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IDENTIDADE VISUAL AULA 1 Prof.ª Eliza Sawada Timm 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, apresentaremos conceitos, definições e exemplos iniciais sobre identidade visual. O conteúdo está estruturado por: introdução ao conteúdo, desenvolvimento histórico, logotipo, símbolo e marca, marketing e branding. Assim, com base nesses conteúdos, temos o objetivo de compreender os conceitos e as bases da identidade visual. CONTEXTUALIZANDO O ser humano é um ser visual. As cores, formas e texturas se combinam para informar, entreter e muitas vezes nos faz rir ou chorar. Todas as imagens percebidas pelos nossos olhos são imediatamente percebidas, decodificadas e interpretadas pelo nosso cérebro. Quanto maior for o nosso repertório de conhecimento, maior será a nossa decodificação e compreensão do mundo em que vivemos. Os símbolos, logotipos e ícones fazem parte do nosso dia a dia desde o momento que acordamos até o momento em que deitamos – em nossos smartphones, embalagens, computador, internet, placas, TVs, revistas, entre outros meios de comunicação. E é justamente sobre isso que vamos conversar em nossas aulas, como utilizar as formas de comunicação visual de forma clara, objetiva e sistematizada. Então vamos lá! TEMA 1 – O QUE É IDENTIDADE VISUAL Em design, o termo Identidade Visual diz respeito aos elementos visuais que representam um produto ou serviço como um logotipo, símbolo ou cores. A identidade visual da Coca-Cola, por exemplo, é composta pelo logotipo e pelo símbolo, que é o desenho de uma onda branca sobre um fundo vermelho e até mesmo por sua embalagem característica. Para a Tiffany & Co., tão importante quanto o logotipo é a sua cor azul, inclusive o tom de azul utilizado pela marca é conhecido como Azul Tiffany. Desse modo, tanto o logotipo como a cor fazem parte da identidade visual da marca. 3 Desde a antiguidade, as marcas visuais eram utilizadas como elemento de identificação. Historicamente, podemos encontrar esses elementos em todas as civilizações, em forma de bandeiras, brasões, carimbos, selos, entre outros (Figuras 1, 2, 3 e 4). Figura 1 – Brasão Europeu Créditos: Moloko88/Shutterstock. Figura 2 – Brasão Oriental Créditos: vectorfreak/Shutterstock. O exlibris é um carimbo utilizado para identificar livros pertencentes a uma coleção individual. É uma forma de dizer que “este livro pertence a”. O exlibris é individual e único para cada pessoa. Figura 3 – Exlibris Créditos: Daria_I/Shutterstock. 4 Outro exemplo ainda é a marcação do gado, em inglês branding iron, que é uma forma de identificar o proprietário do gado. Inclusive vocês irão ouvir bastante o termo branding nas áreas do design, marketing, publicidade e administração de negócios. De forma bem resumida, o branding é um projeto mais completo, que engloba não só a identidade visual da marca, mas toda a sua arquitetura, forma de atuação no mercado, mídias utilizadas, forma de atendimento, posicionamento, entre outros. Figura 4 – Ferro para marcação do gado (branding Iron) Créditos: Juan Aunion/Shutterstock. Um dos mais antigos símbolos é o de propriedade, posse, que provavelmente nasceu da necessidade de um indivíduo de uma mesma comunidade buscar alternativas para diferenciar as cabeças do seu rebanho com as do vizinho. O sentido etimológico do termo marca deriva do germânico marka – que significa sinal e poderia designar tanto a ação de marcar como também o instrumento usado para fazê-lo. Brand deriva da palavra nórdica brnd, que deu origem a brand do inglês antigo, que significava marcar o gado: gravar um símbolo a fogo no couro do animal. (Consolo, 2015, p. 29) A partir da metade do século XIX, pela Revolução Industrial, os produtos começaram a ser produzidos em larga escala, exigindo a criação de sinais que os diferenciassem e identificassem sua origem. Esses sinais visuais tinham como principal objetivo identificar os produtos e seus produtores, para que pudessem ser reconhecidos e consumidos novamente ao longo do tempo (Cameira, 2020). O primeiro sistema de identidade visual corporativa foi criado por Peter Behrens para a empresa AEG – Allgemeine Elektricitäts-Gesellschaft (Companhia Geral de Eletricidade), na Alemanha em 1907. A AEG percebeu a importância de se identificar as manifestações visuais da empresa de forma coordenada desde a criação do logotipo da empresa até materiais publicitários. Porém, levaria ainda mais meio século para estabelecer-se a identidade 5 corporativa. O trabalho de Behrens para a AEG é considerado o primeiro projeto completo de identidade visual da história (Cameira, 2020). Figura 5 – Aeg – Allgemeine Elektricitäts-Gesellschaft Créditos: Cineberg/Shutterstock. É importante ressaltar a importância da Bauhaus nos trabalhos de identidade corporativa. A Bauhaus surgiu em 1919 em Weimar, na Alemanha, por Walter Gropius, e tinha como preceito o funcionalismo. Neste contexto, a simplicidade das formas substituiu as ilustrações das velhas marcas, deixando- as mais próximas dos signos (Cameira, 2020). Em 1937, Gropius e Marcel Breuer já lecionavam arquitetura na Universidade de Harvard, e Moholy-Nagy criou a Nova Bauhaus, um instituto de design, na cidade de Chicago. Depois da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos viveram uma era de acentuada expansão industrial, favorecendo o desenvolvimento do design no país. A partir desse período, o design gráfico tornou-se um verbo “que significa projetar algo para ser comunicado a alguém” e acrescentou que a função principal do designer é garantir que a mensagem seja transmitida precisa e adequadamente (Cameira, 2020). A herança da Bauhaus e da escola racionalista dos anos 1950 influenciou o design de forma geral, assim como o projeto de Behrens para a AEG abriu caminho para o surgimento de um novo paradigma na criação de programas de identidade visual corporativa, o qual se consolidou nos anos 1970. O designer norte-americano Paul Rand se distinguiu por projetar uma série de notáveis marcas e identidades visuais corporativas, dentre as quais se destacam os projetos para a Westinghouse, a American Broadcasting Company (ABC) e a International Business Machines (IBM). Todos esses exemplos denotam uma preocupação do designer em simplificar e reduzir as formas para conferir-lhes um caráter atemporal e universal. Ele percebeu que, para funcionar por um longo período de tempo, uma marca deveria ser reduzida a formas elementares que fossem universais, visualmente únicas e estilisticamente atemporais. (Meggs, 2009, p. 529) 6 O logotipo da IBM foi desenvolvido em 1956 e, com o passar dos anos, novas versões foram realizadas, sempre com base em redesenhos que a revitalizavam, sem, entretanto, descaracterizá-la. Foi projetada também uma série de outros materiais institucionais para a empresa, de cartazes a embalagens para produtos, construindo, assim, um padrão de linguagem visual para a companhia (Cameira, 2020). Figura 6 – IBM Créditos: Laborant/Shutterstock. Ao longo da evolução, podemos destacar que a identificação visual surgiu da necessidade de marcar algo no sentido de pertencimento. E na essência, ela mantém até hoje o mesmo propósito, porém de forma mais organizada e sistematizada. TEMA 2 – DESIGN DE IDENTIDADE VISUAL NO BRASIL No final dos anos 1950 e no início de 1960, o design de identidade visual ganhou força. Vários artistas plásticos atuaram também como designers, criando projetos de identidade visual para empresas. Na mesma década, o ensino do design também deu seus primeiros passos no país, quando, em 1951, Pietro Maria Bardi e Lina Bo Bardi criaram o curso do Instituto de Arte Contemporânea do Museu de Arte de São Paulo (IAC/Masp), em São Paulo, inspirado na Bauhaus e no curso de Moholy-Nagy, em Chicago. Alunos do IAC,(Kreutz, 2012). Outro exemplo de identidade visual cambiante é a do Google, que convida à interação. Em datas históricas ou representativas, o logotipo do Google é modificado de acordo com a temática. Ao clicar no logotipo, somos levados a conhecer mais sobre o assunto, ou então a uma animação ou um jogo. Figura 2 – Identidade visual cambiante do Google Crédito: Travelfoto/Shutterstock; Mano Kors/Shutterstock. Essa é uma forma de identidade visual que permite liberdade criativa, mantendo-a constantemente em evidência, com ênfase no aspecto afetivo da marca, pois estabelece uma relação emotiva entre personagens e acontecimentos com seu público (Kreutz, 2012). Entretanto, até mesmo a identidade visual cambiante tem uma identidade básica, como a do Google e a da MTV. 5 Figura 3 – Identidade visual base do Google e da MTV Crédito: VDB Photos/Shutterstock; Monticello/Shutterstock. Outro exemplo de identidade visual cambiante é a revista de design e ilustração ZUPI. Também pode servir como um possível exemplo a extinta revista mexicana de design gráfico Matiz, que em cada edição apresentava a identidade visual de uma forma nova. Figura 4 – Revista Matiz Fonte: Timm, [S.d.]. Saiba mais Acesse este site para ver a revista ZUPI: disponível em: . Acesso em: 30 abr. 2021. 6 TEMA 2 – TEORIA DA FORMA Vale a pena relembrarmos as Leis da Gestalt, que podem e devem ser utilizadas na criação de uma identidade visual. Tais leis buscam organização formal, clareza de informação e pregnância da forma, isto é, atributos desejados de uma boa identidade visual. A unidade pode ser a junção de vários elementos em um só, ou como parte de um todo. As unidades formais são geralmente percebidas através da relação entre os elementos que as constituem. Figura 5 – Unilever: exemplo de unidade com elementos formam a letra u Crédito: Jhvephoto/Shutterstock. A segregação é a capacidade perceptiva de separar, identificar, evidenciar ou destacar unidades formais em um todo compositivo. Figura 6 – Hot Wheels: exemplo de segregação – contraste entre cores Crédito: Faiz Zaki/Shutterstock. A unificação se verifica quando os fatores harmonia, equilíbrio, ordenação visual e, sobretudo, coerência da linguagem formal das partes ou do todo estão presentes no objeto ou composição. 7 Figura 7 – Carrefour: exemplo de unificação – todas as formas são necessárias para formar a letra c Crédito: Rafapress/Shutterstock. O fechamento é importante para a formação de unidades. A sensação de fechamento se dá pela continuidade da ordem estrutural, por meio do agrupamento de elementos de maneira a construir uma figura total (Gomes Filho, 2000). Figura 8 – IBM: exemplo de fechamento, letras formadas apenas por traços horizontais Crédito: Michael Vi/Shutterstock. A boa continuidade é a impressão visual de como as partes se sucedem através da organização perceptiva da forma, de modo coerente, sem quebras ou interrupções na trajetória ou na fluidez visual. 8 Figura 9 – Adidas: exemplo de continuidade– formas conferem sentido e movimento ao símbolo Crédito: PIO3/Shutterstock. Proximidade: elementos próximos tendem a ser vistos como um conjunto, constituindo um todo ou unidades dentro do todo, em condições iguais os estímulos, mais próximos entre si, por forma, cor, tamanho, textura, brilho, peso ou direção. Semelhança: a igualdade de forma e de cor desperta a tendência de se construir uma unidade, isto é, de estabelecer agrupamentos de partes semelhantes. As semelhanças podem ser de forma, cor, tamanho, peso, direção etc. Os estímulos originados por semelhança e em maior proximidade terão maior tendência a serem agrupados e a constituírem unidades. Figura 10 – Alphabet: exemplo de semelhança de cor e forma Crédito: RVLSOFT/Shutterstock. TEMA 3 – AMBIGUIDADE A ambiguidade é mais conhecida na linguagem verbal, quando uma sentença tem mais de um sentido. Mas ela acontece também na linguagem 9 visual, quando uma imagem tem mais de uma interpretação. Em muitos casos ela é proposital, mas em outros pode ocorrer por puro descuido. Ao desenvolver uma identidade visual, é importante estar atento a possíveis ambiguidades nas formas, pois há vários casos de símbolos que tiveram de ser reformulados em função de ambiguidades e interpretações errôneas. Figura 11 – Exemplos de imagens ambíguas Crédito: Koldunov Alexey/Shutterstock; Artem Stepanov/Shutterstock. TEMA 4 – COR NA IDENTIDADE VISUAL A cor é um dos elementos fundamentais em uma identidade visual, já que desperta emoção e é repleta de significados. Vários estudos da psicologia da cor demonstram que as cores laranja e amarelo são alegres, festivas e despertam o apetite. O azul está ligado a honestidade, segurança e tecnologia, enquanto o rosa é doce, infantil e delicado. Figura 12 – Cor na identidade visual 10 Crédito: Ken Wolter/Shutterstock; Manuel Esteban/Shutterstock; Lutsenko_Oleksandr/Shutterstock; Kair/Shutterstock. Devemos utilizar esse conhecimento ao desenvolver uma identidade visual, pois as cores são percebidas antes de qualquer outra informação. Assim, a cor pode ser percebida como o símbolo de determinada marca. Padrões cromáticos servem de apoio para a marca (Leite, 2013). Perceba nas imagens a seguir como a sequência de cores nos leva a identificar a marca Google, pela familiaridade que evoca. Figura 13 – Sequência cromática da Google Crédito: Asif Islam/Shutterstock; Lloyd Carr/Shutterstock; Kensoftth/Shutterstock; Pauras/Shutterstock. O azul é a cor predileta, é calmante, cor da simpatia, da harmonia e da fidelidade, apesar de ser fria e distante. Esse efeito se intensifica quando o azul 11 é combinado com o branco e a cor prata, dando a impressão de algo extremamente gélido. O azul é a cor de todas as características boas que se afirmam no decorrer do tempo, de todos os sentimentos bons que não estão sob o domínio da paixão pura e simples, e sim da compreensão mútua. Simboliza a verdade, o bem e o justo. Pelo fato de o azul ser a cor do céu, é considerada uma cor divina e eterna. Em muitas religiões, o azul é a cor dos deuses, como o deus hindu Vishnu, que tem a pele azul, remetendo à sua origem celeste. Júpiter, deus romano e senhor dos céus, possuía um reino de cor azul. O azul, quando somado ao branco, tem valor supremo no mundo inteiro (Heller, 2013). Figura 14 – Azul Crédito: Daniel Constante/Shutterstock. O vermelho é a cor da paixão do amor e do ódio. A cor dos reis e do comunismo. A cor da felicidade e do perigo. Estudos sugerem que o vermelho é a primeira cor percebida pelos bebês, sendo cor mais marcante em nossa mente. O vermelho também é relacionado ao sangue é consequentemente relacionado à vida, tornando-se a cor da força. É a cor mais quente de todas, passando também a ideia de energia. A crença de venerar o fogo como poder divino também relaciona o vermelho ao divino. O vermelho é também relacionado ao amor e ao ódio, porque quando sentimos essas emoções, nosso rosto fica ruborizado, seja por vergonha, paixão, raiva ou excitação. Quando o vermelho é acompanhado do preto, transmite a sensação de fúria. Quando o vermelho se junta ao azul em um 12 acorde cromático, unem-se as forças do corpo e do espírito, unindo o que é físico ao espiritual e celestial (Heller, 2013). Figura 15 – Vermelho Crédito: Dimec/Shutterstock; Kiselev Andrey Valerevich/Shutterstock. O vermelho é visto como uma cor masculina, por estar relacionado com força, atividade e agressividade. É o oposto do delicado, sensível e puro. É uma cor barulhenta, se destaca e se projeta. É a cor dos extrovertidos. Até a Revolução Francesa, tecidos e tinturas vermelhos eram os mais caros, e somente a nobrezaconseguia usá-los. Além do alto custo, quem não pertencesse à classe nobre era proibido de usar a cor, porque existia uma crença de que o vermelho concedia força e poder. Assim, a cor vermelha sempre simbolizou a riqueza, principalmente quando relacionada a roupas ou decoração (Heller, 2013). Figura 16 – Vermelho Crédito: Maxx-Studio/Shutterstock. 13 O amarelo é a cor mais contraditória. Otimismo e ciúme. A cor da recreação do entretenimento e do otimismo, mas também do ciúme e da traição. É a cor que mais depende das outras para determinar a impressão que passa. Junto do rosa e do branco, transmite leveza, pequenez e delicadeza. Seu efeito de calor só é intensificado quando está junto do laranja e do vermelho. O amarelo tem efeito alegre e revigorante, por ser a cor do sol. É uma cor que irradia energia e otimismo, sendo muito amistosa e iluminada. Van Gogh, em carta para seu irmão Theo, escreveu: "Existe aqui, em volta de tudo, uma tonalidade de enxofre, o sol me sobe à cabeça. Ah! Como é lindo o amarelo!". O pintor, que sofria de delírios, angústia e ansiedade, se sentia tão bem com a cor que ingeriu diversas vezes tinta amarela por acreditar que isso traria a felicidade (Heller, 2013). Figura 17 – Amarelo Crédito: Ngupakarti/Shutterstock. O amarelo junto do preto se torna a cor da inveja, do ciúme e da hipocrisia. Em sua versão mais esverdeada e pálida, o amarelo tem associações predominantemente negativas. Também pode representar o que é velho ou sujo, remetendo a coisas que com o tempo obtêm um tom amarelado, como os dentes ou o papel (Heller, 2013). 14 Figura 18 – Amarelo Crédito: Jessicahyde/Shutterstock; Teodorlazarev/Shutterstock. O laranja é uma cor exótica e penetrante. Quando junto de vermelho e amarelo, o laranja pode sinalizar sociabilização recreativa. É conhecida também como a cor da transformação e do budismo. Na China, o laranja é a cor da perfeição, de todas as características nobres (Heller, 2013). Figura 19 – Laranja Crédito: Santiphotoss/Shutterstock. O verde é a cor da fertilidade, da esperança e da burguesia, e ao mesmo tempo do que é sagrado ou venenoso. O azul transmite distância e o vermelho transmite proximidade; o verde aparece como meio-termo. Por estar afastado dos extremos, transmite tranquilidade e calma. 15 Figura 20 – Verde Crédito: Taw4/Shutterstock. O verde é relacionado à natureza e, por conta disso, também representa a vida e a saúde. Só tem efeito contrário quando está junto do violeta, quando passa um efeito antinatural. Quando junto do vermelho, transmite ideia de alta vitalidade, porque o vermelho simboliza a vida animal e o verde a vida vegetal. O verde simboliza também o que não é humano. Então, quando usado em criaturas, cria um efeito de estranheza, remetendo a serpentes, lagartos, dragões e criaturas míticas. Muitas mitologias têm seres verdes, como duendes, demônios e bruxas. O verde é também relacionado com a inveja e com o venenoso (Heller, 2013). Figura 21 – Verde Crédito: DGIM Studio/Shutterstock; Ironika/Shutterstock. O preto é a cor do poder, da violência e da morte, sendo a cor predileta dos designers e dos jovens. É a cor da negação e da elegância. 16 É a cor do luto, da morte e do fim, estando relacionado ao mau e ao sujo. Por esses motivos, também é relacionado ao azar. Apesar dos muitos efeitos negativos do preto, também pode simbolizar a elegância, principalmente quando relacionado à vestimenta (Heller, 2013). Figura 22 – Preto Crédito: Flame of Life/Shutterstock; Magi Bagi/Shutterstock. O branco é a cor feminina da inocência, cor do bem e dos espíritos. É a cor com menos conotações negativas, mas ao mesmo tempo pode causar certo distanciamento, visto que é a cor preferida de apenas cerca de 2% da população. O branco passa uma ideia de algo limpo, puro e esterilizado. No ocidente, as noivas usam o branco como símbolo de pureza e inocência. O branco também é relacionado ao vazio e ao que é leve. Na França, uma voz branca é uma voz sem som; uma noite branca é uma noite não dormida (Heller, 2013). Figura 23 – Branco Crédito: Littleperfectstock/Shutterstock; Shunevych Serhii/Shutterstock. 17 O marrom é a cor do aconchego, do pequeno-burguês e da burrice. É a cor mais aconchegante na decoração de ambientes, por ser uma cor considerada não-artificial, relacionada à natureza. Quando combinado com cores alegres, como o laranja e o amarelo, o marrom gera um efeito agradável e feliz. Figura 24 – Marrom Crédito: Breadmaker/Shutterstock; G-Stock Studio/Shutterstock. Quando combinado com o preto, gera um efeito de estreito e pesado, podendo ser relacionado à falta de refinamento, por ser uma cor que dificilmente é usada para tingir algo, visto que a maioria das coisas marrons são assim naturalmente (Heller, 2013). O rosa é doce e delicado, chocante e kitsch. Simboliza o charme e a gentileza, a sensibilidade e o sentimental. Quando relacionado ao tom de pele caucasiano, pode passar um simbolismo erótico. Junto do branco, passa a ideia de inocência, mas perto do violeta e do preto simboliza a imoralidade e a paixão. O rosa é uma cor que parece irreal, estando muito relacionada a sonhos e fantasias. Um mundo cor-de-rosa é bonito demais para ser verdadeiro. Quando a vida parece um sonho, os franceses dizem: “C'est la vie en rose”. É a cor do doce, dos confeitos, da brandura e do artificial. É a cor mais comum nas sobremesas. É relacionado também com as rosas, que contêm um aroma doce e delicado. 18 Figura 25 – Rosa Crédito: Julia Ardaran/Shutterstock; Ruth Black/Shutterstock. O cinza é a cor do tédio, do antiquado e da crueldade. É uma cor sem força. No cinza, o nobre branco está sujo e o preto está enfraquecido. O cinza tem associações predominantemente negativas. Remete a dias frios, nublados e chuvosos. As pessoas costumam ficar mais desanimadas, tristes e mal-humoradas em dias cinzas. Quando junto do preto e do marrom, forma o acorde do feio, hostil, antipático, mau. Quando junto do azul, forma o acorde da reflexão, da ciência, da objetividade. O cinza também é relacionado ao que é velho e ancião, por remeter aos cabelos, que ficam grisalhos com a idade. Figura 26 – Cinza Crédito: Dusan Milenkovic/Shutterstock; Willyam Bradberry/Shutterstock. O violeta é a cor da teologia, da magia, do feminismo e do movimento gay. 19 A cor remete também a teologia e religião, por existirem muitos trajes religiosos dessa cor, principalmente na Igreja Católica e na Igreja Evangélica. Como cor litúrgica da Igreja, o violeta é a cor da penitência. Na confissão, o sacerdote usa uma estola violeta, e quase todos os confessionários têm cortinas violeta. Violeta é também a cor da magia, da roupa de feiticeiros e bruxas, o lilás das fadas. Vincula a sensualidade à espiritualidade, ao sentimento e ao intelecto, ao amor e à abstinência (Heller, 2013). Figura 27 – Violeta Crédito: Utahi PR/Shutterstock; Jorisvo/Shutterstock. TEMA 5 – A COR IMPRESSA E NAS MÍDIAS DIGITAIS Além da definição das cores a serem utilizadas, é importante saber como utilizá-las e como referenciá-las. Em primeiro lugar, vamos relembrar as diferenças entre o RGB e o CMYK. A síntese aditiva é formada pela cor luz. Nessa síntese, as cores primárias são vermelho, verde e azul (red, green e blue = RGB). Na síntese subtrativa, as cores primárias são o ciano, magenta e o amarelo (cyan, magenta e yellow = CMY). 20 Figura 28 – Síntese aditiva e subtrativa Fonte: Timm, 2021. Os padrões cromáticos de uma identidade visual e suas aplicações devem ser sempre indicados em RGB, CMYK e Pantone®. A indicação do RGB garante que as cores padrão não sejam modificadas quando forem utilizadas nas mídias digitais, como monitores,mobile, projetores e TVs. Figura 29 – Cor luz: RGB Crédito: Birju Stock Photo/Shutterstock. Já a indicação de CMYK e Pantone® garante que as cores padrão não sejam modificadas nas mídias impressas, como folders, flyers, papelaria institucional, publicidade impressa, banners, cartazes, embalagens, sinalização, entre outros. 21 Figura 30 – Cor pigmento: CMYK Crédito: Dutchmen Photography/Shutterstock. A indicação do Pantone® é fundamental, pois é um padrão mundial de cor, que serve de referência para qualquer tipo de material impresso ou tingido. Figura 31 – Catálogo Pantone®: cor aplicada Crédito: Nejhy37/Shutterstock. Por exemplo, em materiais impressos, pintura de veículos, tintas para parede e tecidos de uniformes, podemos usar o Pantone® para chegar à cor desejada. É importante ressaltar também que a cor pode mudar de tonalidade conforme a superfície. Em papéis com revestimento, como no caso do couchê, a cor fica mais viva; em papéis mais ásperos, a cor pode ficar mais apagada. Por isso, os catálogos Pantone® são impressos em papel com e sem revestimento. Alguns catálogos Pantone® também apresentam a referência da cor em CMYK. 22 As gráficas também têm catálogos de referência de cor CMYK, que ajudam bastante na hora de compor as cores no monitor, lembrando que trabalhamos com cor luz nos nossos computadores, para posterior impressão. É bem provável que, se nos baseamos somente nas telas de computador, teremos resultados diferentes dos esperados na hora da impressão. Figura 32 – Catálogo CMYK Crédito: Avateta/Shutterstock. O ideal é sempre conversar com a gráfica antes de fechar o arquivo para impressão. Recomenda-se também fazer testes de impressão e cor, além de manter o monitor calibrado. Saiba mais Acesse os sites e saiba mais sobre Pantone® e paletas de cor. ADOBE COLOR. Disponível em: . Acesso em: 30 abr. 2021. COLOR HUNT. Disponível em: . Acesso em: 30 abr. 2021. PANTONE. Disponível em: . Acesso em: 30 abr. 2021. TROCANDO IDEIAS A identidade visual é uma forma de comunicação, assim, devemos utilizar todas as ferramentas do desenho e da expressão em sua construção, como as 23 leis da Gestalt, a composição e a cor. Nesta aula, relembramos tais conceitos básicos da comunicação visual. NA PRÁTICA Nesta aula, relembramos um pouco da psicologia das cores e como podemos utilizá-la a nosso favor. Que tal agora coletar cinco identidades visuais nas cores azul, vermelho, laranja, rosa e violeta? Após a coleta, faça uma análise da relação da cor com a marca e aponte se a cor foi bem utilizada ou não. Poste a sua análise no fórum e troque ideias com seus colegas. FINALIZANDO Além da pesquisa inicial, do conceito e da construção de identidade visual, é importante também fazer a sua validação. Na validação, vamos verificar se a informação é clara, se as cores estão adequadas à marca e se não há ambiguidade na forma. 24 REFERÊNCIAS GOMES FILHO, J. Gestalt do Objeto: sistema de leitura visual da forma. São Paulo: Escrituras, 2000. HELLER, E. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: Gustavo Gili, 2013. KREUTZ, E. A. Construindo marcas mutantes. Chasqui - Revista Latinoamericana de Comunicación, set. 2012. Disponível em: . Acesso em: 30 abr. 2021. LEITE, F. Projeto de Identidade visual para marca de alimento produzido por projeto social. Trabalho de Conclusão de Curso (Design Gráfico) – UniRitter, Porto Alegre, 2013. IDENTIDADE VISUAL AULA 6 Profª Eliza Sawada Timm 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, veremos os principais elementos que devem compor um manual de identidade visual a fim de manter a sua integridade. Além disso, veremos como esse manual pode ser apresentado e a importância da unidade visual em um projeto de identidade corporativa. CONTEXTUALIZANDO Depois de toda a pesquisa, levantamento de dados, análise e definição da identidade visual, chegou a hora de organizar e sistematizar as suas aplicações e reproduções. É por meio do manual de identidade visual e corporativa que sistematizamos essas aplicações. O manual deve ser simples, porém deve apresentar todos os detalhes necessários para a sua correta utilização, prevenindo futuras distorções. TEMA 1 – MANUAL DE IDENTIDADE VISUAL E BRAND BOOK O manual de identidade visual é o guia de referências e de utilização da identidade visual. Nele devem constar o conceito da identidade visual, área de proteção, redução mínima, referências de cor em RGB, CMYK e Pantone®, em preto e branco, em fundos coloridos, tipografia, exemplos de uso, entre outras referências básicas. Esse manual geralmente é utilizado de forma digital, porém em alguns casos também pode ser impresso, e neste caso é sempre importante pensar no seu formato, processo de impressão e acabamento. 1.1 Manual de identidade visual x brand book No manual de identidade visual, estão presentes todas as especificações técnicas referentes ao logotipo e símbolo. Já o brand book apresenta alguns tópicos a mais, como a personalidade e a essência da marca, com o objetivo de cativar as pessoas. O brand book pode apresentar, além do manual de identidade visual, a missão da marca, valores, pilares, história, diferenciais, filosofia, entre outros temas que possam evidenciar as características da marca. 3 Figura 1 – Exemplo de brand book Créditos: Graphic Template/Shutterstock. TEMA 2 – MANUAL DE IDENTIDADE VISUAL / APRESENTAÇÃO E PADRÃO CROMÁTICO Não existe um padrão de conteúdo e forma do manual de identidade visual. Porém, como vimos no tema anterior, alguns tópicos são básicos e não devem faltar em um manual. Vamos ver, a partir de agora, quais são esses elementos essenciais e como apresentar cada um deles no manual, além de explicar a sua necessidade e aplicação prática. 2.1 Apresentação do manual e da identidade visual A identidade visual, seja o logotipo ou o logotipo mais símbolo, deve ser apresentada de forma simples e objetiva, de forma que seja acessível a todas as pessoas por meio do conceito e essência da marca. Explique resumidamente o que é a marca (empresa) e o que simboliza a identidade visual e a sua relação com a essência e conceito da marca. 4 Figura 2 – Exemplo da capa do manual de identidade visual da Corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Figura 3 – Exemplo da apresentação do manual de identidade visual da Corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. 5 Figura 4 – Exemplo do conceito da identidade visual da Corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. 2.2 Padrão Cromático Deverão ser indicadas as referências de cor da identidade visual pelo menos nos sistemas CMYK para impressão, RGB para as mídias digitais e o Pantone®, que serve de referência para qualquer tipo de aplicação como pinturas de veículos, paredes, adesivos, uniformes, brindes, entre outros. Lembrando que esta é uma forma de apresentar as referências. Você pode fazê-lo da maneira que achar melhor. 6 Figura 5 – Exemplo das referências cromáticas no manual de identidade visual da Corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Para definir as referências das cores em RGB, o ideal é ter um monitor calibrado para chegar o mais próximo possível da cor desejada. Já para definir a cor Pantone®, é preciso ter um catálogo Pantone® impresso, o qual não é muito barato. Você não precisa comprar um, mas pode ir até uma gráfica ou agência que você conheça e pedir para fazer uma consulta no catálogo. Algunscatálogos Pantone® já fornecem a referência da cor em Pantone®, RGB e em CMYK. 7 Figura 6 – Catálogo Pantone® com RGB e CMYK Fonte: elaborado com base em Pantone®. Algumas gráficas fornecem um catálogo impresso de cores em CMYK. Você pode solicitar um à gráfica para ter um em casa ou no escritório. Figura 7 – Catálogo Pantone® com RGB e CMYK Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Lembrando ainda que é importante verificar as tonalidades das cores impressas em papel com e sem revestimento, como é o caso do papel couchê, 8 que tem revestimento (C = coated), e o papel canson, que não tem revestimento e é opaco (U = uncoated). Quando a identidade visual não puder ser aplicada em suas cores padrão, é necessário apresentar uma opção monocromática, que geralmente é o preto e o branco. Figura 8 – Exemplo em preto e branco no manual de identidade visual da Corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. TEMA 3 – MALHA CONSTRUTIVA E ÁREA DE PROTEÇÃO A malha construtiva não é um item obrigatório, mas uma identidade visual pode ser construída dentro de uma malha que lhe confere organização e permite a verificação de sua integridade conforme é utilizada. 3.1 Malha construtiva No exemplo a seguir, na identidade visual da marca fictícia Corelux, foi utilizada uma malha de 6x5 quadrados no momento de sua construção. Lembrando que essa malha, ou grid, é feita na construção da identidade visual, e não depois que ela já está finalizada. 9 Figura 9 – Malha construtiva Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Figura 10 – Exemplo da malha construtiva no manual de identidade visual da Corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. 3.2 Área de proteção A área de proteção resguarda a identidade visual quanto à proximidade de outras identidades visuais, assim como delimita uma área quando for necessário aplicar um fundo. 10 No caso da Corelux, a área de proteção foi definida pela altura da caixa alta do logotipo, a qual gerou um quadrado. Esse quadrado serviu de referência em torno da identidade visual. Não existe uma regra para definir essa área, mas com base nos conceitos de composição, equilíbrio e proporção, o designer deverá definir qual será essa referência. Figura 11 – Área de proteção da identidade visual Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Figura 12 – Exemplo da área de proteção no manual de identidade visual da Corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. 11 A seguir, apresentamos exemplos de utilização da área de proteção quando a identidade visual for utilizada com outras identidades visuais e quando for necessário aplicá-las em fundos muito coloridos, prejudicando a sua visualização. Figura 13 – Exemplo da área de proteção no manual de identidade visual da Corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. 12 Figura 14 – Exemplo da área de proteção no manual de identidade visual da Corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. 3.3 Redução máxima para impressão Para a aplicação impressa da identidade visual, é necessário definir qual o menor tamanho possível sem que haja a perda de sua legibilidade. Para fazer essa definição, é preciso imprimir a identidade visual e fazer testes de visualização. Figura 15 – Redução máxima impressa Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. 13 Figura 16 – Exemplo da redução máxima no manual de identidade visual da Corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. TEMA 4 – IDENTIDADE VISUAL SOBRE FUNDOS COLORIDOS, VARIAÇÕES NÃO PERMITIDAS E TIPOGRAFIA COMPLEMENTAR Neste tópico, veremos como a identidade pode se comportar em fundos coloridos. Em alguns casos, é possível indicar que a identidade visual só pode ser aplicada sobre fundo branco ou com a utilização da área de proteção com fundo branco. Fica a seu critério essa definição. É importante exemplificar também formas não permitidas de intervenção na identidade visual. Outro assunto é a tipografia padrão utilizada em todos os materiais relacionado à marca (empresa). 4.1 Identidade visual sobre fundos claros Para definir como a identidade visual pode ser aplicada em fundos claros, é necessário realizar testes e observar a melhor configuração. Essa configuração deve ser definida para cada nova identidade visual. 14 O exemplo a seguir mostra como deverá ser a aplicação da identidade visual da Corelux sobre fundos claros, e neste caso, as cores não deverão sofrer alterações, somente se elas forem as mesmas da própria identidade visual. Figura 17 – Identidade visual sobre fundos claros Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Figura 18 – Exemplo em fundos claros no manual de identidade visual da Corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. 15 4.2 Identidade visual sobre fundos escuros Da mesma forma, para definir como a identidade visual pode ser aplicada em fundos escuros, é necessário realizar testes e observar a melhor configuração. Essa configuração deve ser definida para cada nova identidade visual. No caso da Corelux, quando a identidade visual for aplicada sobre fundos escuros, as cores do símbolo podem permanecer as mesmas e somente o logotipo deverá ser na cor branca. Caso não seja possível, toda a identidade deverá ser na cor branca. Figura 19 – Exemplo em fundos escuros no manual de identidade visual da corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. 4.3 Variações não permitidas Pode parecer estranho apresentar variações que não são permitidas, mas é necessário deixar bem claro que a identidade visual não pode ser alterada além das que já são previstas no manual. 16 Neste caso, foram feitas modificações que poderiam ocorrer na identidade visual e que, na verdade, não devem ser feitas. Figura 20 – Exemplo de variações não permitidas no manual de identidade visual da Corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. 4.4 Tipografia complementar A tipografia complementar se refere à fonte utilizada em textos auxiliares, como endereços e assinaturas. O ideal é que essa fonte tenha alto grau de legibilidade, já que pode ser utilizado em textos longos, assim como é aconselhável ter uma família grande com variações de regular, bold, italic e light. O que irá definir o tamanho da família tipográfica é a quantidade de material que a marca tem ou terá, como cartão comercial, envelopes, papel carta, crachá, veículos, uniformes, embalagens, sinalização, folder, flyer, site, aplicativos entre outros. 17 Figura 21 – Exemplo de tipografia complementar no manual de identidade visual da Corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Figura 22 – Exemplo de tipografia complementar no manual de identidade visual da Corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. 18 Estes são os principais elementos que devem constar em um manual de identidade visual, mas conforme a necessidade, outros componentes podem ser inseridos. É importante tentar visualizar as possibilidades e necessidades que podem surgir para a aplicação da identidade visual, e isso vai depender muito da área de atuação da marca, do seu público-alvo e do seu perfil. TEMA 5 – MANUAL DE IDENTIDADE CORPORATIVA O manual de identidade corporativa engloba, além do manual de identidade visual, as aplicações do logotipo e símbolo, de cor, textura, tipografia, grafismos entre outros em: • Papelaria; • Veículos; • Fachadas; • Uniformes; • Sites; • Aplicativos; • Crachás; • Sinalização; • Embalagens; • etc. 5.1 Unidade visual O importante em um projeto de identidade visual é que o conjunto seja harmonioso, que todos os elementos mantenham a mesma linguagem. Lembrando que essa linguagem é definida pelo perfil da marca, produto epúblico-alvo. Quando falamos em linguagem, esta se refere ao padrão que os elementos visuais seguem. Por exemplo, podemos definir um elemento gráfico relacionado à marca que irá se repetir em todos os materiais; ou então será sempre em fundo branco somente com a aplicação da identidade visual; ou então terá o fundo sempre colorido. Isto é, definimos um padrão visual para todo o projeto de identidade corporativa. 19 Observe a imagem a seguir e note como existe unidade em toda a papelaria. Essa unidade se dá pela utilização das cores e das folhas, que sempre são as mesmas, nas mesmas tonalidades. Figura 23 – Exemplo de unidade visual em identidade corporativa Créditos: Meow Wanvilai/Shutterstock. Neste outro exemplo, notamos a unidade por meio da repetição de formas geométricas e das cores. Figura 24 – Exemplo de unidade visual em identidade corporativa Créditos: Sergey85/Shutterstock. 20 Esta aplicação é mais elegante, e a unidade é criada por meio da utilização da cor azul escuro de fundo com pequenos detalhes em amarelo. Figura 25 – Exemplo de unidade visual em identidade corporativa Créditos: Verlion/Shutterstock. É importante que esta unidade visual permaneça a mesma em papelaria, embalagens, brindes e mídias digitais, como na imagem a seguir. Figura 26 – Exemplo de unidade visual em identidade corporativa Créditos: Iinnoom/Shutterstock. 21 Projetos de identidade corporativa que não têm unidade visual perdem força sendo desvinculados do todo. Por isso é tão importante a utilização de uma única linguagem. 5.2 Manual de identidade corporativa No manual de identidade corporativa, além do layout de cada uma das peças que irão compor o projeto, é necessário também fazer as especificações técnicas de material, cor, processo de impressão, acabamento, dimensões entre outros. No exemplo a seguir, apresentamos o layout e as especificações de algumas peças da identidade corporativa da Corelux (marca fictícia). Além do arquivo digital com a arte final de cada uma das peças, é necessário especificar a sua produção para que não haja dúvidas na sua produção, agilizando o seu orçamento. Figura 27 – Exemplo do manual de identidade corporativa da Corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. 22 Figura 28 – Exemplo do manual de identidade corporativa da Corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Figura 29 – Exemplo do manual de identidade corporativa da Corelux (marca fictícia) Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. 23 Saiba mais Acesse o site a seguir para ver mais exemplos de manuais de identidade visual e identidade corporativa. Disponível em: . Acesso em: 10 maio 2021. TROCANDO IDEIAS Chegamos ao final da disciplina de identidade visual, uma das grandes áreas de atuação do designer gráfico. Toda marca, por menor que seja, precisa de uma identidade visual, ou seja, um elemento visual que a distinga de seus concorrentes, assim como toda marca necessita de um manual de uso para que mantenha a sua integridade por toda a sua vida de uso. NA PRÁTICA Que tal exercitar a criação e aplicação de uma identidade visual? Crie uma identidade visual para você, como designer. Após definir a identidade, faça um cartão de visita no formato de 50x90mm e poste no Fórum para discutir os resultados. FINALIZANDO Agora você está apto a criar identidades visuais nas mais variadas áreas, das pequenas às grandes marcas. Mas lembre-se sempre, o primeiro e mais importante passo é fazer um bom levantamento de dados, conhecer o público- alvo e o mercado em que a marca atua, e depois fazer um bom conceito que vá de encontro à essência da marca. Somente depois disso inicie a criação do logotipo e símbolo. Boa sorte em sua jornada! 24 REFERÊNCIAS THIEL, C. Como Definir a Identidade da Marca: Um guia para profissionais e marcas se comunicarem com clareza e consistência. Porto Alegre: Bookman, 2019. WHEELER, A. Design de identidade de marca: guia essencial para toda a equipe de gestão de marcas. Porto Alegre: Bookman, 2019. Conversa inicial Nesta aula, apresentaremos conceitos, definições e exemplos iniciais sobre identidade visual. O conteúdo está estruturado por: introdução ao conteúdo, desenvolvimento histórico, logotipo, símbolo e marca, marketing e branding. Contextualizando Trocando ideias Na prática FINALIZANDO REFERÊNCIAS Conversa inicial Nesta aula, apresentaremos as bases de uma marca, as quais são fundamentais para entendermos que a identidade visual também deve seguir tais fundamentos. O conteúdo está estruturado por: identidade corporativa, arquitetura de marca, design thinking, essência e valores da marca. Contextualizando Trocando ideias Na prática FINALIZANDO REFERÊNCIAS Conversa inicial Nesta aula, veremos quais são os primeiros passos para iniciarmos um projeto de identidade visual e a importância da tipografia no projeto. O conteúdo está estruturado da seguinte forma: primeiros passos para desenvolver um projeto de identidade visual, conceito, naming, comunicação e logotipo. Contextualizando Trocando ideias Na prática FINALIZANDO REFERÊNCIAS CONVERSA INICIAL Nesta aula, faremos uma análise de alguns logotipos conhecidos, aprofundando nossas discussões sobre criação de símbolos e tratando da importância do design responsivo nas identidades visuais. Contextualizando Figura 1 – Logotipo da Fedex Trocando ideias Na prática FINALIZANDO REFERÊNCIAS Conversa inicial Nesta aula, falaremos sobre a identidade visual cambiante e suas particularidades, com uma revisão de tópicos de relevância para a criação de uma identidade visual, como a teoria da forma, ambiguidade e cor. Contextualizando Figura 1 – Identidade visual cambiante da MTV Figura 2 – Identidade visual cambiante do Google Figura 3 – Identidade visual base do Google e da MTV Figura 4 – Revista Matiz Figura 5 – Unilever: exemplo de unidade com elementos formam a letra u Figura 6 – Hot Wheels: exemplo de segregação – contraste entre cores Figura 7 – Carrefour: exemplo de unificação – todas as formas são necessárias para formar a letra c Figura 8 – IBM: exemplo de fechamento, letras formadas apenas por traços horizontais Figura 9 – Adidas: exemplo de continuidade– formas conferem sentido e movimento ao símbolo Figura 10 – Alphabet: exemplo de semelhança de cor e forma Figura 11 – Exemplos de imagens ambíguas Figura 12 – Cor na identidade visual Figura 13 – Sequência cromática da Google Figura 14 – Azul Figura 15 – Vermelho Figura 16 – Vermelho Figura 17 – Amarelo Figura 18 – Amarelo Figura 19 – Laranja Figura 20 – Verde Figura 21 – Verde Figura 22 – Preto Figura 23 – Branco Figura 24 – Marrom Figura 25 – Rosa Figura 26 – Cinza Figura 27 – Violeta Figura 28 – Síntese aditiva e subtrativa Figura 29 – Cor luz: RGB Figura 30 – Cor pigmento: CMYK Figura 31 – Catálogo Pantone®: cor aplicada Figura 32 – Catálogo CMYK Trocando ideias Na prática FINALIZANDO REFERÊNCIAS HELLER, E. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: Gustavo Gili, 2013.posteriormente, consagraram-se importantes designers brasileiros, a saber: Alexandre Wollner, Ludovico Martino e Emilie Chamie, dentre outros. (Cameira, 2020, p. 30) Alexandre Wollner, em 1958, desenvolveu um dos principais projetos racionalistas da época que foi a identidade visual das Sardinhas Coqueiro, considerado um dos clássicos do design brasileiro (Cameira, 2020). 7 Figura 7 – Sardinhas Coqueiro – Alexandre Wollner Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Em 1963, foi criada a ESDI – Escola Superior de Desenho Industrial, primeira escola de design no Brasil. No mesmo período, foram criados cursos de design em faculdades em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O design cresceu bastante na década de 1970 no Brasil com o interesse das empresas em contratar designers no desenvolvimento de projetos de identidade corporativa, dos mais simples aos mais complexos. No mesmo período, vários escritórios de design surgiram principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. TEMA 3 – LOGOTIPO, SÍMBOLO E MARCA Qual é a diferença entre os três termos? Não se preocupe, pois esta é uma dúvida frequente. Inclusive, muitas pessoas utilizam todos como sinônimo. Vamos ver a diferença entre eles. 3.1 Logotipo Primeiro vamos entender o significado da palavra. Em grego, logo quer dizer “significado”, e tipo (typos) é “Figura”. Na prática, o logotipo é composto por letras para representar graficamente a marca por meio de arranjos visuais, como é o caso da FedEx, IBM e Google. Nesses arranjos, pequenas formas, cores e hachuras também podem fazer parte do logotipo. 8 Figura 8 – Logotipo da FedEX Créditos: tanuha2001/Shutterstock. 3.2 Símbolo O símbolo é o elemento gráfico que representa a marca, como é o caso da maçã da Apple, os quatro arcos da Audi e a sereia da Starbucks. Figura 9 – Símbolo da Starbucks Créditos: Ken Wolter/Shutterstock. O símbolo pode ser figurativo, como o ursinho da WWF, ou abstrato, como o símbolo da Mizuno. Apesar de o símbolo da Mizuno representar as órbitas de três planetas, remetendo à união do esporte, energia e espaço, o símbolo da marca é abstrato. Figura 10 – Identidade Visual da WWF Créditos: 360b/Shutterstock. 9 Figura 11 – Identidade visual da Mizuno Créditos: TK Kurikawa/Shutterstock. No exemplo a seguir, podemos ver o logotipo da marca formado pela palavra Nike e pelo símbolo, que é a estilização da asa da deusa da mitologia grega da vitória Niké. Figura 12 – Identidade visual formado pelo símbolo + logotipo da marca Nike Créditos: Rose Carson/Shutterstock. Uma identidade visual não precisa, obrigatoriamente, ter um símbolo, como é o caso da Tiffany & Co., que é composta apenas com o logotipo. Figura 13 – Logotipo da Tiffany & Co. Créditos: Angela Royle/Shutterstock. Já em outros casos, quando a marca é muito conhecida, o logotipo deixa de ser utilizado, pois só o símbolo é suficiente para ser reconhecido, como é o caso da própria Nike, da Apple, Shell, Mercedes-Benz, Android, entre outros. 10 3.3 Marca “Os produtos são criados na fábrica. As marcas são criadas na mente” (Thiel, 2019). O termo marca, como conhecemos hoje, se deve à industrialização do final de 1700, momento em que adotaram símbolos para identificar e diferenciar os produtos. A marca é o nome de um produto, serviço ou empresa e identifica os bens e serviços que cada um presta. Desse modo, o logotipo e o símbolo fazem parte da identidade visual de uma marca. O consumidor escolhe experimentar uma marca, por sua fama, e tudo que foi construído na cabeça do consumidor, por anos de comunicação, o que pode ruir em segundos caso o produto não corresponda a sua expectativa. Por outro lado, uma marca que ficou conhecida por oferecer produtos de baixa qualidade terá que fazer um esforço gigantesco para perder esse estigma mesmo depois de oferecer produtos com qualidade superior. Portanto, uma coisa não está desassociada da outra. (Consolo, 2015, p. 33) Porém, alguns autores consideram que marca é também a identidade visual: “Uma marca é um nome, sinal, símbolo ou design, ou uma combinação de todos esses elementos, com o objetivo de identificar os bens ou serviços de um vendedor e diferenciá-los de seus concorrentes” (Kotler, 1991, p. 442). “Marca é um nome diferenciado e/ou símbolo (tal como um logotipo, marca registrada ou desenho de embalagem) destinado a identificar os bens ou serviços de um vendedor ou de um grupo de vendedores e a diferenciar esses bens e serviços daqueles dos concorrentes” (Aaker, 1998, p. 7). “Marca é o design, nome, símbolo gráfico, logotipo ou combinação desses elementos, utilizado para identificar produtos ou serviços de um fornecedor/vendedor e diferenciá-los dos demais concorrentes” (ADG, 2000, p. 71). A marca entrou no dicionário de todos. O termo é como um camaleão: o significado pode mudar de acordo com o contexto. [...] A marca tornou-se um sinônimo do nome de uma empresa e da sua reputação. As marcas estão gravadas em nossa vida diária, como em “vamos xerocar isto” ou “essa máquina não é uma Brastemp. (Wheeler, 2008, p. 12) Nessas definições, podemos constatar, de forma resumida, que a marca tem como principal objetivo identificar e diferenciar um produto, empresa ou serviço. 11 Quando queremos nos referir ao conjunto do logotipo e símbolo de uma marca, podemos utilizar o termo marca gráfica. Mas para facilitar o nosso entendimento na aula, vamos considerar a marca como o nome de um produto, serviço ou empresa, e a identidade visual como o conjunto do logotipo e símbolo que identifica a marca. 3.4 Logomarca Com certeza você já deve ter ouvido o termo logomarca, o qual até está no dicionário brasileiro, mas este é um pleonasmo, já que logo e marca são sinônimos de significado. O termo existe, mas como designers, não o utilizamos por considerarmos uma forma incorreta. Saiba mais Para saber mais sobre o assunto, leia o livro: Logotipo versus Logomarca: A Luta do Século, de André Stolarski, Editora 2AB. TEMA 4 – MARCA Antes de entrar no tema desta disciplina, que é identidade visual, vamos falar um pouco sobre marca. Vivemos em um mundo cada vez mais competitivo, novos produtos e serviços são disponibilizados todos os dias e cada vez mais as empresas buscam estabelecer ligações emocionais com os seus clientes. As pessoas se apaixonam pelas marcas, acreditam nela e a defendem diante da concorrência. Um exemplo é a marca Apple; seus consumidores são fiéis e, a cada novo produto, filas imensas são formadas para adquirir produtos não tão baratos. Figura 14 – Loja da Apple Créditos: Paul McKinnon/Shutterstock. 12 Em alguns casos, o valor do ativo intangível da marca é maior que o ativo tangível. David Aaker (2003) considera que o valor intangível de uma marca é formado por ativos tais como a consciência da marca, associações da marca, qualidade percebida e a fidelidade do cliente. Um exemplo é a marca Coca-Cola: calcula-se que o seu valor intangível seja em torno de 10 vezes maior que seus ativos tangíveis. A chave para estabelecer uma marca é o consumidor perceber diferenças entre marcas de uma determinada categoria de produtos. Diferenças de marca estão em geral relacionadas com atributos ou benefícios do produto em si em outros casos, entretanto, diferenças de marca podem estar relacionadas as considerações de imagem mais intangíveis. Muitas vezes o produto não apresenta o melhor desempenho, mas ainda assim sua marca é a preferida pelos consumidores. (Thiel, 2019, p. 10) Algumas marcas são tão fortes que surgem automaticamente em nossa mente assim que pensamos no produto: • Arroz: Tio João / Prato Fino; • Filtro de papel: Melitta; • Açúcar: União; • Sal: Cisne; • Lã de aço: BomBril; • Fermento: Royal; • Leite condensado: Moça. A identidade visualde uma marca é tangível e faz um apelo aos sentidos. É possível ver, tocar, observar. A identidade visual da marca alimenta o reconhecimento e amplia a diferenciação de seus concorrentes (Wheeler, 2019). Branding, ou gestão da marca, é um processo disciplinado para atrair novos clientes e ampliar a fidelidade, o que exige um trabalho diário para ser o melhor como produto e/ou serviço no ponto de venda, nas mídias sociais, na responsabilidade social e ambiental. O branding é uma mistura dinâmica de antropologia, criatividade, experiência sensorial e uma abordagem visionária (Wheeler, 2019). De acordo com Wheeler (2019), o processo de branding pode ser iniciado em vários momentos de uma empresa, produto ou serviço. 13 Figura 15 – Quando iniciar o processo de branding de acordo com Wheeler Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. No processo de branding (gestão da marca), existe a busca constante em expandir o valor da marca, agradar os clientes, envolver os funcionários e demonstrar a sua vantagem competitiva. TEMA 5 – BRANDING E MARKETING Você deve estar se perguntando qual é diferença entre o branding e o marketing, não é mesmo? Veja a tabela a seguir com as diferenças entre o branding e o marketing. Figura 16 – A diferença entre branding e marketing Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. 14 No processo de branding, o marketing é uma ferramenta utilizada para atingir os objetivos, assim como o design, que é também uma ferramenta do branding. As estratégias de branding são como mapas rodoviários que orientam o marketing, facilitam o trabalho das equipes de vendas e dá inspiração aos funcionários. Veja a tabela a seguir com os fatores para revitalizar uma marca com sucesso, de acordo com Wheeler. Figura 17 – Fatores para revitalizar uma marca com sucesso Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Essas estratégias são geralmente desenvolvidas por uma equipe de liderança, que deve sempre estar focada no cliente. As empresas globais frequentemente contam com estrategistas externos: analistas independentes, empresas de estratégia de marketing e consultores de marca. Em alguns casos, as estratégias surgem do fundador visionário da empresa, como Steve Jobs, da Apple, Elon Musk, da SpaceX e Tesla e Jeff Bezos, da Amazon. Às vezes, é necessária uma equipe visionária para definir as estratégias que devem ser claras para garantir a sua sobrevivência (Wheeler, 2019). Apresentamos aqui um resumo bem superficial de marketing e branding, já que o nosso foco é a identidade visual, mas consideramos importante trazer o assunto para termos uma visão mais ampla acerca do universo da marca. TROCANDO IDEIAS Falamos nesta aula um pouco sobre a Bauhaus e alguns designers que iniciaram a profissão no Brasil, como por exemplo Alexandre Wollner. É importante conhecermos as origens da nossa profissão e os principais projetos 15 desenvolvidos. Reconhecer a importância e a evolução que a área vem mostrando. Pesquise outros designers brasileiros e seus trabalhos de identidade visual. Poste no Fórum a sua pesquisa e troque ideias com os colegas de turma. NA PRÁTICA Faça uma pesquisa na internet e selecione três símbolos abstratos e três figurativos. Tomando como base a pesquisa, faça uma análise dos símbolos e destaque os pontos positivos e/ou negativos de cada um deles com relação à marca e/ou produto. FINALIZANDO Nesta aula, destacamos a importância da marca visual na evolução das sociedades como forma de comunicação. A princípio sem metodologia, mas a partir da industrialização, foi sistematizada até chegar aos nossos dias. 16 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO DOS DESIGNERS GRÁFICOS. ABC da ADG. Glossário de termos e verbetes utilizados em Design Gráfico. São Paulo: ADG, 2000. AAKER, D. A. Administração estratégica de mercado. Porto Alegre: Bookman, 2003. _____. Marcas: brand equity gerenciando o valor da marca. São Paulo: Negócio, 1998. CAMEIRA, S. R. Branding + design. São Paulo: Senac, 2020. CHAMA, N. Marcas e Sinalização: práticas em design corporativo. São Paulo: SENAC, 2007. CONSOLO, C. Marcas - Design estratégico. Blucher, 2015. KOTLER, P. Marketing management: analysis, planning, implementation and control. New York: Prentice-Hall International, 1991. MEGGS, P. B. História do design gráfico. São Paulo: Cosac Naify, 2009. THIEL, C. Como Definir a Identidade da Marca: Um guia para profissionais e marcas se comunicarem com clareza e consistência. São Paulo, 2019. WHEELER, A. Design de identidade de marca: guia essencial para toda a equipe de gestão de marcas. Porto Alegre: Bookman, 2019. IDENTIDADE VISUAL AULA 2 Profª Eliza Sawada Timm 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, apresentaremos as bases de uma marca, as quais são fundamentais para entendermos que a identidade visual também deve seguir tais fundamentos. O conteúdo está estruturado por: identidade corporativa, arquitetura de marca, design thinking, essência e valores da marca. Com base nesses conteúdos, podemos inserir o design de forma a fortalecer a marca junto aos seus consumidores. CONTEXTUALIZANDO Uma marca é forte se os seus conceitos e mentores também são. Todos os demais elementos são consequência dessas bases. Um bom designer deve entender esses conceitos e trabalhar de forma a fortalecer esses valores. Se uma marca está perdida e seus valores não estão claros, o design pode ajudar a empresa a definir os seus conceitos por meio do design thinking. Então vamos a mais uma aula! TEMA 1 – O QUE É IDENTIDADE CORPORATIVA? Anteriormente, vimos o termo identidade corporativa, mas qual é a diferença entre identidade visual e corporativa? Enquanto a identidade visual diz respeito aos elementos visuais que representam um produto ou serviço como um logotipo, símbolo ou cores, a identidade corporativa engloba todos os simbolismos e suas articulações no sistema tornando-se reconhecíveis na comunicação da marca. “A pregnância de signos visuais dá-se pela constância, pela significação e reconhecimento, somados às ligações afetivas estabelecidas nos grupos sociais, e o processo pode ser incorporado ou se expandir em outras culturas” (Consolo, 2015, p. 33). Em um sistema de identidade corporativa, todos os elementos têm suas definições, valor e significado pelas conexões entre eles, formando assim um todo organizado. O sistema é um conjunto de órgãos funcionais, componentes, entidades, partes ou elementos para um dado fim, ou uso. Em Sistemas de Identidade Corporativa o sistema pode ser definido como 3 um conjunto de elementos interdependentes que interagem entre si com o objetivo comum de representar a entidade. Geralmente é composto por elementos materiais e conceituais, tangíveis e intangíveis que só são reconhecíveis dentro da lógica estabelecida entre as partes. (Consolo, 2015, p. 33) Podemos identificar esses elementos no exemplo da FedEx a seguir. Aqui, temos a identidade visual da empresa: Figura 1 – Logotipo da FedEx Créditos: TANUHA2001/Shutterstock. Nas imagens a seguir, podemos observar as aplicações do sistema de identidade corporativa da FedEx. Figura 2 – Aplicação da identidade corporativa da FedEx (1) Créditos: MONTICELLO/Shutterstock. 4 Figura 3 – Aplicação da identidade corporativa da FedEx (2) Créditos: MEUNIERD/Shutterstock. Figura 4 – Aplicação da identidade corporativa da FedEx (3) Créditos: ALEX JW ROBINSON/Shutterstock. Figura 5 – Aplicação da identidade corporativa da FedEx (4) Créditos: XANDERST/Shutterstock. 5 Figura 6 – Aplicação da identidade corporativa da FedEx (5) Créditos: CL SHEBLEY/Shutterstock. O importante em um sistema de identidade corporativa é manter uma unidade em todos os elementos de acordo como seu conceito. Um sistema pode englobar os mais variados materiais, dos mais simples aos mais complexos: papelaria, crachás, fachadas, embalagens, frota de veículos, sites, aplicativos, publicidade, ponto de venda, uniformes, louças, brindes, entre outros. “Quanto mais claro e coerente for um sistema e seus principais símbolos, mais impregnados a sua imagem e significados tornam-se na cultura” (Ollins, 2008). TEMA 2 – ARQUITETURA DE MARCA Outro tema que devemos considerar é a arquitetura de marca. Algumas empresas têm várias marcas, e é necessário organizá-las de forma hierárquica. Essa inter-relação deve refletir a estratégia de marketing. Ordenar os elementos verbais e visuais ajuda a empresa a crescer e a se destacar no mercado. Qualquer empresa ou organização em crescimento precisa organizar a sua arquitetura visando à imagem diante do seu consumidor (Wheeler, 2019). Como é o caso da Alphabet e suas subsidiárias: iGoogle; Google; Images; Google Maps; Google Translate; Google Play; Google Earth; Google + Gmail; Google Docs; Google Alerts; Google Calendar; Google Translate; Chrome; Android; YouTube; Picasa; DoubleClick; AdMob; e Feedburner. 6 Figura 7 – Identidades visuais das subsidiárias da Alphabet Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Existem alguns tipos de arquitetura de marca, a monolítica, endossada e pluralística. No entanto, a maioria das grandes empresas que comercializam produtos e serviços utiliza um misto de estratégias (Wheeler, 2019). Figura 8 – Tipos de arquitetura de marca de acordo com Wheeler Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Figura 9 – Virgin Atlantic Créditos: 360B/Shutterstock. 7 Figura 10 – Virgin Mobile Créditos: TK KURIKAWA/Shutterstock. Figura 11 – Tipos de arquitetura de marca de acordo com Wheeler Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Figura 12 – Oreo+Nabisco Créditos: KEITH HOMAN/Shutterstock. 8 Figura 13 – Tipos de arquitetura de marca de acordo com Wheeler Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Figura 14 – Kleenex (Kimberly Clark) Créditos: RUSTYR/Shutterstock. TEMA 3 – DESIGN THINKING O design thinking é um termo para designar uma área de atuação que incorpora aos setores administrativos as competências inerentes ao profissional de design. Todo projeto fundamentalmente de design é um projeto de design thinking (Consolo, 2015). O design thinking é utilizado quando o método de elaboração do designer é apropriado para diagnosticar novas possibilidades ou resolver um problema complexo. É um investigativo e incorpora as necessidades do usuário no centro do projeto. O design é uma atividade estratégica, visto que incorpora o sentido de finalidade. O design tem como objetivo central identificar problemas e 9 necessidades e propor melhorias, facilitando as interações do homem em relação ao meio (Consolo, 2015, p. 42). Sendo assim, o designer é o profissional preparado para a criação e desenvolvimento do design das marcas e seus sistemas simbólicos. O processo de trabalho envolve empatia com as necessidades dos usuários, metodologias para traçar o maior número de hipóteses possíveis, elaborar suposições, revogar parâmetros, explorar e analisar probabilidades para convergir em uma síntese. O design thinking é introduzido como uma potente ferramenta para o branding, a qual administra o posicionamento, a missão e os valores da marca. São características dos designers thinkers colocar o ser humano como centro de sua atenção, procurar identificar suas necessidades e, se possível, antecipar-se a elas. “Na velocidade que o cenário muda e as aspirações dos consumidores se transformam na mesma velocidade, é vital a inclusão do designer nas esferas de gestão, pesquisa e planejamento estratégico” (Consolo, 2015, p. 43). TEMA 4 – ESSÊNCIA DA MARCA A essência da marca pode ser considerada o coração, a alma ou o DNA da marca. É emocional e baseada em sentimentos. É muito importante que essa essência seja assimilada de forma clara pelo consumidor, mas, antes de mais nada, deve ter clareza para a própria empresa. Como praticamente todos os elementos da marca, é emocional e humana. É intangível e, portanto, é sentida pelo público. Refinar a “alma” da sua marca em algumas palavras exige que ela seja autêntica e breve, o que é muito mais fácil de trabalhar quando você começa a pensar em outros elementos de marca. É descrita em três ou cinco palavras e expressa o maior benefício para o cliente que a marca oferece. Resume nossa promessa fundamental. (Thiel, 2019) 4.1 Promessa de marca Já a promessa de marca é tangível e torna um produto ou serviço desejável. Pode ser explicada ao público ou pode se manifestar mais sutilmente, na expressão e na entrega da experiência da marca. No entanto, uma promessa só é boa se for mantida e, caso não seja cumprida na maior parte do tempo, sua reputação e suas vendas provavelmente vão cair. É importante sempre indagar: “o que seu cliente ideal sente ao usar seu produto ou serviço?” (Thiel, 2019). 10 Uma frase famosa de Jeff Bezos, da Amazon, é: “uma marca é o que as pessoas falam sobre você quando você não está na sala”. Veja, a seguir, como pensar a essência de uma marca, de acordo com Thiel (2019): Figura 15 – Como pensar a essência de uma marca Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Vamos ver alguns exemplos de essência de marcas: • Apple: capacitar as pessoas por meio da tecnologia. A Apple é um dos maiores símbolos de poder de uma marca. A diferenciação dos concorrentes ocorre em cada detalhe, começando pelos nomes dos produtos. A Apple não vende notebooks, tablets ou 11 smartphones. Vende MacBooks, iPads e iPhones. Comparando as especificações técnicas dos equipamentos da Apple com seus concorrentes, muitas vezes não leva à melhor em funcionalidade. Mesmo assim, seus produtos - que apresentam um preço bem mais alto - continuam entre os mais vendidos e desejados do mercado. (Thiel, 2019) • Nike: desempenho atlético autêntico. Essa essência da marca faz com que os clientes pensem e sintam: “esse produto me permite alcançar meu melhor desempenho”. É uma das marcas mais conhecidas do mundo. Tem tudo a ver com “inspiração e imaginação”. Basta lembrar da campanha “Just Do It”, por exemplo, projetada para convencer as pessoas que, com a ajuda da Nike, elas podem realizar qualquer coisa. Esta é uma marca esportiva que agrada não apenas aos atletas profissionais, mas também aos atletas escondidos dentro de todos nós, pessoas comuns. (Thiel, 2019) • Disney: diversão, família, entretenimento. Aqui me refiro a The Walt Disney Company, Walt Disney, também conhecida por apenas Disney. A Disney é uma marca familiar. Membros da família se divertem juntos. A principal função da marca é fornecer entretenimento, jogos, filmes, desenhos etc. É interessante ressaltar que a Disney tem diversos segmentos de atuação, mas todos eles seguem a mesma essência da marca. Os segmentos vão desde parques e resorts até redes de TV e produtos de consumo. (Thiel, 2019) A essência da marca facilita que a empresa e seus clientes criem sintonia e permaneçam o mais autêntico possível. As melhores empresas costumam usar a essência da marca como uma bússola na tomada de decisões. Fortalece o marketing e melhora o atendimento de clientes mais exigentes, já que a essência de uma marca é o que inspira os clientes a se apaixonarem por ela. Desse modo, quando se tem claro os elementos que definem a alma de uma empresa, é muito mais fácil tomar decisões coesas e definir a sua identidade visual e sistema de identidade corporativa. 4.2 Como definir a essência de uma marca Para definir a essência de uma marca, é necessário começar determinando o que o diferencia e terminar construindo uma história que compartilhe suas diferenças (Thiel, 2019). A essência da marca é o que apoia ahistória da empresa. Fortalece de onde veio, o que é e o que quer ser. Uma maneira de definir a essência da sua marca é usar o modelo apresentado na figura a seguir. 12 Figura 16 – Modelo de como definir a essência de marca de acordo com Thiel Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. A essência da marca não é um slogan ou tagline. Esses dois são criados a partir da essência ou do posicionamento para traduzir a mensagem desejada na linguagem do consumidor. Por exemplo, a essência da Nike é “desempenho atlético autêntico” Já o slogan é “just do it” ou “apenas faça”. Outro exemplo é a Apple: “capacitar as pessoas por meio da tecnologia” e o slogan é “think different” ou “pense diferente”. Um slogan e/ou tagline são mensagens de curto prazo, podem durar um período ou uma campanha específica. Existem para evoluir com o mercado e manter a marca relevante (Thiel, 2019). TEMA 5 – VALORES DA MARCA Os valores determinam como uma marca será capaz de traduzir sua essência para o consumidor, ou seja, os valores devem dar vida à sua essência. Muitas empresas têm inovação como um de seus valores. Porém, para cada uma delas, esse valor significa algo diferente. Para a Apple, inovação significa design e facilidade de uso. Na Nike, inovação é melhorar o desempenho por meio da tecnologia. Para a Virgin, inovação é definida como novos mercados, novos modelos de negócios ou novas soluções de valor agregado. Na 3M, inovação significa tecnologia criativa ou soluções únicas e pioneirismo. (Thiel, 2019) A Virgin Atlantic, companhia aérea britânica, com o objetivo de se diferenciar de todas as outras empresas, focou no seu valor inovação. Eles foram os pioneiros em oferecer valor agregado aos clientes, diferenciando-se de seus concorrentes. Com serviço de massagem, manicure e ambientes que visam acalmar os passageiros com medo de voar. Também inovaram com metas de reduzir as emissões de carbono a cada milha de voo. 13 Figura 17 – Virgin Atlantic Créditos: IANC66/Shutterstock. A forma com que esses valores são entendidos pela empresa possibilitam a experiência do cliente com a marca. Os valores desempenham papel importante na definição de uma marca e afetam a comunicação de marketing, identidade visual e o relacionamento com o público, fornecedores e clientes. São esses valores que definem e influenciam as decisões de compra dos consumidores, isso porque as pessoas consomem valores que vão ao encontro dos seus (Thiel, 2019). TROCANDO IDEIAS Nesta aula, falamos um pouco sobre as bases de uma marca e a importância de manter sempre os valores e conceitos em todos os níveis da empresa. Faça uma pesquisa e encontre empresas, além das citadas na aula, que têm valores bem definidos, fazendo uma lista de como esses conceitos são aplicados, identificando como os valores estão apresentados em sua identidade visual. Poste a sua pesquisa no fórum e troque ideias com os colegas de turma. NA PRÁTICA Faça uma pesquisa na internet, selecione uma empresa que tenha um bom sistema de identidade visual e agrupe o maior número possível de aplicações. Faça uma análise dos materiais e liste os pontos positivos e 14 negativos, se houver. Tente organizar os elementos de forma a facilitar a sua visualização, como no exemplo a seguir. Figura 18 – Identidade corporativa Créditos: NEW_HERO/Shutterstock. FINALIZANDO Nesta aula, destacamos alguns dos principais elementos que dão vida a uma marca. Esses conceitos são fundamentais para que um designer possa desenvolver o seu projeto de identidade visual de forma a fortificar ainda mais uma marca, tanto de forma tangível como intangível. 15 REFERÊNCIAS AAKER, D. Administração estratégica de mercado. Porto Alegre: Bookman, 2003. ASSOCIAÇÃO DOS DESIGNERS GRÁFICOS. ABC da ADG: glossário de termos e verbetes utilizados em design gráfico. São Paulo: ADG, 2000. CAMEIRA, S. R. Branding + design. São Paulo: Senac, 2020. CHAMA, N. Marcas e Sinalização: práticas em design corporativo. São Paulo: SENAC, 2007. CONSOLO, C. Marcas - Design estratégico. Blucher, 2015. MEGGS, P. B. História do design gráfico. São Paulo: Cosac Naify, 2009. OLLINS, W. El libro de las marcas. Barcelona: Oceano, 2008. THIEL, C. Como Definir a Identidade da Marca: Um guia para profissionais e marcas se comunicarem com clareza e consistência. São Paulo, 2019. WHEELER, A. Design de identidade de marca: guia essencial para toda a equipe de gestão de marcas. Porto Alegre: Bookman, 2019. IDENTIDADE VISUAL AULA 3 Profª Eliza Sawada Timm 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, veremos quais são os primeiros passos para iniciarmos um projeto de identidade visual e a importância da tipografia no projeto. O conteúdo está estruturado da seguinte forma: primeiros passos para desenvolver um projeto de identidade visual, conceito, naming, comunicação e logotipo. CONTEXTUALIZANDO É um erro acreditar que, para criar a identidade visual de uma marca, basta se sentar em frente a um computador e selecionar uma fonte, inserir grafismos ou desenhos e escolher as cores conforme o gosto do cliente. Não é bem assim, pois, como em todo projeto, é importante, antes de mais nada, realizar pesquisas, fazer o levantamento do seu público-alvo e concorrentes para depois pensar nas cores, tipografia e elementos gráfico. Essa preparação é fundamental para a criação de uma identidade visual consistente e forte. TEMA 1 – PRIMEIROS PASSOS PARA DESENVOLVER UM PROJETO DE IDENTIDADE VISUAL O primeiro passo é conhecer com profundidade a marca, sua essência e valores, quem ela é ou pretender ser, assim como o seu público-alvo. Mas, para isso, é necessário realizar pesquisa e análise, além da entrevista com o cliente e com os seus consumidores. Isso não significa que o cliente escolherá a cor da identidade visual, mas sim que você fará a escolha mais eficiente depois de entender as necessidades, desejos e valores. Criar uma identidade visual tem a ver com diferenciação; visível, relevante e única (Thiel, 2019). Além de conhecer a marca do seu cliente e o consumidor, conheça também os concorrentes, como eles se apresentam visualmente, a personalidade de suas identidades visuais, seus pontos comuns, qualidades e defeitos. Isso não quer dizer que você vai copiar os concorrentes, mas sim entender como eles são percebidos. 3 De acordo com Thiel (2019), a identidade visual pode ser determinada articulando os seguintes elementos: aspectos físicos, personalidade, aspectos culturais, relacionamentos, visão e reflexão e autoimagem. Figura 1 – Aspectos físicos de acordo com Thiel Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Figura 2 – Identidade visual da Coca-Cola Créditos: FERDYBOY/Shutterstock. Figura 3 – Personalidade de acordo com Thiel Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. 4 Figura 4 – Personalidade da Coca-Cola Créditos: F O G A A S/Shutterstock. Figura 5 – Aspectos culturais de acordo com Thiel Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Figura 6 – Aspectos culturais da Coca-Cola Créditos: FRANTIC00/Shutterstock. 5 Figura 7 – Relacionamentos de acordo com Thiel Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Figura 8 – Relacionamentos da Coca-Cola Créditos: ANTON GVOZDIKOV/Shutterstock. Figura 9 – Visão e reflexão segundo Thiel Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. 6 Figura 10 – Visão e reflexão da Coca-Cola Créditos: ERIC BRODER VAN DYKE/Shutterstock. Figura 11 – Autoimagem segundo Thiel Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Figura 12 – Autoimagem da Coca-Cola Créditos: KATATONIA82/Shutterstock. 7 Faça uma tabela com os dados dos concorrentes e da marca do seu cliente, e realize uma análise. Cruze os dados e verifique o que cada umdos concorrentes tem em comum com a sua marca e de que forma são relevantes em seu projeto. Essa análise irá ajudá-lo a tomar decisões sobre a identidade visual a ser desenvolvida, assim como a defender com mais propriedade as suas propostas para o cliente. Após realizar a análise dos dados coletados, crie o conceito para a identidade visual que você irá criar. Lembrando que o conceito da identidade visual deve ir ao encontro da essência e os valores da marca, assim como dos anseios do público-alvo. TEMA 2 – CONCEITO O conceito é a base para a criatividade. Os designers transformam o conceito, que é uma ideia, em uma expressão visual exclusiva para ser compreendido, comunicado e aprovado. Sendo assim, o conceito precisa ser explicado. Todos os elementos da identidade visual devem ter uma estrutura de lógica e significado. O conceito produz consenso, é um ponto de concentração usado para produzir consenso em um grupo (Wheeler, 2019). O conceito não é uma justificativa da identidade visual feita depois do projeto pronto. Na verdade, o conceito é construído antes da geração de alternativas, pois é ele que dará a direção que o projeto deverá seguir, como uma bússola. Um exemplo é o conceito da identidade visual da Amazon: satisfação do cliente. Para transformar o conceito em imagem, foi utilizado um sorriso, que também é uma seta que vai do A ao Z. A tipografia é toda em caixa baixa, o que a torna mais amigável e próxima ao consumidor. 8 Figura 13 – Identidade visual da Amazon Créditos: SUNDRY PHOTOGRAPHY/Shutterstock. Bradesco: abrigo e proteção. Para transformar o conceito em imagem, foi utilizada uma árvore, que remete a vida, crescimento, abrigo e suporte. Figura 14 – Identidade visual do Bradesco Créditos: BRENDA ROCHA - BLOSSOM/Shutterstock. Agora que você já sabe como o conceito é importante, podemos começar a pensar na identidade visual da marca. TEMA 3 – NAMING Naming ou nomear, dar um nome, é um processo demorado que merece muita pesquisa e dedicação, já que o nome irá acompanhar a marca por sua vida toda. Em muitos casos, o proprietário da marca tem o nome definido, já que é 9 um processo muito pessoal, mas em outros, esse processo ainda deve ser realizado. Existem empresas que trabalham exclusivamente com naming, mas nem todas as marcas querem gastar com esta etapa do projeto. Neste caso, alguns tópicos devem ser observados para a criação do nome. O nome da marca deve ser pensado considerando o seu posicionamento e propósito, além do seu público-alvo. É importante verificar a sonoridade da palavra e observar que, em regiões diferentes ou em outras línguas, o nome pode ter significados diferentes. Para facilitar a definição de um nome, podemos separá-lo em categorias ou tipos. Figura 15 – Tipos de nomes 10 Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. Após a pesquisa e levantamentos de dados sobre a marca, público-alvo e definição da categoria, uma boa técnica para gerar nomes é o brainstorming. Veja, a seguir, a importância de se pensar em todas as possibilidades de origem dos nomes, segundo Bradda (2021): 11 Figura 16 – Possibilidades de origem dos nomes Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. É importante também verificar no órgão regulador de marcas e patentes se o nome já não é registrado (no Brasil, o órgão responsável é o INPI). TEMA 4 – COMUNICAÇÃO Agora que você conhece o seu cliente, sua essência e missão, o seu público-alvo e os seus concorrentes, fica muito mais fácil desenvolver o projeto de identidade visual. A identidade visual é o ponto de contato entre a marca e o consumidor, é a porta de entrada, e por isso é tão importante. Ela deve comunicar a essência da marca, quem ela é e quem é o seu público-alvo por meio de formas, fontes e padrões cromáticos. Fica mais fácil se imaginarmos as seguintes identidades visuais: • Casa de festas infantil – formas simples e coloridas e logotipo com fontes arredondadas; • Escritório de advocacia – logotipo com fontes serifadas; • Salão de beleza – formas mais orgânicas e leves; • Fast-food – cores quentes, formas mais pesadas e logotipo bold. 12 Figura 17 – Identidade visual e comunicação Créditos: LOVE_IS_LOVE/Shutterstock. Figura 18 – Identidade visual e comunicação Créditos: SHIJI1/Shutterstock. Figura 19 – Identidade visual e comunicação Créditos: VLAD PL/Shutterstock. De modo geral, essas são as primeiras imagens que nos vêm à mente, mas é claro que que essas referências não são regras e não precisam ser 13 seguidas. De novo, tudo vai depender da essência, valores e conceitos da marca. No entanto, é importante lembrar que fazemos leitura de tudo em nossa volta, tentamos encontrar sentido nas coisas, e é claro que não queremos que o nosso consumidor não identifique a mensagem, ou pior, faça a leitura errada. Várias marcas tiveram que ser refeitas por não serem identificadas pelo consumidor ou pelo símbolo ter sentido ambíguo. Saiba mais Acesse este site para saber mais sobre símbolos ambíguos: . Acesso em: 4 mar. 2021. TEMA 5 – LOGOTIPO Para o design de identidade visual, é fundamental saber trabalhar com tipografia, já que todas possuem uma identidade verbal. É muito importante entender que as fontes têm personalidade, suas formas e linhas nos transmitem uma mensagem, e essas devem ser respeitadas. Uma fonte não pode ser utilizada de forma indiscriminada e sem critérios. Quanto maior for o nosso conhecimento, maior será a nossa facilidade em trabalhar com as fontes, então estude tipografia, história da arte e do design, pesquise designers e artistas gráficos. Mas atenção, pesquise fontes seguras e de qualidade. Sempre reforçamos que não existe fonte feia, mas sim fonte mal utilizada, fontes aplicadas em contextos inadequados. Saber definir o desenho da fonte é o primeiro passo, e para isso, temos que verificar a essência da marca e o seu público-alvo. A personalidade visual da marca. Por exemplo, poderíamos utilizar uma tipografia clássica para um médico ou advogado, já que escolhemos esses profissionais por sua seriedade e competência. 14 Figura 20 – Tipografia Com Serifa Créditos: GEEN GRAPHY/Shutterstock. Já para um público feminino, jovem e romântico, a tipografia poderia ter formas mais orgânicas e fluidas. Figura 21 – Tipografia caligráfica Créditos: VERY_VERY/Shutterstock. Se o público for do rock, a tipografia pode ser bem diferente, com linhas mais retas e angulosas. 15 Figura 22 – Tipografia Sans Serif Créditos: GEEN GRAPHY/Shutterstock. Para o público urbano ligado ao graffiti e ao skate, a tipografia pode simular os desenhos das fontes utilizadas nos muros e paredes das cidades. Figura 23 – Tipografia fantasia – graffiti Créditos: DOOZIE DOZER/Shutterstock. No caso de um público ligado à tecnologia, a tipografia pode ser sem serifa, limpa e com linhas retas. 16 Figura 24 – Tipografia Sans Serif Créditos: MOONBANDIT/Shutterstock. É lógico que esses exemplos não são regras, como dito, são só exemplos. O importante é perceber que toda marca e público tem um perfil e características visuais que devem ser observadas. Existe no mercado um número enorme de fontes, no entanto, o ideal é desenharmos a fonte para um logotipo, pois isso o torna único e exclusivo. As grandes marcas têm a sua própria fonte. Além dos profissionais específicos que desenham fontes, os type designers ou designers de tipos, é possível trabalhar com o lettering, que é a arte de desenhar fontes combinando formas e linhas projetadas exclusivamente para um determinado projeto. Figura 25 – Lettering Créditos: NIKOLAY VDOVICHENKO/Shutterstock.17 O segundo passo depois da definição dos traços da fonte é sua funcionalidade. Antes da Bauhaus e do surgimento do estilo tipográfico internacional, ou simplesmente estilo internacional, as fontes utilizadas eram as clássicas romanas, góticas ou caligráfica. Já o estilo internacional prioriza a legibilidade, com formas simples e a remoção de elementos desnecessários. Uma identidade visual deve ser assimilada, lembrada e armazenada na mente do consumidor, então um logotipo deve ser de fácil e clara leitura. De acordo com a Gestalt, ou teoria da forma, guardamos em nossas mentes o que é mais simples e organizado, tudo que é mais complexo tendemos a descartar. Já nos deparamos diversas vezes com logotipos difíceis de entender, tendo que pensar por alguns segundos para conseguir ler o nome da marca. Pronto, é o suficiente para perder um cliente mais desatento. Procure sempre ser o mais claro possível, passe a mensagem de forma a não gerar dúvidas na sua leitura. Observe as identidades visuais a seguir e note como o logotipo é simples e claro. Figura 26 – Logotipos Créditos: GORAN BOGICEVIC/Shutterstock. 18 Figura 27 – Logotipos Créditos: TADA IMAGES/Shutterstock. Figura 28 – Logotipos Créditos: RICOCHET64/Shutterstock. Figura 29 – Logotipos Créditos: TANUHA2001/Shutterstock. 19 Figura 30 – Logotipos Créditos: KASPARS GRINVALDS/Shutterstock. Figura 31 – Logotipos Créditos: ROSE CARSON/Shutterstock. É possível ainda fazer modificações em fontes existentes, conferindo uma característica única por meio de cortes ou inserção de formas. Mas cuidado, algumas modificações muito exageradas podem prejudicar a leitura e as proporções da própria fonte, como por exemplo condensar ou distorcer a forma. Veja a seguir alguns exemplos inadequados de modificações nas fontes. Note que a Bodoni é uma fonte elegante, porém, a distorção retirou essa qualidade, já a Futura tem como característica os traços uniformes e mais geométricos, também perdidos com a deformação. Nesses casos, o melhor é buscar fontes que já tenham as características de serem mais estreitas ou largas. Leves distorções podem ser realizadas, mas, no caso da Helvetica, a distorção está prejudicando a leitura. 20 Figura 32 – Exemplos inadequados de distorções da fonte Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. TROCANDO IDEIAS Nesta aula, abordamos a importância da pesquisa para o desenvolvimento de um projeto de identidade visual, a construção de um conceito e a utilização dos vários tipos de desenhos de fontes. Agora, faça uma pesquisa, selecione alguns logotipos e faça uma análise quanto à legibilidade, se é alta, média ou baixa. Poste a sua pesquisa no fórum e troque ideias com os seus colegas de turma. A seguir, um exemplo de tabela de pesquisa: Figura 33 – Tabela de pesquisa de logotipos Fonte: Eliza Sawada Timm, 2021. 21 NA PRÁTICA Faça uma busca na internet e veja a evolução de algumas identidades visuais como a da Ford, da Pepsi e da Renault. Note como os logotipos foram ficando cada vez mais claros e objetivos. FINALIZANDO Nesta aula, observamos como o designer deve trabalhar na preparação para o início de um projeto de identidade visual, e quais são os pontos mais importantes que devem ser trabalhados. Vimos também como a comunicação e a legibilidade de uma tipografia é importante em um logotipo. Uma boa identidade visual não deve apenas agregar em sua forma a essência da marca, mas também cativar e habitar a mente de seu consumidor. 22 REFERÊNCIAS NAMING: como criar o nome certo para sua empresa. BRADDA, 4 ago. 2014. Disponível em: . Acesso em: 4 mar. 2021. THIEL, C. Como Definir a Identidade da Marca: Um guia para profissionais e marcas se comunicarem com clareza e consistência. Bookman, 2019. WHEELER, A. Design de identidade de marca: guia essencial para toda a equipe de gestão de marcas. Porto Alegre: Bookman, 2019. IDENTIDADE VISUAL AULA 4 Profª Eliza Sawada Timm 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, faremos uma análise de alguns logotipos conhecidos, aprofundando nossas discussões sobre criação de símbolos e tratando da importância do design responsivo nas identidades visuais. CONTEXTUALIZANDO A criação de uma identidade visual engloba conhecimentos básicos do desenho como equilíbrio, proporção, composição, cor, forma, tipografia, além da utilização da metodologia para a realização de um projeto. Resumindo, uma identidade visual não é apenas um desenho, é necessário conhecimento e trabalho para a sua realização. TEMA 1 – ANALISANDO LOGOTIPOS CONHECIDOS Como vimos anteriormente, o logotipo é a identidade visual formada por fontes composta de forma única. Vamos analisar alguns logotipos conhecidos. Isso o ajudará a entender melhor como aplicar os conceitos vistos no tópico anterior. Quem conhece o Subway sabe que se trata de um fast food americano de sanduíches. No início, suas lojas ficavam sempre próximas ao metrô, derivando daí o nome (subway em inglês significa metrô ou caminho subterrâneo). O desenho da tipografia é ótimo, pois realmente nos dá a sensação de um caminho com uma espessura constante, lembrando os mapas das estações, e as setas também remetem ao vai e vem dos metrôs. As cores escolhidas têm um bom contraste e se destacam na paisagem. A Fedex é uma das maiores empresas de transporte do mundo. O nome é um acrônimo do original da empresa, Federal Express. A tipografia é simples, as formas retas e mais pesadas visualmente transmitem a ideia de segurança e solidez. O diferencial está na seta em negativo da junção entre o E e o X. A seta transmite a ideia de movimento, direção. Para conseguir esse efeito, foi necessário diminuir o kerning (espaço entre as letras) da fonte. Com a diminuição do kerning, as letras D e E se tornaram uma forma só. Para solucionar esse problema, foi incorporada uma segunda cor, muito bem 3 escolhidas. O azul e o laranja são cores complementares que se combinam pelo contraste; são mais vibrantes e dinâmicos, como a empresa. Figura 1 – Logotipo da Fedex Crédito: Tanuha2001/Shutterstock. O Pinterest é uma rede social em que os usuários selecionam e criam pastas com assuntos de interesse. Ele remete ao antigo costume de grudar lembretes e imagens em murais de cortiça com pins (alfinetes ou tachinhas). O nome surgiu exatamente desse costume, com a junção das palavras pin (alfinete) e interest (interesse). A maior parte do conteúdo postado é relacionado a moda, decoração, artesanato e afins, o que atraiu bastante o público feminino e empresas voltadas para o setor. A tipografia do antigo logotipo do Pinterest foi a cursiva, que remete ao manual. As formas são orgânicas e leves, o que vai ao encontro do principal público da rede social. A letra P é um pin, o que nesse caso funcionou muito bem. Mas é necessário ter cuidado, a ideia de transformar uma letra em uma forma dificilmente dá certo. É comum nos depararmos com fontes transformadas em desenho que não funcionam bem nem como fonte nem como imagem. Figura 2 – Identidade visual do Pinterest Crédito: Tanuha2001/Shutterstock. 4 Com essas breves análises, é possível verificar a essência e o conceito de cada marca, e como o logotipo pode materializar os valores subjetivos de cada uma. Todas são simples enquanto forma, mas carregadas de significados; tal combinação caracteriza as boas identidades visuais. TEMA 2 – SÍMBOLOS No design de identidade visual, o símbolo é o elemento gráfico que representa a marca. Se buscamos a origem dos símbolos, temos que voltar mais de 20 mil anos, para as pinturas rupestres, que já são registrosgráficos de uma interpretação de mundo. Os humanos dessa época foram os primeiros a transformar o tridimensional em bidimensional, criando sínteses visuais. Esses desenhos são representações que codificam uma experiência, sendo deixadas como registros (Consolo, 2015). Figura 3 – Pintura rupestre na caverna de Lascaux Crédito: Thipjang/Shutterstock. Vamos entender um pouco melhor o símbolo, começando por definir o que é sinal, signo e símbolo. Tudo pode ser considerado um sinal – uma pegada, fumaça, um arranhado, um galho quebrado. Em identidade visual, são considerados os sinais gráficos, visuais, perceptíveis à visão, produzidos intencionalmente como 5 registro de identificação, propriedade e memória. Um sinal pode também tornar- se um signo em determinados contextos (Consolo, 2015). Signo é tudo aquilo que está no lugar de alguma coisa. O sistema de escrita é um conjunto de signos de comunicação, assim como os pictogramas na sinalização. Em identidade corporativa, refere-se aos elementos visuais, olfativos e sonoros, recebendo tratamentos específicos quanto a formatação e uso (Consolo, 2015). Figura 4 – Pictogramas de sinalização Crédito: Dragontiger8/Shutterstock. Símbolo é o signo visual que representa e é reconhecido. Apresenta um nome, um conceito e, ao mesmo tempo, traz características construídas. São representações sintéticas de conceitos por vezes abstratos, que passam a ter significado dentro de um determinado grupo (Consolo, 2015). Um exemplo é o símbolo secreto dos primeiros cristãos. Somente os membros o conheciam e sabiam o seu significado (conceito), que é um acrônimo (palavra que se forma pela junção das primeiras letras de uma frase) de Iēsous Christos Theou Yios Sōtēr (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador), ou seja, ICHTHYS, que em grego antigo significa peixe. Figura 5 – Símbolo secreto dos primeiros cristãos Os sinais gradativamente passaram a designar ofícios, guildas de trabalhadores, monarcas e impérios e se tornaram símbolos à medida que exerciam sua função de designação e eram reconhecidos pelos 6 membros das sociedades envolvidas nessa dinâmica. Um dos mais antigos símbolos é o de propriedade, posse, que provavelmente nasceu da necessidade de um indivíduo de uma mesma comunidade buscar alternativas para diferenciar as cabeças do seu rebanho com as do vizinho. O sentido etimológico do termo marca deriva do germânico marka – que significa sinal e poderia designar tanto a ação de marcar como também o instrumento usado para fazê-lo. Brand (substantivo) deriva da palavra nórdica brnd, que deu origem a brand do inglês antigo, que significava marcar o gado: gravar um símbolo a fogo no couro do animal. (Consolo, 2015, p. 29) Um símbolo para identidade visual pode ser classificado em categorias como literal, abstrato, pictórico, voltado para a palavra ou para a imagem; podem ainda combinar elementos de mais de uma categoria. Um exemplo de símbolo literal e pictórico é o da marca Puma, que tem o desenho simplificado do animal, assim como o da Apple, que utiliza uma maçã. Figura 6 – Identidade visual da marca puma Crédito: Tanuha2001/Shutterstock. Já o símbolo da marca Chase Bank é abstrato e pictórico. O octógono, forma geométrica de oito lados, foi inspirado na moeda chinesa, enquanto o quadrado no centro representa um cofre seguro. Figura 7 – Símbolo da marca Chase Bank Crédito: Adao/Shutterstock. 7 Os símbolos abstratos usam a forma visual para transmitir uma ideia ou atributo da marca, que podem funcionar muito bem para grandes empresas que tenham muitas divisões com pouca relação entre si (Wheeler, 2019). Os símbolos pictóricos são imagens fáceis de reconhecer. A imagem em si pode remeter ao nome ou à missão da empresa ou atributo da marca. Quanto mais simples a forma, melhor será percebida e memorizada. Formas muito complexas ou com muitos detalhes são menos eficientes. Algumas identidades visuais são caracterizadas pela utilização de uma letra isolada, transformando-as em símbolos. “A letra sempre tem um design único e proprietário, impregnado de personalidade e significado. O monograma age como um instrumento mnemônico, fácil de aplicar ao ícone de um aplicativo” (Wheeler, 2019). Figura 8 – Identidades visuais com monograma Créditos: Patcharaporn Puttipon 636/Shutterstock; Jose Carlos Cerdeno/Shutterstock; Evan Lorne/Shutterstock; Dennizn/Shutterstock. Uma monograma é um símbolo voltado para a palavra. Difere, por exemplo, dos símbolos da Puma e da Apple, que são voltados para o desenho. Não existem regras que determinam a melhor forma de criar símbolos para um tipo específico de empresa. O importante é analisar diferentes soluções com base em critérios funcionais, racionais e estéticos (Wheeler, 2019). 8 Um bom símbolo deve ser simples e traduzir a ideia. É possível trabalhar com cor, luz e sombra, e espaços positivos e negativos, mas não com todos ao mesmo tempo. Lembre-se sempre que formas e cores são informação, e excesso de informação visual pode fazer com que a informação fique visualmente poluída. TEMA 3 – ANALISANDO SÍMBOLOS CONHECIDOS Vamos analisar alguns símbolos conhecidos, o que o ajudará a entender melhor como aplicar os conceitos abordados no tópico anterior. A Starbucks, marca multinacional americana de cafeterias, tem um símbolo literal e pictórico. Starbuck é uma homenagem a um dos personagens do livro Moby Dick, do escritor Herman Melville. O símbolo é inspirado em um entalhe escandinavo de uma sereia de duas caudas, do século XVI. A sereia foi escolhida por simbolizar beleza; também faz referência a longas viagens para transportar o grão do café até a empresa, que fica em Seattle nos EUA, uma cidade portuária. Apesar de o desenho ter várias formas (o cabelo, as duas caudas e a coroa), ele é simétrico, o que o torna mais simples; não tem textura, nem luz ou sombra, o que neste caso iria poluir a imagem. Além disso, utiliza apenas uma cor. Se o símbolo da Starbucks fosse assimétrico e composto por mais de uma cor, não funcionaria tão bem. Figura 9 – Símbolo da Starbucks Crédito: Ken Wolter/Shutterstock. 9 O símbolo da Mastercard, empresa americana do setor de pagamentos, é abstrato, formado por apenas dois círculos que indicam transações seguras e de confiança. Simbolizam a promessa de conectar pessoas às suas paixões, e por isso mesmo utiliza cores quentes. De acordo com a psicologia das cores, o vermelho simboliza o amor e a paixão. Os círculos se interceptam, representando a transição de um para o outro, o que é reforçado pela mistura do amarelo com o vermelho, que cria o laranja. Nesse caso, a utilização de mais de uma cor é muito bem-vinda, já que as próprias cores têm representatividade. A utilização de várias cores só é possível porque as formas são muito simples. Figura 10 – Símbolo da Mastercard Crédito: Naftalia Louise/Shutterstock. É o mesmo caso do símbolo do Hyatt Place, que é uma rede internacional de hotéis. Os vários círculos representam os hotéis espalhados pelo mundo, e as cores as diversidades. O preto se destaca como cor neutra, formando a letra H do nome. Figura 11 – Símbolo do Hyatt Place 10 O símbolo da Netflix é voltado para a palavra, ou seja, é um monograma. Nesse caso, a letra foi muito bem trabalhada, no sentido da continuidade; é como se fosse uma fita contínua, e o que dá essa sensação é a mudança no tom da cor, além da luz e da sombra, reforçando a percepção de volume nas formas. Funciona muito bem nos meios digitais, nas animações e como ícone de aplicativo. Figura 12 – Monograma da Netflix Crédito: Jose Carlos Cerdeno/Shutterstock. TEMA 4 – COMO CRIAR UM SÍMBOLO Como sempre, em um projeto de design, o primeiro passo é fazer a pesquisa sobre a marca, o produto e o público-alvo,analisar os dados coletados e o briefing, criar o conceito e iniciar a geração de alternativas. Observando o mercado verificamos alguns erros comuns, como a criação de símbolos com muitos elementos, em alguns casos difíceis de decodificar e até mesmo identificar como identidade visual, já que se aproximam mais de uma ilustração. No exemplo a seguir, podemos observar esse excesso de informação visual. O círculo de fundo, os dois ramos de cevada com sombra e degradê, além do lúpulo detalhado e com volume. Note que, além das várias informações visuais, um dos desenhos é pictórico e o outro realista, o que neste caso gera um conflito, pelo excesso de elementos. 11 Figura 13 – Símbolo para uma marca de chopp Uma proposta para melhorar este símbolo seria simplificar as formas, diminuindo o número de elementos e cores. Além de utilizar apenas uma linguagem, como no exemplo a seguir. Outra dica: quando os elementos forem complexos, é uma boa pedida utilizar simetria, o que torna as formas mais simples e fáceis de interpretar. Figura 14 – Símbolo recriado para uma marca de chopp TEMA 5 – DESIGN RESPONSIVO O termo design responsivo se torna a cada dia mais comum, com o advento das tecnologias digitais e principalmente com os dispositivos móveis. Cada vez mais, utilizamos o celular para acessar a internet, e as marcas vêm sentindo a necessidade de acompanhar essas mudanças de comportamento. Sites responsivos se adaptam ao tamanho da tela de celulares e tablets. O Google classifica sites responsivos em melhor posição que os não responsivos (Rossato, 2016). O design responsivo também se aplica às identidades visuais quando de sua criação. Devemos pensar como o logotipo ou símbolo irá se comportar nas telas dos celulares e tablets. 12 Algumas marcas, de mais tempo no mercado, estão fazendo modificações em suas identidades para atender a esse consumidor. Essa prática deixou de ser um luxo e virou necessidade de sobrevivência no mercado (Rossato, 2016). Veja, a seguir, marcas que simplificaram as identidades visuais para se adaptarem melhor aos formatos de tela. Figura 15 – Simplificação da identidade visual Crédito: Rvlsoft/Shutterstock.; Rose Carson/Shutterstock; Afm Visuals/Shutterstock; Postmodern Studio/Shutterstock. Não esqueça de pensar nisso quando for criar uma identidade visual! Saiba mais Acesse esse site para saber mais sobre design responsivo: JOE HARRISON DESIGN. Responsive logos. Disponível em: . Acesso em: 16 abr. 2021. 13 TROCANDO IDEIAS Nesta aula, analisamos algumas identidades visuais e destacamos os seus pontos mais importantes. Que tal você fazer a análise de alguns logotipos e símbolos, conhecidos ou não? Inicie fazendo uma pesquisa sobre uma marca e tente descobrir a sua essência, para depois fazer a análise formal. Essa é uma boa forma de construir repertório e aprender com os erros e acertos das identidades visuais que estão por aí. NA PRÁTICA Agora que você viu a importância de estar sempre atento às mudanças de comportamento da sociedade e às evoluções tecnológicas, selecione uma identidade visual qualquer e aplique os conceitos do design responsivo. Transforme um logotipo ou símbolo mais complexo em uma identidade visual mais adequada a dispositivos móveis. Poste no fórum da disciplina e troque ideias com seus colegas de turma. FINALIZANDO Nesta aula, discutimos a construção de logotipos e símbolos. Vimos como a pesquisa sobre a marca e o público-alvo é extremamente importante para o conceito da identidade visual, e que ele pode ser representado através de formas, cores e composições. Evidenciamos como a comunicação não verbal, por meio de signos, é percebida de forma sutil pelo observador. Dominar essa linguagem é fundamental para o designer gráfico. 14 REFERÊNCIAS WHEELER, A. Design de identidade de marca: guia essencial para toda a equipe de gestão de marcas. Porto Alegre: Bookman, 2019. ROSSATO, C. Marcas responsivas e sua importância na atualidade. Administradores, 14 nov. 2016. Disponível em: . Acesso em: 16 abr. 2021. CONSOLO, C. Marcas: design estratégico. São Paulo: Blucher, 2015. IDENTIDADE VISUAL AULA 5 Profª Eliza Sawada Timm 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, falaremos sobre a identidade visual cambiante e suas particularidades, com uma revisão de tópicos de relevância para a criação de uma identidade visual, como a teoria da forma, ambiguidade e cor. CONTEXTUALIZANDO Como já abordamos anteriormente, a cor é a primeira forma de comunicação visual percebida pelo observador, portanto, é um dos componentes mais relevantes no desenvolvimento de uma identidade visual, além da composição e da forma. É importante fazer a validação da identidade visual antes de sua aprovação e finalização. TEMA 1 – IDENTIDADE VISUAL CAMBIANTE Como vimos em aulas anteriores, a identidade visual, além de representar graficamente uma marca, também organiza e padroniza a sua representação quanto a cor, disposição, tipografia, entre outros elementos. No entanto, na identidade visual cambiante, algumas regras são quebradas. Essa quebra se deve à essência e ao conceito de marca. Em alguns casos, a mutação, a mudança constante e a perdurabilidade fazem parte da essência da marca. Um exemplo clássico é a identidade visual da MTV. O logotipo, de apenas três letras, apresenta variação de cores, texturas e técnicas de representação. Quem acompanhava a MTV no seu auge, nas décadas de 1990 e 2000, lembra-se bem das vinhetas criativas e inovadoras voltadas para o público jovem, com foco em liberdade de expressão e comportamentos não tradicionais da época. A utilização de uma identidade cambiante se encaixava perfeitamente com esse perfil de público-alvo. A MTV se tornou um meio de divulgação para artistas independentes que trabalhavam com ilustração, colagem, animação, fotografia e tipografia. Podemos considerar a identidade visual da MTV como referência de design cambiante. 3 Figura 1 – Identidade visual cambiante da MTV Crédito: Igorgolovniov/Shutterstock; 360b/Shutterstock; Kathy Hutchins/Shutterstock. Saiba mais Acesse o site para ver algumas vinhetas da MTV: VINHETAS MTV Brasil. Roger C. Rocha, 12 out. 2013. Disponível em: . Acesso em: 30 abr. 2021. No caso da MTV, a identidade visual cambiante serviu para transmitir a essência da marca, criando um vínculo afetivo com o público-alvo da época, fortalecendo assim a relação, tornando-a mais duradoura. De forma resumida, a identidade visual da MTV e a essência da marca foram construídas de maneira coerente. No entanto, uma identidade visual cambiante deve ser muito bem planejada e construída. Deve fixar a representação da marca na mente do seu consumidor, de forma que seja considerada única através de seus pontos de contato, por exemplo sites, anúncios, interações, serviços, atendimentos, produtos, entre outros. As identidades visuais podem ser divididas em dois grandes blocos: convencionais e não convencionais. 4 As convencionais, que podem ser tradicionais e modernas, têm como característica a padronização, com mudanças gradativas e quase imperceptíveis. As não convencionais têm como característica a flexibilidade e a dinâmica das formas, por conta de heterogeneidade e fragmentação, indeterminação, efêmero e constante reformulação. “A mutante é uma prática comunicacional contemporânea e é considerada a (r)evolução da representação: aberta, inovadora, artística, indeterminada, subjetiva, um jogo de ecletismos. É a natureza emocional da marca”