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Parte 2: Noções de macroeconomia Agregados Macroeconômicos Profa. Sarah Mesquita Lima DISCIPLINA: ECONOMIA PARA ENGENHARIA Principais Agregados Macroeconômicos Para julgar o sucesso de uma economia devemos observar a sua produção ou renda. Países com rendas elevadas desfrutam de padrão de vida mais alto. Assim, o objetivo do estudo da macroeconomia é a formação e a distribuição de produto e renda gerados pela atividade econômica. É o chamado fluxo circular da renda. A partir do fluxo circular de renda, estabelece-se os conceitos dos principais agregados macroeconômicos. Nessa economia simplificada, supõe-se que os únicos agentes são as empresas (que produzem bens e serviços) e as famílias (que recebem rendimentos pela prestação de serviços). Profa. Sarah Mesquita Lima Profa. Sarah Mesquita Lima Fluxo Circular da Renda Indivíduos são proprietários da força de trabalho, da terra, dos recursos naturais, etc. As firmas compram o uso desses fatores. Os indivíduos adquirem bens e serviços, que são de propriedade das firmas, e pagam por isso. Para economia como um todo, a renda deve ser igual a despesa porque: Cada transação tem um comprador e um vendedor. Cada real de despesa de um comprador é um real de renda para algum vendedor. A igualdade de renda (produto) e despesa pode ser ilustrada com o diagrama do fluxo circular de renda. Óticas de mensuração O fluxo do produto e o fluxo de rendimentos propiciam três óticas pelas quais pode ser medida a atividade econômica e que chegam ao mesmo resultado numérico. A partir delas, podemos definir os conceitos de: Produto Nacional (PN); Despesa Nacional (DN); e Renda Nacional (RN). Profa. Sarah Mesquita Lima Óticas de mensuração Produto Nacional (PN) Despesa Nacional (DN) Renda Nacional (RN) Produto Nacional é o valor de todos os bens e serviços finais produzidos em determinado período de tempo. É uma medida do fluxo de produção, ou seja, pela ótica da produção de bens e serviços das empresas. Os preços permitem agregar bens diferentes. Assim, PN é avaliado em termos monetários, e a moeda é a unidade-padrão de agregação. Não são consideram os bens e serviços intermediários, como matérias-primas e componentes, que entraram na elaboração dos bens e serviços finais. Isso evita a dupla contagem, como, por exemplo, somar como produto nacional o trigo, a farinha e o pão ao mesmo tempo. O PN também pode ser medido pela ótica das despesas realizadas pelos agentes de despesa, ou seja, consumidores, empresas, governo e estrangeiros. Nesse caso, é também chamado de Despesa Nacional (DN), que é a despesa com produto nacional. A Renda Nacional é a soma dos rendimentos pagos às famílias, que são proprietárias do fatores de produção, pela utilização de seus serviços produtivos, em determinado período de tempo. RN = Salários (w) + juros (j) + aluguéis (a) + lucros (l) Portanto, a medida é feita pelo fluxo de rendimento (mercado de fatores de produção). O conceito de RN mostra como a renda é distribuída entre os proprietários dos fatores de produção (que pertencem ao setor “famílias”). Profa. Sarah Mesquita Lima Óticas de mensuração Observa-se, então, que existem três óticas que permitem medir o resultado econômico agregado de um país. São óticas conceitualmente diferentes, mas, que chegam ao mesmo valor numérico. Assim, PN = DN = RN. RN PN DN Profa. Sarah Mesquita Lima Economia a dois setores com formação de capital Anteriormente caracterizou-se uma economia em estado estacionário, em que apenas se reproduzem ano a ano as condições de sobrevivência. Entretanto, as famílias também poupam, e as empresas também produzem e investem em bens de capital. Ou seja, as famílias e empresas preocupam-se também com o consumo futuro (e não só com o consumo corrente). Com isso, o fluxo de renda pode ampliar-se, ou diminuir, não permanecendo estacionado. Profa. Sarah Mesquita Lima Economia a dois setores com formação de capital Poupança é a parcela da RN não consumida no período, isto é, da renda gerada (salários, juros, aluguéis e lucros), parte não é gasta em bens de consumo. S = RN – C Sendo C é o consumo agregado. Sendo S a notação internacional derivada do inglês Saving. Poupança (S) Profa. Sarah Mesquita Lima Economia a dois setores com formação de capital Investimento é o gasto em bens produzidos, que não foram consumidos no próprio período e que serão utilizados para consumo futuro. I = PN – C Os investimentos podem ser feitos em: • Máquinas e equipamentos • Imóveis • Variação de estoque (produtos acabados e intermediários) Investimento (I) Investimento em bens de capital (Ibk) E I = lbk + E Profa. Sarah Mesquita Lima Economia a dois setores com formação de capital A depreciação (d) é o consumo do estoque de capital físico, em dado período. Ou seja, o bem de capital também é consumido, no sentido de que sofre um desgaste, só que, diferentemente dos bens de consumo, em parcelas, até que vire sucata, ou se torne obsoleto. O investimento líquido, chamado também de formação líquida ou acumulação líquida de capital, é a diferença entre os novos investimentos (investimentos brutos Ib) e a depreciação do estoque de capital, num dado período: IL = Ib - d Investimento (I) Profa. Sarah Mesquita Lima Economia a dois setores com formação de capital Definiu-se S = RN – C e I = PN – C Como RN = PN, logo S = I Profa. Sarah Mesquita Lima Economia a três setores: o setor público O setor público refere-se às três esferas de governo: União, Estados e Municípios e inclui as transações realizadas pelos respectivos Tesouros. Não inclui as operações financeiras do Banco Central. Receitas do Governo (T) Despesas do Governo (G) Impostos Indiretos (Ti): incidem sobre bens e serviços. Exemplos: ICMS, IPI; Impostos diretos (Td): incidem sobre as pessoas (físicas e jurídicas). Exemplo: IR, IPTU; Contribuições à Previdência Social: encargos trabalhistas recolhidos de empregados e empregadores; Outras receitas do governo: taxas (por exemplo, pedágios), multas, aluguéis etc. Gastos dos ministérios, secretarias e autarquias; Gastos das empresas públicas e sociedades de economia mista; Gastos com transferências e subsídios. Receita > Gastos -> superávit fiscal Receita déficit fiscal Profa. Sarah Mesquita Lima Economia a quatro setores: O setor Externo Para finalizar, inclui-se nas Contas Nacionais as variáveis relativas a uma economia “aberta” para o resto do mundo. • Exportações (X): são as compras dos estrangeiros de nossos bens e serviços; ou seja, os gastos do setor externo com nossas empresas; • Importações (M): são nossas compras com bens do exterior, quando gastamos com o resto do mundo. Parte da renda gerada no país que “vaza” para fora. Obs.: Sendo X e M as notações utilizadas internacionalmente. Profa. Sarah Mesquita Lima Sumarização das Variáveis Macroeconômicas Consumo (C): Despesas de diversos agentes na aquisição de bens e serviços finais (exceto investimento); Investimento (I): Aquisição de bens de produção ou bens de capital que visam aumentar a capacidade produtiva e, portanto, a oferta de produtos no período seguinte; Poupança (S): Parcela da renda agregada não consumida pelas famílias; Gastos do governo (G): Despesas com bens e serviços finais pelo governo (federal, estadual e municipal); Impostos (T): Arrecadação do governo; Exportação (X): Compras por estrangeiros de bens e serviços nacionais; Importação (M): Aquisição de estrangeiros de bens e serviços do exterior; Depreciação (d): É a perda de valor de um bem pelo desgaste de seu uso. Profa. Sarah Mesquita Lima Profa. Sarah Mesquita Lima Indicadores Macroeconômicos Os indicadores macroeconômicos são medidas que indicam as variáveis agregadas do todo o país (macroeconomia), ao contrário dos indicadores microeconômicos, que focam em empresas ou setores específicos. No Brasil, sobretudo, é muito importantepara o investidores prestar atenção a esses indicadores, visto que neste país essas medidas tendem a ser muito voláteis. Profa. Sarah Mesquita Lima Principais Indicadores Macroeconômicos Produto Interno Bruto (PIB) Produto Nacional Bruto (PNB) Produto Nacional Líquido (PNL) Renda Nacional (RN) Profa. Sarah Mesquita Lima Principais Indicadores Macroeconômicos O Produto Interno Bruto (PIB) representa a soma de todas as riquezas finais produzidas em uma determinada região ou parcela da sociedade (qual seja, países, estados, cidades), durante um período determinado (mês, trimestre, ano, etc). No cálculo do PIB a preços de mercado consideram-se apenas os valores agregados, para evitar o problema conhecido como dupla contagem: quando valores gerados na cadeia de produção aparecem contados duas vezes na soma do PIB. A fórmula clássica para expressar o PIB de uma região é Y = C + I + G + X – M Onde, Y é o PIB, C é o consumo, I é o total de investimentos realizados, G representa gastos governamentais, X é o volume de exportações e M é o volume de importações. PIB = DN considerando os 4 setores (famílias, empresas, governo e setor externo) Profa. Sarah Mesquita Lima Principais Indicadores Macroeconômicos PIB Profa. Sarah Mesquita Lima Disponível em: https://youtu.be/lVjPv33T0hk Principais Indicadores Macroeconômicos PIB Principais Indicadores Macroeconômicos PIB Quantos por cento aumentou o PIB? Qual a participação de cada componente? Qual componente mais influenciou no aumento do PIB? E qual menos influenciou? Principais Indicadores Macroeconômicos PIB PIB Real e PIB Nominal PIB Nominal é o valor da produção de bens e serviços avaliada a preços correntes. PIB Real é o valor da produção de bens e serviços avaliada a preços constantes. Para se obter uma medida precisa da produção de um país é necessário deflacionar o PIB nominal por um deflator do PIB. Principais Indicadores Macroeconômicos PIB Deflator O deflator do PIB mede o nível atual de preços relativo ao nível de preços do ano base. Mostra a parte do aumento do PIB nominal atribuída a um aumento de preços e não por uma aumento nas quantidades produzidas. Principais Indicadores Macroeconômicos PIB Deflator Exemplo: Qte. hamburguerPreço hamburguerQte. hot dogPreço hot dogANO 50R$ 2,00100R$ 1,002020 100R$ 3,00150R$ 2,002021 150R$ 4,00200R$ 3,002022 PIB Nominal PIBANO R$ 200,002020 R$ 600,002021 R$ 1.200,002022 PIB Real* PIBANO R$ 200,002020 R$ 350,002021 R$ 500,002022 *Preços de 2020 como referência. Deflator do PIB Deflator do PIBANO 12020 1,712021 2,402022 Inflação: 71% Inflação: 140% Inflação: 0% Principais Indicadores Macroeconômicos O Produto Nacional Bruto (PNB) é o valor de produção dos residentes permanentes de um país (chamados nacionais). PNB difere do PIB por incluir a renda dos nacionais obtidas fora do país e excluir a renda dos estrangeiros obtida dentro do país. PNB = PIB + RLFE Onde, RLFE é a receita líquida recebida do exterior, a qual é calculada por RLFE = RR - RE Onde, RR representa as remessas recebidas do exterior e RE representa as remessas enviadas ao exterior. PNB Profa. Sarah Mesquita Lima Principais Indicadores Macroeconômicos O Produto Nacional Líquido (PNL) é a renda total dos residentes de uma nação depois de descontadas as perdas com a depreciação. Lembre-se que depreciação (d) é o desgaste pelo uso do estoque de equipamentos e estruturas da economia. PNL = PNB – d PNL Profa. Sarah Mesquita Lima Principais Indicadores Macroeconômicos A Renda Nacional (RN) é a renda total dos residentes de um país obtida como remuneração na produção de bens e serviços. A RN difere do PNL, pois exclui impostos indiretos (como o ICMS) e inclui subsídios. RN = PNL – Ti + Sub Onde Ti representa os impostos indiretos e Sub representa os subsídios. RN Profa. Sarah Mesquita Lima