Logo Passei Direto
Buscar

Ferramentas de estudo

Material

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Aula 01
Direito Processual
Civil Delegado PF
Autor
Prof.: Rodrigo Vaslin 8 de Janeiro de 2025
 
 
 
 
 
 
Sumário 
Considerações Iniciais ............................................................................................................................ 4 
Jurisdição................................................................................................................................................ 6 
1 - História do Direito e da Jurisdição ................................................................................................ 6 
2 - Conceito ...................................................................................................................................... 19 
3 - Escopos ....................................................................................................................................... 27 
4 - Teorias sobre a Jurisdição ........................................................................................................... 29 
5 - Características ............................................................................................................................. 33 
6 - Princípios .................................................................................................................................... 39 
7 - Regra da Ordem Cronológica Ope Legis ..................................................................................... 60 
8 - Equivalentes Jurisdicionais .......................................................................................................... 68 
8.1 - Autotutela ................................................................................................................................................ 69 
8.2 - Autocomposição ...................................................................................................................................... 72 
8.3 - Dispute board .......................................................................................................................................... 89 
8.4 - Arbitragem (Lei nº. 9.307/96) .................................................................................................................. 92 
Espécies de Jurisdição (foco na Jurisdição Voluntária) ...................................................................... 109 
Tutela Jurisdicional ............................................................................................................................ 120 
Limites da Jurisdição Nacional ........................................................................................................... 137 
Cooperação Jurídica Internacional .................................................................................................... 142 
Destaques da Legislação e da Jurisprudência .................................................................................... 154 
Resumo .............................................................................................................................................. 161 
Conceito ......................................................................................................................................... 161 
História ........................................................................................................................................... 161 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 2
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Escopos, Teorias ............................................................................................................................. 162 
Características ................................................................................................................................ 162 
Princípios ........................................................................................................................................ 162 
Equivalentes Jurisdicionais ............................................................................................................. 163 
Jurisdição Voluntária ...................................................................................................................... 163 
Tutela Jurisdicional ......................................................................................................................... 163 
Limites da Jurisdição Nacional ....................................................................................................... 163 
Cooperação Internacional .............................................................................................................. 164 
Considerações Finais .......................................................................................................................... 164 
Questões Comentadas ....................................................................................................................... 164 
Lista de Questões ............................................................................................................................... 245 
Gabarito ............................................................................................................................................. 266 
Questões Discursivas ......................................................................................................................... 266 
 
 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 3
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
JURISDIÇÃO 
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO PROCESSUAL 
CIVIL 
CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
Olá pessoal, como vão os estudos iniciais do Direito Processual Civil? 
A aula 00 atendeu às expectativas? 
Lembrem-se de que estou sempre à disposição no fórum de dúvidas e pelo instagram. 
Instagram: rodrigovaslin 
Youtube: Rodrigo Vaslin 
Vamos continuar? 
Nossa matéria da aula de hoje é Jurisdição, envolvendo, como destacamos na aula 00, legislação, 
doutrina, jurisprudência e questões de concursos públicos. 
 
Ao iniciar os estudos de certa matéria no Processo Civil, é interessante, primeiro, localizar onde o 
referido assunto se enquadra dentro da divisão do próprio código, comparado com o Código de 1973. 
 
 FONTES 
 
Legislação - Novo 
CPC e leis 
especiais. 
 Doutrina 
Jurisprudência 
relevante do STF e 
do STJ. 
 
Milhares de 
questões de 
concursos públicos 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 4
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Inclusive, esse era um método que eu utilizava para o estudo. Tentava organizar na mente onde cada 
assunto estava no índice do livro daquela matéria, bem como em qual livro, seção, capítulo do código 
ele era tratado. Vamos visualizar onde o tema desta aula se encontra? 
 
Pois bem. 
Após estudarmos as normas processuais fundamentais do Direito Processual Civil (Livro I da Parte 
Geral), iremos partir para o Livro II (Da Função Jurisdicional – arts. 16 ao 69). 
Como podem ver, a Jurisdição é um tema fulcral e inicial na nossa matéria. Já mencionamos que o 
Direito Processual Civil é composto pelo tripé Jurisdição, Processo e Ação, sendo, por alguns teóricos, 
adicionado o elemento Tutela, que é um dos focos do NCPC (vide art. 4º, CPC). 
Em termos de estrutura, a aula será focada no tópico Jurisdição, sendo composta dos seguintes 
capítulos: 
 
 
 
História e 
Conceito de 
Jurisdição 
 
Escopos, 
Teorias, 
Características e 
Princípios 
 
Equivalentes 
Jurisdicionais 
 
Jurisdição e suas 
espécies: foco 
na Jurisdição 
Voluntária 
 
Tutela 
Jurisdicional 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 5
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139pela interpretação literal da lei, mas sim pelas normas (regras e princípios), considera a jurisprudência 
como fonte direta do Direito, tem diante de si precedentes vinculantes, cláusulas gerais, conceitos 
indeterminados, pode se valer do controle difuso de constitucionalidade, bem como do controle de 
convencionalidade. Há ainda a possibilidade de aplicar a teoria da derrotabilidade das regras, bem 
como a regra da proporcionalidade (adequação, necessidade, proporcionalidade em sentido estrito) 
ante o conflito aparente de princípios. 
Enfim, há um leque significativo de possibilidades para que o juiz supere o positivismo acrítico e 
efetivamente tutele o direito material, principalmente os direitos fundamentais, em uma atitude 
comprometida com a Constituição. A legislação deve ser compreendida a partir dos princípios 
constitucionais e dos direitos fundamentais, e é o juiz quem tem o dever de interpretá-la de acordo 
com a Constituição. 
Como diz Marinoni, daí decorre a impossibilidade de se falar na existência de uma decisão correta 
para o caso concreto. O que se tem é a definição de uma característica marcante na Jurisdição do 
Estado Constitucional: a importância destacada da argumentação e fundamentação pelo juiz. Cresce-
lhe o peso do dever de demonstrar que a sua decisão é a melhor possível mediante uma 
argumentação fundada em critérios racionais. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 31
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Professor, mas essa divagação toda cai em prova? Olhe a resposta abaixo. 
TJ-MT (2014) - A jurisdição no Estado Constitucional: 
a) constitui um poder vinculado tão-somente à lei. 
b) constitui um poder vinculado à Constituição e que deve ser exercido na dimensão dos 
direitos fundamentais e da legislação vigente. 
c) constitui uma declaração judicial de uma norma pré-existente, cujo sentido é dado pelo 
legislador na redação da proposição legal. 
d) constitui uma atividade constitutiva da juridicidade do Estado, que está, contudo, 
totalmente vinculada à legislação infraconstitucional federal, que deve ser respeitada em 
qualquer caso, mesmo em caso de inconstitucionalidade. 
e) Nenhuma das alternativas é correta. 
Comentários: A alternativa A está incorreta. Vimos que a submissão tão somente à lei não é a 
visão da Jurisdição Constitucional no cenário do Neoconstitucionalismo. Exige-se muito mais, 
exige-se uma filtragem constitucional de todos os institutos. 
A alternativa B está correta. É exatamente essa a visão exposta tanto na aula 00 quanto nesta 
aula, a partir dos trechos do Prof. Marinoni. 
A alternativa C está incorreta. Vimos que a teoria declaratória de Chiovenda não é a melhor a 
ser adotada. Vide as críticas já expostas em nosso pdf. 
A alternativa D está incorreta. Em caso de inconstitucionalidade, o juiz deve proceder ao 
controle difuso de constitucionalidade, afastando a norma e não a aplicando no caso concreto. 
E ainda vou além. Deve o juiz não só realizar o controle difuso, mas também o controle de 
convencionalidade (compatibilidade com os tratados internacionais de direitos humanos). 
A alternativa E está incorreta. 
As concepções de Chiovenda e Carnelutti foram as que mais influenciaram o Processo Civil pátrio. 
Contudo, os autores também abordam a noção de Calamandrei acerca da jurisdição. 
Calamandrei valorizava a ideia de imutabilidade das decisões (coisa julgada). Assim, somente um 
juiz pode dar uma decisão e obter com ela uma coisa julgada material. Portanto, normalmente 
quando cai em prova, a expressão grifada é associada à Calamandrei. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 32
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Dizia Calamandrei que “a lei abstrata se individualiza por obra do juiz”36. Isso ocorreria após o término 
do processo, quando a sentença não pudesse mais ser discutida, ocasião em que não se admitiria 
mais nem falta de certeza nem conflito sobre a relação jurídica julgada. Eis a lição do ilustre jurista 
italiano: “assim como a lei vale, enquanto está em vigor, não porque corresponda à justiça social, 
senão unicamente pela autoridade de que está revestida (‘dura lex sed lex’), assim também a 
sentença, uma vez transitada em julgado, vale não porque seja justa, senão porque tem, para o caso 
concreto, a mesma força da lei (‘lex especialis’). Em um certo ponto, já não é legalmente possível 
examinar se a sentença corresponde ou não à lei: a sentença é a lei, e a lei é a que o juiz proclama 
como tal. Mas com isto não se quer dizer que a passagem à coisa julgada crie o direito: a sentença 
(ou a coisa julgada material ou declaração de certeza), no sistema da legalidade, tem sempre caráter 
declarativo, não criativo do direito”.37 
Para aprofundar, é importante salientar que Calamandrei é adepto da teoria unitária do 
ordenamento jurídico, sustentando que a lei se invidualiza através da sentença. Mas, ainda assim, 
não nega que a tarefa jurisdicional tenha função declaratória. 
É importante deixar claro que as concepções de Carnelutti e Calamandrei, apesar de filiadas à teoria 
unitária do ordenamento jurídico, não se desligaram da idéia de que a função do juiz está 
estritamente subordinada à do legislador, devendo se submeter à lei. 
Na verdade, a distinção entre a formulação de Chiovenda e as de Carnelutti e Calamandrei está em 
que, para a primeira, a jurisdição declara a lei, mas não produz uma nova regra, que integra o 
ordenamento jurídico, enquanto que, para as demais, a jurisdição, apesar de não deixar de declarar 
a lei, cria uma regra individual. 
Ufa! Tudo bem até aqui, pessoal? Estamos tentando ser o mais abrangente possível para que, em 
prova, consigam colocar o máximo de informação possível. Aliás, em discursivas, temos de nos 
diferenciar dos demais concorrentes. 
5 - CARACTERÍSTICAS 
Didier aponta como princípios da jurisdição: territorialidade; indelegabilidade; inafastabilidade e juiz 
natural. 
 
36 CALAMANDREI, Piero. Istituzioni di diritto processuale civile, Napoli: Morano, 1970, p. 156. 
37 CALAMANDREI, Piero. Estudios sobre el proceso civil, Buenos Aires: Editorial Bibliográfica Argentina, 1945, p. 158. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 33
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Daniel Assumpção, a seu turno, lista os princípios da investidura, territorialidade, indelegabilidade, 
inevitabilidade, inafastabilidade, juiz natural e promotor natural e, como características, arrola o 
caráter substitutivo; a lide; inércia e a definitividade. 
Vamos abordar o elenco trazido por Daniel Assumpção, pois, além de tratar de todos os subscritos 
por Didier, acrescenta mais alguns. E, por óbvio, é melhor pecar pelo excesso! 
i) Caráter substitutivo 
A ideia de substitutividade é que o Estado substitui a vontade das partes pela vontade da lei, 
resolvendo o conflito entre elas, proporcionando a pacificação social. 
Havendo contrato de empréstimo inadimplido, e sendo a vontade da lei o pagamento da dívida, o 
Estado substitui a vontade da parte (de não pagar) pela vontade da lei (realização do pagamento). 
A substitutividade é colocada como característica da jurisdição justamente pela influênica de 
Chiovenda, cuja teoria já tratamos e sobre a qual já lançamos as críticas doutrinárias. 
Além das críticas supracitadas, a doutrina também pontua que a substitutividade não está presente 
em todos os casos. 
Ex1: ações constitutivas necessárias em que ambas as partes estão de acordo, mas têm de buscar o 
poder judiciário para constituir uma situação jurídica nova. Se um casal pretende se divorciar, ambos 
estão concordes, mas possuem um menor. Este fator impõe a submissão do caso ao Poder Judiciário 
(art. 733, CPC). Nesse caso, o Estado não substitui a vontade das partes, pois elas já eramconvergentes. 
Ex2: na execução indireta, o Estado Juiz pode promover a execução com a colaboração do executado, 
forçando a que ele próprio cumpra a prestação devida. Em vez de o juiz tomar as providências que 
deveriam ser tomadas pelo executado (execução direta, por subrogação), há imposição, por meio de 
coerção psicológica (ex: astreintes – art. 536, §1º e 537), a que o próprio executado cumpra a 
prestação. 
ii) Lide 
Lide é, segundo Carnelutti, conflito de interesse qualificado por uma pretensão resistida.De fato, a 
maior parte dos casos submetidos ao Poder Judiciário têm como característica a lide, um conflito de 
interesse. Mas não são todos, conforme expusemos linhas atrás. 
iii) Inércia 
“Ne procedat iudex ex officio”. Sem demanda não há processo, até porque demanda é um dos 
pressupostos processuais de existência. A movimentação inicial da jurisdição fica condicionada à 
provocação pelo interessado. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 34
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Segundo Daniel Assumpção, há 3 motivos: a) possível perda da imparcialidade do juiz; b) sacrifícios 
dos meios alternativos de resolução de conflitos; c) o juiz não deve transformar um potencial conflito 
jurídico em conflito social. 
VUNESP - 2008 - TJ-SP - Juiz: Como é sabido, a jurisdição é o poder de dizer o direito objetivo, 
função do Estado, desempenhada por meio do processo, na busca da solução do conflito que 
envolve as partes, para a realização daquele e a pacificação social. Sobre o assunto em questão, 
assinale a resposta correta. a) O exercício espontâneo da jurisdição, na condição de regra geral, 
implicaria em possível prejuízo da imparcialidade do juiz na solução da lide. 
Correto. É exatamente esse um dos motivos pelos quais a característica da inércia da Jurisdição 
é necessária, salvo raras exceções. 
O CPC/15 trata da matéria, trazendo poucas exceções legais (art. 2º). 
Art. 2o O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, 
salvo as exceções previstas em lei. 
 Uma exceção clássica trazida pelo antigo CPC/73 estava no art. 989, mas ela não se repete no 
CPC/15 (art. 616). 
Professor, e quais seriam as hipóteses elencadas pelo CPC/15 de exceção ao princípio? 
No CPC/15 também há alguns casos em que o juiz pode iniciar o processo de ofício. 
Ex1: restauração de autos (art. 712, CPC). 
Art. 712. Verificado o desaparecimento dos autos, eletrônicos ou não, pode o juiz, de 
ofício, qualquer das partes ou o Ministério Público, se for o caso, promover-lhes a 
restauração. 
Parágrafo único. Havendo autos suplementares, nesses prosseguirá o processo. 
FGV/DPE-RJ – Técnico Superior Jurídico - Constitui uma exceção à característica inerte da 
jurisdição: a) ação possessória tendo por objeto bem público; b) habeas data; c) restauração de 
autos; d) ação popular; e) mandado de injunção. Comentários: A alternativa C está correta. 
Ex2: herança jacente (art. 738, CPC). 
Art. 738. Nos casos em que a lei considere jacente a herança, o juiz em cuja comarca tiver 
domicílio o falecido procederá imediatamente à arrecadação dos respectivos bens. 
Ex3: arrecadação de bens do ausente (art. 744, CPC); 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 35
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Art. 744. Declarada a ausência nos casos previstos em lei, o juiz mandará arrecadar os 
bens do ausente e nomear-lhes-á curador na forma estabelecida na Seção VI, 
observando-se o disposto em lei. 
Ex4: coisas vagas (art. 746, CPC). 
Art. 746. Recebendo do descobridor coisa alheia perdida, o juiz mandará lavrar o 
respectivo auto, do qual constará a descrição do bem e as declarações do descobridor. 
§ 1o Recebida a coisa por autoridade policial, esta a remeterá em seguida ao juízo 
competente. 
§ 2o Depositada a coisa, o juiz mandará publicar edital na rede mundial de computadores, 
no sítio do tribunal a que estiver vinculado e na plataforma de editais do Conselho 
Nacional de Justiça ou, não havendo sítio, no órgão oficial e na imprensa da comarca, 
para que o dono ou o legítimo possuidor a reclame, salvo se se tratar de coisa de pequeno 
valor e não for possível a publicação no sítio do tribunal, caso em que o edital será apenas 
afixado no átrio do edifício do fórum. 
§ 3o Observar-se-á, quanto ao mais, o disposto em lei. 
Ex5: alienação judicial (art. 730, CPC). 
Art. 730. Nos casos expressos em lei, não havendo acordo entre os interessados sobre o 
modo como se deve realizar a alienação do bem, o juiz, de ofício ou a requerimento dos 
interessados ou do depositário, mandará aliená-lo em leilão, observando-se o disposto 
na Seção I deste Capítulo e, no que couber, o disposto nos arts. 879 a 903. 
Ex6: O juiz trabalhista, quando julga procedente ação de reconhecimento de vínculo empregatício, 
intima de ofício a Fazenda para que se dê início a execução fiscal dos tributos devidos em razão 
daquela relação (art. 114, VIII da CRFB). 
Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 45, de 2004) 
VIII a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a , e II, e seus 
acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 45, de 2004) 
Ex7: o julgador pode dar início a incidentes, a exemplo do IRDR (art. 976, CPC); conflito de 
competência (art. 951, CPC); incidente de arguição de inconstitucionalidade (art. 948, CPC). 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 36
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
A inércia tem como efeito colateral o dever de o Estado se manifestar nos exatos limites em que a 
demanda é proposta (arts. 141 e 492), que é a essência do princípio da congruência, adstrição ou 
correlação. 
Como toda boa regra, há exceções: 
i- Hipóteses de pedido implícito (art. 322, §1º, CPC – juros legais, correção monetária, ônus de 
sucumbência, incluindo honoráriso advocatícios); 
ii- Aplicação da fungibilidade; 
iii- Conhecimento de matérias de ordem pública em qualquer grau de jurisdição (ex: art. 485, 
§3º, CPC); 
iv- Na impossibilidade de concessão da tutela específica, o juiz pode determinar providências 
que asseguram a obtenção da tutela pelo resultado prático equivalente nas obrigações de fazer, não 
fazer e dar coisa diversa de dinheiro (art. 497, CPC). 
FCC/DPE-AP – Defensor Público/2018 - Os limites legais da lide são determinados pelo pedido 
e pela causa de pedir formulados pelo autor. Essa afirmação e sua aplicação ou não às ações 
possessórias, corresponde ao princípio da b) adstrição ou da congruência, excepcionado em 
relação às ações possessórias, ao autorizar a fungibilidade, ou seja, a conversão de uma ação 
possessória em outra nas hipóteses legalmente previstas no CPC. 
Comentários: A alternativa B está correta. Art. 492, do CPC. É vedado ao juiz proferir decisão 
de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em 
objeto diverso do que lhe foi demandado. Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que 
resolva relação jurídica condicional. 
FCC/PGE-AP-Procurador do Estado/2018 - Afirma-se, de modo pacífico na doutrina, que O 
magistrado está limitado, na sua decisão, aos fatos jurídicos alegados e ao pedido formulado. 
(DIDIER Jr., Fredie. Curso de Direito Processual Civil. Edit. Jus Podivm, 1 v., 17.ed., 2015, p. 553). 
Essa lição concerne ao princípio: a) da inércia processual. b) da eventualidade c) do dispositivo 
ou da livre iniciativa da parte. d) da inafastabilidade da jurisdição. e) da adstrição ou 
congruência. 
Comentários: A alternativa E está correta. Segundo o art. 492, caput, CPC, que traz o Princípio 
da Adstrição, o juiz não pode conceder diferente ou a mais do que for pedido peloautor, sob 
pena de caracterização de sentença ultra, citra ou extra petita. 
PGR/Procurador da República/21º Concurso - Esclareça no que consiste a correlação entre a 
tutela jurisdicional e a demanda, bem como indique e explicite, fundamentadamente, as 
atenuações à norma que impõe a referida correlação. 
O princípio da inércia foca no início do processo, impedindo o juiz de começar a demanda. Já o 
princípio da congruência, correlação ou adstrição impõe que o juiz não ultrapasse os limites do 
pedido, isto é, não julgue extra ou ultra petita, bem como não julgue aquém do pedido (citra petita). 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 37
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Embora haja ligação entre ambos, em provas, é importante tomar cuidado 
para não achar que falam sobre a mesma coisa. 
Outro princípio que tem uma certa ligação com o princípio da inércia é o 
dispositivo. Enquanto aquele é mais voltado ao impedimento do juiz de dar 
início à demanda, o princípio dispositivo impõe que o juiz julgue a causa com base nos fatos alegados 
e provados pelas partes, sendo-lhe vedada a busca de fatos não alegados e cuja prova não tenha sido 
postulada pelas partes. Percebe-se que ele se volta mais à impossibilidade ou não de o juiz produzir 
provas de ofício. 
Sobre a 2ª parte do art. 2º, CPC (impulso oficial), vale tecer algumas observações. 
Art. 2o O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, 
salvo as exceções previstas em lei. 
Em primeiro lugar, a regra do impulso oficial não impede que o autor desista da demanda (art. 485, 
VIII, CPC). 
Em segundo, como o processo se desenvolve por impulso oficial, se a demora for imputada à má-
prestação jurisdicional, a prescrição intercorrente não poderá ser conhecida. 
Súmula 106, STJ: Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na 
citação, por motivos inerentes ao mecanismo da Justiça, não justifica o acolhimento da 
arguição de prescrição ou decadência. 
O terceiro ponto a chamar atenção é que, nas chamadas ações sincréticas, cujo processo se 
desenvolve em duas fases procedimentais sucessivas (conhecimento e execução), surge a dúvida se 
é necessária a provocação do autor para o início da fase de satisfação. 
Nesse ponto, Daniel Assumpção ressalta que o juiz pode dar início de ofício à fase de execução, 
tratando-se de impulso oficial e não de exceção da inércia da jurisdição. Como o juiz não inicia um 
processo (a fase de conhecimento já ocorreu), o magistrado apenas impulsiona o mesmo processo 
para sua segunda fase, qual seja, fase satisfativa. 
Como exemplo, temos o art. 536, caput, CPC, que expressamente permite o início de ofício do juiz 
quando a obrigação exequenda for de fazer e não fazer. Quanto à obrigação de dar coisa, entende-
se da mesma forma, vez que o art. 538, §3º, CPC determina a aplicação das disposições sobre o 
cumprimento de obrigação de fazer e não fazer. 
Entretanto, a lei pode excepcionar essa regra do impulso oficial. É o que ocorre no art. 513, §1º, que 
exige o requerimento da parte interessada quando a obrigação exequenda for de pagar quantia 
certa. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 38
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Por fim, pelo art. 190 (autorregramento da vontade no processo), discute-se a possibilidade ou não 
de as partes, por meio de um negócio jurídico processual, limitarem a atuação de ofício do juiz, sendo 
tal tema abordado à frente em nosso curso. 
iv) Definitividade 
Somente a solução jurisdicional pode tornar a questão definitiva e imutável. 
De fato, nem todo ato do juiz é definitivo; nem toda sentença faz coisa julgada material e, mesmo 
que faça, pode ser rescindida. 
Inclusive, iremos, no momento oportuno, tratar das seis hipóteses de alteração da coisa julgada, 
quais sejam: a) art. 505, I, CPC (relação de trato sucessivo); b) art. 966 (hipóteses de ação rescisória); 
c) vícios transrescisórios (ex: vício de citação – art. 525, I e 535, I, ambos do CPC); d) coisa julgada 
inconstitucional (art. 525, §§12 a 15, CPC); e) coisa julgada injusta inconstitucional; f) segundo a Corte 
Especial do STJ (EAREsp 600.811, julgado em 04/12/2019), uma segunda coisa julgada prevalece 
sobre a primeira. 
Por ora, é preciso saber apenas que somente uma decisão judicial tem aptidão para fazer coisa 
julgada material. 
6 - PRINCÍPIOS 
1 - Investidura 
Só exerce jurisdição quem esteja regularmente investido na função de juiz ou árbitro. A investidura 
do juiz estatal se dá de quatro formas, enquanto o árbitro é investido apenas de uma forma 
(convenção arbitral), e sua jurisdição é específica para aquele caso concreto. 
Quais são aquelas quatro formas de investidura do juiz? 
i- concurso público (art. 93, I, CRFB); 
ii- quinto constitucional– TRFs, TJs (art. 94, CRFB), TRTs (art. 115, CRFB), TST (art. 111-A, CRFB); 
iii- 1/3 para o STJ (art. 104, parágrafo único, II, CRFB); TSE (art. 119, II, CRFB); TRE (art. 120, §1º, 
III, CRFB); STM (art. 123, parágrafo único). 
iv- STF - indicação do Poder Executivo, aprovação do Senado por maioria absoluta, nomeação 
pelo Presidente (art. 101, parágrafo único). 
Concurso 
Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o 
Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: I - ingresso na carreira, cujo 
cargo inicial será o de juiz substituto, mediante concurso público de provas e títulos, 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 39
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as fases, exigindo-se 
do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e obedecendo-se, nas 
nomeações, à ordem de classificação; (EC nº 45, de 2004) 
Quinto 
Art. 94. Um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais dos 
Estados, e do Distrito Federal e Territórios será composto de membros, do Ministério 
Público, com mais de dez anos de carreira, e de advogados de notório saber jurídico e de 
reputação ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade profissional, indicados em 
lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas classes. 
Parágrafo único. Recebidas as indicações, o tribunal formará lista tríplice, enviando-a ao 
Poder Executivo, que, nos vinte dias subseqüentes, escolherá um de seus integrantes 
para nomeação. 
Art. 111-A. O Tribunal Superior do Trabalho compõe-se de vinte e sete Ministros, 
escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de setenta anos de 
idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada, nomeados pelo Presidente da 
República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 122, de 2022) I - um quinto dentre advogados com 
mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do 
Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o disposto no art. 94; 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) II - os demais dentre juízes dos 
Tribunais Regionais do Trabalho, oriundos da magistratura da carreira, indicados pelo 
próprio Tribunal Superior. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
 
Art. 115. Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem-se de, no mínimo, sete juízes, 
recrutados, quando possível, na respectiva região e nomeados pelo Presidente da 
República dentre brasileiros com mais de trinta e menos de setenta anos de idade, sendo: 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 122, de 2022) I - um quinto dentre 
advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do 
Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado odisposto no art. 94; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). II - 
os demais, mediante promoção de juízes do trabalho por antigüidade e merecimento, 
alternadamente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
CESPE/TRF1 – Juiz Federal Substituto/2015: a) A regra constitucional que determina a 
composição de um quinto dos lugares dos tribunais para membros do MP e para advogados 
aplica-se aos TRFs, aos tribunais dos estados e do DF e aos tribunais superiores, com exceção 
do STF e do STM. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 40
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
A alternativa A está incorreta. O quinto constitucional se aplica apenas aos TJ's, TRF's, TRT's e 
TST. Já o STJ obedece à regra do "terço constitucional". 
Acesso ao STJ, TSE, TRE e STM 
Art. 104. O Superior Tribunal de Justiça compõe-se de, no mínimo, trinta e três Ministros. 
Parágrafo único. Os Ministros do Superior Tribunal de Justiça serão nomeados pelo 
Presidente da República, dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de setenta 
anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada, depois de aprovada a escolha 
pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 122, de 2022) 
I - um terço dentre juízes dos Tribunais Regionais Federais e um terço dentre 
desembargadores dos Tribunais de Justiça, indicados em lista tríplice elaborada pelo 
próprio Tribunal; 
II - um terço, em partes iguais, dentre advogados e membros do Ministério Público 
Federal, Estadual, do Distrito Federal e Territórios, alternadamente, indicados na forma 
do art. 94. 
 
ESCOLHA DE MAGISTRADO PARA O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA: ART. 104, 
PARÁGRAFO ÚNICO, INC. I, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. MAGISTRADOS DOS 
TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS E TRIBUNAIS DE JUSTIÇA: IMPOSSIBILIDADE DE 
EXCLUSÃO DOS QUE INGRESSEM PELO QUINTO CONSTITUCIONAL. AÇÃO DIRETA 
IMPROCEDENTE. (...) 2. A Constituição da República conferiu ao Superior Tribunal de 
Justiça discricionariedade para, dentre os indicados nas listas, escolher magistrados dos 
Tribunais Regionais Federais e dos Tribunais de Justiça independente da categoria pela 
qual neles tenha ingressado. 3. A vedação aos magistrados egressos da Advocacia ou do 
Ministério Público de se candidatarem às vagas no Superior Tribunal de Justiça configura 
tratamento desigual de pessoas em identidade de situações e criaria desembargadores 
e juízes de duas categorias. (STF, ADI 4.078) 
 
Art. 119. O Tribunal Superior Eleitoral compor-se-á, no mínimo, de sete membros, 
escolhidos: I - mediante eleição, pelo voto secreto: a) três juízes dentre os Ministros do 
Supremo Tribunal Federal; b) dois juízes dentre os Ministros do Superior Tribunal de 
Justiça; II - por nomeação do Presidente da República, dois juízes dentre seis advogados 
de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Supremo Tribunal Federal. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 41
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Art. 120. Haverá um Tribunal Regional Eleitoral na Capital de cada Estado e no Distrito 
Federal. § 1º - Os Tribunais Regionais Eleitorais compor-se-ão: 
I - mediante eleição, pelo voto secreto: 
a) de dois juízes dentre os desembargadores do Tribunal de Justiça; 
b) de dois juízes, dentre juízes de direito, escolhidos pelo Tribunal de Justiça; 
II - de um juiz do Tribunal Regional Federal com sede na Capital do Estado ou no Distrito 
Federal, ou, não havendo, de juiz federal, escolhido, em qualquer caso, pelo Tribunal 
Regional Federal respectivo; 
III - por nomeação, pelo Presidente da República, de dois juízes dentre seis advogados 
de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Tribunal de Justiça. 
Art. 123. O Superior Tribunal Militar compor-se-á de quinze Ministros vitalícios, 
nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a indicação pelo Senado 
Federal, sendo três dentre oficiais-generais da Marinha, quatro dentre oficiais-generais 
do Exército, três dentre oficiais-generais da Aeronáutica, todos da ativa e do posto mais 
elevado da carreira, e cinco dentre civis. 
Parágrafo único. Os Ministros civis serão escolhidos pelo Presidente da República dentre 
brasileiros maiores de trinta e cinco anos, sendo: 
I - três dentre advogados de notório saber jurídico e conduta ilibada, com mais de dez 
anos de efetiva atividade profissional; 
II - dois, por escolha paritária, dentre juízes auditores e membros do Ministério Público 
da Justiça Militar. 
STF 
Art. 101. O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze Ministros, escolhidos dentre 
cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de setenta anos de idade, de notável saber 
jurídico e reputação ilibada. Parágrafo único. Os Ministros do Supremo Tribunal Federal 
serão nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria 
absoluta do Senado Federal. 
3.2 - Territorialidade (ou aderência ao território) 
Os magistrados só possuem autoridade nos limites do território nacional, porquanto a jurisdição (una 
e indivisível), é manifestação da soberania, exercendo-se sempre dentro de um dado território. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 42
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Tem-se, pois, que todo juiz brasileiro tem jurisdição em todo território nacional. 
Contudo, as regras de competência delimitam esse poder, definindo um determinado território, 
determinado foro38 dentro do qual a atuação jurisdicional será legítima. Qualquer ato processual que 
ultrapasse tais limites, necessitará de cooperação, como carta precatória (dentro do território 
nacional – art. 237, III e 260ss), carta rogatória (fora do território nacional – art. 237, II e 260ss). 
Exceções: há hipóteses em que o juiz pode praticar atos fora do seu foro: 
i- citação pelos correios pode ser feita para qualquer lugar do país (art. 247, CPC); 
ii- citação, intimação, penhora ou qualquer ato executivo pelo oficial de justiça pode ser feito em foro 
contíguo ou nas que se situam na mesma região metropolitana (art. 255, CPC); 
iii- se o imóvel disputado estiver em mais de um Estado, comarca, subseção ou seção, a competência 
do juízo que conhecer da causa se estenderá sobre todo o imóvel; 
iii- colheita de depoimentos à distância por meio do sistema de transmissão de imagem (art. 385, 
§3º, 453, §§1º e 2º, CPC); 
iv- realização de penhora de imóvel e de automóveis situados em qualquer local do Brasil (art. 845, 
§1º, CPC); 
v- processo eletrônico tende a mudar muita coisa. Até então, já se apontam exceções na citação por 
meio eletrônico (art. 246, V) e na penhora online (art. 854, CPC). 
 
Atenção: não se confunde a territorialidade da jurisdição com o lugar 
onde a decisão produzirá efeitos. 
Uma coisa é tratar da competência para apreciar e julgar a matéria, verificada no início do processo. 
Outra coisa se refere à eficácia subjetiva da coisa julgada (para quem” a sentença proferida na ACP 
 
38 O nome técnico dado a esse território da jurisdição, a essa delimitação territorial da jurisdição é “foro”. Não se 
confundir com fórum, que é o prédio. Na justiça estadual, os foros se chamam comarcas ou distritos. As comarcas 
abrangem uma cidade ou um grupo de cidades, que ganha seu nome a partir do nome da maior (ou da única) cidade que 
a compõe. A comarca, por sua vez, pode ser subdividida e a subdivisão da comarca chama-se distrito. O distrito pode ser 
uma cidade (no caso da comarca ser um grupo de cidades) ou um bairro (no caso de uma comarca muito grande). No 
Distrito Federal a comarca se chama Circunscrição. Essa terminologia muda no âmbito da Justiça Federal, na qual se divide 
em Seção e Sub-seção Judiciárias. Cada Seção Judiciáriacorresponde a um Estado. A Seção Judiciária pode ser subdividida 
em sub-seções, divisão que corresponde a uma cidade ou um grupo de cidades, tendo sempre nome de cidade. 
 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 43
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
produz efeitos), ligada aos limites da decisão definitiva, que se baseia no pedido, causa de pedir e 
partes. 
Ex1: um divórcio realizado em Belo Horizonte produzirá efeitos em todo o Brasil e não apenas na 
comarca de BH; 
Ex2: uma decisão proferida na Seção Judiciária de São Paulo determinando que a União implemente 
determinada política pública nacional produzirá efeitos em todo o território nacional, e não apenas 
na Seção Judiciária de São Paulo. 
O artigo 16 da Lei de Ação Civil Pública (Lei nº. 7.347/85) parece, justamente, ter misturado esses 
dois conceitos. 
Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência 
territorial do órgão prolator, exceto se o pedido for julgado improcedente por 
insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação 
com idêntico fundamento, valendo-se de nova prova. (Redação dada pela Lei nº 9.494, 
de 10.9.1997 
Tanto misturou que o STJ39, contrapondo-se à redação literal do dispositivo, afirmou que “a eficácia 
das decisões proferidas em ações civis públicas coletivas NÃO deve ficar limitada ao território da 
competência do órgão jurisdicional que prolatou a decisão. 
IBFC/TRF2 – Juiz Federal/18 - Nos termos do entendimento fixado pelo STF e STJ sobre o 
alcance territorial da sentença coletiva transitada em julgado, diante da limitação determinada 
pelo art. 16 da Lei n. 7.347/85: b) a sentença fará coisa julgada erga omnes, nos limites da 
competência territorial do órgão prolator, ainda que o título tenha estabelecido de modo mais 
amplo. e) a sentença pode ser executada fora dos limites da competência territorial do órgão 
prolator, por força da coisa julgada, ainda que em contrariedade à limitação legal, se fixado no 
título. A alternativa B está incorreta. A alternativa E está correta. Conforme julgados acima 
apontados. 
Em 2021, o STF, finalmente, declarou a inconstitucionalidade do art. 16 da Lei n. 7.347/85. 
I - É inconstitucional o art. 16 da Lei nº 7.347/85, alterada pela Lei nº 9.494/97. 
II - Em se tratando de ação civil pública de efeitos nacionais ou regionais, a competência 
deve observar o art. 93, II, da Lei nº 8.078/90 (CDC). 
 
39 STJ. Corte Especial. EREsp 1134957/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 24/10/2016. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 44
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9494.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9494.htm
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
III - Ajuizadas múltiplas ações civis públicas de âmbito nacional ou regional, firma-se a 
prevenção do juízo que primeiro conheceu de uma delas, para o julgamento de todas 
as demandas conexas. 
STF. Plenário. RE 1101937/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 7/4/2021 
(Repercussão Geral – Tema 1075) (Info 1012). 
TRF4/TRF4 – Juiz Federal/2022 (b) Segundo o entendimento do Supremo Tribunal Federal, o 
art. 16 da Lei da Ação Civil Pública, que estabelece limite territorial para a abrangência da coisa 
julgada, é inconstitucional. Correta. 
CESPE/TJMA – Juiz/2022 - Assinale a opção correta em relação à ação civil pública. 
a) Persiste o entendimento de que, como regra geral, a sentença civil fará coisa julgada erga 
omnes, nos limites da competência territorial do órgão prolator. 
b) Na hipótese de ação civil pública com efeitos nacionais, a competência para processamento 
e julgamento deve ser do foro da capital do estado ou do Distrito Federal, resolvendo-se 
eventual conflito de competência pela prevenção do juízo que primeiro conheceu a demanda. 
c) O Supremo Tribunal Federal, em face de a Constituição Federal de 1988 não ter ampliado a 
proteção dos interesses difusos e coletivos, estabeleceu a ação civil pública como o 
instrumento de efetivação desses interesses. 
d) De acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, por inexistir litispendência, 
a propositura de ação civil pública não impede o ajuizamento de ação individual que tenha o 
mesmo objeto e a mesma causa de pedir e, da mesma forma, não interrompe o prazo 
prescricional para a propositura da demanda individual. 
e) Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, diante de multiplicidade de ações civis 
públicas de âmbito nacional ou regional, após fixada a competência, firma-se a prevenção do 
juízo que primeiro conheceu de uma delas, para o julgamento de todas as demandas conexas. 
A está incorreta. o STF declarou inconstitucional o art. 16 da LACP, dispositivo reproduzido na 
alternativa. 
B está incorreta. A primeira partE está correta e de acordo com o item II do tema 1075 do STF. 
Todavia, o conflito de competência não será resolvido pela prevenção do juízo que 1º conheceu 
da demanda (isso é critério para conexão/continência e reunião de demandas). O conflito de 
competência será resolvido pelas regras de competência constitucionais e legais. 
C está incorreta. A CRFB/88 ampliou e muito a proteção dos interesses difusos e coletivos. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 45
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
D está incorreta. Segundo o art. 104 do CDC, a ACP não impede, de fato, a propositura da ação 
individual. Todavia, o STJ entende que a citação válida na demanda coletiva interrompe a 
prescrição para ações individuais, ainda que o processo coletivo venha a ser extinto em face da 
ilegitimidade do substituto processual40. 
E está correta. III - Ajuizadas múltiplas ações civis públicas de âmbito nacional ou regional, 
firma-se a prevenção do juízo que primeiro conheceu de uma delas, para o julgamento de todas 
as demandas conexas. STF. Plenário. RE 1101937/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, d.j. 7/4/21 
(Rep Geral – Tema 1075) (Info 1012). 
Em um caso interessante envolvendo efeitos da decisão judicial para além do território nacional, o 
STJ41 decidiu que em caso de ofensa ao direito brasileiro em aplicação hospedada no estrangeiro, 
é possível a determinação judicial, por autoridade brasileira, de que tal conteúdo seja retirado da 
internet e que os dados do autor da ofensa sejam apresentados à vítima. 
Em caso similar, o STF42 pontuou que as empresas de tecnologia que operam aplicações de internet 
no Brasil sujeitam-se à jurisdição nacional e, como tal, devem cumprir as determinações das 
autoridades nacionais do Judiciário — inclusive as requisições feitas diretamente — quanto ao 
fornecimento de dados eletrônicos para a elucidação de investigações criminais, ainda que parte de 
seus armazenamentos esteja em servidores localizados em países estrangeiros. 
3.3 - Indelegabilidade 
No aspecto externo, não se pode delegar a função jurisdicional a outros poderes ou órgãos que não 
pertencem ao Poder Judiciário (salvo se a própria CRFB prever funções estatais atípicas). 
No aspecto interno, determinada a competência para uma demanda, não se pode delegar a função 
para outro órgão jurisdicional. Como exceções, temos: 
Exceção1: carta de ordem determinando a prática de atos de competência do Tribunal. 
 
40 a citação válida no processo coletivo, ainda que este venha ser julgado extinto sem resolução do mérito em face da 
ilegitimidade do Substituto Processual, configura causa interruptiva do prazo prescricional para propositura da ação 
individual. (STJ, 5ª T, REsp. 1055419/AP, Rel. Min. Laurita Vaz, d.j. 06/09/11). No mesmo sentido: STJ, 2ª T, Resp. 
1449964/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, d.j. 05/08/14. 
41 (STJ, REsp 1.745.657-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 03/11/2020,info 
681). 
42 (STF, ADC 51/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, d.j. 23/2/23, info 1084). 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 46
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Art. 972. Se os fatos alegados pelas partes dependerem de prova, o relator poderá 
delegar a competência ao órgão que proferiu a decisão rescindenda, fixando prazo de 1 
(um) a 3 (três) meses para a devolução dos autos. 
Exceção2: delegação da função executiva dos julgados do STF, 102, I, “m”, CRFB)43. 
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da 
Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: m) a execução de 
sentença nas causas de sua competência originária, facultada a delegação de atribuições 
para a prática de atos processuais; 
Exceção3: delegação da competência do Tribunal Pleno para o órgão especial do mesmo Tribunal 
(art. 93, XI, CRFB). 
Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o 
Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: 
XI nos tribunais com número superior a vinte e cinco julgadores, poderá ser constituído 
órgão especial, com o mínimo de onze e o máximo de vinte e cinco membros, para o 
exercício das atribuições administrativas e jurisdicionais delegadas da competência do 
tribunal pleno, provendo-se metade das vagas por antigüidade e a outra metade por 
eleição pelo tribunal pleno; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
Exceção4: delegação de competência da justiça federal para a estadual. 
CRFB, Art. 109, § 3º Lei poderá autorizar que as causas de competência da Justiça Federal 
em que forem parte instituição de previdência social e segurado possam ser processadas 
e julgadas na justiça estadual quando a comarca do domicílio do segurado não for sede 
de vara federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019) 
Aqui, a Lei n. 13.875/2019 já alterou o art. 15, Lei n. 5.010/66 (que organiza a Justiça Federal de 1ª 
instância) prevendo o seguinte: 
Art. 3º O art. 15 da Lei nº 5.010, de 30 de maio de 1966, passa a vigorar com a seguinte 
redação: 
“Art. 15. Quando a Comarca não for sede de Vara Federal, poderão ser processadas e 
julgadas na Justiça Estadual: (...) III - as causas em que forem parte instituição de 
 
43 Nestes casos, jamais se delegam atos decisórios. Qualquer incidente do processo executivo que demande julgamento 
deverá ser submetido à apreciação do respectivo Tribunal. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 47
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art1
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
previdência social e segurado e que se referirem a benefícios de natureza pecuniária, 
quando a Comarca de domicílio do segurado estiver localizada a mais de 70 km (setenta 
quilômetros) de Município sede de Vara Federal; 
Há outros casos de delegação previstos em lei (Lei nº. 5010/66), que serão estudados quando for 
tratado o assunto "competência". 
Exceção5: delegação a serventuários do poder de praticar atos de administração e atos de mero 
expediente sem caráter decisório (art. 93, XIV, CRFB c/c arts. 152, VI e 203, §4º, CPC). 
De todo o exposto, vislumbra-se que a indelegabilidade se aplica a atos de cunho decisório, podendo 
ser autorizada a delegação para a prática de atos ordinatórios (art. 93, XIV, CRFB), executório (art. 
102, I, “m”, CRFB), instrutórios (enunciado 45 Fonajef44). 
Obs: Nas cartas precatórias e rogatórias não há delegação de competência, pois o juiz pede 
cooperação de outro justamente porque não tem competência para realizar aquele ato. 
Não existe sentença branca no direito processual civil brasileiro, que ocorre 
quando o juiz delega para o Tribunal a decisão de um tema que versa sobre 
tratados internacionais. Isso existe no Direito Comunitário Europeu. 
3.4 - Inevitabilidade 
No primeiro aspecto, refere-se à vinculação obrigatória dos sujeitos ao processo judicial. Apesar de 
ninguém ser obrigado a ingressar com demanda contra sua vontade, uma vez integrada à relação 
jurídica processual, não poderá, por vontade própria, se negar ao chamado jurisdicional. 
O segundo aspecto diz respeito ao fato de que, por haver uma relação de sujeição, as partes 
suportarão os efeitos da decisão quer queiram ou não. Caso não cumpra o determinado, há no 
sistema os meios executivos para tanto. 
Havia uma exceção no CPC73 prevista no art. 67, segundo o qual, quando o terceiro fosse citado, 
poderia recusar a sua qualidade de parte, não integrando a relação jurídica processual. 
Art. 67. Quando o autor recusar o nomeado, ou quando este negar a qualidade que Ihe 
é atribuída, assinar-se-á ao nomeante novo prazo para contestar. 
 
44 Havendo contínua e permanente fiscalização do juiz togado, conciliadores criteriosamente escolhidos pelo Juiz, 
poderão, para certas matérias, realizar atos instrutórios previamente determinados, como redução a termo de 
depoimentos, não se admitindo, contudo, prolação de sentença a ser homologada. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 48
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Felizmente, o CPC2015 retirou a nomeação à autoria como intervenção de terceiro e a previu como 
mera correção do polo passivo (arts. 338 e 339), sem possibilidade de recusa. 
Atualmente, portanto, cita-se apenas as seguintes exceções à inevitabilidade: 
a) Imunidade de jurisdição de Estados estrangeiros para atos de império; 
b) Imunidade de execução de Estados estrangeiros, salvo se renunciá-la; 
c) Imunidade de jurisdição e execução para organismos internacionais, em especial a ONU. 
Na oportunidade, tomo a liberdade para utilizar as tabelas, sempre didáticas, do colega Márcio 
Cavalcante45: 
ATOS DE IMPÉRIO (JURE IMPERII) ATOS DE GESTÃO (JURE GESTIONIS) 
Atos que o Estado pratica no exercício de sua 
soberania. 
Atos que o Estado pratica como se fosse um 
particular, sem relação com a soberania. 
Exemplos: atos de Guerra, salvo se violarem 
direitos humanos46; negative de visto; negative de 
asilo politico47. 
Exemplos: contrato de luz/água, contrato de compra 
e venda, contratação de empregados, 
acidente de veículo. 
 
45 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d278df4919453195d221030324127a0e 
46 Cuidado: O STJ (RO 74-RJ, Rel. Min. Fernando Gonçalves, d.j. 21/5/09) entendeu pela imunidade de jurisdição da 
Alemanha pelo afundamento de um barco de pesca (Changri-lá) e consequente morte de brasileiros não combatentes 
promovido por um submarino de guerra alemão, em 1943, na 2ª Guerra Mundial. Todavia, o STF (ARE 954.858, d.j. 
30/08/2021), em repercussão geral (Tema 944), entendeu que os 
 
 
 
 praticados por Estados estrangeiros em violação a direitos humanos não gozam de imunidade de jurisdição. 
Posteriormente, o STJ se curvou à posição do STF (STJ, RO 109-RJ, Rel. Min. Salomão, d.j. 07/06/22, info 740). Nesse 
sentido, o mesmo STJ, aplicando o entendimento do STF para os casos de tortura no período militar, reconheceu, no caso 
desse navio de pesca (Changri-lá), a imprescritibilidade, inclusive para os sucessores, da pretensão de reparação de grave 
ofensa à dignidade da pessoa humana causada em virtude de conduta - omissiva ou comissiva - praticada a mando ou no 
interesse de detentores de poder estatal (STJ, 4ª T, RO 76-RJ, Rel. Min. Salomão, d.j. 07/06/22). 
47 Barroso e Cármen Tibúrcio colacionam alguns exemplos de atos de império: "a) atos legislativos; b) atos concernentes 
à atividade diplomática; c) os relativos às forças armadas; d) atos da administração interna dos Estados; e) empréstimos 
públicos contraídos no estrangeiro. BARROSO, Luís Roberto; TIBURCIO, Carmen. Imunidade de jurisdição: o Estado 
Federal e os Estados-membros, In: Direito internacionalcontemporâneo: estudos em homenagem ao professor Jacob 
Dolinger / Carmen Tiburcio, Luís Roberto Barroso, organizadores; Rio de Janeiro: Renovar, 2006, p. 152. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 49
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d278df4919453195d221030324127a0e
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Quando o Estado estrangeiro pratica atos de 
império, desfruta de imunidade de jurisdição. 
Quando o Estado estrangeiro pratica atos de gestão, 
NÃO goza de imunidade de jurisdição. 
ESTADOS ESTRANGEIROS 
ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS (EM ESPECIAL A 
ONU) 
Possuem imunidade de jurisdição? SIM, para atos 
de império. NÃO, para atos de gestão. 
Possuem imunidade de jurisdição? SIM, para todos os 
seus atos (desde que haja previsão em tratado 
internacional). 
Possuem imunidade de execução? SIM. Possuem imunidade de execução? SIM. 
Fundamento: Em geral, não há tratado 
internacional regulando o tema. Logo, esta 
imunidade é garantida por força de direito 
consuetudinário internacional (Direito das Gentes 
- jus cogens). Exceção: a imunidade de jurisdição 
das autoridades diplomáticas ou consulares 
encontra-se prevista nas Convenções de Viena de 
1961 e 1963 (Decretos 56.435/65 e 61.078/67). 
Fundamento: A existência de tratados internacionais 
assinados pelo Brasil prevendo esta imunidade. No 
caso específico da ONU, este documento é a 
Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações 
Unidas, de 1946 (Decreto 27.784/50). 
Causas trabalhistas: Trata-se de imunidade 
relativa. Assim, os Estados estrangeiros não gozam 
de imunidade de jurisdição (são atos de gestão), 
mas possuem imunidade de execução. 
Causas trabalhistas: Gozam de imunidade absoluta. 
Os organismos internacionais (com base neste 
precedente da ONU) gozam tanto de imunidade de 
jurisdição como de execução. 
Atos de império (jure imperii) Atos de gestão (jure gestionis) 
Atos que o Estado pratica no 
exercício de sua soberania. 
 
Atos que o Estado pratica como se fosse 
um particular. Não têm relação direta 
com sua soberania. 
Exs: atos de guerra, negativa de visto, 
negativa de asilo político48. 
Ex: contrato de luz/água, contrato de 
compra e venda, contratação de 
empregados, acidente de veículo. 
Quando o Estado estrangeiro pratica 
atos de império, ele 
desfruta de imunidade de jurisdição. 
Quando o Estado estrangeiro pratica 
atos de gestão, ele NÃO 
goza de imunidade de jurisdição. 
Sobre a imunidade de execução, vale fazer um aparte. Inicialmente, a jurisprudência pátria realmente 
entendia que a imunidade de execução era absoluta. Portanto, mesmo que um empregado brasileiro 
de uma embaixada argentina procure seus direitos trabalhistas na justiça (pode, pois a imunidade de 
jurisdição não serve para atos de gestão) e ganhe, não poderia haver penhora dos bens da Argentina, 
porquanto a imunidade de execução absoluta vigorava. 
 
48 Barroso e Cármen Tibúrcio colacionam alguns exemplos de atos de império: "a) atos legislativos; b) atos concernentes 
à atividade diplomática; c) os relativos às forças armadas; d) atos da administração interna dos Estados; e) empréstimos 
públicos contraídos no estrangeiro. BARROSO, Luís Roberto; TIBURCIO, Carmen. Imunidade de jurisdição: o Estado 
Federal e os Estados-membros, In: Direito internacional contemporâneo: estudos em homenagem ao professor Jacob 
Dolinger / Carmen Tiburcio, Luís Roberto Barroso, organizadores; Rio de Janeiro: Renovar, 2006, p. 152. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 50
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Segundo Carmen Tibúrcio49, porém, a jurisprudência brasileira evoluiu e passou a admitir a execução 
desde que recaia sobre bem não afeto ao exercício das funções consulares ou diplomáticas do 
Estado. 
A título de exemplo, em 2013, o TST50 entendeu que imóvel de propriedade da Arábia Saudita, 
desocupado e não utilizado para ufnção diplomática ou consular poderia ser penhorado, sem afronta 
ao art. 31 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. Interposto recurso extraordinário51, 
o STF manteve a decisão. 
Carmen Tiburcio salienta que o art. 11, §§2º e 3º da LINDB fundamenta tal entendimento. 
LINDB, Art. 11. § 2o Os Governos estrangeiros, bem como as organizações de qualquer 
natureza, que eles tenham constituido, dirijam ou hajam investido de funções públicas, 
não poderão adquirir no Brasil bens imóveis ou susceptiveis de desapropriação. 
§ 3o Os Governos estrangeiros podem adquirir a propriedade dos prédios necessários à 
sede dos representantes diplomáticos ou dos agentes consulares. (Vide Lei nº 4.331, de 
1964) 
Ora, se não é possível que adquiram imóveis no Brasil, além daqueles que sirvam como sedes 
diplomáticas e consulares, eventuais aquisições que contrariem a norma não serão protegidas. 
Portanto, bens cuja aquisição é vedada pela LINDB são susceptíveis de execução. 
TRT/SP – Juiz do Trabalho/2015 - Sobre o tema das imunidades de jurisdição: 
a) De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a imunidade de jurisdição das 
Organizações Internacionais deriva do costume internacional e não permite ser afastada nem 
em caso de reclamação trabalhista. 
b) Às Organizações Internacionais não se aplica a distinção entre atos de império e atos de 
gestão, uma vez que sua imunidade de jurisdição tem base convencional. Assim, a extensão da 
imunidade de jurisdição de uma Organização Internacional será determinada pelo tratado que 
regule seu funcionamento no Brasil. 
 
49 TIBURCIO, Carmen. Extensão e Limites da Jurisdição Brasileira: Competência internacional e imunidade de jurisdição. 
2ª ed. Salvador: Juspodivm, 2019, p. 362-363. 
50 TST, AIRR 18641-08.2005.5.10.0018 Rel. Min. Fernando Eizo Ono, dj. 25.09.2013. 
51 STF, RE 803.804, Rel. Min. Luiz Fux, dj 30.10.2014. Nesse sentido: RE 597.368, Relator para o acórdão Min. Teori Zavaski, 
DJe de 27/5/2014 e voto proferido pelo Rel. Min. Celso de Mello nos autos do RE 222.368-AgR/PE. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 51
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
c) A prática brasileira de admitir reclamações trabalhistas movidas por empregados de Missões 
Diplomá- ticas estrangeiras no Brasil é uma violação do direito internacional, que entende que 
a contratação de funcionários para suas Missões no exterior é um ato de império e, portanto, 
abrangida pela imunidade de jurisdição. 
d) Se o edifício onde funciona a Missão Diplomática de um País estrangeiro no Brasil for de 
propriedade desse Estado estrangeiro, é possível a penhora do edifício para execução de 
eventual condenação em reclamação trabalhista movida por ex-empregado da Missão. 
e) Nos casos em que, segundo o art. 31 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, 
não se beneficiar o agente diplomático da imunidade em relação à jurisdição civil e 
administrativa do Estado acreditado, eventual execução da sentença pode incidir sobre 
qualquer bem do seu patrimônio, inclusive os localizados em sua residência, desde que 
respeitada sua inviolabilidade pessoal. 
Comentários: Esta questão é claramente de Direito Internacional. Coloquei apenas para 
visualizarem que o tema imunidades é uma exceção à inevitabilidade da jurisdição. 
A alternativa A está incorreta. Com base no quadro do Márcio Cavalcante, vê-se que a 
imunidade de jurisdição das Organizações Internacionais deriva da previsão em tratados 
internacionais e não do costume. Este justifica a imunidade dos Estados. 
A alternativa B está correta, pois conforme o mesmo quadro supramencionado. 
A alternativa C está incorreta. O entendimento doutrinário atual é considerar contratações de 
trabalhadores por Estrados estrangeiros como atos de gestão, sobre os quais não há imunidade 
de jurisdição. Deve-se cuidar em relaçãoaos Organizações Internacionais, sobre as quais não 
há essa diferenciação entre atos de imperío e gestão, estando elas absolutamente imunes à 
jurisdição estatal. 
A alternativa D está incorreta. Apesar de a teoria atualmente adotada permitir a relativização 
da imunidade estatal em relação ao processo de conhecimento (seja quando for em relação à 
atos de gestão ou quando renunciar expressamente), o mesmo não é aplicado à fase de 
execução. Aqui, prevalece a imunidade do ente estatal estrangeiro no tocante ao processo de 
execução. 
A alternativa E está incorreta. O art. 31.3 da Covnenção de Viena sobre Relações Diplomáticas 
aduz que “O agente diplomático não está sujeito a nenhuma medida de execução a não ser nos 
casos previstos nas alíneas “a” (ação real sobre imóvel privado), “b” (ação sucessória) e “c” 
(ação referente a profissão liberal/comercial exercida fora das funções oficiais) do parágrafo 1 
deste artigo e desde que a execução possa realizar-se sem afetar a inviolabidade de sua pessoa 
ou residência. Assim, os locais das missões diplomáticas e as residências dos agentes não 
podem ser objeto de busca, apreensão ou qualqer medida de execução. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 52
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
TRF2/TRF2 – Juiz Federal Substituto/2017 - Analise as proposições e, ao final, marque a opção 
correta: 
III —Por força de regra constitucional, caso o Município resolva executar dívida de IPTU de 
Estado estrangeiro, a Justiça Federal será a competente. 
Resposta da Banca: A assertiva III é correta, fruto de aplicação de regra expressa da 
Constituição. Alguns candidatos citaram precedentes mencionando que o IPTU não é devido e 
não pode ser cobrado, por força de imunidade de jurisdição, ou de imunidade deferida a 
prédios consulares. Ora, trata-se do resultado da execução e isto não está na questão (o foco é 
o conhecimento da regra do art. 109, II, da Lei Maior). Nos exemplos de decisões do STJ, 
referindo a imunidade de prédios consulares, a execução foi proposta perante a Justiça Federal, 
basta conferi-los; no mais citado dentre eles, por sinal, perante a Justiça Federal da Seção do 
Estado do Rio de Janeiro. Isto basta. Era isto que se perguntava. Competência não se confunde 
com outros pressupostos processuais. A imunidade é analisada pelo órgão jurisdicional 
competente e, de qualquer modo, há casos mais ilustrativos: estados estrangeiros podem ter 
prédios que não são consulares, não abarcados pela Convenção de Viena, segundo 
entendimento vastamente dominante. Exemplo é dado com o Edifício Argentina, prédio na 
praia de Botafogo, com várias unidades comerciais que, após a grande crise argentina de 
2002, sofreu execuções diversas relativas a IPTU. 
Complementando a resposta da Banca, vale salientar que, em regra, os estados estrangeiros 
gozam de “imunidade tributária”, sendo previsto no art. 23, Convenção de Viena sobre 
Relações Diplomáticas assinada em 1961 (Decreto 56.435/65) e no art. 32 da Convenção de 
Viena sobre Relações Consulares assinada em 1963 (Decreto 61.078/67). 
Artigo 23 - 1. O Estado acreditante e o Chefe da Missão estão isentos de todos os impostos e 
taxas, nacionais, regionais ou municipais, sôbre os locais da Missão de que sejam proprietários 
ou inquilinos, excetuados os que representem o pagamento de serviços específicos que lhes 
sejam prestados. 2. A isenção fiscal a que se refere êste artigo não se aplica aos impostos e 
taxas cujo pagamento, na conformidade da legislação do Estado acreditado, incumbir as 
pessoas que contratem com o Estado acreditante ou com o Chefe da Missão. 
ARTIGO 32º - Isenção fiscal dos locais consulares. 1. Os locais consulares e a residência do chefe 
da repartição consular de carreira de que fôr proprietário o Estado que envia ou pessoa que 
atue em seu nome, estarão isentos de quaisquer impostos e taxas nacionais, regionais e 
municipais, excetuadas as taxas cobradas em pagamento de serviços especificos prestados. 
2. A isenção fiscal prevista no parágrafo 1 do presente artigo não se aplica aos mesmos 
impostos e taxas que, de acôrdo com as leis e regulamentos do Estado receptor, devam ser 
pagos pela pessoa que contratou com o Estado que envia ou com a pessoa que atue em seu 
nome. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 53
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Essa isenção, porém, não abrange taxas que são cobradas por conta de serviços 
individualizados e específicos, a exemplo da “taxa de coleta domiciliar de lixo”, uma vez que 
decorre da prestação de um serviço específico prestado a ele. 
Portanto, em relação ao IPTU, o Estado Estrangeiro goza da isenção. De toda forma, eventual 
execução pode sim ser proposta pelo Município e o Estado Estrangeiro deve ser comunicado, 
pois: a) Se ela renunciasse expressamente a imunidade, a execução poderia prosseguir 
normalmente; b) Se ela invocasse a imunidade ou ficasse silente: a execução deveria ser extinta 
sem resolução do mérito. 
Esse demanda executiva deve ser proposta na Justiça Federal, por força do art. 109, II, CRFB. 
Art. 109, II - as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional E Município ou 
pessoa domiciliada ou residente no País; 
Obs2: Percebam que a “nomenclatura” é comunicação e não citação. Não há citação do Estado 
estrangeiro. Há apenas uma comunicação ao Estado para que manifeste sua intenção de se 
submeter à jurisdição brasileira ou não (valendo-se da sua imunidade). O STJ tem 
reiteradamente utilizado esse entendimento (RO 85/RS; RO 99/SP, ambos de 2009). 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL E INTERNACIONAL. AÇÃO INDENIZATÓRIAAJUIZADA 
CONTRA ESTADO ESTRANGEIRO. AUTORIDADE JUDICIÁRIABRASILEIRA. COMPETÊNCIA. 
LIMITES. RESPOSTA DO ESTADO ESTRANGEIRO.PROCEDIMENTO. 1. A imunidade de jurisdição 
não representa uma regra queautomaticamente deva ser aplicada aos processos judiciais 
movidoscontra um Estado estrangeiro. Trata-se de um direito que pode, ounão, ser exercido 
por esse Estado, que deve ser comunicado para,querendo, alegar sua intenção de não se 
submeter à jurisdiçãobrasileira, suscitando a existência, na espécie, de atos de impérioa 
justificar a invocação do referido princípio. Precedentes. 2. Tendo o Estado estrangeiro, no 
exercício de sua soberania,declarado que os fatos descritos na petição inicial decorreram 
deatos de império, bem como apresentado recusa em se submeter àjurisdição nacional, fica 
inviabilizado o processamento, perante autoridade judiciária brasileira, 
de ação indenizatória que objetivaressarcimento pelos danos materiais e morais decorrentes 
deperseguições e humilhações supostamente sofridas durante a ocupaçãoda França por tropas 
nazistas. 3. A comunicação ao Estado estrangeiro para que manifeste a suaintenção de se 
submeter ou não à jurisdição brasileira não possui anatureza jurídica da citação prevista no 
art. 213 do CPC . Primeiro se oportuniza, via comunicação encaminhada por intermédio do 
Ministério das Relações Exteriores, ao Estado estrangeiro que aceite ou não a jurisdição 
nacional. Só aí, então, se ele concordar, é quese promove a citação para os efeitos da lei 
processual. 4. A nota verbal, por meio da qual o Estado estrangeiro informa não aceitar a 
jurisdição nacional, direcionada ao Ministério dasRelações Exteriores e trazida por esse aos 
autos, deve ser aceita como manifestação legítima daquele Estado no processo. 5. Recurso 
ordinário a que se nega provimento. 
3.5 - Inafastabilidade (art. 5º, XXXV, CRFB) 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 54
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Já tratamos desse princípio na aula inaugural. 
Embora tenhamos abordando-o profundamente, percebam que o que cai, pelo menos em 1ª fase, é 
o básico. 
FCC/DPE-AP – Defensor Público/2018 - Não se excluiráda apreciação jurisdicional ameaça ou 
lesão a direito. 
Esse é o princípio da: a) inclusão obrigatória, decorrente da dignidade humana e do mínimo 
existencial, tratando-se de princípio constitucional e, simultaneamente, infraconstitucional do 
processo civil. 
b) vedação a tribunais de exceção ou do juiz natural, tratando-se apenas de princípio 
constitucional do processo civil. 
c) legalidade ou obrigatoriedade da jurisdição, tratando-se apenas de princípio 
infraconstitucional do processo civil. 
d) reparação integral do prejuízo, tratando-se de princípio constitucional e também 
infraconstitucional do processo civil. 
e) inafastabilidade ou obrigatoriedade da jurisdição e é, a um só tempo, princípio constitucional 
e infraconstitucional do processo civil. 
Comentários: A alternativa E está correta. Art. 5º XXXV,CR. a lei não excluirá da apreciação do 
Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. 
Art. 1º,CPC. O processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado conforme os valores e 
as normas fundamentais estabelecidos na Constituição da República Federativa do Brasil, 
observando-se as disposições deste Código. 
Art. 3º,CPC. Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. 
3.6 - Juiz Natural (art. 5º, LIII, CRFB) 
Art. 5º, LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade 
competente; 
Dimensão formal: É o direito de ser processado por um juiz competente, competência essa advinda 
de uma lei, com critérios gerais, de modo que qualquer pessoa que se encaixe naquele padrão seja 
julgada por aquele juízo, bem como prévios, de modo que aquele juiz já estava constituído para julgar 
causas como a minha. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 55
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
A regra do art. 286, II, CPC fixa, por exemplo, a competência absoluta do juízo que extinguiu o 
processo sem resolução do mérito (art. 485, CPC) quando a demanda é novamente proposta. 
Art. 286. Serão distribuídas por dependência as causas de qualquer natureza: II - quando, 
tendo sido extinto o processo sem resolução de mérito, for reiterado o pedido, ainda que 
em litisconsórcio com outros autores ou que sejam parcialmente alterados os réus da 
demanda; 
CESPE/TCM-BA – Auditor Estadual de Controle Externo/2018 - De acordo com norma presente 
no art. 286, inciso II do Código de Processo Civil (CPC), que trata da prevenção do juízo, devem 
ser distribuídas por dependência as causas de qualquer natureza “quando, tendo sido extinto 
o processo sem resolução de mérito, for reiterado o pedido, ainda que em litisconsórcio com 
outros autores ou que sejam parcialmente alterados os réus da demanda”. Essa regra objetiva 
dar efetividade ao princípio: a) do contraditório. b) da inércia. c) da unidade. d) do juiz natural. 
e) da investidura. 
Comentários: A alternativa D está correta. O disposto art. 286, inciso II do Código de Processo 
Civil (CPC), visa coibir a violação ao princípio do Juiz Natural, impedindo que a parte ajuíze uma 
ação e, logo após, desista da mesma por não ter obtido uma liminar ou antecipação de tutela, 
sendo extinto o processo sem julgamento de mérito. Evita-se a escolha do julgador pelo Autor 
da ação. 
Dentro dessa dimensão formal, por conta da necessidade de lei geral e prévia, proíbe-se a criação de 
tribunais de exceção. 
Art. 5º, XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; 
Tribunal de exceção é um órgão criado após o acontecimento dos fatos especificamente para julgá-
lo. Não há fixação de competência prévia. 
No plano internacional, o Tribunal de Nuremberg, criado após a 2ª Guerra Mundial para julgar os 
oficiais nazistas, é considerado o exemplo mais famoso de tribunal de exceção. Seguiram seu 
exemplo o Tribunal Internacional para o Extremo Oriente, Tribunal Penal Internacional da ex-
Iugoslávia e Tribunal Penal Internacional de Ruanda. Justamente por essa mácula, após vários 
esforços, criou-se o Tribunal Penal Internacional52 por meio do Estatuto de Roma de 1998, que 
institucionalizou uma corte permanente competente para julgar 4 crimes mais graves, que afetam a 
 
52 André de Carvalho Ramos (Processo Internacional de Direitos Humanos, 2016) elenca gerações de Tribunais Penais 
Internacionais: a) 1ª geração – Tribunal de Nuremberg e Tribunal Internacional para o Extremo Oriente; b) 2ª geração 
(criados pela ONU) – Tribunal Penal Internacional da ex-Iugoslávia e Tribunal Penal Internacional de Ruanda; c) 3ª geração 
(corte permanente) - Tribunal Penal Internacional do Estatuto de Roma; d) 4ª geração (tribunal híbrido – congrega forças 
locais e a ONU – juízes de nacionalidade local e estrangeiros) - Tribunal Penal Internacional para Serra Leoa. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 56
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
comunidade internacional no seu conjunto: i) genocídio; ii) crimes contra a humanidade; iii) crimes 
de guerra; iv) crime de agressão. 
Dimensão material: Não basta que o juiz seja competente, pois é preciso criar mecanismos que 
garantam a imparcialidade do juiz. Por esse motivo que existe a regra da distribuição dos processos, 
com critérios prévios, objetivos, gerais e aleatórios para identificar qual juízo será o responsável pela 
causa. 
Na prática, exsurgem alguns casos interessantes. 
1º caso 
Convocação de juízes de 1º Grau para substituir desembargadores 
Antes de mais nada, observa-se que esta substituição encontra respaldo legal, no art. 118 da Lei 
Complementar 35/79 (Loman), bem como no art. 4º da Lei 9.788/99, que prevê tal substituição no 
âmbito da justiça federal. 
Art. 118. Em caso de vaga ou afastamento, por prazo superior a 30 (trinta) dias, de 
membro dos Tribunais Superiores, dos Tribunais Regionais, dos Tribunais de Justiça e dos 
Tribunais de Alçada, (Vetado) poderão ser convocados Juízes, em Substituição (Vetado) 
escolhidos (Vetado) por decisão da maioria absoluta do Tribunal respectivo, ou, se 
houver, de seu Órgão Especial: (Redação dada pela Lei Complementar nº 54, de 
22.12.1986) 
Art. 4o Os Tribunais Regionais Federais poderão, em caráter excepcional e quando o 
acúmulo de serviço o exigir, convocar Juízes Federais ou Juízes Federais Substitutos, em 
número equivalente ao de Juízes de cada Tribunal, para auxiliar em Segundo Grau, nos 
termos de resolução a ser editada pelo Conselho da Justiça Federal. 
Assim, sabendo que é sim possível a substituição, importa agora saber como ela deve se dar, a fim 
de que não viole o princípio do juiz natural. 
De pronto, deve ser dito que esta convocação não pode ser feita através de um sistema de 
voluntariado (porque seria algo discricionário), tampouco por meio de indicação do desembargador 
substituído, uma vez que é preciso que as regras sejam objetivas, como ficou decidio na ADIn 1.48153. 
 
53 O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou no dia 12/5/2004 inconstitucional parte do artigo 27 do 
Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo (TJ/ES). O dispositivo estabelece os critérios para 
substituição de desembargador em afastamentos superiores a 30 dias, determinando a convocação de juízes do primeiro 
grau, indicados pelo magistrado a ser substituído. De acordo com o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, 
que questionou o dispositivo na ADI, o artigo fere os princípios constitucionais da legalidade, da impessoalidade e da 
moralidade. A entidade alega que o texto propicia a prática de nepotismo, pois possibilitaria a convocação de parentes 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 57
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp54.htm#art1iii
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp54.htm#art1iii
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Portanto, essa convocação deveser feita por meio de critérios objetivos pré-determinados sob pena 
de violação do princípio do juiz natural. 
Diante dessa necessidade, o CNJ tem reafirmado (PCA 0005214-11.2014.2.00.0000) o entendimento 
de que os tribunais devem observar os critérios definidos na Resolução CNJ n. 106 para as promoções 
de magistrados em 1º Grau para o acesso ao 2º Grau de jurisdição, ainda que em substituição 
temporária, já que o ato normativo detalha critérios específicos para se avaliar o merecimento. 
2º caso 
E quando o julgamento da turma no Tribunal se dá por maioria de juízes convocados? 
Inexiste mácula ao princípio do juiz natural, desde que a convocação dos juízes tenha sido feita na 
forma da lei. Assim, homenageia-se duração razoável do processo, "materializando o ideal de uma 
prestação jurisdicional célere e efetiva"54. 
3º caso 
Mutirão viola o juiz natural? 
O que se deve observar é se houve a determinação de um critério objetivo na determinação da 
distribuição. Respeitado esse critério, o mutirão é válido. 
Ademais, a jurisprudência55 tem dito que a designação de juiz para prolatar sentenças 
em mutirões não ofende o princípio do juiz natural e nem ocasiona qualquer nulidade, eis que se 
traduz em instrumento adotado pela administração da justiça para agilizar a tramitação de 
processos, homenageando a duração razoável do processo (art. 5º, LXXVIII, CRFB). 
4º caso 
 
do desembargador. O relator, ministro Carlos Velloso, esclareceu que as convocações de substitutos estão previstas na 
Lei de Organização da Magistratura Nacional (Loman), que prevê a livre atuação do Colegiado do órgão para a escolha, 
sem indicação de preferência do desembargador substituído. "O preceito encerra a escolha e não a simples aprovação 
do nome", disse Velloso. O ministro considerou que a indicação do substituto pelo substituído se afasta do parâmetro 
legal. Ele deferiu em parte o pedido na ADI, ao declarar inconstitucional a expressão "indicados pelo substituído". 
54 STJ, HC 126.390; STF, HC 96.821. 
55 STJ, Ag828862/PR, Rel. Min. João Otávio de Noronha, d.j: 23/10/2007. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 58
http://www.cnj.jus.br/busca-atos-adm?documento=2830
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Não viola o princípio do juiz natural a criação de varas especializadas, as regras de competência 
determinada por prerrogativa de função, a instituição de Câmaras de Recesso em tribunais, 
porquanto todas essas situações são criadas por regras gerais, abstratas e impessoais. 
FCC/TJAL – Juiz/19 - c) viola o princípio do Juiz natural a instituição de Câmaras de Recesso 
nos tribunais, por julgarem em períodos nos quais, em regra, não deve haver atividade 
jurisdicional. C está incorreta. 
5º caso 
Reclamação 417/STF, julgada em 11/03/9356. Roraima era território, junto com Amapá e Fernando 
de Noronha. Quem julgava os casos de territórios era o TJDFT (Tribunal de Justiça do DF e Territórios). 
Com a criação do estado de Roraima, houve a nomeação para os cargos de Desembargadores do 
TJRR. Contra tal nomeação, foi ajuizada ação popular com o objetivo de anular tal ato. Mas quem iria 
julgá-la? 
À falta de juízes próprios de 1º grau, alguns magistrados do Pará e Amapá foram cedidos para exercer 
a jurisdição no Estado de Roraima. Por não estarem investidos da forma devida (por meio de 
concurso, consoante diz o art. 93, I, CRFB), eles não poderiam julgá-la. 
Logo após, seis juízes passaram no certame e assumiram o cargo de Juiz de Direito do Estado. Mas 
eles poderiam julgar a ação popular, que afetaria todos os Desembargadores, mesmo estando em 
estágio probatório? 
O STF entendeu que esses juízes não poderiam julgar ações contra aqueles que irão concluir por sua 
vitaliciedade ou não. Ademais, nem os desembargadores eram imparciais. Portanto, não existia juiz 
natural em Roraima. Desse modo, caberia apenas ao STF solucionar a lide (art. 102, I, “n”, CRFB). 
6º caso 
Didier ainda defende que a garantia do juiz natural se espraia, inclusive, para o âmbito administrativo: 
a) em tribunais administrativos, os juízes devem ser determinados com a observância dos critérios 
gerais, abstratos, impessoais; b) em repartições administrativas, as autoridades responsáveis pela 
decisão de requerimentos também devem ser designadas por critérios objetivos e impessoais. 
3.7 - Promotor Natural 
 
56 STF - Rcl: 417/RR, Relator: Carlos Velloso, d.j. 11/03/1993, DJ 16-04-1993. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 59
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Parcela doutrinária indica a existência do princípio do promotor natural, que impede que o PGR ou 
Procurador-Geral de Justiça faça designações discricionárias de promotores ad hoc (para o caso), o 
que impede os acusadores de encomenda. 
Há decisões interessantes do STF que reconhecem esse princípio, bem como delimitam-no, mas 
todas na seara penal. Permite-se a indicação de promotor assistente para atuar em conjunto com o 
promotor da causa, o mesmo ocorrendo com formação de forças-tarefas para determinada 
atividade57. Ademais, há julgado do STF58 no qual reconheceu que não viola o Princípio do Promotor 
Natural se o Promotor de Justiça que atua na vara criminal comum oferece denúncia contra o 
acusado na vara do Tribunal do Júri e o Promotor que funciona neste juízo especializado segue com 
a ação penal, participando dos atos do processo até a pronúncia. Por fim, o STJ59 já entendeu que 
não configura violação ao princípio do promotor natural a atuação do Grupo de Atuação Especial de 
Combate ao Crime Organizado (GAECO) quando precedida de solicitação do promotor de justiça a 
quem a investigação foi atribuída. 
Acabamos o tratamento dos princípios da Jurisdição. 
Reforço que estou sendo bem minucioso e extenso em cada tópico, justamente para não faltar nada 
para vocês, caríssimos alunos. Qualquer dúvida, estarei sempre à disposição para saná-la, ok? 
7 - REGRA DA ORDEM CRONOLÓGICA OPE LEGIS 
Iremos tratar, agora, da regra da ordem cronológica (art. 12, CPC). Embora alguns a chamem de 
princípio, segundo a melhor doutrina, trata-se de regra, já que com espeque em Robert Alexy, 
estamos diante de um mandamento de definição (e não de otimização), que será aplicado no modelo 
“tudo ou nada”. Ou é aplicado o art. 12 ou não o é. 
Historicamente, sempre se conferiu liberdade ao Judiciário na gestão dos processos. O CPC/15, 
porém, estabeleceu uma diretriz para que os juízes e tribunais respeitem uma ordem cronológica de 
conclusão para prolação de decisões. Diante da regra, surgiram duas correntes: 
 
57 STF, 2ª Turma, HC 96.700/PE, Rel. Min. Eros Grau, d.j 17/03/2009 e STJ, 5ª Turma, HC 40.394/MG, Rel. Min. Felix 
Fischer, d.j. 04/12/2008, d.j. 16/02/2009. 
58 STF. 1ª Turma. HC 114093/PR, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 
3/10/2017. 
59 STJ, 5ª Turma, Processo sob segredo de justiça, Rel. Min. João Otávio de Noronha, d.j. 27/09/22. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 60
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
INCONSTITUCIONAL60 CONSTITUCIONAL (MAJORITÁRIA) 
viola a tripartição dos poderes, cláusula pétrea (art. 
60, §4º, III, CRFB). O judiciário, por exemplo, não 
pode opinar na pauta do Congresso sobre quais leis 
devem ser levadas antes à tramitação; 
não há violação à tripartição de poderes. Se assim 
fosse, a prioridade na tramitação do MS, enfermos, 
demandas repetitivas seriam inconstitucionais; 
 
viola o autogoverno da Magistratura (art. 96, I, a e 
b, CRFB); 
a ordem cronológica evita distorções na ordem de 
julgamento e a burla indevida da ordem por meio de 
pedidos informais feitos por pessoas poderosas 
política e economicamente; 
ofenderia a isonomia material, pois ao estabelecer 
critérioMas Professor, esses temas caem em prova? 
Sim. Faremos dezenas de questões nesta aula que provarão o quão importante é o tema Jurisdição. 
JURISDIÇÃO 
1 - HISTÓRIA DO DIREITO E DA JURISDIÇÃO 
Sempre que inicio uma trajetória histórica de algum tema, já vejo a cara de desgosto do aluno que 
terá de ler aquilo. Diz-se “Meu Deus, de novo Direito Romano1...vou pular esta parte”. Não faça isso! 
Tentarei tornar a leitura rápida, fluida e construtiva. Até porque caiu na prova oral do meu concurso 
do TRF 1ª Região, bem como, vez ou outra, é cobrado. 
TCE/PE (2017) Embora influenciadas pelo direito romano, as diversas instituições jurídicas das 
nações ocidentais contemporâneas criaram métodos originais de resolução de lides, já que o 
sistema processual, na Roma antiga, era rudimentar e fundamentado em discursos míticos e 
crenças religiosas. 
Veremos o acerto ou não da assertiva logo mais. 
Pois bem. 
No Direito, é comum o adágio “ubi societas ibi jus”, isto é, “onde há sociedade, há direito”. Tal frase, 
segundo Ada, Cintra e Dinamarco2 traz intrínseca a ideia de que o objetivo do ordenamento jurídico 
sempre foi harmonizar as relações sociais intersubjetivas a partir do critério do justo, a fim de ensejar 
a máxima realização dos valores humanos com o mínimo de desgaste. Visto sob o aspecto 
sociológico, o Direito, por meio da Jurisdição, é a forma mais efetiva de controle social de todos os 
tempos, sobretudo da Idade Moderna em diante. 
 
1 Mesmo sendo mais rara a exigência do Direito Romano, cito, por exemplo, a cobrança reiterada pelo Des. Olindo 
Menezes, em prova oral do TRF 1ª Região em 2016. 
2 CINTRA, Antônio; GRINOVER, Ada; DINAMARCO, Cândido. Teoria Geral do Processo, 29ª ed. Malheiros: São Paulo, 2013. 
 
Limites da 
Jurisdição 
 
Cooperação 
Jurídica 
Internacional 
 
Estrutura 
Constitucional 
do Poder 
Judiciário 
 Questões Resumo 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 6
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Enfim, onde há sociedade, há relações intersubjetivas que precisam ser controladas por regras a fim 
de que o “justo”3, seja lá qual for a concepção, prevaleça. 
A evolução do Direito, vinda muitas vezes como consequência da própria mudança da sociedade, fez 
com que aquele passasse por várias fases. Compreendê-las é fundamental para entender o nosso 
tema – jurisdição. 
A história do Direito é riquíssima e, decerto, há inúmeros autores que abordam a temática, a exemplo 
de Moreira Alves4, Antônio Carlos Wolkmer5, John Gilissen6, René David7, Franz Wieacker8. Para bem 
estudá-la, precisamos conhecer o Direito do Oriente (Egito; Mesopotâmia; Canaã; Síria; Pérsia; Índia; 
China etc.), bem como do Ocidente (Grécia; Roma – realeza, república, principado, dominato; 
Glosadores do final da Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea, com revoluções liberais 
e suas repercussões, dentre outros eventos mais atuais). 
Entretanto, diante do conteúdo enciclopédico dessa temática, optaremos por tomar como base o 
livro de Tércio Sampaio Ferraz Jr.9 que, em sua Introdução ao Estudo do Direito, dividiu a evolução 
do direito em algumas fases. 
Fase Primitiva 
 
3 A respeito da teoria da justiça e suas diversas concepções, sempre é bom ter em mente alguma síntese sobre Platão (A 
República), Aristóteles (Ética à Nicômaco), Santo Agostinho (Cidade de Deus) São Tomás (Suma Teológica), John Locke 
(Dois Tratados do Governo Civil), Jean-Jacques Rousseau (O Contrato Social) Hobbes (Leviatã), Kant (Crítica da Razão 
Prática), Kelsen (O que é Justiça?; O problema da Justiça), John Ralws (A Teoria da Justiça), debate entre liberalismo 
político, comunitarismo e republicanismo (para tanto, muito bom o livro As Teorias da Justiça depois de Rawls: Um breve 
manual de filosofia política, de Roberto Gargarella). Por óbvio, para Concurso, não precisa ler esses livros. Mas tentem 
elaborar um resumo de cada concepção para citar nas provas. 
4 ALVES, José Carlos Moreira. Direito Romano. 18ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2018. 
5 WOLKMER, Antônio Carlos. História do Direito: tradição no ocidente e no brasil. 11ª ed. Rio de janeiro: Forense, 2019; 
Fundamentos de História do Direito. 10ª ed. Sçao Paulo: Del Rey, 2019. 
6 GLISSEN, John. Introdução Histórica ao Direito. 8ª ed. Calouste, 2008. 
7 DAVID, René. Os Grandes Sistemas do Direito Contemporâneo. São Paulo: Martins Fontes, 2014. 
8 WIEACKER, Franz. História do Direito Privado Moderno. 4ª ed. Calouste, 2010. 
9 FERRAZ JR., Tércio Sampaio. Introdução ao Estudo do Direito: Técnica, Decisão e Dominação. 6ª Ed. Atlas: São Paulo, 
2008, págs. 60 a 88. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 7
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Na fase primitiva da civilização, não havia um Estado forte para resolver eventuais conflitos, de modo 
que comunidade se organizava em famílias, clãs e ali tudo era solucionado. O poder de estabelecer 
equilíbrio e retidão estava fundado, prioritariamente, no princípio do parentesco. Ademais, outra 
característica significativa era que as regras derivavam das crenças religiosas10. Como diz Tércio, no 
horizonte do direito arcaico, só há um lugar para uma única ordem: a querida por um Deus. 
O direito confunde-se com o agir característico do povo, o direito e a prática (usos e costumes) não 
se diferenciavam. 
Em direito, caracterizamos o costume pela composição de dois elementos: 
a) Elemento objetivo: prática reiterada da conduta. 
b) Elemento subjetivo (opinio juris): é representado pela convicção das pessoas de que 
aquela conduta é devida e exigível. 
DPU/2015: Opinio juris é um dos elementos constitutivos da norma costumeira internacional. 
Percebam que a opinio juris ou elemento subjetivo é um dos elementos constitutivos do 
costume, além do elemento objetivo. 
Alerta: Vejam como é interessante resolver questões passadas do mesmo cargo E da mesma 
banca. Isso tinha caído no concurso da AGU de 2009, promovido pela mesma banca (cespe). 
AGU/2009: O elemento objetivo que caracteriza o costume internacional é a prática reiterada, 
não havendo necessidade de que o respeito a ela seja uma prática necessária (opinio juris 
necessitatis). 
Top of Form 
Além do elemento objetivo, para caracterizar o costume, deve também preencher o elemento 
subjetivo (opinio juris). 
Nessa fase primitiva, portanto, a resolução de conflitos se dava, portanto, de duas formas: i) 
autotutela; ii) autocomposição (renúncia, submissão, transação). 
Culturas Pré-modernas 
Nas culturas pré-modernas (China, Índia, Grécia e Roma), com o desenvolvimento das sociedades, 
seu crescimento e complexidade, aparecem os mercados, que permitem equalização das 
 
10 COULANGES, Fustel de. A Cidade Antiga. São Paulo: Martin Claret, 2002. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 8
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
necessidades entre os não-parentes. Da mesma forma, aparece o domínio político, localizado em 
centros de administração e diferenciado da organização religiosa, guerreira, cultural. 
Esse surgimento da política exige que o direito seja estabelecido por regras mais permanentes e 
gerais, não presas às relações de parentesco, permitindo a participação na vida da cidade e o violador 
das regras deixa de ser o não-parente, o estrangeiro, mas todos aqueles que as infringem. 
Começam a aparecer procedimentos decisórios regulados, surgindo as formas de jurisdição. Os 
juízes, partes, advogados, enfim, os juristas, afirma Tércio, desenvolveram uma linguagem própria, 
no código lícito-ilícito, diversa do exercício político, econômico, religioso. 
Jurisprudência Romana: o direito como diretivo para a ação 
Em Roma, o direito, forma cultural sagrada, era o exercício de uma atividade ética, prudente, com 
equilíbrio e ponderação nosúnico, não leva em conta as peculiaridades 
de cada caso concreto; 
os juízes quase sempre pouco sabem de 
Administração, gestão. Por isso, algum critério é 
melhor que nenhum, ainda mais sendo um critério 
isonômico; 
pode gerar um efeito nefasto de morosidade. 
Enquanto se deixa várias demandas simples, mas 
que poderiam ser liberadas (ex: expedição de alvará, 
ação de cobrança), demora-se um tempo excessivo 
em uma ação complexa; 
a autonomia dos Tribunais diz respeito ao âmbito 
administrativo. O lado jurisdicional é regulado por 
lei federal, feita pelo Parlamento; 
as demandas são muitas vezes reunidas e julgadas 
por matéria. A ruptura desse sistema afetará e 
muito a duração razoável do processo. 
atrasos em processos simples para prestigiar 
aqueles complexos constitui uma perda pontual 
para se prestigiar um critério mais amplo isonômico 
e benéfico; 
 
o art. 12, IX permite que o magistrado conceda 
prioridade na tramitação se houver causa que exija 
urgência no julgamento, assim reconhecida por 
decisão fundamentada. 
Originalmente, o art. 12, CPC impunha um dever indeclinável de respeito à ordem cronológica. 
Entretanto, a Lei 13.256/2016, estabeleceu uma faculdade e não um dever. 
Art. 12. Os juízes e os tribunais deverão obedecer à ordem cronológica de conclusão para 
proferir sentença ou acórdão. 
Art. 12. Os juízes e os tribunais atenderão, preferencialmente, à ordem cronológica de 
conclusão para proferir sentença ou acórdão. (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) 
§ 1o A lista de processos aptos a julgamento deverá estar permanentemente à disposição 
para consulta pública em cartório e na rede mundial de computadores. 
 
60 GAJARDONI, Fernando. O novo CPC e o fim da gestão na justiça. Disponível em: . Acesso em 10.03.20. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 61
https://www.jota.info/stf/do-supremo/o-novo-cpc-e-o-fim-da-gestao-na-justica-22122014
https://www.jota.info/stf/do-supremo/o-novo-cpc-e-o-fim-da-gestao-na-justica-22122014
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
§ 2o Estão excluídos da regra do caput: 
I - as sentenças proferidas em audiência, homologatórias de acordo ou de improcedência 
liminar do pedido; 
II - o julgamento de processos em bloco para aplicação de tese jurídica firmada em 
julgamento de casos repetitivos; 
III - o julgamento de recursos repetitivos ou de incidente de resolução de demandas 
repetitivas; 
IV - as decisões proferidas com base nos arts. 485 e 932; 
V - o julgamento de embargos de declaração; 
VI - o julgamento de agravo interno; 
VII - as preferências legais e as metas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça; 
VIII - os processos criminais, nos órgãos jurisdicionais que tenham competência penal; 
IX - a causa que exija urgência no julgamento, assim reconhecida por decisão 
fundamentada. 
§ 3o Após elaboração de lista própria, respeitar-se-á a ordem cronológica das conclusões 
entre as preferências legais. 
§ 4o Após a inclusão do processo na lista de que trata o § 1o, o requerimento formulado 
pela parte não altera a ordem cronológica para a decisão, exceto quando implicar a 
reabertura da instrução ou a conversão do julgamento em diligência. 
§ 5o Decidido o requerimento previsto no § 4o, o processo retornará à mesma posição em 
que anteriormente se encontrava na lista. 
§ 6o Ocupará o primeiro lugar na lista prevista no § 1o ou, conforme o caso, no § 3o, o 
processo que: 
I - tiver sua sentença ou acórdão anulado, salvo quando houver necessidade de realização 
de diligência ou de complementação da instrução; 
II - se enquadrar na hipótese do art. 1.040, inciso II. 
Assim, motivadamente, o órgão julgador pode decidir em desconformidade com a ordem cronológica 
de conclusão. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 62
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art485
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art932
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Atentem-se que a ordem se refere às decisões finais – sentenças ou acórdãos finais. Ficam excluídas 
as decisões interlocutórias e acórdãos interlocutórios que não encerram o processo, como, por 
exemplo, aquele que examina pedido de tutela provisória em ação direta de inconstitucionalidade. 
Ultrapassado esse ponto, vejamos quais as exceções expostas pelo art. 12, §2º, CPC: 
§ 2o Estão excluídos da regra do caput: I - as sentenças proferidas em audiência, 
homologatórias de acordo ou de improcedência liminar do pedido; 
Como são decisões extremamente céleres de serem tomadas, opta-se por permitir a extinção rápida 
do feito. No caso da homologação, com fulcro no art. 487, III, CPC, ao passo que, no caso de 
improcedência liminar, com base no art. 487, I, CPC. 
II - o julgamento de processos em bloco para aplicação de tese jurídica firmada em 
julgamento de casos repetitivos; 
Nesses casos, agrupam-se processos para que seja aplicada a tese jurídica firmada em incidente de 
resolução de demandas repetitivas (IRDR); julgamento de recursos extraordinários ou especiais 
repetitivos (arts. 1.036-1.041, CPC), conforme dispõe o art. 928, CPC. 
Art. 928. Para os fins deste Código, considera-se julgamento de casos repetitivos a 
decisão proferida em: I - incidente de resolução de demandas repetitivas; II - recursos 
especial e extraordinário repetitivos. Parágrafo único. O julgamento de casos repetitivos 
tem por objeto questão de direito material ou processual. 
É uma importante técnica de aceleração dos processos e, também, de garantir a isonomia. 
III - o julgamento de recursos repetitivos ou de incidente de resolução de demandas 
repetitivas; 
O julgamento de casos repetitivos compete ao STF ou STJ, conforme o caso. Já o julgamento do IRDR 
compete, segundo alguns, apenas ao TJ ou ao TRF respectivo. Todavia, o STJ já chancelou a 
possibildade de a Corte instaurar IRDR e IAC. 
Na linha do parágrafo 3º, deve haver uma lista de conclusão para essas preferências legais. Assim, 
deve existir lista de conclusão dos IRDR´s e uma lista de julgamentos de Resp e Rext repetitivos. 
IV - as decisões proferidas com base nos arts. 485 e 932; 
Como salientado, somente as decisões finais se submetem ao caput do art. 12 (sentenças e acórdãos 
finais), de modo que as decisões do relator proferidas (art. 932) estão fora da regra. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 63
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art485
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art932
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Assim como também estão fora as decisões que extinguem o processo sem resolução do mérito (art. 
485, CPC), sejam sentenças, sejam acórdãos. 
V - o julgamento de embargos de declaração; 
O julgamento dos embargos integra o julgamento anterior, sendo uma continuação. 
VI - o julgamento de agravo interno; 
O caso já foi julgado com base no art. 932 (que também dispensa a ordem), sendo que o agravo 
interno apenas leva a questão para revisão do colegiado a que pertence o relator. 
VII - as preferências legais e as metas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça; 
No tocante às preferências legais, temos o art. 1.048, CPC: 
Art. 1.048. Terão prioridade de tramitação, em qualquer juízo ou tribunal, os 
procedimentos judiciais: 
I - em que figure como parte ou interessado pessoa com idade igual ou superior a 60 
(sessenta) anos ou portadora de doença grave, assim compreendida qualquer das 
enumeradas no art. 6o, inciso XIV, da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988; 
II - regulados pela Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do 
Adolescente). 
III- em que figure como parte a vítima de violência doméstica e familiar, nos termos da 
Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha). (Incluído pela Lei nº 13.894, 
de 2019) 
§ 1o A pessoa interessada na obtenção do benefício, juntando prova de sua condição, 
deverá requerê-lo à autoridade judiciária competente para decidir o feito, que 
determinará ao cartório do juízo as providências a serem cumpridas. 
§ 2o Deferida a prioridade, os autos receberão identificação própria que evidencie o 
regime de tramitação prioritária. 
§ 3o Concedida a prioridade, essa não cessará com a morte do beneficiado, estendendo-
se em favor do cônjuge supérstite ou do companheiro em união estável. 
§ 4o A tramitação prioritária independe de deferimento pelo órgão jurisdicional e deverá 
ser imediatamente concedida diante da prova da condição de beneficiário. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 64
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7713.htm#art6xiv.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7713.htm#art6xiv.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7713.htm#art6xiv.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7713.htm#art6xiv.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7713.htm#art6xiv.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8069.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8069.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8069.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8069.htm
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Além desse rol, o art. 20, Lei n. 12.016/2009 determina prioridade do MS sobre demais processos, 
salvo habeas corpus. O art. 19, Lei n. 9.507/97, por sua vez, determina prioridade do habeas data, 
ressalvado o MS e o HC. 
Em acréscimo, como o desrespeito às metas do CNJ pode ser considerado infração disciplinar, o art. 
12, §2º, VII criou mais essa exceção. Professor, eu tenho que saber as metas do CNJ? Duvido que caia 
em prova. 
Pois então confiram... 
MPE-MS/MPE-MS – Promotor de Justiça Substituto/201861 - Os juízes e os tribunais, ao 
proferir sentenças e acórdãos, deverão observar preferencialmente a ordem cronológica de 
conclusão, conforme dispõe o caput do art. 12 do CPC. O art. 12, § 2º, inciso VII, do CPC, exclui 
dessa regra de preferência, entretanto, as metas estabelecidas pelo Conselho Nacional de 
Justiça. Assinale a seguir a alternativa que contém apenas matérias priorizadas pelo Conselho 
Nacional de Justiça para o ano de 2018: 
a) Julgamento dos processos relativos à corrupção e à improbidade administrativa, o 
julgamento dos recursos repetitivos e o julgamento dos processos relativos ao estado de 
pessoa e direitos da personalidade. 
b) Julgamento dos processos relativos à corrupção e à improbidade administrativa, o 
julgamento das ações coletivas e o julgamento dos processos dos maiores litigantes. 
c) Julgamento dos processos em fase de execução, o julgamento das ações coletivas e o 
julgamento dos processos relativos ao estado de pessoa e direitos da personalidade. 
d) Julgamento dos processos relativos à corrupção e à improbidade administrativa, o 
julgamento dos recursos repetitivos e o julgamento dos processos de Fazenda Pública e 
Registros Públicos. 
e) Nenhuma das alternativas anteriores. 
Comentários: A alternativa B está correta. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, as Metas 
Nacionais para 2018, aprovadas no XI Encontro Nacional do Poder Judiciário, são: META 4 – 
Priorizar o julgamento dos processos relativos à corrupção e à improbidade administrativa (STJ, 
Justiça Estadual, Justiça Federal e Justiça Militar da União e dos Estados); META 6 – Priorizar 
o julgamento das ações coletivas (STJ, TST, Justiça Estadual, Justiça Federal e Justiça do 
 
61 Acredito que o curso do Estratégia deva ser o único que expôs em suas aulas as metas do CNJ. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 65
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Trabalho); META 7 – Priorizar o julgamento dos processos dos maiores litigantes e dos recursos 
repetitivos (STJ, TST, Justiça do Trabalho) 
Portanto, acrescentem ao seu estudo anual a consulta ao site do CNJ para conferência das metas 
Continuando... 
Art. 12, VIII - os processos criminais, nos órgãos jurisdicionais que tenham competência 
penal; 
IX - a causa que exija urgência no julgamento, assim reconhecida por decisão 
fundamentada. 
Preocupado com as situações excepcionais não reguladas, o legislador estabeleceu que, sempre que 
houver situação de urgência, reconhecida fundamentadamente, pode o órgão julgar o processo 
ignorando a ordem cronológica. 
Daniel Assumpção frisa que não necessariamente deverá se conceder tutela de urgência. Na ocasião, 
pode ser qualquer situação de urgência, ainda que não seja para deferir a referida tutela provisória 
de urgência. 
Art. 12, § 3o Após elaboração de lista própria, respeitar-se-á a ordem cronológica das 
conclusões entre as preferências legais. 
§ 4o Após a inclusão do processo na lista de que trata o § 1o, o requerimento formulado 
pela parte não altera a ordem cronológica para a decisão, exceto quando implicar a 
reabertura da instrução ou a conversão do julgamento em diligência. 
§ 5o Decidido o requerimento previsto no § 4o, o processo retornará à mesma posição em 
que anteriormente se encontrava na lista. 
§ 6o Ocupará o primeiro lugar na lista prevista no § 1o ou, conforme o caso, no § 3o, o 
processo que: 
I - tiver sua sentença ou acórdão anulado, salvo quando houver necessidade de 
realização de diligência ou de complementação da instrução; 
II - se enquadrar na hipótese do art. 1.040, inciso II. 
Nesses casos, o processo fura a fila. 
Obs1: Nos casos de calendarização processual (art. 191, CPC), como um negócio jurídico processual 
não pode prejudicar terceiros, há duas saídas: a) ou no calendário se marca dia para audiência na 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 66
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art1040
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
qual o juiz proferirá sentença, enquadrando-se na exceção do art. 12, §2º, I, CPC; b) ou a prolação da 
sentença não é ato que possa ser inserido no calendário. 
Obs2: Se houver descumprimento da regra, não há nulidade da decisão (enunciado 486, FPPC). 
Como o prejuízo é de terceiro, ele pode representar, perante o respectivo Tribunal e o CNJ contra o 
juiz que desobedeceu a lista. Se o desrespeito for direcionado, doloso, há possibilidade de se alegar 
até suspeição (art. 145, IV, CPC). 
Obs3: A regra do art. 12, caput, é estendida ao escrivão ou chefe da secretaria. 
Art. 153. O escrivão ou o chefe de secretaria atenderá, preferencialmente, à ordem 
cronológica de recebimento para publicação e efetivação dos pronunciamentos judiciais. 
(Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) § 1o A lista de processos recebidos deverá ser 
disponibilizada, de forma permanente, para consulta pública. § 2o Estão excluídos da 
regra do caput: I - os atos urgentes, assim reconhecidos pelo juiz no pronunciamento 
judicial a ser efetivado; II - as preferências legais. § 3o Após elaboração de lista própria, 
respeitar-se-ão a ordem cronológica de recebimento entre os atos urgentes e as 
preferências legais. § 4o A parte que se considerar preterida na ordem cronológica poderá 
reclamar, nos próprios autos, ao juiz do processo, que requisitará informações ao 
servidor, a serem prestadas no prazo de 2 (dois) dias. § 5o Constatada a preterição, o juiz 
determinará o imediato cumprimento do ato e a instauração de processo administrativo 
disciplinar contra o servidor. 
Obs4: Como o CPC/73 não continha tal regra, o art. 1.046, §5º determina que a primeira lista de 
processos para julgamento em ordem cronológica observará a antiguidade da distribuição entre os 
já conclusos na data da entradaem vigor deste Código. 
Art. 1.046, § 5o A primeira lista de processos para julgamento em ordem cronológica 
observará a antiguidade da distribuição entre os já conclusos na data da entrada em vigor 
deste Código. 
FUNDEP/MPMG – Promotor/21 - Indique abaixo a alternativa que não se insere integralmente, 
no âmbito da Lei 13.105/15, entre as excepcionalidades à ordem preferencial cronológica de 
julgamento: a) processos criminais, nos órgãos jurisdicionais que tenham competência penal. 
b) reconhecimento de perempção. c) causas que exijam urgência no julgamento. d) julgamento 
de embargos de declaração. C está correta. Art. 12, §2º, IX - a causa que exija urgência no 
julgamento, assim reconhecida por decisão fundamentada. As outras opções estão previstas 
no art. 12, §2º, incisos VIII (processos criminais); IV (proferida com base no art. 485, V – 
perempção) e V (embargo de declaração). 
Vamos passar, agora, aos estudos dos equivalentes jurisdicionais? 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 67
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art1045
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art1045
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
8 - EQUIVALENTES JURISDICIONAIS 
Sabe-se que o Estado não possui o monopólio da solução dos conflitos, sendo admitidas formas 
alternativas de solução dos conflitos (alternative dispute resolution - ADR ou sustema multiportas). 
Há quatro (ou três62) espécies de equivalentes jurisdicionais, que serão descritos abaixo. 
Antes, porém, vejam a seguinte questão. 
TJSP 189º Concurso/Prova discursiva em 2022: Analise, na ordem proposta, a disciplina 
constitucional do Poder Judiciário e a legislação pertinente infraconstitucional, seus principais 
aspectos, em especial: 1. a função jurisdicional no Estado Democrático de Direito. 2. direito de 
acesso à justiça e sistema da justiça multiportas, aplicações e peculiaridades nas ações em 
que o Estado é parte. A está correta. 
MPE-GO/MPE-GO – Promotor de Justiça Substituto/2019 (Prova Anulada) O novo Código de 
Processo Civil trouxe medidas alternativas de resolução de conflitos, proporcionando ao 
ordenamento jurídico uma maior efetividade das normas constitucionais, em especial ao 
princípio da razoável duração do processo, determinando, expressamente, no seu art. 3° e 
respectivos parágrafos, que o Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual 
dos conflitos, por meio da conciliação, da mediação e de outros métodos, os quais deverão ser 
estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público, 
inclusive no curso do processo judicial. Acerca desta temática, assinale a alternativa incorreta: 
a) Por conta dessa diretriz de solução consensual de conflitos, o Código de Processo Civil trouxe 
para o processo verdadeira fase processual de conciliação ou mediação, em que estabeleceu-
se audiência própria e exclusiva para tal finalidade. 
b) Tem-se a partir desse novo modelo de solução consensual de conflitos o que se denomina 
de sistema multiportas, proposto pelo professor Frank Sander, da Faculdade de Direito de 
Harvard, em palestra proferida em 1976 (“Multi-Door Courthouse System”), como forma de 
desafogar os Tribunais. 
Comentários: A alternativa A está correta. Criou-se uma nova etapa no procedimento comum. 
Na vigência do CPC/73, o réu era citado para contestar. Com o CPC/15, o réu é citado para 
comparecer à audiência de conciliação e mediação do art. 334. 
A alternativa B está correta. A conciliação, a mediação e a arbitragem integram, em conjunto 
com a jurisdição, um modelo chamado de “Justiça Multiportas”. A ideia é que a atividade 
 
62 Isso porque há discussão se arbitragem jurisdição ou equivalente jurisdicional. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 68
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
jurisdicional estatal não seja a única opção das partes para solucionarem o litígio, tampouco a 
mais importante. Para cada tipo de litígio, existiriam algumas opções, umas mais 
recomendáveis que outras. Com o NCPC, os doutrinadores têm afirmado que foi consagrado o 
modelo da Justiça Multiportas. 
Veja trecho de Leonardo da Cunha: Costumam-se chamar de ‘meios alternativos de resolução 
de conflitos’ a mediação, a conciliação e a arbitragem (Alternative Dispute Resolution - ADR). 
Estudos mais recentes demonstram que tais meios não seriam ‘alternativos’: mas sim 
integrados, formando um modelo de sistema de justiça multiportas. Para cada tipo de 
controvérsia, seria adequada uma forma de solução, de modo que há casos em que a melhor 
solução há de ser obtida pela mediação, enquanto outros, pela conciliação, outros, pela 
arbitragem e, finalmente, os que se resolveriam pela decisão do juiz estatal. Há casos, então, 
em que o meio alternativo é que seria o da justiça estatal. A expressão multiportas decorre de 
uma metáfora: seria como se houvesse, no átrio do fórum, várias portas; a depender do 
problema apresentado, as partes seriam encaminhadas para a porta da mediação, ou da 
conciliação, ou da arbitragem, ou da própria justiça estatal. 
(...) A origem dessa expressão “Justiça Multiportas” remonta os estudos do Professor Frank 
Sander, da Faculdade de Direito de Harvard, que mencionava, já em 1976, a necessidade de 
existir um Tribunal Multiportas, ou “centro abrangente de justiça” 
8.1 - Autotutela 
É a solução do conflito por imposição de um conflitante ao outro. "A autotutela é a solução egoísta 
do conflito". 
Em regra, é crime (art. 345, CP, se for particular; Lei de Abuso de Autoridade – Lei nº. 13.869/19, se 
for o Estado): 
Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, 
salvo quando a lei o permite: Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além 
da pena correspondente à violência. 
Parágrafo único - Se não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa. 
Contudo, o ordenamento jurídico admite algumas hipóteses de autotutela, quais sejam: 
i) desforço imediato no esbulho (art. 1210, par. 1º, CC) 
Art. 1.210, § 1o O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por 
sua própria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem 
ir além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 69
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
ii) legítima defesa (art. 188, I, CC) 
Art. 188. Não constituem atos ilícitos: I - os praticados em legítima defesa ou no exercício 
regular de um direito reconhecido 
iii) apreensão do bem com penhor legal (art. 1.467, I, CC) 
Art. 1.467. São credores pignoratícios, independentemente de convenção: I - os 
hospedeiros, ou fornecedores de pousada ou alimento, sobre as bagagens, móveis, jóias 
ou dinheiro que os seus consumidores ou fregueses tiverem consigo nas respectivas casas 
ou estabelecimentos, pelas despesas ou consumo que aí tiverem feito. 
iv) Autoexecutoriedade – prerrogativa do Poder Público de executar seus próprios atos; 
v) Direito de retenção (arts. 681, 708, 742, 1.219, 1.220, 1.433, II, 1.507,§2º, CC) 
Art. 681. O mandatário tem sobre a coisa de que tenha a posse em virtude do mandato, 
direito de retenção, até se reembolsar do que no desempenho do encargo despendeu. 
Art. 708. Para reembolso das despesas feitas, bem como para recebimento das comissões 
devidas, tem o comissário direito de retenção sobre os bens e valores em seu poder em 
virtude da comissão. 
Art. 742. O transportador, uma vez executado o transporte, tem direito de retenção sobre 
a bagagem de passageiro e outros objetos pessoais deste, para garantir-se do pagamento 
do valor da passagem que não tiver sido feito no início ou durante o percurso.Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias 
e úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando 
o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das 
benfeitorias necessárias e úteis. 
Art. 1.220. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; 
não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as 
voluptuárias. 
Art. 1.433. O credor pignoratício tem direito: I - à posse da coisa empenhada; II - à 
retenção dela, até que o indenizem das despesas devidamente justificadas, que tiver 
feito, não sendo ocasionadas por culpa sua; 
Art. 1.507, § 2o O credor anticrético pode, salvo pacto em sentido contrário, arrendar os 
bens dados em anticrese a terceiro, mantendo, até ser pago, direito de retenção do 
imóvel, embora o aluguel desse arrendamento não seja vinculativo para o devedor. 
vi) Direito de greve (arts. 9º e 37, VII, ambos da CRFB) 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 70
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a 
oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender. § 1º 
A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das 
necessidades inadiáveis da comunidade. § 2º Os abusos cometidos sujeitam os 
responsáveis às penas da lei. 
Art. 37, VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei 
específica; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
 
vii) Guerra63 (a Carta das Nações Unidas, de 1945 permite o uso da força em caso de legítima 
defesa) 
Artigo 51. Nada na presente Carta prejudicará o direito inerente de legítima defesa 
individual ou coletiva no caso de ocorrer um ataque armado contra um Membro das 
Nações Unidas, até que o Conselho de Segurança tenha tomado as medidas necessárias 
para a manutenção da paz e da segurança internacionais. As medidas tomadas pelos 
Membros no exercício desse direito de legítima defesa serão comunicadas 
imediatamente ao Conselho de Segurança e não deverão, de modo algum, atingir a 
autoridade e a responsabilidade que a presente Carta atribui ao Conselho para levar a 
efeito, em qualquer tempo, a ação que julgar necessária à manutenção ou ao 
restabelecimento da paz e da segurança internacionais. 
viii- Decreto-Lei 70, de 1966, a execução hipotecária extrajudicial, efetivada por agentes hipotecários 
designados pelo credor64; 
ix- empenho de joias e outros objetos de valor, que autoriza o leilão extrajudicial da garantia em caso 
de inadimplemento. 
x- STF65, em 2023, considerou constitucional o procedimento da Lei nº 9.514/97 para a execução 
extrajudicial da cláusula de alienação fiduciária em garantia. 
 
63 Verão em direito internacional que o direito da guerra se divide em: “Jus ad Bellum”, que é o direito de fazer a guerra; 
“Jus in Bello”: o direito que deve reger a guerra, mais conhecido como direito humanitário. As convenções mais 
significativas são as quatro Convenções de Genebra e seus protocolos adicionais. 
64 Tal diploma foi considerado como recepcionado pela CF no julgamento pelo STF em 2021. STF, RE 627106/PR e RE 
556520/SP, Rel. Min. Toffoli, d.j. 7/4/21, tema 249, info 1012. 
65 Não viola a inafastabilidade, o acesso à justiça, a garantia do juiz natural e do devido processo legal, da ampla defesa 
e do contraditório. Ainda, não infringe o direito à propriedade, visto que a sua concretização, quanto ao bem financiado 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 71
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
 
A justificativa para se aceitar a autodefesa é que o Estado não é onipresente, capaz de solucionar 
todas os conflitos no seio social. Vale a pena, pois, em situações excepcionais, permitir a solução por 
meio da força de um dos envolvidos. 
Segundo Assumpção, é a única forma alternativa de solução de conflitos que pode ser amplamente 
revista pelo Poder Judiciário. 
8.2 - Autocomposição 
É a solução consensual do conflito, formada pelo consentimento espontâneo dos contendores em 
sacrificar o interesse próprio, no todo ou em parte, em favor do interesse alheio, podendo ocorrer 
fora ou dentro do processo. 
Ada Pellegrini Grinover66 destaca a existência da chamada Justiça Conciliativa, correspondente aos 
métodos consensuais de solução de conflitos aplicados à justiça: negociação, mediação, conciliação 
e outros institutos que facilitam o consenso entre as partes, como a avaliação neutra de terceiro ou 
a antecipação da prova fora das situações de urgência (esta última tratada no art. 381, II e III do 
CPC/15). Seria “justiça”, pois enquadram-se no amplo quadro da política judiciária, em decorrência 
da reinterpretação do art. 5º, XXXV da CRFB e do “acesso à justiça”. E “conciliativa”, pois todos 
tendem à conciliação. 
Ainda, Ada destaca os três fundamentos de justiça conciliativa: a) pacificação67; b) fundamento 
político da democracia participativa por meio da atuação das partes na construção da solução; c) 
funcional: economia processual e desafogar o acúmulo de processos nos tribunais. 
 
pelo devedor fiduciante, ocorre somente com o total adimplemento da dívida, existindo, até o cumprimento dessa 
condição, mera expectativa. STF, RE 627.106, tema 249; e RE 223.075. RE 860.631/SP, Rel. Min. Luiz Fux, d.j. 26/10/23, 
info 1114. Ainda em 2023, o STJ decidiu que: A ausência de registro do contrato que serve de título à propriedade 
fiduciária no Registro de Imóveis não retira a validade do ajuste entre os contratantes, bem como não impede o credor 
fiduciário de, após a efetivação do registro, promover a alienação extrajudicial do bem. STJ, 2ª Seção, EREsp 1.866.844-
SP, Rel. Min. Nancy, Rel. p/ ac. Min. Ricardo Villas Bôas, d.j. 27/9/23, info 789. 
66 GRINOVER, Ada Pellegrini. Os métodos consensuais de solução de conflitos no novo CPC. In: O Novo Código de Processo 
Civil: questões controvertidasa. São Paulo: Atlas, 2015, pp. 1-21. 
67 A pacificação social do conflito é ainda melhor quando o conflito é autocomposto, porquanto os destinatários de 
decisão participaram na construção da solução. Aquilo não lhe foi imposto. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 72
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Nos últimos anos, a política pública mais marcante68 no que tange ao Judiciário tem sido o estímulo 
à Justiça Multiportas, em especial à autocomposição. 
Os marcos históricos foram: i- arts. 24, X e 98, I da CRFB/88 que previram os juizados especiais; ii- em 
1984, foram criados os Juizados Especiais de Pequenas Causas (Lei n. 7.244/84); iii- em 1995, a Lei n. 
9.099 dispôs sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais, implantando modificações em relação à 
Lei n. 7.244/84, ampliando sua competência e passando a chamar as causas de “menor 
complexidade”; iv- em 1990, o Código de Defesa do Consumidor reforçou o ideário do acesso 
individual dos consumidores à Justiça pela via dos Juizados; v- reformulação do art. 331 do CPC/73, 
em 1994 e 2002, para instituir uma audiência preliminar (mas muitos juízes dispensavam); vi- 
Resolução n. 125/10 do CNJ69 institucionalizou a política dos meios de solução de conflitos, com a 
conciliação e mediação e reforçando a atuação dos juizados especiais; vii- CPC/1570; viii- Lei de 
Mediação (Lei n. 13.140/15). Ada ressalta que, atualmente, existe um minissistema de métodos 
consensuais de solução judicial de conflitos, formado pela: a) Res. n. 125/10 do CNJ; CPC/15; c) Lei 
de Mediação (Lei n. 13.140/1571) e c) CPC/15, os três diplomas mais importantes que serão estudados 
adiante. 
Pois bem. 
 
68 Embora grande parcela doutrináriae jurisprudencial concordem com tal movimento, há algumas críticas feitas por 
alguns, a exemplo de Assumpção, que diz: Registro que não vejo a priorização da mediação e, em especial, da conciliação 
como panaceia a todos os problemas no campo dos conflitos de interesses. Admito a relevância indiscutível dessa forma 
de solução de conflitos em determinadas espécies de crises jurídicas, em particular no direito de família e vizinhança. (...). 
O que me causa extremo desconforto é notar que a valorização da conciliação e mediação leve-nos a ver com naturalizada 
o famoso ditado de que vale mais um acordo ruim do que um processo bom. Ao se concretizar isso, estaremos renunciando 
o respeito ao direito material e decretando a falência do Poder Judiciário. NEVES, Daniel Assumpção. Op. Cit., . 64. 
69 A Resolução implementou vários avanços: a) institui a política pública de tratamento adequado dos conflitos de 
interesses (art. 1º); b) define o papel do CNJ como organizador dessa política pública no âmbito do Poder Judiciário (art. 
4º); c) impõe a criação, pelos tribunais, dos centros de solução de conflitos e cidadania (art. 7º); d) regulamenta a atuação 
do mediador e do conciliador (art. 12), inclusive criando o seu Código de Ética (anexo da Resolução); e) imputa aos 
tribunais o dever de criar, manter e dar publicidade ao banco de estatísticas de seus centros de solução de conflitos e 
cidadania (art. 13); f) define o currículo mínimo para o curso de capacitação dos mediadores e conciliadores. 
70 São vários os exemplos de estímulo à autocomposição no CPC/15: a) art. 3º, CPC, norma geral que estimula a 
autocomposição. b) arts. 165 a 175 – tratam da mediação e conciliação; c) permite negócios jurídicos processuais (art. 
190); d) estruturação do procedimento a fim de tentar a autocomposição antes do oferecimento da defesa pelo réu (arts. 
334 e 695, CPC); e) permite homologação judicial de acordo extrajudicial de qualquer natureza (arts. 515, III e 725, VIII); 
f) permite que, no acordo judicial, seja incluída matéria estranha ao objeto do processo (art. 515, §2º); g) Lei nº. 
13.140/15, que disciplina exaustivamente a mediação. 
71 Embora a Lei só se refira à mediação, entende-se que seus artigos também se aplicam à conciliação. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 73
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
A fim de adentrar na sistemática da Justiça Conciliativa, deve-se ter em mente que a autocomposição 
é um gênero, do qual são espécies a transação e a submissão72. 
Transação: os conflitantes fazem concessões mútuas e solucionam o conflito. 
CC, Art. 840. É lícito aos interessados prevenirem ou terminarem o litígio mediante 
concessões mútuas. 
Submissão: um dos conflitantes se submete à pretensão do outro voluntariamente. 
Quando é feita em juízo, a submissão do autor se chama renúncia (art. 487, III, “c”, CPC); a do réu se 
chama reconhecimento da procedência do pedido (art. 487, III, “a”, CPC). 
Nesses casos, a autocomposição será homologada pelo juiz, prolatando uma sentença de mérito (art. 
487, II, III, V, CPC), com formação de coisa julgada material. 
A autocomposição pode ser alcançada por meio de um diálogo travado apenas pelas partes 
(negociação direta). 
Mas também pode ser alcançada com a ajuda de um terceiro (mediação e conciliação). 
É inegável que esse tema é “da moda” e, certamente, irá cair na sua prova. 
Verifica-se que o Poder Legislativo tem reiteradamente estimulado a autocomposição. No CPC, são 
exemplos: a) arts. 165 a 175 – tratam da mediação e conciliação; b) estruturação do procedimento a 
fim de tentar a autocomposição antes do oferecimento da defesa pelo réu (arts. 334 e 695, CPC); c) 
permite homologação judicial de acordo extrajudicial de qualquer natureza (arts. 515, III e 725, VIII); 
d) permite que, no acordo judicial, seja incluída matéria estranha ao objeto do processo (art. 515, 
§2º); e) permite negócios jurídicos processuais (art. 190); f) Lei nº. 13.140/15, que disciplina 
exaustivamente a mediação; g) art. 3º, CPC, norma geral que estimula a autocomposição. 
Art. 3o Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 1o É 
permitida a arbitragem, na forma da lei. § 2o O Estado promoverá, sempre que possível, 
a solução consensual dos conflitos. § 3o A conciliação, a mediação e outros métodos de 
solução consensual de conflitos deverão ser estimulados por juízes, advogados, 
defensores públicos e membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo 
judicial. 
Mediação e Conciliação 
 
72 DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil, v. 1, Ed. Juspodivm: Salvador, 2018, p. 201. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 74
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Mediação e Conciliação são formas de solução de conflito pelas quais um terceiro intervém em um 
processo negocial, com a função de auxiliar as partes a chegar à autocomposição. Ao terceiro não 
cabe resolver o problema, como ocorre na arbitragem (heterocomposição), não sendo, pois, 
jurisdição. 
Ainda, a autocomposição pode se dar antes ou durante todo o processo, inclusive depois do trânsito 
em julgado. 
Enunciado 485, FPPC: É cabível conciliação ou mediação no processo de execução, no 
cumprimento de sentença e na liquidação de sentença, em que será admissível a 
apresentação de plano de cumprimento da prestação. 
Nesse passo, Didier ressalta que a solução negocial tem três pontos principais: 
i- é um meio eficaz e econômico de resolução dos litígios; 
ii- é importante instrumento de desenvolvimento da cidadania, em que os interessados passam a ser 
protagonistas da construção da decisão jurídica que regula as suas relações. 
iii- é um reforço da participação popular no exercício do poder de solução dos litígios, tendo um forte 
caráter democrático. 
Feita a introdução, quais as diferenças entre mediação e conciliação? 
1ª diferença: o mediador deve atuar nos casos em que já houver vínculo anterior entre as partes 
(família, vizinhos, sócios), ao passo que o conciliador atuará quando não houver relação anterior 
entre os interessados (acidente de trânsito). 
2ª diferença: enquanto o mediador não propõe soluções no conflito às partes73, o conciliador tem 
uma participação mais ativa, podendo sugerir soluções para o litígio. 
Art. 165, § 2o O conciliador, que atuará preferencialmente nos casos em que não houver 
vínculo anterior entre as partes, poderá sugerir soluções para o litígio, sendo vedada a 
utilização de qualquer tipo de constrangimento ou intimidação para que as partes 
conciliem. 
§ 3o O mediador, que atuará preferencialmente nos casos em que houver vínculo anterior 
entre as partes, auxiliará aos interessados a compreender as questões e os interesses em 
 
73 Ora, como já há relação entre as partes (1ª diferença), normalmente, os conflitos são carregados de história, 
ressentimentos, frustrações etc., de difícil apreensão pelo mediador em poucos minutos que toma conhecimento do 
caso. Portanto, caberá a ele não propor soluções, mas apenas estimular as partes para que cheguem a um consenso. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 75
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
conflito, de modo que eles possam, pelo restabelecimento da comunicação, identificar, 
por si próprios, soluções consensuais que gerem benefícios mútuos. 
FCC/DPE-MA – Defensor/18 - A mediação 
a) não constitui técnica adequada para a solução de demandas contra a Fazenda Pública. 
b) constitui técnica de heterocomposição, uma vez que se caracteriza pela intervenção de um 
terceiro imparcial para auxiliar na resolução do conflito. 
c) é inaplicável diante de um conflito que verse sobre direito indisponível. 
d) da forma como é regulamentada pelo Código de ProcessoCivil não é a técnica adequada 
para a solução de um conflito entre pessoas que não mantinham vínculo anterior. 
e) extrajudicial não encontra regulamentação na legislação federal em vigor, uma vez que ela 
cuida apenas da mediação de demandas judicializadas. 
A alternativa D está correta. CPC, Art 165, §§2º e 3ª. As alternativas A e B estão incorretas. Lei 
n. 13.140/15, Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a mediação como meio de solução de controvérsias 
entre particulares e sobre a autocomposição de conflitos no âmbito da administração pública. 
A alternativa C está incorreta. Lei n. 13.140/15, Art. 3º Pode ser objeto de mediação o conflito 
que verse sobre direitos disponíveis ou sobre direitos indisponíveis que admitam 
transação. § 1o A mediação pode versar sobre todo o conflito ou parte dele. § 2o O consenso 
das partes envolvendo direitos indisponíveis, mas transigíveis, deve ser homologado em juízo, 
exigida a oitiva do Ministério Público. A alternativa E está incorreta. Lei n. 13.140/15, Art. 21. O 
convite para iniciar o procedimento de mediação extrajudicial poderá ser feito por qualquer 
meio de comunicação e deverá estipular o escopo proposto para a negociação, a data e o local 
da primeira reunião. 
De todo modo, em vários dispositivos do minissistema, a mediação e a conciliação são tratadas 
similarmente, inclusive no tocante à estrutura, procedimentos, direitos e deveres dos 
mediadores/conciliadores. Portanto, o estudo pode se dar conjuntamente. 
Primeiro, vale aduzir que os Tribunais deverão criar centros judiciários de solução consensual de 
conflitos (art. 8º da Resolução 125/10 do CNJ74; art. 165 do CPC; art. 24 da Lei de Mediação), nos 
quais as audiências de mediação e conciliação acontecerão e às quais as partes deverão comparecer. 
 
74 Leiam a Resolução e o art. 8º, com todos os seus parágrafos, já atualizados para se conformarem ao CPC/15. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 76
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Lei n. 13.140/15 (mediação extrajudicial75), Art. 22, § 2o Não havendo previsão contratual 
completa, deverão ser observados os seguintes critérios para a realização da primeira 
reunião de mediação: IV - o não comparecimento da parte convidada à primeira reunião 
de mediação acarretará a assunção por parte desta de cinquenta por cento das custas e 
honorários sucumbenciais caso venha a ser vencedora em procedimento arbitral ou 
judicial posterior, que envolva o escopo da mediação para a qual foi convidada. 
CPC/15 (mediação judicial), Art. 334, § 8º O não comparecimento injustificado do autor 
ou do réu à audiência de conciliação é considerado ato atentatório à dignidade da justiça 
e será sancionado com multa de até dois por cento da vantagem econômica pretendida 
ou do valor da causa, revertida em favor da União ou do Estado. 
O passo a passo da mediação/conciliação, por sua vez, deve ser regida por alguns princípios, que 
decorrem do Código de Ética de Conciliadores e Mediadores (anexo à Resolução n. 125/10 do CNJ) e 
que foram transpostos e atualizados para o art. 166 do CPC e art. 2º da Lei n. 13.140/15. 
Art. 166. A conciliação e a mediação são informadas pelos princípios da independência, 
da imparcialidade, da autonomia da vontade, da confidencialidade, da oralidade, da 
informalidade e da decisão informada. 
Art. 2º A mediação será orientada pelos seguintes princípios: I - imparcialidade do 
mediador; II - isonomia entre as partes; III - oralidade; IV - informalidade; V - autonomia 
da vontade das partes; VI - busca do consenso; VII - confidencialidade; VIII - boa-fé. 
Independência: não podem sofrer pressões externas que interfiram no exercício de suas funções. Há 
uma dupla garantia: de um lado protege os mediadores e conciliadores, e de outro uma garantia dos 
conflitantes, porque faz com que o trabalho dos conciliadores e mediadores seja melhor. Por 
exemplo, eles não são obrigados a redigirem acordos ilegais ou inexequíveis (art. 1º, §5º, Código de 
Ética de Conciliadores e Mediadores – Anexo da Resolução n. 125/2010). 
Imparcialidade: mediadores e conciliadores devem ser imparciais, devendo se declararem suspeitos 
ou impedidos, sob pena de punição e exclusão do cadastro. 
Lei n. 13.140/15, Art. 5o Aplicam-se ao mediador as mesmas hipóteses legais de 
impedimento e suspeição do juiz. 
Parágrafo único. A pessoa designada para atuar como mediador tem o dever de revelar 
às partes, antes da aceitação da função, qualquer fato ou circunstância que possa suscitar 
 
75 Disciplinada nos arts. 9º, 10, 21, 22 e 23 da Lei n. 13.140/15. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 77
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
dúvida justificada em relação à sua imparcialidade para mediar o conflito, oportunidade 
em que poderá ser recusado por qualquer delas. 
 Além das hipóteses de suspeição e impedimento que se aplicam aos mediadores e 
conciliadores (arts. 148, II, 170, 171 e 173, II, CPC), os arts. 167, §5º c/c 172, CPC criam outras. 
Art. 167, § 5º Os conciliadores e mediadores judiciais cadastrados na forma do caput , se 
advogados, estarão impedidos de exercer a advocacia nos juízos em que desempenhem 
suas funções. 
Art. 172. O conciliador e o mediador ficam impedidos, pelo prazo de 1 (um) ano, contado 
do término da última audiência em que atuaram, de assessorar, representar ou 
patrocinar qualquer das partes. 
Lei n. 13.140/15, Art. 6º O mediador fica impedido, pelo prazo de um ano, contado do 
término da última audiência em que atuou, de assessorar, representar ou patrocinar 
qualquer das partes. 
O art. 7º da Lei n. 9.099/95 tem previsão similar: 
Art. 7º, Parágrafo único. Os Juízes leigos ficarão impedidos de exercer a advocacia 
perante os Juizados Especiais, enquanto no desempenho de suas funções. 
O enunciado 40 do FONAJE interpreta restritivamente essa proibição. 
Enunciado 40, FONAJE: O conciliador ou juiz leigo não está incompatibilizado nem 
impedido de exercer a advocacia, exceto perante o próprio Juizado Especial em que atue 
ou se pertencer aos quadros do Poder Judiciário. 
Autonomia da vontade: quem define o resultado, se haverá acordo ou não, são os conflitantes, não 
podendo sofrer pressão para fazer acordo (art. 2º, §2º, Lei n. 13.140 e art. 166, §4º, CPC/15). 
Nesse ponto, o mediador pode sim demonstrar que a cooperação entre os “adversários” pode ser a 
melhor saída. Em um acordo, não necessariamente um sai ganhando e o outro sai perdendo. Os dois 
podem sair ganhando. Essa ideia é exposta no próprio Manual de Mediação Judicial do CNJ, dentro 
do qual é tratada a teoria dos jogos de John Nash76 (ganhador do Nobel, em 1994 e inspiração para 
o filme “Uma Mente Brilhante”). 
 
76 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Manual de Mediação Judicial. Disponível em: Acesso em: 
04.04.2021. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 78
http://www.cnj.jus.br/files/conteudo/arquivo/2016/07/f247f5ce60df2774c59d6e2dddbfec54.pdf
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
FCC/DPE-MA-Defensor/18 - O conceito de Equilíbrio de Nash (NASH, John F. Theory of Games 
and Economic Behavior, 1944) na teoria dos jogos: e) é compatível com a cooperação, pois 
combinando estratégias entre os jogadores alcança-se um melhor resultado, individual e 
coletivamente. E está correta. O item 3 do Manual de Mediação Judicial do CNJ trata da Teoria 
dos Jogos: (...) John Nash introduziu o elemento cooperativo na teoria dos jogos. A ideia de 
cooperação não seria totalmente incompatível com o pensamento de ganho individual, já que, 
para Nash, a cooperação traz a noção de que é possível maximizar ganhos individuais 
cooperando com o outro participante (até então, adversário).Ainda, segundo o art. 19 da Lei n. 13.140/15: 
Art. 19. No desempenho de sua função, o mediador poderá reunir-se com as partes, em 
conjunto ou separadamente, bem como solicitar das partes as informações que entender 
necessárias para facilitar o entendimento entre aquelas. 
Confidencialidade: estende-se a todas as informações recebidas ao longo da negociação. 
CPC/15, Art. 166, § 1o A confidencialidade estende-se a todas as informações produzidas 
no curso do procedimento, cujo teor não poderá ser utilizado para fim diverso daquele 
previsto por expressa deliberação das partes. 
Lei n. 13.140/15, Art. 30, § 1o O dever de confidencialidade aplica-se ao mediador, às 
partes, a seus prepostos, advogados, assessores técnicos e a outras pessoas de sua 
confiança que tenham, direta ou indiretamente, participado do procedimento de 
mediação, alcançando: I - declaração, opinião, sugestão, promessa ou proposta 
formulada por uma parte à outra na busca de entendimento para o conflito; II - 
reconhecimento de fato por qualquer das partes no curso do procedimento de 
mediação; III - manifestação de aceitação de proposta de acordo apresentada pelo 
mediador; IV - documento preparado unicamente para os fins do procedimento de 
mediação. § 2o A prova apresentada em desacordo com o disposto neste artigo não será 
admitida em processo arbitral ou judicial. 
O mediador e o conciliador, portanto, não podem atuar como árbitro, tampouco como testemunha 
em processos relacionados com aqueles que atuou77. Todavia, a confidencialidade é excepcionada 
 
77 Lei n. 13.140/15, Art. 7o O mediador não poderá atuar como árbitro nem funcionar como testemunha em processos 
judiciais ou arbitrais pertinentes a conflito em que tenha atuado como mediador. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 79
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
quando78: a) as próprias partes autorizarem; b) divulgação exigida em lei (a exemplo de crime e dever 
perante administração tributária79); c) necessidade para cumprimento do acordo obtido. 
No início da audiência, o conciliador e o mediador deverão advertir os presentes da extensão da 
confidencialidade. 
Enunciado 62, Enfam: O conciliador e o mediador deverão advertir os presentes, no início 
da sessão ou audiência, da extensão do princípio da confidencialidade a todos os 
participantes do ato. 
Do exposto, extrai-se que é de todo recomendável que o Juiz não participe dela, tampouco tenha 
conhecimento das minucias que ali foram tratadas. Ora, é interessante que o magistrado não forme 
seus pré-conceitos e suas convicções sobre o que as partes, sigilosamente, debateram. As audiências, 
pois, devem ser lideradas por mediadores e conciliadores, devidamente habilitados, em centros 
judiciais de solução consensual de conflitos (CEJUSCs) criados pelos Tribunais. 
Art. 334, § 1º O conciliador ou mediador, onde houver, atuará necessariamente na 
audiência de conciliação ou de mediação, observando o disposto neste Código, bem 
como as disposições da lei de organização judiciária. 
Aliás, convém destacar o conteúdo do art. 139, V. 
Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-
lhe: V - promover, a qualquer tempo, a autocomposição, preferencialmente com auxílio 
de conciliadores e mediadores judiciais; 
Todavia, não se pode fechar os olhos para a realidade. Os Tribunais, normalmente, possuem esses 
centros em capitais e grandes cidades, inexistindo em comarcas e subseções de pequeno e médio 
porte. Nesses casos, embora o art. 334, §1º diga “necessariamente”, tem-se entendido que, não 
havendo saída, o magistrado pode sim participar da audiência de conciliação e mediação. Ora, é 
 
78 Lei n. 13.140/15, Art. 30. Toda e qualquer informação relativa ao procedimento de mediação será confidencial em 
relação a terceiros, não podendo ser revelada sequer em processo arbitral ou judicial salvo se as partes expressamente 
decidirem de forma diversa OU quando sua divulgação for exigida por lei ou necessária para cumprimento de acordo 
obtido pela mediação. Art. 31. Será confidencial a informação prestada por uma parte em sessão privada, não podendo 
o mediador revelá-la às demais, exceto se expressamente autorizado. 
79 Lei n. 13.140/15, art. 30, § 3o Não está abrigada pela regra de confidencialidade a informação relativa à ocorrência 
de crime de ação pública. § 4o A regra da confidencialidade não afasta o dever de as pessoas discriminadas 
no caput prestarem informações à administração tributária após o termo final da mediação, aplicando-se aos seus 
servidores a obrigação de manterem sigilo das informações compartilhadas nos termos do art. 198 da Lei no 5.172, de 
25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 80
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
melhor ocorrer a audiência do art. 334, mesmo que com a atuação do juiz, do que não a ter. Esse é 
o teor do enunciado 23 da I jornada de direito processual civil do CJF. 
Enunciado 23 da I JDPC do CJF: Na ausência de auxiliares da justiça, o juiz poderá realizar 
a audiência inaugural do art. 334 do CPC, especialmente se a hipótese for de conciliação. 
Oralidade: a mediação e a conciliação devem desenvolver-se em um ambiente pessoal, presencial, 
informal, oral, tudo com o fim de tornar mais leve o diálogo, sem aquele ritual e simbologia própria 
da atuação jurisdicional. 
Enunciado 25, I JDPC do CJF: As audiências de conciliação ou mediação, inclusive dos 
juizados especiais, poderão ser realizadas por videoconferência, áudio, sistemas de troca 
de mensagens, conversa on-line, conversa escrita, eletrônica, telefônica e telemática ou 
outros mecanismos que estejam à disposição dos profissionais da autocomposição para 
estabelecer a comunicação entre as partes. 
Lei n. 9.099/95, Art. 20, § 2º É cabível a conciliação não presencial conduzida pelo Juizado 
mediante o emprego dos recursos tecnológicos disponíveis de transmissão de sons e 
imagens em tempo real, devendo o resultado da tentativa de conciliação ser reduzido a 
escrito com os anexos pertinentes. (Incluído pela Lei nº 13.994, de 2020). 
Informalidade: mediação e conciliação têm que ocorrer em um ambiente informal. Assim, o 
mediador não pode estar de beca, com linguajar inaceitável. Sugere-se também que a mesa não seja 
quadrilátera, devendo ser circular, as cadeiras devem ser iguais e da mesma altura. 
Atenção: a informalidade não rege o Processo Civil como um todo, estando alocada em 
procedimentos específicos, a exemplo da mediação/conciliação, juizados especiais etc. 
CONSULPLAN/TJMG – Juiz/18 - São princípios fundamentais do processo civil, EXCETO: a) 
Isonomia. b) Cooperação. c) Informalidade. d) Boa-fé objetiva. C está incorreta. Em muitas 
situações a lei processual exige sim formalidade. As alternativas A, B e D estão corretas. Arts. 
7º, 6º e 5º, respectivamente. 
Decisão informada: a colheita de dados deve ser a melhor possível para que as partes decidam bem 
e de modo consciente. 
O art. 2º, Lei n. 13.140/2015 acrescenta ao rol do art. 166, CPC, mais alguns princípios que regem a 
mediação: a) isonomia entre as partes; b) busca do consenso; c) boa-fé. 
Como exemplo de isonomia, há o art. 10 da mesma Lei. 
Art. 10. As partes poderão ser assistidas por advogados ou defensores 
públicos. Parágrafo único. Comparecendo uma das partes acompanhada de advogado 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 81
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
ou defensor público, o mediador suspenderá o procedimento, até que todas estejam 
devidamente assistidas. 
Aqui, a isonomia pretendida pela lei é a procedimental. Isso porque, se fosse a isonomia material, a 
mediação e conciliação ficariam restritas àquelas hipótesesem que não exista qualquer espécie de 
hipossuficiência ou vulnerabilidade de uma das partes. E esse não é o espírito do estímulo à 
autocomposição preconizado pelo CNJ e pelo NCPC. 
A busca do consenso, por óbvio, é a razão da própria atividade de mediação e conciliação. 
Quanto à boa-fé, já foi tratada. 
Atenção! A leitura da Lei de Mediação (Lei n. 13.140/15) é imprescindível! 
FCC/DPE-SP – Defensor/19 – Segundo a Lei no 13.140/15, a respeito da mediação é correto 
afirmar: 
(A) se as partes se comprometeram por cláusula de mediação a não iniciar processo judicial 
durante certo prazo, o juiz suspenderá o curso da ação pelo prazo previamente acordado, 
ressalvadas as medidas de urgência para evitar o perecimento de direito. 
(B) na mediação judicial, os mediadores se sujeitam à prévia aceitação das partes, além de 
serem aplicadas as mesmas hipóteses legais de impedimento e suspeição do juiz. 
(C) a realização de procedimento de mediação interrompe o prazo prescricional. 
(D) o mediador deverá reunir-se sempre em conjunto com as partes, vedada a sua reunião 
separada com uma das partes sem a participação da outra, a fim de resguardar a sua 
imparcialidade. 
(E) caso não haja previsão completa a respeito da mediação extrajudicial, o não 
comparecimento da parte convidada à primeira reunião de mediação acarretará a assunção 
integral das custas e honorários sucumbenciais em procedimento arbitral ou judicial posterior. 
A alternativa A está correta. Lei n. 13.140/2015, Art. 23. Se, em previsão contratual de cláusula 
de mediação, as partes se comprometerem a não iniciar procedimento arbitral ou processo 
judicial durante certo prazo ou até o implemento de determinada condição, o árbitro ou o juiz 
suspenderá o curso da arbitragem ou da ação pelo prazo previamente acordado ou até o 
implemento dessa condição. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica às medidas 
de urgência em que o acesso ao Poder Judiciário seja necessário para evitar o perecimento de 
direito. 
A alternativa B está incorreta. Art. 5o Aplicam-se ao mediador as mesmas hipóteses legais de 
impedimento e suspeição do juiz. Todavia, eles não se sujeitam à prévia aceitação das partes. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 82
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Art. 25. Na mediação judicial, os mediadores não estarão sujeitos à prévia aceitação das partes, 
observado o disposto no art. 5o desta Lei. 
A alternativa C está incorreta. Art. 17, Parágrafo único. Enquanto transcorrer o procedimento 
de mediação, ficará suspenso o prazo prescricional. 
A alternativa D está incorreta. Art. 19. No desempenho de sua função, o mediador poderá 
reunir-se com as partes, em conjunto ou separadamente, bem como solicitar das partes as 
informações que entender necessárias para facilitar o entendimento entre aquelas. 
A alternativa E está incorreta. Art. 22, § 2o Não havendo previsão contratual completa, deverão 
ser observados os seguintes critérios para a realização da primeira reunião de mediação: IV - o 
não comparecimento da parte convidada à primeira reunião de mediação acarretará a 
assunção por parte desta de cinquenta por cento das custas e honorários sucumbenciais caso 
venha a ser vencedora em procedimento arbitral ou judicial posterior, que envolva o escopo 
da mediação para a qual foi convidada. 
Prosseguindo na disciplina do minissistema, os mediadores e conciliadores deverão ser aprovados 
em curso a ser realizado por entidade credenciada e estar cadastrados no CNJ e no Tribunal, ou seja, 
haverá um cadastro nacional e outro regional (art. 167 do CPC e 12, Lei n. 13.140). 
Art. 167. Os conciliadores, os mediadores e as câmaras privadas de conciliação e 
mediação serão inscritos em cadastro nacional e em cadastro de tribunal de justiça ou de 
tribunal regional federal, que manterá registro de profissionais habilitados, com 
indicação de sua área profissional. § 1º Preenchendo o requisito da capacitação mínima, 
por meio de curso realizado por entidade credenciada80, conforme parâmetro curricular 
definido pelo Conselho Nacional de Justiça em conjunto com o Ministério da Justiça, o 
conciliador ou o mediador, com o respectivo certificado, poderá requerer sua inscrição 
no cadastro nacional e no cadastro de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal. 
O art. 11 da Lei n. 13.140/15 cria novo requisito para a atuação do mediador judicial: graduação há 
pelo menos dois anos. 
Prosseguindo... 
 
80 Confiram o Anexo I da Resolução n. 125/10 do CNJ sobre as diretrizes curriculares. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 83
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Art. 167, § 2º Efetivado o registro, que poderá ser precedido de concurso público81, o 
tribunal remeterá ao diretor do foro da comarca, seção ou subseção judiciária onde 
atuará o conciliador ou o mediador os dados necessários para que seu nome passe a 
constar da respectiva lista, a ser observada na distribuição alternada e aleatória, 
respeitado o princípio da igualdade dentro da mesma área de atuação profissional. 
§ 3º Do credenciamento das câmaras e do cadastro de conciliadores e mediadores 
constarão todos os dados relevantes para a sua atuação, tais como o número de 
processos de que participou, o sucesso ou insucesso da atividade, a matéria sobre a qual 
versou a controvérsia, bem como outros dados que o tribunal julgar relevantes. 
§ 4º Os dados colhidos na forma do § 3º serão classificados sistematicamente pelo 
tribunal, que os publicará, ao menos anualmente, para conhecimento da população e 
para fins estatísticos e de avaliação da conciliação, da mediação, das câmaras privadas de 
conciliação e de mediação, dos conciliadores e dos mediadores. 
Os mediadores/conciliadores serão remunerados por vencimento (quando entrarem por meio de 
concurso) ou conforme tabela do Tribunal, quando tiverem ingressado sem concurso. 
Art. 169. Ressalvada a hipótese do art. 167, § 6º , o conciliador e o mediador receberão 
pelo seu trabalho remuneração prevista em tabela fixada pelo tribunal, conforme 
parâmetros estabelecidos pelo Conselho Nacional de Justiça. 
Prevê-se, ainda, que a remuneração seja custeada pelas partes, ressalvada a gratuidade. 
Lei n. 13.140/15, Art. 13. A remuneração devida aos mediadores judiciais será fixada 
pelos tribunais e custeada pelas partes, observado o disposto no § 2º do art. 4º desta Lei. 
Art. 4º, § 2º Aos necessitados será assegurada a gratuidade da mediação. 
De todo modo, poderá haver trabalho voluntário. 
Art. 169, § 1º A mediação e a conciliação podem ser realizadas como trabalho voluntário, 
observada a legislação pertinente e a regulamentação do tribunal. 
Ainda, será possível que as partes escolham mediadores e conciliadores (cadastrados ou não) ou a 
própria câmara privada de conciliação e mediação, devidamente cadastrada. 
 
81 Pode ser por concurso ou não. Vide art. 167, §6º O tribunal poderá optar pela criação de quadro próprio de 
conciliadores e mediadores, a ser preenchido por concurso público de provas e títulos, observadas as disposições deste 
Capítulo. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 84
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
CPC, Art. 168. As partes podem escolher, de comum acordo, o conciliador, o mediador ou 
a câmara privada de conciliação e de mediação. § 1º O conciliador ou mediador escolhido 
pelas partes poderá ou não estar cadastrado no tribunal. § 2º Inexistindo acordo quanto 
à escolha do mediador ou conciliador, haverá distribuição entre aqueles cadastrados no 
registro do tribunal, observada a respectiva formação. § 3º Sempre que recomendável, 
haverá a designação de mais de um mediador ou conciliador. 
Lei n. 13.140/15, Art. 4º O mediador será designado pelo tribunal ou escolhidopelas 
partes. Art. 15. A requerimento das partes ou do mediador, e com anuência daquelas, 
poderão ser admitidos outros mediadores para funcionarem no mesmo procedimento, 
quando isso for recomendável em razão da natureza e da complexidade do conflito. 
Nota-se que o CPC foi o primeiro diploma a prever câmaras privadas de conciliação e mediação82. 
Como vimos, podem as partes escolhê-la para coordenar o procedimento, desde que seja cadastrada. 
E, ao se cadastrar, como contrapartida, a câmara deverá se comprometer a suportar algumas 
audiências não remuneradas. 
Art. 169, § 2º Os tribunais determinarão o percentual de audiências não remuneradas 
que deverão ser suportadas pelas câmaras privadas de conciliação e mediação, com o fim 
de atender aos processos em que deferida gratuidade da justiça, como contrapartida de 
seu credenciamento. 
Ainda, imprescindível destacar a possibilidade da criação, por parte dos entes da Administração (U, 
DF, E, M), de câmaras administrativas de solução consensual (art. 174, CPC e art. 32, Lei n. 
13.140/2015)83. 
Art. 174. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios criarão câmaras de 
mediação e conciliação, com atribuições relacionadas à solução consensual de conflitos 
no âmbito administrativo, tais como: I - dirimir conflitos envolvendo órgãos e entidades 
da administração pública; II - avaliar a admissibilidade dos pedidos de resolução de 
conflitos, por meio de conciliação, no âmbito da administração pública; III - promover, 
quando couber, a celebração de termo de ajustamento de conduta. 
 
82 Os arts. 12-C a 12-F da Res. 125/10 do CNJ tratam a respeito das câmaras privadas de mediação e conciliação. 
83 No Rio de Janeiro, por exemplo, há a Câmara Administrativa de Soluções de litígios - CASC instituída pelo Decreto 
46.522, de 10 de dezembro de 2018 e Resolução PGE 4430 de 05 de agosto de 2019. No âmbito federal, existe a Câmara 
de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal (CCAF), instituída ainda em 27/09/2007. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 85
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Enunciado 123 do Fórum Nacional do Poder Público: A efetividade dos ideais de eficiência 
e economicidade na solução consensual de conflitos na Administração Pública exige a 
criação das câmaras previstas no art. 32 da Lei n. 13.140/15. 
Enunciado 398, FPPC: As câmaras de mediação e conciliação têm competência para 
realização da conciliação, no âmbito administrativo, de conflitos judiciais84 e 
extrajudiciais. 
Esse ponto é importantíssimo, pois sempre se soube que o Direito Administrativo se caracteriza pela 
regência dos princípios da indisponibilidade do interesse público e pela supremacia do interesse 
público sobre o interesse privado. Contudo, no Direito Brasileiro, já se vê uma relativização do 
princípio da superioridade do interesse público sobre o privado85, bem como criação de mitigações à 
indisponibilidade do interesse público86. 
A Lei 13.140/15, que trata da mediação, foi nesse mesmo sentido e estabeleceu: 
Lei n. 13.140 - Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a mediação como meio de solução de 
controvérsias entre particulares e sobre a autocomposição de conflitos no âmbito da 
administração pública. 
Art. 3º: Pode ser objeto de mediação o conflito que verse sobre direitos disponíveis ou 
sobre direitos indisponíveis que admitam transação. 
IBFC/TRF2 – Juiz Federal/18 - d) A Lei de Mediação permite a autocomposição de conflitos como 
meio de solução de conflitos que envolvam a administração pública, incluindo no seu objeto os 
 
84 Se for instaurado o procedimento, há suspensão da prescrição (art. 34, Lei n. 13.140/15). 
85 FRANCO, Marcelo Veiga. Administração Pública como litigante habitual: a necessária mudança da cultura jurídica de 
tratamento dos conflitos. Londrina: Toth, 2021, p. 131ss; SARMENTO, Daniel (organizador). Interesses públicos versus 
Interesses privados: desconstruindo o princípio da supremacia do interesse público. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010. A 
doutrina sustenta a inexistência de supremacia abstrata do interesse público sobre o privado, exigindo ponderação de 
interesses para resolver eventuais conflitos. 
86 : 1) nos Juizados Especiais Federais, os representantes da Fazenda são autorizados a conciliar e transigir (art. 10, 
parágrafo único, da Lei 11.029/2001); 2) passou a ser permitida a utilização de mecanismos privados para resolução de 
disputas, inclusive a arbitragem, como, p. ex.: telecomunicações (art. 93, XV, Lei n. 9.472/97); exploração de petróleo e 
gás natural (art. 43, X, Lei n. 9.478/97); concessões (art. 23-A, Lei n. 8.987/98), parcerias público-privadas (11, III, da Lei 
11.079/04), contratos built to suit (art. 44-A, Lei 12.462/11); 3) a lei de arbitragem, reformada pela lei 13.129/15 passou 
a permitir a arbitragem para a Administração de forma mais aberta; 4) A Lei n. 13.140/15 (Mediação) passou a permitir 
a mediação e conciliação na Administração em diversas hipóteses. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 86
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
direitos disponíveis e os indisponíveis que admitam transação. D está correta. Art. 3º da Lei n. 
13.140/15. 
Leonardo da Cunha87 destaca as principais características da mediação do Poder Público: 
i) a submissão do conflito à câmara é facultativa e somente será cabível nos casos previstos no seu 
regulamento. No entanto, quando houver recusa, ente público deve justificar os motivos pelos quais 
recusou o convite para participar do procedimento de mediação ou de conciliação. 
ii) a Fazenda Pública pode utilizar o procedimento previsto para a mediação com particulares, até 
que seja criada sua câmara de mediação (Lei 13.140/2015, art. 33). É possível, ainda, a instauração, 
de ofício ou por provocação, de procedimento de mediação coletiva de conflitos concernentes à 
prestação de serviços públicos (Lei 13.140/2015, art. 33, parágrafo único). 
iii) enquanto não criadas as câmaras de prevenção e resolução administrativa de conflitos, as disputas 
podem ser resolvidas mediante procedimento de mediação, com marcação de reunião inicial, 
quando, então, será considerada instaurada a mediação. Para o autor, o art. 33 da Lei 13.140/15, 
prevê, na verdade, a adoção do procedimento da mediação. Não há, rigorosamente, no que diz 
respeito às pessoas jurídicas de direito público, uma regulação a respeito da mediação. 
iv) a instauração de procedimento administrativo para resolução consensual do conflito no âmbito 
da Administração Pública – assim considerada quando o órgão ou entidade pública emitir juízo de 
admissibilidade – suspende a prescrição (Lei 13.140/2015, art. 34). Nesse sentido, o que importa é o 
juízo de admissibilidade. Seja negativo, seja positivo, uma vez emitido, haverá suspensão da 
prescrição da pretensão a ser exercida contra a Fazenda Pública, que retroagirá à data da 
formalização do pedido de resolução consensual do conflito (Lei 13.140/2015, art. 34, § 1º). 
v) o advogado público pode atuar como mediador ou conciliador na câmara criada pelo ente público, 
bem como em mediações privadas, de acordo com o que prevê o enunciado 38 do FNPP: 
Enunciado 38 do Fórum Nacional do Poder Público: É compatível a atuação do advogado 
público como mediador na mediação privada. 
vi) o art. 6º da Lei 13.140 dispõe que o mediador fica impedido, pelo prazo de um ano, contado do 
término da última audiência em que atuou, de assessorar, representar ou patrocinar qualquer das 
partes. Na esfera da advocacia pública, no entanto, o entendimento é o de que o advogado público 
que atuar como mediador ou conciliador no âmbito da Administração Pública público não fica 
 
87 CUNHA, Leonardo Carneiro. Justiça multiportas: mediação, conciliação e arbitragem no Brasil. Revista ANNEP de 
Direito Processual. Vol 1, No. 1, Art 33, 2020 
EstratégiaCarreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 87
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
impedido de assessorar, representar ou patrocinar o respectivo ente, senão em relação ao outro 
participante da mediação e ao seu objeto, cumulativamente (enunciado 1 FNPP). 
vii) A legislação permite que a autocomposição seja feita por adesão. Não obstante, a formalização 
de eventual resolução administrativa destinada à transação por adesão não acarreta interrupção ou 
suspensão da prescrição, nem renúncia tácita à esta (arts. 35 a 40 da Lei 13.140). 
viii) O acordo celebrado é considerado título executivo extrajudicial, de modo que, uma vez 
descumprido, pode dar ensejo a uma ação de execução (art. 32, §3º, L. 13.140). 
ix) O processo de mediação é regido pela confidencialidade, ainda quando uma das partes seja a 
Fazenda Pública. Nesse caso, Leonardo da Cunha complementa que o conteúdo das sessões de 
mediação e conciliação é sigiloso, mas o resultado e a motivação da Administração Pública são 
públicos e devem ser divulgados. Enfm, o que importa é o resultado: houve ou não autocomposição. 
Se não houve, é irrelevante saber o que se conversou. Se houve, devem ser divulgados o resultado e 
a motivação. 
Enunciado 36 do FNPP: art. 30 da Lei 13.140/2015 e art. 166 do CPC) O conteúdo da 
sessão de mediação e de conciliação no âmbito da Administração Pública deve observar 
o princípio da confidencialidade, previsto nos artigos 30 da Lei 13.140/2015 e 166 do 
Código de Processo Civil, sem prejuízo da publicidade do resultado alcançado e sua 
respectiva motivação. 
CESPE/TJPA – Juiz/19 - Como via não judicial de solução do conflito em controvérsia com 
particulares, é possível aplicar à administração pública, por compatibilidade com a 
indisponibilidade do interesse público: e) a conciliação, a arbitragem e a mediação. E está 
correta. 
Em complemento, destaca-se que já há alguns mecanismos de consensualidade até na esfera 
tributária88 (parcelamento, termo de ajuste de conduta tributária, negócios jurídicos processuais89 
etc.). Em outra seara, com o pacote anticrime (Lei n. 13.964/19), permitiu-se a transação na 
improbidade administrativa, por meio do acordo de não persecução cível. Nesse mesmo movimento, 
 
88 Disponível em: . Acesso em: 20/01/2021. 
89 Alguns normativos já contemplaram o NJP, a exemplo das portarias PGFN 985/16; 565/17; 360/18; 515/18 e 742/18. 
No âmbito da PGFN, houve a publicação das portarias nº 33, 360 e 742, que incorpora essa tendência da atua 
Administração Pública consensual. Confiram, também, a Lei n. 13.988/20, que estabelece requisitos e as condições para 
que a União, as suas autarquias e fundações, e os devedores ou as partes adversas realizem transação resolutiva de litígio 
relativo à cobrança de créditos da Fazenda Pública, de natureza tributária ou não tributária. Ainda, vejam o art. 19-C, Lei 
n. 10522/02, alterada pela Lei n. 14.195/21, bem como art. 17 desta última Lei, que cria Cadastro Fiscal Positivo, no 
âmbito do Poder Executivo federal. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 88
https://www.jota.info/opiniao-e-analise/colunas/tribuna-da-advocacia-publica/justica-fiscal-consensual-e-a-busca-de-eficiencia-na-recuperacao-de-creditos-publicos-08012019
https://www.jota.info/opiniao-e-analise/colunas/tribuna-da-advocacia-publica/justica-fiscal-consensual-e-a-busca-de-eficiencia-na-recuperacao-de-creditos-publicos-08012019
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
o CNJ editou a Recomendação nº 71/2020, que dispõe sobre a criação dos Centros Judiciários de 
Solução de Conflitos e Cidadania na área do Direito Empresarial. 
Enfim, ainda há vários desafios a serem superados, mas a solução autocompositiva é a tendência, 
sem dúvida alguma90. 
Para finalizar, vale frisar que, segundo o STJ91, em regra, é descabido o arrependimento e a rescisão 
unilateral da transação, ainda que antes da homologação judicial. 
8.3 - Dispute board92 
Fernando Marcondes, com base na definição da Dispute Resolution Board Foundation (DRB-F), 
afirma que o dispute board “é um comitê formado por profissionais experientes e imparciais, 
contratado antes do início de um projeto de construção para acompanhar o progresso da execução 
da obra, encorajando as partes a evitar disputas e assistindo-as na solução daquelas que não 
puderem ser evitadas, visando à solução definitiva”93. 
Aliás, ele já ganhou até o codinome de Comitê de Prevenção de Disputas, pois a ideia gira exatamente 
nisso: identificar um problema bem no início e resolver a questão antes que se torne um litígio. 
O dispute board surgiu no ano de 1975, quando foi utilizado experimentalmente para acompanhar a 
execução do projeto de construção do Eisenhower Tunnel Colorado, nos Estados Unidos. O ensaio 
demonstrou a eficácia do método, que, a partir de então, ganhou relevância nos Estados Unidos e 
passou a ser adotado em inúmeros projetos na área de construção. 
No Brasil, o dispute board foi utilizado na construção da linha 4-amarela do metrô da cidade de São 
Paulo, sendo previsto também em 35 contratos internacionais relativos aos Jogos Olímpicos e 
Paraolímpicos ocorridos no Rio de Janeiro em 2016. 
Existem três modalidades distintas de dispute boards: 
 
90 Caso queiram se aprofundar, leiam os enunciados da jornada de prevenção e solução extrajudicial de litígios, 
mormente os atinentes à Administração Pública (enunciados ns. 2, 4, 11, 13, 18, 19, 53, 54, 56, 60, 69, 71, 74 e 84). 
91 STJ, 5ª Turma, AgInt no AREsp 1.952.184-SC, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, d.j. 22/08/22, info 750. 
92 Disponível em: . Acesso em 20/01/2021. 
93 MARCONDES, 2011 apud VAZ, Gilberto José. Os Dispute Boards como método alternativo de resolução de disputas na 
indústria da construção.Revista de Arbitragem e Mediação. Vol. 11, São Paulo: Ed. RT, abr-jun/2014, p. 327. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 89
https://www.conjur.com.br/2017-jun-03/opiniao-dispute-boards-contratos-construcao-infraestrutura#_ftn1
https://www.conjur.com.br/2017-jun-03/opiniao-dispute-boards-contratos-construcao-infraestrutura#_ftn1
https://www.conjur.com.br/2016-set-13/rodrigo-oliveira-dispute-board-aliado-resolucao-conflitos
https://www.conjur.com.br/2016-set-13/rodrigo-oliveira-dispute-board-aliado-resolucao-conflitos
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
i- o dispute review board, no qual os especialistas emitem recomendações não obrigatórias 
para as partes, que apenas se tornam vinculantes caso as partes não se manifestem em contrário em 
prazo previamente determinado; 
ii- dispute adjudication board, em que os especialistas proferem decisões que vinculam as partes 
desde o início, independentemente da insatisfação dos contratantes; 
iii- combined dispute boards, que podem emitir recomendações ou decisões, dependendo das 
circunstâncias do caso concreto. 
Os Dispute Boards também podem ser permanentes (Standing Dispute Board), surgindo 
contemporaneamente ao contrato e acompanhando toda a sua execução, ou Ad Hoc Dispute Boards, 
instituídos apenas quando surge um problema no curso do contrato. 
Caso persista efetiva discordância com a decisão final, mesmo na forma mais exaustiva, completa e 
vinculante de Dispute Board, a parte deverá manifestar o seu inconformismo e daí partir para o litígio 
judicial ou arbitragem, de acordo com o que foi pactuado no contrato. 
Câmaras e instituições internacionais possuem regulamentosatos de julgar. A prudência, recebendo relevância particular, qualificava-
se como jurisprudência. 
A história política de Roma está dividida em três períodos: Monarquia ou Realeza (753-509 a.C.), 
República (509-27 a.C.) e Império (27 a.C.- 476 d.C.). 
A história jurídica, interessante para o Processo Civil, é dividida em três. 
a) processo das ações da lei (legis actiones) 
O período das legis actiones – ações11 da lei – (753 a.C. até 149 a.C.) representava o direito romano 
arcaico, regulado essencialmente pela Lei das XII Tábuas (ano 450 a.C.), no qual havia verdadeira 
identidade entre a actio (ação) e a legis (lei). 
Segundo Cruz e Tucci e Azevedo12, as ações da lei (legis actiones) foram assim designadas porque se 
originaram de um texto legal (da Lei das XII tábuas ou de outra lei), ou porque as situações jurídicas 
por elas tuteladas se fundavam em uma lei, cujas palavras deveriam ser cuidadosamente repetidas 
no formulário da actio. 
Nesse período vigorava o ordo iudiciorum privatorum, segundo o qual o procedimento se compunha 
de duas fases: in iure, isto é, perante o pretor, ou magistrado, e apud iudicem, ou seja, diante 
do iudex, um particular. O que cada um fazia? 
 
11 Curiosidade: as ações da lei, como refere Gaio, eram cinco: sacramentum, iudicis postulatio, condictio, manus iniectio 
e pignoris capio. Dessas, as três primeiras eram declarativas e as duas ultimas eram executivas. 
12 TUCCI, José Rogério Cruz e; AZEVEDO, Luiz Carlos. Lições de história do processo civil romano, p.42. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 9
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
1ª Fase - pretor (autoridade estatal): sua função era declarar qual era a lei, a norma jurídica aplicável 
à controvérsia; 
2ª Fase - iudex (cidadão romano que não fazia parte da magistratura): sua função era examinar o 
conflito e resolver a causa, por meio da aplicação da lei determinada pelo pretor. 
A esta forma de resolução de conflitos deu-se o nome de arbitragem obrigatória, desenvolvida 
sempre em duas fases. 
Contudo, é preciso salientar que o período da legis actiones conviveu com dois períodos políticos, 
quais sejam, Monarquia (753 a.C – 509 a.C) e República (509 a.C – 27 a.C), o que repercutia no modo 
como se dava a produção normativa e como conflitos eram solucionados. 
Na época da Monarquia (753 a.C – 509 a.C), religião e direito se interligavam, tanto que a produção 
normativa estava a cargo dos sacerdotes que, auxiliando o Rei, ditavam os comportamentos 
esperados dos cidadãos, bem como o solene ritual que deveria ser observado pelos demandantes 
perante o Rei. 
Além disso, o Rei detinha em suas mãos os poderes religiosos, militares e civis, legitimando-o a julgar 
todos os conflitos de interesses a ele apresentados. 
Com a queda da Monarquia e o início da República (509 a.C – 27 a.C) a forma de realização de justiça 
foi completamente modificada: o Rei foi substituído pela magistratura (magistratus publici populi 
romani). A novel estrutura, dividida em diversos órgãos, exercia o imperium e também a iurisdictio, 
de forma mais limitada do que acontecida com o Rei. 
Além disso, a plebe luta por uma lei escrita, pública, conhecida e que possa ser invocada contra 
qualquer um. A principal Lei da época era a Lei das XII Tábuas, que foi um marco jurídico de enorme 
importância (450 a.C). 
Com esses eventos, o período de legis actiones desenvolvido naquelas duas fases (pretor e, depois, 
iudex) ganha força. 
Há alguns autores, inclusive, que afirmam que esse rito desenvolvido em duas 
fases surgiu apenas na República, até porque, na Monarquia, era o Rei que julgava as divergências 
mais relevantes entre as partes.E quais eram as críticas e problemas desse sistema da legis actiones? 
O sistema das ações da lei, além de excessivamente formalista, realizava-se em procedimento oral, 
tornando-se difícil a sua aplicação. Sobre o formalismo, é famoso o exemplo apresentado por Gaio, 
da situação em que se poderia perder a ação por ter sido utilizada a palavra “videiras”, em vez da 
palavra “árvores”. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 10
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Por isso, surgiu o processo formulário, sendo menos formalista, escrito e mais seguro. 
b) processo formulário (per formulas) 
O período formulário foi introduzido pela lex Aebutia (149 -126 a.C.) e oficializado definitivamente 
pela lex Julia privatorum (17 a.C.), foi aplicado de modo esporádico até a época de Diocleciano (285-
305 d.C.). 
Era um rito mais seguro e menos rigoroso do que o do período das ações da lei. 
Fórmula, diminutivo de forma, é palavra grega que significa modelo. Fórmula, portanto, 
é um autêntico modelo abstrato pelo qual se propicia litigar por escrito, em conformidade 
com os esquemas jurisdicionais previstos, pelo direito honorário, no edito do pretor13. 
Enquanto no período das ações da lei o procedimento era imerso de formalidades e ritos sacro-legais, 
herança do Rei, o processo civil do período formulário era menos formalista, mais ágil e funcional 
que seu antecedente. Ademais, tinha mais segurança jurídica do que o do período das ações da lei, 
uma vez que o processo passou a ser parcialmente escrito. 
Outra diferença significativa era a de que, no período das legis actiones, as partes tinham prioridade 
na escolha do iudex, escolhendo um árbitro de sua confiança e, apenas se não houvesse acordo, o 
pretor nomearia um iudex que gozasse da confiança da autoridade estatal. Já no período formular, 
competia exclusivamente ao pretor a escolha do iudex, pessoa de sua confiança, demonstrando a 
intenção intervencionista do Estado na resolução dos conflitos intersubjetivos. 
A fase in iure ganhou um novo ato, a redação da fórmula, que era realizado no mesmo instante da 
nomeação do julgador da causa. A fórmula deveria conter os elementos necessários para que o iudex 
pudesse desempenhar suas funções, isto é, a de conhecer e julgar a lide. 
Feita a fórmula, as partes, por meio da chamada litiscontestatio, concordavam em submeter a 
controvérsia, nos termos da fórmula, ao julgamento do iudex. 
Carreira Alvim14 afirma que o Estado não havia alcançado ainda um estágio de evolução capaz de 
permitir-lhe impor a sua vontade sobre as partes litigantes. Procurava-se, por isso, uma justificação 
pela qual a sentença pudesse ser coercitivamente imposta aos contendores. Isso só seria possível em 
virtude da litiscontestatio, em virtude da qual as partes convencionavam aceitar a decisão que viesse 
a ser proferida pelo index. 
 
13 Op. Cit. p. 73 e 74 
14 ALVIM, José Eduardo Carreira, Teoria Geral do Processo, 8º ed. Rio de Janeiro: Forense, 2003. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 11
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Mesmo com a transformação da República no Império Romano, o procedimento formulário 
estendeu-se por mais de 200 anos. 
Entretanto, em 17 a.C., com a reorganização do ordo iudiciorum pela lex Julia privatorum, modificou-
se toda a estrutura de resolução de conflitos. Agora, o iudex, aquele cidadão que aplicava a lei ou a 
fórmula pré-estabelecida pelo pretor, não faz mais parte da estrutura. 
Este foi o primeiro passo para o monopólio da atividade jurisdicional pelo Estado que, durante o 
Império Romano, ocorreu no período da cognitio extra ordinem. 
c) processo extraordinário (cognitio extra ordinem) 
Foi instituído com o advento do principado (27 a.C.) e vigente, com profundas modificações, até os 
últimos dias do Império Romano do Ocidente (476 d.C). 
Conforme percebe Arruda Alvim15, o processo da cognição extraordinária pautava-se pela ingerência 
estatal no processo, desde o início do litígio até a sentença final. 
O embrião do período da cognitio extraordinaria foi a lex Julia,que disciplinam a adoção e o 
funcionamento de dispute boards. No Brasil, a Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CAM-CCBC), a 
Câmara de Mediação Arbitragem do Instituto de Engenharia e a Câmara de Arbitragem Empresarial 
– Brasil (Camarb) também possuem regulamento sobre o método. 
No Brasil, não há uma regulamentação exaustiva acerca do dispute board. De toda forma, já houve 
evolução significativa do instituto. 
Nesse ponto, forçoso citar alguns enunciados aprovados na I e II Jornadas sobre Prevenção e Solução 
Extrajudicial de Litígios, bem como o enunciado 70 do FPPC: 
Enunciado 49. Os Comitês de Resolução de Disputas (Dispute Boards) são um método de 
solução consensual de conflito, na forma prevista no parágrafo 3º do artigo 3º do CPC. 
Enunciado 76. As decisões proferidas por um Comitê de Resolução de Disputas (Dispute 
Board), quando os contratantes tiverem acordado pela sua adoção obrigatória, vinculam 
as partes ao seu cumprimento até que o Poder Judiciário ou o juízo arbitral competente 
emitam nova decisão ou a confirmem, caso venham a ser provocados pela parte 
inconformada. 
Enunciado 80. A utilização do Dispute Board, com a inserção da respectiva cláusula 
contratual, é recomendável para os contratos de construção ou de obras de 
infraestrutura, como mecanismo voltado para a prevenção de litígios e a redução dos 
custos correlatos, permitindo a imediata resolução de conflitos surgidos no curso da 
execução dos contratos. 
Enunciado 131 - As decisões promovidas por Comitês de Resolução de Disputa (Dispute 
Boards) que sejam vinculantes têm natureza contratual e refletem a vontade das partes 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 90
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
que optaram por essa forma de resolução de conflitos, pelo que devem ser cumpridas 
obrigatória e imediatamente, sem prejuízo de eventual questionamento fundamentado 
em ação judicial ou procedimento arbitral. Enunciado 137 - Na utilização do comitê de 
resolução de disputas (Dispute Board) como meio alternativo de prevenção e resolução 
de controvérsias relativas aos contratos administrativos (art. 151 da Lei n. 14.133, de 1º 
de abril de 2021), deverá ser utilizada, preferencialmente, a modalidade combinada, na 
qual o comitê pode emitir recomendações e decisões. 
Enunciado 707, FPPC: A atuação das serventias extrajudiciais e dos comitês de resolução 
de disputas (dispute boards) também integra o sistema brasileiro de justiça multiportas. 
Ademais, a 3ª Turma do STJ 94, ainda que apenas na fundamentação, reconheceu a existência, 
validade e a eficácia dos Dispute Boards. Reconheceu-se que: 
com o propósito de atender as peculiaridades de cada contrato, notadamente aqueles 
em que seus efeitos perduram ao longo do tempo, as partes podem reputar necessário, 
sob o enfoque da preservação do objeto contratual, ou mesmo desejável, sob o aspecto 
da manutenção do ambiente de cooperação e parceria entre os contratantes, que 
pontuais divergências surgidas nesse interregno sejam imediatamente dirimidas por um 
terceiro ou um ´colegiado´ criado para tal propósito. 
A doutrina95 diz que o artigo 44-A da lei 12.462, de 4 de agosto de 2011, que instituiu o Regime 
Diferenciado de Contratações Públicas (RDC) - adicionado pela lei 13.190, de 19 de novembro de 
2015 -, constitui importante permissivo legal para a adoção de dispute boards. 
Art. 44-A. Nos contratos regidos por esta Lei, poderá ser admitido o emprego dos 
mecanismos privados de resolução de disputas, inclusive a arbitragem, a ser realizada no 
Brasil e em língua portuguesa, nos termos da Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996, e 
a mediação, para dirimir conflitos decorrentes da sua execução ou a ela relacionados. 
(Incluído pela Lei nº 13.190, de 2015) (Vide Lei nº 14.133, de 2021) 
O Município de São Paulo, por meio da lei 16.873, de 22 de fevereiro de 2018, de forma pioneira, 
reconheceu e regulamenta a instalação de dispute boards em contratos administrativos continuados 
celebrados pela Prefeitura de São Paulo, que poderão ter natureza revisora, adjudicativa ou híbrida. 
 
94 STJ, 3ª Turma, REsp. 1.569.422/RJ, Rel. Marco Aurélio Bellizze, d.j. 16/08/2016. 
95 BUENO, Júlio César. Os dispute boards na nova lei de licitações e contratos administrativos. Disponível em: . 
Acesso em 6.04.21. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 91
https://www.migalhas.com.br/depeso/342966/dispute-boards-na-nova-lei-de-licitacoes-e-contratos-administrativos
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
No âmbito federal há, ainda, ao menos dois projetos de lei em andamento. Em primeiro lugar, o PL 
206/2018, do Senado Federal, de autoria do Senador Antonio Anastasia (PSDB/MG), que "dispõe 
acerca da instalação de Comitês de Prevenção e Solução de Disputas para dirimir conflitos relativos 
a direitos patrimoniais disponíveis em contratos administrativos continuados que menciona, 
firmados pela administração direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios". Também o PL 9883/2018, da Câmara dos Deputados, de autoria do Pedro Paulo (PMDB-
RJ), que dispõe sobre o uso dos dispute boards em contratos administrativos. 
Por fim, na nova Lei de Licitações (Lei n. 14.133/21), foi previsto o instituto: 
Lei n. 14.133/21 (Lei de Licitações), Art. 151. Nas contratações regidas por esta Lei, 
poderão ser utilizados meios alternativos de prevenção e resolução de controvérsias, 
notadamente a conciliação, a mediação, o comitê de resolução de disputas e a 
arbitragem. 
8.4 - Arbitragem (Lei nº. 9.307/96) 
A arbitragem é forma de resolução de conflito em que as partes buscam terceira pessoa, de sua 
confiança, para solucionar o litígio, sendo espécie de heterocomposição. 
A arbitragem não é nova. Antigamente, era delegada ao ancião ou lider religioso da comunidade, que 
intervinha no conflito para resolvê-lo imperativamente. Atualmente, é regida pela Lei n. 9.307/96, 
modificada pela Lei n. 13.129/2015, permitida para solucionar conflito entre direitos disponíveis. 
Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir 
litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 
§ 1o A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para 
dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.129, 
de 2015) 
§ 2o A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a 
celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou 
transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) 
Como se sabe, o STF entendeu que a arbitragem é constitucional. 
Do dispositivo legal, surgem 02 conceitos: arbitrabilidade objetiva e subjetiva. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 92
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
A arbitrabilidade é a possibilidade de se submeter determinada demanda à arbitragem. Essa análise 
deve ser feita em 2 vertentes, uma subjetiva e outra objetiva96. 
 A arbitrabilidade subjetiva diz respeito a quem pode se submeter à arbitragem. De acordo com o 
art. 1º mencionado, exige-se que as pessoas envolvidas sejam capazes de contratar. A rigor, 
poderíamos pensar que apenas aquelas que possuem personalidade jurídica e, portanto, capacidade, 
poderiam se submeter à arbitragem. 
Contudo, esse não é o melhor entendimento. 
Sabemos que o ordenamento jurídico admite hipóteses em que determinados entes, conquanto não 
tenham personalidade jurídica, possuem capacidade. Como exemplo, podemos citar o condomínio, 
o espólio e as sociedades de fato. Nessas situações, o legislador não atribuiu personalidade a esses 
entes, maslhes assegura capacidade jurídica e processual, pelo que podem contrair obrigações, 
deveres, direitos e ônus na órbita jurídica. E, por serem considerados sujeitos de direitos, não há 
vedação a que se submetam à arbitragem. 
Doutro lado, a arbitrabilidade objetiva diz respeito à possibilidade de as partes transigirem sobre 
direitos disponíveis. De acordo com a doutrina, exige-se que as partes tenham capacidade de 
administração sobre os bens em controvérsia, e não capacidade de disposição. Se não há essa 
capacidade de administração, não há que se falar em submissão ao procedimento arbitral. 
Pois bem. 
Delineados esses aspectos conceituais, vejamos algumas características fundamentais da arbitragem 
para, depois, estudarmos as particularidades que envolvem a Administração Pública no tocante a 
esse tema. 
Didier97 ressalta características fundamentais da arbitragem: 
i- A arbitragem é produto da convenção de arbitragem, negócio jurídico escrito que possui duas 
espécies: 
Cláusula compromissória: convenção de arbitragem em que se decide que conflitos futuros relativos 
a determinado negócio deverão ser resolvidos por árbitros. Em caso importante, o STJ98entendeu 
que, a despeito de a sub-rogação legal em favor da seguradora não importar transmissão automática 
 
96 Esses conceitos já foram cobrados na prova discursiva da PGM Curitiba, em 2019. 
97 DIDIER, Fredie. Curso de Direito Processual Civil, Vol. 1, 18ª ed., Ed. Juspodivm: Salvador, 2016, p. 172. 
98 STJ, 4ª T, REsp 1.988.894-SP, Rel. Min. Isabel Gallotti, d.j. 9/5/23, info 775. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 93
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
de cláusula compromissória, a ciência prévia da seguradora a respeito de sua existência no contrato 
objeto de seguro garantia resulta na sua submissão à jurisdição arbitral em caso de ação regressiva 
de ressarcimento, pois o risco é objeto da própria apólice securitária e constitui elemento objetivo a 
ser considerado na avaliação da cobertura do sinistro pela seguradora, nos termos do art. 757, CC. 
 
Compromisso arbitral: é uma convenção de arbitragem que se refere a um conflito específico, 
determinado. As partes dizem que aquele conflito específico será resolvido por arbitragem. 
O compromisso arbitral pode ser usado em duas situações: como forma de cumprir a cláusula 
compromissória OU, após o conflito já ter ocorrido, as partes resolvem solucionar por arbitragem. 
ii- Antes de instaurado o procedimento arbitral, é possível que o Poder Judiciário prolate algumas 
decisões. Vejam a resposta à seguinte questão discursiva. 
PGE-RJ – Procurador/2012 – Tendo o Estado do Rio de Janeiro celebrado compromisso arbitral, 
discorra sobre as medidas cautelares requeridas contra ele prévia e incidentalmente à 
instauração do procedimento arbitral. 
Consoante art. 19, Lei n. 9.307/96, considera-se instituída a arbitragem quando aceita a 
nomeação pelo árbitro, se for único, ou por todos, se forem vários. 
Antes da instituição, as partes podem requerer tutelas provisórias perante o Poder Judiciário. 
Após a instituição da arbitragem, as medidas devem ser requeridas ao próprio tribunal arbitral. 
Mas como foi construído esse entendimento? 
Em 2012, o STJ adotou o referido posicionamento. 
PROCESSO CIVIL. MEDIDA CAUTELAR COM O FITO DE CONCEDER EFEITOSUSPENSIVO A 
RECURSO ESPECIAL. POSSIBILIDADE, DESDE QUE DEMONSTRADOSO PERICULUM IN MORA E O 
FUMUS BONI IURIS. ARBITRAGEM. JUÍZO ARBITRALNÃO CONSTITUÍDO. MEDIDA CAUTELAR. 
COMPETÊNCIA. LIMITES. 1. A jurisprudência deste Tribunal vem admitindo, em hipóteses 
excepcionais, o manejo da medida cautelar originária para fins de se atribuir efeito suspensivo 
a recurso especial; para tanto, porém, é necessária a demonstração do periculum in mora e a 
caracterização do fumus boni iuris. 2. Na pendência da constituição do Tribunal Arbitral, 
admite-se que a parte se socorra do Poder Judiciário, por intermédio de medida de natureza 
cautelar, para assegurar o resultado útil da arbitragem. 3. Superadas as circunstâncias 
temporárias que justificavam a intervenção contingencial do Poder Judiciário e considerando 
que a celebração do compromisso arbitral implica, como regra, a derrogação da jurisdição 
estatal, os autos devem ser prontamente encaminhados ao juízo arbitral, para que este assuma 
o processamento da ação e, se for o caso, reaprecie a tutela conferida, mantendo, alterando 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 94
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
ou revogando a respectiva decisão. 4. Em situações nas quais o juízo arbitral esteja 
momentaneamente impedido de se manifestar, desatende-se provisoriamente as regras de 
competência, submetendo-se o pedido de tutela cautelar ao juízo estatal; mas essa 
competência é precária e não se prorroga, subsistindo apenas para a análise do pedido liminar. 
5. Liminar deferida. (STJ , 3ª T, AgRg na MC: 19226 MS 2012/0080171-0, Rel. Min. MASSAMI 
UYEDA, d.j. 21/06/12) 
Em 2015, a Lei de Arbitragem foi alterada para inserir, justamente, essa posição jurisprudencial. 
Art. 22-A. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para 
a concessão de medida cautelar ou de urgência. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) 
Art. 22-B, Parágrafo único. Estando já instituída a arbitragem, a medida cautelar ou de urgência 
será requerida diretamente aos árbitros. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) 
Mas as tutelas de urgência requeridas perante o Poder Judiciário terão uma peculiaridade, qual 
seja, não se fará um aditamento, tampouco um pedido principal. Isso porque o pedido principal 
será feito no tribunal arbitral. 
Desse modo, o art. 22-A, parágrafo único previu que, concedida a tutela pelo juízo estatal, a 
parte terá 30 dias para requerer a instituição do procedimento arbitral, sob pena de cessar a 
eficácia da medida. 
Art. 22-A, Parágrafo único. Cessa a eficácia da medida cautelar ou de urgência se a parte 
interessada não requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias, contado da 
data de efetivação da respectiva decisão. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) 
Ademais, instituído o tribunal arbitral, este deverá proceder com a reapreciação da decisão 
concessiva, resolvendo por sua manutenção, revogação ou modificação99. 
Art. 22-B. Instituída a arbitragem, caberá aos árbitros manter, modificar ou revogar a medida 
cautelar ou de urgência concedida pelo Poder Judiciário. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) 
Portanto, se já em curso a arbitragem, o judiciário não pode conhecer de medidas de urgência. 
 
99 Juízo arbitral pode reanalisar mérito de sentença judicial em cautelar pré-arbitral, inclusive quanto a honorários. 
Disponível em: https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/21102020-Juizo-arbitral-pode-
reanalisar-merito-de-sentenca-judicial-em-cautelar-pre-arbitral--inclusive-quanto-a-
honorarios.aspx?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+STJNoticias+%28Not%C3%
ADcias+-+Superior+Tribunal+de+Justi%C3%A7a%29 >. Acesso em 25.10.2020. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 95
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/21102020-Juizo-arbitral-pode-reanalisar-merito-de-sentenca-judicial-em-cautelar-pre-arbitral--inclusive-quanto-a-honorarios.aspx?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+STJNoticias+%28Not%C3%ADcias+-+Superior+Tribunal+de+Justi%C3%A7a%29
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/21102020-Juizo-arbitral-pode-reanalisar-merito-de-sentenca-judicial-em-cautelar-pre-arbitral--inclusive-quanto-a-honorarios.aspx?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+STJNoticias+%28Not%C3%ADcias+-+Superior+Tribunal+de+Justi%C3%A7a%29https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/21102020-Juizo-arbitral-pode-reanalisar-merito-de-sentenca-judicial-em-cautelar-pre-arbitral--inclusive-quanto-a-honorarios.aspx?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+STJNoticias+%28Not%C3%ADcias+-+Superior+Tribunal+de+Justi%C3%A7a%29
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/21102020-Juizo-arbitral-pode-reanalisar-merito-de-sentenca-judicial-em-cautelar-pre-arbitral--inclusive-quanto-a-honorarios.aspx?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+STJNoticias+%28Not%C3%ADcias+-+Superior+Tribunal+de+Justi%C3%A7a%29
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Todavia, importante sublinhar que o árbitro pode decidir, mas não tem poder para tomar 
nenhuma providência executiva. O que fazer? 
O árbitro solicitará cooperação do Poder Judiciário, nos termos do art. 69, §2º, III e §3º c/c art. 
237, IV (carta arbitral – novidade do NCPC), ambos do CPC c/c art. 22-C, Lei n. 9.307/96. 
Art. 69. O pedido de cooperação jurisdicional deve ser prontamente atendido, prescinde de 
forma específica e pode ser executado como: § 2º Os atos concertados entre os juízes 
cooperantes poderão consistir, além de outros, no estabelecimento de procedimento para: (...) 
III - a efetivação de tutela provisória; § 3º O pedido de cooperação judiciária pode ser 
realizado entre órgãos jurisdicionais de diferentes ramos do Poder Judiciário. 
Art. 237. Será expedida carta: IV - arbitral, para que órgão do Poder Judiciário pratique ou 
determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato objeto de pedido de 
cooperação judiciária formulado por juízo arbitral, inclusive os que importem efetivação de 
tutela provisória. 
Art. 22-C. O árbitro ou o tribunal arbitral poderá expedir carta arbitral para que o órgão 
jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência 
territorial, de ato solicitado pelo árbitro. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) Parágrafo único. 
No cumprimento da carta arbitral será observado o segredo de justiça, desde que comprovada 
a confidencialidade estipulada na arbitragem. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) 
De quem é a competência para cumprir essa carta arbitral? 
Enunciado 24, FPPC: (art. 237, IV) Independentemente da sede da arbitragem ou dos locais em 
que se realizem os atos a ela inerentes, a carta arbitral poderá ser processada diretamente pelo 
órgão do Poder Judiciário do foro onde se dará a efetivação da medida ou decisão, ressalvadas 
as hipóteses de cláusulas de eleição de foro subsidiário. 
No caso, não é possível que o Poder Judiciário reveja o mérito da decisão prolatada pelo árbitro. 
Se a carta estiver formalmente regular, deverá dar cumprimento. 
Enunciado 27 do FPPC: Não compete ao juízo estatal revisar o mérito da medida ou decisão 
arbitral cuja efetivação se requer por meio da carta arbitral. 
Atenção: só é possível esse pleito anterior ao Judiciário se houver urgência. Nesse teor, 
segundo o STJ100, a produção antecipada de provas, desvinculada da urgência, deve ser 
 
100 STJ, 3ª T, REsp 2.023.615-SP, Rel. Min. Bellizze, d.j. 14/3/23, ed. Extraordinária n. 12. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 96
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
promovida perante o Tribunal arbitral, não subsistindo a competência (provisória e precária) 
do Judiciário. 
iii- A grande questão debatida na doutrina é sobre a natureza jurídica da arbitragem? É Equivalente 
Jurisdicional ou Jurisdição? 
1ª corrente (minoritária): Defendida por Marinoni, Arenhart e Mitidiero101, tal corrente entende que 
a arbitragem não é Jurisdição, mas apenas equivalente, porquanto: 
a) arbitragem é manifestação da autonomia de vontade e a opção pelo árbitro implica renúncia à 
jurisdição; 
b) a jurisdição só pode ser exercida por pessoa investida na autoridade de juiz, ingressando ou por 
concurso (art. 93, I, CRFB) ou pelo quinto ou, para o STF, por indicação do Presidente e aval do 
Senado; 
c) renuncia-se a uma série de garantias constitucionais. A exemplo, uma das garantias mais 
importantes do cidadão é o juiz natural, assegurado não apenas pela imparcialidade dos juízes 
(dimensão subjetiva), mas também pela definição por regra prévia e geral de quem irá julgar o caso 
(dimensão objetiva). Na arbitragem, há possibilidade de escolha do terceiro depois do fato que será 
objeto da contenda; 
d) o árbitro não pode executar suas decisões; 
e) validade de suas decisões pode ser controlada pelo Poder Judiciário. 
2ª corrente (majoritária102, STJ): Dentre vários, é defendida por Didier, que rebate os argumentos 
acima transcritos: 
a) ao escolher a arbitragem, o jurisdicionado renuncia à jurisdição do Estado, mas não à jurisdição 
como um todo. O Estado autoriza, em várias hipóteses, o exercício da jurisdição por juízes privados, 
a exemplo do art. 114, §§ 1º e 2º, CRFB. Além disso, não há renúncia às garantias processuais básicas, 
pois o árbitro deverá respeitá-las; 
 
101 MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz; MITIDIERO, Daniel. Novo curso de processo civil. São Paulo: RT, 
2015. v. I, p. 174 
102 CARMONA, Carlos Alberto. Arbitragem e processo: um comentário à Lei nº 9.307/96. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2009. p. 
26. DINAMARCO, Cândido Rangel. A arbitragem na teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros, 2013. p. 39. DIDIER 
JR., Fredie. Op. Cit., pp. 206-211. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 97
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
b) o ordenamento jurídico admite exercício da jurisdição por órgãos diferentes do Poder Judiciário, 
a exemplo do art. 52, I, CRFB, que atribui função jurisdicional ao Legislativo; 
c) a arbitragem também assegura um árbitro imparcial (art. 21, §2º, Lei n. 9.307/96), bem como sua 
competência é delimitada por convenção de arbitragem que, como norma jurídica negocial, é a lei 
prévia exigida para garantir o juiz natural; 
d) o fato de não poder executar suas decisões é questão de incompetência e não falta de jurisdição 
como ocorre com a execução penal, em que o juiz da execução não é o mesmo que proferiu a 
sentença condenatória (art. 65, Lei n. 7.210/84); 
e) a possibilidade de controle de validade de suas decisões é uma questão de distribuição de 
competência funcional: um órgão decide, outro controla a validade, como já ocorre com a 
competência recursal e a competência para processar e julgar rescisórias. Soma-se a todos esses 
argumentos o fato de que só podem optar pela arbitragem pessoas capazes, titulares de direitos 
patrimoniais disponíveis, sendo manifestação de sua autonomia privada103. 
O STJ concorda com a 2ª corrente. 
Jurisprudência em tese, n. 122: Tese 01) A convenção de arbitragem, tanto na modalidade 
de compromisso arbitral quanto na modalidade de cláusula compromissória, uma vez 
contratada pelas partes, goza de força vinculante e de caráter obrigatório, definindo ao 
juízo arbitral eleito a competência para dirimir os litígios relativos aos direitos 
patrimoniais disponíveis, derrogando-se a jurisdição estatal. 
Tese 09) A atividade desenvolvida no âmbito da arbitragem possui natureza jurisdicional, 
o que torna possível a existência de conflito de competência entre os juízos estatal e 
arbitral, cabendo ao Superior Tribunal de Justiça - STJ o seu julgamento. 
iv- É possível a arbitragem em contratos administrativos. 
De acordo com Leonardo da Cunha, ao longo do tempo desenvolveram-se três correntes a respeito 
da possibilidade de a Administração Pública participar de arbitragem: 
1ª corrente: não admite a arbitragem que envolva o Poder Público, tendo em vista o princípio da 
indisponibilidade, que orienta a Administração. 
 
103 Frisa-se que cláusula contratual que imponha arbitragem compulsória em contrato de adesão, mormentequando as 
partes não estão em igualdade de condições, é abusiva, podendo ser invalidade. É o teor do art. 51, VII, CDC, que diz: 
São nulas de pleno direito as cláusulas que: VII – determinem a utilização compulsória de arbitragem. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 98
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
2ª corrente: que a admite sempre, mesmo que não haja lei específica. Aqui, entende-se que o 
interesse da administração pública não é sinônimo de interesse público, razão pela qual não há 
nenhum impedimento. Assim, seria necessário apenas o respeito ao princípio da legalidade. 
3ª corrente: que entende ser possível desde que haja lei específica para determinadas atividades 
públicas. 
Na visão do professor Marco Antônio Rodrigues, Procurador da PGE-RJ, a interpretação do tema 
baseada apenas nos princípios da indisponibilidade e da legalidade não encontra mais guarida em 
nosso ordenamento. Isso porque, inicialmente, a indisponibilidade do interesse público não impõe, 
como consequência direta, a indisponibilidade dos meios para se defender esse interesse. Como o 
processo judicial é um desses meios para a proteção do interesse público, o administrador deve 
avaliar, a partir do caso concreto e baseado no princípio da proporcionalidade, qual é o melhor 
caminho para a solução da controvérsia apresentada. 
Doutro lado, é cediço que, atualmente, o princípio da legalidade vem sofrendo uma releitura à luz da 
juridicidade. É dizer, a vinculação do gestor público não está adstrita à lei, mas ao ordenamento 
jurídico como um todo. Sob essa ótica, é possível a prática de atos que não tenham expressa previsão 
legal, mas que deem efetividade e concretizem o próprio texto constitucional, a exemplo do princípio 
da eficiência e economicidade. 
A partir dessa releitura proposta, a segunda e a terceira corrente são as mais proeminentes na 
atualidade, com uma prevalência da segunda. Mesmo porque, em 2015, a Lei 13.129, alterou a Lei 
da Arbitragem, passando a dispor expressamente acerca dessa possibilidade: 
Art. 1º, § 1o A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem 
para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 
13.129, de 2015) 
§ 2o A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a 
celebração de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou 
transações. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) 
Não obstante, antes dessa inclusão na lei de arbitragem, várias leis esparsas já previam a 
possibilidade da arbitragem pela Administração, como, por exemplo: telecomunicações (art. 93, XV, 
Lei n. 9.472/97); exploração de petróleo e gás natural (art. 43, X, Lei n. 9.478/97); concessões (art. 
23-A, Lei n. 8.987/98), parcerias público-privadas (11, III, da Lei 11.079/2004), contratos built to 
suit104 (art. 44-A, Lei 12.462/11). 
 
104 Já caiu em prova discursiva do TJDFT2015 (Juiz) o tema dos contratos built to suit da Lei de Locações (Lei n. 8.245/91, 
art. 54-A). 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 99
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
A jurisprudência, no mesmo sentido, já admitia a arbitragem envolvendo a Fazenda Pública. 
Assim, em princípio, para que haja arbitragem envolvendo o poder público, basta que haja a 
arbitrabilidade objetiva e subjetiva, conforme vimos acima. 
De todo modo, vamos aguardar a pacificação nos Tribunais Superiores, até porque o STJ, em 
dezembro de 2019, negou a aplicação da arbitragem envolvendo a União105, sob argumento de 
ausência de previsão legal ou regulamentar autorizando o procedimento arbitral. 
Prosseguindo... 
Sabe-se que o regime jurídico administrativo revela diversas particularidades do Poder Público. O 
regramento principiológico do art. 37, CRFB se transporta também para o processo arbitral. Por 
decorrência, faz-se necessário observar o seguinte: a) A arbitragem envolvendo a administração 
pública não pode ser sigilosa, em razão da necessidade de observância ao princípio da publicidade; 
b) doutro lado, considerando o princípio da legalidade, entende-se não ser possível arbitragem por 
equidade; só é possível a arbitragem por legalidade. 
Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de eqüidade, a critério das partes. § 
1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na 
arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. § 2º 
Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos 
princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. 
§ 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de direito e 
respeitará o princípio da publicidade. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) 
c) a sentença arbitral proferida em face da FP não está sujeita à remessa necessária. Nesse sentido é 
o Enunciado 164 do FPPC: “A sentença arbitrai contra a Fazenda Pública não está sujeita à remessa 
necessária”. Isso porque o art. 496 do CPC, que disciplina a remessa necessária, tem incidência 
apenas no processo judicial. 
d) As demais prerrogativas da Fazenda Pública em juízo não se apresentam, em regra, na arbitragem. 
Não há intimação pessoal, nem prazos em dobro, a não ser que as partes assim prevejam no 
compromisso ou no termo de arbitragem. Se nada disserem, a regra é o ente público não gozar de 
suas prerrogativas processuais. 
 
105 Disponível em: . 
Acesso em 03.03.2020. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 100
https://www.conjur.com.br/2019-dez-02/cabe-justica-federal-julgar-acao-indenizacao-estatal
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Em razão dos princípios da impessoalidade e moralidade, sabe-se que as compras e contratações 
realizadas pelo Poder Público devem seguir o procedimento licitatório. Diante disso, a escolha do 
juízo ou Tribunal Arbitral deveria se submeter à licitação? 
Doutrina entende que não. A contratação do juízo ou tribunal arbitral seria uma hipótese de 
inexigilidade de licitação (art. 25, Lei 8666/93, atual art. 74, Lei n. 14.133/21). 
Além disso, Leonardo da Cunha entende que a submissão dessa escolha à licitação traria uma demora 
desarrazoada ao procedimento, pelo que seria até mais célere e econômico a submissão da 
controvérsia ao Poder Judiciário. 
Alguns enunciados do FNPP tratam do tema em questão: 
117. (art. 496, CPC). A sentença arbitral não enseja a remessa necessária. (Grupo: 
Arbitragem e Fazenda Pública). 
126. (arts. 10, 10-A, 10-B e 11, Decreto-Lei nº 3.365/1941, com os acréscimos da Lei nº 
13.867/ 2019). Na desapropriação, constitui faculdade do ente expropriante oferecer ao 
particular as vias da mediação ou da arbitragem para discutir o valor indenizatório. 
(Grupo: Prerrogativas Processuais do Poder Público). 
128. (art. 1º, parágrafo único, Lei nº 12.527/2011). O juízo arbitral não se subordina aos 
pedidos de informação realizados com base na Lei 12.527/2011, quando a Administração 
Pública for parte no processo arbitral, fundado em razões que justifiquem a limitação de 
acesso à informação. (Grupo: Arbitragem e Fazenda Pública). 
Em havendo sentença arbitral que condene o Poder Público ao pagamento de quantia certa, deverá 
ser observado o procedimento dos precatórios ou será possível efetuar o pagamento de maneira 
espontânea? 
De acordo com Haroldo Lourenço106, o tema não é pacífico. Leonardo da Cunha, por exemplo, 
entende ser impossível o pagamento espontâneo, sob pena de ocorrer burla ao sistema do 
precatório, criando uma casta privilegiada de credores, o que violaria a isonomia, impessoalidade e 
moralidade. 
Em sentindo oposto,há vozes (ex: Rafael Oliveira, Gustavo Schmidt) no sentido de entender possível 
o pagamento espontâneo por parte da Fazenda. Como fundamento, argumenta-se que o Poder 
Público está autorizado, pela via administrativa, a promover a recomposição do equilíbrio 
econômico-financeiro de um contrato administrativo, podendo reconhecer a dívida cristalizada em 
 
106 LOURENÇO, Haroldo. ARBITRAGEM ENVOLVENDO O PODER PÚBLICO E O DECRETO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO: 
“UM MUSEU DE GRANDES NOVIDADES”. Revista de Processo | vol. 294/2019 | p. 433 - 449 | Ago / 2019 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 101
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
sentença arbitral e efetuar o pagamento de forma espontânea, dispensando a execução do título na 
esfera judicial, desde que haja previsão na lei orçamentária anual, na linha do disposto no art. 167, 
II, da Constituição da República. 
Além disso, propugna-se a ideia de que não há que se falar em violação à impessoalidade, eis que a 
arbitragem é uma solução prevista em lei e prestigia a autonomia privada e o autorregramento da 
vontade, principalmente no momento de se firmar a convenção de arbitragem, em que será possível 
escolher entre a jurisdição estatal e não estatal. 
Por fim, vejam algumas teses do STJ sobre o assunto, publicadas na edição 122 do periódico 
“Jurisprudências em Teses” do Tribunal: 
1) A convenção de arbitragem, tanto na modalidade de compromisso arbitral quanto na 
modalidade de cláusula compromissória, uma vez contratada pelas partes, goza de força 
vinculante e de caráter obrigatório, definindo ao juízo arbitral eleito a competência para 
dirimir os litígios relativos aos direitos patrimoniais disponíveis, derrogando-se a 
jurisdição estatal. 
2) Uma vez expressada a vontade de estatuir, em contrato, cláusula compromissória 
ampla, a sua destituição deve vir através de igual declaração expressa das partes, não 
servindo, para tanto, mera alusão a atos ou a acordos que não tenham o condão de 
afastar a convenção das partes. 
3) A previsão contratual de convenção de arbitragem enseja o reconhecimento da 
competência do Juízo arbitral para decidir com primazia sobre Poder Judiciário, de ofício 
ou por provocação das partes, as questões relativas à existência, à validade e à eficácia 
da convenção de arbitragem e do contrato que contenha a cláusula compromissória. 
4) O Poder Judiciário pode, em situações excepcionais, declarar a nulidade de cláusula 
compromissória arbitral, independentemente do estado em que se encontre o 
procedimento arbitral, quando aposta em compromisso claramente ilegal. 
5) A Lei de Arbitragem aplica-se aos contratos que contenham cláusula arbitral, ainda que 
celebrados antes da sua edição. (Súmula n. 485/STJ) 
6) O prévio ajuizamento de medida de urgência perante o Poder Judiciário não afasta a 
eficácia da cláusula compromissória arbitral. 
7) O árbitro não possui poder coercitivo direto, sendo-lhe vedada a prática de atos 
executivos, cabendo ao Poder Judiciário a execução forçada do direito reconhecido na 
sentença arbitral. 
8) No âmbito do cumprimento de sentença arbitral condenatória de prestação 
pecuniária, a multa de 10% (dez por cento) do artigo 475-J do CPC deverá incidir se o 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 102
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
executado não proceder ao pagamento espontâneo no prazo de 15 (quinze) dias 
contados da juntada do mandado de citação devidamente cumprido aos autos (em caso 
de título executivo contendo quantia líquida) ou da intimação do devedor, na pessoa de 
seu advogado, mediante publicação na imprensa oficial (em havendo prévia liquidação 
da obrigação certificada pelo juízo arbitral). (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do 
CPC/1973 - TEMA 893) 
9) A atividade desenvolvida no âmbito da arbitragem possui natureza jurisdicional, o que 
torna possível a existência de conflito de competência entre os juízos estatal e arbitral, 
cabendo ao Superior Tribunal de Justiça - STJ o seu julgamento. 
10) Não configura óbice à homologação de sentença estrangeira arbitral a citação por 
qualquer meio de comunicação cuja veracidade possa ser atestada, desde que haja prova 
inequívoca do recebimento da informação atinente à existência do processo arbitral. 
11) A legislação consumerista impede a adoção prévia e compulsória da arbitragem no 
momento da celebração do contrato, mas não proíbe que, posteriormente, em face de 
eventual litígio, havendo consenso entre as partes, seja instaurado o procedimento 
arbitral. 
12) Diante da força coercitiva de convenção condominial com cláusula arbitral, qualquer 
condômino que ingressar no agrupamento condominial está obrigado a obedecer às 
normas ali constantes, de modo que eventuais conflitos condominiais deverão ser 
resolvidos por meio de arbitragem, excluindo-se a participação do Poder Judiciário. 
13) Não existe óbice legal na estipulação da arbitragem pelo poder público, notadamente 
pelas sociedades de economia mista, para a resolução de conflitos relacionados a direitos 
disponíveis. 
14) A legitimidade para a impetração de mandado de segurança objetivando assegurar o 
direito ao cumprimento de sentença arbitral relativa ao Fundo de Garantia por Tempo de 
Serviço - FGTS é somente do titular de cada conta vinculada, e não da Câmara Arbitral ou 
do próprio árbitro. 
v- há possibilidade de escolha da norma de direito material a ser aplicada (art. 2º, §§1º, 2º e 3º, Lei 
n. 9.307/96), seja princípios, usos e costumes ou regras internacionais do comércio. O art. 2º diz que 
a arbitragem pode ser com base no direito ou na equidade; mas a administração pública só pode se 
submeter à arbitragem de direito, nunca por equidade. 
vi- Para ser árbitro, deve cumprir dois requisitos, quais sejam, ser pessoa natural e capaz (art. 13). 
São equiparados a servidores públicos para fins penais, bem como se lhes aplicam as hipóteses de 
impedimento e suspeição (art. 14). Pode haver árbitro único ou tribunal arbitral; pode ser conduzida 
por um órgão público (ex: Tribunal Marítimo; art. 4º, II, LC 80/94 – Defensoria Pública) ou não 
(Câmara de arbitragem FGV, Câmara de Comércio etc.). 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 103
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Art. 13. Pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a confiança das partes. 
§ 1º As partes nomearão um ou mais árbitros, sempre em número ímpar, podendo 
nomear, também, os respectivos suplentes. 
§ 2º Quando as partes nomearem árbitros em número par, estes estão autorizados, 
desde logo, a nomear mais um árbitro. Não havendo acordo, requererão as partes ao 
órgão do Poder Judiciário a que tocaria, originariamente, o julgamento da causa a 
nomeação do árbitro, aplicável, no que couber, o procedimento previsto no art. 7º desta 
Lei. 
§ 3º As partes poderão, de comum acordo, estabelecer o processo de escolha dos 
árbitros, ou adotar as regras de um órgão arbitral institucional ou entidade especializada. 
§ 4º Sendo nomeados vários árbitros, estes, por maioria, elegerão o presidente do 
tribunal arbitral. Não havendo consenso, será designado presidente o mais idoso. 
§ 4o As partes, de comum acordo, poderão afastar a aplicação de dispositivo do 
regulamento do órgão arbitral institucional ou entidade especializada que limite a 
escolha do árbitro único, coárbitro ou presidente do tribunal à respectiva lista de árbitros, 
autorizado o controle da escolha pelos órgãos competentes da instituição, sendo que, 
nos casos de impasse e arbitragem multiparte, deverá ser observado o que dispuser o 
regulamento aplicável. (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) 
§ 5º O árbitro ou o presidente do tribunal designará, se julgar conveniente, um secretário, 
que poderá serum dos árbitros. 
§ 6º No desempenho de sua função, o árbitro deverá proceder com imparcialidade, 
independência, competência, diligência e discrição. 
§ 7º Poderá o árbitro ou o tribunal arbitral determinar às partes o adiantamento de 
verbas para despesas e diligências que julgar necessárias. 
vii- não há necessidade de homologação judicial da sentença arbitral (art. 31). Essa sentença arbitral 
é, inclusive, título executivo judicial (art. 515, VII, CPC), ensejando coisa julgada material, 
autorizando a revisão judicial, no prazo decadencial de 90 dias107, apenas quanto a vícios formais e 
nunca quanto ao seu conteúdo (art. 32 e 33, Lei 9.307/96). 
 
107 STJ, 3ª Turma, REsp 1.900.136/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, d.j. 06/04/2021 
 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 104
http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13129.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13129.htm#art5
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Na arbitragem, em verdade, o vencido pode se valer de duas vias para questionar a nulidade da 
sentença arbitral: a) ação de nulidade (art. 33, §1º); e b) impugnação ao cumprimento de sentença 
(art. 33, §3º), dentro da qual o impugnante pode alegar as matérias do art. 525, §1º, bem como as 
hipóteses de nulidade do art. 32 da Lei de Arbitragem. 
Todavia, cuidado: STJ definiu não ser cabível a impugnação ao cumprimento da sentença arbitral, 
com base nas nulidades previstas no art. 32 da Lei n. 9.307/96, após o prazo decadencial 
nonagesimal. Se a execução for ajuizada após o decurso do prazo decadencial da ação de nulidade, a 
defesa fica limitada às matérias do art. 525, § 1º, do CPC108. Ainda, segundo o STJ109, caso a 
impugnação suscite as nulidades do art. 32, são cabíveis honorários pela sua rejeição, já que é cabível 
a condenação ao pagamento de honorários quando o incidente processual for capaz de extinguir ou 
alterar substancialmente o processo principal, o que ocorre neste caso. 
 
Art. 31. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos 
da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário e, sendo condenatória, constitui 
título executivo. 
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os 
artigos previstos neste Título: VII - a sentença arbitral; 
Art. 32. É nula a sentença arbitral se: I - for nulo o compromisso; I - for nula a convenção 
de arbitragem; (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) II - emanou de quem não 
podia ser árbitro; III - não contiver os requisitos do art. 26 desta Lei; IV - for proferida fora 
dos limites da convenção de arbitragem; V - não decidir todo o litígio submetido à 
arbitragem; (Revogado pela Lei nº 13.129, de 2015) VI - comprovado que foi proferida 
por prevaricação, concussão ou corrupção passiva; VII - proferida fora do prazo, 
respeitado o disposto no art. 12, inciso III, desta Lei; e VIII - forem desrespeitados os 
princípios de que trata o art. 21, § 2º, desta Lei. 
Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a 
decretação da nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei. 
 
108 STJ, 3ª T, REsp 1.862.147-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, d.j. 14/09/21 (info 709); STJ, 3ª T, REsp 1.928.951/TO, 
Rel. Min. Nancy Andrighi, d.j. 15/02/22 (info 727). 
109 STJ, 4ª T, REsp 2.102.676-SP, Rel. Min. Antonio Carlos, d.j. 21/11/23, info 797. 
 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 105
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a 
declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei. (Redação dada 
pela Lei nº 13.129, de 2015) 
§ 1º A demanda para a decretação de nulidade da sentença arbitral seguirá o 
procedimento comum, previsto no Código de Processo Civil, e deverá ser proposta no 
prazo de até noventa dias após o recebimento da notificação da sentença arbitral ou de 
seu aditamento. 
§ 1o A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou final, 
seguirá as regras do procedimento comum, previstas na Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 
1973 (Código de Processo Civil), e deverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias 
após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão 
do pedido de esclarecimentos. (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) 
§ 2º A sentença que julgar procedente o pedido: 
I - decretará a nulidade da sentença arbitral, nos casos do art. 32, incisos I, II, VI, VII e VIII; 
II - determinará que o árbitro ou o tribunal arbitral profira novo laudo, nas demais 
hipóteses. 
§ 2o A sentença que julgar procedente o pedido declarará a nulidade da sentença 
arbitral, nos casos do art. 32, e determinará, se for o caso, que o árbitro ou o tribunal 
profira nova sentença arbitral. (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) 
§ 3º A decretação da nulidade da sentença arbitral também poderá ser argüida mediante 
ação de embargos do devedor, conforme o art. 741 e seguintes do Código de Processo 
Civil, se houver execução judicial. (Vide Lei nº 13.105, de 2015) 
§ 3o A declaração de nulidade da sentença arbitral também poderá ser arguida mediante 
impugnação, conforme o art. 475-L e seguintes da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 
(Código de Processo Civil), se houver execução judicial. (Redação dada pela Lei nº 13.129, 
de 2015) 
§ 3o A decretação da nulidade da sentença arbitral também poderá ser requerida na 
impugnação ao cumprimento da sentença, nos termos dos arts. 525 e seguintes do 
Código de Processo Civil, se houver execução judicial. (Redação dada pela Lei nº 13.105, 
de 2015) 
§ 4o A parte interessada poderá ingressar em juízo para requerer a prolação de sentença 
arbitral complementar, se o árbitro não decidir todos os pedidos submetidos à 
arbitragem. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 106
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Quem proferirá essa sentença complementar do §4º? 
O tema é ainda incipiente, mas uma interpretação sistemática da Lei de Arbitragem e do próprio 
artigo 33 dão a entender que o Poder Judiciário deverá determinar que o árbitro (ou tribunal) arbitral 
profira a decisão complementar. 
Primeiro porque a arbitragem prestigia significativamente a autonomia de vontade das partes, de 
modo que caso as partes tenham se valido da arbitragem, é porque rejeitam a solução da 
controvérsia pelo Poder Judiciário. E tal vontade deve ser respeitada. 
Aliás, os arts. 32 c/c 33 nos direcionam no sentido de que sentença arbitral apenas pode ser anulada, 
não podendo ser revista no que tange ao seu conteúdo. 
Em segundo lugar, o próprio art. 33, §2º diz que, se o magistrado anular a sentença 
arbitral, determinará que o árbitro profira outra decisão. 
Art. 33, § 2o A sentença que julgar procedente o pedido declarará a nulidade da sentença 
arbitral, nos casos do art. 32, e determinará, se for o caso, que o árbitro ou o tribunal 
profira nova sentença arbitral. (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) 
O art. 33, §4º, portanto, deve seguir o mesmo caminho. 
TJ-CE – Titular de Registro e Notas (adaptada) - 2011: Instituído juízo arbitral por convenção 
de arbitragem celebrada entre as partes, embora o árbitro seja juiz de fato e de direito, sua 
sentença se submete a recurso e precisa ser homologada pelo Poder Judiciário – detentor do 
monopólio da jurisdição – para ter força de coisa julgada material. Errado. 
Atenção: Importante sublinhar que o árbitro pode decidir, mas não tem poder para tomar nenhuma 
providência executiva. Nesse ponto, sendo executada a sentença arbitral no Poder Judiciário, oSTJ 
entendeu que: 
No âmbito do cumprimento de sentença arbitral condenatória de prestação pecuniária, 
a multa de 10% (dez por cento) do artigo 475-J do CPC 1973 (art. 523, § 1º do CP 2015) 
deverá incidir se o executado não proceder ao pagamento espontâneo no prazo de 15 
(quinze) dias contados da juntada do mandado de citação devidamente cumprido aos 
autos (em caso de título executivo contendo quantia líquida) ou da intimação do devedor, 
na pessoa de seu advogado, mediante publicação na imprensa oficial (em havendo prévia 
liquidação da obrigação certificada pelo juízo arbitral). STJ. Corte Especial. REsp 
1.102.460-RJ, Rel. Min. Marco Buzzi, Corte Especial, julgado em 17/6/2015 (recurso 
repetitivo) (Info 569). 
viii- É possível o reconhecimento e execução de sentenças arbitrais produzidas no exterior (art. 34). 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 107
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Art. 34. A sentença arbitral estrangeira será reconhecida ou executada no Brasil de 
conformidade com os tratados internacionais com eficácia no ordenamento interno e, na 
sua ausência, estritamente de acordo com os termos desta Lei. 
Parágrafo único. Considera-se sentença arbitral estrangeira a que tenha sido proferida 
fora do território nacional. 
Art. 35. Para ser reconhecida ou executada no Brasil, a sentença arbitral estrangeira está 
sujeita, unicamente, à homologação do Superior Tribunal de Justiça. (Redação dada pela 
Lei nº 13.129, de 2015) 
viii- Falou-se acima em título executivo judicial (sentença arbitral) e seu cumprimento. Além disso, é 
possível também que o título executivo extrajudicial contenha cláusula compromissória. Havendo 
inadimplemento, o exequente proporá a execução no Judiciário, já que só este pode determinar 
medidas executivas (v.g. constrição patrimonial, expropriação etc.). Todavia, não competirá ao juízo 
estatal analisar questões alusivas ao contrato em si, o que deve ser discutido perante o árbitro110. 
Nesse caso, cabe ao executado que pretende questionar a exequibilidade do título dar início à 
arbitragem (art. 8º, p.ú, Lei n. 9.307/96). Ainda, o executado embargante pode pleitear a suspensão 
da execução (art. 919, §1º) até que as questões relativas à avença sejam definidas na jurisdição 
competente. 
ix- Confiram o enunciado 212 da III JDPC do CJF: 
Enunciado 212, III JDPC do CJF: É cabível a averbação de penhora no rosto dos autos de 
processo arbitral. 
Justificativa: Nada impede que um juiz estatal, no âmbito de um processo executivo, determine 
ao árbitro a realização de penhora no rosto dos autos de um processo arbitral, hipótese já 
referendada pelo STJ (REsp n. 1.678.224/SP). Na ocasião, decidiu-se pela possibilidade da 
penhora no rosto dos autos por se entender que o ato “não implica propriamente a 
individualização, tampouco a apreensão efetiva e o depósito de bens à ordem judicial, mas a 
mera afetação à futura expropriação”. A penhora no rosto dos autos é ato essencialmente 
cognitivo, prévio à expropriação, que não pressupõe a incursão em bens e direitos do 
executado. Há tão somente a afetação do direito em perspectiva essencialmente jurídica. Não 
há ingresso patrimonial forçado na esfera de bens do devedor, mas tão somente ato cognitivo, 
cabível ao árbitro. Por consequência, cabe ao árbitro promover tal penhora. Efetivada a 
penhora no rosto dos autos, o futuro devedor na arbitragem está vinculado àquela 
determinação, de modo que, no momento da quitação do débito ao qual for eventualmente 
condenado, deverá pagar ao exequente que requereu a penhora, sob pena de 
 
110 STJ, 3ª T, Processo em segredo de justiça, Rel. Min. Moura Ribeiro, Rel. p/ ac. Min. Villas Bôas 
Cueva, d.j. 11/4/23, info 770 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 108
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
responsabilização direta, nos termos do art. 312 do CC. Aquele que promove a penhora tem 
direito a ser intimado da sentença arbitral não na condição de parte, mas para que tenha 
ciência do término do processo a fim de efetivar os seus direitos decorrentes da penhora na 
forma que entender cabíveis, com a ocultação das informações sensíveis, a teor do art. 189, 
§2º, do CPC. 
 
x-O STJ111 decidiu que compete a ele conhecer e julgar o conflito de competência estabelecido entre 
Tribunais Arbitrais vinculados à mesma Câmara de Arbitragem, quando a solução para o impasse 
criado não é objeto de disciplina no regulamento desta. Isso porque, a partir do leading case - CC 
111.230/DF – o STJ passou a reconhecer que o Tribunal arbitral se insere na expressão "quaisquer 
tribunais", do art. 105, I, d, da CRFB/88. 
Ademais, ainda que os Tribunais arbitrais se encontrem situados na mesma unidade da Federação 
ou na mesma Região, não são vinculados a nenhum TJ ou TRF, de modo que estes não serão 
competentes para dirimir o conflito. 
Agora vamos analisar uma temática já conhecida, mas que recorrentemente cai em prova. Qual é? O 
assunto acerca das espécies de jurisdição, principalmente a jurisdição voluntária. 
ESPÉCIES DE JURISDIÇÃO (FOCO NA JURISDIÇÃO 
VOLUNTÁRIA) 
De início, afirma-se que a jurisdição é una e indivisível. Mas a doutrina divide, para fins didáticos, em: 
a) Jurisdição penal ou civil: o critério é a natureza do objeto da demanda judicial. A jurisdição civil, 
em tese, abrange todas as matérias que não sejam penais; 
b) Jurisdição superior ou inferior: a inferior é aquela que possui competência originária para a 
demanda, enquanto que a superior é exercida em hipótese de atuação recursal dos tribunais; 
c) Jurisdição comum e especial: As justiças especiais tem a fixação constitucional de sua competência 
em virtude da matéria que será objeto da demanda judicial. A CRFB reconhece três (Trabalho, 
Eleitoral e Militar). O que não for delas, será de competência da Justiça Comum (Federal e Estadual). 
d) Jurisdição contenciosa e voluntária. 
 
111 STJ, 2ª Seção, Processo sob segredo de justiça, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, d.j. 22/06/22, info 749. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 109
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Vejamos a esquematização: 
 
 Sobre a divisão entre jurisdição especial, comum, inferior, superior, interessante visualizar o 
organograma do Poder Judiciário elaborado pelo professor Mozart Borba: 
 
Contudo, quanto às diferenças entre jurisdição especial, comum, penal, civil, iremos abordar mais 
especificamente na próxima aula, quando tratarmos da competência. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 110
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
No tópico de espécies da jurisdição, é importante traçarmos algumas linhas sobre a jurisdição 
voluntária. 
Sobre a Jurisdição Voluntária, vale transcrever o conceito de Leonardo Greco112: 
Jurisdição voluntária é uma modalidade de atividade estatal ou judicial em que o órgão 
que a exerce tutela assistencialmente interesses particulares, concorrendo com o seu 
conhecimento ou com a sua vontade para o nascimento, validade ou eficácia de um ato 
da vida privada, para a formaçao, desenvolvimento, documentação ou extinção de uma 
relação jurídica ou para a eficácia de uma situação fática ou jurídica. 
Características: 
i) Obrigatoriedade 
Apesar do nome, essa jurisdição nada tem de voluntária, dependendo da intervenção do Poder 
Judiciário para que obtenham o bem da vida pretendido. 
Isso ocorre pela intenção do legislador de condicionar o efeito jurídico de determinada relação 
jurídica à intervenção do juiz, em razão de sua imparcialidade, retidão e compromisso com a justiça 
que esses profissionais devem ter. 
Contudo, há exceções a essa obrigatoriedade. Leonardo Greco lembra situações emque a lei 
permite, mas não impõe a intervenção do Poder Judiciário, como por exemplo, notificação judicial. 
Notem que a regra da obrigatoriedade é fruto de uma opção política-legislativa. Um exemplo disso 
é a Lei 11.44/2007, que passou a permitir o inventário, partilha, separação e divórcio pela via 
administrativa (cartório de registro civil das pessoas naturais). 
ii) Inquisitoriedade 
A jurisdição voluntária é um misto de princípio dispositivo e inquisitivo, com preponderância deste. 
Concede-se ao juiz maior liberdade para tomar providências não requeridas pelas partes. 
Ex1: o juiz pode dar início de ofício a certas demandas (ex: herança jacente – art. 738, bens de ausente 
– art. 744, e coisas vagas – art. 746); 
Ex2: o juiz poderá decidir contra a vontade de ambas as partes, o que é impossível na jurisdição 
contenciosa; 
 
112 GRECO, Leonardo. Jurisdição voluntária moderna. Ed. Dialética: São Paulo, 2003, p. 11. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 111
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Ex3: o juiz pode adequar o processo e sua decisão às peculiaridades da causa, sem se ater à legalidade 
estrita (art. 723, parágrafo único, CPC), podendo julgar utilizando-se da equidade. 
CESPE/DPE-SE/2012 - a) Nos procedimentos de jurisdição voluntária, prepondera o princípio 
inquisitivo. A está correta. 
iii) Possibilidade de decisão fundada em equidade 
Sabemos que a equidade só pode ser utilizada nos casos expressos em lei. 
Art. 140. O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do 
ordenamento jurídico. Parágrafo único. O juiz só decidirá por equidade nos 
casos previstos em lei. 
MPE-BA/MPE-BA – Promotor de Justiça Substituto/2018 -A jurisdição é uma das funções de 
Estado e visa a solucionar conflitos entre sujeitos que declaram direito a um determinado bem, 
podendo ser entendida também como a atividade de um órgão julgador, singular ou plural, 
tendente a esse mesmo fim. 
Assinale a alternativa que, em vista da normatização ínsita ao Código de Processo Civil, não 
pode ser aplicada à lide. 
a) Uma vez provocando o exercício da jurisdição, imediatamente estará o autor sujeitando-se 
ao juiz, posto que está a dar causa à formação do processo com a entrega da causa ao Poder 
Judiciário em face da inevitabilidade da jurisdição estatal. 
b) São limites jurisdicionais a que se submetem os juízes questões atinentes à competência, 
condições da ação e exigências procedimentais, impedindo, assim, o seu exercício 
indiscriminado. 
c) Poderá ser contenciosa ou voluntária, sendo exemplo caracterizador desta última o não 
julgamento de pretensões antagônicas, não impondo ao julgador escolher entre tutelar um ou 
outro interessado. 
d) A pretexto de julgar por equidade não pode o juiz decidir por critérios inexistentes numa 
norma positivada, posto que lhe compete julgar, exclusivamente, segundo as regras previstas 
em lei. 
e) Expondo a violação de um direito, pode o autor requerer unicamente a sua declaração, a 
manifestação acerca da inexistência de uma relação jurídica, da autenticidade ou da falsidade 
documental. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 112
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Comentários: A alternativa D está incorreta. Art. 140. O juiz não se exime de decidir sob a 
alegação de lacuna ou obscuridade do ordenamento jurídico. Parágrafo único. O juiz só decidirá 
por equidade nos casos previstos em lei. 
Sobre a equidade, muitos autores citam a analogia criada por Aristóteles em Ética à Nicômaco113: 
De fato, a lei não prevê todas as situações porque é impossível estabelecer uma lei a 
propósito de algumas delas... Com efeito, quando uma situação é indefinida a regra 
também tem de ser indefinida, como acontece com a régua de chumbo usada pelos 
construtores em Lesbos; a régua se adapta à forma da pedra e não é rígida, e o decreto 
[decisão judicial ou administrativa] se adapta aos fatos de maneira idêntica" (Ética a 
Nicômacos, Brasília: UNB, 1985, 1137 a, p. 109-110). 
Referida possibilidade advém da previsão do art. 723, parágrafo único, que assim preceitua: 
Art. 723. O juiz decidirá o pedido no prazo de 10 (dez) dias. Parágrafo único. O juiz não é 
obrigado a observar critério de legalidade estrita, podendo adotar em cada caso a solução 
que considerar mais conveniente ou oportuna. 
A amplitude de tal possibilidade vai depender de qual corrente se adote. Para os defensores da teoria 
da jurisdição voluntária como atividade administrativa (corrente majoritária), a previsão afasta o 
princípio da legalidade, de modo que o juiz possa resolver, inclusive, contra a letra da lei, desde que 
entenda ser sua decisão oportuna e conveniente. 
Daniel Assumpção afirma que, minoritariamente, há corrente (jurisdição voluntária como atividade 
jurisdicional) que defende visão mais restritiva do dispositivo, entendendo que o juiz não está 
totalmente liberado da observância da legalidade, devendo levar em conta a oportunidade e 
conveniência somente na hipótese de a legalidade permitir mais de uma conclusão. 
iv) Participação do Ministério Público como fiscal da ordem jurídica 
Em razão do art. 721, CPC, os interessados serão citados e o MP será intimado, desde que presente 
algum dos motivos do art. 178. 
Além disso, o art. 722 preceitua que a Fazenda Pública deverá ser intimada sempre que tiver 
interesse. 
 
113 Em prova oral do MPE/MG já foi perguntado o que era a régua de Lesbos. Era para o candidato citar a régua maleável 
citada por Aristóteles e fazer a ligação com a equidade, que tem por finalidade proporcionar uma decisão justa ao caso 
concreto, amoldando-se ao problema. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 113
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
 
 
Do ponto de vista procedimental, há regras comuns (arts. 719-725) 
e especiais (arts. 726 e seguintes). Instaura-se o processo por 
petição inicial, por provocação do interessado, do MP ou da 
Defensoria Pública (art. 720, CPC), com atribuição do valor da causa 
(que no caso, é estimado pelo autor) e identificação da providência judicial almejada; as despesas 
processuais, de acordo com o art. 88, CPC, são antecipadas pelo requerente e rateadas entre todos 
os interessados; estes têm um prazo de 15 dias para se manfestarem; a FP será ouvida quando tiver 
interesse; o MP será ouvido nos casos do art. 178, CPC; o pedido será resolvido em 10 dias, por 
sentença. 
Classificação dos procedimentos114 
a) receptícios: a atividade judicial se limita a registrar, documentar ou comunicar manifestações 
de vontade. Ex: notificações, interpelações e prtestos; 
b) probatórios: a atividade judicial limita-se à produção da prova. Ex: justificação. Há 
controvérsia sobre a produção antecipada de prova, se voluntária ou contenciosa. Greco entende 
que dependerá do processo principal a que sirva; 
c) declaratórios: o magistrado limita-se a declarar a existência ou inexistência de uma situação 
jurídica, como nos casos de extinção de usufruto (art. 725, VI, CPC), na confirmação do testamento 
particular (arts. 725 e ss, CPC); 
d) constitutivos: são aqueles em que a criação, modificação ou extinção de uma situação jurídica 
dependem da concorrência da vontade do juiz, por meio de autorizações, homologações, aprovações 
 
114 GRECO, Leonardo. Jurisdição voluntária moderna. Dialética: São Paulo, 2003, p. 55. 
 
 
 
 
 
 
 
 C
ar
ac
te
rí
st
ic
as
 d
a 
Ju
ri
sd
iç
ão
 
V
o
lu
n
tá
ri
a 
 Obrigatoriedade 
 Inquisitividade 
 
Possibilidade de decidir 
por equidade 
 
Atuação do MP como 
fiscal da ordem jurídica 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 114
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
etc.Exemplos: interdição (arts. 747 e ss, CPC), emancipação (art. 725, I), sub-rogação de gravamos 
ou bens inalienáveis (art. 725, II), alienação, arrendamento ou oneração de bens de incapazes (art. 
725, III), locação ou administração de coisa comum (art. 725, IV), dúvidas e retificações de registros 
públicos (arts. 109, 198, 204 e 213 da Lei n. 6.015/73), aprovação de estatuto das fundações (art. 
764), divórcio concensual e separação consensuais, extinção consensual de união estável e alteração 
do regime de bens do matrimônio (art. 731 ss), homologação de transação sobre questão não posta 
em juízo (art. 515, §2º e art. 725, VIII), opção de nacionalidade (art. 4º, Lei n. 818, de 18/09/1949) e 
naturalização (arts. 110 a 120, Lei n. 6.815/80); 
e) executórios: o juiz é demandado a exercer uma atividade prática que modifica o mundo 
exterior. Ex: alienação de coisas (arts. 725, I, IV e V, 730, CPC), arrecadação da herança jacente (arts. 
738 ss, CPC), arrecadação dos bens dos ausentes (arts. 744 ss, CPC), coisas vagas (art. 746); 
f) tutelares: são aqueles em que a proteção de interessados de determinadas pessoas que se 
encontram em situação de desamparo, como os incapazes, é confiada diretamente ao Poder 
Judiciário, que pode instaurar os procedimentos ex officio. Exs: procedimentos do ECA. 
A pergunta principal, porém, que reiteradamente cai em prova é a seguinte: qual a natureza jurídica 
da jurisdição voluntária? É atividade jurisdicional ou mera administração pública de interesses 
privados? 
Natureza da Jurisdição Voluntária 
1. Corrente Clássica ou Administrativista (majoritária): Propugnada por Chiovenda, Humberto 
Theodoro Jr., Alvim Neto, Frederico Marques, dentre outros, referida corrente defende que a 
jurisdição voluntária é atividade materialmente administrativa e subjetivamente judiciária, pois 
exercida pelos juízes. 
2. Corrente Revisionista ou Jurisdicionalista (minoritária): Defendida por Marinoni, Fredie Didier, 
Freitas Câmara, Dinamarco, dentre outras, esta corrente sustenta a natureza jurisdicional da 
jurisdição voluntária. 
Mas sobre quais pontos controvertem ambas as correntes? 
CORRENTE ADMINISTRATIVISTA CORRENTE JURISDICIONALISTA 
Não tem caráter substitutivo, pois há mera 
integração da vontade das partes, de acordo 
com as exigências da lei. 
Embora não possua caráter substitutivo, esse 
atributo não é imprescindível para a 
caracterização da jurisdição, pois a 
substitutividade é regra que pode ser 
excepcionada, por exemplo, na execução 
indireta. 
Na aplicação de multas (astreintes), a satisfação 
da obrigação decorre da vontade do próprio 
devedor e não pela atuação estatal. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 115
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Ausência de lide (conflito de interesse 
qualificado por uma pretensão resistida). Há 
convergência de vontades no exercício da 
jurisdição voluntária. 
Há pretensão resistida, que é o 
condicionamento à atuação jurisdicional para a 
obtenção de efeitos jurídicos. 
Ausência de partes. Há meros interessados, 
pois pretendem o mesmo resultado. 
Em sentido amplo, são sim partes (todo aquele 
que participa da relação jurídica de direito 
processual). 
Não há processo. 
Há também processo: a) aspecto intrínseco, 
qualificado pela relação jurídica processual; b) 
aspecto extrínseco, caracterizado pelo 
procedimento em contraditório. 
Excepcionalmente, não há contraditório, mas 
remanesce a existência da relação processual 
desencadeada por uma sucessão de atos 
processuais. 
Ausência de coisa julgada 
Há coisa julgada material rebus sic stantibus. 
Isso significa que, se as coisas permanecessem 
no mesmo estado, deveriam também ser 
mantidas a imutabilidade e a indiscutibilidade 
própria dessas decisões. 
Ex1: em demanda de alimentos (relação jurídica 
continuativa), se o trinômio 
possibilidade/necessidade/proporcionalidade 
se mantiver o mesmo ao longo do tempo, 
aquela primeira decisão é indiscutível. 
A modificação superveniente cria uma nova 
causa de pedir (fatos e fundamentos jurídicos 
do pedido), de maneira que a eventual mudança 
da sentença não violaria a coisa julgada 
material. 
Vamos detalhar mais profundamente... 
a) Ausência de lide 
Na jurisdição voluntária, não existe um conflito de interesse entre as partes, qualificado por uma 
pretensão resistida, pois as vontades são convergentes. Diz a primeira corrente que, como não há 
lide - conceito de Carnelutti, não há jurisdição. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 116
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Entretanto, como vimos anteriormente, lide não é um pressuposto da jurisdição, mas somente uma 
espécie de problema que pode ser levado a apreciação do judiciário. Ademais, é um erro considerar 
que não há lide em jurisdição voluntária. Cita-se o exemplo de uma demanda de interdição, na qual 
é possível que o interditando esteja em conflito com o interditado, bem como nas retificações de 
registro, que normalmente dão ensejo a controvérsias. 
Portanto, na jurisdição voluntária a lide não é necessária, não é pressuposta. 
b) Inexistência de caráter substitutivo 
Na jurisdição voluntária, o juiz não substitui a vontade das partes pela vontade da lei, mas apenas 
integra o acordo de vontade entre as partes para que possa gerar seus regulares efeitos. Por isso, 
não haveria jurisdição para a corrente clássica. 
Daniel Assumpção, doutro lado, pontua que o caráter substitutivo também nem sempre deverá estar 
presente. Isso porque há casos, por exemplo, da execução indireta, em que o Estado não substitui a 
vontade das partes e mesmo assim não deixa de ser jurisdição. 
c) Inexistência de aplicação do direito objetivo ao caso concretoA primeira corrente entende que, 
pelo fato de o juiz não aplicar o direito material ao caso concreto, mas apenas integrar juridicamente 
o acordo de vontades, não haveria jurisdição. Com base em Chiovenda, a jurisdição é entendida como 
atuação da vontade concreta do direito objetivo. 
Contudo, a corrente contrária pontua que, além de o conceito de Chiovenda estar ultrapassado, tal 
aplicação do direito objetivo ao caso concreto seria apenas um dos três escopos da jurisdição, 
permanencendo intactos os escopos social e político. 
a) Não há partes, mas interessados 
Só existem pessoas que pretendem um bem da vida, sem estar em situações antagônicas na 
demanda. 
Assumpção assevera que, além de se tratar de questão semântica, em nenhum lugar se encontra a 
ideia de que, para ser parte seria preciso que os sujeitos estivessem em conflito. 
b) Não há processo, mas sim procedimento 
Veremos mais à frente do curso as diversas concepções de processo. Dentre elas, temos a concepção 
de processo como contrato; quase contrato; relação jurídica, situação jurídica; procedimento em 
contraditório, entidade complexa etc. A depender da corrente que se adote, a descrição de tal tópico 
se modifica. 
Entretanto, adotando a corrente majoritária, de que processo é entidade complexa, formada por 
uma relação jurídica animada pelo contraditório, poderemos dizer, conforme a corrente 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 117
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
jurisdicionalista, que há sim processo, pois a regra na jurisdição voluntária é a existência de uma 
relação jurídica processual que se desenvolva por meio de um procedimento em contraditório, 
observadas todas as garantias fundamentais do processo. 
De fato, há poucas situações em que o contraditório é afastado, a exemplo das demandas de 
jurisdição voluntária probatória, como a justificação, notificação, interpelação e protesto, que não 
admitem contestação. A exceção, nesse caso, confirma a regra. 
Didier acrescenta dizendo que processo é categoria que pertence àteoria geral do direito, e consiste 
no método de que o Direito se vale para produzir normas jurídicas. Daí se poderia falar em processo 
legislativo, administrativo, negocial e jurisdicional. Mesmo que houvesse atividade administrativa, 
ainda sim haveria processo. 
c) Inexistência de coisa julgada material 
A teoria administrativista sempre advogou a concepção de que não existia coisa julgada material na 
jurisdição voluntária e, por isso, não haveria jurisdição, tudo com fulcro no art. 1.111, CPC/73. 
Art. 1.111. A sentença poderá ser modificada, sem prejuízo dos efeitos já produzidos, se 
ocorrerem circunstâncias supervenientes. 
Entretanto, a 2ª corrente (corrente jurisdicionalista) já rebatia tal entendimento dizendo que 
mesmo assim havia coisa julgada material rebus sic stantibus. 
Se as coisas permanecessem no mesmo estado, deveriam também ser mantidas a imutabilidade e a 
indiscutibilidade própria dessas decisões. E 
x: em demanda de alimentos (relação jurídica continuativa), se o trinômio 
possibilidade/necessidade/proporcionalidade se mantiver o mesmo ao longo do tempo, aquela 
primeira decisão é indiscutível. 
A modificação superveniente cria uma nova causa de pedir (fatos e fundamentos jurídicos do pedido), 
de maneira que a eventual mudança da sentença não violaria a coisa julgada material. 
Ademais, a 2ª corrente dizia que o art. 1.111 tinha redação semelhante ao art. 471, I, CPC73 e, 
portanto, não existiria no art. 1.111 uma peculiaridade tão somente da jurisdição voluntária. Era 
característica geral da coisa julgada ser rebus sic stantibus para relações jurídicas continuativas. 
Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma 
lide, salvo: 
I - se, tratando-se de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de 
fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na 
sentença; 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 118
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Aliás, o teor do artigo supratranscrito foi reproduzido no art. 505, I, CPC2015. E, nos dispositivos 
referentes à jurisdição voluntária, não há nenhum preceito específico quanto ao tema. 
Art. 505. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma 
lide, salvo: I - se, tratando-se de relação jurídica de trato continuado, sobreveio 
modificação no estado de fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão 
do que foi estatuído na sentença; 
Didier traça outros argumentos em favor da 2ª corrente. 
Primeiro, salienta que, se até mesmo algumas decisões que não examinam o mérito se tornam coisa 
julgada (art. 486, §1º, CPC), muito mais razão haveria para que decisões de mérito proferidas em 
sede de jurisdição voluntária também se tornassem indiscutíveis. 
Segundo, sublinha que o procedimento para homologação do acordo extrajudicial é de jurisdição 
voluntária (art. 725, VIII, CPC). Uma vez homologado, esse acordo torna-se título executivo judicial 
(art. 515, III, CPC), ao passo que, se não homologado, ele pode, em algumas hipóteses (art. 784, III, 
CPC), ser considerado título executivo extrajudicial. 
Qual a diferença? Ora, a execução de título judicial tem cognição limitada, isto é, o executado não 
pode alegar tudo em sua defesa (art. 525, §1º, CPC), enquanto que, na execução de título 
extrajudicial, o executado pode alegar qualquer matéria de defesa, sem limitação, a cognição é ampla 
(art. 917, CPC). 
Mas qual seria o fundamento para essa diferença quanto ao procedimento para homologação do 
acordo extrajudicial? A coisa julgada, atributo das decisões judiciais, mesmo homologatórias, 
mesmo em jurisdição voluntária, impede a rediscussão do que foi decidido. 
Um terceiro exemplo que Didier se vale é um caso julgado pelo STJ em que, embora tenha partido 
da premissa de que jurisdição voluntária é atividade administrativa e não jurisdicional, chega à 
mesma conclusão que a corrente jurisdicionalista, qual seja, de que não é possível rever decisão em 
jurisdição voluntária, ressalvada a existência de fato superveniente, como em qualquer outra 
decisão. 
Fredie arremata: não adianta dizer que não há coisa julgada e, ao mesmo tempo, impedir a 
rediscussão do tema. Há incoerência no julgado. Há coisa julgada, e por isso não se pode renovar o 
pedido. 
Disso tudo, qual a conclusão? Em provas, é melhor optar pela corrente majoritária (corrente 
administrativista), até porque esta é a adotada atualmente pelo STJ. Entretanto, sempre é bom ter 
em mente, talvez para a prova discursiva e oral, os argumentos da corrente contrária. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 119
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
TUTELA JURISDICIONAL 
A tutela jurisdicional é concedida àquele que efetivamente seja titular do direito subjetivo aquele 
que tem razão na demanda. Trata-se do resultado que se obtém do processo, implicando 
essencialmente na proteção e satisfação do direito. 
Cuidado! Já foi cobrada em prova a diferença feita por Marinoni entre tutela jurisdicional e 
tutela jurisdicional do direito. O Juiz, ao proferir a sentença, qualquer que seja o seu resultado 
(procedente ou improcedente), necessariamente confere tutela jurisdicional ao autor e ao 
réu. Entretanto, a tutela jurisdicional do direito ocorre só com a sentença de procedência. 
CPCON/Assessor da Câmara de Cerro Corá - RN/20: a) A sentença de improcedência não presta 
tutela jurisdicional ao direito. A alternativa A foi considerada correta. 
A prestação jurisdicional, por sua vez, é o serviço judiciário, instrumentalizado por meio de um 
processo, conferido às partes que se valeram de seu direito de ação e buscaram o Poder Judiciário, 
independentemente da existência ou não do direito postulado. 
 
Pois bem. 
Como já dito, a 1ª fase imanentista do Processo Civil concebia o direito processual como algo 
imanente, imbricado, entrelaçado com o direito material, sem autonomia científica. 
A 2ª fase do Processo Civil (autonomismo/processualismo), inaugurada por Oskar Von Bullow, em 
1868, conseguiu conferir autonomia ao Direito Processual Civil. Entretanto, houve algumas 
repercussões negativas. E isso, de fato, refletiu no conceito de jurisdição. 
Marinoi, Arenhart e Mitidiero115, por exemplo, afirmam que a doutrina do final do século XIX e início 
do século XX, ao asseverar que o fim da jurisdição é atuar a vontade da lei (Chiovenda) e não dar 
tutela do direito material, pretendeu ficar definitivamente distante da teoria que confundiu o direito 
de ação com o direito material (esta representativa da 1ª fase do Processo Civil – teoria imanentista). 
Desse modo, a necessidade de estabelecer a autonomia do direito processual (2ª fase do Processo 
Civil) e a finalidade pública do processo conduziu ao abandono da ideia de que a jurisdição deveria 
dar tutela aos direitos. 
 
115 Novo Curso de Processo Civil, Volumes 2 e 3. Livros que tratam de forma densa da tutela jurisdicional. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 120
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Com isso, se de um lado o processo civil forjava sua autonomia conceitual e científica, de outro dava 
um perigoso passo rumo ao esquecimento de sua umbilical ligação com o direito material. Daí que 
o discurso preocupado em evidenciar a ligação entre técnica processual e tutela dos direitos é antes 
de qualquer coisa um discurso engajado na retomada dos esquecidos laços entre direito e processo. 
Considerar o processo civil como meio é, antes de tudo, pensar, primeiro, nas situações de direito 
material para, depois, cogitar das técnicas processuais adequadas para sua efetiva proteção. 
Partindo desta premissa, tem-se que a tutela de direitos no campo jurisdicional116 é prestada 
medianteque criou a unificação das instâncias 
bipartidas em apenas um órgão judicial e estatal. A iurisdictio, antes dividida entre a atividade do 
pretor e a do iudex, agora concentra-se nas mãos do Estado, representado por um magistrado-
funcionário, competente para a resolução dos litígios de natureza privada. 
Muitos consideram um avanço processual a passagem do período formular ao período da cognitio 
extraordinaria, pois o instrumento para resolução de conflitos (processo) sofreu reformulações que 
possibilitaram a investigação da causa de forma mais adequada pelo julgador. 
TCE-PE/2017 - Embora influenciadas pelo direito romano, as diversas instituições jurídicas das 
nações ocidentais contemporâneas criaram métodos originais de resolução de lides, já que o 
sistema processual, na Roma antiga, era rudimentar e fundamentado em discursos míticos e 
crenças religiosas. 
Na Roma Antiga (753 a.C até 476 d.C), o sistema processual de solução de lides era bem 
elaborado, com procedimentos bem definidos, sendo absolutamente errado dizer que era 
rudimentar e que era fundado em discursos míticos e crenças religiosas. 
Dogmaticidade na Idade Média16: o direito como dogma 
 
15 ALVIM, Arruda. Manual de Direito Processual Civil , p. 46. 
16 A periodização eurocêntrica da História se dá da seguinte forma: a) Pré-história (surgimento do Homem na Terra até 
4.000 a.C, com o surgimento da escrita); b) Idade Antiga (4.000 a.C até 476 d.C, com a queda do Império Romano do 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 12
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Pessoal, juro que tento deixar a parte histórica mais rápida. Aguentem firme mais um pouco! ☺ 
A queda do Império Romano, em 476 d. C., provocou uma mudança de rota. 
O desenvolvimento alcançado pela cultura romana sofreu um retrocesso com a dominação do 
território pelos povos germânicos. As noções jurídicas dos povos bárbaros, além de rudimentares, 
não eram uniformes, pois variavam de acordo com o grupo. 
A jurisdição tinha um procedimento oral e as partes comprometiam-se em acatar as decisões das 
assembleias populares de homens livres. As provas, nesse período, não eram mais concebidas como 
uma forma de convencimento do juiz, mas como meio de fixação da própria sentença. 
Os julgamentos não se realizavam por procedimentos lógicos, mas por rituais e misticismos. Entre os 
meios de prova aceitos destacavam-se o juramento da parte e as ordálias ou juízos de Deus, que 
consistiam em experimentos cruéis impostos ao réu com a intenção de se descobrir a "verdade". 
Acreditava-se que Deus livraria do sofrimento das ordálias o réu inocente. Dessa forma, a decisão 
proferida pela sentença dependia do resultado do experimento. 
 Nas palavras de Amaral Santos17, "o juiz dos germanos tinha por função, no campo da prova, tão-
somente fiscalizar o desenvolvimento das solenidades e o resultado do experimento". As decisões 
eram irrecorríveis, uma vez que não havia poder acima das assembleias. 
Tércio Sampaio resume, com maestria, a passagem da cultura romana para a medieval. 
Da cultura romana para a medieval, há um passo importante a ser assinalado. O advento 
do Cristianismo permitiu uma distinção decisiva e fundamental entre a esfera da política 
e da religião. Assim, por exemplo, se para os antigos o ser humano distinguia-se dos 
outros animais por ser um animal político no sentido de um cidadão da polis, para a idade 
média, o homem passa a ser visto como um animal social. A distinção entre político e 
social é sutil, mas marcante. 
 
Ocidente); c) Idade Média (476 d.C até 1453 d.C, com a queda do Império Romano do Oriente – tomada de 
Constantinopla); d) Idade Moderna (1453 até 1789, ano da Revolução Francesa); e) Idade Contemporânea (1789 até os 
dias atuais). 
17 SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras linhas de direito processual civil. v. 1. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 1981. 
 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 13
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Afinal, a politicidade era uma qualidade própria da vida pública e ter uma vida pública 
era algo que distinguia os homens dos animais que tinham vida gregária e, nem por isso, 
pública. 
Já a sociabilidade era vista como uma espécie de gregariedade e o que a distinguia da 
mera gregariedade animal era a dignidade humana, um ser criado à imagem e 
semelhança de Deus, que escreveu no coração do homem uma lei de consciência: o livre-
arbítrio. Por ser livre, o homem é destinado à salvação. E para salvar-se, tem de 
conformar-se à ordem divina, cuja máxima expressão era a lei. 
O direito, assim, não perdeu seu caráter de sagrado. Adquiriu, porém, uma dimensão de 
sacralidade transcendente, pois de origem externa à vida humana na Terra, diferente da 
dos Romanos, que era imanente (caráter sagrado – mítico – da fundação). Enquanto para 
os romanos o direito era um saber das coisas divinas e humanas, para a Idade Média os 
saberes eram distintos, ainda que guardassem uma relação de subordinação. 
Importante dizer que a falta do Estado como instituição organizadora da sociedade fazia 
com que a Igreja assumisse tal papel, definindo o que era o lícito-ilícito, moral-imoral. 
(...) Após algum tempo, a teoria jurídica, tornada uma disciplina universitária, objetiviza 
o tratamento das questões públicas ao neutralizar até certo ponto as emoções e os 
interesses materiais. 
Nessa época, surge um conceito chave: soberania. As disputas em torno desse poder mais 
alto, o poder soberano, bipartem-se na questão do fundamento do direito de se exigir 
obediência e na dos limites desse direito. A soberania, encarada como direito do 
soberano, expõe o problema jurídico da legitimidade. 
A soberania é um princípio centralizador. Todos os seres tinham sua unidade de 
convergência em Deus, assim como a verdade só podia ser uma, direito só pode ser um, 
dentro de um mesmo território. 
A teoria do direito medieval instaura pouco a pouco uma teoria que vai servir ao domínio 
políticos dos príncipes, como instrumento de seu poder. 
Após um período de retrocesso – romano-barbárico – o processo voltou a ser utilizado como 
ferramenta de resolução de conflitos, tal qual acontecia no período da cognitio extra ordinem. 
Os períodos dos glosadores (1100 até 1271) e pós-glosadores (1271 até 1400) foram essenciais para 
a reconstrução dos conceitos criados pelo processo civil romano, que, revisitados e readequados, 
possibilitaram a estruturação do embrião de nosso processo civil. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 14
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Com a gradativa formação dos Estados, como hoje os concebemos, ocorrida entre o século XV e XVI, 
organizados, via de regra, em monarquias, ocorreu o fenômeno de concentração da administração, 
da legislação e da jurisdição na estrutura estatal. 
O absolutismo, nascido a partir da crise em que mergulhou o feudalismo, defendia que uma pessoa, 
o Rei, deveria concentrar todo o poder do Estado em suas mãos, em razão da delegação dos poderes 
de Deus diretamente ao monarca, para que governasse na Terra. 
Diversos pensadores justificaram o ideal Absolutista, devendo serem citados Nicolau Maquiavel 
(1469-1527), Jean Bodin (1530-1596), Thomas Hobbes (1588-1679) e J. Bossuet (1627-1704)18. 
A citada institucionalização da justiça seguia estrutura ditada pelo Déspota, considerado, sempre, o 
senhor supremo de todos os poderes, inclusive do jurisdicional. 
Teoria jurídica na era moderna: o direito como ordenação racional 
A partir do Renascimento, o direito perde progressivamente seu caráter sagrado, o que significará a 
tecnização do saber jurídico. As revoluções liberais, inspiradas pelo iluminismo, aboliram o 
absolutismo, constituindo um novo ideal de governo, qual seja, o liberalismo. Oo emprego de diversas técnicas processuais. 
Assim sendo, embora a tutela jurisdicional também seja una, indivisível, para fins didáticos, é 
importante classificá-la conforme alguns critérios mais frequentes. Atente-se que ela é dividida em 
tantas classificações quantos forem os critérios. Tem para todos os gostos. 
Nesse ponto, iremos classificá-la com base nos principais manuais de Processo Civil. Já adianto que, 
em alguns pontos, os entendimentos sobre tutela podem ser complexos. Entretanto, fique tranquilo 
que colocaremos o que cai em concurso. 
1) Tutela Satisfativa e Cautelar 
Marinoni, sublinhando que é a principal divisão, aduz que o processo civil pode prestar tutela 
satisfativa ou tutela cautelar aos direitos. 
1) Satisfativa: Há tutela satisfativa quando a tutela jurisdicional destina-se a realizar 
concretamente o direito da parte. 
Essa tutela satisfativa serve para prestar: 
a) tutela contra o ilícito: 
a.1 - visando a inibir a sua prática, reiteração ou continuação (tutela inibitória); 
a.2 - visando a remoção da sua causa ou de seus efeitos (tutela de remoção do ilícito) 
 
116 A tutela de direitos pode ser prestada pelo legislador (com a criação da própria norma de direito material – CDC, ou 
processual - CPC, por exemplo), pelo administrador ou mesmo pelo juiz. Assim, a tutela jurisdicional é espécie da tutela 
de direitos. Há tutela de direito, no âmbito jurisdicional, quando a sentença e a decisão interlocutória reconhecem o 
direito material. Há tutela jurisdicional, ao revés, tanto na sentença de procedência (que presta tutela de direito) quanto 
de improcedência. A decisão interlocutória e a sentença, por fim, constituem apenas técnicas para a prestação da tutela 
do direito. Em suma, a tutela jurisdicional há sempre, mas tutela do direito apenas no caso em que a técnica processual 
reconhecer o direito, isto é, quando a sentença for de procedência. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 121
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
b) tutela contra o dano: 
b.1 – visando à sua reparação (tutela reparatória ou, segundo alguns, ressarcitória específica) 
b.2 – objetivando o ressarcimento pela sua ocorrência (tutela ressarcitória ou, segundo alguns, 
ressarcitória em dinheiro). 
2) Cautelar: Há tutela cautelar quando a tutela jurisdicional destina-se simplesmente a 
assegurar o provimento útil da demanda, a satisfação eventual e futura do direito da parte. 
Enquanto a tutela satisfativa pode proporcionar tanto uma tutela contra o ilícito (preventiva ou 
repressiva) como uma tutela contra o dano (repressiva), a tutela cautelar é sempre uma tutela contra 
o dano. 
A tutela cautelar apenas assegura para o caso de, ocorrendo o fato danoso, ser possível eventual e 
futuramente a realização do direito – a cautelar, embora possa ser concedida anteriormente ao dano, 
tem a sua atuabilidade condicionada à sua ocorrência. 
Confira a seguinte esquematização: 
 
Vamos comentar o quadro acima! 
a) Diferença entre tutela inibitória e tutela de remoção do ilícito 
Marinoni diferencia tutela inibitória e tutela de remoção do ilícito. 
Parênteses: Sabe-se que a inibitória visa a inibir a prática, reiteração ou continuação do ilícito. Mas, 
para diferenciar da remoção do ilícito, ele pega apenas a subespécie da tutela inibitória (que objetiva 
inibir a continuação do ilícito). 
 Tutela Satisfativa 
 contra o ilícito 
 
tutela inibitória 
(preventiva) 
 
tutela de 
remoção do 
ilícito (repressiva) 
 contra o dano 
 
tutela reparatória 
(repressiva) 
 
tutela 
ressarcitória 
(repressiva) 
 Tutela Cautelar 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 122
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Voltando... 
Para ele, existe uma diferença entre a prática continuada do ilícito (cujo remédio é a tutela inibitória) 
e os efeitos continuados do ato ilícito (cujo remédio é a tutela de remoção do ilícito). 
Na prática continuada do ato, é possível pleitear tutela inibitória, que impeça a sua continuação. 
Percebe-se que são irrelevantes a culpa ou o dano; apenas se discute a possível ocorrência do ilícito. 
. Por exemplo, se a empresa lança poluentes diariamente por sua chaminé, está todos os dias 
praticando um ilícito continuado, contra o qual é cabível a tutela inibitória, que visa a impedir a 
continuação da prática daquele ato. Ainda, sobre a prescrição para a tutela inibitória, esta começaria 
a contar da data da interrupção do lançamento de poluentes. Se o ilícito, porém, renova-se dia após 
dia, não haverá prazo prescricional e a inibitória (cessação do ilícito dali em diante) poderá ser 
pleiteada. Quanto à tutela reparatória, porém, o prazo prescricional conta-se a partir de cada 
ilícito117. 
 
Doutro lado, é possível que o ilícito faça parte do passado, não mais existindo a sua prática 
continuada, mas os efeitos continuam a ser gerados. 
Aqui, não há continuação a ser evitada (cujo remédio seria tutela inibitória). Também é irrelevante a 
discussão sobre a ocorrência de culpa ou dano. 
Ex1: pede-se pra buscar e destruir 1000 cd´s pirateados. Aqui, a única coisa que se discute é o ilícito 
(pirataria), e não a culpa ou o dano. Nesse caso, seria tutela de remoção do ilícito. 
Ex2 dado por Daniel Assumpção: empresa que lança uma vez lixo tóxico no rio e aquilo repercute por 
meses e anos. Há que se pleitear uma tutela de remoção do ilícito, para retirar o produto tóxico do 
rio. Se a empresa lança poluentes diariamente por sua chaminé, a tutela a ser pleiteada é inibitória, 
que visa a impedir a continuação da prática daquele ato. 
b) Diferença entre tutela contra o dano: reparatória ou ressarcitória 
Percebam que, no esquema, a tutela contra o dano bifurca-se em reparatória e ressarcitória. 
Tutela reparatória (ou, segundo alguns, tutela ressarcitória específica): é a tutela prestada tendo por 
finalidade reparar o bem in natura. Ex: reflorestamento; ex2: direito de resposta. 
 
117 No caso de ato ilícito continuado, a prescrição não afeta as ocorrências posteriores ao marco 
temporal prescricional para a tutela reparatória e inibitória, abrangendo apenas o período 
anterior. STJ, AgInt no AREsp 2.107.167-SP, Rel. Min. Noronha, Rel. p/ ac. Min. Raul Araújo d.j. 
7/3/23, ed. Extraordinária n. 12. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 123
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Tutela ressarcitória (ou, segundo alguns, tutela ressarcitória em dinheiro): É a tutela consistente no 
reparação do dano por quantia, por em dinheiro. 
Obs1: Tanto na 1ª quanto na 2ª, há o dano. Além disso, a exigência ou não da culpa vai depender se 
a responsabilidade for subjetiva (exige a culpa) ou objetiva (não exige a culpa). 
c) Exigência ou não do dano para as tutelas 
O aluno pode perguntar: Professor, não estou entendendo. Parece-me que nessas tutelas para 
remoção do ilícito há sim um dano. Naquele exemplo do lançamento do lixo tóxico no rio (tutela para 
remoção do ilícito) há claramente um dano ao meio ambiente. E você disse que ela é tutela contra o 
ilícito, mas não tutela contra o dano. 
Você está corretíssimo. 
Mas olhe bem. Não disse que não há dano. Ele pode ter existido. O que é desnecessário é a análise, 
a constatação da culpa ou do dano para se deferir uma tutela contra o ilícito (seja inibitória, seja de 
remoção do ato ilícito). Para que a tutela seja deferida, o juiz deve constatar apenas a existência ou 
não do ilícito (contrariedade à norma). 
 
Durante muito tempo, exigiu-se, para concessão da tutela inibitória, a comprovação de algum dano, 
pois, como sabemos, a tutela contra o dano (reparatória ou ressarcitória) era a mais valorizada. O 
art. 186, CC contribui para tal cenário, porquanto conceitua o ato ilícito exigindo o preenchimento 
de três requisitos,quais sejam, contrariedade ao direito, dolo ou culpa e dano. 
Mas, na verdade, como afirma Daniel Assumpção, o art. 186, CC descreve os elementos necessários 
para se obter tutela reparatória ou ressarcitória, mas não conceitua ato ilícito. 
Assim, tem-se que as tutelas reparatória e ressarcitória buscam a contrariedade ao direito E o dano, 
ao passo que a tutela inibitória e a tutela contra a remoção do ilícito buscam apenas a 
contrariedade ao direito, sendo irrelevante dolo ou culpa, bem como o dano. 
Nesse sentido, afirma Assumpção, deve ser comemorado o art. 497, parágrafo único, CPC, ao prever 
que, para a concessão da tutela específica, que serve para inibir a prática, reiteração, continuação de 
um ilícito, ou a remoção, é irrelevante a demonstração da ocorrência de dano ou da existência de 
culpa ou dolo. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 124
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Art. 497. Na ação que tenha por objeto a prestação de fazer ou de não fazer, o juiz, se 
procedente o pedido, concederá a tutela específica ou determinará providências que 
assegurem a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente. 
Parágrafo único. Para a concessão da tutela específica destinada a inibir a prática, a 
reiteração ou a continuação de um ilícito, ou a sua remoção, é irrelevante a 
demonstração da ocorrência de dano ou da existência de culpa ou dolo. 
É importante reiterar que, de ambas, a tutela ressarcitória era a mais valorizada e utilizada ao longo 
dos tempos. 
Entretanto, a tutela contra o ilícito (inibitória e remoção do ilícito) surgem historicamente para 
tutelar direitos materiais que não encontravam na tutela ressarcitória uma proteção plena, a 
exemplo de direitos da integridade física, personalidade, saúde, meio ambiente, patrimônio 
histórico, entre outros. 
Assim, foram surgindo previsões pontuais, a exemplo do mandado de segurança preventivo, interdito 
proibitório, ação cominatória etc. Posteriormente, passaram a ser previstas tutelas inibitórias gerais, 
tais como o art. 84 e o art. 497, CPC. 
Um outro estágio foi a noção de que, mesmo naqueles casos em que a tutela reparatória é possível 
e eficaz, pode ser preferível a tutela inibitória. É o adágio: melhor prevenir que remediar. 
d) Momento em que se pede a tutela em relação à ocorrência do ilícito (ou, segundo Assumpção, 
quanto à natureza jurídica do resultado) 
Vejam no esquema que aproveitei os quadros para inserir uma outra classificação elaborada pela 
doutrina, cujo critério é a natureza jurídica do resultado 
Tutela preventiva (inibitória): volta-se ao futuro, visando evitar a prática de ato ilícito no futuro. 
Tal pleito pode se dividir em três formas: 
i- evitar a prática originária do ato ilícito, isto é, impedir em absoluto a ocorrência de tal ato, hipótese 
na qual a tutela preventiva será conhecida como tutela inibitória pura; 
ii- impedir a continuação do ato ilícito dali em diante, na hipótese de ato ilícito continuado; 
iii- impedir a repetição de prática de ato ilícito. 
Tutela repressiva: volta-se ao passado. Temos a) tutela de remoção do ilícito; b) tutela reparatória; 
c) tutela ressarcitória. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 125
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Hipótese 1: Havendo ameaça, não preciso esperar consolidação ou a prática do ato ilícito, posso sim 
buscar tutela condenando a não fazer (é tutela preventiva inibitória). 
Hipótese 2: Havendo ato ilícito cometido, cujos efeitos ainda repercutem atualmente, pode-se 
manejar a tutela de remoção do ilícito (repressiva). 
Hipótese 3: Havendo lesão a direito, poderá ser concedida tutela reintegratória, com o desiderato de 
reintegrar o direito do autor in natura (tutela repressiva reparatória). 
Hipótese 4: Se as vezes não há mais o que fazer, não tem como volver ao status quo, reparar o dano, 
compensá-lo, busca-se a tutela é ressarcitória (tutela repressiva ressarcitória ou ressarcitória 
específica). 
 
MPE-MT (Promotor): Assinale a alternativa correta: 
a) A tutela inibitória em nada se distingue da tutela cautelar. 
b) A tutela reparatória equivale sempre à tutela pelo seu equivalente monetário. 
c) Tutela específica é sinônimo de tutela inibitória. 
d) A tutela de remoção do ilícito constitui tutela repressiva do ilícito. 
e) a tutela inibitória constitui tutela repressiva do ilícito. 
Comentários: A alternativa A está incorreta. A tutela inibitória visa a a inibir a sua prática, 
reiteração ou continuação do ilícito, ao passo que a tutela cautelar destina-se simplesmente a 
assegurar o provimento útil da demanda, a satisfação eventual e futura do direito da parte. 
A alternativa B está incorreta. A tutela contra o dano pode ser uma tutela específica 
(correspondendo à obrigação in natura) ou pode ser pelo equivalente em dinheiro (quando não 
há como cumprir a obrigação de fazer, não fazer, dar coisa diversa de dinheiro). 
A alternativa C está incorreta. Já explicamos as duas tutelas acima. 
A alternativa D está correta. Conforme organograma do nosso pdf., a tutela de remoção do 
ilícito é uma tutela repressiva, pois ocorre após o ilícito ter ocorrido. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 126
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
A alternativa E está incorreta. As tutelas contra o ilícito se dividem em tutela inibitória e tutela 
de remoção do ilícito. 
É possível ter todas elas ao mesmo tempo. 
Ex1: inclusão indevida do nome de pessoa no SERASA118: 
▪ tutela inibitória: não colocar o nome novamente; 
▪ tutela de remoção do ilícito: retirar o nome; 
▪ tutela ressarcitória: indenização (que no caso é tutela em dinheiro); 
Ex.2: violação aos direitos da personalidade119 (art. 12): 
▪ tutela inibitória: cessar a ameaça de lesão; 
▪ tutela de remoção do ilícito: cessar a lesão; 
▪ tutela ressarcitória: perdas e danos (que no caso é tutela em dinheiro); 
Importante: os arts. 497 a 501 do NCPC (antigos 461 e 461-A) consagram qualquer modalidade de 
tutela específica (tutela inibitória, tutela de remoção do ilícito e tutela ressarcitória), e não apenas a 
tutela inibitória, como dizem alguns autores. 
 
2) Espécies de Crise Jurídica 
 
118 A notificação do consumidor acerca da inscrição em cadastro restritivo de crédito exige o prévio envio de 
correspondência ao seu endereço, sendo vedada a notificação exclusiva por e-mail ou mensagem de texto de celular 
(SMS). (...) Embora a súmula 404 do STJ dispense a carta com AR, não se deixa de exigir que a notificação do § 2º do art. 
43 do CDC seja realizada mediante envio de correspondência ao endereço do devedor. STJ, 3ª T, REsp 2.056.285-RS, Rel. 
Min. Nancy, d.j. 25/4/23, info 773. 
119 Nesse tópico, atentem-se ao julgamento da ADI 4815 (biografias), julgada pelo STF em 2015. A conclusão é que não 
é necessária autorização prévia para publicação, pois seria censura. Caso qualquer pessoa se sinta ofendida, pode buscar 
a reparação pecuniária (ex: indenização por danos morais), direito de resposta, nova edição com correção etc. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 127
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Uma das classificações mais famosas associa a tutela à espécie de crise jurídica que o demandante 
busca solucionar. 
1) Tutela de conhecimento: objetiva solucionar três tipos de crises (certeza; situação jurídica; 
inadimplemento). 
i- A tutela declaratória resolve a crise de certeza. A decisão resolverá a incerteza que existia a 
respeito de uma relação jurídica ou, excepcionalmente, do fato (ex: autenticidade ou falsidade de 
document – art. 19, II, CPC). Exemplos: demanda de investigação de paternidade; usucapição. 
ii- A tutela constitutiva, ao criar,extinguir ou modificar uma relação jurídica, cria nova situação 
jurídica, resolvendo a crise de situação jurídica. Exemplos: demanda de divórcio, revisão contratual. 
iii- A tutela condenatória soluciona a crise de inadimplemento ao imputar ao demandado o 
cumprimento de uma prestação. Exemplos: busca de condenação do réu ao cumprimento do 
contrato, seja qual for a espécie de obrigação (fazer, não fazer, dar coisa diversa de dinheiro, pagar); 
busca da reparação pela responsabilidade civil decorrente de um ato ilícito. 
Tal classificação está associada à teoria ternária das sentenças (sentença declaratória, constitutiva 
ou condenatória), não reconhecendo as espécies mandamental e executiva lato sensu, estas duas 
últimas espécies propostas por Pontes de Miranda120. 
Iremos tratar disso em aula apropriada, mas, para adiantar, se essas duas (mandamental e executiva 
lato sensu) fossem encaixadas nessa subdivisão, ficariam dentro das tutelas condenatórias, que 
visam aplacar a crise de inadimplemento. 
 
120 Segundo Pontes de Miranda, a sentença é dotada de cargas, seja declaratória, constitutiva ou condenatória, não 
havendo sentença pura. Assim, quando se fala que uma sentença é declaratória, é porque a carga declaratória é maior 
que as outras cargas, não significando que as cargas mandamental ou condenatória não existam. Ex: para condenar 
alguém a pagar certa quantia, é preciso antes declarar que a obrigação existe. Nesse caso, a carga condenatória é maior 
que a declaratória. Não bastasse, Pontes de Miranda conferia números a essas cargas, dizendo que todas as cargas, 
somadas, tinha de dar o número 15. Daí advém a teoria do constante 15, já perguntada em minha prova oral do TRF4. 
Como criação própria, o jurista também afirmava que, nas obrigações de dar, fazer e não fazer, mais que uma 
condenação, declaração ou constituição, o juiz possa afirmar tutela mandamental ou executiva lato sensu (teoria 
quinaria). Mandamental é ordem acompanhada de medidas coercitivas para forçar o réu a cumprir a determinação do 
juiz (ex: fixação de astreintes). Executivas lato sensu são medidas que o próprio estado juiz se substitui ao réu no 
cumprimento da obrigação, na chamada subrogação (ex: mandado de busca e apreensão, mandado demolitório). 
 
 
 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 128
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
2) A seu turno, a tutela executiva busca resolver crise de satisfação, partindo de um pressuposto que 
já existe um direito reconhecido (judicial ou extrajudicialmente), mas o executado se nega a cumprir. 
Para a obtenção da tutela executiva, há dois caminhos: processo autônomo ou fase procedimental 
(nas demandas sincréticas, é chamada de fase de cumprimento de sentença). 
Vamos explicar um pouco mais? 
i- Tutela executiva concedida em processo autônomo de execução: a satisfação do direito 
ocorre em um processo autônomo, cujo fim é unicamente a concessão da tutela executiva, uma vez 
que o direito já está consolidado em outra via. Essa tutela é concedida na execução fundada em título 
executivo extrajudicial (art. 784, CPC), execução de sentença criminal condenatória, execução de 
sentença arbitral e execução de sentença estrangeira homologada pelo STJ. 
ii- Tutela executiva concedida em processo sincrético: o direito é satisfeito na segunda fase do 
mesmo processo. O processo sincrético possibilita a obtenção de mais de uma tutela jurisdicional no 
bojo de um mesmo processo, ou seja, primeiro se concede a tutela cognitiva e posteriormente, no 
mesmo processo, a tutela executiva. Essa espécie de tutela executiva refere-se aos demais títulos 
executivos judiciais (art. 515, CPC). 
Atenção: Com o advento no NCPC, as execuções contra a Fazenda Pública, antes feitas por meio de 
processo autônomo (art. 730 do CPC/73) decorrentes de títulos judiciais dão-se por meio do 
“cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública” (arts. 534 e 535 do NCPC). Tal fato torna mais 
simples o procedimento, pois não precisa mais instaurar um novo processo, citar a Fazenda Pública 
etc. 
Embora a efetivação da tutela provisória (arts. 294ss, CPC) concedida em interlocutória não possa 
ser chamada de cumprimento de sentença, àquela aplicam-se as regras do cumprimento de sentença 
(art. 297, parágrafo único, CPC). 
3) Tutela cautelar resolve uma crise de perigo, dispensando-se atualmente a existência de um 
processo cautelar autônomo121. 
No CPC/15, embora tenham subsistido alguns procedimentos autônomos, de que é exemplo a 
produção antecipada de provas (art. 381ss, CPC), não mais existe um livro autônomo de tutela 
cautelar, devendo ela ser requerida em caráter antecedente ou incidente (art. 300 a 302 e 305 a 310, 
todos do CPC). 
Nessa linha, frisa-se que, em passado recente, havia um processo autônomo para cada uma das três 
tutelas (cognitiva, cautelar e executiva). Com o sincretismo processual, passa-se a permitir que todas 
 
121 Existe agora a possibilidade de processo cautelar autônomo antecedente, consoante arts. 305ss. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 129
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
elas sejam objeto de um mesmo processo. Mesmo havendo essa possibilidade, a classificação se 
mantém. 
3) Coincidência de resultado com a satisfação voluntária 
a) tutela específica: coincide exatamente com o que foi pedido. Por exemplo, pede-se que o réu 
cumpra o contrato e entregue o veículo. Se o Estado sequestrar o bem e entregar ao autor, haverá 
tutela específica. O resultado é o mesmo que ocorreria se o contrato fosse cumprido no plano do 
direito material, sem necessitar do Judiciário. 
b) tutela pelo resultado prático equivalente: não sendo possível a tutela específica, o juiz determina 
providências que assegurem o resultado prático equivalente. Embora não proporcione o 
adimplemento conforme requerido na inicial, faz algo próximo. Por exemplo, não podendo a parte 
cumprir uma obrigação de fazer fungível, o juiz determina que o réu contrate alguém para cumprir a 
obrigação de fazer. 
A respeito do resultado prático equivalente, formaram-se duas correntes: 
1ª corrente: o juiz pode alterar apenas medidas de apoio para o cumprimento da tutela específica. 
Por exemplo, o réu não cumpriu a obrigação de entregar a mercadoria, o juiz pode determinar 
medidas de apoio (busca e apreensão, astreintes etc.) para que haja satisfação. O magistrado não 
pode, portanto, modificar o bem da vida (pedido mediato) pleiteado pela parte, pois seria uma 
ofensa ao princípio da congruência ou adstrição (arts. 141 e 492), já que concederia algo que não foi 
pedido, prolatando decisão extra petita. 
2ª corrente (majoritária): o resultado prático equivalente é exceção ao princípio da congruência. 
Nesses casos, o juiz está autorizado a conceder pedido mediato diverso que alcance o mesmo 
objetivo. Por exemplo, o MP pede, em ACP, para a empresa reduzir a produção a fim de que lance 
30% menos de poluentes no ar. O juiz determina a instalação de filtro que gerará a mesma redução 
de 30%. 
FUNDEP/MPMG – Promotor /2021 - a) Nas tutelas de obrigação de fazer e não fazer, o princípio 
da congruência é excepcionado. A alternativa A está correta. 
c) tutela pelo equivalente em dinheiro: quando não for possível a tutela específica e a tutela pelo 
resultado prático equivalente, transforma-se a obrigação em perdas e danos. 
Aprofundando o tema, pode-se dizer que a tutela inibitória é sempre específica, pois, ao evitar a 
prática do ato ilícito, obtém-se uma situação equivalente a que seria gerada pelo cumprimento 
voluntário. 
A tutela contra o dano, por sua vez, pode ser prestada de forma específica (reparação in natura) ou 
pelo equivalente em dinheiro (ressarcitória), dependendo do caso concreto. Nesses casos, a 
específica é preferível à tutela pelo equivalente em dinheiro. 
Estratégia CarreiraJurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 130
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Na obrigação de dar dinheiro (pagar quantia), a tutela específica é a mais óbvia, isto é, o devedor 
entrega ao credor dinheiro. Mas há exceção, p. ex., quando o credor fica com a coisa penhorada. 
Neste caso, tem-se uma tutela pelo resultado prático equivalente. 
Ainda, se houver obrigação inadimplida de fazer, não fazer e dar coisa diversa de dinheiro, é possível 
ser prestada tutela específica (quando o inadimplemento for relativo, isto é, ainda houver 
possibilidade de cumprimento) ou tutela pelo equivalente em dinheiro (quando o inadimplemento 
for absoluto). Se a obrigação de dar coisa disser respeito à coisa fungível, a entrega de qualquer bem 
da mesma condição (mesmo gênero e qualidade) gera tutela específica. 
Importante mencionar que, antigamente, o direito brasileiro não autorizava tutela específica nas 
obrigações de fazer, não fazer e dar coisa diversa de dinheiro. Descumpridas as obrigações, o credor 
deveria se contentar com a quantia a elas equivalente. As premissas eram que “tudo se converte em 
dinheiro, com o que o credor não teria prejuízo”; “ninguém pode ser obrigado, coagido a fazer o que 
não quer fazer”, modelo claramente importado do Direito Francês, cujo Código Civil previa: 
Art. 1.142. Toda obrigação de fazer e não fazer resolve-se em perdas e danos e juros, em 
caso de descumprimento pelo devedor. 
Aos poucos, porém, foram surgindo hipóteses de tutela específicas importantes: 
Em 1937, o Decreto-lei 58 previu o compromisso irretratável de compra e venda, uma tutela 
específica de obrigação de fazer, isto é, de declarar a vontade. O Estado-Juiz substituía a vontade do 
vendedor que não passava a escritura, falando-se, nesse caso, em adjudicação compulsória. 
Em 1990, o art. 84 do CDC afirmou que a primazia era da tutela específica, só não sendo adotada se 
o credor não quiser ou se não for mais possível a prestação; 
Em 1994, o legislador modificou o art. 461, CPC/73, dando-lhe o teor do art. 84 do CDC, quanto às 
obrigações de fazer e de não-fazer. 
Em 2002, o legislador cria o art. 461-A, que diz respeito a tutela específica das obrigações de dar coisa 
distinta de dinheiro. 
No CPC/2015, os artigos 497 a 501, 536 e 537 do CPC/15 prevêem a tutela específica relativas a 
prestações de fazer, não fazer e entregar coisa. 
4) Espécies de técnicas procedimentais 
Tutela comum: é a prestada pelo procedimento comum que serve como o procedimento padrão. 
Tutela diferenciada: adota-se procedimento e técnicas procedimentais diferenciadas para que 
satisfazer o direito material. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 131
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Formas de concretização da tutela diferenciada 
Ex1: a técnica de procedimentos especiais é a adoção de tutelas diferenciadas em decorrência das 
particularidades do direito material em jogo. Por exemplo, cita-se os procedimentos de consignação 
em pagamento, prestação de contas, inventário, possessórias. 
Ex2: tutela diferenciada criada para contrapor à morosidade e complexidade do procedimento 
comum, a exemplo do procedimento monitório, mandado de segurança. 
Ex3: várias vezes não são criados novos procedimentos, mas adotadas técnicas procedimentais no 
procedimento comum que descartam fases procedimentais desnecessárias, a exemplo da presunção 
de veracidade dos fatos alegados em caso de revelia; julgamento antecipado do mérito, 
admissibilidade da apela 
Ex4: sempre que o procedimento comum colocar em perigo a eficácia da tutela, coloca-se à 
disposição da parte uma tutela provisória de urgência ampla e genérica (art. 300, CPC). 
Ex5: concede-se maior liberdade para que o juiz possa realizar algumas adaptações no caso concreto 
para dar efetividade ao direito material. 
Nesse ponto, vale fazer um adendo. 
No projeto do NCPC, o art. 151, §1º previa que, quando o procedimento ou atos previstos em lei se 
mostrassem no caso concreto, inadequados, o juiz teria o poder de determinar os necessários 
reajustes, respeitando os princípios do contraditório e da ampla defesa. Além disso, o art. 107, V 
admitia ao juiz a adequação das fases e atos processuais às especificações do conflito, de modo a 
conferir maior efetividade à tutela do bem jurídico, respeitando sempre o contraditório e a ampla 
defesa. 
Defendida por uns, acreditava-se que esse poder de adequação (derivado daquele dever de 
cooperação do art. 6º, CPC, lembram?) seria profícuo para a tutela efetiva dos direitos materiais. 
No entanto, uma outra corrente criticava muito essas redações, sob o argumento da insegurança 
jurídica e possível arbitrariedade que isso poderia gerar. 
Vencida a 2ª corrente, foram eliminadas essas redações, restando os artigo 139, VI, 497, 498 e 139, 
IV, todos do CPC. 
O art. 139, VI reduziu esse poder de adequação do juiz, permitindo apenas a dilaçao de prazos 
processuais e alterar a ordem de producao dos meios de prova, adequando-os às necessidades do 
conflito, de modo a conferir maior efetividade à tutela do bem jurídico. 
Mesmo com essa restrição do art. 139, VI, o enunciado 35 da ENFAM dispõe: 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 132
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Além das situações em que a flexibilização do procedimento é autorizada pelo art. 139, 
VI, do CPC/2015, pode o juiz, de ofício, preservada a previsibilidade do rito, adaptá-lo às 
especificidades da causa, observadas as garantias fundamentais do processo. 
O artigo 497 e 498 tratam da execucao de decisão judicial (provisória ou definitiva) que tenha como 
objeto a condenação de um fazer, não fazer ou entregar coisa. Nesses dispositivos, não há um 
prcedimento executivo, podendo o juiz se utilizar de medidas executivas de sub-rogação ou execução 
indireta para satisfazer o direito do exequente. 
Ex6: o art. 190, CPC permite que as partes, desde que capazes e versando o processo sobre direitos 
que admiteam a autocomposição, convencionarem sobre os seus ônus, poderes, faculdades e 
deveres processuais. 
5) Cognição vertical (profundidade)122 
A cognição pode ser analisada em duas direções: no sentido horizontal, quando a cognição pode ser 
plena ou parcial; e no sentido vertical, em que a cognição pode ser exauriente, sumária e superficial. 
No plano horizontal (extensão ou amplitude), a cognição tem por limite os elementos objetivos do 
processo (trinômio: questões processuais, condições da ação e mérito). Nesse plano, como ensina 
Kazuo Watanabe, a cognição pode: 
a) ser plena 🡪 será plena quando todos os elementos do trinômio que constitui o objeto da cognição 
estiverem submetidos à atividade cognitiva do juiz. Não há limitação do que o juiz possa conhecer. 
Ex1: no procedimento comum, não há restrição de matérias que podem ser ou não apreciadas pelo 
magistrado. 
 b) Limitada 🡪 ocorre quando há alguma limitação ao espectro de abrangência da cognição, ou seja, 
quando algum dos elementos do trinômio for eliminado da atividade cognitiva do juiz. O 
procedimento limita o que o juiz pode ou não apreciar. 
Ex1: no procedimento de desapropriação por necessidade ou utilidade pública, regido pelo Decreto-
lei n. 3.365, o juiz só poderá analisar duas coisas: vícios do processo ou preço. Veja o art. 20 desse 
diploma, “a contestação só poderá versar sobre vício do processo judicial ou impugnação do preço; 
qualquer outra questão deverá ser decidida por ação direta”. Nesse passo, o STJ123 já decidiu que há 
 
122 PEÑA, Eduardo Chemale Selistre. Cognição no processo civil - conceituação. Revista Páginas de Direito, Porto Alegre, 
ano 4, nº 160, 17 de maio de 2004. Disponível em: . Acessoem 20/01/2021. 
123 STJ, 1ª T, Rel. Min. Gurgel de Faria, d.j. 10/05/22, info 738. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 133
http://www.tex.pro.br/home/artigos/113-artigos-mai-2004/4595-cognicao-no-processo-civil-conceituacao
http://www.tex.pro.br/home/artigos/113-artigos-mai-2004/4595-cognicao-no-processo-civil-conceituacao
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
violação aos limites das matérias que podem ser discutidas em ação de desapropriação direta quando 
se admite o debate - e até mesmo indenização - de área diferente da verdadeiramente expropriada, 
ainda que vizinha. 
Ex2: nos procedimentos especiais possessórios, não se pode conhecer de questão referente 
ao domínio formulada em defesa pelo réu (art. 1.210, § 2º, do Código Civil e art. 557, NCPC). 
No plano vertical, a cognição pode ser classificada, segundo o grau de sua profundidade, em: 
a) exauriente (completa) 🡪 ocorre quando ao juiz só é lícito emitir seu provimento baseado num juízo 
de certeza. É o que normalmente acontece no processo de conhecimento. 
b) sumária (incompleta) 🡪 quando o provimento jurisdicional deve ser prolatado com base num juízo 
de probabilidade, assim como ocorre ao se examinar um pedido de antecipação de tutela. 
Após esses conceitos prévios, a doutrina diferencia as tutelas com base na cognição vertical. 
1) Tutela provisória: gerada pela cognição sumária – juízo de probabilidade. Ocorre em decisões 
interlocutórias e até finais, desde que fundadas em mero juízo de probabilidade, em decorrência da 
cognição sumária desenvolvida pelo juiz. 
2) Tutela definitiva: gerada pela cognição exauriente – juízo de certeza. Há tutela definitiva na 
prolação de sentença, de acórdãos e decisões monocráticas que substituem os acórdãos nos 
tribunais. 
Veja que a circunstância de a decisão ser passível de recurso não retira a definitividade, pois o critério 
aqui é o grau vertical de cognição. 
CESPE/TJPR – Juiz/19 - No que concerne às regras estabelecidas para a tutela provisória, o CPC 
determina que a concessão, pelo magistrado, da tutela de evidência: b) Será realizada na forma 
da decisão interlocutória de mérito e produzirá coisa julgada material caso não seja impugnada 
pelo réu. 
A alternativa B está incorreta. Tutela provisória (cognição sumária) não enseja coisa julgada 
material. O art. 296 ressalta a característica da precariedade. Art. 296. A tutela 
provisória conserva sua eficácia na pendência do processo, mas pode, a qualquer tempo, ser 
revogada ou modificada. 
Lembrem-se que o NCPC, de forma inovadora, previu a estabilização da tutela provisória de 
urgência antecipada concedida antecipadamente. Contudo, tal instituto não é similar à coisa 
julgada material (art. 304, §6º). 
6) Tutela individual e coletiva 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 134
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
O critério relevante, agora, é a natureza do direito material. 
A tutela individual é voltada à proteção de direitos materiais individuais, ao passo que a tutela 
coletiva é voltada, em regra, para a proteção de direitos transindividuais, isto é, titularizados por 
grupos, classes, categorias mais ou menos extensas de pessoas, por vezes indetermináveis e, e alguns 
casos (especificamente, nos interesses difusos e coletivos em sentido estrito), não serem passíveis de 
apropriação e disposição individual, dada a sua indivisibilidade124. 
Não é a presença de várias pessoas no processo que denuncia sua natureza coletiva (isso definiria 
litisconsórcio), mas sim a natureza do direito invocado: se difuso, se coletivo, se individual 
homogêneo ou se simplesmente individual. 
Em relação aos direitos individuais homogêneos, há uma peculiaridade, porquanto são direitos 
individuais, mas abordados na tutela coletiva por opção legislativa, sendo designados por Barbosa 
Moreira de direitos acidentalmente coletivos. 
Nesse ponto, é importante apontar o veto ao art. 333, CPC, que permitia a conversão da tutela 
individual em ação coletiva, com o seguinte argumento: 
Nesse ponto, é importante apontar o veto ao art. 333, CPC, que permitia a conversão da tutela 
individual em ação coletiva. 
Art. 333. Atendidos os pressupostos da relevância social e da dificuldade de formação do 
litisconsórcio, o juiz, a requerimento do Ministério Público ou da Defensoria Pública, 
ouvido o autor, poderá converter em coletiva a ação individual que veicule pedido que: 
I - tenha alcance coletivo, em razão da tutela de bem jurídico difuso ou coletivo, assim 
entendidos aqueles definidos pelo art. 81, parágrafo único, incisos I e II, da Lei no 8.078, 
de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor), e cuja ofensa afete, a um 
só tempo, as esferas jurídicas do indivíduo e da coletividade; 
II - tenha por objetivo a solução de conflito de interesse relativo a uma mesma relação 
jurídica plurilateral, cuja solução, por sua natureza ou por disposição de lei, deva ser 
necessariamente uniforme, assegurando-se tratamento isonômico para todos os 
membros do grupo. 
 
124 MASSON, Cleber; ANDRADE; Adriano; ANDRADE, Landolfo. Interesses difusos e coletivos esquematizado. 5ª edição, 
São Paulo: Método, 2015, p. 18. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 135
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
§ 1o Além do Ministério Público e da Defensoria Pública, podem requerer a conversão os 
legitimados referidos no art. 5o da Lei no 7.347, de 24 de julho de 1985, e no art. 82 da 
Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor). 
§ 2o A conversão não pode implicar a formação de processo coletivo para a tutela de 
direitos individuais homogêneos. 
§ 3o Não se admite a conversão, ainda, se: 
I - já iniciada, no processo individual, a audiência de instrução e julgamento; ou 
II - houver processo coletivo pendente com o mesmo objeto; ou 
III - o juízo não tiver competência para o processo coletivo que seria formado. 
§ 4o Determinada a conversão, o juiz intimará o autor do requerimento para que, no 
prazo fixado, adite ou emende a petição inicial, para adaptá-la à tutela coletiva. 
§ 5o Havendo aditamento ou emenda da petição inicial, o juiz determinará a intimação 
do réu para, querendo, manifestar-se no prazo de 15 (quinze) dias. 
§ 6o O autor originário da ação individual atuará na condição de litisconsorte unitário do 
legitimado para condução do processo coletivo. 
§ 7o O autor originário não é responsável por nenhuma despesa processual decorrente 
da conversão do processo individual em coletivo." 
§ 8o Após a conversão, observar-se-ão as regras do processo coletivo. 
§ 9o A conversão poderá ocorrer mesmo que o autor tenha cumulado pedido de natureza 
estritamente individual, hipótese em que o processamento desse pedido dar-se-á em 
autos apartados. 
§ 10. O Ministério Público deverá ser ouvido sobre o requerimento previsto no caput, 
salvo quando ele próprio o houver formulado." 
"Art. 1.015 (...) 
XII - conversão da ação individual em ação coletiva;" 
O argumento para o veto foi: 
Da forma como foi redigido, o dispositivo poderia levar à conversão de ação individual 
em ação coletiva de maneira pouco criteriosa, inclusive em detrimento do interesse das 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 136
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
partes. O tema exige disciplina própria para garantir a plena eficácia do instituto. Além 
disso, o novo Código já contempla mecanismos para tratar demandas repetitivas. No 
sentido do veto manifestouse também a Ordem dos Advogados do Brasil - OAB. 
Em aula pertinente iremos destacar as críticas doutrinárias. 
7) Tutela incidente e tutela antecedente 
A tutela de urgência pode ser concedidade forma incidental, quando já proposta a petição inicial, ou 
antecedente, na hipótese em que a urgência seja contemporânea à propositura da ação, e não 
houver tempo hábil à elaboração de peça de abertura e juntada de todos os documentos que 
porventura venham subsidiar a pretensão autoral (art. 303, CPC/15). 
Trataremos mais profundamente depois, mas já fica aqui o esquema de como ficou a tutela provisória 
esquematizada no NCPC: 
 
Finalizado o tema das tutelas, passemos a um dos últimos tópicos desta aula. 
LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL 
Trata-se de preocupação com a soberania brasileira, visando a demonstrar os limites de atuação do 
juiz brasileiro e os critérios de convivência deste com o estrangeiro. 
O princípio que rege o assunto é o da efetividade, devendo a justiça brasileira se considerar 
competente apenas quando sua decisão gere efeitos em território nacional ou em Estado estrangeiro 
que reconheça tal decisão, tornando sua atuação útil e eficaz. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 137
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Vera Jatahy125 elenca outros princípios que informam as limitações à jurisdição: 
a) plenitudo jurisdictionis: a prestação jurisdicional em seu território é pleno e ilimitado; 
b) exclusividade: os tribunais de cada país aplicarão somente as regras delimitadoras da jurisdição 
que integram sua ordem jurídica; 
c) imunidade de jurisdição: já vista; 
d) proibição de denegação de justiça: o Estado, inicialmente incompetente para apreciar a demanda, 
deve julgá-la quando ficar constatado que não poderá ser proposta em qualquer outro tribunal 
estrangeiro; 
e) autonomia da vontade: possibilidade de escolha da jurisdição, em caso de concorrência, inclusive 
com foro de eleição. Gerou o forum shopping e a doutrina do forum non conveniens. 
No CPC/15, os artigos 21 a 23 traçam os limites não da competência, mas sim da jurisdição brasileira. 
Nesse ponto, elogia-se o CPC/15, pois deixou de prever o assunto dentro do capítulo da competência 
e passou a versar em capítulo próprio “Dos Limites da Jurisdição Nacional”. 
Os casos de jurisdição concorrente e exclusiva se assemelham no sentido de permitir (ou exigir) a 
atuação dos juízes brasileiros. Nos de competência concorrente, o brasileiro atua, mas se o 
estrangeiro atuar, em tese, admite-se a homologação da decisão estrangeira no Brasil (arts. 21 e 22). 
Nos casos de competência exclusiva, pode o juiz estrangeiro atuar, mas a homologação não será 
possível (art. 23)126. 
As hipóteses de competência concorrente são: 
1) art. 21, CPC/15, idêntico ao antigo art. 88, CPC73: i) réu, brasileiro ou estrangeiro, domiciliado no 
Brasil; (não importa a matéria da lide); ii) obrigação a ser cumprida no Brasil; iii) ação se originar de 
fato ou ato ocorrido no Brasil. 
2) Apenas no art. 22 que o CPC/15 incluiu 3 novidades de atuação do juízo brasileiro no caso da 
competência concorrente: 
 
125 JATAHY, Vera. Do Conflito de Jurisdições. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 38. 
126 o que se veda é apenas o reconhecimento dos efeitos (qualquer um deles) da sentença estrangeira nas hipóteses 
enumeradas como de competência exclusiva. Assim, eventual submissão voluntária das partes, embora totalmente 
ineficaz para o direito brasileiro, não pode ser coibida. TIBURCIO, Carmen. Extensão e Limites da Jurisdição Brasileira...cit., 
p. 79ss. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 138
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
a) no caso dos alimentos, quando: i) o credor (é o autor) tiver domicílio ou residência no Brasil; ii) o 
réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento de renda ou 
obtenção de benefícios econômicos. Mesmo que o réu não seja domiciliado aqui etc. 
b) nas ações decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiver domicílio ou 
residência no Brasil. Por exemplo, segundo o STJ127, cabe à Justiça brasileira julgar a ação de rescisão 
contratual em que os autores pactuaram contrato de adesão de prestação de serviços hoteleiros - 
sendo os aderentes consumidores finais - com sociedade empresária domiciliada em território 
estrangeiro (Sol Meliá VC México S.A., que tem por objetivo o uso das instalações do Hotel Paradisus 
Cancun) e os autores domiciliados no Brasil. No caso, reputou-se correta declaração de nulidade da 
cláusula de eleição de foro internacional (já que os autores assinaram o contrato no México, com 
previsão da jurisdição daquele país), pois o art. 25, §2º, CPC c/c art. 6º, VIII e 51, I, ambos do CDC, 
permitem tal conduta. 
c) as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição nacional. Trata-se de cláusula de 
eleição de jurisdição. Nesse ponto, Assumpção128 aduz que a escolha das partes deve ser analisada à 
luz do princípio da efetividade, podendo o juízo nacional negar sua jurisdição quando notar que não 
terá condições de gerar efeitos em razão da soberania de outros países. Seria hipótese de falta de 
interesse de agir, pois a jurisdição no Brasil seria inútil. 
No art. 23, por sua vez, diz-se que será competente exclusivamente o juízo brasileiro nas: 
a) ações relativas a imóveis situados no Brasil129. 
b) inventário e partilha de bens (móvel ou imóvel) situados no Brasil, mesmo que estrangeiro o autor 
e que nunca tenha residido no Brasil. 
Na competência exclusiva, inova-se trazendo a hipótese de atuação do juiz brasileiro em divórcio, 
separação judicial ou dissolução de união estável, para proceder à partilha de bens situados no 
 
127 STJ, 3ª T, REsp 1.797.109-SP, Rel. Min. Villas Bôas Cueva, d.j. 21/3/23, info 769. 
 
128 NEVES, Daniel Assumpção. Op. Cit., pp. 235-237. 
129 Discute-se se apenas as demandas fundadas em direito real estão abrangidas, ou se as demandas de direito pessoal 
sobre imóveis também estariam dentro do inciso I do art. 23 do CPC. Pontes de Miranda, Hélio Tornaghi defendem que 
as demandas se restringem as relativas aos direitos reais (STF, RE 90.961/PR, 1979). Já Celso Barbi, Barbosa Moreira, 
Arruda Alvim, Wilson Batalha, Donaldo ARmelin, Fredie Didier Jr. entendem que pode envolver direito pessoal ou real 
sobre imóveis (STF, AgRg na SE 3.989, 1988). 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 139
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Brasil, ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território 
nacional. 
Atenção: não confundir regras de determinação da jurisdição etc. (regras de processo) com regras 
de direito material que vão resolver aquele problema. Neste último caso, há de se olhar para os 
elementos de conexão, conforme explicado no quadro abaixo. 
Uma coisa é saber qual juízo processará e julgará a demanda. Por exemplo, no caso do 
art. 23, CPC, será um juiz brasileiro que processará e julgará a demanda. Contudo, um 
juiz brasileiro poderá se valer de leis estrangeiras (ex: aplicar a lei da frança) para os 
casos de família. 
Como saber qual direito material ele aplicará para decidir o caso? 
Por meio do direito internacional, cujas normas brasileiras estão, em sua maioria, na 
LINDB. Por exemplo, Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do 
país em que domiciliado o defunto ou o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a 
situação dos bens. § 1º A sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será 
regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de 
quem os represente, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de 
cujus. (Redação dada pela Lei nº 9.047, de 18.5.1995) 
Veja que se a lei estrangeira for mais favorável ao cônjuge e filhos brasileiros, ela será 
aplicada por um juiz brasileiro. 
Atenção: A estrutura de aplicação do direito internacional privado é a seguinte:1º passo: verifico o objeto de conexão, isto é, do que estamos tratando. Por exemplo, 
é do estatuto pessoal (capacidade, nome, estado, etc – estatuto que rege a pessoa)? 
2º passo: elemento de conexão: o elemento de conexão é aquele a que, subordinado o 
objeto de conexão, me dá um consequente. Se o caso disser respeito ao estatuto pessoal, 
o art. 7º da LINDB (elemento de conexão) determina a consequência, qual seja, que a 
lei do domicílio regerá o estatuto pessoal. 
Art. 7o A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o 
fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família. 
3º passo: é a consequência propriamente dita. É a aplicação da lei do domicílio da pessoa 
para reger aquela situação. 
Atenção: No exemplo que eu dei da sucessão (art. 10, LINDB), o objeto de conexão é 
a sucessão; o elemento de conexão é a lei mais favorável. A consequência é: nos casos de 
sucessão, aplica-se a lei mais favorável. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 140
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Assim, o juízo é definido por normas processuais (brasileiro - art. 23, CPC), mas as 
normas de direito material que irão reger o caso poderão ser francesas, alemãs etc., a 
que for mais favorável. 
Da mesma forma em que se criou acordo para prorrogar a jurisdição brasileira (art. 22, III, CPC), criou-
se hipótese de derrogação da jurisdição nacional. 
Art. 25. Não compete à autoridade judiciária brasileira o processamento e o julgamento 
da ação quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em contrato 
internacional, arguida pelo réu na contestação. § 1º Não se aplica o disposto no caput às 
hipóteses de competência internacional exclusiva previstas neste Capítulo. § 2º 
Aplicam-se à hipótese do caput o art. 63, §§ 1º a 4º. (regulamentação da cláusula eletiva 
de foro, permitindo ao juiz declará-la abusiva antes da citação, remetendo os autos ao 
juízo competente). 
Com tais artigos, pode-se, ao menos, verificar se a justiça brasileira é competente para julgar a causa 
(arts. 21-23, CPC). Para constatar qual juízo é competente, por sua vez, há que se percorrer por mais 
6 etapas, que serão explicadas oportunamente. 
FCC/Procurador Legislativo do DF/2018 - Em relação à função jurisdicional, é correto afirmar: 
d) A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta a que a 
autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas, ressalvadas 
as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais em vigor no Brasil. 
e) Compete à autoridade judiciária brasileira, em qualquer hipótese, o processamento e o 
julgamento da ação quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em 
contrato internacional, por sua ineficácia. 
 D está correta. Art. 24. E está incorreta. Art. 25. Não compete à autoridade judiciária 
brasileira o processamento e o julgamento da ação quando houver cláusula de eleição de foro 
exclusivo estrangeiro em contrato internacional, arguida pelo réu na contestação. 
Com tais artigos, poderemos, ao menos, verificar se a justiça brasileira é competente para julgar a 
causa (arts. 21-23, CPC). 
Para constatar qual juízo é competente, há várias outras perguntas a se fazer. Falaremos disso na 
aula que vem. Adiantando, trago interessante o roteiro proposto por Nelson e Rosa Nery130: 
 
130 Código de Processo Civil Comentado; 8ª ed. São Paulo: Saraiva. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 141
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
a) verificar se a justiça brasileira é competente (arts. 21-23, CPC); 
b) se for, verificar se é o caso de competência originária de Tribunal ou órgão jurisdicional atípico 
(art. 52, I e II e art. 51, CRFB; Assembleia Legislativa do Estado para julgar Governador); 
c) não sendo o caso, verificar se é afeito à justiça especial (eleitoral, trabalhista ou militar) ou justiça 
comum; 
d) sendo competência da justiça comum, verificar se é da justiça federal (arts. 108-109, CRFB), pois, 
não sendo, será residualmente da estadual; 
e) sendo da justiça estadual, deve buscar o foro competente, segundo os critérios do CPC 
(competência absoluta, relativa; material; funcional; valor da causa e territorial); 
f) determinado o foro competente, verifica-se o juízo competente, de acordo com o sistema do CPC 
(prevenção, p. ex.) e das normas de organização judiciária. 
Deixemos os pormenores para os próximos capítulos! 
COOPERAÇÃO JURÍDICA INTERNACIONAL 
Cooperação Jurídica Internacional é o meio pelo qual os entes estatais se articulam para colaborar 
com a solução de demandas que correm em outros Estados131 a fim de manter suas relações 
internacionais, bem como garantir direitos humanos. 
Tenham em mente que a cooperação jurídica é um gênero, do qual são espécies a cooperação 
policial, judicial, aduaneira, etc. 
Por isso o acerto da nomenclatura cooperação jurídica e não jurisdicional, pois não envolve somente 
o poder judiciário. 
Quais são seus fundamentos? 
A Constituição é centro normativo de todo o complexo de normas. E ela determina o 
comprometimento do Brasil com a cooperação internacional (art. 4º). 
 
131 PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. 8ª ed., Salvador: Juspodivm, 2016, p. 
699. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 142
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Além dos princípios expostos no art. 4º, há diversos outros dispositivos que dão embasamento à 
cooperação. Quais são eles? 
i- Art. 102 para extradição; 
ii- Art. 105 para rogatória e homologação de sentença estrangeira; 
iii- Art. 109 para nacionalidade, para execução de sentenças homologadas pelo STJ e 
execução de rogatórias; 
iv- Art. 5º para proibição de extradição de crime político e de brasileiros natos, salvo os 
naturalizados naquelas condições. 
Adentrando nas classificações, a cooperação jurídica pode ser dividida da seguinte forma: 
1) Quanto à matéria 
Penal: é considerada uma ferramenta de combate ao crime transnacional, sendo um instrumento do 
direito internacional penal. 
Institutos no Processo Penal: Extradição (ativa e passiva); rogatórias (ativas e passivas); pedidos de 
MLAT ou auxílio direto (ativos e passivos); transferência de condenados; transferência de processos 
penais, além de o CPP (art. 780ss) trazer a previsão de homologatórias e execução de sentença 
estrangeira. 
Civil: é voltada para aspectos não penais. 
Além dos instrumentos mais comuns de carta rogatória, auxílio direto (previsto pela 1ª vez no CPC), 
homologação de sentença estrangeira, em nosso ordenamento, temos previsões bem específicas, 
como cooperação jurídica internacional para prestação de alimentos no exterior; sequestro 
internacional de crianças ou adolescentes, tratados do mercosul, dentre outros. 
No âmbito do Direito Administrativo, pode envolver: matéria fiscal (aduanas), inteligência financeira 
(COAF), concorrência (CADE) e anticorrupção (CGU, Ministério da Transparência). 
2) Quanto à iniciativa de solicitação 
-Cooperação ativa: é aquela solicitada por autoridades brasileiras para a realização de diligências no 
estrangeiro. 
-Cooperação passiva: é aquela requerida por autoridades estrangeiras para cumprimento de 
diligências no Brasil. 
3) Quanto ao órgão que coopera 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 143
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
- cooperação jurisdicional: realizada por autoridades judiciais. 
- cooperação administrativa: realizada por autoridade administrativa. 
4) Quanto ao procedimento ou mecanismo de cooperação 
- homologação de sentença estrangeira: reconhecea eficácia de uma decisão proferida por Estado 
Estrangeiro; 
- carta rogatória: destina-se ao cumprimento de medidas para a comunicação de atos processuais, 
tais como citação, intimação, colheita de provas, etc. 
- auxílio direto. 
 (PFN 2012 ESAF) No Brasil, os instrumentos de cooperação jurídica internacional são o auxílio 
direto, a homologação de sentença estrangeira, a carta rogatória e a extradição (mesmo que 
estes não estejam todos previstos na Constituição da República Federativa do Brasil). Correto. 
Prosseguindo, André Tavares Ramos132 identifica quatro elementos comuns a todas as espécies de 
cooperação, quais sejam: 
i- os sujeitos da cooperação 
De acordo com o autor, é possível identificar dois tipos de sujeitos: um imediato ou direto, nos quais 
se incluem os Estados e, eventualmente, as Organizações internacionais; e outro mediato, que são 
os indivíduos, que serão afetados pela concessão ou negativa de cooperação. Como dito acima, a 
interferência da cooperação na esfera individual deve sempre estar pautada pela obediência aos 
direitos humanos e garantias fundamentais. 
ii- as vias de comunicação 
Além dos sujeitos, a cooperação necessita de uma comunicação efetiva entre os Estados. André 
Ramos identifica 04 vias que instrumentalizam essa comunicação: 
a) via diplomática: utiliza-se de canais diplomáticos e consulares para a realização de pleitos 
cooperacionais. Essa via, no entanto, não acaba sendo tão vantajosa porque é, em grande parte das 
vezes, demasiada lenta em relação às demais. 
 
132 RAMOS, André de Carvalho. O novo direito internacional privado e o conflito de fontes na cooperação jurídica 
internacional. Revista da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, São Paulo; 641-647; jan.dez;2013. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 144
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
b) via autoridade central: é um órgão presente nos Estados e previsto em tratados internacionais, 
que tem como objetivo unificar o contato entre os países com maior celeridade e efetividade. 
Normalmente, o tratado internacional que é firmado pelo Brasil com o Estado estrangeiro já prevê 
quem exercerá o papel de "autoridade central" em cada país. 
A exemplo, a Procuradoria Geral da República (PGR) é a Autoridade Central no Brasil para: 
i- pedidos de auxílio direto destinados e provenientes de Portugal, Canadá e, desde 2016; 
ii- pedidos de cooperação advindos de países falantes da língua portuguesa. 
iii- para a convenção internacional que trata da prestação de alimentos no exterior. 
Quando não houver previsão, é possível que haja lei interna do país que preveja. 
Na ausência de designação específica, o Ministério da Justiça é quem exercerá as funções de 
autoridade central em nosso país (art. 26, § 4º). No Ministério da Justiça existe um departamento 
apenas para cuidar da cooperação jurídica internacional (DRCI), nos termos do Decreto nº 
8.668/2016. Em 2019, o Decreto 9662 disciplinou a matéria, estabelecendo o seguinte: 
Art. 2º O Ministério da Justiça e Segurança Pública tem a seguinte estrutura 
organizacional: II - órgãos específicos singulares: a) Secretaria Nacional de Justiça: 1. 
Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional; 2. 
Departamento de Migrações; e 3. Departamento de Promoção de Políticas de Justiça; 
Art. 13. À Secretaria Nacional de Justiça compete: III - coordenar a negociação de acordos 
e a formulação de políticas de cooperação jurídica internacional, civil e penal, e a 
execução dos pedidos e das cartas rogatórias relacionadas com essas matérias 
Art. 14. Ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional 
compete: III - estruturar, implementar e monitorar ações de governo, além de promover 
a articulação dos órgãos dos Poderes Executivo e Judiciário e do Ministério Público nas 
seguintes áreas: 
cooperação jurídica internacional em matéria civil e penal, inclusive em assuntos de 
prestação internacional de alimentos, subtração internacional de crianças, adoção 
internacional, extradição, transferência de pessoas condenadas e transferência da 
execução da pena; 
VI - negociar acordos de cooperação jurídica internacional nas áreas a que se refere o 
inciso III e aqueles relacionados com as demais matérias de sua competência, além de 
exercer as funções de ponto de contato, enlace e similares nas redes de cooperação 
internacional e de recuperação de ativos; 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 145
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Com a existência dessa autoridade central, aperfeiçoa-se a cooperação através de uma maior 
agilidade e efetividade dos pleitos. 
Já dissemos que, em alguns tratados relacionados à matéria penal, a PGR é que tem assumido essa 
atribuição de autoridade central (ex: tratado de Auxílio Mútuo em matéria penal entre Brasil e 
Portugal e entre Brasil e Canadá). 
FUNDEP/MPMG – Promotor/21 - Assinale a alternativa INCORRETA: a) Cabe aos tratados 
internacionais disciplinar a cooperação internacional. b) A reciprocidade pode suprir a ausência 
de tratados; desnecessária, contudo, na hipótese de homologação de sentença estrangeira. c) 
Devidamente autorizada pela via diplomática, a autoridade central nacional comunicará ou 
dará tramitação ao auxílio direto ativo. d) Ao Ministério Público cabe a adoção de atos à 
satisfação do pedido de auxílio direto, quando indicado como autoridade central. 
A alternativa C está incorrea. A via de comunicação do auxílio direto é por meio de autoridade 
central e não por via diplomática (art. 31). A alternativa A está correta. Art. 26, caput c/c §1º. 
previsão em tratado internacional. Não havendo, princípio da reciprocidade. A alternativa B 
está correta. Art. 26, § 2º Não se exigirá a reciprocidade referida no § 1º para homologação de 
sentença estrangeira. A alternativa D está correta. Em regra, a AGU faz os pleitos. Todavia, se 
a PGR for autoridade central, o MPF pode requerer. Art. 33, p. ú. 
c) via do contato direto 
Nesse caso, órgãos específicos de um Estado entram em contato com o outro, sem a intermediação 
da diplomacia ou de autoridades centrais. Esse contato direto, no entanto, não se confunde com o 
auxílio direto, já que neste último a comunicação é operacionalizada via autoridades centrais dos 
países envolvidos. 
d) via postal ou formas simplificadas de comunicação. 
iii- Os mecanismos de Cooperação 
Tradicionalmente, tem-se os seguintes mecanismos para se efetivar a cooperação: carta rogatória, 
homologação de sentença estrangeira, auxilio direto. 
iv- O pedido de Cooperação 
O quarto elemento é o próprio pedido que originou a cooperação. Denise Abade, ao tratar do tema, 
assevera que os pedidos cooperacionais podem ser sintetizados em: pedido de envio de pessoas ou 
extradição; pedido de assistência jurídica; pedido de homologação de sentença estrangeira; pedido 
de transferência de sentenciado; pedido de transferência de processos; pedido de vigilância de 
pessoas. 
Feito esse introito, o que é interessante para o Direito Processual Civil? 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 146
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
O CPC/15 estabeleceu, de forma inovadora, uma ampla regulamentação da cooperação jurídica 
internacional (art. 26/41). 
Conforme art. 26, caput c/c parágrafo 1º, pode haver previsão em tratado internacional. Não 
havendo, é possível esta forma de cooperação com base no princípio da reciprocidade. 
(Juiz Federal TRF2 2014) O auxílio direto é espécie do gênero cooperação jurídica internacional 
e consiste na assistência que a autoridade nacional presta à autoridade estrangeira requerente 
por meio de um procedimento nacional. Como regra, deve estar previsto em tratado 
internacional e prescindeda concessão de exequatur pelo Superior Tribunal de Justiça. Correto. 
Características 
Respeitará o devido processo legal, igualdade de tratamento, publicidade, espontaneidade na 
transmissão, intermediação pela autoridade central. Ademais, seu objeto está previsto no art. 27. 
Art. 27. A cooperação jurídica internacional terá por objeto: I - citação, intimação e 
notificação judicial e extrajudicial; II - colheita de provas133 e obtenção de informações; 
III - homologação e cumprimento de decisão; IV - concessão de medida judicial de 
urgência; V - assistência jurídica internacional; VI - qualquer outra medida judicial ou 
extrajudicial não proibida pela lei brasileira. 
Sobre os mecanismos da cooperação, tratar-se-á da homologação de decisão estrangeira mais à 
frente. Por ora, interessante diferenciar a carta rogatória do auxílio direto. 
Segundo Carmém Tibúrcio e Jacob Dolinger134, a forma tradicional de se realizar os atos processuais 
ordinatórios (citações, notificações, intimações) ou instrutórios (produção de provas, requisição de 
documentos, etc), tanto na esfera cível como penal, é a via da rogatória. Portanto, na ausência de lei 
ou tratado, diligências solicitadas por autoridades estrangeiras a autoridades brasileiras (passivas) e 
aquelas requeridas por autoridades brasileiras a estrangeiras (ativas) devem ser feitas por cartas 
rogatórias. 
Assim, a carta rogatória é o instrumento por meio do qual um juízo estrangeiro solicita a realização 
de alguma diligência processual em outra jurisdição. 
 
133 Sobre o assunto, importante ressaltar que o STJ decidiu o seguinte: Em tema de acordo de cooperação internacional 
a regra é a ampla utilização da prova, sendo que qualquer restrição deve ser expressamente formulada pelo Estado 
requerido. STJ, Corte Especial, APn 927-DF, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, d.j. 01/06/22, edição especial n. 7. 
134 DOLINGER, Jacob; TIBURCIO, Carmen. Direito internacional privado. 15ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2020. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 147
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
No caso das cartas ativas, deve-se observar, primeiro, as normas convencionais, em respeito ao 
princípio da especialidade. Somente no caso de não haver norma convencional, será aplicável o CPC. 
Já quando se tratar de carta rogatória passiva, o art. 109, X, CRFB/88 determina que a competência 
para sua execução é de juiz federal, após a concessão de exequatur pelo STJ (art. 105, “i”, da 
CF/1988). 
O tratado pode dispensar a submissão do pedido estrangeiro ao procedimento de exequatur perante 
o STJ? 
1ª corrente: não é possível, eis que o art. 105, I, “i”, CF exige que a sentença estrangeira e a carta 
rogatória devam receber a homologação e o exequatur do STJ, respectivamente. 
2ª corrente: aquelas sentenças que precisam ser homologadas e as rogatórias que necessitam 
receber o exequatur deverão recebê-los do STJ. Isso, contudo, não significa que todas as sentenças 
estrangeiras carecem de homologação, tampouco que seja necessária a concessão de exequatur a 
todas as rogatórias provenientes do exterior. O próprio CPC vai nesse sentido: 
Art. 961. A decisão estrangeira somente terá eficácia no Brasil após a homologação de 
sentença estrangeira ou a concessão do exequatur às cartas rogatórias, salvo disposição 
em sentido contrário de lei ou tratado. 
Ainda sobre esse instituto, o CPC estabelece que: 
Art. 36. O procedimento da carta rogatória perante o Superior Tribunal de Justiça é de 
jurisdição contenciosa e deve assegurar às partes as garantias do devido processo legal. 
§ 1º A defesa restringir-se-á à discussão quanto ao atendimento dos requisitos para que 
o pronunciamento judicial estrangeiro produza efeitos no Brasil. § 2º Em qualquer 
hipótese, é vedada a revisão do mérito do pronunciamento judicial estrangeiro pela 
autoridade judiciária brasileira. 
UFPR/PGM Curitiba/19 - d) O procedimento da carta rogatória perante o Superior Tribunal de 
Justiça é de jurisdição voluntária e deve assegurar às partes a garantia do devido processo legal. 
D está incorreta. É procedimento de jurisdição contenciosa. 
Na concessão do exequatur, é vedado ao STJ se imiscuir no mérito da decisão judicial estrangeira, 
pelo que deve avaliar apenas o cumprimento dos requisitos constantes na lei. 
Como manifestação dessa limitação, o art. 216-Q, § 2º, do Regimento Interno do STJ delimita o 
alcance da defesa, que somente poderá versar sobre a “autenticidade dos documentos”, a 
“inteligência da decisão” e a “observância dos requisitos para concessão” da medida de cooperação 
objetivada com o cumprimento da carta. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 148
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Ainda, deverá ser observado o art. 17 da LINDB, art. 216-P do RISTJ e art. 39 do CPC/15, pelo que as 
decisões estrangeiras não produzirão quaisquer efeitos no território nacional em caso de violação da 
ordem pública e soberania nacional. 
Art. 39. O pedido passivo de cooperação jurídica internacional será recusado se 
configurar manifesta ofensa à ordem pública135. 
Consoante Carmém e Jacob, portanto, o STJ examinará apenas a autenticidade da rogatória e se a 
diligência a ser realizada no Brasil atenta contra a soberania ou a ordem pública nacionais. De todo 
modo, ainda que o conteúdo da ação que tramita no exterior fira a ordem pública brasileira, se a 
diligência a ser cumprida no país é medida cujo atendimento em si não atinja a sua ordem pública, o 
exequatur deve ser concedido136. Assim, o óbice da ordem pública deve se limitar ao contexto da 
diligência pedida, sistema chamado de contenciosidade limitada. 
Ademais, para que a rogatória tenha eficácia executiva no Brasil, deverá atender aos requisitos 
previstos no art. 963, que são: 
Art. 963. Constituem requisitos indispensáveis à homologação da decisão: I - ser proferida 
por autoridade competente; II - ser precedida de citação regular, ainda que verificada a 
revelia; III - ser eficaz no país em que foi proferida; IV - não ofender a coisa julgada 
brasileira; V - estar acompanhada de tradução oficial, salvo disposição que a dispense 
prevista em tratado; VI - não conter manifesta ofensa à ordem pública. Parágrafo único. 
Para a concessão do exequatur às cartas rogatórias, observar-se-ão os pressupostos 
previstos no caput deste artigo e no art. 962, § 2º . 
Em arremate, o CPC destaca a impossibilidade de concessão de exequatur a rogatórias provenientes 
do exterior nas hipóteses de competência exclusiva do Judiciário brasileiro: 
Art. 964. Não será homologada a decisão estrangeira na hipótese de competência 
exclusiva da autoridade judiciária brasileira. Parágrafo único. O dispositivo também se 
aplica à concessão do exequatur à carta rogatória. 
 
135 O art. 39 do CPC/15 e o respeito à ordem pública devem ser aplicados não só à rogatória, mas à cooperação jurídica 
internacional como um todo. A propósito, confiram interessante julgado do STJ: Não viola a ordem pública brasileira o 
compartilhamento direto de dados bancários pelos órgãos investigativos mesmo que, no Estado de origem, sejam 
obtidos sem prévia autorização judicial, se a reserva de jurisdição não é exigida pela legislação local. AREsp 701.833-
SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, 5ª T, d.j. 04/05/21, info 695. 
136 STJ, AgRg na CR 356/US, Rel. Min. Ari Pargendler; STJ, j. 21.05.14, AgRg na CR 8368/EX, Rel. Min. Felix Fischer; STJ, j. 
28.05.09, AgRg na CR 3744/ES, Rel. Min. Cesar Asfor; DJe 03.09.09, CR 4033, Rel. Min. Cesar Asfor. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 149
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Sobre o auxílio direto, Carmém Tiúrcio e Jacob Dolinger137 explicam que é instituto por meio do qual 
se permite que autoridade estrangeirasolicite a realização de diligências no País, sendo que sua 
característica marcante é a inexistência de decisão estrangeira prévia, o que, consequentemente, 
leva à dispensa de juízo de delibação. É a autoridade brasileira, seja ela judicial ou não, que irá 
decidir, de acordo com a lei brasileira, sobre a viabilidade do pedido. 
Art. 28. Cabe auxílio direto quando a medida não decorrer diretamente de decisão de 
autoridade jurisdicional estrangeira a ser submetida a juízo de delibação no Brasil. 
CESPE/MPU – Analista/18 - Na cooperação jurídica internacional, poderá ser prestado auxílio 
direto caso a medida requerida não decorra diretamente de decisão jurisdicional que, proferida 
por autoridade estrangeira, será submetida a juízo de delibação no Brasil. Correta (art. 28, CPC). 
Uma das principais características do auxílio, portanto, é justamente essa ausência do juízo de 
delibação. Nas palavras de Natália Cavalcanti138: 
No auxílio direto não há o exercício do juízo de delibação, pois não há ato jurisdicional a 
ser examinado. Ao requerer o auxílio direto, o Estado não precisa dizer o direito e pode 
transferir às autoridades do outro Estado essa função. Ou seja, no auxílio direto, o Estado 
não pede o reconhecimento ou execução de um ato jurisdicional ou administrativo, mas 
sim que se profira ato jurisdicional referente a uma determinada questão envolvendo 
um litígio em curso no seu território. 
Por conta disso é que se afirma que as cartas rogatórias se submetem tão somente ao juízo de 
delibação da decisão estrangeira; ao passo que, no auxílio direto, a decisão é da autoridade nacional, 
que, à luz do direito brasileiro, determinará a possibilidade do pedido. 
No auxílio direto, um dos Estados transfere às autoridades do outro a tarefa de dizer o direito sobre 
determinado objeto de cognição. Não há, por consequência, o exercício de jurisdição pelos dois 
Estados, mas apenas pelas autoridades do Estado requerido. Um exemplo disso está nos casos de 
oitiva de estrangeiro custodiado no Brasil. O STF, na Pet 5946/DF, entendeu que esse ato se dá por 
auxílio direto, já que não se exige juízo de delibação, mas simples providência a ser tomada pelo 
Estado requerido139. A despeito de ser caso de auxílio direto, a oitiva de preso depende de provisão 
 
137 DOLINGER, Jacob; TIBURCIO, Carmen. Op. Cit., p. 233. 
138 CAVALCANTI, Natália. Acesso a Dados além das Fronteiras: A cooperação jurídica internacional como solução para o 
(aparente) conflito de jurisdições. Salvador: Juspodivm, 2020. 
139 Compete ao STF apreciar o pedido de cooperação jurídica internacional na hipótese em que solicitada, via auxílio 
direto, a oitiva de estrangeiro custodiado no Brasil por força de decisão exarada em processo de extradição. (...) os 
supostos delitos cometidos pelo extraditando, e que sustentam o processo de extradição, teriam, segundo alegado pelo 
ministério público de Portugal, repercussão também nesse país. A Turma afirmou que não incidiria, na espécie, o 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 150
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
judicial. Por isso, o STF decidiu que, se o custodiado estiver aguardando a extradição, a competência 
para a apreciação do pedido é do STF, já que cabe ao órgão julgar processos de extradição. 
Desse julgado decorre uma questão importante, objeto de muitas dúvidas: a execução de um auxílio 
direto impõe, necessariamente, a atuação do Judiciário? 
Não. A atuação ou não do Judiciário vai depender do tipo de medida que se pretende efetivar. Se o 
pedido compreender apenas a prática de um ato que, segundo a lei brasileira, dispensa a prestação 
jurisdicional, a própria autoridade central poderá adotar as providências que julgar necessárias 
para a prática desse ato. 
Art. 32. No caso de auxílio direto para a prática de atos que, segundo a lei brasileira, não 
necessitem de prestação jurisdicional, a autoridade central adotará as providências 
necessárias para seu cumprimento. 
Na cooperação internacional administrativa por auxílio direito, podem ocorrer 2 casos: 
i) havendo órgão administrativo competente diverso da autoridade central para o atendimento do 
pedido de auxílio, o pedido é enviado a este para cumprimento; 
ii) não havendo um órgão administrativo competente, será cumprido pela própria autoridade central, 
como, por exemplo, nos casos de informação sobre a localização de pessoas, fornecimento de cópias 
de atos administrativos públicos, entre outros. 
Se, no entanto, o pedido de auxílio envolver cooperação judicial, a autoridade central brasileira fará 
o encaminhamento da documentação à AGU (art. 33), que formulará a pretensão perante a Justiça 
Federal. Se a PGR for autoridade central, o MPF pode requerer. 
Art. 33. Recebido o pedido de auxílio direto passivo, a autoridade central o encaminhará 
à Advocacia-Geral da União, que requererá em juízo a medida solicitada. Parágrafo 
único. O Ministério Público requererá em juízo a medida solicitada quando for 
autoridade central. 
 
conjunto de regras atinentes à carta rogatória, mas sim as regras que dispõem sobre o auxílio direto (CPC, artigos 28 a 
34). Tal auxílio consistiria na obtenção de providências em jurisdição estrangeira, de acordo com a legislação do Estado 
requerido, por meio de autoridades centrais indicadas em tratado internacional. Prescindiria, ademais, do juízo de 
delibação a ser proferido pelo STJ. Tratando-se, no caso, de produção probatória e oitiva de testemunho — o que, na 
seara da assistência jurídica internacional, não demandaria o mecanismo da carta rogatória e do respectivo “exequatur” 
— incidiria a regra do art. 28 do CPC. Pet 5946/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, 
16.8.16 (info 835) 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 151
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Art. 34. Compete ao juízo federal do lugar em que deva ser executada a medida apreciar 
pedido de auxílio direto passivo que demande prestação de atividade jurisdicional. 
(Incisos I, III e X do art. 109, CRFB). 
Ao final do procedimento, basta a AGU ou MPF remeter o resultado da medida judicial ao DRCI, a 
quem compete enviar o resultado à autoridade central requerente. 
Atenção: Tanto o auxílio efetivado pela via judicial quanto o efetivado pela via administrativa não 
exigem notificação do interessado sobre seu recebimento pelo DRCI para fins de contraditório. 
Percebam, pois, que uma das grandes vantagens do auxílio direto é que ele simplifica e agiliza 
procedimentos de cooperação jurídica internacional. 
Sobre o objeto do auxílio direto: 
Art. 30. Além dos casos previstos em tratados de que o Brasil faz parte, o auxílio direto 
terá os seguintes objetos: I - obtenção e prestação de informações sobre o ordenamento 
jurídico e sobre processos administrativos ou jurisdicionais findos ou em curso; II - 
colheita de provas, salvo se a medida for adotada em processo, em curso no estrangeiro, 
de competência exclusiva de autoridade judiciária brasileira; III - qualquer outra medida 
judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira. 
De acordo com Luiz Rodrigues Wambier e Eduardo Talamini140, esse rol não é exaustivo, de modo 
que pode contemplar medidas que não sejam proibidas pela lei brasileira e que não decorra de 
decisão judicial estrangeira que tenha de ser submetida a juízo de delibação. 
Em suma, o auxílio direto pode até demandar alguma providência jurisdicional, mas o importante é 
ter sempre em mente que essa providência não decorre de uma decisão judicial estrangeira. Há 
julgados do STJ e STF141 que destacam essa diferença. 
 
140 WAMBIER, Luiz Rodrigues; TALAMINI, Eduardo. Curso Avançado de Proceso Civil: teoria geral do processo. 18ª ed. São 
Paulo: Revista dos Tribunais, 2019, p. 195. 
141 Na carta rogatória passiva, há DECISÃO JUDICIALpoder real passa a 
ser limitado pela Constituição e pelo Parlamento. Montesquieu é até hoje apontado como o principal 
pensador da divisão das funções do poder estatal em três categorias: executivo, legislativo e 
judiciário, exposta no livro “O Espírito das Leis”. 
A teoria conhecida como tripartição dos poderes, ou da separação dos poderes, foi a grande 
responsável pelo reforço da jurisdição, repercutindo até os dias atuais. 
Com o objetivo de ceifar o poder absoluto na mão do monarca, era necessário pulverizar o poder 
estatal em diversas frentes, primando, no caso da jurisdição, pelo exercício por um órgão 
independente, cujos agentes seriam imparciais, com o fito de realizar a pacificação social de acordo 
com as normas criadas pelo próprio Estado. 
 
18 Filho, Antônio José Carvalho da Silva. Primórdios da Jurisdição. Disponível em: 
. Acesso em 20/01/2021. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 15
http://www.abdpc.org.br/abdpc/artigos/PRIMORDIOS%20DA%20JURISDICAO%20Antonio%20Jose%20Carvalho%20da%20Silva%20Filho.pdf
http://www.abdpc.org.br/abdpc/artigos/PRIMORDIOS%20DA%20JURISDICAO%20Antonio%20Jose%20Carvalho%20da%20Silva%20Filho.pdf
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Desde então, o Estado é visto como senhor absoluto da função jurisdicional, por decorrência do 
próprio conceito de soberania herdado ainda do Estado absolutista. Ninguém, além do juiz estatal, 
pode exercer jurisdição sobre o território do Estado. 
Dentro da ideia de tripartição de funções, cabe à legislativa, em sua função típica, criar normas gerais 
e abstratas; cabe à jurisdicional aplicar a norma geral e abstrata a uma situação individual e concreta; 
cabe à executiva exercer a função administrativa, praticando atos de chefia de Estado, chefia de 
governo e atos da administração. 
Sublinha-se, porém, que os outros poderes também podem exercer funções atípicas. 
i- Funções atípicas do Poder Legislativo: 
a) Função jurisdicional: 
a.1 - arts. 52, I e II, CRFB – cabe ao Senado julgar, nos crimes de responsabilidade, o Presidente, Vice, 
Ministros do STF, PGR, membros do CNJ, CNMP, AGU); 
a.2 - Decreto-Lei nº 201/67 – cabe às Câmaras Municipais julgar Prefeitos e Vereadores pela prática 
de infrações político-administrativas; 
b) Função executiva: arts. 51, IV e 52, XIII, CRFB – dispor de sua organização, prover cargos, conceder 
férias, licenças etc. 
ii- Funções atípicas do Poder Executivo: 
a) Função jurisdicional: apreciação e julgamento de processos administrativos; 
b) Função legislativa: edição de medida provisória, com força de lei (art. 62, CRFB). 
 
iii- Funções atípicas do Poder Judiciário: 
a) Função legislativa: elaboração de seu regimento interno (art. 96, I, CRFB) 
b) Função executiva: art. 96, I, “f”, CRFB - conceder licença, férias e outros afastamentos a seus 
membros e aos juízes e servidores. 
TJBA/15: A Constituição da República, em seu Art. 2º , dispõe que “são Poderes da União, 
independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário". Nesse contexto, é 
correto afirmar que: d) o Poder Executivo, ao qual incumbe precipuamente a função administrativa, 
desempenha também função atípica normativa, quando produz, por exemplo, normas gerais e 
abstratas por meio de seu poder regulamentar, ou quando edita medidas provisórias. D está correta. 
 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 16
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Positivação do direito a partir do século XIX: o direito como norma posta 
Consoante Tércio Sampaio, no século XIX, balizas de ordem política e jurídica pautaram o Direito. 
De ordem política, houve um reforço da noção de soberania nacional e do princípio da separação de 
poderes. 
De ordem jurídica, a lei assume caráter privilegiado como fonte do direito, bem como reforça-se a 
concepção do direito como sistema de normas postas. 
Tércio ainda afirma que há um sentido filosófico e sociológico da positivação. 
No primeiro, positivação designa o fenômeno em que todas as valorações, regras e expecativas de 
comportamento na sociedade têm de ser filtradas por meio de processos decisórios antes de adquirir 
validade jurídica. 
No aspecto sociológico, a positivação é um fenômeno representado pela maior importância dada 
pelo sociedade às leis votadas no Parlamento, consideradas como fonte principal do Direito. No 
antigo regime francês, a Justiça prolatava decisões por demais arbitrárias, sofrendo enorme 
influência política, decidindo, muitas vezes, a favor da monarquia, clero e nobreza. 
A crítica dos pensadores iluministas ao arbítrio e a exigência da burguesia por uma maior segurança 
jurídica exigiu a valorização dos preceitos legais na análise dos fatos. Daí surgiu um respeito quase 
mítico pela lei, que ensejou o surgimento à escola da exegese francesa (O juiz era mera boca da lei, 
bouche de la loi), jurisprudência dos conceitos alemã e jurisprudência analítica inglesa. 
Contudo, essa ideia continha uma perplexidade: bastava uma penada do legislador para que 
bibliotecas inteiras viessem abaixo? Bastava um ato do Parlamento para modificar toda uma 
construção jurídica? 
Por óbvio, as leis não davam conta de todos os fatos da vida. A riqueza do real exigia atividade 
hermenêutica mais intensa e livre. Daí a justificação para o surgimento da escola do direito livre 
(Duguit) na França, jurisprudência dos interesses e do valores na Alemanha e realismo jurídico na 
Inglaterra19. 
 
19 Sobre tais mudanças, tratei de modo sucinto nas questões discursivas da aula 00. Além disso, importante afirmar que 
Lênio Streck também disserta sobre isso em várias colunas da Revista Conjur. Dentre todas, cita-se o artigo intitulado 
“Que maldição estaria por trás da interpretação em Kelsen?”. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 17
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Embora o estudo dessas mais variadas correntes seja bem interessante, foge um pouco do nosso 
propósito. Portanto, terminaremos logo essa parte histórica antes que você, aluno guerreiro, se 
canse e pare de ler. 
Na linha proposta por Tércio, ainda conceitua o Direito na atualidade como instrumento decisório. 
Ciência Dogmática do direito na atualidade: o direito como instrumento decisório 
A primeira metade do século XX acentua as preocupações do século anterior. No início do século, 
com a herança do jusnaturalismo com seu método dedutivo, aliado ao positivismo formalista do 
século XIX, vige a preocupação com a completude, bem como com a constituição de séries 
conceituais – direito subjetivo, direito de propriedade, das coisas, hipotecas etc. para tudo controlar 
e permitir a subsunção escorreita. 
Nesse quadro, a ciência dogmática do direito, na tradição que vem do século XIX, prevalentemente 
liberal, em sua ideologia, e encarando o direito como regras dadas, tende a assumir o papel 
conservador daquelas regras que são por ela sistematizadas e interpretadas. Tendemos a preferir, 
fazer prevalecer as questões formais, como problema da natureza jurídica do instituto, coerência do 
ordenamento, conceituação analítica. 
Esse estado de coisas é influenciado diretamente pelo momento sociológico. 
Se antes a força de trabalho era ainda apenas um meio para produzir objetos de uso, na sociedade 
de consumo atual20 confere-se à força do trabalho o mesmo valor que se atribui às máquinas, aos 
instrumentos de produção. Com isso, instaura-se uma nova mentalidade, a mentalidade da máquina 
eficaz, que primeiro uniformiza coisas e homens para, depois, desvalorizar tudo, transformando 
coisas e homens em bens de consumo. Destarte, a sociedade do consumo baseia-se num 
intermináveloriunda da Justiça rogante que precisa ser executada e cumprida no 
Estado rogado, cabendo ao STJ o juízo de delibação, sem, contudo, adentrar-se no mérito da decisão oriunda do País 
estrangeiro. No auxílio direto passivo, há um pedido de assistência do Estado alienígena diretamente ao Estado rogado, 
para que este preste as informações solicitadas ou provoque a Justiça Federal para julgar a providência requerida (medida 
acautelatórias), conforme o caso concreto. Tudo isso, baseado em Acordo ou Tratado Internacional de cooperação. In 
casu, não há decisão judicial norte-americana a ser submetida ao juízo delibatório do STJ. O caso foi de pedido de 
assistência direta, o qual, por exigir pronunciamento judicial, foi submetido ao crivo da Justiça Federal nacional, que 
examinou o mérito do pedido (...) (STJ, Carta Rogatória nº 11165-US de 2016) 
(...) O pedido de cooperação jurídica internacional, na modalidade de auxílio direto, possui natureza distinta da carta 
rogatória. Nos moldes do disposto nos arts. 28, 33, caput, e 40, todos do CPC, caberá auxílio direto quando “a medida 
NÃO DECORRER DIRETAMENTE DE DECISÃO DE AUTORIDADE JURISDICIONAL ESTRANGEIRA”, enquanto necessitará de 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 152
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Em suma: 
CARTA ROGATÓRIA AUXÍLIO DIRETO 
Oriunda de decisão judicial estrangeira que 
necessita, para ser cumprida, de algum ato 
processual no Brasil (carta passiva). 
Pedido de assistência do estado alienígena ao 
estado rogado, para que este preste as informações 
solicitadas (no âmbito administrativo) ou provoque 
a justiça federal para julgar a providência requerida. 
Necessidade do juízo de delibação (cognição 
restrita) que, no Brasil, é exercido pelo STJ (art. 105, 
“i”, da CRFB). 
Juízo de apreciação dos fatos (cognição ampla) 
Fazendo juízo positivo, STJ concede exequatur, que 
será cumprido por um juiz federal (art. 109, X, CRFB). 
Providência administrativa: autoridade central fará. 
Providência jurisdicional: AGU requererá perante a 
justiça federal. Se a PGR for autoridade central, o 
MPF pode requerer. 
 Professor, eu percebi que a detecção de que há ou não uma decisão judicial estrangeira é 
fundamental para diferenciar rogatória passiva de auxílio direto passivo, mas ainda está muito 
abstrato. Me dê um exemplo concreto. Ok. Segue-o: 
(...) In casu, o Promotor da República de Paris denunciou e solicitou investigação, e o juiz 
de instrução julgou necessárias as providências "para a manifestação da verdade". O juízo 
estrangeiro, ao deferir a produção da prova requerida pelo Ministério Público, emitiu 
pronunciamento jurisdicional. Quer dizer, houve um juízo de valor realizado pelo Juízo 
alienígena sobre a necessidade e adequação da colheita de prova. Assim, a decisão 
judicial estrangeira deve ser submetida ao juízo delibatório do STJ, assegurando-se às 
partes as garantias do devido processo legal, sem, contudo, adentrar-se no mérito da 
decisão proveniente do país rogante. É importante frisar que não se trata de mero ato 
judicial formal de encaminhamento de pedido de cooperação, mas de ato com caráter 
decisório proferido pelo poder judiciário francês no exercício típico da função 
jurisdicional. Portanto, a concessão do exequatur é imprescindível na hipótese, pois, 
existente decisão judicial estrangeira a ser submetida ao crivo desta Corte, o caso 
concreto amolda-se à definição de carta rogatória, sendo de rigor a anulação dos 
procedimentos já realizados. (...) Por fim, é imperativo reconhecer a nulidade da oitiva 
do recorrente, porque todas as perguntas teriam sido formuladas direta e 
exclusivamente pela autoridade judiciária francesa que acompanhava o membro do MPF 
nomeado para realizar as diligências, bem como a nulidade decorrente do 
reconhecimento da necessidade de exequatur, abrange também a realização do aludido 
ato. STJ, 6ª T, RHC 102.322-RJ, Rel. Min. Laurita, d.j. 12/05/20, info 672. 
 
carta rogatória quando for o caso de cumprir decisão jurisdicional estrangeira. (Pet 5946, 1ª T, Rel. Min. Marco Aurélio. 
Rel. p/ acórdão Min. Edson Fachin, d.j. 16/08/16) 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 153
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
DESTAQUES DA LEGISLAÇÃO E DA JURISPRUDÊNCIA 
Neste ponto da aula, citamos, para fins de revisão, os principais dispositivos de lei que podem fazer 
a diferença na hora da prova. Lembre-se de revisá-los! 
-- 
⮲art. 92, da CF: Estrutura Constitucional do Poder Judiciário (órgãos) 
Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário: 
I - o Supremo Tribunal Federal; 
I-A o Conselho Nacional de Justiça; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
II - o Superior Tribunal de Justiça; 
II-A - o Tribunal Superior do Trabalho; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 92, de 
2016) 
III - os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais; 
IV - os Tribunais e Juízes do Trabalho; 
V - os Tribunais e Juízes Eleitorais; 
VI - os Tribunais e Juízes Militares; 
VII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios. 
§ 1º O Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Justiça e os Tribunais Superiores 
têm sede na Capital Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
§ 2º O Supremo Tribunal Federal e os Tribunais Superiores têm jurisdição em todo o 
território nacional. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
⮲ art. 93, I, III, IX, X, XIV, XV; art. 5º, LIII, LIV, LV, LVI, da CRFB: 
Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o 
Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: 
I - ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto, mediante concurso 
público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 154
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc92.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc92.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art1
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
todas as fases, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade 
jurídica e obedecendo-se, nas nomeações, à ordem de classificação; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
III o acesso aos tribunais de segundo grau far-se-á por antigüidade e merecimento, 
alternadamente, apurados na última ou única entrância; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 45, de 2004) 
IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas 
todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em 
determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos 
nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique 
o interesse público à informação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 
2004) 
X as decisões administrativas dos tribunais serão motivadas e em sessão pública, sendo 
as disciplinares tomadas pelo voto da maioria absoluta de seus membros; (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
XIV os servidores receberão delegação para a prática de atos de administração e atos de 
mero expediente sem caráter decisório; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 
2004) 
XV a distribuição de processos será imediata, em todos os graus de jurisdição. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
Art. 5º: 
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;ciclo de produção de objetos de consumo, de tal modo que o produto final sempre é 
visto como meio para o aumento da produção21. 
Percebe-se, assim, a valorização dos saberes técnicos. E, no Direito, essa lógica da sociedade do 
consumo torna-o mero instrumento de atuação, de controle, de planejamento, tornando-se a ciência 
jurídica um verdadeiro saber tecnológico. 
Podemos dizer, portanto, que a ciência do direito passa a encarar o seu objeto, direito posto e dado 
previamente, como um compacto de normas, instituições e decisões que lhe compete sistematizar, 
 
20 A sociedade de consumo atual é muito bem analisada por Gilles Lipovetsky (O Império do Efêmero; A era do Vazio) e 
Zygmunt Bauman (Modernidade Líquida), temas que podem ser cobrados em questões sobre Formação Humanística. 
21FERRAZ JR., Tércio Sampaio. "As Origens do Estado Contemporâneo ou o Leviathan Gestor da Economia". Revista 
Brasileira de Filosofia, São Paulo, vol. XXXVI, fasc. 148, p. 298-313, outubro - nobembro - dezembro de 1987. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 18
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
interpretar e direcionar, tendo em vista uma tarefa prática de solução de possíveis conflitos que 
ocorram socialmente. Desse modo, na atualidade, o Direito é visto como instrumento decisório, 
preocupando-se o jurista com a coerência e com a precisão do direito que ele postula, orientado para 
uma ordem finalista que protege a todos indistintamente. 
Observa-se, consequentemente, que o Direito deixa de assentar-se sobre a natureza, sobre o 
costume, sobre a razão e sobre a moral para basear-se na uniformidade da própria vida social, da 
vida social moderna, com sua imensa capacidade para a indiferença – o homem, criador do Direito, 
é tido apenas como um bem de consumo. 
Por certo que, sobre esses movimentos do Direito, pode haver múltiplas interpretações. O interesse 
aqui foi apenas trazer a história do Direito para que consigam compreender melhor Jurisdição e qual 
a sua finalidade. 
Feito esse breve (ou extenso) relance histórico, vamos passar para o conceito. 
2 - CONCEITO 
Segundo Fredie Didier Jr., a jurisdição é a função atribuída a terceiro imparcial de realizar o Direito 
de modo imperativo e criativo (reconstrutivo) reconhecendo/efetivando/protegendo situações 
jurídicas concretamente deduzidas em decisão insuscetível de controle externo e com aptidão para 
tornar-se indiscutível. 
Vamos separar por partes o conceito acima transcrito? 
 
1. Terceiro imparcial: heterocomposição com equidistância; 
2. De realizar o direito de modo imperativo 
3. E criativo (reconstrutivo) 
4. I- Reconhecer, proteger ou efetivar: não é somente dizer o direito, mas protegê-lo e efetivá-
lo; 
II – situações jurídicas: jurisdição se realiza a partir de um direito afirmado (não 
necessariamente lide); 
5. concretamente deduzidas 
6. Decisão insuscetível de controle externo: p. ex. CNJ não controla decisões; 
7. Aptidão para definitividade: coisa julgada é exclusividade da jurisdição. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 19
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
i) Jurisdição é a função atribuída a terceiro imparcial 
Didier divide essa característica em dois critérios, um objetivo (imparTialidade) e outro subjetivo 
(imparcialidade). 
Critério objetivo: “Ser terceiro” é um dado objetivo, significa não ser um dos conflitantes, sendo 
chamada pelo autor baiano de impartialidade (com T mesmo, pois é aquele que não é parte). 
Há aqui o que Chiovenda chamou de substitutividade22, isto é, o Estado substituindo, com sua 
atividade, a vontade das partes pela vontade da lei. 
Critério subjetivo: não basta ser terceiro. O exercício da jurisdição pressupõe a imparcialidade, 
equidistância do julgador em relação às partes. O juiz não pode ter interesse no litígio, devendo tratar 
as partes com igualdade, zelando pela paridade de armas (art. 7º, CPC). O CPC/15 concretiza tal 
desiderato pelas hipóteses de impedimento (art. 144) e suspeição (art. 145). 
Nesse ponto, atenção: neutralidade é diferente de imparcialidade. Neutralidade caracteriza a 
ausência de valores, desprovimento de vontade inconsciente. Ora, ninguém é neutro, pois todos nós 
temos pré-conceitos, traumas, experiências diversificadas etc. que influem diretamente na tomada 
de posições, como bem aponta Gadamer. 
Fredie Didier Jr. frisa que mesmo os órgãos não jurisdicionais, como por exemplo os tribunais 
administrativos das agência reguladoras, devem se submeter às regras de impedimento e suspeição, 
porquanto criam normas jurídicas individualizadas, substituindo a vontade dos interessados, não 
podendo ser designados de órgãos jurisdicionais apenas pela inaptidão de suas decisões para a 
imutabilidade da coisa julgada material. 
Nessa linha, importante a seguinte pergunta: esse terceiro imparcial que exerce a jurisdição é sempre 
o Estado? 
O Estado tem, de fato, o monopólio da jurisdição, mas nada impede que esse mesmo Estado permita 
que outros entes não estatais exerçam jurisdição. 
Na Espanha, por exemplo, o reino reconhece jurisdição a tribunais populares consuetudinários. Ex: 
tribunal de águas de valência, criado pelos agricultores para resolver conflito sobre a água entre eles. 
Nenhuma de suas decisões foi anulada no poder judiciário espanhol. 
 
22 Fredie ressalva que, a contrário do que entendia Chiovenda, a substitutividade NÃO é marca da jurisdição, eis que há 
atividades substitutivas que não são jurisdicionais. Ex: atividade do CADE (autarquia que cuida da proteção da 
concorrência, decidindo conflitos por heterocomposição). 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 20
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
No Brasil, existe jurisdição não estatal, que é a arbitragem23. 
ii) Realizar o Direito de modo imperativo 
O juiz, ao atuar, o faz de modo imperativo, exercendo um poder. O juiz não aconselha, não sugere, o 
magistrado ordena, pratica um ato de império. 
Por isso que se diz que a jurisdição é inevitável, ou seja, ninguém pode escapar da jurisdição. Não se 
pode dizer: “não aceito ser réu”. 
Discorreremos mais sobre isso posteriormente, mas é bom salientar que havia exceção no CPC73 
(nomeação à autoria – art. 67), em que o sujeito poderia negar ser réu. 
Art. 67. Quando o autor recusar o nomeado, ou quando este negar a qualidade que Ihe 
é atribuída, assinar-se-á ao nomeante novo prazo para contestar. 
Ademais, existe outra exceção, que é a imunidade de jurisdição e de execução de estados 
estrangeiros e organismos internacionais, a qual será abordada adiante. 
iii) Criativo 
Tal aspecto é um dos mais controversos. 
1ª corrente (Dinamarco24): a sentença do juiz não cria norma, mas apenas as revela de modo 
inteligente. Valorar fatos concretos de uma causa mediante a interpretação dos textos de lei à luz 
dos princípios e dos valores da sociedade não é criar normas antes inexistentes na ordem jurídica 
como um todo. 
2ª corrente (Didier, Leonardo da Cunha, Zaneti): A criatividade jurisdicional se revela em dois 
aspectos: 
i) O Juiz cria a norma jurídica individualizada, do caso concreto, que se diferencia das demais normas 
jurídicas (ex: leis), em razão da possibilidade de tornar-se indiscutível pela coisa julgada material. 
 
23 Veremos mais à frente que doutrina minoritária rechaça a ideia de arbitragem como jurisdição. Por todos, cita-se 
Marinoni e Mitidiero. 
24 Op. Cit., p. 173. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 21
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Ainda, não basta que se promova, simplesmente, a subsunção do fato às normas gerais e abstratas 
e, dali, extraia-se um resultado. Como vimos no início do curso, essa tarefade mera subsunção do 
fato às leis existentes (lógica formal) não é suficiente com o neoconstitucionalismo. 
O Neoconstitucionalismo (lembrem-se dos marcos histórico, filosófico e teórico) repercutiu muito no 
modo de interpretar e aplicar o Direito ao conceber uma reaproximação entre Direito e Moral, bem 
como ao reconhecer a normatividade dos princípios. 
Barroso afirma que se vive um momento de reconhecimento de normatividade a princípios como o 
da dignidade da pessoa humana, como justiça, como o devido processo legal, que são na verdade a 
porta de entrada dos valores no sistema jurídico, de modo que o pós-positivismo nos liberta da 
dependência absoluta do texto legislado para reconhecer que há normatividade nos valores e nos 
princípios ainda quando não escritos. 
Daniel Sarmento25 pondera que o pós-positivismo permite uma argumentação jurídica mais aberta, 
intersubjetiva, permeável à Moral, que não se esgota na lógica formal. 
Desse modo, atualmente, reconhece-se a necessidade de uma utilização não apenas da lógica 
formal26, mas também da lógica do razoável, havendo uma abertura à criação judicial. O art. 8º do 
CPC/15 dá guarida a tal raciocínio. 
 Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências 
do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e 
observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a 
eficiência. 
Sabe-se que o tema da teoria da decisão judicial e a necessidade de se limitar a discricionariedade 
judicial é um dos mais espinhosos do Direito. Não iremos tratar com profundidade neste tópico27. 
ii) O Juiz também cria uma norma jurídica geral (ratio decidendi) que serve como padrão para a 
solução de casos futuros, semelhantes àquele. 
 
25 SARMENTO, Daniel. Direito Constitucional: Teoria, História e Métodos de Trabalho, 2ª Ed. Fórum: Belo Horizonte, p. 
201. 
26 Já fizemos alusão, em aula passada, à lógica do razoável, de Recaséns Siches, bem cobrada em provas. Referida lógica 
é uma alternativa à insuficiência da lógica formal no Direito. 
27 Além de ler com atenção a aula 00, na qual explico o Neoconstitucionalismo e algumas críticas que lhe são dirigidas, 
indico, para complementação de estudos, a leitura do texto de Lênio Streck: “Aplicar a letra da lei é uma atitude 
positivista?”, disponível na internet. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 22
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Essa noção é indispensável para compreender o sistema de precedentes judiciais estruturado pelo 
CPC (arts. 926/928), súmula vinculante, repercussão geral e recursos repetitivos (arts. 1.035 e 1.036, 
CPC), IRDR (art. 976ss, CPC); improcedência liminar do pedido (art. 332, CPC). 
Mas de onde poderíamos tirar fundamento para essa criatividade? 
Didier ressalta que a criatividade pode ser justificada não só pelo princípio da inafastabilidade da 
jurisdição (art. 5º, XXXV, CRFB c/c art. 3º, CPC), mas também pelo art. 140 assevera que o juiz não 
pode se eximir de decidir, isto é, no sistema pátrio, é proibido o non liquet28. 
Em decorrência da inafastabilidade e da obrigatoriedade de se decidir, nos casos em que a situação 
concreta não esteja prevista na legislação, caberá ao magistrado ir além da lógica formal. 
Luhmann afirma que essa vedação ao non liquet, essa proibição da recusa da Justiça garante a 
abertura por intermédio do fechamento, porque ao não se permitir a ausência de decisão, é 
necessário ficar aberto àquilo que ainda não foi regrado legislativamente. 
Foi exatamente por essa inafastabilidade, aliada à proibição de alegar o non liquet que, no Brasil, as 
decisões judiciais foram criativas nos casos de relações homoafetivas, concubinárias, fidelidade 
partidária, direito de greve dos servidores públicos etc. Como não havia legislação regendo o assunto 
de forma pormenorizada, bem como o juiz não pode se escusar de decidir, o magistrado tem de ficar 
aberto, ser de certa forma criativo, dentro de certos limites. 
A criatividade jurisdicional revela-se em duas dimensões: cria-se a regra jurídica do caso concreto 
(extraível da conclusão da decisão – dispositivo) e a regra jurídica que servirá como modelo 
normativo para a solução de casos futuros semelhantes àquele (extrai-se da fundamentação da 
decisão). 
Entretanto, como dissemos, há limites. Quais são eles? 
i) Primeiro ele se limita ao direito objetivo (Constituição, leis, regulamentos etc.); 
ii) Limita-se pelo caso concreto que lhe foi submetido, não podendo decidir fora do que foi 
pedido (regra da congruência, que proíbe decisões extra, ultra e citra petita). 
 
28 Expressão advinda do Direito Romano que se aplicava nos casos em que o juiz não encontrava nítida resposta jurídica 
para fazer o julgamento e, por isso, deixava de julgar. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 23
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
iv) Reconhecer, efetivar ou proteger ou integrar situações jurídicas 
Todas as situações jurídicas ativas merecem proteção jurisdicional. 
A jurisdição serve para reconhecer situações jurídicas (processo de conhecimento), efetivá-las 
(processo de execução) ou protegê-las (tutela da segurança, cautelar ou inibitória). 
Ademais, a tutela jurisdicional ainda pode ocorrer pela integração da vontade para obtenção de 
certos efeitos jurídicos, como ocorre na jurisdição voluntária, a exemplo da mudança de nome (arts. 
57 e 58, Lei nº. 6.015/73), em que a minha vontade não basta para mudar meu nome. Para tanto, o 
juiz tem que integrar. 
v) Situações jurídicas concretamente deduzidas 
A jurisdição sempre atua diante de uma situação jurídica concretamente deduzida. 
Tradicionalmente, identificava-se esse problema concreto como um litígio, um conflito, uma lide. 
Aliás, Carnelutti compreendia a lide, “conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida”, 
como critério determinante da jurisdição. 
Contudo, o caso que se leva ao judiciário para ser resolvido nem sempre é uma lide. 
Ex: ação de mudança de nome, opção de nacionalidade, separação consensual etc. 
Ex2: Segundo Renato Montans29, basta imaginar os casos de revelia, reconhecimento jurídico do 
pedido nos denominados “processos necessários” (necessidade de se socorrer ao judiciário mesmo 
não havendo lide), como no caso do MP ingressando com ação de anulação de casamento contra 
ambos os cônjuges, ou mesmo numa ação penal em que se propugna pela absolvição do acusado. 
Ex3: Didier menciona os processos objetivos (controle abstrato de constitucionalidade). Nesse caso 
não há lide sociológica, aquela pretendida por Carnelutti, já que inexiste pretensão de alguém que 
está sendo resistida por outrem. 
Afirma Didier que a situação concreta, portanto, pode ser um conflito de 
interesses (lide), uma situação de ameaça de lesão a direitos (tutela inibitória) 
uma situação relacionada exclusivamente a um indivíduo (pedidos de 
alteração de nome, pedido de naturalização), definição de tese jurídica sobre 
questão repetitiva, sobre compatibilidade ou não com a CRFB (controle abstrato). 
 
29 Montans, Renato. Manual de Direito Processual Civil. 2ª edição, Ed. Saraiva: São Paulo, p. 83 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 24
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
vi) Em decisão insuscetível de controle externo 
A jurisdição não sofre o controle de nenhum outro poder. Ela se controla. 
Enquanto uma lei ou um ato administrativo podem ser invalidados pelo judiciário, o contrário não é 
possível. 
E o sistema de freios e contrapesos, não é aplicável? 
Sim, pois é o Poder Executivo que libera recursos financeiros ao Judiciário e quem nomeia os 
Ministros dos Tribunais; e é o Poder Legislativo que define as competências do Judiciário. 
Atenção1:O indulto e a anistia não são exceções a isso, pois o Estado, titular do ius puniendi, 
reconhece a decisão judicial, mas renuncia a esse direito, sem revisar a decisão de condenação. 
Na ADI 5874, decidiu-se que a concessão de indulto, prevista no artigo 84, inciso XII, da CF, é ato 
privativo do presidente da República e não fere o princípio da separação de Poderes. De todo modo, 
no mesmo julgado, decidiu pela possibilidade de o Judiciário analisar somente a constitucionalidade 
da concessão da clementia principis, e não o mérito, que deve ser entendido como juízo de 
conveniência e oportunidade do Presidente da República, que poderá, entre as hipóteses legais e 
moralmente admissíveis, escolher aquela que entender como a melhor para o interesse público no 
âmbito da Justiça Criminal. (STF, ADI 5875/DF, Rel. Min. Luis Roberto Barroso; Rel. p/ acórdão 
Alexandre de Moraes, d.j. /05/2019). Essa possibilidade de controle foi feita nas ADPF´s 964, 965, 
966 e 967, em que o STF, em 05/2023, invalidou o indulto concedido a Daniel Silveira, observando 
que fora concedido por interesse pessoal e não público. 
vii) Com aptidão para a coisa julgada 
A coisa julgada é a definitividade da decisão, atributo exclusivo da jurisdição. 
Atente-se que a chamada “coisa julgada administrativa” é uma metáfora, pois se trata de uma 
preclusão apenas no âmbito administrativo, já que a legalidade (ou juridicidade) das decisões no 
âmbito administrativo pode ser revista pelo Poder Judiciário. 
Atenção: Daniel Assumpção afirma que não quer dizer que só haverá jurisdição se houver coisa 
julgada. A existência dela é opção política do Estado. A coisa julgada é situação posterior à decisão, 
não podendo dela ser sua característica ou elemento de existência. Assim, o que só as decisões 
jurisdicionais têm é a aptidão para a coisa julgada. 
Importante 
Utilizando-nos da definição de Didier, o autor diz que a jurisdição é uma função. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 25
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
A doutrina majoritária acompanha tal posição. Mas vale a pena trazer à baila a natureza jurídica 
complexa da jurisdição, trazida na clássica obra de Ada, Cintra e Dinamarco. 
Na linha dos três autores citados30, a jurisdição é, ao mesmo tempo, poder, função e atividade. 
Como poder, é a manifestação do poder estatal, conceituado como capacidade de decidir 
imperativamente e impor decisões. Como função, expressa o encargo que têm os órgãos 
estatais de promover a pacificação de conflitos interindividuais, mediante a realização do 
direito justo e através do processo. E, como atividade, ela é o complexo de atos do juiz 
no processo, exercendo o poder e cumprindo a função que a lei lhe comete. O poder, a 
função e a atividade somente transparecem legitimamente por meio do processo 
devidamente estruturado. 
 
MPT (2009) - Com relação à jurisdição e à competência, é INCORRETO afirmar que: 
a) como monopólio estatal, a jurisdição é, ao mesmo tempo, poder, função e atividade, e seus 
critérios distintivos são o caráter substitutivo e o escopo de atuação do direito, pressupondo 
lide, inércia e definitividade, podendo o juiz, em casos específicos, autorizados pela lei, agir de 
ofício; 
b) ante a exceção do princípio da perpetuação da jurisdição, inscrito no CPC, a alteração 
superveniente de competência, ditada por norma constitucional, afeta a validade da sentença 
anteriormente proferida, por se tratar de coisa julgada inconstitucional; 
c) a competência para a causa se estabelece levando em consideração os termos da demanda, 
isto é, à vista da petição inicial, e não a procedência ou improcedência da pretensão, bem como 
não a definem a legitimidade ou não das partes (pertinência subjetiva da lide); 
d) a competência é requisito de validade do processo: a incompetência do juízo para apreciar 
a reconvenção não impede que ele aprecie a demanda principal, uma vez que a competência 
para a reconvenção, como procedimento incidental, não é pressuposto processual de validade; 
e) não respondida. 
 
30 CINTRA, Antônio; GRINOVER, Ada; DINAMARCO, Cândido. Teoria Geral do Processo, 29ª ed. Malheiros: São Paulo, 
2013, p. 58. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 26
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
Comentários: A alternativa A está correta. Para os efeitos desta aula, é a alternativa mais 
imporante. Nela, há a transcrição do conceito acima explanado pelo trio paulista da Teoria 
Geral do Processo, conceituando a jurisdição ao mesmo tempo como poder, função e 
atividade. 
A alternativa B está incorreta. Veremos na próxima aula, mas a perpetuatio jurisdicionis define 
que, registrada ou distribuída a petição inicial perante o juízo competente, essa competência 
se perpetua até o fim do processo, sendo irrelevantes modificações de fato ou direito 
posteriores, salvo quando suprimirem orgao judiciário ou alterarem competência absoluta 
(MPF – matéria, pessoa e função, havendo outros casos que serão tratados na aula devida) (art. 
43, CPC). 
A alternativa C está correta. Iremos destrinçar a competência na próxima aula. 
A alternativa D está correta. Iremos tratar muito bem desse assunto na aula seguinte. 
Se jurisdição é manifestação do poder do Estado, é evidente que terá diferentes objetivos, conforme 
seja o tipo de Estado e sua finalidade essencial. Mas isso será tratado no próximo capítulo, 
juntamente com as teorias acerca da jurisdição, suas características e princípios. 
3 - ESCOPOS 
Dinamarco31 aponta três objetivos (escopos) fundamentais da jurisdição: 
i- Fins sociais: a função social da jurisdição é a pacificação, gerando um efeito secundário que é 
a educação32 da sociedade quanto a seus direitos e deveres. 
Marinoni, Arenhart e Mitidiero complementam salientando que, se o art. 3º, CRFB dispõe 
que o objetivo da República é construir uma sociedade livre, justa, solidária, erradicando 
a pobreza, reduzindo desigualdades, promovendo o bem de todos, esses também são 
escopos sociais da jurisdição; 
 
31 DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de Direito Processual Civil. Vol. I. 10ª Ed. Malheiros: São Paulo, 2020, p. 
161-182. 
32 Parcela doutrinária elenca o escopo educacional como um objetivo autônomo, como faz Daniel Assumpção. A 
propósito, para além da jurisdição, a recomendação 136/2022 do CNJ estimula os Tribunais que instituam e mantenham 
projetos permanentes de visitas periódicas de membros do Judiciário a instituições públicas de ensino, "com o objetivo 
de levar aos alunos noções básicas de cidadania, de direitos fundamentais e sociais previstos no ordenamento pátrio, bem 
como noções básicas de organização do Estado, de organização dos Poderes, de prevenção de conflitos e outros temas 
pertinentes”. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 27
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
ii- Fins políticos: tal finalidade é analisada em três vertentes: primeiro, presta-se a fortalecer o 
Estado e as Instituições, com a efetivação do direito material e garantia de que haja instrumentos 
processuais cabíveis para os jurisdicionados buscarem seus direitos. Segundo, a jurisdição é o último 
recurso em termos de proteção às liberdades públicas e dos direitos fundamentais. Terceiro, como se 
vive em uma democracia representativa, busca-se conferir participação direta do jurisdicionado no 
processo jurisdicional, sendo este o locus para o exercício da cidadania (ex: ação popular, audiências 
públicas, amicus curiae, ouvidorias, controle de políticas públicas); 
 
iii- Fins jurídicos: consiste na atuação da vontade concreta da lei (Chiovenda). A jurisdição tem 
por fim primeiro fazer com que se realizem, em cada caso concreto, os objetivos das normas de 
direito substancial (direito objetivo). 
Todavia,consoante Renato Montans33, essa teoria da jurisdição como atuação da 
vontade concreta da lei constitui conceito ultrapassado para a nova ideia de jurisdição. 
É, em verdade, uma reminiscência da teoria de Chiovenda (declaratória) da qual o Estado 
não teria criatividade judicial e, portanto, não poderia criar a norma individual e concreta. 
Assim, o processo teria poderes eminentemente jurídicos como um (mero) instrumento 
do direito material. 
Veremos um aprofundamento dessa crítica mais adiante. 
TRF 3ª REGIÃO/TRF 3 – Juiz Federal Substituto/2018 - Sobre a jurisdição é CORRETO afirmar 
que: 
a) Ela é invariavelmente uma atividade estatal a cargo do Poder Judiciário. 
b) Seu escopo social é a pacificação mediante a eliminação dos conflitos. 
c) Seu escopo jurídico abrange a descoberta da verdade e a formação da coisa julgada material. 
d) Ela é sempre uma atividade voltada à atuação do direito objetivo em concreto. 
Comentários: A alternativa A está incorreta. Com a vigência do CPC/2015 ganhou força a tese 
sobre a natureza jurisdicional da arbitragem, em razão do contido nos artigos 3º, §1º e 515, VII, 
CPC. Inclusive, passa a ser título executivo judicial a sentença arbitral. 
 
33 Montans, Renato. Manual de Direito Processual Civil. 2ª edição, Ed. Saraiva: São Paulo, p. 80. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 28
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
A alternativa B está correta. A função social da jurisdição é justamente a pacificação do conflito, 
gerando um efeito secundário que é a educação34 da sociedade quanto a seus direitos e 
deveres. 
A alternativa C está incorreta. Vale salientar que, no estágio atual da filosofia, não se pode 
mais falar em verdade real, mas sim em verdade processual, dialogicamente elaborada a partir 
do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LV, CRFB). 
 A alternativa D está incorreta. A ideia da assertiva é de Chiovenda, da atuação da vontade 
concreta da lei (teoria dualista). Mas é importante asseverar que temos outra teoria 
contraposta, a de Carnelutti, da justa composição da lide (teoria unitária). Vejam abaixo as 
diferenciações. 
MPF/Procurador da República: Dissertar, à luz da visão instrumentalista do sistema processual, 
sobre a JURISDIÇÃO: a) o conceito; b) os princípios; c) os objetivos sociais, políticos e jurídico. 
4 - TEORIAS SOBRE A JURISDIÇÃO 
Duas teorias são de maior importância, quais sejam, teoria dualista (declaratória) e teoria unitária 
(constitutiva). 
 
1ª - Teoria dualista (declaratória): Liebman e Chiovenda afirmavam que o Estado, por meio da 
jurisdição, não cria direitos, mas apenas se limita a declarar direitos preexistentes. 
Parte-se da ideia de que a ordem jurídica tem dois planos bem definidos: substancial e processual. 
Sempre que ocorre um fato da vida que se enquadra no modelo legal (substancial), surgem direitos, 
obrigações e relação jurídicas, todas como criação imediata. A sentença (processual) não os cria, 
tampouco concorre para a sua criação. 
Para Chiovenda, a jurisdição tem a ver com a substitutividade e com a atuação concreta da lei. 
Lembrem-se dessas duas palavras grifadas, que podem cair em sua prova. 
 
34 Parcela doutrinária elenca o escopo educacional como um objetivo autônomo (ex: Daniel Assumpção, op. Cit. p. 21). 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 29
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
O autor italiano define jurisdição, portanto, como função do Estado que tem por escopo a 
atuação da vontade concreta da lei por meio da substituição, pela atividade de órgãos públicos, da 
atividade de particulares ou de outros órgãos públicos. 
CESPE/Delegado da PF/21 - As características da jurisdição incluem substituir, no caso concreto, 
a vontade das partes pela vontade do juiz, o que, por sua vez, resolve a lide e promove a 
pacificação social. Incorreta. O equívoco da assertiva está em trocar “vontade da lei” pela 
“vontade do juiz”. Afinal, o juiz não pode decidir de forma discricionária e autoritária, por mero 
voluntarismo. Há que seguir os ditames da lei. 
Crítica: A jurisdição é uma atividade criativa, inclusive diante do fenômeno do neoconstitucionalismo, 
que consagra cláusulas gerais, deixando o sistema normativo aberto, e transfere expressamente ao 
órgão jurisdicional a tarefa da completar a criação na norma jurídica perante o caso concreto. 
2ª - Teoria unitária (constitutiva): Carnelutti afirmava que o direito material não é apto a criar 
direitos subjetivos, apenas expectativa de direito. Assim, cabe ao juiz criar o direito subjetivo antes 
inexistente. 
Para Carnelutti, jurisdição é a justa composição da lide, com a criação, pelo juiz, de uma norma 
individual para o caso concreto, que passa a integrar o ordenamento jurídico. 
De qualquer forma, a fórmula da “composição da lide” também pode ser analisada a partir da idéia, 
que está presente no sistema de Carnelutti, de que a lei é, por si só, insuficiente para compor a lide, 
sendo necessária, para tanto, a atividade do juiz. A sentença, nessa linha, integra o ordenamento 
jurídico, tendo a missão de fazer concreta a norma abstrata, isto é, a lei. A sentença, ao tornar a lei 
particular para as partes, comporia a lide.35 
Para Chiovenda, portanto, a função da jurisdição é meramente declaratória; o juiz declara ou atua a 
vontade da lei. Carnelutti, ao contrário, entende que a sentença torna concreta a norma abstrata e 
genérica, isto é, faz particular a lei para os litigantes. A jurisdição é constitutiva. 
Para Carnelutti a sentença cria uma regra ou norma individual, particular para o caso concreto, que 
passa a integrar o ordenamento jurídico, enquanto que, na teoria de Chiovenda, a sentença é externa 
(está fora) ao ordenamento jurídico, tendo a função de simplesmente declarar a lei, e não de 
completar o ordenamento jurídico. 
Críticas: A teoria de Carnelutti peca em dois pontos: 
1º ponto: Malgrado a lide seja a principal situação concretamente deduzida, há situações que 
deduzidas no Poder Judiciário que não configuram lide. Por exemplo, ação de mudança de nome, 
 
35 CARNELUTTI, Francesco. Diritto e processo, Napoli: Morano, 1958, p. 18 e ss. 
Estratégia Carreira Jurídica
Direito Processual Civil Delegado PF - Prof.: Rodrigo Vaslin
cj.estrategia.com | 30
 
 
 
 
 
 
 
PAGE 
\* 
MERGEF
ORMAT
139 
opção de nacionalidade, separação consensual etc. Outros casos são os da revelia, reconhecimento 
jurídico do pedido nos denominados “processos necessários” (necessidade de se socorrer ao 
judiciário mesmo não havendo lide), como no caso do MP ingressando com ação de anulação de 
casamento contra ambos os cônjuges, ou mesmo numa ação penal em que se propugna pela 
absolvição do acusado. Por fim, também nos processos objetivos em que se discute a 
constitucionalidade ou não de um dispositivo. Não há lide sociológica, como pretendido por 
Carnelutti. 
2º ponto: Ao mesmo tempo em que afirma que o juiz cria uma norma individual para o caso concreto 
(teoria unitária ou constitutiva), não aceita que o juiz crie um direito que não exista no ordenamento. 
Essa diferença é sutil e difícil de ser compreendida! 
Mas qual seria a solução para superar essas críticas? 
Sobre a solução para tais concepções, Marinoni passa a discorrer sobre a Jurisdição no Estado 
Constitucional e a influência do neoconstitucionalismo e pós-positivismo no Processo Civil, temas já 
abordados no início do curso. 
Para não deixar passar em branco, porém, rememora-se o tópico sobre a mudança na teoria das 
fontes do direito. 
Antigamente, à lei era conferida uma primazia significativa, podendo o intérprete buscar os princípios 
gerais do direito apenas no caso de omissão daquela (vide o art. 4º, LINDB). Atualmente, com toda a 
revolução na teoria das fontes, da qual tratamos (aula passada), o intérprete se pauta não apenas

Mais conteúdos dessa disciplina