Prévia do material em texto
Contabilidade Pública Plano de Contas Aplicado ao Setor Público Desenvolvimento do material Tatiane Antonovoz 1ª Edição Copyright © 2022, Afya. Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Afya. Sumário Plano de Contas Aplicado ao Setor Público Para início de conversa... ................................................................................ 3 Objetivos ......................................................................................................... 3 1. Relação das Contas de Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido ........ 4 2. Relação das Contas de Variação Patrimonial Diminutiva e Aumentativa ............................................................................................... 10 3. Relação das Contas de Controle de Aprovação e Execução do Planejamento Financeiro ........................................................................... 11 Referências ......................................................................................................... 15 Para início de conversa... Para que seja possível compreender o Plano de Contas Aplicado a Contabilidade Pública (PCASP), veremos como ocorrem as mutações patrimoniais e como estas são registradas nas contas do Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido. Na sequência, veremos a relação entre as variações patrimoniais aumentativas e diminutivas e como estas variações alteram o patrimônio de forma quantitativa, já que elas aumentam e diminuem o resultado, como o próprio nome indica. Veremos, ainda, as contas de controle e aprovação, e também de execução e planejamento financeiro, que mostram como ocorre o ciclo orçamentário e como este pode ser entendido por meio das contas utilizadas no PCASP. Objetivos ▪ Estudar a relação entre as contas do ativo, passivo e patrimônio líquido; ▪ Entender as variações patrimoniais aumentativas e diminutivas; ▪ Explorar a relação das contas de controle, aprovação e execução do planejamento financeiro. Contabilidade Pública 3 1. Relação das Contas de Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido O patrimônio público, assim como o privado, é alterado por meio de mutações ou variações patrimoniais, que irão modificar o seu valor de forma positiva e negativa. Entretanto, de forma inicial, dentro do patrimônio público, existe uma diferença em relação à contabilidade financeira, que é o reconhecimento dos atos administrativos, que só ocorre na contabilidade pública. Conforme descrito por Lima e Castro (2016), os atos administrativos são aqueles que podem, de alguma forma, produzir modificações futuras no patrimônio das entidades. Eles também são conhecidos como atos potenciais, e deverão ser registrados pela CASP, como ocorre no caso dos convênios e contratos dentro da Administração Pública. Para isso, existem registros específicos dentro da CASP, que serão explorados na sequência e que estão vinculados às contas de controle, já que em alguns casos, estas ações estão relacionadas ao planejamento e execução orçamentária do período. Para Kohama (2014), uma variação patrimonial pode ser entendida como uma alteração de valor, relacionada a qualquer elemento do patrimônio público, seja por alienação, aquisição, dívida contraída ou liquidada, depreciação ou qualquer outra alteração do patrimônio público. Já os fatos administrativos ou ainda contábeis – como também são conhecidos – alteram o patrimônio de forma qualitativa ou ainda quantitativa. Eles podem ser classificados de três formas e, atualmente, alteram a CASP da mesma forma que a contabilidade financeira. São eles: a. Fatos permutativos: São aqueles que promovem mutações entre os elementos do Ativo ou Passivo, sem alterar o Patrimônio Líquido ou ainda o resultado. Os fatos permutativos também são chamados de qualitativos e não produzem alterações de valor, visto que somente ocorrem mudanças de elementos do patrimônio. Como exemplos, podemos citar uma compra de um bem à vista, uma reclassificação de um elemento do Não Circulante para o Circulante, ou ainda, um pagamento de dívida, quando o recurso sairá do caixa ou banco e a obrigação deixará de existir. b. Fatos modificativos: De acordo com o próprio nome, os fatos modificativos são aqueles que podem alterar de maneira positiva ou negativa o resultado das entidades, por meio do patrimônio líquido. Estes fatos são também denominados quantitativos, e como exemplo, Kohama (2014) cita a baixa de materiais de consumo que já não podem ser utilizados porque estão danificados. Por outro lado, existem os fatos modificativos aumentativos, que são aqueles que alteram, de forma positiva, o patrimônio líquido e podem ser entendidos pelo recebimento, por exemplo, de uma doação de um terreno. Contabilidade Pública 4 c. Fatos mistos: Neste tipo de fato, há a ocorrência, ao mesmo tempo, de um fato permutativo e de um fato modificativo. Aqui, o exemplo mais comum é o pagamento de dívida com juros, que afeta o ativo e passivo ao mesmo tempo, mas também afeta uma conta de resultado (despesa), ou ainda, o pagamento de uma duplicata com desconto, o que afeta o caixa, porém, o desconto recebido irá gerar uma receita, afetando de maneira positiva o resultado. Tais fatos serão estudados posteriormente, com mais detalhes, quando forem vistas as contas de resultado que integram as variações patrimoniais diminutivas no setor público. A necessidade do registro de tais eventos está prevista na Lei 4.320/64, nos seguintes artigos: Art. 83. A contabilidade evidenciará perante a Fazenda Pública a situação de todos quantos, de qualquer modo, arrecadem receitas, efetuem despesas, administrem ou guardem bens a ela pertencentes ou confiados. [...] Art. 85. Os serviços de contabilidade serão organizados de forma a permitirem o acompanhamento da execução orçamentária, o conhecimento da composição patrimonial, a determinação dos custos dos serviços industriais, o levantamento dos balanços gerais, a análise e a interpretação dos resultados econômicos e financeiros. [...] Art. 87. Haverá controle contábil dos direitos e obrigações oriundos de ajustes ou contratos em que a administração pública for parte. Art. 88. Os débitos e créditos serão escriturados com individuação do devedor ou do credor e especificação da natureza, importância e data do vencimento, quando fixada. Art. 89. A contabilidade evidenciará os fatos ligados à administração orçamentária, financeira patrimonial e industrial. Art. 90 A contabilidade deverá evidenciar, em seus registros, o montante dos créditos orçamentários vigentes, a despesa empenhada e a despesa realizada, à conta dos mesmos créditos, e as dotações disponíveis. Art. 91. O registro contábil da receita e da despesa far-se-á de acordo com as especificações constantes da Lei de Orçamento e dos créditos adicionais. [...] Art. 93. Todas as operações de que resultem débitos e créditos de natureza financeira, não compreendidas na execução orçamentária, serão também objeto de registro, individuação e controle contábil. (BRASIL, 1964) Porém, para avançar no entendimento de como estes fatos ocorrem, é essencial estudar o conceito de conta e suas relações na CASP. Para Lima e Castro (2016), a conta contábil é uma representação de cada uma das classes de valor, seja de maior ou menor extensão do patrimônio. Os autores afirmam que todos os acontecimentos que afetam a gestão das entidades, independentemente da sua forma de atuação, pública ou privada, são registrados em contas próprias. Dentro da estrutura da Administração Pública, é utilizada uma relação de contas para a escrituração contábil denominada Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP). O PCASP deverá conter todas as contas que o órgão público precisa e, ao mesmo tempo, ser adequado em sua estrutura, além de observar rotinas Contabilidade Pública 5e características estabelecidas. O MCASP (STN, 2017, p.340-341) coloca como objetivos do PCASP: a. Padronizar os registros contábeis das entidades do setor público; b. Distinguir os registros de natureza patrimonial, orçamentária e de controle; c. Atender à administração direta e à administração indireta das três esferas de governo, inclusive quanto às peculiaridades das empresas estatais dependentes e dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS); d. Permitir o detalhamento das contas contábeis, a partir do nível mínimo estabelecido pela STN, de modo que possa ser adequado às peculiaridades de cada ente; e. Permitir a consolidação nacional das contas públicas; f. Permitir a elaboração das Demonstrações Contábeis Aplicadas ao Setor Público (DCASP) e dos demonstrativos do Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) e do Relatório de Gestão Fiscal (RGF); g. Permitir a adequada prestação de contas, o levantamento das estatísticas de finanças públicas, a elaboração de relatórios nos padrões adotados por organismos internacionais – a exemplo do Government Finance Statistics Manual (GFSM) do Fundo Monetário Internacional (FMI), bem como o levantamento de outros relatórios úteis à gestão; h. Contribuir para a adequada tomada de decisão e para a racionalização de custos no setor público; e i. Contribuir para a transparência da gestão fiscal e para o controle social. Assim, ainda segundo o MCASP (STN, 2017), observa-se que o PCASP, de forma inicial, tem como finalidade o registro contábil e a extração de informações desta natureza para os usuários contábeis. Outra questão relativa ao PCASP, ressaltada por Lima e Castro (2016) e pelo MCASP (STN, 2017), está relacionada à evolução que o plano de contas sofreu alinhada à internacionalização de normas que já vinham sendo utilizadas fora do Brasil, bem como a adoção das melhores práticas, não só em relação à contabilidade, mas também, em diversas áreas em que foram inseridas dentro da Administração pública. Segundo o MCASP (STN, 2017) o PCASP é uma das maiores conquistas da CASP. Compreende-se, então, que o processo de internacionalização, de adoção das normas internacionais e adequação das estruturas, como a do PCASP, por exemplo, originou-se da necessidade de um novo modelo de gestão pública, pautado na institucionalização de conceitos e procedimentos que já eram usados em outros países, com foco na contabilidade patrimonial. A contabilidade, que antes era descentralizada, com cada um dos estados ou municípios realizando a sua contabilidade de modo independente, passou a ser centralizada, com a adoção das novas regras, que tinham a intenção de migrar para um modelo único para a melhoria e padronização da informação contábil. Com o processo de implantação do PCASP, pretendeu-se, além da padronização dos lançamentos, que facilitava a inserção dos dados, a análise e fiscalização de todas as informações referentes aos recursos públicos. Tais ações visam a promoção de uma maior eficiência e eficácia do uso do dinheiro dos contribuintes. Segundo o MCASP (STN, 2017, p.22): Contabilidade Pública 6 A segregação das informações orçamentárias e patrimoniais: no PCASP as contas contábeis são classificadas segundo a natureza das informações que evidenciam – orçamentária, patrimonial e de controle, de modo que os registros orçamentários não influenciem ou alterem os registros patrimoniais, e vice-versa. O PCASP está relacionado com o ponto de vista da afetação do patrimônio, segundo o regime de competência. Isso ocorre com o reconhecimento das variações patrimoniais aumentativas (VPA) e as diminutivas (VPD), sendo reconhecidas no período em que se referem, ou ainda, de acordo com o seu fato gerador, independentemente da execução orçamentária. O regime de caixa é imposto para as receitas na PCASP, e o de competência para as despesas, porém tal conceito é utilizado do ponto de vista orçamentário. Tal regime também é conhecido como misto. O PCASP também é entendido como inovador no sentido de que os registros contábeis observam as normas internacionais, englobando entre os lançamentos, as provisões, créditos de origem tributária, não tributária e estoques. Também passaram a ser utilizados procedimentos da contabilidade financeira, como é o caso do valor recuperável, entre outros que foram incorporados à CASP. Para Silva (2014), o PCASP pode ser compreendido como uma estrutura básica de escrituração contábil, que apresenta um conjunto de contas previamente estabelecidas, e que permite a obtenção de informações tanto de demonstrações contábeis quanto de relatórios contábeis. O autor ainda relata que o PCASP está dividido, desde o ano de 2013, da seguinte forma, de acordo com os níveis das contas: Níveis Codificação 1º Nível é chamado de classe 2º Nível é o grupo 3º Nível é o subgrupo 4º Nível é o título 5º Nível é o subtítulo 6º Nível é o item 7º Nível é o subitem ……………X ……………X ……………X ……………X ……………X …………..XX …………..XX Quadro 1: Níveis das contas do PCASP. Fonte: Adaptado de Silva (2014). Tal estrutura de níveis segue o mesmo raciocínio utilizado dentro da contabilidade financeira. Segundo Lima e Castro (2016), o código completo é apresentado por 7 níveis no formato X.X.X.X.X.XX.XX, que no final, formarão 9 dígitos numéricos. Contabilidade Pública 7 Código Classificação 1 Classe Ativo 2 Grupo Ativo não circulante 3 Subgrupo Imobilizado 1 Título Bens móveis 1 Subtítulo Bens móveis – consolidação 05 Item Máquinas e equipamentos 01 Subitem Máquinas e equipamentos em geral Quadro 2: Código completo – exemplo. Fonte: Adaptado de Silva (2014). Lima e Castro (2016) ainda completam essa informação, dizendo que algumas estruturas podem trazer um código variável denominado “conta corrente”, que irá permitir o tratamento de informações de forma individualizada, mostrando o objeto da conta. Tal detalhe serve, por exemplo, para a implantação do centro de custos e auxilia os gestores da área no controle de recursos consumidos na área de gestão. Existem algumas entidades que, de maneira facultativa, deverão utilizar, o PCASP facultativo, e este, conforme o próprio nome indica, possui um maior nível de detalhamento. ▪ Título da conta – Pode ser compreendido como uma palavra, designação que irá identificar o porquê, ou ainda, a classe de valores, que indica o que será registrado na conta; ▪ Explicação da função da conta – Se, para aumentar ou diminuir a conta, ela deverá ser debitada ou creditada; ▪ Natureza da conta contábil, ou seja, seu saldo – Se o saldo da conta será devedor ou credor; ▪ Código da conta – Conjunto ordenado de números que permitirá ordenar as contas e cada unidade do PCASP da entidade; ▪ Se a conta integra o PCASP da federação; ▪ Seu status (ativa ou inativa); ▪ Nível de detalhamento (conta superior) ou detalhada do PCASP estendido; ▪ O indicador financeiro da conta, se é um ativo financeiro ou permanente (contas de ativo ou passivo exigível). Essas contas aparecerão com a letra “F” ou com a letra “P” (ativos ou passivos permanentes) ou “X” (de uso de todos os entes da federação); ▪ Classificação da conta: “U” uso exclusivo da União; “E” uso exclusivo do Estado; “M” uso dos municípios e “X” todos os entes da federação; ▪ Encerramento – Indica a condição de permanência ou não de encerramento de uma conta, conforme sua natureza; ▪ A fundamentação para a criação da conta; ▪ Se a conta faz parte do Regime de Próprio de Previdência Social (RPPS). Contabilidade Pública 8 Segundo a Constituição (BRASIL, 1988), o RPPS pode ser entendido da seguinte forma: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem oequilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) Assim, compreende-se que o Regime de Próprio de Previdência Social (RPPS) faz parte de um sistema que garante aos servidores, seja de qualquer esfera da união, previdência cujos benefícios são pagos pelo ente estatal. O PCASP utilizado na versão estendida, segundo o MCASP (STN, 2017) ocorre por causa das questões ligadas ao desenvolvimento de rotinas, ou ainda, a sistemas específicos. Outras contas que aparecem nesse PCASP estendido são utilizadas como base para o Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (SICONFI) o que requer, em alguns casos, algumas adaptações. O SICONFI serve, entre outras funções, para o recebimento de informações contábeis, financeiras, e também, de estatísticas fiscais, que por sua vez, possuem vínculo com todos os entes da federação, municípios, estados, Distrito Federal e União. Outro sistema que é utilizado para o acompanhamento das mutações patrimoniais e orçamentárias é o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI). O SIAFI é um sistema informatizado utilizado pelo governo, e que foi implementado em 1987, com o objetivo maior de contabilizar e controlar as finanças brasileiras. O programa também apresenta uma ligação íntima com o orçamento e com a programação financeira da União. O SIAFI possui o seu funcionamento pautado na ideia do reconhecimento, tanto dos atos quanto dos fatos praticados nos mais diversos níveis dos órgãos públicos, e que alteram o patrimônio das entidades públicas. O SIAFI é um sistema que comporta diversas funcionalidades, entre elas o PCASP, sendo inseridas as informações que afetam o patrimônio das entidades que devem utilizar a CASP para o reconhecimento de suas operações. Castro (2018) afirma que o SIAFI também tem um papel muito importante dentro da CASP, mudando a lógica de como eram registrados os atos e fatos após o seu pagamento, assim como acontece na contabilidade financeira. No SIAFI ocorre um registro prévio à emissão do documento de pagamento, com a implantação da Conta Única, permitindo uma maior consistência aos números utilizados pelo Governo Federal, e também, que a contabilidade seja uma fonte primária de dados financeiros e orçamentários. Contabilidade Pública 9 Voltando ao PCASP, Lima e Castro (2016) apontam que este instrumento traz, atualmente, oito classes de contas, sendo que duas são patrimoniais, duas de resultado, duas de controle orçamentário, e duas de controles de atos potenciais. Baseado neste raciocínio, veja um modelo desta estrutura, com o elenco das contas iniciais que fazem parte do PCASP. Tais contas são as patrimoniais, ou seja, aquelas que representam os bens, direitos e obrigações dentro da CASP. 1 Ativo 2 Passivo e Patrimônio Líquido Ativo circulante Ativo não circulante 2.1 Passivo circulante 2.2 Passivo não circulante 2.5 Patrimônio líquido Quadro 3: Contas patrimoniais – grupos 1 e 2. Fonte: Adaptado de MCASP (STN, 2013, p. 6). Dentro do PCASP, as contas de grupos 1 e 2 são aquelas ligadas ao Ativo e Passivo. Tais contas, juntamente com as contas dos grupos 3 e 4, que serão vistas na sequência, são responsáveis por apresentar as variações qualitativas e quantitativas do patrimônio. 2. Relação das Contas de Variação Patrimonial Diminutiva e Aumentativa As variações patrimoniais diminutivas, ou ainda, variações patrimoniais aumentativas estão ligadas com as contas de Resultado e são representadas pelas contas de natureza 3 e 4 dentro do PCASP, conforme pode ser visto no Quadro 4. 3 Variação Patrimonial Diminutiva – VPD 4 Variação Patrimonial Aumentativa – VPA 3.1 Pessoal e encargos 3.2 Benefícios previdenciários 3.3 Uso de bens, serviços e consumo de capital fixo 3.4 Variações patrimoniais diminutivas financeiras 3.5 Transferências concedidas 3.6 Desvalorização e perda de ativos 3.7 Tributárias 3.9 Outras variações patrimoniais diminutivas 4.1 Impostos, taxas e contribuições de melhoria 4.2 Contribuições 4.3 Exploração e venda de bens, serviços e direitos 4.4 Variações patrimoniais aumentativas financeiras 4.5 Transferências recebidas 4.6 Valorização e ganhos com ativos 4.9 Outras variações patrimoniais aumentativas Quadro 4: Contas patrimoniais – grupos 3 e 4. Fonte: Adaptado de MCASP (STN, 2013, p.26). Contabilidade Pública 10 As Variações Patrimoniais Aumentativas (VPA) são aquelas que aumentam a situação patrimonial do órgão em questão. As VPAs podem ocorrer de duas formas, já que existem aquelas que são arrecadadas de forma efetiva, ou seja, são de propriedade do ente, como, por exemplo, aquelas provenientes de receitas de tributos em geral. Outra possibilidade são as VPAs independentes da execução orçamentária. Isto ocorre por meio de incorporação, ou ainda, agregação de aquisição, valorização de algum bem, pagamento de dívida ou outras situações (KOHAMA, 2014). As Variações Patrimoniais Diminutivas (VPD) assim como as positivas se dividem em duas categorias: aquelas ligadas à questões orçamentárias, ou ainda, consideradas como do próprio ente, como o caso do pagamento de material de consumo; além disso, elas também podem ocorrer de forma independente da execução orçamentária, como no caso da depreciação, amortização e exaustão. Lima e Castro (2016) afirmam que este grupo, em especial, teve a nomenclatura alterada, já que não se utiliza mais “despesas e receitas”, e sim, “variações patrimoniais”, sejam elas aumentativas ou diminutivas. Tal questão foi utilizada para evitar confusões com os termos orçamentários, sendo que as despesas e receitas não efetivas passaram a integrar os grupos 5 e 6, que serão abordados na sequência. 3. Relação das Contas de Controle de Aprovação e Execução do Planejamento Financeiro Os grupos 5 e 6, dentro do PCASP, representam a Contabilidade Orçamentária conforme preconizado por Silva (2014). Nestas contas, é utilizado o regime misto, pois, para as contas de despesa, o reconhecimento é feito como base no regime de competência, com base no fato gerador, que é denominado empenho. Para as despesas, é utilizado o regime de caixa, ou ainda, o recebimento de forma efetivo, somente reconhecendo estas quando efetivamente já fizerem parte da conta única do Tesouro. A seguir, é possível compreender como estas estão apresentadas no PCASP: 5 Controles da Aprovação do Planejamento e Orçamento 6 Controles da Execução do Planejamento e Orçamento 5.1 Planejamento Aprovado 5.2 Orçamento Aprovado 5.3 Inscrição de Restos a pagar 6.1 Execução do Planejamento 6.2 Execução do Orçamento 6.3 Execução de Restos a pagar Quadro 5: Contas de controle – grupos 5 e 6. Fonte: Adaptado de MCASP (STN, 2013, p.26). Segundo Castro (2018), este grupo teve uma mudança significativa em sua estrutura, em relação ao que era observado no passado nas contas de classes 5 e 6. Estas ficaram organizadas de forma que retratam Contabilidade Pública 11 a situação, tanto do ponto de vista estático, quanto do ponto de vista dinâmico em relação ao planejamento e ao orçamento, o que reflete uma melhor organização desta parte do ciclo orçamentário. Na sequência, as Contas de Controle dos Atos Potenciais representadas pelos grupos 7 e 8 são aquelas em que ocorrem os registros das informações de controle (KOHAMA, 2014). Segundo o autor, nestes grupos estão os lançamentos que podem modificar a situação patrimonial e também aquelas que são consideradas como informações adicionais, como é o caso do grupo de custos dentro da CASP que ainda não é tão explorado, mas que pode ser utilizado de forma adicional para o gerenciamento dos custos na área pública. Para Castro (2018), o grupo das contas 7 e 8 está dividido em três grupos com finalidades bastante distintas: contas de controles de atos potenciais (subsistema de compensação), contas de custos (subsistema de custos) e contas ligadas aos controlesadministrativos e financeiros. 7 Controles Devedores 8 Controles Credores 7.1 Atos Potenciais 7.2 Administração Financeira 7.3 Dívida Ativa 7.4 Riscos Fiscais 7.8 Custos 7.9 Outros Controles 8.1 Execução dos Atos Potenciais 8.2 Execução da Administração Financeira 8.3 Execução da Dívida Ativa 8.4 Execução dos Riscos Fiscais 8.8 Controle de Custos 8.9 Outros Controles Quadro 6: Contas de controle – grupos 5 e 6. Fonte: Adaptado de MCASP (STN, 2013, p. 26). Kohama (2014) também relembra que os atos potenciais são aqueles que possuem a capacidade de identificar compromissos futuros, riscos assumidos e alimentar o sistema público sobre questões relacionadas à programação financeira, bem como outras possibilidades que têm relação com a administração do caixa. Castro (2018) ainda destaca que, nesta estrutura, fica fácil de acompanhar a divisão dos atos potenciais dos demais controles administrativos que não afetam os balanços. Além disso, destaca-se, também, a segregação dos atos potenciais ativos e passivos; outro ponto é o controle de custos, para uma melhor gestão do setor público. “Os lançamentos contábeis deverão ocorrer dentro da mesma classe da mesma natureza de informação contábil” (KOHAMA, 2014, p.84). Assim, observa-se que, contabilmente, os débitos e créditos devem-se fechar dentro de cada um dos subsistemas existentes na CASP. De acordo com o MCASP (STN, 2014), os lançamentos que são efetuados no PCASP seguem uma ordem, utilizam o método das partidas dobradas e utilizam sempre as contas da mesma natureza contábil. Isso significa dizer que deve-se utilizar o seguinte raciocínio: Contabilidade Pública 12 ▪ Natureza patrimonial – contas 1, 2, 3 e 4. ▪ Natureza orçamentária – contas 5 e 6. ▪ Natureza de controle – contas 7 e 8. Com base nesse raciocínio, veja um resumo que auxilia no entendimento deste tema. O Quadro 7, extraído do MCASP (STN, 2013), ajuda a identificar os padrões de lançamentos de 1ª fórmula, ou ainda, 1 débito e 1 crédito, e que estão de acordo com os códigos e classes dos PCASPs, permitindo facilitar o registro dos lançamentos contábeis. Nas classes 1, 2, 3 e 4 estão os lançamentos de natureza patrimonial: CLASSES ATIVO 1 2 3 4 PASSIVO VPD VPA 1 ATIVO 11 Permutação entre elementos do Ativo 12 Permutação entre Ativo e Passivo com aumento de ambos 13 Cancelamento de VPD correspondente ao aumento de ativo 14 Criação ou aumento de Ativo por VPA 2 PASSIVO 21 Permutação entre Ativo e Passivo com redução de ambos 22 Permutação entre elementos do Passivo 23 Cancelamento de VPD correspondente à baixa de passivo 24 Baixa de Passivo por VPA 3 VPD 31 VPD em contas de Ativo – registro em conta retificadora de Ativo ou pagamento à vista 32 VPD correspondente à assunção de obrigação 33 Reclassificação de VPD 34 - 4 VPA 41 Cancelamento de VPA concomitante à redução de Ativo 42 Cancelamento de VPA concomitante ao aumento de Passivo 43 - 44 Reclassificação de VPA Quadro 7: Resumo dos lançamentos contábeis – contas patrimoniais. Fonte: Adaptado de MCASP (STN, 2013, p.55). De acordo com o MCASP (STN, 2013), as classes de lançamentos 5 e 6 apresentam os lançamentos nas contas de natureza orçamentária, que se referem ao Controle da Aprovação do Planejamento e Orçamento (CAPO) e ao Controle de Execução do Planejamento e Orçamento (CEPO), sendo que as combinações possíveis são as seguintes: Classes CAPO 5 6 CEPO Contabilidade Pública 13 5 CAPO 55 Controles Orçamentários Específicos 56 Aprovação ou Fixação do Planejamento ou Orçamento 6 CEPO 65 Cancelamento da Aprovação ou Fixação do Planejamento ou Orçamento 66 Execução Orçamentária Quadro 8: Resumo dos lançamentos contábeis – contas orçamentárias. Fonte: Adaptado de MCASP (STN, 2013, p.55). Na sequência, as classes 7 e 8 irão apresentar os lançamentos das contas de controle – Controles Credores (CC) e os Controles Devedores (CD) –, sendo possíveis as seguintes combinações: CLASSES Controles Devedores (CD) 7 8 Controles Credores (CC) 7 CD 77 - 78 Registro de Controles ou Encerramento 8 CC 87 Cancelamento dos controles ou encerramento do exercício 88 Execução de Controles Credores Quadro 9: Resumo dos lançamentos contábeis – contas controles. Fonte: Adaptado de MCASP (STN, 2013, p.56). Segundo o próprio MCASP (STN, 2013), este quadro é um instrumento que engloba os lançamentos e também facilita para que estes ocorram de uma forma mais simples. É claro que, no dia a dia, operações mais complexas, até pelo dinamismo do orçamento brasileiro e do tamanho da peça orçamentária do país, irão exigir mais operações e outros raciocínios, para que ocorram as alterações dentro do sistema. Compreende-se que o PCASP tem como principais objetivos atender necessidades informacionais do setor público em geral, observar as legislações pertinentes e relacionadas tanto com o setor público, como a lei 4.320/64 (BRASIL, 1964), e outras relacionadas com o setor aberto, como a lei das sociedades anônimas 6.404/76 (BRASIL, 1976) e buscar as melhores práticas de contabilidade internacional. Adicionalmente, busca-se uma lógica de lançamentos e padronização, melhorando a racionalização dos lançamentos e da informação, que é repassada aos usuários e a sociedade de forma geral. Neste capítulo, estudamos o Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP) e como este é importante dentro da Contabilidade Aplicada ao Setor Público (CASP). Exploramos as características do PCASP, seus elementos, sua abrangência e relações de contas de como estas estão integradas dentro do setor público. A evolução do PCASP, em virtude da internacionalização da própria CASP, também foi outro ponto que Contabilidade Pública 14 abordamos, trazendo uma visão de como o próprio elenco de contas mudou, por exemplo, com a inserção das contas de custos, para modernizar a contabilidade brasileira, melhorando a gestão dentro do sistema público do país. Outro ponto importante foi o Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI). Este sistema faz parte da Administração pública e é nele que são inseridos os eventos e reconhecidas as movimentações que têm impacto no patrimônio das entidades públicas. Logo, é preciso analisar como tais conceitos estão conectados dentro da disciplina e como são essenciais para a transparência e para uma melhor racionalização dos fenômenos orçamentários, financeiros e contábeis como um todo. Referências BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ constituicaocompilado.htm. Acesso em: 07 jan. 2019. BRASIL. Lei Nº 4.320, de 17 de março de 1964. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4320.htm. Acesso em: 07 jan. 2019. BRASIL. Lei Nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm. Acesso em: 07 jan. 2019. CASTRO, D. P. Auditoria, contabilidade interno no setor público: integração das áreas do ciclo de gestão: contabilidade orçamento e auditoria e organização dos controles internos, como suporte à governança corporativa. 7 ed. São Paulo: Atlas, 2018. KOHAMA, H. Contabilidade Pública: Teoria e Prática. 11 ed. São Paulo: Atlas, 2014. LIMA, D. V.; CASTRO, R. G. Contabilidade pública: integrando união, estados e municípios. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2016. SIAFI. Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal Tabela de Eventos. 2015. Disponível em: http://www.tesouro.fazenda. gov.br/documents/10180/360403/TABELA+DE+EVENTOS+abril+2015. pdf/9f0a1401-8538-4311-8bdd-4c91db73bedd. Acesso em: 07 jan. 2019. Contabilidade Pública 15 http://www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/360403/TABELA+DE+EVENTOS+abril+2015.pdf/9f0a1401-8538-4311-8bdd-4c91db73bedd.%20Acesso%20em%2018/09/2016 http://www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/360403/TABELA+DE+EVENTOS+abril+2015.pdf/9f0a1401-8538-4311-8bdd-4c91db73bedd.%20Acesso%20em%2018/09/2016http://www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/360403/TABELA+DE+EVENTOS+abril+2015.pdf/9f0a1401-8538-4311-8bdd-4c91db73bedd.%20Acesso%20em%2018/09/2016 SILVA, V. L. A Nova Contabilidade Aplicada ao Setor Público: Uma Abordagem Prática. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2014. STN. Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público. 5 ed. 2013. Disponível em: https://www.tesouro.fazenda.gov.br/ documents/10180/21643/PCASP_dezembro2013.pdf/3887f983-f615- 4279-888f-8e5a5e328bff. Acesso em: 07 jan. 2019. STN. Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público. 6 ed. 2014. Disponível em: http://www.tesouro.fazenda.gov.br/ documents/10180/456785/CPU_MCASP+6a edição_Republ2/fa1ee713- 2fd3-4f51-8182-a542ce123773. Acesso em: 07 jan. 2019. STN. Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público. 7 ed. 2017. Brasília: Disponível em: https://www.tesouro.fazenda.gov.br/ contabilidade. Acesso em: 17 nov. 2018. TESOURO NACIONAL. Nota Técnica Conjunta SPPS/MPS e STN/MF No 01/2014. Brasília. Disponível em: https://www.tesouro.fazenda. gov.br/documents/10180/391196/CPU_NotaTecnicaConjunta_SPPS_ STN_1_2014/cadae2a3-4c60-4e77-9545-62e20ed1ca02. Acesso em: 07 jan. 2019. TESOURO NACIONAL. Plano de Contas aplicado ao Setor Público (PCA SP). Disponível em: http://www.tesouro.fazenda.gov.br/-/plano-de- contas-aplicado-ao-setor-publico-pcasp-. Acesso em: 07 jan. 2019. Contabilidade Pública 16 http://www.tesouro.fazenda.gov.br/-/plano-de-contas-aplicado-ao-setor-publico-pcasp- http://www.tesouro.fazenda.gov.br/-/plano-de-contas-aplicado-ao-setor-publico-pcasp- _heading=h.gjdgxs _heading=h.30j0zll _heading=h.im2tstoph7et _heading=h.1fob9te _heading=h.aaz028y4uljo _heading=h.3znysh7 _heading=h.w5gxsubutimw _heading=h.tyjcwt _heading=h.3dy6vkm _heading=h.1t3h5sf _heading=h.rhjga0g98pi9 _heading=h.cq3bsojulofr _heading=h.oyqxnk2a0mqb _GoBack Plano de Contas Aplicado ao Setor Público Para início de conversa... Objetivos 1. Relação das Contas de Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido 2. Relação das Contas de Variação Patrimonial Diminutiva e Aumentativa 3. Relação das Contas de Controle de Aprovação e Execução do Planejamento Financeiro Referências