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investir seu tempo em uma que cobra memorização 
de uma tabela de códigos.
No entanto, é importante conhecer as outras classifi-
cações decorrentes da classificação da receita pública por 
sua natureza, conforme passamos a apresentar a seguir.
Categoria Econômica
Segundo o art. 11 da Lei nº 4.320/1964, a Receita Públi-
ca se classifica nas seguintes categorias econômicas:
 z Receitas Correntes: são aquelas arrecadadas den-
tro do exercício, aumentam as disponibilidades 
financeiras do ente federativo, geralmente com 
efeito positivo sobre o Patrimônio Líquido e são 
utilizadas para financiar os objetivos definidos 
nos programas e ações correspondentes às polí-
ticas públicas. Segundo o art. 11, § 1º, da Lei nº 
4.320/1964, classificam-se em tributárias; de con-
tribuições; da exploração do patrimônio estatal 
(Patrimonial); da exploração de atividades econô-
micas (Agropecuária, Industrial e de Serviços); de 
recursos financeiros recebidos de outras pessoas 
de direito público ou privado, quando destinadas 
a atender despesas classificáveis em Despesas Cor-
rentes (Transferências Correntes); e demais recei-
tas que não se enquadram nos itens anteriores 
(Outras Receitas Correntes).
 z Receitas de Capital: são aquelas que aumentam 
as disponibilidades financeiras do Estado, entre-
tanto, diferentemente das Receitas Correntes, as 
Receitas de Capital não provocam efeito sobre o 
Patrimônio Líquido. Conforme o art. 11, § 2º, da 
Lei nº 4.320/1964, as Receitas de Capital são pro-
venientes da realização de recursos financeiros 
oriundos da constituição de dívidas; conversão, 
em espécie, de bens e direitos; recebimento de 
recursos de outras pessoas de direito público ou 
privado, quando destinados a atender Despesas de 
Capital; e, superávit do Orçamento Corrente.
É importante saber que existe uma denominação 
que é cobrada nas provas que são as Receitas de Ope-
rações Intraorçamentárias. Trata-se de operações 
realizadas entre órgãos e demais entidades perten-
centes à mesma esfera de governo e ao mesmo orça-
mento de um ente federativo. 
Não representam novas entradas de recursos nos 
cofres públicos do ente, mas apenas remanejamen-
to de receitas entre seus órgãos para evitar a dupla 
contagem na consolidação das contas governamen-
tais. Ao instituir tais dispositivos, a legislação não 
criou novas categorias econômicas, e nem poderia, já 
que se trata de matéria fixada na Lei nº 4.320/64, mas 
apenas criou maior especificação das Receitas Corren-
tes e Receitas de Capital.
Origem
A origem é o detalhamento das categorias econô-
micas Receitas Correntes e Receitas de Capital, com o 
objetivo de identificar a procedência das receitas no 
momento que ingressam nos cofres públicos. 
Segundo o Manual de Técnico de Orçamento (2020, 
p. 13), as origens que compõem as Receitas Corren-
tes são:
 z Impostos, Taxas e Contribuições de Melhoria: 
são decorrentes da arrecadação dos tributos pre-
vistos na Constituição Federal;
 z Contribuições: são oriundas das contribuições 
sociais, de intervenção no domínio econômi-
co e de interesse das categorias profissionais ou 
econômicas;
 z Receita Patrimonial: são provenientes da fruição 
de patrimônio pertencente ao ente público, tais 
como as decorrentes de aluguéis, dividendos, com-
pensações financeiras/royalties, concessões, entre 
outras;
 z Receita Agropecuária: receitas de atividades de 
exploração ordenada dos recursos naturais vege-
tais em ambiente natural e protegido. Compreen-
de as atividades de cultivo agrícola, de cultivo 
de espécies florestais para produção de madeira, 
celulose e para proteção ambiental, de extração de 
madeira em florestas nativas, de coleta de produ-
tos vegetais, além do cultivo de produtos agrícolas;
 z Receita Industrial: são provenientes de ativida-
des industriais exercidas pelo ente público, tais 
como a extração e o beneficiamento de matérias-
-primas, a produção e a comercialização de bens 
relacionados às indústrias mecânica, química e de 
transformação em geral;
 z Receita de Serviços: decorrem da prestação 
de serviços por parte do ente público, tais como 
comércio, transporte, comunicação, serviços hos-
pitalares, armazenagem, serviços recreativos, cul-
turais etc. Tais serviços são remunerados mediante 
preço público, também chamado de tarifa;
 z Transferências Correntes: são provenientes do 
recebimento de recursos financeiros de outras 
pessoas de direito público ou privado destinados a 
atender despesas de manutenção ou funcionamen-
to que não impliquem contraprestação direta em 
bens e serviços a quem efetuou essa transferência. 
Por outro lado, a utilização dos recursos recebidos 
vincula-se à determinação constitucional ou legal, 
ou ao objeto pactuado. Tais transferências ocorrem 
entre entidades públicas de diferentes esferas ou 
entre entidades públicas e instituições privadas;
 z Outras Receitas Correntes: constituem-se pelas 
receitas cujas características não permitam o 
enquadramento nas demais classificações da 
receita corrente, tais como indenizações, restitui-
ções, ressarcimentos, multas previstas em legisla-
ções específicas, entre outras.
Por outro lado, as origens que compõem as Recei-
tas de Capital são:
 z Operações de Crédito: recursos financeiros oriun-
dos da colocação de títulos públicos ou da contra-
tação de empréstimos junto a entidades públicas 
ou privadas, internas ou externas;
 z Alienação de Bens: ingressos financeiros pro-
venientes da venda de bens móveis, imóveis ou 
intangíveis de propriedade do ente público;
 z Amortização de Empréstimos: ingressos finan-
ceiros provenientes da amortização de financia-
mentos ou empréstimos que o ente público haja 
previamente concedido;
Embora a amortização do empréstimo seja origem 
da categoria econômica Receitas de Capital, os juros 
recebidos associados ao empréstimo são classifica-
dos em Receitas Correntes / de Serviços / Serviços e 
Atividades Financeiras / Retorno de Operações, Juros 
e Encargos Financeiros, pois os juros representam a 
remuneração do capital.
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 z Transferências de Capital: recursos financeiros 
recebidos de outras pessoas de direito público ou 
privado destinados a atender despesas com inves-
timentos ou inversões financeiras, independente-
mente da contraprestação direta a quem efetuou 
essa transferência. Por outro lado, a utilização dos 
recursos recebidos vincula-se ao objeto pactuado. 
Tais transferências ocorrem entre entidades públi-
cas de diferentes esferas ou entre entidades públi-
cas e instituições privadas;
 z Outras Receitas de Capital: registram-se nesta 
origem receitas cujas características não permi-
tam o enquadramento nas demais classificações 
da receita de capital, tais como resultado do Ban-
co Central, remuneração das disponibilidades do 
Tesouro, entre outras.
Espécie
A espécie representa um nível de classificação sub-
sequente e vinculado à classificação da origem, per-
mite extrair maiores detalhes acerca do fato gerador 
das receitas. 
Por exemplo, dentro da origem “Contribuições”, 
identificam-se as espécies “Contribuições Sociais”, “Con-
tribuições Econômicas” e “Contribuições para Entidades 
Privadas de Serviço Social e de Formação Profissional”.
Desdobramento para Identificação de Peculiaridades
Foram reservados 4 dígitos para desdobramentos 
com a finalidade de identificar peculiaridades de cada 
receita, caso seja necessário. Desse modo, esses dígitos 
podem ou não ser utilizados conforme a necessidade 
de especificação do recurso.
Tipo
O tipo correspondente ao último dígito na nature-
za de receita e tem a finalidade de identificar o tipo de 
arrecadação a que se refere aquela natureza, sendo:
 z “0”, quando se tratar de natureza de receita não 
valorizável ou agregadora;
 z “1”, quando se tratar da arrecadação Principal da 
receita;
 z “2”, quando se tratar de Multas e Juros de Mora da 
respectiva receita;
 z “3”, quando se tratarde Dívida Ativa da respectiva 
receita; e
 z “4”, quando se tratar de Multas e Juros de Mora da 
Dívida Ativa da respectiva receita.
Assim, todo código de natureza de receita será 
finalizado com um dos dígitos mencionados, e as arre-
cadações de cada recurso – sejam elas da receita pro-
priamente dita, sejam elas de seus acréscimos legais 
– ficarão agrupadas sob um mesmo código, sendo 
diferenciadas apenas no último dígito.
 EXERCÍCIOS COMENTADOS
1. (VUNESP – 2020) As Receitas Correntes
a) aumentam as disponibilidades financeiras do Estado.
b) constituem instrumento para reduzir programas e 
ações orçamentários.
c) não provocam efeito sobre o patrimônio líquido.
d) são arrecadadas dentro do exercício financeiro 
seguinte.
e) são as provenientes da constituição de dívidas.
As Receitas Correntes são aquelas arrecadadas 
dentro do exercício, aumentam as disponibilida-
des financeiras do ente federativo, geralmente com 
efeito positivo sobre o Patrimônio Líquido e são 
utilizadas para financiar os objetivos definidos nos 
programas e ações correspondentes às políticas 
públicas. Resposta: Letra A.
2. (FUNDATEC – 2019) Assinale a alternativa correta em 
relação às características da Receita Pública.
a) As receitas tributárias, bem como as receitas de presta-
ção de serviços, são consideradas extraorçamentárias.
b) As receitas não efetivas constituem-se de ingressos 
de recursos financeiros de natureza orçamentária que 
aumentam o valor do patrimônio líquido público.
c) Em relação ao critério de coercitividade, tem-se que 
as receitas originárias são recursos financeiros prove-
nientes do poder que o Estado possui de exigir uma 
prestação pecuniária sobre o patrimônio, renda e lucro 
dos particulares.
d) A classificação econômica ou de natureza divide a 
receita orçamentária em três categorias: receitas cor-
rentes, receitas de capital e receitas financeiras.
e) Os ingressos financeiros oriundos de operações de 
crédito, alienação de bens e amortização de emprésti-
mos são receitas de capital.
Segundo o Manual de Técnico de Orçamento (2020, 
p. 13), as Receitas de Capital são originadas de ope-
rações de crédito, alienação de bens, amortização 
de empréstimos, transferências de capital e outras 
receitas de capital. Resposta: Letra E. 
ETAPAS E ESTÁGIOS
Estágios da receita pública são as etapas da receita 
orçamentária que podem ser resumidas em: previsão, 
lançamento, arrecadação e recolhimento.
Vamos às explicações de cada etapa:
 z Previsão: a arrecadação da receita deve ser esti-
mada na Lei Orçamentária Anual (LOA), com-
preendendo duas fases distintas:
 � A primeira fase compreende a previsão de 
arrecadação da receita orçamentária constante 
da Lei Orçamentária Anual (LOA), resultante 
das metodologias de projeção usualmente ado-
tadas, observadas as disposições constantes na 
Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), principal-
mente o artigo 12:
Art. 12 As previsões de receita observarão as nor-
mas técnicas e legais, considerarão os efeitos das 
alterações na legislação, da variação do índice de 
preços, do crescimento econômico ou de qualquer 
outro fator relevante e serão acompanhadas de 
demonstrativo de sua evolução nos últimos três 
anos, da projeção para os dois seguintes àquele a 
que se referirem, e da metodologia de cálculo e pre-
missas utilizadas.
A previsão de receitas é a etapa que antecede à 
fixação das despesas que constarão na LOA, além de 
ser base para se estimar as necessidades de financia-
mento do governo.
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 � A segunda fase consiste no lançamento. Segun-
do o art. 53 da Lei nº 4.320/1964, lançamento 
é ato da repartição competente, que verifica a 
procedência do crédito fiscal e a pessoa que lhe 
é devedora e inscreve o débito desta. Por outro 
lado, nos termos do art. 142 do Código Tribu-
tário Nacional, lançamento é o procedimento 
administrativo tendente a verificar a ocorrên-
cia do fato gerador da obrigação corresponden-
te, determinar a matéria tributável, calcular o 
montante do tributo devido, identificar o sujei-
to passivo e, sendo caso, propor a aplicação da 
penalidade cabível. 
 Assim, pode ser dito que o lançamento refe-
re-se à atividade estatal de escrituração dos 
futuros débitos dos contribuintes de impostos 
diretos, cotas ou contribuições prefixadas ou 
decorrentes de outras fontes de recursos, efe-
tuados pelos órgãos competentes que verificam 
a procedência do crédito a natureza da pessoa 
do contribuinte quer seja física, quer seja jurí-
dica e o valor correspondente à respectiva esti-
mativa. Enfim, o lançamento é a legalização da 
receita pela sua instituição e a respectiva inclu-
são no orçamento.
 z Arrecadação: corresponde à entrega, realiza-
da pelos contribuintes ou devedores, aos agentes 
arrecadadores ou bancos autorizados pelo ente, 
dos recursos devidos ao Tesouro. Assim, quando o 
contribuinte vai ao banco pagar o boleto do IPTU, 
por exemplo, ocorre a arrecadação. 
 Vale destacar que, segundo o art. 35 da Lei nº 
4.320/1964, pertencem ao exercício financeiro 
as receitas nele arrecadadas, o que representa 
a adoção do regime de caixa para o ingresso das 
receitas públicas. 
 A arrecadação ocorre somente uma vez, sendo 
seguida pelo recolhimento. Quando um ente arre-
cada para outro ente, cumpre-lhe apenas entregar-
-lhe os recursos pela transferência dos recursos, 
não sendo considerada arrecadação, quando do 
recebimento pelo ente beneficiário.
 z Recolhimento: é a transferência dos valores arre-
cadados à conta específica do Tesouro, responsá-
vel pela administração e controle da arrecadação 
e programação financeira, observando o Princí-
pio da Unidade de Caixa representado pelo con-
trole centralizado dos recursos arrecadados em 
cada ente, conforme previsto no art. 56 da Lei nº 
4.320/1964:
Art. 56 O recolhimento de todas as receitas far-se-
-á em estrita observância ao princípio de unidade 
de tesouraria, vedada qualquer fragmentação para 
criação de caixas especiais.
Os estágios da receita pública estão dispostos con-
forme a ordem cronológica em que ocorrem os fenô-
menos econômicos. Esses estágios são estabelecidos 
levando-se em consideração o modelo do orçamento 
brasileiro. Assim, a ordem inicia com a previsão e ter-
mina com o recolhimento.
DÍVIDA ATIVA
Dívida ativa é a denominação que se dá ao con-
junto de créditos tributários e não tributários em 
favor da Fazenda Pública que não foram pagos no 
prazo devido e, por isso, inscritos pelo órgão ou enti-
dade competente, após a devida apuração de liquidez 
e certeza. 
Assim, é considerada uma fonte potencial de 
entrada no Caixa do Tesouro e é reconhecida contabil-
mente no ativo. Não se deve confundir a dívida ativa 
com a dívida pública, uma vez que esta representa as 
obrigações do ente público com terceiros e é reconhe-
cida contabilmente no passivo.
O art. 39 da Lei nº 4.320/1964 dispõe:
Art. 39 Os créditos da Fazenda Pública, de nature-
za tributária ou não tributária, serão escriturados 
como receita do exercício em que forem arrecada-
dos, nas respectivas rubricas orçamentárias.
§ 1º - Os créditos de que trata este artigo, exigíveis 
pelo transcurso do prazo para pagamento, serão 
inscritos, na forma da legislação própria, como 
Dívida Ativa, em registro próprio, após apurada a 
sua liquidez e certeza, e a respectiva receita será 
escriturada a esse título.
[...]
Dívida Ativa Tributária é o crédito da Fazenda 
Pública decorrente de créditos tributários não pagos 
pelos contribuintes, e incluem os respectivos adicio-
nais e multas. Por outro lado, a Dívida Ativa não Tri-
butária são os demais créditos da Fazenda Pública, 
como aqueles provenientes de empréstimos compul-
sórios, contribuições estabelecidas em lei, multa de 
qualquer origem ou natureza, exceto as tributárias, 
foros, laudêmios, aluguéis ou taxas de ocupação, 
custas processuais, preços de serviços prestados por 
estabelecimentos públicos, indenizações, reposições,restituições, alcances dos responsáveis definitiva-
mente julgados, bem assim os créditos decorrentes de 
obrigações em moeda estrangeira, de sub-rogação de 
hipoteca, fiança, aval ou outra garantia, de contratos 
em geral ou de outras obrigações legais.
Deste modo, verificado o não recebimento do cré-
dito no prazo de vencimento, cabe ao órgão ou enti-
dade de origem do crédito encaminhá-lo ao órgão ou 
entidade competente para sua inscrição em dívida 
ativa, com observância dos prazos e procedimentos 
estabelecidos.
A inscrição do crédito em dívida ativa configura 
fato contábil permutativo (não aumenta o Patrimô-
nio Líquido do ente público).
DESPESA PÚBLICA
CONCEITO 
Como já vimos, a atividade estatal está vinculada 
ao dispêndio de recursos com o objetivo de satisfazer 
às necessidades sociais, sendo que esses dispêndios 
devem obedecer às decisões deliberadas e estabeleci-
das no âmbito do Poder Legislativo, por meio da Lei 
Orçamentária Anual (LOA).
Assim, o orçamento, que é um instrumento de pla-
nejamento de qualquer entidade, seja pública ou pri-
vada, uma vez que representa o fluxo de ingressos e 
aplicação de recursos em determinado período, para 
358
o setor público, passa a ser de vital importância, pois é 
a LOA que fixa a despesa pública autorizada para um 
exercício financeiro. 
A despesa orçamentária pública é o conjunto de 
dispêndios realizados pelos entes públicos para o fun-
cionamento e manutenção dos serviços públicos pres-
tados à sociedade.
Em termos de importância, a despesa pública 
demanda mais atenção da sociedade, uma vez que o 
gasto desordenado pode implicar desequilíbrio orça-
mentário e afetar a saúde financeira do Estado por 
muitos anos. Além disso, em um país como o Bra-
sil, com tanta desigualdade social, é natural que as 
demandas por ações do governo superem os recursos 
disponíveis. Ou seja, políticas populistas que procu-
rem atender todas as demandas da sociedade podem 
não ser factíveis, uma vez que a realidade das receitas 
públicas limita as despesas públicas.
Os dispêndios, assim como os ingressos, são tipifi-
cados em orçamentários e extraorçamentários.
Nos termos do art. 35 da Lei nº 4.320/1964:
Art. 35 Pertencem ao exercício financeiro:
I - as receitas nêle arrecadadas;
II - as despesas nêle legalmente empenhadas.
Portanto, despesa orçamentária é toda transa-
ção que depende de autorização legislativa, na forma 
de consignação de dotação orçamentária, para ser 
efetivada.
Dispêndio extraorçamentário é aquele que não 
consta na lei orçamentária anual, compreendendo 
determinadas saídas de numerários decorrentes de 
depósitos, pagamentos de restos a pagar, resgate de 
operações de crédito por antecipação de receita e 
recursos transitórios.
Além do conceito acima, é necessário saber que, 
para fins contábeis, a despesa orçamentária pode ser 
classificada quanto ao impacto na situação patrimo-
nial líquida em:
 z Despesa Orçamentária Efetiva: é aquela que, no 
momento de sua realização, reduz a situação líqui-
da patrimonial da entidade. Constitui fato contá-
bil modificativo diminutivo. A despesa corrente, 
geralmente, é uma despesa orçamentária efetiva, 
como, por exemplo, pagamento de salários de fun-
cionários públicos. Entretanto, é necessário tomar 
cuidado, pois existem casos de despesas correntes 
não efetivas, como, por exemplo, a despesa com 
a aquisição de materiais para estoque e a despe-
sa com adiantamentos, que representam fatos 
permutativos;
 z Despesa Orçamentária Não Efetiva: é aquela que, 
no momento da sua realização, não reduz a situa-
ção líquida patrimonial da entidade. Constitui fato 
contábil permutativo. Geralmente, as despesas de 
capital se enquadram como despesa orçamentária 
não efetiva, entretanto, há despesas de capital que 
são efetivas como, por exemplo, as transferências de 
capital, que causam variação patrimonial diminuti-
va e, por isso, classificam-se como despesa efetiva.
CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO A NATUREZA
Como já dissemos no tópico anterior, a saúde 
financeira do ente federativo está intimamente ligada 
ao controle da despesa pública, assim é natural que 
ela seja analisada de várias formas. Nesse sentido, o 
instrumento legal que orienta a classificação da des-
pesa pública é o Manual Técnico de Orçamento (MTO), 
editado pela Secretaria de Orçamento Federal (SOF), 
juntamente com o Manual de Despesa Nacional e o 
Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público.
Existem diversas classificações que você precisa 
conhecer, pois este assunto é bastante cobrado nos 
concursos públicos. Tentaremos facilitar e esque-
matizar as classificações para que você possa enten-
der melhor e, mais importante, acertar as questões. 
Vamos lá?
ESTRUTURA DA PROGRAMAÇÃO ORÇAMENTÁRIA
Segundo o Manual Técnico de Orçamento (2020, p. 23):
A compreensão do orçamento exige o conhecimento 
de sua estrutura e sua organização, implementadas 
por meio de um sistema de classificação estrutu-
rado. Esse sistema tem o propósito de atender às 
exigências de informação demandadas por todos 
os interessados nas questões de finanças públicas, 
como os poderes públicos, as organizações públicas 
e privadas e a sociedade em geral.
Complicado? A definição acima quer dizer que a 
classificação da despesa leva em conta a estrutura da 
organização onde ela será aplicada, classificando-a 
tanto no aspecto organizacional quanto no aspecto 
orçamentário/financeiro. Segundo o Manual Técnico 
de Orçamento (2020, p.23), “o orçamento público está 
organizado em programas de trabalho, que contêm 
informações qualitativas e quantitativas, sejam físicas 
ou financeiras”.
Vamos primeiro analisar as informações qualitati-
vas, quais sejam: classificação por esfera orçamentá-
ria, classificação institucional, classificação funcional 
e classificação programática. E, em seguida, passare-
mos a analisar as informações quantitativas: IDOC, 
IDUSO, Fonte de Recursos, Natureza da Despesa e 
Identificador de Resultado Primário.
Classificação Qualitativa
A classificação qualitativa está ligada ao tipo de 
orçamento praticado no Brasil, que é o Orçamento 
Programa, o qual está relacionado ao planejamento e 
expressa o compromisso das ações do governo com a 
sociedade. Segundo o Manual Técnico de Orçamento 
(2020, p. 23)
O programa de trabalho, que define qualitativa-
mente a programação orçamentária, deve res-
ponder, de maneira clara e objetiva, às perguntas 
clássicas que caracterizam o ato de orçar, sendo, do 
ponto de vista operacional, composto dos seguin-
tes blocos de informação: classificação por esfera, 
classificação institucional, classificação funcional, 
estrutura programática e principais informações 
do Programa e da Ação.

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