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Roteiro Aula de Higiene das Mãos e EPI 
- Por que se deve higienizar as mãos? 
Na vida cotidiana, utilizamos as nossas mãos para realizar inúmeras atividades, muitas vezes 
automáticas, de modo que não percebemos a infinidade de diferentes superfícies que tocamos 
(maçanetas, chaves, corrimão, botões, mão de outras pessoas, pele, mucosas, entre outros). 
Isso faz com que, no decorrer do dia, muitos microrganismos sejam transferidos e abrigados na 
pele das mãos, sendo essa comunidade (microbiota) constituída por bactérias, fungos e vírus 
que pode se modificar a depender das áreas nas quais tocamos. 
Desse modo, a preocupação quanto a higiene das mãos deve fazer parte do nosso dia a dia. 
Especificamente na prática odontológica, a equipe de saúde bucal utiliza as mãos como 
instrumento de trabalho fundamental. Assim, o cuidado com as mãos se torna essencial, 
configurando-se uma das principais medidas de precaução padrão. 
Devido à sua localização e extensa superfície, as mãos são constantemente expostas a vários 
tipos de microrganismos do ambiente que podem ser classificados como parte da microbiota 
transitória ou residente. A microbiota transitória é aquela que coloniza a camada superficial da 
pele, sobrevive por curto período e está mais associada às infecções. Essa camada é passível de 
remoção pela higienização simples das mãos com água e sabonete líquido, sob fricção, que 
promove a redução dessa microbiota por remoção. Ela também pode ser reduzida por meio de 
álcool à 70%, sob fricção que promove a inativação microbiana. Enquanto a microbiota 
residente, que está aderida às camadas mais profundas da pele, é menos associada à infecções 
e mais resistente à remoção apenas com água e sabonete. Independentemente da microbiota 
ser residente ou transitória, elas podem abrigar microrganismos com patogenicidade variada. 
Assim, é possível observar desde bactérias com patogenicidade nula, passando pelas bactérias 
oportunistas até aquelas com patogenicidade comprovada. 
Com a falta ou a inadequada higienização das mãos dos profissionais, esses microrganismos são 
facilmente transferidos aos pacientes por contato direto e/ou indireto. 
Estudos científicos têm demonstrado que, na prática clínica, inúmeros microrganismos podem 
colonizar transitoriamente a pele: vírus das hepatites A, B e C; vírus da imunodeficiência humana 
– HIV; vírus respiratórios; vírus de transmissão fecal-oral, e fungos como cândida. 
Higiene das mãos (HM) é um termo geral, que se refere a qualquer ação de higienizar as mãos 
para reduzir a microbiota das mãos, prevenir e consequentemente evitar que pacientes e 
profissionais de saúde adquiram infecções. O termo “higiene das mãos” vem substituindo a 
expressão “lavagem das mãos”, pois representa um processo abrangente que pode englobar 
diversos métodos de execução. É a medida individual mais simples e menos dispendiosa para 
prevenir a disseminação de microrganismos patogênicos. 
- Quando higienizar as mãos na prática odontológica? 
Ao chegar ao serviço/clínica, antes de vestir as luvas, após remover as luvas, ao tocar superfície 
contaminadas com as mãos desprotegidas, após remover epi/ir embora, quando as mãos 
estiverem visivelmente sujas. 
- Quais produtos estão indicados para higiene das mãos? 
Sabonete comum líquido: É um produto que não possui ação antimicrobiana específica. As suas 
propriedades detergentes possibilitam a remoção física de microrganismos transitórios, 
sujidades e matéria orgânica das mãos. Desse modo, a redução substancial da carga microbiana 
deve-se às propriedades físico-químicas dos saponáceos. A forma de apresentação mais 
indicada do sabão em ambientes de saúde é a líquida. As evidências científicas disponíveis 
sugerem que os sabonetes comuns, por si só, não são capazes de eliminar ou inibir o crescimento 
de microrganismos. Em geral, esse produto é considerado menos eficaz do que o sabonete 
antisséptico e as preparações à base de álcool na redução da contaminação das mãos. 
- Sabonete líquido antisséptico: Representa uma classe de sabonetes com uma variedade de 
ingredientes ativos antimicrobianos, como clorexidina 2%. O uso rotineiro de sabonetes 
antissépticos para a higiene das mãos na assistência odontológica não é recomendado. Isso se 
deve ao fato do produto poder propiciar um desequilíbrio no microbioma da pele, que consiste 
em uma barreira natural de proteção contra novos microrganismos colonizantes. A sua 
indicação, portanto, será para seguintes situações: Realização de procedimentos 
limpos/assépticos. Atendimento de pacientes de alto risco. Nas situações de surtos. 
- Produtos à base de álcool: estabeleceu a obrigatoriedade de disponibilização de preparações 
alcoólicas para a fricção antisséptica das mãos em serviços de saúde. Pode-se usar uma 
preparação alcoólica sob formas de gel, espuma, outras (na concentração final mínima de 70%). 
O álcool etílico é muito utilizado por ser uma substância bastante volátil, de absorção rápida e 
baixa toxidade e, sobretudo, por ter o seu efeito bem rápido e de fácil aplicação. Também 
apresenta atividade antimicrobiana atribuída à sua habilidade em desnaturar proteínas quando 
na presença de água. Apresenta boa atividade antimicrobiana ante bactérias positivas e 
negativas e fungos, no entanto, sua ação mais significativa é na eliminação da maioria dos vírus. 
Embora seu mecanismo de ação esteja relacionado à desnaturação de proteínas e rompimento 
das camadas lipídicas, a presença de proteínas diminui sua eficácia, pois os álcoois ligam-se a 
elas diminuindo sua disponibilidade. Por esse motivo, as preparações alcoólicas não estão 
indicadas na presença de sujidade visível. 
- Qual a estrutura necessária para higiene das mãos? 
Pia profunda exclusiva para higiene das mãos com acionamento por pedal ou sensor, lixeira de 
lixo comum com acionamento por pedal, porta papel-toalha, dispensadores de acionamento. 
- Como higienizar corretamente as mãos? 
De acordo com a anvisa e o centro de controle e prevenção de doenças, a higiene das mãos se 
dá de 4 modos distintos: higiene simples das mãos, higiene antisséptica das mãos, fricção 
antisséptica das mãos e antissepsia cirúrgica ou preparo pré-operatório das mãos. 
Higiene simples das mãos e a antisséptica são muito parecidas tecnicamente. Higiene simples 
das mãos compreende a técnica cujo objetivo é remover os microrganismos que colonizam as 
camadas superficiais da pele com sabonete comum líquido. Já a antisséptica tem a finalidade de 
promover a remoção de sujidades e de microrganismos, reduzindo a carga microbiana das mãos, 
com auxílio de um sabonete com antisséptico. 
Já a fricção antisséptica das mãos é uma técnica sem enxágue que deve utilizar preparações 
alcoólicas para promover a redução da microbiota transitória proporcionada pelo uso do álcool 
à 70% (gel ou solução). Substitui a higiene com sabonete líquido e água quando as mãos não 
estiverem com sujidade visível. 
E a antissepsia cirúrgica das mãos pode ser conduzida por meio de técnica com enxágue, 
associada ao uso de sabonetes com ação antisséptica, sendo a clorexidina 2%. A técnica também 
pode ser colocada em prática com o auxílio de esponjas descartáveis e de uso único, 
impregnadas ou não com antisséptico degermante. 
- Saúde da pele das mãos: Usar cremes hidratantes para a pele das mãos diariamente. Não 
higienizar as mãos com água e sabonete imediatamente após o uso de preparações alcoólicas, 
para evitar dermatites. Evitar água muito quente ou muito fria na higienização das mãos, a fim 
de prevenir o ressecamento da pele. Enxaguar as mãos em abundância para remover os resíduos 
de produtos químicos em sua totalidade. Proceder a HM após a retirada das luvas. Secar bem as 
mãos antes de calçar luvas. 
 
Vimos na aula anterior que profissionais responsáveis pelo cuidado odontológico estão 
suscetíveis a inúmeros riscos, que podem determinar não apenas infecçõesna equipe de 
trabalho, como também lesões ao organismo. Essas lesões podem ser irreversíveis e, em uma 
situação extrema, incapacitar os trabalhadores dos serviços de saúde bucal. Assim, faz-se 
necessária a adoção de medidas que visem a proteção pessoal. Surge então a necessidade, 
garantida por lei, de utilização dos equipamentos de proteção individual (EPI). 
Essa proteção se fundamentará pela interposição de barreiras às possíveis portas de entrada de 
microrganismos (boca, nariz, olhos, pele não íntegra), assim como pela cobertura de áreas 
expostas durante a atividade de trabalho (pele íntegra, roupas, calçados, cabelos e ouvidos). 
O emprego dos EPI representa uma importante precaução padrão, capaz de proporcionar uma 
barreira física, impedindo a contaminação pelo sangue, fluidos orgânicos, secreções e excreções. 
Na prática odontológica, o uso de EPI é obrigatório na assistência a pacientes, nos 
procedimentos de limpeza do ambiente e para o processamento dos instrumentos. 
- EPI ou barreira de proteção individual, qual a diferença? 
De acordo com a legislação brasileira, EPI é todo dispositivo ou produto, de uso individual, 
utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos susceptíveis de ameaçar a segurança 
e a saúde no trabalho, que para ser comercializado ou utilizado, todo EPI deve ter Certificado de 
Aprovação (CA), emitido pela Secretaria do Trabalho da Ministério da Economia. 
Se um dispositivo não tem certificado de aprovação ele é EPI? Ele é considerado uma barreira 
de proteção individual. Se um dispositivo não tem CA, não pode ser considerado EPI. Isso quer 
dizer que não oferecerá proteção? A resposta é não, pois algumas barreiras, a exemplo da 
máscara cirúrgica, não possuem CA, mas têm indicação específica para proteção contra 
gotículas. 
- Quais equipamentos de segurança deverão ser usados na prática odontológica? 
Avental / jaleco: é a barreira destinada ao profissional de saúde com a finalidade de oferecer 
proteção ao tronco, braços, antebraços e coxas. Esse jaleco deve ter mangas longas, punhos 
fechados, gola alta, tecido claro e confortável, e alcançar até a altura dos joelhos, sendo utilizado 
exclusivamente em ambiente ambulatorial. 
Máscara / Respiradores: são equipamentos de segurança que promovem uma barreira contra a 
inalação/ingestão de bioaerossóis (gotículas e/ou aerossóis), protegendo as regiões da boca e 
nariz, além de proteger o paciente das partículas de saliva provenientes do profissional ao falar. 
Óculos de Proteção: são os EPI empregados para a proteção dos olhos do profissional e do 
paciente durante os procedimentos odontológicos, conferindo barreira contra respingos de 
material infectante, substâncias químicas, partículas e luzes de diferentes comprimentos de 
onda. 
Touca / Gorro: Os cabelos representam importante fonte de infecção, pois possuem inúmeros 
microrganismos. Assim, a contaminação dos cabelos dos dentistas e equipe auxiliar pode 
exercer influência sobre o controle de infecção no ambiente clínico. Desse modo, torna-se 
obrigatório o uso de toucas/gorros durante a realização de procedimentos odontológicos. A 
touca ou gorro agem como uma barreira mecânica com o objetivo de bloquear a contaminação 
por secreções, gotículas, aerossóis e produtos, atuando também para evitar a queda de cabelos 
no campo de trabalho e prevenir acidentes. 
Luvas: 
 
- Ordem correta de colocação e retirada de EPI: 
Higiene das mãos – jaleco – máscara – óculos – touca – protetor facial* - luvas. 
Luvas – jaleco – protetor facial* – touca – óculos – máscara – higiene das mãos.

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