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N O Ç Õ ES D E A D M IN IS TR A Ç Ã O F IN A N C EI R A E O R Ç A M EN TÁ R IA 355 investir seu tempo em uma que cobra memorização de uma tabela de códigos. No entanto, é importante conhecer as outras classifi- cações decorrentes da classificação da receita pública por sua natureza, conforme passamos a apresentar a seguir. Categoria Econômica Segundo o art. 11 da Lei nº 4.320/1964, a Receita Públi- ca se classifica nas seguintes categorias econômicas: z Receitas Correntes: são aquelas arrecadadas den- tro do exercício, aumentam as disponibilidades financeiras do ente federativo, geralmente com efeito positivo sobre o Patrimônio Líquido e são utilizadas para financiar os objetivos definidos nos programas e ações correspondentes às polí- ticas públicas. Segundo o art. 11, § 1º, da Lei nº 4.320/1964, classificam-se em tributárias; de con- tribuições; da exploração do patrimônio estatal (Patrimonial); da exploração de atividades econô- micas (Agropecuária, Industrial e de Serviços); de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Cor- rentes (Transferências Correntes); e demais recei- tas que não se enquadram nos itens anteriores (Outras Receitas Correntes). z Receitas de Capital: são aquelas que aumentam as disponibilidades financeiras do Estado, entre- tanto, diferentemente das Receitas Correntes, as Receitas de Capital não provocam efeito sobre o Patrimônio Líquido. Conforme o art. 11, § 2º, da Lei nº 4.320/1964, as Receitas de Capital são pro- venientes da realização de recursos financeiros oriundos da constituição de dívidas; conversão, em espécie, de bens e direitos; recebimento de recursos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinados a atender Despesas de Capital; e, superávit do Orçamento Corrente. É importante saber que existe uma denominação que é cobrada nas provas que são as Receitas de Ope- rações Intraorçamentárias. Trata-se de operações realizadas entre órgãos e demais entidades perten- centes à mesma esfera de governo e ao mesmo orça- mento de um ente federativo. Não representam novas entradas de recursos nos cofres públicos do ente, mas apenas remanejamen- to de receitas entre seus órgãos para evitar a dupla contagem na consolidação das contas governamen- tais. Ao instituir tais dispositivos, a legislação não criou novas categorias econômicas, e nem poderia, já que se trata de matéria fixada na Lei nº 4.320/64, mas apenas criou maior especificação das Receitas Corren- tes e Receitas de Capital. Origem A origem é o detalhamento das categorias econô- micas Receitas Correntes e Receitas de Capital, com o objetivo de identificar a procedência das receitas no momento que ingressam nos cofres públicos. Segundo o Manual de Técnico de Orçamento (2020, p. 13), as origens que compõem as Receitas Corren- tes são: z Impostos, Taxas e Contribuições de Melhoria: são decorrentes da arrecadação dos tributos pre- vistos na Constituição Federal; z Contribuições: são oriundas das contribuições sociais, de intervenção no domínio econômi- co e de interesse das categorias profissionais ou econômicas; z Receita Patrimonial: são provenientes da fruição de patrimônio pertencente ao ente público, tais como as decorrentes de aluguéis, dividendos, com- pensações financeiras/royalties, concessões, entre outras; z Receita Agropecuária: receitas de atividades de exploração ordenada dos recursos naturais vege- tais em ambiente natural e protegido. Compreen- de as atividades de cultivo agrícola, de cultivo de espécies florestais para produção de madeira, celulose e para proteção ambiental, de extração de madeira em florestas nativas, de coleta de produ- tos vegetais, além do cultivo de produtos agrícolas; z Receita Industrial: são provenientes de ativida- des industriais exercidas pelo ente público, tais como a extração e o beneficiamento de matérias- -primas, a produção e a comercialização de bens relacionados às indústrias mecânica, química e de transformação em geral; z Receita de Serviços: decorrem da prestação de serviços por parte do ente público, tais como comércio, transporte, comunicação, serviços hos- pitalares, armazenagem, serviços recreativos, cul- turais etc. Tais serviços são remunerados mediante preço público, também chamado de tarifa; z Transferências Correntes: são provenientes do recebimento de recursos financeiros de outras pessoas de direito público ou privado destinados a atender despesas de manutenção ou funcionamen- to que não impliquem contraprestação direta em bens e serviços a quem efetuou essa transferência. Por outro lado, a utilização dos recursos recebidos vincula-se à determinação constitucional ou legal, ou ao objeto pactuado. Tais transferências ocorrem entre entidades públicas de diferentes esferas ou entre entidades públicas e instituições privadas; z Outras Receitas Correntes: constituem-se pelas receitas cujas características não permitam o enquadramento nas demais classificações da receita corrente, tais como indenizações, restitui- ções, ressarcimentos, multas previstas em legisla- ções específicas, entre outras. Por outro lado, as origens que compõem as Recei- tas de Capital são: z Operações de Crédito: recursos financeiros oriun- dos da colocação de títulos públicos ou da contra- tação de empréstimos junto a entidades públicas ou privadas, internas ou externas; z Alienação de Bens: ingressos financeiros pro- venientes da venda de bens móveis, imóveis ou intangíveis de propriedade do ente público; z Amortização de Empréstimos: ingressos finan- ceiros provenientes da amortização de financia- mentos ou empréstimos que o ente público haja previamente concedido; Embora a amortização do empréstimo seja origem da categoria econômica Receitas de Capital, os juros recebidos associados ao empréstimo são classifica- dos em Receitas Correntes / de Serviços / Serviços e Atividades Financeiras / Retorno de Operações, Juros e Encargos Financeiros, pois os juros representam a remuneração do capital. 356 z Transferências de Capital: recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado destinados a atender despesas com inves- timentos ou inversões financeiras, independente- mente da contraprestação direta a quem efetuou essa transferência. Por outro lado, a utilização dos recursos recebidos vincula-se ao objeto pactuado. Tais transferências ocorrem entre entidades públi- cas de diferentes esferas ou entre entidades públi- cas e instituições privadas; z Outras Receitas de Capital: registram-se nesta origem receitas cujas características não permi- tam o enquadramento nas demais classificações da receita de capital, tais como resultado do Ban- co Central, remuneração das disponibilidades do Tesouro, entre outras. Espécie A espécie representa um nível de classificação sub- sequente e vinculado à classificação da origem, per- mite extrair maiores detalhes acerca do fato gerador das receitas. Por exemplo, dentro da origem “Contribuições”, identificam-se as espécies “Contribuições Sociais”, “Con- tribuições Econômicas” e “Contribuições para Entidades Privadas de Serviço Social e de Formação Profissional”. Desdobramento para Identificação de Peculiaridades Foram reservados 4 dígitos para desdobramentos com a finalidade de identificar peculiaridades de cada receita, caso seja necessário. Desse modo, esses dígitos podem ou não ser utilizados conforme a necessidade de especificação do recurso. Tipo O tipo correspondente ao último dígito na nature- za de receita e tem a finalidade de identificar o tipo de arrecadação a que se refere aquela natureza, sendo: z “0”, quando se tratar de natureza de receita não valorizável ou agregadora; z “1”, quando se tratar da arrecadação Principal da receita; z “2”, quando se tratar de Multas e Juros de Mora da respectiva receita; z “3”, quando se tratarde Dívida Ativa da respectiva receita; e z “4”, quando se tratar de Multas e Juros de Mora da Dívida Ativa da respectiva receita. Assim, todo código de natureza de receita será finalizado com um dos dígitos mencionados, e as arre- cadações de cada recurso – sejam elas da receita pro- priamente dita, sejam elas de seus acréscimos legais – ficarão agrupadas sob um mesmo código, sendo diferenciadas apenas no último dígito. EXERCÍCIOS COMENTADOS 1. (VUNESP – 2020) As Receitas Correntes a) aumentam as disponibilidades financeiras do Estado. b) constituem instrumento para reduzir programas e ações orçamentários. c) não provocam efeito sobre o patrimônio líquido. d) são arrecadadas dentro do exercício financeiro seguinte. e) são as provenientes da constituição de dívidas. As Receitas Correntes são aquelas arrecadadas dentro do exercício, aumentam as disponibilida- des financeiras do ente federativo, geralmente com efeito positivo sobre o Patrimônio Líquido e são utilizadas para financiar os objetivos definidos nos programas e ações correspondentes às políticas públicas. Resposta: Letra A. 2. (FUNDATEC – 2019) Assinale a alternativa correta em relação às características da Receita Pública. a) As receitas tributárias, bem como as receitas de presta- ção de serviços, são consideradas extraorçamentárias. b) As receitas não efetivas constituem-se de ingressos de recursos financeiros de natureza orçamentária que aumentam o valor do patrimônio líquido público. c) Em relação ao critério de coercitividade, tem-se que as receitas originárias são recursos financeiros prove- nientes do poder que o Estado possui de exigir uma prestação pecuniária sobre o patrimônio, renda e lucro dos particulares. d) A classificação econômica ou de natureza divide a receita orçamentária em três categorias: receitas cor- rentes, receitas de capital e receitas financeiras. e) Os ingressos financeiros oriundos de operações de crédito, alienação de bens e amortização de emprésti- mos são receitas de capital. Segundo o Manual de Técnico de Orçamento (2020, p. 13), as Receitas de Capital são originadas de ope- rações de crédito, alienação de bens, amortização de empréstimos, transferências de capital e outras receitas de capital. Resposta: Letra E. ETAPAS E ESTÁGIOS Estágios da receita pública são as etapas da receita orçamentária que podem ser resumidas em: previsão, lançamento, arrecadação e recolhimento. Vamos às explicações de cada etapa: z Previsão: a arrecadação da receita deve ser esti- mada na Lei Orçamentária Anual (LOA), com- preendendo duas fases distintas: � A primeira fase compreende a previsão de arrecadação da receita orçamentária constante da Lei Orçamentária Anual (LOA), resultante das metodologias de projeção usualmente ado- tadas, observadas as disposições constantes na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), principal- mente o artigo 12: Art. 12 As previsões de receita observarão as nor- mas técnicas e legais, considerarão os efeitos das alterações na legislação, da variação do índice de preços, do crescimento econômico ou de qualquer outro fator relevante e serão acompanhadas de demonstrativo de sua evolução nos últimos três anos, da projeção para os dois seguintes àquele a que se referirem, e da metodologia de cálculo e pre- missas utilizadas. A previsão de receitas é a etapa que antecede à fixação das despesas que constarão na LOA, além de ser base para se estimar as necessidades de financia- mento do governo. N O Ç Õ ES D E A D M IN IS TR A Ç Ã O F IN A N C EI R A E O R Ç A M EN TÁ R IA 357 � A segunda fase consiste no lançamento. Segun- do o art. 53 da Lei nº 4.320/1964, lançamento é ato da repartição competente, que verifica a procedência do crédito fiscal e a pessoa que lhe é devedora e inscreve o débito desta. Por outro lado, nos termos do art. 142 do Código Tribu- tário Nacional, lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrên- cia do fato gerador da obrigação corresponden- te, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujei- to passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Assim, pode ser dito que o lançamento refe- re-se à atividade estatal de escrituração dos futuros débitos dos contribuintes de impostos diretos, cotas ou contribuições prefixadas ou decorrentes de outras fontes de recursos, efe- tuados pelos órgãos competentes que verificam a procedência do crédito a natureza da pessoa do contribuinte quer seja física, quer seja jurí- dica e o valor correspondente à respectiva esti- mativa. Enfim, o lançamento é a legalização da receita pela sua instituição e a respectiva inclu- são no orçamento. z Arrecadação: corresponde à entrega, realiza- da pelos contribuintes ou devedores, aos agentes arrecadadores ou bancos autorizados pelo ente, dos recursos devidos ao Tesouro. Assim, quando o contribuinte vai ao banco pagar o boleto do IPTU, por exemplo, ocorre a arrecadação. Vale destacar que, segundo o art. 35 da Lei nº 4.320/1964, pertencem ao exercício financeiro as receitas nele arrecadadas, o que representa a adoção do regime de caixa para o ingresso das receitas públicas. A arrecadação ocorre somente uma vez, sendo seguida pelo recolhimento. Quando um ente arre- cada para outro ente, cumpre-lhe apenas entregar- -lhe os recursos pela transferência dos recursos, não sendo considerada arrecadação, quando do recebimento pelo ente beneficiário. z Recolhimento: é a transferência dos valores arre- cadados à conta específica do Tesouro, responsá- vel pela administração e controle da arrecadação e programação financeira, observando o Princí- pio da Unidade de Caixa representado pelo con- trole centralizado dos recursos arrecadados em cada ente, conforme previsto no art. 56 da Lei nº 4.320/1964: Art. 56 O recolhimento de todas as receitas far-se- -á em estrita observância ao princípio de unidade de tesouraria, vedada qualquer fragmentação para criação de caixas especiais. Os estágios da receita pública estão dispostos con- forme a ordem cronológica em que ocorrem os fenô- menos econômicos. Esses estágios são estabelecidos levando-se em consideração o modelo do orçamento brasileiro. Assim, a ordem inicia com a previsão e ter- mina com o recolhimento. DÍVIDA ATIVA Dívida ativa é a denominação que se dá ao con- junto de créditos tributários e não tributários em favor da Fazenda Pública que não foram pagos no prazo devido e, por isso, inscritos pelo órgão ou enti- dade competente, após a devida apuração de liquidez e certeza. Assim, é considerada uma fonte potencial de entrada no Caixa do Tesouro e é reconhecida contabil- mente no ativo. Não se deve confundir a dívida ativa com a dívida pública, uma vez que esta representa as obrigações do ente público com terceiros e é reconhe- cida contabilmente no passivo. O art. 39 da Lei nº 4.320/1964 dispõe: Art. 39 Os créditos da Fazenda Pública, de nature- za tributária ou não tributária, serão escriturados como receita do exercício em que forem arrecada- dos, nas respectivas rubricas orçamentárias. § 1º - Os créditos de que trata este artigo, exigíveis pelo transcurso do prazo para pagamento, serão inscritos, na forma da legislação própria, como Dívida Ativa, em registro próprio, após apurada a sua liquidez e certeza, e a respectiva receita será escriturada a esse título. [...] Dívida Ativa Tributária é o crédito da Fazenda Pública decorrente de créditos tributários não pagos pelos contribuintes, e incluem os respectivos adicio- nais e multas. Por outro lado, a Dívida Ativa não Tri- butária são os demais créditos da Fazenda Pública, como aqueles provenientes de empréstimos compul- sórios, contribuições estabelecidas em lei, multa de qualquer origem ou natureza, exceto as tributárias, foros, laudêmios, aluguéis ou taxas de ocupação, custas processuais, preços de serviços prestados por estabelecimentos públicos, indenizações, reposições,restituições, alcances dos responsáveis definitiva- mente julgados, bem assim os créditos decorrentes de obrigações em moeda estrangeira, de sub-rogação de hipoteca, fiança, aval ou outra garantia, de contratos em geral ou de outras obrigações legais. Deste modo, verificado o não recebimento do cré- dito no prazo de vencimento, cabe ao órgão ou enti- dade de origem do crédito encaminhá-lo ao órgão ou entidade competente para sua inscrição em dívida ativa, com observância dos prazos e procedimentos estabelecidos. A inscrição do crédito em dívida ativa configura fato contábil permutativo (não aumenta o Patrimô- nio Líquido do ente público). DESPESA PÚBLICA CONCEITO Como já vimos, a atividade estatal está vinculada ao dispêndio de recursos com o objetivo de satisfazer às necessidades sociais, sendo que esses dispêndios devem obedecer às decisões deliberadas e estabeleci- das no âmbito do Poder Legislativo, por meio da Lei Orçamentária Anual (LOA). Assim, o orçamento, que é um instrumento de pla- nejamento de qualquer entidade, seja pública ou pri- vada, uma vez que representa o fluxo de ingressos e aplicação de recursos em determinado período, para 358 o setor público, passa a ser de vital importância, pois é a LOA que fixa a despesa pública autorizada para um exercício financeiro. A despesa orçamentária pública é o conjunto de dispêndios realizados pelos entes públicos para o fun- cionamento e manutenção dos serviços públicos pres- tados à sociedade. Em termos de importância, a despesa pública demanda mais atenção da sociedade, uma vez que o gasto desordenado pode implicar desequilíbrio orça- mentário e afetar a saúde financeira do Estado por muitos anos. Além disso, em um país como o Bra- sil, com tanta desigualdade social, é natural que as demandas por ações do governo superem os recursos disponíveis. Ou seja, políticas populistas que procu- rem atender todas as demandas da sociedade podem não ser factíveis, uma vez que a realidade das receitas públicas limita as despesas públicas. Os dispêndios, assim como os ingressos, são tipifi- cados em orçamentários e extraorçamentários. Nos termos do art. 35 da Lei nº 4.320/1964: Art. 35 Pertencem ao exercício financeiro: I - as receitas nêle arrecadadas; II - as despesas nêle legalmente empenhadas. Portanto, despesa orçamentária é toda transa- ção que depende de autorização legislativa, na forma de consignação de dotação orçamentária, para ser efetivada. Dispêndio extraorçamentário é aquele que não consta na lei orçamentária anual, compreendendo determinadas saídas de numerários decorrentes de depósitos, pagamentos de restos a pagar, resgate de operações de crédito por antecipação de receita e recursos transitórios. Além do conceito acima, é necessário saber que, para fins contábeis, a despesa orçamentária pode ser classificada quanto ao impacto na situação patrimo- nial líquida em: z Despesa Orçamentária Efetiva: é aquela que, no momento de sua realização, reduz a situação líqui- da patrimonial da entidade. Constitui fato contá- bil modificativo diminutivo. A despesa corrente, geralmente, é uma despesa orçamentária efetiva, como, por exemplo, pagamento de salários de fun- cionários públicos. Entretanto, é necessário tomar cuidado, pois existem casos de despesas correntes não efetivas, como, por exemplo, a despesa com a aquisição de materiais para estoque e a despe- sa com adiantamentos, que representam fatos permutativos; z Despesa Orçamentária Não Efetiva: é aquela que, no momento da sua realização, não reduz a situa- ção líquida patrimonial da entidade. Constitui fato contábil permutativo. Geralmente, as despesas de capital se enquadram como despesa orçamentária não efetiva, entretanto, há despesas de capital que são efetivas como, por exemplo, as transferências de capital, que causam variação patrimonial diminuti- va e, por isso, classificam-se como despesa efetiva. CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO A NATUREZA Como já dissemos no tópico anterior, a saúde financeira do ente federativo está intimamente ligada ao controle da despesa pública, assim é natural que ela seja analisada de várias formas. Nesse sentido, o instrumento legal que orienta a classificação da des- pesa pública é o Manual Técnico de Orçamento (MTO), editado pela Secretaria de Orçamento Federal (SOF), juntamente com o Manual de Despesa Nacional e o Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público. Existem diversas classificações que você precisa conhecer, pois este assunto é bastante cobrado nos concursos públicos. Tentaremos facilitar e esque- matizar as classificações para que você possa enten- der melhor e, mais importante, acertar as questões. Vamos lá? ESTRUTURA DA PROGRAMAÇÃO ORÇAMENTÁRIA Segundo o Manual Técnico de Orçamento (2020, p. 23): A compreensão do orçamento exige o conhecimento de sua estrutura e sua organização, implementadas por meio de um sistema de classificação estrutu- rado. Esse sistema tem o propósito de atender às exigências de informação demandadas por todos os interessados nas questões de finanças públicas, como os poderes públicos, as organizações públicas e privadas e a sociedade em geral. Complicado? A definição acima quer dizer que a classificação da despesa leva em conta a estrutura da organização onde ela será aplicada, classificando-a tanto no aspecto organizacional quanto no aspecto orçamentário/financeiro. Segundo o Manual Técnico de Orçamento (2020, p.23), “o orçamento público está organizado em programas de trabalho, que contêm informações qualitativas e quantitativas, sejam físicas ou financeiras”. Vamos primeiro analisar as informações qualitati- vas, quais sejam: classificação por esfera orçamentá- ria, classificação institucional, classificação funcional e classificação programática. E, em seguida, passare- mos a analisar as informações quantitativas: IDOC, IDUSO, Fonte de Recursos, Natureza da Despesa e Identificador de Resultado Primário. Classificação Qualitativa A classificação qualitativa está ligada ao tipo de orçamento praticado no Brasil, que é o Orçamento Programa, o qual está relacionado ao planejamento e expressa o compromisso das ações do governo com a sociedade. Segundo o Manual Técnico de Orçamento (2020, p. 23) O programa de trabalho, que define qualitativa- mente a programação orçamentária, deve res- ponder, de maneira clara e objetiva, às perguntas clássicas que caracterizam o ato de orçar, sendo, do ponto de vista operacional, composto dos seguin- tes blocos de informação: classificação por esfera, classificação institucional, classificação funcional, estrutura programática e principais informações do Programa e da Ação.