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Psicossomática. 
 
Ementa 
História da Psicossomática. Movimento Psicossomático no Brasil. O movimento 
psicanalítico e a Psicossomática: contribuições. Outras teorias psicológicas e a 
Psicossomática. O fenômeno psicossomático: um caminho de compreensão do 
adoecer. Contribuições da Antropologia Médica – aspectos culturais no processo 
do adoecer. Histeria, hipocondria e fenômeno psicossomático. O afeto na 
psicossomática. 
 
UNIDADE I: 
 
1.HISTÓRICO E PRINCIPAIS AUTORES EM PSICOSSOMÁTICA. 
Inicialmente é preciso enfrentar um problema quando se usa o termo 
psicossomático. É possível usar psicossomática para designar um método de 
investigação (clínica ou teórica) utilizando métodos tanto somáticos quanto 
psíquicos. Por outro lado, é possível também utilizá-lo para designar ligações 
entre estados emocionais e o corpo. Toda a questão nasce da divisão, ou não, 
do ser humano em corpo e mente. 
Observando a medicina hipocrática é possível apontar que a ideia não é 
nova, uma vez que esta divisão é muitas vezes atribuída a Descartes. A 
“anatomização” findou por particularizar tanto os saberes que culminaram na 
explicação dos fenômenos por apenas um viés investigativo. Ao caso específico 
do Ocidente, os saberes de saúde acabaram por procurar em um substrato 
físico-biológico a causa de afecções humanas. A questão acabou por esbarrar 
fortemente no fenômeno da histeria. Charcot em seu estudo sobre a histeria 
convoca os fenômenos psíquicos para a discussão médica. De uma forma mais 
contundente Groddeck estabeleceu relações entre estados psíquicos e 
biológicos. Em paralelo, Freud criava a Psicanálise e todo um movimento que 
culminaria na introdução de conceitos de desconstrução da cisão completa entre 
o “corpo” e o “espírito”. 
Seguindo esta linha Danilo Perestrello no Brasil, Pierre Martly e Michel de 
M’Uzan na França, Alexander Mitscherlich na Alemanha e Franz Alexander nos 
Estados Unidos difundiram esta perspectiva para a medicina, propondo uma 
medicina psicossomática, ou seja, um retorno que a medicina faria para 
reincorporar conceitos psíquicos aos saberes médicos. Aos dias de hoje é mais 
conhecida curricularmente como psicologia médica. 
 
2. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA CLÍNICA PSICOSSOMÁTICA. 
 Como dito, a medicina tinha gradativamente se afastado das relações 
entre o corpo e a mente, principalmente com os avanços realizados nas áreas 
de anatomia e fisiologia. Todas as explicações passaram a ter um cunho físico-
biológico, e isso deixava de fora algumas dimensões humanas. Mesmo hoje, os 
manuais de medicina definem doença como algo que incide e provoca uma 
alteração perceptível nos tecidos, motivo pelo qual se definiria as afecções 
mentais pelo termo “transtorno”. 
 O surgimento da Psicanálise retoma de maneira significativa o debate 
sobre a separação entre o corpo e a mente, e sofre a intervenção de um evento 
de proporções enormes e catastróficas. A II Guerra Mundial irrompe na Europa, 
e o movimento de imigração dos que fugiam da destruição causada irradia as 
ideias através de estudiosos que vão morar em novos países. Vários 
psicanalistas vão morar na Reino Unido, Estados Unidos e Argentina. As ideias 
psicanalíticas os acompanham, e a percepção que o humano não se resume ao 
corpo. Chama muito a atenção dos historiadores (até pelo fácil acesso de 
material) ao movimento da década de trinta em Chicago com participação 
decisiva de Franz Alexander, Georg Groddeck e Helen Dunbar; e na década de 
cinquenta Michael Balint no Reino Unido, sendo que todos, tanto os primeiros 
quanto os segundos, relativizavam os sintomas como meramente físicos. 
 
3. MOVIMENTO PSICOSSOMÁTICO NO BRASIL. 
Em grande parte, desde o início do século XX que as ideias psicanalíticas 
chegavam às cadeiras de formação das turmas de psiquiatria, ainda que de uma 
forma bastante precária. Não havia escolas de formação no Brasil, e a maioria 
das vezes os conhecimentos eram trazidos, na melhor forma, através da leitura 
dos textos psicanalíticos. Da pior forma, do ouvir falar do que seria o estudo 
psicanalítico. Danilo Perestrello, médico formado em 1939, traz uma perspectiva 
de uma medicina psicossomática através de uma crítica contundente ao que 
chama de “reducionismo organicista”. 
 Uma verdadeira batalha política sobre legitimidade sobre a discussão da 
Psicanálise e da psicossomática (ou psicologia médica) ocorre, até que 
Perestrello vai até a Argentina realizar a formação em Psicanálise, e, retornando, 
cria a Sociedade Brasileira de Psicanalítica no Rio de Janeiro. 
 
4. O MOVIMENTO PSICANALÍTICO E O INTERESSE PELA 
PSICOSSOMÁTICA A COMPREENSÃO DAS BASES PSICANALÍTICAS DAS 
TEORIAS PSICOSSOMÁTICAS E A REFERÊNCIA A TEORIAS DE VÁRIOS 
OUTROS AUTORES TAIS COMO MICHEL FAIN, LÉON KREISLER, JOYCE 
MCDOUGALL, CHRISTOPHE DEJOURS, D. W. WINNICOTT, ENTRE 
OUTROS. 
 
5. ALEXITIMIA, PENSAMENTO OPERATÓRIO, HISTERIA E HIPOCONDRIA 
E A RELAÇÃO COM O FENÔMENO PSICOSSOMÁTICO. 
 Quando se fala de alexitimia muitas vezes se esquece que se trata da 
designação de um sintoma, e não de uma doença em si. Psicopatologicamente, 
não se pode confundir um sintoma com uma doença. Danos cerebrais, 
problemas cardiocirculatórios, problemas respiratórios, fadiga física e 
psicológica, podem provocar uma “alexitimia”. 
 Por definição, alexitimia significa a incapacidade de distinguir e expressar 
sentimentos. Nemiah e Sifneos tentaram delimitar a alexitimia com as seguintes 
características: incapacidade de identificar e descrever sentimentos, inabilidade 
de fazer diferença entre sentimentos de sensações corporais, dificuldade em 
distinguir os afetos entre si, explosões eventuais de comportamento violento sem 
“justificação” para o mesmo, pobreza do mundo interno (incluindo de fantasias, 
o que leva ao termo “pensamento operatório” de M’Uzan), rigidez no trato e no 
comportamento. Fica claro que o diagnóstico diferencial é extremamente 
complicado, uma vez que o que se pretende diferenciar é basicamente um 
sintoma, que pode estar presente em diversas unidades. É possível observar 
comportamentos desta natureza na depressão, no transtorno alimentar ou nos 
transtornos ansiosos. 
 Efeitos sobre o corpo de uma questão psíquica podem ser observados de 
diversas formas na teoria psicanalítica. A neurose histérica, por exemplo, pode 
manifestar dores, analgesia, paralisia, contrações, perda de sensopercepção, 
psicastenia, anedonia entre outras. A confusão entre a alexitimia e fenômenos 
histéricos é evidente. Da mesma forma, a expressão da “hipocondria neurótica” 
também encontra guarida sob o mesmo argumento. 
 Mesmo em psiquiatra os fenômenos dissociativos não guardam uma 
unidade de transtorno para a alexitimia, sendo a mesma um sintoma ou um sinal. 
Quando menos, é designada como “Sintomas e sinais reativos a um estado 
emocional”, que ao antigo CID-10 se assinalava em R45. 
 
 
6. ALGUMAS ABORDAGENS EM PSICOLOGIA E A PSICOSSOMÁTICA. 
 Quando existe uma causa psíquica que causa a alexitimia, fica evidente 
que qualquer abordagem reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia 
como psicoterapia pode ser empregada. Por exemplo, as linhas psicodinâmicas 
podem trabalhar o conflito psíquico que causou a alexitimia, ao passo que as 
linhas comportamentais podem trabalhar o estresse que teria provocado o 
sintoma. 
 
7. ALEXITIMIA E PENSAMENTO OPERATÓRIO: O AFETO NA 
PSICOSSOMÁTICA HISTERIA, HIPOCONDRIA E FENÔMENO 
PSICOSSOMÁTICO. 
 Há uma relação estreita entre as formas de se identificar o motivo da 
perturbação da percepção dos afetos e sua classificação. É possível pensar que 
não exista a capacidade do indivíduo perceber ou distinguir os seus afetos por 
evitação de alguns deles. Outras formas de pensar estão relacionadas a uma 
falta de percepção mais estreita por falta de desenvolvimento (etário ou 
psíquico), falta de energia (biológica ou psíquica), incapacidade para sentirdeterminados afetos ou tantas outras variáveis. 
 
8. DISCUSSÃO DE ARTIGOS QUE DISCUTEM ABORDAGENS TEORIAS 
PSICOLÓGICAS E A RELAÇÃO COM A PSICOSSOMÁTICA (ARTIGOS DE 
ACP, GESTALT-TERAPIA) 
 
UNIDADE III: 
 
9. MICHAEL BALINT E OS GRUPOS BALINT. 
GRUPOS BALINT (MICHAEL BALINT) 
 
UNIDADE IV: 
10. CONTRIBUIÇÕES DA ANTROPOLOGIA MÉDICA – ASPECTOS 
CULTURAIS NO PROCESSO DO ADOECER. 
 
11. DOR E CULTURA, ESTRESSE E ADOECIMENTO: ASPECTOS 
CULTURAIS DO ESTRESSE RELAÇÃO PROFISSIONAL DE 
SAÚDE/PACIENTE PSIQUIATRIA TRANSCULTURAL E SOMATIZAÇÃO. 
 
Referência: 
Carneiro, B. V., & Yoshida, E. M. P.. (2009). Alexitimia: uma revisão do conceito. 
Psicologia: Teoria E Pesquisa, 25(1), 103–108. https://doi.org/10.1590/S0102-
37722009000100012 
Cerchiari, E. A. N.. (2000). Psicossomática um estudo histórico e epistemológico. 
Psicologia: Ciência E Profissão, 20(4), 64–79. https://doi.org/10.1590/S1414-
98932000000400008 
Guedes, Carla Ribeiro; Rangel, Vanessa Maia; Camargo jr., Kenneth. O 
movimento da medicina psicossomática no Brasil: a trajetória teórica e 
institucional de Danilo Perestrello. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, 
Rio de Janeiro, v.27, n.3, jul.-set. 2020, p. 803-817. 
LIMA, Leonardo Tadeu José de. Origens da psicossomática e suas conexões 
com a Medicina na Grécia antiga. Analytica, São João del Rei , v. 5, n. 8, p. 
49-79, June 2016 . Available from 
. access on 23 Jan. 2024

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