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Conceitos básico em GT
Curso: Psicologia
Disciplina: Teorias e Técnicas Psicoterápicas especiais
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AQUI E AGORA
Prestem atenção naquilo que se encontra presente, aqui e agora para vocês, neste momento. Do que você está consciente? Do texto que está lendo? De um barulho que está do lado de fora? De um toque do telefone? De uma campainha?
De alguma dor presente em você?
A ideia de que 'apenas o presente existe agora' está no cerne do entendimento de homem e de mundo na abordagem gestáltica, e, consequentemente no olhar que lança sobre a relação terapêutica.
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A Importância do Presente na Gestalt-terapia
Durante muitos anos, os psicoterapeutas trabalharam com a ideia de um presente 'como se': o sentimento presente na relação terapêutica era compreendido como se fosse uma reedição de um sentimento do passado; uma atitude na relação terapêutica era como se fosse uma revivência de uma relação não resolvida no passado.
Todas estas visões estão impregnadas das ideias psicanalíticas, que, não podemos negar, ampliou muito a concepção das forças que estavam em jogo na relação terapêutica. Porém, todo o presente é visto como uma projeção do passado.
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Exemplo Prático na Sessão
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Cliente Bravo
Em determinado momento de uma sessão de terapia, o cliente mostra-se visivelmente bravo com o terapeuta (o visivelmente também é possível, a partir do momento em que podemos perceber o cliente no aqui e agora, em sua totalidade, isto é, embora este possa não dizer verbalmente que está bravo ou com raiva, seu corpo, sua postura, sua voz ou sua fisionomia o fazem. Para que eu assim o perceba preciso contatá-lo para além do discurso).
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Possíveis Caminhos
Após esta percepção do terapeuta, temos alguns caminhos a seguir: posso negligenciar esta percepção e continuar agarrado ao discurso; posso apontar a minha percepção por meio de uma interpretação (o como se); ou posso explorar fenomenologicamente o momento presente, explorando como se sente desta forma, o que acontece com seu organismo quando se sente assim, o que está fazendo com isso, o que quer fazer com isso agora.
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A Abordagem do Gestalt-terapeuta
Se você for um Gestalt-terapeuta, certamente escolherá o terceiro caminho.
A ênfase no momento presente, ou no aqui e agora, não exclui de forma alguma as experiências passadas ou planejamentos futuros.
Devemos ter cuidado, pois em nossa sociedade, na maior parte das vezes, priorizar uma posição significa excluir outras. Isto não é verdade, pelo menos neste contexto do qual estamos falando.
As experiências passadas têm enorme importância para o nosso entendimento do presente.
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Exemplo das Alterações Climáticas
Exploração Fenomenológica
Pensemos no momento em que estamos vivendo no que se refere às alterações climáticas no mundo. Ao fazermos uma exploração fenomenológica de como estas alterações acontecem, os efeitos que têm no presente, como se encontra a camada de ozônio, como ela se 'comporta', estaremos no momento presente deste fenômeno.
Contato com o Passado
Mas, para que possamos ter uma maior compreensão do fato presente, até mesmo em termos de planejamento futuro, precisamos contatar o passado; este sem dúvida proporcionará mais sentido ao presente.
Compreensão Ampliada
Isto permite uma visão mais ampla e contextualizada do fenômeno atual.
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Passado e Futuro como Contexto
Contornos Psicológicos
As dimensões de passado e futuro constituem contornos psicológicos para a experiência presente
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Contexto
Formando um contexto psicológico
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Figura Emergente
Da qual a figura emergente no presente se destaca
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No entanto, não podemos confundir a importância do passado e do futuro com a forma de vida 'como se', isto é, viver o presente como se estivesse no passado ou no futuro, como muitas pessoas o fazem. Estar no presente, lembrando o quanto bom era o passado ou o quanto melhor será o futuro, compromete as possibilidades vitais da existência.
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Trabalhando com Trauma no Presente
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Relato do Trauma
Ouvir de um cliente o quanto sofrido e traumático foi sua infância de abuso sexual e moral, e tratar o fato apenas como acontecimento passado...
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Emoções Atuais
Embora no aqui e agora estejam aparecendo suas emoções e reações a estas lembranças, faz com que o cliente esteja minimamente presente.
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Contato com o Presente
Se ele tomasse consciência de sua tensão, sua experiência presente seria bastante intensificada. Então, se pudesse permitir ainda mais que sua tensão estagnada crescesse até um sistema vivo de tensão, bem poderia contar a sua história com raiva.
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Poder da Tensão
A tensão tem seu próprio poder de direção e – lembrança ou não – se move para o presente ao expressar-se na eloquência verbal, no choro, no grito, no soco, na repreensão ou em outras ações expressivas. O que anteriormente havia ficado sufocado, engessado no passado, revive agora por meio das realidades motoras e sensoriais atualmente disponíveis.
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O "Falar Sobre" vs. Experiência Direta
Falar Sobre
Outro aspecto importante que compromete o contato com o presente é o que chamamos de 'falar sobre'. Imagine-se contando uma experiência que teve numa viagem. Ao falar sobre a viagem, é bem provável que seus interlocutores ouçam o que está sendo dito e, após alguns dias, nem lembrem mais dos detalhes da experiência narrada.
Experiência Direta
Experimente, pois, levar os interlocutores a contatarem a sua própria experiência de viagem naquela região. Suponhamos que você esteve em Bariloche e pela primeira vez viu neve. Optando por não ficar exclusivamente 'falando sobre' a viagem, mas explorar a experiência também dos interlocutores, após alguns dias é bem provável que todos se lembrem para onde você viajou, qual foi a sua sensação, os lugares que você visitou.
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O Valor da Experiência Compartilhada
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O que estamos querendo mostrar é que quando a fala é somente narrativa sem envolvimento emocional e sem interesse pela experiência do interlocutor é bem possível que esta não represente nada além de um desabafo, ou seja, tem um valor, mas está aquém dos ganhos que podemos ter com uma descrição fenomenológica da experiência.
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O quanto você aprende com as palestras ouvidas em um congresso? Relembre-se de algum que você tenha ido. O que ainda é acessível a você em sua memória?
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Compare esta experiência com outra em que você estava verdadeiramente envolvido com o conhecimento em questão. Em qual das duas experiências você estava 'mais presente'? Qual está mais consciente para você?
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Aqui e Agora como Estratégia
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Foco no Presente
Diante disso, na Gestalt-terapia, o 'aqui e agora' é incorporado como uma estratégia de enfoque
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Trabalho Centrado
Todo o trabalho terapêutico está centrado no que o cliente traz
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Vivência Atual
Naquilo que neste momento ele vive
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Informações Relevantes
Não descartando qualquer tipo de informação que seja relevante para o processo terapêutico
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A RELAÇÃO FIGURA-FUNDO
Antes de nos debruçarmos teoricamente sobre os aspectos relevantes da relação figura-fundo, observemos as figuras abaixo. O que conseguem ver? Qual figura emerge e qual fundo permanece? Seria possível a emergência desta figura sem este fundo 'delineado'? Conseguem perceber o dinamismo entre figura que ora emerge, ora vai para o fundo?
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Percepção e Experiência
Primeira Figura
Na primeira figura conseguiram ver uma velha e uma moça?
Segunda Figura
E na segunda, conseguiram perceber um saxofonista e um rosto de mulher?
É bem possível que aquilo que você percebeu primeiro esteja relacionado com as suas experiências, necessidades ou familiaridade. Esta ideia está ligada à teoria da Psicologia da Gestalt de que a pessoa que percebe não é meramente um alvo passivo para o bombardeamento sensorial originário do meio; ela estrutura e impõe uma ordem às suas próprias percepções.
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Exemplo da Fome
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Caminhando com Fome
Lembre-se de um momento em que você estava com muita fome, caminhando na rua de sua cidade. Nos quarteirões pelos quais passou, você passou por drogarias, boutiques, livrarias e cinemas.
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PercepçãoSeletiva
Possivelmente você 'olhou, mas não viu' estes estabelecimentos, ou os viu como não restaurante, limitando o objeto àquilo que você espera dele.
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Foco nos Restaurantes
Provavelmente o que você percebeu foram os restaurantes e lanchonetes, o que reforça a ideia de que nossas necessidades prioritárias guiam nossa percepção.
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A Figura Emergente
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Necessidade Prioritária
A figura prioritária define nossa percepção
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Contexto como Fundo
O fundo é o contexto de onde emerge a figura
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Fechamento da Figura
Após satisfação, a figura se torna fundo
No caso acima a 'figura' emergente no seu campo perceptivo é a fome. Mesmo que você tenha que comprar um remédio ou um livro, naquele momento o seu organismo está orientado a satisfazer àquela necessidade prioritária. Após a sua satisfação ou o fechamento da figura, em que esta se torna fundo, é bem provável que você possa entrar na drogaria ou na livraria, caso estivesse precisando de algo neste contexto.
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Fundo e Figura na Gestalt-terapia
O fundo é compreendido na Gestalt-terapia como o contexto de onde a figura emerge. No exemplo acima, a figura 'fome-restaurante' emerge do fundo 'rua'.
Da mesma forma que a pessoa faminta percebe a comida, mesmo na sua ausência (olha para uma almofada redonda e vê um hambúrguer), no caso da figura não ser fechada e poder ir para o fundo, uma pessoa insatisfeita pode continuar a elaborar em suas atividades atuais as questões inacabadas do passado.
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Elementos que Compõem o Fundo
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Para Polster e Polster (2001) todas as experiências da vida de uma pessoa compõem o fundo para o momento presente e identificam três elementos que compõem o fundo na vida de uma pessoa.
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Vivências Anteriores
Experiências acumuladas que formam nosso fundo
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Situações Inacabadas
Necessidades não satisfeitas que continuam ativas
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Fluxo da Experiência Presente
Como organizamos nossas experiências no momento atual
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VIVÊNCIAS ANTERIORES
O fundo é construído com base nas experiências que vamos acumulando ao longo da vida e nos valores a elas associados. Quanto mais diversificadas são nossas experiências desde o início da vida, mais rico será o nosso fundo e mais possibilidades de figuras podem ser produzidas e podem emergir.
Ao mesmo tempo, a fluidez na relação figura-fundo será maior, quanto mais flexível forem os valores aprendidos. A criança que desde pequena é 'protegida' pelos pais de viver o machucar, o cair, o andar, o subir, etc., terá menos chances de ter um fundo muito rico, ou com maior acessibilidade e, consequentemente, uma vida menos diversificada, talvez até mais repetitiva em seus aspectos negativos e positivos.
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Formação do Fundo e Percepção
Fundo com Carinho
Se o fundo de uma pessoa contém carinho, gentileza será mais fácil que se torne 'figural' para esta pessoa, expressões de simpatia, parceria ou amizade, já que isto lhe é familiar, logo é mais facilmente percebido contra um fundo que contém outras informações não emergentes.
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Valores Rígidos
Em contrapartida, se outra pessoa possui desejos homossexuais e seus valores levam em consideração a proibição do choro no homem ou da dureza de uma mulher, qualquer emergência destas 'demonstrações' terá menos probabilidade de vir à tona, mantendo a figura em aberto (a necessidade de relacionamento homossexual), havendo, pois, um ocultamento de partes do fundo.
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Disponibilidade
Desta forma, o fundo não está livremente disponível como uma fonte de novas figuras.
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A Importância da Diversidade
(...) à medida que o fundo de sua experiência se torna mais diversificado, ele também se torna potencialmente mais harmonioso com todo um contínuo de acontecimentos. A diversidade resultante tem maior probabilidade de assegurar um fundo relevante para qualquer coisa que possa estar acontecendo no presente.
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SITUAÇÕES INACABADAS
Energia Não Satisfeita
Podemos considerar situações inacabadas como aquelas em que a energia presente na não satisfação de uma necessidade continua em atividade comprometendo as experiências posteriores.
Tendência à Clausura
Inevitavelmente, nossas figuras 'clamam por clausura', têm uma tendência natural a se realizar e 'desocupar' o status de necessidade (está ligada à eliminação do excesso ou da reparação da falta), cedendo lugar a novas figuras.
Tentativas Parciais
Se você não discute com seu chefe, embora quisesse muito fazê-lo, e chega a casa e descarrega sobre seus filhos, é mais provável que isto não funcione, sendo somente uma tentativa parcial de terminar algo que ficou inacabado.
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Exemplos de Situações Inacabadas
Escolhas e Talentos
Se eu tenho um imenso talento para a área artística, mas minha família quer que eu seja médica, caso me torne médica, é esperado que eu vivencie um enorme desconforto por não ter seguido o fluxo de minha figura. Se tiver coragem de abrir mão da minha carreira de médica e seguir o meu talento, é possível que esteja mais satisfeita e possa viver genuinamente as minhas experiências atuais.
Tolerância e Limites
É claro que nem sempre podemos realizar todas as nossas necessidades. A maioria das pessoas tem uma grande capacidade de tolerar situações inacabadas, afinal durante nossa vida estamos destinados a ter muitas delas.
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Consequências das Situações Inacabadas
Busca por Inteireza
Apesar de nossa tolerância, realmente estas situações procuram a 'inteireza' e estas direções incompletas quando obtém poder suficiente, a partir de um grande acúmulo de energia, o indivíduo reage com preocupações, ruminações, compulsões, ansiedades, temores, etc.
Impedimento à Efervescência
Sempre que as questões inacabadas formam o centro da existência de uma pessoa a efervescência mental dela fica impedida.
Liberdade e Flexibilidade
Quando, pelo contrário, somos livres e sem impedimentos ('inacabamentos'), podemos nos envolver em qualquer coisa que desperte nosso interesse e permanecer com isso vivo até que diminua e algo diferente atraia a nossa atenção; este é um processo natural e uma pessoa que viva neste ritmo experiência a si mesma como flexível, clara e efetiva.
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Obstáculos ao Processo Natural
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Rigidez
Uma necessidade rígida de completar a situação antiga e inacabada que podemos classificar de compulsão ou obsessão, levando a uma rigidez na relação figura-fundo.
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Labilidade
O segundo e oposto obstáculo seria a labilidade da mente, sendo a pessoa incapaz de focar no presente e concluir a experiência, impedindo o fechamento.
Pessoas com estas características demonstram dificuldade para explorar a formação de uma figura, interrompendo a todo o momento este processo, existindo pouca possibilidade dentro delas para que o desenvolvimento de qualquer figura atinja a totalidade; não conseguem permanecer ativas o suficiente para sentir uma sensação de inteireza. Esta característica de forma exacerbada aponta para um quadro maníaco: não são capazes de identificar o limite entre a sensação de início e de final.
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FLUXO DA EXPERIÊNCIA PRESENTE
No entanto, mesmo que estejamos imersos num constante movimento entre figuras e fundo e este fluxo aconteça aqui e agora, não é possível, ou melhor, é importante que a própria escolha da figura leve um tempo para se solidificar. Isto é, precisamos 'depurar' aquela necessidade emergente a tal ponto que ela esteja pronta para ser satisfeita.
Em alguns momentos, por outro lado, certas imposições do meio, ou impossibilidades por ele colocadas impedem que a figura roube a cena e aí precisamos estar conscientes deste processo de escolha e nos colocarmos, mesmo que temporariamente, 'em suspenso' ou 'entre parênteses'.
Esta, porém é uma técnica arriscada, pois pode significar a supressão de si mesmo ou a repressão de desejos e necessidades. A distinção é que no processo de colocar-se entre parênteses há uma 'eleição' de prioridade, conforme falamos anteriormente; existe um processo consciente de escolha por uma 'suspensão' no momento em que julgamos adequado.
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Suspensão nas Relações Afetivas
Coincidências
Vivemos muito esta suspensão em nossosrelacionamentos afetivos. Se em muitos momentos de um relacionamento há uma coincidência de necessidades...
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Renúncias
Em tantos outros nos é exigido que abramos mão de uma necessidade, naquele momento, em prol de um melhor processo comunicativo, ou entendimento.
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Harmonia
Quantas vezes já fomos a reuniões familiares estando com outra necessidade em aberto, para conseguirmos uma maior harmonia com o meio?
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Mais uma vez, é importante ressaltar que o funcional dessas escolhas é poder colocar-se temporariamente entre parênteses até que seja possível o fechamento da figura, mais a frente.
A repetição desta técnica a leva à categoria de padrão rígido de comportamento, o que certamente terá consequências desastrosas. O 'colocar-se entre parênteses' deve ser uma técnica que nos ajude na nossa relação com o mundo e não que nos paralise frente a ele.
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TEORIA DE CAMPO
Para entender o método chamado de Teoria de Campo Fenomenológica é preciso entender a concepção do fenômeno. Primeiramente, todo fenômeno deve ser considerado legítimo e pode ser investigado. Segundo, experienciar um evento significa clarificar os sentimentos, apontar os aspectos subjetivos e os objetivos da experiência, e dar-se conta dos aspectos inibidos e negligenciados, sempre buscando o processo de aware do cliente (falaremos sobre a awareness mais adiante). Estes pressupostos só poderão tornar-se viáveis quando a abordagem enfatiza o "agora". Esta ênfase no presente é uma influência direta da Psicologia da Gestalt. A abordagem fenomenológica de campo utiliza a experimentação sistemática para encontrar uma descrição que seja verdadeira para o estudo do fenômeno. Esta experimentação capacita a pessoa a perceber o que é adequado ou verdadeiro para si mesmo.
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Teoria de Campo e Processo Cognitivo
A teoria de campo está muito ligada ao processo cognitivo, ou seja, ela indica o processo pelo qual pensamos. Ela nos orienta em relação aos mecanismos de avaliação, assimilação de ideias e metodologias e um referencial de comunicação.
Para entendermos o processo de conscientização da awareness é necessário que haja uma interação entre a maneira de pensar e a de estar inserido no mundo. A Teoria de Campo se contrapõe às ideias mecanicistas newtonianas, contrariando também os pensamentos reducionistas ou dualistas. Ela traz o conceito de holismo para dentro do seu escopo teórico e abrange uma perspectiva que fornece uma integração do corpo, da mente, das interações sociais, além dos aspectos espirituais e transpessoais. Esta troca é tão intensa e dinâmica que o campo indivíduo/ambiente influencia o resto do campo, e o resto do campo influencia o indivíduo.
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Teoria de Campo e o Conceito de Self
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Pessoa como Agente Ativo
A Teoria de Campo capacita a Gestalt-terapia a manter o foco na pessoa como agente ativo.
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Self e Contexto
Neste ponto, podemos descrever a relação entre o conceito de self e a Teoria de Campo. Se self fosse entendido fora do contexto da Teoria de Campo, este poderia ser entendido como um existente concreto, retirando o caráter ativo da pessoa, ou seja, haveria um "centro" que faz coisas, mas o "Eu" deixaria de ser este centro do agente ativo.
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Complexidades Relacionais
A Teoria de Campo também ajuda a manter em mente as complexidades das relações de campo no presente e das mudanças que, inevitavelmente, ocorrem com o passar do tempo e os diferentes contextos e maneiras pelas quais as pessoas constroem os seus selfs.
O self é a fronteira de contato em funcionamento. Sua atividade é formar figuras e fundos. O self é a interação contínua no campo organismo/ambiente, e que faz parte do campo.
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O Conceito de Campo na Gestalt-terapia
Definição de Campo
Instrumento básico na abordagem da Teoria de Campo e traz uma visão holística e interativa das forças presentes nele.
Relacionamento
Para a Gestalt-terapia, o relacionamento é inerente à existência. Tudo que existe consiste de uma teia de relacionamentos determinada por múltiplas variáveis.
Contato
O contato/relacionamento constitui a primeira realidade para a pessoa, e o organismo não tem significado separado do seu ambiente.
Organização
Os relacionamentos se constituem dentro de uma organização dinâmica e sistêmica inerente ao todo.
Proposta
A proposta do campo é fazer com que a pessoa perceba de forma dinâmica e energética que existem possibilidades para o movimento e a interação global do mundo.
Podemos então dizer que tudo pode ser definido em termos de um campo todo. Cada evento é único, ordenado, e pode ser estudado, independente do número de repetições para classificá-lo.
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Campo Psicológico e Comportamento
Interdependência
O campo psicológico não existe independente das pessoas; as pessoas não existem sem esse campo.
Contexto
O indivíduo é definido, num dado momento, apenas pelo campo do qual faz parte, ou seja, os fatores contextuais são considerados inerentes e necessários para a compreensão da pessoa, inclusive, pois o comportamento também é uma função do campo.
Determinação
O campo organismo/ambiente determina a pessoa.
Devemos perceber que o comportamento é regulado pelo meio, mas não um meio geográfico (onde se está), e sim um meio comportamental (onde se pensa que está). O meio comportamental é uma ligação, um meio termo, entre o meio geográfico e o comportamento. O interessante é que a partir do meio comportamental podemos, em terapia, conhecer melhor o fenômeno trazido pelo cliente, e colocando-o dentro do seu campo, compreender como o todo funciona.
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Campo Psicofísico
Totalidade
É o próprio conceito de campo que nos conduz a uma totalidade em que se unem os conceitos de meio geográfico e meio comportamental num único campo, o psicofísico, que é o lócus do comportamento. Portanto, é a pessoa sendo vista como um todo na sua relação dentro-fora com o ambiente.
Influência de Lewin
A teoria de campo de Lewin influenciou fortemente a Gestalt-terapia (GT), e apresenta uma grande influência dos constructos da física. Atualmente esta teoria também é aplicada no trabalho com grupos e na psicologia social.
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Características da Teoria de Campo de Lewin
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Comportamento como Função
O comportamento é uma função do campo que existe no momento em que ocorre o comportamento.
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Análise do Todo
A análise começa com a situação como um todo, a partir do qual as partes componentes são diferenciadas.
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Representação Matemática
A pessoa concreta em uma situação concreta pode ser representada matematicamente, ou seja, a pessoa é sempre vista dentro de um espaço maior que ela.
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Definição de Campo
Um campo é definido como a totalidade de fatos coexistentes que são concebidos como mutuamente interdependentes, e traz em si uma noção dinâmica e não estática.
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Mudança de Paradigma no Entendimento do Comportamento
O comportamento deixa de ser entendido apenas como resultado da realidade interna da pessoa e passa a ser analisado em função do campo que existe no momento em que ocorre. A situação comportamental é vista como um todo, da qual decorrem partes diferenciadas.
O espaço de vida, proposto por Lewin, composto pela pessoa + ambiente psicológico, é o universo do psicólogo, é o todo da realidade psicológica, e contém a totalidade dos fatos possíveis capazes de determinar o comportamento de um indivíduo; é onde o comportamento ocorre. Fora do espaço de vida, temos o meio não psicológico que é considerado o meio físico (podendo incluir alguns fatos sociais). O espaço de vida consiste em uma rede de sistemas interconectados, com fatos empíricos e fenomenais e fatos hipotéticos ou dinâmicos. As formas como as áreas interconectadas irão se comunicar determinam o que ele chama de dimensões.
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Dimensões do Espaço de Vida
Proximidade-Distância
A dimensão proximidade-distância diz que duas regiões são acessíveis aos fatos de outra região.
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Firmeza-Fragilidade
A dimensão firmeza-fragilidade determina a resistência de uma fronteira, ou sua permeabilidade, e é representada pela largura da linha da fronteira.
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Fluidez-Rigidez
A dimensão fluidez-rigidezé a mais importante delas, e determina a qualidade de sua superfície, facilitando a criatividade. Um meio fluido é aquele que responde rapidamente a qualquer influência agindo sobre ele, é flexível e maleável. Um meio rígido resiste à mudança, é duro e inelástico.
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Necessidades, Valências e Forças
Necessidades
Os principais fatos da região intrapessoal são chamados de necessidades, enquanto os fatos do ambiente psicológico são chamados de valências. Cada necessidade ocupa uma célula separada na região intrapessoal e cada valência ocupa uma região separada no ambiente psicológico.
Tensão e Energia
O aumento de tensão ou a liberação de energia em uma região intrapessoal é causado pelo surgimento de uma necessidade. Lewin conectou a necessidade à ação, por meio da ação motora. Ele ligou a necessidade a certas propriedades do ambiente que então determinam o tipo de locomoção que vai ocorrer. Essa é uma maneira muito interessante de conectar a motivação ao comportamento.
Valências
Por valência, entende-se o valor daquela região para a pessoa, que pode ser: positivo e negativo. Uma região de valor positivo é aquela que contém um objeto-meta que reduzirá a tensão quando a pessoa entrar na região, ao contrário da negativa, que vai aumentar a tensão.
Forças
Uma valência é uma força, afinal ela dirige a pessoa por meio de seu ambiente psicológico, mas não proporciona a força motivadora para a locomoção. As propriedades conceituais da força são: direção, potência e ponto de aplicação.
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