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(03/2025) Teoria Geral do Processo O Direito Processual civil pode ser definido como ramo da ciência jurídica que trata o complexo das normas reguladoras do exercício da jurisdição civil Para Humberto Theodoro Junior “o direito processual civil pertence aos grupos das disciplinas que formam o direito público, pois regula o exercício de parte de umas das funções soberana do Estado, que é a jurisdição. O direito processual civil está inserido no direito público pelo fato de o Estado exercer a jurisdição, assumindo de forma (quase) exclusiva a tarefa de solucionar conflitos de interesses não resolvidos extrajudicialmente, excepcionalmente se admitindo, o exercício da autodefesa, ou justiça com as próprias mãos. Sua função jurisdicional é única, qualquer que seja o direito material debatido, sendo por isso mesmo comuns a todos os seus ramos os princípios fundamentais da jurisdição e do processo. Por conta de conveniências de ordem prática, no entanto leva o legislador a agrupar as normas processuais em códigos ou leis especializadas, conforme a natureza das regras aplicáveis às soluções dos conflitos e daí surgem as divisões que individualizam o direito processual civil, o direito processual penal, o direito processual do trabalho etc. A autonomia do direito processual civil, diante do direito substancial (direito material) é inegável e se caracteriza por total diversidade de natureza e de objetivos. Enquanto o direito material cuida de estabelecer normas que regulam as relações jurídica entre as pessoas, o processual visa a regulamentar uma função pública estatal. O direito processual civil não pode ser estudado de forma isolada, como se fosse um ramo único da ciência jurídica, mas como “engrenagem” que se constitui em uma das peças da ciência jurídica, além de vários outros ramos ou engrenagens, principalmente o constitucional. FONTES ♦ É tudo aquilo que se constitui como embasamento para a solução dos conflitos de interesse. As do direito processual civil são a Lei (Direito positivo), os Costumes (práticas reiteradas por membros da sociedade) a Doutrina (lições de estudiosos) e a Jurisprudência (julgamentos proferidos pelos tribunais). ♦ As fontes do direito processual civil são as mesmas do direito em geral. ♦ Fontes imediatas/Fonte Direta: São os fatos que geram o direito positivo, ou seja, a própria lei; ♦ Fontes mediatas/ Fontes supletivas indiretas: As fontes mediatas são os fatos jurídicos que explicam, interpretam e aplicam a lei, sendo ela: jurisprudência, os costumes e os princípios gerais do direito. ♦ Fontes supletivas Secundárias: O direito histórico, o direito estrangeiro e a doutrina. Disposto na lei de introdução ao código civil em seu art. 4º, quando a lei for omissa o juiz decidirá o caso de acordo com as fontes mediatas. Em razão do caráter público do direito processual é a lei a sua principal fonte ❑ Lei A lei é uma norma de conduta elaborada pelos órgãos competentes da União na esfera federal, e dos estados e municípios, nas esferas estaduais e municipais, podendo provir do Poder Legislativo, como as leis ordinárias, ou do Poder Executivo como decretos regulamentares Lei ordinária - é uma norma jurídica que regula matérias de competência do ente federativo que a edita. É a lei mais comum e abrange a população em geral. irá abordar quaisquer outras matérias que não sejam regulamentadas por lei complementar, por decreto legislativo ou por resoluções. Quórum de aprovação = Maioria simples ou relativa: mais da metade de todos os presentes precisa aprovar. • É aprovada por maioria simples de votos • É elaborada pelo Poder Legislativo • Pode ser sancionada ou vetada pelo Presidente da República • Está sujeita ao processo legislativo • Exemplos: Códigos Civil e Penal, Lei sobre o regime jurídico dos Servidores Federais Lei Complementar - irá regulamentar as matérias já reservadas a ela pela Constituição Federal, ou seja, que já são pré-determinadas. Quórum de aprovação= Maioria absoluta: mais da metade de todos os membros precisa aprovar. É cabível propor uma lei complementar em casos em que há a necessidade de tornar claro o conteúdo exposto na Constituição Federal, e quando determinadas matérias não deveriam ser regulamentadas na própria Constituição Federal. Quem pode propor? 1. Qualquer membro do Congresso 2. O presidente da República 3. Comissão da Câmara, do Senado ou do Congresso 4. O procurador-geral da República 5. O Supremo Tribunal Federal 6. Tribunais superiores 7. Cidadãos. ❑ Costumes Os costumes são regras sociais não escritas, decorrente de prática reiterada, generalizada e prolongada, do que resulta a convicção de sua obrigatoriedade como norma de conduta. Exige que se prove a existência do comportamento social reiterado e demonstre a Opinio juris vel necessitatis (é uma expressão latina que significa "uma opinião de lei ou necessidade". É um elemento subjetivo do costume, que é uma fonte de direito). ❑ Jurisprudência É o conjunto de decisões judiciais que interpretam e aplicam a lei. É uma fonte do direito que orienta a aplicação da lei em casos concretos. • É formada por decisões reiteradas dos tribunais sobre um mesmo tema • É uma referência para a interpretação e aplicação do Direito • Contribui para a segurança jurídica e a previsibilidade das decisões • Influencia o desenvolvimento do Direito • Ajuda a suprir lacunas da lei • Garante decisões mais coerentes ❑ Doutrina Também chamada Direito científico, consiste nos estudos desenvolvidos pelos juristas, que obtiveram entender e explicar todos os temas relativos ao direito buscando a correta interpretação dos institutos e normas, de forma a se obter uma real compreensão de todo o universo jurídico. • É uma fonte de direito mediata, ou seja, não tem força normativa própria • É um espaço de interseção das mentes pensantes do Direito • Ajuda na compreensão e aplicação eficaz do ordenamento jurídico • É expressa em pareceres, manuais ou artigos científicos → O Direito Histórico é produto da história do direito na sua evolução desde suas origens até o momento em que é aplicado pelos juízos e tribunais. → O Direito Estrangeiro é o direito que não seja produzido em território brasileiro, que sofre restrições no tocante às normas processuais, por serem estas reguladoras da atividade jurisdicional do Estado, não sendo de se admitir atividade estatal regulada por lei estrangeira. A interpretação da norma processual pode ser classificada: 1. Do ponto de vista objetivo: leva em conta os meios ou expedientes intelectuais empregados na interpretação da lei, podendo ser: a) gramatical; b) lógica; c) sistemática; e d) histórica. a) A interpretação gramatical, também chamada literal, é aquela que se inspira no próprio significado das palavras, sendo a pior de todas as interpretações. b) A interpretação lógica, também chamada teleológica, é aquela que visa a compreender o espírito da lei e a intenção do legislador ao editá-la; procura descobrir a finalidade da lei ou a vontade nela manifestada. c) A interpretação sistemática é aquela que leva em consideração não apenas o sentido das expressões das fórmulas da lei, mas, sobretudo, a regulamentação do fato ou da relação sobre que se deve julgar, considerando o sistema como um todo. Nessa interpretação, o exegeta (aquele que interpreta normas jurídicas) deve colocar a norma dentro do contexto de todo o direito vigente e com as regras particulares de direito que têm pertinência com ela. d) A interpretação histórica é aquela que se assenta sobre a história da lei ou dos seus precedentes, como projetos de lei, discussões no plenário, exposições de motivos etc., procurando identificar a mens legislatoris (Significa “mente do legislador” é uma teoria interpretativa que consideraa intenção do legislador na interpretação das leis.) ou a intenção do legislador (ALVIM, 2016). 2. Do ponto de vista subjetivo, leva em consideração o sujeito que interpreta a lei e pode ser: a) autêntica; b) doutrinária; e c) judicial. a) A interpretação autêntica é aquela que provém do próprio legislador, que é quem faz a lei. b) A interpretação doutrinária é aquela proveniente dos doutrinadores ou comentadores da lei, tendo grande autoridade moral, dependendo de quem interpreta. c) A interpretação judicial é aquela levada a efeito pelos juízos e tribunais, ao aplicarem a lei ao caso concreto; ou mesmo em abstrato na ação declaratória de constitucionalidade ou na ação direta de inconstitucionalidade (ALVIM,2016). 3. A classificação da interpretação do ponto de vista dos resultados leva em consideração o fato de haver na lei algo a mais ou a menos do que deveria dela constar (ALVIM, 2016). a) A interpretação extensiva é aquela que impõe uma ampliação do enunciado legal, por ter a lei sido demasiado restrita, dizendo menos do que queria, excluindo aparentemente situações visadas pela lei. Nesse caso, cumpre ao intérprete ampliar o sentido e o alcance das palavras da lei. b) A interpretação restritiva é aquela que impõe uma restrição do denunciado legal, por ter a lei sido demasiado ampla, dizendo mais do que queria, compreendendo aparentemente situações que, na sua intenção, deveriam ter sido excluídas nesse caso, cumpre ao intérprete, restringir o sentido e o alcance das palavras da lei (ALVIM,2016). Para José Eduardo carreira Alvim. (2016): I) A analogia permite resolver o conflito não previsto em lei, mediante a utilização de regra jurídica relativa a um caso semelhante [...]. Não se confunde a analogia com a interpretação extensiva, pois esta é extensiva “de um significado textual da norma”; aquela é analogia “da intenção do legislador” (ALVIM, 2016). II) Os costumes são regras não escritas, produto de uma repetição reiterada, observadas por todos, impondo-se como meios de resolução dos conflitos; sendo muito prestigiadas nas relações entre os comerciantes (ALVIM, 2016). III) Os princípios gerais de direito são enunciados gerais e universais, geralmente expressos em latim, que ajudam na resolução dos conflitos, quando não seja possível resolvê-los pela analogia ou pelos costumes (ALVIM, 2016) Princípios Constitucionais do Processo Art. 4 - Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais do direito. (LINDB) "os princípios seriam normas que obrigam que algo seja realizado na maior medida do possível, de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas do caso concreto" (THEODORO JUNIOR, Humberto et al). ➢ Quando há um conflito entre normas, a solução é avaliar a hierarquia entre elas (a regra superior derroga a inferior), o grau de especialidade (a norma especial prevalece sobre a norma geral) e a anterioridade temporal (a norma nova revoga a norma anterior, conforme o art. 2º da LINDB - Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue) para que possa ser sanado o caso concreto. ➢ Quando há conflito entre os Princípios constitucionais, a solução e realizar a ponderação (uma técnica de interpretação que permite solucionar conflitos entre direitos fundamentais), ou seja, contrabalanceá-los afastando, temporariamente, determinado princípio com vista a aplicar aquele que melhor conformar ao caso concreto 1. Tutela constitucional do processo. Também conhecido como princípio da supremacia da Constituição, significa que todos os atos, todas as partes, todas as interpretações e todas as circunstâncias que possam acontecer dentro do processo devem, sempre, submeter-se ao critério constitucional e, assim, averiguar se a escolha, a interpretação ou a aplicação do caso concreto buscam cumprir e fazer valer o Direito Constitucional (principalmente direitos e garantias fundamentais). 2. Princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional Art. 5º XXXV CF - A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. “à luz do princípio da inafastabilidade do poder judiciário, ainda que descabido, inoportuno ou desnecessário o pedido, não pode o magistrado se afastar da prestação jurisdicional”. Ou seja, esse princípio assegura a todos independente do direito requerido, que o judiciário não deixe de exercer a sua devida função: julgar no limite da lei. princípio da Inafastabilidade do controle jurisdicional não é absoluta, portanto, possui suas exceções: como no caso de disciplinas e competições desportivas, não caberá recorrer ao judiciário sem antes esgotar a instância competente (órgão regulador do esporte) também não caberá acionar uma ação civil pública em casos que envolvem pretensão em relação a tributos, ordem previdenciárias, fundo de garantia de tempo e serviço (FGTS) ou outros fundos de natureza institucional, pois nesses casos o direito deve ser recorrido de forma individual. 3. Princípio do juiz natural O princípio do juiz natural garante que ninguém será julgado por um tribunal ou juiz de exceção, ou seja, aquele criado após o fato para prejudicar ou beneficiar alguém. Esse princípio está previsto no Art. 5º LIII CF - Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente. Juiz natural é o juiz que é designado para julgar um caso de acordo com as regras de competência. O princípio do juiz natural é uma garantia de imparcialidade e de que o julgamento será justo. A Constituição ainda, em decorrência do juiz natural, para que o magistrado não seja influenciado, internamente ou externamente, contemplou a magistratura com as garantias da vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos. Não devemos confundir juízo natural e juízo especializado, pois o último indica a existência de órgãos jurisdicionais dotados de competência específica (em contraposição à competência comum), como é o caso da Justiça do Trabalho, Justiça Eleitoral e Justiça Militar, mas já previstos anteriormente para julgar matéria específica na lei. Grupos de Sentença Essa exceção surge quando há uma necessidade de distribuir melhor a carga de trabalho entre magistrados e garantir mais eficiência no julgamento dos processos. No entanto, para que essa formação não viole o princípio do juiz natural, é fundamental que: O grupo de sentença seja formado previamente, antes da ocorrência do fato a ser julgado. As regras de composição sejam objetivas e previstas em lei ou regimento interno. A criação do grupo de sentença não tenha caráter casuístico, ou seja, não pode ser criada apenas para julgar um caso específico. Diferentemente de um tribunal de exceção, esses grupos de sentença são previstos anteriormente, seguindo regras gerais e impessoais, sem direcionamento específico para prejudicar ou beneficiar alguém. 4. Princípio do devido processo legal Art. 5º II CF - Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude da lei. Art. 5º LIV CF - Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens, sem o devido processo legal. Também conhecido como o Princípio da Legalidade estabelece que as ações do Estado devem ser baseadas em leis e principalmente respeitando as etapas de um processo legal, ele é um dos fundamentos do Estado de direito primordial, pois é o qual todos os outros se sustentam (super princípio) e protege os cidadãos de abusos de poder por parte do judiciário. 5. Princípio do contraditório e da ampla defesa Art. 5º CF - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a elase inerentes. O princípio do contraditório é um dos fundamentos do devido processo legal, garantindo que nenhuma decisão judicial pode ser proferida sem que a parte contrária tenha a oportunidade de se manifestar, salvo disposto no parágrafo único do art. 9º do CPC onde aponta exceções em que o juiz pode demandar antes da manifestação previamente do réu (parte requerida), garantindo posteriormente o direito ao contraditório diferido. Art. 9º CPC - não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida. Parágrafo único. Disposto no caput não se aplica: I- A tutela provisória de urgência (Quando há risco de dano irreparável e a demora pode comprometer a eficácia da decisão) II- As hipóteses de tutela de evidência prevista no artigo 311, inciso II, III (se baseia em provas anexadas e não depende da demonstração de urgência ou perigo de dano) III- E decisão prevista no art. 701 - Sendo evidente o direito do autor, o juiz deferirá a expedição de mandado de pagamento, de entrega de coisa ou para execução de obrigação de fazer ou de não fazer, concedendo ao réu prazo de 15 (quinze) dias para o cumprimento e o pagamento de honorários advocatícios de cinco por cento do valor atribuído à causa. (Quando a própria legislação prevê que a decisão pode ser tomada sem ouvir a parte contrária.) 6. Princípio da inadmissibilidade de provas ilícitas A utilização de prova ilícita é expressamente proibida por dispositivos contidos tanto na Constituição Federal quanto no Código de Processo Civil que seguem: Art. 5º LVI CF - São inadmissíveis no processo as provas obtidas por meios ilícitos. Art. 369 CPC 2015 - As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste código, para provar a verdade dos fatos em que se funda. O pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz Nelson Nery Junior esclarece: "A prova é ilegal quando ofende o ordenamento jurídico como um todo (CF, leis e princípios), que se trate de ofensa material ou processual. A prova será ilícita quando sua proibição for de natureza material, vale dizer, quando tiver sido obtida ilicitamente." "(a) ilicitude material, em que a prova é obtida mediante ato contrário ao direito (invasão de domicílio, quebra de sigilo epistolar e do segredo profissional, subtração de coisa, captação clandestina de sons e imagens, constrangimento pessoal); (b) ilicitude formal, em que, originalmente lícito o procedimento de obtenção da prova, o vício ocorre no momento da produção da prova (depoimento de testemunha impedida)" (ASSIS, Araken). Para exemplificar, no primeiro caso, ilicitude material, toda a construção da prova está contaminada como é o caso de prova obtida por meio de invasão de domicílio, furto ou ameaça, enquanto no segundo caso, ilicitude formal, a contaminação é interna e não perceptível a olho nu, pois parece ser toda válida, porque a prova foi obtida por um meio lícito (um contrato, por exemplo), mas seu fundo era ilícito como é o caso de depoimento de testemunha impedida que ninguém sabia que o era. Embora o texto constitucional proíba a utilização no processo de provas obtidas por meio ilícitos, a doutrina se manifesta de forma bastante controvertida, sendo que vem ganhando força uma corrente intermediária, que se denomina modernamente de princípio da proporcionalidade. Esta corrente defende que a ilicitude do meio de obtenção de prova seria afastada quando, por exemplo, houver justificativa para a ofensa a outro direito por aquele que colhe a prova ilícita. É o caso, por exemplo, do acusado que, para provar sua inocência, grava clandestinamente conversa telefônica entre outras duas pessoas. 7. Princípio da presunção de inocência Art. 5º [...] LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. O princípio da presunção de inocência estabelece que ninguém pode ser considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Em outras palavras, uma pessoa acusada de um crime deve ser tratada como inocente até que sua culpa seja comprovada de forma definitiva por meio do devido processo legal. O objetivo da presunção de inocência é evitar que pessoas sejam punidas injustamente antes de um julgamento adequado. Esse princípio protege os direitos fundamentais do indivíduo, impedindo que sanções sejam aplicadas sem prova concreta e garantindo um julgamento justo. não se aplica diretamente ao Direito Civil da mesma forma que se aplica ao processo criminal. No entanto, há conceitos similares no Direito Civil que garantem a proteção dos direitos das pessoas até que se prove o contrário. Por exemplo, no Direito Civil, a presunção de boa-fé pode ser equiparada à ideia de presunção de inocência. Isso significa que uma pessoa é considerada honesta e agindo corretamente até que haja evidências que indiquem o contrário. Em contextos contratuais, por exemplo, presume-se que as partes agem de boa-fé, salvo prova em contrário. Esses princípios visam assegurar a equidade e a justiça nas relações jurídicas, embora a aplicação e o contexto sejam diferentes dos do Direito Penal. 8. Princípio do duplo grau de jurisdição Também conhecido como Princípio da dualidade de instancias, trata-se da possibilidade de revisão das decisões judiciais por um órgão do poder judiciário diverso daquele que proferiu a primeira sentença, ou seja, o princípio do duplo grau de jurisdição é uma garantia processual que assegura às partes o direito de recorrer de uma decisão judicial para que um tribunal superior a reexamine. Esse princípio está relacionado ao direito ao contraditório e à ampla defesa, pois permite que erros, omissões ou injustiças eventualmente cometidos na primeira instância sejam corrigidos por uma instância superior. Apesar de não estar expressamente previsto na Constituição Federal, o duplo grau de jurisdição é derivado de princípios constitucionais, como o devido processo legal (art. 5º, LIV) e a ampla defesa (art. 5º, LV). Além disso, tratados internacionais ratificados pelo Brasil, como a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica), reforçam esse direito. 9. Princípio da publicidade Art. 93 IX CF - todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; Art. 11. CPC- Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade. Parágrafo único. Nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada a presença somente das partes, de seus advogados, de defensores públicos ou do Ministério Público. O princípio da publicidade garante que os atos processuais e administrativos sejam acessíveis ao público, promovendo transparência, controle social e legitimidade das decisões esse direito fundamental possui duas funções: proteger as partes contra juízos arbitrários e secretos, e permitir o controle da opinião pública sobre os serviços da justiça principalmente sobre o exercício da atividade jurisdicional. O princípio da publicidade tem duas dimensões principais: publicidade interna e publicidade externa. Ambas garantem a transparência dos atos processuais e administrativos, mas de formas diferentes. A publicidade interna refere-se à circulação dos atos dentro dos órgãos públicos. Isso significa que mesmo que determinado ato não seja acessível ao público em geral, ele deve estar disponível para servidores, autoridades competentes (como advogado, Ministério Público)e as partes envolvidas. A publicidade externa é aquela que garante que os atos do Poder Público sejam acessíveis ao público em geral, permitindo que qualquer cidadão possa acompanhar e fiscalizar os atos administrativos e judiciais. O Artigo 189 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que, embora os atos processuais sejam públicos, há exceções em que o segredo de justiça se aplica para proteger direitos fundamentais e interesses específicos. Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: I - Em que o exija o interesse público ou social; II - Que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, união estável, filiação, alimentos e guarda de crianças e adolescentes; III - Em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à intimidade; IV - Que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo. • OBS: O sigilo só é concedido em casos que são devidamente comprovados e necessários, em relação aos negócios jurídicos o remédio para um julgamento sigiloso é optar pela arbitragem. O processo arbitral pode ser sigiloso, mas o sigilo não é pressuposto do processo arbitral, mas é bem comum. A arbitragem, pode ser confidencial se as partes assim decidirem, mas o sigilo não é automático: para que o processo judicial relacionado à arbitragem tramite em segredo de justiça, é necessário comprovar que a confidencialidade foi estipulada na convenção arbitral (um acordo para submeter um litígio à arbitragem antes mesmo do litígio existir) 10. Princípio da fundamentação das decisões judiciais Princípio esculpido, igualmente ao da publicidade, nos artigos 93, IX, da CF88 e no art. 11 do CPC15, diz: Art. 93 IX CF todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; Art. 11. CPC Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade. Trata-se do fato de que as decisões judiciais deverão ser motivadas, por isso também é conhecido como princípio da motivação, ou seja, o juiz deve expor os argumentos jurídicos e fáticos que justificam sua decisão. O princípio da fundamentação das decisões judiciais garante transparência, legitimidade e segurança jurídica. Ele impede que magistrados decidam com base apenas em suas opiniões pessoais e assegura que as partes compreendam os motivos da decisão, permitindo o exercício do direito ao recurso, ou embargos de declaração. Em síntese, a fundamentação é o local onde todos nós podemos averiguar se o juiz respeitou todos os demais princípios como a supremacia da constituição, a inafastabilidade da jurisdição, da ampla defesa e do contraditório e, por isso, é tão importante ao processo. Por isso, o CPC15 institui um rol mínimo para analisar se a decisão é fundamentada ou não: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I - O relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II - Os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I - Se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II - Empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV - Não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V - Se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI - Deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Para ser considerada válida, a fundamentação deve: Ser clara e coerente, apresentando os fundamentos fáticos e jurídicos da decisão. Analisar os principais argumentos das partes, justificando a razão do acolhimento ou rejeição. Indicar normas jurídicas, princípios, jurisprudência precedentes aplicáveis ao caso. 11.Princípio da Isonomia (igualdade material): Dentro de um processo ninguém deve ter privilégios ou ser perseguido de uma forma mais dura que a outra parte. A ninguém é dado gozar de privilégios ou obstáculos que não sejam fundadas em normas racionais e claras, de modo que a fortuna, o cargo ou a importância midiática que uma pessoa tenha não seja elemento capaz de mudar a rota do processo ou o como procederá esse ou aquele juiz, pois sacramentou a Constituição Federal que: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. (CPC15). No processo, então, se revigora o princípio aristotélico de que "o juiz, então, reestabelece a igualdade, onde é preciso ver que "nessas situações, a lei processual aplicou e incorporou o princípio da isonomia ao seu texto, estampado na CF. É que o citado princípio significa que partes iguais (do ponto de vista processual e/ou econômico) devem ser igualmente tratadas; partes desiguais devem ser tratadas desigualmente" (MONTENEGRO FILHO) Em suma, O princípio da isonomia, também chamado de princípio da igualdade, estabelece que todas as pessoas devem ser tratadas de forma igual pela lei e pelo Poder Judiciário, respeitando suas diferenças e necessidades específicas. Igualdade Formal: É a ideia de que todos devem ser tratados da mesma forma perante a lei, sem distinções, mas essa abordagem ignora desigualdades concretas e pode perpetuar injustiças. Igualdade Material: Busca equilibrar desigualdades preexistentes para garantir condições justas e equitativas, lógica aristotélica que consiste em tratar os desiguais de forma desigual, na medida de sua desigualdade. No processo judicial, a igualdade material é observada quando: ♦ O juiz concede prazos diferenciados para pessoas com deficiência ou que enfrentem dificuldades de acesso à Justiça. ♦ O Estado oferece assistência judiciária gratuita a quem não pode pagar. ♦ Há proteção especial para grupos vulneráveis, como crianças, idosos, mulheres vítimas de violência e pessoas em situação de extrema pobreza. 12. Razoável duração do processo e celeridade: Art. 5º LXXVIII CF- A todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação Esse princípio garante que os processos não se arrastem por tempo excessivo, assegurando que as partes tenham uma resolução eficiente e justa dentro de um prazo adequado. O princípio da razoável duração do processo não significa pressa sem qualidade, mas sim um equilíbrio entre rapidez e justiça. A ideia é que a morosidade não prejudique os envolvidos, garantindo que o tempo do processo seja compatívelcom a necessidade das partes e a complexidade do caso. Razoável duração: O processo deve ter um tempo adequado e proporcional à sua complexidade. Celeridade: Os procedimentos devem ser rápidos, sem prejudicar a qualidade da decisão.