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cartões, os estabelecimentos afiliados, as bandeiras (Visa, 
Mastercard etc.) e as instituições financeiras. Eventual-
mente, para, entre outras razões, contornar as dificuldades 
legais e fiscais envolvidas na cobrança das taxas de juros 
do parcelamento das vendas a prazo através do cartão, as 
administradoras estão se transformando em instituições 
financeiras (...). (Ressaltou-se)
Ainda, são oportunas as lições do professor Alcio Ma-
noel de Sousa Figueiredo:
Da interpretação conjunta dos arts. 17 e 18, da Lei 
4.595/1964, art. 1º da Lei 7.492/1986, somente são con-
sideradas instituições financeiras as empresas públicas ou 
privadas que efetuem captação de recursos financeiros em 
moeda corrente, o que não ocorre no contrato de cartão 
de crédito entre a administradora e o consumidor, haja vis-
ta que a relação jurídica entre consumidor e emissora do 
cartão de crédito consiste na prestação de serviços, para a 
aquisição de produtos e serviços no mercado de consumo.
(...)
Da simples análise das operações econômicas entre a 
emissora do cartão de crédito e o titular do cartão (consu-
midor), não se verifica qualquer atividade de captação ou 
intermediação de recursos no mercado financeiro. A busca 
de recursos para o pagamento das notas de compras em 
poder dos fornecedores credenciados não possui qualquer 
relação jurídica com o contrato de adesão e prestação de 
serviços que originou as notas de compras efetuadas pelo 
consumidor (...).
Convém destacar, ademais, que os ensinamentos 
doutrinários de Waldirio Bulgarelli corroboram a argu-
mentação aqui desenvolvida, porquanto evidenciam que 
o cartão de crédito envolve um complexo de operações e 
que a ora denominada administradora em sentido estri-
to, quando atua como mandatária de seus clientes, firma, 
em nome deles, contratos de abertura de crédito com 
instituições financeiras.
Assim, afirma o autor que “o cartão de crédito é um 
negócio jurídico complexo, verdadeira ‘operação polifa-
cética”, que envolve contrato de adesão entre o titular por 
si, ou pela sociedade emissora como sua mandatária, e a 
instituição financeira, um contrato de abertura de crédito 
(ou de financiamento em geral, quais sejam as condições, 
como por exemplo o chamado credit revolving); (...). Desta 
forma, é difícil de aceitar o papel da sociedade emissora, 
senão como um providencial intermediário em favor do 
fornecedor e da instituição financeira.
No trecho, o doutrinador não diz que a emissora rea-
liza intermediação financeira; apenas menciona que ela 
faz (mera) intermediação de operação, que beneficia a 
instituição financeira (pessoa jurídica distinta). Em outra 
passagem da mesma obra, ele deixa clara a distinção en-
tre a sociedade emissora do cartão (em sentido estrito) e 
a instituição financeira, verbis:
A sociedade emite o cartão em favor do titular, que 
dele poderá utilizar-se junto à rede de fornecedores, presa 
por um contrato com a sociedade emissora; o titular auto-
riza ainda a sociedade emissora a contrair financiamento 
com os bancos, em seu nome, o que lhe permitirá saldar as 
contas, em prazo e condições determinados pelos mesmos 
bancos. (Ressaltou-se)
No mesmo sentido, Waldo Fazzio Júnior esclarece que 
“a diferença entre os cartões de crédito bancários e não 
bancários reside na natureza da instituição emissora” e 
que a distinção adquire relevância quando se contemplam 
as relações entre usuários e as sociedades administradoras 
de cartões. Quando a empresa emissora do cartão não é 
uma instituição bancária, e em caso de parcelamento do 
saldo devedor pelo usuário, o contrato já contém estipu-
lação autorizando à administradora valer-se da cláusula-
-mandato. (Ressaltou-se)
Saliente-se que o Superior Tribunal de Justiça, em 
vários julgados, reconhece a distinção entre as ativida-
des desempenhadas por administradoras de cartões de 
crédito em sentido estrito e aquelas desenvolvidas por 
instituições financeiras.
Nessa linha, cumpre trazer à baila trechos do voto 
condutor do acórdão prolatado no julgamento do Recurso 
Especial nº 473.627/RS, em que se discutiu a viabilidade de 
ajuizamento de ação de prestação de contas com o ob-
jetivo de verificar a exatidão e a legitimidade dos valores 
cobrados por administradora de cartão de crédito:
(...) Os contratos que disciplinam o financiamento 
parcial das compras do consumidor através de cartão de 
crédito contêm cláusula segundo a qual a administradora 
deverá obter, no mercado financeiro, recursos para o par-
celamento das compras, o que faz em nome do consumi-
dor, como sua procuradora.
(...)
A natureza jurídica desta cláusula é a de contrato 
(acessório) de mandato, inserido no contrato (principal) 
de cartão de crédito firmado entre recorrente e recorrida. 
Por meio desse mandato, a administradora de cartões de 
crédito é constituída mandatária para praticar ato no inte-
resse do titular do cartão de crédito, qual seja, o de saldar 
o seu débito no vencimento com recursos captados em seu 
nome.
(...)
Ademais, não é crível que a administradora não consi-
ga comprovar o valor das despesas efetuadas junto a insti-
tuições financeiras e que são repassadas ao titular, depois 
de serem somadas à remuneração cobrada por ela, a título 
de custo de financiamento e demais encargos, se os res-
pectivos débitos são lançados à conta do usuário do cartão 
em valor determinado pela própria administradora. Des-
tarte, o interesse do mandante é patente, haja vista que, 
segundo jurisprudência do STJ, esse “tem o direito de saber 
como a mandatária está cumprindo com a sua obrigação, 
que deve ser a de preservar o interesse da mandante e ce-
lebrar contratos mais favoráveis à pessoa que representa.” 
(RESP 457.391/RS, Rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar, DJ de 
16.12.2002).
Cumpre salientar que o art. 1º, § 1º, inciso VI, da Lei 
Complementar nº 105/01 não justifica a classificação das 
administradoras de cartões de crédito como instituições 
financeiras, porquanto nesse dispositivo está dito, de for-
ma peremptória, que aquelas empresas são consideradas 
instituições financeiras tão somente para os efeitos da 
referida Lei Complementar. É o que demonstra o pro-
nunciamento do saudoso Min. Carlos Alberto Menezes 
Direito no julgamento do Recurso Especial nº 466.784/RS 
(Terceira Turma, DJ de 25/8/2003), in verbis:
Entendo, tal e qual o Acórdão recorrido, que as admi-
nistradoras de cartão de crédito não são instituições fi-
nanceiras, como destaquei em voto no REsp nº 399.353/
RS, antes mencionado, pedindo vênia para reproduzir o 
trecho que se segue, verbis:

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