Esta é uma pré-visualização de arquivo. Entre para ver o arquivo original
Boa tarde a todos. Agradeço a presença da banca e o interesse em minha pesquisa. Hoje, estou aqui para compartilhar a minha tese intitulada ‘Um instrumento para análise de atividades de Livros Didáticos de Ciências da Natureza’. Bom o desejo por essa pesquisa nasceu no fim da minha graduação quando me interessei pela educação em ciencias e procurei buscar mais sobre como essa disciplina é trabalhada nos anos iniciais e atraves do meu tcc vi que muitos professores se apoiam sobre o livro didatico, então nasceu em mim a necessidade de entender como esse livro pode ser utilizado em sala de aula e quais contribuições ele pode trazer. INICIANDO NOSSA TEMÁTICA Bom A ciência busca desvendar os mistérios da natureza e entender o universo, ampliando nossa interação com o mundo. No Brasil, nos últimos 30 anos, vimos movimentos pedagógicos inovadores no ensino de ciências, como os PCNs, o RCNEI e a BNCC. Essas iniciativas trazem práticas educacionais novas, promovendo a alfabetização e a investigação científica. A BNCC, por exemplo, define o letramento científico como a habilidade de entender e transformar o mundo com base em conhecimentos científicos. Ela propõe um ensino que vai além da transmissão de informações, desenvolvendo habilidades práticas, conceituais e valores como sustentabilidade e cidadania responsável. .Muitas dessas ideias dos movimentos curriculares podem ir pra sala se aula por meio do livro didático.O livro didático, muitas vezes, desempenha um papel central na prática docente, organizando o trabalho pedagógico em sala de aula. Por isso, é essencial pesquisar o ensino de ciências e como ele se desenvolve na prática. REFERENCIAL TEORICO Para fundamentar o trabalho divivimos em duas seções sendo ela: Parte I: Alfabetização Científica, Letramento Científico e Ensino por Investigação, esse capitulo foi dividido em 4 capítulo no qual no primeiro momento discorremos sobre: Subcapítulo 2.1: - Sentidos e Significados dos termos Alfabetização Científica e Letramento Científico Nele exploramos a distinção fundamental entre "alfabetização científica" e "letramento científico” em que noo termo alfabetização cientifica foi entendida como ato de ler e escrever no contexto da ciência. Com o tempo, evoluiu para incluir a compreensão crítica e a aplicação de princípios científicos em situações cotidianas (Martins, 2020). Mas focava mais no domínio de conceitos e informações científicas básicas, para fornecer conhecimento científico (Cunha, 2017). Já o letramento na literatura sugere uma compreensão mais ampla das relações entre ciência e sociedade, incluindo a capacidade de interpretar e aplicar informações científicas de maneira crítica e reflexiva (Bertoldi, 2020), que vai além da mera aquisição de conhecimentos, enfatizando a prática social e a participação ativa na sociedade (Santos, 2007). A escolha entre os termos, nós consideramos a perspectiva freiriana que alfabetizar é mais que ler e escrever. porque a alfabetização cientifica promove a capacidade dos indivíduos de compreender e interpretar informações científicas em diversas situações, contribuindo para sua participação ativa na sociedade do conhecimento (Freire, 1998 ) Para Freire, a leitura do mundo precede a leitura das palavras, e é esse processo dialógico que capacita o sujeito a ser um pensador crítico, transformador e um ser histórico e social. em um Subcapítulo 2.2: A Alfabetização Científica e o Letramento Científico presente na BNCC Em um segundo momento verificamos como esses termos são descritos na bncc, principal documento norteador na educação. E lá encontramos o termo "Letramento Científico" isso significa que estamos indo além do ensino de conceitos científicos isolados. A BNCC defende que o Letramento Científico deve ser desenvolvido ao longo de toda a Educação Fundamental e preza que os alunos tenham acesso a uma ampla variedade de conhecimentos científicos, É aqui que os termos "Alfabetização Científica" e "Letramento Científico" se complementam. Ambos visam formar cidadãos que possam compreender o mundo de maneira crítica e, mais importante, que possam usar o conhecimento científico para transformar o mundo ao seu redor. No entanto, temos desafios significativos na implementação dessas diretrizes pois muitos professores acreditam que a Ciência deve ser introduzida apenas nos anos finaise e. Subcapítulo 2.3: A alfabetização científica nos anos iniciais No terceiro subcapitulo nos abordamos a alfabetização científica nos anos iniciais E partimos da premissa que é um componente fundamental na educação das crianças. Ela permite que as crianças compreendam o mundo desde cedo. Ela permite que as crianças interpretem e compreendam o mundo por meio da exploração, curiosidade e questionamento. E ao despertar a curiosidad econtibui para a capacidade de analisar criticamente o ambiente ao redor de maneira mais lúdica, e desenvolvimento do pensamento científico.. Essa perspectiva encontra apoio em autores como Fleer e Hardy (2019), que ressaltam que a alfabetização científica na infância deve cultivar uma mentalidade investigativa, proporcionando oportunidades para as crianças explorarem e fazerem perguntas desde os primeiros anos de vida. E no último subcapítulo discorremos sobre a abordagem do: E no último subcapítulo abordamos: 2.4 O Ensino de Ciências por Investigação como processo de promoção de alfabetização científica No Brasil, as Diretrizes Curriculares Nacionais e a Base Nacional Comum Curricular, em geral ols documentos norteadores incentivam o ensino de ciências por investigação. Isso coloca o aluno no centro da aprendizagem, desenvolvendo a autonomia, habilidades de resolução de problemas e aprofundando a compreensão das ciências. Essa abordagem vai além da memorização de fatos. Ela envolve explorar, questionar, planejar, coletar dados, interpretar resultados e construir explicações teóricas. O ensino não se limita a conceitos, mas também abrange processos e produtos científicos. Em nossa perspectiva, promovemos a investigação como uma abordagem que os professores podem usar no dia a dia. Não há um roteiro único; o segredo está na curiosidade do aluno, no papel do professor como facilitador e nas atividades centradas no aluno. Parte II: O Livro Didático No segundo capítulo falamos sobre o livro didático, principal ferramenta de pesquisa no nosso trabalho, dividimos em 2 capitulos sendo o primeiro: Subcapítulo 2.1: O Papel do Livro Didático na Educação e no Ensino de Ciências Os livros didáticos desempenham um papel crucial na sala de aula pois ele oferece uma estrutura organizada e uma variedade de estratégias de ensino e têm a capacidade de esclarecer conceitos complexos, tornando-os acessíveis a alunos de diferentes níveis. O Programa Nacional do Livro Didático, do Ministério da Educação, é uma iniciativa que visa a distribuição gratuita dos livros didáticos para todo o país, e os critérios do PNLD de avaliação incluem respeito à legislação, coerência pedagógica e atualização de conceitos. Os autores Gonçalves e Oliveira enfatizam que os livros são fontes consistentes de conhecimento, revisadas por especialistas, auxiliando professores com estratégias e atividades práticas. O livro deixou de ser uma fonte estática e se tornou um ponto de partida para investigação ativa. No entanto, é fundamental que os professores desempenhem um papel ativo na avaliação crítica dos livros, adaptando-os às necessidades de seus alunos. Eles devem complementar e adaptar os livros, superando suas limitações. Uma proposta é analisar criticamente os livros, definir a ordem de leitura, destacar conceitos e estabelecer relações com o cotidiano. Subcapítulo 2.2: Avaliação de Livro Didático Na ultima seção discutimos a importância da avaliação de livros didáticos na educação em Ciências. Libâneo enfatiza que os livros oferecem uma base sólida para o ensino, mas sua análise deve incluir a adequação dos conteúdos à realidade dos alunos e ao contexto escolar. Ou seja a necessidade de pensar a realidade de cada sala de aula. Candau destaca a importância de uma avaliação que considere a perspectiva cultural e social, garantindo que os livros reflitam a diversidade de realidades e saberes presentes na sociedade. Nóvoa nessa perspectiva de avaliação diz sobre a importancia da formação dos professores na capacidade de avaliar criticamente os materiais educacionais, incluindo os livros. A avaliação é vista como uma prática reflexiva. Além disso os livros devem ser analisados não apenas em relação aos conteúdos, mas também às atividades propostas, que devem promover a investigação e a reflexão dos alunos. Em resumo, o livro didático desempenha um papel essencial na educação em Ciências, mas é fundamental que os professores avaliem criticamente esses materiais, adaptando-os às necessidades dos alunos. Surge a partir deste contexto nosso problema de pesquisa: Como um instrumento de análise de atividades de livros didáticos pode auxiliar o professor na seleção de atividades promovendo um ensino comprometido com o processo de alfabetização científica dos estudantes? OBJETIVO Essa pesquisa apresenta como objetivo central analisar contribuições que um instrumento para análise de atividades de livros didáticos pode oferecer ao professor para auxiliá-lo na seleção de atividades para compor um planejamento de ensino comprometido com o processo de alfabetização científica dos estudantes. Esse instrumento é o recurso educacional que propus ao promestre, para construi-lo Focamos nos conceitos mais importantes ao nosso objeto de estudo: ensino por investigação e alfabetização científica METODOLOGIA Essa pesquisa é qualitativa e interpretativa (Erickson, 1998), utilizamos a Análise de Conteúdo para descrever e interpretar o conteúdo das atividades propostas nos livros didáticos. A análise de conteúdo, como delineada por Bardin, oferece uma estrutura sistemática e rigorosa para extrair significados e padrões de dados textuais, incluindo textos, discursos e documentos. Através da análise de conteúdo, buscamos desvendar as complexidades das práticas pedagógicas e do processo de ensino-aprendizagem. Queremos entender como os materiais educacionais, em particular os livros didáticos, influenciam a compreensão dos alunos e como esses materiais se relacionam com a promoção da aprendizagem significativa. A partir dessas considerações, desenvolvemos um instrumento para auxiliar os professores na seleção de atividades diversificadas com características investigativas que possam contribuir para a alfabetização científica dos alunos.De acordo com Alexandre e Coluci (2011), o desenvolvimento de instrumentos deve englobar três fases: identificação dos domínios, formação dos itens e construção do instrumento. Fase de Identificação dos Domínios: Na fase de identificação dos domínios, buscamos estratégias metodológicas que apresentavam contribuições para a potencialização da alfabetização científica nas aulas de ciências. Segundo Sasseron (2008) e Sá, Lima e Aguiar (2011), essas estratégias devem favorecer um ambiente investigativo, motivando os alunos a refletir, analisar, discutir, elaborar hipóteses, organizar recursos para comprovar ou refutar hipóteses e sugerir soluções de problemas. Este envolvimento ativo no processo de aprendizagem contribui para o desenvolvimento das habilidades necessárias para a alfabetização científica. O ensino por investigação, portanto, configura-se como uma abordagem metodológica com potencial significativo para promover a alfabetização científica (Almeida; Sasseron, 2013). Fase de Formação dos Itens: Para formar os itens, utilizamos o suporte de Sá, Lima e Aguiar (2011), identificamos características investigativas em atividades de ensino e aprendizagem. Estas características incluem a apresentação de situações-problema, o estímulo ao debate e argumentação, a obtenção e avaliação de evidências, a aplicação e avaliação de teorias científicas e a consideração de múltiplas interpretaçõe. Essas características investigativas não precisam estar presentes simultaneamente em todas as atividades, mas podem ser distribuídas conforme a atividade foque habilidades específicas, como planejamento ou desenvolvimento de argumentos. Construção do Instrumento: Para a construção do instrumento, utilizamos um quadro proposto pela APEC (2011) para classificar as atividades de ensino-aprendizagem segundo sua natureza e finalidade. Esse quadro foi selecionado por sua premissa de considerar os estudantes como sujeitos ativos no processo de ensino e aprendizagem. Acreditamos que a diversificação das atividades é crucial para quebrar a rotina e manter o interesse dos alunos, e que atividades com caráter investigativo têm grande potencial para promover a alfabetização científica. A partir dai elaboramos os três quadros independentes, mas interligados: Quadro 1: Tipos de atividades que podem ser encontradas nos livros didáticos de ciências: O quadro um apresenta vários tipos de atividades que podem ser encontradas nos livros didáticos de Ciências. Quadro 2: Objetivos que as atividades podem apresentar que contribuem para o processo de alfabetização científica.como problematizar, levantar conhecimentos prévios, desenvolver pensamento crítico, exemplificar, articular informações, avaliar, usar informações. Quadro 3: Ações que os estudantes poderão realizar durante o desenvolvimento das atividades, com verbos ou expressões relacionadas às ações. Esse quadro foi proposto por Paula e delimita as ações específicas que os estudantes podem realizar. IV. 2 Processo de validação do Instrumento Normalmente, a validação de um instrumento de pesquisa é crucial para garantir sua precisão e confiabilidade. A validação pode envolver diversas etapas, como a validação de conteúdo por especialistas, validação do método por um grupo de revisão, validação do constructo e testes piloto. Devido ao curto prazo para a conclusão do curso e outros fatores, optamos por um teste piloto para validar o instrumento. Selecionamos a coleção "Buriti Mais – Ciências" da Editora Moderna LTDA, adotada nas 24 escolas de Ibirité em 2023, para realizar um teste piloto. Analisamos todas as atividades do livro do 5º ano, refletindo sobre as contribuições do instrumento para auxiliar professores na seleção de atividades investigativas que promovam a alfabetização científica. A estrutura da Coleção "Buriti Mais – Ciências" é organizada em quatro unidades, que são subdivididas em 3 a 6 capítulos. Cada unidade inclui atividades antes, durante e após cada capítulo, proporcionando uma abordagem abrangente do conteúdo.As seções da Coleção "Buriti Mais – Ciências" de acordo com a editora são projetadas para promover o ensino por investigação e a alfabetização científica, bem como o desenvolvimento de competências e habilidades de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Procedimentos Transportamos os três quadros para uma planilha de Excel, com as colunas identificando as atividades, objetivos e ações dos estudantes. À medida que analisávamos as atividades, marcávamos os objetivos e ações correspondentes, facilitando a revisão e a identificação de características investigativas. O nosso material de análise é a obra didática Buriti Mais Ciências composta por cinco livros destinados aos estudantes do ensino fundamental I. Contudo, o nosso interesse foi analisar as atividades propostas nos livros didáticos. Mas se analisássemos as atividades dos cinco livros, teríamos um volume grande de dados. Por isso, optamos por analisar apenas as atividades de um dos livros da coleção, o volume 5 destinado aos alunos do 5º ano. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS Esse é o instrumento Na coluna A, escrevi o nome das seções onde cada atividade estava inserida. Na coluna B, descrevi o título da atividade, assim como estava escrito no livro. Na coluna C, identifiquei o número da página do livro que a atividade estava localizada. Na coluna D identifiquei os diferentes tipos de atividades propostas. Nas colunas de E a N, identifiquei os objetivos que consegui identificar em cada uma das atividades. Por fim, na coluna O escrevi as ações que os estudantes podem realizar ao desenvolver as atividades. Ao todo identificamos quarenta e cinco tipos diferentes de atividades, na qual agrupamos em 12 tipos de atividades V.1 - Tipos e objetivos Gerais das atividades coleção "Buriti Mais - Ciências" Para identificar e analisar as atividades, percorremos todas as propostas no livro utilizando uma planilha Excel, onde categorizamos as atividades em 12 tipos principais: 1. Atividades Objetivas: Envolvem exercícios de respostas claras, como verdadeiro ou falso, múltipla 2. Atividades Artísticas: Incluem desenho, pintura e outras formas de expressão criativa. 3. Autoavaliação e Avaliação da Aprendizagem: Promovem a reflexão e análise do próprio aprendizado. 4. Organização e Categorização: Envolvem a classificação e ordenação de informações. 5. Análise e Interpretação: Requerem a compreensão e interpretação de informações apresentadas. 6. Atividades Práticas: Incluem experimentos e investigações diretas. 7. Identificação e Análise: Envolvem a compreensão e análise de elementos específicos. 8. Comunicação: Incluem discussões, debates e apresentações. 9. Expressão e Registro: Envolvem discussões em grupo e produção de textos. 10. Aplicação do Conhecimento: Permitem a aplicação prática dos conceitos aprendidos. 11. Pesquisa: Estimulam a busca e análise de informações para resolver problemas específicos. 12. Visualização de Dados: Envolvem a representação gráfica ou tabular de informações. Panorama dos Tipos de Atividades do livro 5° ano Identificamos ao todo um total de 71 atividades De maneira geral, podemos dizer que o livro analisado possui uma boa diversidade de atividades, aparecem mais atividades práticas (19), de comunicação (13) de expressão e registro (10), e atividades de análise e interpretação (7). Um exemplo desse tipo de atividade mais proposto no livro é as práticas experimentais e construções de modelos denominada como atividades práticas, Na página 34 e 35 temos o experimento “Como testar o magnetismo?”. Nesta atividade prática, os estudantes devem elaborar um experimento para testar o magnetismo e depois colocá-lo em prática. Essa atividade é interessante, pois não trata do experimento pronto, mas sim de uma proposta de construção de experimento, tendo que estruturar uma prática com a problematização, os materiais, passo a passo, depois testar e avaliar se o experimento funcionou. Esse tipo de atividade desenvolve habilidades investigativas, os alunos também planejam e organizam a estrutura do experimento, incluindo a definição dos materiais e o passo a passo. Além disso, incentiva a análise crítica dos resultados e a capacidade de resolver problemas que possam surgir durante o processo, esse tipo de atividade engajam os alunos ativamente podendo contribuir para o processo de alfabetização científica. V. 2- Objetivos específicos de cada tipo de Atividades da Coleção "Buriti Mais – Ciências” 1. Problematizar (Coluna E):Estimula os alunos a identificar e refletir sobre questões complexas. 2. Levantar Conhecimentos Prévios (Coluna F):Reforça a conexão entre conhecimentos prévios e novos conceitos. 3. Valorizar Debate e Argumentação (Coluna G):Desenvolve pensamento crítico e habilidades de argumentação. 4. Articular Ideias e Informar (Coluna H):Promove compreensão integrada e comunicação clara. 5. Obter e Avaliar Evidências (Coluna I):Capacita os alunos a fundamentar conclusões em dados empíricos. 6. Aplicar Teorias Científicas (Coluna J):Estimula a aplicação prática de conceitos científicos. 7. Promover Conclusão e Síntese (Coluna K):Consolida o entendimento e a aplicação dos conceitos estudados. 8. Comunicar Resultados (Coluna L):Desenvolve habilidades de comunicação escrita e visual. 9. Ler em Ciências (Coluna M):Fortalece a interpretação de dados e informações visuais. 10. Escrever em Ciências (Coluna N):Incentiva a escrita científica e a análise crítica. O objetivo de articular ideias e informar é promover a conexão entre conceitos, temas e a realidade dos alunos. A atividade na página 151, questão 2, sobre “As mulheres na astronomia”, pede que os alunos discutam se ciência é "coisa de mulher", situações de preconceito contra mulheres e como combatê-lo. Essa discussão incentiva a comunicação clara e fundamentada, além de analisar barreiras sociais e culturais que impactam a igualdade de gênero. O exercício desenvolve habilidades de argumentação, promove a alfabetização científica e destaca a importância da diversidade na ciência, levando os alunos a reconhecer a necessidade de uma comunidade científica mais equitativa e a pensar em estratégias para promover a participação feminina em todas as áreas. Objetivos mais frequentes: "Articular ideias e informar" (116), "Valorizar o debate e argumentação" (80), "Levantar conhecimentos prévios" (59), e "Obter e avaliar evidências" (57). Menos frequentes: "Escrever em Ciências" (26), "Ler em Ciências" (20), e "Comunicar resultados" (19). Com isso percebemos uma abordagem equilibrada e diversificada no ensino de Ciências. O destaque para a articulação de ideias e a valorização do debate sugere um ensino colaborativo e crítico. Atividades de leitura, escrita e comunicação, embora menos frequentes, são essenciais para o desenvolvimento completo das competências científicas dos alunos. V.3 - Atividades e ações que estudantes poderão desenvolver nas atividades da seção “Investigar o assunto” No livro do 5° ano da coleção “Buriti Mais – Ciências”, encontramos quatro atividades chamadas “Investigar o assunto”, uma em cada capítulo, todas experimentais. Vamos analisar a primeira atividade, "Conhecer o próprio lixo", que está no início da Unidade 1, logo após a página de abertura. Essa atividade é investigativa e prática, incentivando pesquisa e debate, promovendo ações de alfabetização científica. Os alunos refletem sobre o lixo que produzem diariamente, investigam os resíduos da sala de aula em grupo, coletam e analisam dados, e comunicam os resultados com tabelas e cartazes. Os alunos se envolvem em várias ações, como: Colaboração: Trabalho em grupo que promove cooperação. Observação e Classificação: Identificação e registro dos resíduos. Comunicação: Troca de informações e apresentação de resultados. Organização e Síntese: Estruturação clara das informações. Pesquisa e Pensamento Crítico: Busca por fontes confiáveis e análise crítica dos dados. Reflexão e Proposição: Discussão sobre o impacto ambiental e sugestões de redução de resíduos. Essa atividade desenvolve a alfabetização científica ao engajar os alunos em práticas científicas autênticas, como a observação, a coleta de dados e a análise crítica, além de estimular a conscientização sobre o impacto ambiental. Assim, eles aprendem não apenas sobre o lixo, mas também adquirem habilidades essenciais para o aprendizado e a cidadania. V.4 – Refletindo acerca do potencial do instrumento de análise de atividades de livro didático para o planejamento de ensino com o foco na alfabetização científica O instrumento desenvolvido ajuda professores a selecionar atividades que promovam a interação dos alunos com os conteúdos curriculares e a alfabetização científica, destacando a importância de ações ativas dos alunos. A análise de atividades investigativas e experimentais mostra que essas práticas incentivam reflexão, debate e colaboração. O instrumento permite mapear diferentes tipos de atividades nos livros didáticos, ajudando a escolher as mais adequadas para os objetivos de ensino, tornando as aulas mais dinâmicas e motivadoras. Ao utilizar o instrumento, os professores podem planejar estratégias que estimulam a participação ativa e o engajamento dos alunos. As atividades investigativas desenvolvem habilidades essenciais como questionar, analisar evidências, argumentar e comunicar cientificamente. Essa abordagem amplia o entendimento dos conteúdos científicos e fortalece o pensamento crítico e a resolução de problemas. A alfabetização científica envolve a compreensão de conceitos científicos e tecnológicos, permitindo a participação ativa na cultura científica e trazendo benefícios pessoais, sociais e culturais. O instrumento, ao integrar conteúdos curriculares e ações dos estudantes, promove uma aprendizagem dinâmica e significativa, capacitando os alunos a entender e participar das questões científicas e tecnológicas da sociedade. CONCLUSÃO DO PROJETO Nosso objetivo foi criar uma ferramenta que auxiliasse os professores na escolha de atividades que não apenas ensinassem conteúdo, mas também engajassem os alunos de forma significativa com os objetos do conhecimento. Afinal, aprendizagem não é apenas absorver informações passivamente, mas sim interagir ativamente com o conteúdo. Esse mapeamento que fizemos permitiu aos professores uma visão ampla das possibilidades oferecidas pelo livro, facilitando a seleção das atividades mais adequadas para alcançar seus objetivos pedagógicos. Nosso instrumento não se limitou a categorizar as atividades, mas também considerou como cada uma poderia ser utilizada em diferentes contextos de ensino. Por exemplo, uma atividade prática poderia ser usada para introduzir um novo conceito ou como um problema para aplicação de conhecimentos prévios discutidos em sala de aula. Além disso, focamos em atividades que promovessem o pensamento crítico dos alunos, como questionar, analisar evidências e argumentar suas opiniões. Estas habilidades não apenas fortalecem o entendimento dos conceitos científicos, mas também preparam os estudantes para participarem ativamente da sociedade moderna. Ao usar nosso instrumento, os professores podem não só selecionar atividades, mas também planejar estrategicamente como cada uma poderia contribuir para a aprendizagem dos alunos. Isso não apenas diversifica o processo educacional, mas também o torna mais rico em oportunidades para a construção de significados e desenvolvimento de habilidades científicas. Em resumo, nosso estudo destacou a importância de um planejamento de ensino dinâmico e adaptável, onde o professor pode utilizar ferramentas como a nossa para promover uma alfabetização científica eficaz. Este trabalho não só enfatizou a relevância do livro didático como recurso pedagógico central, mas também abriu caminho para investigações futuras sobre diferentes coleções didáticas e validação do nosso instrumento junto aos educadores. Acredito que essa abordagem não só fortalece a prática pedagógica, mas também contribui significativamente para a formação de cidadãos críticos e informados. Obrigado pela atenção!