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PRINCÍPIO DA REALIZAÇÃO DA RECEITA Segundo esse princípio, a entidade só apurará lucro ou prejuízo em um período juntamente com a realização da receita. Normalmente, a realização da receita ocorre no momento em que há a transferência de um bem ou de um serviço a terceiros. Todos os gastos consumidos no processo de fabricação devem ser somados aos produtos e contabilizados como estoque enquanto não forem vendidos. Quando esses produtos forem vendidos, deixarão de ser estoque e se tornarão despesas, chamadas Custos dos Produtos Vendidos. ? Custos indiretos de Custos indiretos de fabricação (CIF) são aqueles que não podem ser diretamente apropriados aos produtos, e qualquer alocação tem de ser feita de maneira estimada, por meio de critérios de rateio. A mão-de-obra direta (MOD) é aquela associada diretamente a cada produto, pois há uma medição de quanto cada operário trabalhou em cada unidade e quanto custa cada operário para a instituição. A mão-de-obra indireta (MOI) não pode ser alocada aos produtos por meio de uma verificação direta e objetiva. São exemplos os chefes de operários e supervisores, que se dedicam a todas as linhas de produção dos diversos produtos. Quando a fabricação é feita sob encomenda, e realizada por um prazo superior a um exercício (longo prazo), as receitas são reconhecidas antes da transferência do bem a terceiros. É uma das exceções ao princípio da realização da receita. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA (OU DA CONFRONTAÇÃO ENTRE RECEITAS E DESPESAS) Segundo esse princípio, após a realização da receita, todos os esforços (despesas) para a sua obtenção devem ser deduzidos. Existem dois grupos de despesas: as incorridas (consumidas) para a obtenção das receitas reconhecidas no período e as realizadas para a obtenção de receitas que não necessariamente foram reconhecidas no período. Apenas os gastos ocorridos na produção fazem parte do estoque dos produtos (que só se tornam despesas quando vendidos, e são lançados na conta Custo dos Produtos Vendidos – CPV), enquanto gastos relacionados à administração, às vendas e ao financiamento são despesas. 1 PRINCÍPIO DO CUSTO HISTÓRICO COMO BASE DE VALOR Este princípio diz que os ativos devem ser contabilizados pelo seu valor original de entrada, mais o que foi gasto para que o bem entrasse de fato em funcionamento (frete, instalação etc.). Isto é chamado de custo histórico. Logo, os estoques são avaliados pelo CUSTO HISTÓRICO, sem correção devido à inflação. CONVENÇÃO DA CONSISTÊNCIA OU UNIFORMIDADE A alternativa para o registro contábil de um fato deve ser adotada de forma consistente. Isso quer dizer que a instituição não deve mudar seus critérios sempre. Porém, quando houver realmente necessidade de mudanças, ela deve comunicar o fato em notas explicativas às demonstrações contábeis e evidenciar seu reflexo no resultado. CONVENÇÃO DO CONSERVADORISMO OU PRUDÊNCIA Toda vez que existir dúvida sobre como deve ser tratado um fato, deve-se optar pela forma mais conservadora. Se um gasto pode ser contabilizado como ativo ou despesa, opta-se pela despesa (é uma solução mais conservadora porque a despesa reduz o lucro). Ou, se um valor pode ser passivo (dívidas) ou patrimônio líquido, opta-se pelas dívidas. Por exemplo se surgir dúvida entre qual valor contabilizar no estoque, o custo ou o valor de mercado, deve-se optar pelo menor valor, segundo a Convenção do Conservadorismo ou Prudência. CONVENÇÃO DA MATERIALIDADE OU RELEVÂNCIA Este princípio indica que, para valores monetários considerados imateriais (pequenos) se comparados a um valor total, não é necessário ter um procedimento contábil rigoroso. Sendo assim, alguns itens que deveriam ser registrados como ativos e só se transformarem em custos e despesas à medida que são consumidos são tratados como custos e despesas no período em que são adquiridos para facilitar a contabilidade (por exemplo: materiais de limpeza). Porém, a soma de diversos itens irrelevantes pode se tornar significativa, e a partir daí merece tratamento contábil rigoroso. 2 CONTEÚDO COMPLEMENTAR 1 GASTOS Exemplos de Gastos: • Gastos com mão de obra (salários e encargos sociais); • Gastos com aquisição de mercadorias para revenda; • Gastos com aquisição de matérias-primas para industrialização; • Gastos com aquisição de máquinas; • Gastos com aquisição de equipamentos; • Gastos com o consumo de energia elétrica; • Gastos com aluguéis de instalações; • Gastos com reorganização administrativa; • Gastos com desenvolvimento de produtos. Os Gastos não incluem todos os sacrifícios com que a entidade pode arcar, pois o Custo de Oportunidade (ou juros sobre o capital próprio) não é incluído, uma vez que não implica a entrega de ativos. 2 DESEMBOLSO REGIME DE CAIXA = registro de pagamentos ou recebimentos no ato da realização do evento. REGIME DE COMPETÊNCIA = registro do ato no momento de sua realização com pagamento posterior. INVESTIMENTOS Exemplos: • aquisição de móveis e utensílios; • aquisição de imóveis; • aquisição de marcas e patentes; • aquisição de matérias-primas (*) • aquisição de material de escritório. 3 (*) O gasto com a aquisição de matérias-primas adquiridas pela empresa e que ainda não foram utilizadas no processo de produção de bens ou serviços é considerado um investimento. Os investimentos podem ser de diversas naturezas e de períodos de ativação variados: a matéria prima é um gasto contabilizado temporariamente como investimento circulante, a máquina é um gasto que se transforma num investimento permanente, as ações adquiridas de outras empresas são gastos classificados como investimentos circulantes ou permanentes, dependendo da intenção que levou a sociedade à aquisição. CUSTO Exemplos: • Salários e encargos sociais dos funcionários que trabalham na produção; • Matéria-prima utilizada no processo produtivo; • Combustíveis e lubrificantes utilizados nas máquinas da fábrica; • Aluguéis das instalações da fábrica; • Seguro das instalações da fábrica; • Seguros do maquinário utilizado na produção; • Depreciação dos equipamentos utilizados na produção; e • Gastos com manutenção das máquinas utilizadas na produção. Observações: No momento que as matérias-primas adquiridas pela empresa passam a ser utilizadas no processo produtivo de bens ou serviços, deixam de ser consideradas Investimentos (classificados no Ativo Circulante - Estoque de Matérias-Primas) e passam a ser consideradas Custos de produção. A matéria prima foi um Gasto na sua aquisição que imediatamente se tornou Investimento, e assim, ficou durante o tempo de sua estocagem, sem que aparecesse nenhum Custo associado a ela. No momento de sua utilização na fabricação de um bem, surge o Custo da matéria-prima como parte integrante do bem elaborado. Este, por sua vez, é de novo um Investimento, já que fica ativado (isto é, classificado no Ativo) até sua venda. A energia elétrica utilizada na fabricação de um bem qualquer é gasto (na hora de seu consumo) que passa imediatamente para custo, sem transitar pela fase de investimento. A máquina provocou um gasto na sua entrada, tornado investimento e parceladamente transformado em custo (depreciação), na medida em que é utilizada no processo de produção de utilidades. 4 DESPESA Para facilitar a sua compreensão, podemos adotar a seguinte regra: Custos são todos os gastos realizados até que o produto fique pronto; a partir deste ponto, todos os gastos passam a ser Despesas. Por exemplo, os gastos com a embalagem de um determinado produto podem ser Custos se realizados no âmbito do processo produtivo (o produto é vendido embalado); e podem ser Despesas se realizados após a produção (o produto pode ser vendido com ou sem embalagem). A comissão do vendedor, por exemplo, é um Gasto que se torna imediatamente uma Despesa. O computador de um funcionário administrativo de uma fábrica, que fora transformado em Investimento, tem uma parcela reconhecida como Despesa de depreciação,sem transitar pelo Custo de produção. Por outro lado, a máquina usada na linha de produção, que fora Gasto transformado em Investimento, tem uma parcela reconhecida como Custo de Depreciação. Segundo a Contabilidade Geral, as Despesas consideram-se incorridas: 1. Quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transferência de sua propriedade para terceiros; 2. Pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo; 3. Pelo surgimento de um passivo sem correspondente ativo. Outros exemplos de Despesas: • Salários e encargos sociais do pessoal de vendas; • Salários e encargos sociais do pessoal da administração da indústria; • Energia elétrica consumida nas instalações da administração da indústria; • Gastos com combustíveis e refeições do pessoal de vendas; • Conta telefônica da administração e do pessoal de vendas; e • Aluguéis e seguros das instalações da administração da indústria. 5