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<p>Histologia e</p><p>Embriologia</p><p>Responsável pelo Conteúdo:</p><p>Prof. Me. Norton Claret Levy</p><p>Revisão Textual:</p><p>Prof. Esp. Claudio Pereira do Nascimento</p><p>Prof.ª Me. Luciene Santos</p><p>Período Fetal, Organogênese, Malformações Congênitas e</p><p>Diagnósticos Pré-natais, Manipulação da Reprodução Humana e</p><p>Células-tronco Embrionárias (CTE)</p><p>• Período Fetal;</p><p>• Organogênese;</p><p>• Malformações Congênitas;</p><p>• Diagnósticos Pré-Natais;</p><p>• Manipulação da Reprodução Humana;</p><p>• Células-Tronco Embrionárias (CTE).</p><p>· Discutir com os alunos o período fetal, da nona semana gestacional</p><p>ao nascimento;</p><p>· Apresentar aos alunos o desenvolvimento dos órgãos;</p><p>· Mostrar as malformações congênitas, suas causas e consequências;</p><p>· Discutir com os alunos as vantagens da amniocentese e da</p><p>cordocentese;</p><p>· Apresentar aos alunos os métodos contraceptivos reversíveis e</p><p>irreversíveis;</p><p>· Mostrar a importância clínica das células-tronco.</p><p>OBJETIVO DE APRENDIZADO</p><p>Período Fetal, Organogênese, Malformações Congênitas</p><p>e Diagnósticos Pré-natais, Manipulação da Reprodução</p><p>Humana e Células-tronco Embrionárias (CTE)</p><p>Orientações de estudo</p><p>Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem</p><p>aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua</p><p>formação acadêmica e atuação profissional, siga</p><p>algumas recomendações básicas:</p><p>Assim:</p><p>Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte</p><p>da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e</p><p>horário fixos como seu “momento do estudo”;</p><p>Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma</p><p>alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;</p><p>No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos</p><p>e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você</p><p>também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão</p><p>sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;</p><p>Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-</p><p>são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o</p><p>contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e</p><p>de aprendizagem.</p><p>Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte</p><p>Mantenha o foco!</p><p>Evite se distrair com</p><p>as redes sociais.</p><p>Mantenha o foco!</p><p>Evite se distrair com</p><p>as redes sociais.</p><p>Determine um</p><p>horário fixo</p><p>para estudar.</p><p>Aproveite as</p><p>indicações</p><p>de Material</p><p>Complementar.</p><p>Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma</p><p>Não se esqueça</p><p>de se alimentar</p><p>e de se manter</p><p>hidratado.</p><p>Aproveite as</p><p>Conserve seu</p><p>material e local de</p><p>estudos sempre</p><p>organizados.</p><p>Procure manter</p><p>contato com seus</p><p>colegas e tutores</p><p>para trocar ideias!</p><p>Isso amplia a</p><p>aprendizagem.</p><p>Seja original!</p><p>Nunca plagie</p><p>trabalhos.</p><p>UNIDADE Período Fetal, Organogênese, Malformações Congênitas e</p><p>Diagnósticos Pré-natais, MRH e Células-tronco Embrionárias</p><p>Período Fetal</p><p>Ao fim do período embrionário, que termina na oitava semana gestacional, o</p><p>concepto se implantou no útero e tem-se o início das relações materno-fetais.</p><p>Na nona semana gestacional inicia-se o período fetal que se estende até o</p><p>nascimento. Período em que o embrião torna-se um ser humano reconhecível</p><p>e que já se formaram todos os sistemas importantes. No início desse período a</p><p>cabeça é proporcionalmente maior em relação ao restante do corpo, pois a região</p><p>cefálica tem maior desenvolvimento nos primeiros meses de vida.</p><p>No período fetal é notável a diminuição relativa do crescimento da cabeça em</p><p>relação ao do resto do corpo (Fig.1), o ganho de peso do feto é muito grande e</p><p>há períodos de crescimento continuo que se alternam com intervalos prolongados</p><p>de ausência de crescimento. Nas últimas semanas gestacionais o ganho de peso</p><p>acentua-se devido ao ganho e ao acúmulo de gordura subcutânea.</p><p>Figura 1 − Esquema ilustrando as mudanças nas proporções do corpo durante o período fetal.</p><p>Da 9ª a 38ª semana de desenvolvimento</p><p>Fonte: Adaptado de MOORE e PERSAUD, 2008</p><p>Normalmente considera-se o período de gravidez com 280 dias ou 40 semanas</p><p>após o início do último período menstrual normal (UPMN) ou mais precisamente</p><p>266 dias, 38 semanas após a fertilização (Tab. 1 e 2).</p><p>8</p><p>9</p><p>Tabela 1 − Comparação do Tempo de Gestação em Unidades de Tempo</p><p>Ponto de Referência Dias Semanas</p><p>Meses de</p><p>Calendário</p><p>Meses</p><p>Lunares</p><p>Fecundação* 266 38 8,75 9,5</p><p>UPMN 280 40 9,25 10</p><p>Fonte: Modificado de MOORE e PERSAUD, 2008</p><p>Tabela 2 − Crescimento em comprimento e peso durante o período fetal.</p><p>CRL = comprimento cabeça-nádega (comprimento sentado)</p><p>Idade (semanas) CRL (cm) Peso (g)</p><p>9-12 5-8 10-45</p><p>13-16 9-14 60-200</p><p>17-20 15-19 250-450</p><p>21-24 20-23 500-820</p><p>25-28 24-27 900-1.300</p><p>29-32 28-30 1.400-2.100</p><p>33-36 31-34 2.200-2.900</p><p>37-38 35-36 3.000-3.400</p><p>Fonte: modificado de SADLER, 2016</p><p>Leia o capítulo “Anexos Embrionários” do “Caderno Didático I - Embriologia Geral: da primeira</p><p>a quarta semana de desenvolvimento” disponível em: https://goo.gl/mgYGX6Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>Nona Semana Gestacional</p><p>Com nove semanas, a cabeça é praticamente do tamanho do tronco, a face é</p><p>larga, as orelhas têm implantação baixa, os olhos estão muito separados e as pál-</p><p>pebras estão fundidas. Embora os membros atinjam o tamanho proporcional em</p><p>relação ao corpo, os membros inferiores ainda são um pouco mais curtos.</p><p>Inicia-se o funcionamento do rim metamérico com produção de pequena quan-</p><p>tidade de urina, os produtos de excreção fetal são transferidos para a circulação</p><p>materna cruzando a membrana placentária.</p><p>O feto começa a movimentar o corpo, a cabeça e os membros voluntariamente,</p><p>embora a mãe não consiga senti-los. A herniação umbilical favorece o grande de-</p><p>senvolvimento hepático, que então assume o papel eritropoiético, que no período</p><p>embrionário eram auxiliados pelo saco vitelínico e o alantoide (Fig. 2).</p><p>9</p><p>UNIDADE Período Fetal, Organogênese, Malformações Congênitas e</p><p>Diagnósticos Pré-natais, MRH e Células-tronco Embrionárias</p><p>Figura 2 − Fotografias de um feto de nove semanas. A: Tamanho real do feto mostrando vilosidades coriônicas,</p><p>saco coriônico e saco amniótico. B: Fotografia ampliada do feto (2x) mostrando cabeça grande,</p><p>costelas cartilaginosas e intestino no cordão umbilical (seta)</p><p>Fonte: Adaptado de MOORE e PERSAUD, 2008</p><p>Décima Semana Gestacional</p><p>Ilhotas sanguíneas começam a desenvolver-se no baço que posteriormente</p><p>produzirão células sanguíneas até a vigésima sétima semana. Inicia-se a formação</p><p>dos dentes permanentes, os dentes decíduos já estão em um estágio mais avançado.</p><p>As unhas dos dedos da mão começam a crescer. A genitália externa começa a se</p><p>formar, mas ainda não é possível a diferenciação. E um destaque é o retorno dos</p><p>intestinos para a cavidade abdominal.</p><p>Décima Primeira Semana Gestacional</p><p>Os intestinos passam completamente do cordão</p><p>umbilical para a cavidade abdominal. A quantidade de</p><p>urina produzida agora é maior e é misturada ao líquido</p><p>amniótico, que é deglutido pelo feto e que após serem</p><p>absorvidos pelo feto entram em sua corrente sanguínea,</p><p>seguem para os vasos umbilicais e são excretados</p><p>pelo organismo da mãe. Iniciam-se os movimentos</p><p>respiratórios, que embora não realizem trocas gasosas</p><p>significativas, são importantes para o desenvolvimento</p><p>dos músculos respiratórios e do pulmão. A cabeça tem</p><p>Figura 3 − Fotografia de um feto de 11 semanas com aumento de l,5x.</p><p>Note a leve flexão da cabeça e a ausência da herniação umbilical</p><p>Fonte: Adaptado de MOORE e PERSAUD, 2008</p><p>10</p><p>11</p><p>uma leve flexão que ainda é visível na décima segunda semana (Fig. 3). Ocorre a</p><p>degeneração do corpo amarelo (ou lúteo) e a placenta se torna responsável pela</p><p>produção de progesterona e estrógeno (hormônios esteroides).</p><p>Décima Segunda Semana Gestacional</p><p>Esta é a última semana do terceiro mês gestacional, semana em que a genitália</p><p>externa já se encontra diferenciada, mas que só pode ser observada</p><p>com certeza pela</p><p>ultrassonografia a partir do quarto mês. No final do terceiro mês o feto está com o</p><p>dobro do tamanho em relação ao início do mês. O baço inicia a produção de eritró-</p><p>citos, dividindo com o fígado esta função. No fim das 12 semanas, centros de ossifi-</p><p>cação primária aparecem no esqueleto, especialmente no crânio e nos ossos longos.</p><p>Assista aos vídeos sobre “Anexos Embrionários”</p><p>https://youtu.be/6GBWGli7A2g</p><p>https://youtu.be/mIZtV8IOOpc</p><p>https://youtu.be/v26Zb_avyJY</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>Quarto Mês Gestacional</p><p>São encontrados no couro cabeludo e sobrancelhas pelos finos denominados</p><p>lanugo. Os olhos começam a se movimentar, as orelhas estão muito próximas da</p><p>posição definitiva. A medula óssea inicia de maneira discreta a hematopoiese, ainda</p><p>com auxílio do baço. Embora o feto comece a se movimentar, a mãe raramente</p><p>sente. Esses movimentos podem ser observados pela ultrassonografia. A genitália</p><p>externa pode ser observada, na maioria dos casos entre 12 e 14 semanas.</p><p>Quinto Mês Gestacional</p><p>Os movimentos do feto se intensificam e a mãe consegue senti-los com maior</p><p>frequência. As glândulas sebáceas produzem a verniz caseosa (esbranquiçada) que</p><p>se adere ao lanugo e recobrem o corpo do feto, conferindo-lhe proteção à contínua</p><p>exposição ao líquido amniótico (Fig. 4). Os ovários estão na parede abdominal pos-</p><p>terior assim como os testículos, que começam a descer para o saco escrotal. Inicia-se</p><p>a formação do tecido adiposo pardo, que no recém-nascido produz calor pela de-</p><p>gradação de ácidos graxos. Começa a se formar a mielinização da medula espinhal.</p><p>11</p><p>UNIDADE Período Fetal, Organogênese, Malformações Congênitas e</p><p>Diagnósticos Pré-natais, MRH e Células-tronco Embrionárias</p><p>Figura 4 − Fotografia de um feto de 17 semanas. Em virtude da ausência de gordura subcutânea, a pele é</p><p>delgada e os vasos do couro cabeludo são visíveis. Fetos com esta idade não sobrevivem quando</p><p>nascem prematuramente, principalmente por causa da imaturidade do sistema respiratório</p><p>Fonte: Adaptado de MOORE e PERSAUD, 2008</p><p>Sexto Mês Gestacional</p><p>Os olhos começam a se movimentar rapidamente a partir da vigésima primeira</p><p>semana, período em que a pele está enrugada e é mais translúcida, com a cor</p><p>variando de rosa a vermelha, pois o sangue é visível nos capilares. Na vigésima</p><p>quarta semana, células epiteliais alveolares, os pneumócitos II, iniciam a produção</p><p>do surfactante, um fosfolipídio que forma uma película na parede alveolar interna</p><p>que reduz a tensão superficial e permite que os alvéolos se mantenham abertos,</p><p>dando início aos movimentos respiratórios.</p><p>Sétimo Mês Gestacional</p><p>O sistema nervoso central a partir da vigésima sexta semana está maduro ao</p><p>ponto de controlar os movimentos respiratórios rítmicos e também a temperatura</p><p>do corpo. Fetos que nascem prematuramente nesta época e recebem cuidados</p><p>intensivos podem sobreviver (Fig. 5), a sobrevivência dependerá do peso do feto,</p><p>com menos de 500g normalmente não sobrevivem. Partos prematuros em que</p><p>os fetos apresentam entre 1500g e 2500g possibilitam chances de sobrevivência,</p><p>embora ocorram muitas perdas neonatais nessas condições. Nota-se neste período</p><p>que a gordura amarela aumenta para cerca de 3,5% do peso corporal e a gordura</p><p>12</p><p>13</p><p>subcutânea acumulada elimina muitas rugas. As unhas dos dedos dos pés tornam-</p><p>se visíveis, as pálpebras se encontram abertas e o lanugo e os cabelos estão bem</p><p>desenvolvidos. Com 28 semanas o baço para de produzir células sanguíneas e esse</p><p>papel é assumido pela medula óssea, que se torna o principal órgão eritropoiético.</p><p>Figura 5 − Recém-nascido do sexo feminino nascido com 25 semanas, pesando 725 g</p><p>Fonte: Adaptado de MOORE e PERSAUD, 2008</p><p>Oitavo Mês Gestacional</p><p>Com 30 semanas o reflexo pupilar pode ser induzido, os testículos já se encontram</p><p>na bolsa escrotal. Os membros estão bem desenvolvidos e as unhas da mão alcançam</p><p>as pontas dos dedos. Com 34 semanas (Fig. 6) a pele se apresenta rosada e lisa e a</p><p>quantidade de gordura amarela está em uma quantidade aproximada de 8% do peso</p><p>corpóreo do feto. Prematuros com 32 semanas ou mais geralmente sobrevivem.</p><p>Figura 6 − Recém-nascido saudável com 34 semanas</p><p>Fonte: Adaptado de MOORE e PERSAUD, 2008</p><p>13</p><p>UNIDADE Período Fetal, Organogênese, Malformações Congênitas e</p><p>Diagnósticos Pré-natais, MRH e Células-tronco Embrionárias</p><p>Nono Mês Gestacional</p><p>Nas últimas semanas gestacionais o feto ganha uma aparência lisa e rechonchuda,</p><p>pois nas últimas semanas o ganho de peso diário é de aproximadamente 14 g, o</p><p>que possibilita a rápida formação de gordura.</p><p>Com 35 semanas o sistema nervoso está maduro o suficiente para realizar algu-</p><p>mas funções integrativas. A medida do diâmetro da cabeça e do abdômen é muito</p><p>parecida na trigésima sexta semana, mas nas semanas seguintes a circunferência</p><p>abdominal costuma ficar maior do que a da cabeça.</p><p>Existe um parâmetro alternativo para a confirmação da idade fetal (Fig. 7) que</p><p>consistem na medida do pé e do fêmur, pois na trigésima sétima semana o pé do</p><p>feto geralmente é maior do que o fêmur.</p><p>Figura 7 − Varredura de ultrassom do pé de um feto com 37 semanas de gestação</p><p>Fonte: MOORE e PERSAUD, 2008</p><p>Assista aos vídeos: “Bebe em formação do 1º ao 9º mês, em 3D” disponível em:</p><p>https://youtu.be/KUvxfB16Os8, e “A formação de um bebê Reprodução Humana)</p><p>disponível em: https://youtu.be/gdbg6Rvg2Ug</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>14</p><p>15</p><p>Organogênese</p><p>Sistema cardiovascular</p><p>No epiblasto localizam-se as células progenitoras cardíacas que migram através</p><p>da linha primitiva, as primeiras células a migrarem são as destinadas a formar</p><p>os segmentos cefálicos do coração e o trato de saída. Posteriormente migram as</p><p>células que formarão as partes caudais do coração: ventrículo direito, ventrículo</p><p>esquerdo e seio venoso.</p><p>O sistema cardiovascular fetal possui algumas diferenças funcionais e</p><p>morfológicas em comparação ao do neonato (Fig. 8), uma vez que estabelece</p><p>relação com a placenta, por onde ocorre a passagem de nutrientes, gases e restos</p><p>metabólicos. A relação entre a circulação fetal e a placentária é realizada por meio</p><p>do cordão umbilical, a circulação fetal possui intercomunicações que permitem o</p><p>contato entre o sangue arterial e o venoso. Além disso, estruturas semelhantes a</p><p>esfíncteres direcionam o sangue, preferencialmente, para algumas regiões. Isso</p><p>fornece algumas vantagens para a circulação do sangue oxigenado proveniente da</p><p>placenta, uma vez que os pulmões ainda não estão funcionando.</p><p>Figura 8 − Ilustração da circulação fetal. Note os três desvios que diminuem</p><p>o aporte sanguíneo para os pulmões e o fígado: forame oval, ducto venoso e ducto arterial</p><p>Fonte: Adaptado de MOORE e PERSAUD, 2008</p><p>15</p><p>UNIDADE Período Fetal, Organogênese, Malformações Congênitas e</p><p>Diagnósticos Pré-natais, MRH e Células-tronco Embrionárias</p><p>Sistema respiratório</p><p>Ao contrário do sistema circulatório, o sistema respiratório atinge maturação</p><p>adequada por volta da 35ª semana, embora na 24ª semana, o feto já é capaz de</p><p>realizar trocas gasosas necessárias para sua sobrevivência após partos prematuros.</p><p>O funcionamento do sistema respiratório é um dos principais fatores limitantes</p><p>para a sobrevivência de prematuros.</p><p>A ventilação das vias aéreas ocorre por meio da expansão e da retração pulmonar</p><p>durante a inspiração e a expiração. Os movimentos da caixa torácica, necessários</p><p>para gerar a ventilação pulmonar, são facilitados pela presença do líquido surfactante,</p><p>produzido pelos alvéolos pulmonares. Na ausência de quantidade suficiente de</p><p>surfactante, o trabalho necessário para expandir o pulmão é maior, podendo</p><p>não ser alcançado pelo neonato prematuro. A síntese de surfactante inicia-se na</p><p>25ª semana gestacional, atingindo níveis adequados em torno da 34ª semana.</p><p>Assim a ausência de níveis adequados traz prejuízo para a função ventilatória no</p><p>neonato, que necessitará de cuidados especiais e podem desenvolver a Síndrome</p><p>da Angústia Respiratória do Recém-nascido (SARRN) ou Síndrome do Desconforto</p><p>Respiratório em Recém-nascidos (SDRNS).</p><p>Sistema digestório</p><p>No processo de desenvolvimento fetal, o sistema digestório participa da remoção</p><p>do fluido amniótico, já que todos os nutrientes utilizados pelo feto são adquiridos</p><p>via placenta. As estruturas do sistema digestório estão completamente formadas</p><p>na 20ª semana do desenvolvimento, a partir de aspectos funcionais, como por</p><p>exemplo, a formação de enzimas digestivas e o desenvolvimento do epitélio de</p><p>absorção, iniciam-se durante o desenvolvimento fetal e encontram-se adequados</p><p>para realizar as principais funções do sistema digestório – digestão e absorção – ao</p><p>redor da 33ª semana gestacional.</p><p>Sistema renal</p><p>Os rins estão envolvidos na regulação da composição iônica, osmolaridade,</p><p>volume e pressão sanguínea, por meio de mecanismos de filtração, reabsorção</p><p>e excreção de água e solutos do sangue. No adulto, 25% do sangue que sai do</p><p>coração vai para os rins. No feto, apenas 3% é destinado aos rins, uma vez que a</p><p>placenta é a responsável por controlar seu equilíbrio hidroeletrolítico. A velocidade</p><p>de filtração aumenta ao longo do desenvolvimento, atingido o seu pico em torno</p><p>da 35ª semana.</p><p>Sistema nervoso</p><p>As estruturas do sistema nervoso formam-se durante o desenvolvimento</p><p>embrionário e fetal (Fig. 9), porém sua maturação para seu adequado funcionamento</p><p>16</p><p>17</p><p>é adquirida ao longo dos primeiros anos de vida. No primeiro trimestre gestacional,</p><p>o córtex cerebral apresenta uma superfície lisa, que evolui as circunvoluções com</p><p>o seu crescimento progressivo na gestação. Assim, o aumento da massa cortical</p><p>ocorre sem que haja grande aumento da calota craniana.</p><p>A presença de alguns comportamentos fetais, como a frequência respiratória e</p><p>cardíaca, a sucção e a deglutição e os movimentos corporais, entre outros, pode</p><p>representar o padrão de atividade neural e coordenação central, refletindo a estado</p><p>de desenvolvimento do sistema nervoso, podendo ser interpretado como um esboço</p><p>de exame neurológico intrauterino do feto.</p><p>Figura 9 − Representação do desenvolvimento de sulcos e giros corticais, durante o desenvolvimento fetal.</p><p>(A) 13 semanas; (B) 26 semanas; (C) 35 semanas; (D) recém-nascido</p><p>Fonte: Adaptado de ZUGAIB, 2012</p><p>Malformações Congênitas</p><p>Malformações ou anomalias congênitas são alterações ou defeitos estruturais ou</p><p>funcionais presentes no momento do nascimento, elas surgem de uma falha na for-</p><p>mação de um ou mais constituintes do corpo durante o desenvolvimento embrionário.</p><p>Congênito refere-se às características adquiridas antes do desenvolvimento em-</p><p>brionário, tais características podem ou não ser hereditárias.</p><p>Teratologia consiste no estudo das malformações congênitas, ou seja, das</p><p>anomalias de desenvolvimento que provocam alterações morfológicas presentes</p><p>ao nascimento. Estas podem variar da formação defeituosa de um ou mais órgãos</p><p>até a completa ausência do órgão.</p><p>17</p><p>UNIDADE Período Fetal, Organogênese, Malformações Congênitas e</p><p>Diagnósticos Pré-natais, MRH e Células-tronco Embrionárias</p><p>As causas das teratologias estão ligadas a eventos que precedem ao nascimento,</p><p>podendo ser herdada ou adquirida. A deficiência não é uma doença, mas pode ser</p><p>causada por uma patologia, como também por acidentes, fatores orgânicos ou</p><p>hereditários ou por fatores genéticos.</p><p>Desenvolvimento embrionário e fetal pode ser afetado por fatores internos e</p><p>externos. Entre os fatores internos temos as alterações genéticas, as alterações</p><p>cromossômicas e a desnutrição.</p><p>Entre os fatores externos temos os agentes físicos como as radiações e o calor;</p><p>os agentes infecciosos como os vírus, as bactérias e os protozoários; os agentes</p><p>químicos como as drogas lícitas e ilícitas e os compostos químicos ambientais.</p><p>Fatores Genéticos</p><p>Envolvem a herança dos genes que causam a anomalia. Um exemplo de malfor-</p><p>mação oriunda desse fator é a polidactilia.</p><p>Fatores Cromossômicos</p><p>Abordam as aberrações cromossômicas representadas pelo número anormal</p><p>de cromossomos. Como exemplos temos a Síndrome de Down, a Síndrome de</p><p>Turner, a Síndrome de Klinefelter, a Síndrome de Patau e a Síndrome de Edwards.</p><p>Agentes Infecciosos</p><p>São mais teratogênicos nas primeiras semanas gestacionais. Se ocorrer infecção</p><p>por vírus da rubéola nas quatro primeiras semanas após a concepção, há riscos de</p><p>gerar malformações do tipo lesões cardíacas, microcefalia, retardo no crescimento.</p><p>O vírus da Zica causa microcefalia. A sífilis é um exemplo de bactéria que causa</p><p>teratogenia e a toxoplasmose é um exemplo de protozoário que causa teratogenia.</p><p>Agentes Físicos</p><p>O principal agente é a radiação, que pode causar cegueira, defeitos cranianos</p><p>e microcefalia.</p><p>Agentes Químicos</p><p>Entre as drogas de recreação temos o álcool que pode causar hipoplasia maxilar</p><p>(maxila pequena), microcefalia e retardo do crescimento. A Talidomida utilizada</p><p>no passado durante a gestação para alívio de enjoo provoca focomelia, ou seja,</p><p>mãos e pés inseridos diretamente no tronco. Além da Talidomida, outras drogas</p><p>medicamentosas tais como antibióticos, retinoides, anticoagulantes, antineoplásicos</p><p>18</p><p>19</p><p>orais, anticonvulsivantes, inibidores da ECA e outras tantas também podem</p><p>apresentar efeito teratogênico. Além disso, algumas doenças maternas como</p><p>diabetes e fenilcetonúria, hipóxia e deficiências nutricionais de sais minerais,</p><p>como o iodo, de vitaminas como o ácido fólico e de proteínas podem provocar</p><p>malformações congênitas.</p><p>Em relato da literatura, consta que os fatores relacionados com a anomalia con-</p><p>gênita são da seguinte ordem: condições socioeconômicas, deficiências nutricio-</p><p>nais, causas ambientais relacionadas à radiação ionizante, ao metil-mercúrio e ao</p><p>chumbo; determinados fármacos, alcoolismo, rubéola, sífilis congênita e outras</p><p>doenças maternas, traumatismos, distúrbios genéticos, e a idade da mãe.</p><p>Duas áreas que vem merecendo intensos estudos, em virtude de sua enorme</p><p>relevância, são o diagnóstico pré-natal de doenças genéticas e a identificação dos</p><p>heterozigotos para doenças recessivas (autossômicas ou ligada ao X), possibilitando</p><p>uma informação genética mais eficiente aos possíveis pais de crianças afetadas.</p><p>Entre os diagnósticos pré-natais temos a amniocentese, a cordocentese, o</p><p>ultrassom, a radiografia e a fetoscopia.</p><p>A amniocentese é realizada entre a 12ª e a 20ª semana de gestação mediante a</p><p>retirada, com uma agulha longa e resistente, de 10 a 20 mL do líquido amniótico</p><p>através do abdômen ou da vagina. A amniocentese (veja no link abaixo) permite</p><p>detectar nas células, do líquido amniótico, provenientes da pele e das vias</p><p>respiratórias e urinárias do feto, aberrações cromossômicas e erros metabólicos</p><p>hereditários. A cordocentese (veja no link abaixo), exame da vilosidade coriônica</p><p>coleta amostras da membrana coriônica para exame citogenético e bioquímicos.</p><p>Este exame pode ser realizado a partir da 8ª semana de gestação, ocasião em que</p><p>o aborto pode ser feito por meio não cirúrgico.</p><p>Confi ra Cordocentese e amniocentese no link a seguir: https://goo.gl/LRBfv1</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>Cromossomos autossômicos: o ser humano possui 23 pares de cromossomos, destes, 22</p><p>pares são semelhantes em ambos os sexos e são denominados autossomos. O par restante</p><p>compreende os cromossomos sexuais, de morfologia diferente entre si, que recebem o</p><p>nome de X e Y. No sexo feminino existem dois cromossomos X e no masculino existem um</p><p>cromossomo X e um Y;</p><p>Tecido eritropoiético: também conhecido como tecido hematopoiético é responsável pela</p><p>produção de células sanguíneas;</p><p>Hipoplasia maxilar: é uma anormalidade em que maxila é menor do que o normal;</p><p>Microcefalia: é uma anormalidade em que cabeça é menor do que o normal;</p><p>Polidactilia: anomalia do desenvolvimento caracterizada pela presença de maior número</p><p>de dedos do que o normal.</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>19</p><p>UNIDADE Período Fetal, Organogênese, Malformações Congênitas e</p><p>Diagnósticos Pré-natais, MRH e Células-tronco Embrionárias</p><p>Diagnósticos Pré-Natais</p><p>A gravidez constitui um período do ciclo de vida, que na maioria das vezes</p><p>poderia transcorrer sem desvios da saúde, porém envolve em si uma crise</p><p>adaptativa caracterizada por complexas transformações fisiológicas, emocionais,</p><p>interpessoais e sociodemográficas, as quais implicam em um potencial de risco</p><p>eminente, e por isso demanda atenção ao caráter multidisciplinar de saúde. No</p><p>Brasil, as taxas de morbimortalidade materna e perinatal ainda são consideradas</p><p>altas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo, na maioria das vezes,</p><p>associada a intercorrências obstétricas potencialmente evitáveis.</p><p>Amniocentese</p><p>A partir da décima quarta semana, é admissível a realização da amniocentese.</p><p>Esse exame consiste na retirada de um pouco de líquido amniótico através de uma</p><p>agulha inserida na cavidade amniótica pela parede abdominal (Figura 10), observada</p><p>por meio da ultrassonografia. Como nessa amostra é possível analisar células que</p><p>desprendem do corpo de feto, vários diagnósticos podem ser feitos com a análise</p><p>das células. Anomalias cromossômicas como síndrome de Down, malformações</p><p>de estruturas do corpo do feto e defeitos na produção enzimática são exemplos de</p><p>doenças que podem ser detectadas com o emprego da amniocentese.</p><p>Assista aos vídeos sobre amniocentese:</p><p>Amniocentese Genética - https://youtu.be/KCMubheKK1I</p><p>Amniocentese - https://youtu.be/2OvGRJWIDGg</p><p>Coleta de Líquido Aminiótico - https://youtu.be/9rBvHlIhCiM</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>Figura 10 − Amniocentese, com auxílio de ultrassom</p><p>Fonte: fertius.com.br</p><p>20</p><p>21</p><p>A alta concentração de alfafetoproteína encontrada no líquido aminiótico, por</p><p>exemplo, é um indicador de malformações nas quais alguma estrutura fica exposta</p><p>ao líquido amniótico, como na gastrosquise e na anencefalia. Após o diagnóstico de</p><p>algumas malformações, é possível intervir cirurgicamente na tentativa de correção</p><p>de defeito: é o caso de anomalias como espinha bífida e obstruções do trato urinário.</p><p>Gastrosquise: defeito de fechamento da parede abdominal com presença de porções do</p><p>intestino e estômago dentro do cordão umbilical.</p><p>Anencefalia: defeito de fechamento do tubo neural na porção cefálica, com ausência de</p><p>parte ou todo encéfalo.</p><p>Espinha bífi da: defeito de fechamento do tubo neural na altura de medula espinhal.</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>Cordocentese</p><p>Por permitir o acesso direto à circulação fetal a cordocentese (Figura 11) consiste</p><p>em um avanço da Medicina Fetal, pois forneceu subsídios para o entendimento da</p><p>fisiologia e fisiopatologia fetal, dando nova abordagem na terapêutica fetal intrauterina.</p><p>Essa técnica permite a obtenção de sangue fetal puro, por meio da punção da veia</p><p>umbilical, pela via percutânea, valendo-se da monitoração ultrassonográfica contínua.</p><p>Mesmo tratando-se de procedimento invasivo, a cordocentese é indiscutivelmente fer-</p><p>ramenta fundamental na prática da Medicina Fetal. Em relação às suas indicações,</p><p>podemos dividi-las em dois grandes grupos, a saber: propedêuticas e terapêuticas.</p><p>A cordocentese pode ser utilizada para o diagnóstico de diversas doenças, tais</p><p>como: Síndrome do X frágil, Distrofia Muscular de Duchene, Doença de Tay-Sachs,</p><p>Talassemia, Anemia falciforme, Hemofilia A e B, Doença de Von Willebrand,</p><p>Trombocitopenia Aloimune, Púrpura Trombocitopênica Auto-imune e Idiopática,</p><p>entre outras.</p><p>Figura 11 − Cordocentese, com auxílio de ultrassom</p><p>Fonte: Adaptado de Mayo Fundation for Medical Education and Research</p><p>21</p><p>UNIDADE Período Fetal, Organogênese, Malformações Congênitas e</p><p>Diagnósticos Pré-natais, MRH e Células-tronco Embrionárias</p><p>Manipulação da Reprodução Humana</p><p>Durante séculos, a manipulação da reprodução humana consistiu principalmen-</p><p>te na contracepção e no aborto, com a intenção de limitar o número de filhos em</p><p>uma família.</p><p>Atualmente, temos uma diversificada metodologia para manipular o processo re-</p><p>produtivo, tanto na contracepção quanto nos processos de tratamento da infertilidade.</p><p>Métodos Contraceptivos Reversíveis</p><p>Método da tabelinha</p><p>Método natural que consiste em evitar relações sexuais durante o período fértil,</p><p>isto é, o período do mês em que ocorre a ovulação.</p><p>Método Billings (ou da ovulação ou do muco cervical)</p><p>Observar a variação do muco vaginal conforme o período fértil. Na ovulação, o</p><p>muco torna-se ralo, semelhante à clara de ovo.</p><p>Método de Ogino-Knauss (ou da temperatura)</p><p>Um dia antes da ovulação, a temperatura da mulher fica um pouco abaixo da</p><p>média, para no dia da ovulação subir novamente, dia em que não se se deve ter</p><p>relação. Também é conhecido como método da temperatura. Este método pode</p><p>ser utilizado em conjunto com a tabela e o muco (métodos denominados naturais),</p><p>aumentando a sua eficiência.</p><p>Coito interrompido</p><p>Praticado quando o homem retira o pênis da vagina antes da ejaculação.</p><p>Camisinha masculina (ou preservativo)</p><p>Capa de borracha fina usada pelo homem, que impede o sêmen de entrar no</p><p>útero feminino.</p><p>Camisinha feminina (ou preservativo)</p><p>Bolsa, com forma de tubo, fina e resistente, que é colocada dentro da vagina,</p><p>com finalidade contraceptiva.</p><p>Espermicidas</p><p>Géis, cremes ou comprimidos que, quando aplicados na vagina, destroem os</p><p>espermatozoides e evitam a gravidez.</p><p>22</p><p>23</p><p>Diafragma</p><p>Pequeno disco de borracha que se coloca dentro da vagina, e funciona como</p><p>barreira, impedindo a entrada dos espermatozoides.</p><p>Diu (dispositivo intrauterino)</p><p>Aparelho que, colocado dentro do útero, impede a ocorrência da gravidez. É um</p><p>pequeno objeto de plástico sobre o qual, muitas vezes, é enrolado um fio de cobre</p><p>muito fino, e que se apresenta em diversos formatos.</p><p>Pílula anticoncepcional</p><p>Comprimido composto de hormônios em várias misturas de estrógenos e pro-</p><p>gesterona, que impossibilita a liberação do óvulo pelo ovário, e, assim, impede a</p><p>fecundação. A minipílula apresenta só um tipo de hormônio – progesterona, em</p><p>doses baixas.</p><p>Anticoncepcionais injetáveis</p><p>Consiste no uso mensal ou trimestral de hormônio em forma de injeção. Os</p><p>progestógenos injetáveis, além de anovulatórios, aumentam a viscosidade do muco</p><p>cervical, tornam o endométrio menos propício à implantação do ovo e alteram a</p><p>motilidade tubária.</p><p>Implantes sudérmicos: Norplant</p><p>Implantes subcutâneos de tubinhos ou cápsulas de plástico especial (silástico),</p><p>contendo hormônio anticoncepcional. O implante, feito na parte interna do braço</p><p>ou antebraço, vai liberando o hormônio lentamente.</p><p>Anticoncepcional de emergência – pílula do dia seguinte</p><p>Esse método deve ser usado em uma situação inesperada. É indicado para a</p><p>mulher que manteve uma relação sexual não planejada, sem uso de anticoncep-</p><p>cional e em casos de estupro. É também indicado em situações de rompimento de</p><p>camisinha ou quando o diafragma é removido antes de seis horas após uma relação</p><p>sexual, ou após esquecimento de uma ou mais pílulas anticoncepcionais no início</p><p>ou no fim da cartela. Consiste no uso de altas doses de pílulas anticoncepcionais</p><p>orais (contendo estrogênio + progestogênio) que interrompem o ciclo reprodutivo</p><p>da mulher, evitando assim uma gravidez indesejada. Dependendo da etapa do ciclo</p><p>na qual as pílulas foram tomadas, elas podem impedir ou retardar a liberação do</p><p>óvulo pelo ovário. Algumas usuárias têm efeitos colaterais, tais como náuseas e</p><p>vômitos ou distúrbios do ciclo menstrual. Efeitos colaterais sérios são muito raros.</p><p>Pode ser usada por mulheres de qualquer idade, com ou sem filhos.</p><p>23</p><p>UNIDADE Período Fetal, Organogênese, Malformações Congênitas e</p><p>Diagnósticos Pré-natais, MRH e Células-tronco Embrionárias</p><p>Métodos Contraceptivos Irreversíveis</p><p>Ligação de trompas (laqueadura)</p><p>É um método cirúrgico em que as trompas de Falópio são amarradas e</p><p>seccionadas, impedindo que os óvulos alcancem o útero e sejam fecundados pelos</p><p>espermatozoides. Outra técnica em desenvolvimento consiste na oclusão tubária</p><p>pela colocação do agrafo, ou anel (técnica do ring), em cada trompa, oferecendo a</p><p>chance de reversibilidade em 30% dos casos.</p><p>Vasectomia</p><p>É um método contraceptivo masculino que consiste em uma operação que</p><p>secciona o canal deferente (tubo que conduz o esperma para a uretra). O homem</p><p>submetido a esta operação tem prazer sexual normal e orgasmo, mas seu sêmen</p><p>não</p><p>contém espermatozoides, e assim não pode fecundar o óvulo.</p><p>Assista aos vídeos sobre métodos contraceptivos:</p><p>Biologia - Métodos Contraceptivos - https://youtu.be/f6lzXt0VbCI</p><p>Métodos Contraceptivos - https://youtu.be/D8kDc87czMU</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>Tratamento da Infertilidade</p><p>Fertilização in vitro e transferência de embrião</p><p>Este tipo de manipulação é tipicamente utilizado em pacientes capazes de formar</p><p>gametas, mas que têm um bloqueio, muitas vezes anatômico, impedindo que os</p><p>óvulos e espermatozoides se encontrem, ou que o embrião que flutua livremente</p><p>alcance o útero ou nele se instale.</p><p>Transferência intrafalopiana de gametas</p><p>Certos tipos de infertilidade se devem a fatores como muco cervical hostil e</p><p>patologias e anomalias anatômicas da extremidade superior das tubas uterinas.</p><p>Um método mais simples para lidar com tais condições consiste na introdução</p><p>de gametas masculinos e femininos diretamente na extremidade inferior da tuba</p><p>uterina (geralmente na junção entre o istmo e a ampola). A fertilização ocorre no</p><p>interior da tuba e os primeiros eventos da embriogênese acontecem naturalmente.</p><p>Mãe substitutiva (Barriga de aluguel)</p><p>Existem algumas circunstâncias em que uma mulher produz óvulos férteis, mas</p><p>não consegue engravidar. Um exemplo é o da mulher que cujo útero foi removido,</p><p>mas que ainda possui ovários funcionando. Neste caso, uma opção é a fertilização</p><p>in vitro e a transferência do embrião, mas sendo o embrião transferido para o</p><p>24</p><p>25</p><p>útero de outra mulher (mãe substitutiva). Do ponto de vista biológico, este método</p><p>pouco difere da transferência do embrião para o útero da mãe biológica, mas é um</p><p>método que induz uma série de questões sociais, éticas e legais.</p><p>Células-Tronco Embrionárias (CTE)</p><p>A célula-tronco (CT) é definida como a célula com capacidade de gerar diferentes</p><p>tipos celulares e reconstituir diversos tecidos. As CTs estão presentes em todas as</p><p>fases do desenvolvimento, desde o zigoto, na massa interna do embrião, passando</p><p>pelo estágio fetal, e permanecendo nos tecidos adultos.</p><p>As CTs apresentarem três características que as diferem das outras células do</p><p>organismo (Figura 12).</p><p>1. São capazes de se multiplicar por longos períodos, mantendo-se indife-</p><p>renciadas, de forma que um pequeno número pode originar uma grande</p><p>população de células semelhantes.</p><p>2. São capazes de se diferenciar em células especializadas de um tecido particular.</p><p>3. São células indiferenciadas e não especializadas.</p><p>Figura 12 − Características das células-tronco</p><p>Fonte: celulastroncors.org.br</p><p>Classifi cação quanto à capacidade de diferenciação</p><p>CT totipotentes (Figura 13)</p><p>Possuem a capacidade de se dividir e originar todas as células especializadas de</p><p>um organismo. No zigoto, encontramos CT totipotentes porque ele formará todos</p><p>os tecidos necessários para o desenvolvimento fetal.</p><p>25</p><p>UNIDADE Período Fetal, Organogênese, Malformações Congênitas e</p><p>Diagnósticos Pré-natais, MRH e Células-tronco Embrionárias</p><p>Figura 13 − Célula-tronco totipotente</p><p>Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons</p><p>CT pluripotentes (Figura 14)</p><p>Conseguem diferenciar-se em tecidos de qualquer um dos três folhetos</p><p>embrionários: endoderma, mesoderma, ou ectoderma. No blastômero encontramos</p><p>as CT pluripotentes, originadas a partir das CT totipotentes, que, comparadas</p><p>após modificações genéticas e epigenéticas, avançam no seu desenvolvimento.</p><p>No entanto, as CT pluripotentes apresentam potencialidade reduzida quando</p><p>comparadas às CT totipotentes. Elas começam a responder a sinais vindos de</p><p>tecidos extraembrionários e iniciam sua diferenciação no início da gastrulação.</p><p>Figura 14 − Célula-tronco pluripotente</p><p>Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons</p><p>26</p><p>27</p><p>CT multipotentes (Figura 15)</p><p>Possuem plasticidade menor e são encontrados em todos os tecidos adultos. No</p><p>entanto, só se diferenciam em células do próprio tecido.</p><p>Agora que vimos os conceitos da CT quanto à capacidade de diferenciação,</p><p>podemos entender que existem as células-tronco embrionárias com plasticidade,</p><p>ou seja, poder de diferenciação muito maior do que as células-tronco adultas.</p><p>No entanto, as pesquisas com células-tronco embrionárias tornaram-se uma das</p><p>maiores controvérsias morais e políticas da atualidade.</p><p>Figura 15 − Célula-tronco multipotente</p><p>Fonte: celulastroncors.org.br</p><p>Células-Tronco Adultas (CTA)</p><p>Como visto anteriormente, são as multipotentes e também são chamadas de</p><p>CT somáticas (Figura 16) encontradas em diversos tecidos do organismo como</p><p>pulmão, baço, cérebro, baço, tecido adiposo, coração, medula óssea e outros. Essas</p><p>células têm a capacidade de autorrenovação e servem para manter a integridade e</p><p>regeneração dos tecidos onde são encontradas.</p><p>As CTA mais facilmente disponíveis e comumente utilizadas nas clínicas de</p><p>fertilização são as células-tronco hematopoéticas, cujas principais fontes são a</p><p>medula óssea e o sangue de cordão umbilical.</p><p>CTA já são usadas com sucesso no tratamento de doenças como linfomas, leu-</p><p>cemias e algumas doenças lisossomais, e já existem trabalhos publicados envol-</p><p>vendo doença de Parkinson, diabetes tipo 1, distúrbios circulatórios e doenças</p><p>neuromusculares.</p><p>27</p><p>UNIDADE Período Fetal, Organogênese, Malformações Congênitas e</p><p>Diagnósticos Pré-natais, MRH e Células-tronco Embrionárias</p><p>Figura 16 − Célula-tronco embrionária e célula-tronco adultas</p><p>Fonte: celulastroncors.org.br</p><p>Células-Tronco Embrionárias (CTE)</p><p>As CTE (veja no link abaixo) são culturas celulares coletadas da camada interna</p><p>do blastocisto que se forma em torno do quinto dia após a fertilização. A primeira</p><p>linhagem humana foi gerada em 1998. Apesar de aparentemente simples, o</p><p>processo é bastante complexo do ponto de vista técnico, pois requer condições</p><p>estritas para a manutenção das células em um estado indiferenciado.</p><p>As CTE humanas ainda não têm condições de emprego no tratamento humano,</p><p>devido principalmente a questões de segurança. A utilização de CTE humanas</p><p>em protocolos clínicos é muito mais restrita se comparada com CT adultas, e</p><p>apenas células diferenciadas de CTE podem ser administradas aos pacientes.</p><p>Nenhum estudo havia utilizado CTE humanas em protocolos clínicos; entretanto,</p><p>em janeiro de 2009, o órgão responsável nos EUA (FDA) autorizou o primeiro</p><p>protocolo clínico, utilizando células derivadas de CTE humanas. Neste caso, células</p><p>de oligodendrócitos. Essa licença, entretanto, foi suspensa pelo FDA em agosto de</p><p>2009, devido a questões de segurança ainda não resolvidas.</p><p>Veja no link a seguir um exemplo de célula-tronco embrionária: https://goo.gl/oxQdHc</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>Células-Tronco Pluripotente Induzidas (Figura 17)</p><p>A única vantagem das CTE sobre as CTA diz respeito à sua pluripotencialidade,</p><p>visto que elas são capazes de originar todos os tipos celulares que formam um</p><p>organismo adulto.</p><p>28</p><p>29</p><p>Uma alternativa à utilização da CTE na pesquisa e perspectivas terapêuticas</p><p>surgiu em 2007, quando foram desenvolvidos métodos para a produção de</p><p>células com características de CTE a partir de células somáticas, por meio de uma</p><p>reprogramação genética específica, usando transferência genética por retrovírus.</p><p>Esse tipo de CT foi denominado células-tronco pluripotentes induzidas (iPS –</p><p>induced pluripotent sten cell). Essa iPS provaram ser funcional e molecularmente</p><p>semelhantes às CTE.</p><p>A reprogramação in vitro das células somáticas em células iPS oferece novas</p><p>aplicações em pesquisa, diagnóstico e terapia celular, porque, além de evitar</p><p>os problemas éticos envolvidos com a destruição dos embriões humanos, esta</p><p>abordagem permite a geração de células específicas para cada paciente, evitando</p><p>problemas de rejeição. Entretanto, questões relacionadas à modificação genética</p><p>do genoma das células-alvo ainda devem ser mais bem caracterizadas e resolvidas</p><p>antes de suas aplicações clínicas em ensaios experimentais.</p><p>Figura 17 − Célula-tronco pluripotente induzida (iPS)</p><p>Fonte: celulastroncors.org.br</p><p>Assista aos vídeos sobre células-tronco:</p><p>Tudo sobre Células Tronco - https://youtu.be/Z6H8yuN0qXE</p><p>Células Tronco: A Chave</p><p>da Regeneração - https://youtu.be/F0VUkRZZ4FQ</p><p>Afi nal, o que são células-tronco? - https://youtu.be/3u7hNYFA6Iw</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>29</p><p>UNIDADE Período Fetal, Organogênese, Malformações Congênitas e</p><p>Diagnósticos Pré-natais, MRH e Células-tronco Embrionárias</p><p>Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:</p><p>Sites</p><p>Células-tronco</p><p>https://goo.gl/QDTx0c</p><p>Vídeos</p><p>Período da Organogênese - Da Quarta à Oitava Semana do Desenvolvimento Humano</p><p>https://youtu.be/EW-eWvH2MXQ</p><p>Embriologia Humana em 4 minutos</p><p>https://youtu.be/j0ckprzQnuw</p><p>Embriologia (5 minutos de Bio #006 - Paródia Onze:20)</p><p>https://youtu.be/4u9-vYCWP88</p><p>La Choriocentèse</p><p>https://youtu.be/aQITPOmI9RM</p><p>Células-tronco</p><p>https://youtu.be/rSfKsJcWuB0</p><p>Canal Livre debate o Uso das Células-tronco</p><p>https://youtu.be/wCSrbK_f2Ec</p><p>Leitura</p><p>Desenvolvimento Humano</p><p>https://goo.gl/Gn6p36</p><p>Atenção aos Defeitos Congênitos no Brasil: Panorama Atual</p><p>https://goo.gl/StqH6N</p><p>Prevalência de Malformações Congênitas em Recém-Nascidos em Hospital da Rede Pública</p><p>https://goo.gl/4iKpNc</p><p>Métodos Contraceptivos e suas Características</p><p>https://goo.gl/fT5Z5F</p><p>Conhecimentos Sobre Métodos Contraceptivos</p><p>https://goo.gl/rRHUfZ</p><p>Células-tronco: Células da Esperança</p><p>https://goo.gl/T2VPj8</p><p>Células-tronco: Progressos Científicos e o Futuro das Pesquisas</p><p>https://goo.gl/nHZzYr</p><p>30</p><p>31</p><p>Referências</p><p>ALBERTS, B.; BRAY D.; HOPKIN, K.; JOHNSON, A.; LEWIS, J.; RAFF, M.;</p><p>ROBERTS K.; WALTER, P. Fundamentos da Biologia Celular. 3. ed. São Paulo:</p><p>Artmed, 2011.</p><p>BARBOSA, C. A. G. e MOTA, M. T. S. Reprodução Humana. 2.ed. Rio Grande</p><p>do Norte: Editora da Edufrn, 2010.</p><p>BRITO, V. R. S.; SOUZA, F. S.; GADELHA, F. H.; SOUTO, R. Q.; REGO, A. R. F.</p><p>FRANÇA, I.S.X. Malformações Congênitas e Fatores de Risco Materno em Campina</p><p>Grande-Paraiba. Rev. Rene. Fortaleza, v. 11, n. 2, p. 27-36, abr./jun.2010</p><p>CAMPBELL, N. A.; REECE, J. B.; URRY, L. A.; CAIN, M. L.; WASSERMAN, S.A.;</p><p>MINORSKY, P. V.; JACKSON, R. B. Biologia. 8. ed. São Paulo: Artmed, 2010.</p><p>CARLSON, B. M. Embriologia Humana e Biologia do Desenvolvimento. Rio de</p><p>Janeiro: Guanabara Koogan, 1996.</p><p>GARCIA, S. M. L.; FERNÁDEZ, C.G. (org). Embriologia. 3.ed. São Paulo: Artmed,</p><p>2012.</p><p>GEORGE, L. L. et al. Histologia Comparada. 2. ed. São Paulo: Editora Roca, 1998.</p><p>GUYTON, A. C.; HALL J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 12. ed. São Paulo:</p><p>Elsevier, 2011.</p><p>JORDE, L. B.; CAREY, J. C.; BAMSHAD, M. J. Genética Médica. 5. ed. São</p><p>Paulo: Elsevier, 2017.</p><p>MOREIRA, L. M. A. Métodos contraceptivos e suas características. In: Algumas</p><p>abordagens da educação sexual na deficiência intelectual [online]. 3. ed.</p><p>Salvador: EDUFBA, 2011.</p><p>MOORE, K. L.; PERSAUD, T. V. N. Embriologia Clínica. 8. ed. São Paulo:</p><p>Elsevier, 2008.</p><p>PEREIRA, S. V. M.; BACHION, M. M. Diagnósticos de enfermagem identificados</p><p>em gestantes durante o pré-natal. Revista Brasileira de Enfermagem. 2005 nov-</p><p>dez; 58(6):659-64.</p><p>SADLER, T. W. Langman-Embriologia Médica. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara</p><p>Koogan, 2016</p><p>SANTOS, R. S.; DIAS, I. M. V. Refletindo Sobre a Malformação Congênita.</p><p>Rev. Bras. Enferm. 2005 set-out; 58(5):592-6.</p><p>SILVERTHORN, D. U. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada. 5. ed.</p><p>São Paulo: Artmed, 2010.</p><p>STEVENS, A; LOWE, J. Histologia Humana. São Paulo: Editora Manole Ltda., 2001.</p><p>TORTORA, G. J.; Grabowski, S. R. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 10. ed.</p><p>Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.</p><p>ZUGAIB, M. Obstetrícia. 2. ed. São Paulo: Editora Manole Ltda, 2012.</p><p>31</p>