Clima. A Convenção impôs um conjunto de metas de redução de emissões de gases de efeito estufa para alguns países, principalmente os desenvolvidos, listadas no Anexo I2, mas não impôs metas iniciais de redução de emissões para países em desenvolvimento e menos desenvolvidos. Além disso, os países listados no Anexo 1 Cf. CONCEIÇÃO, M. C. G. et al. International climate change negotiation: the role of Brazil. Sustainability in Debate. Brasília, v. 10, n.3, p. 379-395, 2019. 2 Ver lista do Anexo I e II no DECRETO Nº 2.652, DE 1º DE JULHO DE 1998. “Promulga a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, assinada em Nova York, em 9 de maio de 1992”. Disponível em http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d2652.htm Acesso em: 12 dez. 2022. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d2652.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d2652.htm 35Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) I foram obrigados a promover políticas e medidas para a redução de emissões para atingir o nível de emissão do ano de 1990, um compromisso que não foi alcançado. A Convenção ainda apresentou o Princípio da Precaução, na qual retrata que a falta de certeza científica total não deve ser usada como razão para os países adiarem medidas para prever, prevenir ou minimizar as causas das mudanças climáticas e mitigar seus efeitos adversos e; o Princípio das Responsabilidades Comuns, Mas Diferenciadas, na qual as Partes devem proteger o sistema climático em benefício das gerações presentes e futuras com base na equidade e seguindo suas responsabilidades comuns, mas diferenciadas e respectivas capacidades. A Convenção propôs uma série de compromissos comuns a todas as Partes signatárias, tais como: 1. Elaboração de Comunicação Nacional, contendo o inventário de emissões antrópicas de GEE por gás e setor econômico; 2. Promoção de programas de mitigação e adaptação; 3. Desenvolvimento de tecnologias para redução e prevenção de emissões; 4. Proteção de sumidouros de carbono, como florestas e oceanos; 5. Consideração das mudanças climáticas nas políticas sociais, econômicas e ambientais; 6. Promoção da investigação científica sobre as alterações climáticas; 7. Promoção de ações de educação, formação e sensibilização. Ver as ações de mitigação apresentadas pelo Brasil clicando no link a seguir: BRASIL – UNFCC https://www4.unfccc.int/sites/submissions/INDC/Published%20Documents/Brazil/1/BRAZIL%20iNDC%20english%20FINAL.pdf 36Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) 2017 COP23: realizada na Alemanha em 2017, foi criado o Diálogo Talanoa com o objetivo de incentivar os países signatários da UNFCCC a fortalecerem seus compromissos para conter o aquecimento global no período anterior a 2020. O Diálogo Talanoa consiste em uma plataforma internacional onde todos os países podem compartilhar suas ações de combate às mudanças climáticas e assim trocar experiências. No Brasil, esse processo de diálogo inclusivo teve início em 2 de agosto de 2018, em um evento denominado Diálogo Talanoa - Brasil, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Ministério das Relações Exteriores, com apoio do Banco Mundial. 2018 COP24: ocorreu em Katowice, Polônia (2018). As partes adotaram um pacote de diretrizes para implementação do Acordo de Paris, denominado Pacote Climático de Katowice. O mecanismo de transparência, que detalha como mensurar os esforços nacionais para operacionalizar conjuntamente a estrutura de transparência e a definição de como os países fornecerão informações sobre suas NDCs com suas respectivas ações de mitigação e adaptação; Diretrizes relacionadas ao processo 37Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) de estabelecimento de novas metas de financiamento a partir de 2025, com base na meta atual de mobilizar US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para apoiar os países em desenvolvimento, bem como diretrizes para avaliar o progresso no desenvolvimento e transferência de tecnologia; Regras sobre como atualizar as metas de cada país em ciclos de cinco anos, entre outros itens. 2022 COP27: A 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27) foi realizada com base nas expectativas geradas pelo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulgado em fevereiro de 2022, que destaca os efeitos das mudanças climáticas no planeta. O apelo da secretária executiva da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC), Patrícia Espinosa, para ações mais rápidas para promover a neutralidade de carbono ocorreu um dia antes da reunião ministerial do Fórum das Grandes Economias de Energia e Clima, grupo de países responsáveis por cerca de 80% das emissões globais de gases de efeito estufa. A COP27 acontece num cenário de pressão, uma vez que os países estão longe do nível de ambição necessário para alcançar as metas do Acordo de Paris, segundo a ONU. Temas importantes para a COP27 incluem redução de emissões, adaptação aos impactos das mudanças climáticas e financiamento climático, com foco no financiamento para adaptação. De acordo com a The Nature Conservancy (TNC), o relatório do IPCC destaca o aumento da frequência e intensidadede eventos climáticos extremos que ameaçam a saúde e segurança de milhões de pessoas em todo o mundo. Em resumo, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) é um tratado internacional que visa estabelecer um conjunto de princípios, 38Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) normas e papéis para a cooperação entre os países no enfrentamento das mudanças climáticas. A Convenção estabelece metas de redução de emissões de gases de efeito estufa para alguns países, principalmente os desenvolvidos, e promove a proteção de sumidouros de carbono, o desenvolvimento de tecnologias ambientalmente amigáveis e a consideração das mudanças climáticas nas políticas nacionais e regionais. Além disso, a Convenção estabelece os princípios da Precaução e das Responsabilidades Comuns, Mas Diferenciadas para lidar com as mudanças climáticas de maneira justa e responsável. 3.2. Políticas Públicas de Fomento à Adoção de ILPF O Brasil é um país em desenvolvimento que não foi obrigado a fixar metas de redução de emissões de GEE em acordos internacionais. Entretanto, conforme visto no tópico acima, apresentou ações voluntárias na COP15 de reduzir 36,1% e 38,9% as emissões de GEE projetadas para 2020, estimando assim uma redução da ordem de 1.168 e 1.259 milhões de toneladas de CO2eq2. Para que as metas sejam cumpridas, foram propostas a redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, a ampliação da eficiência energética e a adoção de práticas sustentáveis no setor agropecuária. Os compromissos foram oficializados pela criação da Lei nº 12.187 (de 29 de dezembro de 2009) que estabelece a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), buscando um desenvolvimento econômico e social visando a proteção do sistema climático global (Brasil 2009). Consta nesta legislação, que o Poder Executivo estabelecerá “Planos Setoriais de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas visando a Consolidação de uma Economia de Baixo Consumo de Carbono” em setores da economia, inclusive na agricultura. A partir disso, foi publicado o Decreto no 7.390/2010 (revogado pelo decreto nº 9.578, de 22 de novembro de 2018) regulamentando alguns artigos da Lei nº 12.187 e, estabeleceu, para o setor da agricultura, o “Plano Setorial para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC)” (Brasil, 2012). Esse plano teve como objetivo promover a mitigação dos GEE do setor de agricultura e pecuária no âmbito da PNMC, melhorando a eficiência no uso de recursos naturais, aumentando a resiliência de sistemas produtivos e de 39Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) comunidades rurais, e possibilitar a adaptação do setor agropecuário às mudanças climáticas. O Plano ABC, com metas estimadas até 2020, previa: Tabela 13. Processo Tecnológico, compromisso nacional relativo (aumento da área de adoção ou uso) e potencial de mitigação por redução de emissão de GEE (milhões de Mg CO2 eq). Processo Tecnológico Compromisso assumido (aumento de área/uso) Potencial de Mitigação esperado(milhões Mg CO2 eq) Recuperação de Pastagens De- gradadas (Por meio do manejo adequado e adubação) 15,0 milhões ha 83 a 104 Integração Lavoura-Pecuária- -Floresta (incluindo sistemas agroflorestais) 4,0 milhões ha 18 a 22 Sistema Plantio Direto 8,0 milhões ha 16 a 20 Fixação Biológica de Nitrogênio 5,5 milhões ha 10 Florestas Plantadas 1 3,0 milhões ha - Tratamento de Dejetos Animais 4,4 milhões m3 6,9 Total __ 133,9 a 162,9 1Não está computado o compromisso brasileiro relativo ao setor da siderurgia; e, não foi contabilizado o potencial de mitigação de emissão de GEE. Para cumprimento, foi proposto ações como fortalecimento das organizações de assistência técnica e extensão rural, capacitação e informação, estratégias de transferência de tecnologia, por exemplo, dias-de-campo, palestras, seminários, workshops, implantação de Unidades de Referência Tecnológica (URTs), além de campanhas de divulgação e chamadas públicas para contratação de serviços de 3 Cf. BRASIL. Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura. Brasília: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 2012. 40Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER). Também assistência direcionada aos sistemas de integração entre lavoura, pecuária e/ou floresta e Sistemas Agroflorestais (SAFs). Além disso, ações em termos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, incentivo a mecanismos de certificação, redução de custos de escoamento e agregação de valor, disponibilização de insumos básicos e inoculantes para agricultores familiares e de assentados da reforma agrária, fomento a viveiros florestais, redes de coleta de sementes de espécies nativas, disponibilização de linhas crédito rural, entre outras (Brasil, 2012). Essas ações foram colocadas em prática e, em 2020, as áreas de ILPF no Brasil foram estimadas em 17,43 milhões de hectares (Mha), quase 10 Mha a mais do que havia no ano de 2012 (ano de lançamento do Plano ABC). Para atingir os objetivos estipulados pelo Plano ABC, foi fomentado o crédito rural para atividades agropecuárias sustentáveis. Alguns exemplos de créditos são as linhas do Programa Nacional de Agricultura Familiar (PRONAF), o PRONAF ECO e o PRONAF Floresta; o MODERINFRA; o MODERAGRO e o Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outras instituições financeiras nacionais. Em 2015, na COP21, foi ratificada a importância do Plano ABC e ampliado as metas, através da “pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada” (intended Nationally Determined Contribution – iNDC) para o setor agropecuário. As novas metas são reduzir 37% das emissões até 2025 e 43% até 2030. Assim, em 2021, o governo federal lançou o Plano ABC+, com metas ainda em fase de revisão e aprovação, mas a princípio foram estruturados os seguintes números: 41Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Tabela 2. Metas Plano ABC+ (Plano Operacional)4 Processo Tecnológico Compromisso (aumento de área/uso) Potencial de Mitigação (milhões Mg CO2 eq) Recuperação de Pastagens Degrada- das (Por meio do manejo adequado e adubação) 30,00 milhões ha 113,70 Integração Lavoura-Pecuária-Flores- ta (incluindo sistemas agroflorestais) 10,10 milhões ha 72,01 Sistema Plantio Direto 12,58 milhões ha 12,99 Bioinsumos 13,00 milhões ha 23,40 Sistemas Irrigados 3,00 milhões ha 50,00 Florestas Plantadas 4,00 milhões ha 510,00 Manejo de Resíduos da Produção Animal 208,40 milhões m3 277,80 Terminação Intensiva (forrageiras) 5 milhões de animais 16,24 Em 2013 foi sancionada a lei que institui a Política Nacional de Integração Lavoura- Pecuária-Floresta (Lei n°. 12.805) com a intenção de melhorar a produtividade e a qualidade dos produtos através de sistemas sustentáveis de exploração, integrando atividades agrícolas, pecuárias e florestais como alternativa aos monocultivos tradicionais. A Lei prevê a recuperação de áreas degradadas e a redução dos desmatamentos por meio dos sistemas de ILPF, desenvolvendo de forma sinérgica a sustentabilidade do agronegócio e a preservação ambiental (Brasil, 2013). Essa Lei também visa estimular atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica, assim como atividades de transferência de tecnologias voltadas para 4 Dados do Plano Operacional ABC+: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sustentabilidade/plano- abc/arquivo-publicacoes-plano-abc/final-isbn-plano-setorial-para-adaptacao-a-mudanca-do-clima-e- baixa-emissao-de-carbono-na-agropecuaria-compactado.pdf https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sustentabilidade/plano-abc/arquivo-publicacoes-plano-abc/final-isbn-plano-setorial-para-adaptacao-a-mudanca-do-clima-e-baixa-emissao-de-carbono-na-agropecuaria-compactado.pdfhttps://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sustentabilidade/plano-abc/arquivo-publicacoes-plano-abc/final-isbn-plano-setorial-para-adaptacao-a-mudanca-do-clima-e-baixa-emissao-de-carbono-na-agropecuaria-compactado.pdf https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sustentabilidade/plano-abc/arquivo-publicacoes-plano-abc/final-isbn-plano-setorial-para-adaptacao-a-mudanca-do-clima-e-baixa-emissao-de-carbono-na-agropecuaria-compactado.pdf 42Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) o desenvolvimento de sistemas de produção que integrem, entre si, ecológica e economicamente, a pecuária, a agricultura e a floresta. Acesse a Legislação Ato Normativo Ementa Link para acesso Lei nº 12.114, de 9 de dezembro de 2009 Cria o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, altera os artigos 6º e 50 da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, e dá outras providências. h t t p : / / w w w . p l a n a l - t o . g o v. b r / c c i v i l _ 0 3 / _ ato2007(opens in a new tab) Lei nº 12.187, de 29 de dezembro de 2009 Regulamenta os arts. 6o, 11 e 12 da Lei no 12.187, de 29 de dezembro de 2009, que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC, e dá outras providências http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2009/lei/l12187. htm Decreto nº 7.390, de 9 de dezembro de 2010.(revoga- do) Regulamenta os arts. 6o, 11 e 12 da Lei no 12.187, de 29 de dezembro de 2009, que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC, e dá outras providências https://www.planalto.gov. br/ccivil_03/_ato2007- 2 0 1 0 / 2 0 1 0 / d e c r e t o / d7390.htm Lei nº 12.805, de 29 de abril de 2013. Institui a Política Nacional de Inte- gração Lavoura-Pecuária-Floresta e altera a Lei nº 8.171, de 17 de ja- neiro de 1991 http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/_ato2011- 2014/2013/lei/l12805.ht- m(opens in a new tab) Decreto nº 9.578, de 22 de novem- bro 2018 Consolida atos normativos edita- dos pelo Poder Executivo federal que dispõe sobre o Fundo Nacio- nal sobre Mudança do Clima, de que trata a Lei nº 12.114, de 9 de dezembro de 2009, e a Política Na- cional sobre Mudança do Clima, de que trata a Lei nº 12.187, de 29 de dezembro de 2009. http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/_Ato2015- 2 0 1 8 / 2 0 1 8 / D e c r e t o / D9578.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12187.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12187.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12187.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12187.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7390.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7390.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7390.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7390.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12805.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12805.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12805.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12805.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Decreto/D9578.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Decreto/D9578.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Decreto/D9578.htm#art25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Decreto/D9578.htm#art25 43Módulo 1 - Fundamentos da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) Decreto nº 10.145, de 28 de novem- bro de 2019 (revo- gado) Dispõe sobre o Comitê Interminis- terial sobre Mudança do Clima. http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/_ato2019- 2 0 2 2 / 2 0 1 9 / d e c r e t o / D10145.htm(opens in a new tab) Decreto nº 10.431, de 20 de julho de 2020 Institui a Comissão Executiva Na- cional do Plano Setorial para Con- solidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agri- cultura. https://www.planalto.gov. br/ccivil_03/_ato2019- 2 0 2 2 / 2 0 2 0 / d e c r e t o / d 1 0 4 3 1 . h t m # : ~ : t e x - t=Institui%20a%20Co- m i s s % C 3 % A 3 o % 2 0 Executiva%20Nacional,E- miss%C3%A3o%20de%20 Carbono%20na%20Agri- cultura Decreto nº 10.606, de 22 de janeiro de 2021 Institui o Sistema Integrado de In- formações do Plano Setorial para Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura e o Comitê Técnico de Acompanhamento do Plano Seto- rial para Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura. http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/_ato2019- 2 0 2 2 / 2 0 2 1 / d e c r e t o / D10606.htm(opens in a new tab) Decreto nº 10.845, de 25 de outubro de 2021 Dispõe sobre o Comitê Interminis- terial sobre a Mudança do Clima e o Crescimento Verde. http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/_ato2019- 2 0 2 2 / 2 0 2 1 / D e c r e t o / D10845.htm#art20 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D10145.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D10145.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D10145.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D10145.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D10145.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/d10431.htm#:~:text=Institui%20a%20Comiss%C3%A3o%20Executiva%20Nacional,Emiss%C3%A3o%20de%20Carbono%20na%20Agricultura https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/d10431.htm#:~:text=Institui%20a%20Comiss%C3%A3o%20Executiva%20Nacional,Emiss%C3%A3o%20de%20Carbono%20na%20Agricultura https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/d10431.htm#:~:text=Institui%20a%20Comiss%C3%A3o%20Executiva%20Nacional,Emiss%C3%A3o%20de%20Carbono%20na%20Agricultura https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/d10431.htm#:~:text=Institui%20a%20Comiss%C3%A3o%20Executiva%20Nacional,Emiss%C3%A3o%20de%20Carbono%20na%20Agricultura https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/d10431.htm#:~:text=Institui%20a%20Comiss%C3%A3o%20Executiva%20Nacional,Emiss%C3%A3o%20de%20Carbono%20na%20Agricultura https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/d10431.htm#:~:text=Institui%20a%20Comiss%C3%A3o%20Executiva%20Nacional,Emiss%C3%A3o%20de%20Carbono%20na%20Agricultura https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/d10431.htm#:~:text=Institui%20a%20Comiss%C3%A3o%20Executiva%20Nacional,Emiss%C3%A3o%20de%20Carbono%20na%20Agricultura https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/d10431.htm#:~:text=Institui%20a%20Comiss%C3%A3o%20Executiva%20Nacional,Emiss%C3%A3o%20de%20Carbono%20na%20Agricultura https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/d10431.htm#:~:text=Institui%20a%20Comiss%C3%A3o%20Executiva%20Nacional,Emiss%C3%A3o%20de%20Carbono%20na%20Agricultura https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/d10431.htm#:~:text=Institui%20a%20Comiss%C3%A3o%20Executiva%20Nacional,Emiss%C3%A3o%20de%20Carbono%20na%20Agricultura http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/decreto/D10606.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/decreto/D10606.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/decreto/D10606.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/decreto/D10606.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/decreto/D10606.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10845.htm#art20 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10845.htm#art20 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10845.htm#art20 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10845.htm#art20 44Módulo