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LÍ N G U A P O RT U G U ES A 231 b. com VTI, VI e VL na 3a pessoa do singular acrescido da palavra se (índice de indeterminação do sujeito): Aludiu-se à Fuvest. Come-se bem naquele restaurante. Era-se feliz naquela época. D. Predicado O predicado pode ter núcleos verbais (os verbos transi- tivos e intransitivos) e núcleos nominais (os predicativos do sujeito e do objeto). Desse modo, o predicado pode ser nomi- nal, verbal ou verbo-nominal. D.1. Predicado nominal Estrutura mínima: VL + PS Marina continua tranquila. D.2. Predicado verbal Estruturas mínimas: VI ou VT + 0 Marina saiu de casa ontem. Marina arrumou o quarto ontem. D.3. Predicado verbo-nominal Estruturas mínimas: VI + PS, ou VT + O + PS, ou VT + O + PO Marina saiu tranquila. Marina arrumou o quarto tranquila. Marina considera este bairro tranquilo. E. Vocativo Isolado do restante da oração por meio de vírgulas, tra- vessões ou parênteses, o vocativo (Voc.) é, a rigor, um termo sintaticamente independente: não participa do sujeito nem do predicado. Proveniente de vocare (“chamar”, “invocar”, em latim), o vocativo estabelece um diálogo real ou imaginário entre quem enuncia a frase (emissor) e o seu interlocutor (recep- tor). Admite a interjeição ó (ou ô): ”Meu canto de morte, guerreiros, ouvi.” (G. Dias) Ô cara, sai dessa! 6. Período simples (II) Termos associados ao verbo Associados ao verbo podem aparecer os seguintes ter- mos: adjunto adverbial, agente da voz passiva, objeto direto e objeto indireto. A. Adjunto adverbial É o termo que exprime alguma circunstância associada ao verbo. Também o adjetivo e o advérbio podem ser modifica- dos por um adjunto adverbial (de intensidade normalmente). A função de adjunto adverbial pode ser representada por advérbio, expressão adverbial ou oração adverbial: Agora não há ninguém aqui. Sob a lua, dançaram na praia. Ainda que negue, ela é a responsável. B. Agente da voz passiva É o complemento que, na voz passiva, designa o ente que pratica a ação sofrida ou recebida pelo sujeito (paciente). Cor- responde ao sujeito (agente) da voz ativa. Assim como o sujeito, o agente da voz passiva pode ser determinado ou indeterminado. Normalmente introduzido pela preposição por (pelo, pela, pelos, pelas) e, às vezes, por de (do, da, dos, das), o agente da voz passiva pode ser expresso por substantivo, pronome, numeral ou oração substantiva: A carta será escrita por um aluno. A empresa é representada por mim. A terra era povoada de selvagens. Ele é conhecido de muita gente. Marina foi reconhecida por quantos tinham senso crítico naquela época. C. Objeto direto É o termo que, ligado a VTD ou VTDI sem preposição obrigató- ria, normalmente representa o alvo da ação exercida pelo sujeito. O objeto direto é uma função desempenhada por subs- tantivo, pronome, numeral, palavra substantivada ou oração substantiva: Resolvemos todas as questões. Nomeei-a minha procuradora. Percebi tudo naquele momento. Remeti dois para Nova Iorque. Não condenamos o talvez. Sei que você não voltará. Na transposição para a voz passiva, o objeto direto trans- forma-se em sujeito paciente: Todas as questões foram resolvidas por nós. C.1. Objeto direto preposicionado A preposição que o introduz não é regida pelo verbo (sem- pre VTD) e é usada para efeitos expressivos, de elegância ou para evitar ambiguidades: Temo a Deus. Estimo ao meu mestre. Ao Palmeiras venceu o Corinthians. C.2. Objeto direto interno Complemento cujo sentido já participa do universo de significados do próprio verbo: Chorarás lágrimas de sangue. Dormi um sono tranquilo. C.3. Objeto direto pleonástico Normalmente constituído de pronome ou numeral, é termo descartável que retoma objeto direto já expresso na oração: Sua redação, corrigi-a ontem à noite. Sempre as levei, as meninas, ao colégio. D. Objeto indireto Complemento com preposição exigida pelo verbo (VTI ou VTDI), o objeto indireto não se transforma em sujeito paciente na passagem para a voz passiva. O objeto indireto pode ser representado por substantivo, pro- nome, numeral, palavra substantivada ou oração substantiva: Não dependemos do empréstimo. Sempre lhe contei tudo. A herança caberia aos três. Daria atenção aos ricos. Convenci-me de que ela estava certa. D.1. Objeto indireto pleonástico Aos proprietários, nada lhes devo. 701360214 DB EM PV ENEM 91 AN LV 01 TE TEOR UN_MIOLO.indb 231 24/01/2019 09:08 MATERIA L D E U SO E XCLU SIV O SIS TEMA D E E NSIN O D OM B OSCO LÍ N G U A P O RT U G U ES A 232 7. Período simples (III) Termos associados ao nome A palavra nome designa genericamente o substantivo, o adjetivo e o advérbio. Na oração, tais classes podem ser modificadas por: ad- junto adnominal, complemento nominal, aposto, predicativo do sujeito, predicativo do objeto ou adjunto adverbial de in- tensidade (ou modo). A. Adjunto adnominal Conecta-se – com ou sem preposição – ao substantivo para delimitar-lhe o significado. Tal substantivo (concreto ou abstrato) pode estar exercendo qualquer função sintática. O adjunto adnominal (AADN) pode ser representado por adjetivo, locução adjetiva, artigo, pronome, numeral ou ora- ção adjetiva: atitudeAquela AADN gerou OD uma grande revolta. VTDn S Era uma mulher sem escrúpulos. Toda a minha dor, enterrei-a aqui. Os dois irmãos chegaram há uma hora. Foi o ofício que aprendi. Ao modificar substantivo com ação implícita, o adjunto adnominal constitui o agente desse processo: O pedido do aluno foi indeferido. (o aluno pediu) Questionou-se a declaração do político. (o político declarou) B. Complemento nominal O complemento nominal (CN) integra o sentido de outro termo sintático, determinando-lhe o núcleo constituído por substantivo, adjetivo ou advérbio. Em geral, é introduzido por pre posição e tem valor passivo, isto é, recebe a ação im- plícita no nome modificado por ele: Ocorreu a destruição da ponte� (CN de substantivo) Somos favoráveis à destruição da ponte. (CN de adjetivo) Votamos favoravelmente à destruição da ponte. (CN de advérbio) Atente no fato de que a ponte sofre a ação implícita no substantivo destruição. Nos dois últimos exemplos, a destruição da ponte sofre a ação (de ser favorecida) inerente ao adjetivo favoráveis e ao advérbio favoravelmente. O complemento nominal pode ser representado por substantivo, palavra substantivada, pronome, numeral ou oração substantiva: Tenho amor aos meus filhos. Tenho amor aos dois. Tenho-lhes amor. Seu boletim estava cheio de zeros. Ela mora longe de casa. Tenho certeza de que ela voltará. Estamos muito ansiosos pelo amanhã. C. Aposto O aposto (Ap.) conecta-se, em geral, a substantivo, pro- nome ou equivalente, por meio de preposição ou não. O apos- to serve para ampliar, desenvolver ou restringir o significado do termo que determina. Classificação: A – Explicativo Vitória, capital capixaba, é cidade portuária. B – Especificativo O rio Pardo transbordou naquele ano. C – Enumerativo Houve dois derrotados: Bruno e Paula. D – Resumitivo (ou recapitulativo ou resumidor) Diretores, professores, alunos, ninguém foi à festa. D. Observação Cuidado para não confundir o complemento nominal com o adjunto adnominal e o objeto indireto. Entre eles há seme- lhanças e diferenças importantes. Esquematicamente: Não gostei da declaração do ex-presidente. (OI) subst� adj� adv� CN paciente prep� subst� não paciente prep� ØAADN VTI VTDI OI paciente prep� Não gostei da declaração do ex-presidente. (AADN) A declaração do ex-presidente à jornalista... (CN) 8. Período composto, coesão e coerência A. Período composto por subordinação Uma oração principal (OP) pode ter sentido completo por si mesma ou não. No primeiro caso, a oração subordinada acrescenta-lhe uma informação muitas vezes descartável, acessória. Chegamos à casa quando eram 23 h. OP (completa) OS Conheci o aluno que obteve o primeiro lugar. OP (completa) OS A oração subordinada, porém, pode integralizar o sentido de uma oração principal:701360214 DB EM PV ENEM 91 AN LV 01 TE TEOR UN_MIOLO.indb 232 24/01/2019 09:08 MATERIA L D E U SO E XCLU SIV O SIS TEMA D E E NSIN O D OM B OSCO LÍ N G U A P O RT U G U ES A 233 É possível que ela venha logo. OP (incompleta) OS Só quero uma coisa: que ela venha logo. OP (incompleta) OS B. Oração principal e oração subordinada Chama-se oração subordinada aquela que exerce algu- ma função sintática na estrutura da oração principal. A oração subordinada pode exercer as seguintes funções: sujeito, predicativo do sujeito, objeto direto, objeto indireto, com- plemento nominal, aposto, adjunto adverbial e adjunto adnominal. Conforme o papel sintático que desempenha, a oração subordinada pode ser: adjetiva (adjunto adnominal), adver- bial (adjunto adverbial) e substantiva (outras funções). C. Oração subordinada A oração subordinada substantiva (OSS) exerce funções essenciais (S, PS), integrantes (OD, OI, CN) ou acessórias (Aposto). Por isso são subclassificadas respectivamente como: subjetiva, predicativa, objetiva direta, objetiva indi- reta, completiva nominal e apositiva: É urgente que PS você seja aprovado Ci S Verbo aux� Verbo princ� VL OP (eu) Tenho certeza VTD de que você será aprovado OD OSS completiva nominal OP (eu) Desejo que você seja aprovado. VTD OP OSS objetiva direta A verdade é que você será aprovado. VLS OP OSS predicativa (eu) Gostaria de que você fosse aprovado. VTI OP OSS objetiva indireta Eu uma coisa:quero que você seja aprovado. S OSS apositivaODVTD OP Repare que, em geral, as orações substantivas têm algumas características inconfundíveis; são substituíveis por subs- tantivos (no caso, aprovação) ou pronome (isso); ligam-se à principal com sentido incompleto; sua classificação depen- de do conhecimento da estrutura interna da oração principal. As orações subordinadas podem ser desenvolvidas ou reduzidas. As orações desenvolvidas têm verbo no indica- tivo, subjuntivo ou imperativo e conectam-se à principal por meio de conjunção ou pronome relativo. As orações reduzidas apresentam verbo no infinitivo, ge- rúndio ou particípio e conectam-se direta ou indiretamente (com preposição) à principal sem conjunção ou pronome relativo. É necessário oração principal que refaçam o projeto. oração desenvolvida É necessário oração principal refazer o projeto. oração reduzida As orações substantivas desenvolvidas, em geral, têm con- junção integrante que ou se. C.1. Subjetiva Exerce a função de sujeito do verbo da oração principal: a. verbo de ligação e predicativo do sujeito (é claro, é bom, ficou certo, parece claro, é urgente etc.): Era imprescindível que ela voltasse. Era imprescindível ela voltar. b. verbo na voz passiva analítica ou sintética (foi dito, era anunciado, ficou comprovado, informou-se, co- menta-se, sabe-se, fala-se etc.): Ficou comprovado que as acusações eram falsas. Ficou comprovado serem falsas as acusações. c. verbo constar, acontecer, suceder, parecer etc. (na 3a pessoa do singular): Sucedeu que todos voltaram tarde. Sucedeu voltarem todos tarde. C.2. Objetiva direta Exerce o papel de objeto direto do verbo da oração principal: Imaginei que resolveria logo o problema. Imaginei resolver logo o problema. Em sentenças interrogativas indiretas, as orações subor- dinadas substantivas objetivas diretas podem ser introduzi- das pela conjunção integrante se ou pelos pronomes interro- gativos adverbiais onde, por que, como, quando, quanto: Não sabemos se você demorará no hospital� onde você estará amanhã� por que você voltou tarde� como você chegou aqui� quando você virá� qual era o seu paradeiro� quanto você gastará� C.3. Objetiva indireta Exerce o papel de objeto indireto do verbo da oração principal: Esqueci-me de que o ajudaria. Esqueci-me de ajudá-lo. C.4. Completiva nominal Exerce o papel de complemento nominal de um termo da oração principal: Tínhamos dúvida de que você estava doente. Tínhamos dúvida de você estar doente. 701360214 DB EM PV ENEM 91 AN LV 01 TE TEOR UN_MIOLO.indb 233 24/01/2019 09:08 MATERIA L D E U SO E XCLU SIV O SIS TEMA D E E NSIN O D OM B OSCO